Episódios de Papo de Fotógrafo

Ninguém precisa ser mais um Privado

02 de setembro de 20261h22min
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Olá, papudos!

No episódio dessa semana, o papo é com Juliana Eloi. Fotógrafa especializada em Smash the Cake e maternidade, premiada pelo Outstanding Maternity Award e pela Bride Association, e referência nacional e internacional em fotografia infantil. Em quatro anos de carreira, construiu um posicionamento que a maioria leva décadas para alcançar.

A conversa começa nos escritórios corporativos, com a mulher que passou dez anos em outra área antes de enxergar na maternidade o chamado para recomeçar do zero. E termina com uma pergunta sobre o que separa quem constrói notoriedade em quatro anos de quem fica no mesmo lugar por dez.

Um episódio pra quem quer entender como se constrói uma carreira fotográfica de referência, em muito menos tempo do que todo mundo imagina.

Dá o play.

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Instagram: http://www.instagram.com/julianaeloi_fotografias

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Patrocinador:
Digipix: http://digipix.com.brImagen AI: http://imagen-ai.com/?ref=papodefotografoLojinha do Papo: http://digipix.com.br/papodefotografoCamisetas para Fotógrafos: http://reserva.ink/rafapetrocco

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E-book: http://go.hotmart.com/B90569251T (Cupom: PAPO10)

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O que nós falamos durante o bate-papo:

  • Conhecendo Juliana Eloi;
  • Da carreira corporativa à fotografia infantil;
  • Recomeçar aos 36 anos e montar o estúdio na garagem;
  • A metodologia do baixo custo e o reaproveitamento de materiais;
  • Como fazer entregas diferentes com os mesmos recursos;
  • Prêmios nacionais e internacionais com quatro anos de carreira;
  • Tráfego pago e estratégia digital para fotógrafos;
  • O que separa quem cresce rápido de quem estagna no mercado;
Participantes neste episódio2
R

Rafael Petrocco

Host
J

Juliana Eloi

ConvidadoFotógrafa
Assuntos6
  • A transição da carreira corporativa para a fotografia infantilCarreira bancária·Síndrome do pânico·Maternidade·Recomeço profissional
  • A metodologia de baixo custo e reaproveitamento de materiais nos cenáriosReaproveitamento de balões·Impressão caseira·Criatividade·Otimização de custos
  • A criação de experiências significativas para os clientes através da fotografiaJardim japonês·Significado emocional·Conexão com a história do cliente·Experiência do cliente
  • A importância da garagem como ponto de partida e aprendizadoEstúdio na garagem·Baixo custo·Lidar com clientes·Pé no chão
  • Desafios e estratégias na fotografia de Smash the Cake com bebês e paisReação dos bebês·Expectativa dos pais·Comunicação com os pais·Imprevistos
  • Estratégias de marketing e vendas para atrair clientes e construir notoriedadeTráfego pago·Crescimento de perfil·Boca a boca·Geração de desejo
Transcrição305 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz A

Olá, papudo! Sejam bem-vindos a mais um episódio do Papo de Fotógrafo. E hoje vamos falar de um tema delicioso, mesmo que a pessoa ou cliente não possa comê-lo. Mas antes, vamos dar os recadinhos muito importantes dos nossos patrocinadores, porque está chegando o final de ano e você precisa faturar ainda mais, porque afinal de contas precisa comprar equipamento, tirar férias com as famílias, e janeiro não tem trabalho para você fazer.

Então você precisa garantir o troco de Natal da sua casa, e você tem como garantir isso sem precisar fotografar. É só tirar essas imagens, os pixels do seu HD, e transformar em produtos. Faça álbuns, artigos para decoração, artigos para presente, que a Digipix oferece para você. É só entrar no site, você vai ver uma lista incrível de produtos, e que você tem que transformar isso fazer o seu exemplo, mostrar lá o mostruário para o seu cliente, para que ele possa entender o valor daquilo que você tá vendendo, para você faturar ainda mais.

Afinal de contas, o pixel que tá aí no seu HD não é Bitcoin, não vai render sozinho. Você precisa transformar isso em algo palpável e para o seu cliente comprar e gastar dinheiro. Aproveita final de ano que cliente fica com a mão aberta e acaba gastando mais do que devia, porque você precisa viver bem da fotografia para continuar fazendo o seu trabalho, não é mesmo? Então entre no adpixpro.com.br, veja quais os produtos encaixam no seu trabalho e ofereça para os seus clientes.

Fature mais e seja um fotógrafo feliz. E lembrando que aqui na descrição do episódio tem vários outros parceiros com muitos cupons para você aproveitar, ganhar um descontinho bacana, guardar um dinheirinho legal para você tomar um sorvetinho no final do ano e aí aproveitar esses dias incríveis que estão por vir. E para começar o nosso bate-papo, seja bem-vinda, Juliana.

JEJuliana Eloi

Obrigada pela oportunidade de estar aqui, tô muito feliz.

?Voz A

Tá muito formal essa sua entrada, extremamente formal. Tá nervosa?

JEJuliana Eloi

Um pouquinho.

?Voz A

Acontece com as pessoas, né? Nem sempre dá para conversar comigo pessoalmente porque as pessoas acham que a gente vai falar besteira, que nós seremos cancelados.

JEJuliana Eloi

É, exatamente.

?Voz A

Mas a gente tá aqui para conversar sobre fotografia e a gente vai trazer muito conteúdo para galera, certo?

JEJuliana Eloi

Certo.

?Voz A

Ju, conta pra gente um pouquinho, pra gente poder abrir esse bate-papo, de como é que a fotografia entrou na sua vida.

JEJuliana Eloi

Eu sou formada, tenho duas faculdades. Eu atuava como bancária, trabalhei muitos anos em banco, era fascinada pela área, era uma área que eu desejava muito entrar. E todo bancário, ele sai do banco por dois motivos, né? Ou ele usufruiu de alguma coisa que não era dele, ou ele teve algum ali contratempo emocional. E no meu caso foi esse, né? Eu saí com uma síndrome do pânico, transtorno generalizado de ansiedade e vários problemas, depressão, enfim.

Eu não me encontrei na área porque eu sentia que eu estava vendendo algo que eu não acreditava. Uma pessoa, quando ela vai no banco, o que que ela quer? Dinheiro, né? Ela tá passando por um momento difícil, então ela vai lá, procura. O que que a gente tem que fazer? Introduzir um produto que normalmente ele é benéfico só para instituição e não para pessoa em si. Então eu sempre me fazia a seguinte pergunta: e se fosse o meu pai aqui?

Eu sentia que eu tava trabalhando enganando as pessoas, e isso ao longo do tempo foi me deixando bem desgostosa, né, da profissão. Quando eu saí, o meu gerente, ele não era a favor da minha saída, e ele dificultou que eu retornasse para o mercado de trabalho. Então dizem as más línguas que toda oportunidade de emprego que eu ia lá, entrevista que eu fazia, ele dava uma referência negativa. E nisso eu passei 8 anos fora do mercado de trabalho, mesmo com faculdade, mesmo com bagagem.

E aí meu filho surgiu, eu virei mãe, e através da maternidade eu levava ele para fazer sessão fotográfica. E eu sempre, todas as sessões, eu olhava aquilo e falava, gente, esse é um universo onde eu me sentiria realizada se eu tivesse trabalhando. Eu achava fantástico quando ele pegava aquele monte de acervo que ele tirava de uma sala isolada lá, que devia estar cheio de pó, de ácaro, de tudo que não presta, montava, e eu achava aquilo extremamente mágico.

De que aquilo me fascinava. Todo mês eu falava para ele, eu seria feliz fazendo isso. E ele sempre jogava um balde de água fria, ele falava assim, ah, mas não é tão fácil quanto você pensa, não dá tanto dinheiro quanto você imagina, não é assim. Patrick, que é meu esposo, que tá aqui assistindo, lindo e maravilhoso, trabalhava com explosivo, ele fazia munição de armamento. E ele começou também ter algumas questões emocionais. Que que ele fez?

Falou que não aguentava mais. E aí, como ele era a única renda da casa, eu falei, então é hora de tirar o sonho da gaveta, que foi o que me encorajou a começar. Falei, a gente vai remar, cada um vai remar de um lado, a gente vai achar uma solução. E aí foi a hora que eu desengavetei o sonho da fotografia.

?Voz A

Mas isso já tava só por conta dos ensaios que você fazia?

JEJuliana Eloi

Eu comecei na—

?Voz A

ou já tinha alguma outra ponta atrás da orelha?

JEJuliana Eloi

Eu tinha vontade de aprender, mas nunca tinha mexido numa câmera, nunca tinha feito nada. Entrei em um desses cursos por plataforma que a gente faz, que a gente não aprende coisa nenhuma, né? Montei dois cenários de Natal na garagem da minha casa, sem estrutura nenhuma. Montei e comecei. Quando ele me viu começar, o que que ele fez? Saiu da empresa. Falei, agora eu tenho duas alternativas, ou vai funcionar, ou vai funcionar. Não tinha a possibilidade de não dar certo.

Atendi na minha garagem durante 4 meses. E o que acontecia muito era que o cliente que chegava, ele falava assim, mas você vai atender aqui? Aí ele olhava para o chão e fazia uma cara de nojo e falava, nossa, mas aqui, mas não tem como fazer uma sessão aqui. E eu percebi que a falta de estrutura era uma coisa que ia dificultar meu crescimento na fotografia. Foi quando a gente arriscou e montou o estúdio.

?Voz A

E como é que foi o recomeço? Porque querendo ou não, você já tava com uma certa idade, e a gente às vezes, muitas vezes se pergunta, né, será que agora com 35, 40 anos Vale a pena entrar na fotografia? Vale a pena mudar de profissão? Da sua experiência, como é que foi essa mudança, esse recomeço?

JEJuliana Eloi

Tem uma frase que eu falo inclusive nas minhas palestras que fala assim: a paz que eu sentia com a câmera na mão é uma paz indescritível que nenhuma caneta no mundo corporativo me deu. Então eu me sentia tão plena, tão satisfeita fazendo aquilo que eu não senti esse receio de falar. E as pessoas, às vezes a gente imagina, as pessoas estão me achando besta, Uma pessoa que tem duas faculdades, que tinha um futuro promissor, tá começando isso daí, não vai dar em nada.

A gente percebia que as pessoas torciam o nariz, né, de olhar e falar assim, ai, o que que ela acha que ela tá fazendo? Mas eu acreditava muito no meu sonho, acreditava muito na vocação, porque eu sentia, sentia que aquilo era para mim, que eu tinha encontrado o caminho.

?Voz A

Você tinha feito faculdade de?

JEJuliana Eloi

Fiz Administração de Empresas e sou tecnóloga em Gestão Comercial.

?Voz A

Ah, é por isso que você tava preocupada, porque se tivesse feito publicidade, você já ia ter esse sentimento há muito tempo, né? Porque A faculdade, pô, você escolhe publicidade e propaganda, o pessoal já fala, isso aí, qualquer coisa que aparecer ele vai fazer, vai vender pulseira na beira da praia, que é uma boa ideia também, né?

JEJuliana Eloi

Se a minha arte fosse tão boa, era uma boa ideia.

?Voz A

Mas nesse processo todo seu de mudança, né, e de transformação da carreira, porque aí você tomou uma decisão, você fotógrafo é isso aqui, em algum momento você experimentou algum outro nicho ou já foi concentrada na, vou usar minha garagem.

JEJuliana Eloi

Eu comecei achando que eu fazia de tudo, né? Então, além dos sazonais que eu fazia, que hoje é uma coisa que eu já não faço mais, só faço Natal, não faço outro tipo de sessão, fazer aniversário infantil, fazia gestante, fazia feminino, tudo que aparecesse, até ensaio de casal, tudo que me pedissem para fazer eu fazia. Eu falo que o fotógrafo ele tem que começar experimentando de tudo um pouco, porque vai ter uma área específica que vai te tocar de um jeito diferente. Então eu comecei experimentando tudo que eu tinha direito.

?Voz A

E aí, como é que foi essa questão da maternidade? Porque daí você também, quando a gente começa na fotografia, e pelo menos esse é o discurso que eu ouço de muitas pessoas que viraram mãe e viraram fotógrafas, é que, ó, o primeiro passo era porque, ah, vou ter mais tempo para cuidar do meu filho.

JEJuliana Eloi

O que não existe, né? O que não existe, na teoria não funciona assim.

?Voz A

Eu vou ter mais tempo para cuidar do meu filho, vou poder me programar melhor, vou trabalhar no meu tempo. E que na fotografia a gente sabe que a partir do momento que a gente começa A trabalhar com Futurofic é a nossa profissão?

JEJuliana Eloi

A gente não tem mais vida, não tem mais vida nenhuma. Uma coisa que sempre me deixou muito confortável é, como o Patrick tinha saído do trabalho, ele passou a trabalhar junto comigo. Então a minha ausência em determinados momentos era suprida por ele, pela permanência dele em casa. Então eu tô lá montando um cenário, ele tá em casa com ele. A gente foi atender, finalizou, eu fico, ele fica. Então de certa forma ele continuou tendo aquela base muito próxima dele.

?Voz A

E aí, como é que você gerenciava isso? Porque a partir do momento que você se torna responsável pelas contas de casa, certo? Sim, que não é tão fácil assim os dois saírem para— como é que foi seu planejamento? Como é que você começou mesmo no início a estruturar para falar assim, cara, isso aqui não é que eu vou tentar para ver se dá certo, tem que dar certo?

JEJuliana Eloi

A gente começou, a gente começa errando bastante.

?Voz A

Você é bancária, né? Falar de planejamento financeiro com você é sacanagem.

JEJuliana Eloi

Vamos assim dizer que eu tudo tá planejado assim, mas a gente começa investindo muito mais do que o que a gente ganha, né? E não tem como você começar de uma forma diferente, a gente investe muito mais. Então, por exemplo, ia fazer uma sessão, ele queria me matar porque eu cobrava R$300, gastava R$1.000 na sessão, e era vestido especial, e era isso especial. Mas foi isso que gerou o encantamento que tem hoje meu trabalho, foi o excesso de investimento inicial ali que sempre teve.

Não foi automático, a gente perde, a gente passa um ano ali perdendo, a gente passa um ano investindo e perdendo, investindo e perdendo, investindo e perdendo. Depois de um ano olhei para ele e falei, cara, é muito, isso é muito rentável. E de fato ele é muito rentável, porque quando você tem um produto que você oferta para o seu cliente que ninguém mais tem, eu falo que é como se você descobrisse uma receita de bolo que ninguém mais fabrica.

O encantamento hoje que tem o meu trabalho é algo que você não encontra em qualquer fotógrafo, o exagero do meu trabalho. E aí ele passou a funcionar, ele passou a dar muito certo.

?Voz A

E você disse que não tinha tido nenhum contato com a fotografia. Como é que foi o processo de desenvolvimento? Porque No final das contas, quando a gente começa, a gente olha uma coisa, por mais que a gente copie o cenário, a hora que a gente aperta o botão sai outra completamente diferente.

JEJuliana Eloi

Eu acho que a gente sempre começa do jeito errado, a gente começa achando que a gente precisa investir muito, sendo que ter a ferramenta certa de conhecimento é o principal, é o primordial. Eu comecei olhando muitos fotógrafos e definindo primeiro qual que era a linha que eu queria seguir. E foi aí que eu descobri o trabalho da Paty Balbino, né, notória no nosso meio. E quando eu olhei o trabalho dela, eu falei, gente, é exatamente isso que eu quero para mim, é exatamente essa linhagem de trabalho.

Porque aparentemente, para quem olha, parece uma fotografia com pouco recurso, uma fotografia econômica. Você vê ali, é uma foto extremamente colorida, mas com pouco, com poucos itens de decoração. Então eu queria seguir a linhagem dela, fiz o curso dela. Um excelente curso para quem tá começando. Ela sim me trouxe a base que eu precisava. E eu sempre falo que a gente precisa saber onde a gente quer chegar, mas a gente não tem que definir ser uma réplica.

Isso que eu sempre tive muito claro na minha cabeça. Eu gosto do trabalho dela, eu quero chegar a um trabalho próximo, mas eu não quero ser uma Paty Balbi, não quero ser uma Juliana Eloy. Então eu comecei mirando no trabalho dela e criando a minha própria identidade ali dentro daquele núcleo.

?Voz A

E os desafios dentro de fotografar na garagem? Porque uma coisa você ter estúdio bonitinho, né, tá vendo a Paty fotografando lá no— e aí você vai para garagem, né. Primeiro começa pelo tipo de equipamento que você tá começando e também os desafios do dia a dia, porque uma garagem não é um lugar apropriado, não, para poder atender cliente de criança ainda, principalmente ali tem que tomar um certo cuidado. Como é que foi os desafios de conseguir aplicar a teoria na prática e pensando já que ali seria só uma etapa do processo, que mais para frente talvez você já não tivesse.

JEJuliana Eloi

Eu acho que a garagem ela foi muito importante para mim no sentido de aprender a lidar com as pessoas, né? Porque não é só sobre lidar com o equipamento, é lidar com as pessoas também, porque é completamente diferente. Você sabe manusear um equipamento, mas você sabe lidar com a pessoa? Você sabe lidar com aquele fluxo? Então para entender essa questão, para mim foi excelente. Cobrava um valor extremamente irrisório, entregava todas as fotos, mas aquela experiência que eu tinha com ele era algo que tinha muito mais valor para mim do que a prestação de serviço em si, do que aquilo que eu recebia dele em troca.

Eu estava recebendo muito mais. O cliente que não tava conseguindo visualizar isso é um cliente que não te acompanha, né? Depois que você cria um trabalho de notoriedade, ele não te acompanha, ele não te segue. Mas para mim, criar uma base foi primordial. Tinha aquela questão do cliente que chegava, olhava e fazia aquela cara de, tinha cliente que na hora de se despedir abraçava como quem tava abraçando alguém que perdeu alguém importante na vida, sabe?

?Voz A

Aquele abraço que você dá no velório, aquele abraço de consolo, tipo assim, ai, olha, né, força.

JEJuliana Eloi

Eu acho que isso é muito importante para fortalecer a gente no propósito também, né? Porque quanto mais as pessoas me desafiavam de olhar e falar assim, isso não vai chegar em lugar nenhum, mais me dava gás para lutar para chegar onde eu cheguei.

?Voz A

E como é que era isso? Assim, lógico que hoje você tem uma visão da experiência do cliente muito diferente, né? Mesmo porque você também aprendeu que nem sempre é o cenário, nem sempre a técnica fotográfica, é a experiência que conta. Mas aquele momento você tá começando, ainda não tem muito dedo, tato para entender o que tá acontecendo, mas de tentar surpreender o cliente de algo que talvez à primeira vista dela não fosse tão surpreendente, porque era uma garagem, ela até fazia aquela cara de se eu soubesse não tinha vindo, não teria contratado.

Como é que você lidava com isso? Quais eram os principais desafios e como é que você tentava suprir essa, tentar superar essa expectativa que o cliente tinha.

JEJuliana Eloi

Eu tinha muita consciência que pela questão de ser um local adaptado, aquele cliente era um cliente que dificilmente ia fidelizar. Por mais que eu mostrasse o meu valor, por mais que fosse excelente aquilo que eu entregasse para ele, não era um cliente que ia permanecer. Até minha história do início com o Smash the Cake, ele tem uma história engraçada com isso. Era uma cliente que vinha pelo preço muito baixo, porque recebia todas as imagens.

Ela foi, fez Natal, fez Dia das Mães, fez fez Páscoa, tudo que tinha direito. Quando a criança de fato foi fazer um ano, ela falou, olha, vou fazer com você. Aí eu acho que comentou com alguém da família, olha, eu vou fazer nesse lugar. E aí provavelmente falaram sobre a questão da estrutura e ela desistiu. Na véspera da sessão ela falou assim, olha, sabe o que que é? É que eu achei um outro local, um outro local que tem mais estrutura.

A pessoa que vai pagar para mim acha melhor pagar nesse local do que pagar para você. E a gente sente que de fato é por conta da estrutura que você não tem. Eu já era uma coisa que dava para presumir. É exatamente por isso que ela desistiu. Isso não era um empecilho, a vontade de vencer era muito grande.

?Voz A

Você tem assim, você vem de uma formação lógica, racional, né, administração, dinheiro, finanças, e tá trabalhando numa área que é puramente emocional, assim, né? Ainda mais quando envolve filho, a decisão é muito mais emocional do que racional, lógica. Como é que era para você lidar com isso, com a frustração? Porque de uma certa maneira você, aí eu sei que ela tá analisando o local, tá vindo pelo dinheiro, mas ao mesmo tempo tem a questão do artista que começa a pensar no resultado da fotografia, na experiência que quer entregar.

Você consegue equilibrar isso? Como é que você lidava com essa, com o momento em que você tava passando, né, o processo? Não é nem passando no sentido de agora tô triste, mas do processo é saber em que lugar do processo você está, para onde você queria chegar, mas de lidar um pouco com isso assim. Ah, agora eu vou ter que equilibrar o racional com emocional para poder fazer as coisas acontecerem.

JEJuliana Eloi

Eu acho que por mais que uma pessoa chegue no local adaptado, ele precisa achar uma pessoa desarmada e disposta a ofertar o melhor que ela tem dentro das condições que ela tiver. Então o meu atendimento, por maior que fosse o desconforto visível e notório do cliente que tava ali, eu tava sempre com um sorriso e confortável. Então eu tentava quebrar esse gelo, mesmo que muitas vezes eu não conseguisse quebrar, mas eu tava ali disposta, independente do desconforto.

?Voz A

Quem sofria era o marido, que daí você xingava.

JEJuliana Eloi

Quem sofria era o marido quando eu cheguei. Exatamente.

?Voz A

Aquela desgraçada veio aqui, não sei o quê.

JEJuliana Eloi

Era mais ou menos por aí mesmo.

?Voz A

Mas você ainda conseguia tentar equilibrar um pouco para entender?

JEJuliana Eloi

Não, nenhum deles, nenhum cliente dessa primeira fase da minha carreira é um cliente que me segue hoje, até mesmo porque o padrão de cliente hoje é diferente, né? Ele já é um cliente B, A e B, mais A do que B. Existe aquele cliente B ou um cliente C, muito raramente, que é aquele que vai lá e parcela em 12 vezes, em 15 vezes, faz questão de consumir. Porque eu falo que esse público mais baixo, ele quando ele deseja alguma coisa, não importa qual vai ser o cenário, mas ele vai conseguir fazer aquisição.

O público A é aquele público que já não dá tanto valor assim, porque ele pode pagar uma sessão hoje, ele pode pagar uma sessão semana que vem, ele pode pagar uma sessão mês que vem, até nem tem tanta emoção quanto tem quando público B, quando é uma pessoa, né, sem tanta condição assim.

?Voz A

Você chegou a fazer ensaios gratuitos? Existe essa discussão do, ah, faz, não faz, como é que é?

JEJuliana Eloi

Ainda hoje, quando eu quero fazer, por exemplo, às vezes chega um produto que é inovador, que dificilmente uma mãe vai me pedir para utilizar. Então, mas eu quero utilizar, eu tenho uma ideia na minha cabeça que eu quero executar, eu chamo. Até hoje eu chamo um bebê, obviamente que eu vou chamar o bebê que é fácil de trabalhar, né, aquele bebê que passou por lá, que só deu risada o tempo inteiro, que é um bebê que tem um fluxo bacana de trabalhar, mas eu chamo até hoje, eu faço.

?Voz A

E como é que você, para quem tá começando ou precisa de repente melhorar o portfólio, que estratégia ou que dica você daria para ela poder fazer isso com eficiência?

JEJuliana Eloi

Então, no começo, como que eu trabalhava? Eu fazia a sessão, não ofertava um número mínimo, por exemplo, de imagens. Hoje eu já trabalho diferente. Quando eu chamo uma mãe que vai fazer esse tipo de trabalho, eu já determino, a gente, vou te dar 10 imagens, imagens, você tem duas opções: ou eu seleciono para você, se você não quiser sofrer e não quiser gastar, porque é uma opção também. Porque tem que deixar claro para o cliente que você não tá tentando monetizar em cima do convite.

Então eu deixo claro: olha, eu vou te dar 10 imagens, você quer selecionar ou quer que eu selecione para você? Se você quiser selecionar, você tem a liberdade de escolher um número maior de fotos. E é impossível escolher 10 imagens de uma sessão. Eu sou aquele fotógrafo que não economiza. O bebê tá lá sorrindo, a gente não vai economizar. Meu marido sofre porque eu fico, ó, pega tal prop, pega tal prop. Ele tá assim, mas não era só 2?

Eu falo, não, mas pega só mais um, porque eu já sei que é uma criança que rende. Então eu dificulto bastante o trabalho dos pais também.

?Voz A

É aquele famoso assim, se você não quiser gastar, você pega só as 10 fotos que eu escolhi.

JEJuliana Eloi

Exatamente.

?Voz A

Porque aí você não vê o resto, não fica com vontade de comprar.

JEJuliana Eloi

E até me facilita, porque às vezes a mãe vira para mim falando, não, eu só quero de fato as 10 fotos. Eu também não vou ficar lá insistindo e ficar fazendo 300 milhares de fotos para ter dificuldade para eu mesma selecionar, né? Então já coloca ali um limite de trabalho.

?Voz A

Mas aí se você tiver mais possibilidades, você pode escolher as do seu portfólio e as que você vai entregar.

JEJuliana Eloi

Aí eu não vou conseguir escolher 10, então eu prefiro não trabalhar tanto assim.

?Voz A

E como é que foi o começo assim, né? A gente sabe que o fotógrafo sofre de equipamentite, que tudo que ele vê ele quer comprar, que porque o fotógrafo X tem o flash tal, ele quer, a lente tal, ele quer, a câmera tal, ele quer. Como é que foi o começo assim? Você começou com que tipo de equipamento e o que que você foi entendendo que era realmente importante para você?

JEJuliana Eloi

Porque prop, eu sei que fotógrafo de família, desse problema na verdade era da questão do prop.

?Voz A

Gasta em prop, mas não gasta no iFood, por exemplo, né? Exatamente. Come tiarinha e wrap na janta. Que que, qual era o seu setup no começo assim? Comecei com o básico, era isso aqui.

JEJuliana Eloi

Eu acho muito engraçado porque até hoje tem fotógrafo que chama no direct perguntar qual que é o seu equipamento. Não é o equipamento que faz a foto. Eu sempre defendi isso. Eu comecei com uma T7, já fazia fotos lindas, já fazia fotos incríveis, era o equipamento de entrada. Hoje não, hoje eu trabalho com a mirrorless, já dei um up aí no equipamento, mas a princípio eu já fazia um trabalho excelente com equipamento de entrada.

É porque a gente fala, a minha visão é que a luz ela dita mais do que o equipamento em si. Então até eu aprender a trabalhar a iluminação demorou um pouquinho, mas depois que engatou Hoje eu vejo a luz como mais importante do que o equipamento em si, principalmente em estúdio, né, onde tudo é mais controlado.

?Voz A

Assim, você pode não precisar de um ISO muito alto, enfim, dá para você trabalhar mais fácil.

JEJuliana Eloi

Diferente do evento, né, diferente do evento que você já entra olhando para o teto.

?Voz A

Pera aí, exato. E aí tem até um vídeo que viralizou essa semana que é um casal de asiáticos, deve ser japonês ou chinês. Você já viu esse vídeo? Que eles estão na frente de um ambiente assim olhando, né? E aí tá assim, quando o ambiente não ajuda, alguma coisa assim. Aí eles viram a câmera para o lugar, é um, é uma tenda toda vermelha. Então o salão inteiro tá vermelho por conta da luz, né? Aí do tipo, eles estão transferindo aquela cor maravilhosa para pele de todo mundo.

É incrível, tem esse sofrimento às vezes para quem trabalha com evento. Mas isso é legal, porque às vezes a gente fica com a desculpa de que, ah, eu não faço porque o equipamento não é bom o suficiente. Quando na verdade, se você souber usar ele corretamente ou extrair o melhor dele, você consegue.

JEJuliana Eloi

Até a questão do próprio é uma doença. Eu falo que é uma doença, né? Porque a gente chega num congresso, sai comprando tudo que a gente vê. E muitas vezes você vai levar aquilo para o estúdio, você não sabe nem usar aquilo, você não sabe nem para que que vai servir aquilo. Então hoje em dia eu opto por compras mais inteligentes. Eu olho primeiro, eu preciso ver a visualização da utilização daquele equipamento. Então eu olho, aí esse prop vai servir para quê exatamente?

Eu só levo se de fato ele se enquadra no meu trabalho. Mas hoje eu tenho parcerias com lojas de props também, eu já não tenho mais a necessidade de estar comprando, graças a Deus.

?Voz A

Eu lembro uma vez que eu fui apresentar um congresso de newborn, de família, lá em Brasília, né? E aí teve uma das palestras, a palestrante tava falando muito sobre marketing, né? Explicou várias coisas que eu falei, caramba, que legal e tal, não sei o quê, nunca imaginei isso. E aí no final ela ofereceu o workshop, né? Olha, vou abrir vagas, quem tiver interesse fazer. Que eu me lembre, ninguém se interessou. E aí todo mundo meio, ah, também sem dinheiro agora, não sei o quê.

JEJuliana Eloi

Aí abriu a feira.

?Voz A

Aí de repente teve a feira, intervalo, né?

JEJuliana Eloi

A gente terminou ali.

?Voz A

E aí a hora que voltou do intervalo, assim, tudo cheio de sacola, um monte de sacola, uma loucura, cheia de sacola de tops e de não sei o quê. Eu falei, gente do céu, vocês não estavam sem dinheiro para fazer workshop? Não, vocês vão fazer o quê? Vamos usar final de ano essas roupas que vocês compraram aí? Que assim, eu sei que é completamente compulsivo, que existe, que faz parte da fotografia, da linguagem da fotografia de newborn, os acessórios.

Mas caramba, poxa, é um exagero o marketing. Vocês precisam investir um pouquinho mais em marketing, usando os próprios que já tem, né?

JEJuliana Eloi

Aí o fotógrafo vai, compra 10 mil props, aí depois fala assim: ai, tô sem cliente nenhum, você faz tráfego? O que é isso? Não, não faço ainda.

?Voz A

Tráfego só se for de peça de brechó, né? Eu troco as minhas tiarinhas verdes pelas suas rodas.

JEJuliana Eloi

Tráfego de prop.

?Voz A

Tem, né? Será que alguém vai ser preso? Não sei, né? Pode ser. Mas como é que hoje você analisando isso, essa questão do aonde investir, A gente sabe que quando a gente fala de ensaios, principalmente em estúdios, basicamente o cenário é o que mais tem investimento, né? O que o fotógrafo acaba mais pondo grana, principalmente se são temáticos. Você tem que pensar tudo muito rápido e como aquilo vai monetizar de uma certa forma que seja pagável, né?

Que você tenha lucro sobre todos os seus gastos. Como é que é Hoje, no começo você comprava tudo e gastava R$1.000 para cobrar R$300. Hoje você gasta R$300 para cobrar R$1.000, certo?

JEJuliana Eloi

Gasto muito menos, gasto muito menos do que isso, gasto muito menos do que isso. Até defendo isso nas palestras, porque hoje tudo que eu utilizo para confecção de um cenário, ele é reaproveitado. Os meus balões, eles são utilizados, os mesmos balões, de 7 a 8 vezes, o mesmo balão. Então a gente tem uma técnica de amarração que a gente consegue reaproveitar. O que eu trabalho quando eu faço a inclusão de um tema específico, eu faço impressão numa impressora caseira.

Então o custo é praticamente zero. Eu consigo imprimir todos os elementos que eu preciso de composição, reutilizo os balões e as estruturas, elas são sempre as mesmas. Então o custo é praticamente zero.

?Voz A

E aí tá mais a criatividade em saber reaproveitar e como usar de formas diferentes aquilo que você tem do que ficar comprando coisas novas.

JEJuliana Eloi

Sim, e às vezes uma impressão que você faz só de você trocar a disposição dela no cenário, você tem vários cenários utilizando exatamente a mesma coisa.

?Voz A

E tem um workshop para desaprender, é um workshop para aprender a desamarrar a bexiga.

JEJuliana Eloi

Tem vários vídeos lá no meu perfil que eu ensino.

?Voz A

Porque é o que eu mais gasto nos aniversários das meninas, é tá perdendo dinheiro. Preciso reaproveitar.

JEJuliana Eloi

Tá perdendo dinheiro.

?Voz A

Vou mandar minha esposa, ela adora economizar, eu vou mandar ela fazer workshop de desamarrar bexiga. Mas isso é legal, a gente tá brincando aqui, mas fala, por exemplo, fotografia de newborn. A gente normalmente recomenda que a pessoa aprenda muito mais sobre como manejar a criança, sim, do que técnica fotográfica, que é uma coisa que com a prática você também vai acabar aprendendo um pouco mais. Cenários também tem muito disso, né? A gente tava comentando o Gilmar nas palestras. Pensa num cara criativo.

JEJuliana Eloi

Nossa, extremamente criativo.

?Voz A

Eu fico impressionado com as coisas que ele compra, que ele posta lá, os bastidores dos ensaios, e como ele transforma aquilo numa peça, num acessório, num vestido.

JEJuliana Eloi

Que parece uma coisa de grife, uma coisa cara, refinada.

?Voz A

É melhor que os carnaval do Rio de Janeiro, né, das fantasias. Porque fantasia do Rio de Janeiro, você chegar pertinho ali, ó, né, você vê os defeitinhos. Mas ele consegue aproveitar muito assim, e essa criatividade de desenvolver coisas novas, de coisas que você nem imagina que podem servir. Como é que é esse seu processo quando você pensa no cenário? Como é que você coloca no papel e fala, olha, eu vou criar isso, preciso disso, já tenho isso?

JEJuliana Eloi

É o que eu bato sempre na tecla com as mães quando elas me procuram. Eu trato cada bebê como se ele fosse o único. Então eu não gosto de fazer reproduções de algo que eu já tenha feito. Então, por exemplo, aí eu vi um cenário X, eu quero exatamente esse cenário. Eu sempre tento desarmar a mãe para quê? Para que ela receba algo que seja novo. E eu peço para elas escolherem um tema com base em algo que tem algum significado especial para ela.

Então, por exemplo, o que que é que conta uma história do seu bebê que vai tornar aquela fotografia algo com significado daqui a 10 anos, né? Até contei recente na palestra agora do Rio sobre uma história de uma mãe que ela me procurou me pediu um jardim. E aí ela falou assim, olha, eu não tenho noção de— que eu pergunto para elas, o que que vocês gostam? Ah, eu gosto de flores, eu gosto que tem um arco assim, assim, eu vi esse arco no seu perfil, gostei.

Eu gosto que os balões sejam dessa cor, eu quero que tenha borboleta. E quando eu perguntei, a mãe não sabia explicar. Ela falou assim, olha, eu não faço noção do que eu quero que você coloque. Aí eu perguntei para ela, tem alguma coisa que seja importante para você, que tem um significado especial? Aí ela me perguntou, tem como fazer um jardim japonês? Aí eu falei, bom, é uma asiática, olha que coisa linda, tem, tem como fazer um jardim japonês.

Aí eu vou no Pinterest e vou procurar o quê, o que que é que representa um jardim japonês. Aí ali eu já tenho uma base, tem aquelas casinhas japonesas, cerejeira é característico, dá para colocar uma japonesinha ali no meio, um displayzinho de uma japonesa. Mas como ela queria um jardim, queria algo extremamente delicado, eu pego essas imagens, jogo no chat, peço para que ele deixe ele ali com harmonia de um jardim delicado, rosinha.

E aí quando a mãe chega, que eu olho para criança, que mais me chamou atenção, que não era asiática.

?Voz A

Foi, acho que eu errei.

JEJuliana Eloi

Então eu até achei estranho, falei, ué, por que um jardim japonês? E a hora que a mãe olha o cenário, ela começa a chorar e me conta a história por trás do cenário. A avó dela era japonesa. Quando eles eram pequenos, ela e os irmãos, os pais foram para o Japão para tentar Levantar recurso para comprar uma casa, que eles não tinham uma casa própria. E essa avó cuida dela e dos irmãos por 2 anos. E aí os pais voltam com recurso, compram a casa.

Então a avó é como se fosse uma segunda mãe. E quando ela engravida da criança, a avó é hospitalizada e ela fala assim: olha, só vou fazer chá revelação quando você sair do hospital. Só que a avó não sai. E aí a criança recebe o nome da avó. A criança chama Alice porque a avó chama Alice. E ela falou que quando ela chegou e olhou o cenário, ela conseguiu sentir a presença da avó. Ela falou assim, você conseguiu um jeito de trazer ela aqui para esse momento que é tão importante para mim.

E quando ela chega em casa, a primeira coisa que ela faz é me mandar uma foto da avó porque ela queria que eu conhecesse. Ela me agradece pela experiência que ela viveu lá. Então é muito importante que a gente entenda que aquilo que a gente vai ofertar para o nosso cliente vai muito além de um cenário. Vai muito além de uma fotografia, é de fato uma experiência. E eu tenho noção dessa responsabilidade e comprometimento em ofertar isso.

?Voz A

Em algum momento, você, nesse tipo de experiência, você lembra da garagem? Do tipo, se fosse um trabalho?

JEJuliana Eloi

O tempo inteiro. Eu acho que é muito importante essa história da garagem. Eu sinto muito orgulho de falar sobre a questão da garagem, porque lembrar do pé na garagem é o que mantém meu pé no chão. Então não importa o tamanho da minha conquista, do palco que eu pise, daquilo eu consiga conquistar na minha carreira, eu sempre vou lembrar de onde eu saí. Isso é muito importante.

?Voz A

E em algum momento de todo esse processo você achava que a sua fotografia ia conseguir? Eu sei que é polêmico, a gente fala assim, é lógico que o sonho de todo mundo é ter sucesso naquilo que faz, né? Principalmente algo que faz o que gosta, né? Que é lógico, eu queria viver. E tudo que a gente vê nas palestras, né, o sucesso das outras pessoas, o que elas proporciona, o que a fotografia proporciona. Mas em algum momento você tinha ciência de que a sua fotografia em algum momento pudesse proporcionar esse tipo de experiência?

JEJuliana Eloi

Não, não. Acho que foi algo que foi sendo construído aos poucos, mas eu não imaginava a proporção que tomou, não.

?Voz A

Porque a princípio você fala, a pessoa vem aqui tirar foto num cenário bonitinho que talvez tenha a ver com ela.

JEJuliana Eloi

Mas acho que começou muito como uma construção, como um desafio, né? Eu levei recente para as pessoas verem na palestra o meu primeiro jardim, que era algo extremamente simples, não tinha a menor noção do que eu tava fazendo, e a evolução de onde ele chegou. Eu falo que eu sou uma pessoa extremamente autocrítica, então toda vez que eu olho para um cenário, por mais perfeito que ele seja, encontro um defeito.

?Voz A

Isso é padrão, né?

JEJuliana Eloi

E isso é importante para quê? Para você continuar se desafiando, porque aquele que olha e fala, não tenho mais nada para entendeu, não tem mais nada para melhorar, é quem vai estacionar.

?Voz A

Então, mas é justamente, por exemplo, esse tipo de experiência que você proporciona que faz com que o cliente não enxergue os pequenos defeitos. Sim, porque para ele não é um cenário perfeito, não é que o cenário precisa estar perfeito. Sim, é aquilo, precisa trazer uma mensagem, uma experiência, um significado.

JEJuliana Eloi

A princípio, a magia de ver o cenário perfeito é o que traz ele para viver essa experiência. Porque o que é, eu falo que a isca para ele é ver aquele padrão de cenário incrível, de cenário perfeito. E aí ele não sabe que o que tá por trás daquela imagem perfeita é muito mais do que uma foto, que é isso que vai manter ele, vai manter ele no meu estúdio por mais tempo. Eu tenho famílias que fotografaram primeiro, segundo, terceiro ano e continuam indo.

Eles falam, eu volto pela experiência. As crianças amam, as crianças chegam lá Patrick, que é meu marido, que auxilia, ele é muito dinâmico com criança. Então elas querem parar a sessão para cantar parabéns para ele. Por quê? Porque a criança vai lá, a criança de fato ela tá se divertindo, não é só uma sessão.

?Voz A

E dentro desse processo todo, né, a questão do cenário, por exemplo, você tava falando de reaproveitamento, é lógico que o cliente ele acaba nem olhando para ver se, ah, esse balão é o mesmo balão da foto de de 3 posts atrás. Mas em que momento você percebeu que, poxa, eu não preciso ficar gastando comprando pacotes e pacotes de bexiga, não preciso ficar fazendo milhares de MDF aqui com várias formas para fazer o cenário, sendo que eu consigo reaproveitar?

Assim, é lógico, né, como a gente tá falando para fotógrafos, um pouco do nosso conteúdo acaba na parte dos bastidores. Que realmente você falou assim, cara, não preciso gastar muito aqui não, eu vou gastar muito mais energia no relacionamento, em criar experiência, do que realmente ficar gastando aqui para mudar a cor do balão, por exemplo.

JEJuliana Eloi

Hoje a gente tem um estoque, né? Tem uma parede que tem mais de 100.

?Voz A

Hoje meu marido dorme na sala, só tem balão.

JEJuliana Eloi

A gente tem um paredão com mais de 100 cores de balões, todos eles ficam em potes, né? Né, aqueles potes de alimento. Então é lotado de pote de balão, mas a gente enchia e furava tudo aquilo. A gente via que era um desperdício, né? Aí eu fui assistir vídeo no YouTube para ver, não, deve ter alguma forma da gente fazer um reaproveitamento. É dinheiro no bolso, né? Eu bato sempre na tecla com fotógrafos, tá jogando dinheiro fora.

Porque para o cliente ele não consegue ver a diferença de um balão que tá fosco porque ele é usado, de um balão que tá brilhoso porque ele é novo. Até mesmo porque eu edito, até os balões eles são editados, né? Balão que que tem aquelas imperfeiçõesinhas, eles são todos editados. Então não dá para ver no resultado final, ele nunca vai ter esse balão.

?Voz A

Escolhesse tantas fotos para não ficar consertando os balão.

JEJuliana Eloi

Exatamente. Mas aí dá para fazer um carimbo, a gente faz um carimbo, a gente edita uma que tá o cenário inteiro, faz um carimbo assim, ó, e vai lá rapidinho.

?Voz A

Ou seja, na verdade você precisa comprar uma bichinha, o resto do cenário inteiro você faz com carimbo, com clone, com IA agora, com IA.

JEJuliana Eloi

É isso mesmo.

?Voz A

Não, mas é importante isso, porque no final das contas, na planilha, por mais que um pacote de bexiga que você compre no—

JEJuliana Eloi

hoje eu compro no máximo uma vez por ano. Eu faço um estoque bom, vou fazer reposição só do que falta uma vez por ano.

?Voz A

E aí na planilha lá é uma pizza mais, é uma pizza mais, é um japonês, um cineminha, um prop. O prop pega, o prop é o problema, mas você acaba criando uma metodologia dentro desse. Como é que foi esse processo seu de começar a entender, falar, não, o cenário vai acontecer, vai ficar bonito, mas eu preciso—

JEJuliana Eloi

A gente foi fazendo várias transições, né? Primeiro começou pelo balão, de visualizar a questão do reaproveitamento. Depois veio a questão de criar novos temas, né? Porque antes eu comprava sublimado para trazer a temática através do tecido, e isso encarecia a sessão, porque cada sessão— e fora o volume, né, de coisa, porque você vai comprando aquele tecido, não tem nem mais lugar para guardar. E aí, fora que eu falei, não, falei, peraí, a impressão, a impressão é uma alternativa, porque é papel.

Você foi lá, rasgou, jogou fora, ficou velho, você jogou fora. E a versatilidade, porque quando você comprava um tecido, você acabava usando ele sempre. Ah, o tema é X, é sempre aquele tecido, porque eu investi no tecido. Quando é papel, não. Eu vou fazer esse tema de novo, eu vou imprimir de novo, e o custo é baixíssimo. Então foi por etapas, aonde dava para economizar, para o lucro ser maior.

?Voz A

E uma coisa, uma curiosidade que aqui a gente falou e eu acabei fiquei, né, não entendendo muito. Você tinha falado de ensaios temáticos de Natal, de Dia das Mães, e que não faz mais hoje. O seu trabalho é específico, tipo assim, a criança, a mãe escolhe um tema, você faz o cenário para aquela criança?

JEJuliana Eloi

Eu faço acompanhamento ainda. Os meus acompanhamentos, eles têm bastante visibilidade, mas não é algo que eu foco. 99,9% do meu público, ele vem para ensaio de Não, mas eu ainda faço Natal porque eu tenho aquele cliente que ele insiste em voltar. E ele fala assim: Juliana, se eu não fizer com você, eu não faço em outro lugar. Eles falam desse jeito: se você não fizer um Natal, eu não vou registrar. Então, por conta desse cliente que é fiel, eu acabo fazendo.

?Voz A

Não, mas assim, você prepara um cenário, tipo, é um ensaio por dia e um cenário por criança?

JEJuliana Eloi

Os ensaios de balão são só um por dia, porque o que que eu imagino, né? O que que acontece quando a gente pega uma criança de essa fase de 11 anos?

?Voz A

Ela é um desafio, né?

JEJuliana Eloi

Porque é uma fase onde o bebê tá estranhando bastante.

?Voz A

11 meses, 11 anos, você chamar de bebê, aí eu já começo a ficar preocupado.

JEJuliana Eloi

É muito comum, 90% dos bebês eles choram durante a sessão, e a forma que eles têm de se comunicar é essa, através do choro. Quando a gente pega um bebê que passa 2 horas de sessão chorando, isso é muito maçante para o nosso emocional, para o emocional de quem tá atendendo, não é só da mãe. Então eu falo que atender uma família depois disso é pegar um profissional pela metade. Então pela qualidade do serviço que eu presto, eu prefiro atender uma família só e faz um cenário por criança.

?Voz A

Um cenário por criança, ou seja, quantos dias da semana você atende? Todos os dias, 7 por 1, se quiser.

JEJuliana Eloi

Eu deixo umas lacunas de pelo menos 1 ou 2 dias na semana porque eu preciso editar também, né?

?Voz A

E precisa montar o cenário, que é diferente.

JEJuliana Eloi

São 3 horas para montar um cenário. Eu consigo montar e atender no mesmo dia.

?Voz A

É, não, ok, 3 horas. Aí você só agenda Mas normalmente é um, provavelmente um ensaio à tarde, depende do fluxo da criança.

JEJuliana Eloi

Eu dou a liberdade da mãe definir com base na rotina do bebê. Existem pouquíssimos bebês, por exemplo, que eles são mais bem-humorados de manhã. Então o melhor horário para uma sessão de manhã, são poucos adultos, eu prefiro de tarde também, não sou bem-humorada de manhã.

?Voz A

Não é só os bebês, adultos também são meio mal-humorados de manhã. Por isso que eu comento no Threads à tarde agora, porque assim, só à tarde É um pouquinho mais leve as respostas, mas tem isso assim. Mas você prepara, por exemplo, se tem uma mãe que fala, vou de manhã, você tem que montar o cenário, tem que montar um dia antes. E como é que é a criatividade para ficar montando cenário dia sim, dia não?

JEJuliana Eloi

Eu não sei de onde sai, eu queria entender também de onde sai. Falam que eu entro em transe, né? Às vezes quando eu tô dando workshop, o pessoal fala, fala alguma coisa no microfone, e eu tô lá em transe manuseando o balão. Então é prazeroso para mim, tem Tem gente que acha que é masoquismo, né, gostar disso. Mas eu gosto, para mim é prazeroso estar lá montando.

?Voz A

Faz parte do trabalho de fotografia, você gosta mais de montar o cenário do que apertar o botão?

JEJuliana Eloi

Acho que os dois, acho que os dois. Porque quando a mãe tá vibrando com a dinâmica, o bebê sorrindo, eu também tô vibrando junto. Então eu falo que é mágico não só para ela, mas para mim também.

?Voz A

E como é que é esse processo Porque tem a questão, tá, ok, eu sei como é que a fotografia faz, né, como é que domina a câmera, já aceitei minha luz, mas os materiais que você vai usar no cenário também precisam condizer, porque às vezes não pode refletir, não pode ter o reflexo do flash ou da janela que tá usando. Você tem que pensar também no acabamento, como aquilo vai funcionar na hora de clicar e como aquilo vai ficar na fotografia.

Pode ser que não tenha reflexo, mas também não fique bom na hora. Como é que é esse trabalho de caçar coisas materiais, bexigas e outras coisas?

JEJuliana Eloi

Eu não gosto de fazer muita inovação nesse sentido não. Por exemplo, aquela fotografia que passa aquele monte de pisca-pisca, né? Eu sou uma pessoa que tem um pouco de aversão disso porque eu acho que parece um emaranhado de fio, né, amontoado ali. O que que eu falo? Eu faço um cenário incrível. Eu não gosto de trabalhar com desfoque. Porque eu falo assim, eu passei 3 horas montando um cenário, eu vou desfocar esse cenário? Então para mim isso não faz sentido. Eu entendo que para muitos fotógrafos faz. Então você acha?

?Voz A

5, 6, eu tenho infarto.

JEJuliana Eloi

Então, e a maioria dos fotógrafos, ele coloca aquele fiozinho de fada passando, e eu acho tenebroso ficar olhando. Eu que tenho TOC, então quando eu olho aquele fio passando, eu fico horrorizada. Então eu não acabo não utilizando esses elementos que tem essa luz, né, que é o que dificulta. Na verdade, a sala ela é toda adaptada, então tem um teto escuro, escuro, é a vedação de entrada de luz natural. Então é tudo com blackout, tudo fechado para ter um controle maior.

Tanto é que assim eu consigo dar liberdade do meu cliente utilizar também o aparelho dele, né? Falo, fiquem à vontade para filmar e fotografar, porque a qualidade ela fica aqui.

?Voz A

Então do que flash eu uso, eu uso tocha com uma sombrinha de fogo.

JEJuliana Eloi

Coloca um fogo na criança com a sombrinha bem grande para espalhar bastante a luz, né? Né? Mas é sempre na mesma posição, é sempre do mesmo jeito. Então isso a gente não faz muita alteração.

?Voz A

E como é que é comandar a criança? Porque é um cenário diferente, muito atrativo, muito atrativo.

JEJuliana Eloi

Exatamente.

?Voz A

E colorido é muito atrativo.

JEJuliana Eloi

Sabe o que que funciona muito? Eu já, eu sempre sento com os meus pais antes de começar a sessão e coloca aquela pressão psicológica nos pais, né? Porque normalmente, se você não fala, o que que os pais fazem? É automático. Eles entram na sala e já leva a criança, já o próprio pai, normalmente é sempre o pai, não sei por que que o homem faz isso, tá?

?Voz A

Mas problema é sempre terapia.

JEJuliana Eloi

Eu vou tentar te explicar, terapia. Os homens vão lá e começam a bater nos balões e fala assim: olha, meu amor, é tudo seu, baixa aqui também. Incentiva a criança a bater e manusear também o cenário. Então na sala, antes de iniciar, eu já aviso, fala assim: olha, demorou 3 horas para construir o cenário, não é brincante. Se o bebê bater, os valores vão cair. É, então eu tô puxando alguém, viu?

?Voz A

Eu acho, eu vi comentando, meu filho lá, ela fala isso para ele, eu falo, olha, eu acho melhor a gente ir embora.

JEJuliana Eloi

Mas tem alguns que ficam assim, teve um que falou assim, meu Deus, eu só decorei a parte que eu não posso pegar no meu filho. E eu aviso, olha, não pode brincar. Por quê? Porque se você incentivar ele, o que que vai acontecer? Ele vai mexer, o arco vai cair, e eu não arrumar. Eu já aviso que não dá para arrumar, não tá incluso arrumação, não, não tá incluso nem levar o balão embora, nem levar nada que tá lá embora, não pode. Eu já aviso, porque, porque senão a primeira batida que a criança der, aquilo vai cair, porque é sensível.

Tá na hora de fazer um cenário mais, mais rígido, né, para criança poder ir lá ficar soltando.

?Voz A

Qual que é a graça de você não poder derrubar o cenário?

JEJuliana Eloi

Mas eles ganham um balãozinho que eles podem ficar batendo, entendeu? Mas ele tem o dele lá específico só para foto.

?Voz A

Eu tô, eu tava pensando em levar as minhas filhas, já não vai rolar. Eu queria que eles derrubassem o cenário. Essa era a cena que era para fotografar, só para deixar a fotógrafa enlouquecida.

JEJuliana Eloi

Olha só, não é? Não, claro que não.

?Voz A

Ah, que pena. Mas e aí tem um outro processo que também eu acho que é uma experiência que eu não tive ainda, nem de fotografar e nem de levar minhas filhos e não vou ter, porque elas já cresceram. E se eu não derrubo bexiga, elas não derrubam bexiga, não, você leva tudo para casa. Não, não pode, não tem onde guardar bexiga. Não pode. E as que tem em casa, elas pedem para eu encher para ficar batendo dentro de casa.

JEJuliana Eloi

Tem que comprar inflador, tem que comprar inflador.

?Voz A

O problema é ficar batendo dentro de casa, derrubando tudo. E aí, a hora que chega no aniversário, cadê as bexigas?

JEJuliana Eloi

Já era, não tem mais.

?Voz A

Tem que comprar outra coisa. Por isso que eu preciso da técnica para economizar.

JEJuliana Eloi

Mas aí, se elas estourarem, não tem jeito.

?Voz A

É, aí precisa ter uma outra conversa em casa, mas dá para economizar algumas.

JEJuliana Eloi

De repente você senta com elas e conversa, fala: não é brincante.

?Voz A

E pronto. É, vai ser difícil fazer elas entender o que não é brincante. Mas enfim, que é o smash the cake, que é o bolo, né, que afinal de contas é o terror das mães.

JEJuliana Eloi

Eu falei que eu vou fazer, eu vou fazer uma paródia. Não tem aquele todo mundo odeia o Cris? Eu vou fazer todo mundo odeia o bolo, porque normalmente que eles não gostam do bolo, né?

?Voz A

Não sei se você também não tem açúcar, não tem nada, nem eu gostaria do bolo.

JEJuliana Eloi

O que que a geração Nutella faz quando uma criança se suja? O que que a mãe faz? Limpa. Você acha que ela vai querer ficar suja?

?Voz A

A minha esposa lava a mão para lavar a mão.

JEJuliana Eloi

Então é sobre isso.

?Voz A

Por isso que não tem exceção, smash da cake das crianças.

JEJuliana Eloi

Então é exatamente por isso que eles não gostam, né? E eu falo que eu sou contra aquele preparo de, ai, bate chantilly, coloca a criança para ficar brincando, porque É, para o que tem que ser natural, não tem como você se preparar para isso. Então eu falo que é o impacto realmente da descoberta. 90% dos bebês passam a mão, olha para a mão, vê que tá suja, tenta limpar, vê que não limpou e começa a chorar, no sentido, o que que você vai fazer?

Porque em casa você estaria limpando. E aí tem bebê que vomita, a mãe manda seguir, que é para o bebê continuar comendo mesmo depois de vomitar. Isso é muito comum.

?Voz A

E como é que você lida com todos esses imprevistos? Afinal de contas, se a mãe levou lá para comer o bolo, para fazer o ensaio, é porque ela espera que criança, como bolo, faça ensaio, se lambuze para você poder fazer as fotos.

JEJuliana Eloi

Eu acho que o mais importante é a forma como você prepara os pais para sessão. Falo que isso é primordial porque o êxito de uma sessão depende dos pais. Eu falo que pais tranquilos, bebê tranquilo também. Pais seguros, bebê seguro também. Eu não gosto de passar instrução para os pais, por exemplo, por telefone, por áudio. Primeiro que a gente escuta tudo na velocidade 2x, Não sei você, mas eu é tudo no acelerado. E se a mãe ouvisse as instruções, o pai fatalmente não vai.

Você acha que o pai vai parar o fluxo dele diário para ouvir instrução de ensaio? Jamais. Eles nem querem ir na sessão, né? Essa que é a grande verdade. Normalmente não querem ir.

?Voz A

Então o que que eu faço?

JEJuliana Eloi

Eu retiro 15 minutos ali iniciais, que é para sentar com ele sem que eles vejam o cenário, tá? Porque viu o cenário, não escuta mais nada. Então antes de entrar na sala da sessão, eu sento com eles na sala de espera e passo tudo que pode vir a acontecer. Que que eu explico para as mães? Que o bebê que vai ter aceitabilidade de interação, ele dificilmente vai olhar para câmera. Então ele vai ser uma interação dispersa, ele vai olhar para mão, ele vai olhar para o pé, ele vai olhar para o bolo, ele vai olhar para tudo menos para mim.

Passado 10 minutos, o bebê não respondeu nenhum tipo de estímulo, ele não vai responder. Aí eu pergunto: mãe, você quer 10 fotos do seu bebê olhando para o chão? Ela já sabe que não. E quanto mais eu cansar o bebê nos outros fluxos, menos rendimento ele tem no restante da sessão. Então eu preciso levar um bebê ainda ativo para banheira, que é onde ele de fato vai rir. Normalmente a gente faz uma estimativa também de qual que é a quantidade de imagens que eles selecionam, né?

Então normalmente num smash é uma média de 3 a 5 fotos no máximo de bolo, isso se a criança for espetacular. Então já sei que é um fluxo que não adianta você ter muita insistência. Aí os pais chegam falando, não, o meu vai jogar na parede, o meu vai levantar os braços, o meu vai gritar, o meu vai comer o bolo inteiro, meu vai cair de boca. Ele não faz nada disso, né? Mesmo eles falando que, ai, moça, não precisa falar isso não, o meu não vai fazer isso.

Eu insisto em passar a instrução. Olha, se ele não gostar, se ele vomitar, a gente vai interromper. Eu já aviso. E aí todo esse processo, as mães normalmente é quando elas começam a fazer cara feia, tipo, nossa, tudo isso só para uma sessão, né? Aí é engraçado que quando começa o flow, eles falam, ainda bem que você avisou, olha, tudo que ela falou tá acontecendo que, e aí eles veem que realmente de fato era importante aquele bate-papo antes.

?Voz A

E como é que lida com a expectativa da mãe? Que ok, você avisou, mas é óbvio que a mãe vai falar: o meu filho não vai fazer isso.

JEJuliana Eloi

É muito engraçado, né? Eu faço uma analogia entre sessão em estúdio infantil e o Divertidamente, né? Porque quando a gente vai atender uma família, a gente tá lidando com todas as emoções ali, né? A gente tem o tédio, a gente tem o nojinho, a gente tem o pai com raiva, a gente tem a mãe lá que é alegria, a gente lida com tudo. A gente tem que saber como lidar com esse fluxo, porque a mãe chega assim mega animada e às vezes o bebê chega, tá no colo do pai, a gente fala: oi, bebezinho!

O que que o bebê faz? Ele segura aqui, ó. Que que isso significa? É um bebê de colo, ele não vai ter aceitabilidade de descer desse colo. A gente já tem esse feeling de saber que vai ser uma criança difícil de lidar. E a mãe, ela tá se baseando naquilo que ela viu na internet. Eu entrei no seu perfil, todas as crianças estão felizes. Eu já aviso para mãe: aquilo lá é uma que não condiz com 100% da realidade. Eu deixo propositalmente um álbum na sala que é um bebê que fez acompanhamento comigo, que não chorou nas 12 sessões, mas encheu o rio no smash.

Por quê? Porque ele não tava num dia bom. Então eu sempre alerto o quê? Porque às vezes a mãe sai de lá pensando assim: ai, a fotógrafa deixou de brincar, ai, foi alguma coisa, aí estranhou o lugar.

?Voz A

Cada vez que você atendeu ela, de falar: ele não vai mexer no balão, não vai mexer nos cenários, eu colocaria colocar a culpa na fotógrafa.

JEJuliana Eloi

Gente, tem uns que olha para mim e fala assim: eu acho que a criança não gostou de você. Aí eu falo: mas por que, mãe, não gostou de mim? O que que tem de errado comigo? Às vezes é um dia ruim da criança. Então eu gosto de mostrar esse álbum para dizer assim, ó: mesmo que chore demais, é importante que você confie no meu trabalho, porque não é à toa que você tá aqui. A sua entrega vai ser assim, ó, uma foto que as pessoas vão olhar e não vão dizer que o bebê tava chorando.

?Voz A

E tem que lidar com isso. Mas você tem uma, na hora de fotografar, de dirigir a Nem sei se dá para falar isso.

JEJuliana Eloi

Elas são autodirigíveis, né? Eu não sei se não tem jeito, tem muito o que fazer. Não, não tem.

?Voz A

De alguma, você tenta de alguma forma.

JEJuliana Eloi

Dá vontade de chorar junto.

?Voz A

Às vezes quando tá chorando demais, eu falo, pelo amor de Deus, dá para entender o que você tá fazendo?

JEJuliana Eloi

Sentar ali um pouquinho, ficar quietinha. Teve uma bebê inclusive que ela chegou, que ela se jogava para trás, batia a cabeça no chão, que ela tava muito nervosa. Aí meu marido vendo a cena, o que que ele começou a fazer? Imitar a criança. Ele se jogava, batia a cabeça no chão e ficava chacoalhando a perna para cima. Eu acho que a criança parou olhando assim como quem diz assim, é isso que eu tô fazendo? Mas gente, a criança ficou com vergonha. Então assim, eles têm esse senso, né? Às vezes a gente acha que não, mas tem.

?Voz A

E aí você tava comentando dos pais Nutella, né? Você acha que tem muito, influencia muito assim positivamente ou negativamente a participação dos pais? 100%, porque de uma certa forma, vamos dar um exemplo, a criança nunca comeu um doce. Aí naquele dia ela vai comer, corre-se alguns riscos, né?

JEJuliana Eloi

Eu acho que a coisa mais engraçada que já aconteceu foi uma vez que começou a introdução do bolo e a criança foi colocar a mão na boca. A mãe deu um grito, a criança se assustou, começou a chorar na hora. A mãe: não, não é para você comer. Aí eu fiquei olhando e falei: mas é para ela fazer o quê? Porque a finalidade é para comer. O que que é para essa criança fazer? Teve uma outra situação que o bebê começou a chorar porque ele não gostou.

E o que que o pai fazia? Tirava a criança, limpava ela inteira e colocava de de novo. A criança encostava, chorava, ele tirava, limpava inteiro e colocava. Aí quando chegou no final da sessão, ela falou assim: a gente não vai voltar no bolo. Eu falei: pai, como que eu vou fazer uma foto de bolo sem ele se sujar? Se você me explicar qual que vai ser a metodologia, a gente tenta mais uma vez, mas não tem como, não faz sentido. A finalidade é que ele coma, então não vai fazer sentido para mim.

?Voz A

Normalmente os fotógrafos falam, principalmente quando é ensaio assim, que não precisa fazer reunião com os pais. Mais, né? Porque ensaio, vai lá, faz, dirigiu, fez as fotos, entrega. Nesse caso, por mais que seja ali na hora mesmo, talvez uma introdução antes deles irem para o estúdio ajuda ou atrapalha?

JEJuliana Eloi

Eu acho que no estúdio, antes de começar, ajuda. Antes, mandando, fazendo, eu acredito que não. Primeiro porque eles vão esquecer. Eles chegam lá tão extasiados que é difícil que eles lembrem de tudo. E eu acho que esse time que eles ficam na recepção é importante para o bebê ir criando uma confiança também, porque ele tá ali na sala. Enquanto isso, o meu marido, ele vai brincando com a criança para criança já ficar mais à vontade. Eu acho, eu acho que isso quebra um pouco da resistência da criança também.

?Voz A

Mas no caso, por exemplo, vou, tô dando advogado do diabo aqui, Por exemplo, você fala assim, ah, mas a criança não pode comer o bolo, né? O pai não deixa. Pô, mas se ele for para o ensaio de Smash the Cake, o que você esperava é que ela comesse o bolo.

JEJuliana Eloi

Talvez se tivesse um contato antes deles chegarem lá na porta, de falar, olha, como é que a gente vai saber que o pai é um maluco que não quer que a criança coma bolo?

?Voz A

É porque foi a mãe que decidiu fazer o ensaio, ela não avisou o pai. Ele só tá lá porque ela falou, temos um compromisso hoje só para pagar.

JEJuliana Eloi

E muitas pagam escondido, inclusive.

?Voz A

Então eles vão só para pagar, entendeu? Então assim, brincadeiras à parte, mas é a questão assim, porque uma coisa é ela ver o resultado na internet e outra coisa ela saber como é que funciona. Porque às vezes ela pode achar que aquele bolo é falso, que o chantilly é só uma espuma, e quer fazer, quer contratar. Mas pô, que nem você falou, a doida gritou lá, falou que não era para ele comer. Pô, mas o bolo tá lá para isso. Talvez uma reunião antes, uma conversa antes, não resolveria esse problema, ou até evitaria da doida aparecer lá para fazer o ensaio que era para ser feito de um jeito e ela tá achando que é de outro.

JEJuliana Eloi

Eu acho que, eu acho que é muito importante a gente entender o que que aquilo que funciona para gente, né? Existem fotógrafos que relatam para mim que, por exemplo, passar um preparo para o bebê é funcional. Eu tenho uma aluna que me explicou uma técnica que ela pede para mãe levar a fruta que a criança gosta e coloca atrás do bolo. Então quando a criança tá assim que ela não quer colocar a mão, ela vai lá e coloca uma banana atrás.

A criança vai pegar a banana, vai parecer que ela tá mexendo no bolo. Ou ele gosta de biscoito de polvilho, a gente coloca o biscoito de polvilho. Eu particularmente não testo, porque a intenção é que ele brinque com a textura. Se ele não aceitou a textura, eu não quero uma foto fake, eu quero uma reação que é uma reação de fato espontânea. Então assim, existem cada fotógrafo que entende que uma dinâmica que é funcional para ela.

Eu gosto de que funcione dessa forma. Ele chega e a instrução é lá. Mas eu acho que tudo é válido, é uma questão de você experimentar aquilo que é válido para você, que vai ser funcional.

?Voz A

Porque eu só tô pensando, né, que a doidinha lá podia não precisar gritar.

JEJuliana Eloi

Uma pena, coitada, a criança ficou desesperada. Eu acho que ela falou assim: meu Deus, o que é para fazer aqui então? É só para passar a mão? Faz muito sentido, né? Tanto é que a criança parou de fazer na hora e soltou o bolo e terminou por aí.

?Voz A

E quando acontece essa questão da criança não se adaptar muito, e não tô falando só do Smash the Cake, mas na sessão em si, como é que você lida ou resolve o problema? Tenta fazer com que a criança se adapte, cancela o ensaio, devolve o dinheiro? Como é que é a logística do e se der tudo errado?

JEJuliana Eloi

Achei interessante você fazer essa pergunta porque a gente já teve casos, né? Eu já tive caso de mãe chegou, a gente fez o cenário incrível, maravilhoso, e a criança não tirou uma única foto a sessão inteira. A gente insistiu o período correspondente de uma sessão, que era no máximo 2 horas, né? Eu sempre deixo isso muito claro, no máximo. A gente não vai passar o dia inteiro, a gente não vai virar best amigos, a gente não vai almoçar junto.

É importante deixar isso claro porque são os pais, eles levantam essa hipótese de posso voltar depois, posso voltar no dia seguinte. Eu não dou margem para isso porque o que que eu entendo, meu contrato deixa claro, nós não somos responsáveis pela reação da da criança.

?Voz A

A gente tá lá, principalmente alérgicas, alérgicas, que inclusive já vi alergia também.

JEJuliana Eloi

A gente não é responsável por isso. Então é uma caixa de surpresa. Eu falo, bebês são caixinhas de Pandora. Ele pode chegar lá e amar sensação, como ele pode chegar lá e detestar. O que eu tento é administrar no sentido de, a mãe tá insistindo, o bebê tá roxo, bebê tá vomitando, bebê não aguenta mais, bebê tá desesperado. Aí eu tento consolar a mãe no sentido de que, olha aqui, mãe, vem aqui, senta aqui do meu Vem ver o resultado das primeiras fotos, olha como tá tudo incrível.

Essa etapa não vai fazer diferença. A gente vai colocar ele numa banheira agora, ele gosta de tomar banho? A resposta é sempre sim. E se eu levar ele muito nervoso, ele vai brincar? Não, ele vai chorando, ele vai permanecer chorando. Então vamos passar para a próxima etapa? Tem uma aceitabilidade boa.

?Voz A

E aí, só para eu entender, porque como eu não tenho essa experiência, no ensaio Smash the Cake sempre tem um complemento. Ah, tem uma foto tomando banho, até mesmo para tirar o grude, tem que tirar em água, ou antes do smash tem as fotos sem o bolo.

JEJuliana Eloi

Primeiro a gente coloca o bebê com a fantasia ou com aquela roupa de luxo, aí ele fica no cenário, aí normalmente é bebê sorrindo, é a hora que ele tá mais disposto. Então normalmente é onde eu mais capricho, porque é um número de fotos que ela seleciona, não é maior. Depois entra a parte da família, então os pais tiram foto também com a criança. Aí o bolo que o bebê já já tá começando a ficar cansado, e depois a banheira para fechar.

?Voz A

E aí toda essa bagagem que você tem de bancária e de administrativo te ajuda de alguma forma a pensar no fluxo de uma forma que funcione e que o preço se justifique?

JEJuliana Eloi

Eu acho que a parte da bancária entra na firmeza, né? Isso eu percebi, na postura, na postura que acaba sendo seu pai vai pagar muito. Na postura de ser mais rígida, isso é muito funcional. Até aquilo que a gente já conversou várias vezes, né, sobre a questão: às vezes eu sou tão firme como a mãe que passa uma margem de soberba, ou de repente— porque normal, o que que a gente faz quando a gente é mãe? A gente leva no pediatra, se o pediatra não fizer bilu bilu e falar que criança linda, a gente já fala: não quero esse pediatra.

?Voz A

Eu fiz muito isso. Se o pediatra não falar o que você quer ouvir, você já não leva, você já não leva, entendeu?

JEJuliana Eloi

Então é normal, às vezes a mãe tá lá super empolgada e começa a você manda várias, manda um book da criança para mim, você não vai ficar ali o tempo inteiro: meu Deus, olha a covinha, olha o cabelo, que maravilha! Eu já achei a criança linda, eu já mandei um: que linda! Mas assim, às vezes a mãe tá buscando realmente alguém que vai alimentar aquele ego, e você tá com acúmulo de funções desesperadoras. Então eu sou muito objetiva.

Essa parte é o que eu trago do banco, é a única coisa que eu trago do banco, graças a Deus. Essa parte que eu sou mais o quê? Mais firme, mais rígida, uma medida mais objetiva. Eu falo que é ser objetiva, não é ser grossa, é ser objetiva. Então às vezes o povo fala assim, ai, você apareceu—

?Voz A

desculpa, essa eu vou usar para responder o direct. Eu não sou grossa, sou objetiva.

JEJuliana Eloi

Às vezes eu apareço nos stories falando muito sobre respeito, né? E as pessoas falam, né? Até participei de um outro podcast, falaram assim, a Juliana que é famosa pelo jeitinho nada delicado que ela fala. Na realidade não é um jeito indelicado, eu acho que respeito é que a gente precisa. Sem respeito não existem relações, sejam elas comerciais, sejam elas—

?Voz A

como é que faz para ser delicado? Vou te dar uma dica: fala tudo no diminutivo.

JEJuliana Eloi

É no diminutivo, pode falar bravo, mas fala no diminutivo, aí fica delicado. Tem que colocar umas florzinhas também subindo assim, né, para ficar mais delicado.

?Voz A

Você não é grossa, você é grosseirinha. Olha como fica mais delicado.

JEJuliana Eloi

Uma vez uma cliente, uma cliente me fez montar a sessão, ela já tinha desmarcado duas duas vezes. E sabe aquele cliente que é problema? Porque eles parece que eles têm um letreiro, né? E aí ela vai, remarca pela terceira vez. Eu tô assim, eu tenho certeza que essa criatura não vai vir. Sabe quando você tem aquele feeling, não vai vir? Mesmo assim ela insistindo que eu tive que montar o cenário. Montei o cenário, tudo pronto. E aí a moça do bolo, que não é incluso nos pacotes, né, eu indico pessoas que podem fazer a entrega lá no estúdio, mas eu não tenho vínculo porque é venda casada, isso não é permitido por lei.

E aí eu falei para moça do bolo, ela contratou um bolo? Contratou. Eu vou entregar, eu vou entregar o bolo para você. E aí a moça nunca foi de fato, entregou o bolo. Eu falei, não, não é possível, entregou até um bolo, ela pagou R$300 no bolo, não é possível que ela não vem. Chegou no dia da sessão, deu o horário.

?Voz A

Deixa eu só fazer uma vírgula. Sim, você ouviu que ela falou R$300 no bolo? E você aí cobrando R$300 por ter a sessão fotográfica?

JEJuliana Eloi

É muito chique. No bolo, no bolo. E tem bolo de R$400 também, tá? Dependendo do preço também pode chegar a R$400.

?Voz A

Eu já pago os de R$120 para aniversário em casa, já pago chorando. Mulher ainda acha que vem pouco bolo. Imagina pagar R$300, não pago. Para criança chorar e não tirar foto, não pago.

JEJuliana Eloi

É sobre isso. Aí eu tô lá esperando a maravilhosa, com cenário pronto. Deu horário, passou os 20 minutos de tolerância, porque existe uma tolerância. Passou da tolerância, tem multa também, né, gente? Porque tudo, tudo tem que ter regra bancária. E aí passou o período de tolerância, nada. A mulher chegou, passou 50 minutos, que é a tolerância máxima, que aí já dou a sessão como cancelada. Mandei outra mensagem para ela e falei assim para ela: olha, eu estou começando a cancelar, a desmontar o cenário, não tem mais sessão.

Aí ela esperou 20 minutos, uma margem segura para eu já ter começado a desmontar, e respondeu assim: sabe o que que é? É que o meu carro deu um problema. Cara, você tá indo para um compromisso, seu carro deu problema, o que que é a primeira coisa que você faz? Você avisa a pessoa que tá te esperando, né? Enfim, fui, desmontei, não respondi mais nada para ela. Só que é claro que eu não podia perder o engajamento, né? O que que eu fiz? Filmei o cenário, me filmei segurando o bolo, coloquei, né, uma música lá do—

?Voz A

fez o seu ensaio, né?

JEJuliana Eloi

Fiz uma piadinha do tipo assim, quando você fica esperando o cliente que não aparece. Meu filho, ela mandou uma mensagem para mim: eu vi que você não gostou. Por que que você não gostou? Por que que você não gostou que eu não fui? Para o seu governo, eu espero que o seu carro também não quebre, viu? Porque o meu caso era um caso específico. Eu não fui nem demais. Mas assim, tem louco para tudo.

?Voz A

Você fala assim: eu não preciso do carro, eu tô no meu estúdio, eu tô segura, não preciso. Respondendo sempre no diminutivo, sempre no diminutivo, viu, queridinha?

JEJuliana Eloi

Amorzinho, eu vou chamar só de amorzinho agora.

?Voz A

Amorzinho, eu estou no meu estudiozinho aí fazendo minha sessãozinha, desmontando meu cenariozinho porque a belezinha não apareceuzinha, né? É assim que funciona. E é lógico que a gente tá falando aqui e as experiências contam, mas a gente às vezes se surpreende porque você já teve muitos trabalhos premiados, né, nos concursos, e tá se tornando uma referência para turma que fotografa em estúdio e faz smash the cake. Mas a gente tá falando de quanto tempo mesmo de fotografia?

JEJuliana Eloi

4 anos.

?Voz A

4 anos. E nesses 4 anos você sai de uma inspiração da Paty?

JEJuliana Eloi

Sim.

?Voz A

Para ter a sua própria linguagem, seu próprio estilo?

JEJuliana Eloi

Inclusive eu já palestrei com ela, assim, ela seguido, né? Eu palestrei, depois ela subiu no palco, entreguei o palco para ela. E assim, poder participar de um evento onde a sua referência tá, é um negócio surreal.

?Voz A

Não sei como é isso. Não, eu não sou referência de ninguém, então ninguém vem depois de mim. Quer dizer, vem depois de mim, mas sem sentimento nenhum. Como é, ou como foi o processo de você se desprender aprender, no sentido de se inspirar no trabalho dela, mas conseguir chegar na sua forma de montar as coisas, de fotografar e de ter o seu próprio trabalho reconhecido por isso.

JEJuliana Eloi

A gente fala que é muito engraçado porque a Paty, ela é reconhecida pelo minimalismo, né? Então ela prega sempre aquela leitura de que menos é mais. São sempre cenários de foco 100% do bebê. E o que chama atenção no meu trabalho é justamente o oposto, eu Exagero, né? Então as mães que me procuram são mães que gostam daquela coisa do luxo, do exagero, né? Tem mãe que fala assim, eu nunca vi tantas flores. Então eu quero fazer uma sessão com você porque é muito florido, é muito alegre, tem muitos elementos.

Até quando a gente palestrou uma na sequência da outra, ela chamou atenção para isso, falou assim, eu jamais parei o que a Juliana faz no termo dos arranjos, os enfeites, aquela coisa toda, daquela mágica toda, né? Então eu acho que a gente não tá na profissão para ser mais um. O que os fotógrafos mais reclamam é: eu tenho um fotógrafo na esquina de casa que tá cobrando R$100, tá dando todas as fotos, eu não consigo concorrer.

Por que que você concorre com esse fotógrafo que tá cobrando mais barato? Porque você não tem um trabalho que é único. Então quando você tem uma mentora, quando você tem alguém que é uma base de referência, não é para você ser igual a ela, é para você construir algo que seja seu. Eu corri atrás de construir uma marca que fosse minha, consolidada minha.

?Voz A

E aí, dentro do seu trabalho hoje, se tivesse que, do mesmo jeito que você fala, poxa, na linguagem da Paty tem um minimalismo, gosto desse detalhe, disso aqui, no seu trabalho hoje, o que que você olharia e falar, pô, eu gosto disso, isso aqui eu acho que é a minha cara, e que se alguém copiar, todo mundo vai olhar para aí, copiou a Juliana.

JEJuliana Eloi

É muito grandioso, né, quando você olha, são estruturas muito grandes. Não é só a questão da ornamentação dos balões, mas a riqueza de detalhes. Eu falo sempre para as mães que existe uma linha tênue entre o exagero e o bom gosto, né? E é uma linha que tá ali bem apertada, porque às vezes a mãe tá assim: não dá para pôr mais flor, não dá para colocar mais isso. Eu falo: mãe, tem uma linha entre o bom gosto, né? Você tem que usar de uma forma que ela fique clássica, tem que continuar sendo bonito.

Então é, as mães me amam por isso, por causa desse jeitinho super delicado. Eu vou falar no diminutivo agora, e eu explico para as mães, eu falo assim: o que eu já coloco no cenário é a linha ali do limite do cheiro já. Então já é muita coisa, já é suficiente, já pode acalmar que já vai ter o suficiente para você vender.

?Voz A

Já tá no limite do bom gostinho, já tá no limite do bom gostinho.

JEJuliana Eloi

Aí eu falo sobre a preocupação de você comprar, tem fotógrafo que vai comprar flores, vai lá na loja 99, compra aquele galho horroroso, aquela flor de pobre. É investir no acervo certo. Então as flores que eu compro são com toque realista, é um investimento alto, mas é um investimento único, porque você investe uma vez, você cria em várias, em várias pessoas.

?Voz A

E aí, dentro de todo esse processo, tem a divulgação do seu trabalho. Lógico que o boca a boca e o Instagram são talvez hoje as grandes vitrines, mas como é que você trabalha aquilo que você faz com aquilo que você quer vender e que as mães vão gastar mais dinheiro depois para pagar?

JEJuliana Eloi

Você sabe que o boca a boca, no meu caso, ele não é multifuncional, porque a gente com poder aquisitivo não indicam para o outro, né? É muito raro. Eles normalmente, eles não têm esse costume que a gente tem de ficar assim, ó, e o negócio não faz, né? Quem tem poder aquisitivo, eles normalmente não fazem isso.

?Voz A

Eles querem exclusividade, ninguém pode ter o que eles têm.

JEJuliana Eloi

Exatamente. É muito difícil que eles vão e venham por intermédio de outra pessoa. E às vezes, quando eles vêm, eles têm a discrição. É incrível, gente, eles são elitizados, é outro nível, né? Eles não chegam fazendo comentários de tipo, ai, o meu amigo veio aqui, o meu primo veio aqui. Não, não tem esse tipo de comentário. Eles são mais, mais, não dá para falar muito no diminutivo também.

?Voz A

Então, como é que você vende o seu trabalho? O segredo, qual o segredo?

JEJuliana Eloi

O segredo, eu acho que quando você faz aquilo que você fazer com amor, é aquilo que diferencia você. Porque tem muita gente que faz só pelo dinheiro, né? Eu falo muito sobre isso, que isso é uma diferença. Ninguém vai conseguir entregar um cenário que conte uma história, como a história que eu te contei da japonesa, se você não amar aquilo que que você faz. Você vai colocar uma japonesinha ali qualquer, entregar aquilo que você já faz, ponto final.

Mas quando você ama, não, você quer que seja uma coisa de excelência o tempo inteiro. É uma briga em casa, porque às vezes ele fala assim: chega, acho que tá bom, você já fez um, para que que você tá imprimindo isso de novo? Faz com que você já tenha. Eu falo: não, mas eu posso entregar o extraordinário. Então é sempre cruzando essa linha. Eu já fiz um trabalho que é bonito, mas ele pode ser muito mais bonito. Aí fica uma competição minha comigo mesmo o tempo o Brasil inteiro.

?Voz A

Como é que as mães descobrem o seu trabalho? Como é que elas começam a acompanhar e te contratam para fazer sessão?

JEJuliana Eloi

Eu faço muito tráfego, faço muito tráfego, não só visando a venda, e eu faço muito, muita campanha para crescimento do próprio perfil, porque isso aumenta a visibilidade também. Então hoje eu gero duas campanhas ali paralelo, uma para crescer e uma para vender o meu produto. Quando eu palestro a primeira vez em 2023, eu tinha 3 mil seguidores. Hoje eu tenho 43 mil. É um crescimento muito grande.

?Voz A

40 mil são fotógrafos?

JEJuliana Eloi

80% são fotógrafos. 80% são fotógrafos. É incrível.

?Voz A

Eu sei porque eu tava discutindo com inteligência artificial sobre umas questões de direcionamento de campanha, ele não pode fazer assim, assado, com seguidores. Falei, não, não, com seguidores não vai dar certo porque é muito fotógrafo curioso.

JEJuliana Eloi

Aí ele falou, mas você sabe que existem ferramentas lá dentro que você consegue, né? Você vai pelos interesses e você tira o interesse em quem é.

?Voz A

Sim, sim, por isso que eu estava discutindo que tem artificial, tava explicando para ele que a gente tinha que tomar cuidado com.

JEJuliana Eloi

Mas mesmo assim vaza, tá? E chega, e chega.

?Voz A

Vira e mexe alguém manda, Rafa, pô, apareceu anúncio para mim. Pô, legal, legal. Se tem filho, me contrata para anunciar.

JEJuliana Eloi

E quando clica, eles clicam também, né? Tem isso, é o pior.

?Voz A

Aí quando ele clica, ele falou assim: desculpa, cliquei aqui sem querer. Eu falei: não, tudo bem, pode depositar no Pix aqui, ó, tá aqui o Pix, R$1.

JEJuliana Eloi

Ele também responde, tá vendo? Não sou só eu que respondo. Mas às vezes eu falo para a mãe: é a quarta vez que você tá clicando, você sabia que eu pago por clique? É um absurdo, né?

?Voz A

Mas como é que você trabalha? Lógico, o tráfego ajuda, alcança, mas de uma certa maneira não adianta só trazer a pessoa para o seu perfil e ela fica lá, né, como seguidor fantasma. O que que você traz de conteúdo? O que que você traz de informação que faça com que a mãe fala, poxa, né, não é uma necessidade que eu tenho levar meu filho para comer bolo no seu estúdio, ele poderia comer um bolo muito mais barato aqui em casa, mas eu vou levá-lo.

Como é que é essa estratégia? O que que você comunica para que a pessoa tenha vontade de levar lá e ter esse registro.

JEJuliana Eloi

O que eu percebo é que hoje em dia o meu próprio trabalho por si só ele já cria essa atmosfera de magia, né? Até o vídeo que eu levo nas minhas apresentações, eles mostram a história de uma família que a mãe viu o meu trabalho numa festa de criança que ela foi e ela tava grávida ainda, bebê nem tinha nascido ainda, mas quando ela vê aquela imagem ela fala assim, cara, isso é tão incrível! Ela passa a me seguir. E eu tenho um costume que, por exemplo, eu fotografei hoje, quando eu chegar na minha casa, a primeira coisa que eu vou fazer que é descarregar a câmera e dá um spoiler da sessão, né?

?Voz A

Descarregar a câmera já vai descarregar sozinha trabalhando nela, a bateria vai.

JEJuliana Eloi

E eu dou um spoiler da sessão, e aí eu coloco aquela foto, aquela música, sabe, tipo envolvente, que conta aquela história. Ai, quando minha filha nasceu! E muitas vezes até eu choro, né, porque eu fico emocionada com o resultado do trabalho e eu me envolvo muito com o trabalho. E isso vai gerando desejo naquela mãe que às vezes tá gestante, naquela mãe que a criança acabou de nascer, naquela mãe que a criança já tá grande, mas ela viver aquilo.

Aquilo faz parte da magia que convence o meu cliente que ele precisa daquilo, que ele precisa viver aquilo.

?Voz A

E aí você acha que o fator influencia muito emocional da pessoa estar na gestação é o caminho?

JEJuliana Eloi

Sim.

?Voz A

Vou usar essa dica para vender aniversário infantil. Nem vai fazer um, vai demorar um ano ainda para me contratar, mas eu vou pegar ela na gestação.

JEJuliana Eloi

Isso mesmo, no planejamento da gravidez você já pega.

?Voz A

Já eu acho engraçado, porque hoje em dia aniversário infantil, as pessoas meio que faz cotação assim uma semana antes. Uma semana antes, na segunda-feira vem a mensagem: aí, você tá livre sábado, né?

JEJuliana Eloi

Eu achei engraçado esses dias que você postou lá, que a mãe, como que a mãe te procurou, que ela falou assim que queria um precinho. Aí você falou assim: já começou a sua pergunta errada, você tá diminuindo o meu trabalho.

?Voz A

Tem, acontece às vezes. Às vezes eu sou meio sincero na resposta, mas acontece assim. Mas vou usar o exemplo só para não parecer errado o jeito que eu falo. Teve um pai que veio, né? Ah, quanto que é o seu trabalho? Passei o orçamento. Ele falou: não, mas são só duas horinhas, você vem aqui para o parabéns e vai embora. E, cara, ó, né, deixa eu só te explicar uma coisinha. Eu sou igual McDonald's, e foi assim mesmo que eu escrevi.

Eu sou igual McDonald's, você pode tirar o que você quiser do pacote que eu não diminuo Falei o preço, foi bem assim que eu falei para ele.

JEJuliana Eloi

Ele te amou, né?

?Voz A

Contratou, contratou. E aí eu expliquei, falei: olha, eu fotografo, eu não fotografo 2 horas porque eu gosto de fotografar decoração com calma, vocês chegando e vocês na decoração com calma. Depois a criança fica livre para aproveitar a festa. E meu, 2 horas de, 3 horas de festa é onde ela, onde vai ter as melhores fotos. E tem o parabéns, que é a cereja do bolo. Bolo. Então não é que o aniversário se resume ao parabéns. E aí expliquei isso para ele.

E aí a resposta que eu recebi foi: obrigado pelo seu profissionalismo, qual é o Pix?

JEJuliana Eloi

Nossa, né? Vou testar.

?Voz A

Eu vou começar a usar o nome do bolo.

JEJuliana Eloi

Não, meu trabalho é—

?Voz A

não, mas já vendi álbum falando que é o valor da pizza para o cliente.

JEJuliana Eloi

Mas que pizza cara é essa?

?Voz A

Não, porque ele queria 3 álbuns de 3 aniversários que eles não tinham feito. Aí ele falou, Rafa, tá caro. Aí eu falei assim, tá caro não, porque esse valor é o que você come de pizza no ano. Aí ele falou assim, é verdade. Eu falei, e a pizza acaba no dia, não acaba? Aí ele, é verdade. E o álbum não.

JEJuliana Eloi

Então já sei, é pizza e McDonald's, é o segredo.

?Voz A

Aí ele falou assim, tá bom, como é que eu parcela. Aí depois ele me falou, ele mandou, posso até tirar um print depois e mostrar. Ele falou, Rafa, você deveria ser vendedor. Eu falei, uai, mas eu preciso ser para vender o meu trabalho, né? Às vezes.

JEJuliana Eloi

Mas é, eu acho que com o pai é mais fácil de lidar. Mas se você pegar uma mãe, então, e falar do McDonald's, é impressionante que eu recebo muito pedido de pai e normalmente eu fecho. De pai?

?Voz A

É estranho, né?

JEJuliana Eloi

Estranho.

?Voz A

Não, eu recebo bastante orçamento de mãe que fecham. Mas assim, é muito mais fácil eu receber um orçamento de pai e fechar.

JEJuliana Eloi

É porque eu acho que nisso eu vou ter que assumir que vocês homens são melhores, vocês são mais decididos, vocês já viram, mais objetivos.

?Voz A

Quanto que é o valor? É tanto. Ah, gostei, vou pagar. Aqui tá o link do cartão.

JEJuliana Eloi

É isso.

?Voz A

A mãe vai pechinchar, a mãe fica, ai, não sei e tal.

JEJuliana Eloi

Aquela coisa de mulher no shopping, você já viu que ela passa a mão em todas as roupas? É mais ou menos isso.

?Voz A

Ela vai pedir aqui, ela vai pedir ali, ela vai pedir lá, ela vai Tem uma, vou aproveitar aqui que a gente tá falando de vendas, tem uma história que eu ouvi muito boa de um cara que ensina sobre vendas, que ele fala: a mulher vai na loja, vê o que ela gosta, ela gosta, só que ela dá a volta no shopping inteiro para voltar lá, os 3 andares, para no final falar: gostei lá da primeira. E volta e compra.

JEJuliana Eloi

E os maridos adoram, né?

?Voz A

Nossa, a gente ama. E aí o homem é o contrário, o homem ele entra na primeira loja, se ele gostou da blusa azul compra para ir embora. Ele não experimenta a rosa, verde. Ele fala assim: eu quero uma azul, uma verde, uma rosa, uma preta. Ele experimentou uma, ele já viu que serviu, ele não precisa experimentar as outras porque o formato é o mesmo. E compra e vai embora, pronto, acabou o assunto.

JEJuliana Eloi

Ele falou: então quando a gente trabalha com vendas, direcionar meu tráfego agora só para, só para homem.

?Voz A

A gente, não sei se você vai conseguir convencer eles a levar criança para comer um bolo.

JEJuliana Eloi

Então é exatamente por esse preço, Acho que não.

?Voz A

O aniversário ele já tá pagando, então ele precisa do fotógrafo. A função dele é contratar o fotógrafo, que a mãe já resolveu as outras coisas, superfaturou tudo já. Exato. E aí lasca nós ter que negociar com o pai, porque é muito mais racional do que emocional, porque eu não consigo explicar para ele muitas coisas. Por isso que eu tive que falar do McDonald's e da pizza, porque são coisas que ele sabe, no estômago, né?

JEJuliana Eloi

Sempre no estômago.

?Voz A

Não é só no estômago, é racional. Dar conta.

JEJuliana Eloi

Com a mãe no coração, com o pai.

?Voz A

Exato. A mãe, se você, por exemplo, que nem eu fotografei o aniversário agora, que a criança tava, ela não queria sair do colo, põe ela no chão, ela chorava. Então a preocupação da mãe no final do aniversário era: será que tem foto dela boa? Porque ela só tá chorando toda vez que a gente põe no chão. E aí ela ficou impressionada com a quantidade de fotos que eu tenho sem choro.

JEJuliana Eloi

Sem choro?

?Voz A

Sem choro. Tem bastante sem choro.

JEJuliana Eloi

Você não assustou a criança não, né?

?Voz A

Tava no burst, tava no burst, mas tá sem choro, tá sem choro. Mas tá lá. E provavelmente para o pai não ia fazer diferença. É que o pai é muito mais racional, então você não tem que falar sobre os sentimentos que ele vai ter com aquilo lá. É comprar algo que para ele é comparável. Então se o cara gosta de carro, por exemplo, você fala: olha, sessão custa R$1.000. Pô, mas R$1.000, fala: nego, é a calota do seu carro.

JEJuliana Eloi

Eu vou começar a adaptar só a calota.

?Voz A

Você tá falando que a calota é cara? Tô dando um exemplo. Aí ele vai falar assim: é, não, não é cara, mas a sua mulher acha, não acha caro calota do carro? R$1.000, você pagar R$1.000, ela vai ficar brava, não vai? E aí você não vai pagar R$1.000 no aniversário para fotografar o aniversário do filho? Aí o cara fala: ô lasqueira, lascou, né? Aí se eu gasto R$1.000 na calota, eu vou ter que gastar R$1.000 no aniversário.

JEJuliana Eloi

Mal saber ele quanto a mãe gastou no aniversário.

?Voz A

Exato. Mas assim, é muito mais racional se você põe algo para comparar com que o pai possa comparar. Para ele vai fazer sentido, não é a emoção, é o comparável.

JEJuliana Eloi

E já para mãe é o contrário.

?Voz A

E para mãe é o contrário. Tô certo? Não faço a mínima ideia, é uma teoria que eu criei aqui. Para a gente terminar o nosso bate-papo, uma dica para quem quer começar nessa área.

JEJuliana Eloi

Eu acho que é muito complexo dizer isso, né, para que as pessoas não visem só o retorno financeiro. Eu acho que se você visar só o retorno financeiro, você vai estar amarrado a uma entrega que o mercado já tem. Mas colocar sentimento, fazer aquilo com amor, ao invés de você fazer de tudo, faça uma coisa que faça sentido para você. Então comece fazendo de tudo, mas descubra aquilo que te torna diferente.

?Voz A

E se você pudesse dar um conselho para você quando começou lá atrás, aos longevos 4 anos, que dica você daria?

JEJuliana Eloi

Olha, eu acho que não seria uma dica, mas uma coisa que eu queria falar, que eu falo para essa Juliana até hoje, né? Por que você não começou antes?

?Voz A

Essa é pesada, hein? É porque o banco ainda pagava bem.

JEJuliana Eloi

Eu acho que, eu acho que não só por isso. Eu acho que quem tem esse histórico, ele tem uma que eu chamo sempre, né, na terapia, a síndrome da escassez. Porque você, quando você perde tudo, você tem aquele receio de começar e perder. Então você sempre coloca um pé, mas titubeando para pisar, né? Então acho que por essa questão isso me trouxe, não posso dizer que um certo receio de começar pelo risco de falhar, que na nossa cabeça a gente falhou uma vez, a gente não quer falhar de novo.

Então o que eu diria para ela, que eu digo sempre: você não precisava ter medo, pode seguir em frente. Sim.

?Voz A

Então pega essa dica, você que tá ouvindo esse episódio. Ju, obrigado pela participação. Espero que a gente tenha captado vários insights, várias dicas para quem—

JEJuliana Eloi

McDonald's, já vou levar para vida.

?Voz A

E se quer polêmica, pode mandar que a Ju responde todas ficam, ela me manda uns direct lá que se um dia eu postar, né, inclusive eu posso chantageá-la. Mas enfim, se você gostou desse episódio, curta, compartilhe, comenta, manda recadinho para Ju falando, olha, eu ouvi lá, gostei para caramba, queria saber mais sobre o que você tá fazendo e quero aprender também com você. Porque tem workshop, não tem?

JEJuliana Eloi

Sim, tem sim.

?Voz A

Quem não vem?

JEJuliana Eloi

Mentoria, tudo.

?Voz A

Quem não vem de workshop hoje é bancário, tem que fazer, trazer dinheiro para casa, dinheiro, claro, negócios, comprar pizza, comprar pizzas, convencer os clientes, enfim. Então não esqueça de comentar, de curtir, de compartilhar, mandar uma mensagem para gente falando que gostou do episódio, e a gente se vê por aí nos congressos, em outros episódios. Até mais!

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