Episódios de Mundo da Luta

Mundo da Luta #383 - Letícia Ribeiro

06 de maio de 20261h3min
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Letícia Ribeiro foi a convidada do episódio #383 do Mundo da Luta. Em bate-papo com Ana Hissa e Luciano Andrade, a faixa preta de jiu-jitsu relembrou momentos importantes na carreira e falou da experiência de atuar como juíza no UFC BJJ. Dá o play!
Participantes neste episódio3
A

Ana Hissa

HostJornalista
L

Luciano Andrade

Co-hostApresentador
L

Letícia Ribeiro

ConvidadoFaixa preta de jiu-jitsu
Assuntos6
  • Trajetória de Letícia RibeiroInício no jiu-jitsu feminino · Competições femininas nos anos 90 · Mudança para os Estados Unidos · Carreira como professora e dona de academia · Experiência como juíza no UFC BJJ
  • Carreira de Bia MesquitaInício e desenvolvimento como atleta · Transição para o MMA · Planejamento de carreira e futuro · Gratidão e relação com os pais
  • Jiu-JitsuCríticas às regras atuais do jiu-jitsu · Comparação com regras do MMA · UFC BJJ e suas regras · Incentivo à finalização e ao dinamismo
  • Moda e Jiu-JitsuProblema cultural e mundial · Casos recentes e investigação · Soluções e prevenção · Punição e impunidade no Brasil
  • Competição de jiu-jitsu caseiroImportância da queda e posição superior · Diferenças entre treino com homens e mulheres · Segurança e prevenção de assédio
  • Longevidade e Preparação Física no EsporteFatores que influenciam a longevidade · Importância da preparação física e prevenção de lesões · Exemplos de atletas com carreiras longas
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Agora vocês vão entrar no Mundo da Luta. Fala, galera. Tudo bem com vocês? Edição especial do Mundo da Luta no ar. Hoje estou aqui com o meu parceiro Luciano Andrade. Tudo bem, Lu? Tudo certinho. E vamos receber... Vou deixar a Luciana Andrade dar algumas características. Porque a Luciana Andrade, faixa preta de jiu-jitsu, eu não tenho kimono para estar aqui nessa mesa. Você tem, Luciano?

Mais ou menos. Eu sou um cara frustrado. Entendi. Eu só lotei até a marrom. Entendi. Então fica frustração pro resto da vida.

Hoje a gente tem que botar aqui o tapete vermelho que estamos só com uma das lendas do jiu-jitsu feminino, né, Lu? Exatamente. Precursora, campeã de praticamente tudo no jiu-jitsu, de kimono e sem kimono. E também grande professora, né? A gente vai falar sobre isso. E numa época que não era tão valorizada, tinha que desbravar. Hoje em dia é mais fácil ter mais apoio, mais patrocínio. Antigamente era mais complicado.

Seja bem-vinda ao Mundo da Luta, Letícia Ribeiro. Tudo bem, querida? Prazer ter você aqui. Tudo bem. O prazer é meu. Estou muito feliz de estar aqui com vocês. E passa, vem a memória, né, de antigamente. Só de estar aqui com vocês. Muito feliz. Obrigada. Eu que agradeço. Lê, você mora há quanto tempo nos Estados Unidos? 19 anos. 19 anos. Mas veio aqui porque é especial para o Dia das Mães. É, é. O Dia das Mães é de lei. Estou sempre aqui com a minha mãe. Venho aproveitar.

Manda um beijo pra sua mãe que tá assistindo aqui a gente ao vivo. Beijo, mãe. Te amo. Qual o nome dela? Feliz dia das mães. Ione. Dona Ione tá aqui, aqui nos bastidores, acompanhando a filhota. Sim. Quando você chega no Rio, curiosidade, porque chega no Rio de Janeiro, eu vi a primeira coisa ali na casa de lanches, né? Sim, sim. Comer aquele sanduíche de atum que só tem lá.

Na verdade, eu acabo chegando e querendo comer tudo que não tem lá. Isso aí é certo, mas o açaí eu acho que é a primeira coisa. Primeira coisa. Eu faço açaí e eu amo empada. Empada, empadinha? Eu amo empadinha, eu como empada também, mas eu acho que é isso, vou no supermercado, compro aquelas coisas que não tem lá para poder levar. É difícil encontrar lá empada? Não, empada não tem não. Mas tem um restaurante brasileiro lá, mas não é a mesma coisa.

tem tudo lá ainda mais em San Diego, mas não é a mesma coisa

Tem açaí, mas é tudo diferente. Aqui tem o sabor Rio de Janeiro. Tem o tchan. Vamos falar um pouquinho, né? A gente tá aqui começando os trabalhos, vamos falar muito da sua trajetória, mas eu queria começar pelo básico mesmo, né? Como que você, numa época em que o jiu-jitsu não era um esporte tão popular entre as mulheres, acabou indo parar no jiu-jitsu? É, então, eu sempre fui esportista, né? Eu acho que desde pequena...

Eu fiz bastante esporte, eu nadei, joguei vôlei, tudo. Todo mundo queria ser do meu time no colégio, né? Porque eu era bem esportista. E aí eu fui ver, eu tinha 14 anos, eu fui assistir uma competição de jiu-jitsu aqui na Barra.

E aí... Mas do nada, te chamaram, você nem sabia o que era. Não, eu já tinha uns amigos que treinavam do bairro, mas eu era nova, e aí eu vim assistir. E aí eu apaixonei, eu achei muito legal. E naquela época, um pouco diferente da época de hoje, tinham muitas quedas, eu gostei daquela, era muito dinâmico o jiu-jitsu antigamente, quem viveu, viveu, né?

E aí eu falei assim, vou experimentar. E eu vi o Saulo competindo de marrom, ou de roxo de marrom, esse campeonato. E eu conheci ele na academia, alguns amigos já treinavam na Grês de Tijuca. E ele falou, vai lá amanhã. E aí eu fui na Grês de Tijuca, o campeonato foi no sábado, na segunda eu fui. Amor à primeira vista, apaixonei. E aí já comecei a treinar, já comecei a competir. Foi muito, muito rápido.

Qual era a realidade ali da academia em termos de jiu-jitsu feminino? Tinha quase nenhuma menina? Só que eu dei sorte, Ana. Quando eu entrei na Grês Tijuca, eu comecei a treinar em 95. Em 96, ali em 95, 96, a Grês Tijuca especificamente, onde eu comecei, tinha um grupo de meninas. Ah, que legal. Então eu dei muita sorte no meu começo e já eram incentivadas.

o Roller, o pessoal da academia já incentivava aquele grupo feminino que tinha, mas cinco meninas, mas já era o suficiente. E cada uma vai ajudando a outra, e aí uma vai competir, a outra quer competir também. Então, eu tive muita sorte no começo da minha carreira. E o incentivo dos professores dentro da academia. Então, eu acho que foi o ponto-chave para mim.

continuar no esporte. Exatamente. E seguir. E seguir. E vou já dar a palavra pra você, Luciana. Não brinca comigo, não. E quando foi que você viu e falou assim, cara, é disso que eu quero viver? Quando eu assisti o primeiro Mundial, em 96, e eu vi já o Roller treinando, o Roller foi o grande ídolo, ainda é.

esporte, e eu vi ele treinando, né, primeiro eu entrei na academia Grace e já falei, meu Deus, depois que eu entrei que eu falei, os Grace's, né, aí eu comecei a estudar, comecei a entender quem era, aí daqui a pouco eu me vi no tatame, com Reuler, com Rickson, com Helso, tava um monte de Grace lá no tatame da academia, eu falei, cara, eu sou muito sortudo.

de estar aqui, de ter entrado aqui, né? Eu fui realizando o quanto de sorte que eu tinha de estar lá naquele lugar. E aí eu vi o Roller treinando pro campeonato mundial, né? Fazendo camp, eu não fiz esse camp, eu era muito nova, eu não era graduada ainda. E aí eu vi ele ganhando o primeiro mundial, o segundo mundial, o terceiro, o quarto, ele ganhou quatro seguidos. E aí ali eu comecei a perceber, eu falei, eu quero ser campeã mundial também.

Muito bom. Então você pegou o Reuler no auge e o Saulo era marrom então. Se você começou em 95, era marrom. Eu acho que ele era marrom. Ele vai saber? Não, porque o Saulo treinava lá na academia. Ele ia de roxa lá pra treinar com a gente de vez em quando. Ele era leve roxa, mas isso antes. Logo no primeiro mundial ele lutou de leve preta. A sua academia fechou a categoria. Foi o Paulo Barroso.

que era primo do Dedé, o Barretinho e o Saulo. Os três chegaram juntos. A medalha de ouro ficou com o Paulo. Mas vem cá, no início, não tinha muita competição pra mulheres, né? Inclusive, roxa lutava com preta, não é isso? Marrom. Como é que foi no início? Porque, realmente, hoje em dia tem muito mais competições pra todo mundo, inclusive pra homens. Inclusive pra máster. Até pra... Máster não existia, né? Foram fazer depois. Como é que era? Era duas competições por ano, uma? Como é que era isso no início?

Até porque competição é legal para evoluir para você se manter empolgada. Tinham poucas competições, claro que não eram muitas naquela época. Tinha umas copas, Copa Ciclone, e tinha a Copa do Bita lá em Teresópolis, que eu lembro que era muito legal a gente viajar para Teresópolis naquele carro lotado para competir, que era a grande coisa daquela época, o momento.

E aí tinha essas copas e tinha o estadual e o brasileiro. E o mundial, o primeiro mundial foi em 96, e o mundial feminino, o primeiro, foi em 98. Eram duas categorias, todas as faixas juntas. Era até 60 e abaixo de 60. Era só o peso. Leve e pesado. Leve e pesado. E todas as faixas juntas. Branca não competia, mas era azul, roxa, marrom e preta. Todo mundo junto. E aí era isso. Eu competi o primeiro mundial, que foi em 98. Eu perdi de cara, eu era roxa.

E aí no segundo mundial eu já fiz pódio. E aí no terceiro mundial que eu competi, que foi 2000, eu fui campeã. Uma escadinha, né? Foi progredindo, né? E foi eu competir roxa. E no primeiro você era roxa, né? É, e depois competi marrom e depois no outro já era preta. E ganhou. E ganhei.

E aí sua evolução foi muito rápida dentro do jiu-jitsu? Foi tudo muito rápido. Você acha que tinha um dom natural? Junto com o esforço? Como é que era a sua rotina ali? Você sabe, eu acho que quando a gente tem um objetivo, facilita tudo na vida, né? E eu acho que quando eu comecei, eu estava meio perdida naquela época.

Na vida ou no jiu-jitsu mesmo? Não perdida na vida de fazer coisa ruim, mas eu tinha 14 anos sem saber o que fazer. Eu sabia que eu tinha talento pro esporte. E é claro que Deus me deu dom pro jiu-jitsu. Eu aceito isso. Obrigado. Mas eu tinha o dom pro esporte. Eu acho que se eu seguisse em outro esporte, eu acho que ia me dar bem também.

Mas aí eu tinha o dom pro jiu-jitsu e eu vi muito cedo que eu queria fazer aquilo. Eu acho que ver o campeonato mundial e ver o roller, foi tudo junto. E eu me dediquei muito, treinava muito. Muito comprometida com o treino. E você acha que pegou o jiu-jitsu na idade certa? Eu diria que sim, porque até por experiência, observando, quem começa com 13, 14, 15, normalmente fica no jiu-jitsu. Eventualmente, quem sai é porque vai pra uma...

trabalhar, coisa e tal, às vezes não consegue grana no jiu-jitsu e sai por uma questão de trabalho. Vira mãe. Mas quem começa muito cedo, sete, oito anos, seis, é muito comum para. Vai para outro esporte ou para. Então você acha que pegou na idade certa para manter a vida inteira? Eu acho que sim, né? Eu acho que até na época que faltaram...

Depois que eu comecei, tinha mais três anos, começou o campeonato mundial. Então, eu estava começando o campeonato mundial ali em 96, um ano depois de eu ter começado. A época foi muito boa, foi uma época de ouro, né, Luciana? Quem viveu aquela época dos anos 90 aqui no Brasil. Quem viveu, viveu. Tijuca Tênis Clube.

Anos 90, acho que início dos 2000 também. O último mundial aqui foi em 2006. Foi em 2006. Eu fui campeã também nessa mundial. Mas foi uma época de ouro. Eu acho que a idade conta também. Eu acho que a gente tem exceções. A Bia, por exemplo, começou o jiu-jitsu com 5 anos de idade. Até hoje. Hoje ela fez 35. 30 anos de tatame. Sem parar. Caramba. Ela só começou com 5.

Hoje ela tem 35. Então ela tem 30 anos de tatame, de competindo sem parar. Nunca parou.

É um lastre absurdo isso, né? Sim. Absurdo. Sim. Eu competi 15 mundiais seguidos. Então eu competi, eu competi, pode botar aí três gerações. Eu competi com três gerações diferentes, principalmente as mulheres, né? Elas param muito. Até entre homens é difícil encontrar. O Xande é um que teve bastante... Xande Ribeira, irmão do Saulo. Talvez, eu não vou dizer que é o que teve mais longevidade, mas ele ficou no topo durante muito tempo. Sim, sim.

Mas 15 anos é muito difícil. Você vai encontrar uma ou outra pessoa que tem isso. E sempre ali no pódio, esses 15 anos, tanto que os quatro últimos eu ganhei. Então eu terminei a minha carreira muito bem. E sempre competindo. Então eu acho que a idade conta. Hoje eu trabalho com criança. A nossa academia é focada no infantil, hoje lá nos Estados Unidos.

E eu vejo, sim, as crianças que começam com 4, chegam ali na adolescência, já tem as distrações aí, para por vários... Lá nos Estados Unidos, mais ainda, porque tem o high school, né? Então, infelizmente, o jiu-jitsu não faz parte da universidade. E muitas vezes do esporte que vai te colocar pra ganhar a bolsa da universidade. Vai pro wrestling, né? Tem que ficar pro wrestling. A maioria dos lutadores, assim, vão pro wrestling. Inclusive, eu tenho vários amigos.

que são do jiu-jitsu, estão nos Estados Unidos, e os filhos estão mais voltados para a luta olímpica do que para o jiu-jitsu, provavelmente por causa disso. E eu incentivo, né, Luciano? Que eu acho que a criança está lá comigo, às vezes a menina ou o menino com o dom, que eu vejo que tem o jiu-jitsu afiado, mas aí chega lá com os 15 anos, vai para o high school, eu falo...

vai no wrestling, vê se você gosta e se gostar vai ter oportunidade de estudar de graça, porque não não tem como prender aquele aluno eu dou o maior incentivo pra eles irem conhecer o wrestling e eles já vão com uma bagagem do jiu-jitsu incrível, já vão na frente ajuda muito, a maioria consegue bolsa Luciano muito legal

E aí fala um pouquinho dessa sua época, então, de competição, quem eram as outras meninas, como que vocês eram amigas e rivais, como cada um puxava a outra. Sim, não tinham muitas, né? Mas a gente tinha ali as meninas que competiam na minha época.

A menina mais top de linha lá da minha época era a Leca Vieira, que enquanto a gente chegou a treinar junto, quando eu era roxa, ela era marrom, e depois eu era marrom, ela era preta. A gente treinou muito junto nessa época, apesar da gente ser de diferentes times. Mas tinha a Bianca Andrade, que foi a minha grande adversária da minha carreira naquela época. A gente competiu muito da Grace Barra.

E tinha a mulher do Jiji também, Daniela Paiva, que depois ela virou triatlon. Ela era do bodyboard, foi pro jiu-jitsu e agora do triatlon. Acho que a Bianca Andrade era do bodyboard. Mas a mulher do Paiva também era. É porque eu fui bodyboarder. Só que ela era uma época anterior à minha. E ela foi pro triatlon depois. Então uma grande atleta também da época. Ela é atleta até hoje. Sim.

E aí é legal, né? Então a gente tinha essa competitividade, só que as meninas do jiu-jitsu antigamente não se falavam muito, sabe? Eu acho que hoje é, eu acho que hoje... Tem uma comunidade maior. Tem uma comunidade maior. O senso maior também. Acho que a rivalidade era maior por ter menos, gente. Pode ser, né? Pode ser, gente. Pode, porque eu me tornei grande amiga da Bianca Andrade depois que a gente parou de competir. E a Leca?

A Leca também. A gente treinava em Copacabana. Mas a Leca eu competi com ela só uma vez.

A gente chegou a competir uma vez, ela foi para os Estados Unidos, embora a gente treinasse junto aqui. Cada uma na sua academia, mas ela me visitava, eu visitava ela. Copacabana, né? A dela é em Copacabana, eu na Grêmio Tijuca. Só que ela foi para os Estados Unidos muito antes que eu. E aí, quando ela foi, a gente chegou na final do Mundial de 2000, a gente acabou lutando. Mas...

Mas eu acho que era isso. As meninas que competiam muito, a gente acabava que não se falava muito. Eu nunca fui de conversar muito. Mas aí você atravessa várias gerações também. Sim. Né? Passaram várias gerações, né? Porque eu lutei 15 anos, né? Então, mas depois as coisas foram melhorando, né? Sim. Depois que eu fui pros Estados Unidos, eu acho que a gente tava ali no mesmo gol, né? No mesmo esporte.

E as coisas foram melhorando. E eu acho que a amizade entre as meninas do esporte também. Como foi a decisão de se mudar? E por que San Diego? Então, eu já tinha ido em San Diego. Tinha ido lutar alguns pan-americanos. Eu já tinha visitado San Diego. Eu já tinha gostado da cidade. San Diego é uma delícia, né? Eu amo San Diego. É muito bom. Você nunca foi me visitar, né? Não, eu vou visitar a próxima vez. E aí...

O Mundial, 2006, foi o último aqui. Isso. E aí eu lutei e ganhei. Em 2007, o Mundial foi para os Estados Unidos. Aí eu falei com o Morango. Falei, Morango, acho que agora está na hora da gente ir. Porque como é que a gente vai fazer? Mesmo naquela época, eu era campeã mundial, não tinha dinheiro para pagar a passagem. Morango, Fabrício e Morango. Fabrício e Morango.

E eu não tinha muito dinheiro, a gente não tinha muito dinheiro pra ficar indo e vindo pros Estados Unidos naquela época. Mas você já conseguia se manter através do jiu-jitsu? Não. Não. Eu dava aula, quer dizer... Você fazia faculdade de educação física? Fiz faculdade de educação física, dava aula de jiu-jitsu, dava aula particular. Mas tipo assim, o que a gente quer dizer com se manter?

sobreviver qual é o, exatamente era bem viver, né, era sobreviver sobreviver, a gente ia morando, dava aula dava aula, mas a gente eu morava na casa da minha mãe ainda aqui então sobrevivia, sim entendeu, mas ter um padrão de vida bom com o juízo, ainda mais naquela época era impossível, era só pro básico quando o mundial foi pra 2007, e aí coincidentemente o Saulo também se mudou de Ohio, da onde ele se morava ele e o Xande oxic

Pra San Diego. Aí eles convidaram a gente pra treinar lá. E eu falei, ah, é a hora. Vamos embora. Aí a gente foi. Nunca mais voltou. Nunca mais voltou. Se adaptou, caiu como uma luva. De nove anos, sim. No início a adaptação foi tranquila? Ah, foi difícil, né? Todo mundo acha que é fácil. A vida nos Estados Unidos é muito difícil. Ainda é hoje, né? Hoje a gente tem tudo. Graças a Deus, né? Mas a gente ainda sente muita falta do país, da família, dos amigos.

Mas a gente tem uma vida boa graças ao esporte. Confortável. Sim. E San Diego também é mais tranquilo, né? Ajuda. Porque se fosse um lugar mais frio, alguma coisa assim, seria muito pior, né? É. Tem gente que foi. É, e na época, Luciano, engraçado, porque na época a gente teve, quando a gente chegou, sendo um casal e o Morango, eu tava ativo, o Morango tava ativo também, ele tinha acabado de ganhar o Super Challenge, aquelas três lutas, foi o maior evento de vale tudo aqui do Brasil, vocês lembram, né? E aí

E aí a gente foi logo depois disso. Então, nós tivemos muitas oportunidades de ir para o Texas, Arizona, Canadá. Quando souberam que a gente estava ali, manda eles para a Karen. Mas eu falei, eu gostei tanto de San Diego. Falei, Morão, vamos tentar aqui. Canadá não tem jeito, é tudo frio. Canadá é. Na verdade, o Jorge Brito foi para o Canadá porque a gente não foi. A verdade é que a gente ia para o Canadá, para onde ele foi, Toronto. E aí a gente falou, eu quero ficar aqui.

E aí a gente mandou, o Jorge praticamente foi no nosso lugar. Mas aí foi isso. Eu falei, vamos tentar aqui, Morango, se não der certo. Mas vocês foram para dar aula na Grace de lá? A gente foi para treinar. A princípio. Com saldo. A gente foi para treinar. Eles não eram Grace no início da academia, é Ribeiro, né? Não, na verdade, Ribeiro foi depois. Eles criaram uma University of Jiu-Jitsu. Ah, ok. Mas eles ainda competiam pela Grace Maitá. Então a gente foi para treinar.

A princípio. Tá, treinar, dar aula e ver qual era. Sim. E aí você resolveu, naquele mesmo momento, parar de competir? Não, ainda competi. Ainda competiu depois? Ainda competi. Aí a gente, dali, a gente começou a dar aula em algumas academias, não só na dele. E aí teve uma academia que a gente teve um suporte muito grande, que era uma academia boa, que tinha musculação, tinha tudo. E o dono gostou da gente, a gente teve uma sorte danada de ter conhecido.

Esse cara que é meu amigo pessoal até hoje. E aí ele tirou meu visto. O Morão começou a lutar vale tudo. E essa academia me deu um salário bom. Um suporte que eu pude só treinar. Eu dava uma hora de aula por dia. E treinava o dia inteiro. Musculação, preparação física. Eu quisesse fazer. Então me deu um suporte bom para me ganhar. Que eu ganhei quatro mundiais lá seguidos.

Depois dos mundiais de chegada aqui, são nove mundiais no total. Nove mundiais no total. Conta aí, Luciana. Tem que ter mais um, né? Pra ficar arredondado? Dez é melhor que nove, né? Isso é um spoiler?

Podemos ver, Letícia, em umas competições. Porque hoje em dia está bombando, né? Hoje em dia todo mundo voltou a competir. O Master é bem legal. Acho que a comunidade do Master está... Os números são absurdos, né? Quando a gente vê os campeonatos. Gente, o Master... Vocês já foram no Master? Eu fui uma vez no Master. O Parupinha me derrubou. Vocês tinham que ir um dia lá no Master em Las Vegas. Eu fui uma vez. Vocês vão gostar. A coisa mais legal de ir no Master é ver a galera. A galera, né?

Todo mundo fala a mesma coisa, entendeu? Tá todo mundo, Luciano. Não vai ter um que não esteja lá. Ainda mais agora, todas as academias estão com o Buff. Então, todo mundo tá lá. É um campeonato muito legal, mas é. Todo mundo competindo lá no Master. E por que você não tem essa...

Então, eu acho que eu perdi aquele... Drive? Na época, eu já tinha perdido, se você ver meus últimos mundiais, levantava o meu braço, eu já não comemorava mais, então eu já tinha perdido um pouco da vontade, e eu perdi um pouco a vontade de treinar.

Então, tipo assim, não tem como ir num campeonato sem se preparar, né? Ainda mais, né? Então, carregando hoje em dia. E aí, o que pesa é isso, entendeu? Eu falo assim, pô, será que eu quero treinar? Porque eu sempre treinei muito, Ana. Eu sempre fui muito fominha de tatame. Eu sempre me dediquei 300%.

E aí eu falei, pô, não sei se eu quero treinar, me dedicar mais, entendeu? Por isso que eu ainda não voltei. Entendi. Quem sabe que a abelha não pica de novo? Quem sabe, né? Quem sabe. Hoje em dia o Master é brabo, né? É difícil. No início ali até a galera, né, ia com menos ritmo, coisa e tal. Agora virou...

profissional. Claro, não dá pra comparar com adulto, é outro nível, garotada, mas enfim, o máster, a galera tá profissional. Treina todo dia, duas vezes por dia, musculação, suplementação, tudo. Você não disse que vai competir no Mundial Diciário. Eu tenho noção, até porque, não, eu treino uma vez ou duas, Letícia, por semana, eu treino bem com a galera que compete, mas eu sei que o campeonato muda a cabeça, você tem que tá treinando todo dia, e até engrenar no campeonato, você tem que lutar três, quatro, cinco ali, até melhorar o psicológico, porque...

afeta, é diferente. E com a idade tem que suplementar, tem que fazer uma preparação física boa. Você vai tranquilão, não tem treino na linda. O campeonato tem, aí come o gás. E se o músculo não estiver forte, acaba machucando, entendeu? Então eu acho que tem que se preparar, principalmente com a idade, tem que se preparar mais ainda do que uma pessoa nova. E como o morango lutando vale tudo, nunca te tentou também esse caminho?

Ah, eu acho, Ana, que na verdade, eu não sei se eu ia gostar. Não tinha, né? Quase não tinha pra mulher. A primeira mulher que eu vi lutando na época, eu conheci a Gris Borg lá quando ela era...

Tava no começo, né, quando o Morango ia lutar lá no Meca. A gente chegou aí pra Curitiba, o Morango treinou lá na chutebox. Uma época foi quando eu conheci a Cris pela primeira vez. Mas não tinham muitas competições pra mulheres na minha época. E eu não sei se eu fosse nessa época diferente, se eu ia gostar de lutar. Eu não gosto muito de soco. Então eu não sei se eu ia topar, mas quem sabe, né? Eu não sei.

Tá, ficou como um mistério. Exatamente. Ficou um mistério. E aí, ainda evoluindo na sua história, né? Aí quando que vocês realmente amadureceram e virou a sua equipe? Então, como eu falei, a gente chegou lá e a gente começou a dar aula, que eu acho que foi super importante, né? Uns cinco anos, assim que você fica ali, quando você chega nos Estados Unidos, eu acho que quem tem dinheiro ou patrocínio pra abrir logo uma academia, claro que é bom, mas eu acho que essa... Muito bem.

Essa experiência que a gente teve. De dar aula, conhecer. E é diferente dar aula pra gringo e pra brasileiro? Não. Não. Não vejo diferente. Eu acho que você tem que controlar. Quanto melhor for o seu inglês, melhor, né? Mas a gente não falava muito inglês naquela época. Eu acho que a gente foi entendendo.

como funciona o business, como tratar as pessoas. É uma pessoa mais profissional, né? Sim. Eu digo, lá não tem a resenha depois do treino. Atrasa os dias de 10, 15 minutos, tá tranquilo. Lá, acho que pega, não pega? Sim, o Brazilian Time não é legal lá. Não, o Brazilian Time não é legal. Mas eu acho que essa parte, esses cinco anos que a gente demorou pra abrir a nossa academia, a gente tá com a academia há 13 anos lá, pra fazer 14.

Então, esses cinco anos que a gente trabalhou em outras academias, eu acho que a gente ganhou muita experiência, muita maturidade.

Quando chegou a hora da gente abrir a nossa academia, a gente já estava bem esperto em relação a tudo. Já estava falando inglês, fluente, já estava sabendo como se relacionar com o cliente, com os alunos.

Eu acho que foi necessário. E aí tudo aconteceu. Foi tudo natural. Foi tudo natural. A gente conseguiu abrir a academia. No boca a boca também. Sim. E até hoje, sabia? O boca a boca ainda é o nosso maior marketing. E, bom, vendo a evolução, né? A gente está falando muito aqui dos campeonatos master. Hoje em dia, dos campeonatos. O jiu-jitsu é outro jiu-jitsu hoje em dia, né? Assim, da parte técnica.

também, mas eu digo da realidade de que hoje em dia virou um meio de vida que talvez você vislumbrou, mas talvez não se vislumbrasse, né? O que sua mãe falou quando você decidiu ouvir do jiu-jitsu, mãe? Ela ficou apreensiva no começo, principalmente porque era uma luta, né? Mas a minha mãe sempre me apoiou muito.

Eu acho que esse apoio... Ela ia nos campeonatos? Ela e minha avó. Minha avó também ainda era viva. E minha avó ia nos campeonatos velhinha. Só entendia quando levantava meu braço. Mas ela ia. Eu acho que o apoio dentro de casa é super importante. Mas a minha mãe virou para mim e falou eu quero que você faça uma faculdade independente.

E aí minha mãe adorou quando eu conseguia. Era difícil naquela época, mas eu conseguia uma bolsa, né? Eu estudei de graça por conta do jiu-jitsu. Foi na Gama Filho. Não, eu tive oportunidade, eu lutava muito com as meninas. A maioria era lá, né? A judô e a gente era lá. Eu tive oportunidade porque eu lutava muito com as meninas da Gama. E na época eu conheci o Júlio, né? Eu conheço o Júlio até hoje, a gente ainda é amigo. Mas eu tive oportunidade de treinar na Gama, mas eu ia ter que sair da Gracie.

Ah, tá. Representar a Agama Filipe. E naquela época eu era tão... Ainda sou, né? Eu sou tão... Grata. Sou tão firme com eles, grata. E com tudo que a gente é a Grécia até hoje, né? Desde o começo. Que eu tomei a decisão de não ir. Mas ainda bem que eu consegui outra faculdade que não tinha time nenhum, que foi a faculdade da cidade. Ah, legal. E aí eu consegui estudar de graça. Aí minha mãe amou, né? Ela falou, tá, se você vai estudar...

Vai ter a sua faculdade garantida. É o primário, tá? Garantido. E aí ela me viu, né? A paixão que eu tive pelo esporte. E hoje eu acho que ela é super orgulhosa da minha carreira. Com certeza. Mudando aqui de assunto, vou dar uma guinada. Porque jiu-jitsu, claro. Tem gente que gosta mais do jiu-jitsu antigo, coisa e tal. Tem gente que tem um estilo antigo que usa bem em campeonatos hoje em dia.

Mas a verdade é que evolui, tem mais posições, tecnicamente evolui, o pessoal é mais preparado. Só que tem uma coisa que eu achei que não evoluiu. Pode ser que o pessoal não goste, mas é a minha opinião. Eu não gosto das regras de hoje. Eu acho que atrapalham muito, inclusive para você expandir o esporte, para botar na televisão. E você, qual é o gancho? Você está ligado ao FCBJJ, que simula ali as regras do MMA. Mas é muito mais simples para entender, né? Sim.

Jiu-Jitsu hoje, cara, se eu fosse soltar um campeonato... Vamos especificar melhor pra galera que tá ouvindo pra gente. O que que te incomoda na regra do Jiu-Jitsu? Muito detalhe. Na minha época era ponto, finalizou. Aí você tinha situações de ponto. Se empatasse em ponto, tinha três caras pra decidir. Tinha uma época que era o árbitro sozinho que decidia.

Eu achei que esse cara atacou mais, foi mais combativo, levou mais perigo, dá a vitória pra ele. Hoje tem várias posições, que às vezes tem situações que até o cara que entende muito raspou, não raspou, foi ponto pra aquele, foi ponto pra esse, o lutador A raspou ou o lutador B deu queda?

Então ficou uma... Eu não gosto. Muito complicado. Eu gosto do negócio mais simples. O BJJ é outra regra, segue a do MMA, mas é simples. Fala sobre isso também. Aproveitando, a gente lembra que a Letícia é uma das juízas do UFC BJJ, que a gente passa aqui no canal Combate, e a gente vai falar um pouquinho mais também sobre a experiência do UFC BJJ. Mas falando das regras. É, voltamos lá nas regras. Eu acho que a gente pode falar, a BJJF foi...

É uma confederação que eu acho que ajudou todos nós, né? Da gente estar lá nos Estados Unidos e ter esse suporte. Mas eu acho que, eu concordo plenamente com você, eu acho que as regras, é muita regra. Eu acho que se a gente tiver que botar numa frase, qual o problema da regra? É muita regra. Eu acho que, principalmente faixa preta, Luciana, não pode cruzar pra cá, não pode cruzar pra cá, não pode fazer isso. Eu acho que o faixa preta...

tem que estar apto a lutar do jeito que for ali, tem que saber defender as posições. E eu acho que a vantagem, e senta a bunda e levanta... Eu entendo bem, eu estou em campeonato todo final de semana, e eu ainda me confundo. Às vezes eu vejo e falo, não sei se foi, não sei se não foi. Antigamente não tinha disso, né? Não tem, né? Antigamente era diferente. É tranquilo. Era diferente, e parece que o jiu-jitsu era mais limpo, era mais clean, e tinha bastante queda antigamente. Eu acho que......

que a regra tirou um pouco das quedas, que é muito mais fácil você sentar de bunda e ficar lá, eles lutam por vantagem. Às vezes o cara luta pra ganhar de má vantagem numa posição que na prática é irrelevante, né? Luta pra não perder. É irrelevante. Não luta pra ganhar, luta pra não perder. Ganha com base numa coisa irrelevante que foi feita porque sabia a regra. Sim, sim. Tem muito estudo da regra e... É o que eu falo, eu estudo a regra, eu tô no meio ainda, eu não compito mais, mas eu tenho meus alunos.

Mas você tem que passar pros seus alunos. Exatamente, né? E tenho que passar pra eles.

ser esperto. Exato. Saber ser malandro e ser malandro em competir com um cara que vai te amarrar. Exatamente. Tem que ensinar pra eles não só competir, mas a maneira que tem que competir. Isso é chato, né? Aham. Mas eu acho. Eu acho que é muita regra, muita coisa. Mudou muito.

do que era antigamente. Tinha uma época lá que você falou de perna pra lá, perna pra cá, tava normal o cara botar o outro na irregularidade, a posição ilegal pra ganhar na desclassificação, lembra disso? Exatamente, é. Não era nem o cara que cruzava demais a perna, era o outro que forçava a posição, puxava...

Pra falar que o cara tava na ilegalidade. Falei, ah, ganhar assim, pelo amor de Deus, não tem a menor graça, né? Não tem sentido. E aí, Let, quando a Claudinha, ela teve aqui com a gente pra falar do UFC BJJ, ela falou que você, além de juíza, ela considera muito, obviamente, toda a sua sabedoria. E eu gostaria de saber a formatação, assim. Você chegou, você falou, né, quando a Bia competiu o primeiro Vintational, e aí depois foi convidada pra...

Então conta um pouquinho pra gente, como é que foi fazer parte e qual a função sua lá hoje, e até mesmo explicar um pouquinho de como, por que que o UFCBJJ foi por esse lado de uma regra mais similar ao MMA, que é mais palatável para um público não específico. Sim, então, o meu contato maior, eu sempre fui fã da Claudinha, né, a gente já era amiga há mais tempo, né, muito tempo.

do começo da nossa carreira, mas a Bia foi lutar no Invitation, ela lutou contra a Misha Tate, vocês lembram? Ela fez uma luta no Invitation, ela e a Misha Tate. Tem uns 4 anos isso, 3 anos. Tem mais, eu acho. Tem mais. Eu não lembro qual foi o ano. Os Patons já tem 3 anos. E aí ela fez essa luta, e eu tive uma proximidade maior com a Claudinha no dia do evento, que ela também me contactou pra Bia lutar. E aí depois, nos dois eventos, depois daquele, ela me chamou pra trabalhar com eles lá no evento, de juíza.

E aí entrou eu, Shaolin e Cachorrão. Nós três entramos juntos. E foi muito legal, porque cada um de uma academia. Eu sou da Academia Grace, o Cachorrão da Grace Barro, o Shaolin da Nova União. Mas a gente tem o mesmo pensamento, um pensamento acho que é da nossa geração.

E aí ali começou uma amizade grande entre a gente e a gente começou a ajudar. Eu posso dizer que nós três, e mais uns dois americanos também que estão no time, a gente começou a mudar a regra do... O Herzog, né? É, o Jason é o cabeça. Tá no UFC também MMA.

O Jason é referee. Ele e o Shaolin são os centrais. E nós somos três laterais. E aí o Jason é um cara muito experiente também. Só acrescenta. Faixa preta também. Me ensina muito sobre tudo. E aí a gente começou a pensar como. Porque até o UFC BJJ, o Invitation, já teve até a mesma regra do evento do Ed Bravo. O nome mesmo? Esqueci.

Um evento que o Ed Bravo faz lá também. Aí, numa época, eles estavam meio perdidos do que fazer. A verdade é essa. Para onde seguir? É. Aí eles fizeram um pouco da regra do Ed Bravo, fizeram um pouco da regra do ADCC, eles estavam experimentando. Aí eles realmente... Eu acho que o Ed Bravo é um mutational mesmo, não?

Eu acho que tem outro evento. Acho que tem outro nome. Mas enfim. É B.I. Aí quando eles contrataram a gente, foi realmente para trocar a regra. Aí a gente foi trocando em cada evento. Até que no Invitation ficou muito boas as regras. A gente trocou tudo. Mas quando entrou o UFC BJJ, foi que trocou mesmo para os três rounds.

pro 10, pro 10, 9, 10, 8, 10, até pra trazer o público do MMA também, pra padronizar. Eu acho que isso foi a grande chave que a Claudinha passou pra gente, que a gente precisava mudar das regras, é que a gente for ver o público do jiu-jitsu é grande, mas é pequeno. Em comparação ao público do MMA. E o público do MMA, a maioria do público não luta.

Então tinha que facilitar para eles entenderem. Então como eles já estavam sabendo mais ou menos como funcionava o UFC MMA, fazendo uma regra parecida, eles já iam começar a entender mais fácil. E eu acho que funcionou, né? E tirou muita coisa, né? Não tem muito, não tem... E eu acho que a coisa mais importante do UFC BJJ hoje, que eu acredito que é legal na regra, é que o referee central...

Ele, além de dar punição pra luta, quando a luta tá amarrada, chata, ele pode levantar a luta a qualquer minuto. Assim como o MMA. O que é legal, né? Que torna dinâmico. Então, eu acho que as regras são mais voltadas pra esse dinamismo, né? Pra não parar, pra tentar a finalização. E parece que tá dando certo. Ah, gostei. Fica simplificada pra todo mundo. Até pra quem é lutador. Sim. É que você falou, eu vejo campeonato de jiu-jitsu, às vezes eu fico na dúvida. Foi ponto, não foi? E aí? Como é que...

Tá difícil. E você sabe uma coisa que é legal? Eu sou lutadora, né? Sempre quando a gente ia lutar esses eventos de luta casada, cada evento de luta casada nos Estados Unidos, hoje, até hoje, tem uma regra, ainda tem uma regra diferente. E aí, você como lutadora, você vai lutar, ou eu no corner da Bia, de qualquer forma, você fica prestando atenção nas regras, né? Na reunião de regra, é super importante você ir na reunião de regra e fazer pergunta.

Hoje, a reunião de regra do UFC BJJ é bem simples. Quase ninguém pergunta. Os atletas... É muito mais direto. Cara, eles já sabem. Ainda mais se já lutou lá uma vez, o que tem que fazer? Finalizar. Não parar.

E ir pra luta. Se parar, vai perder. E outra coisa. Se parar, se não lutar, se amarrar, não vai voltar. Que é o mais importante. Você pode fazer uma luta mesmo ganhando. Mesmo ganhando. Você pode fazer uma luta boa, mas se você não... Você pode ganhar, mas se você não fizer uma luta boa, você não vai voltar. Também é que a política do próprio FQ, do Django faz também com o Valide. Tá certo. E finalizou, ganha o dobro.

Ah, legal. Eu sabia. O que eu não entendo quando o cara não vai pra finalização, né? Porque se fosse na minha época, eu ia segurar aquele pé ali, pô, ia segurar o braço, podia dar cambalhota que não ia sair. Dinheiro a mais? Pô, o dobro, Luciano. Então, eu acho que a galera... Dobro que é a bolsa? Dobra a bolsa, Luciano. Dobra a bolsa? Então, o cara tem a bolsa e dobra a bolsa. Não é um bônus, é dobra...

dobra a bolsa se você finalizar. Ah, bom pra gente saber. Então, eu acho que isso aí incentiva, quando a Cláudia, no começo eu não sabia também não, mas quando ela me falou isso, eu falei, pô, dobra o prêmio, dobra o prêmio se você finalizar, eu acho que isso é um grande incentivo pra finalizar. O cara que vai ali, ou a menina, que não tenta finalizar...

Ou não está precisando de dinheiro. E a bolsa fixa. Se perder, é aquela bolsa. Então não tem nada a perder. Sim, exatamente. Não tem nada a perder. Dá com tudo. Dá com tudo. Só perder, perdeu. Mas é aquela história. Do mesmo jeito que quem ganha amarrando tem chance de não voltar, quem perde dando show, brigando o tempo inteiro, volta, não volta? Volta, não volta. Volta com certeza. Eu acho que isso é... A Claudinha faz um...

faz uma reunião antes lá com os lutadores, eu acho que é super importante, ela fala sobre isso, entendeu? Da importância de dar um show lá naquele momento, entendeu? Que hoje é um evento pra televisão, que se a gente vê aquele jiu-jitsu que a gente vê nos campeonatos normais, a gente não vai pra frente. Então a gente precisa que os atletas façam uma boa performance pra gente dar continuidade nesse evento. Então fica o recado aí pra galera do UFC BJJ. Sim. É pra ir pra pegar. Sim.

Vamos falar da Bia? Vamos. Vamos falar do início, assim, quando você viu que ela era sua joia rara? Logo no começo, Ana, eu conheci a Bia, ela tinha 12 anos. Ela já treinava desde os 5. Treinava desde os 5, e os pais dela, ela começou a treinar na Grace Saquarema, ela treinava em outra academia, em Mesquita, eu acho, não lembro legal, mas aí eles se mudaram pra Saquarema, ela começou a treinar na Grace Saquarema, que era da mesma filial da minha academia.

E aí o Vento Sul, que era o professor de Saquarema, levou ela para me conhecer na Grace Tijuca. Foi aí que começou a nossa história. E aí desde então a gente nunca se separou, mas eu vi logo o primeiro dia.

talento dela e o mais importante que o talento, né? A força de vontade dela. Dirigia de Saquarema e o pai dela dirigia ela três vezes por semana pra Tijuca, treinava, esperava ela acabar de treinar, voltava pra Saquarema. Então essa dificuldade que forma o campeão também, né? Com certeza, né? E a força de vontade que foi o outro que a gente falou, né? Então ela tinha o dom, ela tinha a força de vontade, a vontade de ser campeã.

E aí era a receita certa de bolo. Eu trabalhava, eu era produtor, redator dos programas do Esporte TV, do joinha, na verdade, Hora da Luta e Passando a Guarda. Eu me lembro até hoje, mas acabou que não dei nada. No Mundial no Tijuca, o pai dela veio com ela me abordar, mas a palavra final era do joinha.

pra fazer matéria com ela. Cheguei até a pegar o contato, conversava, mas acabou nunca rolando. Mas ela era criança. Ela não tinha nem 10 anos, eu acho. Deve ter 8 ou 9 anos. Eu me lembro disso até hoje. Ou seja, o pai já... E veio assim me abordar, a minha filha aqui é isso, aquilo, vai ser a grande campeã, vai ser não sei o que. Eu falei, o cara tá confiante. E foi, né? E pra mim, uma das coisas mais bonitas, um dos sentimentos mais bonitos...

na vida da pessoa, pra mim, é a gratidão. Uma pessoa sem gratidão, pra mim, já não serve pra ser meu amigo. Então, acho que a Bia, a gratidão que ela tem, não só por mim, porque ela me demonstra o tempo todo, mas a gratidão pelos pais é uma coisa bonita, sabe? Hoje ela pode, então ela compra a passagem, leva os pais pra estarem junto dela.

Eu acho que isso é muito bonito, uma maneira de falar muito obrigado, porque eu acho que sem os pais dela não estaria onde ela está hoje. Eu acho que isso é bom, porque ele mostrou uma confiança, que eu até fiquei, o cara realmente já tem certeza do futuro, mas isso ajuda. E ele tinha, ele fazia tudo.

E às vezes no Mundial lá, quando eu já estava nos Estados Unidos, às vezes ela não tinha dinheiro. Eu também não tinha dinheiro naquela época nem para ajudar ela. E o pai dela ficava ali em Sacoarema, Luciano, tentando... Fazendo um corre total. Fazendo um corre, pedindo dinheiro na prefeitura. E o pai pedia na padaria, pedia até arrumar. Às vezes ela arrumava passagem para ir para lutar no Mundial. Estou falando de roxa, de azul, de roxa. Um dia antes.

arrumava a passagem, ela falava, lê, arrumamos a passagem. O pai dela falava, arrumei a passagem. Aí já ia para o aeroporto naquele dia mesmo, e chegava no Mundial no dia de lutar às vezes, era uma loucura. E eu acho que o sucesso dela hoje é válido a gente ressaltar aí o corre do pai dela naquela época. Com certeza. Qual o nome do pai dela? Otávio. Seu Otávio.

Qual a guarda fechada mais poderosa que a da Bia? Existe? Não existe no mundo. Eu não sei se vai existir, não, mas até agora eu nunca vi. Nunca viu. Acho que a dela... É o talento, é a força, é a técnica. E a gente não viu ainda no Vale Tudo, né? Exatamente. Porque ela não teve oportunidade. Acho que tomara que ela fique por cima, né? De qualquer forma. Mas se ela ficar por baixo, ainda tem essa grande arma, né? Que a gente ainda não viu ela por baixo no Vale Tudo.

Como foi a decisão? Foi partido dela? Da transição dela para o MMA? Vou contar uma história rapidinha aqui. Eu comecei a treinar a Bia. Lá atrás, eu já perguntei para ela. Eu falei assim, cara, o que você quer com o jiu-jitsu? Ela falou, eu quero ser campeã igual você.

Aí eu falei assim, então vamos fazer um trato aqui. Você tem que ser mais do que eu. E aí eu era nove vezes já campeã mundial. Ela falou assim, Lê, vou ser dez e vou parar. A história foi essa, eu juro por Deus. Gente, que história linda. E aí ela tava, e aí quando eu fui nove vezes, ela falou, vou ser dez e vou parar. Eu falei, tá, então por isso aquele... E ela não era campeã ainda.

quando você fizer esse trato ela já era campeã mundial? não, isso aí quando eu peguei quando ela era lá no começo você tinha certeza do pai dela e acabou sendo e acabou que eu tive a certeza ela tinha certeza, o pai dela tinha certeza todo mundo tinha certeza, não tinha como dar certo dar errado né

E aí ela, e isso foi, ela novinha lá comigo, ela falou, quero ser campeã igual, eu falei, você tem que ser mais do que eu. E ela conta essa história também, e aí eu fui com a nova e vi esse campeão mundial, e aí toda hora ela falou, pô, tu quer me ferrar, né? Quando eu ganhava mais um, ela, tu quer me ferrar, né? Engraçado, eu vou te falar uma coisa, a primeira vez, a última vez que eu fui campeã mundial em 2012, foi a primeira vez que ela foi campeã na preta.

Que legal. 2012. No mesmo campeonato? No mesmo campeonato. Caramba. Passei o bastão. Passou mesmo.

Passei o bastão, foi 2012, ela ganhou o primeiro, eu ganhei meu último. E a gente tem uma foto muito linda, porque eu não pude coachar ela, que a gente ia lutar, o Roller coachou eu e ela. E aí eu entrando pra lutar, ela saindo, que ela ia fazer absoluta aquele ano também, ela saindo da luta dela, e eu indo pra minha luta, a gente chorando horrores. Não tinha risco, era diferente a categoria, né? É, foi muito emocionante. Mas aí...

Onde eu tava. É a do MMA. Aí ela foi dez vezes campeã mundial. E aí ali ela falou assim, eu vou tentar o vale tudo. Aí eu falei, cara, a gente tem que arrumar uma academia pra você treinar. Porque na nossa academia a gente não podia ser egoísta de falar, não, você vai ficar aqui.

Tinha que arrumar uma academia. Na sua academia é só Jiu-Jitsu. Só Jiu-Jitsu. E focado em criança hoje mais ainda. Depois que eu parei de competir. Eu acho que mudou o foco um pouco da minha academia. Ainda tem muitas mulheres que competem lá. Mas a gente tem muita criança. Mas enfim. Aí veio a gente. Não sabia pra onde que ia. E aí veio a ideia do Parrupinha. O Parrupinha já é meu amigo. Desde aquela época. A gente é amigo há muito tempo.

E ela já tinha ido na Flórida. Mas aí o Parrumpinha soube? Eu liguei pra ele. Ah, tá. Eu liguei pra ele e falei, pô, Parrumpa, tô com a Bia, né? E ela tá querendo ir pro Vale Tudo. Eu só te garanto uma coisa, ela treina muito. Aham. Ela é muito dedicada. Falou que ele que precisava ouvir. Ela é muito dedicada e eu tenho certeza que vai dar certo isso.

nas mãos deles, um ótimo treinador, uma ótima equipe. Com material humano. Exatamente. E aí eu falei, cara, embora a gente ia se separar, porque ela já estava morando ali nos Estados Unidos, ali em San Diego.

Mas eu falei, cara, tá na hora, né? Aí ela foi. Mora lá até hoje. Aí até na Flórida. Tá na Flórida, eu fico lá, ela vai sempre. Principalmente depois da luta dela, ela fica lá uma semana lá comigo, fica dez dias. As crianças da academia, ela é ídola, né? Tá na academia.

Então ela tá sempre lá, mas agora ela tá lá. E como é que foi o nervosismo da estreia? O cara, assim, você consegue lembrar o primeiro... Você tava lá, né? Tava. Você consegue lembrar o nervosismo da primeira luta de competição de jiu-jitsu? Você coachou ela pra primeira luta de MMA? Ah, meu jiu-jitsu não foi nervoso, não. Porque ela era faixa azul, ela já me dava dura. Eu era preta, então não tinha muito nervoso. Mas não vale tudo. Eu tinha, a gente tinha, né? Não sabia se...

Não é que não sabia se não ia dar certo. Sabia que o treino ela vai muito bem, mas quando chega lá na hora é outra pressão, né? E foi no Spaten, era um evento que era transmitido da Globo, então tinha todo o holofote. Mas ela é tão confiante que eu acho que a confiança dela passa muita confiança pra gente também, né? Porque ela sempre foi muito confiante, entendeu? E eu acho que isso é um ponto muito positivo dela. E foi no Spaten, foi um evento maravilhoso, foi ótimo ela ter estreado ali.

E ela fez uma última... Mas, voltando, o meu medo maior é, tipo assim, a gente vê muitos atletas do Jiu-Jitsu indo pro Vale Tudo e não se achando, né? Não se adapta, né? Não se adapta ao tipo de luta. E a Bia, no final da carreira dela, ela sempre foi guardeira. Ela foi guardeira a vida toda. Só que nos três últimos anos da carreira dela ela virou passadora.

E aquilo ajudou muito, porque pra você ser passadora você tem que saber queda, né? E claro que hoje lá na ATT ela tá evoluindo em todos os aspectos, né? Com o jiu-jitsu que ela tem, ela tá evoluindo em tudo. Na trocação, no wrestling. Só que naqueles três últimos quatro anos da carreira dela lá...

Como ela virou passadora, ela treinou muito wrestling. Entendeu? Lá nos Estados Unidos com a gente. Então ela já foi pro Vale Tudo com uma bagagem de queda muito boa. Entendeu? O que muitos atletas do jiu-jitsu... Não tem. Não tem. A realidade é que funciona melhor você misturar luta olímpica com jiu-jitsu, jogar por cima...

Jiu-jitsu não tem porrada na cara, então complica. Não que não tenha gente que caindo por baixo, não mande bem, tipo o Charles do Bronx. Mas, via de regra, é mais difícil. É bem mais complicado. É, com a minha experiência, assim, eu vendo, eu acho que o atleta...

A maioria quer ficar por cima, né? Se o cara não consegue derrubar, ele tá encrencado. Em geral, tá encrencado. E o bom é, tipo assim, se eu cair por baixo, eu tenho uma guarda boa. Eu me garanto, mas eu não quero cair. Exatamente, mas você quer ficar por cima, né? É a ideia que eu tenho, entendeu? Até a gravidade ajuda pra bater de cima. E a ideia que eu tenho também de defesa pessoal, que eu acho que é um aspecto da luta também, de eu ensinar a criança, que eu começo...

Pela queda e por lugar por cima. Depois, eu, principalmente menina, que gosta de fazer guarda, porque a gente tem a perna forte, né? Exato. As mulheres todas gostam de fazer. A menina, depois de um tempo, ela percebe que a perna é forte e aí começa a ficar ali por baixo, confortável, né? Porque sabe que pode usar as pernas. Mas...

A adaptação do jiu-jitsu para uma criança que começa, independente se é menino ou menina, na minha concepção, eu ensino queda e jogar por cima. Quero que eu jogue por cima. Então, eu acho que isso lá no Vale Tudo é a mesma coisa. Qualquer situação, não estou dizendo que tem que brigar, mas às vezes você precisa se defender. Na rua é melhor você não cair por baixo. Exatamente. E a carreira dela, além de ter sido nesses últimos...

quatro anos, né? Muito vitoriosa, foi muito bem planejada, eu acho, né? E aí é uma junção sua com o Parrumpinha pra ver as lutas, com ela também. É, eu acho que o Parrumpinha tá fazendo um ótimo trabalho nisso, né? E em relação a...

Ela ter uma carreira direcionada e umas boas adversárias agora, né? Porque por mais que a gente queira que ela vá lá pro top 10, top 15, que ela já tá no top 15 agora, eu acho importante ela ter uma experiência dentro do UFC antes de pegar as pedreiras maiores, né? Porque apesar de tudo, da experiência dela do jiu-jitsu, que eu acho que ajuda também.

Ela só tá lutando vale tudo há dois anos. Exato. Tem muito pouco tempo. A carreira é muito pequena. Mas foi muito bem direcionada, né? Porque do Spartan foi pra LFA e do LFA chegou na... Foi campeão da LFA e foi pra UFC. E me tira uma dúvida, Letícia. Assim, cada um tem o seu tempo de luta, né? Tem gente que começa a decair com 32, 33.

O Romero, por exemplo, estava no auge com 40, 41. O Poitano também não é novinho, está ali arrebentando. Mas a Bia não é novinha, está com 35. Aí você que está com ela, ela está longe do... Ela está na boa ainda fisicamente, isso que eu quero dizer. Eu acho que ela consegue lutar mais uns anos. Mais uns anos, é isso que eu quero dizer. Eu não sei te falar. Porque depende de cada uma. No caso dela, você acha que ela é muito bem preparada fisicamente? Eu acho que ela é muito preparada fisicamente. Ela é...

Ela tem um biotipo, tem um corpo muito forte, entendeu? Desde a época do jiu-jitsu, entendeu? Então, eu acho que isso... Não ter tido lesões ajuda, né? É, ela teve uma cirurgia, se eu não me engano, na coxa, mas... Nada que nem aquela galera que tem 10, né? Não, ela teve...

Eu incorperei, graças a Deus. Que lágrima. Graças a Deus. Morro de medo de cirurgia. Eu incorperei na minha carreira, mas ela teve uma cirurgia que também é pouco, para uma carreira grande. Da dela, dela. Exatamente. Principalmente desde cinco anos de idade. Então, eu acho que ela é bem forte, bem preparada. Vai ter longevidade, é isso? Eu acho. Tem uma estrutura muito boa. Eu acho que a gente tem...

Uns 4, 5 anos pelo menos de carreira ainda, né? Eu acho que mais uns 2 anos... É porque ela começou tarde, né? Se eu quiser, sim. Mais uns 2 anos aí ela tá disputando o cinturão. E vamos falar do momento que a gente tá passando no jiu-jitsu, né? Com os casos que tão vindo à tona, de assédio. Que é uma coisa que não é exclusiva do jiu-jitsu. A gente tem que voltar a bater nessa tecla. Não é só o ambiente do jiu-jitsu.

Isso está em toda a sociedade, é uma coisa cultural, mas, infelizmente, está acontecendo hoje em dia. No momento, o jiu-jitsu está nesse olho do furacão, especialmente com o caso do André Galvão, que foi arquivado por falta de provas, e por conta do Melk Galvão, que a gente está acompanhando tudo o que está acontecendo.

Eu queria nem entrar em específico nos casos, porque eu acho que os casos, há muito debate, a gente está vendo muita investigação, eu estou no meio das investigações. É o que eu sempre falo, você tem que provar. Quando alguém acusa, é a palavra de um contra o outro, então você tem que provar. No caso do Mel que não. Tem prova, material, está provado, tem gravação. Você pode até discutir, foi tudo aquilo, 4, 5...

Mas está ali ele confessando. Então já muda completamente de figura. Mas aí já falam que a defesa pode dizer que o áudio é inteligência artificial. Enfim. Tem perícia para isso, Ana. Não é. Não é. Não, não, não. Então por isso que eu não quero entrar. Eu não quero entrar no caso. Tem perícia para isso. Defesa vai falar tudo, né? É isso. Eu não quero entrar nos casos específicos porque é uma discussão muito mais profunda e é um jornalismo que a gente está fazendo e eu espero que vocês estejam acompanhando o que a gente está fazendo, levando muito a sério realmente e eu espero que vocês estejam acompanhando.

todos os aspectos, ouvindo todos os lados. E é uma investigação que tem sido feita muito minuciosa. Mas eu gostaria de discutir sobre o jiu-jitsu, não só o jiu-jitsu feminino. Muita gente, quando eu comecei a postar sobre isso, eu e os colegas e as colegas todas, jornalistas do meio,

houve algumas questões ali, né? Muita gente falando, ah, a solução pro assédio é mulher treinar com mulher e homem treinar com homem. O que eu discordo completamente, até porque pode ter assédio entre mulheres, entre homens, entre tudo. Pode. Pode ter assédio entre mulheres. Eu acho que, né, a aula do jitzo feminino, que conforme, né, foi, mais mulheres foram treinando,

Ela pode ser a porta de entrada. Foi a minha, por exemplo. Na verdade, eu fiz uma aula antes. Não gostei, porque eu só treinava com homem faixa preta muito pesado. Na primeira vez que eu fui treinar, que eram pessoas ótimas. Mas era só homem muito pesado no horário que eu podia treinar. Você não precisa ser mulher. Se você tiver 60 quilos, vai numa aula e só tem cara de 100 quilos, também não vai gostar.

Então era isso. Mulher pior ainda, né? Não me incomodava o fato dos caras serem homens. O problema é que... Só pesadão, é isso. Eu era faixa branca, só faixa preta. Pelo menos eles puxavam pra guarda. Cara, eu não lembro direito. Foi muito pouquinho o tempo que eu fiquei. Mas em todo o respeito do mundo, a academia, o Rodrigo, o Cumprido, que foi o meu primeiro...

Porque eu treinava na Nobre Arte, eu descia pra treinar ali. Enfim, mas foi muito legal. Você treina ainda? Treino, mas eu sou uma... Eu sou o contrário. Eu gosto de treinar com o cara pesado. Porque eu falei, eu quero a minha massa, mas ele fica naquela posição. Eu não gosto de treinar com garotada, tudo levinho, pulando pra lá e pra cá. Mas eu fui me encontrar realmente na porta de entrada na academia, lá na Nova União, quando tinha aula das meninas. Não sei, foi uma porta de entrada. Mas eu acho que não dá pra gente...

Seria sua solução? Não tá aí o problema, né? Como você vê soluções pra essa luz que a gente tá dando? Você consegue enxergar assim...

Como própria professora, líder, é muito sensível isso, porque às vezes a criança não percebe, tem a questão da vergonha, tem a questão de não falar com o professor, tem a questão de às vezes, será que botou a mão no meu peito para...

ou não, e aí fica com vergonha de falar. Como que você vê toda essa situação e como você vê talvez o que nós, tanto como imprensa, tanto como professores, tanto como toda a comunidade pode fazer para melhorar essa questão? Primeiramente, foi como você falou, né, Ana? Eu acho que é um problema mundial.

cultural, mundial, e hoje a gente tá vendo o nosso esporte devido porque eu acho que sempre existiu, né? Eu acho que hoje tá mais... Tem mais mídia, tem mais rede social, tem mais... Exatamente. E as mulheres resolveram falar. Eu acho que isso é a coisa mais importante. Porque a gente viu que do caso do Mel, que de três meninas do Fantástico que falaram pra cá, a gente já tá com sete casos. E provavelmente aumentando.

Eu acho que o mais importante é isso, né? E eu acho que, infelizmente, eu acho que às vezes as meninas, a falta de estrutura familiar ou de ter alguém ali por perto que possa contar, que possa te dar aquela força, vamos lá, entendeu? Porque eu acho que o que pode solucionar mais, é claro que dentro das academias de jiu-jitsu, é importante saber, principalmente o professor. O professor é super importante a gente saber quem está dando aula. Eu sou super...

criteriosa. É, exatamente, pra quem que vai dando, principalmente pra criança. Você tem a câmera na sua academia. Eu tenho a câmera na minha academia, mas eu sou super quem é que dá aula e todo mundo que trabalha na minha academia, a gente tem lá o background check, tem que saber o que tá se passando, mas infelizmente a gente não tem como fazer isso com todos os alunos.

todo mundo que entrar na academia, a gente não sabe o que está acontecendo na vida pessoal e o que vai acontecer, quem é quem, exatamente. Então, eu acho que a pessoa, a mulher ou o homem, porque tem muito homem, vocês souberam o caso de Manaus também. Sim, o de Manaus, inclusive, ele foi condenado. Três campeões mundiais. Então, ou o menino ou a menina, eu acho que dá um suporte ali, ter alguém para poderem falar.

na delegacia, eu acho que isso é o mais importante agora, realmente eu não sei a solução, o que a gente pode fazer de concreto eu acho assim, não existe solução infalível não tem assim, pegando criminalidade de uma maneira geral, você pode diminuir minimizar, mas nunca vai acabar completamente

Aí cada país é um país. Eu acho que tem mil maneiras de resolver. Cada academia é uma academia, cada professor é um professor, cada academia tem um controle. No Brasil, principalmente, mas tem um geral. O geral, pra mim, que no Brasil eu entendo que não tem punição.

falando criminalmente. Eu acho que as penas são brandas e aí um cara é condenado, tem progressão de regime, na prática dá uma pena tal, que na verdade vai ser muito menos do que aquilo. Se conhecer alguém então, Luciano, vai ser menos ainda. Se der um dinheirinho, menos ainda. Eu acho que nos Estados Unidos é pior. O cara vai ter uma punição quando se descobre prova. Então eu acho que é um problema já no Brasil de não ter uma punição adequada e a punição que está no papel já não é adequada e ainda é minimizada. Muito obrigada.

Eu acho que é um problema E isso também Inibe as mulheres de falar Porque elas no final das contas Elas vão falar, eu vou, mas vai acontecer Mas vai dar em que? Se tivesse condição, apuração, investigação de verdade Eu acho que isso tem muito mais Nos Estados Unidos que no Brasil

É realidade. Melhoraria. Agora, resolver 100% nenhum crime vai ser resolvido. É aquilo, né? Você acabou de falar isso, que aqui no Brasil é muita impunidade. O problema, eu acho que de todos os crimes, na verdade, o cara assalto, o cara... Impunidade em geral. O cara rouba, vai lá, é solto no mesmo dia e rouba no mesmo dia. E nos Estados Unidos, eu acho que a criminalidade é menos em relação a todos os crimes, porque...

A punição é maior. E aí o que acontece? Eu acho que por ter a punição maior, inibe a pessoa de fazer o crime. Mas eu acho que nesse caso, infelizmente, é doença. É doença. Então como é que a gente vai inibir? Eu acho que nem a impunidade vai inibir essa doença. O caso do Melco, principalmente, sete meninas, meninas de 12 anos... Não vou falar muito não, senão a galera vai sair que eu sou muito radical, mas nesse caso eu sou radical. Não é... Enfim.

É doença, Luciano. É doença. Não tem como. Pode botar punição que for. Vou dar um exemplo. Tem hospital psiquiátrico, tem cadeia normal. Se é doença, e no áudio o cara fala que não se controla, então tá bom se você não se controla, filho. Então vou falar. Você vai ficar aqui no hospital a vida inteira.

se não tem cura se descobrir uma cura química mas se não você vai ficar lá não dá pra conviver porque aí se o cara não tiver trancafiado me desculpa, tem gente que não tem que trancafiado aí quem pune é quem é inocente quem paga e ainda tem outra coisa quem poupa o lobo, sacrifica as ovelhas você tem peninha de pegar o lobo mas se você não pegar, filho ele vai um

Aí vem outro problema. O cara jogou o filho pela janela, vamos supor. Aí o cara é impune, em vez de ficar preso. 30 anos ele impule 10 porque foi constatado que ele tem problema na cabeça. 10, aí tem progressão, o cara fica 3, 2. De repente um cara desse... E mata de novo. Um cara desse que estuprou crianças de 12 anos, nesse caso.

ele vai ser condenado, mas aí o advogado vai lá e fala assim, ah, mas ele é doente. E ele vai fazer de novo. Mas ele é isso, é aquilo. Aí ele, em vez de ficar na cadeia 30 anos, ele vai ficar 10 porque ele é doente. Aí eu vou falar, não, ele vai se tratar, vai ficar bom. E ele vai fazer de novo. Porque até na cabeça dele, ah, não deu grandes problemas pra mim. O cara vai de novo.

Então a gente está com um problema muito grande no nosso esporte, entendeu? Se você me perguntar hoje a solução, eu não sei também, mas eu acho que a fiscalização maior dentro das academias... E a gente está falando, eu acho, também nesse assunto. As regras de conduta generalizadas. Exatamente.

a federação chegar junto também com essas regras de conduta, eu acho que existem... E tem todo... Hoje está surgindo muitas outras meninas, o que eu acho ótimo, acho que todo mundo tem que falar, mas tem outro fato, eu sou dona de academia, eu tenho minha academia, sou super rigorosa, principalmente porque eu sou mulher, entendeu?

com todas essas coisas dentro da academia, entendeu? Mas imagina que eu tenho um aluno, que aí um aluno sai da minha academia, treinou lá na minha academia, não aconteceu nada enquanto ele estava lá, mas aí o aluno sai da academia, continua sendo ex-aluno da minha academia, vamos supor. E aí ele vai lá, bate em uma mulher ou faz alguma coisa, aí vamos falar, ah, o cara treinava lá na Grace Tijuca, por exemplo. Sim, aprendeu lá na Grace Tijuca. Só que qual é a culpa que eu tenho nisso? Como é que o cara treinou lá,

De repente até pegou a faixa preta lá Depois de um ano, não sei Bateu numa mulher E aí a culpa é da academia E do professor da academia Então hoje eu acho que está Todo mundo surfando ali na mesma onda Tem a responsabilidade O cara cometer o crime, bater alguém A responsabilidade individual primária é dele Aí tem a mania na sociedade Não, porque a criação Não sei o que...

Não interessa. Se você não punir, você vai estar sacrificando os inocentes. Agora, se ele for o dono da academia, o head instructor, aí é o problema da academia. Porque o problema da academia é o problema dele. Então, ali não tem errada. Então, eu acho que tem casos e casos, entendeu? E está acontecendo muita coisa, mas eu acho que é ótimo estar acontecendo isso tudo. Que todas as meninas, um apelo para todas as meninas, nós estamos com vocês, todas estamos juntas nessa batalha.

precisar de suporte, a gente vai estar aí com vocês e não vamos nos calar. Não vamos nos calar. Vamos buscar a justiça. Exatamente, que a justiça seja feita. Tem gente que não gosta, mas eu sou a favor. Vamos mudar de assunto. Eu já estou quase chorando aqui de novo. Não quero pedir música no Fantástico. Chorar três meses no terceiro podcast seguido. Vamos terminar em alto astral?

Let, fala então pra gente, quem quiser chegar lá em San Diego, como que faz pra conhecer sua academia? É, a nossa academia é em San Diego, e é um negócio na Califórnia toda. A Califórnia é maravilhosa, é muito legal, então, se estiverem, vocês vão ter várias oportunidades de treinar com mó galera lá na Califórnia, San Diego não é diferente, e a academia tá lá.

todo mundo quiser visitar o nosso trabalho, todo mundo seja bem-vindo. Bom, foi um prazer ter você aqui, Luciana. Foi ótimo. Estamos bem, né, Luciana? Estamos trazendo só os caras do vídeo. Só vem craque pra cá. Só vem craque pra cá, Leti. Muito obrigada. Muito obrigada por me receber. A gente que agradece, parabéns. Obrigada por tudo que você faz pelo esporte. Fecha e faz. E você é uma grande ídola pra gente. Você também, Ana. Obrigada. Da próxima vez eu trago uma empadinha pra ela, hein, gente?

A produção desse programa ficou por conta do Gleidson Venga e da Vitória Lemos. Roteiro da Vitória Lemos e a edição é da Raquel Vieira. Semana que vem tem mais podcast Mundo da Luta. Fique ligado. Finalizado. Semana que vem tem mais Mundo da Luta.