Episódios de Papo de Fotógrafo

12 anos filmando o que mais importa

09 de setembro de 20261h52min
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Olá, papudos!

No episódio dessa semana, o papo é com Lidia Gomes, da Infante Filmes. Videomaker especializada em família, ela leva mais de 12 anos produzindo filmes de parto, aniversário e ensaio com uma linguagem que vai muito além do registro. É pedagoga de formação, mãe de três filhos, atua em BH e em São Paulo, e construiu um dos trabalhos mais reconhecidos do nicho no Brasil.

A conversa começa numa sala de aula, com a mulher que se formou para ensinar crianças e encontrou na câmera um jeito diferente de fazer exatamente isso. E termina com uma reflexão sobre o que separa um filme que emociona de um filme que apenas documenta.

Um episódio pra quem filma família e quer entender o que construir além do equipamento. E pra quem nunca contratou um videomaker e ainda não sabe o que perguntar antes de fechar.

Dá o play.

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O que nós falamos durante o bate-papo:
- Conhecendo Lidia Gomes e a Infante Filmes;- Da pedagogia ao audiovisual de família;- 12 anos de carreira: o que mudou na linguagem e no negócio;- O espaço do vídeo no mercado de fotografia de família;- Parto, aniversário e ensaio: como cada momento pede uma abordagem diferente;- Como construir e crescer um negócio de videomaking;- Precificação e como defender o valor do trabalho para o cliente;- Ser mulher no mercado audiovisual;- Por onde começar na videomaking de família;- Como escolher o videomaker ideal.

Participantes neste episódio2
R

Rafael Petrocco

Host
L

Lidia Gomes

ConvidadoVideomaker
Assuntos6
  • A transição da pedagogia para o audiovisual de família e a maternidadepedagogia·audiovisual de família·maternidade·Infante Filmes
  • A especificidade do olhar pedagógico na filmagem infantil e o lidar com criançaspedagogia·desenvolvimento infantil·linguagem audiovisual·interação com crianças
  • O papel da mulher no mercado audiovisual de família e dicas para iniciantesmulheres no audiovisual·mercado infantil·dicas para iniciantes·valorização do trabalho
  • A importância do vídeo em eventos familiares e a educação do mercadovídeo de família·fotografia de família·memória·precificação
  • Desafios e aprendizados na construção de um negócio de videomakingempreendedorismo·delegação de tarefas·pandemia·diversificação de serviços
  • A precificação de partos e eventos familiares e a gestão de expectativasprecificação·parto·gestão de expectativas·disponibilidade
Transcrição253 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz A

Olá, papudo! Sejam bem-vindos a mais um episódio do Papo de Fotógrafo especial Belo Horizonte. E antes de começar o nosso bate-papo, eu tenho que dar um recadinho da Digipix, porque é óbvio que final de ano chegando, você fotógrafo precisa pôr dinheiro no seu bolso, né? Afinal de contas, queremos ter um Natal abonado, comprar equipamentos novos, fazer uma viagem com a família, tirar férias. E a gente precisa faturar mais. E esses arquivos que estão aí no seu HD são a sua fonte de renda.

Já que você não consegue fotografar mais, transforma essas imagens em lucro e dinheiro no seu bolso. Acesse o site da Digipix, conheça todos os produtos, faça mostruário, que é importante você mostrar para o cliente, para ele tocar, para ele entender o valor do produto que você tá vendendo. Você pode fazer álbum, quadro, artigos para decoração, artigos para presente. Tem muita coisa legal. Eu sempre faço em casa, as meninas adoram, estão sempre mexendo.

Imã de geladeira, tem muita coisa bacana que você pode oferecer. Final de ano então é o momento certo. Então acessa lá gpxpro.com.br, conheça todos os produtos, faça mostruário, ganhe dinheiro, transforma esses pixels que estão no HD em dinheiro. Não é Bitcoin, não vai crescer nada se ficar guardado aí, e você pode faturar ainda mais. Vamos começar nosso bate-papo, que hoje a gente já começa no rec, não é nem no clique, é no rec.

Lídia, seja bem-vinda! Obrigada nesse especial que fazemos aqui em Belo Horizonte, no estúdio do Dani, que prepara com tanto carinho.

LGLidia Gomes

Que coisa boa que deu certo, né?

?Voz A

Sempre, sempre dá certo quando a gente junta as pessoas boas, a gente faz o negócio acontecer de alguma maneira.

LGLidia Gomes

Isso mesmo.

?Voz A

Para começar Sempre peço para a pessoa contar um pouquinho de como é que entrou a fotografia na vida ou entrou na vida da fotografia. Mas hoje a gente vai falar de filmes, de filmagem. Mas antes de falar especificamente do seu trabalho, conta um pouquinho quem é a Lídia antes da Infante Filmes.

LGLidia Gomes

Isso é muito importante, Rafa. Então, eu me formei em pedagogia, eu sou pedagoga por formação. Depois da pedagogia, eu fiz o meu mestrado em educação. Então todo esse universo, fui para escola, para sala de aula, eu fiquei muitos anos como professora alfabetizadora e coordenadora pedagógica, enfim, atuando dentro da escola. Não imaginei que a vida me traria essa surpresa de essa transição de carreira. Achei que o resto da vida ia ficar na área da educação, ia fazer meu doutorado, enfim, né, também eu atuava como pesquisadora, tudo nessa área da educação. E aí, como que foi essa virada? A maternidade.

?Voz A

Sempre, quase sempre.

LGLidia Gomes

98,9%. Eu vejo muitas fotógrafas falando isso, né? Como que migrou? Ah, quando meu filho nasceu, eu quis uma flexibilidade. E enfim, buscam nisso, né, nesse mercado, e fazem essa transição. E comigo Foi bem parecido, mas assim, o que que aconteceu? Meu filho nasceu em 2012, meu primogênito. Eu tenho 3, sou mãe de 3. O primogênito nasceu em 2012 e quando ele nasceu eu já tinha contato com esse universo, eu tinha equipamentos em casa, mas assim, não sabia muito bem mexer, registrar, mas eu queria registrar o desenvolvimento dele, né?

?Voz A

Você sabe, né, o primeiro ano é aquele boom do desenvolvimento, aquela brincadeira que todo mundo fala, né, que o primeiro filho tem milhares de álbuns, o segundo nem tanto, o terceiro assim, se deu para tirar duas, tá ótimo.

LGLidia Gomes

É tipo isso. E o primeiro, gente, ali encantada, apaixonada com aquilo, eu falei, gente, eu preciso registrar, preciso registrar, preciso filmar, preciso. Eu já tinha esse contato, né, com profissionais da área. O pai dos meus filhos, ele é formado em cinema, então tinha ali o equipamento. Então eu tava inserida ali naquele universo, mas não tava, né, tava na educação. Então peguei ali o equipamento e falei, vou aprender, vou gravar, vou registrar esse primeiro ano.

Registrei o primeiro ano até que chegou a festa de um ano. Falei, gente, como que eu vou fazer esse vídeo, né, do primeiro ano? Quais são as minhas referências? E naquela época eu não tinha referência.

?Voz A

2012, acho que nem vídeo de aniversário infantil era comum fazer, né?

LGLidia Gomes

Eram aqueles vídeos assim da década de 90, né? Aquela pegada, tava tendo aquela transição, só que a transição tava acontecendo no casamento. Então eu peguei bem essa época dessa transição, mas vivida mais no casamento. Então eu tinha essa referência ali, via vídeos maravilhosos de casamento poéticos, e eu falava, gente, Cadê isso, né, no aniversário infantil? E não encontrava. Comecei a buscar referências, encontrei uma, né, o Francisco Miró, ele é lá do Sul, é um filmmaker fantástico, mas ele fazia de tudo, né, ele fazia casamento e tinha alguns aniversários infantis, bebia um pouco ali daquela água.

Falei, legal, é para o vídeo de primeiro ano. Encontrei as minhas amigas pioneiríssimas da Gridoce, a Zilda e a Luiza, elas são do Rio de Janeiro, E elas faziam só, era uma produtora só de vídeos infantis, Just Eat. E aí eu falei, cara, que coisa linda! E era lúdico, era divertido, prendia, né? Eu na época eu falava muito isso com os clientes, né? É aquele vídeo de antigamente que você pegava, assistia, depois você guardava lá na, nunca mais, no, como é que fala, no armário.

E não assistia. Ah, cadê ele? Procura. E fica lá uma hora e meia todo mundo assistindo. Então tava tendo essa transição, eu observei isso, eu falei, nossa, eu queria um vídeo primeiro falando do meu filho, né? Quero um vídeo assim. Conheci cinegrafistas, olhei, chamei e falei, você pode gravar e tal? Eu queria desse jeito. Mostrei para ele as referências e ele gravou. Assim, não ficou do jeito que eu imaginei.

?Voz A

Queremos, né? Quer bem feito, faz sozinho.

LGLidia Gomes

Idealizei, mas ficou lindo, ficou muito lindo. Ficou um vídeo assim diferente do que tinha ali, e eu fiquei muito satisfeita porque a minha intenção ali, muito além, digo, da poesia, né, da estética e tal, era registrar aquele marco ali daquele primeiro ano, né. Era uma celebração dele, mas era uma celebração minha também como mãe, né, de ter chegado ali no primeiro ano, as noites mal dormidas, amamentação.

?Voz A

Falando disso, e acompanhando um pouco as redes sociais, vira e mexe no Threads tem uma polêmica justamente falando sobre isso, né? Ah, mas para quê? Festa de 1 ano é para os pais, para os adultos, e não sei o quê. E aí vem aquele monte de mãe falando, mas não é para criança, é uma comemoração, é uma celebração da família, da superação.

LGLidia Gomes

Exatamente. A gente não sabe, né, o que que aquela família viu. Cada família vive, né, uma experiência ali do primeiro ano de vida que é muito singular e muito especial. E eu queria que a minha fosse ali registrada e celebrada, né? E eu acho assim, Rafa, eu tenho um vínculo muito forte com a minha família, digo família materna, avós, tios, né? Minhas tias são minhas tias-mães, então eu tenho muito essa ligação. Eu falei, gente, eu quero que esse vídeo ele registre ali as minhas tias, a minha avó, minha vózinha com ele.

Não sei quanto tempo de vida ela vai ter ali, eu quero ter esse momento, eu quero pegar ali as expressões dele, ele começando a andar meio cambaleando ainda, caindo, ele rindo, ele interagindo com as pessoas, os dentinhos nascendo. Porque eu tinha, como eu acho que também pela minha bagagem, né, como educadora, eu acho que eu tinha essa noção assim que todo mundo fala, aí passa rápido, vou. Mas a gente acha que não, primeiro ano ali ele é bem lento.

Mas eu sabia que ia passar e que ele ia mudar e que daqui 6 meses ele ia estar outra criança, de outra forma.

?Voz A

De 3 em 3 meses já tem uma criança de 1 ano.

LGLidia Gomes

1 ano e meio já é outra criança, né? E aquele momento das falas, né? Começa a falar e começa a falar errado, e depois começa a falar certo, e você fala: não, fala errado, por favor.

?Voz A

Ouvi uma mãe falar isso outro dia: por que que parou de falar errado?

LGLidia Gomes

Então assim, eu queria, eu queria isso. Esse era o meu objetivo com esse filme de 1 ano dele. Enfim, resumindo, fiz o vídeo, Deu super certo, fiquei muito feliz. E aí eu falei, gostei disso, nossa, tem tudo a ver assim. Eu via casamento, tinha esse contato com os vídeos de casamento, 15 anos, mas não me, não brilhavam, meus olhos não brilhavam com isso. Sabia já editar e aprendi a gravar no primeiro ano dele, mas não era algo que, mas gravá-lo, registrá-lo, e eu falei, cara, que legal isso, que legal gravar uma criança. Amei.

?Voz A

Quero mostrar isso para as outras mães, né, as amigas. Começou assim, você ouviu muito?

LGLidia Gomes

Eu mostrei primeiro para as minhas amigas, minhas amigas amaram. E isso foi em outubro de 2013, né? Então janeiro de 2014, duas amigas já: Lídia, filma a festa do meu filho. E aí fiz esses dois vídeos, foram maravilhosos. E a decoradora da festa do meu filho, ela viu o vídeo, falou, Lídia, eu vou mostrar esse vídeo para os meus clientes, né? Um vídeo lindo, diferente. E eu gosto, falei dessa transição, eu também tava observando muito uma transição dos aniversários.

Não sei sua idade, mas acho que você vai me entender, né? Aquela nossa época, né? Aquele bolinho com os docinhos em volta da mesa, aquela festa ruim.

?Voz A

Era professora, diretora de escola mesmo. E só que minha mãe era muito de fazer coisas com a mão assim. Então o meu bolo de aniversário era tema do Mickey, aí o bolo tinha o formato do Mickey, aí ela fazia, fazia as tiarinhas, tipo tiarinhas, eram como se fosse uma coroa, só que tinha o formato do Mickey. Então assim, minha mãe gastava pouco, mas fazia Para época tinha um cuidado de fazer as coisas temáticas, sabe? Coisa que hoje é comum, naquela época não era.

LGLidia Gomes

O que eu tô dizendo assim é, por exemplo, né, tinha o bolo lá, e aí sua mãe fez o bolo, fez, e teve aquela transição, o bolo cenográfico de 3 andares, mas era o formato da cabeça do Mickey. E aquela transição toda, eu olhei e falei assim, gente, essas famílias estão investindo muito em decoração, em contratar decoradores, em produzir aquilo, todo um planejamento. Às vezes começa, sei lá, a criança já nasce, a mãe já tem o tema ali na cabeça dela.

E todo esse período de preparação, esse investimento precisa de um vídeo à altura. Tinha essa lacuna, sabe? Eu enxerguei naquele momento a lacuna. E eu falei, vou fazer isso, vou começar. Só que assim, né, eu era concursada, né, eu era professora alfabetizadora, então foi meio que paralelo assim. Eu falei, deixa eu ver como que vai ser, vamos testando aqui. E aí foi, ela foi indicando para os clientes, as fotógrafas foram me conhecendo.

Não existia, né, muitos videomakers, não existiam muitos videomakers. Acho que nem isso, em BH. Então assim, eu fui fazendo, fui fazendo, fazendo, fui divulgando. Aí fez um boom assim naquela época, foi um boom que se você for parar para pensar, é 2000 e eu falei janeiro de 2014, março de 2015 eu estava exonerando no meu cargo, né? Eu vi ali aquelas, né, como se diz, mãe. Eu falei, mãe, professora, pesquisadora, videomaker, a conta não fecha, né? Então a gente tem que abrir mão.

?Voz A

Para quem queria entrar nesse mercado para ter mais tempo livre, é o que eu tô menos tendo, né?

LGLidia Gomes

Exatamente. Não, e, né, a maternidade por si só, né, já consome esse tempo, né, da gente. E a gente quer estar também, né? Igual eu te falei, tudo tão rápido que a gente quer viver aquilo. Falei, vou ter que abrir mão. E é difícil, não vou falar que é fácil não. Ah, abrir mão, Não, como assim? Como assim você abriu mão de um cargo, né, público, uma estabilidade para poder uma garantia? Exatamente. Então assim, eu esperei, né, esse período, observei o mercado, foi crescendo, eu fui sentindo essa segurança.

Não é que assim eu exonerei tranquilo, nossa, não. Quando exonerei, será que eu fiz a escolha certa? Mas ao mesmo tempo eu sentia que precisava dedicar o meu tempo à produtora para que ela crescesse ainda mais, né, o meu tempo e tudo isso. Então não foi com partes que eu comecei, que todo mundo pensa, ah, você começou a gravar, né, filmar nascimentos. Não, gente, foi o aniversário de primeiro ano do meu filho que me despertou isso mesmo assim, essa, igual eu te falei, fica a dica para quem tá querendo começar nessa área, começa a criar portfólio com a própria família, né, com a própria família, com certeza.

Tem coisa melhor, né, do que isso? Eu falo. E até hoje eu gravo, né? Assim, tudo bem, casa de feira, em casa de, como é que é, casa de feira, mas gravo, gravo. Eles me cobram porque, né, poxa, mãe, você trabalha, cadê meu vídeo?

?Voz A

Supostamente agora é o famoso, cadê o meu vídeo?

LGLidia Gomes

Meu terceiro, você falou do primeiro, a gente faz tudo. Segundo, o terceiro, ele conta, ele esses dias contou quantos aniversários o mais velho tinha. Depois, quantos? A do meio tinha. Ele falou assim, mãe, eu tenho 4 aniversários a menos gravados por você. Eu, cara, chegou a hora da cobrança. Eles cobram. Eu falo isso com as clientes, falo, olha, eles cobram, tá? Não fica empolgada com o primeiro e vai ali, né? Que no futuro ele te cobra.

?Voz A

Eles cobram. Se aumentar o nível do primeiro, você vai ter que seguir o padrão, né?

LGLidia Gomes

Tem que seguir o padrão porque Mas assim, além disso, muito além disso, né, a preciosidade desses registros. Igual eu te falei, assim, eu sou muito apegada à minha família. Antes de me tornar mãe, eu já era assim, né, via muito valor nisso. Igual eu disse, minha vózinha, minhas tias ali idosas, eu tenho muito esse apego. E chegadas e partidas, né, a chegada, né, maternidade ali fez aquele boom, eu quero registrar meus filhos. Mas as partidas também, né?

Essa minha avó partiu, uma das minhas tias partiram. O que que eu tenho? Eu tenho esses registros maravilhosos delas. E então acho que o valor que eu dou para isso contribui muito assim para o meu trabalho, sabe?

?Voz A

Talvez o mais difícil, se a gente conseguir transmitir isso para o cliente, né, na hora de convencer ele. Mas no final das contas, quando tem, eles percebem o valor daquilo que você entregou, né? Vou só citar um exemplo aqui para a gente continuar a conversa, mas acabei de fotografar um aniversário que a hora que eu cheguei eu falei, olha, né, normalmente eu faço as fotos na mesa do bolo. Eu falo, Rafa, o aniversário tá do jeito que o Joaquim pediu.

Ele pediu para ser aqui, ele pediu para ser desse jeito, com pouca gente. Então se alguém pegar ele no colo, você tira foto. Se não pegar, deixa, não se preocupa com isso. Fica só no que tá no documental. Né, isso foi a instrução logo no começo. E aí no final ela falou, falou, cara, eu nunca vi ele tão feliz assim, né? Ela falou, sempre fiz festa grande de muita gente e não era isso que era para eu fazer. Então ela percebeu. E aí ela agradeceu as fotos porque as fotos representam aquilo que aconteceu no dia.

Ela falou, cara, você registrou muito bem aquilo que ele queria. E pô, eu tô muito feliz que foi do jeito que ele queria. Então eu acho que isso para ela, independente do preço, ela A gente nesse momento queria falar, pô, tinha cobrado o dobro, o triplo do que eu cobrei, que aí você tem o argumento. Mas no final das contas, é, a gente precisa de alguma maneira conseguir transmitir isso para quem tá contratando o nosso trabalho, porque às vezes ela vai pôr no pensar, falou, pô, mas é um dinheiro que talvez eu não tenha agora, vai me deixar apertado, ou vou gastar mais com a decoração e menos com a filmagem.

LGLidia Gomes

A filmagem é sempre Ali, né, o último açaí.

?Voz A

E aí é uma outra coisa que também tava comentando um pouco nos bastidores, assim, não é muito comum ver filmagem no aniversário. Se for para escolher entre um e outro, pelo menos em Campinas, acontece muito de primeiro é a foto, depois se conseguir, se tiver disponível, tiver um preço bacana, eu faço.

LGLidia Gomes

Raros os meus clientes que contratam, às vezes são raros que eu chego e não tem fotógrafo. Já aconteceu. Mas cadê o fotógrafo? Não, é só você, só o vídeo. Mas obviamente, né, a contratação sempre eles prezam pela fotografia. E eu até na Expo BYD eu falei isso, quando, né, eu tive essa ideia da infância, mas eu observei que o mercado infantil e de vídeos especificamente era muito subestimado assim. No sentido de valorização, de precificação, né?

Então, casamento, todo mundo opta por isso justamente pela questão mesmo de que você consegue cobrar um pouco mais. E no infantil não, porque muitas vezes, ah não, é um aniversário de criança, né? Não preciso pagar tanto. Então é o que você falou, essa conscientização de você mostrar o valor daquilo, daquela memória, de que o vídeo É tão importante quanto a foto. Pensa, Rafa, assim, todo meu respeito com os fotógrafos, né? Mas você pensa no vídeo ali, você vai ter as ações da criança, as interações, como que ela tá ali interagindo com o meio, com as pessoas, a voz, o sorrisinho.

E que, igual eu te falei, que muda, que daqui 6 meses pode mudar. E na foto você não vai ter, né? É aquilo ali estático e Então o vídeo, ele tem esse complemento que quando o cliente ele enxerga o valor disso, eu tenho vários, acho que até os que me procuram, eles enxergam muito esse valor, sabe? Nessa memória em vídeo assim, de entender que aquilo ali é uma preciosidade assim de um tamanho para a vida, para família, né? Para as memórias daquela família.

Então Esse foi sempre o meu objetivo assim no início, e de educar. É o que você falou, educar e educando o mercado. Olha, gente, vamos, né, sabe, reprecificar isso aqui, porque é um valor muito alto. Nossa, depois quando eu tornei mãe, desculpa te interromper, mas meu Deus, quando o meu filho nasceu, eu falei, o parto superou qualquer evento que eu possa ter acontecido na minha vida. Grandioso o parto, nascimento dos meus filhos.

Para mim não existe nada no dia mais feliz da minha vida. Assim, não existe um outro dia mais feliz do que esse.

?Voz A

E aí é uma coisa, eu até ia comentar isso, que eu falo, tipo, às vezes vai fazer um casamento, o pessoal fala, ah, o dia mais feliz do casal e não sei o quê. Eu falo, até eu falo isso com todos, é sempre o até o próximo momento, que é um filho, um segundo filho, um terceiro filho. A partir do quarto, eu acho que você já começa a ficar meio cansado, não vai ficar nada. Eu quero, eu queria, tô brincando, né? Que tá certo, 4 também aí já, não chega nas contas na escola.

Mas é, eu vou falar uma coisa que não é desvalorizando o trabalho do fotógrafo mesmo, porque eu sou horrível com vídeo. Então a minha ideia é continuar na fotografia até o máximo que eu puder. Mas eu acho que se a gente fosse fazer uma comparação entre foto e vídeo, a gente poderia dizer que a fotografia é um gatilho, ela te leva até aquela memória, até aquele momento. E em teoria, o vídeo é a memória fora da gente, porque a fotografia vai me dar o gatilho de eu lembrar como é que ela era, como é que ela falava. E o vídeo tem um registro, eu tenho exatamente o que eu—

LGLidia Gomes

o vídeo é o play na foto.

?Voz A

Não, mas é a memória fora da minha cabeça, porque no vídeo eu vou estar vendo o movimento, o áudio dela falando, Então são, não são concorrentes no sentido de, é lógico, financeiramente, na hora de ser contratado, né, cada um vai querer vender o seu peixe. Mas no final das contas, um é o gatilho, outro é a memória fora, é o nosso backup, digamos assim, né, de vídeo do que a gente tá imaginando.

LGLidia Gomes

Pensa, né, os anos vão passando e as memórias vão ficando. A gente, né, óbvio, preservamos algumas, mas eu vejo isso muito no parto. As clientes vivem ali aquele momento que é muito intenso, né? Eu falo dia mais feliz da vida. E quando eu entrego o vídeo, ela fala, Lídia, obrigada, eu não lembrava de quase nada. Aquilo ali que você captou, gente, eu nem lembrava que aquilo ali aconteceu. Então, numa festa também, você vai parar para pensar, a mãe vai estar ali, né?

Mas às vezes para para um convidado, ela não tá o tempo todo ali onipresente naquela festa, controlando tudo que tá acontecendo. Então assim, ela não vai estar ali, ela vai estar vendo o que que o filho dela todo momento fez, não vai acompanhar. E é isso que você falou, é a memória, ele em ação, né?

?Voz A

Faça um corte desse pedaço e põe no começo da proposta para vender isso para cliente. Falou, viu, o moço lá falou que foto é uma coisa e vídeo é outra.

LGLidia Gomes

Mas isso que você falou do parto, do nascimento, que é o dia mais feliz e que supera o casamento, você sabe que é uma fala que eu Eu sempre, a mãe entra quando, né, eu tenho muitos na minha cabeça assim, quando eu faço parto cesárea, a mãe entra primeiro e o pai fica ali um tempo esperando. E aí naquele momento ali a gente conversa, né, o pai fica mais tenso e vou conversando e tal. Eu sempre falo, eu falo, lembra desse dia, porque se você achou que um dia o seu casamento foi o dia mais feliz da sua vida, hoje eu lembro que eu fotografei o parto da Helena, né.

?Voz A

Que a gente, para evitar problemas com o hospital ficar discutindo se pode ou não pode entrar fotógrafo, porque assim, né, se fosse para eu levar um fotógrafo para o hospital, ia ser um que eu conheço, que eu gosto, tem intimidade, tenho vários amigos bons no que fazem para levar. É, Camila falou, não, não arranja confusão com o hospital, você vai querer ficar brigando. Eu sei que aí eu falei, não, tá bom, eu fotografo, que daí o médico não pode proibir eu de fotografar.

Então a situação No segundo, que foi o da Sofia, eu falei, não, agora eu preciso viver a experiência, né? Preciso estar. O hospital é um pouco mais flexível. E aí foi o Rafa Carelis que foi fazer. E aí ele fez uma coisa que na hora eu não percebi, mas que eu achei importante, porque ele ficou comigo até entrar na sala de cirurgia. E aí eu fui perguntar para ele, né, depois que eu vi o final e tal, Ele falou, Rafa, na hora da cirurgia, cirurgia mesmo, não tem o que fazer, vai estar cortando a barriga, né?

Não é um vídeo tutorial de como fazer um parto. Então ele falou, só que eu te conheço, né? Já sei da sua história como pai, te acompanho, a gente vê a Helena, vê, e eu também sou pai. Ele falou, pô, eu queria ter alguém me acompanhando, mostrando o meu momento. Porque a sua esposa tá lá sendo cortada no meio, né, para abrir a barriga.

LGLidia Gomes

Ele pré, né, é Rafa antes e o Rafa depois, né?

?Voz A

Ele falou, porque realmente o cortar a barriga ali não tem sentido para história, mas pô, tem o Rafa que tá ansioso e que ele não tá fotografando agora, ele não tá se escondendo atrás da câmera. Então tem muito isso também, porque eu sei que na fotografia assim, no vídeo provavelmente que é, normalmente o pai não, não é o preocupado em ter a fotografia e o vídeo. Muitas vezes ele é contra, ele acha um investimento desnecessário, mas que no final das contas ele também é parte disso, e que talvez seja só uma cultura que ele tenha inconsciente E que no momento que a gente tem esse registro, ele olha e fala, caraca, precisava disso.

LGLidia Gomes

Sim, sim, quebrar a barreira com o pai eu acho super importante, porque a mãe ela quer tudo, né? A mãe tem— são raros os pais que me contratam e que, né, tomam a frente, que geralmente são as mães. Mas essa quebra mesmo desse tabu com o pai, né? Não quero filmagem, não quero que me filme, não quero que— principalmente nos partos, né, mas em festas também. Não quero que filme minha esposa aqui. É você mostrar para ele o valor disso.

Mas eu vou te falar que muito só depois entende. E aí é engraçado que ele vem para o segundo filho, já outro pai. É muito interessante isso, né? Eu tenho clientes que falam, eu tenho clientes que falam, falam: ele falou, você chamou a Lídia para o parto? Tá tudo certo o vídeo? Eu acho um barato. Eu falo: nossa, Consegui.

?Voz A

Essa é a parte boa, né? Se quem paga tá feliz.

LGLidia Gomes

Exatamente. Mas isso eu falo assim, também vai muito de traumas vividos, né? O pai ali, enfim, ah não, eu vou ter que ficar aqui posando, sorrindo o tempo todo, ela vai ficar me pedindo para falar, para não, né? Também depende da postura, né, tanto do fotógrafo quanto do videomaker, para que ele entenda ali.

?Voz A

O casamento, noiva é um objeto, né? Primeiro é a noiva, depois o vestido, depois a decoração, depois o buffet, e aí o noivo.

LGLidia Gomes

E o pai é assim, dá a devida importância para o pai, mas também tem uma descrição com eles, né, e saber ler ali, né. Óbvio, vão ter pais comunicativos que, ah, tal, vamos que, né, ok. Mas tem a maioria, né, são super reservados. E no parto tem o quê também do pai ali segurando para não passar mal, né? Vários, eles se seguram. Então ele tem ali, né, meu filho tá nascendo, né, eu tô sendo registrado, eu vou passar mal. Então fica aquela coisa na cabeça dele, né, que é, mas isso assim a gente vai aprendendo a quebrar, destravar, com descrição, simpatia, convencimento e com o resultado final que eu te disse, né, o segundo e terceiro filho.

?Voz A

A experiência como pedagoga de alguma forma te ajuda ou te ajudou em algum momento para— tudo bem, eu tô com a câmera, tem uma certa liberdade, mas essa experiência como pedagoga eu consigo extrair um pouco mais do—

LGLidia Gomes

acho assim que fez toda a diferença. Às vezes eu me pego fazendo algo, eu acho que é pela minha experiência, porque eu olho assim, falo, não, é experiência. Eu acho assim, Rafa, o primeiro ponto assim da minha experiência que eu trouxe até para produtora mesmo é a forma de olhar para criança, enxergar ali a criança. Igual eu te disse, né, comparando com os vídeos de antigamente. Então eu falei, gente, eu quero ali que ela seja o personagem principal do vídeo, a história contada na perspectiva dela, é o meu modo até de registrar mesmo, né, sempre na altura dela, agachada ali, nunca, né, de cima para baixo.

E até os frilas, né, tudo, primeira vez dos né, eles estão lá assim, eu vou lá, agacha, agacha, enfim, deita. Porque, né, na perspectiva da criança, eu acho que essa questão assim de conseguir extrair, né, esses momentos, igual eu te disse, mínimos ali de uma interação, uma reação, um olhar. Eu tô falando agora especificamente das festas, né. A criança chega ali na festa de aniversário dela, o que que ela vai fazer? Ela vai brincar.

Para que que eu vou ficar ali solicitando dela outras coisas que não sejam brincar? Então acho que esse melhor, não, gente, deixa ela brincar, deixa ela, ela vai ali, tá se estressando, é a forma dela de se expressar, dar esse valor com os pais, né? Então assim, eu acho que tudo isso ajuda entender também ali as fases do desenvolvimento, né? Então que uma criança de 1 ano é diferente daquela de 2 e 3, né? Ela vai reagir de uma forma diferente.

Aí tem aquela de 5, 6. Então cada fase tem a sua especificidade, né? Eu tenho ali a criança de 1 aninho que ela na festa, né, de aniversário especificamente, ela não fala, né? Então ela vai se expressar ali corporalmente, um chorinho, pedindo um colinho. Ela tem muito vínculo com quem cuida dela, né? A mãe, o pai. Então ela é dessa forma, e então eu vou lidar com essa criança sabendo que essa é a especificidade da fase ali daquele desenvolvimento.

Aí 2 anos, 2 anos e 3, é aquela fase da autonomia. Eu sei fazer tudo, eu quero fazer tudo sozinho, me deixa, não quero dar a mão, quero— o terrible two, né, todo mundo fala. Então ela já muda, mas ao mesmo tempo ela tem ainda inseguranças com pessoas de fora, um estranhamento ali para você chegar até ela. Então tem essa especificidade, mas é a fase que ela começa a brincar, né? É aquela fase, começa a fantasia entrar, né? Isso vai até os 6.

Então dos 3 aos 6 é isso, né? Aquela fase da fantasia em que ela vai brincar, ela vai expressar pela brincadeira, as histórias, e ela dança e ela pula. Ela não tem aquele filtro social de estão me julgando, estão me olhando. Ela ainda não tem essa vergonha, né, gente, que a fase, nossa, eu falo que assim, eu me jogo nessa fase, é aquela espontaneidade, né. E aí os 6 anos, né, ali para frente, não gosto, não gosto de vídeo, não quero ser filmado, não quero, né.

E como que você vai se aproximar daquela criança que já não é aquela de também ter uma outra reação?

?Voz A

Porque se você acompanhar desde o começo, eu tenho, tem uma que eu faço desde o primeiro ano, que era assim: o primeiro ela não queria me ver, que ela queria fugir, né? Aí depois, ó, você pode ficar aqui, mas não vou dar bola para você. O terceiro, o terceiro, até vou fazer algumas fotos que você quer. No quarto, oi tio, tudo bem?

LGLidia Gomes

Vamos brincar.

?Voz A

E no quinto é bate em mim, sai correndo para eu ir atrás, entendeu? E agora é, cadê o Rafael? Cadê o Rafael? E aí tipo, brinca mais comigo de esconder, de correr, de não sei o quê, do que a criançada que tá no aniversário.

LGLidia Gomes

Exatamente. Assim, você conseguir entender isso, essas diferentes fases, eu acho que ajuda muito, né? Você me perguntou, né, o que que eu trago, né, da minha formação. Eu acho que é muito isso assim. E óbvio, você acompanhar uma criança desde o nascimento. Eu tenho, né, vários assim que nascimento e 2016, então 9 anos, né? Então elas estão lá com 9 anos e óbvio, a intimidade que ela já tem ali, o conforto de te ver e já te conhecer, você é um rosto conhecido, isso facilita muito.

Uma vez por ano ela te encontra, uma vez por ano ela me vê, né? Mas é muito legal porque, né, os pais falam, ah, a Tia Lídia que fez esse, o seu vídeo, aquele que você assiste todo dia lá em casa. Aí é muito bonitinho assim que eles olham assim, ah, É muito, muito legal.

?Voz A

E tem uma que a mãe falou assim, ela fez 6 anos agora, e aí a mãe falou assim, né, em um momento, falou, Rafa, você sabe que os 15 também é você, né? Querendo dizer, ó, tem mais 9 anos. Eu falei assim, olha, você me desculpa, mas no aniversário de 15 anos eu quero vir aqui como convidado, porque depois de 15 anos eu até faço as fotos protocolares de vocês, dela e tal, mas é só o protocolo.

LGLidia Gomes

Eu também quero celebrar com vocês toda essa jornada.

?Voz A

Trago equipe e aí eu vou aproveitar a festa, trago minha família. Ela olhou para mim assim, é justo, vai, é justo.

LGLidia Gomes

Eu tenho vários que falam, ó, no 15, na festa de 15 anos você vai estar presente. Eu, ai não, gente, 15, gente, quando eu era professora eu ia até 8, 9. Então assim, meu limite também ali é 8, 9, 10. Até que 11, 12 ainda vou, mas né, aí depois eu paro.

?Voz A

Aí você contou que depois você fez o vídeo do seu, do aniversário do seu filho, você, as pessoas começaram a pedir, ai, faz, faz, faz. Quais foram os desafios dos primeiros trabalhos? Porque uma coisa você fazer para você, se não ficar bom, você fala, era isso aí, tá ótimo, ficou melhor do que eu esperava, ou na próxima eu melhoro. Mas aí quando você começa a ter uma responsabilidade, quais foram os primeiros desafios assim?

LGLidia Gomes

O que que você Eu brinco assim, eu lembro que tem um videomaker que na época ele era muito famoso e ele parou agora de fazer casamentos, mas na época ele era assim muito famoso. E aí ele ficou sabendo que eu, né, a Lidia abriu uma produtora de vídeos infantis. Eu lembro que ele me ligou e falou assim, você tá achando legal, né? Você tá gostando? Tá divertido, né? Editar, gravar. Espera, até começarem os trabalhos e aquela bola de neve, aquele tanto de trabalho para editar, editar.

Aí você me liga, aí você me conta. E aí eu falo, e sempre que, né, eu chego nessa etapa assim, eu lembro dele, eu falo, gente, ele, esse conselho dele foi muito divertido pensando nesse lado, porque eu acho que assim, Rafa, o desafio foi, nossa, amei fazer isso, quero fazer isso, me encontrei Nisso, né, tem tudo a ver minha formação com o registro de crianças. Mas e quando isso começa a ser encarado como um trabalho, uma empresa?

Quando, né, você tem que fazer o atendimento, os contratos, você tem que editar, você tem que gravar, você tem que ser criativo, né? Editando você tem que ser criativo, gravando você tem que administrar porque é uma empresa, a contabilidade.

?Voz A

Aí você fala, nossa, entrou a experiência de coordenadora. Agora eu preciso gerenciar tudo.

LGLidia Gomes

Agora entrou a coordenadora pedagógica. Não, e assim, eu acho que esse foi o maior desafio para mim, pensando assim, foi isso. E obviamente também intercalar isso com a maternidade, né, porque eram 3, isso tava acontecendo com 3 crianças, né. Então ficou Aí nascia, aí nascia. E encarar isso mesmo como um trabalho, com toda a responsabilidade, isso para mim foi um desafio, tanto que eu demorei, mas precisei delegar, né? Como se diz, acho que isso, deleguei.

?Voz A

Pesa para o artista, né?

LGLidia Gomes

Nossa, pesa para o artista.

?Voz A

A palavra mais difícil para um artista é delegar.

LGLidia Gomes

Delegar. E aí eu vi assim, gente, minha saúde, né, meu emocional, minha saúde mental, não, preciso delegar. Isso foi para mim um desafio. Educar o mercado também foi um desafio, para enxergar o infantil como ele merecia ser enxergado, não como um meio, né, para se atingir algo, né. Ah, vou infantil para depois fazer casamento, 15 anos. Não, esse é o meu trabalho, esse sempre vai ser o meu trabalho, é o meu objetivo. Não, não quero ir para para o casamento, né?

Ah, você agora vai conseguir fazer casamentos. Não, esse é o fim do meu trabalho. Então educar o mercado para isso, no sentido até de precificação, sabe? E isso foi um desafio que eu me propus desde o início.

?Voz A

A palavra mais difícil para artista, que é a segunda palavra mais difícil.

LGLidia Gomes

Eu me propus desde o início, sabe, Rafa? Como eu tinha obviamente a facilidade porque eu tinha dois trabalhos, né? Então se desse algo, né, desse errado, eu tinha outro ali. Mas eu falava, gente, eu quero criar uma produtora em que eu possa ser artista. E para eu ser artista, eu não vou conseguir fazer trabalhos ali, uma produção em série. Então eu preciso uma coisa mais artesanal, mais manual, que eu consiga dedicar o meu tempo, minha criatividade.

Mas eu não consigo fazer isso né, sem valorizar isso. Então eu, desde esse início, eu me propus a isso, sempre menos, menos é mais. E com essa segurança que eu tinha, né, acho que isso me ajudou muito assim, mas foi difícil.

?Voz A

E 12 anos depois, 12, 12, já já 13, a gente é artista, não é bom de matemática. 12 anos depois assim Olhando um pouquinho para a história, o que que você acha que mudou? Só isso fez uma grande diferença para eu estar tranquila hoje, não tá passando perrengue.

LGLidia Gomes

E o que mudou? Olha, quando eu acho a exoneração, né, acho que foi um start assim para que eu carasse com muita seriedade isso de, olha, é o meu trabalho. Preciso investir tempo, eu preciso me dedicar nisso, eu preciso ter ali frequência, volume, preciso criar uma marca consolidada, uma marca forte, né, ali no mercado, porque é dali que eu, né, sustento, né, o meu sustento. Então assim, e eu acho que foi muito isso assim, muita educação, mas me educar, né, nisso, mas também tem que entender no mercado, Rafa, não é fácil, sabe?

E adotar, eu fui muito firme na minha postura desde o início assim. Ah, mas agora é pandemia, por exemplo, né? Não tem como não falar, né?

?Voz A

Mudou bastante. Inclusive você tinha comentado as crianças, que elas às vezes, quando tem muitos adultos, elas ficam meio— a pandemia trouxe uma série de pelo menos nas experiências que eu tive, uma série de aniversários de crianças que basicamente a primeira vez saiu de casa, entre aspas, foi para festa de aniversário para ter contato com mais crianças, porque a maioria ficou presa dentro de casa.

LGLidia Gomes

Chama de crianças de pandemia.

?Voz A

Eu não posso falar que minhas duas filhas nasceram por causa da pandemia, né? A Helena foi por causa da Zika, ela nasceu por causa da Zika, não. Na Zika, né, naquela pandemia da Zika, e a Sofia no COVID. Eu já avisei a Camila, falei: chega de pandemia, encerramos aqui.

LGLidia Gomes

A pandemia foi um marco, né, um marco tanto profissional quanto, digo, de clientes. Mas só voltando aqui essa parte profissional, eu acho que todos nós sentimos, né, não tem como falar que Ninguém da área, não foi fácil. É, e aí um dos aprendizados também que a pandemia me trouxe foi diversificar. Nossa, tá fazendo casamento agora? Não, é diversificar. Antes eu fazia aniversários, batizados, não fazia tantos partos. Agora, depois da pandemia, eu falei, não, peraí, eu preciso ampliar o meu leque.

Porque lá na pandemia faltaram eventos, não faltaram nascimentos, inclusive, né? Então é o mercado, né, ali inclusive é um processo que mais para frente geraria mais aniversários, mais aniversários. Então assim, essa diversificação eu acho que foi, a pandemia trouxe muito isso para para o meu modo, né, de enxergar a diversificação também de cidade, sabe, de estado, né, na verdade, né. A Infante era, é uma produtora mineira, e depois disso, né, eu fui aprendendo e ampliando dentro desse leque.

Eu falei, gente, eu vou abrir para outra cidade. Que cidade? São Paulo. Porque eu diversifico com aniversário, diversifico compartilho, mas eu também diversifico em BH, eu diversifico em São Paulo.

?Voz A

Brasil já é demais, mas são mercados que dá para atender, que você tem voos praticamente de uma em uma hora, que duram 40 minutos. Eu passei de Campinas, que é do lado de São Paulo, demora uma hora para chegar lá. Eu sei, de avião chega mais rápido do que eu, né, na teoria, porque tem um aeroporto, enfim. Querer, sabe? Mas enfim, é uma expansão. E com as redes sociais tá fácil você chegar em outro lugar sem precisar ter um estúdio, um escritório ali presente.

LGLidia Gomes

É, eu acho que isso foi uma virada também de chave muito grande para produtora. Óbvio que administrar isso não foi fácil, né? Porque, né, eu aqui, eu lá, agenda, enfim. Mas eu acho que foi também uma virada de chave para esse crescimento, essa consolidação da produtora, sabe? E a pandemia, pandemia, bem ou mal, você sabe que quando foi em março, né, o lockdown aqui no Brasil, aqui no Brasil, e aí eu lembro que acabaram, né, os eventos cancelados e tudo mais.

Toda aquela. E aí eu lembro que em julho uma cliente ligou, era julho. Lídia, vou fazer uma festa aqui na minha casa, uma comemoração muito pequena, avós, tios, todo mundo de N95, mas eu não queria deixar de registrar. Você poderia vir de N95, toda paramentada, é dentro mesmo da minha casa, festas de 4, 5 horas, né? Vai durar aqui uma horinha, mas eu não queria deixar Gente, foi assim uma coisa, eu lembro, isso me marcou muito, né, que desses eventos específicos de pandemia assim, como que, e aquela criança que você falou, né, um aninho dentro de casa e depois ela foi saindo aos poucos e os eventos voltando e tudo, né, muito devagar, muito lento, mas foi um período muito interessante assim de registros, né, quando as vacinas começaram e aí Não foi, né, do nada.

Isso mudou o mercado. Não sei se você reparou assim isso no que diz respeito ao infantil, né? As festas se voltaram ali para o íntimo, para dentro de casa, família.

?Voz A

É, por um período ela ainda continuou restrita.

LGLidia Gomes

E até hoje assim eu observo esse esse resquício assim dessa valorização mesmo das festas pequenas ali, de 20 pessoas.

?Voz A

Já voltou ao normal, mas eu acho que é do mesmo, assim, voltou, mas talvez não tenha voltado 100% ao que era. Algumas pessoas falam o pequeno dá certo, é um aprendizado, uma valorização disso.

LGLidia Gomes

Mas eu amo, né?

?Voz A

Mas isso também tem um pouco de, vou voltar no aniversário que eu acabei de fazer, que eu tava comentando. A mãe, ela deu a instrução, ó, é documental, é do jeito. E quando ela comentou, olha, era a festa do jeito que ele queria, ela mesmo se culpou, porque ela falou assim, eu fazia festas muito grandes, com muita gente, e eu não vi ele se divertir tanto. E eu acho que ela agora percebeu que, na verdade, a festa tava sendo mais para ela e para as pessoas que é diferente da de 1 ano, que a gente já entendeu que é para o pai mesmo, o pai, para mãe.

Aí ela falou, cara, mas é isso, ele não quer o espetáculo, o mais bonito, ele quer um negócio para se divertir.

LGLidia Gomes

Eu falo que para criança ali, você colocando ela no ambiente de vínculo e brincadeiras você tem tudo, vínculo com as pessoas, né, que ela tem ali, pessoas próximas, que você deixa ela ser ela e ela brincar. Ali você vai ter a espontaneidade mais genuína da vida, ali que a mágica acontece.

?Voz A

E eu tento sempre alinhar com o pai, que a mãe fala, olha, se a criança não quiser tirar foto Deixa ela, não é tiro 6 com os convidados, mas deixa a criança brincar, que tem criança que não quer. E aproveita isso. Aí a pessoa fala: não, não, é isso mesmo.

LGLidia Gomes

Eu falo muito isso do brincar, né, de que a minha linguagem ali no momento da festa, eu sou muito disso: deixa ela brincar, deixa ela fazer o que ela quer, a festa dela. Eu vou contar essa história do que ela está fazendo, mas ao mesmo tempo na cabeça ali tem protocolo, né, uma lista ali que eu vou tentando, a partir das características da família, obviamente tem família, ai, não quero, tal, mas seguir. Então, o que que eu chamo de protocolos, né, até nas brincadeiras, tá, Rafa?

Ela tá ali se divertindo muito e etc., mas a mãe criou ali ambientes, outros ambientes de brincadeira e etc. Então pera aí, vamos mostrar uma outra coisa aqui, vamos ver se ela vai se interessar. Óbvio, né, não é leva ela, põe ela ali, que não. Vamos ver se ela vai se interessar por aquilo também, que vai ser legal ela experimentar. Então é igual eu tô te dizendo, né, vamos deixar a criança brincar, vamos ser livre, mas também tem esse, ah, tem avó, tem o biso, tem a tia, tem a madrinha.

Como que você vai fazer? Mas ela não quer ir na mesa tirar. Por que que a gente não leva essas pessoas ali para pertinho dela, né? Eu sempre falo isso com a minha equipe, gente, conversa com a família, leva a família lá, fala, vovô, vamos brincar ali com ela, ela tá brincando, senta ali, fica com ela. Para o vídeo a gente ter essa facilidade, né, que é mesmo a ação. Então eu tenho ali o protocolo na minha cabeça, mas esse protocolo ele vai de uma forma muito leve, muito espontânea, nada forçado.

E até mesmo aí, olha, eu quero muito que ela vá na mesa, eu preciso, quero tirar toda, mas a criança não quer. Então pera aí, como que a gente vai levar essa criança para mesa? E aí eu te falo, é sem você entender, pera aí, qual que é a idade dela? Como que eu vou levá-la? Vai ser diferente a forma como eu vou convencer uma criança de 3, uma de 6.

?Voz A

3 para cima dá para subornar. Ó, te dou um brigadeiro, um pedaço de chocolate. Falo, mãe, podemos subornar? Eu brinco assim, né? Ó, vamos subornar? Mas aí tem sempre os acordos, né? Ó, se não der para fazer agora, a gente faz um pouquinho antes do parabéns, porque no parabéns ele vai ficar na mesa do bolo. Exato, a gente já junta rapidinho, já faz. Mas se puder, vamos roubar um brigadeiro. E aí não é a mãe dá o brigadeiro, vamos roubar um brigadeiro, desafiar a criança, ela se diverte.

LGLidia Gomes

Trabalha com a decoração da festa, né? Então, nossa, você viu o Batman ali na sua mesa? Vamos ali ver aquele Batman. Vamos. As decoradoras, eu falo que elas devem ter pavor de mim, né? Porque eu exploram a mesa toda, né? Vamos pegar esse Batman aqui, vamos segurar esse Batman. E aí joga o Batman da decoradora, vou usar porque é um momento.

?Voz A

O último tema foi o Homem-Aranha. Vamos tirar foto na mesa do bolo com o pai, com a mãe? Ele até tava disposto a tirar foto, né? Mas aquele negócio, eu vou ficar lá, vou fazer aquele sorriso que todo mundo pede para eu fazer, né? Aí eu falei, pai, o Homem-Aranha não fica de ponta-cabeça igual na decoração? Ele falou, fica. Aí pegou ele de ponta-cabeça, aí tá o menininho com as mãozinhas apontadas de ponta-cabeça. Exatamente, que é o Homem-Aranha, que é o personagem dele. Então brincar um pouco com isso, que é o que ele curte, né?

LGLidia Gomes

Você viu, né? Brincar. Vamos brincar, festa é sobre isso. Tem que fazer um protocolo? Tá bom, vamos fazer o protocolo, mas vamos fazer protocolo brincando, né? De uma forma lúdica, para que ele não sinta— é a festa dele, gente. Então assim, ele tem que estar ali se divertindo, feliz, Então é toda essa condução aí, é de uma experiência, né, que a gente tem que ter. Uma coisa interessante que na produtora que eu fiz, todo mundo fala é dos frilas, né, quem são os frilas.

E eu tenho uma pessoa dentro da produtora que eu trouxe da escola que eu trabalhei, que não era, né, frila de casamento que foi para produtora, ou frila de outras. Ela não sabia editar, ela não sabia gravar. Mas ela sabia muito bem cuidar das crianças, lidar com as crianças, entender todo aquele, aqueles aspectos ali inerentes à infância. Começou editando, comecei a ensinar ela a decupar, era muito boa. Vamos decupar, decupou.

Vamos agora editar, ensinei a editar. Ah, vamos numa festa? Vamos. Segura aqui a lente para mim, me ajuda, faz uma assistência. Isso eu falo 3, 2 anos, tá? Até, ah, precisou aqui, né? Já tenho aqui 2 cinegrafistas, mas precisou do terceiro. Segura aqui a câmera e faz esse take aqui. Ela, como já tinha um olhar da edição, né, ela aprendeu. E hoje ela é o meu braço direito.

?Voz A

E as pessoas nem pedem mais a Lídia, manda ela que já resolve.

LGLidia Gomes

Eu falo assim, para mim foi muito mais fácil trazê-la, ensiná-la as técnicas, do que trazer uma pessoa que já tem esse, é, e explicar para ela como lidar ali com a especificidade da criança.

?Voz A

Aí a gente entra agora naquele papo de empresário. Se você vai em alguma palestra, ele vai falar: é mais fácil você pegar uma pessoa boa, né, honesta, e ensinar uma coisa técnica do que o contrário, uma pessoa técnica ensinar a ser uma boa pessoa. É assim, então se discute muito, ah, mas como é que eu delego uma coisa sendo que é difícil? Cara, pode ser uma pessoa que não sabe nada sobre o assunto, mas que seja uma pessoa honesta, ética, comprometida, empenhada, ela vai aprender.

LGLidia Gomes

E assim, passar o seu olhar para uma pessoa, para um freela, é muito difícil. Acho que tá, você perguntou aí dos desafios. Nossa, isso para mim é um desafio imenso, assim, imenso. As pessoas falam, ai, Lídia, 3, 4 festas no sábado? Não, não. Por quê? Mas e a sua equipe? Gente, a minha equipe é muito reduzida, porque assim, passar isso para o freela para mim é muito difícil ensiná-lo. E eu falo, né, eu sou muito fiel aos freelancers.

Então os meus freelancers, tem freelancers que estão comigo desde 2014, 2015, essa que tá comigo desde 2016, 2017, e aí esse que tava em 2014 também me indica outros que ele passa o olhar, e aí vai. Então é tudo muito assim fechado, então eu não, acaba que eu nem tenho esse interesse em ampliar, porque para passar isso é muito difícil assim.

?Voz A

É, não é o trabalho, é o que eu falo. Às vezes você não vai ter o olhar específico, mas ele vai ter uma coisinha ali que você fala, pô, isso aqui dá para ele, ele consegue cuidar sozinho, né?

LGLidia Gomes

Na edição a gente dá um bom quando ele consegue cuidar sozinho.

?Voz A

Eu falo para você que eu confesso que para foto, para foto, eu não tenho equipe. Apesar de muita gente falar, Rafa, pô, né, eu prefiro indicar uma pessoa pessoa contratar aquele olhar, porque se for eu, eu vou me cobrar muito e vou cobrar muito da pessoa que ela tenha a mesma coisa. E no final das contas tem muita questão de feeling, de como você lida com as coisas que estão acontecendo. Eu acho difícil, é difícil, é por isso que eu te falo assim.

Inclusive quando é o oposto, quando o cara fala não, vai lá no meu lugar, tipo, sei lá, vou dar um exemplo em casamento. Faz lá o making of do noivo. Aí eu, mesmo tendo experiência, conhecendo, trabalhando 2, 3 anos com a pessoa, falo: caramba, será que eu vou conseguir entregar o que ele tá esperando?

LGLidia Gomes

E você tem que ligar a chave, né? Pera aí, essa produtora, ah tá, né? Esse fotógrafo, agora é esse, o olhar dele. O freela, né, ele tem que ir fazendo essas.

?Voz A

Mas eu tenho essa também, essa, essa, ou ter um trabalho muito, é o que eu falo do meu trabalho como freela. O meu trabalho é uma coisa meio que, digamos assim, padrão, seria um que se encaixa. Se o cara for porra louca, as fotografias funcionam para complementar. Se o cara é muito clássico, ela funciona para começar. Então assim, não sou exagero, que dá para— é tipo arroz, serve para você pôr com uma carne ou estrogonofe ali, ou com uma carne muito chique, um peixe, não sei o quê. Funciona para os dois pratos.

LGLidia Gomes

Eu, e assim, eu falo que quando, né, eles vão fazer uma festa, né, eu priorizo muito, eu vejo que faz muita diferença quando o freela ele não faz outro para outra produtora infantil, que ele não tem aquele olhar viciado. É difícil, é, mas eu, a maioria dos meus freelancers são assim, eles são de outra área, de outro Mas não do infantil, porque eles não trazem o vício de uma outra produtora para mim, né, desligar aquela chave. Então, ah não, a Lídia, a Lídia, a Infante é assim, ok.

Não, agora eu acho que isso também facilita muito, sabe? Eu priorizo muito isso assim dentro da produtora. Acho que isso ajuda muito ter pessoas cabeça aberta, que no feedback ali, na vez de ficar bravo, não vou fazer mais, mas não, beleza, que eu vou abertas ao aprendizado. É que é o que eu te falei dessa, dessa minha cinegrafista da escola, né, que eu trouxe assim, que é super, super aberta e lida muito bem com as crianças.

?Voz A

E aí, nesses 12 anos que a gente tá falando de mudanças, duas coisas talvez tenham ajudado o mercado. Uma é as pessoas começarem a entender a importância de ter uma filmagem, que se a gente voltar muito para trás, na nossa época tinha muito mais né? Porque todo mundo tinha uma camerazinha VHS para filmar. Eu acho que então a gente ia ser perdido em um caminho. Agora tá voltando a se encontrar. E as redes sociais, que afinal de contas tem muita gente que hoje faz porque vai postar e precisa.

E ok, o prazo é mais apertado do que antes, mas isso de uma certa forma ajuda o nosso trabalho alcançar outros lugares, outros estados. Outros países, dependendo do que você tá fazendo. Para você, como é que é esse processo, né? Mais pessoas te procurando, como é que foi essa mudança de mercado de ter mais, mais procura e de trabalhar muito com essa questão das redes sociais para que isso realmente alcançasse mais pessoas? Porque tem um gargalo, você mesmo tá falando, né? Que tem que ser menorzinho, tem que ser menor, é.

LGLidia Gomes

Apaixonamento em que eu me propus, né, do qualitativo, né, em detrimento do quantitativo, isso foi algo assim mais tranquilo, né. Apesar de que é muito difícil recusar, né. Não, não posso te atender, não posso fazer sua festa, não posso fazer seu parto. Até porque a agenda de eventos e partos já daria um outro podcast, né, só para explicar essa logística, né, de conseguir conseguir conciliar isso. Mas é aprender assim a falar não, Rafa, de, né, desse aumento de clientes, dessa procura que eu já te disse, né, sobre a precificação, a procura.

Obviamente, né, quanto maior, né, a procura vai diminuindo. Então essa dosagem. E as redes sociais, eu sou anciã do Instagram, né, desde 2011, né, sei lá. Mas desde que a produtora, né, 2014, tem o Instagram, trabalho, quando tudo era mato, né, você lembra?

?Voz A

A gente postava, era só Instagram, né? Você só postava pelo Instagram.

LGLidia Gomes

Então era, eu postava às vezes um vídeo, acho que o vídeo tinha 15 segundos, eu não lembro, tinha um tempo, eram 15 segundos, você tinha ali para mostrar. E aí as pessoas viam e aquele boom de seguidores. Tinha uma época assim que o Instagram, onde era tudo era mato. E agora, né, com o crescimento das redes sociais, eu não sou a melhor pessoa boa para dar dicas de rede social. Eu sou uma jovem senhora que assim lido muito com a rede social no sentido de divulgo o meu trabalho ali, coloco o meu trabalho, mas tenho limite ali de não deixar isso me afetar psicologicamente, o algoritmo, né, aquela, aquela frenosia, o que ele vai definir, o que você vai mostrar, o que assim.

Então, né, digo, de rede social eu sou péssima para dar dicas porque eu posto o que eu quero, eu faço o que eu quero, né, ali na rede social.

?Voz A

Os clientes assim, porque uma coisa é só que a pessoa querer o registro, então você vai ter, sei lá, 10 pessoas. Mas com o advento das redes sociais e das pessoas querendo mostrar as coisas que fazem, você não tem mais 10, você tem 20, 30, 40 pessoas querendo treno o seu trabalho. Isso de uma certa forma aumenta a demanda e você precisa.

LGLidia Gomes

E é um outro problema assim que eu lido, que nisso assim, porque eu te falei, eu sou muito da memória, né, de preservar a memória. Eu sou do horizontal, eu sou da TV, né. E é um outro, aí é outro problema de educar o mercado, né, e de educar os clientes. Mas não tem como, né. Ficar o bicho, como é que escorreu? Enfim, os clientes procuram e querem, né, a velocidade, agilidade do vídeo. Eu quero que me entregue hoje, eu quero que me entregue amanhã porque eu quero postar e eu quero na vertical, e eu quero na vertical, eu quero meu Reels.

E assim, lidar com essa mudança para uma jovem senhora, né, e para essa valorização mesmo da memória, do horizontal, assim, eu trabalho muito, converso muito com os clientes, falo, olha, posso fazer.

?Voz A

Mas aí nessa discussão, é uma discussão que você tenta convencer ela do contrário, ou você meio que, ah, ok, já entendi?

LGLidia Gomes

Eu começo tentando convencer, eu começo tentando convencer. Não convencer que eu digo, é assim mostrar a importância de um vídeo gravado na horizontal, não somente na vertical. Alice, você fala, faz os dois, todo mundo faz, né? Grava ali em 4K e cropa. Aí, gente, não é a mesma coisa. Eu vou cropar ali, eu sinto que eu tô dentro de uma caixa e eu começo a ter claustrofobia, porque eu preciso ver os lados, eu preciso ver o que tá acontecendo.

Então eu vou conversando isso com cliente, né, do jeito que eu tô te falando. Eu estou muito honesta assim, eu vou mostrando profundo nisso, pensando aqui.

?Voz A

Ai, meu Deus, talvez não seja o olhar de mãe, que a gente sabe que pelo histórico da humanidade a mãe protetora, visão 180 graus, às vezes 360, eu preciso ter ali um olho na nuca que ela sempre viu, né?

LGLidia Gomes

Pode, pode ser.

?Voz A

E o homem talvez ser mais concentrado na caça Ele não se incomode tanto em talvez ter o—

LGLidia Gomes

eu converso com alguns clientes, eu falo assim, eu tenho alguns clientes, falam, eu quero só na vertical, não quero vídeo, eu quero receber o material para postar só, é só para postar. Eu até gosto, porque aí eu falo, ótimo, eu vou gravar pensando nisso e eu vou ter ali, né, a dimensão, né, disso, não vou precisar cropar. Então isso para mim até melhor. Mas o tal do me entrega na horizontal, me entrega os dois, eu acho que um sempre vai ficar aquém do outro.

E o aquém é o vertical. Para mim é o vertical ficar aquém assim, porque você vai ter que cropar. E mas eu converso, essa conversa que eu tô tendo com você eu converso com cliente. Obviamente, não, Lídia, tudo bem, tá tudo certo, tá bom, pode ser, pode gravar, pode fazer. Eu faço assim, eu desapeguei assim, tenho desapegado disso, mas sempre no convencimento, sabe, Rafa? Eu tenho alguns clientes que falam, não, eu quero postar só, o que quero que você faz?

Eu quero postar na vertical. Mas vamos ver, vamos postar no horizontal. Olha que lindo, eu vou te mostrar o horizontal e o vertical. Tem hora que eu faço, sabe? Eu faço os dois, olha a diferença. Ele, ah não, verdade, vou postar no horizontal. Aí eu, ai, mais um. Eu sou dessa, sabe? Eu tenho, eu tenho alguns Eu tenho, eu tenho alguns colegas da minha área que também pensam da mesma forma.

?Voz A

E a gente, eu falo, formamos um grupo ali de muita gente, talvez pense igual, mas sabendo que o mercado exige o vertical, ele fala, melhor não brigar e pagar os boletos.

LGLidia Gomes

É a briga do storymaker, né? Então assim, é melhor a gente não, né, deixa, vamos, tem que ter um equilíbrio assim, mas Mas eu sempre vou acertar.

?Voz A

E a gente tava conversando da questão da concorrência, a gente falou da foto gatilho e do vídeo memória. Você acha que casamento, a gente sabe que foto e vídeo, o raro é ter só um ou outro, mas que na fotografia de família, nos ensaios, nos aniversários, acaba que a disputa é um pouco maior, talvez até pelo questão de valores, né, do valor que ela pode investir naquilo, no aniversário, no ensaio, num parto, ela acaba optando por um ou outro.

Mas você acha que ainda existe nessa disputa uma desvalorização? Ou não seria nem desvalorização, que o vídeo seria subestimado, que as pessoas ainda não entendem a importância dele? Talvez por isso vão no menos arriscado, que é a fotografia, que eu já sei que é, e é isso, tem o álbum lá e tá resolvido.

LGLidia Gomes

Nossa, você falou, eu não tinha nem pensado, né? Interessante, você não vê isso no casamento, né? Realmente sempre tem o fotógrafo e o videomaker, né? Assim, não sei, talvez devam existir aí, né, produtoras, ah, vendo a foto e o vídeo, fulano de tal, foto e vídeo. Mas eu não tinha parado para pensar nisso. E no infantil, nesse mercado, acho que por questões mesmo, igual te disse, né, por ser um mercado mais subestimado, tem essa questão: olha, não quero gastar, meu orçamento é esse.

E aí o fotógrafo, né, acaba ali dando um jeitinho, aprende, né, e acaba fazendo, é, os dois. Ou muitas vezes também ele contrata, né, um videomaker ali, oferece isso para empresa dele. E engraçado, eu vejo que em São Paulo Isso é regra. A exceção é uma produtora de vídeo e uma, uma fotógrafa. É, aqui em Minas não. Aqui em Minas é o inverso. Acho que ainda, talvez ainda não tenha, né, virado a chave. Mas é engraçado, cada estado nessa questão do infantil tem uma forma de atuar.

Aqui em Minas é muito tranquilo isso assim, o cliente Opa, o vídeo eu vou contratar a produtora de vídeo, fotógrafo vou contratar o fotógrafo. E lá em São Paulo não, é meio que chama: e foto, cadê o pacote de fotos? E aí eu: não, eu tenho, né, parceiros fotógrafos, posso indicar. Nossa, mas aí junto o seu junto do fotógrafo, aí aquela outra lá tem o pacote seu, só um PDF, e ela tinha contratado.

?Voz A

Mas como você falou que é separado, ela: aí posso.

LGLidia Gomes

Eu acho que assim, a questão da precificação também, a praticidade, né, dele não ter que ficar fechando dois contratos, tem muito isso. Mas é igual eu te falei, tem os clientes que me contratam, eles enxergam assim o valor de não, vídeo tem o seu lugar ali e eu tenho o fotógrafo. Muito isso assim. Mas o mercado, ele tá caminhando, eu falo no sentido do mercado infantil.

?Voz A

Mas você tem alguma estratégia ou já pensou nisso, de tipo, tá, uma coisa é eu concorrer em vídeo com outra produtora, um outro videomaker, a gente tá oferecendo o mesmo produto, mas é do aniversário infantil, a minha estratégia, minha concorrência não é só com outro videomaker, é com o fotógrafo, porque às vezes ela vai contratar ele, não vai me contratar. Você pensa nisso de uma certa forma ou você fala, olha, do mercado que eu atendo eu tô até meio que tranquilo porque já as pessoas já sabem Eu penso, eu sou muito tranquila em relação a isso, mas também penso no sentido assim, pera aí, por que que ele tá procurando?

LGLidia Gomes

É por questões de valor? Não, se é questão de valor, realmente eu não tenho muito o que fazer, né, por isso. Mas se for em questão de facilidade, praticidade, ah não, eu chamo aqui em Minas, né, é uma fotógrafa minha parceira, e falo aqui, me manda Vou fazer um PDF, igual você falou, vou fazer um PDF só, coloco, e a gente, né, esse, essa facilidade, eu crio a praticidade para ele. Se for esse o problema, é tranquilo.

?Voz A

E aí, essa curiosidade, só uma curiosidade, essa fotógrafa parceira tem que ter uma linguagem parecida com a sua?

LGLidia Gomes

Com certeza.

?Voz A

Ou é uma que não, se ela é só ética, responsável, tá?

LGLidia Gomes

Não, não, não, tem que ter, tem que ter. Não, Rafa, Pelo amor de Deus, né?

?Voz A

Eu gosto que a gente ensina a passar para as pessoas.

LGLidia Gomes

É como se fosse a infância na fotografia, assim, tem. E aí são fotógrafas específicas, assim. A sua cara querendo que eu— é quem, né?

?Voz A

Nomes, quero nomes.

LGLidia Gomes

Porque, e digo, não, mas obviamente, né, não só a linguagem, mas também obviamente a facilidade que eu tenho de trabalhar com ela, o vínculo, né? Então são fotógrafas que eu sou amiga de anos, que tem a mesma linguagem, que eu tenho uma proximidade, que eu tenho uma conexão, que eu conheço, que são parecido também, um preço parecido. Exato, preço parecido. Não posso colocar uma pessoa ou muito cara ou muito barata, né? Que isso faz falta. E a gente até conversa sobre isso, né?

?Voz A

Inclusive, amiga, tô aumentando R$100.

LGLidia Gomes

Aumentei R$100, aumenta R$100. É, não tem que ser, tem que caminhar junto assim. Mas isso é, eu fui percebendo ao longo dos anos e com essa mudança, não é para facilitar, vamos facilitar. E aí o contrário também acontece, elas me ligam, Lídia, aqui quer vídeo, posso colocar aqui no meu PDF? Pode colocar, pode colocar.

?Voz A

CPF não vai ser CNPJ, né? É assim, aí é Infante, mas vem a Lídia, não é Infante, a Frila.

LGLidia Gomes

Não, não, não, não, mas entendi o que que você perguntou. Não, ela vende como infante. Não, não, ela não vende vídeo. Vídeo, vamos colocar a foto, chama Joana, tá? O vídeo da Joana, eu vou vender o vídeo da Joana, eu vou como freela. Não, não, a Joana coloca no PDF, vídeo Infante Filmes.

?Voz A

Então é para pessoa ter ciência.

LGLidia Gomes

Só que assim, e aí obviamente eu converso com elas, vamos dar um desconto, aumentar aqui a facilidade, se me contratam, a gente contrata, ou a gente faz um bem bolado aqui e tal. A gente vai lidando assim com essa mudança.

?Voz A

E aí, só curiosidade financeira, o Pix cai na conta dela e ela te repassa, ou que ser separado?

LGLidia Gomes

Não, aí depende, né, da conta que vai cair, né? Aí, Rafa, tem a parte burocrática, da parte burocrática, emissão de nota, emissão de nota, preço. Por isso que eu te falo, tem que ter uma, você tem que ter uma, um vínculo, né, com essa pessoa, uma intimidade, né, como se diz. É, mas essas todas que eu te falei são da vida, né?

?Voz A

Garantia, garantia onde mora, quem é a família, garantidas.

LGLidia Gomes

Oxe, nossa Senhora, amanhã eu não tô mais aqui.

?Voz A

Deixa o RG comigo, eu só devolvo depois que eu— essas garantias que só brasileiro acredita. Aí deixa o RG aqui que vai outro RG, não tem. E aí dentro desse, de todo esse processo da produtora, de parcerias, né, existem duas coisas que é a linguagem e que para cada trabalho tem uma coisa. Um parque é uma coisa, ensaio é outra, aniversário é outra. E tem o desafio de lidar com o cliente, né, que cada cliente é um cliente, né. Como é que faz para ter o seu, a sua arte, atender vários tipos de cliente para várias situações?

LGLidia Gomes

Assim, desde o início, quando eu pensei lá no vídeo, né, no aniversário do meu filho, na minha cabeça, o que que eu quero com esse, como eu quero que esse vídeo seja. Então na minha cabeça eu sempre tive isso, eu quero que seja um vídeo lúdico, leve, delicado, sensível.

?Voz A

Não é muita coisa num vídeo só.

LGLidia Gomes

Você sabe que eu acho que para mim não é muita coisa, talvez porque isso faz parte de mim, né? Eu sou uma pessoa ultra sensível. Acho que a maioria dos artistas, né? Mas assim, eu sou muito sensível. Eu sempre achei que isso fosse uma— a minha vida inteira como uma fragilidade, é um defeito, uma vulnerabilidade ali, minha sensibilidade, né? Eu vejo qualquer coisa, eu choro, eu me afeto muito, né? Eu vejo alguém sofrendo, eu sofro, eu fico dias, né?

Agora, o caso do Lito, as pessoas: nossa, muito triste, gente, Gente, isso eu levo assim, eu fico o dia sofrendo assim. Então, e aí eu tornei essa sensibilidade minha aliada profissionalmente, né? Eu vi que isso dentro da produtora era a minha maior força, porque as pessoas me procuram. E você perguntou, né, como lidar. Quando os clientes procuram, eles já procuram querendo isso, eles É raro o cliente que, ah, eu contratei, nem vi o trabalho.

Não, eu quero esse trabalho porque ele é assim, e ele é assim porque eu sou assim. Então é muita coisa, é muita coisa, mas é o que eu sou, faz parte de mim. E aí, como lidar com isso nesses ambientes diversos, né? Eu digo aniversário, parto. Quando eu fui fazer parto, né, eu entrei ali no hospital e eu falei, nossa, é um ambiente tão cirúrgico.

?Voz A

Tão frio, né?

LGLidia Gomes

Tudo azul, tudo. E assim, tudo azul, tudo azul. É, e ali, né, eu digo, os médicos estão ali para fazer, né, o papel deles ali e etc. Pera aí, cadê a emoção? E tava ali a emoção.

?Voz A

Se tem uma coisa que o médico não pode ter, emoção nesse momento.

LGLidia Gomes

E eu vi ali aquela, falei, é isso, eu quero que o vídeo de parto seja um vídeo leve. Seja um vídeo delicado, seja um vídeo romântico, que ele traga para família boas memórias. Então aconteceu, nossa, Lidy, todo mundo fala, nossa, mas os vídeos de parto, eu olho, parece que a mãe nem sofreu, nem sentiu dor, nem isso nem aquilo, e que tá todo o rosto. Mas não, assim, eu me propus a fazer esses recortes porque é o que eu já vinha desde o aniversário.

Então é meio que isso caminha, não tem essa dificuldade de migrar, digo, vou fazer um aniversário, um ensaio, um batizado. É esse norte que eu te falei, né, da leveza, da delicadeza, da sensibilidade. Ele, ele me acompanha em todos os trabalhos. E aí vem a diferença de clientes, né. Tem um cliente que, ah, mas eu quero assim, quero assado. Mas é igual eu te falei, tô a maioria procura por causa disso. Então as divergências, ele acontece, ah, uma música, ah, eu quero, adorei a edição, mas dá para trocar a música?

É, então assim, eu não passo por tantos problemas nesse sentido porque eles já procuram querendo aquilo, por mais diferentes, né, que eles sejam, eles já procuram aquilo, sabem que vão receber aquilo. Outro dia, essa pessoa que trabalha comigo foi fazer um outro tipo de trabalho que não era infantil e tinha que ter impacto, sabe? Tipo aqueles vídeos de empresa, né? E aí ela chegou assim, Lídia, eu só sei fazer vídeo delicado, eu não sei fazer vídeos impactantes e aquela pegada.

Eu falei, a gente tem que reconhecer as nossas qualidades, o que a gente faz de melhor, e quem nos procura nos procura por isso. Então é muito, muito isso assim que eu vejo.

?Voz A

Engraçado, por exemplo, eu fiz uma postagem, um fotógrafo mandou assim: viu, as clientes não reclamam que você muda a paleta de cores? Aí eu olho, paleta de cores? Aí fui olhar a foto, né? Não, paleta de cores tá lá, vermelho, azul, que é do Homem-Aranha. O que você quer dizer com paleta de cores? Não, a grama tá meio amarela, não era para ser verde. Aí eu falei assim, ah, então não é paleta de cores, foi a tonalidade da imagem.

Então white balance um pouquinho mais quente. Falei, mas pô, foi um aniversário meio-dia, sol na cara, não rolaria pôr, deixar mais azul a imagem, deixar Então tem uma expectativa, né? Aí ele falou assim, mas então, mas o cliente não reclama? Eu falei, não, porque o cliente não repara nisso. Eu falei, quem tá reparando é você que é fotógrafo. O cliente tá olhando a criança sorrindo, a criança correndo, se ela tá no brinquedo, se ela não tá, se tá chorando.

Foi, não tá olhando a cor da grama. E outra, grama tava meio seca, então ela vai ficar meio amarela mesmo. Mas é a questão da coisa técnica, né? A gente às vezes tá tão preocupado com da técnica. Aí tem que ser um vídeo com um quadramento X e Y, com a tonalidade, 24 frames por segundo, com slow motion. E no final das contas, o cliente tá se lixando para tudo isso. Ele quer saber: tem a cena de eu chorando? Tem a cena dele na cena e do pai chorando? É isso.

LGLidia Gomes

Eu acho, como eu não sou, não tenho formação nessa área, essa questão da técnica não pega muito para mim, sabe? Porque eu só vou assim e não fico nesse preciosismo de tem que ser assim, tem que ser assado. Ah, peraí, isso aqui na sua câmera e tal. Não, gente, é isso. Óbvio, né, que eu preciso conhecer, entender a minha câmera e tudo mais, mas não me apego a isso. E você falou da expectativa e da realidade, o Rafa. Sabe o que mais acontece comigo?

Cliente chegar de parto, principalmente de parto, né, falar assim: nossa, eu vi esse vídeo seu de parto e eu quero exatamente assim, porque a saída desse bebê foi uma saída muito linda. Aí eu olho e falo assim: nossa, então como que eu vou, né, controlar como que esse bebê vai sair? A forma como ele vai sair não depende de mim, né, depende muito mais do ambiente ali, digo, da mãe, da equipe, do bebê, na verdade, do bebê e de tudo.

E pode ser que seja uma saída que então foi, né, é que seja rápida, né, enfim, ou precisa de uns cuidados rápidos ali e você não pega ele no colo. Esse alinhamento aí de expectativa e realidade é alto, é muito interessante.

?Voz A

As pessoas andam se inspirando muito na internet, né, o famoso, as pessoas são do Pinterest, tudo elas quer igual ao Pinterest. Aí chega o negócio da Shopee lá, não é nada daquilo.

LGLidia Gomes

É, nossa, em parto eu vejo muito isso, eu falo, não pensa que o seu parto. Não veja um parto e pense, não, o meu vai ser igual àquele, eu quero igual àquele. Óbvio, vai ter uma linguagem leve, uma linguagem delicada, mas é o seu parto, é aquilo que você viveu. E a forma como seu filho vai nascer, né, depende.

?Voz A

Assim, recentemente eu fotografei o parto dos meus sobrinhos, né. Minha irmã tava grávida de gêmeos, então ia até contar um pouquinho. Casal, então, não, eu vou contar rapidinho, vou tentar resumir, porque assim Imagina, tudo poderia dar errado. Deu naquele dia assim, eu tô curiosa, deu assim entre aspas, né? Deu tudo certo, gente, não aconteceu nada de errado. Mas foi assim, meu cunhado mandou mensagem 2 horas da manhã: vem tranquilo, a gente tá aqui no hospital, vem tranquilo, vem tranquilo, hospital perto de casa.

Troquei de roupa de boas. A hora que eu cheguei na porta do quarto, o médico da minha irmã era o mesmo da Helena, então ele já me conhecia. Ô, Rafael, tudo bem?

LGLidia Gomes

Tudo bem?

?Voz A

Tudo jóia? Eu esperando para pegar a toquinha para entrar no quarto, ele Pode entrar que tá saindo. Como assim tá saindo? Ele falou, tá saindo. Eu falei, mas eu tô sem touca, sem nada. Pera aí. Pegou uma touca lá, me deu, pus a touca. Aí literalmente tava saindo. A sorte que a câmera já tava com o cartão, já tava com a bateria, já tava formatada. Só engatei a lente. Só que imagina, parto natural, parto sem luz.

LGLidia Gomes

Ai, que demais!

?Voz A

Quarto todo escuro, só uma luzinha da porta de longe. ISO 12.800, f/1.8, 60 de velocidade. E o único lugar que eu tinha para fotografar era de cima, porque ela tava encostada na parede, todo mundo em volta, e eu só podia tirar foto de cima. Não tinha outro lugar, eu não tinha como abaixar, não tinha outro ângulo. Então só tem foto aérea do nascimento. Expectativa e realidade, é isso aí. Se você vai achando que, ai, emocionante, aí saiu O primeiro, né, o Lucas.

Para minha sorte, empelicado. Nossa, tirei umas 15 fotos dele saindo, uma focada, que o foco foi para o beleléu várias vezes durante a saída.

LGLidia Gomes

Acenderam a luz? Não.

?Voz A

Então aí tinha hora que o médico acendia a luz do celular, só que a câmera tava em 12.800 com 1.8. E aí, o que acontecia? Estourava a imagem da cara da criança.

LGLidia Gomes

Ai, meu Deus, eu tô indo para o inferno!

?Voz A

E aí, beleza, saiu tudo tranquilo, fiz a foto na balancinha. A médica falou, gente, podemos relaxar, que normalmente o gêmeo que vem depois demora às vezes 7 horas, 12 horas. O último demorou 14 horas. Aí, a hora que todo mundo fez, ah, minha irmã falou, Não, tá doendo igual, acho que vai sair. A médica falou: não, de boa. 9 minutos depois do Lucas ter nascido, sai a Lara. Tudo de novo, tudo correria de novo. E eu tentando passar, pular por cima para ter outro ângulo.

LGLidia Gomes

Só que você tinha um outro bebê ali para ser registrado também, que os cara tava pondo na balança, na outra sala, hein.

?Voz A

Eles tiraram da sala porque, como é gêmeos, não cabia os dois no mesmo no mesmo, assim, eu tô falando, meu Deus, mas pensa, pensa no, deu tudo certo, tem foto, mas assim, se fosse uma cliente com uma expectativa lá no alto, eu vi suas fotos aqui de parto, o seu portfólio, não tá legal, essa linha de cesárea, tudo iluminadinho, bonitinho. Então pensei, pensa no caos, é alinhar.

LGLidia Gomes

Eu acho que esse alinhamento prévio é super importante. Não só em festas, batizados, enfim, mas no parto. Nossa, é um alinhamento muito bom.

?Voz A

E aí tem uma outra experiência analisando pela minha irmã, porque a preocupação dela antes do nascimento era: o Rafael vai me ver eu lá com as pernas toda arreganhada para fotografar? Não vai rolar.

LGLidia Gomes

Amamentando, né?

?Voz A

Aí você pergunta para ela: Paula, você viu o Rafael na sala de parto? Ela não viu o Rafael chegar, não viu o Rafael vir embora.

LGLidia Gomes

É exatamente.

?Voz A

Mas também você achou que eu ia ficar abaixado de frente para você lá fazendo a foto? Não, né?

LGLidia Gomes

Você sabe que eu me apaixonei, né, por partos. Eu comecei, que não é uma área que eu falo que assim, é, eu vou, você ama e vai, porque, né, eu tenho a disponibilidade prévia, tem a disponibilidade do dia. O neném podia nascer 14 horas depois, o segundo. Imagina, você tem que ficar ali 14 horas.

?Voz A

Tudo preparado para passar o dia no hospital.

LGLidia Gomes

Óbvio, tem todo, todo o ônus, né? Mas quando você— eu não sei se também pelo fato de eu ser mãe, né— adentra aquele universo ali, você fala, cara, que coisa maravilhosa! É muito maravilhoso, é muito perfeito. Eu virei essa chave, né, no— quando eu decidi fazer partos, não fui eu que decidi, As clientes decidiram por mim. Eu fazia aniversário, tudo certo, e começaram a ter o segundo filho, terceiro filho. Você faz parto? Eu não faço não.

Faz parto? Não, não, não, não, não. Mas por que você tem? Não, gente, eu desmaio quando eu vejo sangue, então não tem como eu fazer parto. Aí uma vez uma cliente chegou, falou assim: eu tive o terceiro filho por sua causa, para você filmar o meu parto. Você vai filmar querendo Ou não. E eu conto a história porque a gente morre de rir. Ela é minha amiga e hoje em dia, né, nós somos muito amigas. E ela falou isso comigo, eu falei, tá bom, eu faço.

E agora, o que que eu vou fazer? Como que, né, a primeira vez, aquele universo todo, estudo que você explicou, é o parto, né? É normal, esse é o padrão cotidiano, é o padrão simples. E aí eu falei, como que eu vou fazer? Mas o meu foco era o sangue, né? De, pô, vou caindo lá, tava gravando, pá, E aí minha amiga tava ganhando neném, sempre as amigas, né? E aí eu falei, eu vou filmar o seu parto, porque se eu cair, se eu desmaiar, enfim, tá tudo certo.

E comecei a fazer o parto dela e ficou lindo. Aí depois fiz o parto dessa cliente, ficou lindo. Aí os clientes, ah, eu quero que você continue fazendo. Gente, eu vou fazer parto, vou fazer parto, fazer parto. Quando eu vi, deu aquele boom. Pera aí, agora agenda, como que eu vou fazer? Gosto, irmã, te ligou ali, né? O Rafa, né? Vem, vem tranquilo, vem tranquilo, vem tranquilo.

?Voz A

Aí uma palavra que a fotografia de quase devia ser a bonita. Se você tivesse em um evento, fotografa num evento, é que por sorte a gente sabia mais ou menos a data e eu acabei não aceitando nenhum freela para ter uma, para ter mais paz. Ela pode, durante a semana é mais tranquilo, não tem tanto trabalho, então era fácil. Mas no final de semana eu falei, ó, esse final de semana aqui, como é um possível coisa, eu não vou aceitar.

Se aparecesse alguma coisa que fosse meu, por exemplo, aí a gente já tinha uma backup. Mas aí a minha irmã já sabia que tinha custo, tava tudo alinhado. Eu vou trazer uma amiga fotografar, mas não vai achar em você de graça. Aí a minha amiga depois falou que não ia cobrar, mas que minha irmã não saiba dessa história. Senão eu tinha mandado ela, eu nem levantava em casa. Já que não ia cobrar, eu ficava dormindo em casa, ela entregava o trabalho e tal de boa. Mas enfim, mas tinha isso assim, a gente tava meio preocupado.

LGLidia Gomes

Essa logística, né?

?Voz A

Quando eu comecei, eu poderia ter, gente, digamos que fosse uma cliente, ela poderia ter me contratado e eu não chegado a tempo.

LGLidia Gomes

E aí? E quando não chegar a tempo? E quando você perde um nascimento e o neném nasce ali?

?Voz A

Devolve o dinheiro?

LGLidia Gomes

Você chega, perdeu a data, volta o neném para dentro. Brincando, mas é assim, é uma loucura, mas é uma loucura muito gostosa. Eu falo, é uma loucura muito gostosa, tirando essa parte de perder o nascimento, que é um pesadelo, sabe? Eu tive esse pesadelo semana passada, eu sonhei que eu tava, eu cheguei e o bebê tava saindo assim. Aí eu ainda tinha que ligar a câmera, né, preparar tudo, e só que ele tava, ele já tinha saído. Aí no meu sonho eu virei para o obstetra, só em sonho, aí eu falei assim, Você pode colocar o neném mais próximo da barriga e fazer como se você tivesse fazendo movimento só porque eu perdi?

Ele me olhou tipo assim, sou uma louca. E aí eu acordei, né, assustada assim, que eu falo, a gente trabalha, a gente tem uns pesadelos meio loucos.

?Voz A

Quem fotografa casamento sonha que não leva a câmera no casamento, tá sem a roupa no casamento, tem vários.

LGLidia Gomes

Esqueceu bateria, né?

?Voz A

Teve uma vez que eu fiz um casamento inteiro e olha Foi só o pesadelo, como se tivesse casamento normal. Aí chegou na hora da festa, a pessoa falou: e aí, deu certo pegar o ângulo não sei o quê? Que eu percebi que eu tava sem câmera.

LGLidia Gomes

Como assim?

?Voz A

É isso, foi pesadelo, né?

LGLidia Gomes

Ah, o pesadelo, tá.

?Voz A

Pensou se eu tô no casamento?

LGLidia Gomes

Ai, que susto! Achei que você tava contando outro pesadelo. Você teve esse pesadelo?

?Voz A

Tipo, a pessoa falou: e aí, deu certo pegar aquele ângulo não sei o quê?

LGLidia Gomes

E eu olhei e falei: nossa, cadê minha câmera? Tô sem a câmera. Gente, é pesado, é puxado.

?Voz A

Mas falando de filme, vamos falar de pesadelos. E depois, nessa construção toda, uma coisa que você teve que aprender foi precificar o seu trabalho, né? Que não é só disponibilidade, existe tempo de edição, captação, imaginar como as coisas vão funcionar, a disponibilidade para os partos, e depois também todo o processo de tempo de entrega. Como é que você trabalhou esse fluxo durante esses anos? O que que você mudou talvez do começo para aqui que você falou, cara, isso fez diferença?

A hora que eu mudei isso aqui, as coisas começaram a andar, caminhando. E depois, lógico, como é que você começou a cobrar, saber o quanto valia esse trabalho?

LGLidia Gomes

Tá, eu vou te falar assim, Não, não acho que essa seja a trajetória da maioria das pessoas, mas eu comecei já precificando valor mais alto. Assim, eu joguei isso igual eu te falei, pela garantia que você tinha, pela garantia que eu tinha. Então, né, e ali fui analisando ao longo do tempo como que isso ia se dar. Eu acho que o próprio fato dessa precificação, obviamente com todas as qualidades, né, do trabalho e todo esse conjunto, acabou trazendo uma leva de clientes que estavam dispostos a pagar pelo valor que eu, que eu que eu me propus a cobrar.

Não foi assim, ai, comecei a filmar. Eu lembro que no início eu olhei e falei, quanto o mercado— eu não tinha referência infantil, né? Então, quanto que tá ali o mercado de casamento em Minas, né? Que é a melhor produtora cobra. Aí eu fui já, né, como se diz, quanto a melhor produtora— é um cliente oculto. Quanto que a melhor produtora cobra? Eu lembro na época na época, tá, vamos lá, R$2.000, falar de valores, tava, não lembro, uns R$4.500, R$5.000 em 2013.

?Voz A

É provável.

LGLidia Gomes

É, na minha cabeça ali era mais ou menos isso assim. Eu falei, tá, então a sua cara, nossa, ela fez isso, ela, quem não fez quietinho na primeira cama? Não, não, óbvio que não, mas Mas eu peguei e falei, tá, eu quero um dia chegar perto disso. É óbvio, tem as horas de um casamento, tá, Rafa?

?Voz A

Proporcionalmente falando.

LGLidia Gomes

Isso, exato, tá? Tem todas as horas, tem toda a especificidade. Mas eu falo que um ano é o debutante da criança, né? Então os pais investem na festa de um ano muitas vezes como investem na festa de 15.

?Voz A

Que por sinal hoje é de 15, é igual de casamento. Então a gente foi, exato, pulando as escadinhas.

LGLidia Gomes

Então naquela época eu olhei e fiz essa proporcionalidade e falei, tá, vou me propor a isso. É obviamente, né, eu busquei parcerias com decoradores e fotógrafas, né. Que também estavam nesse mercado atendendo. Exatamente, porque, né, senão não teria como, não faria sentido. Eu acho que essas estratégias iniciais contribuíram muito assim para uma ascensão. E obviamente que na pandemia, né, todo mundo sentiu, eu também senti. Eu consegui com os partos aí precificar um parto.

Como que precifica um parto, Rafa? Ah, uma cesárea e um parto normal, você ficou 14 horas, na cesárea você fica 4 horas.

?Voz A

E aí eu te jogando a bomba, eu ia brincar, falar que podia fazer por quilo da criança, né? Mas aí, se o tempo que vai ficar lá esperando é o que interessa, eu cobro 4, é por 4 horas.

LGLidia Gomes

14, um 10 horas extras. Como que você vai cobrar isso de uma mulher? Aí a mulher tá lá, né, eu, como se diz, tendo bebê, e fala assim: nossa, uma hora extra, deixa eu acelerar esse parto aqui, porque é, não, eu não posso ficar pagando essa hora extra toda. Não. Então assim, agora falando especificamente dos partos, né, também fui aprendendo a entender, a precificar isso que você falou. Eu tenho minha disponibilidade prévia Você separou 15 dias, então você aprende, gente, quanto tempo eu preciso estar disponível para aquele bebê.

E mesmo assim ele pode nascer um mês antes, um mês e meio antes. Você separou só 15 dias?

?Voz A

A Helena nasceu 10 dias antes, tá? O programa é dia 3 de outubro, essa dia 22.

LGLidia Gomes

Essa disponibilidade para que eu possa estar, ou para que alguém da minha equipe que te entregue o mesmo, o mesmo olhar. Vai estar, tem um preço essa disponibilidade. O tempo que eu vou estar, eu não sei se o seu parto vai durar 4 horas, se ele vai durar 10. À noite garanto que vai ser uma cesárea, né?

?Voz A

Existem riscos, são cirurgias.

LGLidia Gomes

E até as cesáreas, né? Às vezes você chega e a sala tá cheia e tem várias intercorrências, e o cliente fica lá 1 hora, 2 horas esperando para vagar o bloco, para vagar uma sala, né, no bloco cirúrgico. E aí essas 4 horas, que vai, são 4 horinhas, elas viram 7, enfim, dependendo.

?Voz A

E só por um momento de comparação, aniversário infantil você tem por horas também, ou não?

LGLidia Gomes

Aí eu, é por horas, sim. 4, 6, 8, 12, 24 horas e meia.

?Voz A

Casamento, aniversário, que é 3 dias, e hora extra.

LGLidia Gomes

Isso, eu sou muito tranquila com relação a eventos porque realmente controlado ali, obviamente, né? Chegou no dia, eu quero mais tempo, você pode. Eu sempre me preparo para estar ali um por dia, por mais pela equipe.

?Voz A

Você pode ter mais equipes, mas fazendo aniversário diferente.

LGLidia Gomes

Eu falo com a equipe toda, vocês se preparem para que se ela pedir que 3 horas, fique em 3 horas.

?Voz A

Mas você faz, por exemplo, a mesma equipe, 2 eventos no dia?

LGLidia Gomes

Quando eu faço a mesma equipe, 2 eventos por dia, eu sempre deixo um ali para caso ela peça, e o outro já vai para outra. É meio que, é meio que um, né?

?Voz A

Porque eu tenho costume de não atender dois eventos mesmo dia, apesar de equipe. Não, não, é só a equipe, sou eu.

LGLidia Gomes

Eu que é verdade.

?Voz A

Então, porque já, por exemplo, às vezes passa um pouquinho do horário, aí o tempo de ir até o outro pode acontecer, sei lá, fura o pneu do carro, e é só você, né? Então Então eu não pego, é um só.

LGLidia Gomes

Não, eu também não.

?Voz A

A pessoa fala, ah, mas não, eu faço um, eu cobro esse valor justamente para fazer um por dia.

LGLidia Gomes

Sim, sim. É, não, o meu eu consigo fazer 2 por dia. Ai, 3 assim é quando, nossa, já aquele cliente 10 anos foi o terceiro aparecer. Mas assim, é muito raro, porque justamente por essa logística que me deixa meio toim toim, porque ainda tem o parto, né? Eu tô aqui no aniversário, mas eu sempre tenho alguém comigo, porque Se alguém me chama para maternidade, essa pessoa tá— então é uma logística bem complexa assim. E o parto é isso, Rafa, assim, para precificar.

Quando eu olhei, eu falei, como eu vou precificar isso? Eu vou pensar na média para mais das horas. Então 10 horas aqui, 8 horas, tá? Uma cesárea, 4, 5 horas. Um parto normal que seja muito longo, 10, 14, Então eu vou colocar aqui mais ou menos 10 horas. Quanto eu cobraria? Nossa, Lidia, mas o meu foram 3 horas. Enfim, é todo esse combo de disponibilidade, de tempo ali com a família, de edição, de— e aí também eu também nos passes a mesma coisa.

Eu falei, olha, é para ter esse produto, para ter esse olhar, para ter essa disponibilidade, para ter esse meu tempo dedicado ali a vocês, eu tô ali com vocês, vou sair, né? Tem um valor. E me preparei para isso, não era o meu carro-chefe, né?

?Voz A

Igual se eu tivesse teoria cobrado por horas, você tem um pacote de 1 hora e meia, é um pacote, mas é um tempo médio que pode ser.

LGLidia Gomes

Não, não, não, é um preço para tudo. Ah, não, não, é um preço para tudo. Se você vai ficar 14 ou 4 é o mesmo preço, é o mesmo preço, até 8 horas. Só que aí a gente vai aprendendo, não, mas eu vou te falar, a gente vai aprendendo, eu falo isso mesmo com a vivência dos partos, aprendendo a chegar no tempo certo. Sabe que eu já parei para pensar isso? Teve um dia que eu passei tanto aperto com o parto gemelar que eu falei, nossa, eu preciso trazer alguém, eu não dá para fazer sozinha.

Tem que ter alguém, não alguém filmando, mas alguém aqui me auxiliando para caso, olha, ali igual você falou, saiu, para poder, né? Não, foram trigêmeos, foi dos trigêmeos. Eu falei, eu fui sozinha, né? E aí eu, nesse dia que eu fiz os trigêmeos, e igual você, e aí era cesárea, né? Então não tinha aquele tempo de produção. Foi, saiu, aí levou para o berço, aí saiu. Aí você tá ali fazendo ele, mas aí aquele outro tá saindo, aí você fica, né?

?Voz A

Põe um tripé apontado para o berço, dá ré aqui, larga lá. Deixa filmado, vai filmando aí mesmo ângulo mesmo. Aí o obstetra entra na frente aí, você tem famoso, você vai entrar sempre por aqui, ó.

LGLidia Gomes

Mas é, então assim, deixa um dronezinho enquanto eu tô filmando. Alguém falou assim, põe uma GoPro na testa do pai, tudo aí, aquelas de pôr no peito, de pôr no peito. É, mas acaba que não, eu não Trigêmeos eu também não precifiquei, não coloquei. Parto, eu acho que é muito delicado.

?Voz A

Vou fazer uma hipótese aqui, posso só fazer uma hipótese? Se a moça falou que um gêmeo pode demorar para o segundo nascer 12 horas depois, creio eu que trigêmeos não deva mudar, deva só acelerar um pouco. Já pensou, nasce um, 8 horas depois nasce outro, 8 horas nasce outro, já são 16 horas.

LGLidia Gomes

Eu nunca gravei um parto normal de trigêmeos. Então assim, né, é, mas é de Gêmeos já. E também me falaram isso igual você, olha, pode ter um tempo aqui, mas você vai ciente. Eu te falo, Rafa, quando eu entro na maternidade é um mundo assim, acabou, não existe mundo externo, a minha cabeça desliga. Eu aviso, né, a minha assistente, aviso cinegrafistas, ó, outra chamar Tá aqui o contato, entrei, tô aqui. E isso tem, né, um valor ali, a sua dedicação, porque é um outro universo.

Você não sabe se você vai sair em 3 horas, em 10 horas. Você sabe que os médicos são o maior índice de infecção urinária, que eu nada a ver, né, são os médicos, porque eles não vão no banheiro também, banheiro, porque, né, você coloca ali, como se diz, né, separamento.

?Voz A

Máscara, que tá ali, é incrível.

LGLidia Gomes

Você não sai dali, é um foco tão grande naquele momento ali que tem um preço, né? Porque é de um valor inestimável. Falo nascimento, não tô subestimando aniversário, tá?

?Voz A

Comemoração, 2 horas eu tava em casa. Minha mãe até assustou porque eu cheguei antes de levar as meninas para escola.

LGLidia Gomes

Mas é porque elas foram para UTI, para UTI, os gêmeos, ou ficaram no colo dela?

?Voz A

Depois foram para o quarto normal.

LGLidia Gomes

Mas é porque você chegou e já tava nascendo. Aquelas horas prévias você não pegou, você pegou o pós. O pós geralmente uma hora e meia de pós. É isso mesmo, uma hora e meia de pós.

?Voz A

Saiu 10 minutos, saíram os dois, já fiz as fotos, fez os primeiros cuidados. Tirou a foto da placentinha lá, fiz a foto, deu, deu, tchau.

LGLidia Gomes

Aí você sai e falou, quero trabalhar com parto, 2 horas, viu?

?Voz A

Só faço parto de gêmeos já nascendo, natural. Chega na hora que tá saindo e vai embora na hora que terminar.

LGLidia Gomes

Me avise quando tiver para sair.

?Voz A

E aí eu posso falar o que é o mais engraçado? Que a Helena falou para mim, para minha irmã, falou assim, tia, no aniversário de um ano do Lucas e da Lara, a gente canta parabéns para o Lucas e 9 minutos depois a gente canta para Lara. Resolveu o problema, não vai ter briga no parabéns.

LGLidia Gomes

Já fizeram um ano agora, né, que você falou?

?Voz A

Nasceu, tem 3 meses, criança.

LGLidia Gomes

Então vai ter que fazer isso.

?Voz A

Minha irmã já falou: ótima ideia, Helena, a gente vai fazer o bolo, 9 minutos depois a gente canta da Lara. E a gente vai tentar manter isso, é muito lindo, né, como padrão. Aquela perguntinha básica, todo mundo sabe que o audiovisual de uma certa forma é homem, né, é masculino em geral. Porém tem algumas áreas da fotografia que as mulheres dominam. Você acha que ser mulher nesse ramo da filmagem, né, do vídeo de família, de parto, de de aniversário infantil, de uma certa forma, é um diferencial estratégico para você?

LGLidia Gomes

É interessante essa, essa pergunta, Rafa. É um mercado majoritariamente masculino, né? E ao mesmo tempo você tem, você está lidando ali com o universo infantil, que também é um universo muito ligado ao maternal. Eu acho isso uma facilidade imensa, eu ser uma videomaker mulher para esse nicho, né? Partos nem se fala assim, né? Começando com partes para o primeiro aniversário, partos é quase unânime assim que as clientes pedem.

?Voz A

Como assim? Da minha esposa?

LGLidia Gomes

Como assim o Rafa vai me ver? As cesáreas até que são mais aceitáveis, as clientes aceitam mais um cinegrafista cesárea, mas igual, a prioridade sempre vai ser pela mulher. E no parto ele normal, né, a mulher prioriza mulher. As minhas clientes falam mulher, às vezes pedem, me pedem, mas quando eu falo que eu não vou poder, porque às vezes, né, não, mas você tem uma cinegrafista, né, uma mulher. Mas aí como que eu encontro essa mulher no mercado, né?

Então assim, é difícil só treinando, que é o que eu te falei, né? Pegar ali, treinar. Hoje em dia até que não tanto, porque tem muitas fotógrafas que nessa, nessa de vender foto e vídeo, tiveram que aprender na marra a filmar.

?Voz A

E aí, de novo, só aproveitando o gancho, no seu caso você faz o contrário?

LGLidia Gomes

Eu posso confessar algo? Eu, gente, eu nem sei. Assim, não, não testo, não. Assim, eu, eu, eu uso frames. Você fala, Lígia, tira foto das crianças? Você usa? Não, eu não tiro, Rafa, não tiro. A sua cara, tipo assim, não acredito, né?

?Voz A

É normal. Não, eu acredito que eu tava até comentando com os meninos aqui antes, que assim, quando é um corporativo, eu fotografar e fazer um take, beleza, o cara tá palestrando, então é repetido os movimentos, não Não precisa exatamente daquele momento que ele tá falando. Agora, um parto, um aniversário, para mim é muito difícil eu trocar a foto pelo vídeo. Sim, sim, porque é o famoso assim, tá, a hora que eu trocar para o vídeo, e se eu perder a cena que eu ia gravar?

E aí, a hora que eu for voltar para foto, eu já perdi duas vezes, porque eu perdi para o vídeo e perdi para foto.

LGLidia Gomes

Relatam essa dificuldade, mas ao mesmo tempo uma exigência do mercado ali para que elas façam vídeos, né? E isso me, como se diz, me presenteou com fotógrafas capazes ali de fazer um vídeo que eu acredito assim bem parecido. Óbvio, né, que eu dou uma refinada ali, né, no olhar e tudo mais. E eu gosto de expor poucas, né, porque tem essa dificuldade ali, mas Eu tenho, já consegui isso, sabe? Mas é um mercado majoritariamente masculino.

Nas festas de aniversário é muito tranquilo, é muito aceitável assim isso. Mas eu vejo que a dificuldade nesse mercado é aceitar o masculino, digo, aceitação do masculino ali, não do feminino, né? Videomaker mulher, ela é muito mais aceita assim. Do que os homens. Às vezes eu mando os meus cinegrafistas: não tem como ser mulher? Você pode mandar mulher? Isso me facilitou. Mas outro dia um fotógrafo falou comigo, ele falou assim: nossa, Lídia, você é a única cinegrafista que eu conheço mulher assim, que eu tenho contato, né?

Não conheço outra. Conheço fotógrafas, mil fotógrafas, mas que faça só vídeo, só vídeo, não fotografa, é vídeo, vídeo, vídeo, é só você. Eu, mas nossa, você encontrou o meu, a minha, meu problema, né? Porque para eu encontrar uma outra, porque os meus clientes pedem, é difícil. Então fotógrafos aí que estão assistindo, videomakers aí, manda o seu currículo, chama lá no inbox do Instagram, porque é uma facilidade. É interessante pensar isso no mercado majoritariamente masculino, esse nicho ele pede público feminino.

?Voz A

E para quem tem interesse de começar a atuar nessa área, que a fotografia de aniversário infantil a gente sabe que é comum, tem bastante gente, mas poucos ainda estão se especializando na filmagem. Que dica você daria para quem quer começar? Ou até uma dica do tipo, galera, façam isso, porque quanto mais fizer, mais valorizado eu vou poder ficar, né? Que é um produto que as pessoas precisam começar a comprar começar? Que como a gente disse, existem diferenças da fotografia. Como é que é? Que dica você daria para quem tá começando?

LGLidia Gomes

Nossa, assim, a dica que eu sempre dou é para não subestimar o mercado infantil. É um mercado muito rico, muito maravilhoso. O que eu falei aqui da espontaneidade, né, genuína da criança. Então assim, a dica que eu dou é: entre com amor. Eu sei que pode, né, tá esperando uma dica mais assim técnica e etc., entre ali com amor. Eu até falei isso na Expo Image, né? Tente conhecer a criança, entender da infância, como lidar ali com isso.

E obviamente também a precificar, entender ali, estudar o mercado, precificar. Eu recebo muitos inbox assim de produtoras, né, falando: nossa, aqui na minha cidade, né, e tal. Então assim, estudar o mercado, precificar, porque É muito, eu falo, trabalho não vai faltar nesse nicho assim. Uma família, crianças não vão parar, bebês não vão parar de nascer, famílias não vão deixar de comemorar, de celebrar a vida. E você para para pensar, o filho é o bem mais precioso que a gente tem.

Então, não dizendo do casamento que, né, tem a sua importância também, mas o valor de um filho para um pai, para uma mãe, você entender isso, entender a grandiosidade desse trabalho, a responsabilidade, a missão que você tem com isso. Óbvio que missão também, né, você precisa receber por ela, mas é quando você entra com essa postura, eu acho que tudo muda. As pessoas reclamam, nossa, mas paga muito mal, né, festa infantil, eu vou Mas muda o seu olhar, muda a sua perspectiva para isso. Eu acho que isso é mais do que a técnica, porque a técnica ali você—

?Voz A

e mesmo com valor baixo, que você ainda não consiga cobrar um valor mais alto, você tem como mostrar o valor e mostrar o quanto isso é importante para família.

LGLidia Gomes

A gente começou aqui falando disso, né? É a importância de você mostrar isso para família Que para mim, ao meu ver, Rafa, não é algo difícil, porque é igual eu te disse, é o bem mais precioso. Você só precisa mostrar que aquilo ali precisa ser registrado, precisa ser documentado, sabe? É muito importante você ter esse registro para a vida. Você vai assistir como pai, como mãe. Fala isso, começa com ele. Você vai assistir como pai, como mãe, no futuro.

Agora, no futuro, eles vão assistir assistir. E eles assistindo é a coisa mais incrível. Crianças e depois crescendo adolescentes fazem graça um com o outro, depois adultos eles vão mostrar para os filhos. A riqueza disso é algo que é assim inestimável. Acho que ter esse convencimento, esse diálogo com cliente, eu acho que faz toda a diferença. E mostrar pelo trabalho, vai fazendo, vai cobrando ali, fazendo, faz um portfólio. Para as amigas, digo, com decoradores, é, com pessoas da área.

Vai fazendo ali algumas festas para montar o seu portfólio, e a partir dali você mostra o valor daquela memória.

?Voz A

Uma dica técnica é treine o joelho, né?

LGLidia Gomes

A coluna, a coluna, a coluna. Nossa Senhora, treine, faça academia. A dica técnica: faça academia, faça musculação.

?Voz A

A gente encerrar o nosso bate-papo aqui, que era uma Não seria uma reflexão, mas seria talvez uma dica para o cliente. Se um cliente tiver assistindo esse podcast, tiver acompanhando e falar, poxa, nunca pensei nisso, né, pô, de ter esse registro, de ter essa memória, backup fora da minha cabeça. Que dica você daria para ele encontrar o profissional certo para fazer o registro do aniversário, do parto, do que quer que ele queira guardar para sempre.

LGLidia Gomes

Eu acho que para, né, para o cliente assim, para que ele escolha o profissional, primeiro eu acho que invista, invista na memória e observe quem valoriza isso no mercado, quem não tá ali no mercado apenas para, né, focado em em só ganhar o dinheiro, em uma produção em série, mas que tenha um cuidado com a memória, porque a memória da sua família, né, é a memória do seu bem mais precioso, que vai para o resto da vida. Então escolha um profissional que valorize isso, que tenha esse cuidado, que tenha esse carinho, que tenha esse manuseio, sabe, muito com muito amor, muito cuidado na preservação dessa memória, porque é muito precioso.

Então eu acho que eu daria um conselho mais voltado para isso assim, de escolha de assunto.

?Voz A

Entra no Instagram da Lígia, esse é o conselho. Entra no meu Instagram. Lígia, obrigado pela sua participação. Espero que a gente tenha trazido muitos insights, dicas, e que as pessoas reflitam bastante sobre o próprio trabalho.

LGLidia Gomes

Eu espero, eu te agradeço imensamente. Foi uma delícia lá na Expo, em um de nossos bate-papo.

?Voz A

Lá é tudo rápido, né?

LGLidia Gomes

Lá é tudo meio rápido, mas aqui a gente conseguiu, a gente desenvolveu bastante.

?Voz A

E para você que tá aí em casa acompanhando esse bate-papo, para a gente saber que você curtiu essa conversa, não esqueça de salvar, compartilhar, comentar, dá like. Lembrando que na descrição do episódio tem muitos cupons de desconto dos nossos parceiros. Pessoas e empresas que apoiam este podcast. E a gente se vê no próximo episódio, que a gente vai gravar aqui também em BH. Então se prepara que tem muito mineirês nos próximos dias. Então um grande abraço e até mais!

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