Silvia Braz + Raí + Ingrid Gaigher
- Encontro com segurança misteriosoRecebimento de sacolas com roupas usadas e perfume · Nomes de pessoas famosas e datas de morte nas sacolas · Suspeita de stalker e trabalho espiritual · Investigação com vídeos de segurança e boletim de ocorrência
- Memória e esquecimentoEsquecer de deixar a filha na escola · Esquecer o celular no capô do carro · Dificuldade em lembrar rostos e nomes
- Experiencia nos EUAFigurino de baixo orçamento e peruca inadequada · Travamento durante a apresentação e acesso de riso · Demissão após o incidente
- Acidentes DomésticosQueda em um buraco de esgoto · Infecção e tratamento em hospital veterinário · Dificuldade de locomoção e higiene
- Vazamentos de JogosAtivação acidental da Alexa com nome de jogador · Música de Fagner tocando durante a transmissão ao vivo · Tentativas de desligar a Alexa sem mexer no microfone
- Memórias da Primeira ComunhãoHabilidade em handball e capitania do time · Inspiração no irmão Sócrates · Admiração por Padre Júlio Lancellotti · Saudade do humor de Paulo Gustavo · Inspiração em Gandhi
- Escrita e EdicaoCitação de Fernando Pessoa sobre ser compreendido · Inspiração no pai e no livro de Fernando Pessoa
E aí, minha gente, eu sou o Fábio Porchat e esse é o podcast do meu programa no GNT. Aqui, que história é essa, Porchat? Eu ouço e conto também histórias curiosas e divertidas da vida das pessoas. Seja anônimo, famoso, não importa. O que importa é ter uma boa história. Bateu aquela preguicinha hoje?
Tem dia que é assim, né? Dá vontade de ficar deitado, fingindo de morto, deixar o telefone apitar, lança suja na pia, fica só ali. Virar um de lado pro outro da cama, balançando gostando, aquela rede, né? Parece um colo de mãe, um sonho. Aliás, pra falar em mãe, como dizia a minha, preguiça dá e passa.
tá? E passa mesmo quando você olha o relógio e vê que já perdeu o ônibus, o sinal da escola se demora e perdeu até a cabeça. Então levanta, se liga, joga a gafria nesse rosto aí, vem ouvir história boa que aqui e aqui o povo não tem preguiça de nada, não. Esse trio é ligado 220. Bora ouvir o que essa gente animada tem pra contar. Ingrid Geyer tá aqui! Silvia Abraão!
E o Raí, meu povo! Olha que gol de luta nosso! Vamos embora! Bem-vinda, bem-vinda, muito bom! Obrigado. Olha, eu vou dizer que eu estou primeiro feliz da vida de saber que o Raí está aqui e não esqueceu, não errou o caminho, não foi para outro programa. Eu estava com medo dele vir para a Ana Maria Braga hoje.
Raito é esquecido mesmo, é? Já teve muitas histórias. Como é que pode? Um cara que fazia tanto gol, campeão, muito esquecer. Ninguém fala, né? Ninguém fala, ninguém fala. Mas a minha família já é... Ah, é de família isso. Não, é de família. E a minha família que lembra... Eu sou o pior da família. Você é o pior, claro. Tem outras da família que eu falo que é pior, mas... E eu...
Eu conto duas historinhas, só para você ter uma ideia de quanto que é. Ah, para entender o quão você é distraído. O quão é. As histórias da família eu deixo para depois, eles contam, meus irmãos, porque eu esqueci também. Mas, no futebol, eu sempre levava minha filha para a escola, né? Eu sempre fiz questão de levar minha filha. Quando eu era pequenininha aqui em São Paulo, jogando pelo São Paulo, já estava conhecida e tal.
Aí eu deixava ela na escola. E a verdade, uma vez, eu esqueci de deixar na escola. Mas o pessoal aumenta, fala que eu fui treinar, deixou que o senhor ficou no carro e tal. Não, é verdade, você não deixou no carro. Não, deixei no carro, mas quando eu já estava pertinho do treino, ela falou assim, pai, ela estava dormindo, estava quietinha. Você esqueceu de deixar ela na escola. Eu estava no treino já quase. Mas o pessoal já conta que eu fui treinar. Ficou bom. Não, além do urbano. Bom, mas aí teve um dia que eu fui.
Então, eu sempre deixava ela e, na volta, pegava e eu adorava. E ela, quatro, cinco anos, aquela coisa, eu ia buscar, eu ia um pouco antes para ver ela na classe e tal, não sei o quê. Aí, um dia, um amigo meu que não tinha filho e tal, o Edivaldo, que era jogador, e era super conhecido e tal, já éramos conhecidos.
Aí eu falei, Divaldo, acabou treino, vamos lá, vamos lá. A gente tinha combinado de ir e ver. Eu falei, quero que você vai ver minha filha bonitinha lá, quando ela está na classe, com os amigos brincando, assim. Vamos chegar antes e tal, antes de acabar a aula. Vamos lá. Aí, vamos lá, toma banho rápido. Aí tu monta, pega o carro, assim, fui no trânsito e tal. Aí peguei, entrei assim, até o pessoal da escola assustou quando eu cheguei, assim, naquela pressa.
Aí entrei assim, não tinha acabado a aula ainda, então não tava aquele movimento ainda. Aí dá pra ver ali. Aí eu e a... É. Você e o Divaldo. Vou lá ver na classe. Eu e o Divaldo entrando na classe, achando que tava discreto, dois caras, dois ídolos do São Paulo. E eu... Divaldo e Raí. Com licença, com licença. Não dá pra dar nada não. Pera aí, desculpa.
Eu adoro isso. Isso é uma maravilha. Gente que chega atrasada no teatro, no cinema... Você fazendo a peça, a pessoa... A luz está nela, mas ao invés de ela passar para o lugar, ela faz assim e faz assim.
Ela acha que é abaçadinha assim, ó. Ninguém vai ver. Isso era a rainha na escolinha lá no... Só que eu falei, não, vamos. Aí tinha um pátio e a classe estava do outro lado do pátio. Aí a gente deitou assim, foi tipo guerra, sabe? Os dois se arrastando assim, aí o pessoal já começou a notar. Mas a gente não estava... Aí chegamos na janela assim...
Levantamos assim, ficou igual o chacaré, sabe? Olhando assim, olha lá que bonitinho. E ele meio sem graça e tal. Aí a professora olhou pra gente assim, o que os caras estão fazendo aqui? É, isso aí tem um crime chato disso até. Aí ele aqui, que tinha corrido pra estar ali, olhando, os dois olhando assim, eu falei, puta... Edivaldo, esqueci, ela tá com febre e não vem na aula, cara. Não é possível.
Ele falou... O Edvaldo... Porque no momento em que é a sua filha, é fofo se sabe de sua filha. Quando não tem sua filha, você é só um homem adulto vendo crianças na escola. Vira um horror imediatamente. A cara da professora. O que estão fazendo aqui? Nem a filha está aqui. E você foi o Edvaldo que me trouxe. A culpa é do Edvaldo. Então esse é o seu nível de distração. Você esqueceu que tinha sua filha e não tinha ido. Aí teve outro dia e tal.
Distraída, esquecida de distraída e tal. Outro dia eu estava com a minha filha já maior. Tá bom. A outra já estava maior, ela já estava com 15 anos, 16. E a gente saindo de casa, era um prédio, fomos numa garagem e tal, peguei na época, tinha um jipe. Um jipe, aquele... Carro mais altão. Um carro mais altão e tal. Aí estava com umas sacolas assim, nem lembro o que a gente ia fazer. E aí coloquei as sacolas e tal, né? Deixei as coisas aqui assim, aqui e ali pra ajeitar. Aí entrei no carro e... Aí saímos da garagem, viramos.
E eu falei, Manoel, eu estava precisando falar com alguém e tal. Celular. Celular. Não procurando e tal. Aí, continua. Eu falei, Manoel, liga aí para a gente ver se está aqui, onde está o celular. Daí ela ligou e a gente ouvindo, ou começou a ouvir o celular. Tocando. Começou a tocar, tocando. Estava ali. Estava ali, estava ali, tranquilo.
Manoela, procura aí, pode começar a ficar... Chateada. Aí ela, pai, não tô achando e tal. Liga de novo. Ligou quatro vezes. A gente ouvia, sabe, um negócio meio abafadinho e tal, mas a gente ouvia tocando, tocando. Eu falei, pô, não é possível, Manoela. Aí eu comecei a ficar... Será que você não acha aqui? Não, pai, não sei o quê. E ela começou a baixar e rodava, foi pra trás do carro, não achava assim.
Aí eu falei, não, deixa, vai. Mas eu estava meio urgente para usar o telefone. Daí virei assim, na outra avenida, virei, comecei a andar. Falei, liga de novo. Pô, é o mesmo número, não tem jeito. É só apertar aí. Aí tocou de novo assim, tocou duas vezes assim. Alô?
Estava tocando dentro do carro. Eu parei o carro e falei, o cara está aqui, o sequestrador, eu achei que era. O cara, alô, tudo bem? Como assim, alô? Que telefone é esse? Não sei de quem é esse telefone. Juro por Deus. Aí eu fui, o cara, o que foi? Onde você está? Quem é você? Aí o cara falou assim, não, eu estou aqui no posto. O telefone caiu aqui, eu tinha virado, o telefone caiu. Estava no capô. Estava aqui, esquecido no capô do carro.
Boa semana. Eu tinha... Ah, ah, ah! Que hora aí? Eu tinha esquecido. Então, a gente... A gente ouvia tocando. E aí, andando, andando nervoso, cara. Você botou em cima. Aquelas coisas que a gente bota em cima pra abrir a porta. Exatamente. Exatamente. Então, o carro foi indo com o telefone aqui. Então, você ouvia tocar porque ele tava em cima de você. Claro. Eu já tava falando que era ele com ele mesmo.
Mas sabe o que é o melhor? A gente estava aqui atrás agora esperando e eu falando assim, gente, estou preocupada porque eu sou muito esquecida. Falando pra ele e pra ela. Eu sou muito esquecida. Às vezes eu estou contando uma história e eu esqueço o que eu estou contando. Que programa legal de você vir. Não, aí ele virou e falou, sabe o que é pra mim? Isso aí é grave.
Aí agora é a pessoa mais esquecida do mundo. Eu juro, eu estava esperando ele falar assim, não se preocupa, eu também sou assim. Ele falou assim, é meio grave isso, né? Se eu falei que é grave, é porque a coisa... Eu tenho problema de esquecimento, na verdade é de rosto e nome. Nossa, também.
Também tá. Outro dia, no show, eu faço viajando, fazendo peça, tal, em tudo que é canto, e tô cinco anos com a peça. Aí uma pessoa, lembra de mim? Tirando foto no final, eu falei, ah, não lembro. Aí, primeiro, que a pessoa se ofende muito. Não lembra? Falei, não, eu fui no seu show em 2024. Eu falei, meu amor, juro, se você fosse familiar meu, eu não saberia quem você é. Aí eu falei assim, aí eu rindo, né? Porque ela falou do teatro, eu falei assim, aí é que eu não vou lembrar mesmo, né? Ela, cara, ela morreu por dentro.
E às vezes tira foto e vai dizer, olha aqui a gente. Aí eu falei, então vamos tirar foto. Ela falou, não precisa mais. E foi embora. Pagou, pagou. Foi embora. E aí eu fiquei arrasado me sentindo um monstro. Ela ainda foi duplamente má, porque agora eu me sinto um monstro, mas quem foi um monstro foi ela. Exato. Mas é porque o fã, o fã às vezes ele é perigoso, né Silvia? Às vezes o fã ele faz uma... É fã ou hater?
Ou é stalker. É, ou é o stalker. Isso foi que ano, hein? Foi ano... Há dois anos isso.
eu recebo muito presente na minha casa, pelo meu trabalho, eu sou enfeceadora. Recebidinhos. Os recebidinhos, é. Chega muita coisa lá em casa. E aí, um final de semana, eu não estava em São Paulo, eu moro em São Paulo, eu não estava em São Paulo, eu estava fora. Eu cheguei no domingo à noite. Eu me lembro, assim, muitos detalhes dessa história, porque mexeu muito comigo. Eu cheguei no domingo à noite e a minha casa é uma festa.
E tem as minhas filhas, tem as pessoas que moram, é uma casa só de mulher, é uma loucura.
Aí eu cheguei, eu lembro de domingo chegar, sentar na mesa, todo mundo, eu contando do final de semana, eu tinha ido para a praia. Aí o Valber, que é uma pessoa da minha família, que trabalha com a gente há muitos anos, chegou, ele andando assim na sala, falou assim, Silvia, chegou uma sacola aqui para você, mas está meio estranha. E eu falei assim, o que é, Valber? Aí ele abriu a sacola.
Eram três sacolas... Não, mas primeiro eu vou... Tá, eu vou contar essa parte. Eram três sacolas, quando a gente abriu, e uma dentro da outra. Eu ia tirando as coisas de dentro, eram roupas usadas, com muito perfume. Roupa usada de mulher? De homem. De homem. De homem. E com muito perfume.
Então você ia tirando a roupa que ele ia dando um cheiro na casa. E uma sacola dentro da outra. E na sacola tinha escrito vários nomes, assim, Ayrton Senna e a data que morreu. Hebe Camargo, a data que morreu. Eu falei assim, Val, o que é isso? Da onde veio isso? Aí ele contou que um dia... Tem vários anos famosos.
Nomes de pessoas famosas, o que eu me lembro muito é o Sena, Hebe Camargo, mas tinham outros nomes, tinham nomes de lugares, tinha o meu nome e uma cruz do lado. Enfim, uma coisa horrorosa, eu falei assim, meu Deus do céu, o que é isso? Mas aí eu falei assim, Valberto, de onde surgiu isso daqui? Aí o Valberto falou assim, Silvia, ontem tocaram o interfone aqui no prédio e aí o porteiro falou que queriam entregar uma encomenda nas suas mãos.
E, obviamente, nunca. Como eu trabalho muitas, muitas vezes, eu não estou em casa, estou viajando, eu não desço para receber a encomenda. O Valber falou assim, pode deixar aí, a Silvia não vai descer. Eu nem estava lá, na verdade, estava viajando. Não vai descer. Aí, interfona de novo. Olha, a pessoa está aqui e faz questão de entregar nas mãos da Silvia Braz. E falou que ia dar uma marca, ele falou o nome de uma marca muito famosa, que é uma marca, inclusive, que eu trabalho muito.
e que precisa entregar nas mãos dela. E o Valber falou assim, olha, a Silvia não vai descer, a Silvia nem está aqui, e não sei o quê, não sei o quê. A pessoa pegou, o porteiro avisou, e a pessoa, de fato, ela entrou na... É como se fosse uma clausura que tem no meu prédio, e entregou, e deixou aquela sacola lá. Ele tinha que entregar aquela data, porque na data seguinte era o numerozinho que ia estar lá na sacola para você.
Por isso que tinha que ser naquele dia. Eu juro que eu pensei nisso tudo. Mas aí ele entregou, o Valber subiu no sábado e domingo eu chego. E nesse momento eu vejo aquilo e o Valber falou assim, tem que queimar. Tem que tirar tudo de casa. Isso aqui está com jeito de trabalho espiritual.
Isso aqui deve ser um trabalho espiritual que fizeram pra você. É o nome bonito de Macumba. É isso. Não, às vezes é isso. É isso, não é? Fica. É, porque, na verdade, inicialmente, quando a gente começou a ver, o Valber deu essa deixa, mas, ao mesmo tempo, a gente vê muito o caso de stalker.
Então eu fiquei pensando assim, será que não é um stalker que descobriu onde eu moro e quis e vai começar alguma coisa? Eu tenho muito medo desse tipo de coisas, assim, que a gente vê que acontece e tira a paz da pessoa, né? E umas roupas dele, de repente, você não sabia. Eu não sei se é dele, a gente não sabe. Era uma roupa de... não, não era bonita.
Não, não era. Era usada, era feia, era muito usada e tinha muito cheiro. E essas sacolas, eram uma sacola de supermercado, como se fossem três sacolas, e você ia tirando e tinham nomes e cruzes e datas e tal. A roupa de mulher ou de homem? De homem. De homem. E aí, achei que era o stalker e tal, no outro dia, pedi para a portaria todos os vídeos. Então, eu tenho esses vídeos até hoje, inclusive. Você viu o cara? Vi, vi, e aquilo vai apavorando. Eu não sei se vocês já passaram por isso, mas a pessoa descobri...
descobrir onde você mora, te entregar, você não sabe qual é a intenção dele. Mas na câmera mostrava ele? Mostra ele andando na frente da minha casa, ele fica duas horas na porta da minha casa, vai e volta, e vai e volta. Tira a mochila numa esquina, tipo, tem uma esquina, assim, uma, sei lá. Ele tira uma mochila, ele coloca as coisas, ele coloca as velas, e ele faz um monte de coisa. É.
Enfim, era isso. Mas eu fiquei preocupada, falei com o meu advogado. Eu estou morrendo de medo, eu não sei o que está acontecendo. Naquela semana, Fábio, eu não conseguia... Eu fiquei com medo de sair para trabalhar. Porque é uma sensação como se alguém estivesse te vigiando. No meio disso tudo, tipo assim, isso foi domingo, segunda-feira, nunca aconteceu. Eu recebo mensagem o tempo todo no meu direct do Instagram. Todos os dias.
Nunca aconteceu. Me manda uma vidente, tem um nome lá. Ela escreve e fala assim...
preciso falar urgente com você. Eu falei assim, meu Deus, eu vou morrer, vai acontecer alguma coisa. Eu não estava entendendo mais nada. É um stalker, é um trabalho espiritual, o que é isso? Aí falei com o meu advogado, eu falei assim, eu não estou preocupada, o que eu faço? Eu não consigo nem sair de casa, eu estou com medo. Ele falou assim, Silvia, se for um stalker, é bom a gente já fazer um boletim de ocorrência, porque é uma prática reiterada e você precisa deixar registrado isso. Tá bom. Aí falei com o meu advogado. Foi na delegacia?
Foi. Meu Deus, por causa de roupa velha. Não é roupa velha. Meu Deus do céu. Não era roupa velha. Então, claro. Roupa amaldiçoada. Ah, amaldiçoada. Você recebeu uma encomenda com o seu nome, um monte de cruz. E a imagem que eu vi do homem na frente lá de casa, as coisas que ele fazia, era claro que não era uma coisa para o meu bem. É nítido isso. Cheguei na delegacia. A Ema Divalda falou assim, a gente tem que ir em uma delegacia perto da sua casa.
porque tem que ser registrado próxima da sua casa, onde aconteceu isso, e a gente deixa registrado. Pronto, deixa salvo isso, pra você se resguardar. Chegando a delegacia, eu pensei, meu Deus do céu, eu vou fazer uma delegacia, né? Tem que registrar, não sei o quê. Cheguei, o delegado foi super educado comigo, vamos subir pra minha sala. Eu notei que tava tendo uma movimentação nessa delegacia.
muita gente, eu falei assim, gente, engraçado, movimentado, acontece muita coisa nesse bairro, que é o meu bairro, inclusive. Na delegacia, aí subo pro delegado, aí o delegado na minha frente, me conta, Silvia, eu contei, olha, foi isso aqui, tô com as câmeras de segurança, aconteceu isso, não sei o quê. Quando eu tô falando com o advogado, de repente chega uma equipe de TV ao vivo. Aqui, ó.
Eu com a delegada, se eu olhei, eu falei assim, eu não estava entendendo. Eu falei assim, o que é isso? Ele falou assim, só um minutinho, só um minutinho. Gente, eu já falo com vocês e não sei o quê. Enfim, estava tendo uma manifestação. Ali era uma delegacia onde aconteceu vários atos de tortura. Na época da ditadura, houve uma escavação recente e acharam muitas coisas. Não, tudo tinha que sair comigo.
Gente, e acharam muitas coisas. A imprensa ficou sabendo e foi para lá para falar com o delegado. Não tinha nada a ver com isso, obviamente. E você apareceu ao vivo? Ao vivo, de repente. Aí eu saio da delegacia e falei assim, encerrei esse assunto. Graças a Deus, né? Você cheia de sacola com o roupo. Eu começo a receber um monte de prints das pessoas. O que você está fazendo na delegacia ao vivo? Tipo assim, do nada. Eu sentada ali.
Então foi uma coisa que foi levando para outra. E no final o delegado ainda falou assim, Silvia.
Não é um stalker. Não preocupa com isso aqui. Estou cansado de ver isso aqui também. Isso acontece muito. Cansado? Estou cansado de ver. Nunca vi isso. Mas, cara, você nunca viu, Fábio? Nunca recebi uma sacola de... Nunca! Te peço até que não faça isso. É, por favor. E o delegado resolveu isso como? Resolveu. Ele falou assim, pode ir para casa. Fez um termo sequestanciado de ocorrência, que é tipo como se fosse um abaixo do boletim de ocorrência, se não me engano.
Falou, vai para casa. Seu santo é muito forte. Ainda pediu uma foto comigo no final, porque a sobrinha dele era muito faminha.
da Itália. Eu achei que ele ia pra resolver então ele falou, deixa eu acender esse charuto, comer essa farofa e a gente resolve isso. Sabe o que ele me contou que eu lembrei agora? Ele falou assim, é muito perigoso esse tipo de coisa, porque outro dia um médico recebeu um presente mas não tava com essa cara ruim sua. Ele achou que era um presente pra ele, ele comeu e ele teve um envenenamento gravíssimo e ele está na UTI e eu que estou no caso dele. Ou seja, acho que eu me safei.
Não vai comer essas roupas, pelo amor de Deus. Não! Você sabe?
Você sabe que depois disso, eu continuo recebendo muita coisa. Agora, comida. Comida. Se for de uma pessoa que eu não conheço, eu não como. É mesmo? E não deixo ninguém lá de casa comer. Porque sei lá, as pessoas são doidas. E esse homem até hoje está aí. Não sei o que aconteceu. Queimou a boa. Queimou. O Valber queimou? Teve que queimar tudo. Teve que queimar tudo. Não, espera aí. Calma. Como é que é, Dianita? A Alice chegou uma encomenda para a Silvia. Ai! Era assim! Era assim!
A sacola era exatamente assim, e uma dentro da outra. Isso aqui deixaram pra você...
É melhor não, queima! Faz isso! Não, você não está entendendo. A sacola era essa de papelão, uma coisa dentro da outra. Queima isso, pelo amor de Deus, gente. É cada uma que a gente passa. Isso é, pá. De repente ele podia estar apaixonado por você. O Fernando foi se apaixonar na Índia. Cadê ele? Estou aqui. Está ali atrás? Tudo bem? Como é que você está? Tudo certo? Tudo bem. Quer dizer, não era amor, né? Não. Estava longe. Não era amor, mas era tesão.
É uma palavra bonita também. Bonita, né? Eu tinha 23 anos e estava morando na Índia, cheio de hormônio, aquela coisa toda. Cheio de hormônio.
E a cidade que eu morava não podia ser gay. Era uma cidade muito tradicional. Pra você ter algum caso, ou você era hétero ou viajava. Eu falei, é melhor viajar, né? Viajar. É, tá mais fácil. E aí, eu conheci uma menina, que tinha uns amigos brasileiros que ela conheceu dentro de um ônibus. E brasileiro lá fora, a gente se conhece dentro de um ônibus, a gente começa a fazer uma reunião, daqui a pouco parece... Porque tá em pirâmide, todo mundo comendo pão de queijo, cantando a Sione. Uma loucura.
Quando você disse que não podia ser gay, no sentido de que era crime. Já te prendiam, batiam, sei lá. Eu não fiquei sabendo tanto. É nesse nível. É uma homofobia muito louca. E aí eu conheci um menino, eu fui pra casa dele com essa minha amiga, acabou que não rolou nada, ele falou, volta aqui depois. Eu falei, claro. Só que eu morava, tipo, a 10 horas de distância dele. 10 horas? É. 10 horas de distância de ônibus na Índia. Então, assim, provavelmente de carro dava 1 hora e 20. É, porque na Índia é tanto tempo.
E aí eu cheguei lá na casa dele depois de um tempo, tava no celular... Depois de 10 horas, você foi pra ele com 10 horas de carro mesmo? Não, o motorista do ônibus, eu fui deitadinho assim, ó. Foi no ônibus e com pau duro 10 horas?
E aí eu cheguei, quando eu saí da estação assim, eu fui digitando pra ele que eu tava saindo e tal. Aí, do nada, tudo ficou escuro. Tudo ficou escuro. E eu comecei a perceber, e eu vi que essa minha perna aqui tava em cima, a outra embaixo, e tinha umas pessoas em cima de mim. Que isso? Eu tinha caído dentro de um buraco. Ah! E aí você sai meio que... Eu não queria olhar pra nada, né? Falei, não quero saber de ninguém e tal. Fui saindo, fui andando, meio assim.
Machucou. E comecei a sentir um cheiro muito forte. Um cheiro forte? Um cheiro muito forte. Não era perfume, não?
Eu caí numa vala de esgoto em Mumbai, então tinha cocô de Mumbai da cintura até o tornozelo. Puta merda! Cocô humano ainda. Cocô humano, é. Eu acho pior cocô humano. E aí eu estava indo ver ir para a casa do garoto a primeira vez. E aí eu falei, eu não posso voltar, não tenho como voltar para casa. Eu tive que ligar para ele e falar, oi, eu estou todo cagado. Ele, não, eu estou...
Ele falou, a chuca às vezes é assim mesmo. Não, eu passei um cheque à distância, né? Foi um cheque produto. Um cheque... Foi pré-datado. E aí eu falei, tô todo cagado, ele não precisa ficar com medo. Eu falei, não. É, literalmente. E aí ele me deu, precisou me dar um banho do lado de fora da casa dele, com uma mangueirinha, uma chuca externa, né?
E passou. Dormi. No dia seguinte, acordei com febre, com a perna muito inchada. Ai, meu Deus. Lógico. Tinha infeccionado. Porque você tinha machucado, então. Abriu uma grande ferida nessa perna aqui. Aff! Com merda humana.
E eu tava na Índia e liguei pro Seguro Saúde, eles falaram, vai pra esse hospital, fui no hospital. Ele falou assim, aqui não, vai pra outro hospital. Aí fui pra outro hospital. Chegando lá, era uma casotinha assim, bem pequenininha. Aí eu fiquei esperando do nada sair um tiozinho indiano meio se vestindo assim, tipo, meio suado e tal. Aí ele fala, entra. Aí eu entrei, comecei a olhar pro lado assim, eu falei...
Por que tem uma foto de um cavalo? Tem uma foto do sistema digestivo de um cachorro? E eu olhei e estava sentado naquelas banquetinhas. Você bota o cachorro pra tomar vacina? E eu sentei assim... E aí, do nada, ele não falava inglês direito, e me deu uma pomada, e eu falei, cara, eu preciso saber o que é isso. Aí eu tirei uma foto e botei pra traduzir. Estava escrito veterinário. Claro! Ele botou um negocinho pra escutar o coração aqui. Não era fala 33, era fala UAU.
Aí tá o veterinário, eu falei, eles levam um negócio de viada que é sério mesmo, né? E você tava no veterinário. E ele passou a pomada, eu passei. Bom, que pomada é essa? Se era de pulga ou inflamação, não sei. Mas funcionou. Funcionou? Funcionou. Mas eu nunca mais vi o garoto na minha vida. Não, naquele dia não dava pra ter transado com ele.
Ah, não, ia ser bem esquisito, né? Não é, porque mesmo depois de lavar, a merda fica, preguina. Fica. E aí você devia estar fedendo também. Tava bem complicado. Eu tô sendo cheiro agora, tá vendo? Gente, cada uma, né? Que horror isso, né? Na Índia, tudo errado. Indo pra um date ainda por cima. Tudo completo, não era pra ser. Não era pra ser.
Vocês... Eu acho que vocês não estão reconhecendo. Isso aqui é uma princesa da Disney. Isso aqui é uma cinderela. É que talvez você não está com sapatinho de cristal. Só falta isso, realmente. É o detalhe que falta. O teatro infantil machuca a gente em lugares, né? Ele cria um caráter, né? Isso, cria uma carapaça também. Pois é.
Eu já fui um anime, né? Um anime ao vivo, porque... Eu acho que era uma decepção para as crianças quando elas esperavam ver a Cinderela. Poxa! E me viam com uma peruca que eu começava aqui. Era meio palmo de raiz preta e começava... Era uma estrutura de ar... Era muito difícil de explicar. Tem imagem, não tem? Tem imagem da Cinderela aí? É uma Cinderela de baixo orçamento, né? Olha aí.
Essa estrutura, agora que eu estou compreendendo, ela tem um duro aqui, né? Exato, um aro. E claro que ela sambava. Ao longo da... Isso aí é antes de começar. Ah, isso já é antes. Eu falei, nossa, ela já foi atropelada.
Isso é antes de começar. Isso é antes de começar. Perfeito. Então, essa era a Cinderela. Eu amo que eu tô sendo humilhada de novo. Essa é interessante, porque eu acho que você tinha que ser Cinderela, mas com a placa escrita Cinderela, pra gente saber que você era Cinderela. Eu sei que o Santos colocava o nome das pessoas aqui. Exato. Você entendeu tudo. E essa Cinderela, muito interessante. Se quiser tirar, que as calas vão te começar a chorar. Essa era a trupe toda. Até ali embaixo, ó. Princesas.
E era muito bom, porque era princesas com voz em off de Leandro Rasson. Porque pra gente era necessário trazer o comercial, que era a voz de Leandro Rasson. Eu tô falando tudo isso porque eu já fiz muita peça horrível como essa. Muito, muito, muito infantil. No Barro World eu fazia muito. Claro, clássico. E eu digo isso porque quando a peça é ruim, você vê que não é assim a peça da Cinderela, é princesas. Quer dizer, é uma história inventada de uma junção de todas as princesas. Então você tem a...
Frozen com a bela adormecida. Exato, era sempre isso. E também, eu também, era uma rotatividade. Eu não fazia só a Cinderela. Às vezes eu fazia a Irmã da Cinderela numa festa, porque era isso. Eu cruzava a cidade pra fazer um evento infantil, uma festa. Essa galera que, assim, você vê... Ah, você fazia festas também? Fazia, era empada aqui e eu aqui. Era sempre assim. E aí eu me lembro de um dia que eu tava fazendo a Irmã da Cinderela, porque eu fazia a família toda, podia fazer a madrasta também. E eu tava lá, de Irmã da Cinderela, e a criança, a piranha! E aí eu assim...
Mentira! O que é isso? Ela vadia e eu assim... O quê? Foi horrível. Essas crianças hoje em dia estão diferenciadas. Crianças de quantos anos, gente? Eu não sei, eu não me lembro. Acho que ela tinha menos de 10. Eu dei uma estudada no ambiente pra ver se os pais estavam perto. Eu peguei ela pelo ombro e falei, Titia, tá trabalhando.
Você já tá trabalhando, me respeita. Cara, eu já tava mal ali. Mas é porque piranha é mais chato. Cara, piranha já tinha. Se a piranha estiver trabalhando... Eu ouvia muitas humilhações. Teve uma que me falou assim, minha boneca é mais bonita que você. Eu falei, você tem razão.
É lógico que é. Só que a boneca dela era um Playmobil. Então, assim, tem que tomar cuidado. Caraca, então você foi humilhada por crianças também. Muito, muito. Inclusive, é isso. Nesse dia, fui humilhada por essa criança, eu já estava meio mal, cruzei a cidade para fazer o Princesas, que é isso. O Shopping da Gávea, para contextualizar a galera que não conhece, é um shopping que antes das 11, antes das lojas abrirem, você vai ver todos os personagens infantis.
Você vai ver a Cinderela, a Frozen, os esquilos. Todo mundo. E todo mundo felipetando para divulgar a própria peça.
do cartazinho, vem me assistir, vem me assistir. Inclusive, eu tenho um amigo que está aqui na plateia, o Vitor Maia, que ele fazia parte da peça e ele disse que me via entregando para cada criança um 100. Um 100 para já otimizar. Se livrar. Vem, vai, vai lá. E aí chegou um momento, eu já era a princesa que comia pipoca na frente do shopping. Eu falei, vai lá, gente, vai lá. Já estava assim. Daí fui lá fazer a peça.
Você de Cinderela dessa vez. A ideia era essa, né? A Cinderela. E aí eu cantava ao vivo, mas a base não era, era baixo orçamento, não era, era CD. Claro. Então eu lá cantando, já com a peruca aqui, né? Vamos lembrar disso. É importante. O CD arranha. Pam, pam. Pam, pam. Aí eu assim, cara, não sei, me deu um pânico mental, eu comecei a desfilar. Eu achei de bom tom.
Você estava no meio da música... Cinderela nem canta, né? Já tem por aí. O filme é da Cinderela. Então você está ali meio que fingindo que está cantando, que você dubla. Então a Cinderela está cantando... Eu sou a Cinderela. Aí você está aqui... Eu sou a Cinderela. E aí no que fez o Pan... Porque você desfilou, mas teve o primeiro Pan. Esse primeiro Pan, quando você sacou, você já desfilou ou você tentou fazer um Pan, Pan, Pan? Você também travou?
Eu acho que isso seria muito mais inteligente da minha parte. Eu não consegui ter essa rapidez raciocínica. Mas em que velocidade você foi pro desfile? Então, foi muito interessante mesmo, porque eu não me lembrava... Foi Vitor Maia, que ele era o bruxo. O bruxo? Perfeito. O bruxo da Cinderela, que não existe. Não existe também. Isso é bom demais. Exato. São camadas. Muitas camadas, muitas camadas. E ele começou a narrar. Bom, a atriz desfila, ela serve a nágua, só que ela serve azul, ela serve peruca, ela é loira. Ela...
Eu não consegui ouvir ele. Então, eu entendi. Gosto muito disso. Então, assim, crianças aqui... Crianças aqui. Crianças aqui. Você aqui cantando para as crianças, travou. Travou. Travou, você começou a fazer aqui. É. E as crianças começam a chorar. Lógico. Não acredito.
Porque você sai de casa pra ver a Cinderela e você vê um anime ao vivo, uma louca, sei lá o que é isso. Esse capacetão. Um capacetão assim. E ele, assim, chorando. E aí as crianças começam a chorar, e aí eu paro de desfilar e começo a gargalhar. Você tem um acesso de riso. Eu tenho um acesso de riso e começo a chorar.
E aí, nisso, alguns pais começam a rir, as crianças começam a chorar, porque uma criança começa a chorar, a outra começa a chorar. Aí a outra começa a chorar. É como você, Júlia. Quando eu vi, cara... E o CD ainda, olha o pan, pan, pan, pan... Cara, a produção enlouquecida, a produção tentando entender como resolver. E eu com a peruca. E aí eu comecei a gargalhar, gargalhar, gargalhar. Eu só sei que a Branca de Neve e a Bela Adormecida me retiraram do pai, elas me expulsaram.
A Bela adormecida aqui fez assim, voltei. Deixa eu levantar ela aqui. Elas me tiraram assim, pelo sovaco. E você saiu rindo. Cara, foi enlouquecido. E aí, claro que tinha a bruxinha má e a bruxinha boa. A bruxinha boa começou a cantar a minha música, que era a ideia. A da Cinderela.
Bom, resultado, eu fui demitida, né? Bom, mas isso é livramento, sabia? Isso é livramento. Eu acho, porque aí eu foquei na escola de teatro, né? Acho que realmente eu tenho que estudar e melhorar aí, né? Que tristeza isso, né? Quando a gente faz umas coisas dessas... Mas é bom, claro, pra contar a história depois, mas na hora, é porque quando dá um erro assim, quando você tá fazendo uma coisa humilhante e dá errado...
Se sente muito vulnerável naquele momento. Você se dá conta. Daí você vê e fala, bom, quando você está fazendo Cinderela, você está acreditando. Quando erra, você fala, gente, isso não é Cinderela. Isso aqui é a Cinderela que teve um derrame.
A plateia que você achou que estava lotada, na verdade, tem 20 crianças. Você começa percebendo que você tem que virar advogado, você tem que ir para um outro mundo. Exato, exato. Mas também é bom para as crianças que estão assistindo, porque já vai vendo como é que a vida é real também. É, também, né? Eu que sou mãe, que eu adoro, sou uma mãe meio prática, assim, objetiva. Eu ia adorar que a minha filha estivesse nesse espetáculo.
Eu ia adorar que você estivesse na plateia para me apoiar. Pois é, é isso, ó. Tá vendo? A vida real é assim. Tá achando que Cinderela existe? Crianças, a vida real é assim.
Cinderela é assim, ó. O dia que você encontrar uma atriz no palco, pode xingar de piranha. Não é isso? Não! Não é isso!
Você sabe que você teve confusão com o teatro infantil ao vivo, e ao vivo tem esse problema, porque teatro é ao vivo, você tem que resolver na hora. Mas futebol é ao vivo também. E quando você está narrando o jogo, você tem que tentar se virar também quando dá qualquer coisa, né, William? Porque às vezes é complicado pra caramba. Como é que você está? Tudo certo? Beleza? Salve de palmas para o William, meu povo. Você é narrador.
O jogo era qual, hein? O primeiro jogo que eu estava narrando era Grêmio Alguma Coisa, porque tem duas formas de a gente fazer a transmissão. Uma que era quando o jogo era em Porto Alegre, a gente fazia o jogo no estádio. A gente ia até o estádio e fazia o jogo. Quando o jogo era fora de casa, a gente não tinha orçamento, a gente pegava e fazia o jogo de casa. Uma televisão, um microfonezinho e um computador que mandava um link. Você narrava de casa mesmo? Narrava pro rádio de casa.
Então tá tranquilo, o jogo era em casa, fui na casa do Grêmio, fui na Arena do Grêmio, fui narrar o jogo e caí naquelas piadinhas do WhatsApp, quando mandam o nome de duplo sentido, sabe? A Paula de sobrenome Tejando, sabe? Paula Tejando. É, eu caí na Mia de sobrenome Regaça. Mia Regaça.
Então cheguei lá, um abraço pra minha regaça, aqui mandando uma mensagem. Daí ficou, o pessoal da transmissão começou a rir, começou a... E virei deboche. Falei, bah, na próxima transmissão eu tenho que... Eu tenho que ser legal. Tem que manter, ficar firme ali, cuidar tudo. Falei, bah, vou fazer o próximo jogo. Era fora de casa, era tarde, era Grêmio e Corinthians o jogo. Copa do Brasil, há dois anos atrás. Aí falei, já sei, vou fazer na casa da minha mãe.
Porque se eu fizer no apartamento meu, 10 horas da noite, eu gritar gol, os vizinhos vão ficar, casa da minha mãe era uma casa, vizinho afastado, vou fazer o jogo de lá. Perfeito. Montei o joguinho lá, montei aqui, um detalhe, meu microfone já estava quase quebrado, então assim, eu não podia mexer. Se eu mexesse nele, ele parava de... Entendi. Entendeu? Então eu ficava com ele ali, falei, não vou mexer. E narração de rádio, não é?
E na televisão tem isso, o Adine faz essa comparação, é uma maravilha. Rádio é, e pegou a bola e saiu com a bola e foi para o lado e voltou para o lado. Na televisão é, voltou para lá.
Vamos ver como é que é. Jogou pro outro lado. No rádio, se eu separar um segundo, a pessoa acha que quebrou o rádio. Exatamente. Então a rádio é... É, e a gente não podia parar. Então começou o jogo, falei, não, esse jogo eu vou, né? Aí eu fui narrar o seguinte lance, né?
Tinha dois jogadores, Alex Santana, do Corinthians, e Fagner, que é o lateral direito, que é do Corinthians também. Começou o jogo ali narrando e teve esse lance que eu narrei. Vem Alex Santana, toca pela direita, cruzamento pra área. Vem Alex Santana, toca Fagner, cruzamento, a bola vai pra fora. Nesse momento, eu ouço uma voz na casa da minha mãe, exatamente assim, tudo bem.
Falei, minha mãe não tava por perto, meu pai também não, essa voz era muito doce pra ser do meu pai. O que tá acontecendo? Continuei narrando o jogo, doneida, Fábio. Começou a tocar música na casa inteira e eu ao vivo. Eu narrando o jogo, a música tocando, sem poder parar de falar, a bola vai chegando pela direita. E tocando... E uma música X? Uma música que... Antes eu vou explicar que é o seguinte, a minha mãe é a pessoa que dança com qualquer música.
Toca a abertura do seu programa e ela já tá... Ela bota o dedinho de cima, o dente de cima, no lábio de baixo e...
Qualquer música, marcha fúnebre, segura na mão de Deus, tudo ela dança. Tudo ela dança. Bota o dentinho aqui e vai dançando, né? Beleza. E começou a tocar, aí eu lembrei, gente, quando eu falei Alex Santana, a Alexa da minha mãe ativou. Qual foi a próxima frase? Toca a Fagner? Não, não, não.
Mentira. Alexa, toque a Fagner. Era a Fagner tocando deslizes a casa inteira. E Fagner canta legal, ele canta lá em cima. Você que vai, Fagner. Você vai pela direita do fã. E eu não sabia o que fazer porque eu não tinha a Alexa. Eu não sabia como mandar a Alexa parar. Então eu comecei. Passei pros comentaristas que estavam na casa deles. Vai com você, Thiago. Vai com você, Luiz Felipe. E tentei desligar a Alexa, só que não podia mexer no microfone. Aí fui lá e comecei. Parou.
E... Cerrou? Tá bom! Eita! E o papai lá parou!
Porque o show estava vazando. Deslizes devia estar vazando. Ao vivasso. E eu gritando para, para, para. Também estava vazando. Aí falei, o que eu vou fazer? Eu não sei onde está a Alexa da minha mãe. Aí falei, já sei, vou chamar minha mãe. Só que eu já tinha passado para os comentaristas e não podia passar de novo. E eu comecei a dar uns gritos de mãe no meio da narração. Vem pela direita, mãe!
A bola vai cruzar. Minha mãe do Deus! Eu fiz uma galera! Minha mãe do céu! Mãe, mãe, cancinha! Chutou mãe, mãe, mãe de Deus pra ver se ela me ouvia.
E eu, na Rãs Futebol, o Fagner já no Borgulhas de Amor. Ah, porque ela emendou já a próxima. E foi nessa aí. Aí, o que aconteceu? Vi minha mãe na ponta da escada, falei, vai me salvar. Ela estava ouvindo o Fagner, o que ela fez? Desceu.
A sua mãe está aqui? Tá. Olha aí! Você vai perguntar a mãe! Vê só, como é que ela chama? Tereni. Tudo bem, senhora? Prazer. A senhora dança mesmo? Dança. Gosta de música boa? Canto e dança. É mesmo, é? É verdade. E nesse dia, você não estava sacando que a música estava em todo lugar e estava atrapalhando ele? Não, estava no quarto, lá em cima. Estava ótimo, né?
Você chegou a ouvir ele gritando pra senhora? Vi, por isso que eu desci. Por isso que veio. Desci. Mas veio no ritmo da música também, né? Achei que era alguma coisa, eu fui dançando. E eu fui dançando. E veio dançando. Já Fagner é bom, né? Vá. Vá. E você resolveu isso como? Como é que desligou a música? Aí eu vi a minha mãe descendo e eu comecei a apontar, né?
Pelo amor de Deus. Aí ela... Ah! Pegou a Alexa na tomada e... Desligou. E a cara salvou a pátria. Salvei a pátria e o futebol dele. E o emprego dele. E o emprego também. Olha, eu amei essa história. Isso é maravilhoso. Alexandre Tocafagner. Olha, você... Eu amei essa história. Alexa Tocafagner. Realmente, que sensacional isso, no meio do Ao Vivo.
Quero saber qual a primeira lembrança que vocês têm da vida. Já tem? Eu tenho. Sabe uma das primeiras lembranças que eu tenho? Eu era muito boa em handball. Isso é uma coisa que me marcou muito. É. É, né? Não parece, né? Não é a primeira coisa. Eu não olho pra você e falo handball. É, eu era muito boa. Eu me achava muito boa. Eu me achava muito importante por ser boa naquele... Ser esporte. Naquele esporte. Eu era capitã do time. É isso. E... Eu era capitã do time.
Foi uma coisa que marcou muito a minha vida, assim. A minha adolescência, aquela virada da infância para a adolescência. Eu estudava numa escola católica no interior daquele estado do Rio. E o handball foi uma coisa muito importante na minha vida, assim. Essa é uma boa lembrança. É legal essas coisas do esporte, né? Para mim foi importante também essa coisa da autoestima, né? Às vezes no esporte você se encontra, tem a socialização, né? É muito legal. Minha lembrança mais jovem...
O meu pai é... Minha mãe é paraense, meu pai é cearense. E meu pai era da periferia pobre de Fortaleza. Tive que largar a escola com 13 anos e ele era autodidata. Ele estudava muito. Ele fez a carreira assim, começou a fazer concursos públicos. Na época não precisava de diploma para você crescer na carreira. Aí fez a vida assim. Só que ele nunca deixou de estudar. Até porque o nome dos irmãos é Sócrates, Sóstenes e Sófocos. É porque ele estava na filosofia. Ele ia de tudo. Ele ia por fase. Ele passava dois anos lendo.
E aí eu lembro que eu sou o último dos seis e o meu quarto ficava perto da biblioteca dele. Então ele trabalhava o dia inteiro, chegava em casa, cuidava das coisas e tal. E aí de madrugada ele ia estudar. E aí ele vinha me fazer dormir. E eu lembro que, dessa imagem, sabe aquela coisa que a criança assim, eu ponho a mão em cima dele assim pra perceber quando sair. Só que você dormia e depois... Só que às vezes de madrugada eu acordava e ele...
Ele lendo a biblioteca, duas, três horas da manhã, estudando ainda, com seis filhos, trabalhando. Legal, legal. Cara, minha primeira memória, assim, uma das primeiras memórias que eu tive foi da minha avó, quando ela me levou para o teatro principal e eu assisti o Quebra-Nozes e eu chorei, falei, quero estar lá. E aí ela me deu uma sapatilha e falou, vamos começar o balé? E eu comecei. Foi por isso que eu... Quanto é isso? Simberela. Eu tinha sete anos. Sete anos. Vamos para as perguntas aqui.
Há um livro. História para desaparecer da Socorro Racioli. É incrível. Ela é uma escritora da nova geração. Realismo Fantástico Brasileiro. É incrível. Leiam. O meu é O Amor nos Tempos do Cólera, do Gabriel Garcia Marques. Eu sou apaixonada. O meu pai, que já morreu há muito tempo, a minha mãe eram apaixonados pelo Gabriel Garcia Marques. E aí me entregaram essa paixão. E esse é um livro que marcou a minha vida.
Pra mim foi um personagem que, pra mim, é uma referência que é a autobiografia de Gandhi. Gandhi, pra mim, é o revolucionário pacífico e eu acho que a gente tá precisando muito de revolução e de paz. Quem quer fazer uma pergunta do programa pra eles? Vai ali aquela, você. Ela tá de camisa floridinha.
Fofuxa ela. Tudo bem? Qual o seu nome? É Carla. Oi, Carla. Carla, qual pergunta do programa que você quer fazer para eles? Quem é o brasileiro que mais dá orgulho e que vocês têm de referência? Ó, legal. Brasileiro que dá mais orgulho. Boa, Carla. Essa pergunta eu gosto também. Bom, eu vou começar que eu tenho um privilégio que eu tive um dentro de casa. O doutor Sócrates, meu irmão. O mais velho, o Sócrates. Eu sou o mais novo.
Ele sempre foi aquela referência, não no futebol, mas... Na vida mesmo. Na vida. E doutor porque ele fez medicina mesmo. Jogava futebol.
De alto nível, seleção e fazendo medicina ao mesmo tempo. Não sei como ele conseguiu. Será que ele não puxou esse pai maravilhoso? Verdade. Sim. Padre Júlio Lancelotti. É uma personalidade da atualidade que ajuda muitas pessoas realmente para o bem e traz mensagens de paz. Então, ele me inspira muito. Sabe um brasileiro que eu acho que faz muita falta, inclusive, para a gente e que eu era completamente apaixonada? O Paulo Gustavo. Eu era apaixonada por todo mundo.
Eu sempre tive uma paixão pelo Paulo Gustavo e até hoje, os filmes dele, quando eu assisto, dá uma alegria na gente, né? O olhar dele para a vida, o olhar dele para o cotidiano das pessoas é muito interessante, era muito perspicaz e sempre com uma alegria, né? Eu acho que ele faz muita falta para a gente hoje em dia. Verdade, faz mesmo. E para terminar, o que vocês querem escrito na lápide de vocês?
Deu meu horário. Deu meu horário. Ah! Deu meu horário. É ótimo. Vamos embora, gente. Aí. Juro que eu tinha anotado aqui. Eu esqueci. Eu sabia que vinha essa. Mas vou falar assim, se eu esqueci de você, não é pessoal. Não é pessoal. Tinha que dar assim, essa não é a cova do Raí e ele errou.
Eu vou pesar o clima. Por que? Porque eu quero que na minha lápide tenha escrito, igual tem na do meu pai, e que é uma coisa que me marcou muito, que é um trecho do Fernando Pessoa, que diz assim, repudiei sempre que me compreendessem. Ser compreendido é prostituir-se. Prefiro ser tomado a sério, como que não sou, ignorado humanamente, com decência e naturalidade.
Que bonito isso. É um trecho do Fernando Pessoa. O meu pai era um homem que gostava muito de ler. E ele era apaixonado pelo Fernando Pessoa. E quando ele morreu, a gente colocou... Tem um outro trecho na lápide dele. Mas esse me marcou muito, tanto que eu decorei. E eu não decoro mais nada na minha vida. Isso tá decorado e meu pai morreu tem 36 anos. Caramba! Uau! Aliás, um beijo pro Fernando Pessoa que tá vendo a gente, acompanhando a gente. Fernando Pessoa, um beijo pra você. Gente!
Acabou, vocês acreditam? Ah, não. O Zé... Foi muito rápido. Foi muito rápido. Não é, eu sei que o Raí nem percebeu, nem se deu conta. Mas acabou, a verdade é essa. Estou como encomenda para você na entrada aqui do Projac. Pelo amor de Deus. Para você pegar, bonitinha. E você, deixa eu te falar. Eu estou com um sombrinho meu que entrou na psiquiatra essa semana. Ah, não acredito. Eu preciso que você vá lá vestida de Frozen e cantar uns laryngol para ele. Pode ser?
Vou de cabeção de lápis. E você vem semana que vem de volta pra assistir que história é essa com mais histórias. Até mais, meu povo. Valeu. Um brinde, um brinde. Um brinde. Yes!