Episódios de Que História É Essa, Porchat?

Marcia Sensitiva + Isabel Teixeira + Gabriel Godoy

10 de junho de 202652min
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Na roda com Fábio Porchat estão os atores Gabriel Godoy e Isabel Teixeira e a astróloga Marcia Sensitiva. Gabriel conta problemas com glúten que provocaram um acidente. Isabel lembra de quando foi salva por um ladrão. E Marcia recorda um encontro com um espírito porcalhão. Na plateia, Lucas traz um assalto que virou uma piada de super-herói.
Participantes neste episódio5
F

Fábio Porchat

HostComediante
G

Gabriel Godoy

ConvidadoAtor
I

Isabel Teixeira

ConvidadoAtriz
L

Lucas

ConvidadoFotógrafo
M

Marcia Sensitiva

ConvidadoAstróloga
Assuntos8
  • Experiencias ParanormaisMarcia Sensitiva e o espírito 'porcalhão' · Tony Ramos também vê espíritos · Espíritos Incubus e Sucubus · Espíritos atraídos por tristeza
  • História de Isabel Teixeira e o filho no carroEsquecer a chave dentro do carro · Ladrão de rádio salva o bebê
  • Testemunho de assaltoIsabel Teixeira e o ladrão de rádio · Lucas e o assalto que virou piada · Alice e o assalto 'mais ou menos'
  • Doenca celiaca e intolerancia ao glutenGabriel Godoy e o acidente causado por peido · Glúten como celebridade
  • Memórias da Primeira ComunhãoPrimeira lembrança de Isabel Teixeira com Marcinho · Primeira maçã de Marcia Sensitiva · Gabriel Godoy e a Copa de 90 · Marcia Sensitiva e a crucificação de Jesus · Gabriel Godoy e a invasão do Corinthians · Isabel Teixeira e o assassinato de John Kennedy
  • O que você gostaria de ter presenciadoMarcia Sensitiva e a crucificação de Jesus · Gabriel Godoy e a invasão do Corinthians · Isabel Teixeira e o assassinato de John Kennedy
  • O que escrever na lápideGabriel Godoy e Guimarães Rosa · Isabel Teixeira: Vim, adorei e desapeguei · Marcia Sensitiva e o retorno em espírito
  • Autenticidade vs Robotização no BrasilInteligência artificial como melhor amigo · Churrasco da Tim em Niterói
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Fábio Porchat:E aí, minha gente, eu sou o Fábio Porchat e esse é o podcast do meu programa no GNT. Aqui, Que História É Essa, Porchat, eu ouço e conto também histórias curiosas e divertidas da vida das pessoas. Seja anônimo, famoso, não importa. O que importa é ter uma boa história. Vamos nessa, meu povo, Que História É Essa tá começando! Sim, sim! Uhul! Ó, sempre que eu tô aqui com vocês Eu penso como é bom ser brasileiro, que a gente gosta de falar das coisas que só tem no Brasil. Mas é bom lembrar também daquelas coisas que não iam funcionar bem por aqui. Quer ver um exemplo? Transformar inteligência artificial em melhor amigo. Isso lá no Japão tem gente já fazendo, mas aqui não tem brasileiro que encare essa trend, não. Porque imagina, quem vai te sacanear quando você contar uma piada ruim?

Lucas:Entendeu?

Fábio Porchat:Tem que ser aquele amigo que vai rir quando você fizer o seu glu glu, yeah, isso aí, aí. Ah, não entende essas coisas. Ou quem é que vai te levar pra um churrasco da Tim em Niterói de ônibus? Amigo mesmo. Esse troço de "ah, não se cria aqui no Brasil não", deixa isso pras amizades artificiais, lá pros gringos, pros japoneses mesmo. Aqui, Brasil, Brasil é raiz. O brasileiro só topa carne e osso. Por isso que a gente vai começar esse programa no maior calor humano, com Gabriel Godoy, Isabel Teixeira e Márcia Sensitiva, meu povo! Ai, que calorzinho gostoso na alma! Bem-vindas, bem-vindos! Eba, eba, eba! Márcia, eu confesso, quando Márcia topou vir aqui, eu falei: "Gente, a gente precisa passar uns galho-de-arruda aqui pra deixar energia boa pra ela." Você tá achando que a energia aqui tá legal?

Marcia Sensitiva:Tá boa, a turma tá alegre.

Fábio Porchat:Tá alegre?

Marcia Sensitiva:Tá leve? Tá feliz, feliz.

Fábio Porchat:Tem alguém que eu preciso mandar embora, não?

Marcia Sensitiva:Não, tá tudo bem.

Fábio Porchat:Tá vendo algum morto aí no meio deles?

Marcia Sensitiva:Vários.

Fábio Porchat:Tem vários, né? Tem vários. Ela vai falar já já disso. Você sabe que história de fantasma, história assim de assombração, A minha plateia ama, mas odeia ao mesmo tempo. Tem medo. Porque parece, sabe, acidente, que quer ver, mas não quer? Fica olhando aqui, mas fica assim, ó. É um pouco a plateia. Eles têm um certo medo e eu gosto deles com medo. E a sua história vai dar medo neles.

Marcia Sensitiva:Horrorosa.

Isabel Teixeira:Ai, meu Deus.

Gabriel Godoy:Ai, meu Pai amado.

Fábio Porchat:Por isso que eu vou te deixar pro final. Eu dei até esse gancho aqui, ó. História horrorosa. Horrorosa, né? Você vê gente desde quanto tempo?

Marcia Sensitiva:Desde 5 anos de idade eu sou vidente. Tô com 73.

Fábio Porchat:E você vê gente mesmo?

Isabel Teixeira:Dourado.

Marcia Sensitiva:Eu sou que nem cavalo, gato, eles veem gente também, eu também vejo, eles têm sensor.

Fábio Porchat:Vê gente morta, você diz?

Marcia Sensitiva:A gente não tem sensor, é terrível isso. Me assustei muito pela vida.

Fábio Porchat:Ai, meu Deus, mas segura essa que esse é o gancho bom.

Gabriel Godoy:Achei que o programa fosse divertido.

Isabel Teixeira:Eu também, tô bem apreensiva agora, sincero.

Fábio Porchat:Eu tô feliz demais que tem 3 pessoas que nunca vieram no programa, então tá tudo muito fresquinho, tá todo mundo com medinho.

Isabel Teixeira:Eu tô.

Fábio Porchat:Tá com medo?

Isabel Teixeira:Muito. Ah, então vou começar com você. Ah, desgraçado!

Fábio Porchat:Mas porque você tem uma história que é assustadora.

Isabel Teixeira:É. Né? É, porque ela é grave. Ela é grave, assim. E é quase do século passado, a minha história também. Porque ela aconteceu em 2004. Meu filho nasceu em 2003. E a história com ele...

Fábio Porchat:Ele tinha ali quase um ano, então.

Isabel Teixeira:Tinha entre 6 e 8 meses. Agora ele vai fazer 23 anos. Quer dizer, é uma coisa impressionante. E ele sobreviveu a mim.

Fábio Porchat:Isso é o mais importante.

Isabel Teixeira:Ele sobreviveu a mim e ainda assim. O nome dele é Diego. E ele... Ai, eu estou com muita saudade dele, porque ele é um cara que foi para o mundo, mas não fugindo de mim, não pelas coisas que eu fiz.

Fábio Porchat:Vamos descobrir agora.

Isabel Teixeira:Ele sempre foi um cara muito calmo, muito calmo.

Fábio Porchat:Desde bebezinho?

Isabel Teixeira:Desde bebê. Eu lembro dele vendo a chuva pela primeira vez, tudo meio em câmera lenta, ele contemplativo assim, sabe? Olha, um Buda. Não, quase. Ele tem uma coisa que eu sinto que é uma espiritualidade, sabe? Uma pessoa que já veio... Num outro nível, assim. E aí nasceu de mim, do pai dele, entende? E quando você tem o primeiro filho, é um horror, porque é muita coisa pra prestar atenção.

Fábio Porchat:Muita novidade.

Isabel Teixeira:É muita responsabilidade, entendeu? Então assim, nunca mais a gente pode sair de casa, tipo, você me convida pra uma coisa, eu falo: "Vamos, pego o carteiro e sai." Não é?

Marcia Sensitiva:Não!

Isabel Teixeira:Não, você tem que pegar a bolsa, abre a bolsa, pega a bolsa, põe a fralda, põe a mamadeira, põe não sei o quê, precisa de não sei o quê, precisa de não sei o quê lá. Lencinho umedecido. O lencinho umedecido, Não pode faltar. E nisso você tá organizando isso, mas você tá organizando a sua bolsa pessoal também. Ainda tem a casa, né? Eu sou louca por organização, então ainda tem que estar tudo bem, eu tenho que estar no controle.

Fábio Porchat:Mas que fácil tua vida é, hein?

Marcia Sensitiva:Muito fácil.

Isabel Teixeira:Tinha essa coisa de mãe-povo, as agruras da mulher-povo, né? Porque isso foi uma agrura. E eu, o que eu fazia? Eu fazia feira orgânica no Parque da Água Branca, em São Paulo, aos sábados de manhã. Por quê? Porque eu tenho que comprar tudo orgânico, entendeu? Tem que estar tudo limpo, tem que estar tudo perfeito. E eu ia sozinha com ele. Ele sempre fez comigo supermercado, feira, punha ele no carrinho.

Fábio Porchat:Não lembra de nada. Primeiro filho é orgânico, segundo filho era Dolly Guaraná.

Isabel Teixeira:É mais ou menos por aí. A Flora já é de outro planeta, é outro programa, a Flora. Mas aí eu ia na feira orgânica com ele e aí era aquele negócio, né? Então, eu faço uma contagem, gente, na minha cabeça. Eu estudei balé clássico a vida inteira. Então é: pega o negócio, faz 1 e 2 e 3 e 4. Pega sacola, pega não sei o quê, pega... Não, não, não, o que que tá faltando? Eu ia neste ritmo. Chegou no carro, abre a porta do carro. Carro com chave, não é carro pipi.

Fábio Porchat:Não tem pipi.

Isabel Teixeira:Pega o som, né? O som, porque o som... Ah, porque eu tirava, né? Você tira o CD, play.

Fábio Porchat:Porque roubavam, roubavam.

Isabel Teixeira:Muito, muito. E ali no Parque da Água Branca, eu morria de medo porque tinha gatinho.

Fábio Porchat:Eles quebravam o vidro pra roubar a frentinha.

Isabel Teixeira:Olha, era a terceira frentinha que eu tinha. Terceira, terceira.

Fábio Porchat:A gente usava CD, minha gente. É verdade. E tinha o porta-luvas.

Isabel Teixeira:"Pega o CD do Dia, pega não sei o quê." Eu queria tudo pleno. Mas aí chega no parque, vê o pato, tinha, não sei se agora tem mais, mas tinha um pavão, tinha pato, tinha galinha.

Fábio Porchat:Já comeram esse bicho? Isso é um Brasil que não existe mais, né? Isso é 2004, só. Nossa, isso já virou linguiça.

Isabel Teixeira:Mas aí o Diego gostava, então tinha tudo, uma coisa que eu falava: "Tudo vale a pena, a vida vale a pena, tudo vale a pena." E faz todas as compras, não era pouca coisa, porque tinha que fazer a papinha, papinha com as coisas orgânicas e tal. E nesse dia eu saí do parque, um sol, mas um sol, porque assim, São Paulo quando faz calor não é que nem aqui no Rio de Janeiro, tem brisa. São Paulo é uma coisa assim frita, por causa do concreto, mas era um sol de rachar. Então fora isso, tinha o quesito calor, que também era... Muito... Ai, Deus...

Fábio Porchat:Me deu vontade de ter filho, sabia? Ai, eu vou sair daqui e vou transar com a minha mulher, sabia? Pra comer morango.

Isabel Teixeira:Inspirador. Era divertido. É ainda, vai ficando cada vez melhor.

Fábio Porchat:E aí você fez as compras todas?

Isabel Teixeira:Fiz tudo e pega a chave e abre a porta, põe o Diego no bebê conforto, pega o carrinho, tira o couro do carrinho, pega a sacola, põe a sacola ali, pega a chave, põe não sei o quê, abre o porta-malas, porque aí vem as compras. "Tem muito mais coisa, então pega as frutas que eu já dei..." "As frutas, os legumes..." O carrinho...

Fábio Porchat:Fechou as portas tudo.

Isabel Teixeira:Com a chave dentro e o Diego também.

Fábio Porchat:Só que... Antigamente, no século 18, quando essa história passava, você se deixasse a chave bater essa porta, não abria a porta. Não abria.

Isabel Teixeira:Jamais, não. E assim, o fator do calor, claro que isso é perigoso, mas isso é muito perigoso.

Fábio Porchat:É mesmo?

Isabel Teixeira:É muito perigoso, sim.

Fábio Porchat:Você, quando tentou abrir a porta e viu que não abriu, você já se desesperou? Você pensou: "Não, de repente tá a porta-malas..." Chave. É, a gente procura a chave até onde não há.

Marcia Sensitiva:Aqui.

Isabel Teixeira:Não, mas amor, você não tá entendendo, porque aí veio o meu pior. E o meu pior é essa filha de Alexandre, neta de Lourdes. Entende? Que é o seguinte: Medéia.

Fábio Porchat:Sabe?

Isabel Teixeira:Mesmo, Jocasta. É pesado, é teatro grego, porque eu fiz assim: "Ai, meu filho!" Eu prendi meu filho dentro do carro. Tava movimento, movimento. A feira fica cheia de gente.

Fábio Porchat:Gente não tatuou a pé, falou: "O que é isso? Tá acontecendo?" As pessoas...

Isabel Teixeira:As pessoas começaram a parar e ver. Eu me lembro de uma senhora vindo na minha direção assim... E eu gritava, já chorando muito, falando: "Meu filho!" Eu peguei a chave, acho que eu bati. E a moça falou assim, a senhora falou assim para mim: "Respira, respira, você vai assustar o seu filho." Aí eu lembrei que o Diego estaria vendo isso.

Fábio Porchat:Lógico.

Isabel Teixeira:E que eu não era a protagonista. Essa história, era ele, preso lá dentro por essa mãe, essa mãe terrível, que eu tava me apresentando, tudo pra mim acabou, todo o meu esforço daqueles meses todos foi tudo por água abaixo.

Fábio Porchat:Você virou uma Carminha de repente, né?

Isabel Teixeira:Totalmente, por isso que eu tô aqui nessa carreira que eu tô fazendo, porque na verdade eu sou uma vilã, né?

Marcia Sensitiva:E aí...

Isabel Teixeira:A moça falou: "Calma que você vai..." Eu lembrei que tinha um dia, quando eu olhei pra ele, ele tava... Juro, eu não sei fazer esse olhar, ele faz pra mim até hoje, mas é uma coisa assim...

Fábio Porchat:É que na cabecinha dele, ele não sabia falar ainda, mas era assim: "Eu avisei." Eu acho que tem um além aí, que é assim: "Ai, coitada..." Eu acho que era o contrário, assim: "Coitado de mim." Essa é a minha mãe.

Isabel Teixeira:É, exatamente. "Onde é que eu fui nascer?" E aí foi juntando gente... Muita gente. Porque aí eu falava: "Tá calor, tá calor." Então, e eu acho que ficou engraçado, porque a mulher falou pra eu me acalmar e pra eu ser simpática com ele. Então eu estava gritando assim: "Ai!" E eu olhava pra ele e fazia: "Hihihihihi." "Filho!" E ele me olhava com uma cara... Sabe? É um olhar assim... E eu lembro que ele tinha uma chupeta, que ele ficava com a chupeta na mão.

Fábio Porchat:Na mão?

Marcia Sensitiva:É.

Isabel Teixeira:E acho que ele punha, voltava, sabe? Ele tava fumando a chupetinha dele. Mas nada, não se mexia. Pra ele, nada aconteceu.

Fábio Porchat:Porque a solução ali era o quê? Quebrar o vidro?

Isabel Teixeira:Aí começou essa discussão.

Gabriel Godoy:Eu lembro dessa época de abaixar arame, esse tipo de coisa. Você tinha que pegar o pininho, né?

Isabel Teixeira:A gente começou a falar... Pininho, salvação. Pino, porque acho que as pessoas... O pino era... Você tinha que puxar o número. Tinha um pino. Puxava, não era titi.

Fábio Porchat:Quebrar o vidro é a primeira coisa.

Isabel Teixeira:Então, mas primeiro eu falei chaveiro. Chaveiro, alguém falou: "Não dá tempo, tá muito quente. Chaveiro não." Aí, quebrar o vidro. Quebrar o vidro vai assustar o bebê. Quem vai quebrar? Aí já veio uma pessoa, parque da Água Branca: "Galho, vamos pegar um galho." O ser humano é maravilhoso. O ser humano, um ajuda o outro. Eu fiz uma corrente ali, entendeu? De pessoas que estavam tentando me acalmar, outro tava tentando trazer água, outro me ofereceu uma maçã orgânica, entendeu? E o pessoal da feirinha, quer dizer, está todo mundo quase hippies ali, perto da Água Branca e tal. Aí veio um cara e falou assim: "Eu posso abrir a porta para a senhora?" Eu falei: "Pode, pode abrir." Gente, foi assim, 5 segundos, ele fez assim: "Vuf, tup, tacum" e abriu. Nisso, tinha umas 12 pessoas, 15 em volta, todo mundo ficou em silêncio, todo mundo Frequenta ali, era o cara...

Gabriel Godoy:Virou teatro, né?

Isabel Teixeira:Não, era o cara que roubava os filhos. Agora, hoje em dia, pensando nessa história, eu acho que meu filho é realmente uma pessoa espiritualizada. Porque pra mim, pra aquelas 15 pessoas que estavam ali, a gente teve um momento Um momento onde o ladrão de rádio salva o bebê.

Fábio Porchat:E ele era o cara que roubava mesmo os rádios ali do local mesmo?

Isabel Teixeira:É lógico, porque assim, ele deve ter 3 meus, devem estar ali.

Gabriel Godoy:Mas salvou teu filho.

Isabel Teixeira:Então essa virada, o que é bom, o que é ruim, quem é bom, quem é mau, né? E ao mesmo tempo, todo mundo que estava ali em volta, as 15 pessoas, porque todo mundo conhece o bairro, todo mundo sabe que ali é perigoso, todo mundo fez "Um abraço." Eu abracei ele muito.

Fábio Porchat:E ele levou tua carteira, esse menino?

Isabel Teixeira:Não, porque tava tudo preso dentro do carro.

Fábio Porchat:E você abraçou o cara muito forte?

Isabel Teixeira:Eu abracei o cara e falei: "Muito obrigada. Muito obrigada." E eu sabia que ele era um ladrão de motocicleta.

Fábio Porchat:Entende? É. Bom, onde quer que ele esteja, em qual bangu que você tá, eu não sei se é o 1, se é o 2, se é o 3...

Isabel Teixeira:São Paulo.

Fábio Porchat:É São Paulo? Tá em Tremembé. Mas, ó, vou te dizer que história assim de assaltante o Lucas tem também. Tem não, Lucas?

Lucas:Cadê?

Fábio Porchat:Tem. Tá ali?

Lucas:Algumas.

Fábio Porchat:Tudo certo?

Marcia Sensitiva:Beleza?

Fábio Porchat:Tudo bem? Tranquilo? Você atrai também, é, Lucas?

Lucas:É, eu atraio assalto, sim.

Fábio Porchat:Como é que é isso, hein?

Lucas:Eu atraio assalto. Aposto que não tem ninguém aqui que tenha sido mais assaltado que eu.

Fábio Porchat:Mas você foi assaltado umas 3 vezes?

Lucas:Ah, eu parei de contar na quinta, sexta.

Fábio Porchat:Sexta já?

Lucas:Por aí. Eu vou contar uma história agora de um assalto, mas pra contar a história desse assalto, eu tenho que contar a história de outro assalto.

Isabel Teixeira:Claro.

Lucas:Isso foi meu segundo, terceiro assalto. Deve ter uns 10, 11 anos assim. Eu era estagiário.

Fábio Porchat:Começou cedo no mundo do assalto, né?

Lucas:Bem cedo. E aí, eu tava voltando pra casa de noite, de madrugada assim, de uma festa.

Fábio Porchat:Com 11 anos?

Lucas:Não, que isso.

Marcia Sensitiva:Eu tenho 38 anos.

Fábio Porchat:Ah, faz 11 anos.

Lucas:Ah, faz 11 anos. Vocês entenderam que ele tinha 11 anos?

Fábio Porchat:Pareceu que você tinha 11 anos.

Lucas:Até pensava: "Voltando do trabalho, estágio..." Faz 11 anos.

Fábio Porchat:Perfeito.

Lucas:E aí eu vou botando de Uber, tava na época meu primo, minha ex-namorada e a namorada do meu primo dentro do carro, eu tava no banco da frente. No meio da pista assim, eu tô vendo um cara bem no meio da pista. Eu no banco da frente olhando: "Nossa, um doido assim no meio da pista assim, 3 horas da manhã, no meio do centro da cidade." E o doido olhando: "Ei, 3 horas da manhã?" É, fica perto do ponto de vista, meu. Aí o carro foi indo, eu fui olhando assim, olhando assim: E ele tava apontando uma arma pra gente. Bem assim, bem por meio desse carro. Bonito. O motorista do carro que tava do meu lado se assustou, ele travou, ele fez que ia passar por cima do cara, mas travou de novo. Aí todo mundo sai do carro porque tava com medo de roubar um carro, né?

Fábio Porchat:Claro.

Lucas:Aí nesse momento eu olhei pra trás, tava todo mundo no banco de trás, já tava saindo do carro. Quando eu olhei pro motorista, ele já tava batendo na porta do carro.

Fábio Porchat:Sobrou você no carro.

Lucas:Sobrou eu no carro. E eu fui tentar sair e me enrolei com o cinto de segurança.

Fábio Porchat:Claro.

Lucas:Aí eu tentando sair, tentando tirar, cara, vamo me livrar, vamo sequestrar. Consegui tirar, quando eu abri a porta do carro O assalto tinha acabado. Eles não queriam roubar o carro, queriam roubar as pessoas.

Fábio Porchat:Então você não foi roubado?

Lucas:Eu não fui roubado, mas eu perdi o celular.

Fábio Porchat:Como?

Lucas:Porque ele tava no banco de trás.

Fábio Porchat:Porra! Mas você até quando não é assaltado é assaltado, Lucas.

Marcia Sensitiva:Pra você ver, cara.

Fábio Porchat:Certo.

Lucas:É pra dividir a conta do aplicativo, né? E aí acabou que não levaram o da minha amiga, mas levaram o meu celular.

Fábio Porchat:Ele escolheu, ele falou: "Esse é qual, do Lucas?" Então é esse, esse recorde.

Lucas:Uma semana depois, tô no trabalho, já tinha comprado um celular, na época eu ganhava R$600, parcelei em 10 vezes. Celular, coisa... Parcelei em 10 vezes. Tô no trabalho, saindo um pouquinho mais tarde, umas 9, 9:30 da noite assim. Aí eu atravesso a rua, na Avenida dos Américos, quem não sabe assim, são 6... Aqui no Rio de Janeiro são 6 pistas assim, né? E passa carro, tipo, muito rápido. Eu atravessei as 6 pistas e tinha um cara assim no ponto de ônibus. Aí eu olhei assim pra ele: "Ih, ele é do meu trabalho." Aí eu comecei a conversar com ele. Eu tô olhando, vindo lá do outro lado, do outro lado da Avenida das Américas, um cara assim andando, com mais 2 pessoas assim, 3. Aí ele passou por detrás do BRT. Aí por detrás do BRT, ele já viu mais 6 pessoas assim. Mais 3 pessoas, tinham 6 pessoas no total assim. E aí eles vieram na nossa direção assim, enquanto eu estou conversando com meu amigo, mas prestando atenção neles ali.

Fábio Porchat:Olha ali, falando aqui, mas tu não é otaku, né, trouxa? Eu tava aqui, ó.

Lucas:Aí eles vieram assim na nossa direção, aí eles ficaram assim meio que em volta da gente, e aí ele perguntou: "Moço, que horas são?" Nove e meia da noite, na Barra da Tijuca.

Fábio Porchat:Ninguém quer saber a hora mais.

Lucas:Não era, era sal, tinha certeza que era sal. Eu já pensei: "Cara, eu não posso ser roubado, não posso ser roubado." Aí eu falei: "Pô, moço, eu tô sem hora, tô sem hora, tô sem hora." Eu não sou pegado a hora, eu, pra mim, eu sou barrico, eu como fruta na água branca, eu sou...

Fábio Porchat:Madoidinho.

Lucas:E aí eu escutei uma coisa, a única coisa que eu não queria escutar. Meu amigo do lado pegou o relógio inteligente dele e falou assim: "Moço, são 9:37." Nossa.

Marcia Sensitiva:São 9:37.

Lucas:No que ele falou isso, aí essas pessoas que estavam em volta assim da gente já foram mais pra cima dele assim, né? Aí eu olhei pra ele, pro meu amigo, eu olhei pra Vila das Américas, eu olhei pra ele, eu lembrei do meu celular, Tchum!

Fábio Porchat:Deixou o teu amigo lá.

Lucas:Saí correndo igual um maluco, atravessei as 6 pistas das Américas, fui pro lado da minha empresa, que tinha segurança da empresa, pra pedir ajuda e falou: "Pô, moço, eu não posso fazer nada." Só trabalha aqui na empresa, posso fazer a segurança da vida das Américas. Pô, não posso fazer nada, meu Deus do céu. Aí eu voltei tremendo pra dentro do trabalho assim, na época a minha gerente voltou comigo de Uber tremendo assim. Isso foi numa sexta-feira. Segunda-feira da semana seguinte, assim...

Fábio Porchat:Vai ter que encarar o cara, né?

Lucas:A primeira coisa que eu fiz foi procurar ele no trabalho.

Fábio Porchat:Ele podia ter morrido.

Lucas:Podia ter sido... É, podia ter acontecido tanta coisa. Aí eu olhei assim, aí eu encontrei, fui falar com ele. Eu: "Porra, Aleph, me desculpa, amigo, que eu te abandonei." Só que quando eu fui falar "te abandonei" no "ah", ele... "Meu, cara, mil desculpas, que não sei o quê, me desculpa, como é que você tá?" Aí eu olhei pra ele, ele olhou pra minha cara, eu olhei pra ele. Eu corri pra um lado, ele correu pro outro.

Fábio Porchat:Ah, um abandonou o outro!

Marcia Sensitiva:Foi cada um pro lado.

Fábio Porchat:Um matagão de um homem. Vocês correram, então ninguém foi assaltado.

Lucas:Ninguém foi assaltado. Ficaram chamando a gente de batman e robin na empresa.

Fábio Porchat:Batman e Robin! Batman e Robin, é? Batman e Robin. Mas nada aconteceu com você? Nada disso?

Lucas:Nada, nada. Mas vai que eles só queriam ver a hora também, né?

Fábio Porchat:Também, às vezes você tá maldando, às vezes é isso.

Lucas:Mas fiquei com o celular, pelo menos.

Fábio Porchat:Ficou com o celular. E ele com o relógio.

Lucas:E ele com o relógio.

Fábio Porchat:Sabe o que está acontecendo nessa história? Minha irmã trabalha aqui no programa. Tá ali, ela é a Kim Bebê dos meus convidados. E Alice já foi assaltada algumas vezes também. E um dia eu falei: "Nossa, Alice, o que tá surgindo de sangue?" "É uma coroada que eu levei." E aí, outro dia, ela falou assim: "Eu acho que eu tenho uma história pro teu programa de assalto." Eu falei: "Não acredito, te assaltaram?" Ela falou: "Mais ou menos." Alice! Uma salva de palmas pra Alice, pessoal! Isso aconteceu agora, tipo, final do ano, assim?

Isabel Teixeira:Não tem 2 meses.

Fábio Porchat:Não tem 2 meses?

Isabel Teixeira:Tem, agora. Tem primeiro semestre.

Fábio Porchat:Fresquinha, fresquinha.

Marcia Sensitiva:Pisquinha?

Isabel Teixeira:Eu tava de carro, daí ali pelo Catete, e daí eu fui entregar umas roupas. Aí parei o carro, tirei a chave, fui lá na portaria, deixei as roupas na portaria, bonito, e voltei pro carro, normal, padrão, carro aberto.

Fábio Porchat:Carioca, parou em fila dupla.

Isabel Teixeira:É assim, mas liguei o pisca.

Fábio Porchat:Ligou o pisca, pelo amor de Deus. É porque é paulista.

Isabel Teixeira:Eu sou de São Paulo. Paulistana, paulistana, sou de São Paulo.

Marcia Sensitiva:E voltei.

Isabel Teixeira:Quando eu entrei no carro, entra um moço, um moço jovem, um moço normal.

Fábio Porchat:Do banco de passageiros?

Isabel Teixeira:É, entrou. Quando entrou o moço, eu falei: "Ai, meu Deus, de onde eu conheço?" Eu falei: "De onde eu conheço? De onde eu conheço?" Memória ruim. Sou muito ruim, sou muito ruim. "De onde eu conheço?" Daí eu entrei e falei: "Oi, Elioy, tudo bom?" Ele falou: "Tudo." E entrei pensando: "Por que será que eu marquei um date? Será que eu marquei um compromisso? Será que eu tenho que resolver um problema?" Pus o cinto, eu falei: "Opa!" Ele falou: "Vamos?" Eu falei: "Vamos, claro!" E foi isso, saí ali da ruazinha.

Fábio Porchat:E ele botou o cinto também? Botou, botou. Segurança em primeiro lugar.

Isabel Teixeira:Óbvio, óbvio. E saímos, entramos ali no Rua do Catete, que, né, você vai costurando, costurando, e legal.

Fábio Porchat:E puxaram algum assunto, não?

Isabel Teixeira:Não, e daí ele resolveu puxar um papo. Ele falou assim: "O que você tem aí?" Tipo, fui grossa. Geralmente eu sou grossa.

Fábio Porchat:Não deu nem bom dia, eu, hein?

Isabel Teixeira:Não, eu sou mais agressiva geralmente.

Marcia Sensitiva:Eu falei: "Como assim?" Ele falou: "O que você tem aí?" Eu falei: "O que eu tenho aqui?

Isabel Teixeira:Eu tenho um carro, eu tô indo pra delegacia agora. O que você tem aí?" Daí ele olhou e falou assim: "Não, não precisa disso." Eu falei: "O que você tem aí? Passa o que você tiver aí." E ele meio: "Não precisa disso." Eu não sei. Era um cara, podia ser amigo do meu filho, qualquer coisa.

Fábio Porchat:E aí você falou pra ele: "Quem que você é?" Eu falei mais grossa que ele. Mais firme.

Isabel Teixeira:"Passa o que você tiver." Ele falou: "Não, não precisa disso." Eu falei: "Passa o que você tiver." Ele tirou tipo um porta-cartão, eu falei: "Põe aí, põe aí", tipo apontando pro console. Ele: "Não." Eu falei: "Põe aí, põe aí." E na Rua do Catete eu peguei todos os sinais abertos e assim conseguindo custrar todo mundo, dirigindo plena. Nem lembrei que no final da rua tinha delegacia, realmente. E dirigi no pleno tempo, quando eu parei num sinal, eu falei assim: "Agora vaza, sai do meu carro, sai do meu carro!" Ele: "Não, calma." Eu falei: "Sai do carro!" Ele virou e saiu do carro. E eu: "Ah!" E continuei dirigindo, fui pegar o porta-cartão, não tinha o cartão de crédito ou de débito, que não quis saber, tinha R$50, eu falei: "Bom." Quebrei o cartão, joguei numa lixeira, fiquei com os R$50 e fiquei pensando. Eu fiquei pensando, eu fiquei pensando, o que que estava acontecendo?

Fábio Porchat:Agora que você se deu conta que era um assalto?

Marcia Sensitiva:Eu não sei se era um assalto, eu não sei se era alguém...

Isabel Teixeira:Eu fiquei pensando, de repente era um jovem, um novato, aprendendo a assaltar.

Fábio Porchat:Era um jovem aprendiz.

Isabel Teixeira:É, assim, acho que eu me tornei uma carioca, tipo, já fui assaltada e já assaltei.

Fábio Porchat:Acontece. E a história agora é história nojenta. Por quê? Você é humana. É humana, é verdade, é uma história humana, mas é uma história que se você tiver comendo, para.

Gabriel Godoy:Você acha que vai estragar minha carreira?

Fábio Porchat:Não, acho que vai estragar o jantar.

Gabriel Godoy:A imagem vai seguir aí, porque senão também—

Fábio Porchat:por isso que eu falei, não, a gente vai seguir esse Cês gostam de pizza? Gosta de pizza, Márcia?

Marcia Sensitiva:Adoro!

Fábio Porchat:Pizza é uma delícia, né? Gosta?

Isabel Teixeira:Gosta de pizza?

Lucas:Gosto, gosto de pizza.

Fábio Porchat:A gente só adora pizza.

Gabriel Godoy:É, pizza é bom, mas tem consequências às vezes, né?

Fábio Porchat:Você... Como é que é isso, hein, Godoy? Porque assim, uma pizza não faz mal. Não.

Gabriel Godoy:Duas? Três? Ih, tá. Vamo lá. Começo também, século passado, começo de 2000, acho que 2004, 2005, por aí. Estudante de teatro, muito livre, muito à vontade, muito... Solto no mundo. Claro. E aí calhou uma semana atípica da minha vida, que chegou um final de semana, chegou uma sexta-feira, minha família mandou uma mensagem: "Pô, vamos se juntar e comer uma pizza?" Filho de argentino, minha família gosta muito de comer. Fui comer uma pizza. Sexta-feira, pizza, família.

Marcia Sensitiva:Ok.

Fábio Porchat:Isso aí você tinha uns 20 anos?

Gabriel Godoy:21. 21, tá bom. É, por aí. Aí chegou o sábado, uns amigos falaram: "Pô, vamos ver uma peça de teatro." Falei: "Pô, vamos ver uma peça de teatro." A gente foi ver uma peça de teatro, saindo da peça, o pessoal: "Vamos comer?" Falei: "Bora, vamos comer. O que vocês querem comer, pessoal? Vamos comer uma pizzinha?" Eu falei: "Vamos comer uma pizzinha, mais um dia." Tá bom. Dois dias de pizza.

Fábio Porchat:Pizza nunca é demais.

Gabriel Godoy:Delícia, depois do teatro, debater o teatro e comer uma pizza. Ok. Chegou o domingo, tô em casa, falei: "Hoje já saí muito, vou ficar em casa." Aí um amigo meu tinha tido uma briga no relacionamento e falou: "Pô, tô precisando de um amigo, tô querendo conversar, né, desabafar um pouquinho." "Posso te convidar pra jantar?" Eu falei: "Ai, pode." "Então tá, por minha conta. Vamos comer uma pizza?" Aí eu falei: "Cara, é muita pizza, né, mas... não, vamos comer uma pizza." E pensei nele, tá precisando, né? Ouvi, ouvi, psicólogo ali, amigo, trocamos. Na hora que eu tava indo embora, ele falou: "Te deixo em casa." Tava na carona, no carro dele. Eu já tinha percebido que a minha barriga tava muito grande já.

Fábio Porchat:Estufada e dura. É porque é queijo, é farinha.

Gabriel Godoy:Não, e detalhe, a gente não falava naquela época sobre intolerância a glúten, intolerância a lactose. O glúten não era famoso. Hoje o glúten é um sucesso.

Isabel Teixeira:É desse século, né?

Gabriel Godoy:O glúten é uma celebridade. Então a gente não pensava nisso. Eu sentindo a minha barriga muito estufada, fiquei com uma tremenda vontade de cagar. Vamos para esse vocabulário ou não?

Fábio Porchat:Partiu para isso, eu acho que é o que temos para hoje.

Gabriel Godoy:Já foi, né? Peço perdão, poderia achar um outro vocabulário, mas... E aí, só que agora, tá, não dá, vou segurar aqui, tem um pouquinho, né, faltava, sei lá, uns 20 minutos para chegar em casa. E apertando, apertando, eu falei: Jesus amado, cara, para quê 3 dias? E muda de posição e faz assim. E eu tenho intimidade com meu amigo, então eu falei: Falei: "Cara, que vontade de cagar!" E já comecei a falar: "Por que eu fui comer pizza? Tanta pizza!" Aí, uma hora, eu falei: "Cara, como eu posso aliviar essa vontade de cagar?" Gases.

Fábio Porchat:Claro.

Gabriel Godoy:O bom e velho peidinho que todo mundo... Cara, vou soltar aqui um, soltar outro, e vai dando uma aliviada pra esse pequeno trajeto que faltava até o meu lar.

Fábio Porchat:Porque quando a gente tá com dor de barriga, Quanto mais perto você vai chegando do banheiro, mais o seu esfíncter fala: "Relaxa!" Então... Às vezes, quando você tá 1 hora e meia, a barriga não apita. É quando tá 20 minutos que a barriga fala: "Deixa eu começar aqui!" Vai ficando perigoso, né?

Gabriel Godoy:E eu não percebia esse perigo. Mas eu falei: "Cara, Veio a vontade de soltar um pum. Falei: "Vou peidar aqui, pô. Tô com meu amigo, tô numa zona de conforto, não tem problema nenhum." E peidei. Um peido silencioso.

Fábio Porchat:É.

Gabriel Godoy:Que é muito perigoso.

Isabel Teixeira:Claro.

Fábio Porchat:É o peido ninja. É aquele, né? Que é silencioso, porém mortal.

Isabel Teixeira:Mortal.

Gabriel Godoy:E o banco de tecido, não era de couro...

Fábio Porchat:Porque o tecido, ele impregna. O quê?

Isabel Teixeira:Ele absorve.

Fábio Porchat:É por isso que eu tenho nojo de banco de avião. Ai, que horror! O quê? O peido fica sólido!

Gabriel Godoy:Quantos cus já passaram lá... Ai gente, nossa... Paramos ou não?

Isabel Teixeira:Não continua, vou contar muitas coisas da minha vida.

Gabriel Godoy:Aí peidei e falei: "Peidei pra mim, saiu." Às vezes tem aquela estratégia de achar que se segurar aqui né ó, não vai sair. Cara é só segurar que não vai vazar. Só que de repente começou a subir um cheiro. Só que não era um cheiro normal, era um cheiro de 3 dias de pizza, era um cheiro do demônio, era um cheiro de morte. E aí eu comecei a ter ataque de riso, era meu amigo, e ele começou a rir também. Só que o cheiro foi aumentando, aumentando, e ele começou: meu, calma, que isso, cara? Gabriel, que que é isso, cara? E eu: e aí ele: cara, "Não é possível que meu peido vai..." Pô, mais um peido brasileiro, cara. Aí, de repente, ele abre a janela e ele vomita.

Isabel Teixeira:Ai, que horror!

Gabriel Godoy:Ele vomita. E nisso, eu começo a chorar de rir, né? E ele vomitava e ria, porque ele também tava num fluxo de ataque de riso.

Isabel Teixeira:Aí eu falei: "Que isso, Jurandir?" O que tá acontecendo?

Gabriel Godoy:Aí, deu umas 3 vomitadas, de repente, bum, bateu! Não, eu olhei pra frente, bateu o carro.

Fábio Porchat:Cara, o peido causou isso?

Gabriel Godoy:O peido levou a um acidente de carro.

Isabel Teixeira:Meu Deus!

Gabriel Godoy:Porque o semáforo tinha fechado, ele não viu, ele bateu no cara da frente. Aí eu falei: não tô acreditando, cara. Aí falei: não tô acreditando, e fluxo de ataque de riso. Aí o cara que sofreu, né, que a gente bateu, não foi nada grave, foi uma batida dessas de distração, né, não teve PT. Cara, já saiu falando: "Puta que pariu, o que vocês fizeram? O que é isso?" Cara, e a gente saiu rindo, porque eu não tava me conformando que um peido tinha gerado um acidente.

Fábio Porchat:Não tava me conformando.

Gabriel Godoy:E aí o cara já viu a gente rindo, o cara começou a querer crescer e falar: "Vai dar uma briga aqui." Claro, pera aí.

Isabel Teixeira:Aí: "Não, desculpa." Ele: "Pô, o que aconteceu?" "Meu Deus do céu, como é que vocês fazem isso?

Gabriel Godoy:O que aconteceu? O que eu vou falar pra ele que aconteceu?" Fala a verdade.

Fábio Porchat:Isso é uma meia calabresa, meia frango com catupiry, amigo.

Gabriel Godoy:Aí na hora o Jonas falou: "Oh, desculpa, a gente..." Ele falou: "Eu me distraí, fui mandar uma mensagem aqui, inventou uma coisa." O cara: "Pô, quero ver se você tem..." Aí a gente falou: "Pô, a gente tem seguro, não tem..." "Tá tudo bem, né? Tentando organizar." Nisso passa uma viatura da polícia.

Fábio Porchat:Meu Deus do céu!

Gabriel Godoy:Aí eu falei: "Mais um personagem, o que é isso? O que o peido vai causar, né?" Não, eles só passaram. "Opa, tá tudo bem?" Eu falei: "Não, tá tudo bem, foi só uma batida aqui, mas a gente já tá conversando. Precisam de algum auxílio?" "Não, tá tudo certo." Aí a viatura foi embora, a gente negociou com o cara, e aí o carro do Jonas tinha seguro, do cara também, e eu tive que pagar a franquia do carro do meu amigo, gastei uma grana por causa do peido.

Fábio Porchat:O que você tinha que fazer era pegar com esse cara que você tava negociando, que bateu o carro, é o seguinte: Não vão pagar nada. Se quiser que eu pague, vai sofrer as consequências.

Gabriel Godoy:Aliás, aliás, é uma boa. A gente tava tanto falando de assalto, já pensou? Fica na sua, me passa.

Isabel Teixeira:Você tem que começar essa carreira agora! Programa bomba, você começa agora essa carreira, junta tudo...

Fábio Porchat:Eu vou contar então, já que você se pôs a favor, vou contar uma coisa horrível. Eu era criança, tá? Eu era criança. Eu tinha uns 9 anos. E pum é uma coisa engraçada pra criança e tal. E pum é fedido. Mas eu fiquei sempre pensando assim: "Será que é fedido mesmo?" Ou as pessoas falam: "Ai, que fedor!" E não é fedido. Eu falei: "Como é que eu posso ter essa avaliação?" Olha, é um cientistinha. Eu falei: "Como é que eu posso ter uma avaliação real de se meu peido é fedido ou não?" Gente! A Alice tinha umas amigas que dormiam lá em casa de vez em quando. E um dia essa amiga dela tava dormindo. Eu falei: "Ah, tá dormindo, ou seja, inconsciente." Fazer um teste. Juro por Deus. Eu cheguei de roupa, de roupa, mas dei uma posicionadinha no nariz dela, soltei um peido leve, um peido normal, soltar o dedo, tro, totó. É um motor de barco, motor de barco. Soltei o peido e virei e fiquei olhando, cara. E foi muito lindo porque ela dormindo, ela tava assim, ela fez assim, ó. E aí eu tive a prova Prova de que um corpo humano, mesmo adormecido, sente o cheiro ruim do peido.

Gabriel Godoy:Nossa Senhora!

Fábio Porchat:Tamo felizinho? Tamo rindo? Tamo gostando, gente? Sim! Preparem-se para acabar com esse sorriso na cara de vocês.

Gabriel Godoy:A gente pode sair?

Fábio Porchat:A gente já saiu? Não, tem que ficar. Porque Márcia, desde quantos anos que você vê gente morta?

Marcia Sensitiva:5 anos de idade foi a primeira vez. Meu pai já via, minha avó já via na Espanha.

Fábio Porchat:Ah, é hereditário?

Marcia Sensitiva:É, isso vem de família. Somos espíritas, né?

Fábio Porchat:E você vê o tempo todo, Márcia? É muito específico.

Marcia Sensitiva:Não tem. Tentei ter, mas não consigo.

Fábio Porchat:E é uma coisa... Chato, chato, bem chato. Vindo hoje pra cá, você já viu alguns?

Marcia Sensitiva:Bastante.

Fábio Porchat:Não, bastante mesmo?

Marcia Sensitiva:Tipo 10, 20, dependendo do lugar. Aqui tá cheio, né?

Isabel Teixeira:Ah, o Tony Ramos vê também! O Tony Ramos vê.

Marcia Sensitiva:Ele vê?

Isabel Teixeira:Eu tô trabalhando com o Tony Ramos. E pra mim tá sendo uma coisa, eu quero ficar sempre perto dele. Aí ele fala: "Oi, fulano!" Ele conhece todo mundo aqui. Aí uma hora a gente tava num lugar que não tinha ninguém, ele falava assim: "E aí, Marião?" Eu falei: "Ué, Tony, não tem ninguém." Aí ele riu e fez: "Você não vê, mas eu vejo." Tony vê também. Vê. Aqui na Globo só. É verdade.

Marcia Sensitiva:Evidências.

Gabriel Godoy:Eu tô preso no "aqui tá cheio" ainda.

Fábio Porchat:Aqui tá cheio.

Marcia Sensitiva:Mas é normal. Quando a pessoa tá muito triste, padrão vibratório baixo, depressão, depressão, ela atrai espíritos. Por que que o espírito fica perto de mim? Que raiva que o parto, que que é isso? Ele precisa da minha energia vital para ficar vivo, senão literalmente não consegue ficar em pé.

Fábio Porchat:Então ele precisa de energia vital de cada um de nós.

Marcia Sensitiva:Ele vai puxar pelo teu plexo solar, que é umbigo, tem energia vital, e ele se abastece, meu querido. Então é ruim, péssimo. Existe pomada para passar no umbigo, a homeopatia faz exatamente para evitar Fumada contra espírito?

Lucas:Para!

Marcia Sensitiva:Homeopatia! Homeopatia! Ela equilibra o plexo solar, vulgo fecha o migo.

Fábio Porchat:Mas daí eu não tenho cara de chegar na farmácia: "Eu tô querendo tapar o teu migo, cara." Eu tenho, eu te mando.

Isabel Teixeira:Eu também quero!

Marcia Sensitiva:No site tem, eu mando pra você.

Fábio Porchat:Eu quero! Que bárbaro! E aí você, esse espírito que você vai contar agora que você viu, você tinha quantos anos? Foi a recente?

Marcia Sensitiva:Eu tinha o quê? Faz 25 anos mais ou menos.

Fábio Porchat:Faz 25 anos, tá.

Marcia Sensitiva:Eu tinha uns 50, né? Tinha uma festa, eu não bebo, tá, porque tenho problema no estômago.

Fábio Porchat:Não é glúten não, né, pelo amor de Deus.

Marcia Sensitiva:Não, eu sou alérgica a lactose. Ah, tá. Eu sou alérgica a lactose, mas eu não bebo. Eu fui sozinha, eu já estava separada do meu segundo marido, então eu moro sozinha desde então. Entrei no meu apartamento, era duplex na época, subi porque eu falei: "Vou tomar um banho". Cheguei no quarto, eu senti um cheiro estranho, mas eu falei: "Ah, Fui tomar banho, não vi nada, tá? Fui tomar meu banho, vou deitar, faço minha oração, luz acesa, falei: "Gente..." Aí começou um cheiro, gorgonzola com chulé e ovo podre, tipo...

Gabriel Godoy:Acho que era isso.

Marcia Sensitiva:Você entendeu?

Gabriel Godoy:Era mais ou menos isso.

Marcia Sensitiva:Gorgonzola, aquela cu com ovo podre, mas era muito ruim, muito ruim. Eu disse: "Será que eu comi um lanche McDonald's e apodreceu embaixo? Será que eu estou tão louca?" Eu falei: "Será, meu Pai do céu?" Eu sozinha. Eu não tenho medo de defunto, mas esse cara me tirou do sério. E continuou o cheiro. E eu sozinha. Eu levantei e fui ver o podre embaixo da cama. Era lá de baixo que vinha. Tinha um homem assim, gente, assim, ó. Bigodinho, infeliz, devia ter quase 40 anos e cheio de... A corpo dele tinha um monte de lombriga saindo pelo corpo todo, boca, nariz, e ele assim... Quando eu olhei, eu falei... Fiquei morrendo de medo dele por causa dos bichos. Ele, pum, abriu o olho.

Fábio Porchat:Eu falei: "Meu Deus, onde é que eu estive?" Eu tinha me juntado a ele.

Marcia Sensitiva:Para você ver que eu tenho prática de espírito.

Fábio Porchat:Claro!

Marcia Sensitiva:Gente, aí ele ficou em pé e eu falei: "O que você está fazendo aqui? O que é isso? O que você quer? Por que você está aqui?" Eu quis doutrinar, porque a gente doutrina espíritos sem luz, espíritos encarnecistas. Eu comecei a conversar e ele falou: "Não quero nada disso, eu quero comer." Eu falei: "Você come? Você é um espírito, você está morto." Ele falou: "Eu não como, mas eu quero sentir o cheiro de comida, você vai ter que fazer." Eu falei: "O quê?" "Vai ter que fazer comida?" Ele queria sentir falta, né?

Fábio Porchat:"Cozinhar para mim." Ainda meteu um "vai cozinhar".

Marcia Sensitiva:E minhoca saindo dele. E eu falei: "Não vou fazer." Ele falou: "Por favor." Ele falou tão bonzinho comigo, eu falei: "Meu Deus, para esse homem ir embora desse jeito." Eu falei: "Vou fazer, pegar alho, que ele deve gostar, cebola..." E fiz um arroz.

Fábio Porchat:Alho, que ele deve gostar. "Ah, vou fazer um arroz bonitinho." Mas, né?

Marcia Sensitiva:Eu não fiz feijão, eu fiz um arroz. Fiz um arroz.

Fábio Porchat:Você cozinhou?

Marcia Sensitiva:Fazer o quê? O homem em pé em cima de mim. Eu falei: "Ele tem que ir embora, eu não estou conseguindo doutrinar, tudo que eu aprendi não está dando certo". Eu rezava. Aí, na cozinha, eu me lembro que ele estava lá vendo, eu tenho uma gaveta que tinha vela, quando falta luz. Peguei rápido, antes que ele me visse, acendi a vela, nada. Rezava o Salmo 66, não conseguia de cor porque nem saía, que é um salmo bom, viu, gente, para tirar defunto. Não consegui, não consegui. Bem amém em voz alta, decreta. Mas nada, não saía aquele homem lá. Aí ele pegou a panela, começou a cheirar, eu falei: "Tá vendo? Você não pode comer, você tá me dando um trabalho aqui, eu preciso dormir, eu não tô aguentando mais. O que você quer comigo?" Ele falou: "Nada, eu queria sentir o cheiro de comida." Eu falei: "Tá, então sente." Eu já tava branca, eu tremo até hoje de tão feio que esse cara era. "O que me doía eram só os vermes dele." Bom, aí ele disse: "Nessa hora, ele chorou, desceu uma lágrima, eu fiquei morrendo de dó, porque ele não podia comer. Há muitos anos que ele não podia comer." Aí eu falei assim: "Vai embora, filho, pelo amor de Deus." E nada de ir embora. Eu subi para o meu quarto, quem estava no meu quarto? Jael.

Fábio Porchat:De novo.

Marcia Sensitiva:Tipo teletransporte. Estava no meu quarto. "Eu não vou embora, você vai ter que ouvir minha história." E contou que ele tinha uma filha de 10, um filho de 8, Tudo, que ele era marceneiro. Eu falei: "Mas para quê que eu quero história? Você tem que ir, sabe por quê? Você está no umbral, sabe o que é umbral? É uma escuridão, você está no meio de lama até o pescoço, sofrendo que nem um louco, você tem que ir". Ele falou: "Eu não vou, porque se eu for, eles vão me trancar e eu não vou poder voltar para cá para ver meus filhos". Então, ele tinha consciência que tinha um plano melhor, a turma já tinha tentado levar Mas ele não ia, porque ele queria ver os filhos. E olha, mas teus filhos estão bem, você tem que ir embora. Ele falou: "Não, porque eles vão me trancar e eu vou ficar aqui agora." Eu falei: "Você não vai ficar aqui agora." Aí o infeliz olha para mim... "Aqui, cara, eu vivo de aluguel, você não me atrapalha na minha vida." Eu falei: "Você está podre, você está podre por dentro e por fora, eu não estou aguentando o teu cheiro, cara, é uma coisa horrorosa." Você também corajosa para meter essa para o espírito. "É porque para mim é fácil." "É, tem isso, né? Trabalho muito." "A gente estaria morando no céu." "Eu ia estar por lá, pelo amor de Deus, se eu pudesse." "Isso eu já estou no segundo andar." "E você já foi no segundo andar?" Aí ele fala para mim: "Sabe o que é? Juro, gente, eu estou com vontade de dançar." Ele veio para cima de mim, com aquelas intenções, enfiou a mão aqui. Rapaz, eu arranquei a mão cheia de bicho, eu falei: "Sai de perto de mim!" Não me encosta!

Fábio Porchat:Não me encosta? Deixa eu entender aqui o espírito. Levanta rapidinho aqui pra mim. Ele tava aqui, ele pegou você aqui.

Marcia Sensitiva:Ele já veio querendo dançar.

Fábio Porchat:Ele veio querer dançar aqui.

Marcia Sensitiva:Exatamente. E cheio de bicho.

Fábio Porchat:E cheio de bicho. Ele queria coisa má, fuma com você?

Marcia Sensitiva:Ele queria, certeza.

Fábio Porchat:Meu Deus, quando transa com espírito nasce o quê, Sérgio?

Marcia Sensitiva:Aí eu saí de mim.

Isabel Teixeira:Você sabia?

Marcia Sensitiva:Vocês sabiam que é bíblico? Existem espíritos, tá? É bíblico. Incubus e sucubus são os espíritos que fazem sexo com a galera aí, rapaz. Faz sexo com a galera? Incubus, procura!

Fábio Porchat:E sucubus. Pera, mas por exemplo, agora tem alguém me comendo?

Isabel Teixeira:Não, não.

Fábio Porchat:Ele faz quando a gente tá no sexo?

Marcia Sensitiva:É, no motel.

Fábio Porchat:Ele fica no motel. No motel, ele fica no motel?

Marcia Sensitiva:Ele suruba, eles adoram.

Fábio Porchat:E já gostei desse espírito. Vou começando a se alegrar.

Marcia Sensitiva:Eles são do sexo, eles precisam da energia do sexo pra ficarem vivos. Então, onde tem suruba, onde tem... Mesmo casal, eles estão ali olhando e fazendo tchá, tchá, tchá juntos.

Fábio Porchat:Desculpa te perguntar a tua intimidade, você já transando viu espírito? Enquanto você tava no sexo... Já.

Marcia Sensitiva:Eu tive que mandar embora.

Fábio Porchat:Mandou embora também, né?

Isabel Teixeira:Sai!

Marcia Sensitiva:Broxa qualquer um, né?

Fábio Porchat:Broxa, imagina, explica.

Marcia Sensitiva:Meus dois maridos eram ateus, um tá morto, outro tá vivo, ateus. Como que eu vou explicar que tinha um homem vendo eu fazer sexo?

Fábio Porchat:É lógico. E aí, como é que você se livrou disso?

Marcia Sensitiva:Bom, peraí. Aí uma voz, eu comecei, eu fico tremendo, pode ver, até hoje. É?

Fábio Porchat:Tá ansiosa?

Marcia Sensitiva:Lógico. De repente, eu fiz uma voz grossa e falei: "Agora chega! Desculpa. Ou você vai por bem ou você vai por mal. Ou você vai com a equipe médica que está aqui, que é o Bezerra de Menezes, que muita gente conhece, eu trabalho com o Dr. Bezerra, ou você vai com essa equipe ou você vai com o seu tranca-rua!" É um Exu.

Fábio Porchat:É, mas tem um Ghostbusters ali.

Isabel Teixeira:Claro.

Marcia Sensitiva:O cara pulou, tem aquela porta do tamanho da gente, a janela, ele pulou, nunca mais eu vi o cara. Mas eu sofri muito com isso, foi chato, horroroso. Eu fico pensando a moçada que não enxerga, não vê, não sente, como é assediado. Você imagina. E ele chorou por causa do arroz. Então assim, não era um homem ruim, a gente sabia que não era ruim, mas para ele a morte É inadmissível. Ele sabia, gente, que tinha lugar melhor, chamaram ele para ir, ele não foi. Ele pulou. Quando ele falou a palavra "tranca as ruas", de certo estava ali, né? Com certeza. Ele pulou que parecia que ele estava vendo demônio e foi embora. Até hoje, gente, faz mais de 20 anos.

Gabriel Godoy:Uma curiosidade também: a saída é que nem Ghost, o filme, passa pela parede assim?

Fábio Porchat:Passa.

Marcia Sensitiva:Mas, no caso, abre a janela. "Abriu a janela?" Eu abri e falei: "Chega!" Eu estava muito fora de mim.

Gabriel Godoy:E a imagem é clara, que nem um humano, ou ela é mais...?

Marcia Sensitiva:Depende, a cabeça dele era meia translúcida. Porque quando o espírito não está bem, ele aparece, às vezes só metade. E ele vem de roupa escura, sempre.

Fábio Porchat:É mesmo?

Isabel Teixeira:Sempre.

Fábio Porchat:Vem assim de preto?

Isabel Teixeira:É. Ah, eu também estou de preto, poxa! Eu tô em pânico, eu tô em pânico.

Fábio Porchat:Você tá vendo ela ou minha mão tá passando aqui? Minha mão tá passando aqui.

Isabel Teixeira:Eu tô em pânico, eu tô em pânico. Eu não vou conseguir ficar em casa sozinha.

Marcia Sensitiva:Você sabe onde eu vi muito espírito? Você que trabalha com arte, desde pequenininha, meu pai aos domingos levava a gente pro Teatro Municipal.

Fábio Porchat:Ah, teatro, né?

Marcia Sensitiva:Aham, pequenininha. E sabe aquelas cortinas enormes? Grossas, de veludo, vermelha, que ninguém mexe. O que eu via de gente pendurada!

Fábio Porchat:É mesmo, é.

Marcia Sensitiva:Nunca vou esquecer isso.

Fábio Porchat:Ela foi para o show Quebra-Nós e viu o Fantasma da Ópera.

Marcia Sensitiva:Gente, é coisa muito séria.

Isabel Teixeira:Está aumentando o meu pânico.

Fábio Porchat:É teatro, a gente nem vai a teatro, imagina, né?

Isabel Teixeira:Renato Borghi, no TBC, ele agradecia para frente e agradecia para trás.

Fábio Porchat:Ah, bonito.

Isabel Teixeira:Para agradecer o pessoal que estava lá.

Fábio Porchat:Gente, eu estou... Amando isso. Tô feliz de saber que aqui tem gente, entre nós. Tem gente por aqui. Na plateia, me localiza alguém.

Gabriel Godoy:Ai!

Fábio Porchat:E chegou a hora das perguntas do programa. Quero saber a primeira lembrança que vocês têm da vida.

Isabel Teixeira:Eu lembro de um namorado da minha mãe chamado Marcinho, que toda vez me levava um chocolate chocolate. Eu acho que eu devia ter 1 ano, mais ou menos. E eu me lembro do berço azul e de eu vendo ele com a minha mãe e eu falava: "Ó, bateu chocolate". Eu lembro disso assim. Lembro do Marcinho, um beijo, Marcinho, músico, flautista, maravilhoso.

Marcia Sensitiva:Bom, eu tinha 8 anos e fui fazer a primeira comunhão. Eu era pau-perma, pau-perma. E a minha tia fez o vestido. Eu parecia uma noivinha. Eu não tinha dinheiro para pegar ônibus, meu pai comigo de mão dada, longe de uma igreja para outra, longe a gente foi andando, todo mundo me achando bonita. De repente, uma mulher sai da casa dela e me dá uma maçã. Eu fui comer maçã nessa idade. Você acredita que a mulher me deu uma maçã de presente? Foi a primeira vez que eu comi uma maçã. Eu não vou esquecer isso nunca.

Fábio Porchat:Olha, bonito isso.

Marcia Sensitiva:Bem bonito, bem legal.

Gabriel Godoy:Eu fico me esforçando para tentar lembrar com 3, com 4, com 5, mas não veio. Uma lembrança que eu tenho Copa de 90, eu devia ter 6 anos, meu pai argentino, minha família da minha mãe brasileira fanática, e o Brasil é eliminado com um gol do Caniggia, e eu lembro a gente no apartamento da minha avó, os meus tios, meus avós muito raivosos porque eles eram fanáticos, e meu pai num cantinho... Comemorando baixinho. Mas não, muito, meu pai muito educado, assim, muito assim, né? "Se fuderam, brasileiros de merda!" Eu lembro dessa cena do meu pai, meus tios assim longos e ele quietinho assim num canto: "É, paciência." Boa.

Fábio Porchat:Que momento histórico você gostaria de ter presenciado?

Marcia Sensitiva:Eu vou falar. Fala. Gostaria demais de estar no momento em que Jesus foi crucificado, para assistir esse momento histórico para a humanidade. Com certeza eu ia me ajoelhar e pedir perdão, com certeza.

Gabriel Godoy:É bom, vou ficar no ambiente do futebol, que é uma paixão. Acho que a invasão do Corinthians, né, nos anos de 77, se eu não me engano, é que teve Corinthians com muitos anos sem títulos. E aí falam que foi um jogo histórico aqui no Maracanã, que a gente invadiu o Maracanã, e foi emblemático. Meu vô tava, minha mãe tava, e eles falaram que foi algo assim alucinante, assim, né? E não deixaram mais acontecer isso. Era para ter invasão agora contra o seu time, o e vocês não tiveram coragem de receber.

Fábio Porchat:A gente vai cortar essa pergunta da edição, com certeza. É assim que atrai espírito negativo, entendeu? Fala com esse tipo de coisa. Meu nome é Sensidão.

Isabel Teixeira:É meio mórbido, mas eu queria estar em Dallas no dia que o John Kennedy foi baleado. Eu sou obcecada por essa história porque eu acho aquilo incrível. É trágico, mas a Jacqueline Kennedy, e eu já vi muitos filmes, eu li tudo sobre isso, porque eu fui olhar, enfim, eu sou obcecada por essa história, mas a Jacqueline Kennedy, o cérebro dele voa e ela vai atrás do carro e ela pega os pedaços, ela pega o pedaço e ela fica com o pedaço na mão assim. Eu acho esse momento, é um frame. É um... Eu acho esse momento muito louco, assim, na humanidade.

Fábio Porchat:Podia estar dirigindo.

Isabel Teixeira:"E olá!" É, ou podia estar filmando com a Super 8, que o cara filmou com a Super 8 e daí, enfim.

Fábio Porchat:Alguém tem alguma pergunta dessas do programa e quer fazer aqui pra nós? Qual o seu nome?

Marcia Sensitiva:Ana Júlia.

Fábio Porchat:Ana Júlia, tudo bem, Ana Júlia? Qual pergunta que você quer fazer?

Marcia Sensitiva:Eu queria saber, se vocês ganhassem um Oscar, quem vocês gostariam que entregasse o prêmio pra vocês?

Fábio Porchat:Ah, boa, Ana Júlia! Adoro essa pergunta também.

Marcia Sensitiva:Zeca Pagodinho.

Isabel Teixeira:Olha, beleza, hein?

Fábio Porchat:Esse Oscar foi meu.

Isabel Teixeira:Que beleza! Entregando para a Márcia Sensitiva.

Fábio Porchat:And the Oscar goes to Márcia Sensitiva e Zeca Pagodinho.

Marcia Sensitiva:Paixão por ele. Paixão.

Fábio Porchat:É maravilhoso.

Isabel Teixeira:Tony Ramos. Ah, eu sou louca pelo Tony Ramos. Eu acho que o Tony Ramos é uma coisa patrimônio nacional, da família de todo mundo, né? Eu sinto que ele é da minha família.

Fábio Porchat:Mas ele é o tchapo de dinheiro até para ele, por isso.

Gabriel Godoy:Vou homenagear minha família argentina, né? Ricardo Darín.

Fábio Porchat:O Darín.

Gabriel Godoy:Que é um ator que eu sou fã apaixonado.

Fábio Porchat:Ator argentino maravilhoso.

Gabriel Godoy:Seria interessante.

Fábio Porchat:E para terminar, o que vocês querem escrito na lápide de vocês? Eu vou deixar a Márcia para o final, porque eu não sei o que vem Aí eu não consigo pensar nisso. Então vamos começar com a Godoy.

Gabriel Godoy:Tinha pensado só besteira, mas vou ser poético, tá? Tem uma frase que eu gosto, que eu uso até como mantra na minha vida, do Guimarães Rosa, que é: "Felicidades são horinhas de descuido". Então acho que eu colocaria: "Lembre-se, felicidade são horinhas de descuido".

Fábio Porchat:Bonitinho!

Isabel Teixeira:Adorei isso!

Fábio Porchat:Aham, ele falou bem.

Isabel Teixeira:Eu aprendi muita coisa hoje, não sabia que eu ia aprender tanto vindo no seu programa. E seria algo assim: "Vim, adorei e desapeguei". Perfeito. "Desapeguei", "desapeguei", "aprendi", entendeu?

Fábio Porchat:Eu não estou aqui... Em letras maiúsculas.

Isabel Teixeira:"Desapeguei", "desapeguei", "soltei", assim, "fui".

Gabriel Godoy:Agora é com vocês.

Isabel Teixeira:Márcia.

Marcia Sensitiva:Tem tanta coisa que eu poderia escrever, mas eu vou deixar um recado. "Estou indo embora, mas em 3 dias volto em espírito." Demora 3 dias pra voltar? No caso dela, sim.

Isabel Teixeira:Que maravilha!

Fábio Porchat:Minha gente, estamos indo embora também, acabou, vocês acreditam?

Isabel Teixeira:Desapeguem, não desapeguem!

Fábio Porchat:Não, não desapega não, volta em uma semana, que em uma semana tem mais Que História É Essa pra vocês, meu povo! Até mais! Um brinde, um brinde! Yes, yes!

Isabel Teixeira:Aqui vai, surpreende só! Obrigado, minha gente!