Episódios de Papo de Fotógrafo

Do Grajaú ao casamento milionário

27 de agosto de 20261h29min
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Olá, papudos!

No episódio dessa semana, o papo é com Torin Zanette. Fotógrafo de casamento de luxo, empresário e criador da TZCLASS, Torin cresceu no Grajaú, periferia da zona sul de São Paulo, formou-se em Publicidade e Propaganda e construiu uma carreira de 18 anos, mais de 800 casamentos fotografados e presença em mais de 12 países. Três vezes premiado no Wedding Awards Brazil.

A conversa começa no Grajaú, com o adolescente que descobriu a fotografia antes de entender o que era o mercado de luxo. Passa pela formação em Publicidade que virou assinatura estética, pelo flash como ferramenta criativa e identidade visual, pela entrada nas grandes assessorias de casamento de São Paulo, pelos destinos ao redor do mundo. E termina no maior casamento que ele já fotografou, e numa pergunta que ele raramente responde em público.

Um episódio pra quem quer entender como se constrói uma carreira no topo de um mercado que parece inacessível.

Dá o play.

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Instagram: http://www.instagram.com/torinzanette

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Patrocinador:

Digipix: http://digipix.com.br

Imagen AI: http://imagen-ai.com/?ref=papodefotografo

Lojinha do Papo: http://digipix.com.br/papodefotografo

Camisetas para Fotógrafos: http://reserva.ink/rafapetrocco

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Pixellu: http://pixellu.com/?fpr=pdf (Cupom: PDF15)

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E-book: http://go.hotmart.com/B90569251T (Cupom: PAPO10)

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O que nós falamos durante o bate-papo:

- Conhecendo Torin Zanette;

- Crescer no Grajaú e descobrir a fotografia;

- A formação em Publicidade e o olhar editorial;

- O uso artístico do flash como identidade visual;

- Como entrar no mercado de casamentos de luxo;

- O Casamento Milionário de Cuiabá;

- Da fotografia solo à produtora com equipe;

- A TZCLASS e o que ele ensina a outros fotógrafos;

Participantes neste episódio2
R

Rafael Petrocco

Host
T

Torin Zanette

ConvidadoFotógrafo de casamento de luxo, empresário e criador da TZCLASS
Assuntos6
  • A jornada de Torin Zanette da periferia ao sucesso na fotografia de luxoGrajaú·Publicidade e Propaganda·Fotografia de casamento·Mercado de luxo
  • A mentalidade de servir ao cliente versus a mentalidade de artistaServir ao cliente·Ego do artista·Trabalho em equipe
  • A importância da proatividade e do over delivery na fotografia de eventosOver delivery·Experiência do cliente·Comunicação
  • A construção e gestão de uma equipe de fotógrafos com o mesmo padrão de qualidadeTZ Wedding·Cultura da empresa·Feedback
  • A importância de se pagar primeiro e gerenciar as finanças pessoaisPlanejamento financeiro·Investimento
  • A escolha de Rafael Fontana para fotografar o casamento de Torin ZanetteRafael Fontana·Estilo de fotografia·Relação humana
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RPRafael Petrocco

Olá, papudo! Sejam bem-vindos a mais um episódio do Papo de Fotógrafo. Eu sou Rafael Petrocchi e hoje vamos falar de bastidores de casamentos de luxo. Se você acha que é todo esse glamour todo, fique ligado que a gente vai falar muita coisa aqui que às vezes não é bem como você pensa. Mas antes, vamos falar um recadinho importante do nosso patrocinador, que a gente precisa manter este projeto em pé e o seu bolso cheio de dinheiro.

E a única maneira de você ganhar dinheiro, além de apertar o botão e tirar fotos, é transformar as imagens em produtos para os seus clientes: álbuns, artigos para decoração, artigos para presente. Você precisa tirar os pixels desses HDs. Isso não é Bitcoin, não vai faturar, você não vai ganhar investimentos com eles guardados dentro dos seus HDs, transforme em produtos e aproveite o final de ano, já que o cliente está disposto a ter alguma coisa, um presente muito especial, e você tem o recurso necessário para que ele consiga transformar essa imagem em algo palpável e que ele possa entregar e fazer a felicidade da família, dos parentes, dos amigos.

E entrando no site da DPix, você vai ver muitos produtos para você transformar sua imagem em algo que que melhore o faturamento da sua empresa. Porque afinal de ano, né, gente, você precisa tirar férias, precisa comprar equipamento novo, trocar sua câmera. E a melhor maneira de você faturar é usando o material que você já tem em mãos, sem precisar fotografar de novo, que são os arquivos que estão aí com você. Então acesse agora o site da Digipix, conheça toda a linha de produtos, faça mostruário, porque o cliente sempre quer ver, quer pegar, e você vai faturar ainda mais Aproveite o final de ano, gente.

Agora é a hora que o dinheiro do cliente vai fazer a sua felicidade. E lembrando que aqui na descrição do episódio tem muitos outros links e cupons de desconto dos nossos apoiadores para você aproveitar e melhorar ainda mais o seu fluxo de trabalho e de repente ter um benefício a mais aí por acompanhar este humilde podcast. Bora falar com o nosso convidado. Até que enfim, Torinho, chegou o dia, cara.

TZTorin Zanette

Quando esse cara me chamou Eu não pensei, eu falei, cara, quando que eu tô dentro? Desmarco qualquer coisa para estar aqui, irmão.

RPRafael Petrocco

Ah, eu duvido que desmarcava esses casamentos chique no estrangeiro para vir aqui.

TZTorin Zanette

Desmarcar qualquer coisa, rapaz. Obrigado pelo convite, irmão, de verdade. Você sabe que eu já falo, pô, me convida para ir para lá, eu me convidava para vir aqui, até que surgiu oportunidade agora. Obrigado pelo espaço, pela oportunidade, sempre bom estar com você. Energia muito boa, vamos para cima, cara.

RPRafael Petrocco

Vamos, bora então, bora, vamos já quebrar um pouquinho do nosso gelo. Eu sei que muita gente fica de olho nos casamentos, principalmente quando a gente possa estar viajando, tá nos rolês aleatórios, né, por causa do nosso trabalho. Mas existe um caminho para chegar até este ponto, né? E para a gente conhecer um pouquinho desse trajeto, desse percurso, eu queria saber, né, como é que a fotografia entrou na sua vida?

TZTorin Zanette

Rapaz, vamos lá, a fotografia ela Ela realmente, ela entrou na minha vida. Não fui eu que fui buscar ela, ela entrou, ela chegou e falou, deixa eu entrar aqui. Eu nunca dei certo em nada assim na minha vida, cara. Trabalhava numa empresa, ficava um tempo, era mandado embora, mudava de emprego. Agora fala, agora vai, mandado embora. Ficava muito tempo no outro, era mandado embora. Ficava 6 meses no máximo numa empresa. E, cara, eu fui entendendo que Eu não era muito bom em algumas coisas assim. E até que no meu último emprego normal, eu tava sentado—

RPRafael Petrocco

normal em que sentido?

TZTorin Zanette

Normal no sentido de das 8 às 6, sabe? Isso que é normal para mim. Normal é começar ali tempo, não essa vida maluca a gente vive, né, cara? Mas aí eu tava nesse emprego e eu tava numa situação que eu falei, cara, agora precisa dar certo, irmão, não tem opção, precisa dar certo. Com 3 meses de empresa, era uma sala um pouco maior que essa aqui, eram 5 mesas, e ali tinham 5 empresas diferentes. O diretor era um cara mega empreendedor, o cara tava fazendo um monte de coisa acontecer, e tinha o meu chefe.

Eles me chamaram para um bate-papo e falou, cara, infelizmente você vai, não vai poder continuar com a gente. E aquilo para mim foi uma porrada muito forte, cara, porque eu falei, cara, Meu sentimento era: eu sou um merda e eu não sirvo para fazer nada. E o mais duro é você chegar em casa e não ser novidade para ninguém, cara, saca? Isso é duro. Mas aí eu fiquei numa situação muito ruim, me sentindo esse lixo, vergonha, senti impotente, senti que você não provê nada.

Eu era jovem, mas eu queria já construir alguma coisa. E quando eu tava nessa situação muito delicada, que hoje tendo consciência, era uma depressão que eu tava vivendo ali. Um amigo meu que era fotógrafo de moda, de casamento, que morava na minha rua, era meu vizinho, me chamou para, para, cara, me ajudar ele. E eu fui carregar luz, cara. Nunca imaginei ser fotógrafo, nunca desejei ser fotógrafo, cara. Em 2005, 2006, fotógrafo de casamento era muito diferente do que é hoje, irmão.

Ainda mais aonde eu vim, na região que a gente veio ali. E aí eu comecei a ir, comecei a gostar, comecei a me empolgar muito, mas não tinha a noção que eu poderia virar fotógrafo. E aí as coisas foram acontecendo. Só sei que eu entrei na faculdade, comecei a fazer publicidade, propaganda, e entrei numa outra agência e tinha parte de foto também, que os caras fotografavam corrida de rua. Era o Ativo.com, era um site de esporte bem legal, que a FotoBanlec faz hoje.

Os caras faziam lá em 2000, mas era uma parada muito mais manual. Mas esse é um outro papo. E aí eu comecei a fotografar casamento, comecei a fotografar coisa de rua, e indo aí eu falei, cara, eu sou fotógrafo, eu sei fazer tudo que esses caras sabem fazer. E é isso que eu quero fazer agora. Aí eu larguei tudo, que não era nada, para realmente virar fotógrafo. Larguei tudo, que não era nada, não era nada, mas a família não apoiou tanto assim. Deixa, deixa aí esse cara aí lá, né?

RPRafael Petrocco

Bom, vamos ser bem sinceros que a partir do momento que você escolheu publicidade e propaganda como formação na faculdade, já a partir desse momento a família não apoiava, certo?

TZTorin Zanette

Mas sabe que isso é duro, porque eu escolhi porque não tinha opção. Eu nunca tive, nunca fui um cara bom de estudo assim, de gostar de estudar. É uma pena, na verdade. Quero que meus filhos sejam muito diferentes de mim. Tinha uma cabeça muito, muito vazia. Enfim, as coisas foram acontecendo. E aí eu decidi trabalhar numa produtora. E eu falo que, cara, olha só como são as coisas, gente. A gente não pode reclamar do lugar que a gente trabalha.

Eu trabalhei por 6 meses nessa produtora e eu fui responsável pela parte de foto desses caras. E lá nessa produtora eu aprendi tudo que não se deve fazer dentro de uma produtora de casamento. Era uma produtora que fazia 5, 6 casamentos por sábado, cara. E a entrega, você imagina como que era, né? Era a visão, o objetivo era ganhar dinheiro, e aí dava muita merda. Só sei que eu saí, eu falei, cara, vou abrir a minha empresa. E eu abri assim do nada, não tinha cliente, não tinha nada, abri, mas fotografava para todo mundo ainda, fazia muito freela.

Resumindo, cara, as coisas não aconteciam. Aí foi acontecendo, tempo foi passando, passando, comecei a morar com a minha mulher. Teve um momento chave da minha vida, irmão, que foi assim, ó, foi um momento chave que eu falo que é o meu all-in, que eu peguei tudo que eu tinha, que também não era quase nada. Isso já era em 2014, irmão. Olha só, comecei na fotografia, eu entrei na fotografia em 2006, isso aí em 2014, cara, 8 anos depois.

Ainda não tinha nada, vendendo almoço para pagar a janta. Eu tinha um sentimento que eu falei, cara, eu sou muito bom no que eu faço. Eu tinha esse conhecimento, essa consciência que eu era muito bom, mas não acontecia, mano. Eu não fechava os meus casamentos, não acontecia. Um casal de primos da minha mulher que morava na Holanda vieram para o Brasil, foram tomar um café em casa, fiz umas fotos na praça lá, tratei, entreguei na hora para ela lá.

Ela gostou muito, falou, pô, vocês podiam visitar a gente lá na Europa, né, na Holanda. E na minha cabeça eu falei, meu irmão, não tenho condição de levar minha mulher para o Guarujá. Na Europa, impossível. Nem esse sonho nem existia, esse sonho. Mas quando ficou uma coisa no meu coração, cara, eu falei: imagina essa mulher de noiva, esse cara de noivo na Europa, na Holanda. Eu nem sabia como era a Holanda. Falei: mas fiquei imaginando na Europa, que animal que seria, cara.

Aí eu liguei para ela, eu falei: Didi, você colocaria um vestido de noiva e uma roupa de noivo? Pô, claro, mano. Eu falei: meu, é isso, cara. Aí eu peguei, liguei para uma estilista, a modista Gisela, da modista. Ela tinha feito o vestido de noiva da Rosângela, que era mãe do Jacquin, que eu fotografei o casamento do Jacquin. Olha que interessante, mas mesmo assim não acontecia, era uma coisa muito esporádica, cara, e não explodiu naquela época ainda.

E aí essa mulher é incrível, mas ela não me conhecia. Eu liguei para ela, cara, ela emprestou o vestido com a vontade da minha voz de fazer o negócio acontecer. Só sei que ela emprestou 3 vestidos. Quando os vestidos chegaram em casa Eu vi o valor dos vestidos, eu não sabia que vestido de noiva era tão caro. R$100 mil em 3 vestidos, cara. Isso em 2014, irmão, era muito dinheiro, cara. Foi, cara, se eu perder essa bolsa aqui, eu não volto nunca mais para o Brasil, irmão.

RPRafael Petrocco

Minha mala pode extraviar, mas a do vestido vai pagar em diamante.

TZTorin Zanette

Peguei, comprei 3 passagens, cara, para mim, para minha mulher e para um cara de vídeo. Levei minha mulher de assistente. Parcelei um monte de vezes. Falei, ó, Dili, você não consegue me vender para uns casais aí? Ela, claro, consigo. Tinha uns amigos dela brasileiros, vendeu para 4 famílias por 150 euros cada um, fazer Insider Família lá, cara. Fechado, 600 euros no bolso. Tinha casa para ficar, carro, tinha tudo. Falei, mano, 10 dias lá, maravilhoso, vou passar de boa, cara.

Fotografando, fotografando, fotografando. Ficamos lá 10 dias fotografando que nem um louco. Quando voltou, a gente voltou em julho de 2014, foi isso. Era, tava o começo da inscrição daquele Award, você lembra disso? Do Wes Waring, sabe? Lembra da Fernanda Suplicy? E era a 4ª edição, cara. Aquilo na época era o Oscar da fotografia no Brasil, irmão. Era muito da hora. E era, e o que que era mais legal daquilo? Não era para fotógrafos o público final, era para noivas.

Então quem tivesse, quem ganhasse ali, teria uma relevância interessante numa época que não tinha Instagram, que não tinha Facebook.

RPRafael Petrocco

Eram blogs de casamento, eram blogs de casamento. Eu lembro que a nossa, teoricamente, né, a hora que você tava tratando casamento, a primeira coisa que você pensava assim, isso aqui vai para um blog de casamento.

TZTorin Zanette

E você tinha vários blogzinhos, né, cara? Tinha muitos, era muito da hora. Essa época era gostosa. E aí só sei que eu me inscrevi em 3. E nessa mesma época a gente morava de aluguel, não tinha nada, nada, nada, mas a gente tinha um sonho de ter um filho. E aí 2 jovens, cara, com a cabeça completamente imatura, por que não, né? A gente não tem nada. Decidimos ter um filho, cara. Minha mulher engravidou do Gael. E eu falo que é o seguinte, irmão, não tem como não falar da minha vida, cara, e não citar Deus no rolê.

É impossível. Os milagres que ele foi fazendo na minha vida assim. E eu aprendi uma coisa com todos os meus filhos, isso que eu vejo as pessoas falando: ah, eu vou me preparar financeiramente para ter filho, eu vou, não tenho uma condição boa para ter filho ainda. Eu entendo a preocupação. Eu entendo, mas eu posso garantir uma coisa, cara: todo filho ele vem com um saco de prosperidade absurdo, irmão. E não é uma coisa que agora eu tenho um filho, eu vou correr mais atrás.

Não, não. O universo ele deixa a coisa acontecer de um jeito que você vai prosperar. Pois com todos os meus filhos, só sei que, irmão, faltando 3 dias, 3 ou 2 dias para o meu filho nascer, minha mulher, a gente tava morando há 30 dias no hospital porque ela teve pré-eclâmpsia. E eu fui almoçar na Paulista, eu tava, não aguentava mais comer comida de hospital. E aí eu vi que eu ganhei primeiro lugar em uma categoria que depois, acho que é legal mostrar a foto aí, na categoria make-off.

E aí eu fiquei feliz num nível absurdo assim, cara. Eram 3 categorias, eram 10 categorias, me inscrevi em 3, né? Fiquei muito feliz, fui correndo para o hospital, minha mulher toda inchada, fui comemorar com ela. E aí eu fui ver com calma que a gente ganhou nas 3 categorias primeiro lugar. E aí eu falei, meu Deus do céu! Eu não tinha nem dimensão do que aquilo significava, mas sabia que ia ser muito bom. As coisas foram acontecendo, veio a premiação, cara, dei entrevista para o programa da Mauri Júnior, foi um negócio fora da minha realidade assim que a gente viveu.

Aí vem uma das histórias mais interessantes e malucas da minha vida. Toca o telefone, Torim, cara, amei seu trabalho, eu queria levar você para fazer meu casamento no Uruguai. Falei, meu Deus do céu, casamento no Uruguai em 2015, cara. Hoje é mais comum isso acontecer, mas mesmo assim é difícil, né?

RPRafael Petrocco

A gente tá falando de talvez 2000 e um pouquinho antes da pandemia que começou os destination weddings, um pouquinho mais, né?

TZTorin Zanette

Depois da pandemia o negócio deslanchou de vez, mas mesmo assim é difícil hoje em dia, tá? Mas entre 2015, cara, falei, meu Deus, fazer um casamento fora do país, a gente vai pagar para ir para lá, né, cara? Que loucura! Rafa, resumindo, refiz o casamento, arrebentamos. Na volta, o noivo me liga: Turem, cara, gostei demais do teu olhar, gostei demais da tua energia, eu quero você na minha empresa fazer umas fotos aqui para gente.

Pô, lógico. Cheguei na empresa do cara, prédio da Brasil Invest ali, reboço com a Faria Lima, cobertura, aquele negócio enorme. Quando eu saio do elevador, vejo o logo da empresa, Neo Intelligence. Falei: Cara, olha, trabalhei aqui, cara. Como assim trabalhou aqui, mano? Pô, trabalhei aqui em 2006, 2007, sei lá. Eu sabia conhecer esse noivo de algum lugar, mas não lembrava da onde, cara. Ele tinha uma fisionomia familiar assim.

Esse noivo, irmão, que me contratou para fazer o casamento no Uruguai, ele era o presidente da empresa que mandou embora, cara, o diretor da empresa que mandou embora. Olha que loucura, cara! O cara me manda embora. Eu ainda falei, brinquei com ele, cara, como é que você não lembra de mim? Acho que foi um dos piores funcionários que você teve aqui, pelo amor de Deus, mano.

RPRafael Petrocco

Essas coisas apagam da memória, seja do chefe como você também não lembrava muito da empresa, também da empresa, cara.

TZTorin Zanette

Aí foi impressionante. Falei, olha como são as coisas. O cara me manda embora porque eu não servia para aquilo, era muito ruim. Anos depois, sem imaginar quem eu era, o cara me contrata para fazer o dia mais especial da vida dele. E tem uma parada que eu fui ouvir do Padre Fábio de Mello uma vez, que ele fala o seguinte, cara: a sua tragédia não é o teu final, é o teu começo. Mano, para pensar nisso, cara. Que loucura! Às vezes acontece coisa na nossa vida que, para mim, quando eu fui mandado embora, eu me senti um merda, me senti um lixo.

Eu não sirvo para fazer nada. Mas aquele não, aquela porta fechada, ela me serviu para levar para um lugar que eu nunca imaginei que estaria, que era fotografando casamento, onde tava encontrando meu caminho. E o cara me contratou fazendo o que eu mais amo fazer, o que eu sou muito bom fazendo. Olha que loucura, cara! Então a minha tragédia, o que aconteceu lá atrás, foi o início de algo que seria muito mais grandioso se eu tivesse seguido aquela vida, que para mim seria uma vida medíocre.

RPRafael Petrocco

Em que momento dessa história você entende que a fotografia de casamento é para você? Porque você tava falando, né, que seu amigo chamava você para ser assistente, e aí você ia, se ele falasse que tinha que se pendurar no teto, você fazia. Você nem sabia o que que é fotografar, mas tava lá para ajudar e ganhar uns R$20 lá.

TZTorin Zanette

É quase isso mesmo.

RPRafael Petrocco

Eu sei porque eu fui, quando eu tinha uns 14 anos, eu fui assistente do do padrinho do meu irmão, eu ganhava R$20 e os docinhos do casamento eu podia comer à vontade.

TZTorin Zanette

Ia feliz, né, cara?

RPRafael Petrocco

Ia feliz porque era R$20, era uma fortuna, e docinho de festa não era sempre que a gente comia, né? Então eu aproveitava os casamentos para aproveitar. E em que momento você falou, cara, de tudo isso que a gente faz, o casamento talvez seja, seja o meu caminho, assim, onde eu mais gosto de estar?

TZTorin Zanette

Não teve esse pensamento na minha vida, tá? De tudo isso que eu faço, isso aqui eu escolhi um caminho. Ele simplesmente aconteceu e eu gostava muito daquilo. O que que acontecia? O cara que eu trabalhava, eu rezava para ele, cara, sentar e deixar a câmera na mesa. Eu não via a hora de falar, mano, assim que ele sentar, colocar a câmera na mesa. E eu tava cansado também, Paulo, mas, cara, eu pegava a câmera e é que nem um louco fotografar pista.

Eu amava, amava isso. E eu sinto falta da galera fazendo isso hoje, cara, não tem isso. Parece que esses jovens, mas é outro papo, os jovens de hoje em dia, pelo amor de Deus, geração abençoada. Mas enfim, cara, a gente pode se aprofundar um pouco nisso porque eu tenho uma experiência interessante nesse ramo de contratar fotógrafos e pessoas e transformar os caras em profissionais, e sobre essa geração. Mas enfim, mas não teve esse momento de chegar, de falar, ah, eu acho que a fotografia de casamento, ela simplesmente aconteceu.

Quando eu vi, já era um fotógrafo de casamento. Eu nunca estudei fotografia, nunca tentei entender como ela funcionava porque eu não queria ser fotógrafo. Eu simplesmente aprendia na prática, eu não sabia falar como que eu fazia, mas uma ideia vem na minha cabeça e eu fazia. E tem um ponto interessante dessa história toda, que as pessoas falam, cara, como é que você consegue ser tão criativo, né? Enfim, trabalhar com flash dessa maneira, ser tão criativo.

Eu comecei fotografando em casa, lugares muito simples, cara, onde o lugar não era nada bonito assim, era muito, muito simples. Eu lembro que a gente ia jantar e comer comida de convidado, a gente tinha que levar uns 3, 4 garfos, que era de plástico os garfos, mano. Era comida de convidado, plastiquinho. Noiva gastava R$3.000, R$4.000, R$5.000, batatinha em conserva, aquelas coxinhas, era pão carne louca, é isso, cara. E aí o que que aconteceu?

Eu sempre tive dentro do meu coração uma vontade de fazer um negócio muito da hora. Eu sempre mergulhei todos os casamentos que eu tava assim, cara, mergulhei de fazer um negócio incrível, tinha aquela energia de fazer. E então eu tava no lugar que não era nada bonito. Então assim, eu precisava usar o flash para esconder o lugar e trazer a evidência só do que eu queria que trouxesse, iluminar só o que eu queria iluminar. E aí eu comecei a desenrolar uns negócios muito diferentes, com que na época era muito diferente, com flash, trabalhar muito com flash, tornar essa coisa criativa.

E a gente criou um desafio dentro da nossa própria empresa que foi muito legal, de fazer a foto final. Isso aí foi muito interessante, cara. Todos os fotógrafos deviam fazer isso, fazer a foto final do casamento para encerrar o álbum. Mas é uma foto que na grande maioria das vezes o noivo não espera receber, saca? Que você criou, que você fez, que eles não esperam receber. Então a gente ficava, nossa equipe, ó, eu tenho uma foto final, eu tenho uma foto final, a ideia é minha hoje.

Aí eu falo, os caras vinham com a ideia, eu passava leite condensado, depois fica melhor. Aí vem com a ideia, a gente ia aprimorando com a nossa equipe, aí pegava o casal no momento de uma hora, no momento da festa lá, e fazia uma foto criativa incrível. Agora você imagina fazendo isso desde 2014, o repertório que você vai juntando. Eu não nasci criativo, A necessidade fez com que a gente se tornasse criativo. O repertório que a gente foi juntando fez com que a gente se tornasse hoje uma galera que fizer, que faz um trabalho mais criativo, que faz um trabalho atemporal também, que isso é uma preocupação muito grande, e que faz um trabalho de pegar a reação das pessoas também, sabe?

RPRafael Petrocco

Então domínio do equipamento também ajuda, né, da técnica, querendo ou não, porque não adianta nada você ser criativo e chegar na hora que precisa fazer a foto que você quer e não conseguir.

TZTorin Zanette

O Rafa, posso te falar um negócio agora que vai contra esse argumento.

RPRafael Petrocco

Vamos lá, o debate.

TZTorin Zanette

Eu, 2022, 2020 veio pandemia, ferrou todo mundo. Criei uma produtora, produtora explodiu, mas eu tava infeliz ganhando dinheiro, chegando nos lugares incríveis, não tava feliz da maneira que tava indo. Saí dessa produtora, criei uma outra junto com outro sócio, também deu errado por conta de cultura. E eu entendi uma coisa: o meu grande desafio não foi encontrar pessoas boas, de profissionais bons, que entendesse técnica, que entregasse trabalho decente.

Foram encontrar pessoas boas de verdade. E aí, o que que eu fiz? Quebrado, lascado, lascado, muito lascado. Falei, cara, vou começar a contratar seres, grandes seres humanos, e transformar esses caras em profissionais. E foi o que eu fiz lá em 2002. Trouxe o primeiro, o segundo, o terceiro, até 6. Cheguei 6 caras que não sabia ligar a câmera, mas não sabia Canon, Nikon, nunca ouviu falar. Você não tem noção, ninguém sabia nada de nada de nada.

Fui indo, fui indo, fui indo, e um pouco depois a pandemia acabou, os casamentos voltaram quinta, sexta, sábado, domingo, e todo mundo aprendeu na raça, irmão, na raça. Não tinha opção, ou você aprende, você aprende.

RPRafael Petrocco

Isso eu concordo.

TZTorin Zanette

Não, não, calma, aí eu vou chegar lá. E o que que eu entendi trabalhando com isso? Agora eu tô com um novo time agora que eu construí de julho para cá, julho do ano passado para cá, tem um ano que eu tô com time novo. Completamente novo, comecei do zero de novo. Primeiro casamento de um JP que tá comigo hoje, ele não sabia, e não saber nada de câmera, cara, nada, nada, nada. Eu tava no casamento no Rosewood e eu faço uma entrega que tudo mundo a gente tá fazendo hoje também, aquela entrega de tempo real com iPad, sabe?

E o que que esse cara era? Ele é um cara extremamente comunicativo, trocava ideia com todo mundo, o cara sabe falar com todo, com todo, com qualquer tipo de público. 20 anos, super novo, mas muito desenrolado. Cheguei e falei assim, vem cá, montei uma luz, tá, coloquei, posicionei. Tinha um cara do nosso aqui, posicionei o cara, falei, ó, clicou, apertou o botão aqui, vai disparar a luz ali. É isso aqui, enquadramento. Pega na câmera.

Ensinei ele pegar na câmera certinho. Pegou, pegou. Olha a foto aqui, vê a foto, tá. Agora é o seguinte, esse aqui é o enquadramento aberto, meio corpo fechado. Faz aí em mim, mano. Não, ó, assim, assim, assado. Juro para você, 3 minutos. Eu cheguei assim, assim, assado. Ele falou: não, beleza, aprendi. Eu acho que é isso. Falei: então você que vai fazer o retrato hoje, convidados. Primeiro dia do cara, ele não sabe ligar uma câmera.

E sabe por quê? Porque eu entendi, a técnica é importante, beleza, quando você souber, beleza, perfeito. Mas mais vale um coração que quer fazer a parada acontecer do que o cara ter conhecimento de técnica. Porque aquele cara que não sabia nada de técnica, ele fez uma entrega absurda. Sabe por quê? Porque ele gerou uma experiência nos clientes.

RPRafael Petrocco

Sabe por quê?

TZTorin Zanette

Porque o cara sabe lidar, o cara sabe falar, o cara sabe dirigir, o cara sabe entrar, o cara sabe sair.

RPRafael Petrocco

Eu concordo.

TZTorin Zanette

Você coloca qualquer outro fotógrafo ali para fazer um trabalho, que o cara, mano, o cara entende de tudo, como funciona o parafuso do flash, mas se o cara não sabe trazer uma experiência além de entregar um trabalho, cara, de nada serve para mim, cara. Então assim, é importante, claro que é importante, sem dúvida que saber de técnica é importante, Porém, eu acho que assim, ó, o coração que tá disposto a fazer a parada acontecer, para mim, vale muito mais do que um cara que é experiente no mercado, mas ele tá lá para ganhar o cachê no final do trabalho dele.

RPRafael Petrocco

Não, eu concordo com você e tô totalmente de acordo, mas o que eu queria dizer na verdade é: quando você oferece esse tipo de trabalho, por exemplo, onde vai ter o retrato do convidado, ela precisa estar feita bem feita, porque não adianta nada ele ser super comunicativo e não ter todas as fotos saírem estouradas e você não conseguir resolver. Mas ali não tem erro, né? A parte, não, então Mas teoricamente a parte técnica que eu quero dizer é, quando você— eu gosto muito de usar o exemplo do Ayrton Senna porque eu acho que se encaixa muito assim naquela corrida que ele ganha com a 6ª marcha.

É óbvio que ganhou porque ele é o Ayrton Senna e muito provavelmente outros pilotos não conseguiriam terminar aquela corrida, tem um destino, porque existe coisa. Mas ele ganhou dirigindo com a 6ª marcha porque ele conhecia o carro que ele dirigia. Porque ele sabia a hora de frear, a hora de acelerar com a 6ª marcha. Então quando a gente se propõe a fazer algo criativo, de por exemplo tirar o casal para fazer a última foto do álbum, a gente precisa ter o domínio para tirar aquela ideia da cabeça, para saber como executar.

Porque você não vai ter 15, 20 minutos de tentativas e erros para ver se dá certo, cara.

TZTorin Zanette

Mas eu não tinha esse domínio, Rafa. Eu fui entender um pouco mais de fotografia a fundo, a técnica mesmo, há pouquíssimo tempo, cara. E eu não sabia como fazia, que potência que usar. Eu ia testando, ia fazendo. Então assim, você tava com equipe, não contava com a equipe, lógico, você tava com a equipe. Mas assim, ó, que nem você falou, Ayrton Senna, sem dúvida que ele ganhou porque ele tinha uma técnica absurda, tinha um conhecimento absurdo.

Mas o que, na minha opinião, fez ele ganhar não foi conhecimento técnico, foi o coração dele, foi força de vontade. Aí que tá o ponto, as pessoas eu acho que tem que ter mais esse tesão de viver, de fazer. Não é sempre que eu falo, cara, eu falo, eu tenho uma das fotos que a gente ganhou o prêmio lá, que foi feito na França, é aquela viagem que eu investi, tirei dinheiro do meu bolso para fazer o negócio acontecer. A última foto da Fine Art, essa história, essa história dessa foto é muito louca porque eu tive um aprendizado absurdo nessa foto, cara.

Seguinte, acabou, acabaram a sessão de fotos, último dia, a gente ia embora Aquele dia da França de manhã, dá umas 3 horas até a Holanda ali de carro, e à noite a gente ia voltar para o Brasil. Então à noite do dia anterior a gente finalizou todo o trabalho. Eu fui andar com a minha mulher na rua, tem um tempinho com ela em Paris, né, mas tava tudo fechado. Mas enfim, fui dar um rolezinho com ela e eu passei do lado do Louvre e saiu um vento de baixo para cima assim do metrô, cara.

E na hora eu já falei, minha mulher, pelo amor de Deus, mano, não enche o saco dela, pelo amor de Deus. A gente já tá 10 dias enchendo o saco dessa mulher, cara. Ela tá fazendo um favor para a gente. Foi, não, amor, tá bom, tá perfeito. Fui para casa no dia seguinte, na manhã, falei, Dí, vamos ver só mais uma foto, mano. Eu fui, ela, cara, ela não escovou o dente, irmão. Ela colocou o vestido, não penteou o cabelo, só prendeu o cabelo, não passou maquiagem, só foi, fiz essa foto, voltamos.

RPRafael Petrocco

Essa foto mesmo.

TZTorin Zanette

E essa foto, ela tem um negócio que eu falo, que existe um demônio na nossa mente que ele tem nome e sobrenome, que, ah, tá bom. Esse ah, tá bom, ele impede tanta gente de fazer o negócio acontecer diferente, é tanta gente crescer, de evoluir. Porque o meu trabalho ali tava perfeito, irmão. Eu tinha feito 10 dias de foto naquele lugar, fiz na Holanda, em algumas cidades na Holanda, em Paris. Imagina só uma noiva só para você ali, que loucura!

Eu fiz um trabalho absurdo, tava incrível. Mas eu falei, cara, precisa fazer mais essa, precisa fazer mais essa. Eu não ouvi esse ah, tá bom. Que ia me parar. E eu falo que eu fui premiado não porque a foto ficou bonita, porque eu não desisti, mano, porque eu falei: eu quero fazer a mais. É o over delivery que a gente sempre tenta entregar. E as pessoas, elas param no tá bom, ou param no tá bom que tá na sua própria mente, ou então nas pessoas que estão perto de você.

As pessoas estão cansadas, casamento cansa, evento cansa. Ah, meu, que essa porra, que tá bom, cara, para com isso, guarda essas coisas, vamos embora. Quantas vezes eu já ouvi isso, cara, e quantas vezes eu dei ouvido para isso. Então hoje minha equipe, mano, se alguém falar tá bom, agora que a gente vai ficar e vai fazer, mano. Agora que a gente vai ficar de ruimidade. Vamos ver onde vai, isso vai dar. Quantos casamentos a gente levou, casamento tinha acabado, já aconteceu, não foi uma vez, cara.

Casamento acabou 4 e pouco da manhã e a gente tava lá em Milagres. Aí já tinha desligado tudo, guardado tudo na mochila já, cara. Quando ele tava saindo, o sol começa meio Tipo, vai nascer daqui meia hora. Tinha uns convidados ainda, os noivos, falou, mano, vai nascer o sol daqui a pouco, vamos segurar um pouco mais, fazer umas fotos no nascer do sol. Cara, todo mundo pegou coroa, desceu ali para praia, ficamos lá trocando ideia, saiu o sol, fizemos umas fotos absurdas, cara, absurda.

Então é sobre isso, é sobre você tá lá, entregar algo sempre a mais, fazer o over delivery sempre a mais. As pessoas, nossa, mas por que que vocês, como é que vocês chegaram até aqui? Não foi porque eu tenho técnica, não foi porque eu tenho bom relacionamento, que eu não tenho bom relacionamento com o mercado, mano. Não sou o cara que fica ali, nunca fui assim. A gente não para, a gente não para dentro do casamento, a gente não para.

A hora que o fotógrafo tá descansando, geralmente é a hora que eu tô selecionando foto de trampo, preparando uma prévia, já adiantando a entrega para semana seguinte. Você começou falando aqui da Gpix, falando de álbum. A gente vende muito álbum, cara, e eu vejo muitos fotógrafos que não vende álbum. Eu falo, mano, como é que você não vende álbum? Como é que você não vende álbum, cara? Não tem como você não vender álbum. Não, mas assim, ó, as pessoas não têm noção o que eu ganho de álbum.

Eu pago todo o meu evento, ainda tem um bom lucro por cima disso, cara. Ou seja, 100% do meu contrato ainda limpo para mim. Mas não é sobre isso, é sobre você ter o seu trabalho na casa do cliente, onde ali vai ser o teu marketing, onde você vai vender. E tem um segredo que eu acredito que ninguém faz, eu acho que, sei lá, pouquíssimas pessoas devem fazer, que eu entendi desde o meu princípio, desde quando eu criei empresa na produtora que eu trabalhava.

Eles faziam o seguinte: vendia um álbum com limite de foto, certo? Sei lá, cabe 60 fotos, mano. Os cara tuxavam 200 fotos no álbum porque eles ganhavam dinheiro por foto extra. Eu achava um absurdo isso de errado, cara. Primeiro que o álbum vai ficar horrível, e segundo porque a noiva, coitada, quando ela tá fechando contrato de 60 fotos, ela acha que um álbum dela, casamento dela, vai caber num álbum de 60 fotos, e nunca cabe no álbum de 60 fotos.

E o editor ganhava comissão por venda. Então, cara, se eu pudesse sacar 400 fotos no álbum, ele ia tacar, mano. E aí o que que eu fiz pensando nisso também? Eu falei, quer saber? E tinha um lado que atrasava muito, esperava a noiva escolher as fotos. Cara, isso não faz sentido. A noiva nunca vai sentar para escolher as fotos. Por isso que muita gente não vende. Então, primeira coisa, a única dica que eu quero dar e compartilhar com os fotógrafos para começar a vender mais álbum, para todo mundo ganhar dinheiro e para o cliente ter um negócio muito da hora na casa dele, todo mundo fica feliz, Não espera o noivo escolher as fotos.

Monta o layout e manda uma prévia digital para ele aprovar. Só isso, cara, acabou. E seja rápido. Então eu tô no casamento trabalhando que nem um maluco, editando foto, já preparando para segunda-feira, onde metade do casamento já tá selecionado. E aí o meu editor, ele chega, termina de selecionar, trata quarta, quinta-feira tá pronto, sexta-feira o layout tá pronto. É uma entrega assim muito rápida, cara, um processo muito rápido.

Agora a gente tá testando uma ferramenta de ar lá que eu não tinha usado ainda, que acho que vai ficar mais rápido ainda. Mas enfim, é sobre você não parar, é sobre você não aceitar que, ah, cara, eu tô deixando minha mulher, tô deixando meus filhos em casa todo final de semana, 20 anos eu faço isso. Já que tem que deixar minha mulher, já que tem que deixar meus filhos, que seja para fazer algo incrível, irmão, para fazer valer a pena, para fazer valer a pena.

Porque não vai fazer sentido sair de casa para fazer algo mais ou menos, deixar minha mulher, meus filhos em casa, entendeu?

RPRafael Petrocco

Não, e a gente fala de entrega rápida, o pessoal fica bravo às vezes comigo porque eu às vezes comento dos aniversários infantis que eu faço, que eu faço aniversário num dia, no dia seguinte, antes do meio-dia, já tá lá, né?

TZTorin Zanette

Eu vi, você até postou essa semana sobre isso.

RPRafael Petrocco

E aí é um rebuliço, porque daí o pessoal briga comigo, fala que não devia, que não sei o quê, e pergunta se eu uso inteligência artificial. Nesse caso do aniversário infantil, não.

TZTorin Zanette

A galera fala que não devia?

RPRafael Petrocco

Não devia.

TZTorin Zanette

Mentira, mano.

RPRafael Petrocco

Verdade.

TZTorin Zanette

Você tá falando sério?

RPRafael Petrocco

Sério.

TZTorin Zanette

E ficam bravos comigo porque elas não conseguem, não tem força de vontade para fazer o negócio acontecer, e aí não quer que ninguém faça.

RPRafael Petrocco

Eu entendo que a rotina e as prioridades de algumas pessoas são diferentes, mas eu acho que o que vale— e aí eu uso também um pouquinho dessa tática, que é, eu mesmo, cliente que não contratou álbum, eu faço layout, mando, fala: olha, poxa, tava olhando aqui as fotos do aniversário, achei incrível, puta, fiquei tão chateado de não ter o álbum. Como é que não, né? Fiquei, tava um tempo, e escreva assim, tava com um tempinho livre e montei aqui, dá uma olhadinha.

Aí eu parcelo para você, faço em quantas vezes você precisar e tal, não sei o quê, mas dá uma olhadinha. E cara, assim, normalmente as pessoas mudam 3 fotos, 4 fotos e compram, que normalmente é a do parente que eu esqueci, que eu esqueci não, que eu não pus, porque cada um tem um parente que mais gosta, o parente que não era para estar lá, mas enfim. Daí a pessoa fala, aí faltou só uma página com meus pais, meus sogros e minha irmã.

E adiciona e tá resolvido. E só faz o pagamento através do link, entendeu? Então eu acho muito necessário essa questão, porque por mais que a gente queira, não queira que as pessoas entendam que a fotografia é um pastel, né, instantâneo, que aí fotografou, tá pronto, que a gente sabe que tem uma curadoria, que existe um tratamento, a gente precisa entregar porque ela ainda tá no no calor do negócio. Quem a gente tava conversando, você conheceu o Sam, que mora nos Estados Unidos, e a gente sabe que o americano é super comercial.

Por que que as lojas dentro dos parques temáticos são nas saídas do brinquedo? Porque você tá com adrenalina lá em cima e você quer uma recordação desse, desse brinquedo, do parque que você tá, e você vai comprar ali. Se a loja for afastada do brinquedo, adrenalina vai baixar no caminho e você vai olhar, passar na frente da loja, falar: é isso, tá bom, deixa para depois. E acaba não comprando.

TZTorin Zanette

Exatamente, cara, é uma boa analogia que você fez. E é muito disso mesmo. Mas você falou uma coisa que é interessante mesmo, cara. Às vezes a rotina do cara, e pô, eu tenho gente que trabalha comigo, então pode ser que seja mais fácil isso, mas eu acho que as pessoas têm que mudar o senso de prioridade delas, que isso pode, se ela colocar isso como prioridade na vida dela, isso pode encurtar um caminho precioso que ela tem nesse segmento, nesse ramo de fotografia.

Então acho que as pessoas precisam justamente isso, dar mais prioridade a fazer essa entrega, porque os tempos mudaram, cara. Eu fiz o casamento Medina, aí eu esqueci de postar a sequência que eu faço nos stories para deixar nos meus destaques. E eu postei essa noite. Ele casou, não fez nenhuma semana.

RPRafael Petrocco

Ele, que esse cara casou quinta-feira, não, amanhã faz uma semana.

TZTorin Zanette

Amanhã faz um, cara, tem 6 dias que esse cara casou. Eu postei ontem, não marquei ninguém porque eu falei, mano, passou. Eu só queria ter no Stories para deixar nos destaques, por isso que eu postei. O cara casou há 6 dias, passou, mano, passou, já era. E aí, o quanto que a gente deixa de vender se a gente não faz pelo menos uma prévia para noiva postar e muitas vezes marcar a gente naquilo. Ou então para noiva postar e falar, cara, vou casar, quem que foi seu fotógrafo?

Essas fotos tão rápidas, já estão aí desse jeito, com esse nível de qualidade. Cria essa prioridade de colocar, fazer uma entrega extremamente rápida, cara. Acabou. Esquece aquela ideia de, ah, pastel, sou artista. Isso é fotógrafo de casamento, não pode ser artista, cara. Eu tenho uma bronca. Fotógrafo de casamento não tem que ter a mentalidade de artista. Você quer ser artista, você vai trabalhar em outro ramo, mas não, você não pode trabalhar um casamento pensando que você é artista.

A gente tá ali para servir nosso cliente, cara, o que for melhor para ele. Uma noiva me mandou mensagem semana, Torim, cara, eu queria falar antes com você porque eu tô querendo contratar uma equipe e fazer storymaker. Eu queria saber como que é isso para você, se tudo bem para você. Eu falei, eu falei, Giovana, Eu penso no seguinte: como é importante isso para vocês ter mais uma equipe pegando um outro olhar? E o que que é melhor é um outro, é um olhar de bastidor, coisa que não existia.

Então eu que sou noivo, eu vou ter o olhar do fotógrafo, tá dirigindo a cena, o filme ali que tá fazendo, e mais um olhar pegando de longe, pegando de fora. Então assim, quem sou eu para falar vai atrapalhar o meu trabalho, vai atrapalhar o meu dia? Óbvio que tem alguns desafios, mas isso faz parte, cara.

RPRafael Petrocco

Isso faz parte de casal, nem é tanto problema. Problemas são os storymakers dos fornecedores.

TZTorin Zanette

Mas, ô Rafa, posso falar? Eu entendi que não tem como lutar contra, irmão.

RPRafael Petrocco

Assim, aí a gente precisa se adaptar.

TZTorin Zanette

Aí você fala, pô, eu vou sair de casa para me estressar? Eu vou sair de casa para arrumar confusão? Eu vou sair de casa? Eu quero sair de casa para tornar o dia, meu dia, da minha equipe, de todo mundo mais leve, porque já é pesado sair de casa. Então assim, a assessora tá com o sol em meio aqui, beleza, eu sempre troco uma ideia antes, mas não muito na boa assim. Várias vezes eu tive problema de chegar para o cara, falei, irmão, então aqui até aqui é seu limite, sabe?

Mas assim, ó, numa boa também, sem causar estresse. Tanto é que nunca teve discussão com essa galera assim. Então a gente tem que entender que a gente não é artista, irmão. A gente, nós somos, nós estamos ali para servir não só o casal, mas todo mundo tá em volta. Você vai com essa mentalidade de servir, tudo fica mais leve, tudo fica mais tranquilo. Você soluciona problema que nem seu é, mas de uma certa maneira ajuda a tornar o dia mais leve.

A minha fotógrafa, esse tempo atrás, estava no making of comigo, o vestido da madrinha arrebentou. Ela amarrou o vestido da madrinha com fio dental. Ela entrou e casou, mano. Estourou o vestido atrás, mano, tinha que fazer. Era obrigação dela fazer isso, mano. Eu falei, não, mano, foca nela aí, ajuda ela aí, que eu deixo que eu cuido aqui. Amarrou o vestido com vinho e tal, toma, casou perfeito, não quebrou, arrebentou nada. Então é sobre você tá lá, cara, para vamos fazer o negócio acontecer.

Ou é tão gostoso, não sai de casa, fala que delícia, vou encontrar com o Rafa lá, vou encontrar com assessora legal, vou encontrar com o pessoal da bike, que eu tenho amizade todo mundo ali. É muito mais gostoso, cara, é muito mais leve.

RPRafael Petrocco

Uma coisa que que você tá falando, que normalmente eu aplico e tento passar isso quando eu falo sobre, sobre ser freelancer, né? Que a gente falou da técnica e tal. Eu falo que de todos os requisitos que um freelancer precisa ter, a técnica talvez seja o quarto ou quinto requisito, né? Os primeiros são caráter, compromisso, né? Comprometimento com o trabalho, postura, ética, que é super importante, que é muito importante. E tem uma outra coisa que às vezes talvez não seja tão considerada assim, que as pessoas não prestem muita atenção, mas que no final faz a diferença, que é a proatividade.

Que às vezes não é o estar fotografando, você tá fazendo o melhor para o casamento, mas às vezes segurar um flash para o primeiro fotógrafo, às vezes pegar uma bebida para o casal que tá na pista lá no bar. É isso, né? E que isso muda muito. Uma coisa que eu faço é super boba durante o casamento, mas que funciona bastante Eu ando com LED no bolso, apesar de não usar o LED para fotografar.

TZTorin Zanette

Olha que animal!

RPRafael Petrocco

Eu ando com LED no bolso. E aí quando eu vejo que tem um grupinho que vai fazer uma foto com celular e não tem a luz, porque ou a luz do palco é mais forte ou que tá muito escuro, eu acendo o LED.

TZTorin Zanette

É isso!

RPRafael Petrocco

Todo mundo faz assim, ó, né? E agradece por eu ter ligado a luz. E aí a hora que eles terminam de fazer a selfie, eu faço só um stopzinho assim com a mão, eles ficam esperando para eu poder fazer a foto. Então assim, são pequenas atitudes durante o evento que faz uma diferença, que a galera curte o seu trabalho, que te acompanha. Vira e mexe eles me puxam para dentro da bagunça, né, de abraçar e entrar no meio da roda, de pular no meio da pista, porque você tá ali não é só para registrar o que tá acontecendo, mas para ajudar que as coisas aconteçam, né, de proteger o lugar quando quebra um copo, de chamar uma coisa.

TZTorin Zanette

O que que você ganha mais por isso?

RPRafael Petrocco

Nada, uns banhos de uísque às vezes.

TZTorin Zanette

Mas então, isso, isso que eu acho incrível, cara, porque as pessoas têm mentalidade, ah, mas não tô ganhando para isso, eu não ganho. Cara, se você pensa assim, cara, pelo amor de Deus, tenta entender que esse pensamento vai tornar você uma pessoa extremamente medíocre. Agora, quando você faz isso, você não ganha nada, mas você ganha um sorriso, você ganha uma energia, você ganha um abraço, você ganha um Você ganha um feedback da noiva que mandou para o fotógrafo que contratou você, falou: pô, cara, os seus fotógrafos, os caras são incríveis.

O cara trouxe um LED lá, o cara fez uma foto para mim, o cara, que proatividade! Que é sobre isso, irmão. Seu coração não se alegra? Não é um negócio gostoso no seu coração? Que da hora! Não faz você ficar mais feliz no momento que você tá trabalhando? É sobre isso, cara. É tão simples, mano. É tudo simples. É tudo simples.

RPRafael Petrocco

A gente que complica. Falando em complicar, muita gente quando olha, né, aonde a gente chega, onde a gente chegou, fala assim: ah, mas para eles é fácil, né? Tá trabalhando com casamento de alto padrão, de onde tem dinheiro faz dinheiro. E talvez muitos não conheçam a sua história do começo, digamos assim. Da onde você vem? Quais foram os principais obstáculos Para você hoje poder fotografar esses casamentos de alto padrão, de estar na mídia fotografando gente famosa, gente com dinheiro? O que foi mais difícil para você superar para chegar onde chegou?

TZTorin Zanette

Acho que todo mundo que está começando tem uma esperança de alguém abrir a porta para você, de alguém chegar e falar, pô, pegar na sua mão, vem para cá, eu estou aqui já, vou te ajudar. Todo mundo acho que tem um pouco disso, né, dessa vontade de alguém vir lá e fazer algo por mim assim. E mas isso não acontece, né, cara, na grande maioria das vezes. Então é algo que você tem que fazer por si só. Tanto é que para eu conseguir chegar nos grandes assessores de São Paulo, não é que você chegou, fez um casamento, entregou e é isso.

Não funciona assim. Você tem que martelar, cara. Nenhum, nenhuma assessoria de casamento que eu bati, que a noiva que me levou, fechou contrato com ela, eu criei relacionamento já na área de cara e o negócio foi acontecendo. Por isso que é muito cruel o início para quem tá começando a fotografar casamento. Pelo menos era no meu tempo, né? Hoje tá um pouco mais acelerado o processo por conta da rede social. Então você pega um casamento de uma influencer aí que ela tem alguns poucos seguidores, já começa a dar uma acelerada, coisa que não existia antes.

Isso é bom ou ruim, né? Porque esse cara que cresce muito rápido, ele pula alguns processos e acaba batendo a cabeça e fazendo, cometendo alguns erros, enfim, no meio do caminho, coisa que todo mundo comete. Mas, cara, Os meus, acho que o meu maior obstáculo foi fazer uma entrega muito boa, saber que era muito bom, mas não conseguir atingir o que eu gostaria de atingir. O que me acelerou foi eu ganhar aqueles prêmios, que aí cheguei.

Mas mesmo assim, eu ganhei o prêmio em 2015, a gente foi realmente deixar a agenda um pouco mais cheia em 2017. Você faz um casamento, aí desse casamento surgem outros convidados que vão casar. Mas é um ano mais um ano. Então o negócio, em 2017 a gente começou a enxergar o volume de trabalho. Em 2019 explodiu. Mas aí você para pensar, pô, comecei em 2007, 2007 ali eu fui começar a ter um volume legal na minha agenda em 2017, cara, de casamento meu.

RPRafael Petrocco

10 anos depois também nem sempre significa dinheiro no bolso, né?

TZTorin Zanette

Não, ali já era um pouco, já tava pegando uma galera mais legal assim para o que eu cobrava antes, pelo meu nível de vida já tava funcionando bem. E teve aquela experiência que a gente gravou, mas eu não vou entrar aqui, todo mundo que assistiu e viu o Reels aí do Papo de Papai.

RPRafael Petrocco

A gente vai gravar aqui também porque tem gente que não viu o Reels, mas eu ia perguntar justamente sobre isso, porque às vezes a gente tá preocupado aonde a gente quer chegar, mas não se prepara para como quer chegar, né? Não adianta ter um trabalho bom se talvez o preço que você cobra não justifique o seu trabalho.

TZTorin Zanette

Essa experiência foi radical na minha vida pela mudança. Eu cheguei num casal que foi pela uma assessoria muito incrível assim de São Paulo, e ela teve um coração muito legal ali comigo, cara. E aí ela me indicou para esse casamento, e eu não tinha um escritório decente para receber aquele nível de cliente. Se eu falasse para eles irem lá no Grajaú, eles não iam chegar na metade, cara. Grajaú, para quem não sabe, periferia de São Paulo, é perto ali, depois, depois do Autódromo de Interlagos, bem depois ali.

E aí, cara, essa noiva não ia para lá, e eu tinha esse discernimento que ela não ia para lá. Então o que que eu fazia quando o cliente era um pouquinho melhor? Eu marcava em Starbucks, levava meus albinos, a mala, levava um computadorzinho lá, um Samsung que eu tinha na época, e sentava lá no Starbucks e fazia reunião casal. E nessa ocasião tava os noivos e os pais do noivo. Eu, cara, a gente terminou reunião, o pai do noivo falou assim: onde é que é o contrato que eu assino?

Eles amaram. A entrega, amaram tudo assim. A minha alegria, porque era o primeiro casamento da hora que eu fechei, o casamento de portfólio, casamento de portfólio mesmo. Falei, cheguei, sabe aquele papo? Cheguei, cheguei, era isso. Aí beleza, onde que eu assino? Que eu falei, cara, fiquei feliz demais. Aí conversando com mensagem com o pessoal da assessoria e tal, e nada e nada, 1, 2, 3 dias, nada, uma semana. Eu falei, e aí, meu?

Ela falou, Tony, vamos conversar. Falei, então, cara, eles não fecharam com você. Eu falo, mano, o pai do noivo perguntou onde é que assina o contrato, o que que aconteceu. Aí ela me chamou no escritório dela, cara, fui no escritório dela, falou, então eu vou te falar, ela tinha o seu orçamento e tinha um orçamento desse cara aqui. Esse cara aqui era o dobro do seu trabalho, eles gostaram mais de você, mas fecharam com ele porque ficaram inseguros porque você cobrava metade dele.

Aí você imagina a cabeça de um cara Quando você chega, abençoada não fecha com você porque você é muito barato, cara. Ô, que paulada que eu tomei aquele dia!

RPRafael Petrocco

Fosse mais caro, você ia até entender. Beleza, podia ter pedido um desconto, dar um jeito.

TZTorin Zanette

Mas ela gostou mais, ela queria, toda uma família inteira queria. Mas é óbvio, né, cara, a percepção de valor ali. Falou, pô, é o dia do meu casamento, eu não posso errar, eu vou onde é mais seguro, eu não vou apostar, eu vou onde é mais seguro. E ali eu entendi, eu lembro que eu subi 4, 4,5, acho que eu cobrava 4,5, eu fui para 8,5, 9, alguma coisa assim. E para você entender isso, né, não vou dobrar o meu orçamento, cara, como é que vai ser isso?

Porque eu precisava pagar conta, se não fechasse nada, fechar. Mas aí, cara, eu entendi que ali era realmente o momento e as coisas começaram a acontecer, comecei a fechar mais casamento e a gente foi chegando. Então você entendeu um ponto certo que é difícil ter esse discernimento de entender onde é a hora que você começa a cobrar mais ou menos, enfim.

RPRafael Petrocco

E você fala do seu, do seu, da sua experiência com a produtora, que tinha muito essa questão do volume, né, do tipo, ah, fazia muitos. E é óbvio que quando você tem 10 casamentos no final de semana, a primeira equipe é ótima, a última nem tanto, a última que fechou nem tanto. A gente sabe que chega num nível de trabalho, numa demanda para você que acaba Você não tem mais agenda para atender todo mundo que gostaria do seu trabalho.

E você já falou que treina a equipe para poder cumprir ali com os contratos, poder atender o máximo de pessoas. Como é o trabalho com a equipe? Porque a partir do momento em que você não tá mais presente, o cuidado talvez esteja que ser muito maior ou até mesmo dobrado para que o seu nome seja bem representado. Como é que você equilibrou isso de não ter mais o trauma de ter aqueles 10 casamentos em um trabalho porcaria para conseguir fazer, cara, vocês vão assinar meu nome aqui, então a responsabilidade aqui é maior do que trabalhar comigo no outro casamento?

TZTorin Zanette

Cara, isso, esse processo acelerou de um ano para cá. Eu já tinha uma experiência de fotografar 2, 3 casamentos por data. Mas era pouco. E agora a gente acelerou esse processo porque, primeiro, que eu vi necessidade, mas não foi isso que fez eu tomar a decisão, foi sentir segurança no que eu tava entregando. Porque eu sabia, eu sei que um erro desse pode custar 20 anos de trabalho. A gente sabe como é que funciona o mercado, né?

RPRafael Petrocco

Se uma noiva posta alguma coisa errada, cara, se você não souber lidar com aquilo, entender, inclusive nesse momento em que a gente tá gravando, já aconteceu É muito triste, né?

TZTorin Zanette

Porque é muito triste. Mas na minha visão, fazer um parênteses sobre isso aí, é um aprendizado para todo mundo, cara. Porque assim, ó, todo mundo sabe quem a gente tá falando, obviamente. É muito fácil a gente tá aqui no nosso, na nossa cadeira, e chegar para um cara e falar: você errou, você faz aquilo. Tudo bem, o cara cometeu alguns erros, não tô tirando nenhum erro que ele cometeu, mas é muito difícil, cara, também estar na posição que essas pessoas estão e você não cometer erros.

Você tem que ter uma cabeça muito boa para você não se perder no meio do caminho, cara, porque esse mundo é muito, é um mundo de ilusão, irmão. Se você não tem uma cabeça boa, um pé no chão de entender aonde é o seu lugar, você se perde. Que na minha opinião foi o que aconteceu com ele, sabe? O que é muito triste, mas é, não dá para a gente chegar e julgar o cara, porque será que se a gente não tivesse no lugar dele, muitas pessoas que julgaram o cara talvez não teriam cometido talvez alguns dos mesmos erros que ele cometeu?

RPRafael Petrocco

E eu que a gente comete, a gente comete, independente.

TZTorin Zanette

Quem tá mais em cima é mais visto, né?

RPRafael Petrocco

Então é mais julgado, viralizando. Enfim, no meu ponto de vista, se é que a gente pode tirar algum aprendizado disso tudo, e que eu bato na tecla, é comunicação. Eu acho que o maior erro, eu acho que o maior erro nesse caso foi comunicação, porque se desde o começo tivesse falado, olha, aconteceu isso, isso e isso, vai atrasar por conta disso, disso, disso, e vai funcionar assim, assim, assim, vou resolver dessa forma, teria mudado tudo, seria uma outra abordagem, teria um outro resultado.

Talvez nem existisse esse vídeo, né? A noiva teria entendido e teria, por mais que ela teria se frustrado, assim como a segunda noiva por ter trocado a data também teria acontecido de outra forma o contato. Se tem uma coisa que, cara, eu prezo muito isso Talvez até quando eu trabalhava no estúdio que eu, que era do Guilherme Rigetti, né, que era uma referência lá em Campinas, vários momentos eu via que alguma coisa ia dar errado, eu falava para secretária, falei, ó, manda um email para noiva, avisa que vai atrasar um pouquinho porque o volume de tratamento tava alto.

TZTorin Zanette

Cara, às vezes é uma barreira tão grande para os fotógrafos, mas uma mensagem assim, cara, vai atrasar mais 10 dias, me perdoa, E cumpri.

RPRafael Petrocco

Também não adianta você ficar todo dia mandando, todo dia mandando, que vai atrasar mais 10 dias. Mas assim, o importante é você evitar a interpretação errada. Olha, atrasou porque nesse final de semana a gente teve 10 casamentos.

TZTorin Zanette

Sabe por que a noiva fica doida e faz isso? Porque ela se sente, ela sente que foi tratada com má-fé. Esse é o problema. Às vezes o fotógrafo tem situação que nem tá agindo de má-fé, mas vai conduzindo de uma maneira que parece isso, e aí você toma porrada.

RPRafael Petrocco

E é o famoso: ai, quando antes do casamento era todo cheio de dedos, cheio de— era, respondia todas as mensagens. Depois que passou o casamento, não sou mais ninguém.

TZTorin Zanette

Isso é mais, isso é muito comum. Então por isso que eu falo, tá acontecendo ali, é uma lição para todo mundo. Ao invés de olhar e apontar o dedo, onde é que eu tô errando? Onde é que eu posso melhorar? O que que eu posso aprender com isso? Eu sou artista, sou garçom?

RPRafael Petrocco

Não.

TZTorin Zanette

E é isso, eu falei com o Sam sobre isso, te falei sobre isso?

RPRafael Petrocco

Não sei.

TZTorin Zanette

Não, eu tava, que eu falei agora, eu tava com o Sam agora conversando antes de começar aqui, ele tava indo embora, a gente foi no banheiro junto, começamos a bater um papo, entramos nesse papo que eu coloquei na minha última palestra que eu fiz, cara, que eu cheguei a essa conclusão. Eu fiz uma palestra para o mercado de casamento, assessores, e aí eu coloquei lá assim, ó, uma pergunta: você se acha na sua vida, né, um artista ou um garçom?

Aí, cara, as pessoas começaram meio que bugar assim, e eu expliquei a diferença de um artista e para um garçom. Eu, por um momento da minha vida, eu me iludi, eu acreditei em tudo que as pessoas falavam de mim. Você é um artista, você é incrível, seu trabalho é maravilhoso, meu Deus, olha essa foto, olha isso. E quando você começa a acreditar isso, inflar um ego, que é uma ilusão absurda, você começa a se achar muito mais do que você realmente é.

E eu tropecei, cara, eu caí nessa época. E foi uma lição muito importante na minha vida, porque eu falei, cara, eu sou, eu não sou nada, eu não sou mais importante do que ninguém, eu não sou artista, eu sou um excelente profissional e eu tô aqui para servir os meus clientes. Por isso eu gosto muito dessa palavra servir, porque depois que eu entendi ela, tem um poder absurdo. Porque nessas situações todas que a gente falou aqui, é tudo mentalidade.

Qual que é a mentalidade do artista? Qual que é a mentalidade do cara que tá ali para servir? O cara que tá com a mentalidade para servir não comete esse tipo de erro, mano, não escorrega, o cara não cai, porque o cara vai priorizar e vai colocar as pessoas, cada um no seu devido lugar, e principalmente ela no devido lugar.

RPRafael Petrocco

E quando erra, porque é possível que aconteça, somos humanos, tem humildade, né? É o cara de falar: não, cara, ó, tô errado, é isso aqui, exatamente, vamos tentar resolver dessa forma, da melhor forma, o que que você quer que eu faça? Eu vou, não sei se vai se encaixar muito bem nesse exemplo, mas eu gosto muito de falar sobre isso porque teve um casamento, acho que foi um casamento há uns 15 anos que a gente foi fazer, e aí a gente parou para comer ali alguma coisinha que estavam servindo, acho que era uma pizza, alguma coisa, e aí um convidado veio e falou, cara, parabéns para vocês.

Eu falei, né, obrigado, mas algum motivo especial assim do zero, do nada aparecer e elogiar? Falou, pô, a gente tá vendo vocês trabalhando, vocês estão sorrindo e não sei o quê, vocês estão fazendo o negócio acontecer, pô, o trabalho de vocês é foda. Sem ver uma fotografia, né? Não tinha visto nenhuma. Falei, cara, muito bacana. Ele falou, pô, vocês são profissionais pra caramba e não sei o quê. Eu sei que ele elogiou tanto que eu falei, cara, eu acho que tá assim, ok, eu estou entendendo ali, o cara tá empolgado com o negócio.

Mas eu falei, obrigado, mas ele falou, tipo, alguma coisa, vocês fazem a festa acontecer, vocês são foda, alguma coisa assim. Falei, cara, não, não é a gente que faz a festa acontecer. Quem faz a festa acontecer são esses caras aqui. Aí eu apontei para os garçons, para o pessoal que tava servindo. Falei, quem tá fazendo vocês aproveitar a festa são eles. A gente tá aqui de boa, a gente tá com a melhor parte do casamento. Eu tô lá na pista de dança com vocês curtindo, não sei o quê, né?

Toma um refrigerante a hora que precisa, senta para descansar um pouquinho. A gente tá aqui assim, eu tô trabalhando, mas a gente tá aproveitando muito mais a festa que essa galera. Essa galera aqui que você tem que elogiar, essa galera aqui que tá fazendo esse negócio aqui bombar, acontecer. O cara parou, olhou, falou assim: puta, é verdade, né? Ele falou: realmente é. Não, aí que ele elogiou mais ainda. Ele falou: pô, puta, agora você elogia lá para o chefe, fala que eu sou bom.

O chefe tá sentado ali que tá comendo. Né, assim, para brincar e quebrar um pouco o gelo. Mas é muito disso assim, o casamento, o que a gente retrata, o que a gente fotografa, o que a noiva vai ter lá no álbum não é só nosso, porque é o decorador, é o assessor, é o garçom, o buffet, né, o pessoal da limpeza que não deixa o negócio bagunçado para a gente poder fotografar, é o DJ que tá fazendo a pista bombar, porque quando ele não tá legal A pista não tá legal, fica aqueles buracos que a gente não sabe como é que vai preencher na hora de fotografar.

Então tudo aquilo é parte de um trabalho em equipe. Às vezes eu até fico chateado quando o fotógrafo fala: não, tem que ter uma mesa no meio do salão com a comida do convidado. Não, cara, não tem. Tem que ter comida para você poder se alimentar decente num lugar legal. Se tiver que sentar lá atrás com o garçom Cara, eu sento, como uma comida, arroz, estrogonofe, batata palha, tá bala. Eu só preciso estar bem fisicamente para poder exercer o meu trabalho.

Que é muito disso, da gente talvez tirar um pouco o ego do artista de falar que é o nosso trabalho, é o supra-sumo do casamento, sendo que para ter aqueles retratos todas as outras pessoas precisam trabalhar e trabalharam muito mais que a gente, porque faz 3, 4 dias que eles estão fazendo a montagem.

TZTorin Zanette

Para aquilo lá acontecer. Por isso que o cara foi falar com você. O estado de espírito é você ver, mano, tá todo mundo aqui trabalhando, mas as pessoas que se destacam mais é que você vê que faz com tesão, que faz com amor, que é o que você faz, mano. Por isso o cara foi lá parabenizar você, não porque você é o fotógrafo do casamento, porque você tava entregando o que, na minha opinião, todo mundo deveria entregar, mas que ninguém entrega.

E quando a minoria faz, chama atenção. Que é o caso de pessoas como você, que eu acho que isso que eu acho incrível. Por isso que eu falo que eu quis começar a contratar grandes seres humanos e transformar os caras em profissionais, porque tem coisa que você não ensina, tem coisa que não aprende, tem coisa que vem de fábrica. Tem, cara.

RPRafael Petrocco

E aí uma outra coisa que eu queria falar, a gente, já que a gente tá falando de equipe, que talvez seja um processo muito difícil, que é uma coisa você ensinar o cara mexer na câmera, a posicionar a luz como você usa, outra coisa você ensinar o seu estilo de fotografia, sua linguagem. Como é que é esse trabalho que você tem, já que você hoje é também reconhecido não só pela qualidade do trabalho, mas também pelo puro uso diferente do flash, um estilo puxando um pouco mais para o editorial? Como é que é para poder—

TZTorin Zanette

Cara, que nem assim, ó, hoje a gente tem, eu tenho a minha equipe, que sou eu, e tenho mais duas datas que eu vendo, a equipe Torrins da NET. E agora a gente criou a TZ Wedding, que é para pegar um casamento que é um ticket um pouco mais abaixo que o nosso. Porque chega bastante pedido de orçamento e passa. E eu percebi, cara, que eu tenho um time que eu consigo atender tudo isso, entregar um trabalho de alto nível. Inclusive, se essa galera soubesse o trabalho de alto nível que a TZ Wedge vai entregar, é capaz de contratar o C, contrata a TZ Wedge, sabe, que é mais barato, porque é a mesma equipe, é a mesma equipe.

Mas enfim, como é que você perguntou, né, como é que você— eu tenho 3 fotógrafos que trabalham comigo, que eu confio nos caras, que eles são os líderes da equipe. Porque você tem que entender a qualidade de cada um deles, onde ele é muito bom, onde ele não é, e fazer um, montar um time que seja um complemento um do outro para entregar um arroz com feijão muito bem feito. E entender que o arroz com feijão sendo muito bem feito, eles vão construir algo extraordinário no meio daquilo lá.

Então assim, ó, eu até inclusive hoje era para estar acontecendo, eu criei um, uma imersão Exclusiva só para o meu time.

RPRafael Petrocco

Desculpa, time do Tourinho aí, que eu tirei ele da empresa.

TZTorin Zanette

Não, não, não, não, não, é que por causa do mau tempo não rolou, cara. Ia ser em Campos do Jordão, a gente ia ficar 2 dias lá, ia ficar num hotel muito da hora, tipo, os caras, né, tem um investimento, ia vir fotógrafo, cara, tem um fotógrafo em Belém, tem um fotógrafo, vai vir um cara do Paraguai que trabalha com a gente, ia vir um cara de Cuiabá, Rondonópolis, do Rio, da Bahia. Que tipo, quando eu faço casamento lá, eu pego essa galera, já são alunos do curso, e eu criei confiança e foi desenvolvendo.

Mas isso tudo segundo fotógrafo, né, não primeiro. Os primeiros são daqui. Então eu ia pegar essa galera, a gente vai fazer isso agora ainda, mas era para acontecer entre ontem e hoje, mas quando o mau tempo não funcionou, fazer uma imersão e fazer no segundo dia um casamento com a noiva, com o noivo, making of, making of do noivo, making of da noiva, cerimônia, e também a parte do inside, do retrato. Do ensaio do casal. Então eles iam viver todo mundo junto.

Mas por que que eu ia fazer isso? Não só para eles entenderem como que eu fotografo, mas como a gente pensa, entender nossa cultura, que é isso que eu acho que faz a grande diferença. Mostrar como a gente, como a gente fica, como é a nossa postura, como a gente lida com convidado, quando a gente lida com desafio. Porque tem muita gente sabe se comportar no casamento, mas tem muita gente que não sabe lidar com situações difíceis, que acontece muitas vezes.

Eu tenho mulheres no meu time. O que fazer? O que fazer? Eu tava no casamento no Rio de Janeiro, o convidado com a mina dele dando risada, fez assim, jogou um whisky na cara do meu fotógrafo e saiu dando risada. E aí, se o cara explodido, estourado, olha a merda que ia dar o casamento no pé do Cristo, um monte de ator, blá blá blá, um negócio absurdo, a merda que podia dar. Ah, o cara tem que aceitar? Não, também não é assim. Mas também, cara, a gente tem que ter um entendimento de o que fazer.

Nessa hora. E o cara foi cirúrgico, cara. Ele abaixou a cabeça, ele falou, me chamou de canto, aconteceu isso, isso. Fui lá chamar assessora, falei, ó, aconteceu isso, isso, isso, cara. Chega nos noivos, troca uma ideia com eles. Noivo tava são ainda. E assim, mano, não dá para acontecer esse negócio. Aconteceu mais uma coisa, mais uma vez, cara, vou ter que sair com o meu time. Não tem como trabalhar assim. Mas assim, tudo numa boa, entendi, porque o cara era um retardado.

Não quero estragar o dia da noiva. O noivo não tem nada a ver com isso, assessora não tem nada a ver com isso.

RPRafael Petrocco

Tem um convidado Sempre tem um babaca lá que comete alguns erros, né?

TZTorin Zanette

Enfim, então é sobre isso. E então, cara, todos os caras trabalham comigo, eles fazem a minha equipe de primeiro fotógrafo, eles trabalham bastante comigo, inclusive viveram um making of comigo, sabe sobre tudo que a gente faz, como a gente faz. E o mais da hora, o feedback que a gente recebe da equipe, cara, é só feedback extremamente positivo. Assim, é uma surpresa muito grande porque as pessoas têm o meu nome, empresa, eles esperam que receber um negócio incrível Então sempre vai com uma expectativa mais baixa do que se eu tivesse lá, e sempre é surpreendido assim os clientes. Isso é muito legal.

RPRafael Petrocco

Isso também é uma postura que você tem que ter, né? Eu lembro quando eu trabalhava com o Higuete, a gente tinha duas equipes, né? Uma era quando só tinha um trabalho, era ele, a esposa e mais um fotógrafo. Quando eu assumi a terceira, existiam 5 fotógrafos. Quando eu assumi a terceira posição, eu tava sempre como terceiro. E aí tinha vezes que era o Guilherme mais um e a esposa e mais um. Aí muito dependia do tipo de casamento, eu me encaixava.

Quando era para cumprir tabela, eu ia com ele. Quando era para ajudar na criação de imagens mais artísticas, eu ia com a esposa. E aí era muito legal porque muitas vezes a assessora, a noiva ia lá, ele já não tinha data. Aí a noiva não queria fechar porque ele não tinha data, só tinha da segunda equipe. E a cerimônia, assessora falava assim: não, não, se eu fosse você, eu ia lá, fechava com a segunda equipe. Que a segunda equipe é melhor do que um monte de outros fotógrafos que você tá cotando.

Então, e aí muitas vezes elas brincavam com ele e falou assim, eu prefiro que vá a segunda equipe do que você, você é muito melhor trabalhar com eles, né, muito mais legal. E a gente tinha essa brincadeira entre a gente lá, mas era muito disso assim, é de postura, de da equipe assumir a responsabilidade de entender que tava ali para representar uma marca e que aquilo de alguma forma chegava nas pessoas.

TZTorin Zanette

É isso, cara.

RPRafael Petrocco

E cara, era muito legal a gente receber assim, e não é que vinha um email, a sua equipe é muito legal, vinha o nome. Esse é o Rafa, mandou muito bem, eu não sei quem, pô, tava lá, cara, me ajudou bastante, me deixou à vontade. Então isso de uma certa forma valoriza também quem tá no bastidor, sem dúvida, né? Coisas que eu, uma outra coisa que eu bato na tecla é, não é só pagar bem o freela, é você mostrar o feedback do casal, você dá um feedback do trabalho do cara, dá um direcionamento, de sentar para ele falar, pô, isso aqui é muito legal, você sabe fazer isso aqui para caralho, continua aqui, mas pô, precisa melhorar um pouquinho aqui, que precisa ter um pouquinho mais de cuidado, tem que ter mais atenção, que é justamente fazer com que eles se sintam parte do negócio e não só mais um que tá lá para cumprir tabela, para encher linguiça na equipe, para ganhar um freela no final. Não, que esse é importante também, mas é importante, mas não é prioridade, né?

TZTorin Zanette

Mas é isso que você falou, é muito legal, porque todos os caras, tô pensando que trabalham comigo, cara, os cara tem um coração de entrega absurda, e é por isso que eles são o líder da equipe. E cada um tem empresa deles, tá? Os caras, eles são fotógrafos, tem o nome deles no mercado, ele tem empresa deles, eles vendem casamento também.

RPRafael Petrocco

E como é que é para você lidar com isso? Tipo assim, ah, o cara vai arrancar um cliente meu, cara?

TZTorin Zanette

Muito pelo contrário, todo mundo posta as fotos dos meus casamentos. Eu deixo todos os fotógrafos postarem fotos do meu casamento. Eu peço sim um tempo, né? Posta na semana, tá? Segura um pouco. Mas todo fotógrafo trabalha comigo, ele pode usar como, como pode usar no portfólio dele, pode postar no Instagram dele. Eu nunca vi isso, cara, como uma ameaça assim. Até porque eu acredito que eu tô com pessoas que são éticos. Que não vão— pode ser que pisem na bola, pode ser que eu me frustre, sabe?

As pessoas erram, pode ser. Mas assim, errou, vai seguir tua vida, eu vou seguir a minha, tá tudo certo. Mas eu dou esse voto de confiança e eu não lembro se eu tive problema já com isso assim, cara. Então eu penso o seguinte, cara, vocês estão aqui para me ajudar, agregar na minha vida, eu tô aqui para agregar na vida de vocês. E como eu tô numa posição hoje de de professor, de mentor como fotógrafo, não existe para mim uma coerência eu falar não para o cara que tá comigo me ajudando no dia a dia, na rotina.

Não, você não vai postar no teu Instagram. Se ele quiser abrir empresa dele, não, você não vai postar nenhuma foto minha. Para mim, muito pelo contrário. Eu tive um desafio com os caras trabalhavam comigo em julho e os três saíram do dia para noite. Foi como um acordo, e aí os caras saíram para abrir empresa deles. E aí os caras foram no dia seguinte, pegaram o HD, pegaram todas as fotos que eles fizeram para trabalhar de portfólio para eles, cara.

Ah, mas eles pegaram cliente seu? Pegaram, porque a rede de relacionamento de assessoria deles não era deles, era tudo minha. Mas assim, eu falei, cara, eu acho que é um egoísmo de um nível tão absurdo você pensar que Ah, mas pegou um casamento ou outro, cara. Mas assim, eu penso o seguinte: nunca vai me faltar nada, cara. Nunca. Não é porque ele fechou um casamento com uma parceira que era parceira minha, que tinha relacionamento comigo, eu vou deixar de trabalhar, vou ficar em casa nesse dia, sabe?

Então eu penso muito nisso, que nunca vai me faltar. Nunca vai me faltar. Nunca. Eu penso o contrário, na verdade. Eu acho que essa, vamos falar assim, sabe, essa generosidade, ela só agrega na minha vida, cara.

RPRafael Petrocco

Não, e eu falo normalmente, quando é mais, quando você é mais generoso, mais você fideliza o cara, né? É difícil ele te dar uma mancada, ele cancelar um evento no dia seguinte para pegar um dele. Ele vai falar, não, cara, pô, o cara me ajuda, o cara faz isso, faz o cara querer ficar perto.

TZTorin Zanette

Eu tô com um cara lá agora que ele queria muito trabalhar com a gente, não conhecia ele, ele trabalhava numa dessas produtoras gigantes aí, e ele falou, mano, aí ele foi com a gente trabalhar, falou, cara, só quero trabalhar com vocês. Porque é leve, porque é gostoso, a gente se diverte, a energia diferente. Ele tá do lado de todo mundo, quer fazer o negócio acontecer. Ele falou, cara, eu chegava no casamento, era depressivo, os cara não queria estar lá, irmão.

Então isso faz uma, tudo isso faz uma diferença, cria uma atmosfera, e o resultado final qual que é? Uma entrega absurda.

RPRafael Petrocco

Tem algum casamento que você coloca como ponto de falar, pô, aqui agora eu cheguei, foi esse casamento que Falou, daqui eu não vou mais para trás.

TZTorin Zanette

É, não sei se tive esse sentimento de, cara, daqui eu não vou mais para trás. Mas um casamento que eu sabia que ia me levar para um lugar ainda maior foi o casamento lá de 2015, que foi do Uruguai, esse casamento aí. Porque realmente eu peguei a galera inteira ali que tava, que ia casar, fiz casamento de quase todo mundo, criei uma rede ali muito da hora. Interessante, cara, que agora em 2015 eles completaram 10 anos de casado.

E eles iam fazer uma bodas para comemorar. Acabou que não funcionou e vai acontecer agora em outubro de 2026. Nós vamos estar lá de novo, 11 anos depois. Legal, né?

RPRafael Petrocco

Muito melhor, né? Mais maduro.

TZTorin Zanette

Nossa, muito mais maduro, muito mais da hora. Vai ser, vai ser muito, vai ser muito da hora. Mas eu fiquei feliz demais, cara, em poder viver isso de novo, sabe, com eles lá. E esse casal, eles representam muito na minha vida porque foi o primeiro casal que derramou muito na minha vida por me levar para lá, porque foi um portfólio incrível que a gente conseguiu fazer através desse trabalho e conectar com as pessoas de lá também, né?

RPRafael Petrocco

E você já fez muito casamentos milionários, né? Digamos assim, casamento de dinheiro, e principalmente um dos mais caros do Brasil, assim, segundo comentários. Eu não sei quem andou olhando as notas fiscais do casamento, mas segundo ele é um dos mais caros do Brasil. Como é que se prepara para um negócio desse? Porque a exigência de um cliente com investimento muito alto provavelmente vai na mesma proporção.

TZTorin Zanette

Vai. E mas olha, é aquilo que eu falei, cara, lá em off, na verdade. Isso muda muita coisa assim. Eu descobri recentemente que eu não amo fotografar casamento. Eu descobri que, porque eu sempre falei isso, né, eu amo fotografar casamento, amo fotografar casamento. Isso é uma mentira. Eu amo fotografar gente legal. Isso fez uma diferença muito grande quando eu tive essa percepção, porque eu já estive em casamentos, cara, milionários, um casamento gigantesco, que era sonho de qualquer fotógrafo.

Mas falei, cara, o que que eu tô fazendo aqui? Por que que essa mulher me contratou? Não tem nada a ver com esse casamento. Ela me contratou, talvez tinha um nome ali, achou que enfim. Mas, cara, não, não quero, não quero isso, não quero aquilo, não quero aquilo. Tipo, eu fui lá para cumprir tabela, eu fui lá, algumas experiências horríveis que eu tive assim. E eu tive a percepção, falei, cara, eu não quero viver isso. Eu não quero fotografar casamento, sair de casa, deixar minha mulher, meus filhos por fazer, para ganhar um dinheiro só para estar aqui, que não faz o menor sentido.

Eu quero estar para entregar tudo. E aí eu descobri que eu não amo fotografar casamento. E aí eu, depois de que eu tive essa percepção, você começa a emanar uma energia, não sei explicar, cara, começa a atrair uma galera muito da hora. E essa galera desse casamento aí foi casamento de 35 milhões, foi um casamento, meu Deus do céu, foi lindo, foi maravilhoso, foi um negócio assim surreal. É um povo muito bem de vida, mas muito simples, cara, muita gente boa.

E honestamente, você cria ali uma expectativa para um casamento grande, uma preocupação, uma preocupação muito grande em— porque está com— eu tava com 7 fotógrafos, mano. Com 4 fotógrafos é uma coisa você lidar, com 7 já é diferente. Todo mundo tá fazendo o que precisa fazer, todo mundo tá pegando o que precisa pegar. Então deu mais trabalho pensar estrategicamente Mas, cara, o assessor era o Jair de Barreto, que é um cara fantástico, cara.

Ele fez um trabalho assim absurdo que facilitou a vida de todo mundo. E o espaço era muito grande, tinha 1.500 convidados, eu acho, se eu não me engano. Mas como o espaço era muito grande, parecia que tinha 100, cara. Não esbarrava nas pessoas. Então tudo fluiu muito bem. E a maneira que eu construí o time foi pensando justamente na entrega. E qual que é a prioridade? Quem eu confio muito. Todo mundo trabalhava comigo, que eu já confio.

Os caras estavam lá, então sabia que todo mundo ia fazer o papel muito bem. Eu não tava com fotógrafo aleatório, que dá medo isso, né? Então assim, eu tava, foi um evento muito tranquilo de entregar porque existia uma base muito forte, pois existia uma estrutura muito forte. Todo mundo sabia que precisava fazer. Tem até um vlog, mentira, eu tenho até um, olha eu monetizando aqui agora, esqueci disso. Eu tenho até um curso no meu escrito, do meu, do meu, no meu, nem sei onde tá.

Uma aula, uma aula que eu vendo isso, que é o Casamento Milionário, como que foi o backstage, a estrutura, construção de tudo isso. Tá lá, tá para vender. Às vezes vende lá um negócio que eu não divulgo mais esse bagulho, te dá atenção para isso, mas tá lá. É muito legal, cara, muito legal. Mostra todos os bastidores aí do filme. Levei um cara para filmar todos os bastidores de tudo, tá tudo lá.

RPRafael Petrocco

E agora com essa experiência de fotografar em casamento simples com batatinha em conserva pão com carne moída e fotografar um dos casamentos mais caros do Brasil. De tudo isso, você olhando para sua história, o que que você fala? Cara, mesmo num casamento de 35 milhões, eu ainda faço isso que eu fazia na batatinha com conserva.

TZTorin Zanette

Você já viu uma palestra minha? Já, mas não viu toda, né?

RPRafael Petrocco

Não tem uma paciência de ouvir você.

TZTorin Zanette

Você já viu a foto que eu fiz, a primeira foto do meu casamento? Já viu essa foto?

RPRafael Petrocco

Vi, vi.

TZTorin Zanette

Acho que agora no Congresso, uma foto que a noiva tá segurando o tronco, a árvore, de noite, e o noivo atrás segurando a cauda dela. Isso é igual. Que que eu falo que é igual? Isso continua ainda, cara. Eu lembro que quando eu fiz aquela foto e fotografei aquele casamento, tava numa ansiedade absurda, e eu dei a minha vida, eu dei meu 1000% naquele casamento. Era muito simples. Quem vê, até tiver acesso a foto, fala: mano, é possível que esse cara fez essa foto?

Mas fui eu que fiz aquela foto. E eu lembro que ali naquele casamento eu saí de lá e eu falei, cara, o que que eu poderia ter feito de melhor? Não existia nada que eu poderia ter feito de melhor, não existia. E essa energia a gente tem até hoje, cara. Se eu chego em casa e eu paro para pensar, mas o que que eu poderia ter feito melhor que eu não fiz? Eu acho que vai ser a pior sensação da minha vida, porque isso não existe, não existe.

Eu tá no evento, o meu time tá no evento e falar, cara, pô, poderia ter feito melhor, mas eu não fiz, tava cansado, eu não fiz. Ah, Tá bom, não existe, cara. Então isso é igual, esse tesão, essa vontade de, cara, entregar tudo independente da situação, se é um casamento de R$3.500 ou R$35 milhões, entregar tudo. Eu percebo que muitos fotógrafos deixam para entregar tudo que tem com a expectativa de chegar a hora de fotografar os casamentos dos sonhos, sabe?

O cara deixa de se vestir bem para quando chegar naquele casamento lá eu vou me vestir bem. Eu lembro de alguns casamentos que eu tava, era muito assim, mas eu me vestia muito bem e muitas pessoas me questionavam, e eu me questionava, pô, acho que tá um pouco demais para isso aqui, cara. Mas eu fui entendendo, eu falei, cara, mas eu tô me vestindo não é só para estar aqui, é para ir para o lugar que eu quero chegar, sabe? E aí começa a acontecer, você começa a fazer uma entrega assim, você começa a chamar atenção, você começa a virar destaque no sentido, mano, esse cara não tem que estar aqui.

E o universo começa a andar a teu favor para fazer com que você chegue no lugar que você tem que estar. Mas esse tesão, essa vontade, essa ânsia de fazer tudo acontecer da melhor maneira possível, esse over delivery, essa postura, o se vestir bem, é o cuidado. Até hoje você vai nos casamentos que a gente vai lá, cara, você vê uns caras trabalhando, você fala: não é possível que o cara veio fotografar um casamento desse assim, cara.

Story meio que vai fotografar para galera, o cara vai de jeans, pô, no casamento? Pelo amor de Deus, gente, não tem condição, cara. E é simples, pô, Renner, a Renner CA, você consegue umas roupas muito da hora hoje em dia. Você precisa gastar um Nemenegi no Zen? Não precisa, pô. Você consegue vestir você, tua equipe, muito bem gastando menos. Isso eu me preocupo muito, cara, esse negócio de vestimenta, de postura, de estar lá, ó, que legal, os cara tá vestindo muito bem, faz uma diferença absurda.

Mas resumindo, cara, essa energia, essa entrega de, cara, entregar 1000% em qualquer situação.

RPRafael Petrocco

E aí, analisando um pouquinho toda a trajetória e já tendo falido 3 empresas, das produtoras, que os sócios pensam, ah, eu não quero mais trabalhar com o Torinho, me enche muito as paciências. Que aprendizado você tem hoje para tentar sempre ao máximo fazer com que a sua empresa, né, que é aquela que leva o seu nome, leva o seu olhar, para que ela seja bem vista no mercado, que as pessoas entendam que não é só o Torinho o artista, só o Torinho o cara responsável, mas que tudo Tudo que tem a sua assinatura tem o mesmo, mesmo comprometimento e a mesma entrega.

TZTorin Zanette

A gente vive no mundo muito que as pessoas elas apenas sobrevivem, ninguém vive de verdade, cara. Muito raro ver alguém que, pô, esse cara tá vivendo. E eu prezo muito por ambiente, muito ambiente. Para mim é a coisa mais importante. Pior coisa da vida é você entrar no seu espaço de trabalho, chegar na porta, falar não querendo entrar naquele lugar por conta de alguém que tá ali, que tá— mas o cara é muito bom, o cara é essencial.

O meu time que eu tava lá em julho do ano passado, pensando friamente, eles eram extremamente essenciais. Tanto é que eu passei um desafio que você não faz ideia quando todo mundo saiu. Telefone tocava, não, porque eu não conseguia dar atenção para ninguém, cara. Coisa que eu tive que fazer, coisa que eu não fazia muito tempo. Eu tive que fazer coisas que eu não fazia muito tempo, de 3, 4 pessoas que faziam. Mas o que aconteceu?

Eles queriam ficar até dezembro porque ia ser interessante para mim, ia ser interessante para eles também. Mas eu cheguei para eles, eu falei, cara, a gente costuma relação muito boa, eu falei, cara, posso falar um negócio honesto para vocês? Vocês vão embora hoje. Aí eles ficaram sem entender, acho que até um pouco em choque, porque não fazia o menor sentido fazer aquilo. E aí eles perguntaram por quê. Eu falei, por 2 motivos.

Primeiro, que é o principal, principal daqui, O coração de vocês não tá mais aqui. Então, para mim, não faz o menor sentido vocês voltarem aqui amanhã, mano. Não faz o menor. Ah, mas a gente é essencial. Eu sei que vocês são. Você vai se ferrar. Eu sei que eu vou me ferrar, mas eu prefiro assim. E o segundo motivo: para que vocês vão abrir o negócio de vocês daqui 6 meses? Você não pode abrir amanhã. Então, cara, eu vou, mano.

Já passei por muita coisa, vai ser só mais uma. Vai ser difícil? Vai muito difícil, mas vamos embora. Vou viver isso. E, cara, e vivi hoje, hoje, hoje, o dia de hoje. Agora em agosto, na verdade, vai completar um ano que eu comecei a viver aquilo, né? Que eu virei, dei a volta por cima, que eu comecei a viver aquilo. Tem uns 4, 5 meses que a gente se endireitou e botou a casa em ordem. Eu tô vivendo a melhor fase da minha vida profissional, espiritual e pessoal.

A melhor fase assim, ó, em todos os sentidos, cara. Tá tudo fluindo de um jeito tão absurdo. Porque eu entendi que o ambiente saudável, ele torna tudo mais fácil. As coisas acontecem na nossa vida de uma maneira assim que não tem muita dor nem sofrimento, cara. Tudo que eu coloquei para fazer com força, com, ah, tem que fazer com a minha vontade, nada deu muito certo. Eu perdi tudo. Tudo que aconteceu na minha vida para levar a gente para prosperar sempre foi leve, sempre foi tranquilo.

Porque às vezes a gente quer acelerar o processo, a gente quer seguir caminho que a gente não tem que seguir, quer construir coisa que a gente não tem que seguir, porque a gente é envolvido no meio, tem que fazer, tem que construir. Eu comecei o ano de 2025 com 11 pessoas, um estúdio 200 metros quadrados, absurdo. O negócio era um sonho. Você chegou aí lá não, né? Não, um sonho, um sonho, um sonho o negócio. Produtora voando, tudo voando. 6 meses depois não tinha nada, voltei para o meu quarto da minha casa.

Faz um ano agora, amor. E aí, cara, enfim, eu não sei se eu deveria falar isso, mas enfim, eu vou falar. Eu tive um relacionamento muito forte com o Espírito Santo assim, cara. E o que aconteceu? Eu não sei se você sabe, a minha filha faleceu. Enfim, daí aquilo foi uma experiência muito forte para a gente, a gente mudou a nossa vida assim, cara. E aí eu tava, eu voltei para o meu quarto Demiti todo mundo praticamente, tava tudo zoado, tava esquisito.

Coloquei uma mesa de bar, meu computador em cima de uma mesa de bar dentro do meu quarto de casado. Minha mulher saiu para trabalhar com os meus filhos. Quando eu entrei no meu quarto, cara, veio uma cena de 2011, 2012, quando eu trabalhava daquele jeito lá em casa. Tem 14, 15 anos isso. E aí o maligno vem na minha mente: você perdeu tudo, você perdeu tudo, você perdeu tudo, você perdeu tudo. Tinha um estúdio, você começou, lembra o seu, o seu, a sua vontade, o seu tesão que você tava de começar o ano voando, contratei dois caras incríveis, um do comercial, um cara para organizar a gestão.

Tava tudo perfeito, tudo perfeito como diz o protocolo para funcionar. 6 meses depois eu tava sem nada nem ninguém. Aí eu comecei, cara, bateu um desespero assim, mano. Perdi tudo, comecei a chorar que nem maluco, chorar desesperado, desesperado. Pô, 38 anos, cheguei onde eu cheguei, eu perdi tudo. E aí comecei a orar, que não tinha nem força. Comecei a orar, comecei a orar, comecei a orar. O Espírito Santo foi lá, cara, entrou e falou assim, ó, levanta E eu vou te falar duas coisas.

Primeiro, tudo que aconteceu na sua vida foi resultado da tua oração. Depois que eu vi o que eu vi com a minha filha, eu vi um negócio extraordinário. Eu falei, eu quero ver isso para o resto da minha vida. Eu cheguei para todo mundo do escritório, falei, olha, eu quero convidar todo mundo para viver isso. Quem não quiser viver isso não vai conseguir ficar aqui dentro, e vai ser um ambiente que não vai favorecer. E eu orava sempre para Deus levar as pessoas para o lugar que elas têm que ficar, no lugar delas, e eu no lugar que eu tenho que ficar.

Levar as pessoas, tem que levar e trazer as pessoas, tem que trazer. Mas quando a gente ora, cara, a gente pensa que vai acontecer de um jeito que a gente imagina que vai acontecer, não do jeito que tem que acontecer. E foi aquela pancada muito forte. E eu já tive, eu já ganhei esse entendimento na hora ali. E o segundo foi: tudo que você construiu foi com a força do teu braço, com a tua vontade, mas não tava alinhado com meu coração.

E quando ele falou isso, irmão, aí eu comecei a chorar no mesmo instante de gratidão. Falei, então quebra tudo agora, para quebrar tudo mesmo, destrói tudo. Porque eu lembro da minha ganância, você empreendedor, todo mundo fala para você ser empreendedor, né? Seja empreendedor, constrói empresa, tem que ser aquilo. E você vai ver aquela atmosfera louca que tava tirando eu da minha casa, dos meus filhos, eu quase não tinha tempo mais com eles.

E aí eu perdi tudo e eu falei, caraca, mano, realmente eu queria construir algo que eu não fui para o crassário para me coçar. O que que eu tinha que ir lá fazer isso? Eu fui tão abençoado com a turma de casamento, que é um negócio tão maravilhoso que eu já tenho, tantas oportunidades que eu tenho de viver isso aqui, tantos canais que eu posso criar através disso aqui. E aí, cara, comecei a chorar de gratidão e agradecer. E assim, ó, eu tava em depressão, zoado, no minuto seguinte eu tava, falei, cara, vamos para cima.

E tudo começou a acontecer. Contratei o primeiro, segundo, terceiro, comprei uma cama beliche que meu filho dormia. Em cima era cama, embaixo era uma mesinha de escritório. Eu e mais 3 pessoas no meu quarto, quarto do meu filho, de 20 metros quadrados. Meus filhos corredor gritando, passando. Eu falei, realmente, a coisa tá ficando pequena. Procurei uma sala, achei uma sala de 35 metros quadrados, coisa mais linda, tava toda decorada, pronta, era só entrar.

A gente alugou, entrou 2 dias depois, ligou os computadores na tomada, começamos a trabalhar. Cara, o que que eu entendi? Que Tudo que acontece na nossa vida que é muito difícil, você tenta bater e não vai, é porque não é para ser, cara. Então eu até coloquei uns slides na minha palestra que é o seguinte: cara, se você não sente paz no coração, para imediatamente. Então eu tô assim hoje, tá muito difícil, então não é para ser não.

Vamos voltar para cá e vamos deixar acontecer, fazer o nosso melhor sempre, cuidar do básico, fazer o simples. Cara, eu tô vivendo melhor momento da minha vida, em todos os sentidos, em todos os sentidos, com relação com a minha mulher, relação com os meus filhos, relação com Deus, profissional, a minha empresa. Olha o que é você andar no caminho que tem que andar. Dia 10 de outubro eu tinha um casamento fechado. Há um mês e meio mais ou menos, cara, junho, começo de julho quase, a noiva chama o comercial, terceiro comercial, Torinho, a noiva me chamou, vai cancelar o casamento dela.

Puxa vida, mano, cara, casamento outubro agora, qual que é a chance de fechar outro casamento? Muito difícil. 2 horas depois, irmão, o Lucas Oed, aquele cara incrível da Band de Brasília, 2 horas depois, tava na academia, o cara me chama: Torinho, como é que você tá dia 10/10? Eu olhei assim, falei: caraca, mano, falei: cara, acabei de ficar livre. Por quê, mano? Casamento em Sevilha, na Espanha. Não é possível, mano. Não é possível.

Passou, foi na noiva aí. Hoje já chamei assim, eu falei: noiva, não tem como eu fazer seu casamento. Eu contei para ela o que aconteceu, eu falei: cara, eu acabei de ficar livre tem 2 horas. Se você me ligar 3 horas, eu não podia para o seu casamento, não tem como jogar para o seu casamento. Fizemos uma reunião, foi reunião, foi incrível, e fechei o casamento. Tamo lá. Casamento do Medina, mesma coisa, cara. Eu tava de férias sem nada acontecer, fechou o casamento do Medina do nada assim.

O Jundiaí me liga Pô, como é que você tá? Quero que você faça casamento, tem um kit para resolver, eu preciso de gente que seja foda, que pegue uma entrega foda, que confie. Fechei o casamento do cara sem nenhum esforço, sem nenhuma luta, sem nenhuma. Então assim, que que eu entendi?

RPRafael Petrocco

Tudo que é muito difícil, sem nenhum esforço, vírgula.

TZTorin Zanette

Não, não, eu digo o seguinte, cara, sem nenhum esforço, vírgula. Toda bagaça que a gente contou até agora Mas o que que eu quero dizer? Apareceu que, nossa, eu vou lutar, vou fazer acontecer, vou brigar. Não acontece porque você tá fazendo de uma maneira que tem que ser feita. Então a gente começou a cuidar do simples, começou a fazer arroz com feijão muito bem feito, começou a fazer como uma empresa profissional tem que fazer, tudo bonitinho e com a nossa energia, cara.

Começou a fazer assim, a gente começou a fechar uns casamentos agora que é surreal, tudo tá fluindo, cara. Por que que eu não tô andando no caminho certo? E quando eu tentei fazer tudo que era para estar tudo certo Deu tudo errado.

RPRafael Petrocco

Pergunta, a gente já tá acabando nosso bate-papo, eu vou embora aqui. Um conselho que o Torinho de hoje daria para o Torinho de 2005?

TZTorin Zanette

Rapaz, esse conselho é o conselho mais importante, eu acho, que assim, ó, esse conselho é importante mesmo, cara. Guarde sempre uma parte da grana que você ganha hoje, se paga. Mas você pagar não é você pegar um dinheiro para você se pagar para sobreviver. Sei lá, se eu tenho R$5.000, eu preciso de R$5.000 para viver, você precisa ganhar esses R$5.000 e pega mais R$5.000 para você colocar em alguma coisa que você não vai ver. Se eu tivesse feito isso lá atrás, eu estaria multimilionário hoje, multimilionário, mas multimilionário.

E eu sempre fui um cara de coração assim de fazer acontecer, e eu não sou muito bom, não era muito bom com as finanças, então era para a gente tá vendo uma situação hoje mais, cara, de milionário fácil, mais fácil. E detalhe, sem abrir mão de tudo que eu vivi. Porque, cara, fotógrafo, o que acontece? Sempre vai ter uma necessidade de comprar uma coisa nova, sempre, a vida inteira. Mas nunca, nunca, não tem um fotógrafo no planeta falar agora não tô bom, não existe, cara.

Computador que saiu novo, iPhone que saiu novo, uma câmera que saiu nova, cartão. Então assim, sempre vai ter coisa, vai. Você vai agora, estamos investindo numa rede, custa R$50 mil para todo mundo ficar ligado no computador lá. Aí eu falo, cara, eu falei isso agora, foi, eu preciso muito dessa rede agora. Não, então segura ela aí, pô. Se fosse o tempo, mano, compra rede aí, pô. Vem, vem, vem, vem, vou trazendo, vou trazendo.

Então assim, sempre se pague primeiro, sempre tira uma parte. E você não, e não, essa parte eu tenho certeza que não vai impedir ninguém de viver o que já tá, o que estava vivendo. Porque a gente gasta dinheiro com muita besteira, cara, porque sobra às vezes, tá na conta, o cara fala, mano, a gente precisa torrar esse dinheiro, precisa gastar esse dinheiro.

RPRafael Petrocco

E aí a última pergunta, que é talvez algo muito mais pessoal, mas só para a gente finalizar. No último evento que a gente teve junto, Rafael Fontana subiu no palco e fez uma declaração para você muito emocionante, cara, pesou. E aí o que eu queria perguntar, porque eu sei que foi construída uma relação de amizade, para um cara que tem um estilo mais editorial, mais de moda, com flash, que toma cuidado com as poses, No seu casamento, o Rafael fotografou, que é um estilo de fotografia totalmente o contrário da sua, oposto daquilo que você prega e do que você faz.

TZTorin Zanette

Sim.

RPRafael Petrocco

Por que o Torim escolheu o Rafael Fontana para ser um dos fotógrafos do próprio casamento?

TZTorin Zanette

Cara, o principal motivo, que é o que eu tento passar para as minhas clientes, o lado humano dele, o cara incrível que ele é, ser humano bizarro que ele é, coração que aquele cara tem. Isso foi assim, não é nem que ele é um fotógrafo incrível, pelo amor de Deus, inquestionável, mas o fator de decisão não foi só pela fotografia. Eu falei, era um casamento pequenininho, eu não podia chamar amigos, né, que era um casamento muito pequenininho, a gente organizou em 3 meses o casamento, cara.

E eu falei, cara, eu quero esse cara no meu casamento. Então eu convidei ele, falei, e aí outros amigos também que era do meio, mas os caras tinham trabalho fora, não conseguiram ir. Mas não fotógrafos, era videomakers. Mas esse cara tava lá pelo coração dele, e foi muito legal viver essa experiência de noivo ali sendo fotografado por ele. O Ale Giliadzi fotografou também. E o arroz com feijão, meu time tava fazendo, parte do meu time tinha parte viajando e outra trabalho, e a outra parte tava fazendo, que é arroz com feijão bem feito, né?

Que eu não queria que eles se preocupassem com isso. Falei, cara, faz a arte de vocês, esqueça que o mundo tá funcionando aqui, arrebenta aí. E foi uma experiência muito da hora, foi uma experiência muito legal assim. Tem mais da hora no seu casamento, você olhar para o lado e ver uma galera se emocionando com você, cara, torcendo por você. E aquele dia eu falei, mano, é isso que a gente tem que continuar fazendo, se emocionando nos casamentos, vibrando com os noivos, vivendo por eles, mano, porque faz uma diferença muito grande.

Foi o áudio que a mulher do Luan lá, que eu falei para você, que é o cunhado do Marquinhos lá, mandou para gente. Cara, foi da hora que você viveu todos os momentos com a gente, que vocês estavam lá vivendo, curtindo, dançando, zoando, brincando, se emocionando. E é sobre isso, cara, é sobre essa entrega de corpo e alma. Eu falo que não é fotografia, mano, é ser humano, cara, é ser humano. Você tá quanto tempo trabalhando com fotografia, mano?

Você não vê a diferença? Que sabe, percebe a diferença que tem trabalhar com um cara que é um grande ser humano do que um cara que é um grande profissional, mas é um Ser humano questionável.

RPRafael Petrocco

Por isso fica a dica para você que tá aí e que acabou de ouvir esse episódio, que overdelivering não é um álbum a mais, uma caixinha a mais, uma sacolinha a mais. É você se entregar de verdade para aquilo que você tá fazendo, certo? Isso contagia, viu, Torinho?

TZTorin Zanette

Obrigado, irmão. Obrigado, obrigado.

RPRafael Petrocco

A gente tenha trazido muitas questões para a galera. Deixar, né? Conversando o dia inteiro, né?

TZTorin Zanette

Tô atrasado já, meu filho saiu da escola, tá lá esperando, tá abençoado.

RPRafael Petrocco

Tá o moleque lá na rua, na calçada, lá esperando o pai sentado triste Sabe aquela cena de filme americano? É isso aí, galera. Espero que tenham gostado. Não se esqueça de comentar, de curtir, de compartilhar, mandar mensagem para o Torinho.

TZTorin Zanette

Tamo junto, valeu demais, gente.

RPRafael Petrocco

Um grande abraço e até o próximo episódio, que inclusive vou gravar daqui a pouco. Beijos!

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