Taumaturgo Ferreira + Kelzy Ecard + Luiz Henrique Nogueira
- Sucesso e RealizaçãoLuiz Henrique Nogueira · Novela Senhora do Destino · Falta de recebimento de cartas de fãs · Policial 2
- Acidente de esqui e romanceTaís Teixeira · Esqui na Argentina · Rompimento de ligamento no joelho · Romance com argentino · Acidente do argentino e coma
- Sonho de princesaKelzy Ecard · Confissão com Monsenhor · Coroação de Nossa Senhora · Queda da coroa de Nossa Senhora
- A experiência de quase morte no marQuase afogamento na Praia de Pitangueiras · Quase afogamento em Fernando de Noronha · Perda de calção em Ipanema · Taumaturgo Ferreira
- Memórias Infantis e Primeiros CrushesOlivia Newton-John · Luiz Henrique Nogueira · Isabela de Geni · Dominique Sanda · Marisa Berenson · Francisco de Franco
- Alergias e reações físicasAlice Porchat · Reação alérgica a mortadela frita em detergente
- Memórias da Primeira ComunhãoProcissão assustadora na infância · Cachotaço no mar em Copacabana · Xixi no jardim de infância · Fuga do jardim de infância
- O que escrever na lápideTaumaturgo Ferreira · Kelzy Ecard
E aí minha gente, eu sou o Fábio Porchat e esse é o podcast do meu programa no GNT. Aqui, que história é essa, Porchat? Eu ouço e conto também histórias curiosas e divertidas da vida das pessoas. Seja anônimo, famoso, não importa. O que importa é ter uma boa história.
Começando! Olha, uma semana longe eu já fico como? Morrendo de saudade de vocês. Isso aqui é o meu play, minha festinha, meu recreio. Outro dia eu li num negócio lá que me pegou direito, assim, uma pesquisa de Cambridge dizendo que o cérebro humano permanece adolescente até os 32 anos. Só depois que vem a fase adulta.
O envelhecimento real mesmo começa aos 66. Isso explica muita coisa, né? Por exemplo, esses momentos quinta série que acompanham a gente, até a aposentadoria, agora tem embasamento científico. Você vê o coleguinha tropeçando, catando cavaco, você faz o quê? Primeiro ri, depois ajuda. E o tempo que a gente perde fazendo meme, figurinha, da cara da mãe, do primo, do Zeca Pagodiz. Será que depois de 66 melhora? Quando eu chegar lá, eu conto que hoje, hoje eu quero aproveitar minha juventude cerebral pra entrar em roda com o tal Maturgo Ferreira!
Kelgie K. E Luiz Henrique Nogueira. Vem comigo.
Olha, estou feliz demais que você está aqui, mas especialmente que hoje não é teu aniversário. Porque se fosse o aniversário dele, ele podia estar morrendo. Todo aniversário tu passa um perigo de vida? O que é isso? Nossa, é, desde criança. Eu lembro que a primeira vez eu estava... Bom, sempre entre dia 15 e 17 de janeiro. 17 de janeiro é meu aniversário. A primeira vez eu estava no Guarujá, na praia de Pitangueiras.
que é uma praia cheia de buraco e que a onda, poxa, legal. Ainda bem que tá cheio de salva-vida lá.
Aí eu estava tomando um solzinho numa pranchinha de isopor, assim, no rasinho e tal, deitadinho. Eu tinha uns 11 anos, sei lá, não sei se 12, tomando um solzinho e tal. E foi, foi, foi, o mar foi me levando. A hora que eu me toquei, eu estava muito longe da praia. A praia na pranchinha. É, eu via aqueles prédios e tal, porque o mar começou a me puxar, me puxar, a hora que eu olhei...
E eu, na minha ingenuidade de quem acha que sabe nadar, não vou ficar com aquela pranchinha remando. Tipo, pulei na água e... Abandonou a prancha? Abandonei a prancha. Que coisa inteligente! Melhor, melhor! A única vez que eles salvavam. Eu achava que eu sabia nadar. Essa prancha vai me atrapalhar. Eu vou, eu assisto filme, eu vejo como é o...
O pessoal nadando para o aquamento. Eu achei que ia... Pá, pá, pá, pá, e nada, e o mar me levando e aquilo ficando... Eu não engoli água. Na hora que eu falei, acabou, não tenho mais força para voltar... Você cansou. É, eu não saía do lugar. E eu falei, agora eu vou afundar. Eu vi aqueles prédios lindos da Praia de Pitanguinas. Na hora que eu falei, agora vai aparecer um salva-vidas aqui e um aqui. O salva-vidas, os dois...
Me puxaram e eu já fui pensando que vergonha. Porque a praia toda ia ver você sendo resgatado. É, mas não chamou muita atenção, porque quando entra o Salva Vida, todo mundo olha lá, olha lá, junta a gente pra caramba. No meu caso, não aconteceu. Acho que é uma coisa até educativa. É pra humilhar a pessoa que se afogou, pra ela aprender a não fazer isso. Exatamente, ninguém fazia. Total. Total. Só que isso foi no dia 16 de janeiro ou 17. Eu não me lembro porque faz muitos anos.
Uma outra vez, eu estava em Fernando de Noronha, 17 de janeiro, estava com um rapaz do Projeto Tamar, eu estava de snorke, eu estava de máscara. Projeto Tamar era o Leonardo Michelangelo Rafael Donatello. Era uma das tartarugas. Caramba!
Isso já faz muito tempo, era 17 de janeiro. Fui passar meu aniversário em Fernando de Noronha sozinho. Aí estou lá na praia, conheci ele lá no Projeto Tamar. Vamos lá, que eu vou marcar umas tartarugas, aqueles que eles põem um metalzinho na tartaruga. É um projeto maravilhoso para o Jatamar.
Aí eu entrei num mar piscinão, assim, de snorke, o pé de pato e tal, comecei a dar um rolê enquanto ele se afastou assim, foi lá e mergulhava e tal. Eu tô lá tranquilão, de repente o negócio começou a bater, começou a onda me levar, me levar, e aí eu de pezinho de pato, mas eu não fui com o snorke naquela que você só vai batendo o pé e fazendo assim, não. Eu já comecei a me apavorar, porque volta toda, né, vem o fantasma. Aí eu...
Meio que desencanei do snorke, eu botei a cara e pá, pá, pá, e a onda me levando, eu não saía do lugar, eu não sei, vamos supor que ele chamava Fábio, eu via lá a cabecinha dele, Fábio! Fábio! E nada, não escutava. E aí eu fui, fui, fui, o mar me levou, me levou, mas eu consegui sair. Mas sentiu que podia ter... E aí sempre eu me toco, depois que passo, eu falo, nossa, 17 de janeiro.
É, tu tem que ir pra neve, você tem que sair de aniversário, tem que subir a montanha...
Aí, última vez, essa última vez mesmo, porque eu nunca mais caí nessa cilada, foi em Ipanema. Eu morava no Jardim Botânico, verãozão, janeiro, dia 16 de janeiro. Aí eu falei, bom, vou dar uma corridinha, vou até a praia. Pus um calção, desde que tenha aquela sunguinha por baixo, calção, uma camiseta de manga cortada, assim, o tênis e só. Talvez um cartãozinho de crédito aqui no bolso de dentro.
Cheguei em Ipanema ou Leblon, nem lembro. Aí entrei na areia e tal, tirei o tênis, falei, vou ver quem vai cuidar desse tênis, desse documento aqui. Vi uma menina com um bebezinho na praia, cheguei, oi, querida. Inofensa não vai te roubar, né? Você pensou.
Primeiro, primeiro, primeiro. Tem que dar para uma pessoa de confiança. Aí eu falei, querida, pode ficar com... Claro, claro, claro. E aí eu não sei o que acontece, eu não lembro. Eu morava no Rio, eu mudei para o Rio em 85. Eu acho que não era assim antigamente. Mas nessa época, acho que ainda hoje, você vem andando na areia, onde as pessoas ficam tomando sol, barraca, de repente a areia faz assim, bum, tem uma descida até chegar no mar. Aí eu deixei com a garota e fui.
Fui, entrei na água, um ondão, né, mas eu ia no rasinho e tal, mas aquele ondão, veio o ondão, eu... É, o ondão 17 de janeiro que chama. Ele é já o ondão que te leva. Uma coisa importante, eu tava com a chave de casa amarrada no cordão. Ai, que susto. Você falou aqui? Eu tava com a chave de casa. E, rapaz?
Esse não quer perder mesmo. Estava aqui, ó. E deu um nó cego. A primeira coisa é a chave de casa. Se eu estou no Brasil, em qualquer lugar, eu amarro a chave de casa. Eu amarro de tudo. Aí, no que veio o ondão, eu pulei. Furei a onda e já saí sem calção. Ainda vi meu calção indo embora. Levou o calção? Calção preto.
É porque a onda pensou, eu não vou matar, mas eu vou humilhar. E aí, seu calção... Quando você disse calção, a sunga foi junto também. Não, a sunga é aquela sunga... A copoada. Aquela, sabe? Aquela redinha assim. Ela é do calção. Ficou você e a cordinha pendurada, amarrada, a chave de casa. Se tivesse amarrada lá onde você tá falando, eu só fazia assim, entendeu?
Mas a chave estava junto no carroção, então a chave foi também. Foi tudo. Foi embora, ainda vi o calção, eu... O calção foi embora. Falei, nossa, falei, e agora? E o primeiro movimento é... Fiquei assim. Já abaixei, não, não estava tão... Imagina, eu não vou aqui nem por decreto. Ipanema, Leblon, aquele mar puxando, estava mais ou menos por aqui.
Aí, pá, fiquei assim, e agora? Só que eu não enxergava a moça lá. Não enxergava. Por quê? Tinha aquele morrão. Ah, porque tá outro paredão. Morrão. E eu falei, cara, e agora? De dia ainda, tá? De dia, Ipanema. Pelado? Isso. Era melhor pra morrer, sabia? Às vezes é melhor que a onda mate a gente. Não. Melhor não. Aí era tipo fim de tarde, horário de verão. Seis e pouco, não tava escuro. Tava claro ainda. Não dava pra sair pelado.
Aí eu olhei, não vi ninguém, não vi, eu falei, agora eu tô ali, tô ali, eu falei, mas o negócio me deixou abalado, porque, né? Pelado. E o mar do rio é frio. É. E daí é que eu... Tá uma chateada, gente.
Não deixa a gente sair por cento. Já pensou sair, né? Não, essa possibilidade eu nem aventei. Mas aí eu fiquei olhando e olhando e não passava ninguém. De repente, rapaz, eu vi um menino bonito, meio rasta, passando ali na praia, devagar, passando ali, passeando. Eu... Ele tava longe. Vem cá, tal. O cara veio. Na hora que ele se aproximou, eu ia falar, sabe o que é? Ele falou, tal, Matungo Ferreira!
Hora ruim de ser reconhecido. Meu rei, eu te amo. E ele era fã. Meu rei, porque celebridade e o Cravo e a Rosa e não sei o que, ele não me deixava falar. Porque aquela cena sua no Cravo e a Rosa, quando você é com o Petrúquio e não sei o que. Pois é, pois é. Meu rei, meu rei. E eu falei assim, o cara não me escutava, ele desfilou meu currículo inteiro e tal. Eu sabe o que é? E eu falei, pelo amor de Deus, meu rei.
pelos filhos de Gandhi, o Iléaê, o Badaoe, a Xé, o Pó, a Fonjá. Presta atenção no que eu estou lhe dizendo. Aí eu falei, isso aqui é, o Mar levou meu calção. Levou meu calção, eu estou nu aqui. Ele já deve ter percebido que eu estava nu, porque a onda subia e descia. Ele viu coisa borreando? Eu falei, levou meu calção, parecia que ele prestar atenção. Rapaz, Iemanjá!
E a Manjar também era fã de o Cravo e a Rosa, ela queria um pedaço teu. Tu tá devendo pra ir a Manjar, rapaz? Ela veio, ela levou, tu tá devendo. Meu irmão, tem ali um quiosque, meu irmão é do Candomblé, não sei, de algum lugar. Vamos lá, queria me pegar pra levar pro... Vamos lá no quiosque de meu irmão, que ele vai fazer um trabalho, ele dá um passe, não sei o quê. Não, sim, depois e tal, olha...
Com muito custo. Eu falei assim, veja bem, vá aqui, por favor, vá aqui. Reto, eu já não sabia mais onde eu estava. Eu falei, vá aqui, reto. Depois desse morro, vai ter uma menina com um garotinho, criança. Minha camiseta está lá. Pegue a minha camiseta para eu sair do mar. Ele falou, beleza, vou lá. Voltou com a camiseta. Aí eu peguei, enfiei a camiseta, cada manga, cada manga numa perna.
É, mas daí a gola ficou também aqui, né? É mais chato. Você é mãe de cada uma.
É a máquina de rar. Exatamente. Minhas camisetas eu rasgo tudo aqui, agora é abertona. Ainda faço aqui, é. Então a camiseta mais ficou discreta, porque ela ficou caidona aqui. Ah, tá. Caidona. Eu amarrei ela na cintura, fui lá, peguei... Aí ele queria me levar no irmão deles. Pra tomar o passe, meu rei. Aí eu falei, não, veja bem, eu vou e tal, tal dia, não sei o quê, amanhã eu venho na praia, você fica lá, lindo, obrigado, foi embora. E eu fui lá, peguei meu...
Meio umas coisinhas, o tênis e o documento, sei lá, identidade, alguma coisa, o cartão de crédito com a garota, já estava dando aquela escurecidinha, mas não era... Beleza, fui com aquela roupa ridícula, dane-se, não estou nem aí. Cheguei no meu prédio, o Leonardo que trabalhava lá, recepção do prédio fechada, porque fecha... Recepção não, administração, fecha às 5 da tarde. Aí eu falei com o Léo, que trabalhava lá na recepção,
Porque na administração tem a chave de todos os apartamentos, fazer faxina e tal. Aí o Léo foi lá na administração, puxou o ar-condicionado, que não era parafusado, arrancou o ar-condicionado, entrou pelo buraco do ar-condicionado, pegou a chave e pronto. Aí eu entrei em casa. Mas o negócio me abalou finalizando porque...
Assim, o simbolismo da coisa, dia 16 de janeiro, eu fiquei sem roupa, pelado Ipanema e sem a chave de casa. Sem nada mesmo. É, aí eu fiquei griladão. No dia... Entre 15 e 17 de janeiro eu não passo nem em frente ao mar, nem no calçadão. Só eu.
Esse ano, pra garantir a segurança, ele passou na Coreia do Norte. Ele corre menos problema, menos risco. Mas você sabe que a gente acha que às vezes corre perigo no mar, em lugar assim, mas às vezes é em casa que está nosso pior inimigo, que é a gente mesmo.
A minha irmã me contou uma história que eu não sabia se eu matava ela depois, se eu dava na cara dela ou se eu falava, conta no meu programa e se humilha pra mim. Eu acho que é a melhor coisa a ser feita. E a Alice trabalha aqui no programa. A Alice é que serve a bebida pra gente, ela que tá. E eu falei pra Alice, eu acho que é a hora de você contar isso que você fez, que você mesma fez e que vocês vão entender. E acho que todos vocês vão querer dar um tapa na cara dela no final de semana. Alice, tudo bem? Como é que tá?
Alice tem umas fominhas de vez em quando, né, Lime? Dá umas laricas. É, pode ser. O que você apronta? Me conta. Eu tô meio envergonhado de saber que ela é minha irmã. Era um lindo dia de sol. Lindo dia de sol. Vamos à praia. Olha aí. Aquele clima de praia, pitada de praia, tudo de praia. Acabou a praia, vamos pra casa, né, comer. Comer. Passar na padaria, comprar uma mortadela, um queijo, um pão. Legal.
Cheguei em casa, o Douglas foi fazer um pãozinho com mortadela ali na frigideira gostoso. Frutou gostosinho na chapa. E eu fui tomar banho. Ficar limpinha pra comer limpinha. Já tinha tomado um negocinho, não?
Coisa leve? Caipirinha da praia. Caipirinha da praia. Não tava totalmente louca. Não. Fez isso de consciência. Sim, sim. Pós banho, pós banho. Claro. Renovada. Tomou um banhão bom? Renovada, limpa, quente, tomei muito sol.
Realmente... E vou comer meu pão com mortadela, afinal de contas. Ah, delícia, pão. Estou ali na frigideira com aquela manteiga derretida gostosa. Coloquei minha mortadela, coloquei meu queijinho, chapei meu pão. Fritou a mortadela na frigideira. É, e abafa para ficar bem gostosinha. A pessoa que frita a mortadela, ela já é... É uma pessoa que ela... É fome pós-praia.
É a fome pós-praia. Só que a mortadela deu uma espumadinha. Espumou a mortadela. Eu achei que eu tava azedinha. Azedinha? Eu falei, deve estar ruim. O que acontece? A mulher, assim, quando tem uma dor de barriga fora de hora, é bom pra mulher, é tipo uma dieta fora de hora. Entendi. Foi até bom. Eu falei, ela dava dorzinha de barriga e a gente põe pra fora, legal. Quer dizer, então você sentiu uma mortadela azedinha, espumando.
Mas não pensou assim, não vou comer? Não, pensei... Ao contrário, vou comer porque vai me dar a desinteria. Isso. E comi, realmente, estava pesadinha. Não foi a melhor mortadela que você já comia? Não. Bom, passa-se, vou pro quiz trabalhar. Trabalhar... À noite. E... Trabalhar... Não, na noite, à noite. Sim. Bem claro.
E começo a me sentir quente, quente, o calor, quente, vermelha. O sol, né? O sol, muito branquinho, eu peguei uma insolação. E quente, quente, meio coçando, mas até então, inchadinho assim, insolação. Já tive uma, pode ter duas, pode ter três, pode ter várias.
E volto para casa, quente, ainda quente, mas não quente febre, quente insolação. Durma bonitinha. Deitou para dormir. Legal. Acordo umas 5 da manhã, quente, muito mais quente, muito quente, muito quente, muito mais inchada. E, bom, começo a passar um gelo quente, quente, quente, e ficando mais inchada, mais inchada. Eu fui olhar no espelho, estava realmente inchadinha. Acho que a gente tem uma foto dela inchada, para vocês entenderem o que é inchada.
Tem uma próxima também. Olha a boca, que linda. Tem o Will Smith no hit, Conselheiro Amorizador. Um bocão lindo, né? Isso é um inchadinho, que ela achou que ela estava inchadinha. E aí? E daí, eu esperei das sete horas da manhã e liguei para a mamãe. A gente liga para a mamãe. Mãe, vamos passar o nosso tal comigo, que eu acho que eu estou com uma insolação. Ainda acreditando. Você comeu doze abelhas.
vou para o hospital, ou se está me atendo rápido, de primeira. Eu não me coçava, eu me sentia muito quente. O que você comeu? Eu falei, acho que estou com insolação, não é uma alergia. Eu falei, não sei. O que você comeu? Eu falei, comei a mesma coisa, comi isso, comi isso, comi isso. De repente você comeu, aquele sanduíche natural de praia. De repente você pegou uma partezinha azeda. E aí, bom, passou-se, volto para casa já desinchada, já bem.
Sem descobrir o que era, deixei o Castle Douglas. Cara, eu tive... Uma reação alérgica. Uma super reação. Olha como eu fiquei. Tirei um monte de foto. Olha como eu fiquei.
E eu falei, eu comi, a gente comeu sanduíche junto, a gente tomou quepirinha junto, a gente comeu mortadela junto. Ele falou assim, você também comeu mortadela? Eu falei, comi a mortadela, claro que eu comi. Ele falou assim, mas ali na frigideira que eu deixei no... Na pia? Na pia não, no fogão. Eu falei, eu tomei banho e depois fui fritar a minha lá. Eu falei, acho que a mortadela não dava boa. Você não sentiu? Ele falou assim, mas você fritou na frigideira do fogão? Eu falei, é aquela com manteiguinha derretida. Ele falou assim, Alice, eu tinha passado detergente para não ficar suja.
Então a espuminha não era uma mortadela azedinha, era espuminha de detergente. Ela fritou a mortadela no detergente. Olha. Tava azedinha. Agora, como é possível você não sentir o gosto do detergente? Azedinho. Azedinho? Você não arrotou bolha de sabão?
Você não sentiu que na hora que você comeu, você não falou... Não? Não, eu fiquei esperando a minha dor de barriga. E não deu a dor de barriga. Esse é o piago. Claro, deu uma reação alérgica, você ingeriu detergente. É assim que as pessoas morrem. Eu tenho alergia a detergente, eu descobri.
Entendeu? Como é que eu faço uma coisa dessa? Como é que eu sobrevivo a isso? É DNA, né? É DNA, né? Esse que é o meu medo. Hoje eu vou comer um macarrão com amaciante, vou torcer pra cá. Que delícia também. Que loucura isso, meu Deus do céu. Olha, seu Luiz.
São Luiz Henrique, quando o sucesso vem é gostoso, né? É. Puxa, às vezes a gente tá fazendo a novela, quando a novela é em placa e dá certo. Porque novela é uma sorte também. Às vezes você pode estar numa novela que não rola muito, uma novela, um núcleo que te... Mas quando acerta, aí é bom demais. Você acertou quando?
Minha primeira novela, na realidade, aqui na Globo, que os 40 a mais devem lembrar, A Senhora do Destino. Era um personagem muito pequenininho, o carnavalesco, tinha escola de samba na novela, e aí o carnavalesco começou muito pequenininho. Era do núcleo do Wilker, não era? Era do núcleo do Giovanni Improta, que era um trabalho sensacional do Zé Wilker, que levou o núcleo dele inteiro. Felomenal. Felomenal.
E era realmente um trabalho muito feliz, assim, todo mundo muito envolvido e o personagem crescendo. E aquela coisa, a gente ainda recebia o capítulo no papel e eu vendo o personagem crescendo e feliz. E aí, a novela das nove, a novela era um fenômeno.
eu era um pouco a carne nova da novela, então eu comecei a receber todas as manifestações de um sucesso na televisão. Então, o público na rua, muito carinhoso, eu sendo convidado para os programas para falar do meu trabalho, para falar da minha história, até chegar ali.
E eu fui uma criança muito noveleira. Eu sempre gostei de novela, sempre assisti novela. Lia colunas sobre televisão. E sempre teve aquela história dos campeões de cartas das novelas. O ator que recebe mais cartas de todas. O atriz que recebe mais. E eu ficava pensando, nossa, deve ser tão legal. Pessoas do Brasil inteiro mandando. Está um ator que deve ter recebido muita carta. Com certeza.
E eu pensava, poxa, o dia que eu fizer a novela, eu vou ler todas as cartas, vou responder uma a uma. Enfim, e aí, Senhora do Destino, começa bombando. Era uma época que a gente ainda recebia muita... A gente não, né? Porque foi que ano? Isso foi 2004.
E a produção chegava toda semana e colocava uma caixa com todas as cartas para os atores separadas por ator. E aí tinha o volume, Renata Sorrar, Suzana Vieira. E a novela, indo, indo, indo. E eu não recebia carta. Eu não recebia carta, mas até aí tudo bem. Eu pensava, poxa vida, eu lá criança pensando que eu ia responder e ninguém me manda carta para eu poder responder. E não vinha a carta, e não vinha a carta.
E eu achando tudo bem, tudo certo, isso não vai me incomodar, porque eu estou fazendo tanta coisa bacana aqui, enfim. Aí um dia eu fui gravar uma situação da novela de delegacia, cheguei na delegacia, toda novela no cenário tem os personagens fixos, o policial 1, o policial 2, o delegado 1, o carcereiro 2, e aí, esperando, gravando, comecei a bater papo com o policial 2, que era do apoio do cenário, e aí o policial me soltou, que estava recebendo muita carta.
O Policial 2. O Policial 2. Eu falei, nossa, Policial 2. Não só o Policial 2 estava recebendo muita carta, como ele tinha uma fã fixa, que toda semana mandava carta para o Policial 2. Deixa eu só explicar para o pessoal de casa que a gente está falando Policial 2 é porque esse elenco de apoio, os personagens não têm nome exatamente. Então vem no roteiro, Policial 1, Policial 2. Significando que se não tem nome é porque não é um personagem ainda, né? Não tinha nem fala o Policial 2.
Que impacto esse Policial 2 causou no público para receber cartas fixas? O cara tinha leio e falava, mas o público olhou e falou, vamos mandar cartas para ele. E nem era gato, né? Nem era gato, né? Cara, não lembro do Policial 2. Ele me marcou muito mais, porque ali eu perdi a saúde mental. E ali, de fato, o Policial 2.
Alguma coisa está acontecendo. As pessoas não sabem meu endereço, não sabem meu nome, não sei o que está acontecendo. Aí eu falei, olha o Policial 2, que loucura. Aí eu comecei a assuntar. Eu parava do lado de lado e falava, que sucesso, a novela e muita carta. Aí a pessoa falou, estou recebendo. Aí eu comecei a falar com as pessoas, mas, poxa, Renata, não estou recebendo carta, que coisa estranha. Todo mundo recebeu. O Policial 2 recebeu carta.
E eu não recebo carta. A Renata, poxa, Zahá, que é a minha apelida, Zahá. Poxa, Zahá, em algum momento vai chegar uma carta. A novela, seguindo o personagem maravilhoso, crescendo, tudo acontecendo. Não recebi a carta. Chegou o carnaval, a escola de samba da novela ganhou o carnaval e eu não recebi a carta. Aí chegou uma hora que eu desistia. Eu falei, tudo bem. É isso, não vou ganhar a carta. Não vou ganhar a carta, todo o resto está rolando, está tudo certo. Aí um dia eu chego para gravar, evento, casamento.
elenco inteiro. E aí, quando eu estou chegando lá, humildezinho, já vem uma Suzana Vieira. Luiz, você recebeu uma carta. Eu falei, para, mentira. E eu... Todo mundo. Como?
Eu, muito paranoico, já pensei. Algum coleguinha. Suzana Vieira pagou para alguém me escrever uma carta. Uma Renata Sorrá pagou. Falou, vai lá, escreve para o Luiz Henrique Nogueira. Enfim. Aí eu falei, não, mas não pode ser. Também não é tão importante. Ah, não, você recebeu... Eu sei que eu entrei naquela sala de estar, né? Que a gente tem na frente do estúdio uma sala de estar para comer, para se organizar ali, enfim. E estava o elenco inteiro. O elenco... Ah, o Cortez. Viu que é Suzana. Luiz, você recebeu uma carta, uma carta, uma carta. E realmente só tinha uma.
Mas era uma carta. Mas era uma carta para mim. Já era mais que o Policial 4, que não tinha recebido. E eu, que já estava com a teoria de que o Policial 2 fez tudo aquilo pensado, para me destruir, para acabar com o meu ego, disse que tudo mentira do Policial 2. Enfim, peguei a minha cartinha, estava lá realmente para a Luiz Henrique Nogueira, produção Senhora do Destino. Falei, meu Deus do céu, uma carta. O elenco inteiro, atrasando a gravação. Todo mundo ali. Todo mundo esperando. Eu abro a carta na frente do elenco inteiro.
Aí tinha um outro envelope dentro, com uma cartinha, com um bilhetinho. Falei, que graça, gente. Será que é foto da família? Aí eu abro o bilhetinho. Luiz, por favor, entregue para a mão do Mader.
Foi a única carta. Eu estou, nesse momento, fazendo minha sétima novela e eu nunca recebi carta. Que isso? Agora não se estreme. Mandem, gente. Não, vamos agora. Meu povo, olha só. Luiz Henrique Nogueira está aqui na Rede Globo esperando a tua carta. Você vai mandar uma carta para ele, aqui para o Estúdio Globo, dizendo que eu assisti ao programa e você diga todas as coisas. Pelo amor de Deus, não manda carta para a Malumada.
Até porque eu não entrego. Não entregou, não? Claro que não. Jamais entregarei. Não. Essa pessoa não entende nada de ego de ator. Pelo amor de Deus. A gente é... É verdade.
Eu respondo mensagem da rede social, né? Eu gosto de responder. Tem uma hora que realmente não dá para diminuir. Mas de vez em quando vem aquela mensagem assim, eu adoro o seu trabalho. Será que dá para você falar para a Sofie? Porque eu sou muito fã dela. Total. Uma vez um cara chegou, um fã, chegou para o Luiz Gustavo, o Tatá, o Luiz Gustavo, e falou, pô, me dá um autógrafo. Ele deu. Ele falou assim, pode me ver um do Tony Ramos também?
Eu recebi uma carta, fiquei muito feliz quando recebi a carta, porque eu nem sabia que chegava a carta ainda, né, quando você, sei lá, recebisse em 2010. Uma carta, chegou carta, juro, juro. Eu abri a carta e falei assim, Fábio, não gosto do seu trabalhador, porque você não tem graça. Juro.
Mandou, você é muito forçado. A pessoa... Eu até respeitei. E a pessoa se dá um troco. Eu respeitei porque eu falei, esse é o hater raiz. Porque ele te odeia tanto. Mas tinha remetente? Tinha, o nome dele... Eu ia atrás dele. Eu ia atrás dessa coisa. O cara me odiava tanto, ele foi o correio, botava carta.
Fica o nosso apelo. Mandem cartas, mandem cartas para Luiz Henrique Nogueira. Ai, que maravilha. Bom, a benção. A benção. Deus te abençoe. Seu sonho era ser freira? Eu tive esse sonho. Porque assim, eu sou de uma cidade do interior do estado do Rio. Nascida nos anos... Aí nasci em 65. E morei numa cidade bem pequena. Nasci em Santo Antônio de Pardo, depois eu mudei para São Fidelis, depois eu fui para Campos, até vir para o Rio de Janeiro. E aí
Era nessa época, meus pais católicos, a gente ia à mesa todo domingo, papapá, e era uma paróquia muito conservadora, muito. Você rezava a mesa em latim, o padre rezava de costas para a plateia, então assim, enfim, eu ia à mesa todo domingo, papapá. Aí no mês de Maria, eu já morava em São Fidelis, eu tinha na época oito anos, porque mês de Maria é maio.
Veio um monsenhor da paróquia de Campos para confessar as pessoas em São Fidelis. E não foi todo mundo, não. Tinha um número de pessoas. Então a gente se inscreveu, eu e minhas três amigas. Eu tinha oito anos de idade. Foi confessar. Fui confessar. Meus grandes pecados aos oito anos de idade. Os absurdos. Não, os absurdos. Então aí fomos lá para aquele monsenhor, conseguimos. Eu entrei nervosa para confessar. E eram aquelas perguntas. Você fez, cometeu algum pecado? Eu falava, ah, eu briguei com o meu irmão.
Cinco ave-marias, trinta Pai Nosso, não sei o quê, não sei o que lá. E aí era tudo isso, desobedecer meu pai e minha mãe, tudo ia pro inferno, tudo ia pro inferno. Aí, pra coroar a confissão, ele virou pra mim e falou assim, olha, você vai rezar não sei quantas ave-marias e Pai Nosso e você tem que me prometer três coisas, senão você realmente vai pro inferno, porque você tá muito pecadora. Que isso!
Com oito anos de idade. Aí eu falei, quais são as três coisas? Ele falou, você nunca mais vai poder ver televisão. Você nunca mais pode usar calça comprida ou short. Porque assim, usa short, meu Deus. Usa calça comprida, socorro. Mas tem que usar o quê, gente? Pois é, só saia. Ah, tá. E nunca mais era ver televisão, calça comprida. Peraí, e saia. A bermuda, de repente, ia manjar. Criatou a bermuda por causa disso. Não pode usar bermuda.
E eu não podia... Mas eu estava salva, porque eu não podia mais ir à praia nem à piscina. Então, pelo menos eu estava salva... Ele falou também que não podia ir à praia. Não podia ir à praia nem à piscina. Aí fomos, aí umas três amigas confessaram, voltei para casa. Obviamente, dormi no dia seguinte, oito anos de idade. E uma dessas meninas era a minha melhor amiga de infância que morava na esquina da minha rua.
Aí, peguei... Gente, era muito conservador, realmente, ligado? Hoje em dia não é mais assim, mas... Aí peguei... Ah, para você imaginar como era conservadora na época, eu fui batizada em Pádua com Maria Kelsi, porque eu não podia ter um nome estranho, tinha que ter um nome de bíblico. Então, minha certidão de batismo está lá, Maria Kelsi. Maria Kelsi. Aí eu comecei uma saga.
de ficar na igreja. Eu fiquei, gente, era tão maluco o negócio que eu ia à missa todos os dias. Eu confessava todo final de semana, não mais com esse Monsenhor, né? Ah, era terrível, era terrível. Mas eu achei que eu tinha descoberto a fé absoluta, né? Claro.
Aí, logo depois, eu era tipo oradora da minha turma, então isso foi em maio que eu confessei. E eu fazia aniversário em junho, então eu confessei, eu tinha oito anos. E no final desse mês de maio tinha a comemoração de Maria. E tinha toda a comemoração de Maria, eles faziam... É uma igreja linda de São Fidelis, linda, de 1808, se eu não me engano. Eles faziam uma nave lateral enorme, colocavam um altar para Nossa Senhora e subiam duas menininhas vestidas de anjo.
Uma para entregar uma palma, uma flor para Nossa Senhora, que recitava uma poesia. E a outra que subia cantando uma música para coroar Nossa Senhora. Para colocar uma coroa. Fisicamente a coroa. E era a grande comemoração do mês de maio. Gente, foram três anos. Eu saí de São Fidelis, eu tinha 11. Foram três anos realmente muito dedicados. E eu invoquei que eu queria ser freira.
porque eu falei, eu descobri qual o sentido da minha vida, né? E fui, levava muito a sério. Aí foi, primeiro ano, me designaram pra colocar, eu falava, né, na turma, pra colocar a palma na Nossa Senhora. Beleza. Aí eu falei, bom, ano que vem eu vou coroar Nossa Senhora, né? Porque é o ápice.
Era o ápice, né? Cantar uma música. Aí, no ano seguinte, de novo a palma pra Nossa Senhora. Aí eu falei, puxa, eu fiquei meio magoada e tudo. Aí fui até entrar, tinha um coral na escola, eu estudava numa escola de padre, não sei o que, eu entrei no coral, falei, então é isso, né? Eu tenho que treinar um pouco de cantar, papai. Pra cantar. Finalmente, no terceiro ano, me colocaram pra coroar Nossa Senhora. Uh!
E aí? Aí duas menininhas vestidas de anjo, né? Coisa mais bonita. Aí primeiro subia a menina com a palma... E você olhando aí? Já fez muito isso. Essa palma aí... Sério, sério, na minha época. Agora eu tô num outro patamar, né? É lógico. Aí fui eu lá pra coroar a Nossa Senhora, né? Cantando? Cantando. Cantando o quê? Você lembra? Eu lembro só de uma frase que era... Receba, mãe, essa coroa...
Eu lembro que tinha muito vibrato. Bonitinho. Ah, brincadeira. E aí fui eu lá, nervosa, emocionada. Eu estava muito emocionada mesmo, gente, porque era como se eu tivesse... Chegando lá. Tinha do sinal dos céus, exatamente. Você realmente tem a vocação. Aí eu peguei a coroa, a cidade inteira assistindo, gente. Menos meu pai e minha mãe, que não estavam lá para me ver. Porque eles eram contra você? Não, não. Então, no início, eles acharam muito bonitinho. O papai era muito católico, muito bonitinho. Mas depois eles começaram a ficar preocupadíssimos, gente, porque eu levei a série demais. Sem buraco.
Com isso mesmo. No mês de maio, para vocês imaginarem, eu comungava todos os dias. Em maio, eu ia à missa todo dia, todos os dias da semana. Com 10 anos de idade. Com 10 anos de idade. E aí minha mãe começou a ficar um pouco preocupada. Em maio, eu tinha a missa de manhã e de noite na paróquia. E para comungar, você tinha que fazer jejum. Então eu não tomava café da manhã e nem jantava. Jesus! A mãe dela já estava deixando um negocinho de maconha.
Para ver se ela se desviara. Para ver se a pessoa saiu da rua. Aqui na filha. Isso é só um drink. Para ver se ela vai. Aí, aí, foi. Estamos lá na nossa celebração, né? Vou lá coroar a Nossa Senhora. Meu Deus, que emoção a cidade inteira. Lá vou eu cantando, levando a coroinha para a Nossa Senhora. Naquele praticável nome. Gente, era tipo uns três metros do tamanho de uma casa. Quando eu cheguei e coloquei a coroa na Nossa Senhora, a coroa caiu.
A coroa caiu... A coroa caiu, despencou atrás do negócio. A cidade inteira foi aquele negócio, todo mundo estava emocionado. E a mulher da palma falando, vai botar a coroa agora. Vamos ver quem vai botar essa coroa ano que vem.
E aí ficamos todos estatelados lá uns segundos, aí, de repente, começou a... Desce! Desce! Desce! Aí, eu desci! Você lembra do seu sentimento na hora, quando caiu assim a coroa? Você lembra de ter... Eu falei, eu vou pro inferno! Não adiantou nada!
Não adiantou nada prometer esse monte de coisa. E eu até mandei pra cá uma fotozinha, a roupinha que eu tinha acabado de ganhar. Cadê a da televisão? Essa. Ah, meu Deus. Você estava com essa roupinha? Não, essa roupinha foi a primeira que mamãe desmanchou pra virar a saia. É, porque é calça comprida. Tá vendo? Tem mais uma.
Olha o style, ela já tava assim. Mas é muito pior assim, gente. Eu achei também. É melhor a calça. Mas essa aí é do mesmo dia da foto, tá? Essa aí eu ainda não tava beata, não. Meu Deus do céu. Do mesmo dia da foto da televisão. Olha, é... E aí caiu a coroa. Aí caiu a coroa. Você foi obrigada a descer. Eu falei, eu fui obrigada a descer com uma asa de anjo, gente. Eu tava vestida de anjinho. Já virou anjo que caiu da terra. Você virou Lúcia rapidamente.
Aí eu desci, mas aí meu papai e mamãe não estavam lá, não sei porquê. E aí veio a diretora da escola que eu estudava para tentar, porque tentaram achar, as pessoas tentaram achar, coroa, não acharam de jeito nenhum. Então, aquele ano, Nossa Senhora não foi coroada. Isso é grave, hein? Aí veio, o melhor foi a diretora tentando me consolar depois, que ela ficava assim, não, minha filha, não se preocupe, não, vai ficar tudo bem.
Eu não sei o que vai acontecer com Nossa Senhora, não foi coroada assim, mas está tudo bem, não vai acontecer nada com você, mas não sei, minha filha, isso quer dizer alguma coisa". Gente, a mulher me apavorou mais, ela começou a me apavorar, e eu lembro que eu comecei a tremer. Meu corpo começou a tremer, aí ela segurava, meu corpo e minha cabeça faziam assim. Ela segurava a minha cabeça e meu corpo fazia assim.
Foi tipo um desespero. Eu fui para cá. Você sabe que eu não lembro pós isso? Eu não lembro. Eu acho que eu traumatizei tanto. E o mais engraçado, aí foi, né? A vida foi rodando, não sei o quê. Me tornei atriz. E sabe aqueles pesadelos que ator e atriz têm antes de estreia? Que tipo, esquecer o texto, o figurino rasgou, não sei o quê. Meu sonho era com uma coroa. Você tem esse sonho? Eu sonho com uma coroa. Parece, a impressão que me dá é que toda vez que eu vou estrear, eu vou derrubar a coroa.
Entendeu? Sabe o que você tem que fazer, pesou-se? Aí você tem que ir lá no Sírio de Nazaré, que acontece em outubro, lá em Belém. A Fafá organiza isso. São três milhões de pessoas. E a Nossa Senhora, a Estado de Nossa Senhora, ela passa por toda a cidade. Ela é carregada pelo povo. Ela vem de barco. Ela vai de moto.
É uma coisa lindíssima. Ela passa por todo o Pará e culmina entregar a Nossa Senhora lá. Você tem que ir nessa semana. Primeiro que é lindíssimo. Segundo que lá você pede um certo perdão qualquer pra você tirar isso da tua frente. Você não vai dormir hoje. Eu acho que daí você toca na Nossa Senhora e fala pra Nossa Senhora olha, não foi intenção minha.
Não foi por querer. Isso, aí te livra desse negócio. Não, mas agora eu já não sonho mais com isso, não. Qualquer coisa, escreve uma carta pra ela. Vai, vai. E manda pra nossa senhora. Mas se você acha que você pecou, a Thaís, a Thaís, eu nem sei o que fez. Thaís, como é que você tá? Tudo bem? Ai, Deus, tô ótima. Saúde, pausse pra Thaís, meu povo.
Thaís, já tinha esquiado antes? Já. Ih, você era esquiadora. Sua aventureira, sobrevivencialista, adoro um perrengue. Boa. E aí, eu combinei com uma amiga para o Chuaia, Argentina. Boa. Era a minha quarta vez lá. Falei, nossa, você vai amar, é fácil, eu te ensino. Lá é gostoso, lá tem pubs também para a gente conhecer uns gatinhos, uns bonitinhos. Tem muita montanha para a gente praticar. E fomos. Boa.
Praticamos, ensinei ela, foi tudo ótimo, pegamos pista preta, a gente tava se achando. A pista preta é a mais difícil. É a mais difícil de todas. E era invernão, então tava cheio de neve. Perfeito. Boa. E aí era o último dia, falei, vamos aproveitar o último dia, porque a gente só tava focando na natureza, né? Claro.
Foco na natureza, porque a gente gosta muito disso. E eu falei assim, vamos para um pubzinho que eu conheço. Tem vários argentinos, eu estou afim de dar um beijinho. Argentina é natureza também, que é isso. Você adora, né, gente? Um sangue caliente, né? Eu falei, quero dar um beijinho num... Um argentino. Exato.
Fomos para lá para o pubzinho, tinha um grupo de brasileiros e ela acabou dando uns beijinhos lá no brasileiro e saiu com o brasileiro. Falei, ah, brasileiro não, estou tão longe, não quero, né? Quero focar num argentino. E aí vários ficavam paquerando e tal, aí vieram dois gatinhos conversando um pouco mais comigo. Eu estava bem, não tanto faz. Bonitinho os dois, tanto faz. Quem quiser, pode ser. Só que um não conseguia entender muito, porque a música é alta, falava muito enrolado, o espanhol dele eu não entendia. Aí o outro, que era mais baixinho, cara de bebê.
tava me dando muito mais moral e ele falava um portunhol, na época eu não falava nadinha de espanhol, mas eu conseguia entender bem. Eu falei, vai esse mesmo. E aí, conversando, dançando, aquela dancinha calhenta, nananã, nananã, que delícia, e ele nada de me beijar. Eu falei, gente, daqui a pouco eu tenho que ir embora, porque era o meu último dia, então eu queria esquiar de novo, eu tinha foco, eu falei, olha, tenho até três horas da manhã pra ficar aqui, porque depois eu vou acordar que eu quero esquiar. E nada, e nada, e nada. Aí eu falei, quer saber?
Fui, beijei ele assim. Resolvi. E aí, beijamos, beijo gostoso. Ele queria me levar para o meu hotel. Só que eu estava dormindo com a minha amiga, então não dava para acontecer uma coisa a mais. Eu também estava afim porque eu queria esquiar. Era o meu foco. O meu foco era esse.
Deixei ele me levar até meu hotel, super gentil, não peguei contato, nem ele também pegou o meu. Ok. Dia seguinte, a van veio buscar para esquiar, era a mesma van que ele estava com os amigos, ele estava com um grupo de seis amigos. Por acaso? Por acaso, era destino. Eu falei, pronto, era destino, aconteceu alguma coisa. Aí, só que ele estava sentado lá atrás, eu e minha amiga na frente, eu falei, se ele vir falar comigo, eu falo, senão a gente vai focar no que nós viemos fazer, que é esquiar.
E aí ele desceu, começamos a conversar, ele falou assim, ah, o que vocês vão fazer aqui, que parte da montanha? Eu falei, ah, pista parte preta, né? Vamos lá pro topo. E ele falou assim, ah, então vamos com a gente e tal. Eu falei assim, só que a minha amiga, ela não vai poder fazer alguns trechos, porque ela ainda tá iniciante. Ele, ah, mas um amigo também tá iniciante, ele pode fazer companhia pra ela. Ele vai deixar esse amigo com ela. Exato. Pra levar pra pista preta, pra fazer a coisa mais escura.
Aí fomos, né? De repente, nós começamos a nos afastar um pouco mais, sempre nós dois esquiando, porque a gente sabia um pouco mais do que os outros. E ele começou a me ensinar umas técnicas de saltar, de passar por debaixo da perna. Então, eu estava muito confiante me achando. E aí, tudo que ele fazia, eu fazia. Pá, pá, pá. Eu falei, ai, nossa, eu estou muito boa.
Tô arrasando. Aí teve uma hora que ele foi um pouco mais à frente, ele passou por cima de uma árvore caída, e eu falei, ai, eu vou conseguir, eu vou. No que eu fui, eu falei assim, faltava um pouquinho pra eu chegar, eu falei, não sei se eu vou. E virei. No que eu virei na pista, eu acho que era, eu não sei se era vermelha ou se era azul, era mais estreita, mas ela é bem inclinada.
Virei com tudo, eu estava em muita velocidade, só que eu não consegui contornar, porque se eu continuasse, eu ia parar nas árvores. No que eu fui virar, eu caí e eu comecei a rolar, rolar, rolar, rolar, rolar. Eu tentando me segurar assim na neve e nada, e tentando levantar os pés. Só que um dos esquís em rosca. Caramba! Na hora eu falei, fodeu, quebrei minha perna. Aí parei, né? Uma hora a gente para, graças a Deus. Ele estava lá embaixo.
Parei, coloquei a mão na minha perna e falei assim, pelo menos não foi fratura exposta. Porque eu sabia que eu tinha quebrado. Sou fisioterapeuta, né? Mas sentiu dor ou só do barulho? Só do barulho, eu sou fisioterapeuta. Então eu falei, aquele mecanismo foi uma torção com rotação. Falei, já era. Rompi meu ligamento, foi. Rompi o ligamento. Falei, rompi. Aí coloquei a mão assim, falei, não foi fratura exposta, mas eu acho que eu rompi. Aí nisso ele veio subindo, dando risada. Quem não dá risada, né?
E ele estava com a câmera, com a GoPro dele aqui. E eu perguntei ainda para ele, você filmou? Ele, não, né? Ah, que pena. Falei, que pena, queria ter visto. É, a gente também. Né? Ia ser maravilhoso.
Aí, ele pegou os skis, eu fui pedir para ele me ajudar a colocar. No que eu pedi para ele me ajudar a colocar, na hora que eu tentei estender a perna assim, aí doeu, eu falei, nossa, já era. Como que eu faço agora? Falei, muita calma. Mas quando eu ficava nessa posição agachadinha, eu falei, ó, agachadinha dá, consigo. Ele disse, você quer que eu chame o pessoal do socorro? Eu falei, não, traz o ski que eu consigo descer assim. Ah, você ia descer agachadinha? Desce, não chorei, estava com dor, mas...
Tranquila até. Falei assim, agachadinha consigo. Aí nessa velocidade, eu falei, mas vamos devagarzinho, vamos tentar pegar trecho de pista verde. E aí, fomos devagarzinho, tentamos pegar um trechinho mais de boa. E sem dor.
agachadinho eu estava sentindo um pouco de dor, mas não tanto nesse momento. Acho que por causa da temperatura também, né? Aí eu falei assim, vamos parar um pouquinho aqui? Era como se fosse um mirante. Aí tinha um bosque embaixo, estava o sol, devia ser umas três horas da tarde, mais ou menos. Então estava um lugar bem bonito. Sentamos, eu falei, vou colocar um pouquinho de gelo. Vamos ficar sentadinho aqui. Não foi difícil encontrar. Vamos ficar sentadinho aqui perto da pista.
E aí, nesse, nós ficamos lá um pouquinho, aquela brincadeira que parecia filme. Jogando nevinho no outro, começou a beijinha ali e aqui. Aí, de repente, me deita, né? Aí ficou uma coisa um pouco mais quente. Aí a gente, mas a gente tá na pista, literalmente. Vamos descer um pouquinho mais? E descemos um pouquinho mais. E você com o olho de olho rompido de ligamento.
Nessa hora a gente, né? Ai, só se vive uma vez, vou aproveitar. Descemos só um pouquinho. Só que aí aquela coisa, né? Muita roupa, segunda pele e tal. Tentando levantar um pouquinho mais. Aí eu falei, mas se alguém vier alguma coisa aqui? Aí ele, aí, então vamos lá pro bosque. Falei, mas como que eu vou descer com esse joelho? Era bem inclinado.
Aí ele falou, eu te ajudo a descer, vamos descendo, vamos pra lá, a gente fica mais à vontade. Falei, ai, só se vive uma vez. Aí eu fui descendo, eu segurava na neve, essa perna era dominante, eu até trouxe o vídeo. E ia fazendo assim, ó, então essa perna só apoia. Tem esse vídeo de você descendo? Tem esse vídeo de descendo, fazendo assim. Tem esse vídeo de descendo, olha lá. Tava lá em cima, olha lá. Ê, indo pro, né? Indo, ó, tá vendo? E aí eu só descer. Só ia indo pro crime, né? Indo pro crime, exatamente. Aí descendo.
Descemos, chegamos lá no bosque, eu pensava, só quero ver pra subir depois, mas tudo bem. Ele tirou a jaqueta dele, colocou no chão, me deitou, e a gente começou a querer tirar roupa, né? Pra transar na neve. Transar na neve. Na neve, fortes emoções. Você quer transar na neve. Foi. Aí...
Primeira coisa, né? Tentar tirar aquela calça. Tava com ela e mais uma segunda pele. Fui tirar a calça, não que eu fui fazer assim pra tirar, tentar abrir, não dava, né? Eu falei, como que a gente vai fazer? Aí, posso mostrar aqui? Pode, eu não sei, eu tô... Eu tava tentando ficar deitada. Nessa hora, tentei deitar, tentei abrir, não dá. Falei, não dá. Vamos fazer o seguinte, vem você por cima, aí eu deitei.
A calça até aqui não dá também, porque não tinha como abrir. Então, vamos de ladinho. De ladinho. De ladinho foi. Ótimo. Mas que vontade de fuder, né? Eu vou te falar. A pessoa, o joelho arrebentado, menos 10, na média, tira a roupa. E transaram? Sim, funcionou. E foi ótimo. Olha aí! Olha aí! Olha aí! Aí subimos.
Fomos até a base lá. Quando voltei pro hotel, meu Júlio tava desse tamanho, super inchado. Só que a gente queria também, né? Continuar de uma maneira gostosa. Aí acabou acontecendo, a gente foi pro hotel. Lembra que eu tava dividindo o quarto com a minha amiga, ela não queria deixar, né? Aí eu falei, vai ficar um pouco lá fora.
E aí, nisso, demos uma namoradinha, voltei para o Brasil, mas com o joelho desse tamanho, super inchado, de mala e cunha, fui para o hospital direto. Falei assim, eu tenho certeza que eu rompi, não estou convencida. Aí o médico falou que não foi só o meu LCA, foi o menisco medial, foi o ligamento colateral também medial e também trinquei a minha tíbia. Tudo isso. Caraca, foi um cúmulo. Ele falou assim, não sei nem como você está em pé aqui agora.
Só que como eu sempre fortaleci e tal, estava muito bem. Nesse meio tempo, eu ainda falava com esse argentino. Então, a gente estava muito de contatinho. Vai operar essa perna! Não, operei, operei. Ficou tudo certo. Mas no meio tempo, ele veio para o Brasil, eu fui para lá. E aí, quando era para eu ir de novo para lá...
O que aconteceu? Eu percebi que ele deu uma sumida. Eu falei, ai, não acredita, me dando gelo, como assim? Só que eu via que ele não via, não visualizava nem WhatsApp, nem rede social. Falei, alguma coisa aconteceu. Uma semana sem conversar, falei, tem alguma coisa errada? Quando eu fui falar com um amigo dele, que eu tinha contato, o amigo dele falou que ele sofreu um acidente, estava em coma. O que é isso? E a história foi por um caminho que eu não estava contato. Foi, então...
Ele sofreu um acidente, ele foi para uma festa e aí ele esqueceu a chave no carro do amigo, foi pular a janela da casa dele, tinha chovido, escorregou, caiu, bateu, ficou em coma, ficou uns bons meses sem movimentar o lado direito, sem falar direito, então a gente acabou meio que se afastando por isso. E aí em janeiro desse ano, isso foi em 2018 quando aconteceu,
Em janeiro desse ano, ele pegou e falou assim, ah, eu vou pro Japão e eu vou fazer uma escala aí no Brasil, eu queria muito te ver. Só que eu tava solteira agora, eu falei assim, ah, a gente pode marcar de se ver. Só que eu fui fazer essa tatuagem, aí não dava pra receber ele, de repente, na minha casa, ou fazer uma coisa, né, mais elaborada. Eu falei assim, só que eu tô ocupada nesse dia. Aí ele foi, eu falei assim, olha, a gente pode se encontrar no shopping, que é onde eu tô fazendo a minha tatuagem. Passa trans onde tiver lugar. A Neve provou que a gente precisa.
Às vezes é em frente à Rene. Às vezes é isso. E ele foi com o seu kit de esqui, de snow, desse tamanho, até o chão. Vocês se pegaram? Nós pegamos. Só uma coisa leve. Mas ficou essa vontade, quando ele voltar agora do Japão, aí de novo vai ter um...
Fabio, eu fiquei boca e aberto com ela. Além dela ser esquiadora, fisioterapeuta, pegadora, ela tem um ritmo, um time sensacional. Ela é maravilhosa.
Sabe que um dia eu estava com Priscila na neve também. E lindo ter uma paisagem. Ele disse, é isso. É porque vai dando um negócio. Sobe um comichão na gente. Era uma vista linda, a gente sentada na neve, bonita, um do lado do outro. A gente começou a se beijar, começou a se pegar. Coisa que foi aquecendo. Então eu entendo a coisa da bunda no gelo, eu entendo. E aí a gente foi tentando se pegar. E quando a gente ia começar, estava se preparando. Foi a nossa sorte que a gente não tinha começado. Passou um drone.
que tava filmando tudo, e o drone com a camerazinha pra baixo. Então a gente tava ali na pegação, passou o drone, a gente fez um... Eba! ...do drone, mas não pegou nada. Olha, a gente começa com as perguntas aqui, sempre a primeira lembrança da infância.
Primeira lembrança é uma procissão que passou em frente à minha casa e aquelas pessoas com aqueles véus todos pretos rezando. Eu chorei, chorei uma semana. Uma vez eu perguntei para a minha mãe, mãe, quantos anos eu tinha quando passou aquela procissão? Ela falou, menos de um. Mentira. Caramba. E ele chorou porque a Nossa Senhora estava sem coroa.
Você sabe que uma das minhas primeiras memórias também tem a ver com o Talmaturgo, porque eu sou nascido e criado em Copacabana e uma das minhas primeiras lembranças é de um cachotaço no mar. E deu girando, girando, dentro da onda e não saindo. Eu estava com a minha irmã, que é bem mais velha que eu, e ela me puxou também pela sunga. Eu saí meio pelado, porém do cachote.
A minha é meio... Coitadinha de mim. Mas eu estava no jardim de infância, tinha acabado de desfraudar, tinha dois anos e pouco, fui para o jardim, e aí teve uma hora que eu queria ir ao banheiro, eu fiquei meio perdida, fiquei com vergonha de perguntar onde era, e fui para um cantinho assim, e fiz um xixizinho bem discretinho, escorrendo pelas perninhas.
Então, achando que ninguém ia perceber. E aí, de repente, as crianças viram, começaram aquela coisa de criança, que é sempre uma fofura, e aí eu fugi do jardim de infância. Eu fugi. Eu fugi. Claro, fugi foi para onde? Fugi para casa. Fugi. Era a cidade do interior. Eu andava muito sozinha assim. Fugi com menos de três anos. Aí eu fugi para casa, foi um custo para minha mãe voltar para o jardim, porque eu não queria voltar de jeito nenhum.
E aí, sua sorte é que depois, enfim, aí começaram a fazer uns teatros, nas escolas, umas coisas, eu era muito criança, eu já era fascinada. E aí, isso que me convenceu. Vamos lá para as perguntas. Ih, uma cartinha, recebi aqui. Fábio, estou adorando o programa. Manda um beijo para todo mundo aí. Que coisa mais linda. Adorei. Nossa, as cartas vão chegando. Estão impressionantes, está pronto. Chegou. Não fala, chegou. Maravilhosa. Te amo, amor.
Qual foi seu primeiro crush famoso? Olha, o meu primeiro crush, vou falar porque tem história de carta, inclusive. Minha primeira crush foi a Olivia Newton-John, que lançou Grease, eu tinha 12 anos, eu era doido nela. Eu comprei um vinil dela, o Physical, que tinha um endereço para mandar a carta. Rapidamente mandei, Olivia, I love you, I love you, I love you, I love you, from Brazil, Luiz Henrique Nogueira. Luiz Henrique Nogueira. Não recebo resposta de Luiz Henrique Nogueira? Para Luiz Henrique Nogotra.
Ah, eu fiquei magoado, tinha um desleixo. É um desleixo, uma gotra. E é o livro? Ela estava falando assim, Polis Man 2. E você? Bom, acho que Isabela de Geni, Dominique Sanda, Marisa Berenso. Desculpe a sofisticação. Nossa, estou achando. Sofisticação, é. Nada de atriz nacional.
O meu acho que ninguém vai saber, porque de época eu tinha muito criança, foi nessa época. Era Francisco de Franco. Nossa, eu lembro muito. Ele fazia Jerônimo, herói do sertão. Cara, ele era muito lindo. E ele foi, por essas coincidências da vida, ele foi parar em São Fidelis.
Ele é o que maravilha. Foram a São Fidelis, a cidade inteira se mobilizou. E eu não sei porque me deu na cabeça, eu não cheguei perto deles. Não quis ir? Não quis. Eu falei, eu, hein, artista. Por que eu tenho que ir lá para ver artista? Gente, que metida. A pessoa muito metida quando eu avia. Eu ia ser freira, gente. Eu ia ser freira, eu estava me achando perto de Deus. Enfim, mas eu lembro que eu era apaixonada por ele. Apaixonada. Interessante. E para terminar, o que vocês querem escrito na lápide de vocês?
Foi, mas foi puto.
Talma Turba Ferreira. Nunca nasceu, nunca morreu, apenas visitou este planeta entre 1956 e... só Deus sabe, né? 2000 e alguma coisa. Vamos botar... Nunca nasceu, nunca morreu. É lindo isso. Oxo, nunca nasceu, nunca morreu, apenas visitou este planeta entre...
A data que ele nasceu e a data que ele morreu. Acho isso muito lindo. É muito lindo. Que pretensão. Então, eu acho que vou colocar na minha lápide assim, fui ali coroar Nossa Senhora. Muito obrigado. E a gente vai ali para a semana que vem, que a gente volta com mais história. Valeu, meu povo! Até a próxima!