Sons do Brasil e a música de Taís Reganelli
- Origem e Influências Musicais de Thaís ReganelliNascimento na Suíça e infância na Europa · Influência da música brasileira trazida pelo pai · Primeira experiência profissional em palco aos nove anos · Mistura de sons europeus e mundiais
- Desafios de categorização musicalDificuldade em se encaixar em gêneros musicais · Influências de MPB, Jazz, Samba e World Music · Liberdade criativa versus mercado musical · O termo 'canta-autora' como definição · Percepção da música brasileira no exterior
- A música 'Medo'Composição em momento de autodefininição · Exercício de composição sobre medos pessoais · Função catártica da música · Arranjo de João Leniari · Participação de Pedro Luiz
- A música 'Quem Sou Eu Depois de Quebrar'Homenagem a Portugal e Brasil · Colaboração com Leia Velez · Temática de esperança após superação
- Apresentação de Roberto Seresteiro e 'Café Society'Roberto Seresteiro, artista de Piracicaba · Música com estilo de seresta · Música 'Café Society'
- Reconhecimento de Caetano Veloso e Jô SoaresElogio de Caetano Veloso como 'afiadíssima' · Interação com Jô Soares em seu programa · Reconhecimento de outros músicos como Maestro Carlos Martins
Alma Londrina Rádio Web apresenta Sons do Brasil, onde a música independente tem vez e voz. Apresentação, Serginho Ságita.
Bom dia, boa tarde, boa noite, ouvinte Sons do Brasil. Mais uma vez estamos chegando aqui no seu dial para que você possa acompanhar mais uma história que será contada pelo Sons do Brasil. E claro, é aquela história musical de sempre, trazendo para vocês muita gente interessante que está aí com trabalho rodando, trabalho de qualidade, como sempre a gente fala.
e que é interessante você conhecer, a gente tocar, e que o nosso convidado tenha a oportunidade de falar a respeito do seu trabalho, contar um pouco da sua história, da sua trajetória. E hoje a nave Sons do Brasil atravessou o oceano, estamos além mar, estamos lá em Lisboa nesse momento, para que a gente possa bater um papo com a nossa convidada de hoje, que tem história para contar, hein?
Muita coisa boa aí. E eu já quero dar as boas-vindas a ela, que é a canta-autora nascida em Berna, na Suíça. Hoje mora em Lisboa, Portugal, mas já teve suas passagens aí pela Itália. Aqui pelo Brasil, filha de pais brasileiros, Thaís Reganelli. Seja bem-vindo aos Sons do Brasil.
Obrigadíssima, estou super feliz pelo convite e animadíssima para essa conversa nossa aqui agora. Thais, quero agradecer muito você ter aceito o nosso convite, abrir esse espaço na agenda. Estamos com um fuso horário de quatro horas aí, mas muito obrigado mesmo por aceitar o convite Sons do Brasil e a partir de agora fazer parte da família Sons do Brasil também com o seu trabalho e com a sua história.
Pois é, tô aqui, tô sempre no Brasil também, meio a meio, né? Minha vida toda meio por aí, mas eu adoro essa conexão e sou tua fã. E legal, Thaís. Muito obrigado. E pra gente começar, a gente sempre começa lá do início, né? É legal iniciar do início, vamos usar esse termo. Eu queria saber de você, como eu disse, né? Nascida na Suíça, vive em Lisboa, já morou na Itália, já morou no Brasil, filha de pais brasileiros.
nessa andança pra lá e pra cá, como que a música surgiu pra você? A partir de que momento a música deu o braço pra ti e começou a caminhar junto contigo?
Foi uma forma muito natural. Eu acho que quase todas as crianças passam a infância cantando, brincando de cantar ou de tocar algum instrumento. Tem algumas profissões que têm essa brincadeira na infância, né? E desde muito pequenininha, eu e meu irmão, a gente ganhava instrumentos de brinquedo, e depois verdadeiros mesmo, e testando coisas. E a gente começou a tocar, e por estarmos fora também do país, meu pai trazia muita música brasileira como referência do Brasil, para a gente...
Aprender e tal. Então a gente ouvia muito MPB. Junto com todas aquelas coisas que a Europa também oferecia. Com músicas do mundo. Então eu acho que essa mistura de sons fez com que a gente criasse uma curiosidade. E percebesse muitas coisas interessantes na música. E começamos a seguir muito cedinho. Muito novinhos a gente já começou a tocar juntos. Eu me lembro que aos nove anos eu fui no primeiro palco profissional mesmo. Que era um festival que eu participei em São Paulo.
E foi muito emocionante. Eu me lembro até hoje que foi uma sensação boa. Eu gostei. Eu estava nervosa, mas eu gostei da sensação. E dali em frente eu nunca mais parei.
Legal, é interessante essa questão, a gente faz essa pergunta pra todo mundo que passa por aqui, exatamente pra galera entender, porque tem gente que fala, nossa, música, por que a música? Música pra mim, eu gosto de sentar e ficar ouvindo, mas a grande maioria fala isso, né? A coisa vem desde pequeno ali, muitas vezes o ambiente que você é criado, ele é muito propício à música, seja com uma família musical, ou seja com uma família, como você disse a sua, que é uma família onde a música, ela permeava o dia a dia de tudo ali, não é?
E claro, aí a tendência de cada um ter essa aproximação com a música acaba trazendo mesmo você para dentro dela como atuante mesmo, não só como uma ouvinte, mas como uma atuante. Vamos fazer o seguinte, Thaís, já demos início aqui, você já falou desse início seu.
Eu quero começar a apresentar para os nossos ouvintes as suas canções, algumas que você selecionou, claro, são várias, mas eu vou pedir para você indicar a primeira música que nós vamos tocar hoje no programa Sons do Brasil, que eu nem falei o número, né? Sons do Brasil, número 575, mais um para a nossa história. Então, o que a gente vai apresentar para os ouvintes agora?
Eu queria começar com uma canção que homenageia também um pouco o Portugal e Brasil, na qual eu convidei uma amiga cantora que é portuguesa, a Leia Velez. E é uma canção que mostra uma certa esperança depois de um processo muito difícil de vida. A música se chama Quem Sou Eu Depois de Quebrar. Ok, então vamos lá. Abrindo a parte musical dos sons do Brasil 575, Quem Sou Eu Depois de Quebrar, Thaís Eganelli. Vamos ouvir. Já voltamos para continuar o papo.
Quem sou eu depois de quebrar? Sou pedaços em todo lugar Quero ser alguém de novo, de novo Pra que eu possa recomeçar O que fazer depois de amanhã? Se o pilar já desmoronou Se o pilar já desmoronou
Remendar cada migalha não falha, mas deixa cicatriz Há um tempo eu vi tudo mudar Aos poucos, o rosto e o nó de perder a voz Nossos laços se achando de nós E a dor de reviver o que vivi
Me deixa ver o sol, deixa ver o sol Amar os meus como se fossem meus Como se fossem meus Me deixa ver o sol, deixa ver o sol Amar os meus como se fossem meus Como se fossem meus A CIDADE NO BRASIL
O que tem para aceitar De que os elos têm de mudar Minha vida é diminuta na luta E o que eu quero é me abraçar
Me deixa ver o sol, deixa ver o sol, amar os meus como se fossem meus, como se fossem meus. Me deixa ver o sol, deixa ver o sol, amar os meus como se fossem meus, como se fossem meus.
Quem sou eu?
Estamos de volta depois de Quem Sou Eu Depois de Quebrar com Thaís Reganelli, que é a nossa convidada de hoje. Thaís, MPB, Jazz, Samba, World Music, eu acho que tudo isso se encaixa dentro daquilo que você falou na primeira parte, de onde veio essa formação sua musical, devido às músicas que você, quando criança, morando ainda na Suíça, teve acesso, além das músicas brasileiras que seu pai trazia.
todo esse universo musical da Europa ali que acaba recebendo de tudo quanto é canto do mundo, as canções que são lançadas, são as suas influências e são a base do seu trabalho. Toda essa miscelânea musical pra ti aí, tipo assim, olha, mas disso daí tudo eu sou mais jazz, eu sou mais MPB, não te amarra muito com a tendência pra um lado ou pro outro. Na verdade, quando você tá criando, quando você tá compondo...
Isso tudo está aberto na sua mente e aí a inspiração é que deixa a coisa fluir no seu trabalho. É isso?
Eu me sinto muito livre como compositora e como artista. E às vezes essa liberdade, ela tem um lado incrível, que é justamente eu poder fazer o que eu quiser com a minha música. E por outro lado, eu não consigo me encaixar muito, não consigo me categorizar. E é uma coisa que no mercado da música, as pessoas sempre pedem, né? Que estilo você faz? O que você faz? E eu sempre fico um pouco confusa em relação a isso, porque eu acho que...
Eu não sei, por exemplo, Chico Buarque, né? Ele tem valsas, ele tem sambas, ele tem bossas, ele tem até opereta. Como é que você vai categorizar? MPB? MPB, a música popular naquela época era popular, hoje já não é mais popular. Então, pra mim...
é sempre confuso, assim, eu preciso sempre de muitas nomenclaturas pra conseguir encontrar a minha forma de expressão. Mas eu diria que sim. Música brasileira, no geral. Claro que a música brasileira tem muito do jazz. Me sinto também muito influenciada por música europeia, pelas coisas que eu ouvi. No meu primeiro álbum solo eu tenho um flamenco, já gravei algumas valsas. E é engraçado porque quando você tá fora do Brasil, essa categoria ela fica ainda mais restrita ao samba e à bossa.
No geral, as pessoas acham que a música brasileira é ou bossa ou samba, né? E é difícil explicar mesmo o que é feito. E é engraçado, porque eu faço um samba ou eu faço uma valsa e eu gosto de usar um triângulo. E o triângulo não é...
um instrumento de valsa, mas é porque eu achei que pra aquela canção fazia sentido. Então, não ter essas amarras é muito bom, porque eu me sinto livre, mas, ao mesmo tempo, não consigo muito achar essas especificações do que eu faço. É interessante isso que você falou, porque eles gostam de dividir a coisa em caixinha, né? As caixinhas aqui, você aqui. Quando chega um trabalho como o seu, e até mesmo como você disse aí, a questão da música brasileira como um todo.
A música brasileira como um todo é uma mistura de tudo isso, porque a gente recebe influência de tudo quanto é canto. E você citou bem o Chico aí. O Chico, na verdade, para nós aqui, ele é um cantor de MPB. Mas até o pessoal lá fora entender o que é a MPB, é difícil. A gente até consegue meio que dividir aqui.
Mas até mesmo no Brasil, as emissoras de rádio, quem quer que procure os trabalhos musicais, eles ficam tentando encaixar o artista dentro dessas caixinhas aí. E muitas vezes isso acaba tirando o artista, de repente, da cena. Ah, não, não sei onde encaixar, então não me interessa, deixa eu buscar outro aqui que fica mais fácil encaixar.
na verdade ele está pegando aquele trabalho que tem toda essa magia da música brasileira e deixando de lado. Porque não encaixa em nenhuma das caixinhas que ele quer que encaixe. E isso é que muitas vezes acaba limitando muito a abertura de espaço para a música brasileira e para os artistas brasileiros principalmente. Você que está na em Portugal, você que tem essa vivência toda, existe essa dificuldade também pelo que você está falando, não é?
Eu entendo que seja necessário você categorizar porque você precisa organizar de alguma forma o mundo. Você vai comprar um azulejo, você diz, ah, eu quero um quadrágio, eu quero um retângulo, eu quero um triângulo. De alguma forma a gente precisa achar uma categoria, mas muitas vezes a gente não se encaixa em nenhuma categoria que já existe.
Então, uma coisa que eu tenho usado bastante, que eu acho que talvez me defina, é uma palavra que eu acho que é uma palavra de origem espanhola, que é canta-autora. Porque eu acho que a minha expressão, ela é no que eu digo e no que eu canto. Não só na minha interpretação, mas no que eu escrevo, no que eu componho com melodia e letra. Então, canta-autora, assim como é vago e pode abranger muita coisa, também diz muito sobre uma pessoa que quer dizer aquilo.
que tem para dizer, ou seja, as minhas ideias e as minhas expressões como artista. Canta-autor é bem isso, né? Eu canto aquilo, o que eu crio. E vamos em frente. E inclusive a música brasileira mundialmente, a gente conversando, pesquisando e contato, a gente tem muito contato com muita gente que está fora do Brasil. E até muitos artistas brasileiros, assim como você, morando em outros continentes.
A música brasileira, para de repente não ficar se martirizando tanto, tentando encaixar ela em algum lugar, é word music. Porque aí você meio que joga num panelão ali onde tudo se encaixa sem ter de repente uma coisa regrada. Quando eu digo regrada, não é desmerecendo. Na verdade, é isso mesmo. É que a coisa é tão diversa que é uma word music, quer dizer, a música do mundo.
O problema é que eu acho que o word music só funciona no Brasil como termo. Porque aqui, se eu digo que minha música é word music, eles vão esperar uma outra coisa. Eles vão esperar uma música, eventualmente, polonesa com, não sei, uma coisa bem diferente mesmo. O que consigo dizer aqui é que é música brasileira ou música latina.
que inclusive o termo latino, nós aqui no Brasil pensando, já sai um pouco da linha latina, que até mesmo no Brasil a gente tem muita dificuldade de abertura para os artistas latinos, que são os hermanos, estão aqui do lado. O Brasil consome pouco, que eu acho também uma grande perda.
que tem tanta coisa maravilhosa, peruana, chilena, argentina, boliviana, uruguaia, venezuelana e assim vai, mas o Brasil é muito fechado para essa música latina, né? Então acaba ficando essa maçaroca, vamos dizer assim, de termos e que muitas vezes como a gente enxerga uma coisa, o pessoal do mundo enxerga de outra forma.
Mas o importante é que estamos aí, estamos fazendo o trabalho e seguimos. Peço licença para você agora, Thaís, eu vou dar o primeiro pitaco do programa de hoje. Então, nós pegamos aqui um cantor, que ele é natural de Piracicaba, interior de São Paulo, mas hoje residente em São Paulo.
E ele faz um trabalho muito legal, que nos dias de hoje ele traz aquela música da época das Serestas ainda, quando se reunia todo mundo com aquele violão, aquela coisa, todo mundo cantando em volta ali, que é o Roberto Seresteiro. Ele faz um trabalho muito legal. Quando você ouve, parece que você está ouvindo aquelas rádios antigas. Você vai ouvir os ouvintes também. Pegamos a música Café Society para a gente poder tocar neste momento.
Então vou convidar você, vou convidar os ouvintes para a gente curtir esse momento.
E eu me encontro com a Thaís Reganelli no segundo bloco dos Sons do Brasil de hoje. Roberto Ceresteiro e Café Society.
Doutor de anedota e de champanhota, estou acontecendo num café society Só digo enchanté, muito merci, alright, troquei a luz do dia pela luz da light Agora estou somente contra a dama de preto, os dez mais elegantes eu estou também
Adoro Riverside, só pesco em Cabo Frio Decididamente eu sou gente bem Enquanto a plebe rude na cidade dormes Eu ando com Jacinto que é também de Tormes Terezas e Dolores
Fala bem de mim, eu sou até citado na coluna do Ibrahim E quando alguém pergunta como é que pode Papai de black tie, jantando com Didu Eu peço um outro whisky, embora esteja pronto Como é que pode? Depois eu conto
Doutor de anedota e de champanhota, estou acontecendo num café society Só digo enchanté, muito messy, alright, troquei a luz do dia pela luz da light Agora estou somente contra a dama de preto
Nos dez mais elegantes eu estou também Adoro Riverside, só pesco em Cabo Frio Decididamente eu sou gente bem Enquanto a flebirude na cidade dormes Eu ando com Jacinto que é também de Tormes Terezas e Dolores falam bem de mim Eu sou até citado na coluna do Ibrahim E quando alguém pergunta como é que pode
Vai de black tie, jantando com Dido Eu peço um outro whisky, embora esteja pronto Como é que pode? Ha ha! Depois eu conto Ademã, eu vou em frente De leve, de leve
Você está ouvindo. Som apresentado. Sons do Brasil. Medo de tudo, medo do nada, medo de lá. Medo do ontem, medo do agora, do que virá. Medo da culpa, medo do apego, da escuridão.
Medo do fundo, medo do espaço, da rejeição Enquanto a sombra me ronda A vida reclama de mim Leva-me feito uma onda Tudo perece e tem fim Medo do ócio, medo da hoxa, da morte veloz
Medo da falha, da dependência, perder a voz Tudo que é imenso me aflige E o medo de fracassar Tudo que é torto me atinge Não há nem forças pra errar
Medo do gosto, medo do homem, da digressão Cair do alto, cair em si Cair ao chão Do julgamento, da filosofia De nausear Não ser amada, ser idolatrada Não saber amar Medo da perda, medo do medo Medo do fim
Medo da perda, medo do medo, medo de mim Medo da perda
Medo do medo Medo do sul
Sons do Brasil 575 na área neste momento. Chegamos ao segundo bloco hoje com a presença de Thaís Reganelli diretamente de Lisboa, Portugal, para esse bate-papo legal que estamos tendo aqui. E também apresentando algumas das suas canções, como foi essa que acabamos de ouvir agora, que é a música Medo. Eu vou pedir para Thaís dar uma pincelada sobre a música aí para nós. Thaís, Medo.
Bom Medo foi uma música que eu compus num momento em que eu tava tentando descobrir como me definir como pessoa. É até um exercício que eu tava de composição. No exercício pedia, fale sobre você sem dizer a palavra eu e sem ser muito explícito, né? E eu comecei a ver que eu era uma pessoa muito medrosa naquele momento.
Ah, tenho medo disso, tenho medo daquilo, tenho medo daquilo E virou essa canção E foi uma música que expurgou muitos medos Na minha vida, eu vi que Falar sobre eles me fez muito bem Gosto muito dessa música, foi arranjada pelo João Leniari, que é um trompetista Maravilhoso E tem a participação do Pedro Luiz Que canta comigo
Pedro Luiz, do grupo Pedro Luiz e a Parede, é isso? Exatamente. Pedro Luiz, que tem um trabalho muito legal, além desse Pedro Luiz e a Parede, ele à frente do monobloco também, fazendo vários trabalhos muito bons aqui. Dando sequência aqui no papo, então, Thaís, eu tenho uma informação aqui que eu achei até interessante. Thaís Reganelli foi elogiada por duas pessoas, assim, super conhecidas no Brasil, vamos dizer assim, mas que tem um peso bastante grande.
Caetano Veloso e Jô Soares, ou seja, nada mais nada menos do que essas duas figuraças brasileiras que têm com certeza um peso muito grande em qualquer opinião que eles possam ter feito dentro da crítica. Como é que rolou isso, Thaís? Como é que o seu trabalho chegou até eles? Como é que foi essa conexão?
Eu acho que assim, quando você tá na música há muitos e muitos anos, que é o meu caso, a gente começa a circular por uns lugares que a gente nem imagina, e a gente nem sabe que chegou nesses lugares. Então uma vez eu fui num show do Caetano, depois do show fomos falar com ele, e aí a produtora dele, que me conhecia...
Falou, ah, essa aqui é a Thaís, do álbum que você ouviu durante a tua viagem com o Milton. Eu já não me lembro o nome da turmê, mas eles fizeram uma turmê juntos faz uns, talvez, 15 anos, 20, eu não sei. E ela me apresentou como sendo a pessoa que eles ouviram no carro durante a viagem. E ele olhou pra mim, abriu aquele sorriso e disse, ah, Thaís, aquela afinadíssima. E conversamos por um tempo e foi uma conversa deliciosa.
Já o Jô, foi quando eu fui no programa dele, tanto na gravação mesmo, quanto fora. Ele também gostou muito do trabalho, ele conversou bastante com a gente, elogiou, gostou das composições. E são coisas que a gente não esquece, né? Teve uma ocasião também com o maestro Carlos Martins. Ele também estava no evento que a gente tocou e foi lá falar com a gente, gostou muito. Depois ele me telefonou, elogiando o meu álbum que eu tinha enviado pra ele.
Então, assim, são pessoas que a gente admira e fica muito feliz, né? E muito honrada quando houve um elogio desse. Como eu disse, é um elogio de peso, porque a palavra dessas figuras dentro do cenário tem um peso muito além do que é o normal. Então, é por isso que eu quis fazer esse registro aqui também sobre essa passagem da sua carreira aí.
E falando em passagem da sua carreira, você, como já falamos aqui, é uma artista multinacional, Suíça, Itália, Portugal, Brasil, mas você já circulou com o seu trabalho por vários países desse mundo, muito além desses que eu citei. Chile, Índia, França, Nicaragua, Holanda, Espanha, Angola, Bélgica, além de outros países que você já está ligado de uma forma mais direta mesmo.
Como que surge essa oportunidade para ti? Porque muita gente fala, nossa, marcar show no Brasil aqui é tão difícil por ser um artista que não está na grande mídia, não tem toda essa abertura para que o pessoal conheça. Imagine ir para fora fazer uma turnê, mas poxa, você...
rodou em bastantes países diferentes aí, inclusive em 2023, sendo convidada para representar o Brasil no G20, ou seja, são várias oportunidades que surgiram aí e, claro, não pode se perder. Vamos levar o trabalho para frente aí. Fala para a gente, então, como é esse envolvimento internacional, lógico, não é que existe uma fórmula, a gente sabe que não existe, mas para que isso aconteça, com certeza, o seu trabalho está chegando até esses lugares de alguma forma.
É, assim, eu acho que é um trabalho de formiguinha mesmo. Como somos independentes, a gente sempre tem que cavar oportunidades, conversar com pessoas. E eu faço muito esse trabalho. As pessoas costumam achar que o trabalho do músico, ele para no disco ou no palco. Mas o que tem por trás é tão imenso e tão trabalhoso e diário. Todos os dias eu acordo, ligo meu computador e vou trabalhar.
como qualquer outra pessoa. E esse trabalhar significa fazer contatos, enviar material, procurar lugares, compor, estudar repertório, enfim, tudo tem alguma coisa, né? Tudo envolve muita dedicação. Mas Calda é um desses países e surgiu de uma forma diferente, sim.
O G20, por exemplo, eles estavam procurando uma voz que representasse o Brasil, nessa convenção de 20 países, e foi um evento muito especial, porque além dos 20 países, tinha mais 12 países convidados, e tinha mais de 100 músicos no palco, e a gente fez uma grande orquestra, porque iam passar o bastão da Índia para o Brasil, no G20 da cultura.
E esse tipo de relação faz com que a gente conheça muita gente, né? Nesse caso aí, eu conheci muitos músicos e a gente troca até hoje. Então, eles querem ir tocar no Brasil, por exemplo, eu passo alguns contatos. Eu quero tocar em algum país que eles estejam, eles me passam contato. Tem isso, né? Da relação que a gente cria. E 23 foi esse ano que isso aconteceu e eu voltei agora esse ano.
Em 26, em janeiro desse ano, eu estive lá de novo na Índia, porque como foi legal aquela experiência de 2023, eles me chamaram de novo, mas aí como artista solo, e me apresentei em festivais lá. É sempre uma experiência maravilhosa, e outro continente, então, de um povo que eu não conhecia, de uma cultura que eu não conhecia, a gente aprende muito, ouvi muita música deles, e aprendi muito, são experiências que a gente leva pra vida mesmo.
Eu agora estou numa conversa com um indiano músico incrível de lá. E a gente está pensando já em parceria. Então sempre tem um pouco disso, sabe? Dessas trocas. E acho que essas oportunidades são lindas. Eu também às vezes promovo saraus aqui. Para tentar juntar os músicos. Para eles se conhecerem. E acontecem muitas trocas. Depois você vê que nesse sarau aconteceu. As pessoas se conheceram, se adoraram e gravaram uma coisa juntos.
Então você vê a coisa se fortalecendo, a cena se fortalecendo e criando mais coisas pro mundo, que é o que eu acho mais bonito, assim, sabe? Eu sou uma pessoa muito burocrática também e eu sei que tem muitos músicos que têm dificuldade na hora de lançar música, de registrar música, e eu faço isso desde sempre com a minha carreira, né? Sempre fiz tudo sozinha. Então quando eu vejo que tem alguém também com alguma dificuldade, eu faço questão de...
ir lá e falar, vamos resolver isso? Vamos lançar? Eu sento com você, a gente resolve, porque eu quero ver coisas bonitas no mundo sendo lançadas, sabe? E adoro essas parcerias, adoro cantar nos álbuns das pessoas, adoro que venham cantar comigo. Nos meus shows eu sempre chamo participações especiais, porque eu amo essa troca, eu acho que a gente não é nada sozinho, a gente não funciona se a gente quiser fazer um trabalho sozinho. Ele não é tão verdadeiro se a gente não fizer essa troca.
Muito legal. Thaís, vamos mandar mais música aqui, que temos preparados aí. A minha sugestão agora é que a gente ouça Não Precisa Ler Bula, e entre parênteses o nome dessa música chama-se Papinha com a Rita, que é uma música que veio muito nessa sensação de como a Rita lhe compunha, e eu pensei, é uma forma de eu homenagear essa...
Mulher maravilhosa, grandiosa e compositora, né? Eu gosto muito disso, de pensar que tem muitas mulheres compositoras e que a gente nem sabe que elas são. Então, foi minha forma de homenagear a Rita. Acho que quem ouvir vai sentir um pouco essa energia, a Rita Lee. Não precisa ler bula. Papinho com a Rita, de Thaís Reganelli. Vamos ouvir. Daqui a pouco estamos de volta.
Só sei que pra gostar não precisa ler burla Mas com o peito inflado Põe no poço bem guardada A receita que fiz é pra me ver feliz Já sei que pra cantar nem precisa de cifrar
Chocou firulada, nem toda canção é pura solidão Senhora marcada, dá tempo ao tempo A gente engolita a cada minuto no tempo Já sei que para amar é preciso ir a luz
A gente faz mal Arranja a casa E a casa interna E só depois E se empresta até o Senhor, na casa Há tempo, há tempo A gente engolida A cada segundo No tempo
Senhora marcada do tempo ao tempo A gente engolida a cada segundo no tempo Senhora marcada do tempo ao tempo A gente engolida a cada segundo no tempo
Voltamos então depois desse papinho com a Rita que a Thaís Reganelli trouxe para nós aqui. Thaís, na parte passada você falou sobre essa questão de parte burocrática, de lançamento de canções, isso e aquilo. Eu vou trazer então neste momento a sua discografia para a galera entender então traduzida em álbuns o que você tem marcado na história até hoje. Thaís tem cinco álbuns lançados solo da carreira dela.
E também alguns singles, que singles é uma coisa diferente do álbum, ele é solto, ele é feito ele por ele só, ele não tem uma temática, ele não tem um projeto, um conceito. É uma música que surgiu, lançou como single e segue, se não me engano, inclusive, Medo é uma dessas canções que foram lançadas como single.
mas a Thaís confirma pra gente. Vou descorrer aqui, Thaís, se eu errar alguma coisa, por favor, me corrija. Em 2002, Thaís lançou o álbum MPB e Companhias, em parceria com Henrique Torres. Em 2009, Antes que a Canção Acabe. Em 2011, Leve. Em 2014, De Fácil, que é um álbum, inclusive, voltado ao público infantil. E...
11 anos depois, teve um gapzinho um pouco maior aí, Pulmão Aberto, que é o trabalho atual que a Thaís vem apresentando e tem como filho mais novo, filho mais recente. E como eu disse, fora vários singles que surgiram nesses intermeios aí. Tô correto, Thaís? Errei alguma coisa? Por favor, tá contigo a palavra.
Tá, correto. Na verdade, o Pulmão Humberto foi no ano passado, então o gap foi de 10 anos, mas 10 para 11 é quase o mesmo coisa, né? E quando eu digo 10, 11, que seja, mas é um tempo longo, todos muito maiores em relação aos outros álbuns que você lançou, a distância deles. Teve um motivo especial? Não, foi a danada da pandemia aí que atrapalhou? Teve algum motivo para isso ou não?
Foi realmente um direcionamento diferente, porque quando você lançou o De Fácil em 2014, você deu uma direcionada naquele momento, um trabalho seu, mas para o público infantil. Como é que se traduziu todo esse período aí para ti? Teve isso, teve esse projeto infantil que rendeu muitos e muitos shows. Eu fiz várias turnês durante vários anos, então...
Sim, usei alguns desses anos aí pra turma infantil. Depois teve mudança de vida. Em 2017 eu vim pra Portugal, embora eu esteja ainda no Brasil, fico meio a meio. Mas 2017 foi a primeira vez que a gente veio mesmo. Aí conta mais um tempinho também de adaptação e mudança de casa. E depois, logo em seguida, teve a pandemia. E eu comecei a criar coisas e eu não sentia que era hora de lançar um álbum mesmo. Eu gravava...
em discos dos outros, participações, eu lancei alguns singles, eu gravei uma música de uma banda portuguesa, depois eu gravei uma música do Chico Puarque, depois uma do Nando Freitas, e o medo foi um single que eu lancei, mas que eu achei que tinha tudo a ver.
com esse álbum novo. Então, medo entrou pro pulmão aberto, porque tinha a ver com essa proposta que era um álbum só de músicas minhas mesmo, porque os outros álbuns, embora autorais também, tinha músicas de amigos inéditas, mas que não eram minhas. No pulmão aberto são todas minhas mesmo. Então, acho que teve essa maturação de criar toda essa coragem também, embora eu trabalhe com isso a vida toda, era uma outra fase e eu queria mostrar um trabalho bonito.
Voltando no de fácil, que foi, como a gente falou, esse trabalho que te rendeu bastante coisas, ele teve indicação a prêmio também. Inclusive, falando em prêmios, você foi indicada duas vezes ao prêmio da música brasileira, que podemos dizer que é o prêmio More.
da música brasileira, que é o pelo menos aquele que tem um peso bastante grande. Mesmo que você não o conquiste, mas só o fato de ser indicado, eu acho que já traz um peso muito grande de reconhecimento em cima do seu trabalho.
Eu concordo com você, porque a gente tá ali com os gênios, né? A gente tá ali com Chico, Gil, Chico César, até os mais novos. Enfim, Marisa Monte é briga de cachorro grande, né? Então, pra mim, é uma honra estar nesse bolo aí todo.
Thaís, eu já pitaqueei, a gente tem um verbo aqui, é o pitaquear. Não sei se já ouviu falar nisso, mas o Sons do Brasil tem esse verbo aqui, que é bastante forte, porque todo mundo fica atento, tá ali ouvindo o papo sobre o artista que tá aqui. Mas o que vem de pitaco? Porque o pitaco sempre é uma surpresa, é uma coisa que a gente pinça sem nenhuma regra, sem nenhuma linha definida. É simplesmente aquela música que você ouve, acha legal e apresenta pro público.
E a gente envolve o artista convidado também para que ele traga o seu pitaco aqui. Então vou passar o pitaco nesse momento para a sua mão. Quero saber o que você traz para a gente apresentar para os ouvintes.
Eu trago um artista de Porto Alegre, chama-se Djamen, é um artista que compõe lindamente, ele é um multi-instrumentista, ele canta também, e ele acabou de lançar um álbum, e nesse álbum tem uma música chamada Guri, que eu acho uma música importante, eu acho uma música bonita, eu acho que ela tem nuances, e que ela é uma facada no peito, e um...
Abra teus olhos e ouve essa canção, sabe? Eu acho que é um algo inteiro, na verdade, que a gente tem que ouvir, mas essa canção tem uma coisa específica que vocês vão entender. Vamos lá, então. Abra os seus olhos, os ouvidos e ouça Guri com Djamem, pitaco da Thaís Reganelli aqui. Eu me encontro com vocês aqui no terceiro bloco. Vamos lá, já voltamos.
Eu tinha um sonho igual ao teu Saí pra jogar meu futebol Tava caminhando na rua, voltando pra casa Sujo de terra, com fome de chegar
Obstaculos de pedra Enfrentando monstros imaginários Como toda criança faz Eu nem me apercebi Até você correr Então por um momento Não entendi por que
Que esse tempo durasse para sempre Mas quando eu entendi Nasceu dentro de mim A velha consciência Uma grande revolta Não sou bandido, não vou te roubar Eu tenho sonhos iguais aos teus
Não sou bandido, não vou te roubar Eu tenho sonhos iguais aos teus Não me confunda por causa da minha cor Só quero existir nesse mundo, ser olhado como
Pra jogar meu futebol Você está ouvindo Voltamos a apresentar Sons do Brasil Eu Pensei em te escrever Há tanto pra dizer Compor uma canção
E ver amanhecer Não Não vi amanhecer Me vi entre lençóis No abismo entre nós Maior que era de ser
Saudade Saudade é frio por dentro Saudade dobra o tempo É chuva no meu peito Era tão real
Pra onde foi, vem Mora no meu ar Pra eu te respirar
Eu tinha de ser maior Tinha de ser melhor Já não te toco mais Já não te alcanço mais
Saudade, saudade é frio por dentro Saudade dobra o tempo É chuva no meu peito Saudade, saudade é frio por dentro
Saudade dobra o tempo É chuva no meu peito Assim Pode então partir
Terceiro bloco dos Sons do Brasil 575, a partir deste momento, hoje com Thaís Reganelli, diretamente de Portugal. Ela que é uma artista do mundo, eu falo isso porque o que ela tem de giro por esse mundão afora aí não está escrito, e eu acho isso muito bom porque, primeiro, ela levando o trabalho dela e a música brasileira por esses rincões afora.
E também para ela colhendo material, colhendo informação, colhendo conhecimento para que ela dê sequência nesse trabalho bacana que ela tem aí durante todo esse tempo de caminhada. E acabamos de ouvir mais uma canção da Thaís, que é Saudade Dobre o Tempo. Thaís, conta para a gente sobre essa canção.
Essa canção veio de um momento de dor e de homenagem. Foi para três pessoas específicas que tinham ido embora, na verdade. A primeira delas foi o Naum Alves de Souza. A gente tinha um certo contato e eu fiquei muito inconformada quando ele morreu por uma bobagem. Depois a Cecília Thompson, que é jornalista e a gente trocava muitos e-mails. Era uma pessoa muito especial, gostava demais dela. E por fim, um grande amigo que morreu na pandemia por conta da Covid.
Então foi uma reunião, assim, de homenagens, que eu fiz numa canção só. Como se eu estivesse escrevendo pra essas pessoas e conversando ainda, como se elas estivessem aqui. Mas ao mesmo tempo, dizendo que elas poderiam ir tranquilas, porque a vida seguia aqui. Essa canção tem a participação do Pedro Altério, que é um grandissíssimo músico que eu admiro muito também. E é uma canção muito especial, assim, pra mim. Gosto muito dela e espero que você goste.
E, dando sequência no papo aqui, duas coisas que eu queria pontuar para ti, Thaís, trazendo como experiência, trazendo como vivência tudo isso. Primeiro, falar sobre festivais. Você já citou em algum momento aqui que você foi para a Índia, participou de alguns festivais? Acredito que esses festivais tenham sido aqueles festivais tipo mostra, ou seja, você vai lá para mostrar o seu trabalho e todo mundo que participa dele está ali para isso.
mas também de festivais como concorrência, que hoje no Brasil a gente tem muito ainda acontecendo por vários pontos espalhados nesse país continente que nós temos aqui, e que muitas vezes é a válvula de escape para que o artista independente possa apresentar o seu trabalho, já que aquele espaço merecido que eles deveriam em grandes canais de mídia, ou pelo menos nos canais de mídia, não acontece.
E eles acabam ficando até de uma forma muito conhecido nesses festivais, porque a música deles sempre está ali sendo representada. E eu sei que você participou de alguns em algum momento. E também, na sequência, se você quiser falar, a questão de abrir shows para esses grandes nomes da MPB, que a gente sabe que tem um peso grande quando você pisa no mesmo solo, no mesmo palco, onde esse pessoal se apresentou.
pra gente que tá ali tentando galgar o nosso trabalho, conquistar o nosso espaço, muitas vezes tem uma importância imensa mesmo. Então, tá contigo a palavra. Bom, sobre os festivais, esses que você falou que são tipo mostra, na verdade nada mais são do que, como se fossem Rock in Hills, né? Só que de todo tipo de tamanho, de estilo, que é um festival que o público paga uma entrada e vai ver alguns artistas. Esses, eu fui convidada em alguns, inclusive o Festival da Poesia de Managua.
Eu fiz um festival desse. São lugares muito interessantes para você dividir o público, né? Então, não necessariamente a pessoa vai para me ver, mas ela acaba me vendo. Isso eu acho muito interessante. O que acontece também com os de concorrência. Porque o público está lá, vai assistir alguém em específico, vai torcer para alguém. E pode gostar de outro artista. Eu, durante muitos anos...
uns 15 anos da vida, eu circulei bastante o Brasil com festivais e foi uma fase muito gostosa. Eu tenho saudade de fazer isso porque eu conhecia muita gente nessa época. A gente cruzava com muita gente, viajava muito. Tem aqueles festivais de Minas que passam por todas as cidades.
E depois da pandemia, ficou um pouco mais chato, porque os festivais a gente tinha que gravar de casa, tocar a nossa música, enviar, e não tinha troca com os músicos. Eu lembro, por exemplo, eu estava lá com a minha flautinha, esperando para entrar, para a gente fazer a nossa música que ia concorrer. Aí o amigo da terceira música falava, putz, acho que eu queria uma flauta na minha música, você não topa lá fazer? Ah, como é que é?
beleza, e a gente participava da música do outro, e conheci muita gente legal, assim, sabe, fiz muita coisa com o Diego Moraes, a gente sempre participava juntos, e gostava muito disso também, é aquilo que eu te falei, né, da troca, isso pra mim é fundamental, assim, na minha história de vida e carreira.
Eu costumo dizer que tudo se confunde, né? Porque eu não tenho muito uma persona artista. O que eu sou é aquilo que eu tô fazendo no palco também. Tanto que grandíssimos amigos da minha vida são pessoas que no início eram fãs, que iam me ver cantar. E hoje são amigos pessoais pra minha vida inteira.
Isso é muito legal também. Depois você falou de abrir shows de gente graúda. Isso também é interessante pra você ver o método de trabalho deles. Porque quem tá na estrada sempre, sempre, sempre, a gente não tem tanta oportunidade de assistir outros shows, de ver outros músicos tocarem. E quando a gente acaba fazendo uma abertura de um show, a gente acompanha tudo, né? Ah, como é que essa pessoa passa som? Deixa eu ver como é que é.
Ela usa isso, ela usa o tal microfone, uns detalhes assim, sabe? Como é que ela faz um aquecimento vocal no camarim, fora. E eu gosto muito dessas coisas também, sabe? De entender como é o funcionamento dos outros artistas. Eu acho lindo o fato do Gilberto Gil, a passagem de som dele ser o show inteiro. Ele passa o show inteiro dele. Eu acho isso lindo.
Eu adoraria fazer isso, só que nem sempre a gente tem as condições ideais. O som não tá pronto pra você ensaiar, ou então num festival tem cinco bandas e você tem dez minutos pra passar teu som. Enfim, é aquela confusão, né? E é legal, é porque você experimenta muitas outras coisas.
Um festival que me lembra muito, assim, que foi nesse esquema mais pandêmico, foi o da Rádio MEC, né? Que é das rádios públicas do Brasil. E que a música Medo ganhou e eu fiquei muito feliz. Porque é uma música não necessariamente palatável. Então é uma da qual eu me orgulho bastante.
É isso, as experiências de Thaís Reganelli nesse giro todo aí, coisa que, como eu disse, vai formando e vai criando a história e a trajetória do artista dentro da caminhada musical. Thaís, segunda vez, vou pedir licença, vem o segundo pitaco dos Sons do Brasil agora.
que é um artista do Paraná, que hoje vive em Toronto, no Canadá. Olha aí, mais um artista brasileiro que está fora do país fazendo o seu trabalho, que é o Renan Deodato. E ele me apresentou a música Qualquer Jeito, que também tem uma letra muito interessante para que você escute e reflita. É uma letra reflexiva também. Então, vamos ouvir Qualquer Jeito com o Renan Deodato e
eu me encontro com a Thaís aqui pra gente poder literalmente passar a régua no nosso papo aqui, que foi muito gostoso. Vamos ouvir a canção e já me encontro com a Thaís aqui.
Veja tudo o que quiser ver Diga tudo o que quiser dizer Faça o que fizer Seja certo ou errado Algo estranho ou complicado Só importa ser você
Eu preciso respirar De um tempo pra pensar Me encontrar de qualquer jeito Ver o sol amanhecer Ver a vida acontecer E acreditar que a gente
De que a vida não tem fim Deixa o tempo passar Espero um dia encontrar o lugar De onde eu vim De onde eu vim De onde eu vim
Eu preciso respirar, de um tempo pra pensar Me encontrar de qualquer jeito Ver o sol amanhecer, ver a vida acontecer E acreditar que ainda não acabou Eu preciso respirar, de um tempo pra pensar Me encontrar de qualquer jeito
Ver o céu amanhecer, ver a vida acontecer e acreditar que ainda não acabou. Não acabou. Não acabou.
De volta depois do segundo pitaco dos Sons do Brasil no programa de hoje, que foi Renan Deodato e a música Qualquer Jeito. E com isso, estamos chegando ao final dos Sons do Brasil 575, que teve a honra de receber essa graça que é Thaís Reganelli. Muito obrigado, Thaís, por nos receber de uma forma digital aí na sua casa.
E você também junto com a gente aqui. Legal mesmo ouvir um pouco da sua história. Claro, se a gente fosse entrar em detalhes, a gente teria que fazer muitos mais programas aqui. Mas tentamos dar uma pincelada geral em pontos e fatores importantes dentro dessa sua caminhada. E a gente só tem a agradecer mesmo você estar junto com a gente em mais uma edição e mais um capítulo da nossa história escrito aqui.
E a partir de agora você recebe a chavinha da Casa Sons do Brasil. É só chegar, abrir a porta, entrar, se aconchegar. Como eu sempre digo, a sala é pequena, mas cabe muita gente. A gente sempre dá um jeitinho aqui, tá bom? Thaís, brigadaço mesmo, tá? Imagina, Sérginho, eu que agradeço. Foi um prazerzaço. Queria muito estar aqui com você. Tô bem feliz. Obrigada.
Eu que agradeço mais uma vez. E vamos fazer o seguinte, Thaís. Você está caminhando com o seu trabalho, o álbum ainda novo, ainda circulando. Acredito que tenha mais coisa para chegar, porque o artista, o autor, o compositor, ele nunca para, apesar de ele ter lançado o álbum aqui, ele já está...
com coisa nova no canto ali, sendo preparado. Manda então suas redes sociais, contatos aí, para que o pessoal possa acompanhar o seu trabalho, o que você vem fazendo, agenda de shows e tudo mais. Então, está na sua mão, manda nota para o pessoal. Muito obrigada por isso.
Bom, em todas as redes eu tô com o meu nome mesmo, que é Thais, Thais sem H, T-A-I-S, Reganelli, com dois L's. Então eu tô assim, no YouTube, no Spotify, no Deezer, na Apple Store, enfim, todos os streamings, Instagram também. E eu tenho feito um movimento tentado anti...
digitalizar demais, anti-rede social demais, e tenho coletado ao longo dos meus shows o e-mail das pessoas, coisa que eu fazia lá no meu início de carreira. Então, quem gostou, eu peço que envia um e-mail pra mim, por qualquer rede que seja, seja meu site, taiseganelli.com ou pelo Instagram, pode mandar uma mensagem falando qual cidade que tá, que quando eu tô na cidade eu envio um convitinho pra assistir o show, com a divulgação, pra gente ficar menos refém de ter que entrar nas redes sociais,
e ficar sabendo das coisas. Mas de qualquer forma, está sempre no meu site e sempre nas redes. As datas estão sempre lá. Nada como muitas vezes a gente voltar um pouco no tempo porque muitas vezes a coisa vai se digitalizando tanto e vai perdendo um pouco aquela coisa do contato mais direto, o contato humano, apesar do e-mail ser algo digital.
Mas era uma coisa que funcionava bastante lá atrás, não é? Ficava uma coisa até mais direta do que uma rede social. Mas, como estamos em época de redes sociais, época digital, eu vou convidar também o ouvinte para seguir o Sons do Brasil. Nas redes sociais, estamos lá no Instagram como arroba sons.do.brasil. No Facebook, temos ainda a nossa página, arroba projetosonsdobrasil.
O nosso site está à disposição, estamos atualizando, mas temos um monte de programa que já rolou à disposição lá no sonsdobrasil.mus.br e estamos também no Spotify agora, aos poucos subindo os nossos programas. É só procurar lá, Sons do Brasil, onde a música pensante brasileira tem vez e voz. Esperamos vocês por lá.
E, Thaís, para a gente, então, encerrar esse papo gostoso que nós tivemos hoje, eu vou pedir para que você indique a música de encerramento, nada mais justo que a nossa convidada faça o encerramento do programa aqui. Então, o que vamos apresentar para os ouvintes?
Como um último beijo. Música minha e da Nurema Lena. Que é um abracinho. E uma canção pra gente pensar. Se o último necessariamente é alguma coisa ruim. Ou se o primeiro necessariamente tem que ser bom. As coisas não são preto no branco. A gente tem muitas nuances na vida.
quebrar um pouco essas regras, não é? Deixar o momento acontecer, fluir da melhor forma possível. Então, quero agradecer a você que esteve com a gente durante esta uma hora de bate-papo aqui com a Thaís Reganelli. E claro, semana que vem estamos de volta sempre com convidados especiais e um papo muito gostoso, além de canções maravilhosas para você curtir, conhecer, ouvir e colocar na sua playlist, por que não? Encerrando os sons do Brasil de hoje, vamos com...
Como um último beijo de Thaís Eganelli. Thaís, a casa é sua, como eu disse. Pintou coisa nova? Manda pra nós. Vamos lá, então? Um abraço pra vocês. Como um último beijo, Thaís Eganelli. Até a próxima semana.
Último beijo Como a última estrada Não há nada que caiba Um último abraço Como um último suspiro Como um sopro de cada Um pedaço
O que falta, onde não me sobra nada Vem que o tempo é seu
Vai que o tempo voa O tempo que eu preciso É preciso com você Pela última vez Pela última fala Uma falha na pauta Pelo assunto que me falta Como um primeiro filho
Último amor, ouça o último fado Não se perca do meu lado Vem que o tempo é seu Vai que o tempo voa O tempo que eu preciso É preciso pra você
Vem que o tempo é seu Vai que o tempo voa O tempo que eu preciso É preciso com você
Pela última fresta, pela última sombra Não há raio de sol, não há nada E o último apaga a luz E o último fecha a porta
Você ouviu Sons do Brasil, onde a música independente tem vez e voz. Apresentação Serginho Ságita.