Episódios de Que História É Essa, Porchat?

Jackson Antunes + Marcos Breda + Cyria Coentro

30 de setembro de 202649min
0:00 / 49:13
Fabio Porchat recebe os atores Cyria Coentro, Jackson Antunes e Marcos Breda. Cyria conta a história de um imprevisto incontrolável em cima do palco. Jackson recorda uma vingança feminina inusitada. E Marcos relata uma trilha perigosa em pleno Rio de Janeiro. Na plateia, Felipe apresenta um encontro por aplicativo que saiu mais caro que o esperado.
Participantes neste episódio5
F

Fábio Porchat

HostComediante
C

Cyria Coentro

ConvidadoAtriz
F

Felipe

ComentaristaInfluencer
J

Jackson Antunes

ConvidadoAtor
M

Marcos Breda

ConvidadoAtor
Assuntos6
  • Jackson Antunes narra vingança feminina inusitada por papel de vilãopersonagem Léo de A Favorita·agressões domésticas na novela·convite misterioso para evento em São Paulo·chegada vendado ao local·humilhação e agressões em festa de despedida de solteira
  • Marcos Breda relata trilha perigosa na Pedra da Gávea antes de peçasubida exaustiva da Pedra da Gávea·perda de rumo na descida·queda em despenhadeiro e dedo quebrado·choques em cerca eletrificada·chegada atrasada para a peça
  • Cyria Coentro conta imprevisto incontrolável de xixi no palcoapresentação de festival de música·impossibilidade de sair do palco·xixi incontrolável durante a apresentação·figurino que disfarçou o ocorrido·Jackson Costa percebe o incidente
  • Felipe relata encontro por aplicativo que resultou em prejuízo financeiroencontro com pessoa não monogâmica do Tinder·convidada leva uma amiga ao encontro·consumo elevado no bar·descoberta de golpe para pagar a conta
  • Convidados compartilham primeiras lembranças e profissões que não seguiriamprimeira masturbação de Cyria Coentro·memória de infância de Marcos Breda tomando sol·medo de trem de Jackson Antunes·Cyria não seria médica·Jackson não seria humorista·Marcos Breda não seria engenheiro
  • Livros preferidos e frases para lápide dos convidadosPequenas Epifanias de Caio Fernando Abreu·Cem Anos de Solidão de Gabriel García Márquez·Grande Sertão: Veredas de Guimarães Rosa·Cyria Coentro: 'já já eu volto com novidades'·Jackson Antunes: 'siga @zevitoantunes no Instagram'·Marcos Breda: 'eu falei que era sério'
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FPFábio Porchat

E aí, minha gente, eu sou o Fábio Porchat e esse é o podcast do meu programa no GNT. Aqui, Que História É Essa, Porchat, eu ouço e conto também histórias curiosas e divertidas da vida das pessoas, seja anônimo, famoso, não importa. O que importa é ter uma boa história. Bora, minha gente, pode vir que estamos começando! Tá todo mundo acordado aí?

MBMarcos Breda

Não?

FPFábio Porchat

Que bom, porque eu andei lendo que as pessoas andam tão cansadas que deram para dormir em qualquer lugar. Mas não é bem qualquer lugar. É tipo Paris, Tóquio. Dormir bem virou artigo de luxo e o povo agora viaja pra isso. E paga caro! Lembra quando a gente falava assim, não, não vou dormir em dólar de jeito nenhum? O brasileiro viajava pra ficar acordado 24 horas, fazer 16 países em 10 dias. Agora a moda é essa, pagar uma fortuna pra dormir.

Nunca vi uma coisa combinar menos com a outra do que viajar e dormir. Nossa, cheguei em Nova York, vou dormir tudo que eu não durmo em Niterói. Tá doido? E olha que não tá dando pra dormir nem real, minha gente! A não ser que você vá passar uns dias na tua casa da tua tia lá em Cataguases, aí sim, aí é melhor dormir mesmo. Mas hoje ninguém vai dormir, porque eu tô recebendo aqui Marcos Breda! Círia Coentro! E Jackson Antunes! Bora acordar, meu povo!

MBMarcos Breda

Bem-vindos, bem-vindos!

FPFábio Porchat

Aê, aê, aê! Que maravilha! Eu queria começar dizendo: Tem convidados que são convidados que eu recebo com gosto, porque assim, esse programa fica procurando história. A gente já tá na 8ª temporada buscando história, eu virei o terror das pessoas. Eu passo pela rua, vejo um famoso, eu, tem história, tem história! Eu já começo, a pessoa foge de mim. Outro dia a Sophie Charlotte fingiu que não me viu. Eu falei, Sophie! Ela saiu correndo assim, aí eu peguei ela num canto, ela, eu não tenho história, eu não tenho história!

Quase chorando. E aí eu, em outubro, outubro passado, recebo uma mensagem do Marcos Tem uma história, quero ir no seu programa, quando que eu posso ir? Eu falei, me lembra em março, só vai gravar em março. Deu março, ele falou, eu tô aqui pra te lembrar. Isso é uma coisa...

MBMarcos Breda

Filha da puta lembra, né?

FPFábio Porchat

Eu falei, é isso que eu queria! Sofi, vem no meu programa, lembra da minha história e vem pra cá! Isso é uma maravilha, a pessoa lembra a história e fica me caçando. Isso é um sonho, Breda. Obrigado por você ter guardado a tua história. História doida!

MBMarcos Breda

É, de fato é.

FPFábio Porchat

É história... Eu gosto quando a pessoa corre perigo de vida, é bom. E é verdade, ó!

MBMarcos Breda

É, exato. Essa história é de 2014. Eu tava com uma peça de teatro em cartaz chamada Oleana, do David Mamet. É uma história de uma relação abusiva entre um professor e uma aluna, direção do Gustavo Passo, e a minha colega de cena Luciana Faver. A gente viajou muitos lugares e a gente naquele dia, em 2014, a gente tinha uma apresentação no Sesc Madureira. E eu escolhi a dedo o dia para o programa que que eu tava adiando há um tempo, que era subir a Pedra da Gávea.

Eu, a minha mulher, a Lu, minha amiga dela, a Lian. Ah, acho que hoje é um bom dia.

FPFábio Porchat

Mas Pedra da Gávea é puxado.

MBMarcos Breda

É puxado, mas eu falei, ah, mas vai dar tempo, a gente vai chegar 8, 9 da manhã, a peça é 8 da noite lá em Madureira, tranquilo. Fomos de moto, estacionamos ali do lado e começamos a subida. E aí sobe, sobe, sobe, só que tava um calor da caceta, assim, muito quente, e a gente começou a cansar, a suar, a minha mulher começou a ter problema de pressão, começou a ficar cada vez mais lenta, E tem umas horas ali, tem a Carrasqueira, a famosa Carrasqueira.

Se alguém subiu ao pé daquela... Tem que escalar! É, você escala com a unha. É! Você vai subindo... É verdade! E aí, até que você, depois de muitas horas e muitas paradas por causa da queda de pressão, chegamos lá em cima. Maravilhoso!

FPFábio Porchat

Lindo! A vista é deslumbrante!

MBMarcos Breda

A vista é espetacular, eu recomendo!

CCCyria Coentro

O dia que não tenha peça, né?

MBMarcos Breda

O dia que não tenha peça, né? Mas aí começou a cair a luz e tal, ofereci: Acho melhor a gente ir. Voltar, porque tem que trabalhar. Tem que trabalhar. Aí começamos a descer e... Começamos a descer mais lentamente ainda porque ela tava passando mal. Aí chegou uma hora que eu falei assim, olha, eu vou deixar vocês duas descendo devagarinho e eu vou descer correndo porque eu tenho que chegar a pegar a moto.

FPFábio Porchat

Pra não perder a peste.

MBMarcos Breda

Pra não perder a peste.

FPFábio Porchat

Perfeito.

MBMarcos Breda

E aí, não, mas cuidado pra não se perder. Não, tranquilo.

FPFábio Porchat

Pelo amor de Deus.

MBMarcos Breda

Aí fui descendo.

FPFábio Porchat

Você é o Robson Crusoé, pelo amor de Deus.

MBMarcos Breda

Com um senso de orientação assim absurdo. Fui descendo, aí direita, esquerda, direita, esquerda, direita, esquerda, direita, e peguei uma direita errada.

FPFábio Porchat

A antiga esquerda.

FFelipe

A antiga esquerda.

MBMarcos Breda

Aí eu fui, fui, comecei a me embrenhar naquele mato e espinho e galho e coisa.

FPFábio Porchat

E você achando que tava certo.

JAJackson Antunes

Não.

MBMarcos Breda

Jurando que tava tudo bem.

FPFábio Porchat

Eu vim por aqui! É que cresceu o mato à tarde, né?

JAJackson Antunes

Conheço até aquela árvore ali, já passei por ali.

MBMarcos Breda

Você já passei por ali, essa árvore é meio familiar, né? Aí eu, mas aí eu tinha lá longe, tinha um poste com uma luz já acesa porque tava caindo a tarde, que era do condomínio. Debaixo ali da Pedra da Gávea. Eu falei, é só mirar naquele poste que eu vou chegar bem.

FPFábio Porchat

Vai chegar na civilização ali.

MBMarcos Breda

Aí eu fui, fui, e assim, eu tava de bota, bermuda, camiseta e uma bolsa, e me lanhando. E espinho, e rasga daqui, e baba, e pinga, e barro, e não sei o quê. Aí daqui a pouco chegou uma hora, era impossível continuar porque tinha uma laje inclinada e um despenhadeiro. Eu falei, como é que eu vou fazer? Tava escurecendo, já não dava pra ver o que tinha embaixo do despenhadeiro. Eu falei, eu não posso continuar por aqui. Aí eu olhei a laje, a laje, ali.

Ah, mas tem um caminho por ali, vamos lá. Aí eu fui caminhando pela laje, tinha limo, eu escorreguei na laje, aí peguei uma raiz de árvore. Não, aí eu falei, bom, tô salvo, vou tentar levantar. Limo não dava para levantar, vou tentar voltar, não dava para voltar, avançar não dava. Ele, não posso ficar aqui, né? O braço ali esticado. Eu falei, eu olhei, eu senti uma outra raiz ali, eu falei, ali que eu vou. Aí fui com a unha, tal qual um Tarzan, era assim, uma carta, né? Aí eu cheguei, consegui pegar a raiz. Quando eu puxei, não era, tava solta.

FPFábio Porchat

Eu caí, caiu aonde?

MBMarcos Breda

Aí no despenhadeiro.

FPFábio Porchat

Que isso?

MBMarcos Breda

Juro. Só que tava escuro e eu não sabia se era 5 ou 50 metros.

FPFábio Porchat

Mas dúvida cruel, mas era um metrinho.

MBMarcos Breda

Não, eu quando eu caí naquela escuridão, eu só encolhi o corpo e pensei: seja o que Deus quiser, né? Fudeu, agora sim. E aí eu comecei a cair, eram 5 metros.

FPFábio Porchat

Meu Deus, 5 metros é grande.

MBMarcos Breda

E eu estratelei lá embaixo, era pedra, pedra, pedra.

FPFábio Porchat

Meu Deus!

MBMarcos Breda

Eu caí, eu só não caí encaixado, não quebrei nenhum osso. Só que com o impacto eu tive que apoiar a mão no chão, dei com uma testada na minha mão e quebrei o dedo com a testa.

FPFábio Porchat

Você se quebrou? Eu nunca vi isso na minha vida. Você bateu com a própria cabeça?

MBMarcos Breda

É, eu bati com o pé e com a mão, e aí pá!

FPFábio Porchat

Na verdade, a mão salvou tua vida, que você ia bater com a cabeça.

MBMarcos Breda

Aí eu caí meio groggy assim, olhei as primeiras estrelas no céu, falei: é estrela mesmo? Eu tô— não, era estrela mesmo.

FPFábio Porchat

Você vai ficar lá?

MBMarcos Breda

Eu vou ficar aqui? Não. Aí eu falei: será que o celular aqui pega? Porque não pegava no caminho, né? Peguei, tinha um sinalzinho, uma barrinha. Aí eu liguei pro diretor. Oi, Gustavo, tudo bem? Brito, onde é que você tá então? Eu tô aqui perdido no meio da Floresta da Gávea, mas eu tô a caminho. Pelo amor de Deus, não atrasa, porque é 8 horas, já são 5:30. Eu falei, não, tá tranquilo. Desliguei. Aí eu continuei, já meio mancando, mas fui, fui, fui no meio daquele mato e rasga e baba e lama.

Daqui a pouco eu olho assim e falo, não, isso é uma pegadinha. Por quê? Uma cerca eletrificada. Escrita uma plaquinha: cerca eletrificada, que é pra impedir que os animais silvestres vão pro condomínio.

FPFábio Porchat

É, e os animais que são perigosos também.

MBMarcos Breda

Os animais, é.

FPFábio Porchat

Esses são os complicadíssimos. Que são os que você coloca todo babado.

MBMarcos Breda

Aí eu falei assim: bom, vamos ver quão forte é essa eletricidade. Coloquei a mão assim, porque se você põe assim, agarra.

FPFábio Porchat

Aí você já toca, agarra e não solta mais, você morre eletrocutado.

MBMarcos Breda

Aí eu coloquei o dorso da mão, dava um choque, mas não era desesperador, era um choque tranquilo. Falei, vamos subir esse negócio. Comecei. Choque na testa, choque no peito, na barriga, no pau. Mas assim, é o poder das pontas.

FPFábio Porchat

Interessante isso, hein?

JAJackson Antunes

Meu Deus!

FPFábio Porchat

Mas assim, esse choque no pau, eu vou tentar procurar e saber disso, viu, Jota?

MBMarcos Breda

Olha, ajuda. Eu pensei, depois eu saio daqui, alguém me vê incandescente, é o Darth Vader. Aí cheguei lá em cima, passei pro outro lado, tudo tomando choque mesmo. É mesmo? Não, e o detalhe, eu tava com as mãos com incontáveis espinhos dos lugares que eu tinha segurado a árvore com espinho. Parecia uma raquete, essas de beira de praia.

FPFábio Porchat

Às vezes Deus quer matar a pessoa e não consegue, né? Ele tenta, ele se esforça.

MBMarcos Breda

Passei, desci, continuei caminhando até que chegou finalmente o poste ali, um barranco, mas a cerca de arame farpado, né?

FPFábio Porchat

Nossa Senhora, mano!

MBMarcos Breda

Subi...

FPFábio Porchat

Não, para, Brenner!

MBMarcos Breda

Juro!

FPFábio Porchat

Que loucura!

MBMarcos Breda

Eu conto essa história há muito tempo e é sempre exatamente igual, ou seja, é verdade. Eu jamais decoraria isso. Aí subi aquele morro, a cerca de arame, falei, pá, terminei de me rasgar todo, né? E aí saí pelo condomínio, né? Parecia thriller!

FPFábio Porchat

É, Michael Jackson!

MBMarcos Breda

Aí fui até que cheguei na moto.

FPFábio Porchat

Achou a tua própria moto?

MBMarcos Breda

Achei a moto 1,5 km depois de onde eu saí, caminhando com uma sede do caralho, porque eu tava sem água, sem nada. Cheguei na moto, liguei pro diretor, ele, Breda, já são... 5 para as 8, a peça começa daqui a 5 minutos, cadê você? Eu falei, estou a meia hora daí, mas diga que eu vou chegar, eu vou atrasar um pouquinho. Aí subi na moto com a mão quebrada e tendo que usar o celular para tentar me localizar, porque eu não sabia onde é que era o Sesc.

FPFábio Porchat

Você tinha que ir para o hospital.

MBMarcos Breda

Exato, é o que eu devia. Ia ser um sucesso na ortopedia. Aí eu fui, fui, fui, fui, fui, depois de meia hora eu cheguei na porta do teatro. Quando eu cheguei na porta do teatro, tava a sonoplasta mexendo no celular na porta, ela me viu chegar.

FPFábio Porchat

Você devia estar horrível mesmo.

MBMarcos Breda

Tinha samambaia, galho, musgo, elanho... Você devia estar exausto. Exausto e todo babado, todo cagado, assim, né? Aí eu cheguei e falei, ó, eu não consigo nem me baixar, me ajude a trocar de roupa. Aí tiraram a roupa toda melada, botaram um figurino, passaram um pente no cabelo, e eu entrei em cena pra fazer uma peça de 1 hora e meia, 1 hora e 15.

FPFábio Porchat

Você entrou com quanto tempo de atraso?

MBMarcos Breda

40 minutos de atraso.

FPFábio Porchat

40 minutos de atraso?

MBMarcos Breda

A plateia foi avisada, ó, o cara se fodeu, tava lá...

CCCyria Coentro

Vocês vão ver, gente.

MBMarcos Breda

Sejam compreensivos, né? E eu fui lá fazendo a peça. Tinha um momento que a atriz, ela ajoelhava, que ela falava emocionada uma coisa ajoelhada, e eu tinha que me ajoelhar pra trabalhar. Aí eu fui até ela assim, ó. Eu falei assim, vamos lá, vamos tentar. Aí eu fui me ajoelhar.

JAJackson Antunes

Tudo doendo, né?

MBMarcos Breda

Ai, querida, tá, tá, tá, tá, tá, tá, daqui a pouco...

FPFábio Porchat

E pra levantar?

MBMarcos Breda

E pra estar com o telefone. Falei, agora é hora de levantar, né? Vamos lá.

FPFábio Porchat

Ah, você foi até bem. Eu mantei, eu achei que ia dar aquela descida.

MBMarcos Breda

Aí fui, atendi, não sei o quê, terminou, conseguimos ver a peça até o fim. Aí tinha o debate.

FPFábio Porchat

Debate?

MBMarcos Breda

Eu na cadeira assim, né? Então, o David Mamet é um dramaturgo muito conceituado.

FPFábio Porchat

O debate era ele falando, eu sou contra, eu quero que toda a Floresta Amazônica se exploda, quero que Mata Atlântica acabe, planta tudo em soja nessa merda.

MBMarcos Breda

Vamos azulejar aquela pedra da Gávea. Terminou a peça, depois terminou o debate, vem um cara: meus parabéns. Peguei a moto, fui para casa. Cheguei em casa, a minha mulher saindo do banheiro, ela fala assim: você não tem noção de como foi difícil descer. Aí eu falei: me conte, me conte.

FPFábio Porchat

Mas o interessante é que foi o sexo mais eletrizante que ele fez na vida.

MBMarcos Breda

Não era o sabre de luz, era o canivetinho de luz.

FPFábio Porchat

Impressionante. Eu fui fazer a Pedra da Gávea, e eu gosto de fazer umas trilhas e tal, mas eu não sabia que era tão pesado. Eu achei que era uma caminhada. E o cara falou pra mim, não, a gente chega lá umas 8 da manhã, que é quando abre. E eu pensei, na minha cabeça, não sei se me enganaram ou eu que inventei, mas na minha cabeça eram 3 horinhas. Então eu fui, beleza, indo, indo, indo, e só Sobe, sobe, sobe e vai, sobe, sobe, daqui a pouco passa 3 horinhas, passa 4 horinhas... 6 horas!

Eu saí 3 da tarde de lá, exaurido. Você escala realmente com corda, o outro você vai por... Você chega lá na Pedra da Gávea, você pensa em se jogar de lá, você pensa, ah, de repente eu chego mais rápido. É um horror. Quer dizer, é lindíssima, é uma maravilha, mas quando você tá com a cabeça pra isso... Então eu fiz essa ida e volta, mas eu voltei falando, me enganaram demais, eu não achei tão chique.

MBMarcos Breda

É porque é muito exaustivo e ainda por cima é perigoso, especialmente se você não conhece o lugar, E você tá com pressa. Eu escolhi a dedo, lógico, né, o dia de fazer isso, mas pelo amor de Deus, deu certo, fiz a peça.

FPFábio Porchat

E a trilha é bonita, a trilha é realmente bonita.

MBMarcos Breda

A trilha é espetacular.

FPFábio Porchat

Mas é que no palco, o palco dá pra gente uma energia também, né? Quando você sobe no palco, tem que acontecer a peça.

MBMarcos Breda

Sim.

FPFábio Porchat

Tem que fazer acontecer. Você pode estar com a mão quebrada, como que for, pode estar com vontade de fazer xixi, né? Hein? O palco faz a gente ficar doido, né?

CCCyria Coentro

O palco não tem perdão, o que tem que ser feito terá que ser feito em qualquer circunstância.

FPFábio Porchat

Como é que foi isso aí?

CCCyria Coentro

Isso foi há muitos anos atrás, eu tava no interior da Bahia, em Itabuna, com um amigo querido que é do mesmo grupo de teatro que eu tenho há quase 40 anos lá em Salvador, que se chama Los Catedrascos, esse grupo. E Jackson Costa, meu companheiro de grupo, estava apresentando—

JAJackson Antunes

Meu xará que eu amo.

CCCyria Coentro

Pois é, seu xará que você conhece e é amigo também. E nós estávamos apresentando um festival de música. Festival de música é um negócio que demora, né? Longo, as bandas se apresentam, tem premiação, tem discurso, é um negócio interminável. E o palco dos apresentadores tinha o palco grande, que era o palco da banda, e o palco dos apresentadores era tipo um adendo desse palco grande e não tinha descida do nosso palco.

MBMarcos Breda

Palco.

CCCyria Coentro

A única descida que tinha era atrás desse palco grande lá atrás, uma escada e tal. Então os apresentadores, quando não tinha banda tocando, era porque nós estávamos falando. Quando a gente terminava de falar, a banda que a gente acabou de anunciar começava a tocar. Então não tinha como eu, né, eu ou outro apresentador sairmos dali, para nada. E eu comecei a ficar com muita vontade de fazer xixi. E comecei a ficar apertada pra fazer xixi e dividi com meu amigo.

Em algum momento a gente se olhou e eu falei, tô apertada pra fazer xixi. E ele deu risada e falou, tá lascada, porque não vai ter o que fazer. E eu, tá, beleza. E o tempo foi passando, o tempo foi passando, e era festival de música, então dançava, né, tinha, me contorcia, tinha como disfarçar.

FPFábio Porchat

Mas a tua dança era mais esquisita aqui, era uma dança mais aqui, ó.

MBMarcos Breda

Sentado.

FPFábio Porchat

É outro tipo de dança.

CCCyria Coentro

Enquanto tava sentado, né, dava pra driblar e tal. Uma hora lá, a banda acabou de tocar e foi a hora dos apresentadores. E eu pensei, eu falei, cara, eu não posso levantar agora. Não é um bom momento pra levantar, porque tava tipo assim...

JAJackson Antunes

No último momento.

CCCyria Coentro

Eu tava literalmente me mijando. Mas teve que levantar, né? Então chegou o momento, eu levantei. E quando eu levantei, eu literalmente comecei a me mijar, porque já tava num estado que eu não segurava mais. Mas totalmente incontrolável. E o meu figurino era uma pantalona, que é uma calça bem folgada, né, estampada de um pano bem molinho assim, bem fluido. E quando eu levantei, que de fato eu comecei a me mijar incontrolavelmente, eu dei só uma olhadinha discreta assim para ver como tava e vi que não tava aparecendo.

FPFábio Porchat

Não tava?

CCCyria Coentro

Não dava pra ver. Era um tecido muito maleável, muito estampado. Tipo assim, eu vi que tava liberado e o palco era alto, a plateia tava lá embaixo.

FPFábio Porchat

Quando você disse que tava liberado, significa que você não impediu mais. Aí você falou, ah, deixa! Deixa a foz do Iguaçu abastecer Itaipu.

JAJackson Antunes

Problema resolvido.

FPFábio Porchat

Aí eu literalmente mijei.

CCCyria Coentro

Literalmente eu mijei.

FPFábio Porchat

Porque quando você levantou se mijando, você ainda tava segurando.

MBMarcos Breda

Tentando, mas não tava dando.

FPFábio Porchat

Tava com a orelha traquinha feia.

CCCyria Coentro

Tentando, mas não tava dando.

MBMarcos Breda

Já começou a sair.

FPFábio Porchat

Precisava só de uma tranquilidade para poder.

CCCyria Coentro

É, quando eu fiz assim que eu falei, eu acho que não. Aí eu já andei livre, eu tinha que andar até o microfone.

FPFábio Porchat

E andou chaplé, chaplé, chaplé, chaplé, chaplé. Ai sim, menina, né?

MBMarcos Breda

Vamos dar as boas-vindas a gotejante apresentadora.

CCCyria Coentro

Eu fui indo e assim relaxei mesmo quando eu comecei a falar. No microfone, que eu vi que realmente não dava pra ver. Aí eu falei o que eu tinha que falar, coisas lindas, muito aliviada e tal. E aí voltamos e sentamos, né, na cadeirinha. A banda começou a tocar. E aí eu olhei pra Jackson assim, muito sorridente. Jackson... E aí eu fiz aquela linguagem de palhaço que eu tava olhando pra ele. Aí eu olhei pra poça, porque tinha uma poça na frente do meu microfone, né?

Tinha uma pocinha assim. Aí eu Olhei pra ele, olhei pra poça e olhei pra ele de novo. Aí ele olhou pra poça e olhou pra mim e falou, coentro.

MBMarcos Breda

Eu falei, não, é miso mesmo.

FPFábio Porchat

Você se largou. Aí quando você sentou não tava molhado? Esse cheiro saiu?

CCCyria Coentro

Amor, passei todo o festival toda mijada, bem incomodada, toda molhada aqui, mas Mas enfim, não dava, o público não sabia o que tava se passando.

FPFábio Porchat

E alguém, porque tudo bem, ali não dava pra ver de frente, mas em algum momento você tinha que sair embora, o pessoal não te viu toda...

CCCyria Coentro

Se alguém viu, eu não fiquei sabendo.

MBMarcos Breda

Também.

FPFábio Porchat

Mas esse seu xixi, xixi de coento tem poder, porque eu vou te falar, ele saiu pra um canto que não manchou na frente.

CCCyria Coentro

Nada, nada.

FPFábio Porchat

E uma pergunta, você tá fazendo xixi agora ou não, né?

CCCyria Coentro

Não, não.

FPFábio Porchat

Ah, graças a Deus.

MBMarcos Breda

Era só meu medo de eu estar te atrapalhando.

CCCyria Coentro

Quando bateram no camarim, eu fui no banheiro.

FPFábio Porchat

Sabe que tem uma história curiosa minha com xixi que foi o seguinte: um dia eu tava transando, aí eu tava transando e tava legal, e transando legal, bacana, e aí a menina que tava comigo falou: preciso fazer xixi. No meio do negócio. E eu falei pra ela: faz! Mas eu falei faz como quem disse: você saia e vá fazer xixi.

MBMarcos Breda

Beleza.

FPFábio Porchat

E ela lá continuou, e eu pensando, ah, eu sou ela, não consegue se desgrudar desse meu peru. Essa aqui é, eu tenho um mel que é doido. Nunca aguentei. Transou, transou, transou, beleza. Então terminou, levantei e tudo molhado, pensei, olha o que que eu não fico com ela. Essa mulher, ela é essa, ela ejaculou praticamente. Isso aqui é, ela gozou pra caramba. E olhei, mas um pouco mais impressionado, que eu falei, olha, tudo bem que eu possa até ser esse furacão que sou, mas esse tsunami não tá em mim.

Curioso. E aí eu olhei e falei, não quer ir ao banheiro agora? Falou, não, eu já fiz. Então, e aí realmente assim, aí eu olhei e falei, mas não era? E ela falou assim, mas foi tão bom E eu guardei o elogio como se fosse culpa minha. Eu falei, comigo é assim mesmo, a gente é doido, faz o que tem que fazer. Só que aí, tudo bem, na hora do sexo, tudo a gente permite, mas quando acaba, depois que você goza, que você volta pra realidade, você tá com a cama mijada!

É o colchão mijado, tudo mijado, e como é que limpa o colchão? E aí estou eu tirando, pensando, pô, era melhor ter feito antes. Chato demais. Mas é que às vezes a gente, às vezes no sexo, a gente comete umas loucuras, né, Felipe? Que a gente não tá preparado pra coisa que vem. Beleza. Tranquilo. Ah, quando a gente quer, a gente quer, né?

FFelipe

Cara, quando querem. É quando querem, é legal, cara. Prazer a todo mundo aí, meu nome é Felipe Bruto, tá? Cara, essa história, ela bateu muito fundo em mim.

FPFábio Porchat

Que isso?

FFelipe

Calma, não, relaxa. Relaxa, o que acontece?

FPFábio Porchat

Fiquei até preocupado.

FFelipe

Eu sou um homem não monogâmico, né? Há uns 3 anos já eu estudo sobre não monogamia e tudo mais.

FPFábio Porchat

E aí... Quer dizer, não tem aquela relação que é só você e uma pessoa?

FFelipe

É, eu não tenho exclusividade sexual, sentimental, amorosa, etc.

FPFábio Porchat

Fica aí a dica, tá, gente?

FFelipe

E aí o que acontece? Estava eu, Menino pimpão no Tinder, ainda descobrindo sobre não monogamia, tá? Essa história tem uns 2 anos mais ou menos. Aí eu tava descobrindo e tal, encontrei uma pessoa, deu match, também não monogâmica. Eu falei, pô, maravilhoso, perfeito, não vou ter nenhum problema de ciúme, essas coisas, ótimo. Conversamos ali por uma semaninha, tudo bem, tudo bom. 2 semaninhas, tudo bem, tudo bom, marcamos de sair.

A gente ia no Nova América, né? Num barzinho que tinha lá. Isso, maravilhoso. A gente ia beber um negócio, se rolasse alguma coisa, ia rolar alguma coisa, com certeza. Chegando no dia anterior do nosso encontro, fui cortar o cabelinho, né, comprei uma roupinha.

FPFábio Porchat

O cabelinho aqui em cima? É, tá bom. Porque quando a gente vai transar, a gente corta os cabelinhos outros também.

FFelipe

Mas é pra quem gosta, pra quem gosta. Tem gente que gosta de um negócio mais peludo.

FPFábio Porchat

Tudo pelo povo, Dili.

FFelipe

Fui cortar o cabelinho de cima, aparei só o de baixo.

MBMarcos Breda

Olha aí!

FFelipe

E aí, o que acontece? No dia do encontro, ela me manda mensagem algumas horinhas antes do encontro falando: deixa eu te perguntar, teria problema se uma amiga minha fosse junto?

MBMarcos Breda

Ih, ih, ih!

FPFábio Porchat

Depois não vai contar festida, hein? O que é isso, rapaz?

FFelipe

O que eu pensei? Porra, terça-feira? Homenagezada, pô.

FPFábio Porchat

Claro, terça-feirinha, 2 horas da tarde, falar quero levar outra amiga pra gente brincar, 2 horas da tarde, com certeza é isso, com certeza, pô. Beleza, falei não, tá perfeito, maravilhoso, fica à vontade, beleza, se quiser levar uma outra prima.

FFelipe

Aí o que acontece, cheguei lá, quando eu cheguei no bar ela já estava gostosinho se beijando, as duas já estamos pegandinho, já tava ali.

FPFábio Porchat

Ih, o clima é bom, hein?

FFelipe

Aí o clima é bom, cheguei na mesa Cheguei na mesa, puxei a cadeira e falei: Licença pra chegar, colega, tudo bem? Claro. Sentei na cadeirinha e a gente começou a conversar. E conversa boa, conversa boa. Papo normal? Papo normal, tipo, de vida, de futuros e tudo mais, o que elas queriam e tal, o que elas estavam fazendo, o que estavam fazendo antes, o que faziam agora.

FPFábio Porchat

Mas você é não monogâmico, porque ela já tá vindo pro primeiro encontro já trazendo a outra.

FFelipe

Você entendeu?

FPFábio Porchat

Quer dizer, você não é monogâmico mesmo.

FFelipe

Sim, não sou. E tipo assim, tava um papo gostoso. E desce drink, desce cerveja, desce petisco, desce salgadinho, desce hambúrguer, desce...

FPFábio Porchat

Come frango a passarinho.

MBMarcos Breda

Muito frango a passarinho.

FFelipe

E vai tomando uma porçãozinha de azeitona e vai cerveja, aquela coisa toda, vai tomando, vai tomando, tomando. Beleza. Determinado momento do encontro, que que ela fala? Ela pega o telefone e fala assim: ixi, rolou uma emergência aqui.

FPFábio Porchat

Que isso?

FFelipe

Aí eu já tava meio na cangibrina, falei: porra, não, que isso, suave, fica tranquila, não se sinta obrigada a nada. Aí ela falou assim: não, é sério, porque eu gosto de trabalho aqui, a gente vai ter que Mas a gente gostou muito de você, relaxa, a gente gostou muito de você, vou te mandar mensagem amanhã pra gente marcar uma coisinha a mais, mais pra frente. Aí ela...

FPFábio Porchat

É que tem aquele ditado que é foda adiada é foda perdida.

FFelipe

Aí o que que ocorre? Elas saíram, eu falei, não, fica tranquila que eu vou pagar aqui, entendeu?

FPFábio Porchat

Você também, claro, você é pra não esquecer isso, você vai passar a continha porque amanhã vem o truco.

FFelipe

Óbvio, óbvio, né? Deu a continha baratinha, só um terço do meu salário.

MBMarcos Breda

Aí...

FFelipe

Eu recebi R$1.200. Aí o que acontece, rapaz, essa linguicinha saiu cara.

FPFábio Porchat

Isso aí, esse é aperitivo, tá?

FFelipe

Inflação é foda, você sabe.

FPFábio Porchat

Pagou a continha?

FFelipe

Eu paguei tudo normal. Fui para— ainda demorei um pouquinho mais até beber uns negocinho sozinho, é porque tava um clima gostoso, pô. Negocinho, caída de noite, pô, ali no Nova América. Beleza, fui para casa, mandei mensagem. Não, tipo assim, cheguei, ela falou: cheguei também, amanhã a gente conversa. Beleza. No outro dia, mensagem dela. Eu já tinha ficado um pouco mais ansioso porque eu falei: pô, talvez ela nem mande, né, um negócio assim.

Mandou mensagem, apareceu lá a notificação. Não vou falar o nome dela aqui, né, para não, né, Jéssica. A mensagem era assim: olha, não fica bravo. Mas eu estava querendo sair com a minha namorada e tava sem dinheiro.

MBMarcos Breda

Não!

FFelipe

E aí eu dei match com o Tinder, dei match no Tinder com você pra alguém pagar.

JAJackson Antunes

Que coisa maravilhosa!

FPFábio Porchat

Eu amei!

MBMarcos Breda

Eu amei!

FFelipe

Bloqueia aí, pô.

FPFábio Porchat

Bloqueou, lógico.

FFelipe

Mas também tá tudo certo, entendeu? Que ela, né, que ela conquiste as coisas.

FPFábio Porchat

Lógico, com certeza.

FFelipe

Ela que pague muitas coisas.

FPFábio Porchat

Com certeza. Eu tenho uma parente que eu não posso dizer se é prima, se é irmã, se é coisa mais próxima, mas que às vezes ela vê um restaurante novo em São Paulo, ela fala: Ih, quero Quero comer aqui. Tinder, dá match, vamos encontrar, vamos, vamos aonde? E aí eu pensei nesse restaurante aqui. Meu Deus, não é jogo bom isso?

FFelipe

Ela me chamou também, ela mandou mensagem.

FPFábio Porchat

Que maravilha! É, minha gente, às vezes o date não sai como a gente quer.

JAJackson Antunes

E a ganância.

FPFábio Porchat

Mas você sabe que o pessoal diz que vida de ator é fácil, sabia, Jaque?

JAJackson Antunes

Quem falou isso?

FPFábio Porchat

É o pessoal que não sabe das dificuldades que é fazer um evento.

JAJackson Antunes

É verdade.

FPFábio Porchat

E você tava fazendo vilão.

JAJackson Antunes

Eu sempre fiz vilão.

FPFábio Porchat

Como é que uma pessoa mais doce do mundo—

JAJackson Antunes

O cara me liga hoje e fala, o que eu vou fazer? Infernizar a vida do mocinho.

FPFábio Porchat

Só que o público de novela de antigamente viu vilão E era aqueles vilão que a pessoa se vingava na rua.

JAJackson Antunes

Sim, verdade.

FPFábio Porchat

Porque Jackson, quando tava fazendo A Favorita, isso era vilãozão, é vilãozão, rapaz.

JAJackson Antunes

O cara cometia os dois piores tipos de violência, que era violência doméstica e a violência da cajibrina, bibia.

FPFábio Porchat

Tem até uma cena, eu acho que a gente revê. Bota aí pra gente ver a Lilia sofrendo. Canelinha chorando, é.

JAJackson Antunes

Isso é remorso, é culpa por ter me feito passar por esse vexame. Sabe que ninguém me tira da cabeça que você deu bola pro sujeito? Se não tivesse dado trela, duvido que ele olhava pra um traje como você nunca. Eu não quero saber de chororô. E tem outra coisa, não vai mais sair na rua.

FPFábio Porchat

Caraca, muito forte! E infelizmente é um tema que continua atual, né? Infelizmente.

JAJackson Antunes

Atualíssimo. Nessa época, esse personagem caiu em 25% as agressões domésticas.

FPFábio Porchat

Uau!

JAJackson Antunes

Eu e a Lilia fizemos isso com total entrega.

FPFábio Porchat

Foi demais, né?

JAJackson Antunes

Favoreceu. É legal quando a televisão toma conta dessa parte social da vida.

FPFábio Porchat

Só que às vezes o público esquece que é ficção, né não, Jaque?

JAJackson Antunes

Esquece, rapaz. E é engraçado porque o que aconteceu, o primeiro grande golpe que eu levei, que eu saí, fui na banca de revistas com meu filho Zé Vitor, E de repente tinha uma pessoa falando mal da novela, falando mal da violência da novela, ele me viu e ele me empurrou com tamanha violência que eu tenho uma trombose nessa perna.

FPFábio Porchat

Não, para!

JAJackson Antunes

É verdade, por causa da agressão, de alta compressão aqui, é verdade, por causa da novela, porque o cara te empurrou na rua, me empurrou e eu bati a perna no meio-fio. Isso é uma delas, né? Depois, nos postos, eu não era se fosse mulher atendendo, ela não abastecia meu carro. Olha que loucura! Negócio que passou para minha vida, meu filho na escola. Mas o mais interessante disso foi um telefonema que a minha esposa me recebeu.

Recebeu uma pessoa me procurando para ir a São Paulo porque eu ia participar de um evento muito importante, mas eles não poderiam dizer qual evento era.

FPFábio Porchat

Segredo.

JAJackson Antunes

Eu falei que já que é um segredo grande, Cobra caro, que ninguém sabe o que que é. Eu não sei o que que vai acontecer comigo. Na época ela cobrou R$50 mil, era muito dinheiro.

FPFábio Porchat

Ainda hoje é, viu?

JAJackson Antunes

Ué, se juntar isso tudo, mas se botar naquela época, tudo se juntar, minha família inteira não dá. Rapaz, e lá fui eu. Tinha uma pessoa me esperando no aeroporto de São Paulo para poder acompanhar o evento, e lá fui eu.

FPFábio Porchat

Você animadíssimo, rapaz.

JAJackson Antunes

R$50 mil. É coisa que um cabra da roça nunca viu todo dia. Isso é pra um cabra da roça tomar cachaça 10 anos seguidos sem precisar. Cachaça e pé de galinha, a gente fica 10 anos aposentado. E lá fui eu, rapaz. Cheguei no aeroporto, o rapaz falou, olha, tem umas coisas, nós temos umas pessoas aí. Quando eu olhei lá fora, tinha 3 carros. Sabe aqueles carros compridos? É tudo de vidro preto. Assim que eu entrei, a pessoa muito delicadamente falou, Seu Jardim, eu falei, tá, Zé, gosto muito do senhor, respeito muito o senhor, mas vou ter que colocar uma venda no senhor.

Uma venda não, aquele saco, o saco preto, capuz, capuz, puff, na tua cabeça. Eu falei, meu irmão, o cara tava me acompanhando, eu falei, mas que desgraça é essa? Ele falou, você não se importa não que botarem em mim também.

FPFábio Porchat

Gente, é o evento do PCC esse.

JAJackson Antunes

Eu falei, Eu falei, tô morto, tô morto, né?

FPFábio Porchat

Isso era São Paulo?

JAJackson Antunes

São Paulo. Mas daí que a pessoa sempre que conduzia toda essa operação era muito educada, muito delicada.

FPFábio Porchat

É, às vezes te mata com uma educação que é chata.

JAJackson Antunes

É verdade, foi um cara, o cabra que me empurrou, me matou numa elegância desgraçada. Rapaz, nossa, aquele trem foi andando, andando aí, eu contei mais ou menos 40 minutos.

FPFábio Porchat

E capuzado mesmo?

JAJackson Antunes

Capuzado. Eu não enxergava absolutamente nada. Só um vozerio, o pessoal falando, mas ninguém falava de violência, falava de nada. Os caras na frente riam, né? Só se fosse os bandidos sádicos. Mas não, eu fui embora, fui embora. Eu sou um caboclo do sertão, mas não passava nem prego. Então, poxa, chegando no local, eu sei que nós, alguém abriu um portão, e pelo que eu senti, um portão muito pesado, e o carro entrou E eu entrei no elevador, só sei que eu me vi com o capuz numa sala.

Quando alguém tirou o capuz, eu senti que tinha uma iluminação contra, que eu via vultos de pessoas, mas eu não sabia discernir quem.

CCCyria Coentro

Meu Deus do céu!

JAJackson Antunes

Eu falei, o que que é isso? Ele falou, Seu Zaque, fica tranquilo, faz parte do contrato, é R$50 mil. Quando eu pensava nos R$50 mil, quando voltava nos R$50 mil, afrouxava mesmo. É isso?

MBMarcos Breda

Que maravilha! 50 mil acalma qualquer um.

JAJackson Antunes

Rapaz, eu cheguei aqui e falei, o que que tá acontecendo?

MBMarcos Breda

O que que tá acontecendo?

JAJackson Antunes

De repente, uma ovação, uma ovação, voz de mulheres, só mulheres gritando, seja bem-vindo, Léo, seu filho da puta! Seja bem-vindo, Léo, seu filho da puta! Seu filho da puta espancador de mulheres! Que isso? Chegou uma moça, também não dava pra mim enxergar quem era, a luz me cegava. Eu sei que ela me levou num canto, botou um figurino que era a mesma coisa, aquela camisa estampada que o Léo vestia, numa calça jeans, mas era igual.

Aí eu falei, poxa, é a roupa do Léo. Aí ela falou, você pode ficar no centro aí, tá bom? Rapaz, de repente eu olhava naquele movimento, olhava, olhava, olhava, nada. De repente eu começo a receber tomate na cara, pá, pá, pá, pá, laranjada no pé da orelha, pá, pá, água, tudo coisa.

FPFábio Porchat

Eu falei, pera aí, isso é verdade?

JAJackson Antunes

Verdade verdadeira. Minha esposa tá ali assistindo do estúdio ali, é só chamar ela.

FPFábio Porchat

Você começou a tomar laranjada e laranjada, eu não sabia por quê.

JAJackson Antunes

Só o que me segurava eram os 50 conto.

FPFábio Porchat

Aqui, era Jackson, os 50 aqui, ó.

MBMarcos Breda

Fica!

FPFábio Porchat

Você vai ficar!

JAJackson Antunes

E eu perguntava pro cabra que tava me acompanhando, é quantas horas? Ele falou, é 2 horas.

MBMarcos Breda

2 horas?

JAJackson Antunes

E eu falei, já passou quanto tempo, filho? Ele falou, passou 20 minutos.

FPFábio Porchat

Eu falei, então... E eram as mulheres...

JAJackson Antunes

Rapaz, elas começaram a se revelar, era assim umas 50 mulheres, começaram a se revelar, eu sei que a casa era muito suntuosa, sabe, aquela casa imensa, com aqueles lustres imensos, pra mim era uma casa, parecia um palácio, tá entendendo? E elas começaram a se revelar, mas como almas, porque eu não conseguia ver o rosto, Chegou uma, botou o diacho de um pano de chão, botou um negócio, um rodo, falou, limpa a casa, seu filho da puta, batedor de mulher!

FPFábio Porchat

E você limpou?

JAJackson Antunes

Eu limpava e elas jogavam terra, jogavam sujeira, jogavam sujeira na frente do meu rosto.

FPFábio Porchat

E você ficava passando?

JAJackson Antunes

E eu passando o negócio, às vezes eu pensava em fugir. 50, 50, 50.

FPFábio Porchat

50 mil! Aqui, ó, segurando aqui, ó, não vai! Que loucura! Eles jogando tela, jogavam, sujavam mais!

JAJackson Antunes

Sujavam mais! Aí chegou um e falou assim, ah, Léo, seu filho da puta! Você é o seguinte, você bebe, né? Eu falei, Aí eu comecei, eu falei, pô, isso é um jogo, cara, eu vou entrar nessa porra. Não vai ser tão sofrido esse 50ml. Você quer beber? Eu falei, quero. Uiscão, rapaz. Só ouvido era dessa grossura. Eu falei, gente, deve ser mais do que 50ml. Botou pra mim beber, enchia o copo assim, deixava derramar. Primeiro pegou um e jogou na minha cara. Bebe então, seu nojento espancador de mulher, filho da puta!

FPFábio Porchat

Reage!

JAJackson Antunes

Reage aqui que eu quero ver! Lá com a Catarina você reage, mas eu quero ver você reagir aqui, seu filho da puta!

MBMarcos Breda

Pá!

JAJackson Antunes

Na minha cara!

FPFábio Porchat

Bateu?

JAJackson Antunes

Na cara! Foi aí que eu tive coragem pra beber. Eu falei, já que eu tô sofrendo tanto, eu vou tentar amortecer um pouco a dor, pra deixar adormecida, sabe? E peguei aquele copão, rapaz, e eu não sou de beber não, mas eu arranquei um copão, pá! Elas falaram, bebe mais! Eu botei mais um, pá! Quando eu olhei, o ambiente deu uma clareada, sabe? O ambiente deu uma clareada e já não sentia mais dor. Eu falei, já que é pra encarar o Léo, eu vou encarar.

Fui dar uma dança. Aí elas falaram assim, vem pra cá. Sabe aquele negócio de boate, aquele pau que as pessoas rodam?

FPFábio Porchat

Pole dance. Pole dance.

MBMarcos Breda

Pole dance. Você botou naquela desgraça, rapaz?

JAJackson Antunes

E eu sou ruim naquilo, eu sou ruim em qualquer coisa.

FPFábio Porchat

Eu não diria que você é bom no pole dance mesmo, rapaz.

JAJackson Antunes

E eu tentava subir aquele negócio, já tinha bebido. E eu olhei para trás, a luz dispensou um pouquinho, eram umas moças bonitas, um perfume gostoso, né? Eu falei, gente, será que eu tomei mesmo?

FPFábio Porchat

Tentei fazer um striptease. Você é o maior!

JAJackson Antunes

Falei, já que eu vou mesmo, vou morrer mesmo ou não? Rapaz, tirei a camisa, no que eu fui tirar assim, que eu mostrei um talo da bunda, poxa, mas foram umas mãozadas que vieram na minha bunda. Sabe 50 mãos batendo ao mesmo tempo?

FPFábio Porchat

Pá! Pá!

JAJackson Antunes

A grossura do couro da minha bunda ficou isso.

MBMarcos Breda

Por 50.

FPFábio Porchat

Gente, que maravilha! 50 mil! 2 horas disso, João?

JAJackson Antunes

2 horas. E eu perguntava ao caboclo, já passou quanto tempo, seu Jota? Falta 40 minutos.

FPFábio Porchat

40, 45.

JAJackson Antunes

Rapaz, foi passando aquilo, humilhação uma atrás da outra, e eu dei mais uma truncada no trem, aí bateu direitinho, rapaz. Eu comecei até a gostar daquelas coisas. Rapaz do céu, pelo amor de Deus! E aquilo passou, de repente acende-se a luz, eu não consigo ver nada. Uma moça vem à frente e diz, olha lá, seu Jackson, todas nós. Uma salva de palmas pelo belíssimo trabalho que o Suzaco está fazendo na televisão com o Léo, não sei o quê.

Eu trouxe, eu, esse aqui é uma festa de despedida de solteira, despedida de solteira, e eu trouxe aqui um cachorro dum canalha que é meu noivo assistir isso. O cara tava vendado do lado, você tá entendendo, assistiu aquele trem tudo. O pai da moça se apresentou, foi um presente que ela quis Foi você para poder despedir, uma despedida de solteiro. Me aplaudiram novamente, o cara na minha cabeça, o troço do boto cobriu de novo, cobriu de novo.

Passei pelos mesmos caminhos, me deixaram na porta da rodoviária, e quem disse que eu sentei a polpa da bunda? Eu tava descendo o seu direito.

FPFábio Porchat

E você não sabe até hoje quem foi, quem é?

JAJackson Antunes

Não sei quem é, sei que é uma família, foi uma família muito abastada e tá lá a prova até hoje, foi o que eu comprei com dinheiro.

FPFábio Porchat

Mentira!

JAJackson Antunes

Até hoje é meu carro.

FPFábio Porchat

Que loucura!

JAJackson Antunes

Toda vez que eu vou sentar nele eu lembro dessa mulher.

FPFábio Porchat

Eu não sei nem o que falar.

MBMarcos Breda

Olha eu.

FPFábio Porchat

Eu vou pedir pra trazerem um coisa que eu vou te levar pra uma festa agora.

JAJackson Antunes

Vamos embora.

FPFábio Porchat

Que a gente tá organizando aqui.

MBMarcos Breda

Vamos embora.

FPFábio Porchat

50 conto, macho.

JAJackson Antunes

50 conto eu vou.

FPFábio Porchat

Ai, que maravilha. Bom, perguntas do programa. Quero saber a primeira lembrança que vocês têm da vida.

CCCyria Coentro

A minha primeira lembrança é a minha primeira masturbação.

FPFábio Porchat

Ah, não.

CCCyria Coentro

Eu chequei com a minha mãe, eu devia ter uns 3 anos de idade, e eu lembro que eu tava na escola, e aí eu, por algum motivo, eu puxei o short e a costura do short enganchou, ficou pegando assim, e eu fiquei fazendo esse movimento. Aí começou a latejar e eu falei no ouvido da minha coleguinha, tem um coração na minha xoxota. Aí o menino que tava atrás falou, eu ouvi bem alto, eu ouvi, vou contar pra todo mundo. Eu morri, ele não contou pra ninguém, mas assim, foi um trauma na vida.

E eu chequei com a minha mãe, eu devia ter uns 3 anos de idade. Surreal, mas é a minha primeira lembrança assim. Se eu buscar lembrança mais antiga...

FPFábio Porchat

Não, tá bom.

MBMarcos Breda

O pulso ainda pulsa.

FPFábio Porchat

Você, Brenda?

MBMarcos Breda

A lembrança mais antiga que eu tenho mesmo, eu era filho único, portanto, né, só meu pai, minha mãe e eu. Eu me lembro que minha mãe me colocava dentro de uma bacia com uma esponja para eu tomar sol. Então essa primeira memória que eu tenho era a minha mão, as minhas mãos, meus pés, eu me mexendo, e aquele sol quente acolhendo, aquecendo. Foi uma coisa, é uma memória mais antiga que eu tenho, e é uma coisa muito gostosa que eu guardo dentro assim, aquele calor que você Guarda e que te aquece pra sempre.

FPFábio Porchat

Bom, pois é.

JAJackson Antunes

Eu, a memória é moleque ainda, né? Lá no norte das Minas Gerais, meu pai foi pra estação de trem num lugar chamado Pai Pedro, e quando o bicho pipocou do lado com aquele cabeção vermelho, eu caí no capengão e voltei só 5 dias depois, de medo do barulho do trem. Nunca saiu da minha cabeça, né? Que conta! Foi o meu pá, sumi no mundo. O pai botou os empreiteiros lá, todo mundo atrás de mim, só apareci 5 dias depois, sem comer e sem beber, com medo do barulho do trem.

FPFábio Porchat

Olha só que doquinho.

JAJackson Antunes

Eu nunca esqueci disso. Até hoje, se buzinar um trem atrás de mim, acabou eu.

CCCyria Coentro

Fome no mundo.

FPFábio Porchat

Mal sabiam as mulheres, se elas tivessem buzinado um trem, elas precisavam nem pagar nada. Vamos lá, pergunta: que profissão que você não levaria jeito?

CCCyria Coentro

Eu, médica.

FPFábio Porchat

Médica?

CCCyria Coentro

Não dá.

FPFábio Porchat

Alguma específica?

CCCyria Coentro

Não, qualquer coisa. Eu sou meio aquele personagem do Jerry Lewis, tem um filme que ele era enfermeiro e ele sentia tudo que as pessoas diziam para ele. Eu sou meio isso, começa a passar mal se eu vejo alguém passando mal, não posso ver sangue. Então qualquer especialidade médica não dá.

JAJackson Antunes

Eu acho que ser um humorista como você, essa rapidez, você tem uma coisa linda, você tem uma coisa ainda que eu sempre admirei, já fiz seu pai no cinema.

FPFábio Porchat

Verdade.

JAJackson Antunes

Que a gente não vê você pensando para criar. Você tá ali conversando com o rapaz, a gente olha nos seus olhos, que geralmente o cara entrega pensando. Parece que tudo vem ao mesmo tempo, né, como um dom sagrado. Eu não tenho essa rapidez, eu não tenho essa coisa mágica que você tem de criar.

FPFábio Porchat

Obrigado, muito obrigado.

MBMarcos Breda

Jamais teria tanta facilidade.

FPFábio Porchat

Você tem outras 10 mil coisas Breda, engenheiro. Por quê?

MBMarcos Breda

Porque eu fiz 4 anos de engenharia mecânica.

FPFábio Porchat

Ah, você sabe na pele que você não seria, né?

MBMarcos Breda

É, e... Não, e meu pai tava super orgulhoso e tal, ele... Quando eu tava no 4º ano, eu desisti pra fazer letras e teatro. Veja só, meu pai ficou... Olha, mas que decepção, hein? Forte até aqui de mágoa.

FPFábio Porchat

Alguém aí tem alguma pergunta para fazer para eles?

MBMarcos Breda

Eu!

FPFábio Porchat

Uma das perguntas do programa que o público quer fazer. Vamos ver aqui. Qual o seu nome? Meu nome é Gabi. Gabi, conheço.

MBMarcos Breda

Sabe o que eu queria saber?

FPFábio Porchat

Qual o livro preferido de vocês? Ótimo, adorei!

MBMarcos Breda

Breno, cara, tem um livro do Caio Fernando Abreu, quer dizer, tem vários dele que são maravilhosos, mas tem um chamado Pequenas Epifanias, que o próprio nome já diz, são crônicas curtas que ele publicou ao longo de décadas em vários jornais E são pequenas epifanias, pequenas revelações do divino no cotidiano. O cara escrevia bem pra caralho.

JAJackson Antunes

Escrevia bem.

MBMarcos Breda

É lindo, eu recomendo. Dá pra ler uma crônica por dia, dura um mês o livro.

FPFábio Porchat

Ótimo, gostei.

CCCyria Coentro

Eu, 100 Anos de Solidão, que foi um livro que eu li há muitos anos atrás e, nossa, me marcou demais. Eu ficava economizando, o livro é grosso, mas eu ficava lendo devagar pra ele não acabar, tinha muita pena. E agora, recentemente, sei lá, menos de um ano atrás, eu tava na livraria com minha filha e eu vi o livro e ela tava procurando um livro pra ler, eu indiquei e ela acabou de ler e também se apaixonou.

FPFábio Porchat

Então, Macondo, Macondo, família.

JAJackson Antunes

E eu, por ser do sertão, e eu por me considerar um personagem de Seu Rosa, meu pai também era um personagem de Seu Rosa, meus tios todos são personagens de Seu Guimarães Rosa, eu indicaria Grande Sertão Vereda. Foi porque o Seu Rosa foi lá e, inteligentemente, genialmente, ele pegou o sertanejo, que sempre é um homem muito simples, e deu a sofisticação, a complexidade que ele é. Às vezes você vê um caboclinho ali puxando enxada, você chega perto dele, aquele homem desvenda ali do sertão o mundo.

E Seu Guimarães teve essa sensibilidade para dizer que o homem do sertão é simples, mas ao mesmo tempo o homem é cheio de e geringonça.

MBMarcos Breda

Completude.

FPFábio Porchat

É isso mesmo. E pra terminar, o que vocês querem escrito na lápide de vocês?

CCCyria Coentro

Eu, como acredito em reencarnação, eu quero: essa história foi boa, já já eu volto com novidades.

FPFábio Porchat

Ah, gostei. Já já. Aguardem, aguardem.

JAJackson Antunes

Pode ser eu?

MBMarcos Breda

Pai.

JAJackson Antunes

Eu, como sou um pai guruja, Eu vou querer que escrevam lá no trem onde eu tô deitadinho descansando assim: eu já fui embora, mas meu filho tá aí, siga @zevitoantunes no Instagram, o maior cantor do Brasil!

FPFábio Porchat

Arrasou! Que maravilha, adorei!

MBMarcos Breda

Preda. A lápide do paranoico: eu falei que era sério.

FPFábio Porchat

Eu falei que era sério, vocês não me deram ouvido, tá vendo? Agora durmam com isso, durmam com isso, meu povo. Eu amei, acabou, gente, vocês acreditam nisso? Um programa maravilhoso e tô feliz demais de ter recebido vocês aqui. E assim, o programa acabou e eu queria, Jackson, a gente vai aqui nos estúdios Globo, eu vou te levar, é uma bobagem. Pode deixar só, vai tirar? Não vou tirar para facilitar, para facilitar. Então tá bom, fica tranquilo, vai dar tudo certo. Mulherada, quem quer um pedaço do Jackson?

MBMarcos Breda

Elas querem!

FPFábio Porchat

Peraí, gente, peraí.

MBMarcos Breda

Tão jogando laranja na onda aqui, velho.

FPFábio Porchat

Tão jogando laranja? Essa semana que vem tem mais história dessa pra vocês.

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