Shot Econômico #534- Carga tributária bateu recorde.
A carga tributária bruta chegou a 32,4% do PIB, o maior nível da série histórica, ou seja, nunca se pagou tanto imposto no Brasil.
Mesmo com esse aumento, a distribuição dessa arrecadação mudou pouco: a receita federal cresceu, enquanto estados perderam espaço e municípios avançaram apenas marginalmente.
Boa parte dessa alta veio do imposto de renda na fonte, impulsionado por uma massa salarial maior e mais gente empregada. Ainda assim, as contas públicas não melhoraram, já que os gastos cresceram mais do que a própria arrecadação.
O resultado é direto: famílias consomem menos, empresas investem menos e a competitividade piora em um país que já tinha uma carga tributária elevada para padrões de economias emergentes. E, apesar disso tudo, a discussão mais óbvia para a próxima eleição, que envolve reduzir impostos e controlar gastos, ainda não ganhou espaço real no debate.
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CRÉDITOS:
Ricardo Amorim
- Carga tributária recordeAumento da carga tributária bruta para 32,4% do PIB · Mudança na distribuição da arrecadação (federal cresceu, estados e municípios perderam) · Crescimento do imposto de renda na fonte impulsionado por massa salarial e emprego · Gastos públicos cresceram mais que a arrecadação · Impacto negativo no consumo e investimento · Comparação com outros países emergentes · Ausência do debate sobre redução de impostos e gastos nas eleições
É um orgulho, é uma honra estar nos recebendo aqui. Ricardo Amorim, um dos economistas mais influentes. Para falar de economia, política, extensa apresentações. Hoje vamos conversar com o Ricardo Amorim, presidente da RICAM. E o primeiro convidado, eu sou o Ricardo Amorim. Um grande prazer estar aqui com vocês.
O Brasil bateu mais um recorde, mas não é daqueles que a gente comemora, muito pelo contrário. Carga tributária bruta brasileira chegou a 32,4% do PIB no ano passado, quase um terço de toda a economia brasileira e o maior nível de toda a série histórica. Em outras palavras, nunca o brasileiro pagou tanto imposto. Para onde foi todo esse dinheiro a mais? Principalmente para o governo federal. Aliás, a arrecadação dos estados até caiu e dos municípios cresceu muito pouco.
Foi a retenção do imposto de renda na fonte que aumentou bastante. Isso foi um resultado direto do crescimento da massa salarial. Mais gente empregada com salários mais altos. Só que com carga tributária recorde, as contas do governo deveriam estar melhores, certo?
Não, infelizmente não foi o que aconteceu, porque os gastos públicos cresceram e cresceram ainda mais do que a própria arrecadação. Para piorar, a carga tributária recorde, reduz a capacidade de consumo das famílias, porque tira dinheiro delas, e de investimento das empresas, pela mesma razão.
E isso tudo em um país que antes desse aumento já tinha uma das cargas tributárias mais altas de todos os países emergentes. Enfim, redução de carga tributária e dos gastos públicos deveriam ser uma das partes mais importantes da pauta da próxima eleição. Mas, pelo menos até agora, isso não entrou com força no discurso dos candidatos. Tomara que isso mude.
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