Episódios de Que História É Essa, Porchat?

Rodrigo Sant’anna + Tino Marcos + Debora Ozório

23 de setembro de 202652min
0:00 / 52:55
Na roda com Fabio Porchat, estão os atores Rodrigo Sant’anna e Debora Ozório e o jornalista Tino Marcos. Rodrigo conta sobre uma troca de mensagens com a mãe que levou os dois para o hospital. Tino fala de uma dificuldade de localização que já o deixou em situações muito perigosas. E Debora lembra do constrangimento que uma troca de produtos causou na família. Na plateia, Luciana arquiteta uma vingança.
Participantes neste episódio5
F

Fábio Porchat

HostComediante
D

Debora Ozório

ConvidadoAtriz
L

Luciana

ConvidadoAssistente espiritual
R

Rodrigo Sant’anna

ConvidadoAtor
T

Tino Marcos

ConvidadoJornalista
Assuntos5
  • A mãe de Rodrigo Sant'anna e suas aventuras sexuais com aplicativosmãe usando aplicativos de paquera·sexo virtual e constrangimento·envio de nudes e vídeos sensuais·uso de pedra-hume na vagina
  • As situações perigosas de Tino Marcos devido à desorientação geográficasíndrome de bloqueio geográfico·erro de aeroporto em Miami·invasão do Palácio de La Moneda·perda em plantação de eucalipto
  • A vingança de Luciana contra o ex-namorado por causa de uma cachorrarelacionamento tóxico e término·ex-namorado vetando acesso à cachorra·destruição do apartamento do ex·recuperação da cachorra Moana
  • A confusão de Débora Ozório com lubrificante íntimo da mãepegar produtos na casa da mãe·troca de desinfetante por lubrificante·Denise usando o lubrificante·mãe procurando o lubrificante
  • A vingança de Fábio Porchat contra Maria com moedas de 1 centavoesquecimento de depósito para chá de panela·ameaças de Maria por não pagamento·pagamento com moedas de 1 centavo·reconciliação bêbada no casamento
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FPFábio Porchat

Agora na TV Globo você não fica só assistindo, vota, opina e participa direto pelo controle remoto. Viva na Globo, a nova era da TV. E aí, minha gente, eu sou Fábio Porchat e esse é o podcast do meu programa no GNT. Aqui, Que História É Essa, Porchat, eu ouço e conto também histórias curiosas e divertidas da vida das pessoas, seja anônimo, famoso, não importa. O que importa é ter uma boa história. Vem pra cá! Isso, é aqui mesmo!

Não, você não tá perdido não, é, você achou! Se tem uma coisa, inclusive, que a gente tem que agradecer é a invenção do GPS. Depois dessa bússola digital, nada mais é como antes, graças a Deus. Ele erra de vez em quando? Erra! Pisa na bola, te enfia nas quebradas erradas? Enfia! Mas já salvou muito a nossa vida também. Você pode não lembrar mais, sua mãe, sua avó certamente se lembram quando a gente tinha que usar mapa de papel.

Só pra você entender, se tava de cabeça pra baixo, perdia meia hora. Não tinha setinha apontando a direção, não. Muito menos uma voz do além te mandando vire à esquerda na Avenida Winston Churchill. Não tem! Era um reality de sobrevivência! O bom é que aqui a gente não erra a direção. O caminho é direto e reto pra ouvir as melhores histórias dos melhores condutores! É ou não é, Rodrigo Santana? Débora Osório! E Tino Marcos! Sentiu, Tino?

Se acomoda que tá começando o Que História É Essa, meu povo! Mãe é um negócio interessante, né, Rodrigo? Mãe, ela dá pra gente material, conteúdo. E a tua é uma mãe, é uma mãe mais tímida, uma mãe mais expansiva assim?

RSRodrigo Sant’anna

A minha mãe, ela é um pouco bipolar, porque assim, quando ela tá em público, ela parece tímida. Quando ela tá comigo, aí ela vira uma loucurona assim, né?

FPFábio Porchat

Mas hoje você vai contar uma história mais de loucurona.

RSRodrigo Sant’anna

Exatamente, né? Porque ela tava comigo, tudo isso ela dividiu comigo. Eu tô dividindo pro público.

FPFábio Porchat

Isso é muito interessante, a forma como a gente humilha nossas mães em público. É muito bonito, é lindo isso. E vai vir aqui já já coisa, ó, só para vocês entenderem que hoje o programa tá Dia das Mães. Rodrigo, como é que é isso aí?

RSRodrigo Sant’anna

Tá, mãe, é o seguinte, na verdade começou porque assim, a minha mãe teve uma história que não é uma história triste, porque eu acho uma história de superação. A minha mãe teve um, até minha mãe teve um aneurisma, depois teve um câncer, superou os dois, graças a Deus, e resolveu, resolveu. Mas ela passou por um momento muito delicado com o corpo, tarará. Então assim, teve um dia que minha mãe começou a entrar no aplicativo, eu fiquei, comecei a dar força para ela para entrar no aplicativo de relação, de paquera, de paquera, de flerte, de sexo.

O que ela não fazia, tava muito preocupada. Eu falei, mãe, para com isso, você sabe, seja feliz.

FPFábio Porchat

E aí, exatamente, mãe também transa.

RSRodrigo Sant’anna

E a minha mãe tá com 70 agora, 72, na época devia ter 69, por aí.

FPFábio Porchat

Olha a idade que até sugestiva.

RSRodrigo Sant’anna

Exato, não tinha pensado nisso. Aí eu falei, vamos entrar, vamos entrar. Fez um negócio para ela. Aí um dia ela me falou assim, filho, Ai, a mamãe fez sexo virtual, mas eu tô me sentindo suja. Aí eu falei, mãe, pelo amor de Deus, relaxa que é legal.

FPFábio Porchat

É porque deve ter sido a primeira vez que ela fez um sexo virtual assim. Isso tudo pelo aplicativo ali?

RSRodrigo Sant’anna

Não, aí depois do aplicativo pegou um contato, entrou num webcam, umas coisas aí.

FPFábio Porchat

Ah, videozinho.

RSRodrigo Sant’anna

Claro, né? Vamos fazer uma coisa profissional, né, pai?

FPFábio Porchat

Pra eu ensinar, eu tenho que dar aula.

RSRodrigo Sant’anna

Aí a primeira vez, ai, mãe, que legal! Poxa, que legal! No fundo eu já tava assim, meu Deus, o que que eu transformei minha mãe? Porque a gente fica... É a nossa mãe. É uma coisa você falar com uma amiga, que você fala, ai, minha amiga, tem esse legado. Aí a minha mãe foi ficando à vontade. Aí logo depois disso ela me ligou e falou assim, filho, mandei no Zap uma foto do... Peru? Ah, pode falar? Do pênis do cara, do pinto do cara.

TMTino Marcos

Do pau.

RSRodrigo Sant’anna

O pau. Ah, eu queria ser fofo, já que você botou o apelido dela, só falo pau.

TMTino Marcos

A jeba!

FPFábio Porchat

Ah, mentira. Ela mandou pra você a nude que o cara tinha mandado pra ela.

RSRodrigo Sant’anna

Porque ela queria a minha opinião a respeito da Rhodes.

FPFábio Porchat

Ela queria saber o quê? Se era normal, se era bonito, se não era.

RSRodrigo Sant’anna

A minha opinião. A gente tem uma relação muito próxima, eu e minha mãe.

FPFábio Porchat

Eu tô vendo. Tá vendo que ela bebe? E qual foi a tua opinião sobre aquele piruzinho?

RSRodrigo Sant’anna

Que era feio.

TMTino Marcos

Feio?

FPFábio Porchat

Por que feio?

RSRodrigo Sant’anna

Porque tem pinto bonito e tem pinto feio. E o pinto dele era aquele mergulhador que aponta pra baixo assim. Estava ereto, estava pra baixo. Aí eu falei, olha, mãe, eu não achei muito maneiro, mas quem tá tocando é você, não sou eu. Você segue o baile. Aí a minha mãe, ela foi se empolgando. E aí eu comecei a me constranger, porque ela começou a me mandar um vídeo que tá ela de calcinha e sutiã.

FPFábio Porchat

Peraí.

RSRodrigo Sant’anna

Não, calma, estou falando que minha mãe fez isso. Ela me manda um vídeo de calcinha e sutiã. A gente tem uma banana? Não tem uma banana.

FPFábio Porchat

Uma banana, uma fruta.

RSRodrigo Sant’anna

E ela faz assim no vídeo.

FPFábio Porchat

Ela te mandou esse vídeo?

RSRodrigo Sant’anna

Que loucura! Quando ela—

FPFábio Porchat

não, isso é para traumatizar. Eu tô traumatizado, eu não tenho nem relação com ela.

RSRodrigo Sant’anna

Ela queria dar uma devolutiva do nude do cara, mas ela não queria mandar o nude, ah, vou mandar lá florzinha. Não, ela quer mandar tipo uma coisa mais sensual. Aí ela me mandou o vídeo e falou assim, filho, Eu tô querendo mandar isso para ele.

FPFábio Porchat

Nervosa.

RSRodrigo Sant’anna

Você acha vulgar? Eu falei, ó, mãe, vai na tua. Por dentro eu tava assim, meu Deus, eu transformei minha mãe numa vagabundona. Mas o que eu falava para ela era sempre incentivo, era sempre vai lá, que isso, relaxa. Aí eu falei assim, não, pô, tu tá trabalhando com fruto, ainda é natural, segue o baile. É uma imagem que eu falo na hora, eu venho exatamente o vídeo. Imagina vocês, fecha os olhos e pensem na mãe.

FPFábio Porchat

Não, não, não, é isso que eu vivi, gente, é isso que eu vivi.

TMTino Marcos

Que confiança, né?

RSRodrigo Sant’anna

Que confiança! Não, mas é muito, é uma relação muito próxima, né?

FPFábio Porchat

Ali você não falou assim, mãe, pera, tá demais, não precisa me mandar isso? Ou não? Você falou, me manda os passos.

RSRodrigo Sant’anna

Tentar dar sinais, fala, mãe, evita, não precisa mais me mostrar essas coisas. Acho que isso é uma relação sua, é mais seu isso daí. Aí ela, para onde ela me ligou, ela mandou o vídeo da banana, ela mandou o vídeo da banana, tá?

DODebora Ozório

Você permitiu esse envio?

FPFábio Porchat

Se autorizou?

RSRodrigo Sant’anna

Eu não autorizei não. Ela é uma mulher de 69 anos na época, ela tinha autonomia para fazer o que ela bem quisesse. Eu não vou interferir. E eu me lembrava da história dela, eu sempre incentivando para que ela fizesse um momento de superação. E aí onde ela me ligou Falou, filho, eu tô pensando em fazer uma reconstituição vaginal.

FPFábio Porchat

Rodrigo, isso tomou uma proporção que eu não tava imaginando.

RSRodrigo Sant’anna

Aí eu falei, mãe... Aí eu já não queria mais. Aí teve uma hora que eu falei, chega, agora deu pra mim. Eu falei, mãe, eu não queria mais falar disso contigo. Acho que a gente tá passando um pouco uma zona meio sombreada agora. Vamos deixar isso quieto pra você mesma. Ela, não. Eu falei, mãe, eu tô ocupado. Ela falou, o que foi? Você tá preocupado com o trabalho? Eu falei, não, tô preocupado contigo. Depois a gente se fala. Ela ficou puta comigo.

E ela foi ligar pra uma amiga, é amiga dela, a ideia de falar assim, Ana, Ana, nome da minha mãe, falou assim, você não precisa fazer reconstituição vaginal, porque quando você faz reconstituição, aí tem pós-operatório, não sei o quê, faz nada disso.

TMTino Marcos

Tá perdendo tempo?

RSRodrigo Sant’anna

Faz o quê? Põe a pedra Umi. Eu trouxe a pedra Umi pra Alura. Não, isso não foi esse tamanho de sabonete de coco.

FPFábio Porchat

Peraí, deixa eu ver, isso não tá usado não, né? Deixa eu ver.

RSRodrigo Sant’anna

Esse eu usei, Mimi.

FPFábio Porchat

Mas o que que é pedra-hume?

RSRodrigo Sant’anna

Pedra-hume é aquele negócio, sabe quando você faz a barba, que dá, cortou, que você passa? Isso daí ele fragmenta, tá? Que foi inclusive um fragmento disso que minha mãe usou para lavar o dedo.

FPFábio Porchat

Eu vou deixar aqui para minha mãe.

RSRodrigo Sant’anna

Aí você passa em água e passa no, para quê? A amiga dela ensinou que se você bota isso, a coisinha vai dar um efeito meio calçadinho na máquina de lavar, dá uma encolhida, dá uma Tá, mas ainda uma pergunta. E a minha mãe queria estar tipo na flor da idade, virgemzona.

FPFábio Porchat

Mas aí assim, para o pessoal que tá em casa, isso aí o quê? Você coloca na vagina e deixa?

RSRodrigo Sant’anna

Aí foi o problema, Fábio. Não, pode ficar.

FPFábio Porchat

Eu trouxe para você.

RSRodrigo Sant’anna

Ah, eu queria trazer um mimo para o Fábio. Aí minha mãe botou Sem meu conselho. Aí eu já tinha abandonado, falei, vai viver tua vida, cara. E aí ela botou o negócio e aí foi ver novela, foi ver novela, dormiu.

FPFábio Porchat

É, quem ama cuida, né?

RSRodrigo Sant’anna

Quem ama cuida. Aí ela dormiu, acordou, me liga desesperada, fez, pelo amor de Deus, a mamãe botou o negócio na pedra úmida. Quando eu fui olhar pra ela, ela tá toda enrugada. Eu fui passar o papel, ela tá saindo pedaços. Pelo amor de Deus, leva mamãe no hospital, por favor! Eu falei, mãe, pelo amor de Deus, eu tô indo pra casa te pegar, vou te pegar. Peguei minha mãe de carro, a gente foi pro pronto-socorro. No pronto-socorro tem a infeliz de uma coisa, que você sempre que entra no pronto-socorro você tem que relatar o que que tá acontecendo.

Só que a minha mãe, ela estava chorando, porque minha mãe é nervosa. Então ela ficou nervosa, que viu lá tudo enrugado, e começou a chorar. Ela não parava de chorar. Eu falei, mãe, pelo amor de Deus, você calma. A gente vai chegar lá no pronto-socorro, a moça vai perguntar o que houve, não quero eu ser o portador da notícia. Eu não devia ter feito isso, falar com a menina. Aquela menina, eu não gosto mais dela, tipo puta com amiga, entendeu?

Eu não devia ter feito isso. Eu falei, mãe, para, para. Chegamos no pronto-socorro, tá minha mãe. Eu não devia ter feito isso. Eu falei, mãe, para, pelo amor de Deus. Chega a enfermeira. Oi, Dona Ana, o que houve?

LLuciana

Eu não devia ter feito isso.

RSRodrigo Sant’anna

Eu falei, mãe, para de chorar, pelo amor de Deus. Fala, mamãe, o que que aconteceu? Oi, fala. O que que ela botou o pé da Naomi, moça, dentro da vagina?

FPFábio Porchat

Mas ela, quando ela foi ser atendida, você não ficou na sala?

RSRodrigo Sant’anna

Eu preferi não. Eu já tinha visto o vídeo.

FPFábio Porchat

Mas o que que aconteceu ao final? Calma, pera aí. Imaginou que não deva ser bom colocar em nenhum orifício do corpo?

RSRodrigo Sant’anna

Pelo amor de Deus, né? Não foi para minha mãe. Não faça isso.

FPFábio Porchat

E aconteceu o quê? Ficou ardendo?

RSRodrigo Sant’anna

Na verdade é porque isso, você Quando você bota Pedraume na bochecha ou em algum lugar, na verdade, você percebe que ela fica mais enrugada mesmo, de fato. Eu acredito que tenha acontecido a mesma coisa.

TMTino Marcos

Enrugou?

RSRodrigo Sant’anna

Enrugou pra além da conta. Deve ser por isso que deve trazer essa sensação de— Eu não sei, gente, enrugou.

FPFábio Porchat

Aí enrugou, parece que é mais apertado.

RSRodrigo Sant’anna

Eu não estou falando da ACD, pelo amor de Deus. Eu não sei da ACD.

FPFábio Porchat

Não, ninguém vai usar Pedraume na xerega. Ninguém faria um negócio desse.

RSRodrigo Sant’anna

A minha mãe fez e a amiga dela provavelmente também.

?Voz D

Já fez.

FPFábio Porchat

E aí o hospital resolveu como?

RSRodrigo Sant’anna

Não, o hospital falou que não era, tinha que esperar pra aquilo desenrugar e voltar do jeito que era.

FPFábio Porchat

Tinha que dar água de coco pra voltar.

RSRodrigo Sant’anna

Ela teve um trabalho da porra pra tá igual.

FPFábio Porchat

Que nojo.

RSRodrigo Sant’anna

Porque a mulher, a reação da enfermeira foi: Hã?

FPFábio Porchat

Pedra-hume na vagina? Pedra-hume na vagina?

?Voz D

Quê?

FPFábio Porchat

É.

RSRodrigo Sant’anna

Eu falei: Moço, já falei uma vez, tu quer que eu repita? Pra mim já não foi fácil a primeira.

FPFábio Porchat

E você vai contar essa história aqui, sua mãe te autorizou?

RSRodrigo Sant’anna

Não, a minha mãe me autorizou. Na verdade, eu gosto de contar essa história porque inicialmente ela traz uma sensação de que, caraca, mãe e filho. Mas isso foi tão legal pra gente se aproximar depois de tudo isso que eu vivi com a minha mãe. E a minha mãe me ensinou a enxergar o sexo com menos horror e mais humor. E isso eu achei muito genial, porque eu acho que minha mãe, pra além de tudo, é uma história de superação, sabe? Então, verdade, verdade.

FPFábio Porchat

Agora, imagina que a sua mãe vai ficar constrangida. Deixa eu até falar com ela. Ô, Ana, como é que você tá? Ô, Ana, ai, que vergonha! Você é doida, hein?

?Voz D

Não sou não.

FPFábio Porchat

Você senta aí, Ana. A gente vai tentando, mas a pedra úmida, essa você não esperava, né, que fosse dar uma?

?Voz D

É porque eu durmo.

RSRodrigo Sant’anna

Pelo amor de Deus!

FPFábio Porchat

O que você falou, o que ela, sua amiga, falou, que era para botar assim uns 10 minutinhos.

?Voz D

É, uns 10 minutos ficar, porque ficava apertadinho aí. Só que eu durmo mesmo. E você dormiu uma hora Eu dormia. Quando chegou de manhã que eu fui.

FPFábio Porchat

Que que é isso? Então lá dentro a pedra já tinha.

?Voz D

Eu fiquei apavorada. E quando eu fui para urinar, eu fiquei.

FPFábio Porchat

Ah, o xixi ainda saiu também de conta a boca.

?Voz D

Apavorada ligando para ele. E depois eu fui fazendo assim, parecia um chiclete.

RSRodrigo Sant’anna

Tá bom, obrigado, Fábio. Vamos encerrar por aqui. Afinal, a gente começa Vai sair pro mar te mostrar.

?Voz D

Ela tá desfazendo, deixa eu ligar pra Rodrigo. Fiquei apavorada.

FPFábio Porchat

Meu Deus do céu.

?Voz D

Eu falei, desfez. Por quê?

FPFábio Porchat

Desfez.

RSRodrigo Sant’anna

É uma novela, foi tirada.

FPFábio Porchat

Você, quando sensualizou com a Mariana— Desculpa te perguntar, só até porque o Rodrigo chegou a comentar aqui com a gente. Você mandou pra ele— O teu medo era o quê? Que tivesse vulgar, é isso?

?Voz D

É, pensei que estava vulgar.

RSRodrigo Sant’anna

Ah, pensou.

?Voz D

Aí—

FPFábio Porchat

E você mandou pra Mandou pra ele mesmo assim?

?Voz D

Mandei pra ele mesmo assim.

FPFábio Porchat

Mandou de visualização única?

?Voz D

Foi.

FPFábio Porchat

Foi, né?

?Voz D

Foi.

FPFábio Porchat

Ele te ensinou a fazer essas coisas, né? Não pode, quando é assim... Deixa eu te falar como é que manda nude pra essa hora que agora é todo mundo. Nunca com o rosto, não manda rosto.

?Voz D

Ah, tá. Não, não mandei o rosto, não.

FPFábio Porchat

Mandou sim, tava com a banana batendo foto.

RSRodrigo Sant’anna

Não, mas aqui.

?Voz D

Aqui, aqui na minha casa.

RSRodrigo Sant’anna

Ah, só que a banana escondeu o rosto dela, é uma banana. Ninguém conheceu.

FPFábio Porchat

Não manda rosto. Tem que ser visualização única.

?Voz D

Isso foi.

TMTino Marcos

Isso foi.

FPFábio Porchat

Visualização única só ajuda muito. Isso foi, isso já foi.

?Voz D

E a pessoa já morreu, então.

FPFábio Porchat

Ah, bom, então tá resolvido. Ele morreu quando ele viu esse vídeo.

?Voz D

A banana!

FPFábio Porchat

Meu Deus do céu!

TMTino Marcos

A história, essa não morre, né?

FPFábio Porchat

Essa não, essa não. Que loucura!

RSRodrigo Sant’anna

Ai, obrigado, Fábio, por ter eternizado essa história aqui.

FPFábio Porchat

Mas você sabe que não é só sua mãe que Que caminha por áreas mais cinzentas. Só que, ó, mamãe também aprontou uma gostosa com ela.

DODebora Ozório

Mas a sua mãe, olha aqui, ela veio, ela compareceu. A minha mãe quer manter uma discrição, não veio, não quis vir de jeito nenhum. Falou que ela é psicanalista, então tem toda coisa do mistério, os pacientes. Eu falei, o problema é seu, eu sou atriz, eu estou lá pra contar uma história e a história vai ser sobre você.

FPFábio Porchat

Eu encontrei com a Débora no teatro, a gente tinha ido assistir uma peça e ela tava com a mãe. A mãe dela já notificou tava escondida de mim. E aí eu falei, Débora, quem é essa? Minha mãe. Aí ela, oi, tudo bem, Fábio? Aí eu falei, a senhora não vai lá contar? Ela, não, não, não, não, não tem condição, não é, por favor, não me faça. Eu falei, não, calma, era só para perguntar. Não, não, eu tenho, eu tenho uma carreira, não é possível, não tem como.

Foi, calma, tá tudo certo. Aí chegou, já que eu falei, cadê tua mãe? Ela falou, tá em Búzios, foi embora. Porque você, que que sua mãe aprontou aí?

DODebora Ozório

Então, eu moro na rua de trás da casa da minha mãe, A gente também tem uma relação muito próxima, um diálogo aberto. E de vez em quando eu faço compras na casa da minha mãe. Quem nunca? Tipo um mercadinho de emergência.

FPFábio Porchat

Ah, você vai na casa da mãe pra roubar as coisas da geladeira?

TMTino Marcos

É uma emergência.

DODebora Ozório

Mas eu aviso, não é tão bagunçado assim. Ó, mãe, tô levando tal coisa. Ó, isso aqui não tenho em casa, vou levar. E aí tá. E aí num dia assim qualquer a gente tava almoçando e eu vi a minha mãe higienizando as saladas, as frutas com um produto que eu não tinha na minha casa. Falei, ué, que coisa é essa aí que eu não tenho? Fui dar uma olhada, falei, ah, tentar uma comoção, né? Mãe, deixa eu tirar uma foto disso aí, eu não uso isso lá em casa não, deixa eu ver para eu comprar um igual.

Bem-sucedido. Ela, filha, não precisa comprar outro não, pega ali que eu tenho um outro, você leva para você. Me indicou o local, que era a prateleira da cozinha.

FPFábio Porchat

Perfeito.

DODebora Ozório

Fui lá. E aí minha mãe, que não consegue fazer duas coisas ao mesmo tempo, que uma dá errado, eu perguntei, esse aqui? Ela, é, esse aí, esse aí, leva para você. Feliz da vida, fui embora para casa com meu produto, meu desinfetante de saladas. Chegando na minha casa, eu entreguei para Denise, que trabalha lá em casa fazendo comidas maravilhosas, e a gente tem muita intimidade, guarda essa informação. Denise trabalha na minha casa, na casa da minha mãe também, há uns 20 anos.

E eu entreguei até como algo que talvez ela já pudesse conhecer, por trabalhar na casa da minha mãe também, né?

FPFábio Porchat

Já tinha acesso a esse tipo de produto.

DODebora Ozório

Falei, Dê, para você usar, ver se é bom mesmo, se você gosta, depois você me conta. Vida seguiu. Pronto, entregou, tá entregue. Denise vai usar, vou comer salada higienizada agora, minhas frutinhas tudo limpinhas e tudo mais. Aí beleza, comendo minha salada num dia, lembrei do produto, falei, vou perguntar para Denise. E aí, Dê, você tá gostando? Usou e tal? Ela, ai, minha filha, com entusiasmo assim esquisito, eu adorei! E o Bela gostou?

Bela é meu noivo, que o nome artístico dele é Bela Rosa, e a gente chama só de Bela. E o Bela gostou? Falei, ué, gostou, tá comendo também. Eu tenho um delay para algumas coisas também. Eu critiquei minha mãe, mas eu sou um pouco igual. E aí já emenda e fazer outra coisa, não dei muita atenção. Falei, ué, tá comendo também, beleza, vida seguiu. Num outro dia eu falei, já deu muitos dias desse produto, vou perguntar se tá precisando de mais.

FPFábio Porchat

Claro, para comprar mais.

DODebora Ozório

Denise, repôr o estoque, né? Denise, e aí, tá acabando? Deixa eu ver certinho qual é o produto, tem que tirar foto para eu comprar outro. E aí ela me responde assim: já acabou faz tempo, minha filha, Marcelo não me deu sossego. Falei: Marcelo não te deu sossego? Marcelo é marido dela, não é o rapaz que planta couve, né? Aí não teve delay, né? Que não me fizesse entender que tinha alguma coisa esquisita. Eu falei, Denise, como é que o Marcelo não te deu sossego com meu desinfetante de salada? Não entendi. Que desinfetante, Débora? O que você me deu era um lubrificante.

FPFábio Porchat

Meu Deus! Calma, calma que tem muitas perguntas. Era um lubrificante íntimo?

DODebora Ozório

Lubrificante íntimo.

FPFábio Porchat

Meu Deus, a sua mãe tava desinfetando alface com jonté, com KY? O que que era isso?

DODebora Ozório

Eu procurei não ter essa resposta assim. Eu sei que o lubrificante dela estava na cozinha, né?

FPFábio Porchat

Esse é o segredo da comida de mãe, sabia? É por isso que a farofa fica mais puxa. O lubrificante da sua mãe tava na cozinha?

DODebora Ozório

Tava na cozinha. Aí eu peguei, eu perguntei: é esse?

FPFábio Porchat

Mas você não viu escrito nada?

DODebora Ozório

Não, era era muito semelhante assim com que ela tava usando na hora. Eu não sei se ela tava na hora usando um outro lubrificante ou se era um lubrificante de salada, mas era semelhante. Falei, ah, é esse? Eu não li nem nada, só entreguei para Denise. Ainda bem que a Denise leu, né? Porque ela passou no lugar certo.

FPFábio Porchat

E a Denise, quando recebeu, não estranhou assim? Por que que Débora tá me dando negócio para eu trabalhar?

TMTino Marcos

Presente, talvez.

DODebora Ozório

Eu deixei junto assim, falei, dê o produto aí, não sei o quê, tá aí. Ali e passou batido. Assim como eu deixo tudo separadinho do que ela vai usar, já botei ali e acho que ela mesma identificou.

TMTino Marcos

Ela mesmo pode usar à vontade.

DODebora Ozório

Ela também, que ela foi inteligente o suficiente para ler e falar: então tá. Como a gente tem muita intimidade, eu acho que ela nem estranhou de talvez eu tá dando um lubrificante para ela usar em casa.

FPFábio Porchat

Agora é uma maravilha porque ela pergunta: e como é que tá o Bela? E tá comendo muito. No caso, nem estava. A gente nem tava... Que coisa maravilhosa!

DODebora Ozório

E nisso, quando a gente entendeu que tinha uma falha, um desvio no caminho, eu falei, peraí, eu vou ligar pra raiz do problema, minha mãe. Mãe, Denise tá falando que aquele desinfetante de salada era um lubrificante. Meu Deus, Débora, estou procurando meu lubrificante faz dias. Você deu pra Denise? Eu falei, não, não, não, não.

FPFábio Porchat

Você me deu um desinfetante de salada Eu dei isso pra Denise.

DODebora Ozório

A gente não sabe, eu não quis perguntar, falei que também não queria imaginar muito, porque, né, desse desencontro assim, desse produto tá na cozinha. Minha mãe tem essa coisa, né, assim, a gente tem um diálogo muito aberto, assim como você, mas não ao ponto de eu querer saber detalhes.

FPFábio Porchat

Não, mas assim, eu também não queria saber não, tá? A gente tá com uma pessoa entendida aqui. Dona Ana, lubrificante, como é que é? Que coisa maravilhosa isso! É um sonho, porque se ela tivesse lavado alface com lubrificante também ia ter sido mais fácil de engolir.

DODebora Ozório

Algum efeito, né?

FPFábio Porchat

É uma coisa confusa de falta de atenção, mas você tá de frente com o rei da falta de atenção. Quer dizer, é falta de atenção? É, o que que é isso que você tem, Tino?

TMTino Marcos

Rapaz, eu acho que eu me autobatizei uma síndrome de bloqueio geográfico. Ficou chique, né? Ou seja, desorientação, desnorteamento, perdido. Cara, eu não sei como eu sobrevivi como jornalista durante tanto tempo viajando pelo mundo todo e tal, porque, cara, eu confesso que realmente sou muito perdido. Se você me soltar aqui do estúdio, não tenho a menor ideia como é que volta para camarim, como é que sai, como é que não sai. Eu preciso ir muitas vezes ao mesmo lugar para entender e tentar voltar.

FPFábio Porchat

Mas tipo, o que que já te aconteceu assim?

TMTino Marcos

Assim, por exemplo, quando a minha filha mais velha tinha 3 anos, a gente foi para Orlando, nos Estados Unidos, e lá a gente, antes de ir para Orlando, a gente passou em Miami. E Miami tem aquelas Key West, aquelas ilhazinhas em volta de Miami, que a gente foi passear e ver. E aí a menina andando, não sei o quê, começa a gritar. A gente viu que ela tinha sido atacada por uma caravela que é aquela água-viva gigantesca. Cara, quando eu peguei ela no colo, só de pegar eu me queimei, saímos correndo para o hospital, não sei o quê e tal. Cuidamos dela.

FPFábio Porchat

Era mesmo a tua filha? Era, né? Que eu não sei se você já tá tão confuso.

TMTino Marcos

Achei o hospital, mas enfim, nós ficamos lá. Laura não melhorou muito e tal. A gente resolveu antecipar a volta para o Brasil. Então a gente tinha que voltar de Orlando para Miami de carro. Tava de carro e assim fui e tal. Isso era 1990 e final dos anos 90, não tinha GPS, não tinha nada disso não. Então eu ia me baseando pelo que os mapinhas de papel e pela sinalização na estrada e tal. E a gente ia, ia, falou, tá chegando já, já estamos com tempo para chegar.

E comecei a seguir aquelas plaquinhas de aeroporto, né, que tem quando você vai entrando, vai, segue a plaquinha, segue a plaquinha. Fui seguindo, cheguei no aeroporto bonitinho, direitinho. Entramos com o carro na locadora, deixei o carro na locadora, dei baixa. Peguei aquela van que vai pro aeroporto, chegamos no aeroporto com as nossas malinhas, a Laura ali e tal. Onde é que o check-in? Onde é o check-in? Mas qual empresa, né?

Porque era a VASP, era a empresa que nem existe mais. VASP? Yes. VASP? Não conhecemos. VASP não voa nesse aeroporto. Como assim? Tá aqui na minha passagem. Cara, sua passagem é de Miami. Isso aqui não é Miami? Não, cara, você tá em Fort Lauderdale.

FPFábio Porchat

Ah, você foi para outra cidade de carro?

TMTino Marcos

Outra cidade, Fábio.

FPFábio Porchat

Meu Deus, Tino, você tava indo para Miami e resolveu passar em Bauru?

TMTino Marcos

Não, pois é, não, como se tivesse chegando em, digamos, tivesse um aeroporto. Eu tô vindo de São Paulo, tem um aeroporto, sei lá, em Volta Redonda. Aí eu entrei em Volta Redonda e ali, e ali, cara, e agora? Aí negociei e tal, voltei, peguei a van de volta para locadora. Agora, peguei um carro e aí conseguimos chegar em Miami. A sorte é que eu sou perdido, mas eu sou muito precavido.

FPFábio Porchat

Você chegou com 2 dias de antecedência, já sabendo que ia dar merda. Vamos nos antecipar aqui.

TMTino Marcos

E a gente acabou não perdendo o voo. Isso foram muitas histórias assim. Depois, trabalhando também, tive muitas, né? Tem um cinegrafista, um repórter cinematográfico, que foi assim tipo meu parceiro de vida e tal, Álvaro Santana. Ele tá até hoje na Globo, cara, é um monstro até filmando. Só que o Álvaro é pior do que eu, cara. Meu Deus, pior, pior. E aí uma vez, por exemplo, a gente tava voltando lá no início, assim, 1989, eliminatórias da Copa do Mundo, Brasil e Chile em Santiago.

Santiago, o Chile ainda era uma ditadura, tinha um general Pinochet e tal comandando o país, tinha toque de recolher, era um esquema meio assim. E a gente mandava as matérias e voltava voltava para o nosso hotel à tarde da noite, 11 horas da noite assim, depois de mandar. E tinha que ir numa emissora local para mandar e depois a gente ia para o hotel. Quando estava chegando, procurando o hotel, os dois perdidos ali pelo centro, porque a gente tava na área central de Santiago, o Alvinho falou assim: é aqui, Tino!

Aí eu entrei correndo assim, o carro deu até uma cantadinha assim de pneu assim, entrei e tal. Cara, quando eu olhei, veio um batalhão assim de soldados, de de tudo quanto é jeito. Nunca tinha visto uma bazuca na minha vida.

FPFábio Porchat

Bazuca?

TMTino Marcos

Bazuca, aquele negócio aqui assim em cima. Fora, fora, fora! E a gente saiu do carro e o Alvin tinha aquela barba assim, aquela coisa fechada assim, e o cara foi aquela cara de terrorista, de sei lá, de guerrilheiro, né? Fora, fora! Mão em cima do carro. E quando eu boto a mão em cima do carro assim, eu olho pra cima assim, eu olho assim, era o Palácio do Governo, era o Palácio de La Moneda. Ah, vocês estavam invadindo o Palácio do Pinochet!

FPFábio Porchat

No meio de uma ditadura, o cara invade o palácio do—

TMTino Marcos

Eu nunca esqueci a frase.

RSRodrigo Sant’anna

Se fosse comunidade, provavelmente eu tirava.

TMTino Marcos

Eu nunca esqueci a frase do cara. O cara falou, 5 metros mais e te metia balaço. O cara falou, mais 5 metros eu já ia atirar.

FPFábio Porchat

Claro que você sabe que não podia ser um terrorista.

TMTino Marcos

Os caras já viviam com medo de ataque e tal. Então sobrevivi. Aí mostrei lá, não, a gente tá no hotel tal, que é aqui na rua do lado, não sei o quê. O cara olhou o passaporte, jornalista, câmera. Tá bom, vai, mas ó, fica atento, tá?

FPFábio Porchat

Podia ter morrido mesmo, Tino.

TMTino Marcos

Ficamos assim e tal. Que loucura! Aí eu acho que eu tenho um santo que me ajuda, porque não é possível, cara. As coisas acontecem, cara, e eu me safo, a gente se safa nessas situações.

FPFábio Porchat

Um santo que ajuda e um demônio que te atrapalha.

TMTino Marcos

Você é um cara que procura E assim a gente embarcou e afinal deu tudo certo. Teve outra, por exemplo, com a minha mulher, com a Virgínia, a gente tava indo pra Bahia de carro.

FPFábio Porchat

E aí a gente— Você não pode viajar pra lugar nenhum de carro.

TMTino Marcos

Pô, mas 101 é direto, 101 é direto, não tem erro, cara. Pô, você vai, dá tudo certo. Só que aí paralelamente, quem já viajou por ali sabe, tem um negócio chamado Picadão da Bahia, que era uma plantação enorme de eucalipto, você perdeu de vista.

FPFábio Porchat

Picadão da Bahia, conhece, Rodrigo?

RSRodrigo Sant’anna

Eu conheço mais de São Paulo.

TMTino Marcos

E aí falei, pô, vamos entrar. Tinha um Jeep na época, né? Vamos entrar por ali para curtir por dentro, passando as estradinhas de chão e tal, vendo as árvores e tal. E entramos, cara. Claro que a gente se perdeu loucamente ali, a gasolina querendo acabar, até que aparece um carro. Graças a Deus, eu não sei o quê, paro. Aí para o carro, o cara olha Tal. Tino Marcos, beleza, eu tô pedindo, me ajuda, cara, sair daqui para casa. Cara, tá tendo um churrasco maravilhoso ali na fazenda do fulano, não sei o quê, vamos para lá comer um churrasco.

Falei, meu irmão, eu preciso viajar, que eu preciso chegar hoje, que eu tenho compromisso, eu tenho tudo marcado, não sei o quê, eu não posso ir. Eu te agradeço muito, só me indica, por favor, como é que sai. Que isso, meu irmão, tu vai, não sei o quê. Eu falei, não vou. Vai. Não vou. Não sei o quê. Puxa, foi Ficando, o cara ficou puto comigo. O cara falou assim, ah é, você não vai no churrasco? Que isso, cara, eu não posso ir. Boa sorte, amigo. Bateu a porta e foi embora.

RSRodrigo Sant’anna

Não tá certo, tá certo. Ah, recusar um churrasco, pô, tinha hora. Tipo, churrasco no Picadão, que isso?

FPFábio Porchat

Não é certo.

TMTino Marcos

De noite, porque a possibilidade de se perder é maior ainda, né? Então, cara, mas eu sou assim, eu, elevador do— bom, final que eu acabei conseguindo voltar mais uma vez, consegui me safar.

FPFábio Porchat

Você tá aqui, né?

RSRodrigo Sant’anna

Mas esse negócio de esquecer é muito maluco, porque eu tô morando em São Paulo, eu tava cortando o cabelo, e aí eu gosto de andar pirando lá porque eu não conheço a cidade toda e tal. Aí eu fui cortar o cabelo, parei meu carro na frente da barbearia e fui cortar o cabelo. Aí cortei, eu saí, falei assim, ah, eu quero andar, vou para casa E fui pra casa. Quando eu cheguei, meu marido falou, Rodrigo, cadê teu carro? Eu falei, cacete, eu esqueci.

FPFábio Porchat

Você tinha ido de carro e voltou de—

RSRodrigo Sant’anna

Deixei o carro lá. Aí eu tive que voltar lá pra pegar meu carro e ir pra casa.

FPFábio Porchat

Nesse programa a gente ouve histórias de todo tipo. Tem a banana da tua mãe, tem a alface da tua. Tino, comeria essa alface? Não perceberia que tava acontecendo?

RSRodrigo Sant’anna

Achando que era uma banana?

FPFábio Porchat

A vingança é um prato que se come gelado, se depender da Luciana. Como é que você tá? Tudo bem? Você que é isso, hein?

LLuciana

Gente, não tente isso em casa, por favor. Eu não sou essa mediana à toa.

FPFábio Porchat

Não, calma, vamos lá que eu acho que o povo vai te dar razão.

LLuciana

Então vamos lá. Então, há um tempo atrás, eu tinha um relacionamento meio tóxico, meio Bonnie e Clyde, aquelas coisas assim. Enfim, não tava muito bom. Cheirinho Bão. E a gente tava desconectando e eu tinha, nós tínhamos clientes em comum. E eu tinha umas amigas que me ajudavam muito naquela época. E essa pessoa chegou num determinado momento e falou assim, eu tô ficando muito, muito sozinho e eu precisava de um cachorro. Aí uma cliente minha veterinária falou assim, tô entendendo.

Eu falei assim, também não tô entendendo. Ah, eu quero um cachorro, quero um cachorro, quero uma cadelinha pequena, tal, não sei o quê. Ela falou assim, eu vou arrumar um cachorro, só que eu vou arrumar um cachorro porque eu sei que quem vai cuidar vai ser você, porque não tô entendendo qual é a dele.

FPFábio Porchat

Aí ele tava sozinho que nem um cachorrinho, sozinho, abandonado. Passou mais um tempo, ela apareceu com um pingente de 400 gramas, um negocinho, uma coisa linda, aí uma banana.

LLuciana

Quando eu olhei, eu falei assim, caraca, me apaixonei perdidamente pelaquela coisinha, né? E aquela coisa toda, tipo guarda compartilhada, né? Ficava na casa de um, na casa de outro. A gente era namorado na época, mas não tava legal.

FPFábio Porchat

Mas ainda estavam juntos naquele jeito, né? Ficava um pouquinho na casa dele, um pouquinho. E ele gostou da cachorrinha?

LLuciana

Gostou, todo mundo gostou. Só que ele tava estranho. Passado uns dias, ele terminou comigo. Eu falei, caramba! O que tá acontecendo? Só que a cachorra, como é que faz com a cachorra agora? Eu já tava agamada na cachorra. Exatamente, nós morávamos no mesmo prédio, porta com porta, e ele vetou o acesso meu à cachorra. Aí eu falei, putz, mexeu com a pessoa. Aí ele terminou e ficava assim, não ficava em casa, aquela coisa toda, cachorra chorando, eu escutando.

Eu falava, meu Deus, o que eu faço agora? E eu comecei a ficar louca, louca, louca com aqueles pensamentos intrusivos. Eu falei assim, o que que eu faço agora? E eu fiquei sabendo que ele ia fazer uma viagem e uma pessoa falou assim, aqueles passarinhos, né? Ele vai dar essa cachorra para outra pessoa.

FPFábio Porchat

Isso é um passarinho, isso é um falcão.

LLuciana

Eu enlouqueci, ele vai dar a cachorra para outra pessoa, para outra pessoa. Eu falei, mas não vai, não vai, mas não vai mesmo. Eu só pensava nisso dia e noite. Louca. Aí eu cheguei para ele e falei assim, fulano, não pode falar, vamos chamar o nome, a lenda, a lenda, a lenda. Nós apelidamos ele de a lenda, lenda, a lenda. Aí eu falei assim, a lenda, você vai passear, cachorrinha tá ficando sozinha, ele é muito neném, neném, tinha meses, e deixa ela comigo.

RSRodrigo Sant’anna

Claro.

LLuciana

Aí ele não. Eu falei, deixa ela comigo porque eu vou cuidar bem. Ele falou assim, olha só, você vai botar ele em cima da cama, em cima do sofá, fica me manda cachorra, eu não quero, eu não gosto de bicho com cheiro, né? Eu falei assim, vai tranquilo. Aí ele foi e deixou a bichinha aos meus cuidados. Eu não me lembro bem porque já tem um tempinho, né? Acho que foi quinta, sexta, sábado, domingo e segunda. Viagenzona dele, tipo datezão, né?

E aí eu tava num date maneiro, né? E eu lá, né, com a cachorra. Eu falei assim, essa cachorra vai ser minha. E assim, a cachorra lá e sozinha Aí, né, cuidei dela. Só que eu juntei cocô, xixi, tudo que você possa imaginar que um cachorrinho bebê faz, aqueles cocôzinho ruim, né, aquelas coisinhas. Quando foi na segunda-feira, eu falei assim, vou ter que devolver a bicha, né, infelizmente. Aí eu tive a brilhante ideia, eu falei assim, Deus não vai me castigar por isso, porque era, eu tinha que, né, catar refém para mim.

Aí apartamento aberto, fui lá com um saquinho de cocô, com um saquinho de, né, com xixi dele. Dele e não tinha ninguém em casa. Eu não consegui trabalhar nesse dia, eu não conseguia fazer. Olha, pressão altíssima, né, hipertensa. E eu falei assim, vamos lá. Peguei uma tesourinha, cortei o cocô todinho, aí joguei atrás da cama, debaixo do sofá, atrás da geladeira. Fui jogando, jogando, jogando. Ai, caraca, eu vou ficar morta agora.

Aí fui jogando, jogando. Aí peguei o tapetinho higiênico, rasguei. Apartamento aberto, não tinha porta na cozinha. Virei sal, virei Ali e falei assim, a cachorrinha tinha 3 meses, gente.

FPFábio Porchat

Meu Deus, ela abriu o freezer, a cachorra, tirou o sorvete.

LLuciana

Ela tinha 460 gramas.

FPFábio Porchat

Meu Deus, ela era um pacote de salame.

LLuciana

Era um teste, né, cachorra, né? Fez tudo isso. Eu voltei.

FPFábio Porchat

O que mais você fez na casa dele?

LLuciana

Calma que eu tô chegando lá.

?Voz D

Até lá.

LLuciana

Quando eu voltei em casa, eu falei assim, eu deixei a bichinha lá sozinha na casa dele, na casa dele, claro, para parecer que foi ela que fez. Isso, é claro. Aí eu falei assim, cara, não tá bom ainda, não tá suficiente, porque eu queria que ele me desse a cachorra, entendeu?

FPFábio Porchat

Tanto ela que ele faz, fica logo só.

LLuciana

Vai matar a cachorra, vai jogar pela janela. Tinha um telhado de zinco do lado. Eu falei, alguma coisa vai ter que, né, alguma coisa de bom vai ter que acontecer. Acontecer. Aí eu peguei uma faquinha de serra, essas assim que não pode falar, né, a marca, né, que as faquinhas que corta, corta legal, né, corta pão. Aí eu voltei no apartamento dele e ele tem um item na casa dele, tinha, eu não sei, que ele amava, que era o sofá, sabe, aquele sofá assim da cor assim do seu casaco. Era um sofá lindo, era o Totem, né, aquele sofazão maneiro.

FPFábio Porchat

Tu foi direto no sofá?

LLuciana

Eu fui no sofá e eu fiz um talho em cima.

FPFábio Porchat

Você é uma mulher ruim, sabe?

LLuciana

Vocês vão me ajudar numa boa causa.

FPFábio Porchat

Você fez um talho no sofá.

LLuciana

No sofá?

DODebora Ozório

Como?

LLuciana

Olha só, você vai me entender.

FPFábio Porchat

Aí eu falei assim: eu tô achando que você que cagou na casa, não foi nem o cocô da cachorra. Ela tá toda incentivada a fazer e ela tava agachada mijando aqui, ó.

LLuciana

Fiz um talho no sofá e achei bonitinho. Eu falei assim, pô, um cachorro tiraria o miolo. Aí tirei o miolo, tirei o miolo. Aí eu peguei a faquinha e fui nos móveis dele, fui dando aquelas raladinhas de dentinho de cachorro, né?

FPFábio Porchat

Você foi fodendo móvel por móvel.

LLuciana

Quando você tá tomado de ódio, você não pensa, gente, você não pensa, não raciocina. Aí eu falei assim, agora ficou Ficou bom. Aí fechei a porta. Meu filho chegou em casa, eu falei assim: abaixa tudo, abaixa o som. Ele: tá maluca, mãe? Aí contei para ele, meu filho ficou apavorado.

FPFábio Porchat

Claro, ele viu a mãe que tinha, que a mãe dele fosse fazer isso. Só seu psiquiatra que pensou nisso.

LLuciana

E assim, né, enfim. Aí quando alguém passava no corredor, a luz acendia. Ela tava esperando para ver quando ele chegava, porque tinha que ser no calor da emoção. E eu fiquei ali tipo uma meia hora na porta, assim, na brecha da porta. Aí ele passou. Quando ele passou, parecia uma assombração assim. Eu falei, agora deve ser meio-dia e meio, mais ou menos. Eu tava suando assim, sabe? O coração batendo assim na cabeça. Aí só escutei ele assim, meu Deus! Pode xingar?

FPFábio Porchat

Pode. Caralho!

LLuciana

E ele não xingava, sabe? E ele, porra, caralho! Aí eu abri e falei, o que foi, Lenda?

FPFábio Porchat

Aí ele, toma!

LLuciana

Essa merda pra você, acabou com a minha casa. Aí veio a bichinha, a cama, o cartão, a comida, tudo, potinho. Aí eu peguei.

FPFábio Porchat

Você falou, ah, eu faço essa boa ação.

LLuciana

Eu falei, ela não pode ficar sozinha, porque um bichinho sozinho faz isso.

FPFábio Porchat

Faz um monte disso.

LLuciana

Ele rasga as coisas.

FPFábio Porchat

Uma bichinha sozinha também faz. Ficou com a cachorrinha?

LLuciana

Fiquei, ela é linda. Hoje ela tem 3 anos, ela é super bem cuidada, é a rainha da casa.

FPFábio Porchat

Tinha que ter trazido ela. Você trouxe? Cadê? Deixa eu ver.

LLuciana

Eu acho.

FPFábio Porchat

Como é que ela chama, a cachorrinha?

LLuciana

Moana.

FPFábio Porchat

Moana? Tinha que chamar Stitch, né?

LLuciana

É, o Stitch.

FPFábio Porchat

Vem aqui, vamos ver a cachorrinha. Deixa eu ver essa cachorrinha. Vem aqui, Li, traz ela aqui, ó. Muito mini, olha! Ela é braba, não?

LLuciana

Não.

FPFábio Porchat

Ela só quebra sofá dos outros, é isso?

LLuciana

Ela só raja o sofá.

FPFábio Porchat

Ai, meu Deus, Moana, coisa má! Eu tô com um certo medinho, porque vai que ela... Se ela puxou a mãe, ela arranca meu nariz, entendeu? Ô, meu Deus! Foi um evento pontual. Foi um evento pontual. E ela é comportada hoje em dia?

LLuciana

Ela é muito comportada, nossa! É mesmo? Ela trabalha, ela vai no meu trabalho, fica lá sentadinha nas clientes. Ela só não gosta que sentam numa poltrona. Tem uma poltrona que é cativa dela, entendeu? Então ninguém pode ir.

FPFábio Porchat

Imagina, Moana, adorei você, viu? Ainda bem. Que mais? Que outras coisas que sua mãe botou na tua conta aí? Você acha que se ela deixar aqui, ela se comporta? Fica aqui bonitinha? Não vai roer o pessoal não? Então tá bom, senta aqui bonitinha pra ela ouvir a minha história de milagre. Eu sou um pouco esquecido também, e meu amigo foi casar e eu era padrinho. E tinha o tal do— não era revelar, como é que se fala? Chá de panela.

Aí tinha o chá de panela. Aí o chá de panela, todos os padrinhos e madrinhas iam estar lá pra dar presente e tal. E uma das madrinhas ficou responsável por organizar isso. E eu entendo que deva ser bem chato organizar esse tipo de coisa, porque você tem que ligar pra todos os padrinhos, e era aquela coisa meio 10 padrinhos e 10 madrinhas, então uma coisa meio cheia. Tô dando razão pra moça. Eu vou chamar ela de Maria. E aí Maria tinha organizado tudo isso e me ligou: Fábio, então vai ter o chá de panela aqui na quarta-feira em São Paulo.

Só que eu moro no Rio. Eu falei pra ela: Poxa, não vou poder ir. Ela: Ah, que pena e tal. Ela falou: Mas a gente tá coletando aqui R$200 de cada padrinho pra gente comprar umas coisas. Eu falei: Lógico, conta comigo pra organizar a festa, tá tudo certo. Perto. Ela, então tá bom, se você puder depositar na minha conta R$200 que eu tô cobrando todo mundo. Claro, claro, não vou poder ir, mas tô dentro. Beleza. Evidentemente esqueci de Maria, esqueci dos R$200, nunca mais fui.

Semana seguinte liga Maria, Fábio, pô, a festa foi um sucesso, foi muito legal, sentimos sua falta. Pois é, coisa boa. Bom, se você puder depositar os R$200 que eu sei que você deve estar com a cabeça cheia de coisa. Falei, lógico, imagina, te peço perdão, vou depositar ainda hoje, fica tranquilo. Só que isso aí é muito tempo, Não tinha app do banco que você transfere. Então eu tinha que ir no banco. E eu, não, vai ser mais chato, mas tudo bem, lógico, tem que fazer.

Esqueci. Passou 3 dias. Fábio, Maria, como é que tá? Maria, me perdoa, esqueci dos teus R$200, perdão. Eu vou no banco hoje, vou fazer na boca do caixa, vou depositar lá. Pô, por favor, que só tá faltando você. E a gente organizou tudo aqui, eu tô precisando pagar não sei o quê, e tá faltando. Não, lógico, Lógico, fica tranquila comigo. Bom, eu, Maria, mais uma vez foi esquecida completamente. Abandonei Maria, segui minha vida. 2 dias depois, Maria já não estava mais de bom humor.

Maria me manda uma mensagem assim: e aí, vai pagar ou não? E Maria, perdão, eu tô gravando, esqueci. Ela não me importa, preciso desses R$200 pra pagar o pessoal. Falei: deixa comigo, Maria, vou pagar, fica tranquila. Esqueci de pagar, logicamente. Deu mais um dia, Maria já me manda: quem tem filho grande é elefante. Você trate de pagar esse dinheiro, porque agora tá ficando chato pra você. Virou uma dívida, virou uma dívida de agiota.

Ela com a minha mãe com martelo: vou bater no joelho dela. E aí ela falou: eu preciso desse dinheiro, você não está pagando, isso é um desrespeito, uma falta de respeito com todo mundo. Comigo que tô organizando. É muito complicado. Eu vi que ela tava exaltada, exaltada, principalmente porque ela pesou nas costas dela. Tem gente que não me pagou, que só foi me pagar hoje. Você foi o que sobrou, é o último. É um absurdo uma coisa dessa.

Por que que você faz isso comigo? Não pode ser assim. Eu falei, calma, Maria, vai dar tudo certo. Ela não aguenta mais. Calma, já tá 3 semanas dizendo que você vai pagar e não pagou, e não é assim que funciona. E aí ela mandou assim, você que é uma pessoa pública, deveria ficar constrangido disso, vai que vaza essa história, vai que as pessoas sabem, e começou mesmo a me ameaçar. Aí me pegou. Aí eu falei, Maria, sua puta, calma. Aí calma.

LLuciana

Aí...

FPFábio Porchat

Segurou. Falei, Maria, deixa comigo, você me pague amanhã ou a gente vai precisar dar um jeito nisso. E aí eu que tava dando razão pra Maria, ela tinha razão, 100%, mas quando ela veio com um tonzinho acima, eu falei, agora eu quero que ela morra. Eu falei, eu vou pagar, vou pagar sim. Peguei R$200, fui no banco. Aí eu fui no banco, mas não fui em um banco não, fui em vários. Eu peguei R$200 em dinheiro e fui e falei, eu quero tudo em moeda de 1 centavo.

E no banco não tinha 2.000 moedas de 1 centavo, 20.000. Aí eu fui num banco, eles me deram Me deram 500 moedas. Aí fui no outro, eu fui, tirei o dia para isso, né?

DODebora Ozório

Maravilhoso!

FPFábio Porchat

Eu tirei o dia para isso. Eu fui de banco em banco pegando moedas de 1 centavo, juntei numa caixa R$200, uma caixa grande, pesadíssima, embrulhei, fiz um embrulho bonito, laço, laçarote que Papai Noel ficaria com inveja, bonito, e escrevi um do seu elefante preferido, Fábio Porchat, pode contar, tem aí R$200. Deixei na casa dela numa caixa gigante com muita moeda, deixei e queria ter só ouvido o gritinho de filha da puta! Deixei bonitinho pro porteiro e falei, eu preciso entregar pra Maria.

E aí você vê como a covardia do ser humano, que ele falou, Maria tá aí, quer entregar? Eu falei, não, não, não, não quero não, quero deixar Eu ia deixar na portaria pra ela. Ele falou, então eu vou ligar pra dizer que tá aqui. Eu falei, liga! Saí correndo, entrei no carro e fui pra Botucatu. E deixei lá a caixa e Maria recebeu. Maria recebeu e não se falou mais isso. Até que chegou o dia do casamento. E no dia do casamento... Essa história, meus amigos todos acharam divertidíssimo.

As amigas da noiva, menos. E Maria estaria lá. Então estava prometido um grande encontro.

TMTino Marcos

E você nem sabia quem era Maria?

FPFábio Porchat

Nunca tinha visto Maria na minha vida.

TMTino Marcos

Não sabia se era alta, baixa?

FPFábio Porchat

Queria saber se Maria existia, se era alguma grande ficção. E era o grande encontro de Maria com o Dumbo. E aí chegamos na festa, e aí Maria sempre num canto e eu no outro, e os amigos, vai lá, vai lá falar com a Maria! E as amigas da Maria, vai lá falar com o padre! Passamos o casamento inteiro nos evitando, sem olhar, sem falar. Só que casamento, você vai tomando um negócio, aí vai brincando, aí vai rindo, aí bebeu, aí shot, aí vira shot, daqui a pouco Maria já tava mais perto.

Eu já tava mais perto de Maria, e a música tocando, e daqui a pouco... A versão de perigo do Titanic. Toma mais shot, daqui a pouco Maria já mais pertinho aqui! Eu já mais pertinho aqui, daqui a pouco... Sabe aquele levanta e faz Maria? Maria tava aqui meio de costas, eu já tava aqui, a gente se olhou, e era o momento da briga. E aí eu olhei pra Maria, Maria olhou pra mim, a gente... Porra, Maria, caralho! E começamos a dançar numa alegria.

Maria é amor. Eu amei. Fizemos as pazes bêbados, momentâneos. No dia seguinte, acordei, liguei pra um amigo meu e falei, pô, fiz as pazes com Maria. Não queria responder. Maria não se lembra de nada e continua puta. Porque aquilo foi um momento do álcool que enlouqueceu Maria. Maria até hoje não fala comigo direito. Mas o que aconteceu? Eu me vinguei. Eu lavei a alma de uma coisa que a culpa era minha mesmo. Mas eu fiquei com ódio, porque a pessoa veio com esse Ah, pô, esquisito.

DODebora Ozório

O tom de ameaça também, né, faz a gente reagir.

FPFábio Porchat

Mas eu entendo Maria, porque Maria ficou cobrando de 20 padrinhos: deposita R$200.

RSRodrigo Sant’anna

Ela tem, mas ela tem a razão, na verdade.

FPFábio Porchat

Maria, eu te amo, Maria! Me perdoa, Maria, eu faço publicamente, pedindo perdão.

TMTino Marcos

Ou seja, juntamos o esquecimento com a vingança, né?

FPFábio Porchat

Tudo no mesmo pote. Quero saber a primeira lembrança que vocês têm da vida.

TMTino Marcos

Rapaz, acho que eu lembro a primeira coisa, eu morei na Espanha quando era pequenininho, minha família é de lá. E quando eu voltei pro Brasil com 5 anos, eu não sabia mais falar português, assim, eu só falava espanhol. E o que eu lembro é dos brasileiros estranhando o gringuinho, não entendo nada que ele fala, todo lugar que eu ia. É a primeira assim que me vem à cabeça, tinha 5 anos.

FPFábio Porchat

De ninguém te entendendo.

TMTino Marcos

Ninguém entendia aquele gringozinho de 5 anos.

RSRodrigo Sant’anna

Rodrigo? Acho que a escada da comunidade onde eu morei, assim, a sensação de ser lá de baixo, olhar e falar, puta, vou ter que subir isso tudo.

DODebora Ozório

Eu me lembro muito que eu fiquei muito tempo na minha infância com a minha avó assim, e a gente organizava o dia para na hora do programa da Hebe tá assistindo. E aquela gargalhada dela me impressionava muito, e eu ficava assim, vovó, eu sei também, ó. Eu gargalhava, falava, agora eu vou chorar. Aí eu brava. Agora eu vou rir de novo. E aquilo divertia a minha avó, lembro assim da gargalhada da Hebe e da minha avó.

TMTino Marcos

Boa, boa!

FPFábio Porchat

Vamos sortear aqui uma pergunta. Que isso, uma fruta? Dona Ana, ficou bom assim? Não, tá ótimo. Vocês podem dizer aí Passou no teste. Você acha que se eu fizer assim com a mão? Pera aí, vem aqui. É isso que dá sensualizar com o Rodrigo, ele fica já—

RSRodrigo Sant’anna

Ah, fiquei com tesão próprio. É pra gente transar, mano.

FPFábio Porchat

Que filme que você gostaria de ter feito? Qualquer filme do mundo?

RSRodrigo Sant’anna

Ah, Cidade de Deus, eu.

FPFábio Porchat

Pô, legal! Cidade de Deus.

DODebora Ozório

O que eu fiz teste semana passada, que eu tô esperando o resultado, é Casa de Areia, para fazer filha da Fernanda Montenegro na ficção e na vida real.

RSRodrigo Sant’anna

Boa, gostei!

DODebora Ozório

Fernanda Torres, cara.

TMTino Marcos

Um filme que eu acho que talvez os mais novos nem se lembrem, mas marcou demais, eu vi muitas vezes, que era Laranja Mecânica.

RSRodrigo Sant’anna

Boa, muito legal!

FPFábio Porchat

Vamos aqui. Aí morreu, morreu, chegou no céu. No céu tem tudo, amigo, família, gente querida. Mas o que que precisa ter no céu, senão você nem entra?

RSRodrigo Sant’anna

Fofoca.

FPFábio Porchat

Fofoca. Tem que ter um anjo Gabriel ali, tu viu, tu viu o Michelangelo ontem? Tá enlouqueceu.

TMTino Marcos

Fofoca é bom demais.

FPFábio Porchat

Fofoca é bom, Tino.

TMTino Marcos

Eu gostaria muito de ter um tabuleirinho de xadrez com um parceiro ali na frente.

FPFábio Porchat

Ah, tu é de xadrez?

TMTino Marcos

Eu gosto muito. Sou pangarezinho ruim, mas A gente chama assim, mas eu adoro. Legal.

DODebora Ozório

Acho que casaco. Eu sou uma pessoa muito friorenta, então lá deve fazer friozinho, bate vento.

FPFábio Porchat

Casaco, casaquinho, para não gripar, né, menina? E para terminar, o que que vocês querem escrito na lápide de vocês?

DODebora Ozório

Eu sei: não há mal que sempre dure, nem bem que nunca se Olha, meses atrás eu fiz um vídeo na internet brincando com desemprego.

TMTino Marcos

O pessoal achava que eu tava quebrado. Então, nesse sentido, eu vou dizer que a minha lápide poderia ser: e vocês achando que eu não tinha onde cair morto, hein?

RSRodrigo Sant’anna

Ah, eu acho que é: queria ter uma frase bonita para escrever, mas acabei vivendo antes.

FPFábio Porchat

Nossa, top!

TMTino Marcos

A galera aqui é filosofia pura, né?

FPFábio Porchat

E viveram mesmo, e vivemos muito, vivemos nesse programa que ele vai acontecer, ele foi envolvendo a gente entre bananas, lubrificantes e bazuca. Quando vê, Acabou. Eu vou ter que despedir do pessoal, vocês acreditam? Não, mas semana que vem tem mais Que História É Essa pra você. Não sai daí, fica ligado até lá.

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