Episódios de Que História É Essa, Porchat?

Juliano Cazarré + Nathalia Cruz + Adriano Garib

01 de abril de 202658min
0:00 / 58:09
Na roda com Fabio Porchat, estão os atores Adriano Garib, Nathalia Cruz e Juliano Cazarré. Garib conta a história de um romance que começou no hospital. Nathalia lembra de uma ida ao shopping, que acabou em fuga e vergonha. E Cazarré fala sobre os perrengues na preparação para o filme "Tropa de Elite”. Na plateia, Eduardo só queria se divertir no Rio de Janeiro e acabou viralizando nas redes sociais.
Participantes neste episódio4
F

Fábio Porchat

HostComediante
A

Adriano Garib

participantAtor
J

Juliano Cazarré

participantAtor
N

Nathalia Cruz

participantAtriz
Assuntos2
  • Histórias Pessoais e de ViajantesRomance no hospital · Fuga no shopping · Perrengues em Tropa de Elite · Viralização nas redes sociais
  • Humor e ComédiaCirurgia e acompanhante · Confusão no hotel
Transcrição151 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

E aí minha gente, eu sou o Fábio Porchat e esse é o podcast do meu programa no GNT. Aqui, que história é essa, Porchat? Eu ouço e conto também histórias curiosas e divertidas da vida das pessoas. Seja anônimo, famoso, não importa. O que importa é ter uma boa história.

Sim, sim! E como é que vocês estão aí, hein? E vocês aqui na plateia, tá todo mundo bem? Sim! Tá, que coisa boa. Hoje eu quero todo tratamento VIP pra todo mundo, hein? Não quero ninguém passando aperto aqui, não, que a vida tá muito doida aí fora. Vamos fazer de conta que aqui tá tudo bem, que tá todo mundo com pulseirinha VIP.

Vamos dar aquele upgrade no dia, imaginar que a gente tem a vida da Virgínia, não sei, alguma coisa assim. O que vocês acham? Até porque tem gente que hoje aqui nem precisa fingir que subiu na vida. Ela teve esse upgrade real em 2019. Lembra dele, 2019? Tadinho, não sabia de nada, inocente. Então, há sete anos ela esteve aqui sentada nesse sofá aqui, na plateia.

Pois é, vocês estão acertadinhas aqui! E depois, algumas temporadinhas, depois foi o primeiro programa da primeira temporada que ela teve aqui contando uma história. E hoje ela tá lá no palco. Então seja muito bem-vinda, Natália Cruz! E pra completar meu loud de prêmio, Adriano Garibbi! E Juliano Casarão!

Ai, meu povo, bem-vinda. Natália, o que é isso? Olha, meu Deus, que saudade. Nossa, lembra, Natália, quando você era pobre e ferrada? Eu sou muito pequenininha. Hein? Agora está milionária. Menino, na ocasião eu vim com uma bolsa emprestada de uma amiga e eu não avisei. Fiquei na casa dela e ela falou assim, eu vi, tá? A bolsa que você levou.

Com o crucifixo, vocês pediram em cima da hora pra trazer. É verdade, ela contou uma história maravilhosa aqui de um crucifixo que ela não conseguia jogar fora. E tua vida andou de lá pra cá. Demais, amor. Não é, menina? Se tivesse jogado o crucifixo fora... Que isso? Tem que respeitar todo mundo. Só pra trás. A gente tem um trechinho do teu início aqui. Ai, que boi... Eu tô me sentindo um falso Silva, praticamente.

Vamos ver quando ela estava aqui a primeira vez em 77. Ele estinta a TV Excelsior. Bota aí, deixa eu ver, Ana. Tem gente que eu descubro antes. Tia Oxelina, tudo bem, Tia Oxelina? Eu não queria. A minha câmera vem também. Tudo bem, Natália? Tudo. Olha ela. E toda vez que a gente vai entrar na sala, sabe que é uma dada, ela já é assim. Que bonitita. Saudade.

Mas hoje vai contar outra história, mas antes de contar essa história, como você já está aqui no programa, já veio, já contou isso, já conhece, eu quero começar com gente que está vindo a primeira vez. Deixa eles ficarem nervosas, Natália. Você já passou o teu nervosismo. Tá baixada. E hoje, Natália, é um dia muito especial para mim, porque eu estou recebendo esse programa o meu professor de teatro.

Eu, o pequeno mancebo, uma gazela, que corria pelos campos do Rio de Janeiro, ainda jovenzito, eu tive aula, eu me formei na Escola de Teatro a K, ao Casa das Artes Laranjeiras. E o meu professor foi Adriano Garib. Ele foi o meu professor.

Eu tô muito, muito feliz de você estar aqui, mas eu tô emocionado, de verdade. Porque pra mim é muito... É uma trajetória da minha vida, e você foi muito importante, não só como professor, mas como uma pessoa que me guiou, guiou a todos nós lá. Eu me formei com o Paulo Gustavo, e a gente fez essa montagem de Esperando Godot na Cal, e é uma montagem inesquecível pra mim e pro Paulo, e ter você, que hoje no meu programa é um nó na minha cabeça. Você vai me fazer chorar, cara.

que tanto me deu força, que tanto foi importante, estar hoje sentadinho aqui pra contar a história. Querido da minha vida. Obrigado de verdade, Guedes. Amor da minha vida. Amor da minha vida. Obrigado, Guedes. Que bom. Que bom você estar aqui. Agora, a história que ele vai contar hoje não me contava na época de professor.

Eu gosto de gente que vem pra se expor. É gostoso demais quando a pessoa se expor. E eu acho que não há ninguém que vá se expor mais nessa temporada do que a Adriana Raíba. Nessa temporada? Eu tô jogando a tua história lá no... Porra! Nessa temporada e agora? Você foi fazer uma operaçãozinha? Eu fui fazer uma microcirurgia. É mesmo? Quando fala micro, em que lugar? Então...

É porque aí... Quando é micro é porque é um procedimento cirúrgico. Não precisa necessariamente de anestesia geral. Você pode ficar acordado. Entende, achei que micro era a região onde ia ser feita. Não, não, não. Não começa com essa palhaçada. Estamos falando de dois, três. Não começa com essa palhaçada. Não, o que aconteceu foi o seguinte, eu fui a urologista...

E ele falou, olha só, você não fez... Não houve circuncisão quando você nasceu. Eu nasci na década de 60, na década de 60 não se fazia isso. Ou ao menos não na minha família. Não fazia fimose, é isso? Isso, fimose. Perfeito. Pois é. Aí isso começa a criar problema com o tempo. Aí eu com 29 anos de idade, falo, ó, precisamos fazer, é uma microcirurgia, você pode ficar acordado, a gente pode botar pra dormir.

Eu falei, bom, acordado como assim? Não, você fica deitado, bota um pano aqui e fica a equipe médica aqui. Isso. Eu falei, não vai rolar, você nem põe pra dormir, irmão. Você nem põe pra dormir, porque não vai rolar. É uma cirurgia média, o que é isso? Aí já falou de quanto? É uma cirurgia brincada. É uma cirurgia bambolê que faz o pessoal feliz.

Aí eu falei, não, você me põe pra dormir, vai tudo certo, anestesia geral, tinha essa opção. No dia da cirurgia, ligo pra minha mãe, liga pra mãe, né? Mãe, tô indo pro hospital fazer a cirurgia. Filho, você pediu anestesia geral? Pedi. Você tem acompanhante? Oi? Acompanhante? Acompanhante, filho. Você não pode fazer uma cirurgia com anestesia geral sem acompanhante.

Eles vão te mandar embora. Porque quando você volta da anestesia geral, você volta à groga. Exato, você volta à groga. E você tem que ter alguém que se responsabilize por você lá. É uma anestesia geral, cara. Na anestesia geral, seus sinais vitais ficam no mínimo. Você te entubam lá. E você não sabia que tinha que ter uma acompanhante. Não, não. Eu falei, mas mãe, não me disseram nada. É claro que não te disseram nada. Isso é elementar, meu filho. É, gente.

E aí eu desligo o telefone, terça-feira à tarde. Quem... Ah, é? Qual a possibilidade de uma terça-feira à tarde você conseguir alguém pra te acompanhar? Alguém livre. Lembrei, lembrei da Thaís, minha grande amiga que morava na Praça Pio XI, ali no Jardim Botânico comigo ali. Grande amiga minha, eu falei assim, vou procurar a Thaís, vou, chego, bato na parte da Thaís, nada de Thaís. Aí lembrei...

Nessas horas não tem amigo. Nessas horas não tem amigo pra te ajudar. Aí eu lembrei da amiga da amiga. Que isso? A Thais havia... Veio um Facebook a tua vida. É, não. Ela me apresentou pra uma recente moradora ali do nosso prédio ali. Ah, morava no seu prédio. É, ali da... O pior prédio da Praça Pio 11. O pior prédio da Praça Pio 11.

E ela havia me apresentado muito vagamente pra ela. Eu falei, bom, a Thaís não tá, eu vou falar com uma amiga. Eu não sabia nem o nome dela, cara. Não lembrava nem o nome dela. Você precisava de qualquer pessoa que te levasse pro hospital e ficasse lá. Alguns andares acima batam. Eu falei, desculpa, como é o seu nome? Aí ela me disse o nome dela. Eu falei assim, olha só, eu tô com um problema. Você tá muito ocupada? Ela falou, não, eu tô limpando a casa. Eu falei, não, é porque eu vou fazer uma cirurgia. Você pediu anestesia geral?

Antes que eu falar, você pediu anestesia geral? Eu falei, pedi. Ela falou, você está com sorte, eu estou com a tarde livre. Mas você falou para ela, eu vou pegar o pipi e cortar um pedacinho. Não, calma que nós vamos chegar lá ainda. Vamos chegar lá. Tá bom. Aí ela, não, eu vou te levar de carro, porque na volta você vai estar muito frágil e tal. Porque libera no mesmo dia, Fimosa. É, exato.

Passei a tarde lá. Eu queria gastar muito tempo, Natália. Era uma bobagemzinha. Uma bobagemzinha. Era um cortezinho. Era um tiquezinho. É um tiquezinho. Ela agiu como se ela sempre atendesse. Mais uma, né? Você tem algo... Né? Ela foi numa... Não, não, não. Eu tô nervoso com a escola. Não, não, não. O mais ingrato... Não.

Casarré, ela virou pra mim e falou assim, você pediu anestesia geral? Eu falei, ela ecoou a minha mãe. Ela topou. E ela falou, você tá com sorte, tô com a tarde livre. Me lembrou de carro, um Scott vermelho, esse detalhe é maravilhoso, um Scott vermelho. Me lembrou de carro ali na clínica São José, ao lado de onde eu moro. Eu falei, não, vamos a pé. Falei, não, vou te levar de carro. No meio do caminho ela fala, cirurgia de quê?

Você é vesícula. Pois é, eu pensei em alguma coisa parecida com vesícula, essas coisas que dão problema. Apêndice. Apêndice. Eu nunca consegui. Por Deus queira que eu não passe por isso. Mas isso aí dá problema, Domingos. É, pois é. E aí? Aí ela falou assim, é cirurgia de que foi a microcirurgia? Mentira. O quê? Foi a microcirurgia.

Chegamos aqui, desconversei. Eu não consegui. O que eu ia falar pra ela? Eu não sabia nem o nome. O que eu ia falar? Vou operar o pinto? O que eu ia falar? O que eu vou falar pra ela? Eu vou cortar aquela parte boa que dá aquela sobra no peru. Não é assim. Não é assim, não está. O que você fala? Pode falar. O que você fala nessa hora?

Não, aí desconverso. Fiz bem desconversar. Chego lá, a burocracia toda pra entrar, subo, dentro do apartamento, eu e ela...

Ela dando comigo, eu já botando aquela camisolinha, né? Aquela camisolinha ridícula. E a camisola deixa a bunda de fora, né? Deixa a bunda de fora. Ela um pouco assim e tal, de repente bate na porta uma enfermeira com uma tesourinha. Ui! Uma tesourinha desse tamanho, sabe aquela minúscula? Sei! Aquela chinesinha. E um prestobaba primitivo. Ela falou assim, eu vim aqui subtrair os pelos.

Achei tão delicado. Subi, trai, trai. Eu fui aqui, subi, trai os pelos. Eu falei, pô, não, não, fica à vontade. Aí a minha companhia percebeu que eu ia ter que abaixar as caras, foi pro banheiro. Entendi. E essa enfermeirazinha super educada, cara, ela fazia isso aqui, ó. Isso é uma responsabilidade que poucos têm. Eu olhando daqui. Eu peço isso aqui, ó. É.

Eu vou menos aqui, ó. É uma tesourinha aqui lateral. Então, porque pega sacolé aqui, ó. Pega sacolé fácil. Você tá entendendo? Pega sacolé fácil. E é um espirro que tu dá, amigo. É. Você mexeu e bolinha que pingou. Mas a minha sorte sabe qual foi? Que não precisou ir no sacolé, só nessa parte superior. Ah, tá bom. Só na parte superior. Perfeito. Mas ela fazia o seguinte. Eu fui legal com você. Ela usava a tesourinha com uma rapidez e o prestou baba assim, ó.

Daqui a pouco não precisa nem de cirurgia, ela já resolvia ali. O Zé, cara! O Zé, ela podia ter resolvido... Meu correio é exatamente isso agora. Ela podia ter feito a cirurgia... Já resolvia. Virou uma bola de alergia, não, de irritação. Irritação.

Aí ela saiu, saiu a minha companhia do banheiro um tanto... Com um olho desse tamanho. Tentando entender se ela tava pra me perguntar a cirurgia de quem. E aí eu ia ter que dizer, entra o anestesista. Você sabe como é que é anestesista, né? Ele sempre tá feliz, eu não sei porquê.

Ele sempre tá feliz. Porque não é com ele. Por que será? Ele não recebe pelo plano. Ele não recebe pelo plano. Foi o que eu pensei. Ele ganha bem, né? Ele ganha bem. Ele entra e fala assim, você tá nervoso? Eu falei, eu vou ignorar a sua pergunta.

Eu tô vendo que você tá nervoso. Eu vou pôr uma vodka aqui. Espiada, riso. E vou botar uma vodka no vodka... Teto preto. Teto preto. Um segundo depois, você sabe que é um segundo depois. Você toma... Elimina o tempo. A anestesia elimina o tempo. Você não vê que já teve cinco horas de cirurgia. Exatamente. Eu fechei o olho e abri. Aí, cara... Quando abriu, como era a cena? A cena, cara.

Eu abri o olho, assim, você acorda sem cognição, sem audição, a visão meio turva. Meio pastel mesmo. E estava o médico aqui... Com a carinha aqui? Com a carinha aqui, assim. Natália, vem fazer aqui, amiga. Eu sou amiga. Você é amiga. Ela estava um pouquinho mais abaixada.

Um pouquinho mais abaixado. O médico aqui repuxando, repuxando. E ela super interessada no assunto.

E eu, cara, eu falei assim, por que ela tá aqui? Deu problema na operação. Por que ela tá participando da cirurgia, cara? Eu falei, eu morri, deu problema, perdi o pinto, sei lá. Alguma merda deu. Morreu do quê? De piroca, chato? Exato. Estranho. E aí vai voltando a cognição, vai encaixando a audição, e de repente eu percebi que ele tava explicando pra ela como fazer curativo.

Porque era acompanhante, né? Porque era o acompanhante. Ele entrou, diz ela, depois ela me contou, que ele entrou e nem perguntou assim, o casarré é a minha acompanhante? Fala assim, então, olha, é o seguinte, pega aqui, já traz aqui, já começa a mostrar pra ela. Claro. A amiga, noiva, esposa, namorada, não importa. Você que vai cuidar disso. Amiga da vizinha, né? Ele já falou. Não importa.

que ela não pode topar esses negócios. Não pode aceitar. Mas é porque na cabeça do médico foi assim, ninguém é doido o suficiente pra levar a vizinha de cima. Pois é. Da amiga. Amiga da amiga. Amiga da amiga. Mas a cara dela era de assustada no seu peru? Interessadíssima. Havia um interesse.

Ele saiu, o lance do médico é que ele não teve paciência pra esperar eu acordar, ele já chegou querendo resolver com ela. Ó, tem que ir embora, filho. Ele tem outros mais 40 peru pra operar. 40 peru pra operar. Foi mais um na vida dele. Exatamente. E aí sai, e aí ela me olha com um carão, ao mesmo tempo curtindo aquilo, eu não sei, eu não saberia descrever como era a cara dela. Eu não saberia descrever. Mas era iluminada o rosto dela, ela tava iluminada. E ela falava assim pra mim...

O médico deixou umas recomendações. Eu falei, pois não, nessas alturas eu já estava entendendo. Eu falei, pois não. E já estava... A gente já era íntimo. Bom, nesse momento... Já éramos íntimos. Ela falou assim, você não pode ter ereção por 15 dias. Eu falei...

Comida com ele aí, né? Não adianta você me falar, pô. Não, como assim alguém disse que você não pode ter eleição por 15 dias, Fabinho? Como assim, cara? Uma das coisas mais espontâneas do humano... O sol não vai nascer. Não, aí eu falei pra ela assim, por quê? Porque estica os pontos e dói para um caralho. Literalmente um caralho.

Estica, se imagina. Estica? Isso me deu uma agoniazinha. Estica. Porque daí o ponto rebenta. Aquele arrepio lá embaixo. Essa hora boa de ter pau pequeno, porque o meu ia ser um sustinho. E voltou. E voltou. Não precisa ser... Ah! Não tem um lado bom, né? Não tem um lado bom. Mas aí ela falou que não podia ter ereção porque ia arrebentar os pontos.

E eu achei adorável. Falei, ah, que adorável. Que lindo. E aí a gente saiu do resumo da ópera, saímos de mãos dadas. Do hospital. Do hospital. Ela me levou pra casa e aí foi o pós-operatório mais encantador. E mais difícil. Ela te ajudou? Durante os 15 dias, uma vez por dia, ela me telefonava e falava assim, eu tô descendo pra fazer o curativo. Ai, Deus.

Não, não... Não precisa... É o fato que dá pra fazer, né? Eu mesmo faço... Não, eu tô indo aí. Fica tranquilo, isso é muito delicado. Mas pra um peruque não podia ficar duro, uma mulher fazer mercurati é mais chato. Mas é isso que eu tô te falando pra você.

É isso que eu tô te falando pra você. Porque às vezes ela pega numa virilha que dá um repio... Zé! Sobe aqui atrás. E eu preocupado, porque até então eu não tinha tido nos primeiros dias, eu não tinha tido, eu conseguia não ter nos primeiros dias. Pensando muito assim, vovó é uma falda, pelo Zé.

O que mais? Serginho Grosma de peruca. Umas coisas assim que vai te levando pra outro caminho. E a gente já tava namorando, Natália. Não, pera! Você começou a ficar... Beijou? Não, não tinha. Eu tava evitando esse negócio. Era um namoro espiritual, Natália. Eu tava evitando esse negócio de beijo e abraço. E ela falou, mas você não vai me dar nem um beijo. Não, eu não posso.

E aí, no 14º ou 15º dia, ela tirou o último ponto com a pinça e aí foi uma loucura. E vocês ficaram juntos um tempo? Três anos. Olha só, meu! Amor de pica-fica. É isso que o pessoal fala.

Eu não acredito. É demais, hein? Mas é bom ter esse tipo de intimidade com mulher. Eu já tenho uma relação de intimidade com a Priscila muito grande. A gente não tem frescura, um pouco. E eu me lembro de uma vez, eu viajando com ela, a gente foi pra Socotra, que é uma ilha no Oriente Médio. Aliás, um ótimo momento pra ir agora, se vocês tiverem à vontade. Socotra. É uma ilha maravilhosa, linda, não tem nada na ilha. Você fica uma semana sem telefone, dormindo em barraca e tal, mas é linda.

um lugar, foi mágico assim. Só que a gente, aí cria-se uma intimidade. Priscila tá até ali sentadinha. Aí, o que acontece? A gente tá nessa ilha no roots, pelos crescem. Né? Você tá um tempo assim, e tô vendo que na cara dela tinha um pelo. Não era um bigode.

Era um acima do bigode, como alguém que se revoltou com o bigode e foi pra cima. E eu tô vendo aquele pelo, mas aquele pelo... A gente não tinha pinça, não tinha acesso a nada. Mas eu não tinha falado pra ela que eu tinha visto aquele pelo. E eu pensei, eu preciso tirar esse pelo sem ela ficar com... Ai, meu Deus, eu tô aqui assim. Então, o que eu fiz? Eu vou mostrar aqui. Acho que eu vou mostrar lá na Priscila, até. Pera aí. Meu Deus. Meu amor. Meu amor, pera aí. Fica sentadinha aí. Aí ela tava aqui, eu tava fora, vai uma bunda pro lado.

Aí ela tava aqui olhando, eu olhando pra ela aqui, a gente vendo a lua, vendo o sol, vendo coisas maravilhosas, e o pelo aqui. E aí eu falei, como é que eu vou tirar esse pelo? É ruim tirar com a unha. Eu falei, eu vou tirar com a boca esse pelo.

Igual um macaco. Aí eu olhei aqui pra ela e falei, meu amor, coisa linda. Aí fiquei aqui. Coisa mais linda. E com a linguinha localizando o chão de pôr. Era uma coisa esquisita mesmo. Eu falei, o que é isso? Tá fazendo nada. Ah, brincadeira. E aí eu achei o pelo. No que eu achei o pelo, eu achei assim, ó. E aí ela fez, que isso? O que foi? E eu aqui, ó. Teu bigode. Isso não é romântico?

Eu tenho ele até hoje aqui. Ai, meu Deus do céu. Saudade.

Tatalha! Ei, ei, ei, ei! Oiê! Você é meio doidinha, né? Eu sou um pouquinho. Você é meio avoada. Deixa eu te falar um pouco, mas também... Mais do que avoada, quando a pessoa está no puerpério, gente, que é assim, né? Depois de ter o filho, pouco tempo depois, agrava mais, né? O seu quadro. Fica mais doidinha. Então, eu estava naquele... Acho que no meu potencial quase máximo de doidinha, de... Joaquim, eu tenho dois filhos. Joaquim é o mais velho. Ele tinha, acho que, oito meses.

Era Natal. Em Natal, geralmente, eu vou para a casa dos meus pais em Brasília. Estava lá com o meu filhotinho. Só que estava naquela fase que você está assim...

Você está comprometida com a maternidade daquele jeito, mas você também está vendo que você pode ir à padaria e voltar, e ficou normal. Então, parece que tem um pouquinho de você vindo ali, né? Então, era véspera... Aquela Natália. Eu vi, assim, uma fresta, um lance. Aí, era véspera de Natal. Véspera da véspera, acho que era 23. E o Bruno, meu marido, ele tem muito essa coisa do presente. Ah, Natal, tem que comprar presente para todo mundo. Não era muito a minha fórmula do amor. Não é uma coisa dele, é uma coisa da sociedade mundial. É Natal, a gente...

Pra todo mundo? Tá. E aí ele tinha isso. Aí um dia antes da véspera lá, a gente tava fazendo a lista e a gente esqueceu de um presente.

Era da família dele, a pessoa não vai nem falar pra ela não se sentir. É. E aí... Beijo na lei. E aí, ele falou assim, vou no shopping comprar. Eu falei, não, quem vai sou eu. Falei, que isso, oportunidade de sair sem filho? E comprar no shopping? Vou, eu que vou. E ficou, não, eu que vou, que vou. Peguei a chave do carro, fui embora. Porque tava naquele horário estendido do Natal, que ele vai até 10, vai 11, meia-noite e tal. Ah, bem à noite mesmo.

Porque no outro dia é aquele horário reduzido, que é o 24. Que é curtinho. Então era aquele horário. Eu já tinha passado das 10, estava quase no finzinho. Cheguei, estacionei, fui correndo. Comprar esse presente. Consegui, comprei. Na hora de ir embora, procurei, procurei a chave. Cadê a chave? Cadê a chave? Achei. Fui procurar o carro.

Que você estacionou no estacionamento do shopping. G3. Eu lembro até hoje. E aí eu falei, cadê meu carro? Fui procurando. G3, C1, 4C. Tem as ruas, avenida, homens. E aí eu fui lá, esse G3 não achava, meu carro não achava, não achava. Aí eu comecei a duvidar de mim, importante também. Porque aí eu falei assim, vai que não foi no G3 esquerdo. Fui no direito. E fui no G2. E subi e desci, eu falei, aí isso já estava minguando. O shopping já estava... Minha filha, vamos fechar. Eu falei, vou ter que falar com um desse segurança. Eu não queria, mas falei, vou ter que falar. Falei, olha...

Meu carro, eu vim aqui, cheguei tal hora, e o meu carro não tá aqui. Eu com a chavezinha bonitinha tentando achar, né? Mas ele já tava tão vazio, não tava... Aí ele falou assim, seu ticket? Eu falei, não, é aquele... Sabe aquele direto? Que passa sem parar. É, sem parar, então não tinha ticket. E aí ele foi, a senhora está sendo onde? Eu falei, eu lembro, foi no G3, não sei o que, e dando os dados do carro. Aqui a chave, e aí veio a motinha, e aí veio o rádio, vem não sei o que. Bom, ninguém achava. Ele falou, foi no G3? Eu falei, mas já fui em todos, ele...

Acionou todo mundo, não tinha esse carro lá. Depois de ter esvaziado. Já tava tipo assim, o pessoal já tava dizendo, essa mulher vai dar trabalho agora, 10 pra meia-noite? Aí ele falou assim, é, então a gente vai ter que ver as câmeras pra ver o que aconteceu. Claro, roubaram o carro. Isso, aí eu fui acompanhando ele pra sala da câmera, falei, porra, quando eu saio... E a cabeça, ela tá boa? Não tá tão boa, não. Você tá feliz de estar longe do seu filho, mas você também tá preocupado, o peito tá enchendo, não sei o que. Ah, é. E aí eu tava assim, aí eu escutei no radinho dele assim...

Não tem, não. Negativo. É só duas motos e um Mobi preto. Quando ele falou um Mobi preto, que é um... Aí eu falei assim, é o carro do meu pai. Eu vim no carro do meu pai. Aí, na hora que falou Mobi preto, tudo se iluminou, porque eu falei, cara, eu demorei a achar a chave, porque eu ando com a reserva do meu carro, por isso que eu demorei a achar. Aí eu só fiz assim no meu bolso a chave do carro do meu pai aqui, ó.

Você estava procurando o carro do seu pai e a chave do seu carro. Exato. Só que eu tinha ido no carro do meu pai. Aí eu peguei aqui e falei, meu Deus. E você não se lembrava de que você tinha ido com o carro do seu pai? Não passou.

É assim que a gente fica. É isso. Não, mulher fica doida. Esquece que anestesia geral depois tem que chamar a vizinha. É uma doideira. Isso é uma coisa que acontece muito com mulher. E aí, a privação... É um conjunto de tudo, né? A privação de sono e... Aí, quando eu peguei aqui, eu falei... Eu tô nesse mob preto. Aí, eu podia falar, moço... É o seguinte... Ai, que doideira! Ih, eu tava pensando aqui...

A vida, ela leva a gente. E eu falei assim, eu não vou conseguir porque... Eu falei, eu vou levar até o fim essa... Aí eu falei pra ele assim, não vai dar, vou ter que ir embora. Aí ele falou assim, não, a gente vai lá nas câmeras. Aí eu fiquei imaginando a cena, deu com ele vir na câmera, eu chegando num carro... ...combalho preto.

descendo e eu falei assim, tudo estava muito horrível na minha cabeça, não me ocorreu falar para ele, estou maluca, eu realmente vim em outro carro, a chave está aqui, não me ocorreu. E aí eu falei assim, não, vou ter que ir embora porque meu filho está pequeno e eu comecei a compartilhar a vida com ele, meu filho está pequeno, meu filho está sem geléia.

Não, eu falei assim, eu vou pegar um Uber e eu vou embora, porque eu preciso voltar. E ele falou... Ele entrou na minha e falou assim, mas não tem ninguém com o seu filho? Porque a gente vai ver aqui, a hora que a senhora chegou, a gente vê rapidinho, só pra ver se aconteceu alguma coisa, fazer um B.O., fazer alguma coisa... Você falou, eu nem gostava daquele carro, sabia? Eu tava todo avariado, todo arrebentado, eu tava na hora de trocar, eu queria comprar um Fiat, bobagem.

Eu só queria correr e fugir. Eu comecei a gaguejar, eu sei como eu fico mentindo. Então eu sei que foi... Eu não gosto nem de lembrar. Eu fiquei sem orgulho. Te dá até gatilho, né, Natália? Mas não tinha ocorrência? Você fala assim, olha, eu me enganei, eu vim com o carro do meu pai. Não? Não. Você foi embora? Eu peguei o Uber e fui embora. Que loucura! Que loucura!

Eu vou, eu vou até o fim. Aí eu cheguei em casa e falei, Compre um presente! Aqui tem um carro! E o seu pai falou, cadê meu carro? Porque a merda começou antes que eu falei assim, Pai, você pode abrir o portão aqui de fora, porque o controle do portão fica num carro. Fica num carro.

E aí cheguei lá e expliquei. Eu lembro que eu chorei. Eu chorei desesperada, porque era só... Era isso, assim, só pegar o carro. Eu falei assim, não, aí... O Bruno falou, não, amanhã eu vou e pego. E aí no dia seguinte ele foi no shopping... Aí no outro dia de manhã, ele esperou o shopping abrir e foi eu morrendo de medo de dar alguma merda, né? Porque ficou só o móvel lá. A polícia lá esperando.

Aí o Bruno chega lá e ele fala assim, não, chegou tudo certo, voltou. E eles devem ter visto, né? Acho que eles viram e falaram, gente, olha aqui. Eles não, eles não, eles não. Obrigada, gente. Eu não queria presenciar isso. E recuperou na véspera de Natal o carro. Agora, teu marido também foi guerreiro, que ela falou assim, bom, ali esqueceu um carro na mão dela, foi um problema, se eu deixo essa criança aqui. Ah, mas ele volta falando, esse aqui é o filho de Otto, não é o nosso, Natal.

Sim, gente, eu queria muito. Mas essa virada eu vou conseguir, não. Não me ocorreu. Eu vou até o fim com isso. Eu amei isso. Mas, ó, tô convidando o Carlsarré um tempo pra vir. E ele, ah, não tem história interessante. Eu falei assim, vem cá, mas não é possível que no Tropa de Rígis não tenha história boa. Ele falou, não, tem uma que envolve Granada. Eu falei, eu acho que vale a pena contar. Mas é no próximo bloco. Não sabe daí que a gente já volta com mais que história é essa, porra.

Tem gente aqui que voltou da balada tarde. Quando a gente volta da balada, a gente quer o quê? A gente tá cansado, entendeu? A gente quer deitar dormir. A gente quer chegar, desmaiar pra acordar no dia seguinte bem. Mas nem sempre é fácil. A vida do bêbado é complicada.

Ela nos leva para outro caminho. O Eduardo está aqui para provar. Tudo bem? Tudo bem? Tudo certo? Tudo bem? Beleza? Me conta, isso foi quando, hein? Isso foi em 2022. Coisa boa. Era quando? Então, eu ainda morava em Minas. Era um feriado lá na minha cidade. E mineiro ama vir para cá no Rio de Janeiro, né? Nossa paixão. Qualquer feriadinho, a gente é doido para vir para a praia, para se divertir e tudo.

E aí, eu e meus dois melhores amigos de faculdade, nós formados em publicidade, Jéssica. Ah, Jéssica, tudo bem, Jéssica. Jéssica é partiu pela história. Certo. E meu outro amigo Carlos também. A gente decidiu passar o final de semana aqui no Rio de Janeiro. Falar, vamos curtir, a gente formado, vamos aproveitar. Solteiros. Eu casada. Você casada. Ela ficou quietinha. Ela dormiu. E aí, a gente combinando, a gente, pobrinho, a gente falou, ah, foi o nosso primeiro erro.

Vamos... Vamos pegar um hotel barato. Hotel barato. É, porque a gente vai viver o Rio de Janeiro, vamos ficar... Vamos só dormir, né? É, o hotel vai servir pra deixar as coisas do dia. Exato. E aí vamos gastar dinheiro nas experiências. Ó, quando tem experiência, é álcool. Exatamente. Arrumamos um hotel que a gente não tinha muita referência? Na Lapa. Na Lapa. Beleza. A Lapa é bom porque é seguro. É. Chegar tarde na Lapa é coisa boa, uma experiência específica.

A gente não sabia, né? Porque a gente não morava aqui. Ok. E aí, quando nós chegamos no hotel, o hotel era ok, tinha café da manhã, tudo ok, a avaliação na internet estava beleza. Aí a gente já teve o primeiro choque. Por quê? Que era, nós éramos três pessoas e era uma chave só para os três. E chave é a moda antiga, a chave tradicional. Chave mesmo, né? Chave mesmo. Ok, beleza, a gente vai sempre sair junto, então não tem problema nenhum. Uma só, você tinha que chegar junto, todo mundo. Sair junto. E aquela chave que é como os maias abriam porta. Exatamente. A chave de bó, a chave de bó.

Ok, chegamos na sexta-feira, curtimos, beleza, sábado fomos pra praia, ok. Chegamos à noite, eu e o meu amigo Carlos, vamos pra balada? Vamos. Jéssica falou, não, não vou. Eu sou casada, mulher íntegra, direita. Exato. Eu vou ficar aqui lendo Dostoiévski. Exato. Agora você vê.

casada, cansada, ela ficou. E aí, qual foi o combinado? Então tá, a gente só tem uma chave, você vai ficar dormindo, né? Durante esse período todo, não vai ter nada demais. A gente vai, leva a chave, tranca a porta. Você trancou lá dentro? Trancamos dentro. Ela só ia dormir. Lógico. Bacana, se pega fogo, uma pena.

Olha só, a história só melhora. Tá tudo bem. E aí eu e o Carlos fomos pra balada, vivemos, até a balada expulsar, gente, sete da manhã. Sete da manhã. Sete da manhã. Chegou sete da manhã, eu inconsequente, meu amigo falou assim, ah, amigo, eu tô indo embora, você vai comigo? Não, vou ficar mais um pouquinho. Tem uma palavra em inglês chamada fire in the ass, que é fogo no cu.

tinha arrumado um rolinho ali, enfim, vou aproveitar, já estou aqui viajando mesmo, beleza, e aí qual foi o combinado com o Carlos, o meu amigo? Ó, vai com a chave, daqui a pouquinho eu chego, uma horinha, daqui a pouquinho, quero só finalizar aqui o dia, ele foi...

O sol raiando já. Esse vai ser finalizado também. Tá certo. E aí o combinado foi, você vai, entra normalmente e não tranca a porta. Por quê? Porque eu vou chegar daqui uma horinha e aí eu não quero acordar vocês, né? Mineiro, receptivo, não vou incomodar ele no melhor sono. Ela também que provavelmente estaria dormindo. Ou morta, não sabe. Ou morta, enfim.

Combinado. Carlos foi embora, passou uma horinha, uma horinha e meia, eu volto pro hotel. Resolveu o que você tinha que resolver. Resolveu o que eu tinha que resolver, despachei e fui pro hotel. Quando eu chego na...

Quando eu chego lá na porta do meu quarto, a porta tá trancada. Aí eu assim, ai, que saco, eu falei para não trancar, né? Vou ter que acordar os meninos agora. Tô lá batendo na porta, nada. Liguei, peguei meu telefone, falei, vou ligar para a Jéssica, né? Porque a Jéssica dormiu o dia inteiro, não é possível que não acordou, já era nove da manhã, por aí. Aí nisso a Jéssica atende, assustada, fala, peraí.

Aí eu, tá bom. Aí ela, demorou uns 30 segundos, ela abriu a porta. Aí quando ela abre a porta assim, ela assim, amigo, você tá chegando agora?

Aí eu falei, vai sim. Tá julgando, né? Por quê? Ah, gente gosta de coisa. Aí eu, por quê? Aí nisso ela abriu a porta, eu olho assim, ela falou, porque eu achei que era você dormindo. Tinha um... Tinha uma pessoa dormindo na sua cama? Tinha um corpo na minha cama. E não era o outro amigo? O outro amigo tava na cama dele dormindo. Eram três camas. A da Jéssica? A da Jéssica vazia. A do amigo? E a minha tinha uma coisa lá, um corpo.

E aí, 9-2 assim, eu falei, que amiga, você tá doida? Eu tô chegando agora. Aí a gente começou assim, o que que tá acontecendo? E aí a gente começou a pensar a situação. A gente falou, será que o Carlos trouxe alguém pra cá? Só que eu lembrei que o 9-2 somos viados.

E era uma mulher. E era uma mulher. Não era. O Carlos não tava tão bêbado assim. O Carlos não tava tão bêbado. O Carlos, em dado momento, falou, ah, traz essa checa. Não era, não era. Aí a gente foi olhar assim o quarto, né? E tinha uma pessoa cabeluda, assim, dormindo lá, nua. Nua? Nua.

Só com a cobertinha. E aí eu e a Jessica falamos, vamos dar uma varredura no quarto para ver se está tudo certo, se está tudo bem. O que aconteceu? Olhamos assim, estava tudo normal. Só que quando a gente foi no banheiro, a gente viu um vestido vermelho no chão. O banheiro recém-usado, assim, com vapor.

Um chaveirinho do Vasco, com a chave. Um chaveirinho do Vasco. E a bolsinha com cartão de crédito. E que estava o nome dela, que se chamava Rafaela. Beleza, a gente só tinha essa informação. E aí a gente assim, meu Deus, vamos acordar ela, né? Para ver o que aconteceu. Por que essa menina está fazendo aqui? E aí a Jéssica assim, desesperada. Ai, meu Deus do céu, meu Deus do céu. O Carlos dormindo. E a gente falou um baixinho, porque eles estavam dormindo, né?

Ela tomou banho, tirou a roupa... E aí a gente foi acordar o Carlos. Porque ela falou, vamos acordar ele pra ver se ele tem alguma notícia, né? Acordamos ele, o Carlos assim... Tinha acabado de dormir, então ele acordou muito assustado. Ele acordou, veio uma mulher pelada e falou, pensa dela! Aí a gente disse, Carlos, você conhece essa pessoa que tá aqui do lado? Ele assustou, você tomou um susto, ele falou, não, nunca vi na vida. Não fui eu, não fui eu. Foi um choque pra ele também.

E aí eu falei, não, então vou ter que acordar ela, né? Acordar a Rafaela. Eu sabia o nome dela, Rafaela e tal. E aí eu fui lá, porque eu sabia, né? Era uma mulher que estava ali, em esporte, enfim. Falei, vou lá com a maior empatia do mundo, porque eu não sei o que aconteceu. Ficado com o Rafaela. Aí eu estou... Posso, posso... É só Rafaela? Você é Rafaela. Você está deitadinha. Bom, deixa eu ficar pelado. Não precisa. Não precisa, não precisa. Aí eu estou assim. Aí eu estou assim. Rafa. Rafa. Não acordava. Rafa. Você que já tomou intimidade. É.

Rafa! Rafa abriu os olhos. Abriu. Aí ela... Quem são vocês? Aí eu assim, Rafa, tudo bem? Meu nome é Eduardo, a gente tá hospedado nesse quarto e eu acho que você tá no quarto errado. Aí ela assim, não, eu tô nesse quarto, eu tô com a minha tia Cris. Aí a gente assim, não, amiga, aqui, todas as nossas coisas estão aqui, a gente tá hospedado aqui desde ontem e você não tá hospedado nesse quarto.

Ela, não, gente, eu tenho certeza que eu estou aqui nesse quarto com a minha tia Cris. Aí eu olhei para a Jéssica, assim, tipo assim, e agora? O que a gente faz? Incorpora a tia Cris. Olhei para a Jéssica e falei, e agora? Meu Deus. Eu volto lá para a Rafaela, a Rafaela volta a dormir. Não era com ela, entendeu? Não me atrapalha o sono, que inferno. A Rafaela volta a dormir. Voltou a dormir. Voltou a dormir, aí é nisso. Meu Deus, a gente vai ter que chamar alguém do hotel para... Tirar essa... Para resolver a situação, né?

Aí eu liguei lá na recepção do hotel e falei, ó, preciso que vocês venham aqui por gentileza, porque tem uma estranha aqui dormindo na minha cama. Não, peladinha. Aí eles, o quê, o quê, o quê? Subiu. Nisso que eles subiram, eles pediram pra gente sair do quarto e o Rafael lá dormindo. A gente saiu do quarto, aí a gente explicou, falei, ó, eu tava voltando da festa, a porta tava destrancada, aí ele tá bom. E aí Jéssica voltou pra acordar ela, porque ele falou, vai lá, ajuda ela a se vestir, pra gente ajudar. Ah, claro, pra preservar. É, aí a Jéssica foi lá.

Conversou com ela nisso, a Rafaela já foi, voltando assim ao normal. Ela falou, não, gente, eu estava com a minha tia Cris nesse hotel. Enfim, não conseguimos encontrar a tia Cris. Aí o... Aí o... A Rafaela fez o quê? Calma, calma. Aí o... Aí o moço do hotel foi lá. Enfim, conversou com ela, desceram para a recepção. E aí a gente não teve muita informação. Ele só falou assim, ó. Aí a gente pediu um táxi para ela. Ela mora em Niterói e o taxista levou ela para casa.

Só que nesse meio termo, eu tinha gravado um vídeo que eu falei, eu tenho que gravar isso daqui porque se eu contar, ninguém vai acreditar, né? Vai achar que é mentira minha. Beleza, eu gravei o vídeo e falei, gente, meu Deus, que loucura, olha o que acabou de acontecer e tal. Você gravou um vídeo, inclusive você gravou um vídeo dela lá. Dela dormindo. Acho que pode mostrar um vídeo dela dormindo. Tem aí. Gente, quando eu falo que tem coisa que só acontece comigo, tá eu, Jéssica e Carlos aqui no hotel. Eu cheguei na balada 8 da manhã.

Simplesmente tem uma menina na minha cama, que ninguém sabe quem é. Ninguém sabe como que ela entrou. Chegou, deixou a bolsinha. Chama a Rafaela. Chama a Rafaela, menina. É tudo que a gente sabe, você vai falar. Tá aqui nove da manhã, roncando na minha cama. Que maravilha. Você postou isso. E aí, foi.

Aí a gente viveu o dia normal depois que a gente falou, aconteceu, né? É, doideira. Postamos na internet. No outro dia, Fábio, a gente acordou, meu celular estava explodindo. Tinha jornal ligando, a Globo me ligando, todo mundo ligando. Procurando quem é Rafaela, quem é Rafaela. Gente, eu não sei quem é Rafaela.

Começou uma mobilização assim na internet. Vamos achar a Rafaela? Acharam. Acharam a Rafaela? Acharam a Rafaela. Começaram, os amigos da Rafaela mandaram para mim o número, a mãe, enfim. Consegui falar com a Rafaela. E aí fiz uma videochamada com ela, porque a gente já começou a levar a história na... Engraçado, né? Cômico. Rafaela me atende um dia depois e ela... Eduardo, pelo amor de Deus, perdão. Deixa eu te contar o que aconteceu. Peraí, deixa ela contar o que aconteceu. Me conta uma coisa.

O que aconteceu, rapaela? Ai, loucura. Eu sei, eu sei. Isso aí eu anotei. Você, o que você tava fazendo no quarto do Eduardo? Eu só fui descansar.

Lógico, imagino. Mas cadê a tua tia? Como é que chamava a tia? Cristiane. A Cris estava onde? Tia Cris? Ela tinha ido tomar café ali, minha prima, e me deixaram subir sozinha. Eu fui a última a descer do Uber. Aí eu subi achando que era esse quarto, porque a gente ia muito pra esse hotel, e simplesmente estava aberto. Falei, é aqui mesmo.

Eu entrei, tomei meu banho, né? Você já tinha tomado os negócios. Bêbada todas. Achou uma cama livre e entrou. Livre. Entrei, deitei e dormi. Tomei até banho. Quando o Eduardo te acorda... Você lembra desse momento ou você nem lembra? Eu tava muito bem...

E eu tava muito bêbada. Nem lembro de muita coisa. Mas quando você foi embora, quando você botou a roupa e entendeu que não era teu quarto, você não tentou procurar, tia Cris? Ah, eu não. Ainda tava meia groga. Eu só entrei no táxi e fui embora. Você foi pro táxi e não me leva pra gente. É, eu falei, me leva pra casa. Dia dos pais, que vergonha pro país.

E aí você voltou pra casa, mas não te... De repente ligar pra tia Cris, essas coisas? E minha tia me xingou de todos, quanto foi nome. Claro, ela... A minha Rafaela, que não apareceu aqui até agora. Lógico, já era meio dia. E eu tava sem celular, porque meu celular tava com ela. Tava com ela.

Então ela ficou, cadê Rafaela? Minha tia, ela é meio louca, deve estar em algum lugar por aí. Vamos esperar pra ver. E que horas que você conseguiu ligar pra tia Cris? Falar, tia Cris, eu não morri. 10 e meia. Da noite? Da manhã ou 11 e meia, sei lá. Alguma coisa, foi a hora que eu cheguei na minha mãe. E aí ligou pra tia Cris? É, e minha mãe me expulsou, mandou ir pro meu pai, porque era dia dos pastos. E você...

Maravilhoso. E aí você... Aí ele te ligou de vídeo. É. Isso foi no domingo de manhã. Ele me ligou na segunda-feira. Aí minha mãe me ligou assim. Garota, que vergonha. Aí eu o quê? Ela, você não tá vendo? Aí eu não. Cadê seu telefone? Eu tava com minha tia. Olha, é uma vergonha. Tão te procurando aí na internet. Você vai procurar algum lugar pra você entrar aí?

Aí a minha amiga deu o número dela, eles ligaram pro celular da minha amiga. Aí minha amiga toda empolgada e eu toda murcha. Ai Kelly, que vergonha. E aí você falou com ela finalmente pra esclarecer tudo isso. E aí a gente depois viramos amigos, ela me convidou até pra ser padrinho do filho dela. Para! Mentira! Verdade, verdade. Você fez a maravilhosa.

Essa história foi tão engraçada que, quando eu voltei pra minha cidade, o vereador da cidade me chamou e me deu um mérito de honra pra eu ter colocado a cidade no mapa do Brasil. Qual o nome da cidade? Ribeirão das Neves, que é... Esse é... De Ribeirão das Neves, uma salva de bosta!

É doido, hein? Olha vocês! Que loucura! Como é que pode, né? Gente, eu amei! Ela chegou no quarto, não achou a mala dela, e falou, vou dormir pelada, não estou encontrando meus corações. Ela nem viu, estava treba, né? Estava trebaça. Que loucura tudo isso.

Juliano! Cara, então, eu nunca contei essas histórias, porque quando eu fiz o treinamento com o Bop, pro Tropa de Elite 1, a última coisa que eu ouvi do Bop foi se um dia os senhores contarem essas histórias, nós vamos fazer uma visitinha pra vocês.

Nossa! Não é legal, né? Não é uma visitinha de Niterói. Não, não. Não vai ser uma visita amigável. Mas eu participei do Tropa 1, pouca gente sabe por quê. Porque toda vez que alguém gritava ação, a gente se escondia. Foi o trabalho mais louco de ator, porque o ator é ação e você quer fazer a cena. E a gente foi treinado pra ação. Aparecia só um olhinho atrás de uma parede assim, que era um filme que queria muito...

Realismo, né? É verdade. Então a gente teve treinamento com o Bop, depois preparação com a Fátima Toledo. Que pior que o Bop. Muito pior. E depois o filme. Treinamento com o Bop, foi ali umas duas semanas.

Era uma tensão... Foi demais. No final, todo mundo estava gostando deles, eles estavam gostando da gente, entendeu? Os caras, no começo, eram assim, eu não gosto de maconheiro, eu não gosto disso aqui. Porra, uma semana convivendo com um monte de ator... Estava até fumando. Não, já estava... Porra, é bala pra mim! Não foi o melhor maconheiro. Primeiro maconheiro que eu gosto da minha vez, maconheiro aqui. Não vale nada, porra. Mas tudo do caralho, são...

E assim, você não podia errar. Se você errasse, tinha uma piscininha de água com lama que chamava de grumelho. Dá um pulinho no grumelho lá, meu filho. Fazia uma coisa errada e aí, cara, o teu dia piorava muito, porque era o resto do dia inteiro com a roupa molhada, lama na cueca, meia molhada dentro do coturno, sacou?

Mas todo mundo garotão era meio divertido, mas assim... O treinamento com todo o elenco principal, assim? O treinamento com os soldados do BOP. Mas os atores estavam treinando? É, porque tinha ator que ia fazer executivo, cargos mais altos. Aí não precisava.

O Wagner, na maior parte do tempo, estava com eles, os caras que davam treinamento, porque ele estava muito vendo a conduta de quem manda. Claro, porque ele mandava ali. Então ele não estava ali se ferrando tanto quanto a gente. Eu lembro, por exemplo, que um dia... Pode caminhar? Por favor. Um deles estava lá dando uma instrução e falava assim, os senhores devem funcionar como uma orquestra.

É como aquele capitão aqui vai ser o maestro. É como aquele maestro Isaac... Aí tinha um cara que me agrada muito, mandou um... Isaac Newton, senhor! Arreio, meu filho, vai para o lama, vai, vai, vai, vai, vai! Vai, vai, vai, burro pra caralho!

Aí, cara, beleza. Então foram duas semanas disso aí, aí a gente vai pra Fátima Toledo. Aí chega lá na Fátima Toledo. Que é uma preparadora de elenco. Uma preparadora de elenco. Tão eficiente quanto polêmica, né? Porque ela vai... Ela vai a fundo. Vai a fundo, tenta arrancar de você. Geralmente o pior, né? É. Então, estamos lá...

Depois do bop, fomos pra Fátima e aí, meu irmão, era duas horas de Kundalini e baba no guardanapo e agressividade, agressividade. Aí quando ia ter a cena, cena, por exemplo, do bop chegando em cima dos estudantes, dos traficantes, quando ela gritava ação, era estouro de boiada. A gente já entrava no chão, no chão, filha da puta, pera o pescoço, tapa na cara, era assim, né? Eu não fazia isso.

Eu não fazia isso, mas por quê? Eu juro que não fazia. Porque durante o treinamento do BOP, eu via muito a conduta deles. Quando eles queriam assustar alguém, colava um em cada orelha aqui, ele ficava assim, aí, tenente, eu tô achando que ele quer sair. O senhor quer sair? Não, não quero sair, não. É, ele tá querendo sair. Por que ele tá querendo sair? Não tô querendo sair, não. Sabe, ficava um terror psicológico aqui, um do lado do outro.

Eu achava aquilo interessante pro filme, né? Nem todos os soldados do Bop eram atores. Eu era ator, eu tava com esse olho e eu queria aprender, né? Então, quando tinha um exercício desse, eu já colava num moleque pra fazer terror psicológico. Claro! Eu não queria dar tapa na cara. Eu me chutar pro fazer terror psicológico. Não, e o filme é famoso por isso, pelo nível de realismo, né? Cuidado. Mas na hora da gravação, teve algum perigo real, assim? Eu tinha certeza que alguém ia morrer.

Mas por que vocês estavam filmando em comunidade? Aí a gente filmou em morro, no morro no Tavares Bastos, que era perto do bop, era tranquilo, era jogar em casa. Porque esse é o morro que é controlado pelo hotel tranquilo. Ali é tranquilo. A gente filmou no que na época se chamava Polícia Mineira, que era o começo das milícias.

que aí já você via armas, você via coisa, mas estava todo mundo sabendo que estava tudo certo. E a gente filmou em várias comunidades onde tinha tráfico acontecendo ali. Real. Real. E a gente ouvia absurdos, né? Porque a gente estava lá vestido de bop. Você estava vestido em nenhum. O inimigo agora é outro. Os caras odiavam o bop. Claro. Então era toda hora, passava alguém e falava assim, aí, você tem mó cara de bop legal, hein? Estou nem ator não, hein?

Vocês são tudo polícia, seus filha das... Você fala, eu sou viado pra caramba! Eu saio daqui, eu sou a Tomissona! Na hora aqui, ó.

Eu sou doido, eu sou maconheirão. Não, a gente ficava naquelas escadarias assim, por exemplo, a gente usava um colete fluorescente escrito filmagem, tinha que ficar com ele o tempo todo. Pra saber que... Pra saber que aquilo ali, porque... E assim, meu irmão, não vai ali, sacou? Ah, resolvi fazer um xixi ali. Não vai. Se você virar a rua errada, pode ser a última cagada que você fez na sua vida, sacou?

Então, era tudo muito tenso. Tem uma história, cara, essa história nunca foi contada, eu não vou dar o nome do ator que estava envolvido, mas é o seguinte, cara, quase explodiram o carro com cinco atores numa madrugada. Como, hein? Tinha um camburão, a direção olhou e falou...

Ih, dá uma ré com esse carro, bota ele lá no fim da rua, lá onde tá escuro, sai de quadro, sai de quadro. Que tava atrapalhando a filmagem. É, não, queria que o carro entrasse em quadro. Se eu saísse do nada e entrasse em quadro. Desce mais. Esse ator já era conhecido por ser o chato do filme, que vivia reclamando que não tinha lugar pra sentar, que a comida tava ruim, sacou? Os caras, pô, tinha que ser o chato mesmo, meu irmão. Por que que não pode descer lá?

E aí ele, porque tá tudo escuro, eu não sei se tá combinado, eu não sei o que que tem lá. Caralho, meu irmão, porra, tá tudo pago, porra, é tudo nosso, dá uma ré, para de ser chato. Deram a ré. No que dá ré, sai um bandido, dá sombras, tira o pino da granada e vem assim pra explodir um camburão com cinco atores dentro.

Quando ele ia largar, ele viu que tinha um com colete de filmagem. Aí ele, porra, vocês estão malucos? Vocês quase voaram, porra. Ninguém me avisa nada. Ninguém me avisa nada. Você inacreditável. Ninguém me avisa nada. Aí veio a produção assim, a produção já nervosa, porque o cara tinha falado para não descer. Ele com a granada na mão. É, ele tá brincando. Brincando é o caralho.

Eu vou botar o pino da granada de volta aqui, ó. Vocês quase morreram. Aí o chato já desceu do carro assim, pô, tá lá, não tô falando. Eu tô do lado do chato. Caraca. Que loucura. E teve uma noite que a gente tá gravando num morro que ele era de frente pra outros dois morros. Então tem um morro aqui que a gente tá gravando, outros dois lá, um vale no meio. Cara, no meio da cena... Gravando, filmando. Gravando, ação!

E eu era de Brasília, então eu era menos acostumado também com essa realidade, né? Carioca. Então, ação. A gente chega lá, estamos fazendo a cena, daqui a pouco eu olho assim para os dois morros, munição passando. Plá, plá, plá, plá. Tiroteio de um morro com o outro. E aquela munição traçante. Mas era o efeito especial do filme? Não, tiroteio. Real? Deu guerra. Real. Guerra real. Real. Tiro voando de um morro para o outro, as traçantes passando assim. Eu olhei para cima, vi uma bola de luz.

Em cima de mim. A cena tava... Vestido de bop. Puta, tu era a mira perfeita! Com o colete à prova de bala, que não era prova de bala. Claro, era do filme. Tinha uma borrachinha de EVA dentro. Você furava até com uma faca de manteiga, assim, sacou?

Eu olhei aquilo e falei... Você era a mira perfeita. Eu falei, bom, eu tô debaixo da luz, se alguém me ver aqui, eu vou tomar. Aí, cara, eu olhando pra produção, pra direção, assim, alguém vai gritar corta, né? Alguém vai gritar corta, né? Ninguém vai gritar corta, ninguém vai gritar corta. Cara, daqui a pouco eu olhei e tinha uma mesinha de... Aposentado jogar xadrez, aquelas mesinhas de concreto, de praça, assim, eu...

Abaixei na atitude. Que maravilhoso. Que tá no filme. Essa cena foi ao ar. Tem aí a cena do Tropa de Elite? Bota aí, ó. Enquanto a cena tá acontecendo, tá tendo tiroteio.

São esses aí, cara, tudo de pé e eu tô agachado atrás da mesa ali mesmo. Na atitude. Que mal. Se ele ia morrer, porque não gritaram o corte. Já é? Não gritaram o corte é que... Porque, na verdade, o pessoal do outro morro tava lá se matando. Mas se eles olhassem um pouquinho pro lado, ia ter um rapaz do Bop iluminado. Bem melhor. Rapidão. Vamos matar aquele menino ali?

Só porque já tá na... Já tá na luz. Que doideira isso. É, cara, foi terço. Ainda bem que o filme foi um sucesso. Imagina, quem viu o filme é o ninguém. Foi um fracasso. Que maluculha. Esse filme foi muito louco. Mas é, porra, um filme máximo. Uma honra ter participado. Lógico, imagina. Um dos grandes filmes do Brasil. E, então, você, com esse filme que quase morreu, já tá preparado pra responder uma das nossas perguntas do final, que é o que você quer citar na sua lápide. Mas não é agora, é no próximo bloco. Não sai daí que a gente já volta com mais que história é essa, com as perguntas.

Que história é essa? A Borçal está de volta. É recebido Juliano Casar, Natália Cruz, Adriano Garimbi e você. Para mais histórias, na verdade, para mais respostas, chegou o momento das perguntas do programa. A primeira, já clássica, qual a primeira lembrança que vocês têm da vida?

Eu me lembro de um jardim de inverno na casa da minha avó materna. E meu vô, que eu convivi pouco tempo com ele, tá nessas lembranças aí, que é o vô Cunha. Lembro desse jardim de inverno e de um jardinzinho onde ele plantava hortaliças e umas coisas que ele fazia sopa pra mim.

Eu lembro de uma... A minha mãe cortou a unha do pé do meu pai. Não é tempo o pessoal fazia isso. E deixou aquele montinho, assim. Eu lembro de chegar ali e pensar, gente, é um pedaço do meu pai. Eu lembro de ficar com essa... Será que faz? Eu lembro que eu era bem pitica. Eu pensei... Eu mordi um pouquinho. Você mordeu a unha do seu pai. Então eu lembro disso. Eu lembro do apartamento, como era, o tapete que tinha. Mas eu lembro dessa unha do meu pai também. Esse montinho da unha do seu pai.

Quero um sabor ali de... de terra molhada. Aí eu peguei, a nota não veio.

É muito remota, nem me lembro quantos anos eu tinha, eu tava numa banheira em cima, aquelas banheirinhas de banho de criança, um pouquinho maior, em cima da cama de casal dos meus pais e eles estavam na cozinha, cozinhando. E eu tava sozinho ali naquela água quentinha ali e comecei a espenhar, espenhar, espenhar, até eles voltarem pra me acudir, porque eu molhei a cama inteira e tal, mas foi uma coisa meio que tinha uma memória...

De um certo abandono. Falei, o que essa gente tá fazendo na cozinha, me deixando aqui em cima da... Então, o que que tão fazendo? Eu senti o cheiro da comida e aí vieram o meu socorro. Essa é a primeira... A gente não sabe se é memória ou se você inventou esse troço. Mas depois minha mãe confirmou que teve um evento como esse. Eu achei que a sua primeira memória era você pequenininho, falando assim...

Eu vou dizer por que isso, porque o professor da Cal, ele via a cena, ele é intenso, cara, ele é bem intenso. Ele assistia a gente ensaiando, e ele ia fazendo, ele ia botando a mão aqui, ele ia rir, aí ia rir. E quando alguém fazia uma coisa errada, ele apertava a própria tetinha e fazia assim... Não! Não!

Achei que vinha de criança isso. Essa apertadinha, essa apertadinha... Eu tinha até esquecido dela. Vamos sortear aqui a próxima pergunta. Vamos ver o que tem aqui. Com quem que já não está mais entre nós que você gostaria de ter trabalhado? Jades Macalé. Eu adoraria ter cantado com esse cara, porque a única vez que eu fui ver um show dele, logo depois do show, eu cheguei pra ele e falei assim, porra, Jades, então... Você tem um violão, cara?

Você toca violão? Eu falei, porra cara, eu não toco violão, mas eu cana, então você tá desconvidado pra ir a Ipanema tocar comigo.

Mas eu sou... Esse cara é incrível, né? Ele morreu recentemente. Ele veio no programa, assim, meses antes de falecer. Ele veio nesse programa? É, ele contou uma história maravilhosa. Ele tomou um ácido e beijou a Branca de Neve. Mas era uma estátua de cera do Madame Tussauds. Ele é incrível, né? Ele era demais. Eu adoraria ter, sei lá, ao menos cantado com ele, né? Já que não toco nada.

Eu sou meio obcecada com o que eu leio. Então eu lembro que eu li a biografia do Tim Maia e falei, ai, queria trabalhar com o Tim Maia. Casio usa a mesma coisa. Agora o meu hiperfoco é o Chico Anísio, que eu vi o documentário. Ah, do Bruno Mazin, maravilhoso do Globoplay, inclusive. Excelente, o Chico é incrível. Queria muito ter feito a escolinha com ele de professor. Ai, eu também.

Eu também. E você? Cara, eu gostaria muito, não sei se o pessoal conhece, mas eu gostaria muito de ter sido dirigido pelo Antunes Filho. Ah, diretor de teatro. Na época que eu fazia artes cênicas lá na Universidade de Brasília, o CPT, o Centro de Pesquisa Teatral, era, sabe? O Olimpo, assim, era a referência. Então, gostaria de ter trabalhado com ele. E pra terminar, o que vocês querem escrito na lápide de vocês? Aqui está um homem que caiu muitas vezes e sempre levantou.

Relaxa, estou melhor que você. Muito boa, muito boa, muito boa. Estou melhor que você. Já me diverti mais. Já me diverti mais. Olha, mas eu não me lembro a vez que eu me diverti tanto. Porque esse foi bom demais. O programa de hoje acabou, gente. Mas semana que vem tem mais. Não saia daí, meu pô. Fica ligado até semana que vem. Valeu.