Episódios de Que História É Essa, Porchat?

Alex Atala + Juliana Paiva + Filipe Toledo

15 de abril de 202658min
0:00 / 58:02
Fabio Porchat reúne o chef de cozinha Alex Atala, a atriz Juliana Paiva e o bicampeão mundial de surf, Filipe Toledo. Alex lembra de uma viagem à Singapura que quase virou uma tragédia. Juliana conta como um simples passeio no shopping se transformou numa situação muito constrangedora. Com Filipe, tudo aconteceu na Austrália e começou com uma sopa fria. Na plateia, Milene narra o pesadelo de uma viagem de férias.
Participantes neste episódio4
F

Fábio Porchat

HostComediante
A

Alex Atala

ConvidadoChef
F

Filipe Toledo

ConvidadoSurfista
J

Juliana Paiva

ConvidadoAtriz
Assuntos3
  • Viagens e TurismoViagem a Singapura · Incidente na Austrália · Experiência de tsunami na Tailândia
  • Culinária e GastronomiaBactéria em peixe · Perigo de cozinhar
  • Experiências de CorridaSituação no shopping · Sopa queimada
Transcrição150 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

E aí minha gente, eu sou o Fábio Porchat e esse é o podcast do meu programa no GNT. Aqui, que história é essa, Porchat? Eu ouço e conto também histórias curiosas e divertidas da vida das pessoas. Seja anônimo, famoso, não importa. O que importa é ter uma boa história.

E eu tô animado hoje, sabia? Quem me conhece sabe que eu adoro quando os meus convidados vêm pra cá contar coisa esquisita, coisa que dá nervoso, que expõe bastante eles pro ré do Brasil e do mundo inteiro pro ré não. Aí você fala, ai Fábio, que maldade. Não, não, horror e maldade é essa realidade paralela que a gente vive fora daqui. Aqui não. Aqui é tudo gostosinho.

Aqui é tudo pra te relaxar, pra você pensar que bom que aconteceu com ele e não aconteceu comigo. É... De sofrer já não basta o torcedor do Vasco, meu povo! E eu tô aqui pra te fazer feliz ouvindo história boa, sem ter que pensar a escalação de time que não te dá alegria ao tempo. Mas o meu time daqui é campeão. Ah, é pela primeira vez no Que História É Essa? Alex Atala! Felipe Toledo!

E Juliana Paiva! Vamos começar, meu povo, pela primeira vez todo mundo aqui! Bem-vindos, minha vida, coisa boa. Seu Alex! Manda! Tô vendo que tá com os dois braços bem aí. Os braços são bons. Esse esquerdo tá legal? Ele foi bom. Ih, rapaz, ia acontecer coisa ruim, é?

Mais ou menos. Vou começar lá atrás. Eu trabalhei na França de cozinheiro e conheci um garoto que se chamava Christophe Megel. Passaram-se mais de 15 anos. E aí eu montei o Dom. O Dom é o meu restaurante de São Paulo. É só um restaurante que tem duas estrelas Michelin. A primeira estrela Michelin do Brasil foi ele. Mas isso é bobagem. Isso é bobagem. Qualquer um tem. Qualquer um tem. Isso é fácil.

Que mais tenham, que mais pessoas tenham. Fui convidado, o Christophe assumiu a chefia de um dos principais hotéis de Singapura e me convidou para ir fazer um jantar. E eu quis fazer a coisa mais complicada possível, porque afinal de contas, garoto, quer mostrar... Você queria mostrar seis vezes. Se quiser, exatamente. E resolvi então trabalhar com fígado de peixe, de um peixe de profundidade.

Fígado do peixe. Pois é. Sabia nem que peixe tinha fígado. De profundidade. De profundidade. O peixe... Desculpa, minha ignorância. Na minha cabeça, ele já ficava na profundidade. Não, não, mas esse é bem mais fundo. Esse é mais fundo que a profundidade. Chego em Singapura, o Cristófio olha pra minha cara e me recebe no aeroporto e fala, vamos direto pra cozinha. Do aeroporto pra cozinha? Do aeroporto pra cozinha e fala assim... E é um voo longo, hein? Quase 20 horas de voo total e 11 horas de fuso horário.

Felipe chega pra mim, Christophe chega pra mim e fala vamos direto pra cozinha porque nós temos que limpar o peixe porque ninguém sabe fazer o que você quer e vai dar errado. Eu falei, tá bom, mas é o seguinte, eu preciso tomar um banho. Eu falei, eu vou, subo, tomo um banho.

Tomei meu banho, cortei a unha, mas cortei demais a unha, deixei um pedacinho da unha sangrando. Você quis se aparar inteiro pra fazer esse peixe? Aparei mesmo. Aparei mesmo, tem uns pedacinhos engolidos. Mas é aquela coisa quando corta um pouco mais pra dentro da unha... Você tem que ficar unha molinha depois do banho. Hum, delícia, né? Tem que ficar aquela dorzinha que a gente tá apertando. E aí fui limpar o peixe, os peixes. E peguei uma bactéria anaeróbica, que são as mais patógenas. Peraí, calma.

Que isso? Você limpando... Como é que... No peixe tem bactéria? Em todo organismo existem...

Bactérias... Não, na Juliana não. Pelo amor de Deus. Foi mal, foi mal. Com exceção da Juliana. E mais um monte de mulher. Não, mas você... E de alguns homens também. Limpando o peixe, não doeu limpando o peixe? Na hora nada, nem senti nada. Mas é uma bactéria que tá do lado de fora ou tá no fígado do peixe? Tá na parte interna do peixe. Por que você foi tirar da profundidade desse peixe? É um homem cruel. Então quer dizer, você na limpeza, você limpou quantos peixes ali?

Uns 20, 30, talvez. 20, 30, na limpeza interna, tu abriu ali dentro, tinha uma bactéria, falou, deixa dormir. Ela tava querendo um lugar quentinho, aí ela achou meu dedo. Um buraquinho no dedinho. Mas como é que você sabe que entrou uma bactéria imediatamente? É a única possibilidade que tinha. Cheguei, eu cheguei bem, tomei o banho e... Cortou o peixe, mas quanto tempo depois você sentiu... Em 20 horas, eu já estava internado no hospital e eu tinha o pulso mais grosso que o bíceps. Meu Deus! Em 20 horas. Peraí, conseguiu fazer o jantar?

Vou contar. Eu tô nervoso. Deu, deu, deu, deu. Eu tô achando que esse braço é biônico já. Ninguém passou fome. Mas a história é que 20 horas depois, eu já estava internado. Eu quero me ver. Cara, você tá indo pra 20 horas depois. Eu quero saber o momento que você olhou o braço. Mas eu preciso contar mais uma coisa. Desculpa. Vai. A Márcia, a minha mulher, tava grávida dos gêmeos do Tomás e da Joana, que hoje tem 23 anos. Caraca. Eu estava em Singapura. E ela no Brasil. Ela no Brasil.

11 horas de diferença. Ela não tá sabendo nada ainda. Ela não sabe de nada. E aí chega a notícia que... Eu tinha que dar a notícia que não só eu estava internado, como tinha o risco grave de amputação do braço. Lembra que eu sou cozinheiro, eu preciso das suas mãos. Você precisa mesmo. Pô, a tala, mas... Cortou o peixe, abriu a bactéria. Eu falei, vou lá na tala. E aí você serviu as comidinhas. Em que momento que você fez um...

Ela me achou um gostoso. Quanto tempo do limpô o peixe para a primeira reação? Duas, três horas depois. Duas horas depois você sentiu um... O dedo começou... O cantinho do dedo já começou a inflamar, infeccionar e já começou a inchar. Começou a inchar. E isso foi progredindo muito rápido. Muito, muito rápido. Meu Deus, é uma bactéria realmente muito violenta. Muito, muito.

Muito, muito. E aí você... Na hora você falou, vou pro hospital ou você falou, vou tomar uma aspirina? Eu tentei, aí eles me levaram pra enfermaria do hotel e do hotel direto pro hospital. Hospital em Singapura. Em Singapura. Que dentro da situação é o melhor lugar que podia acontecer, porque é um... Se fosse da Índia, tu tava... Exatamente. Se fosse ali do lado, tava... Tu não tava fazendo high five hoje. Não, não, não. Soca a direita. Aí foi pro hospital apavorado ou você tava achando bobagem?

Não, eu fui apavorado. Foi apavorado. Foi apavorado porque realmente tinha risco de amputação. Estava previsto... Estava previsto a amputação? Estava previsto a amputação. Tinha risco de generalizar. E aí tem risco de vida. Então estava prevista. Ah, porque você corta o braço, a bactéria não caminha mais. Exatamente. Você corta o caminho, né? Desliga o pedacinho que ela estava... É chato esse caminho. E aí o cara chegou lá... Bom, fez o seu medicamento, descobriu que é uma bactéria e falou pra você, senhor, a gente vai cortar teu braço. Sim, senhor.

Desse jeitinho. Lembra Márcia Grávida no Brasil de gêmeos. E aí você é ele que fala, meu amor... Foi pra Singapura e voltou sem braço. Não contei pra ela de medo de ela ter oito meses de gravidez. E eram gêmeos, né? Ele precisava... Excelente, Juliano. Meninas sabem das coisas. Meninas sabem das coisas.

Passo, então, a primeira coisa, ligo para o médico do Brasil, não sei o que, o médico do Brasil, que infelizmente não está mais com a gente. Tem uma bactéria aí. Tipo isso. Falou, eu quero que antes da amputação faça um exame para ver se essa bactéria entrou no túnel de carpo. Se tivesse entrado... Túnel de carpo? É, exatamente. Olha, até um peixe tem uma carpa, tem dentro de vocês. Não, eu tenho um pedacinho de carpo, nós temos uns pedacinhos de carpo. E aí? Não entrou. Então valia a pena.

tentar... Salvar. ...cirurgias. Aí eu tive que fazer três cirurgias. Primeiro, pra limpeza, porque a bactéria anaeróbica não cria pulso, ela cria um gás. Gás? Que bactéria doida é essa? Pois é. Fica peirando em você a bactéria. Literalmente, literalmente.

Aí faz o quê? Você corta... Abre, abre e vai fazendo punzinho, e vai limpando dentro. Vai soltando o gás. Isso você acordado ou anestesiado? Não, anestesiado. Todas as cirurgias anestesiadas. E quanto tempo por causa da cirurgia dessa? Quatro horas. Que isso? Quinze dias hospitalizados, sem sair da cama. Em Singapura? Em Singapura. Deve ser baratíssimo o hospital em Singapura. Essa é a parte mais legal da história.

Faço as três cirurgias. A última cirurgia eu ainda tinha mais de 30% de chance de sair com amputação deste dedo. Graças a Deus. E é um bom dinheiro. A Singapura é a Suíça da Ásia. Deu tudo certo. Tenho as duas mãos, tenho os dez dedos. Não aconteceu nada. E tenho, lógico, o final da história.

Este dedo é VIP, eu não ponho em qualquer lugar, mas esse é de graça. Esse dedo é caríssimo, esse dedo é caríssimo. Esse aqui é só fazer fila, esse aqui, ó. Pegue a senha, bonitão. Mas você depois recuperou o movimento, tudo... Tá tudo ótimo, tudo ótimo, cozinho, faço tudo. Você, na hora que o cara falou, vai amputar, vai tirar, pode perder o dedo e tal...

Na última cirurgia, estou falando sério, na última cirurgia eu estava talvez a mais tenso porque já não circulava mais sangue, estava gelado já. Estava escuro e sem circulação de sangue. Eu tive que fazer essa cirurgia. A última também fez uma parte de reconstrução da mão.

E quem pagou isso? Foi o teu chefe comigo ou foi você mesmo? Não, não, não. Foi eu. Foi você mesmo. Este ser que vos fala. Pode fazer uma pergunta? Pode. E a pessoa que comeu peixe também? Todas ótimas. Sagaz você. Lógico, morreram todos. E não com a bactéria do peixe. Com a bactéria do Atala, que passou o sangue dele para as pessoas. Na teoria, você tinha que usar uma luva e você não usou. Não precisa, porque abrir peixe é sem luva mesmo. Eu acho que teria sido mais seguro ter usado uma luva. Ah, não.

Evidente que teria sido mais seguro, você não teria quase morrido. Mas geralmente você não vai usar a luva pra abrir peixe, né? Normalmente, sim. Normalmente, sim. Ah, são mais os otários que não fazem isso. Esses aqui... É, eu não podia falar, mas eu posso concordar. Que loucura! Meu Deus, nunca imaginei que cozinhar fosse um risco de vida tão grande. Então, tem vários riscos na cozinha, alguns até de fazer as pessoas felizes.

É por isso que você não tem que fazer peixe, tem que fazer sopa, porque sopa é muito mais seguro, né, Felipe? Com certeza. Sopa não é seguro pra caramba? Extremamente, principalmente de café da manhã. Como é que é isso aí? Cara, a minha história é engraçada, né? Acho que todo mundo sabe que sou surfista profissional e viajo o mundo competindo, né? A temporada tá pra começar. E, assim, eu tava viajando, tinha acabado de começar a temporada, isso foi em 2017.

E eu sempre viajei com meu pai, desde o início da minha carreira, meu pai sempre que cuidou de tudo, sempre que me ajudou, me levava para todo canto e apoiava. Então, quando eu me classifiquei para o Circuito Mundial, ele viajava comigo. Então, durante sete anos, ele estava sempre comigo, sempre presente.

E o meu pai, cara, meu pai é um... Ele é um... um ser humano diferenciado, assim. Como é que é isso? Cara, ele... Ele também é das profundezas, né? Ele... Ele só ficava por cima, só assustando. Mas, assim, ele... Caiçara, de ubatuba, não tem tempo ruim pra nada, come qualquer tipo de coisa.

inclusive sopa, e sobrou um não sei o quê, bota um arroz... O Alex adora ele, eu curti muito, dá pra fazer uma viagem com ele. Mas... E aí a gente estava junto na Austrália, e estava me preparando para o evento, a gente chegou num lugar, no oeste da Austrália, e a gente chegou num lugar, né, a gente estava na casa...

se preparando pro evento, ia acontecer dois, três dias antes aquela coisa e tal. E aí, no dia que ia começar o evento, né, eu tava me preparando pro campeonato e tal, ali, aquela coisa, ia arrumar isso, ia arrumar aquilo. Só que um detalhe importante é, durante todos esses anos que o meu pai viajou comigo, eles sempre ficavam muito ansiosos.

Então o cara tá chegando, avisa o Felipe competir e tal, e aí começa... É, dá atenção, é um nervoso. Pega um negocinho ali, come isso... Ah, come de ansioso. É, de ansiedade e começa a comer. Chama a Fábio Porchat essa ansiedade. Essa síndrome. Eu sabia que isso existia.

E aí, cara, num dia anterior, a gente tinha feito uma sopa, um lugar mais frio e tal, aquela coisa, jantar uma sopa. Não sei se todo mundo concorda que sopa é... Sopa não é janta, né? Aí fica o dilema. Se você der 88, sopa é janta. Eu acho que eu tenho alma de 88. Gritado. Aí fizemos essa sopa e tal, não sei o quê, sobrou no outro dia e aí era por volta de umas 10 e pouco da manhã, assim.

Quando desse mais ou menos meio-dia, meio-dia e pouquinho, a gente saía de casa pra ir até o evento e lá começar a se preparar. Aí deu umas 10 e meia da manhã, a ansiedade do meu pai já bateu, aí ele falou, cara, vou esquentar essa sopinha aqui, vou deixá-la no fogo baixo, nem sei se isso é certo, você pode me falar melhor.

No fogo baixo e tal, vou administrando, a gente vai agilizando. Chegar perto da hora de sair, eu como minha sopinha e a gente vai pro campeonato. Show, combinado. Beleza, tá bom. Aí começa, prepara aqui, arruma ali... É porque você... É bom comer uma comidinha leve, neossufista, porque você tá com aquela neoprênia. Então, mas quem ia comer a sopa era ele. Ah, não era nem você, porque eu pensei em você. Eu já tinha tomado meu cafezinho da manhã. Se bate alguma coisa ruim dentro da neoprênia, meu?

Ela sai por aqui, cara. Não vai afundar. É que nem um tubo de patefa. O problema é não sair, né? É, o problema é não sair. Porque a roupa é justamente pra não entrar água. Pra não sair nada. Mas e aí? Esse é o país que entrou a sopa em você. Botou a sopa no fogo baixo e tal, e a gente começou a se preparar e tal, que prancha que a gente leva, bota as coisas no carro, pega a câmera, pega isso, pega aquilo e tal. Vamos pro campeonato. Beleza.

Tudo certo. Aí chegamos no campeonato e tal. Tava chegando próximo da minha hora de competir, não sei o quê. Começando aquela coisa de preparação. Cara, deu um estalo no meu pai. E a sopa. E tava nós três assim. Aquele meme do Homem-Aranha, a gente ficou assim, tipo... O que a gente faz agora? Aí o cara assou, pra ela tá no fogo baixo. E agora? E agora? E agora? Aí eu falei, pai, é o seguinte, fica aí que eu vou lá.

Eu vou correndo lá e tal, vou resolver isso. Ele, não, mas não sei o quê, eu vou. Você estava para entrar. Eu estava perto de entrar. Eu falei, pai, não, mas eu vou. E aí, cara, nessa hora, o campeonato, o evento aqui, a onda lá e tal. E aí a gente olhou para fora do evento assim, eu e o Bruno.

E aí a gente viu uma fumaça. Não. Em direção à casa onde a gente estava ficando. Aí na hora, na hora, já me deu aquele gelo. Eu falei, nossa, eu vou ter que ganhar o campeonato pra pagar a casa. Como é que vai ser? Como que vai ser isso? Vou correr de graça. E agora? É, exatamente. Vou competir só pra dar o dinheiro pra casa.

E aí eu falei, cara, Bruno, vamos lá, vamos lá ver como é que está essa casa, que situação, o que se encontra, né? E aí a gente decide o que a gente faz. E aí entra no carro e a mão é do outro lado, né? A direção é do outro lado na Austrália. Na Austrália é a mão invertida, na Inglaterra a mão é invertida e eles colonizaram a Leal. E aí saia ali no cruzamento, entrando na contramão. Então já é difícil virar esquisito. Já desesperado ainda. Pensando na bateria, pensando na casa, eles tinham pegado fogo. E na sopa, né? Tadinha na sopa. Pô, a sopinha estava olhando.

Cara, a gente chegou em casa, já estava uma fumaça... A fumaça era da casa? Não era da casa. Essa era a parte boa. Era da... Eu não sei do que era, era alguma fogueira, alguma outra coisa... Era só pra pernizar a tua vida, fumaça. Era só pra alugar a minha mente. Fumaça escrota? Aí eu falei, cara, não é possível. Cheguei lá, a casa toda enfumaçada, aquela coisa abre desesperada. Estava tudo fumaça, estava minimizado, assim, dentro da casa.

E aí, a hora que eu cheguei na cozinha, tava a panela de sopa, ela completamente carbonizada, fogão, aquela parte de cima, aquela grade que vai em cima do fogão, completamente preta, já tava preta, nem tinha nem gás mais. Ela já tinha... Já tinha dado uma merda enorme. E aquela fumaça...

Que é de panela... Com massa preta, fedida. Cara, só sei que estava tudo carbonizado. E a gente chegou desesperado e agora o que a gente faz? A gente pega a panela? Será que vai queimar? Será que... O que a gente faz? Melhor não. E aí pegamos a toalha de um jeito, não sei o que, panela, a gente arremessou ela lá para o quintal, assim.

E aí a gente, cara, tá, tudo bem, não tem nada pegando fogo, né? A casa tá intacta, mas ela tava completamente cheia de fumaça, fedida. A casa era de madeira. Então, assim, pra dar um ruim, era só dar uma pingadinha. Vocês deram muita sorte. A gente deu muita sorte.

E aí, enfim, no final das contas, a sopa totalmente queimada, o fogão queimado, nenhum prejuízozinho ali. Dos males, o menor foi tranquilo até. Só que você tinha que voltar pra competir. Eu tinha que voltar pra competir. Aí eu, caraca, joga essa panela longe, jogamos, a gente entra no carro, tá, isso aí que... Chegamos lá, falando, cara, tá tudo bem, a sopa, a sua sopa que você queria comer não existe mais. E seu pai, não! Minha sopa!

Se quiser, eu faço uma sopa pra você hoje à noite. Mas aquela sopa não dá mais. E você competiu e tinha cabeça pra competir? Você devia estar numa adrenalina. Cara, na adrenalina. Aí cheguei lá, aí é aquela coisa. Entra no modo competição, bota uma música ali, tenta esquecer da sopa. Você surfa de fone? Não, antes, né? Antes ali, na hora de preparar isso aqui. Você é apto, surfa agora! Surfa com som e sopa. Som e sopa.

Mas, no final das contas, deu tudo certo. Você foi bem colocado na classificação? Fui, a gente acabou em terceiro, eu acho. Mas foi uma fase inicial, era a segunda fase que eu tinha que competir. Então, faltavam mais algumas até chegar ao terceiro lugar. Mas eu acho que essa sopa aí me deu um gás a mais. Te deu gás? Uma adrenalina, né? Pra entrar ali já ligado na bateria.

A gente escapou de uma ali. Pô, realmente, podia pegar fogo na casa inteira. Ia custar mais ou menos a cirurgia que ele teve que fazer lá em Sintucurão. A cirurgia mesmo.

Mais um dia que ele tem, 14 dias internado, isso é um ano inteiro de multishow aqui. É um negócio mais violento. É, mas a gente corre riscos. A gente corre riscos. Às vezes a gente corre riscos em Singapura. Às vezes a gente corre riscos na Austrália. Às vezes a gente corre risco aonde, Juliana? Num shopping. Num shopping. Mas num shopping aonde? Em Paris, Juliana? Em Niterói. Em Niterói. Tem Niterói!

Será que é testemunha? Não precisa ir tão longe pra ter risco, né? Juliana. Estou com medo de ter testemunha na plateia agora. Gente... Você estava andando no shopping, Nikit. Tudo começou.

Eu tava gravando um filme, a gente terminou de rodar ele ano passado, no final de dezembro, e meio que vai esperando de Natal, assim, acho que foi dia 22, pertinho de Natal. E aí eu tava gravando em Niterói, porque a gente vai contar a história do guia espiritual do Chico Xavier, o Emmanuel. Aí tava lá rodando o filme, era uma semana inteira em Niterói, e pra ir e voltar é perrengue, né? Às vezes duas horas e meia pra ir, duas horas e meia pra voltar. Mas fácil ir pra Roma Antiga.

E aí, tem uma coisa que me tira do sério, é trânsito. Eu falo, cara, quanto tempo de vida que eu tô perdendo aqui, não sei o quê. E aí, falei com o meu namorado, Danilo, que veio. Caraca, Danilo. Tá aí. Meu herói, meu herói. Vocês vão entender. Falei com ele assim, vamos lá pra Niterói, vamos pegar um apêzinho. A gente fica lá a semana que eu for gravar lá. E foi ótimo. Gravei tudo e tal. No último dia, que a gente já tinha dado a baixa no apartamento.

Ele foi pro shopping me esperar, terminar de gravar. Eu falei, terminou o último encontro no shopping, tudo certo. Só que no primeiro take do último dia, no ação, uma formigona me picou. E eu fiquei com o pé, latejando o dia inteiro, o dia inteiro, botando gelo. Me deram uma pomada, a pomada era errada, não era praquilo, e o pé doendo. Sempre, sempre tem alguém, tem uma pomada que é ótima e nunca... Uma pergunta, era uma formiga das profundezas?

Não era tão agressiva, mas ela me machucou bastante. Aí, quando cheguei no shopping, eu falei assim, antes de qualquer coisa, a gente tem que ir à farmácia, porque eu estou com o pé doendo e tal, não sei o quê. E a gente não conhecia muito o shopping Niterói. Era um shopping que tinha muita escada rolante, assim, a gente meio perdido e tal, onde é que fica a farmácia? A gente perguntando. E aí, um monte de escada rolante, e a gente desceu na última escada rolante, que era do lado da decoração de Natal. Como eu disse, vai a espera de Natal.

E tinha muita gente ali, decoração. Shopping lotado. Claro, vespa. Papai Noel ro ro ro ro tirando foto. Gosto. E aí descendo a escada rolante, a gente procurando, aí eu falei, ali a farmácia. Niki, eu falei, ali a farmácia? Eu tava com uma saia longa.

Vocês estão entendendo um pouquinho do... E eu acho que eu fiz uma sacudidinha com a saia que ela emperrou ali e enganchou na escada rolante. E eu senti assim e aí começou a puxar... A puxar a saia. E eu não tive outra reação a não ser falar pra ele, vou ficar pelada.

E ele assim, e eu, vou ficar pelada. E aí o Flamengo é progredindo falar, vou ficar pelada, vou ficar pelada. Porque ele não tinha visto a sacra, ela falou, bom, ela tá doida. É, ele tava vendo a farmácia, do nada, vou ficar pelada. O problema é ele falar, então vamos nessa, vamos lá.

Eu acho que... Mas aí eu só consegui falar isso, vou ficar pelada, vou ficar pelada. E conforme foi puxando, eu fui meio me curvando assim, tentando já dar uma proteidinha. Ficando pequenininha. Ficando pequenininha. E a escada me engolindo. E eu vou ficar pelada, vou ficar pelada, vou ficar pelada. E aí quando ele viu, ele... E aí ele foi...

Deu um nó de marinheiro e começou a brigar ele e a escada. Rabo de guerra com a escada. E você já... E eu assim, já... Poupinha de fora. Levanta rapidinho só pra entender uma coisa. Então estamos aqui. Ele estava atrás de mim aqui. Ah, você escadia rolante. Ali era a farmácia. Ali apontou lá a escada e comeu aqui. Ah, saia comprida aqui. Então ele brigou aqui.

Isso. E aqui, bunda pra jogo. É, eu falei que eu fiz aqui assim, aí ela me pegou aqui. E ele aqui... Aí eu falei, vou ficar pelada, vou ficar pelada. E ele aqui na farmácia, distraidão, daqui a pouco ele olha e vê a situação. E tá aí com você. E aí tá aqui. E eu aqui, curvadinha. Ah, porque você foi protegendo as partesinhas pudentinhas. É isso.

Eu fui assim, me curvando, mas ele lutou bravamente. Esse herói. Esse herói. Meu herói. Aí ele foi puxando, puxando, puxando, puxando. Ele deu um puxadão, liberou a saia aqui. Rasgou. Claro. A escada parou. As pessoas frearam. Chamou a atenção de todo mundo.

Shopping lotado. Aí cheguei com ele pra um cantinho e falei, amor, quase que eu fiquei pelada. Aí ele, você ficou pelada. Ah, que você não tinha tido noção. Você achou que... Eu achei que eu tava protegidinha, lembra? A saia aqui no joelho, ela tá tudo bem. Foi a bunda, foi toda a bunda. E a calcinha nem era maneira. Era calcinha de gravação, calcinha de vó. Mas nessas horas a gente nunca tá bonito. Nunca tá preparado.

Aí eu entrei na farmácia com ele e falei, não, esquece, você tem que focar na pomada, porque eu estava com o negócio da formiga. Vamos aqui na pomada e tal, ele ainda arrancando os retalhos, assim, meio soltos da saia. Eu pedi da pomada para a mulher, e aí tinha uma senhorinha, não tem aqueles bancos de farmácia? Que é para pessoas cadeirantes, com deficiência, ou para pessoas idosas. Aí ela estava sentadinha assim, mas ela me julgou muito. Porque eu estava meio da altura dela, e ele terminando de arrancar os retalhos, assim, e ela olhando assim...

pra você ver a moda hoje em dia. Juro por Deus. A moda hoje em dia. Juro por Deus. E essa saia você perdeu pra sempre, né? Eu trouxe a saia. Você trouxe a saia? Eu saí dessa história com uma certeza. Agora eu tenho uma história pra trazer no Porsche. Olha, finalmente! Tá vendo esse tema? É uma saia longa.

É uma saia grande. Cadê ela? Olha a moda como é que é. Olha a moda, você vê, gente? Ela arrebentou. Olha aqui. Ela catou como é, amor. Olha aqui, vou fazer pra vocês verem. Você vai botar a saia? Vou botar pra você entender como é que é. Eu faço a escada e você faz a saia. Porque parece que ela tá muito... Fechou. Com todo respeito, vou tirar a saia da sua mulher.

Vem você fazer você. Puxa, amor. Vem entender aqui. Então você tá aqui de frente pra escada, não? Aqui. O amor tá aqui atrás. Eu vou fazer a escada puxando. A escada comeu por aqui, né? É por aí. Então tá. Então você tá aí na escada... Então vamos lá. A gente perdeu. Da onde é que tem a farmácia? Da onde é que tem a farmácia? E a farmácia ali? Jogou, prendeu. E aí que conversou. E foi. E eu vou ficar pelada. Vou ficar pelada. Vou ficar pelada. Vou ficar pelada. Olha só. Isso aqui é...

E aí você aqui... Não! Vem! Vem! Ah! Ah! Levou!

Que loucura! Então deu pra ver mesmo a sua bunda. Menino, deu. E a mão dele sangrando, tá? Sangrando? Que isso? Arranhou de tanto raspar, porque eu briguei mesmo com esse cara. Eu falei, ela vai rasgar. Eu pensava, uma hora, essa merda vai rasgar. Vai rasgar.

Eu acho que de ter tomado as pás... Cortou a sua mão. Rapaz, se depois de um lugar desse você vai limpar o pês, tu morre. Tomar cuidado. Caraca! Perigoso. Leve incinera isso aqui, eu não sei... Pode ficar pra vocês, de acordoção. Ó...

Temos aqui no programa uma sobrevivente do tsunami na Tailândia. Tailândia teve aquele tsunami super barra pesada, matou um monte de gente, tem um filme sobre isso e tal. E uma brasileira estava lá, na Tailândia, no meio desse caos. Sempre um brasileiro, né? Sempre tem um brasileiro. Sempre um brasileiro. Brasileiro e formiga sem outro tudo que se alugar.

E agora tem história de sobrevivente de tsunami. O negócio é o seguinte, teve aquele tsunami na Tailândia, um negócio terrível, matou centenas de milhares de pessoas, um negócio, né, pavoroso. Agora imagina estar lá, imagina ver aquilo acontecendo. E a Milene lá estava. Cadê você, Milene? Tudo bem? Ainda bem que está aqui.

Ainda bem. Milene, que loucura! Que doideira! Você estava lá passando férias? O que era? Era 2004, né? Eu estava morando na Malásia, estava trabalhando como modelo. E a gente teve a brilhante ideia, eu e meus namorados, de passar Natal e Réveillon na Tailândia. Que é um lugar maravilhoso, tá? Lindíssimo, assim tal.

E aí a gente chegou no dia 23 de dezembro. A gente chegou, a gente tinha ubocado um hotel que era na perpendicular à praia, então não tinha... eram três andares. E a gente ubocou o quarto no primeiro andar. E aí a moça falou, olha, o quarto que vocês reservaram, o pessoal que estava aqui nesse quarto resolveu ficar até o dia 26. Então tudo bem se a gente colocar vocês no quarto andar e tal. No andar mais alto. Isso.

A gente reclamou um pouquinho, né? Aí ficamos lá, 23, 24, 25... Natal. A gente conheceu um casal que falou pra gente ir fazer o passeio de Pipi. Pipi? É, Pipi Island. Ah, tá bom. Às vezes, o passeio do Pipi leva a gente pros lugares superiores. Ó, levou. Quase que leva... Que é Pipi Island, que é uma ilha superfamosa. Sim, é do filme. É a praia. A praia, a praia. Do Leonardo DiCaprio. É, eu não queria ir.

De verdade. Eu falei, não, imagina, estou super queimada de sol, eu quero ficar na praia. A gente tinha alugado o carro, ido conhecer algumas praias e eu falei, não, amanhã eu quero ficar na praia, aqui embaixo do guarda-sol, só relaxando. Aí ele falou, bom, eu vou, se você não quiser ir, você não vai. Aí no dia seguinte, a gente nem se falou, tinha que sair cedo pra ir pra ilha. E aí eu estava escovando o dente, ele já tinha descido até, eu estava escovando o dente e eu senti que tremeu.

A pia. Estava apoiada. Aí falei, nossa, o que será que é isso? Desci e falei para ele, você sentiu algum tremor? Aí ele falou, não, claro que não, a gente está em uma ilha, vai, vai. Aí fomos sem conversar. E aí você topou ir no passeio? Ah, fui, né? É chato. A gente pegou a lancha, nós saímos, eram tipo 9, 10, assim. Tá. E foram até pipi? Não, a gente parava, o passeio parava em duas.

O passeio parava em duas ilhas antes pra mergulhar e depois pipi era a mais longe. E mergulhar com óculos, né? Snorkel, assim. Pra ver peixinho. É, pra ver peixinho nas profundezas. Os peixinhos do ar. Cuidado com o fígado deles. Claro.

Aí falaram, olha, o mar está muito mexido, algumas pessoas pularam, aí o guia falou, o mar está muito mexido, tem alguma coisa estranha, vamos para outra porque não está dando para ver direito. Aí depois da segunda ilha o guia falou, olha, vamos todo mundo subir para o barco, coloquem os coletes salvavidas porque tem alguma coisa errada, tem alguma coisa estranha. Agora a gente vai ter que voltar para o pia de onde a gente saiu porque tem uma onda grande vindo.

E aí todo mundo... Uma onda grande. Como assim? Aqui, nessa piscina, não tem nem como. Naquela época, a gente nunca tinha ouvido falar em tsunami. Imagina. Foi lá que a gente descobriu que existia o tsunami. Exatamente. Nunca aprendeu em escola. Não, tsunami, imagina.

E começou a voltar, teoricamente. A gente achava que eles estavam voltando. Vocês não estavam descolpados de nada grave. Vocês acharam que não, vamos voltar. Claro, eu juro, não tem onda. E a gente estava mais para dentro do mar, então menos ainda. Eles iam saber na hora, eles devem ter recebido algum aviso. E ao invés de voltar para o Pia, eles foram para alto mar.

Passou para o alto mar. Porque quando tem o terremoto, nesse caso foi em Sumatra, na ilha lá na Indonésia, em Sumatra. Então teve o terremoto lá e a onda vem por baixo, vem um turbilhão por baixo aqui. Ela não vem aquela onda assim, a pum. Não, ela faz o movimento, a onda mesmo física. E aí ela vem por baixo. Então, enquanto tem profundidade...

ela está vindo como um turbilhão aqui. Então é bom ir para o alto mar por isso. Exatamente. Porque a onda passa por você. Exatamente. Quando ela chega e perde profundidade lá na areia, por isso que ela recua, ela faz aquele movimento de recuar, porque ela está vindo assim, então ela puxa a água... Ela puxa a água tipo um quilômetro. Isso. E forma a onda enorme, que é o que destrói tudo. E ela continua com aquela força. Então, eles, ao invés de voltarem a gente pegar no meio do caminho, eles foram para o alto mar.

Então a gente sentiu uma marola. Ué! Ai, que legal! Era isso? Que bobagem! Vocês com medo! Exatamente. Já senti mais emoção no Beto Carrera. Ué! Vocês voltaram pra... Sim, aí eles voltaram, esperaram um pouco, né? A hora que passou essa marola, a gente ficou esperando ainda.

E quando a gente chegou no pier, a gente já começou a ver de longe, a água marrom, aquele mar que era verdinho, aquela água marrom, tudo revirado, os barcos de longe, todos virados. Porque tinha um movimento ali, as pessoas alugavam, tinha restaurante, a correria, polícia só mandando correr, correr, correr. Não sei se você já foi pra Tailândia, mas eles não falam super bem inglês. É o... É o no no no, é, é. É o no dai.

Então eles só mandavam correr, não explicavam nada, também ninguém sabia muito bem o que estava acontecendo. Mas o desespero é tipo... Run, run, run! Exatamente. Não dava ser... Excuse me. Hello. Só mandavam correr. E corre pra montanha, eles falavam, sobe pra montanha, sobe pra montanha. Porque quando tem um tsunami, justamente por causa desse movimento, a indicação é subir para o lugar mais alto, porque tem risco de outra vir em seguida.

Porque continua isso, né? Que foi o que aconteceu. Que foi o que aconteceu. E aí eles mandavam a gente subir pra montanha e a gente só ia seguindo o povo sem entender nada. Porque a onda vem, ela não para de vir. Ela vai e toma a terra. E o problema também é que é o seguinte, ela vai e destrói tudo e o mar faz o quê? Volta.

E ele volta destruindo tudo de novo. É, porque ele traz cadeira, imagina, ele vem aqui, ele volta trazendo tudo que está aqui. E aí um momento que foi muito impactante para mim, assim, que um dos guias falou, olha, peguem tudo que vocês virem de comida e de bebida, nem pergunta de quem é, porque a gente não sabe quanto tempo a gente vai ter que ficar lá em cima. Gente. Imagina.

E aí a gente ficou na montanha o dia todo. Isso foi 10 horas da manhã, a gente ficou até escurecer. Na montanha, você diz, não tem uma casinha na montanha. Não, era no lugar mais alto. Porque não tinha como a gente ligar pro hotel, porque tava tudo cortado. Não tinha como sair de lá, porque as ruas estavam todas cheias de escombros. Então não tinha como a gente fazer nada. Sete horas da noite, a hora que começou a escurecer, tinha um rapaz com uma caminhonete, ele falou, olha, a indicação é levar as pessoas pro centro da ilha.

Porque se vier um outro tsunami, é o lugar que não é atingido. Vocês querem descer? Ele começou a conversar com a gente. Aí eu falei, eu quero, vamos arriscar. E aí chegou no shopping, aquela... Insustentável, eu não tinha o que fazer. Não tinha como ligar. Era só de placa, não.

Niterói é mais seguro, gente. Niterói é mais seguro. Foi ali no shopping que você entendeu a loucura? Sim ou não? Não. Porque ali estavam as pessoas que, como eu, foram privilegiadas, sabe? Que não passaram, que se salvaram, que não viram, que não estavam no meio da onda, né? Não terram. Não tinha nem condição de entrar nesse shopping. Esse mesmo rapaz falou, olha, eu sei que tem um abrigo em tal lugar, eles estão levando as pessoas também e posso levar vocês num templo que está chegando...

Alimento, água, enfim, insumo. E aí a gente falou, tá bom, vamos. A gente estava com a roupa do corpo, eu estava com uma saia, biquíni. Eu tinha, a gente, nem nada, documento, nada. A gente tinha pago o passeio para passar o dia todo. E aí lá a gente viu, começaram a chegar os feridos que estavam em pipi.

E a onda chegou. Ela fez essa aqui, ó. Meu Deus. Engoliu. Você deu muita sorte. Porque era pra você morrer no hotel ou morrer na ilha? É, ou na areia, né? Na praia.

Tô até com medo. Vê se tá chovendo. Aí a gente viu que tinha, pelo menos, atingido outras partes também. Não só ali onde a gente tava. E aquele caos. E a gente ficou nessa três dias. Três dias. E era uma mistura de sentimentos.

Falaram, nossa, mas como que a gente veio para se divertir, para ser uma viagem legal e, de repente, virou tudo isso, mas, nossa, ainda bem que eu não estava no meio da onda, sabe? Ficava oscilando. É um pensamento indo para o bom e para o ruim o tempo todo. Quando a gente conseguiu ir para o hotel...

Porque a gente... Voltar pro tal do hotel. É, porque o que eu queria... Nesse lugar, eles até davam voos pra Bangkok direto. De graça. Que é a capital da Tailândia. É, que é a capital da Tailândia. Porque eles queriam tirar as pessoas de lá. De lá, claro. Entendeu? Porque já tava com mau cheiro, já tinha risco de infecções, outros riscos, né? É, tinha cadáveres na rua. Claro.

passavam caminhões, assim, com corpos. Que eles tinham que tirar, né, pra poder abrir as ruas. E a gente viu, nesse lugar, a gente viu uma caminhonete falando que tava indo pra Puke, que era onde a gente tava hospedado. O hotel tava destruído até o terceiro andar.

O quarto andar sobreviveu. O quarto andar sobreviveu. E era o único quarto que tinha lá, tipo assim, de reserva, sei lá, que eles tinham. Caraca! Era o único quarto. E eu estava com a chave, porque quando eu saí para ir para o passeio, eu não deixei a chave na recepção, porque não tinha ninguém e eu levei. Era um hotel pequeno, né? Você até falou, ah, vamos ficar até pra lá.

Só o restinho do ano que vem, né? Porque já era 23. Que loucura! E tava tudo lá? Tudo lá, com a porta trancada. O meu ex-namorado subiu pra uma escada do lado desse prédio, conseguiu pegar, jogou a mala lá de cima, e a gente pegou a mesma caminhonete e foi pro aeroporto. E do aeroporto conseguiram ir pra... E do aeroporto foi outro caos, porque eles estavam dando prioridade pra aviões que tiravam gente de lá ou que chegavam com mantimento, com remédio, com comida, enfim.

E aí o meu ex-namorado até olhou, viu de longe e falou, fica aqui, porque não dava, não dava pra passar com mala, nada. E ele falou com a atendente e ela falou, olha, vocês vão poder ir, mas vocês vão ter que ir em pé, porque não tem. Eu vou na asa, amor. Simular, exatamente. Esse é um empurro, um empurro, um abraço. Deve ter sido uma cena curiosa, porque pensa aqui, quando aconteceu nada com eles, nem com as malas, eles estavam perfeitos. Então pensa, tá destruída a Tailândia, tá destruída a cidade toda. Daqui a pouco vem a moça, a alta modelo,

Uma malinha de mão dela que eu vou embarcar. Eu vou embarcar, assim. O pessoal olha e fala, mas a senhora estava onde? Que não estava no meio desse caos. E aí você foi-se embora. Aí a gente foi. A gente queria voltar para o Brasil, né? Só que já tinha contrato, já tinha trabalhos. Mais para frente, a agência daqui também falou, olha, melhor que vocês fiquem aí.

Na Malásia? É. Aí eu vivia com uma mochilinha do lado, eu dormia com a mochilinha do lado ou embaixo da cama, com o computador, com meu passaporte, com o dinheiro... Com seu kit? Com meu kit sobrevivência. Vai que em Malásia vem alguém aqui... Não, e teve terremoto lá depois, juro. Você tá... Acho que é você o negócio. Eu achava que a tua...

Você conseguiu avisar a sua família ainda na Tailândia? Ah, isso. No aeroporto. No aeroporto, lá antes de viajar. Isso, no aeroporto a gente conseguiu ligar. É, no aeroporto. Família apavorada, lógico. Não, imagina, eu liguei meu irmão, fuso horário, né? Era, sei lá, cinco da manhã, três da manhã aqui. Eu falei, ah, desculpa, incomodar. E, poxa, eu ia estar louca. Que incomodar. Estou aqui há três dias sem notícia. Mas... Lembra? Bom, está viva, está aqui, está tudo certo. Meu Deus do céu. É massa.

Você falou de mergulho, eu lembrei de um mergulho também que quase deu muito errado pra mim. Eu estava em Socotra, que é uma ilha no Iêmen.

no meio do Nado Oriente Médio, ali no meio da confusão, e é uma ilha que você fica sem contato com nada, você fica lá vivendo sete dias e tal. E é uma ilha paradisia, que tem praias, tem dunas, tem muita coisa gostosa na ilha, assim, pra fazer. E lá, chegando no meio do terceiro dia, o cara fala ''Ah, tem um passeio que você mergulha, pra ver um navio afundado e tal...'' Mas é mergulho de cilindro, que é aquele com respirador mesmo. Pra mergulhar de cilindro, você precisa ter a carteirinha, a autorização.

Ele falou, você tem? Eu sou brasileiro, né? Eu tava com a Priscila, minha namorada, e aí eu falei, lógico, a gente tem com certeza, a gente só não tem ela aqui. Porque, pô, a gente tá aqui no Iêmen, um lugar que a gente não sabia nem que existia. A Caterina não tá mais... Aí ele falou, mas vocês já mergulharam? Eu falei, ei!

Só que eu mergulho, quando eu posso, eu mergulho, é mesmo? Então, você sabe... Aí Priscila, ele falando em inglês comigo, e Priscila veio pra mim e falou assim, eu não mergulhei nunca na minha vida. Eu falei, nunca? Ele falou, e ela? Eu falei, mas cinco, seis vezes já.

Ela um pouco menos, eu já muito. Aí eu falo, ah, então tá tudo certo, tá tudo certo. Aí no penúltimo dia, vamos mergulhar, vamos. Quem queria ir só fomos nós dois. Tinha um casal de franceses com a gente e um outro australiano. Beleza, vamos, vamos. Tudo certo. Bota aquelas roupas de mergulho, fica tudo em você. E aí tem todo um vesti... o aparato. Que é colocar o cilindro e tal. E eles dão na tua mão e falam, veste.

Eu sei lá, caceta, sei o que é veste. Aí eu... Lógico, botando aqui num buraco, olhando o pessoal se vestir e eu aqui. Priscila, então, com aquele troço na mão, olhando. E eu, Priscila, veste. Porque o cara começou a sacar que tava estranho. Que a gente tava esquisito. E eu botando ali, colocando aqui e ajeitando ali.

Daqui a pouco, coloquei no cilindro, coloquei bonitinho tudo, respirador e tal, no barco, tamo no barco, e aí tem um medidor de oxigênio, porque pode acabar o oxigênio, tem a coisa toda... E a gente olhou, tava no zero. O da Priscila tava no zero. Priscila apavorada, o que que é isso? Eu falei, o teu tá quebrado, o teu tá quebrado.

Não vai, não. Não vai, não. Aí o australiano tentando ajudar, assim, falou, não, isso aqui não tem nada a ver com oxigênio, isso aqui é outra coisa, é a pressão, ainda não tem pressão. Eu falei, pois é a pressão, Priscila, é a pressão. Você não sabe qual é a boa, você não sabe. E como é que faz? É isso mesmo, é o negócio da medida, tá bom. E você bota uns pesos pra mergulhar pra afundar. Porque você tem que botar uns pesos maiores. Então é um cinto de pedra.

que você tem que botar para afundar. Só que o cara falou, você usa quanto da pedra? Eu olhei para ele e falei, ah, eu uso pedra boa. A pedra é legal. Ele, mas são quantas pedras? Essa peça, a peça dá quanto? Ele falou, dois quilos. Eu falei, ah, é mais. Ele falou, lógico que é mais. Mas é o que, são seis? Eu falei, seis. Ele não é oito? Eu falei, talvez oito.

Ele falou, vou te botar 8. Falei, bota 8, bota 8. Botei o cinto, Priscila, quer isso? Falei, é pedra, é pedra. Porque eu também não sabia nada. Mas não queria mostrar pra Priscila que eu não sabia caceta nenhuma. E aí Priscila, com os olhos desse tamanho, apavorado, que ela mesmo nunca tinha mergulhado, e ela falou pra mim, como é que funciona isso? Falei, você bota esse navouco, você vai respirando normalmente, cuidado pra não puxar pelo nariz, porque você tá embaixo da água, tem que puxar pela boca. Calma, é só ter calma.

Só que aí, assim, a roupa de mergulho, você tá todo apertado, o cilindro puxa pra trás, você tá com o respirador, você tá com a máscara, então você tá muito... Com o pé de parto, então você não tem nenhum tipo de agilidade. Você tá muito ferrado ali naquela tentativa de se mexer.

E aí, Priscila, como é que é? Eu falei, mergulha que a gente vai ver lá no mar. No mar a gente nada e vai ver, bate o pé e vai. E aí você mergulha, inclusive, de costas, cai na água e tal. Eu peguei na corda, comecei a descer na corda, tô vendo a Priscila agarrada na corda, falando, não vou conseguir, não vou conseguir.

Eu falei, Priscila, você tá muito medrosa, você. É só nadar pra baixo, Priscila. Você vai puxando aqui, ela não consegue. Eu fico nervosa. Ela desceu três metros, deu uma aflição nela, ela voltou três metros. E aí eu voltei e falei, Priscila, ela não consegue. Eu falei, consegue, Priscila. Pelo amor de Deus. Qualquer um faz sempre, botou na boca, nadou, você vai. O guia, que achou que ia ser um passeio tranquilíssimo, já tinha acionado o SAMU, já tinha...

Tava todo mundo à espreita, porque aquele mergulho ia dar ruim. Os franceses já tinham ido lá pra baixo pra ver o navio afundado, o australiano também, e agora tinham três guias com a gente. Os guias que iam ajudar e a Priscila agarrar na corda, e eu fui descendo, eu fui descendo, e a Priscila veio descendo também. E foi fluindo. A gente foi descendo, vimos o navio ali embaixo, aí quando eu desci ali, eu vi e falei, aí passou um tubarãozinho, que que eu gostei do tubarão, passou a raia, a raia, que beleza.

E aí Priscila acostumou. Priscila pegou farsa, ela nadou. Eu falei, tá vendo? Ela é pastel, ela não... Tava com medo à toa e tal. E eu me sentindo, amigo, eu ali, Michael Phelps, eu nadando bem. Daqui a pouco começo a sentir que eu tô lá no fundo, eu começo a subir. E aí tem um negócio que você aperta, que era o tal daquele reloginho, que você tira a pressão. Você aperta, saem umas bolhas de ar, blá, blá, blá, você fica mais pesado, até cuspindo, peço perdão.

Fica... Você fica mais pesado e afunda. Então eu soltava... E afundava, eu olhava ali, daqui a pouco comecei a subir... Afundava. Aí eu resolvi entrar no navio, porque o navio afundava, você pode entrar no navio. Que legal. E eu ali, amigo, eu tranquilíssimo, eu nadando... Quando eu entrei no navio, eu comecei a subir, fiz... e não desci. E eu bati no teto do navio e fiquei ali meio... Rapaz, tem alguma coisa errada.

Porque eu tinha... Eu fui blu-blu-blu, tinha que descer. Como é que não desce daqui? O blu-blu-blu e o pessoal nadando, rindo e tal. E eu comecei a ver que eu estava em apuros, porque eu estava subindo. Para sair do navio, tinha que abaixar um pouco, o blu-blu-blu não ia. Eu comecei a empurrar, o navio todo enferrujado, fudido, cheio de bactéria, fudido. Eu comecei nas profundezas. Eu estava nas profundezas. Eu estava nas profundezas. Os pensionantes falaram...

Aí eu consegui, ainda cortei, pior, cortei mesmo a minha mão assim no negócio do navio ali, saí do navio e comecei a subir. E eu falei assim, blububu, e não ia, tentei pegar a corda, não consegui, e eu fui flutuando. Eu tentava nadar, mas não conseguia, eu fui flutuando, ninguém me viu passar por esse problema. E eu flutuei e falei, ah, quer saber?

Eu vou subir, vou ficar lá em cima mesmo e tá tudo certo, deixa eles lá. Subi, emergi, tô lá fora e aí o pessoal do barco, tinham dois barcos, um pessoal do barco me viu, é, vem aqui, eu fui nadando, entrei, o pessoal que foi, eu falei, eu subi. Aí eles olharam, quantas pedras você tem?

Aí eu falei, oito. É dezoito que tem que ter. Eu falei... Eu falei que era mais. Ele falou oito, oito. Eu falei, é oito. Mas eu queria mais. Não, você tá com muito pouco peso. Então você tá subindo porque você tá muito leve. Você precisa afundar mais. Ele falou, você tá leve. Eu falei, até agradeço falar que eu tô malé.

E aí eu falei, pô, que pena. Ele falou, agora não tem mais pedra pra descer. Eu falei, não tem importância. Eu fico aqui esperando. Tem uma hora, vai acabar o passeio deles, ele sobe. Beleza. Eu tô lá no barco indo. Até que o rapaz do barco me pergunta, você avisou que você subiu? Eu falei, eu não. Ele falou, bom, eles estão te procurando.

Aí eu falei... E como é que a gente avisa eles? Falaram, não avisa. Não tem radinho embaixo do mar. Eles estão lá, uma hora alguém vai subir, chorando... E a gente avisa que você tá aqui. E aí eu pensei, meu Deus, isso vai dar uma cagada. Porque aí o passeio era pra durar duas horas. Eu sobrevivi ali 30 minutos.

Eu ia estragar o passeio de todo mundo. Eu subi justamente pra não estragar o passeio de todo mundo. Mas o que aconteceu foi que exatamente eu estraguei o passeio de todo mundo. Porque eu tô no barquinho, daqui a pouco deu 15 minutos, sobe o guia, pálido.

Pálido, com a cara apavorada, vendo um corpo humano, vendo o que está acontecendo. E o cara do meu barco grita um... E aí o cara vê, afunda, daqui a pouco vai todo mundo subindo, vai todo mundo subindo, vai todo mundo subindo, todo mundo pulando o barco, ainda tinha mais uma hora de passeio, vejo todo mundo pulando o barco e vindo na minha direção. Eu falei, cara...

Eles devem estar bravos. Mas eles devem estar mais bravos ainda, porque eles acham que eu fiz de propósito, até eu explicar aqui na pedra. E aí veio vindo o barco. Foi quando eu lembrei. Ih, deve ter alguém ali nesse barco que deve estar mais chateado. Que é Priscila! Priscila tava puta, Priscila tava nervosa. Na cabeça da Priscila é... Morreu.

Entrou no navio, tá lá embaixo, vai virar comida de peixe pra servir gente rica em Singapura depois. E eu... Então, Priscila tava nervosa... Agora, imagina a Priscila, que nunca tinha dado aquela caceta, que tava nervosa de descer. Lá embaixo, pensando... Meu namorado morreu. E agora tem que fazer... Sobe rapidinho, que... Embaixo d'água não dá pra dizer assim, sobe que a gente achou ele. Embaixo d'água é só assim, ó.

Então, na cabeça da Priscila, ela subiu porque acharam o corpo. Morreu, claro. Então ela subiu e eu vi de longe ela subindo e tirando máscara e tirando coisa e falando. Quando eu vejo vindo o barco, a carinha da Priscila, o olho dela com a cara de era melhor você ter morrido.

E eu fui... ela foi chegando perto e eu já de longe comecei... Deu problema na pedra! A pedra deu problema! E aí quando o barco chega, estão os franceses putos, australianos putos, guia puto, o que aconteceu? Fábio, posso só fazer um detalhe? Queria dar o meu ponto de vista da água. Priscila! Eu fiquei desesperada e cadê Fábio?

E aí começou, cadê Fábio? E aí eu embaixo, aí eu falei, vamos subir, vamos nadar. E aí já tava lá embaixo, eu não conseguia respirar, já tinha um respirador pra levar. E eu, cadê ele? E eu chorando.

Nada. Aí, meu Deus, ele se perdeu no meio do fundo do mar, deu alguma merda, alguma merda, aí o cara calma. E pra subir, não é que você vai subindo e subiu, você tem que ir. Devagarzinho. Devagarzinho, então é dois minutos. A pressão no ouvido. Mais dois minutos, mais dois minutos, eu já tava desesperada, eu tava chorando. Quando eu consigo sair d'água, tá Fábio assim no barco. Tentando passar uma tranquilidade, né?

E aí quando o barquinho dela chegou, todos queriam uma explicação. E eu expliquei, eu falei, essas pés, eu subi, eu levantei. E aí o guia falou, mas é que tinha colocado mais pedra. Eu falei, eu sei! E aí as pedra, como é que tá entrando no barco? Todo mundo com a cara meio fechada, porque eles queriam ter continuado mergulhando. E aí todo mundo meio lá parado, o barco viram, conseguiram ver. E a gente voltou, mas pelo menos fizeram um mergulho e a gente não tem a carteirinha.

E faz até perceber que faz sentido ter a carteirinha, entendeu? É bom, é bom. Meu povo, vamos pro próximo vlog, que são as perguntas do programa. Quero saber um pouquinho mais de cada um de vocês. Já estão preparados? Porque esse é um momento que eu não sabia, que os convidados ficam meio tensos. Fica mesmo. Tem treinar em casa. Imagina a Letrôs, tudo relaxado aqui, ó. Tá super... Calma que não é nenhuma bactéria, não. É tranquilice. Vai dar tudo certo.

Chegou a hora das perguntas do programa. Primeira lembrança que vocês têm da vida? Eu tenho várias lembranças. Eu lembro muito da minha infância. É? Curioso. De piquitita, assim? Piquitita. Mas eu não lembro exatamente a primeira. Eu tenho várias. Dá uma aí, boa. Eu lembro muito na casa da minha avó paterna, vovó Nilza, que já se eternizou. E era muita bagunça. Ela era aquela avó participativa. E a minha avó sempre foi muito mística.

acreditava em tudo um pouco, sabe assim? Ouvia Padre Marcelo, mas ia lá no terreiro se precisasse, ia no centro espírita, essa era minha avó. E ela tinha uma coisa assim...

Pra cada um da família tinha um copo d'água antes de dormir, que ela fazia uma oração. Aí se tinha uma pessoa que era meio chata, que ela queria mandar embora, botava a vassoura atrás da porta. Essa era a minha avó. Achei que ela esvaziava o copo da pessoa chata. Essa pessoa não tinha nem copo na casa. Não tinha nem beijo. Mas aí tinha uma coisa de, tipo... Meus pais, na época, quando tinha celular, né? Tamo indo aí buscar a Juliana e tal, dava aquela ligada.

E aí morávamos na Barra, minha vó em Botafogo, então demorava um pouco. Aí ela inventava uma brincadeira, que era a gente olhar pela sacada dela, uma janelona que tinha, eu em cima do banquinho, ela me segurando aqui assim, olhando para ver se estava chegando o carro. Aí ela, vai lá, corre. Aí eu ia embaixo da mesa da cozinha e tinha que falar, papai e mamãe vêm depressa, três vezes.

Aí daqui a pouco, vamos lá, vamos lá, vamos ver se chegou. Aí eu olhava, alguma hora eu dava certo. Eu repetia umas 7. E eu achava demais. Deu certo? Deu certo, porque a gente entrou embaixo da mesa. Por favor. Eu lembro. As minhas lembranças são muito ligadas ao mar, ao meu pai e meu avô. Meu pai tinha casa em Caraguatatuba e, pra mim, era uma alegria.

ir para a praia com eles e ficar pescando. Então tinha muita coisa da imagem. A primeira imagem que vem assim é a história da praia. A areia e a praia e os dois. Legal.

A minha é bem parecida com a do Alex também. Ser surfista hoje teve um motivo, né? E minha infância toda foi na praia. Então era o meu pai levando a gente, a família. Porque somos uma família grande, né? Pai, mãe e quatro filhos no total. Então o carro ia lotado, cheio de prancha. Ia bola de futebol, pipa, cadeira, guarda-sol, barraca, enfim. Ia tudo no carro. E aí acho que essa lembrança é a que mais me marcou. Chegando na praia, estando com a família também.

Vamos lá, vamos sortear, vamos ver o que tem aqui.

Qual foi seu primeiro crush famoso? Você lembra disso? Eu lembro bem. Eu lembro porque era o Antônio Bandeiras. Antônio Bandeiras. E eu era uma fedelha. E eu achava ele de zorro uma coisa. Um zorrão bonito. E aí teve uma vez que eu estava em Teresópolis, no mercado. Minha avó morava lá, minha avó materna, Mary. E aí a gente estava no mercado, eu, minha mãe e ela fazendo comprinha, e eu achei o açougueiro a cara do Antônio Bandeiras.

de toquinha e tudo, e eu consegui ver o Antônio Bandeiras dele. Claro! E meu coração deu uma disparadinha no mercado, assim, olha que coisa louca. E aí a gente andando com o carrinho, e eu meio que acompanhava onde que o açougueiro ia, eu não perdi ele de vista. Era o Antônio Bandeiras possível. Deu um negocinho assim, falei, gente, o Antônio Bandeiras no mercado. É verdade. Muito bom.

Cara, eu fui instruído a falar que é a minha esposa. Não! Estou brincando, estou brincando. Saia hoje em dia. Não quero arrumar problema, cara. Quero saber quando você era pequenininho. Não, estou brincando. Cara, eu não sei, eu acho que... surfista, Bruna surfistinha, não sei, estou brincando. Alô, Débora.

Sandra Breia. Sandra Breia. Da minha geração, acho que ela tinha uma foda... Não era nem só a bela, acho que a força que essa mulher tinha era impressionante. E, para terminar, o que vocês querem escrito na lápide de vocês? Chegou atrasado. Chegou atrasado? Ah, depois que ele passou... Eu vou ficar aqui nessa terra até o último minuto. A sua tinha que ser comer o peixe também? Você...

A minha surfou, surfou e morreu na praia. Ai, maravilhoso. Eu ouvi uma frase que é assim, dentro do coração, todas as distâncias são curtas. Se está dentro, está perto. Bonito. Fala de novo, então. Dentro do coração... Eu não tinha ouvido essa frase. Dentro do coração, todas as distâncias são curtas. Se está dentro, está perto.

Sabe de onde que eu tirei? Do meu ímã de geladeira. Seu ímã de geladeira? Tá lá em casa. Quando eu olho, eu falo a minha lápide aqui pronta. Tava na sua fuça, sua lápide. Meu povo, acabou. Vocês acreditam? Acabou, gente.

Ah, mas eu gostei demais de hoje. Eu, primeiro, acho que a gente tem que combinar de a gente se reencontrar, só que agora, sobre a batuta de Alex. Eu juro que eu não vou cozinhar peixe. Faz frango. É importante. Pode ser ganhada, alguma coisa dessas. Usa luva. Deixa o peixe pra lá. Você vai de calça. É por via das dúvidas, pra não te saber. Vai que engancha em qualquer coisa. E não toca no fogo, não.

Deixa que a sopa... Não leva teu... E sopa já não é janta. Sopa já não é janta. Deixa que ele organize. E você, cadê você? Você volta pra cá. Porque semana que vem tem mais... Que história é essa com mais histórias pra você.