Jackson Antunes + Marcos Breda + Cyria Coentro
- Jackson Antunes narra vingança feminina inusitada por papel de vilãopersonagem Léo de A Favorita·agressões domésticas na novela·convite misterioso para evento em São Paulo·chegada vendado ao local·humilhação e agressões em festa de despedida de solteira
- Marcos Breda relata trilha perigosa na Pedra da Gávea antes de peçasubida exaustiva da Pedra da Gávea·perda de rumo na descida·queda em despenhadeiro e dedo quebrado·choques em cerca eletrificada·chegada atrasada para a peça
- Cyria Coentro conta imprevisto incontrolável de xixi no palcoapresentação de festival de música·impossibilidade de sair do palco·xixi incontrolável durante a apresentação·figurino que disfarçou o ocorrido·Jackson Costa percebe o incidente
- Felipe relata encontro por aplicativo que resultou em prejuízo financeiroencontro com pessoa não monogâmica do Tinder·convidada leva uma amiga ao encontro·consumo elevado no bar·descoberta de golpe para pagar a conta
- Convidados compartilham primeiras lembranças e profissões que não seguiriamprimeira masturbação de Cyria Coentro·memória de infância de Marcos Breda tomando sol·medo de trem de Jackson Antunes·Cyria não seria médica·Jackson não seria humorista·Marcos Breda não seria engenheiro
- Livros preferidos e frases para lápide dos convidadosPequenas Epifanias de Caio Fernando Abreu·Cem Anos de Solidão de Gabriel García Márquez·Grande Sertão: Veredas de Guimarães Rosa·Cyria Coentro: 'já já eu volto com novidades'·Jackson Antunes: 'siga @zevitoantunes no Instagram'·Marcos Breda: 'eu falei que era sério'
E aí, minha gente, eu sou o Fábio Porchat e esse é o podcast do meu programa no GNT. Aqui, Que História É Essa, Porchat, eu ouço e conto também histórias curiosas e divertidas da vida das pessoas, seja anônimo, famoso, não importa. O que importa é ter uma boa história. Bora, minha gente, pode vir que estamos começando! Tá todo mundo acordado aí?
Não?
Que bom, porque eu andei lendo que as pessoas andam tão cansadas que deram para dormir em qualquer lugar. Mas não é bem qualquer lugar. É tipo Paris, Tóquio. Dormir bem virou artigo de luxo e o povo agora viaja pra isso. E paga caro! Lembra quando a gente falava assim, não, não vou dormir em dólar de jeito nenhum? O brasileiro viajava pra ficar acordado 24 horas, fazer 16 países em 10 dias. Agora a moda é essa, pagar uma fortuna pra dormir.
Nunca vi uma coisa combinar menos com a outra do que viajar e dormir. Nossa, cheguei em Nova York, vou dormir tudo que eu não durmo em Niterói. Tá doido? E olha que não tá dando pra dormir nem real, minha gente! A não ser que você vá passar uns dias na tua casa da tua tia lá em Cataguases, aí sim, aí é melhor dormir mesmo. Mas hoje ninguém vai dormir, porque eu tô recebendo aqui Marcos Breda! Círia Coentro! E Jackson Antunes! Bora acordar, meu povo!
Bem-vindos, bem-vindos!
Aê, aê, aê! Que maravilha! Eu queria começar dizendo: Tem convidados que são convidados que eu recebo com gosto, porque assim, esse programa fica procurando história. A gente já tá na 8ª temporada buscando história, eu virei o terror das pessoas. Eu passo pela rua, vejo um famoso, eu, tem história, tem história! Eu já começo, a pessoa foge de mim. Outro dia a Sophie Charlotte fingiu que não me viu. Eu falei, Sophie! Ela saiu correndo assim, aí eu peguei ela num canto, ela, eu não tenho história, eu não tenho história!
Quase chorando. E aí eu, em outubro, outubro passado, recebo uma mensagem do Marcos Tem uma história, quero ir no seu programa, quando que eu posso ir? Eu falei, me lembra em março, só vai gravar em março. Deu março, ele falou, eu tô aqui pra te lembrar. Isso é uma coisa...
Filha da puta lembra, né?
Eu falei, é isso que eu queria! Sofi, vem no meu programa, lembra da minha história e vem pra cá! Isso é uma maravilha, a pessoa lembra a história e fica me caçando. Isso é um sonho, Breda. Obrigado por você ter guardado a tua história. História doida!
É, de fato é.
É história... Eu gosto quando a pessoa corre perigo de vida, é bom. E é verdade, ó!
É, exato. Essa história é de 2014. Eu tava com uma peça de teatro em cartaz chamada Oleana, do David Mamet. É uma história de uma relação abusiva entre um professor e uma aluna, direção do Gustavo Passo, e a minha colega de cena Luciana Faver. A gente viajou muitos lugares e a gente naquele dia, em 2014, a gente tinha uma apresentação no Sesc Madureira. E eu escolhi a dedo o dia para o programa que que eu tava adiando há um tempo, que era subir a Pedra da Gávea.
Eu, a minha mulher, a Lu, minha amiga dela, a Lian. Ah, acho que hoje é um bom dia.
Mas Pedra da Gávea é puxado.
É puxado, mas eu falei, ah, mas vai dar tempo, a gente vai chegar 8, 9 da manhã, a peça é 8 da noite lá em Madureira, tranquilo. Fomos de moto, estacionamos ali do lado e começamos a subida. E aí sobe, sobe, sobe, só que tava um calor da caceta, assim, muito quente, e a gente começou a cansar, a suar, a minha mulher começou a ter problema de pressão, começou a ficar cada vez mais lenta, E tem umas horas ali, tem a Carrasqueira, a famosa Carrasqueira.
Se alguém subiu ao pé daquela... Tem que escalar! É, você escala com a unha. É! Você vai subindo... É verdade! E aí, até que você, depois de muitas horas e muitas paradas por causa da queda de pressão, chegamos lá em cima. Maravilhoso!
Lindo! A vista é deslumbrante!
A vista é espetacular, eu recomendo!
O dia que não tenha peça, né?
O dia que não tenha peça, né? Mas aí começou a cair a luz e tal, ofereci: Acho melhor a gente ir. Voltar, porque tem que trabalhar. Tem que trabalhar. Aí começamos a descer e... Começamos a descer mais lentamente ainda porque ela tava passando mal. Aí chegou uma hora que eu falei assim, olha, eu vou deixar vocês duas descendo devagarinho e eu vou descer correndo porque eu tenho que chegar a pegar a moto.
Pra não perder a peste.
Pra não perder a peste.
Perfeito.
E aí, não, mas cuidado pra não se perder. Não, tranquilo.
Pelo amor de Deus.
Aí fui descendo.
Você é o Robson Crusoé, pelo amor de Deus.
Com um senso de orientação assim absurdo. Fui descendo, aí direita, esquerda, direita, esquerda, direita, esquerda, direita, e peguei uma direita errada.
A antiga esquerda.
A antiga esquerda.
Aí eu fui, fui, comecei a me embrenhar naquele mato e espinho e galho e coisa.
E você achando que tava certo.
Não.
Jurando que tava tudo bem.
Eu vim por aqui! É que cresceu o mato à tarde, né?
Conheço até aquela árvore ali, já passei por ali.
Você já passei por ali, essa árvore é meio familiar, né? Aí eu, mas aí eu tinha lá longe, tinha um poste com uma luz já acesa porque tava caindo a tarde, que era do condomínio. Debaixo ali da Pedra da Gávea. Eu falei, é só mirar naquele poste que eu vou chegar bem.
Vai chegar na civilização ali.
Aí eu fui, fui, e assim, eu tava de bota, bermuda, camiseta e uma bolsa, e me lanhando. E espinho, e rasga daqui, e baba, e pinga, e barro, e não sei o quê. Aí daqui a pouco chegou uma hora, era impossível continuar porque tinha uma laje inclinada e um despenhadeiro. Eu falei, como é que eu vou fazer? Tava escurecendo, já não dava pra ver o que tinha embaixo do despenhadeiro. Eu falei, eu não posso continuar por aqui. Aí eu olhei a laje, a laje, ali.
Ah, mas tem um caminho por ali, vamos lá. Aí eu fui caminhando pela laje, tinha limo, eu escorreguei na laje, aí peguei uma raiz de árvore. Não, aí eu falei, bom, tô salvo, vou tentar levantar. Limo não dava para levantar, vou tentar voltar, não dava para voltar, avançar não dava. Ele, não posso ficar aqui, né? O braço ali esticado. Eu falei, eu olhei, eu senti uma outra raiz ali, eu falei, ali que eu vou. Aí fui com a unha, tal qual um Tarzan, era assim, uma carta, né? Aí eu cheguei, consegui pegar a raiz. Quando eu puxei, não era, tava solta.
Eu caí, caiu aonde?
Aí no despenhadeiro.
Que isso?
Juro. Só que tava escuro e eu não sabia se era 5 ou 50 metros.
Mas dúvida cruel, mas era um metrinho.
Não, eu quando eu caí naquela escuridão, eu só encolhi o corpo e pensei: seja o que Deus quiser, né? Fudeu, agora sim. E aí eu comecei a cair, eram 5 metros.
Meu Deus, 5 metros é grande.
E eu estratelei lá embaixo, era pedra, pedra, pedra.
Meu Deus!
Eu caí, eu só não caí encaixado, não quebrei nenhum osso. Só que com o impacto eu tive que apoiar a mão no chão, dei com uma testada na minha mão e quebrei o dedo com a testa.
Você se quebrou? Eu nunca vi isso na minha vida. Você bateu com a própria cabeça?
É, eu bati com o pé e com a mão, e aí pá!
Na verdade, a mão salvou tua vida, que você ia bater com a cabeça.
Aí eu caí meio groggy assim, olhei as primeiras estrelas no céu, falei: é estrela mesmo? Eu tô— não, era estrela mesmo.
Você vai ficar lá?
Eu vou ficar aqui? Não. Aí eu falei: será que o celular aqui pega? Porque não pegava no caminho, né? Peguei, tinha um sinalzinho, uma barrinha. Aí eu liguei pro diretor. Oi, Gustavo, tudo bem? Brito, onde é que você tá então? Eu tô aqui perdido no meio da Floresta da Gávea, mas eu tô a caminho. Pelo amor de Deus, não atrasa, porque é 8 horas, já são 5:30. Eu falei, não, tá tranquilo. Desliguei. Aí eu continuei, já meio mancando, mas fui, fui, fui no meio daquele mato e rasga e baba e lama.
Daqui a pouco eu olho assim e falo, não, isso é uma pegadinha. Por quê? Uma cerca eletrificada. Escrita uma plaquinha: cerca eletrificada, que é pra impedir que os animais silvestres vão pro condomínio.
É, e os animais que são perigosos também.
Os animais, é.
Esses são os complicadíssimos. Que são os que você coloca todo babado.
Aí eu falei assim: bom, vamos ver quão forte é essa eletricidade. Coloquei a mão assim, porque se você põe assim, agarra.
Aí você já toca, agarra e não solta mais, você morre eletrocutado.
Aí eu coloquei o dorso da mão, dava um choque, mas não era desesperador, era um choque tranquilo. Falei, vamos subir esse negócio. Comecei. Choque na testa, choque no peito, na barriga, no pau. Mas assim, é o poder das pontas.
Interessante isso, hein?
Meu Deus!
Mas assim, esse choque no pau, eu vou tentar procurar e saber disso, viu, Jota?
Olha, ajuda. Eu pensei, depois eu saio daqui, alguém me vê incandescente, é o Darth Vader. Aí cheguei lá em cima, passei pro outro lado, tudo tomando choque mesmo. É mesmo? Não, e o detalhe, eu tava com as mãos com incontáveis espinhos dos lugares que eu tinha segurado a árvore com espinho. Parecia uma raquete, essas de beira de praia.
Às vezes Deus quer matar a pessoa e não consegue, né? Ele tenta, ele se esforça.
Passei, desci, continuei caminhando até que chegou finalmente o poste ali, um barranco, mas a cerca de arame farpado, né?
Nossa Senhora, mano!
Subi...
Não, para, Brenner!
Juro!
Que loucura!
Eu conto essa história há muito tempo e é sempre exatamente igual, ou seja, é verdade. Eu jamais decoraria isso. Aí subi aquele morro, a cerca de arame, falei, pá, terminei de me rasgar todo, né? E aí saí pelo condomínio, né? Parecia thriller!
É, Michael Jackson!
Aí fui até que cheguei na moto.
Achou a tua própria moto?
Achei a moto 1,5 km depois de onde eu saí, caminhando com uma sede do caralho, porque eu tava sem água, sem nada. Cheguei na moto, liguei pro diretor, ele, Breda, já são... 5 para as 8, a peça começa daqui a 5 minutos, cadê você? Eu falei, estou a meia hora daí, mas diga que eu vou chegar, eu vou atrasar um pouquinho. Aí subi na moto com a mão quebrada e tendo que usar o celular para tentar me localizar, porque eu não sabia onde é que era o Sesc.
Você tinha que ir para o hospital.
Exato, é o que eu devia. Ia ser um sucesso na ortopedia. Aí eu fui, fui, fui, fui, fui, depois de meia hora eu cheguei na porta do teatro. Quando eu cheguei na porta do teatro, tava a sonoplasta mexendo no celular na porta, ela me viu chegar.
Você devia estar horrível mesmo.
Tinha samambaia, galho, musgo, elanho... Você devia estar exausto. Exausto e todo babado, todo cagado, assim, né? Aí eu cheguei e falei, ó, eu não consigo nem me baixar, me ajude a trocar de roupa. Aí tiraram a roupa toda melada, botaram um figurino, passaram um pente no cabelo, e eu entrei em cena pra fazer uma peça de 1 hora e meia, 1 hora e 15.
Você entrou com quanto tempo de atraso?
40 minutos de atraso.
40 minutos de atraso?
A plateia foi avisada, ó, o cara se fodeu, tava lá...
Vocês vão ver, gente.
Sejam compreensivos, né? E eu fui lá fazendo a peça. Tinha um momento que a atriz, ela ajoelhava, que ela falava emocionada uma coisa ajoelhada, e eu tinha que me ajoelhar pra trabalhar. Aí eu fui até ela assim, ó. Eu falei assim, vamos lá, vamos tentar. Aí eu fui me ajoelhar.
Tudo doendo, né?
Ai, querida, tá, tá, tá, tá, tá, tá, daqui a pouco...
E pra levantar?
E pra estar com o telefone. Falei, agora é hora de levantar, né? Vamos lá.
Ah, você foi até bem. Eu mantei, eu achei que ia dar aquela descida.
Aí fui, atendi, não sei o quê, terminou, conseguimos ver a peça até o fim. Aí tinha o debate.
Debate?
Eu na cadeira assim, né? Então, o David Mamet é um dramaturgo muito conceituado.
O debate era ele falando, eu sou contra, eu quero que toda a Floresta Amazônica se exploda, quero que Mata Atlântica acabe, planta tudo em soja nessa merda.
Vamos azulejar aquela pedra da Gávea. Terminou a peça, depois terminou o debate, vem um cara: meus parabéns. Peguei a moto, fui para casa. Cheguei em casa, a minha mulher saindo do banheiro, ela fala assim: você não tem noção de como foi difícil descer. Aí eu falei: me conte, me conte.
Mas o interessante é que foi o sexo mais eletrizante que ele fez na vida.
Não era o sabre de luz, era o canivetinho de luz.
Impressionante. Eu fui fazer a Pedra da Gávea, e eu gosto de fazer umas trilhas e tal, mas eu não sabia que era tão pesado. Eu achei que era uma caminhada. E o cara falou pra mim, não, a gente chega lá umas 8 da manhã, que é quando abre. E eu pensei, na minha cabeça, não sei se me enganaram ou eu que inventei, mas na minha cabeça eram 3 horinhas. Então eu fui, beleza, indo, indo, indo, e só Sobe, sobe, sobe e vai, sobe, sobe, daqui a pouco passa 3 horinhas, passa 4 horinhas... 6 horas!
Eu saí 3 da tarde de lá, exaurido. Você escala realmente com corda, o outro você vai por... Você chega lá na Pedra da Gávea, você pensa em se jogar de lá, você pensa, ah, de repente eu chego mais rápido. É um horror. Quer dizer, é lindíssima, é uma maravilha, mas quando você tá com a cabeça pra isso... Então eu fiz essa ida e volta, mas eu voltei falando, me enganaram demais, eu não achei tão chique.
É porque é muito exaustivo e ainda por cima é perigoso, especialmente se você não conhece o lugar, E você tá com pressa. Eu escolhi a dedo, lógico, né, o dia de fazer isso, mas pelo amor de Deus, deu certo, fiz a peça.
E a trilha é bonita, a trilha é realmente bonita.
A trilha é espetacular.
Mas é que no palco, o palco dá pra gente uma energia também, né? Quando você sobe no palco, tem que acontecer a peça.
Sim.
Tem que fazer acontecer. Você pode estar com a mão quebrada, como que for, pode estar com vontade de fazer xixi, né? Hein? O palco faz a gente ficar doido, né?
O palco não tem perdão, o que tem que ser feito terá que ser feito em qualquer circunstância.
Como é que foi isso aí?
Isso foi há muitos anos atrás, eu tava no interior da Bahia, em Itabuna, com um amigo querido que é do mesmo grupo de teatro que eu tenho há quase 40 anos lá em Salvador, que se chama Los Catedrascos, esse grupo. E Jackson Costa, meu companheiro de grupo, estava apresentando—
Meu xará que eu amo.
Pois é, seu xará que você conhece e é amigo também. E nós estávamos apresentando um festival de música. Festival de música é um negócio que demora, né? Longo, as bandas se apresentam, tem premiação, tem discurso, é um negócio interminável. E o palco dos apresentadores tinha o palco grande, que era o palco da banda, e o palco dos apresentadores era tipo um adendo desse palco grande e não tinha descida do nosso palco.
Palco.
A única descida que tinha era atrás desse palco grande lá atrás, uma escada e tal. Então os apresentadores, quando não tinha banda tocando, era porque nós estávamos falando. Quando a gente terminava de falar, a banda que a gente acabou de anunciar começava a tocar. Então não tinha como eu, né, eu ou outro apresentador sairmos dali, para nada. E eu comecei a ficar com muita vontade de fazer xixi. E comecei a ficar apertada pra fazer xixi e dividi com meu amigo.
Em algum momento a gente se olhou e eu falei, tô apertada pra fazer xixi. E ele deu risada e falou, tá lascada, porque não vai ter o que fazer. E eu, tá, beleza. E o tempo foi passando, o tempo foi passando, e era festival de música, então dançava, né, tinha, me contorcia, tinha como disfarçar.
Mas a tua dança era mais esquisita aqui, era uma dança mais aqui, ó.
Sentado.
É outro tipo de dança.
Enquanto tava sentado, né, dava pra driblar e tal. Uma hora lá, a banda acabou de tocar e foi a hora dos apresentadores. E eu pensei, eu falei, cara, eu não posso levantar agora. Não é um bom momento pra levantar, porque tava tipo assim...
No último momento.
Eu tava literalmente me mijando. Mas teve que levantar, né? Então chegou o momento, eu levantei. E quando eu levantei, eu literalmente comecei a me mijar, porque já tava num estado que eu não segurava mais. Mas totalmente incontrolável. E o meu figurino era uma pantalona, que é uma calça bem folgada, né, estampada de um pano bem molinho assim, bem fluido. E quando eu levantei, que de fato eu comecei a me mijar incontrolavelmente, eu dei só uma olhadinha discreta assim para ver como tava e vi que não tava aparecendo.
Não tava?
Não dava pra ver. Era um tecido muito maleável, muito estampado. Tipo assim, eu vi que tava liberado e o palco era alto, a plateia tava lá embaixo.
Quando você disse que tava liberado, significa que você não impediu mais. Aí você falou, ah, deixa! Deixa a foz do Iguaçu abastecer Itaipu.
Problema resolvido.
Aí eu literalmente mijei.
Literalmente eu mijei.
Porque quando você levantou se mijando, você ainda tava segurando.
Tentando, mas não tava dando.
Tava com a orelha traquinha feia.
Tentando, mas não tava dando.
Já começou a sair.
Precisava só de uma tranquilidade para poder.
É, quando eu fiz assim que eu falei, eu acho que não. Aí eu já andei livre, eu tinha que andar até o microfone.
E andou chaplé, chaplé, chaplé, chaplé, chaplé. Ai sim, menina, né?
Vamos dar as boas-vindas a gotejante apresentadora.
Eu fui indo e assim relaxei mesmo quando eu comecei a falar. No microfone, que eu vi que realmente não dava pra ver. Aí eu falei o que eu tinha que falar, coisas lindas, muito aliviada e tal. E aí voltamos e sentamos, né, na cadeirinha. A banda começou a tocar. E aí eu olhei pra Jackson assim, muito sorridente. Jackson... E aí eu fiz aquela linguagem de palhaço que eu tava olhando pra ele. Aí eu olhei pra poça, porque tinha uma poça na frente do meu microfone, né?
Tinha uma pocinha assim. Aí eu Olhei pra ele, olhei pra poça e olhei pra ele de novo. Aí ele olhou pra poça e olhou pra mim e falou, coentro.
Eu falei, não, é miso mesmo.
Você se largou. Aí quando você sentou não tava molhado? Esse cheiro saiu?
Amor, passei todo o festival toda mijada, bem incomodada, toda molhada aqui, mas Mas enfim, não dava, o público não sabia o que tava se passando.
E alguém, porque tudo bem, ali não dava pra ver de frente, mas em algum momento você tinha que sair embora, o pessoal não te viu toda...
Se alguém viu, eu não fiquei sabendo.
Também.
Mas esse seu xixi, xixi de coento tem poder, porque eu vou te falar, ele saiu pra um canto que não manchou na frente.
Nada, nada.
E uma pergunta, você tá fazendo xixi agora ou não, né?
Não, não.
Ah, graças a Deus.
Era só meu medo de eu estar te atrapalhando.
Quando bateram no camarim, eu fui no banheiro.
Sabe que tem uma história curiosa minha com xixi que foi o seguinte: um dia eu tava transando, aí eu tava transando e tava legal, e transando legal, bacana, e aí a menina que tava comigo falou: preciso fazer xixi. No meio do negócio. E eu falei pra ela: faz! Mas eu falei faz como quem disse: você saia e vá fazer xixi.
Beleza.
E ela lá continuou, e eu pensando, ah, eu sou ela, não consegue se desgrudar desse meu peru. Essa aqui é, eu tenho um mel que é doido. Nunca aguentei. Transou, transou, transou, beleza. Então terminou, levantei e tudo molhado, pensei, olha o que que eu não fico com ela. Essa mulher, ela é essa, ela ejaculou praticamente. Isso aqui é, ela gozou pra caramba. E olhei, mas um pouco mais impressionado, que eu falei, olha, tudo bem que eu possa até ser esse furacão que sou, mas esse tsunami não tá em mim.
Curioso. E aí eu olhei e falei, não quer ir ao banheiro agora? Falou, não, eu já fiz. Então, e aí realmente assim, aí eu olhei e falei, mas não era? E ela falou assim, mas foi tão bom E eu guardei o elogio como se fosse culpa minha. Eu falei, comigo é assim mesmo, a gente é doido, faz o que tem que fazer. Só que aí, tudo bem, na hora do sexo, tudo a gente permite, mas quando acaba, depois que você goza, que você volta pra realidade, você tá com a cama mijada!
É o colchão mijado, tudo mijado, e como é que limpa o colchão? E aí estou eu tirando, pensando, pô, era melhor ter feito antes. Chato demais. Mas é que às vezes a gente, às vezes no sexo, a gente comete umas loucuras, né, Felipe? Que a gente não tá preparado pra coisa que vem. Beleza. Tranquilo. Ah, quando a gente quer, a gente quer, né?
Cara, quando querem. É quando querem, é legal, cara. Prazer a todo mundo aí, meu nome é Felipe Bruto, tá? Cara, essa história, ela bateu muito fundo em mim.
Que isso?
Calma, não, relaxa. Relaxa, o que acontece?
Fiquei até preocupado.
Eu sou um homem não monogâmico, né? Há uns 3 anos já eu estudo sobre não monogamia e tudo mais.
E aí... Quer dizer, não tem aquela relação que é só você e uma pessoa?
É, eu não tenho exclusividade sexual, sentimental, amorosa, etc.
Fica aí a dica, tá, gente?
E aí o que acontece? Estava eu, Menino pimpão no Tinder, ainda descobrindo sobre não monogamia, tá? Essa história tem uns 2 anos mais ou menos. Aí eu tava descobrindo e tal, encontrei uma pessoa, deu match, também não monogâmica. Eu falei, pô, maravilhoso, perfeito, não vou ter nenhum problema de ciúme, essas coisas, ótimo. Conversamos ali por uma semaninha, tudo bem, tudo bom. 2 semaninhas, tudo bem, tudo bom, marcamos de sair.
A gente ia no Nova América, né? Num barzinho que tinha lá. Isso, maravilhoso. A gente ia beber um negócio, se rolasse alguma coisa, ia rolar alguma coisa, com certeza. Chegando no dia anterior do nosso encontro, fui cortar o cabelinho, né, comprei uma roupinha.
O cabelinho aqui em cima? É, tá bom. Porque quando a gente vai transar, a gente corta os cabelinhos outros também.
Mas é pra quem gosta, pra quem gosta. Tem gente que gosta de um negócio mais peludo.
Tudo pelo povo, Dili.
Fui cortar o cabelinho de cima, aparei só o de baixo.
Olha aí!
E aí, o que acontece? No dia do encontro, ela me manda mensagem algumas horinhas antes do encontro falando: deixa eu te perguntar, teria problema se uma amiga minha fosse junto?
Ih, ih, ih!
Depois não vai contar festida, hein? O que é isso, rapaz?
O que eu pensei? Porra, terça-feira? Homenagezada, pô.
Claro, terça-feirinha, 2 horas da tarde, falar quero levar outra amiga pra gente brincar, 2 horas da tarde, com certeza é isso, com certeza, pô. Beleza, falei não, tá perfeito, maravilhoso, fica à vontade, beleza, se quiser levar uma outra prima.
Aí o que acontece, cheguei lá, quando eu cheguei no bar ela já estava gostosinho se beijando, as duas já estamos pegandinho, já tava ali.
Ih, o clima é bom, hein?
Aí o clima é bom, cheguei na mesa Cheguei na mesa, puxei a cadeira e falei: Licença pra chegar, colega, tudo bem? Claro. Sentei na cadeirinha e a gente começou a conversar. E conversa boa, conversa boa. Papo normal? Papo normal, tipo, de vida, de futuros e tudo mais, o que elas queriam e tal, o que elas estavam fazendo, o que estavam fazendo antes, o que faziam agora.
Mas você é não monogâmico, porque ela já tá vindo pro primeiro encontro já trazendo a outra.
Você entendeu?
Quer dizer, você não é monogâmico mesmo.
Sim, não sou. E tipo assim, tava um papo gostoso. E desce drink, desce cerveja, desce petisco, desce salgadinho, desce hambúrguer, desce...
Come frango a passarinho.
Muito frango a passarinho.
E vai tomando uma porçãozinha de azeitona e vai cerveja, aquela coisa toda, vai tomando, vai tomando, tomando. Beleza. Determinado momento do encontro, que que ela fala? Ela pega o telefone e fala assim: ixi, rolou uma emergência aqui.
Que isso?
Aí eu já tava meio na cangibrina, falei: porra, não, que isso, suave, fica tranquila, não se sinta obrigada a nada. Aí ela falou assim: não, é sério, porque eu gosto de trabalho aqui, a gente vai ter que Mas a gente gostou muito de você, relaxa, a gente gostou muito de você, vou te mandar mensagem amanhã pra gente marcar uma coisinha a mais, mais pra frente. Aí ela...
É que tem aquele ditado que é foda adiada é foda perdida.
Aí o que que ocorre? Elas saíram, eu falei, não, fica tranquila que eu vou pagar aqui, entendeu?
Você também, claro, você é pra não esquecer isso, você vai passar a continha porque amanhã vem o truco.
Óbvio, óbvio, né? Deu a continha baratinha, só um terço do meu salário.
Aí...
Eu recebi R$1.200. Aí o que acontece, rapaz, essa linguicinha saiu cara.
Isso aí, esse é aperitivo, tá?
Inflação é foda, você sabe.
Pagou a continha?
Eu paguei tudo normal. Fui para— ainda demorei um pouquinho mais até beber uns negocinho sozinho, é porque tava um clima gostoso, pô. Negocinho, caída de noite, pô, ali no Nova América. Beleza, fui para casa, mandei mensagem. Não, tipo assim, cheguei, ela falou: cheguei também, amanhã a gente conversa. Beleza. No outro dia, mensagem dela. Eu já tinha ficado um pouco mais ansioso porque eu falei: pô, talvez ela nem mande, né, um negócio assim.
Mandou mensagem, apareceu lá a notificação. Não vou falar o nome dela aqui, né, para não, né, Jéssica. A mensagem era assim: olha, não fica bravo. Mas eu estava querendo sair com a minha namorada e tava sem dinheiro.
Não!
E aí eu dei match com o Tinder, dei match no Tinder com você pra alguém pagar.
Que coisa maravilhosa!
Eu amei!
Eu amei!
Bloqueia aí, pô.
Bloqueou, lógico.
Mas também tá tudo certo, entendeu? Que ela, né, que ela conquiste as coisas.
Lógico, com certeza.
Ela que pague muitas coisas.
Com certeza. Eu tenho uma parente que eu não posso dizer se é prima, se é irmã, se é coisa mais próxima, mas que às vezes ela vê um restaurante novo em São Paulo, ela fala: Ih, quero Quero comer aqui. Tinder, dá match, vamos encontrar, vamos, vamos aonde? E aí eu pensei nesse restaurante aqui. Meu Deus, não é jogo bom isso?
Ela me chamou também, ela mandou mensagem.
Que maravilha! É, minha gente, às vezes o date não sai como a gente quer.
E a ganância.
Mas você sabe que o pessoal diz que vida de ator é fácil, sabia, Jaque?
Quem falou isso?
É o pessoal que não sabe das dificuldades que é fazer um evento.
É verdade.
E você tava fazendo vilão.
Eu sempre fiz vilão.
Como é que uma pessoa mais doce do mundo—
O cara me liga hoje e fala, o que eu vou fazer? Infernizar a vida do mocinho.
Só que o público de novela de antigamente viu vilão E era aqueles vilão que a pessoa se vingava na rua.
Sim, verdade.
Porque Jackson, quando tava fazendo A Favorita, isso era vilãozão, é vilãozão, rapaz.
O cara cometia os dois piores tipos de violência, que era violência doméstica e a violência da cajibrina, bibia.
Tem até uma cena, eu acho que a gente revê. Bota aí pra gente ver a Lilia sofrendo. Canelinha chorando, é.
Isso é remorso, é culpa por ter me feito passar por esse vexame. Sabe que ninguém me tira da cabeça que você deu bola pro sujeito? Se não tivesse dado trela, duvido que ele olhava pra um traje como você nunca. Eu não quero saber de chororô. E tem outra coisa, não vai mais sair na rua.
Caraca, muito forte! E infelizmente é um tema que continua atual, né? Infelizmente.
Atualíssimo. Nessa época, esse personagem caiu em 25% as agressões domésticas.
Uau!
Eu e a Lilia fizemos isso com total entrega.
Foi demais, né?
Favoreceu. É legal quando a televisão toma conta dessa parte social da vida.
Só que às vezes o público esquece que é ficção, né não, Jaque?
Esquece, rapaz. E é engraçado porque o que aconteceu, o primeiro grande golpe que eu levei, que eu saí, fui na banca de revistas com meu filho Zé Vitor, E de repente tinha uma pessoa falando mal da novela, falando mal da violência da novela, ele me viu e ele me empurrou com tamanha violência que eu tenho uma trombose nessa perna.
Não, para!
É verdade, por causa da agressão, de alta compressão aqui, é verdade, por causa da novela, porque o cara te empurrou na rua, me empurrou e eu bati a perna no meio-fio. Isso é uma delas, né? Depois, nos postos, eu não era se fosse mulher atendendo, ela não abastecia meu carro. Olha que loucura! Negócio que passou para minha vida, meu filho na escola. Mas o mais interessante disso foi um telefonema que a minha esposa me recebeu.
Recebeu uma pessoa me procurando para ir a São Paulo porque eu ia participar de um evento muito importante, mas eles não poderiam dizer qual evento era.
Segredo.
Eu falei que já que é um segredo grande, Cobra caro, que ninguém sabe o que que é. Eu não sei o que que vai acontecer comigo. Na época ela cobrou R$50 mil, era muito dinheiro.
Ainda hoje é, viu?
Ué, se juntar isso tudo, mas se botar naquela época, tudo se juntar, minha família inteira não dá. Rapaz, e lá fui eu. Tinha uma pessoa me esperando no aeroporto de São Paulo para poder acompanhar o evento, e lá fui eu.
Você animadíssimo, rapaz.
R$50 mil. É coisa que um cabra da roça nunca viu todo dia. Isso é pra um cabra da roça tomar cachaça 10 anos seguidos sem precisar. Cachaça e pé de galinha, a gente fica 10 anos aposentado. E lá fui eu, rapaz. Cheguei no aeroporto, o rapaz falou, olha, tem umas coisas, nós temos umas pessoas aí. Quando eu olhei lá fora, tinha 3 carros. Sabe aqueles carros compridos? É tudo de vidro preto. Assim que eu entrei, a pessoa muito delicadamente falou, Seu Jardim, eu falei, tá, Zé, gosto muito do senhor, respeito muito o senhor, mas vou ter que colocar uma venda no senhor.
Uma venda não, aquele saco, o saco preto, capuz, capuz, puff, na tua cabeça. Eu falei, meu irmão, o cara tava me acompanhando, eu falei, mas que desgraça é essa? Ele falou, você não se importa não que botarem em mim também.
Gente, é o evento do PCC esse.
Eu falei, Eu falei, tô morto, tô morto, né?
Isso era São Paulo?
São Paulo. Mas daí que a pessoa sempre que conduzia toda essa operação era muito educada, muito delicada.
É, às vezes te mata com uma educação que é chata.
É verdade, foi um cara, o cabra que me empurrou, me matou numa elegância desgraçada. Rapaz, nossa, aquele trem foi andando, andando aí, eu contei mais ou menos 40 minutos.
E capuzado mesmo?
Capuzado. Eu não enxergava absolutamente nada. Só um vozerio, o pessoal falando, mas ninguém falava de violência, falava de nada. Os caras na frente riam, né? Só se fosse os bandidos sádicos. Mas não, eu fui embora, fui embora. Eu sou um caboclo do sertão, mas não passava nem prego. Então, poxa, chegando no local, eu sei que nós, alguém abriu um portão, e pelo que eu senti, um portão muito pesado, e o carro entrou E eu entrei no elevador, só sei que eu me vi com o capuz numa sala.
Quando alguém tirou o capuz, eu senti que tinha uma iluminação contra, que eu via vultos de pessoas, mas eu não sabia discernir quem.
Meu Deus do céu!
Eu falei, o que que é isso? Ele falou, Seu Zaque, fica tranquilo, faz parte do contrato, é R$50 mil. Quando eu pensava nos R$50 mil, quando voltava nos R$50 mil, afrouxava mesmo. É isso?
Que maravilha! 50 mil acalma qualquer um.
Rapaz, eu cheguei aqui e falei, o que que tá acontecendo?
O que que tá acontecendo?
De repente, uma ovação, uma ovação, voz de mulheres, só mulheres gritando, seja bem-vindo, Léo, seu filho da puta! Seja bem-vindo, Léo, seu filho da puta! Seu filho da puta espancador de mulheres! Que isso? Chegou uma moça, também não dava pra mim enxergar quem era, a luz me cegava. Eu sei que ela me levou num canto, botou um figurino que era a mesma coisa, aquela camisa estampada que o Léo vestia, numa calça jeans, mas era igual.
Aí eu falei, poxa, é a roupa do Léo. Aí ela falou, você pode ficar no centro aí, tá bom? Rapaz, de repente eu olhava naquele movimento, olhava, olhava, olhava, nada. De repente eu começo a receber tomate na cara, pá, pá, pá, pá, laranjada no pé da orelha, pá, pá, água, tudo coisa.
Eu falei, pera aí, isso é verdade?
Verdade verdadeira. Minha esposa tá ali assistindo do estúdio ali, é só chamar ela.
Você começou a tomar laranjada e laranjada, eu não sabia por quê.
Só o que me segurava eram os 50 conto.
Aqui, era Jackson, os 50 aqui, ó.
Fica!
Você vai ficar!
E eu perguntava pro cabra que tava me acompanhando, é quantas horas? Ele falou, é 2 horas.
2 horas?
E eu falei, já passou quanto tempo, filho? Ele falou, passou 20 minutos.
Eu falei, então... E eram as mulheres...
Rapaz, elas começaram a se revelar, era assim umas 50 mulheres, começaram a se revelar, eu sei que a casa era muito suntuosa, sabe, aquela casa imensa, com aqueles lustres imensos, pra mim era uma casa, parecia um palácio, tá entendendo? E elas começaram a se revelar, mas como almas, porque eu não conseguia ver o rosto, Chegou uma, botou o diacho de um pano de chão, botou um negócio, um rodo, falou, limpa a casa, seu filho da puta, batedor de mulher!
E você limpou?
Eu limpava e elas jogavam terra, jogavam sujeira, jogavam sujeira na frente do meu rosto.
E você ficava passando?
E eu passando o negócio, às vezes eu pensava em fugir. 50, 50, 50.
50 mil! Aqui, ó, segurando aqui, ó, não vai! Que loucura! Eles jogando tela, jogavam, sujavam mais!
Sujavam mais! Aí chegou um e falou assim, ah, Léo, seu filho da puta! Você é o seguinte, você bebe, né? Eu falei, Aí eu comecei, eu falei, pô, isso é um jogo, cara, eu vou entrar nessa porra. Não vai ser tão sofrido esse 50ml. Você quer beber? Eu falei, quero. Uiscão, rapaz. Só ouvido era dessa grossura. Eu falei, gente, deve ser mais do que 50ml. Botou pra mim beber, enchia o copo assim, deixava derramar. Primeiro pegou um e jogou na minha cara. Bebe então, seu nojento espancador de mulher, filho da puta!
Reage!
Reage aqui que eu quero ver! Lá com a Catarina você reage, mas eu quero ver você reagir aqui, seu filho da puta!
Pá!
Na minha cara!
Bateu?
Na cara! Foi aí que eu tive coragem pra beber. Eu falei, já que eu tô sofrendo tanto, eu vou tentar amortecer um pouco a dor, pra deixar adormecida, sabe? E peguei aquele copão, rapaz, e eu não sou de beber não, mas eu arranquei um copão, pá! Elas falaram, bebe mais! Eu botei mais um, pá! Quando eu olhei, o ambiente deu uma clareada, sabe? O ambiente deu uma clareada e já não sentia mais dor. Eu falei, já que é pra encarar o Léo, eu vou encarar.
Fui dar uma dança. Aí elas falaram assim, vem pra cá. Sabe aquele negócio de boate, aquele pau que as pessoas rodam?
Pole dance. Pole dance.
Pole dance. Você botou naquela desgraça, rapaz?
E eu sou ruim naquilo, eu sou ruim em qualquer coisa.
Eu não diria que você é bom no pole dance mesmo, rapaz.
E eu tentava subir aquele negócio, já tinha bebido. E eu olhei para trás, a luz dispensou um pouquinho, eram umas moças bonitas, um perfume gostoso, né? Eu falei, gente, será que eu tomei mesmo?
Tentei fazer um striptease. Você é o maior!
Falei, já que eu vou mesmo, vou morrer mesmo ou não? Rapaz, tirei a camisa, no que eu fui tirar assim, que eu mostrei um talo da bunda, poxa, mas foram umas mãozadas que vieram na minha bunda. Sabe 50 mãos batendo ao mesmo tempo?
Pá! Pá!
A grossura do couro da minha bunda ficou isso.
Por 50.
Gente, que maravilha! 50 mil! 2 horas disso, João?
2 horas. E eu perguntava ao caboclo, já passou quanto tempo, seu Jota? Falta 40 minutos.
40, 45.
Rapaz, foi passando aquilo, humilhação uma atrás da outra, e eu dei mais uma truncada no trem, aí bateu direitinho, rapaz. Eu comecei até a gostar daquelas coisas. Rapaz do céu, pelo amor de Deus! E aquilo passou, de repente acende-se a luz, eu não consigo ver nada. Uma moça vem à frente e diz, olha lá, seu Jackson, todas nós. Uma salva de palmas pelo belíssimo trabalho que o Suzaco está fazendo na televisão com o Léo, não sei o quê.
Eu trouxe, eu, esse aqui é uma festa de despedida de solteira, despedida de solteira, e eu trouxe aqui um cachorro dum canalha que é meu noivo assistir isso. O cara tava vendado do lado, você tá entendendo, assistiu aquele trem tudo. O pai da moça se apresentou, foi um presente que ela quis Foi você para poder despedir, uma despedida de solteiro. Me aplaudiram novamente, o cara na minha cabeça, o troço do boto cobriu de novo, cobriu de novo.
Passei pelos mesmos caminhos, me deixaram na porta da rodoviária, e quem disse que eu sentei a polpa da bunda? Eu tava descendo o seu direito.
E você não sabe até hoje quem foi, quem é?
Não sei quem é, sei que é uma família, foi uma família muito abastada e tá lá a prova até hoje, foi o que eu comprei com dinheiro.
Mentira!
Até hoje é meu carro.
Que loucura!
Toda vez que eu vou sentar nele eu lembro dessa mulher.
Eu não sei nem o que falar.
Olha eu.
Eu vou pedir pra trazerem um coisa que eu vou te levar pra uma festa agora.
Vamos embora.
Que a gente tá organizando aqui.
Vamos embora.
50 conto, macho.
50 conto eu vou.
Ai, que maravilha. Bom, perguntas do programa. Quero saber a primeira lembrança que vocês têm da vida.
A minha primeira lembrança é a minha primeira masturbação.
Ah, não.
Eu chequei com a minha mãe, eu devia ter uns 3 anos de idade, e eu lembro que eu tava na escola, e aí eu, por algum motivo, eu puxei o short e a costura do short enganchou, ficou pegando assim, e eu fiquei fazendo esse movimento. Aí começou a latejar e eu falei no ouvido da minha coleguinha, tem um coração na minha xoxota. Aí o menino que tava atrás falou, eu ouvi bem alto, eu ouvi, vou contar pra todo mundo. Eu morri, ele não contou pra ninguém, mas assim, foi um trauma na vida.
E eu chequei com a minha mãe, eu devia ter uns 3 anos de idade. Surreal, mas é a minha primeira lembrança assim. Se eu buscar lembrança mais antiga...
Não, tá bom.
O pulso ainda pulsa.
Você, Brenda?
A lembrança mais antiga que eu tenho mesmo, eu era filho único, portanto, né, só meu pai, minha mãe e eu. Eu me lembro que minha mãe me colocava dentro de uma bacia com uma esponja para eu tomar sol. Então essa primeira memória que eu tenho era a minha mão, as minhas mãos, meus pés, eu me mexendo, e aquele sol quente acolhendo, aquecendo. Foi uma coisa, é uma memória mais antiga que eu tenho, e é uma coisa muito gostosa que eu guardo dentro assim, aquele calor que você Guarda e que te aquece pra sempre.
Bom, pois é.
Eu, a memória é moleque ainda, né? Lá no norte das Minas Gerais, meu pai foi pra estação de trem num lugar chamado Pai Pedro, e quando o bicho pipocou do lado com aquele cabeção vermelho, eu caí no capengão e voltei só 5 dias depois, de medo do barulho do trem. Nunca saiu da minha cabeça, né? Que conta! Foi o meu pá, sumi no mundo. O pai botou os empreiteiros lá, todo mundo atrás de mim, só apareci 5 dias depois, sem comer e sem beber, com medo do barulho do trem.
Olha só que doquinho.
Eu nunca esqueci disso. Até hoje, se buzinar um trem atrás de mim, acabou eu.
Fome no mundo.
Mal sabiam as mulheres, se elas tivessem buzinado um trem, elas precisavam nem pagar nada. Vamos lá, pergunta: que profissão que você não levaria jeito?
Eu, médica.
Médica?
Não dá.
Alguma específica?
Não, qualquer coisa. Eu sou meio aquele personagem do Jerry Lewis, tem um filme que ele era enfermeiro e ele sentia tudo que as pessoas diziam para ele. Eu sou meio isso, começa a passar mal se eu vejo alguém passando mal, não posso ver sangue. Então qualquer especialidade médica não dá.
Eu acho que ser um humorista como você, essa rapidez, você tem uma coisa linda, você tem uma coisa ainda que eu sempre admirei, já fiz seu pai no cinema.
Verdade.
Que a gente não vê você pensando para criar. Você tá ali conversando com o rapaz, a gente olha nos seus olhos, que geralmente o cara entrega pensando. Parece que tudo vem ao mesmo tempo, né, como um dom sagrado. Eu não tenho essa rapidez, eu não tenho essa coisa mágica que você tem de criar.
Obrigado, muito obrigado.
Jamais teria tanta facilidade.
Você tem outras 10 mil coisas Breda, engenheiro. Por quê?
Porque eu fiz 4 anos de engenharia mecânica.
Ah, você sabe na pele que você não seria, né?
É, e... Não, e meu pai tava super orgulhoso e tal, ele... Quando eu tava no 4º ano, eu desisti pra fazer letras e teatro. Veja só, meu pai ficou... Olha, mas que decepção, hein? Forte até aqui de mágoa.
Alguém aí tem alguma pergunta para fazer para eles?
Eu!
Uma das perguntas do programa que o público quer fazer. Vamos ver aqui. Qual o seu nome? Meu nome é Gabi. Gabi, conheço.
Sabe o que eu queria saber?
Qual o livro preferido de vocês? Ótimo, adorei!
Breno, cara, tem um livro do Caio Fernando Abreu, quer dizer, tem vários dele que são maravilhosos, mas tem um chamado Pequenas Epifanias, que o próprio nome já diz, são crônicas curtas que ele publicou ao longo de décadas em vários jornais E são pequenas epifanias, pequenas revelações do divino no cotidiano. O cara escrevia bem pra caralho.
Escrevia bem.
É lindo, eu recomendo. Dá pra ler uma crônica por dia, dura um mês o livro.
Ótimo, gostei.
Eu, 100 Anos de Solidão, que foi um livro que eu li há muitos anos atrás e, nossa, me marcou demais. Eu ficava economizando, o livro é grosso, mas eu ficava lendo devagar pra ele não acabar, tinha muita pena. E agora, recentemente, sei lá, menos de um ano atrás, eu tava na livraria com minha filha e eu vi o livro e ela tava procurando um livro pra ler, eu indiquei e ela acabou de ler e também se apaixonou.
Então, Macondo, Macondo, família.
E eu, por ser do sertão, e eu por me considerar um personagem de Seu Rosa, meu pai também era um personagem de Seu Rosa, meus tios todos são personagens de Seu Guimarães Rosa, eu indicaria Grande Sertão Vereda. Foi porque o Seu Rosa foi lá e, inteligentemente, genialmente, ele pegou o sertanejo, que sempre é um homem muito simples, e deu a sofisticação, a complexidade que ele é. Às vezes você vê um caboclinho ali puxando enxada, você chega perto dele, aquele homem desvenda ali do sertão o mundo.
E Seu Guimarães teve essa sensibilidade para dizer que o homem do sertão é simples, mas ao mesmo tempo o homem é cheio de e geringonça.
Completude.
É isso mesmo. E pra terminar, o que vocês querem escrito na lápide de vocês?
Eu, como acredito em reencarnação, eu quero: essa história foi boa, já já eu volto com novidades.
Ah, gostei. Já já. Aguardem, aguardem.
Pode ser eu?
Pai.
Eu, como sou um pai guruja, Eu vou querer que escrevam lá no trem onde eu tô deitadinho descansando assim: eu já fui embora, mas meu filho tá aí, siga @zevitoantunes no Instagram, o maior cantor do Brasil!
Arrasou! Que maravilha, adorei!
Preda. A lápide do paranoico: eu falei que era sério.
Eu falei que era sério, vocês não me deram ouvido, tá vendo? Agora durmam com isso, durmam com isso, meu povo. Eu amei, acabou, gente, vocês acreditam nisso? Um programa maravilhoso e tô feliz demais de ter recebido vocês aqui. E assim, o programa acabou e eu queria, Jackson, a gente vai aqui nos estúdios Globo, eu vou te levar, é uma bobagem. Pode deixar só, vai tirar? Não vou tirar para facilitar, para facilitar. Então tá bom, fica tranquilo, vai dar tudo certo. Mulherada, quem quer um pedaço do Jackson?
Elas querem!
Peraí, gente, peraí.
Tão jogando laranja na onda aqui, velho.
Tão jogando laranja? Essa semana que vem tem mais história dessa pra vocês.