Episódios de Que História É Essa, Porchat?

Juliana Didone + Alejandro Claveaux + Denise Del Vecchio

13 de maio de 202656min
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Fábio Porchat reúne os atores Juliana Didone, Alejandro Claveaux e Denise Del Vecchio. Denise se lembra de uma viagem a Cuba para encenar uma peça que mais pareceu uma fuga desesperada. Juliana e Alejandro contaram sobre os perrengues de uma viagem para gravar "Meu Passado Me Condena” com Fábio Porchat, em um cruzeiro. Fabio também conta sua versão da história. Na plateia, Taináh fala sobre um date que acabou em pneumonia.
Assuntos5
  • Êxodo de cubanosPeça "Feliz Ano Velho" · Convite para Festival de Cuba · Escala forçada na Jamaica · Voo clandestino para Havana · Golpe do charuto · Denise Del Vecchio · Lília Cabral · Marcos Frota · Paulo Betti · Marcelo Paiva · Che Guevara · Cuba · Jamaica · Havana
  • Viagem para a ItáliaJantar e comemoração na Itália · Subida da montanha ao nascer do sol · Perda de passaportes e celulares · Duendes da Elke Maravilha · Elke Maravilha · Queiroga · Marcelo Valle
  • Navio de Teseu e IdentidadeGravação do filme "Meu Passado Me Condena" · Vandalismo no bar do navio · Cancelamento do filme · Marisa Leão · Capitão italiano · Fortaleza
  • Pior Date e PneumoniaEncontro em aplicativo · Cheiro peculiar e mofo no ambiente · Higiene precária · Pneumonia bacteriana · Hugo · Taináh
  • Memórias Infantis e Primeiros CrushesPrimeira memória de infância · Primeiro beijo
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E aí minha gente, eu sou o Fábio Porchat e esse é o podcast do meu programa no GNT. Aqui, que história é essa, Porchat? Eu ouço e conto também histórias curiosas e divertidas da vida das pessoas. Seja anônimo, famoso, não importa. O que importa é ter uma boa história.

E aí, meu povo, pode vir que hoje tem. E eu quero trazer aqui pra vocês um assunto que a gente vive todos os dias e não tem muito o que fazer pra reverter. É a tal da expectativa versus realidade. Seu dia começa, você já pensa. Hoje vai dar certo.

E hoje o céu tá azul, o ônibus vai passar na hora, vai parar pra mim, o que é mais importante e também improvável, eu vou ter um dia bom no serviço. A realidade, amanhã é chovendo, você esqueceu o guarda-chuva e ainda tinha secado o cabelo na madrugada. É a vida da gente sendo aquela que ela gosta de ser, que é sádica.

Aqui é um pouco assim também. Só que ao contrário. O convidado vem achando que vai conseguir sair ileso. E a realidade é ladeira abaixo. Expectativa mantida só pra quem assiste. Esquece o dia nublado, que aqui faz só a qualquer hora. Ainda mais com esse trio de hoje. Pela primeira vez do Que História É Essa, uma dama do teatro, da arte brasileira, Denise Del Vecchio!

E tem também a Alejandro Clavô! E Juliana de Doni! Vem que hoje tá sol, meu povo! Bem-vinda! Vamos lá, vamos lá! Yes! O negócio é o seguinte, eu faço que história é essa, tô em cartaz com peça...

Faço um filme, série, coisa, portas dos fundos, mas o que só me perguntam na rua é quando é que você vai fazer meu passado me condena a três? As pessoas infernizam a minha vida e eu falo vamos fazer quando a Globo me deixar fazer. O Globo tá na tua mão. Só que aí eu falo assim, bom, enquanto eu não tenho três, eu posso fazer um revival do primeiro. E no primeiro que o meu passado me condena, olha aqui, essas duas figurinhas aqui, essas carinhas, eles faziam um casal maldito que atrapalhava a minha vida e a minha...

E a gente se conheceu naquele navio, a gente fez uma viagem de navio por muitos tempos ali. Alguns dias, alguns meses, um mês, né? Não, a gente ficou um mês, tipo 25 dias. 25, 6, 7 dias. No navio. Aí eu falei, gente, não é possível que não tenha uma história naquele navio, história boa, pra gente se expor de alguma forma. Juliana lembrou uma. A Leandro vinha falando, não tenho nada, tenho nada, tenho nada. Só aquela coisa que a gente quase foi expulso do navio. Falei, acho que vai.

Aí eu falei, acho que vale então a gente juntar esses dois e hoje fazer uma historinha e até em dupla. Pra gente entender. Quer dizer, quase em trio. Você tá convidada pro nosso barco que vai afundar. Tem bola? Tem bola? Tem bola. Primeiro eu queria começar dizendo que a culpa do filme ter quase acabado foi de qual de vocês? Foi da equipe toda, praticamente. Do elenco da equipe, tirando você e minha.

Tirando só vocês dois. Olha como eu sou, eu sou muito profissional. Todas eles na festinha e eu fui descansar para o dia seguinte. Ele foi embora mais cedo. Não é? Mas espera aí, essa festinha era do que mesmo? Eu não lembro. Era folga, né? Era uma folga. A gente estava empolgadaço, imagina. O primeiro filme que eu estava fazendo na Vila, acho que todo mundo, praticamente. É o primeiro filme também. E a primeira viagem para a Europa. Então, é um navio que saía do Rio de Janeiro.

e ia pra Itália. Então a gente tava, a equipe e o elenco, muito empolgados. E a gente fazendo um casal milionário, onde as cenas que a gente filmava eram tomando um champanhe e o Fábio dando barrigada na piscina. E a gente só... A cena era essa, a gente ria. Ou então jogando no cassino, numa sauna.

Comendo uma lagosta, né? Era bem difícil os nossos personagens nesse filme. Duro, duro, duro. Inclusive, até queria te perguntar, porque eu nunca soube se você sabia que a gente quase cancelou o filme e que a culpa era nossa. Você ficou sabendo disso? Eu fiquei sabendo exatamente no dia seguinte. O que aconteceu foi a gente gravou, gravou, gravou e aí tinha a famosa folga. A primeira, né? No cinema, quando tem folga, nessa noite anterior, que no dia seguinte tem folga, as pessoas, elas...

Elas ficam loucas, elas fazem de tudo, é folga, então parece que o mundo vai acabar, amanhã acabou. E preso num navio, todo mundo ali, ainda mais com a possibilidade de tudo liberado... Era, open bar, open food, a galera ouviu isso, só que a gente não podia nem open bar, a gente podia beber durante as gravações, nos seis dias, mas era um dia de folga, era seis pra um. E em um dia de folga a galera queria...

causar os seis dias que não causaram. E aí teve um jantarzinho, beleza, gostoso, e teve uma pré-baladinha, assim, de vamos beber uma coisinha, que eu estava. Respeitosamente. Eu sou muito respeitoso. E aí eu estava lá... Namorando, casadaço. Eu estava casado com a minha senhora, inclusive, ali. E Miá estava namorando também o marido dela. Estava, estava com o Lucas, eles estavam lá, né? E aí o pessoal falou, vamos para um after. O after era dentro do barco, né?

Sempre. Se não, vai ser nada. Vai pra onde? Podiam ser em bote salva-vidas. E aí, enfim, aí eu já não sei mais, eu fui pro meu quarto dormir. E aí, no que você foi embora, tudo fechou. Por que será? Tudo fechou. Era um navio enorme, né? Então tinha muitos lugares pra gente ir. 10 mil pessoas, uma coisa assim. Só que meia-noite fechava tudo e não tinha um que ficava aberto, né? O botequinho da esquina, assim, que fica aberto até umas três da manhã. Não tinha, né, amigo?

E aí, jovens, juntos... E aí a galera começou, todos nós... Em busca de um bar, né? Em busca de um bar, em busca da bebida, pulando pra dentro do bar e arrombando o armário de bebida. É porque o bar estava fechado. Vocês resolveram arrombar. Toda a nossa equipe, não, a equipe inteira. A equipe inteira.

Não é gente, exatamente. Era uma equipe, é um grupo que estava completamente errado. Vocês conseguiram abrir e arrombar um negócio de bebida? Não conseguimos. A gente só deu uma zoada, deu uma amassada. E aí alguém falou, pelo amor de Deus, olha o que a gente está fazendo. Não, não, não, não. Aí alguém tinha um gin no quarto, uma garrafinha. E, sei lá, 80 pessoas foram para um quarto tomar uma garrafinha de gin. Deu um gole para cada um. Um gole para cada um. Vamos dormir.

E fomos dormir. Dia seguinte... E fomos dormir. Agora eu quero entrar aqui no lugar, que é o seguinte. Eu dormindinho gostoso. Acordei de manhãzinha cedo... Que dia lindo de sol. Chegamos em Salvador. Debaixo da minha porta tinha um bilhetinho. Eu pensei, de repente, é um navio desejando boas festas. Fábio, curta Salvador. Quando eu pego o bilhete, o que estava escrito no bilhete mesmo? Estava assim, arrumem suas malas...

O filme acaba de ser cancelado por motivo de vandalismo no bar. Aí... Eu pensei que é em papel, mas deve ser uma grande brincadeira. Só que era assinado pela Marisa Leão, que era a produtora do filme. E é uma produtora... Sim. Genial, incrível, falta da aralhaça.

E eu pensando, o que aconteceu? E lá no guardalho também o que aconteceu. Saímos, e saímos, estava todo mundo no navio muito feliz, todo mundo ia para Salvador. E o pessoal da equipe, eu fui passando por uns, e eles com umas caras... Se escondendo, né? Todos. Constrangidíssimos.

E você não sabia ainda o que era? Eu não sabia nada. Por que cancelaram esse filme? Que vanda? O que é isso? O que está rolando? Só que todo mundo que me via fugia de mim. Saía meio correndinho. E eu animado, queria descer em Salvador. Que gostoso! Ai, animado! E aí, teve esse momento. Como é que foi isso mesmo? Como é que foi a briga? Com a Marisa? Não, ela não brigou. Marisa chamou a gente. Na sala, todo mundo na sala. Ela falou assim, subam todos ali em uma sala para a gente se encontrar. Aí quando a gente chegou, já me escondi um pouco. Vi que a Ju já estava assim. E todo mundo meio assim. E você assim, ó.

O que que é isso? Puto, você já sabia. Você descobriu. Puto? Você e minha puto, Zé. Que é só acabar com o nosso filme, né? Acabou. E a gente tinha que desembarcar ali naquele dia mesmo. Acabou o filme. E todo mundo puto. E você puto, cara. Seis dias. A gente fez seis diárias lindas. Estava tudo lindo no filme. O patrocínio. E era patrocínio... Do navio. Do navio. A gente não pagou nada. E o que aconteceu foi que de madrugada... O que que eu soube? Que de madrugada eles tentaram...

quebrar o navio, só que no navio existe uma lei que é o seguinte, no navio se você viola a lei do navio, o capitão é meio o presidente do navio então ele tem voz de prisão e aí duas da manhã acordaram o capitão, que estava dormindinho falaram, a equipe brasileira está roubando bebida no bar

E o capitão italiano, Sérgio, estava olhando esses pivete no vídeo. Tinha vídeo, tinha tudo, tinha drone, tinha tudo. Marisa Leão vendo a gente assim. Tira, vai, força, força no cadeado, vai! Marcelo Valle, Queiroga, todo mundo. Marcelo Valle que liderou vocês. Você viu alguma imagem disso? Vi, lógico.

Mas era a equipe inteira, era o fotógrafo, a câmera, todo mundo. Não tinha pra onde ir, não tinha como continuar filme. Não era só elencar, todo mundo. Não era só nos demitir, né? Era só você que não dava. Era geral. E aí o capitão, lógico, bravo, falou, não tenho mais gravação, não tenho mais nada. E a Marisa Leão... O que que ela fez?

Ela... De madrugada acordaram ela. Não. Sim, por isso que ela botou o papelzinho pra todos vocês. Porque de madrugada acordaram ela, o capitão, ó... O capitão tá dizendo que vão presas, gente, que acabou o filme. Ela de pijama, o capitão de pijama, e os dois tentando negociar o filme de continuar. Que pariu! E o capitão falou, não vai ter filme pra mim, acabou, acabou. Por isso que ela botou esse pilha, ela botou o papelzinho. Vocês, porque o capitão disse que não. Na mesma madrugada, porque a gente acordou cedo, já tava lá. Já.

Porque ela estava mais chateada que ia perder 10 milhões do filme. Ela ficou mais nervosa. Com motivo, né? E a gente quase foi presa, é isso? É. Obrigada, Marisa, que a gente não foi preso. Porque o comandante estalhando ia nos prender. Ah, ótimo.

Mas quando a gente tomou esse porro, que eu não lembro direito, eu estava meio bravo, a Marisa falou que não ia ter filme mais. Que não ia mais ter filme. Só que o navio tinha que atracar em Salvador ou Cuiabá, Fortaleza, é. Fortaleza. Manaus. Manaus. Porto Alegre.

Tinham várias participações que tinham que desembarcar ali porque não iam cruzar e tinham que descer ali. Só que o barco não conseguia parar, porque as ondas estavam gigantescas. Estava um dia lindo, sol, mas fazendo muita onda. E aí o prático, que é o cara que estaciona o barco, não conseguia. Ele falou, não vai dar. A gente não consegue parar aqui. Aí acabou. Agora a gente vai ter que seguir. Aí todo mundo... Você já fez assim... Ô, sorte. Ô, sorte. A gente não vai ter que desembarcar. Ninguém mais. Então a gente vai continuar o filme.

Só que tinha esse problema, então ficou aquela coisa de vai ou não vai, porque a gente tinha equipamento, tinha um monte de coisa pra desembarcar lá. E não ia dar pra desembarcar. Não ia dar tempo, porque tinha que ser um bote. Olha, foi... Mas já providenciou. A galera teve que descer. As quatro pessoas desceram em bote, ainda com risco de vida. E aí o filme não acabou, porque a gente não conseguiu parar em Fortaleza. A gente não conseguiu parar, e aí a gente seguiu. A gente vai dar a última chance, vocês vão continuar.

Mas fica ligado, nada de bebida comporta. Depois, todo mundo olhando sempre um cara feio pra gente. A gente queria uma música diferente na boate, não podia. Ele botava a mesma música. Todo dia, todo dia, todo dia. Com ódio da gente. O capitão deixou. O capitão queria que a gente afogasse. Eu amei ele, ele deixou.

Mas aí chegamos, finalmente, na Itália, depois desse quase não filme, desespero, todo mundo mais comportadinho. Muito mais. A gente abasteceu os nossos frigobares também, né? Pra não ter mais esse problema. Fechou o bar, a gente tinha na nossa geladeira. Um vinho, um negócio, dava pra fraternizar com os amigos. E o barco chegava na Itália, né? Chegava na Itália. E quando chegou na Itália, aí vocês... Aí é que se inspiraram mesmo, né?

Aí a gente comemorou o fato. Comemorou, Juliana? Como é que comemora?

Mas aí vocês fizeram essa... Quando a gente chegou na Itália, só eu e a minha gravávamos, né? Então vocês não gravavam, então vocês tinham meio uma folga. Aí vocês resolveram sair pra... A gente tinha acabado, realmente. A gente tinha acabado as filmagens, concluído com sucesso. A gente estava muito feliz. Essa cidadezinha muito charmosa. E ela era íngreme, assim, pequenininha. E eu acho que você também estava nesse jantar, porque foi todo mundo jantar. A gente ia embora já. Mas a gente ia embora. Pra gente era folga eterna. Já tinha acabado. Exatamente.

E aí, uma grande mesa, e a gente ficou ali meio inimigos do fim. Eu, a Lê, Queiroga e o Marcelo. Marcelo Vale. Naqueles cinco minutos que você tá ali meio decidindo o que você vai fazer, você ainda não sabe se você vai sentar, deitar, ir pra outro lugar. E aí não deu tempo da gente decidir, porque o Queiroga chega com várias garrafas de vinho. Abertas. Abertas já.

Aqui pra você, aqui pra você. A gente pegou aquelas garrafas de vinho, né? Tipo, meu Deus, que companhia péssima. A gente nem bebe. E aí começamos a tomar essas garrafas e subir. Porque alguém também deu a ideia de falar, cara, vamos subir e ver o nascer do sol. Porque era o único dia que a gente ia ter nessa cidade. Depois eu ia pra Roma, encontrei minha irmã. A Lê viajava também, acho que ia pra Milão, né? E subia onde?

Subir no topo da montanha da cidade. Ah, uma montanha. É, uma montanha. Que é uma ideia que bêbado tem, né? Vem sobra e fala, eu vou no topo lá, vou impor do seu nasceu do seu, não é, gente? Isso é coisa que já tá na garrafa de vinho. Mas não era só garrafa de vinho, tinha uns brilhinhos ali aqui também, né? Tinha uns brilhinhos. Você diz brilhinho, e aquele que a gente pinga na boca? Que a gente bateu na língua. Ele bateu na língua.

É um brilhinho! Não posso afirmar, não sei se tinha. A gente viu aquela montanha. A gente queria andar, né? Queria andar, queria andar. Isso no meio da noite? Na madrugada. Na madrugada. Depois daquele jantar que você tava. E aí vocês subiram a montanha? É, e no início da subida tinha umas casinhas, né? Assim, as pessoas, os moradores, e a gente tava muito feliz. A gente tinha batido. Então a gente deu, a gente apertava, quinta série. Apertava as campainhas? Aham.

E saiu correndo? Da dor de vida, felicitar, ficava falando coisas assim. Prego, prego. O que é bom? É na cera, sei lá, coisas. É, muito orgulho. É o tema do Enidia. Vinte e poucos anos, sabe? Claro. Isso é importante. Vocês queriam ser expulsos do filme e da Itália. É interessante. É uma tentativa de impossibilitar qualquer coisa mesmo.

E aí vocês foram subindo. Pelo meio da floresta mesmo? Não, era uma estrada. Uma estrada de carro, assim, normal. Tipo, asfalto, só que ela era... Entre a estrada tinha o mato. Floresta, mato, árvore, íngreme, caída, tudo isso. E aí a gente foi andando, conversando, se amando, agradecendo, né? Que lindo esse filme, esse encontro. De repente a gente fala, vamos registrar esse momento?

Vamos registrar esse momento, uma foto. Porque há 15 anos atrás, a gente não era tão psycho do celular, que ficava o tempo inteiro, faz story, faz isso aqui, faz... Nem tinha essa. Não tinha. Então a gente falou, cara, vamos registrar esse momento.

E aí, o que uma pessoa normal faz? Ela pega o celular aqui agora e faz assim, né? Uma selfie. Mas não, a gente é ator. Vou mostrar. A ator elabora um pouco mais, né? Aí a gente desceu um pouquinho. Tava lá, botou o celular assim, apoiadinho na bolsa.

Aí eu já sentei aqui assim no chão. Aí levei. Eita, clicou a foto, a gente já esqueceu de tudo e já ficou aqui se amando, olhando as estrelas. Ah, esqueceu que o celular já ficava assim. Claro, esqueceu tudo. Ficamos conversando, falando que delícia, que lindo. Doideira, que doidão.

A gente tem umas fotos bonitas que eles tiraram, eu acho. Tem? Deixa eu ver, ó. Essa é a gente. Essa é a gente saindo no último dia e indo embora, graças a Deus. Esse foi o momento. Essa foi a hora. Essa foi a hora. Essa aí já está excelente. Caraca, amigo. Mandei aí, cara. Com as garrafas de vinho, olha lá! Olha lá que as garrafas de vinho, que maravilha. Maravilha. Isso aí é a tentativa de foto, ó. Todo mundo se escondendo, que maravilha.

Olha! A hora da foto que a gente deitou. Que eroga, deitado no chão. Ai, que ótimo. E aí, bom, tiraram... Aí tiraram foto e, assim como você, esqueceram o celular ali. Claro! Entendeu? Nada mudou de lá pra cá. E aí, continuaram andando? Continuamos andando, continuamos andando, continuamos andando. Daqui a pouco eu...

Cadê minha bolsa? Cadê meu passaporte? Aí o Queiroga fala, cadê minha câmera? O Marcelo fala, gente, cadê tudo? Cadê meu celular? A gente fala, cara, fodeu, cadê tudo? Cadê tudo? Vocês perderam tudo? No topo, a gente chegou bad trip. Bad trip total, perdemos tudo. A gente tinha que ir embora no dia seguinte. Perderam passaporte, carteira, celular. Tinha nada. Tinha dos quatro.

Ninguém tinha nada assim mais, nada. E aí a gente já ficou careta de novo, né? Já cortou a onda. Falou, cara, que merda, nada a ver, tipo, tudo tem o limite, meu Deus. Acabou tudo, eu comecei a chorar, mas é esperado. Como é que eu vou pegar minha irmã de 15 anos, que nunca tinha saído, sabe, pra viajar e eu estava sendo responsável por ela. Minha primeira viagem, eu não sabia falar uma palavra no ex, eu não sabia nada, eu estava, como é que eu vou fazer agora? É, e como que vai pegar um celular novo de novo, né? A gente falou, cara, que merda, que merda, puta que pariu, já ficamos todo mundo mal-humorado, com raiva, né? Desse amor todo, virou ódio.

E aí vamos procurar. A gente esqueceu da parte do almoço também, né? Não tinha essa parte. Agora voltando lá atrás. Só pra gente seguir aqui, a gente vai voltar lá atrás. No navio ainda. No navio ainda. A gente teve a sorte de conhecer...

a nossa amada Elke Maravilha. E enquanto você filmava, a gente tinha muito tempo com ela. Então, a gente estava esperando para entrar em cena, a gente ficava no colinho dela, ela contando as histórias. Enfim, uma mulher inteligentíssima, algo absurdo, né? Espiritualizada. Ela era muito interessante mesmo. Muito interessante. E uma sorte estar com ela ali, uma sorte gigantesca.

E aí ela falou assim, Alê, vai lá no quarto, que a gente estava falando sobre a vida dela, eu quero mostrar para vocês umas coisas. Vai lá no meu quarto e pega a minha caixa com fotos que eu quero mostrar para vocês. Aí eu fui, quando entrei no quarto de Elke, todas as perucas, assim, organizadas, todos os colares, os vestidos, os figurinos.

Eu falei, meu Deus, eu tô aqui no quarto da Elk, que sorte, olhando as coisas todas, e assim, não achei a caixa dela. Procurou, procurou, procurou. Procurei, procurei, ela falou, tava em cima, em frente à cama. Falei, não, não, não, não vi, não achei, voltei pra Elk, não tá lá. Ela falou, ai, meu Deus, os meus duendes, de novo, escondendo as minhas coisas. Os meus duendes? Os meus duendes. O que que é isso? A gente perguntou, duendes? Ela é, é sempre assim, quando eu quero alguma coisa, eles vão esconder, só pra eu prometer alguma coisa, um pagamento.

que ela tem que fazer uma promessa, e aí eles me devolvem. Eu falei, e agora? Ela se comunicou com eles, meus duendes, meus duendes, meus duendes. Eu prometo, e fez uma promessa em silêncio. Ela falou, agora vai, volta lá que vai estar lá. Ela tinha tomado o brilhozinho de vocês também? Isso não foi, era outro romano.

E aí você voltou no quarto dela. Ele estava lá, em frente à cama. O duende tinha devolvido. Você chegou lá e tinha caixa, estava lá? E estava a caixa em frente à cama. Você não tinha visto, você estava dormindo. Não, eu não estava. Eu estava bem, eu não tinha nada. Eu também achei isso, no primeiro momento, confesso. No primeiro momento, mas calma. Então, quer dizer, e a Elke disse o quê? Meus duendes sempre acham as coisas. E quando a gente voltou com a caixa, ela falou assim, olha só, para nós dois. A gente estava assim, almoçando. Eu cheguei e ela falou assim, para nós dois. Ela falou, quando vocês perderem alguma coisa, eu acho que é um recado da Elke para todo mundo, porque eles são de verdade.

Quando vocês perderem alguma coisa, gritem em voz alta, duendes da Elk, duendes da Elk, duendes da Elk, e pede para eles acharem. E faz um pedido. Uma promessa. Uma promessa, alguma coisa que vocês queiram dar. Uma maçã, não sei, o que vocês quiserem ali que vocês estejam sentindo.

E aí a gente aprendeu isso, a Ju vai continuar. E aí a gente perdeu tudo, bad trip total, a gente decide, vamos voltar, porque a gente tirou a foto, lembramos, tiramos a foto, deve estar lá no caminho. E não passava carro, era super deserto, então a gente estava meio convictos de que a gente ia achar as coisas. Só que a gente não sabia exatamente onde, era tudo uma coisa só, uma estrada só, a gente falou, acho que era meio essa altura, não sei. E aí não estava lá, e a gente falou, cara, não está, será que alguém passou e pegou? Que merda!

E aí, nisso, já estava desesperada, eu acho que ele lembrou dos duendes da Elk. Desespero, lembro, é verdade. E aí você falou o quê? Eu levantei e falei, duendes da Elk, duendes da Elk, duendes da Elk. Me ajuda a achar tudo, tudo, pelo amor de Deus, duendes da Elk. Aí eu falei, Ju, vai fazer... Aí ele caiu. Não, aí você falou, eu vou fazer a promessa. Você falou...

Aí eu fiz a promessa. Verdade, verdade. Aí nessa... Eu caí uma ribanceira. Que isso? Da montanha inteira, rolando, num mato, assim, que era dessa altura. O que você prometeu pros doentes que eles não gostaram? Doentes. Isso, aí rolando. Aí todo mundo esperando. Você tá bem, você tá bem? Aquela coisa. Eu tô bem. Aí eu... Todo cortado, todo fodido. Aí eu vou levantando a montanha. Aí, de repente, um...

Eu olho assim, tipo, mato desse tamanho, dessa altura, e eu subindo assim, porque era muito íngreme. E peguei, quando eu boto o meu levanto, um passaporte. Não.

Ele levanta a outra mão, uma câmera. E vou subindo, em cada mão, era uma parada que eu deixava. Um celular, o celular dela, o meu celular. Minha bolsa. A bolsa dela, tudo. E um lugar que a gente não foi, entendeu? Tipo assim, era aqui. Caiu para as laterais, não no meio da estrada. Eu sei que no final, quando eu cheguei no topo, eu estava com tudo comigo.

E a gente começou a se olhar e a chorar muito, assim, porque não fazia sentido, entendeu? Menor sentido. Ela tinha, a Elke tinha essa magia mesmo. Que loucura. De verdade. Os duendes da Elke. Os duendes da Elke. E o que você prometeu para os duendes?

É, na verdade, eu achei que era o Alê que tivesse prometido, e aí eu também prometi tudo. Achei que era importante todo mundo prometer alguma coisa. Queiroga, alguma coisa, Marcela, alguma coisa. Vamos prometer bastante coisas pra que tudo apareça, né? A minha foi de que eu compraria um duende assim que eu achasse uma loja ali. Não, não foi isso. Como não? A minha promessa não foi essa? Você prometeu um beijo quádruplo. Eu prometi um beijo quádruplo?

Os cats beijaram aí. É por isso que os doentes punheteiros falaram... Dá as coisas pra eles, agora, aqueles punheteiros, beijam! Que maravilha. Vendo nascer do sol, olha que lindo. Vendo nascer do sol. Um beijinho. Não, mas fala a verdade, vai. Você prometeu o quê?

É, isso foi pra massa deles, gente. A minha foi fofa. Eu prometi que... Porque eu também acredito em duendes e fadas. Então, quando a gente teve esse almoço com a Elke, ela confirmou também uma crença minha, sabe? Eu achei muito incrível, porque eu já era fã da Elke pela figura maravilhosa dela, né? Um símbolo de liberdade, de feminino, assim. E aí, quando a gente achou, eu falei, cara, os duendes da Elke que fizeram a gente achar. Óbvio, eu preciso de um duende amanhã.

No outro dia acordo com o telefone da assistente de direção da Nakamura falando Ju, seu voo!

Para Roma. Falei, caralho, que merda, que merda. Fomos dormir depois do nascer do sol, né? Claro que eu não acordei duas horas depois. Perdi uma grande odisseia, né? Esse navio, essa viagem. Perdi o meu voo para Roma, que minha irmã de 15 anos estava chegando. Que bom. Peguei um trem, depois peguei o outro trem. Falei, graças a Deus, duende Isabel, que brigada. Preciso de um duende, preciso materializar um duende. E aí, eis que...

Comprei. Ela trouxe. Cuidado.

É fofo. É Ulisses? Batizei de Ulisses. É... É... Uma lembrança lá da Odisseia, né? E você guarda esse duendinho bonitinho contigo? Guardo. Que bonitinho. Ele acha. Adorei. Você sabe que essa coisa de duende, na Islândia, eles acreditam em duende mesmo? Uhum. Não é assim? Ah, ha, ha.

E o governo da Islândia vai construir uma rodovia, rodovia que vai ligar aqui até lá. Eles fazem assim porque aqui moram os duendes. Mentira. Sim, o governo. Ele não faz uma reta com a pista porque aqui moram os duendes. Então eles contornam para construir. Então tem o parque onde ficam os duendes. E a crença deles, eles acreditam, ia ser mais barato fazer uma reta, eles fazem a curva porque moram os duendes. Islândia. Na Islândia.

Mas depois dessa história, não tem como não acreditar. Eu vivi isso. Eu sinto, inclusive, que quem tinha que ter pedido coisa pro duende era a Tainá, que se a Tainá tivesse pedido pro duende, não tinha acontecido o que aconteceu, né, Tainá? Tainá, que você não sabia do duende da Elk, né, Tainá? Pois é, se eu soubesse... Às vezes a gente vai num date... Ruim. Muito ruim. Conhecer pessoa em aplicativo não dá certo. Às vezes dá, poxa.

Mas você nesse dia não rolou. Não, nesse dia não rolou várias coisas. Me conta um pouquinho dele. Bom, conheci um cara no aplicativo, pensei, 40 anos, 70 facetas na boca, deve ter uma condição ok.

Vamos dar um nome fictício pra ele? Vamos. Vamos chamar o quê? Hugo. Hugo. Conheci o Hugo. Marcamos de sair num barzinho com um show de pagode que ambos os dois gostam e tal. Eu sempre falo pra minhas amigas assim, olha, observa sinais. Eu...

Óbvio que não observei nenhum, né? E na hora que eu fui cumprimentá-lo, eu senti um cheiro estranho. Ih. Mas continuei. Entramos no bar, curtimos o show, dançamos, tal. Um cheiro estranho o que era? De fedor? É, um cheiro peculiar.

Peculiar na roupa, assim, guardada, sabe? É peculiar. Nem eu estava conseguindo identificar exatamente. Aquela roupa ia ser tirada mesmo. Vamos seguir, né? Sim. E aí, curtimos ali o show, pensei, ah, não vou ficar com ele. Mas aí, as facetas... beija bem. Olha aí. Beija bem. Pegou legal.

Beijei ele, aí teve uma hora lá no show, começou a dançar, tocar funk, comecei a dançar, como qualquer outra mulher. De repente, né, aquela coisa de roçar, roçar... Eu não senti nada. Quando você diz... Levante um pouquinho. Quando você diz roçar, é mais aqui assim, ó. É aqui.

Tu roçou aqui... Isso! E nada! E aqui é que você não sentiu nada. Nada! Tu tava aqui... Entendi. E nada! Você aqui, Jaquê! E nada!

Estou entendendo. O que é isso? Pensei, deve estar de um lado, né? Apuladinho. Falei, deve estar. Saímos de lá, ele falou, vamos embora. Eu falei, vamos. Fui para a casa dele. Estava meio alcoolizada. Mas ele também, né? Estava todo mundo. Também, os dois estão alcoolizados. Chegamos na casa dele, eu sei que eu fui descendo, parecia um túnel. Descendo, descendo, descendo. Falei, gente, que cativeiro é esse? Quando eu entro, aquele cheiro peculiar, eu de repente olho para as paredes.

Parecia o dálmatas de tanto mofo que tinha ali. Mofo na parede? Era muito. Era parede, teto, tudo. E aí eu... Meu Deus. O que eu tô fazendo aqui? Mas estava ali. Já tava lá, né? Já tava lá, falei. O corpo também pede, né? Já sei. É, falei... Aquelas facetas falando, vem!

E aí? E aí eu fui tomar banho, falei pra que eu precisava tomar banho. Olhei assim no banheiro e falei, preciso de um sabonete. Quando eu olho assim na janela, o sabonete em cima de uma bucha de lava-louça. Falei, meu Deus. Aí eu falei, vou procurar um chapuco. Tipo aquela que é amarela e verde? Exatamente. E detalhe, tava gasta. Ele usou.

Se lavar com bucha, funciona. E aí eu falei, vou procurar um shampoo. Só que eu lembrei o quê? Ele é careca. Não tinha shampoo. Falei, é com esse sabonete. Mas careca lava cabelo, sabia? Ali ele deve usar só aquele sabonete. Ele usa o próprio sabonete. Sim, aí até eu tive que usar. Peguei o sabonete, me lavei e pronto.

Fui pro quarto. Detalhe, ele não tomou banho. Todo mundo que me conhece sabe que eu tenho problema com lenteza. Eu sou bem chata. Eu entrei no quarto, quarto extremamente úmido, a cama era úmida. Bom, fomos, né, nos envolvendo ali. E aí, de repente, eu não sentia nada. Ia beijando e não sentia nada. Isso já sem roupa. É, e nada aparecendo. Eu falei, não é possível. Fui apalpando. Quando cheguei lá... Cadê?

Meu dedo era o meu maior. Era piquitito. E aí ele foi, colocou lá o preservativo. Era um dedal, né? Ele colocou, ele tinha ali um...

Às vezes é um pacote de bala. Sabe bala quando você tira? Se envolveu. E teve que ficar segurando o preservativo pra não sair. Eu sei o que ele passa. Quer dizer, eu... Segue aí. Era muito pequenininho mesmo. E aí teve que ficar segurando, tentei uma posição, não foi. E aí fui tentar uma posição que todo homem gosta. Aí, na verdade, ele achou que tava transando, mas não tava. Ele tava transando com as minhas pernas. Porque não achou que custou.

Não alcançou, ficou ali. Não chegou nem perto. Mas ele achou que tava? Ele achou que tava. Isso, gostosa! Exato! Sua doida! Ele tava assim. Você quer mais, né? É que eu vou! Olha que eu ponho tudo!

Se me deixar... E o pior foi exatamente isso. Aí aquela coisa, né? Falei, gente, isso tem que acabar. Tem que acabar. Uma mulher sabe fingir. E aí eu falei, vou fazer o que... Acaba com isso rapidinho. Vamos gozar juntos. Vamos! Aí ele ficou doido. Falei, isso, vamos gozar. Vai! Vai! Pronto, foi. Finalmente falei...

Vou embora pra casa. Falei pra ele, olha, vou embora e tal. Ele pediu um Uber, eu fui pra minha casa. Passou três dias depois, comecei a sentir mal-estar, gripe. Eu falei, nossa, tô ficando doente. Só que não passava aquela gripe. E é uma falta de ar, uma... Aí eu falei, gente, eu vou no médico. Aí quando eu falei pra doutora que eu tenho problema respiratório e tal, ela pediu um raio-x de tórax. Quando foi ver, simplesmente eu estava com pneumonia bacteriana.

Você pegou pneumonia bactéria na casa dele? Na casa dele. Não, não é possível. Aí eu perguntei pra médica, olha, se eu ficar algumas horas respirando, inalando um ambiente úmido e com mofo, pode ter causado? Ela falou, sua casa é assim? Falei, não. É que eu fui num lugar e tava assim. Um rapaz com pau pequenininho. Aí ela falou, quantas horas mais ou menos? Eu falei, não faço ideia. Aí realmente acusou isso e eu tive que ainda tratar.

Esse é o pior date da história. E detalhe, ele ainda quis continuar. Ele queria? Queria, ficou mandando mensagem, querendo continuar saindo comigo. E eu não respondia mais. Imagina, você tinha que ter falado, manda foto do peru, ele nunca mais...

A pessoa põe uma pneumonia bacteriana na casa do dente. Sabe o que você tinha que fazer? Você tinha que olhar pro peru dele e falar... Duendes da Elk! Duendes da Elk!

E agora é um... A gente com peça viaja. Viaja. Por tudo que é canto, né? Isso. E você estava fazendo... Feliz Ano Velho. Isso no final dos anos 80. Direção do Paulo Betti. Adaptação do livro do Marcelo Paiva, Feliz Ano Velho. Fez um sucesso extraordinário. E apareceram alguns convites para o exterior. Nós fizemos em Nova York, fizemos no México, em Porto Rico. Caramba! E aí chegou um convite para o Festival de Cuba.

Que naquela época era uma coisa ir para Cuba, não havia voo do Brasil para Cuba, era proibido. Então, ah, mas nós vamos, nós vamos, nós queremos ir de qualquer jeito, ficamos animadíssimos. Era um festival internacional, naquela época a União Soviética ainda não tinha caído. Então Cuba tinha dinheiro ainda.

A União Soviética ainda dava dinheiro pra eles. Dava dinheiro. E um movimento cultural muito importante, de cinema, de teatro, né? Aí, nós recebemos esse convite, conseguimos o dinheiro das passagens, só que pra chegar em Cuba tinha que ir pra Jamaica, e da Jamaica, Kingston, pra Havana. Tinha esse voo, compramos essa passagem, o elenco inteiro, o cenário, tinha dois trapézios de ferro.

e uma escada de pedreiro imensa, também daquelas de alumínio, e um colchão enorme, porque o Marcos Frota, que fazia o Marcelo Paiva, na primeira cena ele pulava lá de cima da escada, naquele colchão. E dava um blackout. Começava já era um absurdo. Ah, porque o livro é sobre, inclusive, quando o Marcelo Rubens Paiva, que inclusive fez o Ainda Estou Aqui, é o autor do livro, Ainda Estou Aqui. Eu fazia a Eunice.

Você fazia o Nisse. Eu fazia o Nisse. A mãe, que é a Fernanda Torres. O livro Feliz Ano Velho é falando de quando ele sofreu o acidente que o deixou paraplégico. Isso. Então ele mergulhou e caiu, por isso que o Frota fazia... O Frota é o... É o Marcos Frota. Eu lembro do Alexandre Frota, é doido. Falei Frota e fui pro caminho tão errado.

Era um elenco de quantas pessoas? Seis pessoas. Era eu, Lília Cabral, a Dilson Barros, que já foi, tadinha, o Marcos Frota, Marcos Calói e Cristiane Rando, que deixou de ser atriz porque é sábia. E aí, bom, todos rumo à Jamaica. Lília não foi porque Lília estava fazendo novela aqui na Globo, entrou o Zira Andrade, que foi substituta dela. Pegamos o avião...

Chegamos na Jamaica. O que tinha acontecido? Uma mudança política de governo. Não tinha mais... Tinha cortado relações com Cuba, não tinha mais voo para Cuba. Nós ficamos no aeroporto.

com a escada, com o trapézio, com o colchão, com as malas, o figurino. Ali, jogados no aeroporto, aquela gente passava e falava assim, cucarachas. Cucarachas.

porque eles são muito ingleses na Jamaica, né? É verdade. E nós ficamos ali, num desespero. Bom, o que vamos fazer? Fomos para um hotel, mas a gente... Porque vocês iam parar na Jamaica só para fazer a escala. A escala. Não ia nem dormir na Jamaica. Não, não, era só a escala. E Paulo foi falar... Paulo e Marcelo Paiva, que estavam com cadeira de rodas e tudo lá com a gente.

foram procurar a embaixada brasileira na Jamaica. Começaram a falar com a embaixada brasileira, com Cuba, a embaixada brasileira começou a falar com Cuba, e Cuba começou a falar com a Jamaica. Então, foi uma triangulação diplomática. Isso no aeroporto? Não, a gente foi para um hotel e eles ficaram indo. Veio o cônsul brasileiro lá.

conversar com a gente, falou, olha, nós armamos aqui, conseguimos armar um esquema que é o seguinte, não pode pousar um avião cubano aqui, então vai ser clandestino. Depois que fechar o aeroporto, à noite, vai chegar um aviãozinho vindo de Havana e vai pegar vocês. Só que tem que ser rápido, ninguém pode saber. Então, fomos para o aeroporto à noite.

Com a escada, com a colchão... Com o chão! Fomos pro aeroporto, ficamos ali esperando. Fechou o aeroporto, apagou todas as luzes, todo mundo foi embora. Nós ficamos lá. De repente, pousa um aviãozinho.

O Rousseau fala, é esse, é esse. Olha lá, tem que ser rápido. Tem que embarcar rápido, porque não pode ficar muito... Aí era um aviãozinho, gente, que tinha um furo de bala. Juro por Deus. Tinha um furo lá de fora. Era um aviãozinho de guerra, da, sei lá, da Revolução Cubana. Meu Deus, que desespero. Aí parou aquele aviãozinho, desceu um homem. Lindo, um cubano.

vestido com a guaiabeira, aquela roupa cubana, aberta, assim. Cá, que lindo! Desceu do avião, veio em nossa direção. A gente olhou e falou, quem é esse homem? Era o piloto. Era o piloto, gente! Ele estava de guaiabeira aberta, assim, toda coisa. Muita vontade. Cubano. É, cubano.

O avião não tinha bagageiro, então teve que entrar com a escada, com os trapézios, com o colchão, tudo dentro do corredor. Nós sentadinhos aqui, aquilo tudo aqui... Enfia logo, rápido, rápido, e pega a cadeira do Marcelo, enfia o Marcelo para ir lá dentro. Porque... Coitado, imagina, é? Não tinha acesso para cadeirante. Nada, nada. Entramos naquele avião, Cristiane Rando, que era uma dançatriz, disse assim.

Eu não vou! Eu não vou! Ai, Cristiane, não tem saída. Entra, entrou. Aí, quando a gente entrou, sabe aquele negócio de despressurização? Que entra aquela fumacinha branca? Entrou uma fumacinha branca imensa. Fez uma nuvem, a gente não se via. Daqui a aqui, a gente não se via. Era assim. A Cristiane dizia, vai explodir. Isso aqui vai explodir. Vai cair, vai explodir.

Não explodiu nem nada. Decolou. Decolou. Só que era o seguinte, como ele não pôde abastecer na Jamaica, porque não podia, tinha que parar na primeira cidade de Cuba, que a gente parece que nem lembro o nome.

Vocês ali no avião estavam tensos? Muito. Todos? Com a cara de talvez não tenha sido a melhor solução. Todos, é. Minha irmã, que era Alzira, que entrou no lugar da Lia Cabral, estava feliz, era dia de aniversário dela. E ela estava numa alegria, aí minha irmã era muito expansiva, o piloto lindo chamou ela para ir na cabine. Sentou do lado. Na cabine, achou tudo lindo, tinha foto do Che Guevara na coisa do avião. Não, é louco.

Coisa assim, um senso total. Aí teve que parar na primeira cidade para abastecer, aí saiu de novo... E pousou em Havana. Fumaça, pousamos em Havana, era de madrugada, eram umas cinco horas da manhã. Tinha o alto escalão cubano esperando para dizer ministro, toda a imprensa, porque a gente abriu o festival.

Peça que abrir o Festival de Cuba era brasileiro pra vocês. Era a primeira, num teatro de 3 mil lugares, e era naquela noite. Ah, então tinha que ser aquele dia. Não tinha jeito, foi um resgate, assim, que a gente tinha que chegar. Por que a gente acha que o teatro é tão importante?

Aí descemos lá, muito bem recebidos e tudo, vamos a um baita hotel. E aí fizemos... Deu certo a pena? Deu certo. Tinha gente lá para assistir. 3 mil pessoas, incluindo crianças, porque eles não têm babá, né? É. Então vão as crianças todas e vai... E eu fiz uma abertura em espanhol, que eu nem sabia falar em espanhol, mas eu expliquei tudo em espanhol, porque eu estava tão desesperada que eu tinha conseguido chegar lá.

E aí foi lindo. Foi um sucesso? Foi um baita, sucesso. Foi um sucesso? Que loucura, hein? O que a gente não faz pelo teatro, é? Que maravilha isso. Mas Cuba, eu fui pra Cuba...

em 2019, 2018, amei Cuba. E achei o povo cubano muito legal. Porque o povo brasileiro é o melhor do mundo. Mas o povo cubano é muito simpático. Eles gostam da gente. Eles adoram a gente. Não só porque também as novelas chegavam lá e assistiam, mas ele é um povo simpático. E eu vi que era simpático. De um modo geral, com estrangeiros, geralmente qualquer...

Aí você vai, as pessoas a bordo, querem vender coisa. Vem aqui, meu rei, como é que você tá? E tal. Em Cuba, eu lembro que um dia eu tava andando, com um mapinha na mão, tentando me ver, e aí vem um cara, tá procurando alguma coisa? Aí eu falei, ia querer vender. Eu falei, é, tô procurando um restaurante. Ele, olha, vou te indicar, tem um aqui, tem um que você quer ali, tem aquele outro que é muito gostoso, pode ir em qualquer desses que é muito bom. Aí eu, ah, tá, você conhece? Ele falou, não, não é meu, não, é só porque eu já comi lá e achei bom.

Me deu uma dica, assim, aí eu, ah, obrigado. Aí eu fui andando, ele foi andando do outro lado da rua, aí daqui a pouco, no meio do caminho, o caminhozão, pensando, não sei se eu vou nesse restaurante, o cara, ei, Fábio, lembrou meu nome, é esse aí, ó, que é o bom. Fala, fala pra pedir desconto que eles dão. Uma coisa assim, ele de boa gente. Aí teve uma outra hora que eu tava andando na rua, veio um cubano e falou assim, tudo bem? Aí eu falei, tudo, tá gostando de Cuba? Aí eu falei, tô, ele, ah, que bom.

Olha que ótimo. Era só isso, ele só queria saber se estava tudo bem. E como eles são muito boas, gente, eu estava muito animado com isso. E daqui a pouco, estava querendo comprar um charuto, aí um charuto mesmo, para o meu pai. Meu pai foi um charuto e, pô, em Cuba, os cubanos, né? São os melhores do mundo e tal. Falei, vou comprar um charuto para o meu pai. Falei, será que eu vou numa loja onde eu vou? Estou andando na rua, vem um cara, um rapaz e fala...

em espanhol, falando, tá procurando charuto? Aí eu falei, tô procurando charuto, por acaso. Aí ele falou, pô, você não sabe. Eu trabalho na fábrica de charuto. E aqui em Cuba acontece o seguinte, todo mês a gente tem um dia de folga que a gente pode vender os charutos pela metade do preço pra gente conseguir fazer um dinheirinho por fora. E pô, hoje é o dia da folga. Eu falei, não, que sorte que eu dei.

E ele falou, eu tô com charutos vendendo, se você quiser eu posso te dar. Eu falei, mas qual marca? Ele falou, as marcas boas lá e tal. Eu falei, então vamos.

Eu acho que a cara do turista é de otário no mundo todo. Porque eu acreditei na história dele. Eu achei que aquele era o dia mesmo. E ele falou, vem comigo, eu vou com ele. E fui andando. E fui andando pensando, pô, realmente, olha que sou, eu sou muito sortudo. Eu fui andando, ele me guiando, venga, venga, vamos sacar, hein, mi cacita. Ai, uns avanos aqui, uns... Vamos, vamos, que beleza. E eu fui indo atrás dele e fui ficando tudo um pouquinho mais...

Porque Havana, as casas já são todas meio curtiços, assim. É muito cinematográfico, assim, a cidade. Até que ele chegou num lugar, eu tenho a foto desse lugar que ele chegou, e que eu falei, não sei se tá legal esse lugar. Esse lugar mais chato, assim.

E ele falou, vamos entrar. Aí eu olhei aqui e falei... Peroqueci, peroqueci, peroqueci. Peroqueci, peroqueci, peroqueci. E ele falou, venga, é seguro. Venga, venga. Eu falei, venga, então venga. Eu entrei e aí quando eu entrei, as janelas eram com grade. Tá vendo? Elas têm grade ali do lado. Meu Deus. Era janela com grade. Eu entrei, ele fechou a porta e trancou. Sequestrado. Ali eu me dei conta de... Meu Deus, eu sou um imbecil.

Completamente. Um cara na rua falou que é charuta. Eu falei, quero. Entrei na casa. Você ouviu benga, benga, benga? Benga, benga. Ele vai mostrar a benga dele. E aí eu, mais chateado... Entrei e tinha outro rapaz dentro, já um pouco mais firme, mais forte.

Ele trancou a porta, janela com grade e tinha uns charutinhos na mesa. E aí eu... Como é que é que tá? Ele, não, veio o charuto. Eu falei, rapidinho que eu preciso ir. Ele, claro, claro.

E ele realmente tinha charutos, era uma venda de charutos mesmo. Ele mostrou vários charutos de várias marcas, falou o preço e tal. Eu tinha lá o dinheiro. E aí comprei, sei lá, dez charutos pro meu pai, porque era um preço maravilhoso. Paguei o dinheiro pro moço em dólar e tal. Obrigado, obrigado. Levei as caixinhas, saí de lá, meio apavorado. Não, não era, tô aqui em ter isso, tá bom. Saí pensando, porra, me dei bem. Olha aí o maldando.

Olha eu, com a cabeça ruim. De brasileiro com medo, né? Não é? Fui pro Brasil de volta, achei que meu pai tá aqui, ó, o charuto. Meu Deus, esse charuto é caríssimo. Falei, é, com o teu filho é assim. O que for em qualquer lugar. Ele, beleza, pegou o charuto. Sem brincadeira, ele pegou o charuto também. Ah, irmão, acendeu o charuto. Ele começou a acender o charuto, você fica com fogo, fica... E ele começou a fazer isso. Na segunda, ele fez... O charuto quebrou no meio. Pou!

Aí ele falou, o que é isso aqui? Eu falei, é o charuto. Ele falou, isso aqui é falso, isso aqui tá errado. Todos os charutos eram falsos. E aí, obviamente, eu caí no golpe do charuto. Não tem dia nenhum que ninguém pode vender charuto nenhum. É tudo uma grande mentira, que só os otários acreditam. E eu, desde então, pra todo mundo que vai pra Cuba, eu falo, você comprou charuto? A pessoa olha pra mim e fala, você caiu no golpe do charuto. No dia do charuto. E eu falei, eu caí no golpe do charuto.

Mas eles me enganaram tão gostoso, eles são tão legais. E eles são bonitões, né, os cubanos? Eles vão te levando, te ludibriando do jeito... Eles enganam de um jeitinho que só eles sabem. E aí fui enganado, perdi um dinheiro lá. Meu pai não fumou charuto nenhum. Mas podia ter sido pior, né? Tirando o golpe do charuto, eu achei Cuba demais. Achei os cubanos incríveis. Vale a pena muito visitar. Eu achei demais.

Estou nessa mochada, está de volta! Recebemos Denise, Delveque, Diana, Dito Ana, Alejandro Clavô e você! E agora, momento das perguntas do programa, quero saber a primeira lembrança que vocês têm da vida. Eu tinha três anos. Eu sei que eu tinha três, porque minha mãe adorava cinema. Cinema dos anos 40, ela gostava, fazia fotos, assim. E ela não podia ir no cinema sozinha, né? Porque meu pai não queria que ela fosse sozinha. Então, ela me arrastava para o cinema.

Só que com três anos, não podia. E ela queria assistir A Dama das Camélias, numa tarde. Aí ela me levou, só que podia só cinco anos. Tinha que ter cinco anos para a idade mínima. Então ela ficou me treinando em casa. O homem vai te perguntar quantos anos você tem, e você fala cinco. Ela vai pegar cinco, cinco. Aí eu... Aí cheguei lá, o homem perguntou, quantos aninhos você tem?

Cinco! Juliana, lembra? Ah, é mais sensorial, tá? Que é... Eu lembro a minha madrinha, ela tinha, tem até hoje, as unhas compridas e a minha mãe ficava muito com o corre, né?

dar comida, dar banho, levar pra escola, era mãe solo e tal. E a minha madrinha, ela trazia um pouco mais de pausa e de afetividade, assim. Então, eu lembro que quando eu ia pra casa dela, ela ficava passando as unhas compridas nas minhas costas. E era muito gostoso, era muito relaxante, muito afetivo. Era o momento da gente conversar. E eu lembro de chorar, de falar pra ela. Eu conseguia me abrir, assim, sabe? Através desse carinho. Ótimo.

Eu fiquei nas unidas. É bom, né? Acho que a minha primeira memória é quando... Meu pai era quejeiro, ele fazia queijo em casa e vendia. Que isso? Quejeiro, ele fazia queijo. Já amei seu pai, ele fazia queijo? Ele era quejeiro, ele fazia seu, mas a fábrica existe ainda, de queijos. E ele fazia catupiry, que era um queijo que era cremoso. É o tipo catupiry.

E aí ele tinha um carro bem ferrado, uma fiorinha no furgão, branca, e nesse carro ele carregava esses queijos que ele fazia em casa, na panelinha, e vendia. E quando ele voltava, eu tive até quatro anos, assim.

Ele voltava com... A embalagem era muito fraca, ele não tinha dinheiro pra pagar uma embalagem boa, e estourava. E aí, estourava no furgão inteiro. Aí ele chegava com aquele cheiro de queijo no carro, que tava sempre cheio de queijo, né? Porque todo dia tinha isso. Aí eu pegava a minha cachorrinha, que chamava Nicole, botava Nicole dentro do carro e Nicole... Comia tudo que tinha. Aí ele falava, te amo, filho. Ele é uruguai, te amo, meu filho. Te amo muito, muito obrigado. É um real, um real pra você.

E a cachorra morreu em seis meses, porque cachorro não pode comer queijo, que passa mal. Vamos aqui, vamos sortear. Com quem você gostaria de cantar no karaokê? Cazuza. Imagina que cantar no cazuza. Que delícia. São as que eu mais canto. Não é no karaokê, mas tá cantando com cazuza. Com cazuza, gostei.

Pão à carne. Muito bem. Eu queria cantar com Angela Rojo. Angela Rojo. Amo, amo. Gostei. Boa escolha. O que é isso aqui? Ih, rapaz. Olha só. Do nada, hein? Gostou de você. Como é que? Ulisses? Não sei o nome, Ulisses. Ulisses. Tudo bem, Ulisses. Deixa eu devolver para aparecer aqui. Eu estou precisando ter um aí. Meu querido.

Eu queria fazer uma coisa diferente. Queria saber se alguém da plateia tem alguma pergunta dessas do programa pra fazer. Alguém tem? Pergunta? A voz do povo vai falar... Tudo bem? Qual que é o seu nome? Alcione. Tudo bem, Alcione? Tudo. Um vozeirão que nem a Alcione mesmo. Alcione.

Qual pergunta que você quer fazer no programa? Pergunta para os três. Onde é que vocês estavam quando deram o primeiro beijo? Beijão. Ah, pergunta do beijão. Ela gosta de uma fofoca, né? Ela quer saber. Obrigado, Sonia. Onde é que vocês estavam quando deram o primeiro beijão? Eu estava na Praia Grande, lá no litoral de São Paulo. Aqui, né? Lá no litoral de São Paulo.

Eu estava na Praia Grande, eu era adolescente, tinha uns bailinhos nos prédios, porque a gente era férias, ia para os prédios, tinha aqueles prédiozinhos, eram pequenos ainda, de três andares. E no saguão sempre tinha uns bailinhos que eram com aquela vitrolinha. A gente só é antiga.

Tinha umas vitrolinhas que você abria, a caixinha da vitrola era a caixa de som, e aí você botava o disco lá, então tinha esses bailinhos, e foi ali que eu recebi o primeiro beijo, mas foi horrível. Aquela coisa assim, de repente uma língua. Meu Deus, o que é isso? Eu não quero isso. Mas foi ali, na Praia Grande. Juliana, você estava onde? Eu tinha 13 anos.

e eu tinha umas amigas de 15, 16, um pouquinho mais velhas. E elas iam fazer uma excursão pra... Moravam em Porto Alegre nessa época pra guarda do Imbaú. E eu era apaixonada num cara que tinha 18 anos, Thiago Roberto. Imagina.

Um surfista e tal. Por que eu achava que ele era surfista? Eu morava em Porto Alegre, nem via ele surfando. Mas eu não sei, acho que ele usava umas coisas, uma surf, uma roupa, acho que era isso. E aí eles iam para o guarda do imbaú para surfar. E eu falei, cara, é agora, não sei, preciso. E uma das minhas amigas falou, você tem que ir, você tem que ir. E elas encheram o saco da minha mãe, encheram o saco da minha mãe. Minha mãe falou, tá bom.

você, Anama, falou pra minha amiga, Anama, você vai ser responsável pela Juliana, que tinha 15. Então, uma de 15 é responsável pela outra de 13, né? Super ok. Tá. E aí fomos. Só que o Tiago Roberto chegava perto e eu ficava muito nervosa. Não tinha assunto, não tinha assunto. Mas eu queria tocar, sentir, né? Tava ali com os hormônios já. E aí ele, uma hora, falou, posso sentar. A Anama saiu, tava eu e a Anama sentadas no ônibus. Fui, né? Minha mãe deixou.

E a Nama saiu. E nisso eu entro entre quero e não quero, né? Socorro e quero. Tiago Gouberti sentou e aí falamos, sei lá, três coisas no máximo, né? Porque ele perguntava alguma coisa e falava, aham, sim, não. É.

E aí beijamos. E aí, ao contrário de você, achei incrível, achei incrível, achei incrível, achei incrível. Chegamos na guarda do Imbalú, nunca mais vi Tiogo Roberto. Nunca mais, nunca mais. Fui lá me humilhando, quase me afoguei. Só fui encontrar ele depois de volta, no ônibus, né, novamente. E... Foda-se. Mas foi bom.

Então, meu primeiro beijão, eu acho que foi quando eu tinha 14 anos, saindo do colégio, estava com o meu melhor amigo. A gente, irmão, vamos pra casa brincar, blá blá blá. Aí no meio do caminho a gente se deu um beijo. Eu, meu amigo. Do nadão. Do nada, tipo, irmãozão, dá um beijão. Na irmandade, na broderagem. Na broderagem total. Aí ele falou, cara, que beijo gostoso. Eu falei, gostoso pra caramba, mano. Aí a gente ficou ali se olhando.

Aí começou a meinha, a famosa meinha na adolescência. Mas foi assim, com um amigo, um beijão mesmo. Foi maneiro. Foi bom. Minha gente, pra terminar, o que vocês querem escrito na lápide de vocês? Eu já sei. Já? Vai. Finalmente, silêncio. No grupo da família.

O grupo da família vai estar falando para caramba. Vai estar falando de mim. Ensaiei tanto para isso. Gostei. Acreditou na magia e viveu assim. Achei.

Minha gente, acabou, vocês acreditam? Acabou o programa, gente. Vamos lá, já. Tem que pedir um outro pros duendes. Vamos, duendes, mais um. Mas o bar tá aberto, tá fechado? Ela já é a segunda vez dela. O povo fazia o seguinte, o bar tá aberto, a gente pode ficar bebendo e eu peço pro duende pra semana que vem ter um outro programa, pode ser? Pode ser. Então semana que vem, garantia do Duende da Elk, vai ter programa, minha gente. Até mais, valeu. Um brinde, um brinde.