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Vorcaro apresenta pedido de delação premiada

06 de maio de 202611min
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Apesar disso, integrantes da Procuradoria-Geral da República não têm grandes expectativas a avanços nas investigações.
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Participantes neste episódio3
I

Inácio Pilar

Convidado
R

Rodolfo Borges

Convidado
W

Wilson Lima

Reporter
Assuntos2
  • Rodrigo PachecoProposta de acordo de delação · Investigação do Banco Master · Expectativas da PGR e PF · Nomes de ministros do STF · Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes · Investigação Toffoli · Paulo Gonet · Gilmar Mendes · Ministro Fachin
  • Crise InstitucionalInvestigação de ministros do STF · Estrutura institucional brasileira · Prestação de contas ao Senado · Afastamento de ministros · Operação Lava Jato
Transcrição32 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Aconteceu, você fica sabendo aqui, o Antagonista.

Os advogados do banqueiro Daniel Vorcaro estão concluindo a proposta de acordo de delação premiada que será entregue aos integrantes da Procuradoria-Geral da República ainda nesta semana. Investigadores que estão a par das tratativas afirmam que Vorcaro precisa ajudar, de fato, a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República a avançar em detalhes sobre o esquema do Banco Master.

Apesar disso, poucos integrantes dos dois órgãos acreditam que, de fato, o banqueiro deve avançar em relação ao farto material que já foi colhido pelos agentes federais.

Wilson Lima, você que está aí em Brasília, que tem bons contatos, o que é que se espera dessa delação de Daniel Vorcaro, justamente tendo como pano de fundo a fartura de elementos que a Polícia Federal e a Procuradoria já tem? Ele tem algo muito comprometedor que vale a pena eles considerarem a adoção da delação premiada?

Vinácio, a defesa diz que ele tem. Agora, se a Procuradoria Geral da República vai acreditar que ele tem, aí, meu amigo, são outros 500. Porque é o seguinte, vamos lá, vamos entender como é que ocorre esse processo de negociação de uma delação premiada. O advogado vai lá e entrega para o órgão de investigação uma proposta. Olha, eu quero entregar fulano, cicrano, beltrano e etc. Eu tenho o anexo ABCD, eu tenho o documento XYZ e tenho ligações...

J.K.L. E aí, o proponente de uma delação premiada entrega esse material para a Procuradoria Geral da República, para a Polícia Federal, que faz a checagem. Olha, ok, isso aqui eu quero, isso aqui eu não quero, esse anexo é interessante, outro anexo é interessante, isso aqui para mim vale, isso aqui não vale. É assim que funciona. E aí, Inácio, o fato do Daniel Vorcaro ter demorado tanto,

para apresentar sua proposta, ele deve apresentar isso até sexta-feira, o fato de ele demorar tanto a apresentar essa proposta é um indicativo de que ele não tem tanta coisa assim para entregar. Isso é um problema para o governo.

porque ele se acorre a manter parte do dinheiro que ele obteve com as transações do Banco Master. Já vai ser algo difícil de ele conseguir. Segundo, os nomes que se fala que ele poderia eventualmente entregar, nesse momento, não são nomes tão contundentes. Isso também não pode não despertar tanto interesse da Procuradoria-Geral da República.

Aí eu estou falando, ah, e vários desses nomes apareceram ali em mensagens, em conversas, em discussões.

E aí é que a grande questão, para que ele possa entregar a alguém, a própria lei que regulamentou a delação premiada, ela é muito clara, quando ela fala o seguinte, olha, você precisa entregar alguém que está no teu nível superior, teu nível hierárquico superior. O que não é o caso, porque o Daniel Vorcaro é visto pela Polícia Federal e pela PGR como líder de uma organização.

Então o máximo que ele consegue entregar ali em algum ponto é como é que essa engrenagem funcionava aqui em Brasília, quais personagens ele de fato mantinha contato, como é que ele conseguia transitar bem entre alguns personagens. E esse é o grande problema e o grande embrólio envolvendo a delação premiada do Daniel Vorcaro.

porque a Polícia Federal já tem muito elemento sobre essas engrenagens montadas pelo Daniel Vorcaro. E assim, hoje pela manhã eu conversei com dois investigadores e eles me falavam, Wilson, eu não sei o que ele vai poder entregar além disso, porque nós temos aqui muitas informações.

sobre esse caso. Então, me parece que o que o Vorcaro tende a entregar agora é muito a confirmação daquilo que a PF já tem. E aí, amigo, confirmação por confirmação, para dar um belo de benefício para o Vorcaro, aí eu acho muito pouco provável que a PGR de fato endosse uma delação. Vai ser uma surpresa, tá? Vai ser uma surpresa se a PGR de fato

acatar uma delação. E aí, se a PGR acatar, pode ser que, de fato, ele entregue alguém grande. Pergunta, Inácio, que sempre se faz, que as pessoas fazem aqui em Brasília. E aí, Wilson, vai ter ministro do Supremo na delação? Vai ter Alexandre de Moraes? Vai ter Diastófoli na delação?

O que se fala é que neste momento, não. Neste momento, estou falando de quarta-feira, 6 de maio de 2026. Neste momento, não. Por quê? Porque eles não são alvo de investigação. Então, para a PGR, não faz muito sentido você entrar nessa...

nessa minúcia dessa investigação, desse imbróglio todo envolvendo o Daniel Vorcaro. Ele pode até vir a oferecer, tá? Tem ali, tem pessoas próximas do Vorcaro que defendem que ele abra o bico em relação ao Supremo.

Mas também tem uma ala que fala o seguinte, olha, é melhor não meter o bedelho início, deixar quieto, não vai passar mesmo pela PGR. Há uma situação até que pode causar um constrangedimento para o Paulo Gonê, de homologar uma delação que envolva a Alexandre de Moraes, que também envolva o ministro de Astófoli. Então, Inácio...

Esse que é o grande problema envolvendo o Vorcara. Ele até tem muitos nomes para entregar, o problema é que parte deles ele não pode citar, porque nesse ponto a PS não deve investigar muito nessa seara da investigação.

Rodolfo Borges aí que está exatamente o ponto nevrálgico da situação. Essa demora, como diz aí o Wilson do Vorcaro, em vir com essa proposta de delação, seria justamente a hesitação, tipo, até que ponto eu devo entregar nomes que, já como disse ele também...

não estão no alvo da Polícia Federal ou não são interessantes de alguma forma, mas ele teria coisas para falar dessas pessoas? Ou é porque, como a gente já falou também, a Polícia Federal já tem tudo, inclusive sobre esses possíveis nomes de ministros do Supremo nos celulares dele?

Eu acho que tem duas coisas aí, o potencial benefício que o Vorcaro pode vir a receber por conta do que ele disser nessa delação, mas para além do que diz respeito especificamente ao que o Vorcaro pode ganhar, é o que pode ser descoberto a partir do que ele tem a dizer.

Porque pode ser de fato, como o Wilson disse aí, que ele não tem por que formalmente, na formulação dessa delação, envolver os ministros do STF. Agora, eu acredito que ele tem sim o que dizer sobre os ministros do STF, porque os elementos que estão aí na mesa levam a crer isso. O ministro Alexandre de Moraes negou que tenha trocado mensagens convocadas no dia da sua primeira prisão preventiva.

Se o Vorcaro confirmar que trocou mensagem, já é uma coisa, é um elemento muito importante, que pode ser que não tenha valor nessa delação especificamente, mas tem valor para a investigação. Agora, o problema dessa investigação especificamente, que envolve suspeitas em relação a ministro do STF, e o Wilson destacou bem aí, que eles não são formalmente investigados até onde a gente sabe.

O problema é que a estrutura institucional brasileira não foi feita, aparentemente, prevendo que isso pudesse vir a ocorrer. Porque os ministros do STF, eles só prestam contas ao Senado e, quando a questão, se é que ela vai vir a se formalizar em investigação sobre o ministro supremo, não me parece que exista uma forma de lidar com isso.

Porque quem é que vai julgar essa questão? O ministro do STF, se ele passar a ser, por exemplo, investigado formalmente, ele tem que ser afastado ou ele próprio vai ter que se afastar porque ele tem essa prerrogativa? O Procurador-Geral da República, idealmente, ele não teria nenhuma ligação também com o STF, mas esse especificamente tem uma ligação histórica com o decano.

do tribunal e, aliás, chegou a PGR com o auxílio desse decano. O Paulo Gonet era sócio do Gilmar Mendes. Então, essa relação muito próxima é de se levantar, de fato, suspeita de como é que todos os envolvidos vão reagir a isso. O que a gente tem de mais recente sobre essa questão é que a Polícia Federal, da informação que se tem...

informou ao ministro Fachin, presidente do STF, que o Dias Toffoli apareceu de alguma forma na investigação. O que o STF fez? Soltou uma nota em defesa do Dias Toffoli, dizendo que ele não tinha motivo para se afastar da relatoria do caso Master, e mesmo assim o Toffoli se afastou.

E depois, dias depois, semanas depois, só ele foi dizer ou admitir que era suspeito para participar dos julgamentos referentes a esse caso. Então, tem esse problema específico do vorcário e aí se ele vai conseguir convencer as autoridades brasileiras que ele merece algum benefício nesse contexto da delação.

Mas tem um problema o Brasil, tem um problema a instituição, o Supremo Tribunal Federal, a República Brasileira. De como é que se tiver de fato um ministro do STF envolvido num caso de corrupção, num escândalo de corrupção, como é que se processa esse ministro? Vai se criar a partir de agora, se é que isso venha a ocorrer de fato formalmente, uma forma de lidar com o assunto. Pode não ser a melhor forma. Até agora parece que não foi a melhor forma, porque os ministros envolvidos...

só foram defendidos pelos seus pares e qualquer suspeita, desde 2019, para marcar um período específico que surge em relação a qualquer ministro do STF, é encarada como uma suspeita em relação ao STF, mais do que uma suspeita, como um desafio, como um ataque ao STF.

Então, chegou uma hora aí, acho que a questão do Messias indicou um pouco também um caminho para isso, para diferenciar ministros do STF do STF. E se o ministro do STF tiver feito alguma coisa errada, ele vai ter que ser punido de alguma forma, ou afastado, para preservar o STF.

sem que uma coisa esteja misturada com a outra. Pode ser, sim, um momento em que a República Brasileira vai avançar. Agora, quando nós chegamos perto disso, na Operação Lava Jato, não ocorreu. Então, é se desconfiar que, muito provavelmente, nesse caso também não vai ocorrer. Você acaba de ouvir um podcast, o Antagonista. Sempre explicando o que você precisa saber.

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