Episódios de Sala 1604

Ilustrei o livro do Lázaro Ramos! | com Fer Rodrigues - SALA 1604

07 de maio de 202655min
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No episódio de hoje, conversamos com a ilustradora curitibana Fernanda Rodrigues sobre ilustração editorial, livros infantis, processo criativo, persistência e o caminho até viver de arte.

A Fê compartilha como saiu de uma rotina trabalhando em padaria para ilustrar livros publicados por grandes editoras, além de contar como a pandemia e um desafio pessoal de postar uma ilustração por dia mudaram completamente sua carreira.

Falamos sobre:

• como começar na ilustração mesmo sem contatos

• estudar copiando artistas que você admira

• desenvolver linguagem autoral

• trabalhar com livros infantis

• bastidores da ilustração editorial

• insegurança, persistência e processo criativo

• como usar redes sociais sem perder autenticidade

• representar mulheres negras na arte

• a responsabilidade de ilustrar para crianças

Participam deste episódio:

GABRIELA ANTONIA ROSA

https://www.instagram.com/gabrielantoniarosa/

FER RODRIGUES

https://www.instagram.com/ferilustra/

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Créditos

Produção: Thais Peixe

Roteiro: Gabriela Antonia Rosa e Thais Peixe

Estúdio: Produtora OGS

Designer: Eric Matheus

Motion: Rodolpho Rodrigues

Editor: @abiscoitado ​

Participantes neste episódio2
G

Gabriela Antônia Rosa

HostLíder de produção de conteúdo
F

Fernanda Rodrigues

ConvidadoComunicadora
Assuntos6
  • Ilustração infantilProcesso criativo e desenvolvimento de linguagem autoral · Representação de mulheres negras na arte · Desafios e responsabilidades na ilustração para crianças · A importância da ilustração em livros infantis · Ilustração de livros para bebês
  • Carreira artística de PedroTransição de carreira de padaria para arte · Autodidatismo e estudo de artistas admirados · Uso de redes sociais para divulgar arte · Prospecção de clientes e construção de portfólio · A importância da persistência e do aprendizado contínuo
  • Ilustração editorialBastidores da ilustração editorial · Colaboração com autores e editoras · Desafios de prazos e produção acelerada · A diferença entre ilustração de livro e capa
  • Acessibilidade na ArteSuperar a insegurança e a autocrítica · Aprender com erros e 'pequenos acidentes felizes' · A importância de se desconstruir e experimentar novos estilos · A relação entre arte, espiritualidade e memória afetiva
  • Inspirações ArtísticasInfluência de artistas como Janice Sung · Música: Afrobeat, Fela Kuti, Stromae, Beyoncé, Rosalia · Interesse pela língua e cultura francesa · Cerâmica como forma de expressão artística
  • Tendências do mercado editorialA dinâmica de trabalho com editoras e autores · A influência de tendências e modismos no mercado editorial · O custo e o processo de produção de livros infantis (capa dura, impressão) · A busca por originalidade em tempos de inteligência artificial
Transcrição150 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Cara, copia. Copia a arte do cara. Não insisto o suficiente pra fazer dar certo, sabe? Como que eu faço? Ninguém me conhece, cara. Como que eu saio dessa bolha? Tem que dominar e sempre estudar. O que é único, o que é autoral, o que é muito original, tem sempre o seu espaço, assim. Vai ter sempre o seu lugar. E as crianças, elas são muito exigentes.

Olá, artistas do Brasil! Estamos aqui para mais um episódio do nosso podcast queridíssimo, a Sala 1604. Eu sou a Gabriela Antônia Rosa, uma das líderes de produção de conteúdo da Escola Revolution, host desse programa que vocês tanto gostam. Hoje a gente vai entrar no mundo...

da ilustração e mais especificamente ilustração editorial. Temos uma pessoa aqui que tem uma intimidade com livros. E vocês já sabem que esse é um tema que me é muito caro, porque eu sei ler, né? Brincadeira, Fer. É que eu sou uma pessoa que fez letras. Então, realmente, eu gosto do negócio do livro. Ele me dá uma pegada ali no coração. Sim. É um negócio forte.

E a gente convidou aqui uma artista de Curitiba, né? Nossa conterrânea aqui Que já ilustrou livros como A Semente Que Veio De Longe Os Dengos na Moringa de Voinha E recentemente a gata arrasou Ilustrou o livro aí de Lázaro Ramos e Ruth Souza Que é a rainha da rua Paissandu Seja muito bem-vinda Fernanda Rodrigues à sala 1604

Oi! Obrigada. Obrigada. Feliz que você está aqui. Também estou bem feliz. Quero conhecer mais da tua vida, da tua história. Nossos ouvintes, com certeza, também.

Como é que começou o lance de ser artista, trabalhar com arte? Da onde veio isso? Bom, eu vou falar uma coisa bem clichê, assim. Quando eu tinha três anos. Quando eu era uma criancinha. Eu sempre, sempre desenhei. Sempre, na verdade, assim, olha. Eu sou bem criativa. Eu acho que todo artista é bem criativo. Então... Um dos anos.

Foi da infância, sim. Mas eu tive alguns percursos, né? Tive algumas descobertas. Teve ali a fase da adolescência. Aí eu fui mãe. Então, fui mãe antes. Fui mãe antes de me resolver profissionalmente, assim. E aí faz cinco anos que eu...

Que eu tô trabalhando só pro mundo editorial, né? Basicamente, as coisas foram acontecendo. Foram acontecendo. Tiveram vários fatores, assim, pra eu chegar até onde eu tô, sabe? Sim. Mas eu sou uma artista que eu sempre fui curiosa. E retratista também, eu comecei com retrato. Sério? O que você fazia? Eu comecei... Eu era muito fã do Nirvana, ainda sou.

Que é típico, né? Eu era muito fã do Kurt Cobain. E aí, eu pegava as revistas que, na minha época... Na minha época, a gente comprava muita revista em banca. Comprava pôster e tal. E aí, eu pegava os rostos do Kurt Cobain e desenhava. Aí, meu pai, ah, vou pegar essa chata e vou colocar num curso de desenho. Já que ela gosta de desenho. Tinha vários rostos do Kurt Cobain, assim, no meu quarto.

Que maravilha. Então, tipo, de alguma forma, teu pai te incentivou, assim. Bastante, bastante. Que legal. Porque isso é raro, né? A gente sempre rola uma relutância dos pais, assim, às vezes, a incentivar a arte. Principalmente, levando pra um trabalho, né? Sim. Até quando começou a surtir efeito, né? Quando começou a dar resultado, ele falou, ele confessou que achou que não ia.

Que eu não ia ter retorno, sabe? É uma preocupação mesmo de família, né? Porque o mundo da arte, infelizmente... A gente sabe, né? Tem as suas questões, né? Tem seus momentos. Sim. E aí, minha irmã começou a namorar. Minha irmã mais velha. E ela começou a namorar um ilustrador. A gente fala que a gente se reproduz em cativeiro, né? Exatamente. Não tá muito longe ali, um artista.

sempre odia a gente dos artistas. Isso, e eu fui ter contato com uma mesa digitalizadora com 20 anos, assim. Eu nunca tive contato até com computador. Porque a gente tem que pensar também que a gente mais velha, eu digo os 35 mais ou os 30 mais, a gente foi ter celular, tipo, recentemente, né? Então, pra ter acesso ao computador era muito difícil. Minha adolescência, assim, em Hanlan House e tal.

E aí, ele me conseguiu um computador lá, falou, Fer, se você quiser uma mesa digitalizadora. Tipo, ele meio que viu, assim, né? Seu olhinho brilhando, assim, seu olho guardado. E curiosidade também, fui muito curiosa. Tipo, eu sou autodidata.

Esse curso que eu fiz de desenho, acho que foi a única especialização que eu tive mesmo na área de desenho. E eu fiz um curso técnico de moda. Tipo, tá ali na área. Tem gente que chega comendo pelas beiradas, assim. É. E aí, eu fui curiosa, fui mexer. Falei, meu Deus, como que mexe numa mesa digitalizadora, pelo amor de Deus. E aí, fui me adaptando. E o programa que eu comecei a ilustrar, até hoje eu uso, que é o Photoshop.

Então, fui me adaptando, fuçando, vendo o tutorial de como que faz. Curiosidade mesmo, sabe? Empenho mesmo. E aí, não deu resultado. Droga! Tentei. Não tentei, não deu resultado. Aí, eu falei, poxa, beleza. Então, fui trabalhar com outras coisas, fui fazer outras coisas, né? Estudei moda e tal, trabalhei de tudo.

né, como todo brasileiro. E aí, chegou um momento da minha vida, assim, que eu tava olhando no Instagram e tal, bem no início do Instagram, vários artistas que eu, ilustradores que eu gostava muito, né, daí eu pensei, cara...

Que legal. Só que me veio uma crítica muito forte como mulher. E vou entrar no assunto, mulher e mulher negra. Tipo, meu, só tem... Beleza, é linda, a técnica é maravilhosa. Mas é só mulher hipersexualizada. Porque antigamente era assim, né? É, a gente já melhorou bastante. A gente cresceu vendo esses tipos de personagens. E eu falei, não, eu quero ressignificar isso, eu quero mudar isso. Eu quero me ver também ilustrada ali, sabe? Sim.

Então, aí eu comecei a desenhar, criar personagens de mulheres negras. Mas aí, tipo assim, até como uma dica, né? Dando uma dica pra galera que tá iniciando a desenhar. Eu acho que o ilustrador, ele pega muita referência. A gente usa muita referência. Então, eu usava referências e eu até...

Dou dicas, assim, pra um amigo que tá começando e tal. Falei, cara, sabe o que você faz? Você pega um artista bem... Não sei se pode falar. Pode falar. Bem fodão, que você gosta mesmo. E, cara, copia. Copia a arte do cara. É, assim que a gente aprende. Que a gente aprende, tipo...

Como que faz aquele detalhezinho, cara? Como que essa pessoa pintou? E aí eu comecei a conhecer a arte da Jane Sessung. Ai, perdão, esqueci o sobrenome da minha diva, Nervosismo.

E ela é japonesa e tal, assim, e eu sempre... Ah, eu esqueci de falar, que eu gostava muito de aquarela. Então, eu voltei a desenhar no papel, né? E aí, ela me chamou atenção pela aquarela. Mas aí, eu fui olhar o trabalho dela digital.

Falei, eu quero ser uma Janice Sung. Ah, sempre tem, né? Se você pudesse ser qualquer artista, que artista você queria, meu caralho. Eu quero ser ela. E aí, comecei a copiar mesmo, no início. Mas aí, foram surgindo as minhas personagens, sabe? Tipo, eu fui criando ali o meu mundo, assim. Até porque ela faz personagens orientais, né? Japonesas e eu, negras. Só que…

Ela retrata a mulher negra dos artistas ilustradores que eu conheço. O cara tem uma ilustração dela de pele negra, assim, que é perfeita. Eu falei... Ela sabe alguma coisa que eu quero saber. Ela sabe alguma coisa que eu quero saber. E também...

Na minha época… Era muito difícil a pele negra, né? Tinha esse tabu, né? Nossa, é muito difícil pintar pele negra. Tinha, só que eu assistia vários tutoriais, assim, e tal. Obviamente, eu lembro de viralizar muito o tutorial, tipo…

2019, assim, 2020, viralizar tutorial pra pintar a pele negra, assim, no Twitter, aparecia direto. Porque as pessoas falam, nossa, eu queria saber, eu não sabia e tal. É, um monstro de sete cabeças, assim. E aí, eu vi aquilo e falei, meu, é isso. É isso, isso sou eu, isso me representa de alguma forma, fez sentido pra você. Quando foi isso? Olha, eu sou bem ruim com datas. Foi em 2019, assim. Tá. Foi 2018, 2019.

E aí, eu comecei a criar, comecei a ilustrar digital. A minha arte mesmo, baseado em todo um histórico, né? É claro, eu estudei fundamento de retrato e tal. Então, eu não tinha muita base, assim. Tipo, se a pessoa na época me falasse assim, Fer, eu preciso que você faça um personagem com um cenário tal, eu não ia conseguir. Porque eu só tinha o domínio de uma técnica, né?

Custou alguns... Um tempo ali, estudos, né? Custou um pouco. Mas daí, esse meu cunhado... A luz na sua vida? A luz, ó. Marcos de Mello. Obrigada, Marcos. Obrigada, Marcos. Ele trabalhava já com editorial. Ele trabalhava com livro para didático. E aí ele falou, Fer, tô entupido aqui de trabalho. Que pena, Marcos. Que pena. Que pena.

Já que você tá aí com o Photoshop bombando, já tem uma mesinha melhor. Pega aí uns trabalhinhos. Vem finalizar pra mim. E aí, eu comecei a finalizar. Aí, falei, cara, dá pra fazer muita coisa. Aí, foi pegando os esquemas. Sim. Esse foi pro teu primeiro trabalho, então? Foi, de editorial. Foi pra livro didático. Sim, sim. Mas eu participava só da parte da finalização, que já foi ótima, assim.

Ah, mas já começou a ganhar um dinheirinho, né? O que é maravilhoso, né? E ganhar o dinheiro com uma coisa que eu gostava muito de fazer, né? E assim, aí fica a dica de novo pra galera. Cara, sai da zona de conforto um pouco. Eu desenhava só o que eu gostava.

Óbvio. Eu amava. Eu tava na zona de conforto, cara. Tô desenhando aqui. Retrato, me ampressando. É minha arte, meu jeito. Politezando, né? E só que...

A grana, o money, vem de outros lugares, né? Então, eu abri um pouco o meu leque. Falei, não, cara, se eu faço um retrato, assim, todo elaborado, por que eu não vou conseguir fazer um personagem infantil? Virou a chave ali.

E o ilustrador, ele tem que ter. Ele tem que dominar vários... Várias áreas, vários... Não é que é obrigação, mas, cara, se você quer seguir, se você quer se desenvolver... Se você quer fazer uma carreira, diz um trabalho, você tem que, né? Você tem que. Tem que. E não é difícil. Não é difícil. É só a gente largar um pouco aquele ego. Ai, não é porque é o que eu gosto, é o que eu sou fã. Não, gente, a gente tem que...

Nada que um boleto batendo na porta não passa na outra ali e dá uma acordada despertada. Um boletinho. É. E aí, beleza. Foi o primeiro trabalho que eu fiz. Mas aí, eu continuei, né? Fazendo ali os meus desenhos. Fazendo feira. Bastante feira. E eu, às vezes, me perco, assim, na linha do tempo, assim. Mas... Feiras tipo a mamute que você tava falando, assim. Tipo, feiras independentes. Feiras gráficas, assim. Artes, artesanato. Sabe, assim?

Pro povo me conhecer também, né? Porque eu lembro bem, assim, o Instagram, ele foi bombar um pouco depois, assim. Tipo, bombar mesmo de... já era algo, mas as pessoas começaram a olhar um pouco ali durante a pandemia, né? Mas antes não tinha como as pessoas... eu não tinha tanto... Você não tinha produto? Não tinha quem visse, sabe? Não tinha público.

Eu não vivia nas redes sociais, o meu trabalho não tava nas redes sociais ainda nessa época. Mas nessas feiras você já tava levando, tipo, print? É, uhum. E aí, uma amiga, a Brenda. Daqui? Daqui de Curitiba. A Brenda é a Boçato? Não, vou saber. É outra Brenda. Brenda, perdão. Eu esqueci seu sobrenome. Tudo bem, vamos falar só os primeiros nomes hoje. Isso, se eu lembrar o nome.

E aí, a Brenda, que trabalha e que faz a produção ali da Sociedade 13 de Maio, ela precisava fazer um livro. Ela queria fazer um livro, tava um projeto, né? De um livro e tá contando a história da Sociedade 13 de Maio. E ela falou, Fer, você não quer? Foi o primeiro trabalho que eu fiz independente, assim. Que falaram pra vocês. Que falaram pra mim. Fer, você não quer fazer? E nessa época, eu tava trabalhando numa panificadora. Caraca!

Trabalhava numa panificadora meio período, assim. Só que ciente, fábrica pães. Patrocinando esse episódio, tem que ter um pão quentinho. Mas é assim, ó, porque eu trabalhava seis horas lá. Então, eu tinha outras seis horas pra trabalhar com desenho, entendeu? Que massa. E eles sempre incentivaram, assim. Todo mundo que saiu de lá foi viver a vida profissional que sempre desejou. Que legal! Tipo um estágio, assim. E foi nessa época.

Um pouquinho, uns meses ali, né, antes da pandemia. Aí eu produzi esse livro e falei, cara, eu acho que dá. Gostei. Acho que dá. Que massa. O que eu posso fazer? Sobre o que a Arulise falou sobre a história da sociedade transigual? Aham, eu fiz uma ilustração, assim, do pessoal na época de carnaval. Aham.

Aqui tem os bailes de carnaval. Aham, fiz um baile de carnaval, assim. Ficou muito lindo. E aí, usei algumas colagens com um pouco de ilustração e um pouco de colagem, assim. Nossa, ficou muito bonito mesmo. E aí… Caraca, já gostei da autoestima. Eu nunca, assim, a gente já acabou 300 episódios de podcast. É muito difícil um artista elogiar o próprio trabalho.

Esse ficou muito bonito. Tá vendo? É assim que você lida com as coisas que você faz. Você fala assim, gente, ficou muito legal o negócio que eu fiz. Realmente ficou muito legal. As pessoas geralmente falam, nossa, com lixo, odiai aquele trabalho, olha, fica assim, parabéns. Não, tem coisas que eu... Tem alguns trabalhos que a gente nem comenta, gente. Tem alguns que não existiam. Tem alguns que dão orgulho e você fala sobre isso.

Esse eu falo, a gente tem que pegar o ouro... Esse foi o meu portfólio. Esse foi o meu portfólio.

Exatamente, ó, gente. Pega o que é do portfólio e você realça, entendeu? É, e o que não é, você esquece o que você fez. Não fui eu. Eu? Jamais, nem lembro. Não fui eu.

Beleza, e aí assim, terminei o livro, né? Terminei, entreguei e falei, não, eu consigo. Daí eu pensei, como que eu consigo? Aí que vem a mente criativa. Ó, gente, como que eu faço? Ninguém me conhece, cara. Como que eu saio dessa bolha? Curitiba, te amo, mas você é uma bolha. É uma super bolha. É uma bolha, bolha, bolha. E ali eu vi a oportunidade. Eu consigo sair um pouco da bolha? Então, entrou a pandemia, cara.

Entrou a pandemia. Eu falei, acabou. Porque eu achei que eu conseguia, talvez eu não consiga mais. Talvez eu não consiga mais. Mas aí, eu vi uma movimentação ali no Instagram. A galera começou a ficar mais no Instagram. Falei, e se eu me propor a fazer uma ilustração por dia? Caraca. E postar todos os dias. E eu escrevo também. Aí tem todas as questões psicológicas, de crise, de depressões.

Porque você fala assim, uma nota ali, assim, né? Eu podia colocar essa pergunta nos quadros no final. Eu falei assim, e o seu Cid, qual que é? O seu Cid vai sobre esse devidinho que você toma. Indica aqui pro pessoal. Sim. Aí eu falei, vou botar umas flores aqui nesse negócio, né? Vou trazer a minha dor ali. Vou compartilhar com a galera. Tipo, pegou a tua vulnerabilidade e transformou em arte. Total.

Total, total. E de uma forma assim, mais... Menos elaborada, de uma forma mais simples. Tipo, pra ser... Cru. Pra ser mais cru e pra pessoa conseguir consumir mais. E aí, uma das características que eu trouxe é tipo, meu, não vai dar tempo de eu fazer rosto.

Não vai dar tempo de eu fazer um olho e uma boca aqui, porque eu tenho que entregar hoje. É o seu prazo. Tem umas coisas assim de ilustradores, né? Tipo, ah, eu vou desenhar… Tem. Não sei exatamente o que você tá falando, mas assim, a gente tem uns exercícios, né? Que faz por tempo, assim, tipo, 5 minutos, 10 minutos, 15 minutos, uma hora. Então, mas…

Fala mais pra ver se a gente acha o nome. Então, de publicar uma ilustração por dia, assim. Tem desafios, assim, que a galera faz. Tipo, o Inktober é o mais famoso. Isso, eu fiz tipo um Inktober pessoal. Quanto tempo você publicou todo dia? Ai, eu acho que eu fiquei em bombeio uns três, quatro meses, assim. Caraca. Fiquei bastante tempo.

E aí, começou a bombar. Não sei porquê, não sei aonde que foi que começou… Tipo, as pessoas começaram a compartilhar. Nossa, muita gente, blogueira, muita gente, assim, muita gente. E assim, foi minha ponte, assim. Pra começar a criar pras pessoas me conhecerem.

E aí, eu entrei no mundo da ilustração infantil com uma ilustração que eu fiz e postei. Eu não ia fazer. Cara, isso acontece muito. Isso acontece muito. É uma coisa que você não ia fazer, não ia postar. E aí, você fez e postou e mudou a sua vida, basicamente. Sim. Pode falar o nome da editora. Claro, pode falar tudo o que quiser. Aqui ninguém paga, mas a gente também não paga ninguém, entendeu?

Ótimo, justo. E aí a Renata... Renata, eu só vou falar primeiro o nome. A Renata olhou meu trabalho no Instagram e falou Fer, eu tenho um texto que é o Quanta África. Quanta África tem no dia de alguém. E falou, ia pela editora Ciranda. Tipo, eu sabia que era... Eu não conhecia muitas editoras, mas eu sabia que era uma grande editora. Sim. E aí foi.

Falei, cara, eu nunca fiz, tipo, todo um livro infantil. É bastante ilustração, né? Um trampo. É um trampo. Tinha uma... né? Um texto, uma narratória, uma narrativa, né? Um contexto, tem que ter uma linha e, tipo... Tem uma responsabilidade. É muito... Trabalhar pra criança é muita responsabilidade, sim.

E é um texto de outra pessoa, né? Mas foi, assim, cara, parece que eu já tinha... Parece que eu fazia isso há anos, assim. A gente sentou, conversou, teve uma reunião e foi. E aí, a ciranda me pegou pra ela. Fiquei um tempo trabalhando, foi meu estágio, assim, pra...

E aí, tô aqui. De repente, cheguei aqui. Essa toda, faltou detalhes, óbvio, né? Claro. Não, mas achei massa, assim, tipo, era uma coisa que você queria. E aí, você foi insistindo e persistindo. E, tipo, você falou, não, vou fazer. E aí, você se impôs essa luta de vou postar todos os dias. E aí, você foi, foi, foi, foi, foi. E deu, sabe? Assim, às vezes a gente... Eu sinto que muitas coisas...

Falando em perspectiva pessoal, tá? Quando eu falo a gente, é eu enquanto instituição. Às vezes eu sinto que começo muitas coisas e não insisto o suficiente pra fazer dar certo, sabe? Isso poderia ter acontecido com você, né? Você poderia ter começado ali e tal. Antes da pandemia fez um negócio, mas aí na pandemia...

Ai, não tô afim, não sei, não vai rolar. Faz outra coisa. Mas não, você falou, pô, não, eu quero isso, gostei, vou fazer e tal. E você fez até dar certo, basicamente. Então, é porque no começo, assim, quando eu comecei a apostar, não era uma obrigação, sabe? Ah, é sempre assim que tem que ser, porque se vira obrigação, as noias já começam a ficar. Era tipo algo... E nessa época não tinha essa coisa do algoritmo de hoje, né? Que tem que fazer desse jeito. Era algo mais orgânico, sabe? E aí as pessoas sentem.

As pessoas sabem quando você faz do coração e quando você faz pra ganhar life. Aham, jabá, né? As pessoas sabem. E, então, daí não era algo que era… Era um momento do meu dia, assim. Tipo um diário, sabe? Ah, vou escrever através de um diário, de uma ilustração que eu tô sentindo. Ou coisas que já estavam guardadas. Eu precisava falar, sabe? Sei.

Eu precisava me expressar de alguma forma aqui. Eu precisava me expressar. Foi esse o meio que eu encontrei. Deixa eu falar, deixa eu falar do meu jeito.

Maravilhoso. E até hoje em dia, assim, gente, ó. Hoje, eu posso escolher o que eu vou ilustrar. Hoje. Ai, eu adoro quando vocês falam isso, porque é uma liberdade muito grande a gente poder escolher o que a gente quer fazer. Sim. Mas tem desafios, né? Tem coisas, assim, às vezes no início você fala, eu quero ilustrar esse texto, é muito legal. Só que lá no meio, vem o desafio. Lá no meio aparece.

Sempre tem, né? Sempre tem. Nada pra gente manosprezar nenhum trabalho, fazer com um pai nas costas. Nada é fácil. Nada é.

Ei você, presta atenção aqui rapidinho. Você já conhece a palavra da Escola Revolution? A Revo é uma escola de artes digitais, onde você pode aprender desenho, pintura digital, tudo o que tem para se aprender de 3D neste universo. Enfim, o que você quiser aprender para trabalhar com animação e games, a Revo tem. Sugiro muito que você pegue o link aqui na descrição e entre no site escolarevolution.com.br e olhe todos os cursos que temos a oferecer.

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Eu quero que você volte um pouco de como é trabalhar com livro, assim, porque é o que você falou, o artista tem que saber fazer um pouco de tudo, e, né, ilustração é um mercado muito gigantesco, né, você pode trabalhar com infinitas coisas. E ilustração de livro tem as suas particularidades, né, tem coisas específicas do livro, acho que uma das coisas mais importantes é que você não tá fazendo a ilustração como um produto final, né, ele entra com o texto, então necessariamente você tá trabalhando com uma coautoria ali, né.

E ilustração infantil, a ilustração é essencial, né? Às vezes ela é mais essencial do que o texto, porque dependendo da faixa de história que você está trabalhando, as crianças nem sabem ler. Elas estão ouvindo aquela história, mas a importância da ilustração para a narrativa é muito grande, porque ela vê o que está acontecendo, né? Então faz muita diferença. E aí eu queria que você contasse um pouco como é trabalhar com isso, da perspectiva de profissional mesmo, assim.

O texto chega pra você primeiro, você lê todo o texto, você que lê altas páginas também, tem outro profissional que lê alta, você escolhe quais são as ilustrações, como que é a troca com os autores, assim, tipo, na prática do seu dia a dia mesmo, como que é o trampo.

Então, eu gosto de trabalhar, aprendi a duras penas. No início, eu sei como que é, gente. No início, não vai dar pra escolher. No início, você vai ter que fazer o que vier ali, entendeu? E bem feito, hein? E o que não dá pra fazer bem feito, aí vocês contam.

Você não põe no portfólio. É bem orgânico. Eu gosto que seja orgânico. Eu gosto de ler o texto e, cara, bateu aqui, veio umas imagens, eu consigo... É algo que eu tô familiarizada. Ou é algo, tipo, que vai mexer. O último livro que eu ilustrei era...

uma criança benzedora, que benze. Com uma galinha. Falei, cara, é isso. Isso aqui vai ficar maneiro. Eu gosto que o trabalho me desafie, sabe? Então, eu leio o texto antes. Eu leio o texto. E aí, você deixa aquilo... Não, às vezes é, tipo, li o texto. Peguei. Vem. Caraca, massa. Vem, respondo. Aí, eu converso com o autor. Eu sempre pergunto, quais são as suas expectativas? Ah, isso é bom. Você faz esse alinhamento, porque às vezes já fica de história, menina.

Tem autor que quer… Daquele jeito. Do jeito, né. Quer também um estilo, quer propor um estilo. Eu não me importo que a pessoa proponha um estilo e tal. Mas assim, tem que alinhar.

Então tem que querer também. Tem que estar querendo também. Eu sou autora aqui também. Ó, ilustrador é autor. E aí, fechou. Tem algumas pessoas, tem alguns autores que trazem desafios. Igual esse que eu fiz pro... Eu gosto bastante, tem alguns autores. É uma maneira muito delicada e educada de falar com os autores. Sim, e às vezes você não consegue decifrar. Até hoje, eu tive a oportunidade. Lázaro, conheceu o Lázaro Ramos. Um beijo pro Lázaro Ramos. Ó.

Chefinho. Então, eu tive a oportunidade de conversar com ele, né? Que tudo. E assim, às vezes o autor, ele traz uma coisa assim, tipo, meu, o que essa pessoa tá falando? E eu vou ter a oportunidade de conversar com ele de novo e vou perguntar. Que até hoje ainda não esclareci. Ele falou, ah, então eu quero um livro que seja tipo o Wally.

O mundo de Wallis, sabe? O desenho, a ilustração. Eu falei, cara, a gente tá falando sobre um povo originário lá da África. O que você tinha tirado ali? O que você tá querendo dizer? Mas daí ele explicou, né, que...

Que ele queria bastante as planícies lá e tal. Tá. E aí, eu tive que captar. É tipo, é você interpretar. O que que ele tá... O que que essa pessoa tá querendo trazer. Traduzir, né? Você tem que traduzir o que tá na cabeça dele pra vida real, assim. Sim. Aí, pesquisa. Aí, fui pesquisar. Esse me tirou da zona de conforto.

Tive que pesquisar vestimentas, um pouco da cultura pra trazer. Tem um jogo que eles jogam lá, que eu esqueci o nome, né? Porque hoje... Hoje a B12 tá... Embaixo. Tá bem embaixo. Tem um jogo que eles... Eu tava olhando fotos, assisti alguns documentários e falei, cara...

Eu conheço esse jogo, que é um jogo de umas pedrinhas, assim, numa tábua de madeira, umas pedrinhas vermelhas, assim. Eu falei, cara, eu vou trazer pro livro. Tá ali, né? E ornamentos que eles usam, que o povo usa. E, assim, cultura.

Cultura pra aquele livro. Cada livro tem... A sua particularidade. O do Rubem Alves também. A filha do Rubem Alves. Olha que privilégio. Muito privilegiada, né? Ela falou, olha, Fê, eu quero um livro que já tem... E quando o livro já foi publicado, o título...

Já tem uma carga de leitores Já tem uma imaginária Já vem com outra história Com uma expectativa, a galera já vem assim Então você vai ter que transformar Aquilo E foi o que aconteceu com a menina E o pássaro encantado Ela falou que era uma coisa colorida Eu quero algo que Que tenha mais movimento E tal

Então, é basicamente isso. Você faz bastante essa troca com o autor e tal. E eu perguntei, o texto vem lealtado pra você já ou você vem lealtado? Vem, vem lealtado. Já vem tipo assim, a ilustração vem aqui, aqui e aqui, assim. Ó, todo respeito pelos profissionais de design gráfico aí, vocês são…

Sem vocês, eu não faria o meu trabalho. Eu não faria absolutamente nada. Não, porque, assim, muita gente que ouve aqui as aulas 16 e 04 são pessoas que estão iniciando na carreira, ou tentando migrar de carreira. Então rola muita dúvida, assim, do tipo, tá, como que é o trabalho na prática, o que eu tenho que fazer, como é que funciona e tudo mais. Eu acho isso legal a gente falar dessas particularidades, porque às vezes a galera nem imagina como é feito, assim. E é bizarro, porque...

É o que você tava falando agora há pouco. Você foi ver uma mesa digitalizadora com 20 anos e aí explodiu tua cabeça, sabe? Às vezes a pessoa vê o livro ilustrado e ela fala nossa, alguém faz ilustração de livro. E ela nunca tinha pensado nisso, nunca tinha visto, nunca pensou que existia essa profissão. Eu sempre vejo isso acontecer. Quem é mais novo não passa por isso, né? Mas a gente que é um pouquinho mais velho já...

Todo mundo tem esse momento, assim, tipo, descobrir que dá pra ser artista, sabe? Tipo, caraca, eu sempre desenhei, sempre gostei de pintar, assim, sempre tinha uma habilidade artística de alguma forma e, de repente, descobri que aquilo, tinha pessoas que trabalhavam com aquilo e você fica, tipo...

Que legal. Que legal. Foi mais ou menos o que aconteceu com meu pai lá do início da conversa. Que ele não imaginava, assim, que dava pra trabalhar. É outra geração, né? Tem que ter um pouquinho de paciência, né? Claro. E algumas pessoas da faixa etária dele, assim, quando eu falo Uber, né? Ah, eu trabalho com livro infantil. Livro infantil. Existe livro infantil?

E assim, dentro do livro infantil, como você... A primeira questão ali. Tem livro pra pré-adolescente. Tem livro pra criança. A faixa etária vai mudando, né? Tem livro pra bebê. Fiz dois livros pra bebê. É muito gostoso. É muito bom, porque é coloridinho. As formas são mais redondinhas. É uma coisa mais simples. E aí, tem um primo meu que ele é ilustrador. Paulo André. Paulo, beijo. Paulo também foi...

Me incentivou bastante, assim. A forma como você vai desenhar, você vai entender que às vezes é mais fácil você fazer um desenho todo rebuscado, com detalhe, do que um desenho infantil que é super simples. É muito difícil fazer o simples. A simplicidade é uma busca infinita. É um desafio.

E aí tem que ter o redondão lá, o rostão redondo, forma, porque é um bebê, né? Então eles estão descobrindo, assim. É, eu acho que é isso também, tipo, o peso da ilustração nesses casos é muito grande, assim. Quanto menos textos tem, mais ilustração importa, assim, pra narrativa, né? E as crianças, elas são muito exigentes.

Público exigenticíssimo. E eles pegam detalhe, tá? Às vezes você vai fazer assim, numa casinha lá atrás. Eles olham lá atrás, ver se tem alguma coisa lá atrás. Eu amo esse tipo de livro, porque assim, eu tenho uma filhada bem pequenininha. Agora, a Olivia, o nome dela tem um ano e sete meses.

E aí, ela ama ler. Ela ama ler. Eu dei de presente pra ela até uma escrivaninha, assim, com uns livrinhos, assim, pra ficar... Uma prateleirinha, assim. Ela ama. E assim, eles lêem o mesmo livro oito mil vezes, assim. Então, eles decoram cada página, cada ilustração. Tipo assim, antes de virar a página, ela já sabe o que vai vir. Daí, ela fica interagindo com aquilo ali, uma parada. Tipo, cara, eles prestam atenção em tudo. É incrível.

E eles se apegam também nos personagens. Porque eles inventam uma história pros personagens, né? Sim. Eles tiram de dentro do livro e falam, ah, é o gato daquele livro e tal. Ela nem fala direito, mas ela já associa as coisas, assim. Tipo, sabe, dois livros de cachorro. Ela fala, esse cachorro, é aquele cachorro? É o mesmo cachorro? E sabe, tipo, nada a ver. Mas já começa a criar conexões com as coisas. Muita!

Aí, às vezes, assim, quando eu vou fazer um personagem, eu tenho que trazer a... É cansativo, mas tem que ser a mesma característica até o final do livro. Eu não posso, de repente, mudar a página. Ah, a menininha tá com um vestido amarelo no outro azul. A criança vai se perder, né? E assim, eu sou mãe, então eu... A leitura sempre esteve presente, sabe? A gente lia muito... É... O Menino Maluquinho.

E aí, tem páginas que eles realmente... Como você falou, tem páginas que eles se apegam, assim. É aquela página. Se puder deixar a página... Só aquela. Ficar aí e perguntar assim. Uhum. Uhum. Bem isso. Tem muito isso de livro infantil. Eu acho muito massa, assim. Como é diferente o livro pra criança, assim. É um objeto que eles lidam de uma forma diferente, né? Porque pra livro de adulto, é só texto, né? Não liga muito, assim, pra...

Liga pra capa, né? Produto, é. Pra capa, sim. Você já ilustrou várias capas também, né? Capa. Capa veio depois. Capa veio depois da minha vida, sim. Foi muito legal o desafio da capa. Qual a diferença que você acha que você sente? Gente, a capa tem que trazer… Não pode entregar.

A capa não pode entregar, mas a capa tem que ser algo que… Sabe o ditado, não compre o livro pela capa. Ah não, a gente super compra pela capa. Tem que ter a capa, gente. Tem que querer comprar pela capa. Tem que querer comprar pela capa. A capa tem que chamar atenção, mas ela também não pode entregar. É igual o livro infantil. Quando eu vou fazer a capa, eu não posso entregar toda a história ali, entendeu?

Então, é um desafio. Ser capista também é um desafio bem desafiador. Um desafio grande. É. Por que você acha que é mais difícil, assim? Você tem feito mais capa ou mais ilustração de livro inteiro? Então, eu faço bastante livro e as capas vêm no intervalo de tempo.

De tempos em tempos aparece uma capa. De tempos em tempos aparece uma capa. Aí, tem modinha, né? Tem modinha de capa de livro. Tem super modinha de capa de livro. Porque tem modinha de gênero de livro. Tem modinha de tipo de livro, de tipo de história. É, é um mundo à parte. Lembra quando saiu o Crepúsculo, assim, que todas as capas de todos os livros eram pretas com coisas vermelhas, assim? É, então. Ou se eu me dá som de cinza também, as pessoas lembram de ir na livraria.

Todos os livros tinham capa meio igual, assim, uma coisa meio louca. E isso segue uma tendência, né? Aí, assim...

Geralmente o escritor tem algo ali, né? Que eu pensei nessa imagem. Às vezes eles trazem alguma referência. O da Ruth, eu busquei ali referências nas fotos e tal. Mas às vezes não tem. Daí, cara, o que eu vou fazer aqui?

Ô, meu Deus do céu. Que cor eu vou trazer aqui? Como você disse, você é muito criativa, né? Você inventa. Aí eu invento. Daí eu trago uma cor. Trago uma tendência. Geralmente, as cores que eu gosto de trabalhar, mas eu...

Tô me desconstruindo nisso, trazendo mais cores, coloridas. Pra não ficar viciada nos mesmos tipos. É que você também tem que fazer uma capa diferente, não. Exatamente. E não é infantil, né? É outra... Outra pegada. Outra pegada. E teu trabalho nas redes sociais? Tipo, porque você posta suas coisas, posta sua vida, né? Você tá ali bem presente e tal. E você ainda faz os seus posts mais pessoais, assim, né? Você ainda traz isso pro que você cria lá.

Como é que você separa, tipo, o que é arte sua pessoa física e o que é arte sua pessoa jurídica?

É um desafio. Ai, eu acho que a palavra do... Minha vida é muito difícil. A minha vida é sofrida. Então, hoje em dia, até comentei com a galera que assim, tipo, não dá pra entregar mais a arte crua ali no feed do Instagram, gente. Se moraliza. E também inteligência artificial tá aí, né? Ah, é verdade. Não dá mais pra ser do mesmo jeito como começou. A meta tá acabando com a vida do ilustrador de todo mundo.

Então, eu busco trazer outras formas, tipo print agora, né? Pensando em mostrar mais o print. E quando é algo de trabalho, eu posto o livro pronto, que demora muito. Tem livro que eu ilustrei, tem um livro que vai lançar.

Que eu ilustrei já faz no início do ano, em janeiro. Vai fazer um ano. Caraca. Demora um pouquinho, né? Então, daí dá pra dispersar, assim. Dá pra separar. Até pensei em fazer dois Instagrams. Eu falei, não. Ah, não. Já tem muito trabalho. É difícil alimentar um só, minha filha. É, já tem dois Instagrams. Não dá. Não existe isso. E aí, mas tipo, você trabalha de ilustração e tal. E aí, você também vende as suas coisas.

Você faz, tipo, você continua participando das feiras e tal, assim, dá pra ver que você tem uma paixão, assim, por isso, né? Tava vendo você, hoje mesmo que você postou, eu acho que você tava enviando os pedidos e tal. É diferente, né? Quando você tem esse contato com o público direto, que eles compram diretamente a tua arte, né?

Sim, eu vejo resultado, assim, de... É assim, ó. Quando eu disse lá no início que eu fiz um diário das ilustrações, é tipo, eu tô mostrando uma... Algo que eu tô sentindo e alguém vai se identificar com aquilo. Então... Sempre. Na minha DM, eu escutei já vários desabafos, assim. A galera abre o coração, né? Nossa, galera.

As pessoas meio que se sentem à vontade pra você também. Sim. E também eu trabalho um pouco com a espiritualidade, né? Tem algumas ilustrações minhas que têm um pouco da espiritualidade. E aí as pessoas sentem esse esotérico. Essa energia, né? Essa energia mais... Mas, assim...

Daí dá vontade de chorar. Na edição passada, uma menina parou na frente da benzedeira, que é uma senhora benzena uma moça, ela chorou. Que remete também à vida ali, aos avós. Muita coisa assim, mexe com a memória. Memória, né? Memória, memória afetiva. Eu acho que o trabalho tem muito afeto. Eu falava, muito afeto é muita memória, assim. Por isso que as pessoas se identificam, né? Vem de um lugar.

Sim, e aí eu vendo, continuo fazendo minha arte, porque eu sei que eu tô trabalhando comigo, é uma terapia, né? Tipo, cara, eu preciso de tempo pra produzir pra mim também. E quando eu não tenho, eu fico muito chateada, assim, quando eu não posso ilustrar pra mim, sabe? E...

E aí, eu vendo, eu comercializo, porque me pediram muito. Porque dá muito trabalho ser um microempreendedor. Uma loja, a gente olha o empenho. Então, eu não abro sempre, sabe? Deixo meio, um período fechado, um período aberto. Porque me pediram. Porque os boletos também não... Eu sempre falo, o boleto não paga com a loja. E ver que a pessoa tem uma arte minha em casa...

Se eu pudesse, eu só dava a arte, entendeu? Mas tem todo um custo, né? Claro, né? Faço impressão em fine art, que é mais carinho. Sim. O trampo, né? É muito trampo, a gente já teve.

A gente podia voltar a viver de escambo, né? Podia, né? Vamos fazer aquelas trocas inteligentes. Eu acho que a gente vai ter um negócio de escambo de artista. Você quer trocar um print por um outro? Nossa, na Mood, eu perdi time, assim. Você já imprime mais, você sabe que você vai trocar, né? Muita coisa que eu tenho é de escambo. Nossa, é muito bom. Essa é a melhor parte da Mood, fica o final.

Afinal, é o momento das trocas. A gente não sobrou aqui. Vamos lá nas outras mesas ver o que eu quero. É muito bom. Maravilhoso. Que dica que você dá pra quem tá pensando quem que é isso e quem tá pensando em começar agora, assim? Tipo, ah, eu já ilustro alguma coisa, já gosto disso. Talvez o mercado de livros seja pra mim. E eu olho e falo, ah, acho legal. Por onde a pessoa começa? Primeiro, a pessoa tem que gostar, né? Tem que tá ali. Tipo, é isso mesmo que eu quero fazer. Eu quero trabalhar.

na frente de um computador o dia inteiro, com uma mesa digitalizadora e sem muito convívio com seres humanos mas isso aí é a criatura artista é a parte preferida, não fala comigo sim mas começa, cara

começa... Ou você começa copiando. O meu cunhado, o Marcos de Mello, ele começou a ilustrar pra livro infantil, depois que ele copiou o ceninha. Ele fez um ceninha. Lembra do ceninha? Claro. Então, assim, é o primeiro contato com a ilustração, né? Agora, se você já desenha, aprimora. Vai fazendo outros estilos. Vai tentando várias coisas. Não se...

Se permita ficar só num estilo de desenho. Porque o editorial, ele vai cobrar de você vários, vários estilos. Muitos estilos. Às vezes, a pessoa vem e fala, olha... Então, eu queria algo mais assim, redondinho. Eu queria, sabe assim, tem que dominar. Tem que dominar e sempre estudar, né? Se tiver a oportunidade de fazer um curso, faz um curso. Faz, estuda.

Eu sou autodidata. Porque eu sou curiosa também e chata. Mas eu tenho que estudar. Eu sempre tô estudando fundamento. Sempre tô voltando lá pro fundamento. De cenário, nossa, perspectiva. Quem desenha personagem, olha o cenário e fala... Puta que pariu, né? Sempre tem isso. É, a gente sabe. São duas tribos diferentes. Quando é pra você, você pode fazer de qualquer jeito. Ah, eu gosto assim, mas...

Quando você trabalha com isso, é uma prestação de serviço. É outra vibes. E como você diria que as pessoas conseguem, tipo, empregos? Você, quando, tipo... É que imagina que agora, nesse momento da tua carreira, já as coisas chegam pra você já, né? Mas, tipo, quando você tem que... Sei lá, você vai atrás dessa editora, você manda seu portfólio, você... Como é que você... Meu Deus, não tá chegando aqui trabalhos naturalmente. O que você faz? Prospecção de clientes.

Pense no teu portfólio. Pense em trabalhos assim que, tipo... Eu gostei, eu gostei desse trabalho. Ou eu gostei dessa ilustração. Se você nunca fez um trabalho. Aquilo que você não gostou, como eu disse, põe lá na gaveta. Mas aquilo que as pessoas mostraram interesse, assim, genuíno. A pessoa olhar e falar, nossa, que lindo. De verdade mesmo. Você coloca lá no portfólio.

Vai atrás, coloca lá a editora no Instagram, procura um e-mail. Fala assim, ó, aqui meu e-mail. Quer dizer, aqui o meu portfólio. Behance, né? Tem outras plataformas. Eu sou mais antiga, então eu conheço o Behance.

Até vem uns trabalhos. Tá vindo uns trabalhos do Birrin. Faz tempo que eu tô lá, hein? Mas agora tá chegando. Agora tá chegando. Mas eu sempre alimentei com os melhores. Então, é portfólio. Não tenho trabalho. Nunca trabalhei com ilustração na minha vida. Mas eu quero trabalhar. Inventa um trabalho.

Finge ali que você já trabalhou. Pega uma história de... A gente sempre dá essas dicas pra quem quer trabalhar com o livro. De pegar uma história de domínio público. E ilustrar. Porque eu adoro esse tipo de projeto. Faz a tua versão de uma obra famosa. Eu sempre acho que dá muito certo. Exatamente. E pede pra um colega do design gráfico. Pede pra alguém que gosta de fazer isso. Lealtar o texto pra você. E dá uma editada. E joga lá.

Faz de conta, igual o design de produto, né? Que a galera pega, põe, faz várias coisas. O mock-up e a taca o pau. É, tá lá. Se mostra, se entrega. E também tem aquela coisa, ah, não vão gostar, não vão mostrar. Tem que mostrar. E tem que mostrar até, às vezes, assim, um que você acha que não tá legal, mas foge totalmente do teu estilo, coloca lá.

Que às vezes é o... É, às vezes é aquilo que você não gostou, mas vai ter quem gosta. Tem quem gosta. E geralmente as pessoas veem atrás, a editora vem daquilo que você não...

Depois você muda isso, né? Mas no começo, às vezes você tem que ir se adaptando. Sim. A outra pergunta que eu ia te fazer agora, é que você falou, né? Que você, ah, eu e Lúcia também escrevo. E as suas próprias histórias, seus próprios livros, os próprios projetos, se está no teu radar? Meu sonho. O meu sonho. Era o meu sonho. Era o meu sonho.

Meu sonho é fazer um livro ilustrado, tipo a Rupi Kaur. Mas, boleto. Daí eu tenho que ficar trabalhando, né? E não, a gente não pode criar aquela ilusão, ah, eu vou trabalhar pra mim. Sempre a gente vai estar prestando algum tipo de serviço. Por mais que a gente fale, ah...

Eu tô trabalhando pra mim, mas no fundo você tá trabalhando pra alguém, né? É, você tá vendendo sua arte pra alguém de alguma forma. De alguma forma. E aí vem aí. Eu não sei como, não sei quando, mas eu sou bem teimosa. Como percebemos. Como percebemos. Tem um texto infantil já que eu tô conversando com o pessoal de uma editora que eu gosto. Mas assim, com calma, sabe? O mundo editorial, fazer uma crítica aqui.

Vocês estão super acelerados pra produção de livro infantil, gente. Ó, tem que ter. Calma. Vamos com calma. É que a criança lê livro rápido, é curto. É, é curto, mas é uma hiperprodução, sabe? Uma hiperprodução. A gente tem que… Às vezes, a gente tem que fazer coisa em um mês, assim. Caraca. É, não. É muito rápido mesmo. É bem rápido.

É que às vezes também tem muita demanda de um negócio sair rápido. Porque tem um tema específico que tá em alta. Exato. É tipo, sei lá, Bob Goods esse ano, entendeu? Caraca, eu já vi tanta coisa. Outro dia eu vi uma bolacha que você podia pintar. Juro por Deus. É porque...

Tipo assim, eles botaram corante nas bolinhas. Aí você molhava com um pincelzinho assim. E daí o personagem em si da bolacha, assim, ele tinha glacê branco. E aí você pintava com um glacê coloridinho, assim, nas bolinhas. Tipo assim, imagina o quanto isso não… Tipo, sei lá, livros infantis que são de colorir, que rolaram esse ano. Deve ter sido assim, uma maluquice. Muito. E aí tem que ser rápido, né? Porque você perde o flow, né? É o time. Eu não entro num time.

Editora, eu sinto muito, se vocês fazem timing, eu não sou do timing. No início, eu queimava, eu já apaguei vários incêndios. No início, a gente começa apagando muito incêndio.

Assim, fazendo muita coisa. E também entra ali no teu processo de... Porque você tá com todo o gás, entendeu? Você tá já... Eu quero trabalhar, eu quero entregar, eu quero portfólio. Então, você vai fazer. Você vai fazer coisa em um mês. Você vai fazer até em 15 dias. Até em 10. Até em 10. Uma semana. Não, uma semana é demais. Mas depois de um tempo, quando você pega ali bem o trabalho mesmo em si, você vê que precisa de mais... Um pouquinho mais de tempo. Uns três meses.

Acho que o normal é três meses, né? Uhum. Pra você... Entregar algo, assim, tipo, genuíno, assim, sabe? Uhum. Mais trabalhado.

Não que você vai desenhar folhinha por folhinha, mas a ideia, sabe? Sim. Porque cada livro é muito único, né? Você não pode ilustrar os livros do mesmo jeito, da mesma forma, colocar os mesmos tipos de personagem, exatamente o mesmo estilo. Tem suas particularidades, né? Porque daí vira uma, né? Fica amassante, né? É, não, claro. E tipo, não é isso que as editoras estão procurando às vezes, né?

Enfim, se a gente for entrar nesse mérito de estilo e tipo de livros e autores que também ilustram, a gente vai ficar aqui milênios, porque no mercado editorial tem muita coisa muito diferente. Muita coisa. Livro infantil é um mundo à parte, assim. Na faculdade eu fiz uma disciplina que era só de livro infantil. E aí a gente estudou, tipo, desde os clássicos, o livro da selva, até coisas que são produzidas hoje em dia, assim, projetos gráficos que você fica, tipo...

Cara, só pra imprimir esse livro aqui foi 200 reais. Puta que lá, sabe? É bem caro. É um processo muito caro. Sim. Você tem que escolher, né? O tipo de papel e tal. É, livro de criança sempre capa dura. Que já triplica a empresa da produção. Capa dura é muito caro. Capa dura com borda arredondada. Caríssimo, cara. Vocês mudam valor na hora que vocês vão na livraria? Vocês não sabem o quanto custa aquela bordinha ali, meu amor. E muita coisa impressa na China também.

É, hoje em dia, quase tudo. Principalmente as capas duras, né? O meu sonho. Vou falar outro sonho. Meu sonho é o meu de capa dura. Sim, não. Voltar a pintar. Que era muito bonito, era muito bonito. É caro pra fazer. Com certeza. E o processo de digitalizar a aquarela também, né? Pra imprimir, é um trânsito. E daí vai precisar de mais tempo, seis meses, um ano. Ouviram, editor? Um tempo.

Mas vai sair da tendência ali, porque a gente que trabalha com livro, que vê livro, que tá ali nesse movimento, algumas coisas saem muito parecidas. A gente tem falado bastante disso, acho que você bateu num ponto que amarra as coisas que a gente tem dito aqui no podcast e em outros episódios também, do quanto o que é único, o que é autoral, o que é muito original.

Tem sempre o seu espaço, assim. Vai ter sempre o seu lugar. Principalmente em tempos de inteligência artificial, mas eu nem vou. Não vamos entrar. Eu nem vou. Eu nem vou chegar aí, quero mais... Enfim, não vou entrar nesse mérito. Sim. Vamos para os nossos quadros? Vamos. Pequenos acidentes felizes. Tem alguma história de alguma coisa que na hora que aconteceu, você falou, caraca, foi um erro, mas depois... Ou deu errado.

O que aconteceu com você, ou que você errou de fato, mas depois, tipo, virou uma coisa boa? Ai, será que eu falo? Ai, tem que falar? Ah, entrega, fofoca lá, ainda fiz assim, será que eu falo? Fala, fala, fala, fala. Quando, infelizmente, eu tive que desligar da Siranda. Sério? Porque daí eu pude conhecer outras editoras, porque eu tava só na Siranda. Então, aí, pude... Amo Siranda. Até hoje, eles me mandam um brindezinho de final de ano, dos funcionários.

Mas aí eu pude conhecer outras editoras. Editoras menores, sabe? Então, foi algo... Ruim, quando aconteceu. Chorei. Mas daí foi bom. Mas aí, tipo, é tipo isso que a gente queria. Porque é legal, eu gosto desses momentos. Porque quando acontece, a gente pensa, caraca. Acabou meu mundo. Meu mundo caiu. Meu mundo caiu, menina. Exatamente. Esse boleto.

outro mundo surge muito louco mas é massa sem conhecer esses a gente passa pergunta para todos os artistas nos episódios porque é sempre legal ver o que acontece né depois não tenho depois a gente esquece né porque a gente tá muito no presente quando as coisas ruins acontecem e aí parece que nada vai resolver nunca né mas aí o tempo passa se resolveu se resolve é bizarro

E quero saber também o que te inspira fora da arte do desenho, assim. O que você consome de música, de cinema, de outras artes, assim, que alimenta você. Eu gosto muito de música. Música. O que você ouve? Conta aí pra gente. Você tá falando de Tuyo, né? Que tocou agora na Mamute. Então, eu tô bastante ouvindo Afrobeat.

E aí, tô fascinada, assim. Tem um artista que eu esqueci o nome. A gente vai ter que fazer uma descrição do YouTube desse podcast aqui. Vai ter 30 páginas, que ela vai lembrar depois. Gente, vai ter que vir. Peraí, deixa eu ver se eu acho aqui, rapidinho. Dá tempo, dá tempo. O Felacuti. Na hora que você lembra, você vai falar. Gente, é o Felacuti. É porque é o nervosismo mesmo. O filho dele veio pra cá.

Fez um show aqui, eu fui e falei, caraca, gente. Maneiro. Mistura tudo que eu gosto. Mistura instrumento de sopro, canto, batuque, guitarra. Nossa, eu tô viciada. E gosto também de francês. Eu amo francês. Meu sonho é falar francês. E esse sonho também. Acho lindo. Daí eu gosto muito do stromé.

Gosto bastante. E Beyoncé, né? O pop. O básico, né? Pop tá aí. O último álbum da Rosalia também, amei. Putz, eu ouvi uma vez só, preciso ouvir mais. Tá muito lindo, cara. Tá muito bonito. É, não, é assim, eu tava ouvindo Faço Aula de Cerâmica. Ai, ai. E colocaram pra tocar na cerâmica, eu fiquei tipo...

Estamos numa igreja. Música triste, essa da Rosalie. Eu tava esperando uns naves, tipo, não veio, não veio. Igreja. É, exatamente. Eu tava esperando outra coisa, mas achei bem bonita. É que é introspectiva, é. É, outra vibe. Outra vibe. Tem outro momento ela, Rosalie. Próximo quadro, chama Ctrl S ou Ctrl Z. Vou falar uma coisa e você diz se você salva ou se você deleta. Tá. Ilustralivo infantil. Salvo. Prausa apertado.

Deleto. Total liberdade artística pra criar. Salvo. Opinião do autor. Salvo. Olha aí, ela salva. Eu achei que ia ser polêmica. Salvo muito. Boa, boa. Pintura tradicional. Salvo.

Arte digital. Salvo. Projetos autorais. Salvo. Aí, ó. Salvou todo mundo. Salvou todo mundo. A opinião do autor, às vezes você tá travado ali num trabalho e você lembra o que o autor falou e te dá uma luz, cara. Te guia. Te guia. Às vezes tem autor que eles querem participar muito junto ali. Tô achando você muito educada pra falar isso.

Não, eles querem participar mesmo, entendeu? Mais do que deveria. Mais do que deveria. Mas daí você aproveita e transforma aquilo ali. Cara, eu vou fazer... E daí fica mais fácil, né? Você chega no final e recebe o... O feedback que você queria, ele gostou. Não, e recebe dinheiro, não fala rápido. Também, também, é verdade. E termina rápido. É verdade, é verdade. Você vai ter trabalho em não resistir. É isso que você quer? É isso que eu vou fazer. É isso que você vai ter. Maravilhoso.

Fê, onde é que as pessoas encontram o teu trabalho? Como é que elas te seguem? Onde é que, sabe, editoras que querem contratar você e pessoas que querem seguir e acompanhar tudo o que você faz? Eu vou puxar a orelha aqui. Vou comprar na tua lojinha. Não, vou puxar a orelha antes de comprar. Ó, gente, dá uma segurada em comprar, que eu tô embalando muito.

Não me chamem no WhatsApp. Eu não entrego orçamento pelo WhatsApp. Pelo e-mail. Tem lá no meu Instagram, na biografia. Ajuda a neurodiversa aqui. Porque eu preciso de rotina. Se tiver no WhatsApp, eu não vou... Não vai perder.

Eu tenho problema sério com o WhatsApp. Eu acho que eu deveria fazer um episódio só sobre isso. Eu vou providenciar. E daí manda áudio com o briefing. Gente, não dá? Não dá. E depois como é que você vai achar esse áudio, né? Não dá pra pesquisar áudio, meu amor. Tá informando o celular no áudio. No Instagram, como Ferilustra. Sigam lá. Se não quiser também, não precisa seguir. E as editoras me acham pelo e-mail. E no Behance também. Tô lá. Dá uma olhadinha no meu trabalho.

É, obrigada por ter participado desse vídeo da Sala 1604. Foi sua primeira vez, mas espero que não seja a última. Foi muito divertido. Quando você tiver com o seu livro aquarelado em mão, você vem aqui pra gente conversar com o seu projeto.

Minha linha, porque eu já tenho testa. Exatamente. E aí você volta aqui pra contar a história pra gente da sua olhada. Pode deixar. O podcast está disponível em vídeo, no Spotify e no YouTube. E você pode ouvir a gente em áudio em todos os agredadores de podcast. Se você gostou desse episódio, deixa aqui um seu like. Deixa aqui o seu comentário. Diz aí o que você achou. Manda perguntas pra Fer. Manda beijos pra todo mundo. Completa as frases que ela não foi capaz de completar.

E é isso, a gente se encontra no próximo episódio. Obrigada, Fer. Obrigada, gente. Tchau, galera.

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