A politização dos tribunais | Meio-Dia em Brasília - 05/05/2026
O jornal também aborda o lançamento do programa Desenrola, do governo federal, e fala sobre a nova mascote da Justiça Eleitoral: o “Pilili”.
Você já leu uma notícia hoje e sentiu que já viveu esse momento antes?
Essa sensação de déjà Vu não é coincidência. No Brasil, o que é manchete hoje costuma ser o eco de decisões e fatos que analisamos meses, ou até anos atrás.
Para celebrar os 8 anos da Crusoé, decidimos enfrentar esse ciclo. Pegamos o que nasceu no digital e, pela primeira vez, transformamos em um registro físico, tátil e permanente.
Chegou a edição especial Crusoé impressa.
É um item colecionável, atemporal e limitado. Uma revista feita para quem gosta de ler com calma, longe das notificações do celular. Um exemplar para guardar sobre o que realmente importa na história recente do brasil.
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Meio-Dia em Brasília traz as principais notícias e análises da política nacional direto
de Brasília.
Com apresentação de José Inácio Pilar e Wilson Lima, o programa aborda os temas mais quentes do cenário político e econômico do Brasil.
Com um olhar atento sobre política, notícias e economia, mantém o público bem informado.
Transmissão ao vivo de segunda a sexta-feira às 12h no nosso canal do Youtube.
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José Inácio Pilar
Wilson Lima
Ricardo Kertzmann
Rodolfo Borges
- Exploração Laboral e JustiçaMinistro Vieira de Mello e juízes vermelhos · Ministro Ives Gandra e a realidade da divisão · Reforma Trabalhista de Michel Temer · Ativismo judicial vs. legalismo · Trabalhadores de aplicativo
- Relação com o STFIndicação de Jorge Messias · Atuação de Flávio Dino e Alexandre de Moraes · Declarações de Lula sobre ministros políticos · Veto do Senado a indicações · Banco Master
- Desenrola Brasil 2Renegociação de dívidas · Público-alvo: até 5 salários mínimos · Crédito pessoal, cheque especial e cartão de crédito · Educação financeira · Financiamento estudantil
- EleiçõesCiro Gomes empatado com Lula · Flávio Bolsonaro empatado com Lula · Ronaldo Caiado empatado com Lula · Romeu Zema empatado com Lula · Anti-Lulopetismo
- Mascote da Justiça EleitoralPilili, o mascote · Credibilidade das urnas eletrônicas · Comparecimento nas votações · Turma da Mônica
- Crusoé Edição Impressa8 anos da Crusoé · Combo de 2 anos O Antagonista e Crusoé · Cupom 8ANOSCRUSOE
O Antagonista, o resumo do meio do dia para você ficar por dentro de tudo o que acontece no país. Olá, boa tarde, sejam todos muito bem-vindos ao Meio Dia em Brasília, um programa do portal O Antagonista exibido também na TV BMC. Hoje é terça-feira, 5 de maio. Eu sou José Inácio Pilar e estes são os nossos destaques.
Sessão do TST vira embate entre Juízes Vermelhos e Azuis. Real Time Big Data indica que até Ciro Gomes empata com Lula no segundo turno. Lula lança Desenrola 2 para tentar recuperar popularidade. E o TSE lança o seu novo mascote. Esse é o Meio Dia em Brasília, ao vivo. O resumo do meio do dia para você ficar por dentro de tudo o que acontece no país.
E vamos começar o programa falando sobre o Supremo Tribunal Federal. A atuação dos ministros do STF, Flávio Dino e Alexandre de Moraes, foi considerada como determinante para a rejeição de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal.
A situação é tão constrangedora que os próprios ministros, no caso o Moraes, teria buscado interlocutores de Lula para dizer que não trabalhou para derrotar Messias, segundo informações da Folha de São Paulo. O irônico é que o próprio Lula defendeu, durante a indicação de Flávio Dino, que integrantes do STF tivessem uma atuação mais política. Vamos ver.
Eu também sempre sonhei que a gente deveria ter na Suprema Corte um ministro com a cabeça política, que tivesse vivenciado a política. Não que o que está lá não tenha, mas ninguém que está lá...
Tem a experiência política que tem o Frazudino, a experiência de deputado, a experiência de perder a eleição, a experiência de ganhar a eleição, a experiência de depois, sabe, ser deputado federal, depois ser eleito governador duas vezes senador. Essa é uma experiência que nós não temos nenhuma prática.
Com isso, já dou boa tarde a Wilson Lima, a Rodolfo Borges e Ricardo Kertzmann. Todos vocês, muito boa tarde. Wilson Lima, o feitiço virou contra o feiticeiro?
Boa tarde para você, Inácio. Boa tarde para o Ricardo. Boa tarde para o Rodolfo. Mas, principalmente, boa tarde para você, meu amigo e minha amiga de O Antagonista. Dizem por aí, Inácio, que energias você atrai, né? Se você pensa que vai ficar rico um dia, se você persevera nesse pensamento, um dia a fortuna chega.
No caso Lula, ele tanto perseguiu esse objetivo de ter um ministro político no Supremo Tribunal Federal, que ele não tem mais um, ele tem vários ministros políticos. E isso, de fato, se voltou contra ele na edicação, na tramitação do processo de análise do nome de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal. É irônico, Inácio, é irônico.
Isso irá ser visto como um alerta, não só para o Lula, como para outros integrantes do Palácio do Planalto que têm essa mesma cabeça, de que justiça e política devam se fundir, devam ser parceiros, porque você tem que separar muito bem isso.
Você precisa separar a igreja de Estado. E para mim você precisa separar a justiça da política. Quando um ministro exerce o seu poder de forma política, você não faz mais justiça, você faz outra coisa, você faz política.
Então, o integrante de poder judiciário tem que se ater aos autos, tem que se ater ao processo, tem que se ater à justiça. Não cabe ministro de Supremo Tribunal Federal ficar ali nos bastidores tramando contra A, contra B, contra C. Isso não é postura de ministro de Supremo Tribunal Federal. E foi legal, Inácio, você resgatar essa fala do Lula, porque isso mostra justamente o remédio amargo.
mostra de forma cristalina que o feitiço se virou contra o feiticeiro. O Lula queria um ministro político, tem Flávio Dino, agora tem Alexandre de Moraes, tem Gilmar Mendes, tem um monte de ministro político. E agora, com a rejeição do Jorge Messias, ele entendeu, ou pelo menos espera-se, que ele tenha entendido o recado, do mal, do que pode ser maléfico para a democracia você ter um juiz com cabeça de político.
Ricardo Kertzmann. Boa tarde, Inácio. Boa tarde, Wilson, Rodolfo, amigos antagonistas. A fala do Lula, essa fala resgatada do Lula, nada mais é do que o histórico do próprio presidente Lula em pessoa, que sempre levou para o lado político absolutamente tudo em que ele faz na vida. O grande ponto e o grande problema que nasce é esse que o Wilson falou. Você não pode jamais misturar política com justiça.
Por isso que a gente tem a famosa tripartição dos poderes. Você tem o executivo, você tem o legislativo, o judiciário, que deveriam ser poderes harmônicos e independentes. Você não pode se miscluir nem o judiciário no legislativo, que vem ocorrendo com uma frequência para lá de indesejada, e muito menos o executivo infiltrar, eu acho que esse termo é correto, infiltrar no judiciário, na mais alta corte de justiça, um político.
Porque aí você perde a essência dessa tripartição de poderes.
Quando o Lula, já desde a sua primeira indicação, e estamos falando de décadas atrás, essa indicação do Dias Toffoli, pelas ligações do Toffoli com o PT, desde aquela época, isso acabou se tornando uma espécie de modus operandi, não só do PT, não só do presidente Lula. A gente lembra quando o presidente Bolsonaro foi indicar o André Mendonça, a principal qualidade para o André Mendonça ser indicado pelo Bolsonaro era ser terrivelmente evangélico.
E aí não só misturou política com justiça que não deveria, como trouxe para dentro também a questão da religião.
Essas escolhas deveriam obedecer critérios estritamente técnicos, critérios que levassem em conta o tempo de carreira desses candidatos, desses possíveis ministros, levassem o saber, o tal do notório saber jurídico, mas não esse notório saber jurídico que se fala de forma até leviana, eu diria, mas que tivesse registro desse notório saber jurídico.
através de aulas, através de documentos, através de livros. A pessoa é verdadeiramente, ela deveria ter um currículo para poder chegar no Supremo. Infelizmente não é o que veio ocorrendo e o ápice dessa tentativa de misturar mais uma vez política com o Judiciário e com o Supremo acabou dessa vez dando errado para o presidente Lula. Acabou se revertendo num dos maiores, se não o maior vexame político do presidente em toda a sua história. Rodolfo?
Boa tarde a todos. É isso, acho que o Ricardo tocou nesse ponto. Mais do que os próprios ministros do STF atuando politicamente, e aí, no caso, numa articulação política, porque tem a atuação política que poderia ser no julgamento, numa questão, ou na forma de segurar, ou de pedir um eliminar, ou pedir o pedido de vista, e segurar ele por muito tempo, isso aí já estava estabelecido. Agora tem uma nova articulação política sobre quem...
deverá compor o STF, um avanço nessa vulgarização do Supremo Tribunal Federal. Mas tem também a forma como o Lula indicou o Messias e a forma como o Senado reagiu a essa indicação. Então, de fato, tem ali o Toffoli no meio desse caminho.
Houve algumas indicações que não foram tão... Rosa Weber, por exemplo, não era uma indicação tão política, não tinha vida partidária, como por exemplo o Flávio Dino, que realmente foi esse momento, em que me parece, junto com a indicação do André Mendonça, primeiro pelo Bolsonaro.
na qual o Bolsonaro fez essa indicação publicamente com um sentido político. Ele politizou essa questão e já ali teve uma reação também no Congresso, porque o Alcolumbre era o presidente da CCJ e segurou por três meses a sabatina.
O Lula aumenta essa carga política quando ele indica o Flávio Dino, mais até do que o Cristiano Zanin, porque ali era uma coisa mais pessoal, mas quando ele indica o Flávio Dino, destacando essa vivência política do Dino, realmente extrapolou totalmente, porque o Dino passou por todas as esferas.
do poder no Brasil. E até hoje, desde que o Dino entrou no STF, a gente vem destacando aqui no Antagonista que ele despacha sobre processos que têm a ver com o PCdoB, do qual ele foi, que têm a ver com o Maranhão, que ele governou, que têm a ver com o PSB, que era o partido dele último antes de entrar no STF.
que ele se reúne, por exemplo, no final do ano com o governador do Piauí e despacha num processo que beneficia o governo do Piauí. Então, no caso do Flávio Dino, é uma coisa absurda. É diferente de qualquer outra referência de ministro que passou pelo STF. E olha que já tem lá o Gilmar Mendes há duas décadas com essa atuação política muito intensa. E aí, quando vem agora o...
O Messias, o Senado atua como se tivesse a prerrogativa também de agir politicamente, não só ao dispensar o Messias, mas como o motivo interno alegado ali é de que eles queriam outro. Era a vez do Senado conseguir um ministro do STF.
Esse é o contexto no qual ocorreu a rejeição do Messias. É óbvio que é muito mais complexo do que isso, tinha a oposição atuando, tinha também esses ministros do STF atuando no contexto de tentar se proteger de alguma forma do escândalo do Banco Master. Agora, a questão é essa, tem muito mais coisas envolvidas do que a única coisa que deveria estar envolvida na seleção de um ministro do STF, que é o que está escrito lá...
na Constituição, notório o saber jurídico, mas também a reputação dessa pessoa. Alguém que chegasse ao STF hoje com moral o bastante para atuar como ministro do STF, isso seria o mais importante do que qualquer outra coisa.
do que se o Lula vai ser processado em algum momento, do que se o Alexandre de Moraes vai conseguir ou não se proteger das suspeitas que ele próprio alimentou com a sua conduta no Supremo Tribunal Federal, se o Toffoli vai ter algum problema. O principal tem que ser o Supremo Tribunal Federal.
por consequência, a República Brasileira. Agora, realmente, está totalmente esculhambado isso aí, e agora a gente tem que ver como é que o próximo presidente, se é que vai ser assim, como a Columbre definiu, vai indicar para o STF, porque o mínimo que a gente pode fazer aqui é torcer para que a próxima indicação para o STF tenha o mínimo de política envolvida, que seja algum jurista, que seja um desembargador, que seja um procurador, ou alguém que tenha uma reputação alibada no mínimo.
para que esse processo de saneamento do STF possa, enfim, começar. Wilson, aproveitando o gancho aqui do Rodolfo, depois desse veto histórico, mais do que centenário, 132 anos da última vez que o Senado vetou uma indicação ao Supremo, existe expectativa de que esse recado tenha chegado aos presidenciáveis de 2026? Seja ele o próprio Lula, seja Flávio Bolsonaro.
seja, enfim, Caiado, Zema, todos eles entenderam o recado ou eles vão falar, não, não, não, vamos colocar do jeito que está, vamos continuar com as indicações políticas, o recado não foi suficiente? Se é que foi um recado, né?
Só que o seguinte, precisa entender que existem dois tipos de recado. Isso não significa necessariamente que o próximo presidente da República vá deixar de fazer uma indicação política no Senado. O que, e isso está muito claro para essa turma, é que a próxima indicação deverá ter anuência do Senado, se ela tiver que passar.
Então não adianta mais, ah, eu vou colocar qualquer nome aqui e o Senado que engula. Não, isso não acontece mais. Então, detalhe, isso pode vir até a acontecer, mas o próximo presidente da República vai ter que ter uma boa base, tanto na Câmara quanto no Senado.
Então, o que aconteceu na rejeição do nome do Jorge Messias foi um recado claro dessa reformatação de forças na República. O próximo presidente agora tem uma noção exata de que não adianta só ter uma pequena maioria, ele vai ter que ter uma maioria plena se ele quiser de fato fazer todas as suas vontades.
E aí a gente tem que ter uma visão, Inácio, porque o presidencialismo de coalizão, aquele clássico que o Lula imaginava que ainda tinha na mão, em que eu vou colocar, eu posso não ter a maioria, mas eu vou conseguir fazer, impor a minha força por meio de emendas ou de cargos, esse presidencialismo de coalizão existe, mas ele tem as suas falhas. E isso ficou muito claro na semana passada.
Rapidamente, Ricardo, você acha que o recado dado pelo Senado é não queremos mais indicações de pessoas amigas do presidente ou a indicação que a gente quer agora são os nossos amigos?
Eu acho que essa segunda alternativa, essa segunda hipótese, Inácio, tem menos a ver com a indicação do presidente e mais a ver com a rejeição, nesse caso, do Messias junto aos senadores. Poderia ter sido uma indicação do presidente, por exemplo, aqui, o próprio senador Rodrigo Pacheco, que o nome dele era ventilado atrás, seria um nome indicado pelo Lula, por confiança do Lula, e que seguramente contaria com a boa vontade.
ou com a quiescência do Senado Federal, porque o Davi Alcolumbre, que é quem articulou todo esse processo, tem uma relação muito próxima com o Rodrigo Pacheco e muito provavelmente o nome dele seria aprovado, ou seja, tem mais a ver com a segunda alternativa do que com a primeira.
E agora, antes de mudar de assunto, vamos lembrar aqui a nossa enquete de hoje, que é um assunto que a gente vai falar daqui a pouquinho. A justiça do trabalho brasileira é de que cor? Ela é vermelha? Ela é azul? Ela é cor de rosa ou ela é verde e amarela? Como assim? Do que você está falando, Inácio?
É o que nós vamos falar agora, logo depois de você já deixar sua curtida, o seu like, clicar no joinha para o nosso canal continuar crescendo no YouTube e também de se inscrever no canal, que é onde você vai ter acesso ao nosso chat.
E lembrando que estamos falando do YouTube de O Antagonista. E agora vamos falar justamente sobre esse assunto da nossa enquete, o Tribunal Superior do Trabalho. Um embate entre o presidente do TST, ministro Vieira de Mello Filho, e o ministro Ives Gandra Filho, marcou a sessão desta segunda-feira, após viralizar nas redes sociais um trecho da fala do presidente da corte sobre juízes vermelhos e azuis.
A divisão indicaria os ministros que são menos ou mais ativistas a favor dos trabalhadores. Vamos acompanhar primeiro o trecho que viralizou do discurso de Vieira de Mello no Congresso Nacional das Magistradas e Magistrados da Justiça do Trabalho. Quis o destino que nesse momento eu estivesse à frente do tribunal. Eu quero agradecer um grupo de colegas do tribunal que tenha consciência e eu quero agradecer um grupo de colegas do tribunal.
daquilo que nós precisamos fazer lá e daquilo que nós enfrentamos.
Mas eu quero dizer para os senhores, porque isso tem sido dito, e fica muito claro, não tem juiz azul nem vermelho. Eu sou do tempo em que todos nós, com os nossos diferentes pensamentos, trabalhamos pela defesa, o fortalecimento e o crescimento da justiça do trabalho. E eu tenho trabalhado nesse sentido, porque eu venho dessa geração que trabalhou pelo fortalecimento e crescimento. E eu diria que não tem azul ou vermelho, tem quem tem interesse e tem quem tem causa.
Nós, vermelhos, temos causa. Não temos interesse. E que fique bem claro isso, para quem fica divulgando isso aqui no país. Nós temos uma causa.
E eles que se incomodem com a nossa causa. Porque nós vamos estar lá lutando o tempo todo na defesa da nossa instituição, porque as pessoas vulneráveis desse país precisam de nós. E a Constituição nos dá o poder para isso. Então, não tenho preocupação com os azuis, mas com os vermelhos. Muito obrigado a todos. Na sessão de segunda-feira do TST, Vieira de Mello explicou a declaração. Aqui cabe como registro geral isso.
uma manifestação pública de recente manifestação que foi recortada na internet e transmitida sem que houvesse uma integralidade do contexto pelo qual se falava. Há pouco, conversei com o ministro Ives Gandra que isso começa num evento que foi formulado que foi influenciada no portal. Sobrouço a previsão que foi influenciada no portal. Sobrouço a previsão que foi influenciada no portal. Sobrouço a previsão que foi influenciada no portal. Sobrouço a previsão que foi influenciada no portal.
para ensinar a advogar no Tribunal Superior do Trabalho. Esse evento teve como escopo a participação de colegas para ensinar a advogar no Tribunal. Quando eu tomei ciência das mensagens que recebi, eu procurei o coordenador desse curso, ministro Guilherme Augusto Caputo Bastos, em meu gabinete, e disse a ele
que não deveríamos nos imiscuir nesse tipo de concílio. Curso Prático para Atuação no Tribunal Superior do Trabalho, na corte na qual nós militamos. E recebi também post de slides onde constava expressamente...
Ministros e ministras azuis e vermelhos, mais liberais ou mais intervencionistas, mais legalistas ou mais ativistas, mais patronais ou mais protecionistas, como se não tivesse sido extinta a representação classista. Turmas azuis e turmas vermelhas, propícias às empresas ou mais propícias aos empregados. A minha manifestação no evento público foi no sentido de dizer que eu sou um defensor desta justiça.
Essa justiça foi construída num país desigual por força de uma luta social na defesa e na tutela e na proteção de trabalhadores brasileiros, que conquistaram com muita luta os seus direitos. E eu quis dizer que, batizado que fui pela cor que me deram, eu queria deixar claro qual era a minha causa. A minha causa é a defesa dessa instituição. É uma história de família, é uma história de vida.
Eu não participo de nenhum evento pago. E essa é a minha história de vida. E ali naquele momento eu estava dizendo para os juízes brasileiros que nós precisamos defender a nossa justiça, que está ameaçada. Depois de se explicar, o presidente do TST concedeu a palavra para Ives Gandra Filho se explicar. Ministro, presidente.
conversou comigo antes da sessão, que ele desejaria fazer essa manifestação agora em público, sobre esse episódio da fala dele num congresso, a minha fala num curso. E também, Sr. Presidente, com muito respeito à Vossa Excelência, também sou muito transparente.
Todos me conhecem, sabem dos valores que eu defendo, dos ideais que eu procuro viver. E faço todas as noites exame de consciência do que eu fiz certo, do que eu fiz errado, do que eu podia fazer melhor.
Faço autocrítica, tanto que quando, depois da primeira aula que dei nesse curso, disseram, puxa, mas essa expressão, dividir colegas em cores, bom, se isso aí é ofensivo, deixo de fazer. Mas a realidade não pode ser escondida.
E qual é a realidade? Que há divisão interna dentro do tribunal do ponto de vista de ver o direito do trabalho de uma forma ou de outra. E exatamente como eu procurei colocar no curso. Há ministros que têm uma visão mais liberal, há ministros que têm uma visão mais intervencionista.
Há ministros que são mais legalistas, há ministros que são mais ativistas. Há ministros que são mais protecionistas e outros menos protecionistas.
Isso aí é uma realidade que nós vemos aqui diuturnamente no tribunal. Há turmas que são mais liberais, há turmas que são mais intervencionistas, ou mais protecionistas, ou mais ativistas, ou mais legalistas. Então, essa realidade não é possível esconder. Rodolfo Borges, quem está com a razão?
Olha, cada um tem um pouquinho de razão aí. Esse debate seguiu na sessão de ontem. Quem quiser, inclusive, achar o link no YouTube, tem um texto lá. Eu publiquei uma análise sobre tudo isso aí no Antagonista. A causa dos juízes vermelhos do trabalho.
também o contexto todo em que o Vieira de Mello falou ali no Congresso dos Juízes do Trabalho na sexta-feira, era o dia do trabalho, era o dia do trabalhador, 1º de maio, tem esse contexto aí, mas o contexto mais amplo é de que desde a reforma trabalhista do governo Michel Temer, a Justiça do Trabalho se enfraqueceu demais.
E aí eu digo que cada um tem um pouquinho de razão nessa história porque, de fato, a defesa que o presidente do TST faz da Justiça do Trabalho, ela se coaduna com a Constituição de 88, de fato. Essa perspectiva de justiça social está ali, o que não quer dizer exatamente que deveria estar ali, porque a Constituição de 88 tentou resolver várias questões históricas do Brasil.
por meio da Constituição e deixou ali regras muito específicas, muitas delas que já foram até ultrapassadas pelo tempo. Então, o ministro Vera de Mello se abraça com essa perspectiva da justiça social.
da Constituição de 88, mas a questão é que o mercado de trabalho de fato mudou, como aliás argumenta o ministro Ives Gandra, e nesse curso trata exatamente sobre isso, porque me parece que o grande equívoco do presidente do TST...
é tratar o Tribunal do Trabalho sob a perspectiva apenas de que ele é a solução dos problemas. Sendo que a CLT e as regras trabalhistas muito rígidas do Brasil, elas empurraram boa parte da população brasileira para fora dessa proteção que ela promete. E depois, principalmente da reforma trabalhista do Temer, o STF passou a decidir...
de forma contraditória em relação ao TST. Inclusive foi motivo já de bronca pública do ministro Alexandre de Moraes para os ministros, para os juízes do trabalho no Brasil. Porque, por exemplo, na questão dos trabalhadores de aplicativo, o STF passou a decidir dizendo que os trabalhadores de aplicativo não podem ser considerados funcionários das plataformas de aplicativo. E aí os ministros do trabalho seguiram dando decisões no sentido contrário.
Até o ponto lá em 2023, o Alexandre de Moraes fazia uma manifestação pública. Deu uma bronca nos juízes do trabalho por causa disso. Então, de fato, é uma justiça que se enfraqueceu muito, porque ela foi ficando velha. E o que o presidente do TST fez ali na sexta-feira e voltou a repetir na sessão de julgamento de segunda-feira, de ontem,
uma tentativa de sobrevivência mesmo da Justiça do Trabalho. Ele argumentou ali várias vezes, mesmo na sexta-feira e na segunda, de que não estava fazendo uma defesa corporativista, mas no final das contas é uma defesa corporativista. E o que o Ives Granda argumenta, inclusive ele menciona aí nessa sessão de ontem.
que ele esteve recentemente na Coreia do Sul, a convite lá da Suprema Corte da Coreia do Sul, onde eles estão pensando em criar uma justiça do trabalho, e ele fez um alerta, olha, pelo histórico da experiência no Brasil, tem que ser uma justiça que ela atue onde tem conflito. Onde não tem conflito, onde o empregador e o empregado se entendem, e esse é o espírito da reforma trabalhista lá do Michel Temer, a justiça do trabalho não tem que entrar, porque se ela entrar ela vai atrapalhar.
Tudo isso, no final das contas, expõe um conflito existencial da justiça do trabalho e é muito interessante, desse ponto de vista formal e institucional, ver o que vai acontecer de fato com a justiça do trabalho. Porque o STF, ele meio que tomou, ele se engrandeceu tanto aí, né? Aumentou tanto a sua relevância nos últimos tempos que ele passou, inclusive...
a invadir até a justiça eleitoral também. Então tem um monte de tribunal em Brasília que eles acabaram, talvez eles nunca tenham tido de fato motivo para existir, mas o fato é que o STF grandioso da forma como está hoje, ele está passando por cima de todos os outros tribunais. E aí é de se perguntar mesmo se esses tribunais se justificam, porque são muito caros, tem ali muita gente trabalhando, vários ministros ganhando muito bem, aliás, o ministro Vieira de Mello.
chegou a dizer ontem que nem precisaria receber para fazer o trabalho que ele faz, mas já está circulando aí o quanto que ele recebeu no mês passado, por exemplo, 144 mil reais. É muito dinheiro. Se justifica essa justiça hoje diante do que ela tem a oferecer, principalmente diante do fato de que o STF tem decidido de forma contrária a ela, fica esse questionamento existencial aí.
Inácio, eu vou resumir meu comentário em uma expressão popular, dizem por aí que em boca fechada não entra mosca. Eu acho que esse caso, se você for colocar os dois, o presidente de TST e o Ives Grandra, nos dois casos esse ditado se aplica, porque...
É muito complicado, né? Por mais que o Ives Gandra defenda, ah, apenas eu fiz uma exposição de uma realidade, ok, tudo bem, mas um magistrado prestar um curso sobre como atuam os ministros de determinada corte, não me parece...
é a postura mais inteligente, para dizer o mínimo. E também o outro, falar não, porque eu sou defensor do tribunal, é o tribunal da democracia, eu tenho posicionamento XYZ, também não me parece muito inteligente, porque ele deixa claro que a justiça, na visão dele, é parcial. E a justiça não pode ser parcial, tem que ser imparcial. É um cuidado que a gente toma.
Nós, como jornalistas, nós temos esse cuidado aqui o dia inteiro, Inácio. O dia inteiro. Eu vou contar só uma história pessoal, rapidamente. Durante as minhas férias, várias pessoas me perguntaram, Wilson, mas você é Bolsonaro ou sou Lula? Eu não sou ninguém.
Porque no momento em que eu caminho para um lado, isso compromete a minha capacidade de julgamento até a minha capacidade de análise. Você tem que enxergar o teu objeto de estudo como distância. Eu sempre falo que quando você trata de ciências humanas, você tem que ser cientista social, você tem que se distanciar do seu objeto. Infelizmente, o que a gente vê na justiça, tanto na justiça do trabalho quanto na justiça comum, é uma aproximação cada vez maior dos juízes com as suas causas, do observador com o seu objeto.
Ricardo Kertzmann. Sabe aquela expressão popular, Inácio, que diz o seguinte, casa onde falta o pão, todo mundo grita e ninguém tem razão? Parece um pouquinho disso, só que se tem uma coisa que não está faltando na justiça do trabalho é o tal do pão, tá? Muito pelo contrário, é uma das justiças, se não a justiça do trabalho, que não é algo tão frequente assim em outros países, mas a mais cara do mundo.
o custo da Justiça do Trabalho anual é muito superior ao dinheiro que é devolvido pelas empresas em ações judiciais contra os trabalhadores. Ou seja, os trabalhadores recebem menos dinheiro em indenizações trabalhistas do que o custeio da Justiça do Trabalho. Quando você mistura, a gente comentou no tópico passado, a respeito da mistura indevida entre justiça e política, ideologia e justiça é pior ainda.
E é o que a gente ouviu nessa discussão.
Não tem que ter ideologia a um juiz, a um ministro, não cabe ideologia, cabe o estrito cumprimento da lei. Se você tem um livro que se chama Constituição, se você tem leis feitas no âmbito do legislativo, cabe aos juízes magistrados a obrigação, o dever de julgar de acordo com isso, independentemente das suas questões políticas e ideológicas, que é justamente ao contrário do que, confessadamente, os dois ministros debateram.
Eu vou dizer que a justiça do trabalho, Inácio, é uma espécie de poder aqui no Brasil. O que você falou para a gente, trouxe para a gente, você tem decisões do Supremo Tribunal Federal, ou seja, a instância máxima da justiça, que não são obedecidas pela justiça do trabalho, como se fosse apartado.
da realidade, da lei brasileira, e não é. É por isso que acabou acontecendo aquele pito, aquela bronca pública do Alexandre de Moraes, que já tinha acontecido antes também por parte do Gilmar Mendes.
Um dos maiores demandantes, uma das maiores causas que entopem o STF de ações são causas trabalhistas que já foram decididas pelo STF, que a Justiça do Trabalho não obedece. E aí, como a Justiça do Trabalho não obedece, você tem a brecha de subir essa decisão, porque se trata de matéria constitucional, para o STF. E aí você entulha mais ainda a Suprema Corte de Processos. O ponto, Inácio, que é importante a gente destacar,
é que quando você traz para dentro essa história de vermelho e de azul, a gente teve uma fala lamentável do ex-ministro José Roberto Barroso, quando disse que derrotamos, abre aspas para ele, derrotamos o bolsonarismo. Não cabe esse tipo de discussão.
E não cabe também o ministro vir trazer em sua defesa o fato de que é uma justiça que cuida dos pobres, que cuida dos desassistidos, que é um país extremamente desigual, porque eles não praticam esse devido cuidado. Olha as poltronas que esses senhores sentam, olha os palácios, olha o palácio do Tribunal Superior Tribunal, o prédio lá em Brasília.
Quem está preocupado com a desigualdade, quem está preocupado com os trabalhadores menos favorecidos, não manda construir sala VIP em aeroporto para se afastar da população comum. Isso a Justiça do Trabalho fez, também não contrata esses carros caríssimos. A Justiça do Trabalho lá da Bahia.
Isso foi notícia no Brasil inteiro, eles queriam ter um elevador exclusivo para os desembargadores. Então, não me venho com essa saída, da mesma maneira que a gente critica a saída do Supremo Tribunal Federal, de alguns ministros, dizer que sempre estão em defesa da democracia, isso não é verdade, isso é uma desculpa, que também não venha agora o ministro arguir em sua defesa, nesta causa toda, a preocupação com os menos favorecidos, porque, a meu ver, ela não é real.
E agora vamos sair do TST e vamos falar do novo mascote do TSE, o Pilili. O Tribunal Superior Eleitoral lançou ontem uma mascote da urna eletrônica. O nome dado ao Zé Gotinha da Justiça, vamos dizer assim, é Pilili. Com a iniciativa, o TSE pretende aumentar a credibilidade das urnas e também aumentar o comparecimento nas votações.
Meus caros, vou começar com você, Ricardo Kertzmann. Aliás, vamos colocar um vídeo antes de chamar você, Kertzmann. Vamos ver, de fato, o vídeo do Pilili, para que todo mundo que está em casa tenha noção de o que a gente está falando de forma física. Pilili.
Posso votar? Não, deixa eu ver quem que eu vou chamar aqui para votar.
Essa urna vai andar pelo Brasil, a urna é sua, é do Brasil e são vocês que têm que defendê-la. Porque é a defesa da democracia feita por todos nós, todos os dias, para que sempre nós tenhamos um voto que seja, que representa o que nós queremos e que o Brasil seja cada vez mais o que cada um e todos nós queremos. Super obrigada e eu tenho a maior honra de estar com vocês aqui, cada um de vocês. Muito obrigada.
Agora sim, Ricardo Kertz, nós temos aí então o Pilili, que celebra inclusive os 30 anos da urna eletrônica. E aí, vai funcionar? Vai atrair mais gente para as votações? Vai popularizar a confiança na urna eletrônica, Ricardo? Eu vou parafrasear o Wilson e tomar cuidado aqui para não perder minha qualidade, para não ser chamado pelo compliance da empresa.
Gosto muito, sabe, Inácio, de semiótica. Eu gosto muito também de psicologia, de psicanálise. Então, eu, Ricardo, eu tendo a encher coisas sobre uma ótica muito particular. Eu busco esses sinais.
Se a gente tem o Zé, que é um personagem de sucesso, para lá de carismático e que tem o carinho da população brasileira, é um personagem adequado para a gente estar falando de vacinação para crianças. Então, o Zé Gotim é apropriado. Agora, Pirili, esse mundo ridículo...
para eleitores, pelo menos ou acima de 16 anos, se não adultos, jovens e adultos, é de uma inapropriedade, é ridículo sobre quaisquer aspectos. Porque eu acabei de falar, você trata, e talvez aí entre nessa questão que eu acabei de falar, da análise, aí talvez entre o que verdadeiramente a casta de Brasília, o que a casta do Tribunal Superior Eleitoral pensa.
dos brasileiros, dos eleitores. Somos todos uns infantis, uns bobinhos, uns crianções que precisam de um pilili, um bonequinho pilili para ensinar para a gente que a unha eletrônica é boa, que a unha eletrônica é confiável. Entende, Inácio, o que eu quero dizer? É um eleitor como criancinha, como um bobinho.
Antes de você tratar de um assunto, a última pesquisa que eu ouvi a respeito de urnas eletrônicas, diziam que 43% foi uma pesquisa feita pela... Em fevereiro, se eu não me engano, desse ano, dizia que 43% dos brasileiros não confiam nas urnas eletrônicas. Ainda que seja um grupo minoritário, porque se 43% não confiam, quase 60% confiam. É um porcentual muito alto, um porcentual... Deveria ser baixo, mas você querer transmitir credibilidade.
Das urnas eletrônicas com o Pirelli, sinceramente, não vai ajudar absolutamente nada. Vai ao contrário, vai fazer a raiva. Eu, Ricardo, vejo um negócio desse, penso na minha grana, porque isso aí não é de graça. Isso aí é nosso dinheiro. Quando eu vejo isso aí, Inácio, faz o efeito contrário. Rodolfo Borges, será que então é para mirar o filho dos eleitores? Para que vai, pai, vamos votar, vamos votar, mãe, que eu quero ir lá encontrar o Pirelli.
Talvez a única justificativa para um boneco como esse, que aliás nem tem gênero, o STSE fez questão de destacar isso aí, o que me parece um pouco distante da inocência que essa maquininha pretende projetar aí, quando fala que não tem gênero, aí já vira outra coisa.
Mas a única justificativa seria isso, a educação de crianças, porque de fato, como o Ricardo falou, a perspectiva é de infantilização, que aliás, se coaduna com outras perspectivas e políticas do TSE na hora de lidar com o eleitor.
Essa coisa de o eleitor não vai saber diferenciar o que é certo e o que é errado. A inteligência artificial é um grande perigo. Acho que as autoridades têm que trabalhar para instruir a população, mas não para decidir o que o eleitor pode ou não ver.
se ele vai ter capacidade ou não de distinguir o que é um deepfake ou o que não é. Acho que o papel das autoridades brasileiras é colaborar para que o brasileiro entenda melhor as coisas e não ficar selecionando o que ele pode ver ou não. E, no final dos contos, é isso. Acho que a ordem eletrônica é um...
Uma máquina que tem um histórico recente de muita confusão, porque os bolsonaristas principalmente puseram muito e põem ainda em dúvida a urna, o que para mim é meio contraditório, porque eles continuam participando das eleições.
e estão inclusive agora incentivando os jovens a tirar o título de eleitor, porque perceberam que o Lula não está bem no eleitorado mais jovem. E aí fica esse discurso duplo. A gente tem que botar as pessoas para votar, mas ao mesmo tempo não confiar na eleição.
Não confiar no resultado da urna. É contraditório. Agora, do ponto de vista da efetividade, se é que de fato a ideia é que as pessoas confiem mais na urna, porque botou dois olhinhos ali em uma boca, me parece bem inocente achar que o efeito vai ser esse.
Vamos lá, meu momento quinta série. Porque é o seguinte, quando eu vi o Pirili, eu pensei numa linguagem invocada, né? Pirili, depois você troca o L por R, entendeu? Que vai dar outra coisa, entendeu? Pirili com R vira outra coisa, vira Piriri, e na minha terra Piriri é outra coisa. Aí a minha cabeça já pensou naquele funk, né?
piriri, piriri, piriri, alguém ligou pra mim, já pensou, daqui a pouco o TSE vai pensar, vai fazer um funk. Piriri, piriri, piriri, alguém votou em mim. Vai ser isso. Não dá pra gente... Não dá ideia, exatamente. Isso aí vai sair, vai sair mesmo. Vai sair, eu tô te falando. O Cebolinha que ajudou também.
É, vai ser isso, gente. Daqui a pouco... Tá, pronto, Inácio. Daqui a pouco vai ter uma história da Turma da Mônica, a Turma da Mônica, o Cebolinha, todo mundo indo votar no Plilin, entendeu? Sabe? Acho que, assim, os colegas já falaram praticamente tudo, só queria arrematar com uma coisa. Acho que a justiça eleitoral precisa lidar com questões mais sérias. Acho que o grande problema hoje da justiça eleitoral é que ela não consegue dar respostas efetivas para problemas que, de fato, se colocam.
Uma ação, por exemplo, de inelitibilidade, uma ação de cassação de registro eleitoral, são ações que demoram muito no tribunal. Às vezes a eleição ocorre, o camarada já assume o cargo, passa dois, três anos na frente do cargo e a justiça eleitoral não dá resposta para algum indício de ilícito eleitoral. A credibilidade no sistema e na justiça eleitoral, ela se faz, não é com um personagem desse, mas se faz com ações efetivas, com decisões duras.
E com a justiça de fato prezando pela democracia. Então, sabe, se a justiça eleitoral não faz a sua parte, não tem como depois apelar para o Pilili para que ele consiga resolver alguma coisa ou fazer algum milagre. Não dá para esperar o milagre do nosso coleguinha Pilili.
Aproveitando que o Wilson mencionou, acho que tem um dilema aí, todas as instituições públicas no Brasil hoje, talvez no mundo, a linguagem nas redes sociais é essa. O próprio TSE usou lá, participou daquela trend pedagógica lá, da música da chaleira, da caneca.
Só que assim, isso eu acho que tem um limite que é o respeito à instituição. A instituição, entre o alcance que ela vai ter nas redes sociais ao participar desse jogo aí, que é de piada, que é de graça mesmo, mas o quanto que ela vai machucar.
a sua reputação ao participar dessas coisas. Acho que quem cuida da comunicação aí, dos tribunais, do próprio governo, tem que calcular mesmo. Isso pode ajudar que a mensagem chegue mais longe. Mas se essa mensagem chegar mais longe machucada, arranhada e vulgarizando a instituição, ela vai acabar jogando contra essa instituição que eles querem propagar por aí.
E agora vamos falar sobre o programa Desenrola. O presidente Lula assinou na segunda-feira a medida provisória que cria o novo Desenrola Brasil, programa de renegociação de dívidas voltada à população que ganha até cinco salários mínimos.
Será possível, com ele, negociar débitos do cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal. O programa é uma reformulação da política anterior de renegociação e tem como objetivo aliviar o orçamento das famílias, especialmente aquelas com dívidas de alto custo. Durante o ato de lançamento do programa, Lula defendeu que as pessoas têm direito a se endividar.
Eu fico olhando na cara de vocês e fico imaginando quantas de vocês e de vocês estão endividados. Quantas? Eu não quero saber, não quero saber no que vocês se endividaram. Mas essa é uma prática de uma grande parcela do povo brasileiro.
E é muito bom que o povo tenha capacidade de se endividar. Não sei se vocês estão lembrados, em 2008, quando teve a crise do subprime, teve uma crise no comércio mundial, que se dizia que o comércio estava caindo muito.
E eu fui para a televisão fazer um pronunciamento de oito minutos, vocês estão lembrados, pedindo para que o povo não tivesse medo de se endividar, mas com muita responsabilidade. Que as pessoas não deveriam gastar mais do que pudessem pagar. Lula disse ainda que o desenrola seria uma forma do brasileiro se livrar da agiotagem.
Porque não é correto um cidadão brasileiro, um cidadã, sabe, estar com o nome sujo no Serasa por causa de uma dívida de 100 reais, de 150 reais, de 200 reais. Não tem lógica isso. Aí o mercado transforma esse cidadão num clandestino. Porque ele não pode mais comprar nada, ele não pode mais ter conta em banco, ou seja, ele vira um freguês.
da bandidagem da geotagem. E quando ele cai na geotagem, aí sim é que ele vai estar sufocado para o resto da vida, ameaçado sistematicamente, pagando juros mais escorxantes do que aquele que vocês dizem todo dia que é escorxante, que é o juro brasileiro. Ele paga e não tem limite.
Rodolfo Borges, esse programa é a bala de prata que o governo tanto queria e ele resolve o problema de quem, exatamente?
Me parece que esse programa não vai conseguir resolver nem o problema que ele quer resolver, que é o problema do Lula de voto. Quer dizer, a gente está indo para o segundo desenrola, 2.0. O que significa que o primeiro não solucionou os problemas. E não solucionou porque esse presidente que estava falando aí para vocês incentivou as pessoas a continuar contraindo dívidas que elas não podiam pagar. Então esse discurso que o Lula está fazendo aí não faz nenhum sentido. É estar completamente fora da realidade.
Esse governo, esse partido e esse presidente, mais do que tudo, eles são conhecidos por incentivar o consumo por meio da concessão de crédito. E aí, obviamente, essas pessoas não vão conseguir pagar suas dívidas. E aí depois eles vêm e se apresentam como solução.
É um negócio absurdo. Se você bota isso no roteiro de um filme, não faz sentido um presidente atuar dessa forma. Mas é assim que o Lula atua há anos. E aí quando vem a segunda versão do programa, isso fica gritante. A contradição entre o que esse governo faz...
primeiro incentivando as dívidas, a contração de dívidas, e depois perdoando de alguma forma as dívidas ou renegociando. E ele ainda falou dos juros, como é que o Lula tem coragem de falar de juros, se o governo dele é o responsável pela maior taxa de juros da história do país? Exatamente porque não fez aquilo que precisa ter feito, que é controlar o gasto público. Quer dizer, é uma cara de pau assim, sem tamanho.
Wilson Lima, algumas pessoas mais maliciosas diriam que esse programa Desenrola devia se chamar Mais Corda, para as pessoas se enrolarem mais um pouco, só que mais para frente. Você concorda com essa visão?
Concordo em gênero, número, degrau e pilili. A questão é a seguinte, Inácio, falta para o brasileiro uma coisa chamada educação financeira. Sem educação financeira não adianta você ter acesso, não adianta você ampliar, acessar o crédito, porque é como falou o Rodolfo, você vai substituir uma dívida por outra e aí isso vira...
uma bola de neve da qual o cidadão não consegue sair. E temos outro detalhe, Rodolfo, que é o seguinte, o governo federal precisa pensar em políticas públicas que sejam conjunturais. Por que eu falo isso? Porque o brasileiro hoje...
Via de regra, às vezes ele não paga a sua dívida, não é porque ele é um caloteiro quanto mais. Às vezes ele não paga porque ele perde o emprego, ele perde a renda, ele tem alguma dificuldade nesse sentido, e aí ele cai numa situação que ele realmente não consegue sair. Então, se o governo federal fizer essa sua parte, de garantir uma economia estável, pungente e...
com um em vez de crescimento e bom crescimento, você não precisaria de programa desenrola para você, primeiro, fomentar a economia e, segundo, tirar o brasileiro do aperto.
Pois é. E tem um outro aspecto desse programa que também está sendo criticado, é que parte, por exemplo, quem tem financiamento estudantil, vai ter não só descontado os juros, a multa, como também parte da taxa em si, do financiamento. Então quem financiou, por exemplo, e pagou todas as parcelas em dia, vai pagar mais do que aquele que atrasou. Isso acaba primeiro punindo quem pagou tudo em dia.
E segundo, sinalizando que através, seja de desenrola, seja de todas as outras formas de recurso, que talvez valha a pena a gente não pagar e depois a gente dar um jeito de refinanciar. Tem até o Refis, que é outra figura tributária também bem conhecida. Isso tudo cria essa insegurança jurídica e uma insegurança até moral, eu diria aqui.
Bom, vamos continuar no próximo bloco falando sobre uma pesquisa que mostra Ciro Gomes, quem sabe, na disputa presidencial. Quero saber o que o Ricardo Kersma já disse. Voltamos em três minutinhos, é rapidinho. Muito bem, vocês que estão nos assistindo aqui no Meio de Em Brasília. Deixa eu mostrar uma coisa aqui para vocês. Olha que beleza.
Essa é a revista Cruzoé impressa. Pela primeira vez, a revista Cruzoé, aqui, em carne e osso, ou papel e tinta, no caso. Por quê? Porque ela está celebrando oito anos. E para celebrar os oito anos, a edição especial dessa Cruzoé é impressa. E você?
Se assinar o combo de dois anos da Cruzoé mais o Antagonista, vai recebê-la em casa, essa edição para colecionador. Nunca na história desse país, como diria um certo presidente, houve uma Cruzoé impressa e aqui ela está e logo você vai receber nas...
sua casa, se assinar esse combo de dois anos de O Antagonista e a Cruzoé. Mas como é que eu assino, Inácio? Ah, é muito simples. Tem o nosso link lá no chat do YouTube de O Antagonista. Você que ainda não se inscreveu no canal, é só clicar no inscrever que habilita o chat e lá está o link. E aí você pode assinar. Ou você que está assistindo aí na frente da sua TV, pega a câmera do seu celular...
coloca na função de foto, focaliza nesse QR Code aqui do lado e lá vai aparecer um link. Clica no link que você vai ter todas as formas de assinatura, inclusive esse combo especial de dois anos que você leva a Cruzoé impressa para casa. Edição feita com todo o esmero pelo Duda Teixeira e equipe. Agora vamos ver o que vocês estão falando aqui no nosso chat. Você já deixou seu like? Já deixou a sua inscrição? Clicou?
seu joinha é muito importante para a gente pessoal e tem muita gente que ainda não deixou registrado aqui o joinha, estou vendo que tem muita gente assistindo mas longe da metade da proporção de joinhas registrados posso contar com o seu, então se inscreva no canal, deixa o joinha, responde a nossa enquete, já que estamos aqui no combo de recados paroquiais
A justiça do trabalho brasileira, ela é vermelha, azul, cor de rosa ou verde e amarela? Responde que no próximo bloco nós vamos trazer a sua resposta. E agora vamos ver o que é que vocês estão falando aqui. Aqui está.
Muita gente dizendo que o nosso Tribunal Superior do Trabalho é uma bagunça, é um absurdo. O Ciro falou sobre se desenrola, tentou copiar, mas ninguém escuta, diz o Vadsom Soares. Aqui está dizendo sério.
Esta senhora do STF parece não ter inteligência emocional. Está falando aqui a Rosane Schmidle, da ex-presidente do TSE. Aliás, ainda é presidente. Ela está saindo agora do TSE, mas ainda é presidente do TSE. Ela também é componente do STF. Bom, vamos deixar aqui mais um pedido para o seu like, o seu joinha. E vamos voltar com o último bloco do Meio Dia em Brasília.
Vamos lá. Voltamos com o Meio Dia em Brasília, um programa do portal O Antagonista, exibido também na TV BMC. Pesquisa Real Time Big Data, divulgada nesta terça-feira, indica que até Ciro Gomes, do PSDB, empata com Lula em eventual segundo turno na eleição presidencial. Além dele, Flávio Bolsonaro, do PL, Ronaldo Caiado, do PSD, e Romeu Zema, do Novo, estão tecnicamente empatados com o Petista.
No levantamento, Flávio tem 44% das intenções de voto contra 43% de Lula. Ciro e Lula estão empatados com 43% cada. Contra Ronaldo Caiado, o petista tem 43%, enquanto o ex-governador de Goiás, 42%. Ricardo Kertzmann, esse é o resultado de pesquisa que o Aécio Neves queria para convencer o Ciro Gomes a ser candidato a presidente?
Olha, não tenha dúvida que se depender desse resultado é um empurrão em tanto. Mas olha, Inácio, eu tenho falado com certa frequência que qualquer opositor ao presidente Lula, acho que até eu, seria competitivo num segundo turno, porque o maior sentimento hoje, a maior oposição ao presidente Lula é o anti-Lulopetismo, é aquele voto contra o PT que já apareceu em outras ocasiões na última eleição, talvez pela polarização.
por testeiras, as bobagens que o ex-presidente Jair Bolsonaro fez, acabou criando um pouco de sentimento que era melhor aturar o Lula outra vez do que manter o presidente Jair Bolsonaro à época. Esse sentimento volta e volta com força e por isso que todo mundo é bastante competitivo no segundo. Neste caso específico, Inácio, que chama atenção e é uma novidade,
é que até então os nomes testados em segundo turno eram candidatos de direita, candidatos, ou pelo menos de centro-direita, como era o caso do Ratinho Júnior antes dele desistir. Neste caso, estamos falando de um candidato totalmente identificado com a esquerda, né? Ninguém pode dizer que o Ciro Gomes é um candidato de direita, muito pelo contrário. E aí surpreende você ver como que esse sentimento antipetista, que todo mundo, esse sentimento...
de Lula, como ele é forte, o Ciro Gomes, mesmo no espectro ideológico opositor ao presidente Lula, está sendo competitivo. Eu acho que tem muito a ver com a personalidade do Ciro Gomes. Ele é um cara que, gostando ou não, pensando, achando que ele está correto ou não, ele se posiciona, se posiciona de forma muito veemente, e aí, em momento, eu acho que é isso que acaba atraindo os olhares do eleitorado, que não quer ver o Lula continuar na presidência.
20 segundos, Wilson. Você acha que ele larga a corrida do Ceará, onde ele é favorito para tentar a sorte numa corrida presidencial, sendo que o histórico dele sempre é de queda quando vai chegando perto da hora H? Olha, o Ciro quer, mas acho que dificilmente ele larga o governo federal. Só que a situação do Lula é tão ruim que eu acho que ele perde até para o Pilili.
Que coisa. Rodolfo, um arremate. Rapidinho, essa pesquisa mostra também que tem muito mais semelhança entre o eleitor do Lula e do Flávio Bolsonaro do que a gente imagina. Estou escrevendo sobre isso agora para publicar lá no Antagonista. Então já fiquem de olho e entrem lá no portal do Antagonista, porque agora vamos ver que cor é a justiça do trabalho no Brasil. A justiça trabalhista é vermelha para 82% das pessoas, 12% acha que é cor de rosa.
E aí, com 5% verde e amarela, e apenas 1% acha que é azul. E assim vamos terminando mais este meio-dia em Brasília. Tenham todos uma ótima tarde e até o Papo Antagonista às 6 horas. O Antagonista Você acaba de ouvir um podcast O Antagonista. Sempre explicando o que você precisa saber.
Crusoé
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