Fernando Pedrosa + Clarice Falcão + Augusto Madeira
- Propósito do CasamentoCasamento na praia do Preá · Kitesurf · Comunidade judaica e católica · Corredor polonês · Padre casado
- Intercâmbio no exteriorPersonagem Emo · Viagem para Oxford · Caranguejo Guayamum · Mordida de macaco · Vacina antirrábica
- Pedro Henrique e o amor proibidoSauna gay · Golpista do Pix · Padre da paróquia de Curitiba · Corpus Christi
- Equipamento de filmagemUniforme de policial · Surra em gravação · Trem da CPTM · Viatura cenografada · Datena ao vivo
- Carreira e Realização PessoalIrmão jogando água · Carro escorregando · Bebê na balança do supermercado · Angélica · Moulin Rouge · Clint Eastwood
- Perguntas de ouvintesPalavra favorita: taciturno · Palavra favorita: rebuceteio · Lápide: intercâmbio eterno · Lápide: aqui jaz um colosso
E aí, minha gente, eu sou o Fábio Porchat e esse é o podcast do meu programa no GNT. Aqui, que história é essa, Porchat? Eu ouço e conto também histórias curiosas e divertidas da vida das pessoas. Seja anônimo, famoso, não importa. O que importa é ter uma boa história. Cheguei! Pode chegar você também. Vem com tudo que eu tô te lindo hoje. Sim, sim!
Vocês sabem que a minha memória é péssima, mas é que assim, quando ela falha, é aquilo de constrangimento. Sabe quando você esquece o nome daquele teu colega de colégio que te encontra na rua? Ele te chama pelo teu nome, sobrenome, sabe o nome da tua família, do teu apelido, e você faz o quê na hora? Você quer inventar um teletransporte, porque você fica no teu... E meu querido, cara, como é que você tá?
Você fica tentando não arriscar, você vai ficar no básico. Você pode até pensar, como é que tá tua mãe? Como é que ela era mesmo e tal? Tem um pessoal que anda dizendo por aí que a culpa da gente ficar assim desmemoriado é do celular. Que a gente passa tanto tempo escolhendo coisa desnecessária, que acaba ocupando espaço da memória. Que realmente, pra que eu quero saber o novo nome do namorado da Shakira? Não me interessa isso. É melhor focar nas histórias desse pessoal que veio hoje e que muito me interessa. Augusto Madeira está aqui!
E a minha Clarice Falcão! E Fernando Pedrosa! Vem que tá interessante pra caramba esse papo, meu povo. Bem-vindo, bem-vinda. Coisa boa. Olha só, você tá vindo a primeira vez. Não, é a minha primeira vez. Eles estavam falando, ah, já gravei uma vez, já gravei outra. É a minha primeira vez no Projac. Eu nunca nem vim aqui. Que isso? Nossa, o negócio é especial. É especialíssimo. Andou de carrinho?
Andei de carrinho, fiz vídeo. Fez tudo, então. Fiz, gente, estou aqui, sou a Nova Helena. Então vou fazer o seguinte... A Nova Helena. Eu vou fazer o seguinte, então vou te deixar por último, que é pra você ir deixando o nervosismo passar, embora também tenha o peso de ser o último, tem que ter uma história boa. Calma. Mas é bom que você vai vendo eles. Ao mesmo tempo, Clarice já veio aqui no programa, mas na época da pandemia.
Aham, eu fiz de videozinho só. Então nem peguei carrinho, não tirei foto. Até o público era vídeo também. Não tinha essa plateia aplaudindo loucamente. Essa plateia é maravilhosa!
Toda a diferença! Toda a diferença, essa energia. É isso. Eu vou começar com o Gugu, que já tem a experiência de ter vivido esse calor. E vou passando pra você que veio no virtual e vou pra você que não sabe nem onde está.
Pode? Então, Gugu. Gugu, o Gugu é um ator. Se tem um filme nacional, tem Gugu. Isso é verdade. Ele tá em tudo, porque ele não só é um ator incrível, maravilhoso, mas tem também um agente excepcional que bota ele em tudo que é canto. Que sou eu mesmo. É ele mesmo. Ele tá em todos os filmes. Só que ele é um ator que entra no personagem e você olha pra aquele personagem e você acredita que ele virou aquele cara.
O problema é quando você acredita é que ele te dá algum tipo de poder, né? Como assim, hein? Por exemplo, já botou um uniforme? Já, né? Tu já fez muita coisa com uniforme... De policial, você diz? Não te dá um negócio de polícia, de... Dá vontade de bater na cara de alguém imediatamente. Você bota isso? Antes de eu falar dessa minha situação com polícia, eu vou dizer aquela que eu fui surrado por policiagem, né? Teve um dia que eu tomei... Fui pego num assalto e... Não, mas isso gravando. Gravando, claro.
Todo mundo está achando que você estava apanhando de verdade. Mas olha como é glamurosa a vida do ator. Um terreno baldio na beira de uma linha do trem, numa favela do outro lado, e quatro policiais atores mal preparados tendo que me dar uma surra. Ou seja, eu sofri bastante. E você estava todo com a cara ferrada. Não, todo... Aí aconteceu. O dia já amanhecendo, acabou, e pelo amor de Deus, deixa embora pra cá. Corta! Eu estava indo embora a pé. Pela linha do trem?
Não, mas tinha um buraco no muro da linha do trem. E de brincadeira, eu entrei pra ver o que era e tava vindo um trem da CPTM lá de São Paulo. Um trem. E eu fiz um sinal, porque, sei lá, a toa acha que tem algum poder. Achou graça. O trem parou! O trem parou pra você? Parou pra mim. Eu falei, que pessoa boa que parou pra mim. Mas não, é porque, exatamente, ele viu o meu estado, que eu não lembrava como eu tava. Ah, o Gugu tava ensanguentado. Acho que tem até a foto do Gugu ensanguentado aí. Você tava ensanguentado. Olha aí. Ah! Ai, meu Deus.
É, realmente... Agora, a pergunta que não quer calar. Eu acho que ele é louco. Eu estava achando que ele era bondoso. Se eu encontro uma pessoa assim na rua, eu quero ir embora. Eu não paro o trem nunca mais. Mas, voltando para a história, eu já de farda, né? E eu estava fazendo uma série...
lá em São Paulo também, que eu era par do Érico Braz. Paravilhoso. E aquelas coisas, corre na favela, corre atrás de gente que faz parkour, aquela loucura toda, blá, blá, blá. E quando eu vi, eu estava no meio do centro de São Paulo, com a equipe, a gente tendo que correr, era uma série gringa, direção francesa, mas a gente tinha pouco tempo de filmagem, era uma produção grande, e aí, de repente, a equipe inteira tem que atravessar a rua, e aquilo não para, o sinal trans São Paulo. Eu olhei e vi, cara, eu estou de farda, né? Fiz assim, ó, pum!
Parei o transo da marginal, meu irmão. Passa a equipe, tudo isso aqui. Horário. Fábio, eu fui ficando gigante, né? Lógico. Em qualquer lugar que eu parava. Já havia uma motinha sem capacete, já fingia que tira um negócio para anotar. A gente vai ficando, né? Ele saiu lá com mil reais só em arrego. Foi perdido. De cada banquinho...
Aí, como Deus é justo, cria aquelas peças na gente, né? Teve um dia que a gente foi fazer uma coisa que se chama Câmera Car, que era eu ir na direção do Érico Braz. No caso, não era o Érico Braz, que ele não podia, estava um dublê do Érico Braz. Então era só o meu carro, a viatura da polícia.
e um carro na frente filmando a gente. Não tinha texto, não tinha nada. Era só se pegando, a gente andando, pra dar aquele... botar entre uma cena e outra. Você vai dirigindo meio pela cidade, só pra ser... É isso, faz aquela cara de mal, pá, e foi embora. Perfeito. Aí acabou, a equipe já tava longe, porque não pode... a equipe é reduzidíssima. A equipe já tinha ido almoçar e fizemos o que tinha que fazer, cortou almoço. Você tava num carro que era uma viatura.
Que era uma viatura cenografada, né? Sei, de mentira. E aí a gente teve que sair da área que estava autorizada a gravar pra ir pro almoço. Entramos num bairro residencial, o caminhão, o câmera car na frente, a gente atrás. Nisso o câmera car passa, tinha dois PM parado, viram aquela viatura cenográfica.
se assustaram, puxaram o revólver, para que agora encosta, pá, pá, pá, e já passaram o rádio. E eu já com sorriso na cara, falei, calma, gente, isso é filmagem, parará. Teatro. Aí um olhou assim, um mal, o outro falou assim, não, é, não, é, acho que eu estou reconhecendo ele. Só que ele tinha passado o rádio. Então começou, pá, uma, duas, três, cinco, oito motos da PM, helicóptero. O que é isso? Aquele negócio, juro pra você.
E até o Câmera K foi embora, largou um cara da produção pra desenrolar e foi embora. Todo mundo almoçando, era o protagonista da série, eu e o dublê do Érico Braz ali, tendo que desenrolar com os policiais. Mas no que um reconheceu, o outro também era. Quando eu vi, tava batendo foto com todos os PMs ali, aquela alegria. Tô lá com os PMs todos, tirando foto, atrasando o meu almoço, mas fazendo um serviço ali pra sociedade.
E aí, quando estão, posso liberar, posso comer? Chega o carro da corrigidoria da polícia. Meu Deus, não para de chegar. Uma mulher assim, baixinha, invocada, ela olhou para aquela palhaçada, aquele negócio de um banho de PM ali, sem tempo de fazer, tirando foto, e falou assim, alguém pediu a habilitação do rapaz, o documento do carro, o negócio para provar a filmagem, a liberação para filmar aqui, tanto isso aqui. Aí os caras, não, não, vamos fazer aqui agora, tal. Aí começou, né?
A liberação para filmar era um fax meio apagado. A viatura que a gente estava dirigindo não tinha documento, tudo atrasado. Ih, rapaz, pegaram um criminoso mesmo. E veio um menino da produção no meu ouvido e falou assim, Gugu, você pode dizer que você estava dirigindo? Porque o dublê não tem carteira de... Meu Deus!
Estava tudo errado. Você vai tomar uns pontos, vai tomar umas multas, mas depois a gente resolve isso com você. Claro. Bom, fiquei daquele jeito, naquele estado. E aí foi melhor. Finalmente liberaram a gente, o produtor ficou lá. Quando eu cheguei no almoço, já com a cara fechada, brabo da vida, está na televisão o Datena ao vivo dizendo ladrões de residência são flagrados em São Paulo.
Eu apareci ao vivo no Datena! Eu já fui ladrão de residência e não sabia. Mas ele filmou do helicóptero, é isso? Na hora que o cara passou um rádio pro resto da polícia, eles avisam. O Datena já tava por ali, foi lá filmar já. Então, filmou ali, eu tirando foto com os PM e falando... Ladrão de residência.
Eu adoro essa história, cara. Que maravilha. Isso conta muito, né? Sobre nem tudo que você vê na TV dá pra confiar. É mesmo, é verdade. Ou às vezes você agora vai começar a roubar residência e usar essa desculpa. Não, essa filmagem é brincadeira. Olha lá no datê, né? Mas você vê como as pessoas entram no personagem, assim? Tem umas pessoas que estão tão no personagem... Bota a foto da Clarice aqui, por favor. Essa personagem que ela faz, maravilhosa. Você tinha quantos anos, Clarice?
Então, eu tinha quase 15. Isso aqui é um personagem? Isso não, isso é o personagem da vida real. Isso é... Sou eu mesmo, eu tinha 15 anos e eu era emo. O que é ser emo? Era ser meio... Remotivo? O que era? É como se você fosse um roqueiro, só que o roqueiro usa como revolta a raiva. O emo usa a tristeza.
O emo chora. Eu era muito triste. Vem de emotivo. E aí eu era muito triste. Eu não tinha amigo no colégio. O que já era um pouco triste. Mas assim, acho que não o suficiente pra eu ser aquela pessoa.
Acho que não há justificativa nenhuma. E aí todo mundo estava fazendo 15 anos, começou uma coisa de festa de 15 anos. Umas festas maravilhosas, com os vestidos, todo mundo se pegava. Eu imagino, né? Porque eu não fui convidada pra nenhuma.
Eu nunca fui, mas eu imagino que devia ser ótimo. E aí a minha mãe chegou pra mim e falou assim, Clarice, você vai fazer 15 anos, você quer o quê? Uma festa ou um intercâmbio? Eu não tenho ninguém pra convidar pra festa, né? Então com certeza eu quero um intercâmbio, pra passar um mês. Viajando pra algum lugar, assim. Um mês pra algum lugar, pode escolher. Pra me aprender em...
Pra aprender inglês, quer ir pra Paris, quer ir assim. Não, eu quero ir pra cidade em que o Tolkien escreveu Senhor dos Anéis. Ah, isso era ícone. Nossa, eu faria muito esse rolê. Ele morreu lá, eu quero ver o túmulo dele. Nossa, isso aí é uma raiz, hein? E qual é a cidade em que o Tolkien escreveu Senhor dos Anéis? Oxford. É, na Inglaterra.
Ah, pelo menos isso. Mas ia ser no inverno, eu botar uns casacos. E aí virou o meu... Ela falou, tá ótimo, vai ser dia 1º de janeiro, isso já era em março ainda do ano anterior. Mas virou meu motivo de vida. Sua obsessão era isso. Minha obsessão. Até porque quando você é adolescente, você está no colégio...
e você já tem um estigma, né? Eu já era aquela pessoa, eu já não tinha os amigos. Então, quando eu ficava pensando na viagem, eu vou poder inventar uma nova eu. Eu vou ser uma outra pessoa. Eu já estou tão triste ouvindo isso. Eu vou.
Você queria ser uma nova, ela queria ter só amigos e uma vida. Eu queria poder começar a ter novos primeiros amigos. Amigos, enfim, amigos. E eu queria ir pra lá e tal. Já comecei a pensar obsessivamente. Vamos lá.
Só que foi chegando perto, ansiosa, ansiosa, ansiosa, vou virar minha vida, minha vida vai mudar, minha vida vai mudar, eu vou ser outra. Foi chegando perto, só que antes do dia 1º a gente ia passar o Natal, eu sou pernambucana, minha família toda é de Pernambuco, a gente é de Recife, a gente ia passar o Natal com a minha avó em Recife, ia passar uns dias entre Natal e Réveillon na praia.
Eu, minha irmã... Minha mãe e meu pai. Minha irmã, é bom saber, que ela era o meu oposto. Ela era tipo um raio de sol. Era assim, todo mundo que conhecia, amava. Ela era cheia de amigos no colégio. Enfim, ela era perfeita. Que raiva, né?
Aí você vê. Maldita! Aí você vê. Ok, fomos, passou o Natal, nós fomos para Porto de Galinhas, uma praia. Ficaram eles lá, curtindo a praia. Eu fiquei lendo. O Hobbit. O Hobbit.
com um chapéu desse tamanho, assim, todo de preto. Fui separar a mala, as roupas pretas, eu já tinha deixado pronta para a Inglaterra, as roupas menos pretas, todas para Recife, para a praia. E aí, fiquei lá, até que um dia, entre essas coisas, que foi dia 27 de dezembro,
Alguém, acho que foi meu pai, falou, estou com muito desejo de comer guayamum. Guayamum? Guayamum é um caranguejo do mangue, que tem muito lá em Pernambuco. Uma delícia! É um caranguejo que é igual a um caranguejo normal, só que ele tem... Ele é grandão, não é? Ele é grande, ele tem uma pata... Só uma pata, ele anda meio torto assim, e ele é roxo. Em vez de ele ser rosa, ele é roxo. Ele é um caranguejo emo.
É basicamente. Aí, vamos lá, vamos lá. Só que, normalmente, a gente já tinha ido pra essa praia algumas vezes, todo final do ano, pra ver a família. A gente ia e o primeiro lugar já tinha Guayamum. Ah, perfeito. Mas o destino, não era isso que o destino estava planejando pra mim. O destino estava emo também. O destino estava emo, não, estava nessa...
Aí a gente chegou no primeiro bar, não tem, segundo bar, não tem, começamos a se afastar da cidade. Aí a gente foi até que teve um bar, não tem, mas aí um funcionário falou assim, vocês estão procurando o Gaimont? Irma. Aí a gente falou, estamos, estamos... É do preto ou do branco? É.
É do roxo, é do roxo. É do roxo, é do emo? Eu falei, é do emo. A gente falou assim, não, parece que tem um velho, velho pescador. Toda vez que eu conto essa história, eu boto mais um velho. Acho que é mais lúdico. É um velho, velho, velho pescador que pescou um gigante.
Vamos pra lá, Gaia Mão Gigante, com certeza. Estrada de terra, a gente foi se afastando cada vez mais. Não, não, não, não. E eu, assim, ela ia conversando, eu com a cabeça pra janela, assim, olhando, caindo uma lágrima, escutando o Simple Plan. Aí, ok, chegamos na casa do pescador. Mamãe.
Vamos lá, Clarice, vamos ver, assim. Não, vocês vão. Foram. Porque você não é coisa aêma, o que é? Se juntar a família feliz pra comer o amor. Ah, eu tava pensando em outra coisa. A mãe ficou a ver estrelas. Aí ela chegou lá, ela voltou. Daí dois minutos ela voltou, falou assim, Clarice, pescador, tem vários bichinhos, tem passarinho, tem cachorro, tem macaco.
Tá uma delícia, vamos lá. Eu falei, não, aproveitem. Eu tô aqui ouvindo minha música. Aí chegou uma hora que ela chegou assim, Clarice, não. Clarice, não. Essa é uma viagem em família. Você já já vai pro seu negócio, ver túmulo de não sei quem, que escreveu não sei o quê. Você vai ter esse momento. Agora a gente tá em família. Você vai aproveitar o pescador, os bichinhos. Você vai sair desse carro agora. Aí eu...
Ai, ninguém me entende, eu não pedi pra nascer. Saí batendo pé. Já vi, quando cheguei, já vi minha irmã, assim, parecendo a Branca de Neve. Tinha dois passarinhos segurando a roupa dela. Os esquilinhos. E um macaquinho na mão dela, assim, dando beijinhos na mão dela. Aí eu, tipo, já cheguei e falei assim, dê por visto, estou indo. Só que eu acho que eu cheguei com uma energia muito pesada.
Você puxou pra baixo. E aí o que aconteceu? Eu estava virando pra voltar pro carro e o macaco pulou na minha cara... Não. E mordeu minha bochecha. Ai, meu Deus! Mas era um mito? Era um macaco desse tamanho. Era um macaco chato. Era um macaco. Chacuí. Era um macaco. Mas você não cutucou o macaco? É um macaco. Não, foi só de energia.
E ele mordeu o seu rosto? Ele mordeu o meu rosto, cortou, ficou... ficou rosto. Saiu algum tipo de... Saiu sanguinho, mas ficou muito... foi forte. Ele mordeu e foi embora? Não, ficou lá, tipo, rindo da minha... Eu olhei pra ele, ele olhou pra mim e ele não se arrependeu. Não! Isso que é importante.
É isso, é isso. Macacos me mordam. Eu vi no olho dele, não tinha remorso algum. E aí eu falei, tá? Tá vendo? Não. Eu falei, vocês estão vendo? Eu falei que eu não queria sair do carro. E todo mundo estava meio assim... Ela falou realmente que ela não queria sair do carro. Tem razão. Eu falei, então vamos. Não, não, não. Entramos dentro do carro, cortei meu fone. Mas aí eu senti que o carro tinha um...
Meus pais começaram... Meio cochichando. Aí olhavam pra mim, assim, e eu... Tem alguma coisa estranha? Não, não, não. Passamos da entrada da casa. Que a gente tava...
Falei, gente, a gente passou da entrada da casa. Falei assim, então Clarice, é que a gente vai... A gente vai ter que te levar no hospital. Claro. Porque você foi mordida por um macaco desconhecido. Se fosse o do latino, a gente sabe que é cuidado. É, um macaco desconhecido. Você foi mordido. Você pode ter milhões de coisas. Doença. Inclusive raiva. Falei, com raiva eu já estou.
Que doença será que o macaco passa realmente? Aí fomos pro... A varíola do macaco, não é isso? Não, tem milhões de coisas. Fomos pro hospital e era tipo assim, era porro de galinha. Então o próximo hospital era... Chegamos lá, aí o médico falou, você vai ter que... Primeiramente, vamos te dar soro de plasma de cavalo. Ele tava seríssimo. Soro de plasma de cavalo? Você foi no veterinário? Então...
Como que está? Vou usar para o macaco. Vamos levar. Do pet. Vamos cuidar desse pet. Quando você é mordido por animais silvestres desconhecidos, você toma soro de plasma de cavalo. Também descobri isso lá. Bom, tem em casa isso. Não, todo mundo tem que ter. Aí, soro de plasma de cavalo e a primeira dose da antirrábica. Aí eu já... A primeira dose da antirrábica? Mas são quantas doses?
São quantos... Número de doses é que você não vai pro seu intercâmbio, né? E aí não fui... Não foi? Pro meu intercâmbio. Porque teve que tomar vacina de raiva. Mas assim, desde então tive muito menos raiva. A antirrábica... A raiva passou, você viu? Eu tô ótima. Ela curou o emo da Clarice. Se você conhece o emo, dê a ele uma antirrábica.
E aí você não podia, porque você tinha que tomar a segunda dose da antirrábica. Várias doses, eram várias doses. E aí uma pequena curiosidade que... Aí a minha mãe falou, mas a gente promete, você vai no ano que vem. Você vai no ano que vem. Só que no ano que vem, a minha irmã estava fazendo 15 anos e ela foi comigo. Ah, é mais chato. Então, tipo, não consegui ter... Mas foi ótimo, mas não consegui me reinventar. Ela roubou todos os meus amigos.
Eu tive um negócio em Sri Lanka, eu estava com a Priscila lá, e tinha um templo bonito, que tinha um Buda lindo deitado, e estava meio chuviscando, estava com o meu guarda-chuva, e era aquele tempo que você tem que botar uma manta budista, tem que ir descalço para o templo e tal. E eu fui lá nesse templo bonito, vindo com o Priscila do lado, eu lá com o meu guarda-chuvinha, e aí, beleza. Só que acontece uma parte que é importante, Priscila ama... Como é que eu posso dizer de um jeito que não pegue mal? Fofoca, ela ama fofoca.
Ela ama comentar. Ela sempre fala, olha o tamanho da cabeça daquele cara, olha ali. São as coisas assim, não olha agora, olha o dedo do pé daquela moça, que esquisita unha. Ela sempre faz esses comentários. E eu sou o idiota, sempre falo, qual? Onde está o dedo? Então ela sempre não olha pra olhar que ele está ali, direto, não sei o quê. E ela sempre faz esses comentários. E o tom de fofoca é sempre esse, né? É sempre assim, olha Clarice agora. Você não fala o tom de fofoca, olha Clarice. Você sempre fala, olha.
Muito bem. Então eu tô acostumado a Priscila a contar essas coisas, essas coisas... E eu tô ali, aparecendo Buda, vendo Buda lindo, com o meu guarda-chuvinho aqui assim, ó. Aí tinha acabado de parar de chover, então eu tinha fechado o ar chover e falei, que coisa boa, vamos poder ver Buda com calma, né? Tô vendo o Buda com o guarda-chuva aqui, olhando, bonito isso, com a minha coisa, me concentrando, tentando atingir o nirvana, Gugu. E aí tô aqui, daqui a pouco chega Priscila do meu lado e aqui, ó... Não olha pro lado.
O que eu fiz? Olhei pro lado. Mas na minha cabeça, o que eu ia encontrar? Uma orelha gigante de um rapaz, um queixo pontiagudo de uma velha, alguma coisa que eu ia olhar e ri muito. Então eu imediatamente olhei pro lado. Quando eu olhei, sem brincadeira, a Trer Palma de mim tinha um macaco, mas um macaco gigante, com uma cara terrível. E quando eu olhei, eu fiz... Quando eu fiz... Um macaco tomou um cinto. Aí o macaco fez... E ficou usando...
E eu peguei no guarda-chuva e fui me defender do macaco. Eu fiz... O macaco me deu! E eu fiz o guarda-chuva... E Priscila começou a rir muito, sem parar. Eu fiquei apavorado daquele macaco do meu lado, porque ele estava muito perto do meu lado. Eu saí de lá com o guarda-chuva, Priscila rindo, eu falei... Que loucura foi isso? O que você fez? Ela falou... Eu estava te avisando do macaco. Eu falei... Mas você não pode me avisar do macaco de tom de fofoca. Não é o macaco.
Olha agora. Você tem que olhar pra mim e falar, Fábio, vem pra cá, que ali tem um macaco. Ah, mas bem feito. É pra você não aprender a não olhar assim, quando ela tá te fofocando. Foi exatamente o que ela falou. Ela falou, você tem que aprender essa lição. Quando eu te falar, olha o careca, você não olha o careca.
Segura! Só que o macaco estava de boa também. Foi o meu grito que assustou ele. Então os dois macacos ficaram assustados. Só que eu ainda tinha um guarda-chuva, que eu usei como proteção do macaco. O macaco deve estar nesse momento puto contando pra família. Tinha um rapaz com guarda-chuva olhando. Mas você viu o negócio desse... Agora, o macaco podia ter me atacado. Podia! Por isso que eu fiquei bravo com o Priscila. E eu, na frente do Buda, puto! E o Buda quer a paz!
E eu tinha que estar aí, Priscila, olha o Buda. Eu falei, eu quero que o Buda se exploda, o Buda. Não é pra me trazer Buda nenhum. Que ódio disso, cara. Você sente que você aprendeu agora a lição de tratar todos os carecas como se fossem macacos? Eu aprendi essa lição. Agora a Priscila veio, só que agora eu faço o pior. Ela fala, não, olha pro lado. Eu falei, mas qual o lado? Pelo me ajuda aqui, já fico meio nervoso.
Porque eu não sou de reparar. É, mas quase fui. Mas se o macaco ataca, é muito chato isso. Porque você atrapalha a viagem toda. Eu subindo pro Everest, tem uns cachorros selvagens. São cachorros normal pet. Só que eles lá no Everest são uns cachorros muito selvagens. Eu vi eles atacando longe.
Esse é um cachorro maldoso que na reencarnação... Ele era Hitler. Mas era pastor? Era pastor? Ele mordeu o... Mas o pastor pode até acabar o animal. Só que tem uma coisa que é o seguinte, você está subindo o Everest, então você tem que estar muito preparado. Se um cachorro te morde a dois metros do Everest, tem que voltar, você não pode subir do Everest. Então eu passei a subida toda do Everest vendo os cachorros, pensando, esse puto... Eu estou preparado, eu estava armado. Porque os cachorros, se eles te mordem, você perde tudo. Você tem que tomar antirrápica.
Você sabe que eu conheço a Priscila há 10 anos, quando a gente começou no stand-up junto, né? É mesmo? É, a gente começou junto, a gente sempre foi muito amigo. Aí agora em Natal, ela tava com a peça dela e eu tava com o meu espetáculo. E aí a gente tava no mesmo hotel, aí a gente só consegue ver os amigos assim, cruzando, né, por uma noite. Aí a gente se cruzou, sei lá, uma da manhã, que é o horário que ela chegou, e ficamos três horas fazendo o quê na calçada? Fofocando. Olha aí! É aquele antigo macaco lá! Falamos mal de todo mundo que a gente conhece e ama.
O homem hétero é um bicho interessante de ser estudado, né, Pedro? Olha, eu descobri que é mais interessante do que eu sabia. É mesmo, né? Como é que foi essa tua pesquisa? Eu estava... Recentemente, eu fui num casamento. Um casamento de um primo meu. E era um casamento hétero, né? E eu gosto de deixar isso bem claro. É diferente. É diferente. O clima é... Não, e também porque talvez vai pegar vocês um pouco de surpresa, mas eu não sou hétero. O que é isso?
Gente, ele está abrindo... Acho que você nunca contou isso para ninguém. Não, é a primeira vez. Inclusive.
Aí eu fui no casamento de um primo meu, um primo meu chamado Luciano, e já começou o casamento, eu já me senti mal, porque eu descobri que todo mundo lá chamava ele de Lúcio. Lúcio? Lúcio. Os 300 convidados tinham um apelido pra ele, minha prima chamava ele de Lúcio e eu chamava ele de Lu. Então eu já fiquei super deslocado, já estava péssimo. E o casamento foi aquele casamento de viagem. Foi um casamento na praia do Preá. Onde é? É, no Ceará. E é uma praia muito conhecida pela galera que faz kitesurf.
Pra quem não sabe quem é o kitesurf, eu também não sabia. É um esporte super radical, que você põe uma prancha assim no seu pé, fica preso com duas botas, aí embaixo da prancha tem uma lâmina de metal perigosíssima, e aí você segura num pau enorme assim de madeira. Essa era a parte que eu ia me dar bem.
E aí o pau fica preso numa pipa gigante, que é o kite. E fica te levando de... E ele fica te levando no vento, em alto mar, puxando. Então durante o final de semana todo, todos os héteros ficavam lá no mar, que era o habitat natural deles.
Eu fiquei já, em compensação, no meu habitat natural. Que era onde? Que era tomando caipirinha com as tias e dando nota pros boys do kite. Aquele da pipa vermelha, nota onde. E vou falar, as meninas aqui da plateia que estão no mapa da fome...
É... A gente não deu nenhuma nota abaixo de oito. Então, vale muito a pena. Não dou, hein? Pois é. A parada é o kite. Quer desencalhar, vai fazer kite. Vai no kite. As gatas animadas... Eles decidiram se casar lá nessa praia porque o meu primo e a esposa se conheceram fazendo kitesurf. Tá bom.
É, bem bonitinho, tudo bem romântico. Ah, bateu um kite no outro, rolou, foi aquele negócio. E o casamento era... Por que eu quis dizer que era um casamento hétero? Porque a cerimônia era tão hétera, mas tão hétera, que a cerimônia rolou numa areia que antes eram duas quadras de beat tennis.
Em vez de ser um antigo cemitério indígena, era um antigo quadro de beat tênis. Era a quadra de beat tênis. Tiraram as quadras de beat tênis e colocaram a cerimônia. Bom, a cerimônia foi linda, foi superbonita. Foi uma cerimônia que a noiva é judia e a minha família é católica, então tinha muito da tradição da comunidade judaica. Ah, legal. Deve ter tido alguma coisa da tradição da comunidade católica, mas a minha família é meio sem cultura, então a gente também não sabe se entendeu ou não.
A gente é tipo católico, como muito bons católicos, que é aquele católico não praticante, sabe? Ah, e olha só. Você vai fazer uma operação, reza uma ave maria. Aí teve a cerimônia, foi linda, maravilhosa, tudo legal. Fui tomar um drink com a minha prima, pegar o drink, começar os trabalhos, fui ver, o meu celular estava descarregado. E toda a cerimônia, festa, casamento, aconteceu num hotel.
Então, eu não estava com o meu carregador. Era um hotel, para vocês terem mais ou menos uma noção, era um hotel daqueles hotéis que tem, tipo, todos os quartos são bangalôs. É, chiquit. Que térrimo. Cada quarto tinha uma piscina, tinha três restaurantes, camarão empanado, vinho custando um salário mínimo. Paralho. E todo mundo, todos os convidados, estavam hospedados nesse hotel. Eu não estava hospedado nesse hotel.
Como que eu vou explicar? Eu estava hospedado num outro tipo de hotel. Eu estava hospedado num outro hotel. É um hotel mais... Ai, para quem vive de arte, sabe? Uma coisa...
É um hotel mais comunidade, né? Comunidade. Uma coisa mais um pé no chão, chão de terra, sabe? Isso. É. Era mais assim, good vibes mesmo, assim. Então eu decidi que eu ia até a recepção do hotel ver se tinha um cabo USB. Perfeito. Aí fui indo lá com o meu celular deslumbrado, me sentindo no episódio de White Lotus, olhando tudo aquilo lá, falando, meu Deus. E aí, de repente, eu vejo com esse olhinho um bangalô.
com 40 homens sem camisa. Nota 8 para cima. Só 9 e 10 mesmo. 9 e 10? E aí, a primeira coisa que eu pensei foi... Acho que aqui tem um cabo USB.
Então fui me aproximando, falando, nossa, obrigado, Deus, Deus ama os LGBTs. Deus é bom o tempo todo. O tempo todo, quando se junta duas religiões, o mundo se transforma, eu estava muito feliz. Aí eu fui chegando perto, fui vendo quem eram aqueles héteros, e eram todos os héteros do Kite, amigos do meu primo. Do Lúcio. Do Lúcio, exatamente. Todos os descamisados.
E aí, assim que eu cheguei, um hétero me reconhece, me puxa e fala assim, olha, o primo do Lúcio. Aí eu, sim, sempre chamei ele assim. Não ia fazer desfeita. Ele falou, primo, tira a camiseta. Não precisava nem ter pedido. Se tivesse pedido pra eu ajoelhar, sabe?
É que eu respondo a um comando claro, sabe? Aí, um outro hétero... Porque eu conheço um outro amigo dele de pequeno, então, aí, um outro hétero me puxou e me virou uma dose de uísque na boca. Aí, outro já veio e me virou uma dose de tequila na boca e eu não estava entendendo nada, mas estava amando.
E aí começou a passar um outro hétero com várias camisetas enroladinhas, assim. E aí ele me deu uma. E aí eu coloquei, era uma camiseta do Bragantino, e eu não conhecia essa marca.
Mas... Esse time de futebol paulista... Me explicaram. Eu tava perdidinha aqui também. Eu também não conheço essa marca. Mas eu gostei, eram minhas cores. Olha, eu sou preto e branco. Eu tava lá e começou o emo.
Aí alguém decidiu me explicar o que estava acontecendo ali. O que era o quê? Ali estava rolando uma tradição. Não me pergunte se é da comunidade judaica ou da comunidade hétero. Mas é que... Não sei. Mas todos os amigos do noivo, o núcleo mais próximo do noivo, se reúne depois da cerimônia religiosa e antes da festa para fazer uma coisa que foi muito linda, que era encher meu primo de porrada. Como porrada? Ai...
Vocês chamam de corredor polonês. Sim. Eu não sou uma pessoa que tem uma coisa da agressão... Da violência. Da violência eu tenho, mas não é física. É mais verbal. Mas naquela hora eu peguei... Sei lá, uma vez o meu primo fez um bullying, uma vez me chamou de gay. Ai, que absurdo.
E aí eu peguei aquilo como força motivadora pra entrar no rolo, entendeu? Eu ia entrar na briga. Aí todo mundo começou a ficar aquelas rodinhas, tipo o show punk, que fica aquela rodinha, eles estavam fazendo uma rodinha. E eu entrei no meio da rodinha. Claro, foi fraternizar. Aí eu entrei no meio, e aí fui, me joguei. Foi meio o Gugu que incorporou o policial, você incorporou o hétero. Eu tava. Camisa de futebol, porrada no... Clarice, eu tava totalmente heterificado.
Naquela hora, eu já não era mais nem o Pedrosa. Lá, entre os héteros, eu era o Pedrão. Aí, Pedrão. Ele já era o homem. Sendo que meu nome é Fernando, né? E tinha uma coisa muito fofa, que eles tinham dois gritos de guerra. O primeiro era assim, era...
O... circuncisau lúteo... Circuncisau lúteo... É, eram héteros, que é divertido. E aí o segundo, que era o meu favorito, que era... Ei, lúteo, eu quero o seu prepúcio. Ei, lúteo, eu quero...
Isso é a comunidade de vocês. Excelente. Demais isso. E aí eu entrei... A comunidade heterojudaica é... A melhor. Isso no pré-á. Isso no pré-á. E aí eu entrei no meio, bati... É que sobrasse um prepúcio, era até jogo pra você. Eu acho que eu mordi um, sabia? Mas eu agredi, agredi horrores, e ferdendo no cu e gritaria, assim. E eu tava lá... Heterozão.
E aquilo tinha um propósito, né? Eles começavam no Bangalô e iam em direção à pista. Eles levavam meu primo de volta pra pista. Então, a gente fez um percurso de agressão, tipo uma procissão de agressão, assim, pra levar ele e chegar até a pista. Só batendo Ilútil? Só que... Ilútil achando hilário. Ah, ele não tinha muita opção, ele tava desacordado. Não tô brincando.
Aí, chegamos na pista e aí, realmente, começou uma tradução judaica que foi linda, que eu não conhecia, que ficavam levantando os noivos na cadeira e dançando música em hebraico em roda. Aguilarrava, essas coisas. Exatamente, é. Eu estava meio bêbado, podia ter sido umas em português também, mas não ia saber. Ele não sabe se foi na Aguilarrava ou é o Tchani, quando eu usar dúvida. Só que o problema é que, entre uma música e outra...
A noiva ia embora e aí todos os héteros aí, agora todos os héteros da festa, entravam pra fazer a rodinha e continuar na agressão. E eu agredindo no meio. Que loucura! E aí, eventualmente, acabou aquilo. Durou sem brincadeira, pelo menos uma hora e meia tudo isso, assim. E aí acabou, eu estava transpirando dos pés à cabeça, com o celular completamente descarregado ainda. Nem lembrava mais.
USB pra quê? USB pra quê? Vamos viver um momento. Não temos Wi-Fi, conversa entre si. Se batam entre si. Se batam, se soquem. E aí eu decidi que eu precisava voltar pro meu hotel, que era na frente desse hotel que a gente tava. E aí tinha um outro hétero, já meu parça, meu bro, já assim, já meu... Que também tava hospedado no meu hotel Feliz no Simples, assim. E aí a gente foi voltando, foi embora do casamento rapidinho só pra tomar um banho e voltar.
Aí, quando a gente passou na recepção, a gente viu que tinham três caras com bolsinha de maquiagem, secador de cabelo, essas coisas, os maquiadores e cabeleireiros da festa. E esse bro que estava comigo, meu parça, ele me conhecia e ele sabia que o meu público é bem LGBT. Então, ele falou assim, ó, olha só quem está aí, os cabeleireiros da festa, te conhecem, né? Até porque são gays. E eu podia estar hétero, mas eu estava um hétero mili-tudo.
Eu era, sei lá, o Bruno Gagliaço, sabe? E aí eu decidi militar. Eu falei assim, como assim? Você acha que só porque são os cabeleireiros da festa eles vão ser obrigatoriamente gays? Não tem essa de profissão de gay, de hétero. Todo mundo pode fazer o que quiser. E aí a gente chegou mais perto e realmente eles eram gays. Mas, por coincidência... Quem diria? Foi um acaso.
E aí, o professor se concretizou, eles me reconheceram, falaram assim, você não é aquele comediante que faz stand-up, não é? Eu falei, sou sim. Eles, meu, estava com uma dificuldade de te reconhecer, a gente estava te vendo ali naquele quebra-quebra. E eu não sabia se era você ou não. Aí eu falei, lógico, né? É que eu estou muito hétero. É isso. É que você estava vendo, Pedrão.
Não, só que aí ele falou, não, tem nada a ver. É porque você emagreceu. Você não emagreceu? Eu falei, sim, emagreci 20 quilos. Ele falou, aí você não estava hétero. Você estava bem gay, aliás. Você entrava na roda, ficava um segundo, você ia assim. Ah, isso aí é... Eu me achando. Eu me achando.
Maravilha! Muito bom! Olha, mas quem podia estar nessa festa com você pra capturar um hétero desse aí, ou pelo menos alguém que pudesse ser, é o Pedro Henrique, que está aqui hoje e veio contar uma história de um amor proibido. Cadê você? Está aqui? Obrigado.
Me conta aí. Conto. Então, eu sou goiano, não percebeu o sotaque. Mas nessa época eu morava em Londrina. Londrina é uma cidade universitária, vai muita gente pra lá. E eu tinha acabado de terminar um namoro. E é muito assim, tradição no meio gay, você terminou um namoro, você tem que tirar todos os atrasados, você tem que pegar todo mundo. Aí eu pensei. Tava com a autoestima baixa, tava aquilo...
Vou numa sauna. Uma sauna? De boassa. E fui. Já foi, tinha sauna. Não cheguei aí nessa. Mas eu vou na sauna que você vai lá pra tomar um calor mesmo. Quase igual. É. Tem uma diferencinha. É um peru. Você chega... Um pouquinho mais. Você chega... É um canavial. Com prepúcio, sem prepúcio. É assim, um canavial... Mas aí agora de verdade me conta. É uma sauna... Bom, a sauna gay é aquela sauna que fica então homens pelados, porque lá haverá sexo ali, inclusive. Tem gente que sim.
Aí, beleza, até que vi. Então, o Tecil que fala, o menino viu um olho azul assim, que a Faber Castel não tem. Isso aí. E assim, não era um alambique no canavial, mas também não era pouca coisa. Isso aí. Falei, vamos ali? Vamos. Dava pra chupar essa câmera. Dava, dava. E aí subimos. Nessa câmera. Opa.
Um copinho de 300ml em chia, né? Meia Goiânia pra te dar notícia. E aí subimos, que aí tem onde as coisas acontecem, às vezes tem luz, às vezes não tem. E ok, bacana. Rolou. Onde você estiver, saudade. Aí fomos descer a escada, eu fiz uma pergunta bestinha assim. Como você chama? É claro. Depois, né? Depois, é. E aí ele fala, ai, José. Eu falei, mas...
Ninguém que chama José ia pensar pra falar o nome. É, né? É a primeira coisa que você fala. Não, é assim. Aí já brotou aquela... E eu sou aquela pessoa assim, tô conversando com um boy no aplicativo, eu faço um pix falso pra ele, pra pegar o nome e achar o Instagram.
Fica a dica pra todo mundo. Maravilha. Nunca pensou, Clarice? Você vai pelo quê? Pelo telefone dele, que deve ser Pix? É, aí você coloca lá, aparece o nome completo da pessoa. Você é um gênio. Sou, menina. Você é um gênio. E aí você pega o nome completo da pessoa. Eu sou essa pessoa, entendeu? E aí você pediu o telefone dele. Não, não falou o nome. É verdade. Mas é que ele tava sabendo que ele tava lidando também. Descemos, continuamos lá, não sei o quê. Podia ter ido embora, podia ter sumido, podia ter tudo.
Mas não, ficou contando historinha da vida. Ah, porque eu sou professor universitário, porque eu dou aula de filosofia, porque não sei o quê, e eu faço esporte radical e vai contando. E as histórias não vão batendo. E como um bom educado, o Fernando levei para comer depois da sauna. Isso existe? Não, isso é chiqueterre. Você está vendo? Isso é chiqueterre. Chiqueterre. Para comer o quê? Pizza. Ah, só para saber. Não. Podia ser outro. O resto do cardápio foi na sauna mesmo. Podia ser outro buffet. O resto do buffet foi na sauna.
Aí veio me mostrar o Instagram dele. Aí aquelas pessoas que é o golpista também. Então o Instagram não é, tipo, Fábio Porchat. É Z.329 não sei o quê, não sei o quê, não sei o quê. E só fez assim, não, não sei o quê, porque aqui, ó. Mas... Esse Aristóteles tá esquisito aí. Exatamente. E aí mostra e não sei o quê, mas a memória tá aqui, Instagram bloqueado. Falei, af, que merda. E a gente conversando.
Aí ele falou, você vai pra onde? Ah, eu vou ali. Eu morava num bairro famoso, porque tinha um mercado muito grande, a minha torre era de frente, então todo mundo sabia onde era o meu prédio. Falei, ah, eu moro ali. Ah, você me dá carona? Dou. E fomos. Aí eu, mas onde? Qual que é o hotel que você tá? Eu jogo no GPS. Não, não precisa não, eu vou te guiando. E foi. Vira aqui. Não, moça, aqui não tem hotel, conheço, mora aqui. Não, vai virando, vai virando. Não. Falei, não, moça, aqui é uma rua sem saída. Ali é a casa das freiras. Aí ele, não, o meu hotel é aqui sim, pode ir. Ah.
E fui, né? Desculpa, eu não sei se é uma gíria aqui. A Casa das Freiras é um lugar de putaria. Ah, é um convento mesmo. Às vezes é lá que você reza o texto. Já tinha. Aí, beleza. Aí ele, não pode ir, eu te falo a hora de estacionar. Estacionou exatamente. Na freira do convento. Eu falei, mas aqui ele... Lembra que eu te falei que eu sou professor universitário? E tinha uma placa gigantesca lá, assim. Parceria de tal faculdade, não sei o quê, não sei o quê.
Beleza, fui para a minha casa. Olha, é uma bicha santa que tu pegou. Mais ou menos. Fábio, não teve uma faculdade do Paraná que eu não pesquisei o nome daquele homem. E, ó... Você foi atrás de uma. Gastando, gastando. No domingo de manhã... Isso era um sábado. No domingo de manhã me manda a mensagem. Ah, passei aqui, mandou até foto da minha torre. Eu falei, é aí mesmo que eu moro. Ah, não sei o quê. Vamos almoçar junto? Vamos.
Casamento, praticamente. Em gays. Na nossa comunidade, isso é amor profundo. Exatamente. E é aquele esquema. E fomos comer no shopping. Tá. Aí, não sei o quê. Ele, não, quero te contar a verdade da minha vida agora.
Todo mundo já sabe o que vai vir nessa história quando é assim, né? Casado, tem filho, blá, blá, blá, assim. Sim. É terça-feira à tarde. É o homem hétero que dá. É, é isso aí, sempre. Aí, beleza. E aí pegou e falou assim, inclusive aqui, ó, minha filha. E aí me mostrou uma foto no Instagram, assim, que era ele, um cara, uma criança e a mulher. E aí, eu sou a pessoa que joga o telefone no Pix, né? Ah. Falei, essa foto não é da sua família, não é da sua filha. Por quê? Eu falei, porque eu já trabalhei em buffet.
Viver infantil. Mesmo quando os pais são separados, a hora da foto é pai, mãe e filho. Gente, é o Sherlock Holmes do meu lado. Muito. Você sacou pela foto. Vai aniversário de criança, é pai, mãe e filho. Você tem padrasto, padrasto fica do lado. Do lado da mãe, inclusive. Você tem toda a razão. Exatamente. E eu tinha, Clarice. Eu tinha. Aí... E nada. E nada. Mas aí eu vi o arroba do cara da foto.
Porque é aquilo, né? A gente tá ali, ó, tenta assinar. E aí vi o arroba. E a gente comendo no shopping, assim, pra alimentação, um de frente pro outro. E eu já aqui, né? Tu já botou no seu celular o arroba do outro cara, que não era o dele. E achei a bendita foto. No Instagram do cara. No Instagram do cara. A mesma foto. Muito feliz. Minha filha fazendo cinco anos, e não sei o que, estamos muito infelizes em comemorar com o padre fulano, que fez o batizado dela.
Ele era o padre. Exatamente. Você foi a mulher do padre. A mula sem cabeça. A mula sem cabeça. Por isso ele estava na casa das freiras. Por isso, claro. Ele é padre e estava na casa das freiras. Exatamente. E aí, beleza. Para elas, ele era inofensivo. Com elas, ele não ia fazer nada. Poderia ter me dado por vencido. Não ia acontecer nada. E ainda sai para fazer. Você viu que bonito, que respeito. Que bonito isso.
Pra mim, a história podia ter acabado ali, ok, né? Mas não, a gente... Mas você descobriu ali na hora e não chegou a falar coisa pra ele? Falei, por enquanto, não. Você guardou pra você? Guardei, porque eu precisava, né? E comecei. Inclusive, quero parabenizar a paróquia de Curitiba. Fui no site da paróquia... O site da paróquia? Eu nem sabia que tinha um organograma tão grande, entre padre e bispo, várias castas, assim, sabe? Sei. Fui olhando em todos. Isso ali ainda no almoço? Aqui, ó.
Ah, é. Ele comendo ali nos girafas, um negocinho e você aqui. Ah, é. Até que você vai... E contando, que é casado e não sei o quê, contando a história dessa família. É, contando a história dessa família. A filha virou um personagem na hora. Aí, beleza, vai ficar de graça? Até que hora você vai ficar mentindo isso aí? Não, é sério, não sei o quê, não sei o quê. Eis que aí eu chego no site da paróquia, tinha o perfil.
Ele todo trajado. Até o tesãozinho deu, não? Menino, acho que não. Não, é? Aí, assim, ó. Eu falei, você não vai contar não? Não. Eu falei, você vai contar não? Mostrou pra ele. Na cara dele, assim. Desmascarou. Na frente, novela, né? A gente que é... Beleza. Ele apenas levanta e vai embora. Não fala nada. Caraca.
Aí eu falei, mas você é louco? E ele vai reto. Foi embora. Teoricamente, a história pararia aqui. Claro, foi embora, te abandonou. Foi embora, nunca mais tive notícia. Porém, lembra que o meu prédio era famoso? Mandou mensagem, estou aqui na porta. Aí, nesse momento, fizemos coisas sabendo quem ele era. É, batiza a minha criança, exatamente. E fizemos. E, ó, modéstia à parte...
Menino ali, ó, eu... Ajoelhou, tem que rezar. Já estava. E aí você virou caso do padre. Nunca mais tive notícia dele. Ah, ficou só uma... Só uma vez de novo? É isso. Aí foi a despedida e não sei o quê. Mas continuei solteiro. Sei. E continuei ali na vida do aplicativo.
Agora já é um aplicativo mais lastro. Já estava ali pegando o aplicativo de paróquia, de igreja. É que a sauna te dá que você chega lá e já está à disposição. O aplicativo você tem que batalhar. Entendi. Entendeu? Tem um. Mas achei um lá, Londrina, uma cidade universitária. Mudei para Londrina para fazer faculdade, não sei o quê, não sei o quê, não sei o quê. Tá bom. Meia hora já estava na minha casa, que é o normal, né?
E aí, beleza, chamava Tito. Tito? Tito. E não sei o quê, porque eu vim, até que ele fala assim, não, eu faço CAD na... Não lembro da faculdade. Faço CAD. Eu falei, mas por que você mudou do Ceará pra cá? Mas ensina a distância. Ensina a distância. E aí tinha aliança também, a mesma historinha, casado. Porque tem uma galera que pode confirmar. Falou que é casado... Falou que é casado, as gay querem.
Eu não confirmo essa. Ah, tá, mas qual que é o seu nome? Depois que eu já tinha feito também as coisas. Mas qual é o seu nome? Ai, meu nome. Eu tava levantando a minha cama pra pegar a toalha pra ir tomar banho. Eu falei, ai, essa palhaçada, você não vai me falar o seu nome? A última vez, um cara não quis me falar o nome? Você é padre. Ih, você já sacou. Você é padre. Por isso você tem essa aliança. Por isso você veio do Ceará fazer AD. Você faz a teologia. Menina. E era. Ele era?
E ele sai brasileiro. E era. E aí, só que aí esse foi mais tranquilo. Aí ele, ah, é, nossa, você foi muito esperto, não sei o que, contei essa história que eu tô te contando agora. Aí ele pega o Instagram e abre ele, e começa a mostrar ele todo fantasiadinho lá e tal. E o mais interessante é que no dia era dia de Corpus Christi. Então, de manhã, ele rezou a missa de Corpus Christi. E de tarde, lá no meu Corpus. É, Corpus Felice. Olha aqui.
E tem uma coincidência. Tem uma coincidência. Essa história é antiga, sei lá, 2019, não sei o quê. E eu fui pensar em história pra mandar pro programa e fiquei pensando, que história será que eu mando? Que história será que eu mando? Um dia aparece no meu TikTok um vídeo do Pedrosa. É, então, isso que eu ia perguntar agora. Você lembrou? Se esse padre tinha o olho claro. Eu tava com isso. Exatamente. O azul Fabio Castel. Eu sei exatamente quem é esse padre. Você sabe? Merda?
Ele fez a minha... Cris, mas não tô brincando. Não, é que... Coincidência. Foi uma pessoa no meu show, eu faço muita interação, meu show principalmente consiste em interação com a plateia, e foi em Londrina, me contaram essa história que tinha pego o padre e depois também que alguém foi no TikTok. Então, três vezes essa história já aconteceu publicamente. Esse padre deve estar com o cu assim.
Meu Deus! Sabe o que eu fico feliz? Hã? Tantas guerras de cunho religioso. E aqui a gente está vendo a religião do amor. É! A gente dá o nome. Te amo. Eu só pensava nisso. E agora é o momento das perguntas do programa. Quero saber a primeira lembrança que vocês têm da vida.
Eu lembro que eu era tão pequeno que eu estava em cima da pia da cozinha, sentadinho, arrumadinho, bem bonitinho. E meu irmão mais velho achou aquilo bem... Fofo? Não, o contrário. Achou desafiador para ele. Eu estava muito fofo e ele ficou com ciúme. Pegou um lavador de arroz, encheu d'água e virou em cima de mim. Aí eu só lembro daquela sensação de cair na água, todo bonitinho. E não foi ficando mais bonitinho. E aí eu comecei a chorar, que era o que eu sabia fazer na época.
Você, você já era um emozinho. Já era. Você. A minha primeira, que eu lembro, foi... A gente morava numa casa que tinha... Era numa descida. E aí chegou a professora de inglês da minha mãe, que minha mãe sempre fazia aula de inglês tentando aprender, nunca aprendeu, fiz 30 professoras diferentes. E aí ela colocou o freio de mão, mas ela não colocou o freio de mão inteiro.
E aí o freio de mão escorregou. E aí eu lembro, porque minha mãe estava comigo, enquanto ela aprendia inglês, e aí a mulher saiu. E eu lembro, porque foi a primeira tragédia que eu vi, assim, na minha vida. Que era o carro dela no final da rua, né? Onde a rua já tinha ficado plana, batido. Batido. Batido, todo amassado, e ela chorando. Porque era o carro... Vamos lá.
A minha primeira lembrança, eu era um bebê gordo, né? E aí... E muito fofo, muito... E eu lembro que as mulheres do supermercado me botavam na balança, tiravam um negócio... A etiqueta? A etiqueta e colavam em mim. E assim, olha esse bebê, vamos ver quanto ele pesa? Aí botava, tirava a etiqueta e botava... E eu lembro de... Amei isso. Era todo dia na mesma padaria e a gente... E aí você descobriu que você foi comprada no supermercado. E aí
Pois é, sabor emo. E por isso que foi emo. Vamos sortear. Se você ganhasse o Oscar, quem você queria que te entregasse o prêmio? Angélica. Angélica? Angélica. Porque antes de emo eu fui angel.
Bonita realização no sonho. Fui muito fã da... Fui no programa da Angélica. A gente ganhava uma pintinha dela pra colar. Colei. Eu fui chamada no palco e ela perguntou o que você quer ser quando crescer. Eu falei, você.
Então, com certeza, Angélica. Ele quer tocar um Simple Pan, de repente. De repente. Vai juntar tudo. Ou um Volt Tantz mesmo, vamos tudo. É isso. Boa. Que maravilha. O meu foi exatamente a galera que apresentou esse ano o melhor filme. Porque o filme que me fez querer trabalhar com audiovisual foi Moulin Rouge. Ah, a Nicole Kidman. A Nicole Kidman e o McGregor. Porque eu lembro que eu assisti aquilo e falei, nossa, eu quero trabalhar com audiovisual. E também provavelmente falei, nossa, eu sou gay. Porque aquele filme...
Essa memória eu não tenho daquele dia, mas foi esse ano. Eu ia achar chiquitérrimo se eles me chamassem. Eu comecei a fantasiar um discurso, depois desse Oscar agora. Eu fiquei lá. E aí, outro dia, eu falei, quem teve uma história com a Nicole Kidman? Ah, eu, eu que inventei. Eu fui muito fã desse filme também. Você sabe o decorado daquela música que eles cantam juntos? É, exatamente. Um dia vamos fazer essa dupla. Fechou. Estamos aqui pra... Eu... Cara, Clint Eastwood. Bom...
Por duas razões. Tem que ganhar um Oscar rápido, viu? Por isso! Ele já está com 96 anos, tem que ganhar ano que vem, cara. Já vou. Entendeu? Já desejando.
Vamos ver uma coisa. Tem alguém na plateia que queira fazer uma das perguntas do programa pra eles? Deixa eu ver. Tem aqui. Lá no fundo tem... Vai nela, Lia. Qual o seu nome? Ana Rodrigues. Ana, qual das perguntas do programa você quer fazer pra eles? Qual a palavra da língua portuguesa você mais gosta? Essa é boa.
Ah, eu gosto de taciturno. Taciturno. Eu gosto de palavras que... Taciturno é assim, quieto, calado. Eu acho bonito quando a palavra já aparece o que ela quer dizer. Excelente. E taciturno, você já sente uma coisa fechada. É emo mesmo. Já sente uma coisa... Taciturno e lânguido. Que aí é uma pessoa mais, tipo assim... Eu acho essas duas palavras muito bonitas. Boa. Eu gosto muito de falar rebuceteio. Boa. Boa. Fala muito, meu irmão. Rebuceteio.
Porque eu tenho muito sapatão perto de mim e trabalho com muito sapatão, aí o rebuceteio é a arte das sapatões de ficarem tocando de casal entre si, né? E tem um filme famoso, Ó Rebuceteio. Que é uma das antigas, da porra do chanchado brasileira. Posso citar um poema rapidinho do Chacal? Vai. A palavra escrita é a palavra não dita. A palavra falada é a palavra gravada.
A palavra gravata é uma palavra gaiata. A palavra goiaba é uma palavra gostosa. Portanto, goiaba é a minha palavra gostosa. Isso, isso. Não é bom? Já fiquei mais inteligente. Agora fiquei com vergonha de ter falado o que você tem. E eu ainda fiz o Chico Bento e a Goiabeira Maravillosa, que é um filme lindo que vocês têm que ver. Boa. E para terminar, o que vocês querem escrito na lápide de vocês?
Ela foi para seu último intercâmbio. O intercâmbio eterno. Ela conseguiu. Eu queria que fosse... Fernando Pedrosa deu o que tinha que dar. Lugo, eu vou citar Lamartine Babu. Aqui jaz um colosso. Só colo e osso.
E a gente aqui jaz um programa que acabou, vocês acreditam nisso? Não!
Já terno também. Mas eu adorei o programa de hoje. Porque, primeiro, se eu precisar ir para algum lugar, tinha que abrir o trânsito, eu já choro o Gugu. Pega a tua fantasia de policial aí, meu Deus. Agora, pai. Já pega teu figurino e para o trânsito todo. Estou com um casamento marcado agora. É de hétero. Se animar aí. Eu quero muito. Me fala. Não sei se são os kitesurfers, mas a gente faz acontecer. E você... Não quero marcar viagem com você.
Não quero porque eu vou estar com tudo planejado. Mas eu já estou toda vacinada. Ah, então tá bom. Então pode. Pode morder macaco, pode ser o que for. Tudo ótimo. E você viaja com a gente até semana que vem porque tem mais programa pra você. Não sai daí. Valeu.