Imigração e missão: uma porta aberta para o Evangelho - Marco Mo
Neste episódio do Podcast Missionando recebemos o missionário Marco Mota para uma conversa inspiradora sobre Imigração e missão: uma porta aberta para o Evangelho.
Assistir Podcast: youtube.com/watch?v=TseXo4cGgn0
Saiba mais: apmt.org.br/missionarios
Cleber Macedo
Emma Herbem de Castro
Marco Antônio Mota
- Ministério com Imigrantes no BrasilDesafios da imigração e burocracia · Oportunidades para o Evangelho · Apoio da igreja local · Venezuelanos · Afegãos · Haitianos · Araguari · Uberlândia
- Experiência Missionária no SenegalOrganização da APMT no Senegal · Burocracia e desafios de registro · Trabalho com crianças de rua · Senegal · APMT
- Integração de Imigrantes através do Esporte e EvangelhoEsporte como ferramenta de integração · Comunicação do Evangelho · Superação do preconceito · Apoio da igreja e voluntariado · Paragá (ONG)
- O Papel da Igreja no Acolhimento de ImigrantesAcolhimento e serviço · Semear a palavra · Superar a pressão da conversão · Kit de primeiros socorros · Beneficência Evangélica Araguarina
- Chamado Missionário e Vida PessoalInfância e chamado missionário · Família e filhos · Marco Antônio Mota · Elinéia Evangelista de Souza Mota
- Preparação e Vocação MissionáriaRendição a Deus · Processo e preparo · Ferramentas ministeriais (cursos) · Direção de Deus · APMT
Olá, seja muito bem-vindo a mais um episódio Missionando, uma parceria da APMT e a IPPTV. Eu sou a Emma Herbem de Castro, estou aqui acompanhada, como sempre, com os episódios anteriores também, com o missionário Cleber Macedo.
Seja muito bem-vindo. Neste episódio do podcast nós vamos falar sobre imigração e missão, uma porta aberta para a comunicação do Evangelho. Vamos falar sobre os desafios de servir neste contexto e também as oportunidades que os povos que vêm até o Brasil, até nós, como isso é uma oportunidade, como também envolver as igrejas locais nessa oportunidade de compartilhar o Evangelho com aqueles que estão chegando no Brasil. Então fica com a gente até o final para falar sobre esse tema tão interessante.
E é tão importante a gente perceber, abrir os nossos olhos. Muitas vezes nós não vamos para outros países, mas os países estão chegando até nós. Por isso é importante entender esse Ministério Transcultural dentro do Brasil mesmo. E para falar sobre esse assunto, nada melhor do que uma pessoa muito experimentada, que já morou em outros países também, e entende o que é ser imigrante, e hoje também pode desenvolver esse Ministério com imigrantes. O pastor...
Marco Antônio Mota, seja muito bem-vindo, pastor. Muito obrigado. Obrigado pelo carinho de vocês e de todos os nossos ouvintes. Fala um pouquinho de onde vocês são, sua família. Explica para nós esse chamado missionário. Você nasceu num lar cristão. Conta um pouquinho da sua família, da sua vida, da sua história.
Meu nome é Marco Antônio Mota, sou mineiro Uai. Eu sou da etnia Uai Uai. Minha esposa também. Nasci na cidade de Araguari, lá no Triângulo Mineiro. Cresci na igreja presbiteriana, num lar evangélico. E foi lá que Deus me chamou para a obra missionária. Depois do Instituto Bíblico, eu fiz um curso de enfermagem.
no Hospital Evangelico em Rio Verde, em Goiás. E lá eu conheci a minha esposa, Elinéia Evangelista de Souza Mota, que foi minha professora. Olha só, Cleão! Que foi minha professora. Apaixonei pela minha professora de enfermagem, né? E daí nasceram dois lindos filhos, Samuel, com 31 anos, Priscila, com 28. Ambos amam a Deus, servem ao Papai do Céu.
E Samuel tem 31 anos, a Priscila 28, são casados. E só estou triste porque ainda não tenho neto. Já, já, já. Vai chegar a hora de chegar os netinhos também. Que bênção. E como foi o envolvimento com missões? Foi a partir da igreja local, né? Aí vocês foram morar de volta em Araguari, lá que foi chamado para os dois. Ou como foi esse chamado missionário?
Sim, o chamado missionário começou na minha infância. Eu me lembro que o missionário passou na minha igreja, eu devia ter uns oito, nove anos, e ele mostrou slides do trabalho que ele fazia na Amazonas, na fronteira com o Brasil e outros países. E aquilo me tocou muito. E naquele dia Deus falou ao meu coração, um dia você também vai. Uau! Um dia você também vai. E essa frase ficou na minha cabeça, um dia você também vai.
Então fala para os nossos ouvintes, alguém que está ouvindo aí também, que sabe Deus fala também com essa frase. Um dia você também vai. E quando eu era adolescente, eu comecei a trabalhar no Banco Nacional, na cidade de Araguari, com 14 anos.
E nessa fase eu comecei a trabalhar, ganhar meu dinheiro, ter uma vida independente. E comecei a esfriar um pouco na fé e esquecer esse tal sonho missionário.
Mas no dia 21 de janeiro de 86, um dia de madrugada, eu tive que ajoelhar no chão e me render aos pés de Jesus, dizendo, eu vou. Às 5 horas da manhã, sem dormir, uma insônia terrível, eu ajoelhei e falei, Senhor, estou aqui e me manda para onde o Senhor quiser. O Senhor sabe que eu sou fraco.
Eu não tenho condições, mas se o senhor for comigo, eu vou. Mas eu já sabia que era para a África. Eu já sabia que era para a África. Então, fui para o Instituto Bíblico, fiz a enfermagem já pensando em ir para a África. Inclusive, eu falei para a minha esposa, só aceito namorar se souber que nós vamos para a África. Então, já tinha o direcionamento. Já tinha o direcionamento muito claro de Deus.
Mas aí estava faltando a equipe para ir junto, eu não ia sozinho, faltava a exposição, Deus falou, vai fazer um curso aqui, está faltando alguém para ir junto. Justamente. E aí fizemos todo o preparo que vocês já conhecem, na igreja presbiteriana, nos preparamos, fomos para a África e foi uma experiência maravilhosa. E essa experiência de morar fora, como você disse, Emma, de ser um imigrante. Ser um imigrante, para você entender também. Entender.
Por que que hoje esse trabalho com imigrantes toca muito meu coração? Porque eu senti na pele o que é ser um imigrante. Toda dificuldade que a pessoa passa. Você chega num país, não conhece a língua. Você não conhece a burocracia do país. Você conseguiu um visto. Você conseguiu a residência. Gente, é muito complicado. É muito sofrido isso. Você passou por isso, né, Ema?
Sim, cada país tem a sua dinâmica e você entrar numa dinâmica desconhecida, você tem que quebrar muitas barreiras. E se você não tem apoio de ninguém, isso se torna mais complexo. Muito complexo. E justamente por ter passado por isso, que hoje eu me identifico com os imigrantes que estão no Brasil.
E tem que ter muita paciência, né, pastor? Ui! Muita paciência, porque lidar com o ser humano já é difícil. E lidar com a burocracia do nosso país também não é fácil. Eu vou contar uma experiência também, já que você me falou que eu também sou imigrante, né? Eu sou do Paraguai, morei no Brasil. Eu tive uma experiência que marcou muito minha vida. Também eu tinha que renovar meu visto na Polícia Federal de Belo Horizonte. Morava em Viçosa, fazendo curso de missões.
E eu tinha que entrar com meus papéis até... Era o último dia que eu tinha que entrar com meus papéis e me apresentar, aquela coisa toda. Cheguei de madrugada em Belo Horizonte, fui para a Polícia Federal, aquela fila, aquele tempo foi passando, mas eu tinha que ter um documento reconhecido no cartório. Como é que eu ia resolver? Sozinha, em Belo Horizonte, uma menina de 18 anos.
O que eu fui fazer? Na época era Telemig, né? A telefônica, né? É, Telemig. Tinha aqueles cadastros de telefone. Fui procurar a igreja presbiteriana.
Para ajudar. Para ajudar. Fui procurar o primeiro, a primeira igreja de Belo Horizonte. Liguei para o pastor e falei, pastor, eu sou isso, isso, isso, minha referência é isso, liga. A igreja me deu a mão. Na época, era o pastor Lutigeiro, ele veio me pegar, fez uma declaração de manutenção dele no cartório e eu cheguei lá cinco minutos antes de fechar a Polícia Federal.
Então eu quero contar isso porque é difícil, você tem prazo, você tem tempo para resolver as coisas. E foi uma bênção, e a igreja entendendo esse ministério, esse sofrimento, vamos dizer, de um imigrante que precisa, porque se não cumprir o prazo tem multa, e de onde você vai tirar aquilo? É uma bênção ter pessoas que entendem esse sofrimento para estender a mão.
É verdade, e eu lido com isso todos os dias, porque quatro vezes na semana, com exceção das quartas como hoje, eu vou à Polícia Federal, na cidade de Uberlândia, levar os venezuelanos. Então, cada dia é um desafio, cada dia é uma experiência nova, porque sempre falta alguma coisa. Sempre falta. Sempre falta alguma coisa. É sempre...
falta. Isso é, assim, só a gente vivendo isso. Porque não te dão... Mudou a lei. A multa já não é mais aquilo que você foi preparado. Então, são muitas as dificuldades que o imigrante enfrenta. E tem dia que eu quase fico louco. Porque pra não perder o agendamento, que é muito difícil hoje, devido ao grande fluxo migratório no Brasil...
Eu tenho que sair correndo, literalmente correndo. Bate numa porta aqui, numa outra ali, busca um papel, busca outro. E todo dia é um estresse, todo dia é um desgaste. Agora, imagine uma pessoa que chega no país, não conhece a língua, não sabe qual porta bater e ter que providenciar isso em tempo hábil.
para poder conseguir o papel tão importante. Tempo hábito. É muito, muito, muito interessante. E para chegar nisso, vocês passaram primeiro, foram imigrantes. Por quantos anos no Senegal? Vocês trabalharam lá na plantação de igreja? Como é que foi esse? Nós fomos para o Senegal em 2003. Eu, a minha esposa, meus filhos pequenos, chegamos lá com uma missão.
O pastor Marcos Agrippino falou, pastor Marcos, aqui dentro desse envelope está a sua missão. Eu falei, dentro de um envelope? A minha missão? Olhei para aquele envelope. Ele falou, aqui estão os papéis, todos já traduzidos em francês, com os regimentos da PMT, da IPB, etc, etc, registrado em cartório, tudo, tudo, tudo. Olha só a burocracia.
E você tem a missão de organizar a APMT no Senegal. Porque lá já tem duas missionárias brasileiras que moram, trabalham lá pela APMT, mas estão em outra missão. E nós queremos fundar a APMT lá.
E você como pastor, como homem, você vai liderar essa questão, porque é difícil essa questão burocrática, né? Você, então com esses papéis aqui já está tudo pronto, você vai fundar a APMT lá no Senegal. E eu fui com aquele envelope cheio de papéis, e quando eu cheguei lá, para registrar, para me registrar no país, faltou o quê?
Certidão de nascimento. Não. Certidão de nascimento. E certidão de nascimento, a gente sabe no Brasil, que não tem valor mais depois que você casa. O cartório recolhe aquilo e incinera aquilo.
eu fui com essa mentalidade pra lá não conhecia a burocracia, os trâmites do país então já começou aí aí eu tive que pedir a embaixada pra intervir porque senão nós seríamos expulsos do país aí tivemos que esperar um mês chegar uma uma certidão de nascimento minha, da minha esposa, lógico
lá no Senegal, e isso com o apoio da embaixada pressionando daqui, dali, aquele estresse da polícia federal de lá. Então assim, foi traumático. Mas enfim, graças a Deus, conseguimos. E a ajuda dos missionários que já estavam ali, foi muito importante. E eu me lembro que tinha uma missionária, ela nasceu no Brasil.
Ela nasceu no Brasil, mas os pais são americanos. Ela fala português muito bem, mas ela foi para o México. Viveu lá muitos anos, depois foi como missionária para o Senegal. E ela gosta muito dos brasileiros, falava muito bem. Então ela ia com um sorriso muito bonito nos lábios. E ia, nos acompanhava. E eu falava, Deus, um dia eu quero ser como ela.
Eu quero ser como essa missionária. Por quê? Porque o apoio dela foi tão importante. Eu sofri tanto. Mas ela com aquele sorriso, aquela paciência, aquilo me tocou muito. E até hoje é uma inspiração para mim. Enfim, conseguimos fazer os nossos papéis da família.
Mas aí, dois anos depois, fomos começar a fazer o registro da PMT no Senegal. Jesus, foi mais de um ano. Outra, mas tá vendo? Essa papelada já te persegue, hein? É, essa papelada me persegue. Mas ainda bem que eu já tinha levado aqui os papéis no envelope do reverendo Marcos Agripeiro, né? E aquilo ajudou demais.
mas foi terrível terrível, meses passando nas repartições públicas, burocracia ainda bem que nessa época eu já falava o francês que é a língua oficial do país me ajudou demais e enfim conseguimos
registrar a PMT no Senegal e hoje ela é reconhecida como uma associação religiosa e temos então os papéis do governo do Senegal. Então hoje a PMT é reconhecida.
por um país de maioria muçulmana. Uau! Mas onde existe liberdade religiosa, que é o caso do Senegal. Então, essa burocracia toda, esse sofrimento todo, impactou muito na minha vida, no trabalho que eu faço hoje aqui. E aí, então, ficamos lá no Senegal durante 13 anos. Uau!
Começamos cuidando de crianças de rua, eu como tecno-enfermagem, minha esposa enfermeira, a gente cuidava dessas crianças que estavam nas ruas, principalmente na época de malária, as crianças desmaiavam de febre na rua.
E nós pegávamos, aliás, outras crianças carregavam essas crianças, levavam até a sede da missão e lá cuidávamos delas. Então, por isso foi muito importante. Eu falei sobre enfermagem, o preparo nessa área. O preparo, e é uma dica muito importante para quem...
que é se tornar missionário, às vezes não sabe. Aí eu quero ser missionário, mas não sabe como se preparar, qual ferramenta. Se tem esse dom de serviço, de querer servir num trabalho missionário, considera essa possibilidade de fazer um curso de enfermagem, ou técnico, ou a própria faculdade, que abre muitas portas, e com certeza vai ser muito importante como uma ferramenta para o ministério.
E como Deus não desperdiça o dom, né? Sem saber, você fez enfermar, sua esposa, enfermeira, foram pra lá e tinha essa necessidade tão gritante lá no país daquilo que vocês já tinham se preparado aqui. E Deus lá, já trabalhando também no coração de vocês daquilo que vocês iriam trabalhar depois no Brasil sem vocês saberem também, né? Então, todo processo é sempre um aprendizado, né? Deus primeiro trabalhando no nosso coração pra depois trabalhar.
através da gente também, na vida de outras pessoas, né? E lá você viu esse exemplo dessa moça que te apoiou e aquilo marcou a sua vida, né? Algo que você, mesmo indo preparado, teve que passar porque Deus já estava te preparando para um outro momento também, né? Mas não foi só o Senegal, né? Depois do Senegal, vocês tiveram outro...
Momento em outro país, né? Como foi? Sim, nós fomos para Uruguai em 2017. Em 2016 nós saímos do Senegal, em 2017 nós fomos para Uruguai. E Uruguai foi uma coisa muito interessante. Eu gostei muito de trabalhar no Uruguai. Eu queria ficar pelo menos 10 anos lá, foi meu objetivo. Mas aí aconteceu um probleminha que tivemos que retornar para o Brasil, que foi...
a doença dos meus sogros. Então nós tivemos que voltar para cuidar deles. E depois desse tempo que passamos no Uruguai, quando nós chegamos aqui no Brasil, deparamos principalmente na minha cidade, lá em Minas Gerais, Araguari, com venezuelanos nas ruas.
Foi na época da pandemia. E eles com cartazes na rua dizendo, por favor, ajuda-nos, eu sou venezuelano. Não tenho comida, não tenho comida, não tenho comida. E aquilo me chocou muito. E eu falei, precisamos fazer alguma coisa. Começamos então a trabalhar com os venezuelanos. E aí eu entendi uma coisa. Quando nós saímos do Uruguai, nós saímos muito tristes.
decepcionados. Por que só dois anos no Uruguai? Só dois anos. Eu não entendia, minha esposa ficou muito triste. Ela falou, Marco, eu estraguei seu ministério. Eu estraguei. Eu falei, não, quando eu me casei com você, eu casei com a sua família. Eu casei com a sua família. Vamos, então, cuidar da sua família. Mas chegando aqui no Brasil, vendo essa necessidade com os venezuelanos, eu falei, meu Deus, agora eu entendo.
Minha esposa também falou a mesma coisa. Deus permitiu que nós passássemos pelo Uruguai para que lá pudéssemos aprender o espanhol. Olha só.
Não falo aquele espanhol tão bonito como o da Emma. Mas já ajuda demais no ministério que a gente tem hoje. E olha só como Deus, ele planeja tudo. A gente vê a providência de Deus na vida da gente. Passamos por esse tempo no Senegal. Lá aprendemos o francês.
e aprendemos a lidar com outras culturas. Passamos pelo Uruguai, aprendemos o espanhol, e hoje nós trabalhamos principalmente com latinos. E dentre esses latinos tem lá um pessoal do Caribe que são os haitianos. Na minha cidade tem muitos haitianos que falam francês. Está vendo tudo.
Tudo foi arquitetado por alguém que a gente sabe. E é que foi fazendo isso. A teus ou os teus sogros parte desse processo. Como Deus, a gente às vezes planeja uma coisa.
Nós não temos as variáveis que Deus tem, mas ele vai colocar aqui. Ele não está entendendo, eu vou fazer isso. Depois talvez ele entenda. Depois fica claro o filme de Deus, o roteiro que ele fez para nós. Todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus. E aí então eu e minha esposa a gente...
Entendeu o propósito de Deus, então hoje eu e ela trabalhamos cuidando desses refugiados. Terminei meu curso de inglês e agora inglês pra quê? E aí começamos a receber em Araguari afegãos. Olha! Afegãos. Recebemos lá cinco famílias, hoje temos só uma.
e com os afegãos nós comunicávamos em inglês, meu inglês não é bonito, mas já dá para se comunicar, então olha como Deus vai preparando tudo, então hoje eu me sinto plenamente realizado, feliz, eu e minha esposa, porque a gente está no momento certo, na hora certa, fazendo a vontade de Deus, e se identificando.
com o próximo e trabalhando num projeto transcultural dentro do próprio país isso é muito muito importante porque exige um preparo transcultural também para receber esses imigrantes porque você tem que entender que ele não vai pensar igual a gente e ainda mais trabalhando com a multiculturalidade haitiano, venezuelano não é só um país, um povo e aí E aí
Isso daí é muito, muito importante. E tem algumas alegrias que você está tendo nesse projeto? Ou algumas dificuldades, barreiras? Primeiro vamos falar das alegrias, né? Vamos falar das alegrias. Primeiro vamos falar das alegrias. Gostaria de falar um pouco sobre a primeira família afegã que nós recebemos.
Eu me lembro que eu estava numa reunião da PMT aqui em São Paulo. Uma irmã de Uberlândia me ligou. Eu estava lá no metrô, lá na Paulista. E ela ligou. Eu dentro do metrô atendi. Falei, estou em São Paulo. Ela falou, vem correndo para Uberlândia. Que amanhã eu quero conversar com você. Porque tem um pessoal.
que está trazendo para o Brasil afegãos, e nós precisamos de pessoas que têm a experiência transcultural, e você tem, para receber famílias.
Então, peguei o primeiro ônibus aqui em São Paulo, fui para a Uberlândia e lá tivemos uma reunião na segunda igreja presbiteriana e a irmã Gessiane falou, pastor Marco, nós temos aí um grande desafio. Muitos afegãos estão chegando ao Brasil. E tem uma ONG, no Brasil fala ONG ou ONG, como é que fala? ONG. ONG. Tem uma ONG... É...
de Jundiaí, que se chama Paragá, que eles recebem afegãos aqui no Brasil. E eles estão procurando igrejas para serem parceiras. Você aceita o desafio? Eu falei, bom, estamos aqui, né? Deus vai nos capacitar. Então nós recebemos a primeira família afegã. Foi uma experiência fantástica. Quando eles chegaram...
chegaram lá só falando, oi, bom dia, como vai? Chegaram muito assustados, porque outro país, outra realidade, fugindo da guerra, todo aquele contexto que a gente sabe do Afeganistão. Para eles foi um choque muito grande. E então, através da Beneficência Evangélica Araguarina, que é uma...
que é uma instituição da nossa igreja presbiteriana lá em Araguari, juntamente com o apoio da PMT, aí recebemos a primeira família. E fizemos então uma parceria com a Panagá.
e recebemos esta família. E aprendemos a amá-los. A igreja acolheu com muito amor e carinho. Foi uma experiência fantástica. Fomos enriquecidos com essa experiência. Pastor Jason Pimentel.
Que trabalhou na PMT. Ah, sim, que também trabalhou na Romênia, né? Na Romênia, justamente. Ele está de licença em Araguari. E eu falei, você fala bem o inglês, né? Então, por favor, me ajude nas aulas de português.
E o pastor Geis então se dispôs, começou a dar aula de português na igreja, porque nós já tínhamos na nossa igreja classes de português que nós dávamos para os venezuelanos. A minha esposa era professora de português, né? Então a gente já tinha todo o material, passamos para ele e durante seis meses estudou, eles estudaram o português.
E como temos contatos com empresários cristãos na cidade, e aí então conseguimos emprego para eles, e ali eles se desenvolveram praticando a língua, foram se integrando, os meninos são um casal com quatro filhos.
Foram para a escola aprender o português muito bem. E começaram a lutar jiu-jitsu. Não, jiu-jitsu. Ta-kendo. Desculpe. Não é jiu-jitsu. É ta-kendo. Começaram a lutar ta-kendo. E esses meninos, então, começaram a ganhar campeonatos. Campeonato Goiano, campeonato Mato Grossense, campeonato Paulista, Carioca, Brasileiro. Nossa. Brasileiro. Começaram a ganhar medalhas e medalhas. Né?
O rapaz e as duas outras irmãs. Não vou citar o nome deles aqui. Mas aí, um dia fizemos um videozinho. Um podcast. E eu não sei como que esse negócio foi parar lá na Rede Globo. Foi parar na Rede Globo. E o esporte, então, é espetacular.
pegou um avião, veio até Araguari, passou três dias lá conosco, fazendo reportagens sobre a importância da integração de imigrantes no Brasil através do esporte. E aí, então, fizeram uma reportagem muito bonita, e isso passou em todo o Brasil.
Esse acolhimento. Esse acolhimento. Porque sem esse acolhimento, como é que vai? É muito mais difícil essa integração sem ter esse apoio. Quais seriam algumas dicas práticas para igrejas que estão vivenciando isso hoje no Brasil, na sua região, que estão recebendo muitos imigrantes? O que a igreja pode fazer na prática? Como eles podem se preparar?
Receber melhor, para acolher melhor esses imigrantes, né? Porque às vezes não tem uma ONG, algum projeto já, mas como que a igreja poderia dar um start, né? Fazer alguma coisa para iniciar algo ali na região deles, né? Uma pergunta semelhante, o repórter da Globo fez para mim, né? Ele falou, como que você diria a outros brasileiros como receber imigrantes? Eu falei, a primeira coisa que nós temos que fazer é se livrar do preconceito.
A primeira coisa, porque existe um preconceito muito grande de que o imigrante ele vem e ele vai tomar o nosso trabalho, o nosso lugar. Ele vem para trazer problemas para o nosso país, sobrecarregar o sistema de saúde, sobrecarregar o sistema educacional. Então, o imigrante ele é um prejuízo. Primeira coisa que nós temos que fazer. E eu me lembro que...
eu cheguei numa repartição pública e a assistente social falou assim, pastor Marco, por que você está trazendo para a nossa cidade esses imigrantes? Eu falei, não, eu não estou trazendo, eles estão vindo. Aí, aí, aí. Não, mas você recebe aqui, você não sabe que isso vai sobrecarregar a nossa cidade? Nossa. Por que você faz isso? Eu falei, primeiro, porque a Bíblia nos ensina.
E segunda coisa, eles não estão tomando o nosso lugar. Eles estão entrando em lugares onde brasileiros não querem mais trabalhar. Na minha cidade, por exemplo, muitos trabalham na limpeza pública. Brasileiros não querem trabalhar mais na limpeza pública. Ninguém quer subir no caminhão de lixo. Então, na minha cidade tem muitos frigoríficos.
Então é um trabalho muito pesado. Então hoje muitos brasileiros não querem mais trabalho pesado. Então se os imigrantes hoje saírem do Brasil, muitas empresas vão fechar. Então na área de restauração, na área de supermercado, muitas indústrias no Brasil vão ter sérios problemas, porque hoje essa mão de obra é absorvida.
Então hoje nós temos no Brasil falta de mão de obra. Então quem quer trabalhar no país, trabalho, trabalho tem. Então por isso que eu falo, a primeira coisa que nós temos que fazer é nos livrar do preconceito. Porque eles estão aqui somando e contribuindo com o nosso país. Agora nós precisamos saber como trabalhar essa questão.
para que não seja um problema para o nosso país. Aí eu falo que entra o papel da igreja. Por quê? A igreja vai acolher, vai abraçar.
a igreja vai ajudar nesse processo de restauração, porque chegam aqui muito machucados, traumatizados. E é bom frisar também que a maioria não vem para cá porque escolheu. Como você falou, não é assim, ah, não, vamos lá para o Brasil que lá é uma vida melhor. Não, a maioria veio fugido, veio de uma condição muito pior para vir para cá, não porque ele quis vir. Então também é bom lembrar disso. Como você falou, eles não estão vindo para cá para roubar nada, nem para ocupar.
Eles estão vindo fugidos muitas vezes. E também uma porta aberta para a comunicação do evangelho. Isso que você está falando, que é o papel da igreja, que a igreja precisa se questionar também. Qual é o mover de Deus? Qual é o propósito, o projeto de Deus?
para trazer essas pessoas perto da sua igreja, ou no seu bairro, ou na sua cidade. Porque vindo de outro país, muitas vezes, eles também estão mais abertos para ouvir o evangelho, né? Nós temos que aproveitar essa oportunidade, porque nós temos que entender o que Deus está fazendo na história.
Deus é o Senhor da história. Ele está trabalhando. E muitas vezes nós como igreja estamos distraídos. Não estamos vendo como Deus está fazendo. Como a Emma disse, antigamente, nós tínhamos que ir às nações. E devemos continuar indo às nações. Mas agora as nações têm vindo até nós. Então...
O Senhor Jesus nos deu uma ordem de irmos às nações. Só que agora está mais fácil. As nações vieram até nós. E agora nós temos que simplesmente aceitar a nossa missão, o desafio. Eu acho que eu vou fazer uma brincadeira aí. O Senhor está falando assim, vocês não estão ouvindo? Já que vocês não estão indo para a igreja, eu estou mandando.
É verdade. Para ver se acorda, porque muitas vezes o que você falou, às vezes a igreja tem várias realidades ali em volta, e ao invés de olhar com oportunidade, olha com esses olhos de preconceito. Ah, mas esses caras estão vindo aqui para atrapalhar. Não, é uma oportunidade. Deus está trazendo aqui. Então, olhar com esse olhar, não de preconceito, mas de oportunidade para a pregação do evangelho. É verdade. Não, incrível como há muito preconceito nas igrejas. Nós fomos muito criticados.
Até hoje, quando eu falo em greve sobre imigrantes, o pessoal chega e fala, você está trazendo esse povo para o nosso país, isso é um perigo, você não sabe quem é. Gente, eu não estou trazendo ninguém. Eles estão chegando. Entender que Deus está movendo.
Esse movimento não é porque o governo quer, porque as pessoas querem. Existe um plano de Deus por trás disso. E o papel da igreja é o que eu tenho que fazer nesse movimento que Deus está fazendo. Qual é o meu papel?
fazendo, qual o papel, né? E nesse sentido, vocês têm tido uma experiência de pessoas que aceitam o evangelho, como que está sendo essa aceitação da comunicação do evangelho? Porque tudo aquilo que a gente faz, nós não fazemos como uma ONG normal que vai fazer só por fazer, nós temos uma intencionalidade que é a comunicação do evangelho, né? Verdade.
Bom, primeiro a gente faz para Deus. Porque se a gente faz para o ser humano, a gente se frustra. Porque nem todas as pessoas que a gente ajuda, elas são gratas e muitas nem querem ser ajudadas. Então essa é a primeira coisa, fazemos para Deus. Está escrito na palavra, obedecemos a Deus, amamos.
Amamos a Deus. E fazemos isso então para o Senhor. E quando nós fazemos isso de coração para o Senhor, o que acontece? Isso toca no coração das pessoas. Por quê? Elas começam a perceber que não existe interesse financeiro por trás disso. Que não existe...
preconceito. Então elas se abrem, elas perguntam, mas por que você faz isso? Por que você faz isso? É a primeira pergunta que eles fazem. Por que você faz isso? E aí então, começamos a citar a Bíblia. Eu falo, olha, vamos lá num livro de...
De Deuteronômio, capítulo 10, capítulo 12. A Bíblia fala sobre a importância de receber bem o estrangeiro, o órfão, a viúva e o estrangeiro. Essa tríade, durante todo o Velho Testamento, ela está ali. Sendo colocada no coração do povo de Deus, pela palavra de Deus, pelo próprio Deus.
Deus vai trabalhando isso no povo de Israel o órfão, a viúva estrangeira o órfão, a viúva estrangeira então a gente mostra na Bíblia e a gente começa a mostrar então falar sobre o amor de Deus muitas pessoas elas rejeitam mas nós não estamos fazendo isso pelas pessoas estamos fazendo isso para Deus mas outras pessoas se abrem
por exemplo, quando eu vou a Polícia Federal em Uberlândia eu saio de Araguari, são 40 quilômetros, vou no meu carro
E durante o trajeto, vamos escutando músicas em espanhol. Louvores em espanhol. Jesus Adriano Romero. Certeza. Você conhece. E muito evangelística essas letras dele. Muito evangelística, né? Então, eles falam, ah, eu já ouvi essa música lá na Venezuela. Lá na Colômbia, eu já ouvi essa música. Porque a minha avó era cristã. Uau.
Aí já começa. E ali no carro a gente já vai conversando, as pessoas vão se abrindo, e elas falam assim, pastor, você pode orar por mim? Olha só. Na viagem. Você pode orar por mim?
Então depois que a gente sai da polícia, eu já dou para eles um novo testamento trilingue, aquele dos gideões, inglês, português e espanhol. Já mostro qual é a parte em espanhol e falo, começa a ler a palavra de Deus. E lá na minha cidade, eu conheço todas as igrejas, todos os pastores. Araguari é uma cidade que tem 123 mil habitantes, então não é tão grande, dá para a gente conhecer. Eu falo, aqui tem a igreja tal, pastor tal.
para ir à minha igreja vai ser muito longe mas está aqui essa igreja perto da sua casa está aqui a palavra de Deus e é interessante que vários já estão frequentando as igrejas porque viram essa demonstração de amor, de carinho e no bairro onde nós estamos, na igreja presbiteriana Ebenezer, nós já temos cultos realizados em espanhol Ber vehicles vehicles
Olha que legal. Então todos os domingos às 5 horas da tarde nós temos o culto lá, já temos várias famílias participando conosco, passamos por várias tendo um discipulado, então nós já temos uma comunidade. E várias experiências lindas.
posso contar uma? o tempo está correndo mas dá para contar ainda um pouquinho de experiência dá tempo é o que até nos motiva e pode motivar também você que está nos ouvindo, que está assistindo como Deus está agindo no Brasil mesmo através dessa migração verdade tinha acabado de chegar da Polícia Federal entreguei um novo testamento certo vehicles! vehicles! vehicles
para um venezuelano, e esse venezuelano, ele era engenheiro civil. Então, muitas vezes a gente acha, olha o preconceito nosso, a gente acha que o imigrante é aquele trabalhador braçal que não tem estudo. Ele, o engenheiro civil, eu dei o Novo Testamento para ele, e ele devorou o Novo Testamento. Aí ele me pediu uma Bíblia.
devorou a Bíblia devorou a Bíblia e comecei a chamá-lo para o grupo discipulado que nós tínhamos na minha casa então a gente no final de semana fazíamos discipulado e ele começou a participar conosco e aí um dia ele chegou para mim e falou, olha, quando eu cheguei ao Brasil E aí
eu fui recebido numa seita, não vou dizer o nome, numa seita lá no norte do Brasil. Me batizei nessa seita, só que lá não tinha a Bíblia. Mas lendo a Bíblia, eu descobri Jesus. Eu descobri Jesus. E Jesus está mudando a minha vida.
Jesus está mudando a minha vida. E a gente viu realmente uma mudança muito grande na vida dele, da esposa, dos filhos. Hoje eles se mudaram para Uberlândia, que é a cidade vizinha, 40 quilômetros. Estão frequentando a quarta igreja presbiteriana e já estão na classe de batismo. A família toda vai se batizar.
Então, eu fui lá agora no mês de janeiro, trabalhando numa empresa de construção lá em Uberlândia. Eles estão se preparando para o batismo. Almoçamos juntos, abraçamos, choramos, ele nos agradeceu e ele falou assim, olha pastor.
Eu e a minha casa servimos assim. Glória a Deus. Que benção. Não tem preço. Não tem preço. Cheguei arrepiado. Dá vontade de a gente chorar. Isso toca a gente. Por quê? Através da simples leitura da Bíblia. E do serviço. Do serviço. De disposição. Que abriu a porta para a Bíblia. Que abriu e ofereceu. E a pessoa...
Por que eu estou dizendo isso? Porque às vezes as pessoas dizem assim, pastor, mas é complicado, por que eu faço? Gente, são coisas simples, sirva.
E coloca a palavra. Só isso. A palavra faz o trabalho. A palavra faz o trabalho. O Espírito Santo de Deus faz o trabalho. Nós somos só instrumentos. Sirva com amor e carinho. Entregue a palavra. É, não precisa muitas vezes as pessoas falarem assim, eu não sei falar, não sei falar espanhol. Já tem essas bíblias que tem em espanhol, em inglês. Só coloca na mão da pessoa.
Então, às vezes parece simples, mas as pessoas acham que tem que ser muito complicado, muito complexo. Porque muitas vezes eu creio que nós temos o entendimento é que nós vamos converter as pessoas. E é muito difícil essa compreensão, porque parece que existe uma cobrança. Quantas pessoas você levou a Cristo? Você converteu.
O dia que a gente entender mesmo que o nosso papel não é o da conversão, é somente de oferecer um copo de água da água da vida, né? Que quem vai fazer o papel é o Espírito Santo. E aí a gente vai tirar esse fardo, essa pressão, essa expectativa que a pessoa tem. Porque muitas vezes tem pessoas na igreja mesmo que não... Ah, eu nunca levei uma pessoa a Cristo, não sei. Mas às vezes serviu.
ou doou uma bíblia de presente, ou entregou um folheto, ou falou de alguma experiência com Deus, e Deus já está trabalhando na vida. É só isso que nós precisamos fazer, né? Não existe nada complexo, sabe? Porque às vezes alguém pode estar nos ouvindo hoje, e diz, ah, pastor, mas você já morou em outros países, você é preparado?
Não, qualquer um pode fazer. Brasta, abraçar. Pegar o seu carro e levar a pessoa para a Polícia Federal. Sim, nesse momento Deus abre a porta. Deus abre a porta. E não só isso. Por exemplo, quando eles chegam na nossa cidade, eles chegam literalmente como aquela música, sem lenço e sem documento. Sim. Sem lenço e sem documento. E aí o que nós fazemos? Primeira coisa.
Nós vamos abraçar, vamos receber, abraçar. E qual lenço que ele está precisando? Então a gente chega lá, às vezes não tem comida. A gente vai e leva uma cesta básica. Mas aí deparamos com a situação. Uma vez eu fui visitar três mudos. E eu não sei falar libras. Eu falei, como que eu vou me comunicar com eles?
Mas tinha uma que sabia ler em espanhol, eu escrevia em espanhol e me comunicava com ela escrevendo. Escrevendo. Três surdos, deitados no chão, sem colchão, sem nada. Eu levei uma cesta, mas não tinha fogão, não tinha utensílios de cozinha, não tinha nada, não tinha como preparar comida.
Então hoje, na Beneficência Evangélica da Guarina, nós temos chamado um kit de primeiros socorros. O que é o kit de primeiros socorros? Primeiro, o alimento, utensílios de cozinha, um fogão, um botijão de gás, colchão.
e roupas em geral. Temos um bazar, minha esposa cuida desse bazar na Beneficência Evangélica, então damos esse primeiro socorro, esse kit de primeiro socorro. Então a gente chega, leva o que eles precisam.
porque como você vai dar uma cesta básica, sendo que não tem como preparar, não tem nem um prato para comer. Então temos esse kit de primeiro socorro. Então a gente sempre, das igrejas, o pessoal liga, pastor, tem um fogão aqui para doar. Eu vou lá e busco. Tem aqui um colchão. Então a gente vai recebendo ações e nós vamos assistindo essas pessoas que chegam. Quando elas chegam, damos esse primeiro acolhimento. Depois, levamos à Polícia Federal.
Porque chegando lá, eles já tendo os papéis, já pode-se fazer o CPF. Certo. Tendo o CPF, já tem acesso a tudo aqui no Brasil. A saúde, a educação, etc, etc. E aí o que já fazemos? Já baixa no celular a carteira digital de...
Trabalho. E trabalho não falta. Então hoje, por exemplo, na nossa cidade, nós não temos mais ninguém nos semáforos. Não tem, acabou. Que benção. Aí eu fui falar numa sessão da Câmara Municipal, a vereadora falou assim, ué, pastor, é por isso que sumiram os pedintes aqui nos semáforos. Eu falei, pois é, é um serviço que a gente faz.
um serviço de formiguinha, um anonimato, mas que hoje já tem um reflexo na sociedade. Não tem mais ninguém.
Quando chega, eles ligam pra mim, pastor, em tal semáfora tem alguém lá. Aí eu já corro lá. Você já tem os documentos da Polícia Federal? Você já tem o CPF? Ó, trabalho tem. Eu tenho no meu celular, né? Um banco de dados que tem todos ofertas de serviço da cidade. Supermercado, frigorífico, etc, etc, etc. Eu falo aqui, ó, qual o seu perfil? Manda o currículo. Então quem quer trabalhar tem.
E aí a gente consegue ajudar essas pessoas. E aí, encerrando, mostramos então o amor de Deus. Tem a palavra. Quando elas querem, convidamos para a nossa casa, para a gente comer uma arepa juntos. Olha, essa arepa não pode faltar. É uma delícia. A arepa é a tortilha dos venezuelanos, por exemplo.
Comemos uma arepa juntos, começamos a estudar a Bíblia, orar juntos. Convidamos para a igreja, os que querem vão, os que não querem não vão. E a vida continua, estamos aí servindo a Deus e servindo o próximo. E a luz chegando, né? A luz de Cristo brilhando.
por meio da igreja. Esse papel é fundamental, porque como você falou, o nosso papel é semear a semente do evangelho, não é converter. Muitas vezes até a gente ouve essa visão preconceitual, mas eles também estão de passagem, não vão ficar aqui. Por que a gente vai gastar tempo evangelizando? Você não sabe? Vai que ele se converte através dessa evangelização, através dessa palavra semeada, e onde ele for na família dele, ou voltar para o país dele, ele vai ser...
um pregador da palavra. Vai ser um missionário lá. A gente não sabe, então assim, a oportunidade que a gente tem, a gente tem que semear. O restante do papel é com Deus, com a palavra, o Espírito Santo que vai trabalhar, né? Mas a gente tem que aproveitar as oportunidades pra semear o máximo possível. E aí, como você falou, tem gente que aceita ir pra igreja e quer aprofundar mais, quer conhecer mais. Tem gente que não, a gente não sabe o que Deus tá fazendo também na vida daquela pessoa, né?
Então, ter esse coração aberto pra servir e semear a palavra nas oportunidades, né?
É isso, você bate papo e vai longe, muita coisa, muita experiência, muito encorajadora também que vocês já tiveram, já estão tendo aí, mas nós estamos chegando já no final e a gente gostaria de uma palavra sua para aquele...
vocacionado, aquele que está sentindo que deseja ser missionário, mas que vê um monte de barreiras, um monte de não sabe por onde começar, não sabe o que fazer. Dá uma palavra para aquelas pessoas que estão com esse ardendo coração enquanto estão ouvindo o nosso bate-papo aqui também. Primeira coisa é se render diante de Deus. Dizer, Senhor, eis-me aqui, faça de mim o que o Senhor quiser.
Porque, como eu já disse, eu tinha um chamado desde criança, mas eu nunca tinha me rendido aos pés do Senhor. Depois disso, Deus mesmo vai abrindo portas, Ele vai encaminhando. Então, fui fazendo os cursos. A PMT tem todos aqueles requisitos que têm que ser cumpridos, mas fui fazendo pouco a pouco.
Pouco a pouco, no momento certo, fomos para o Senegal. Então, assim, não foi nada extremamente difícil, porque fomos fazendo passo a passo, devagarzinho. Então, tem esse caminho a percorrer.
É interessante isso que você está falando, porque muitas vezes a pessoa pensa assim, se rende hoje, já quer ir embora amanhã. E tem que entender que há um processo. E Deus vai mostrando passo a passo. Enquanto Deus vai trabalhando e vai fazendo o seu preparo, também Deus vai trabalhando as nossas próprias vidas para a gente se moldar através das provações.
E ter a ferramenta certa, como você falou, né? Você se rendeu e Deus foi mostrando os próximos passos. Você foi fazendo o curso, foi fazendo... E aí você viu que tudo aquilo que você juntou de ferramenta foi útil lá no campo, né? Então, assim, tem esse processo também, né? E outra coisa que eu gostaria de falar para aqueles que estão sentindo essa vocação de Deus, né? Faça um curso que você possa servir, né?
Não precisa ser um curso extremamente difícil. Tem gente, ah, então eu preciso fazer medicina. É muito difícil e tal. Não, um simples técnico em enfermagem, um técnico em raio-x. Um dia uma professora chegou para mim e falou, e pedagogia? Eu falei, claro.
pedagogia vamos dar aulas minha esposa que não era pedagoga era enfermeira dando aula de português então faça um curso um curso mais simples que seja mas se você tiver o coração aberto para servir Deus vai usar então isso é muito importante e estar sempre
buscando a direção de Deus. Porque Deus vai direcionar. Deus vai direcionar. Então não é nada complicado. E uma palavrinha também para os pastores e igrejas, como poder acolher, como você falou, ou também às vezes não tem na cidade dele, mas próximos tem, e aí pode fazer aquilo que você falou que tem nessa região lá, igrejas apoiando, ou entrar em contato para saber como apoiar o trabalho de vocês lá também.
Verdade, estamos à disposição. Na APMT tem aí os meus contatos, podem entrar em contato comigo. Várias igrejas já entraram em contato comigo. Pastor, como é que nós fazemos? Passa a experiência para a gente. Então, por WhatsApp mesmo, a gente conversa, passa, contando a nossa experiência, como foi. Mas, gente, eu quero dizer uma coisa para vocês. Não é nada complicado. Abra o coração, abraça e receba, sirva no que for necessário.
e depois as coisas vão acontecendo. As coisas vão acontecendo. Simples assim. E agora que você está falando também, me veio na mente, muitas vezes o pastor pode ter a sua rotina mais apertada em fazer algumas demandas, mas muitas vezes tem irmãos na igreja que podem estar disponíveis e dispostos a cooperar nisso.
Às vezes, irmãos que falam outra língua também, que podem servir, como você falou, pessoas que falam outra língua, que vão dar apoio. E sempre tem. Coloca essa necessidade na frente da igreja, que com certeza Deus vai tocar o coração das pessoas que vão se levantar para falar assim, esse ministério eu posso servir ao Senhor. Então, precisa trazer também esses ministérios novos, vamos dizer assim, ministérios que Deus está mandando para a igreja hoje, para a igreja.
acordar pra essa realidade. E olha, sempre tem na igreja pessoas capacitadas. Sempre tem um que já estudou espanhol, que já estudou inglês, só precisa praticar um pouco mais. E quando a gente chega e fala, olha, existe essa necessidade, eles ficam felizes. Puxa, que legal! Agora eu entendo porque eu fiz o curso.
É verdade. Eles ficam muito felizes. Então, isso é um meio de envolver a igreja. Envolver a igreja, é verdade. Sabe? E, gente, quem não sabe abraçar? Quem não sabe servir um copo de água? Quem não sabe levar uma cesta básica? Se alguém tem um desejo de conhecer esse projeto, tem como visitar, ficar com vocês lá um final de semana, uma semana? Claro.
Dá também pra conhecer a Matécia com essa experiência transfutural, né? Então, tem o site, né? Pra quem quer conhecer um pouco mais, é só acessar o site da PMT, abmt.org.br. Lá no site da PMT tem uma página de missionários. E aí, só buscar lá por...
pelo Mota, né, Elinéia, colocar o nome dele lá, Marco Antônio Mota ou Elinéia, e você vai achar a página dele, lá na página dele tem mais informações, e-mail, tem WhatsApp, tem esses contatos, e você pode entrar em contato diretamente com ele, para pegar mais dicas de talvez iniciar um trabalho aí na sua igreja, na sua região, ou quem sabe, apoiar o trabalho deles lá, ir lá visitar, ver como funciona também, e fazer parte disso, né, eu achei interessante você falar essa questão do Antigo Testamento, do órfão, da viúva.
e desses imigrantes também, porque Deus fala, porque vocês também foram. Vocês também foram. Então, ter essa consciência, a gente também, por mais que talvez a gente não tenha morado, mas aí na nossa história do cristianismo, a gente também um dia foi imigrante, a gente também um dia foi refugiado, a gente um dia também esteve nesse papel, então nosso papel hoje é abraçar aqueles que estão entre a gente também. E quem é aquele que diga assim, meus avós, meus bisavós não vieram de outro país?
Também nós fomos estrangeiros também. Também fomos estrangeiros. Nossa história de vida. A história do Brasil é a história de imigração. São Paulo está... A história está toda entrelaçada na imigração. Por isso que tem aqui a Rodovia dos Imigrantes. É isso mesmo. Não é isso? É verdade. Muito obrigada, pastor.
pelo seu tempo aqui, compartilhar com nós, com essa experiência, essa visão, esse entendimento, esse projeto, e ter encorajado também as nossas vidas, também, né, Corévia? Nossos ouvintes, aqueles que estão assistindo. Deus abençoe grandemente a sua vida.
Quer deixar uma última palavra aí? Sim, gostaria de agradecer a PMT, a nossa agência presbiteriana de missões transculturais. Porque quando eu comecei esse trabalho lá em Araguari, eu estava trabalhando na PMT na divulgação.
E aí esse trabalho foi um trabalho voluntário. Mas eu comecei a mandar relatórios para a PMT. Então a PMT me chamou numa reunião há três anos atrás e falou assim, Marcos, espera aí, por que você não dedica tempo integral a isso? Porque nós da PMT, nós temos essa visão que o Brasil é um campo transcultural. Verdade. Sabe?
As nações estão vindo até nós. Eu me lembro do pastor Marcos Agripino falando isso. As nações estão vindo até nós. E nós, como a PMT, nós temos essa visão. E aí, então, a PMT me liberou para trabalhar tempo integral nesse ministério. Então, eu quero agradecer ao pastor Marcos Agripino, à diretoria.
cada colaborador da PMT. Que bom que nós trabalhamos numa agência missionária que tem essa visão e que a nossa igreja, a IPB como toda, abraça essa visão da PMT e que nós sejamos missionários transculturais dentro do nosso país. Muito obrigada, pastor. Deus abençoe e até o próximo episódio.
APMT