Episódios de O Antagonista

Pilili infantiliza justiça eleitoral

05 de maio de 20269min
0:00 / 9:41
Criação de personagem não resolve problemas relacionados à falta de credibilidade de urna eletrônica e da Justiça.
Você já leu uma notícia hoje e sentiu que já viveu esse momento antes? 
Essa sensação de déjà Vu não é coincidência. No Brasil, o que é manchete hoje costuma ser o eco de decisões e fatos que analisamos meses, ou até anos atrás. 
Para celebrar os 8 anos da Crusoé, decidimos enfrentar esse ciclo. Pegamos o que nasceu no digital e, pela primeira vez, transformamos em um registro físico, tátil e permanente. 
Chegou a edição especial Crusoé impressa. 
É um item colecionável, atemporal e limitado. Uma revista feita para quem gosta de ler com calma, longe das notificações do celular. Um exemplar para guardar sobre o que realmente importa na história recente do brasil. 
Esta edição é um presente exclusivo para novos assinantes do Combo de 2 anos O Antagonista e Crusoé. 
Utilize o cupom 8ANOSCRUSOE e acesse o link:  
https://bit.ly/crusoe-edicao-impressa 
Meio-Dia em Brasília traz as principais notícias e análises da política nacional direto   
de Brasília.   
Com apresentação de José Inácio Pilar e Wilson Lima, o programa aborda os temas mais quentes do cenário político e econômico do Brasil.   
Com um olhar atento sobre política, notícias e economia, mantém o público bem informado.   
Transmissão ao vivo de segunda a sexta-feira às 12h no nosso canal do Youtube. 
https://www.youtube.com/@OAntagonista 
Siga O Antagonista no X: 
https://x.com/o_antagonista  
Acompanhe O Antagonista no canal do WhatsApp. 
Boletins diários, conteúdos exclusivos em vídeo e muito mais. 
https://whatsapp.com/channel/0029Va2SurQHLHQbI5yJN344 
Leia mais em www.oantagonista.com.br | www.crusoe.com.br 
#pilili, #TSE, #justiça, #eleitoral, #urnas, #mascote, #infantilização, #política, #Brasília, #comunicação, #crítica, #imagem, #debate, #opinião, #institucional, #marketing, #judiciário, #análise, #podcast, #viral
Participantes neste episódio5
J

José Inácio Pilar

Host
D

Duda Teixeira

ParticipanteJornalista
M

Madeleine Lacsko

ParticipanteHead de Conteúdos Antagonista
M

Madeleine Lasco

Participante
W

Wilson Lima

Participante
Assuntos3
  • Responsabilidade EleitoralDemora em ações de inelegibilidade e cassação · Necessidade de ações efetivas e decisões duras · Importância de prezarem pela democracia
  • Comunicação Suspeita com MoraesIniciativas de comunicação do TSE · Uso de redes sociais e trends · Risco de vulgarização da instituição · Dilema entre alcance e reputação
  • Sistema de urnas eletrônicas e confiança democráticaIncentivo à emissão de título de eleitor por bolsonaristas · Discurso de não confiança nas eleições
Transcrição26 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

O Antagonista. O Tribunal Superior Eleitoral lançou ontem uma mascote da urna eletrônica. O nome dado ao Zé Gotinha da Justiça, vamos dizer assim, é Pilili. Com a iniciativa, o TSE pretende aumentar a credibilidade das urnas e também aumentar o comparecimento nas votações. Meus caros, vou começar com você, Ricardo Kertzmann.

Aliás, vamos colocar um vídeo antes de chamar você, Kertz, mas vamos ver, de fato, o vídeo do Pilili, para que todo mundo que está em casa tenha noção de o que a gente está falando de forma física. Pilili.

Aplausos

Essa urna vai andar pelo Brasil, a urna é sua, é do Brasil e são vocês que têm que defendê-la. Porque é a defesa da democracia feita por todos nós, todos os dias, para que sempre nós tenhamos um voto que seja, que representa o que nós queremos e que o Brasil seja cada vez mais o que cada um e todos nós queremos. Superobrigada e eu tenho a maior honra de estar com vocês aqui, cada um de vocês. Muito obrigada.

Agora sim, Ricardo Kertz, nós temos aí então o Pilili, que celebra inclusive os 30 anos da urna eletrônica. E aí, vai funcionar? Vai atrair mais gente para as votações? Vai popularizar a confiança na urna eletrônica, Ricardo? Eu vou parafrasear o Wilson e tomar cuidado aqui para não perder minha qualidade, para não ser chamado pelo compliance da empresa.

Gosto muito, sabe, Inácio, de semiótica. Eu gosto muito também de psicologia, de psicanálise. Então, eu, Ricardo, eu tendo a encher coisas sobre uma ótica muito particular. Eu busco esses sinais.

Se a gente tem o Zé, que é um personagem de sucesso, para lá de carismático e que tem o carinho da população brasileira, é um personagem adequado, a gente está falando de vacinação para crianças. Então, o Zé Gotim é apropriado. Agora, Pirili, esse burro ridículo...

para eleitores, pelo menos ou acima de 16 anos, se não adultos, jovens e adultos, é de uma inapropriedade, é ridículo sobre quaisquer aspectos, porque eu acabei de falar, você trata, e talvez aí entre nessa questão que eu acabei de falar, da análise, aí talvez entre o que verdadeiramente a casta de Brasília, o que a casta do Tribunal Superior Eleitoral pensa.

dos brasileiros, dos eleitores. Somos todos uns infantis, uns bobinhos, uns crianções que precisam de um pilili, um bonequinho pilili para ensinar para a gente que a unha eletrônica é boa, que a unha eletrônica é confiável. Entende, Inácio, o que eu quero dizer? Um eleitor como criancinha, como um bobinho.

Antes de você tratar de um assunto, a última pesquisa que eu ouvi a respeito de urnas eletrônicas, diziam que 43% foi uma pesquisa feita pela... Em fevereiro, se eu não me engano, desse ano, dizia que 43% dos brasileiros não confiam nas urnas eletrônicas, ainda que seja um grupo minoritário, porque se 43% não confiam, quase 60% confiam, é um porcentual muito alto, deveria ser baixo, mas você querer transmitir credibilidade.

das urnas eletrônicas com pirili, sinceramente, não vai ajudar absolutamente nada. Vai ao contrário, vai fazer a raiva. Eu, Ricardo, vejo um negócio desse, penso na minha grana, né? Porque isso aí não é de graça. Isso aí é nosso dinheiro. Quando eu vejo isso aí, Inácio, faz o efeito contrário.

Rodolfo Borges, será que então é para mirar o filho dos eleitores? Vai, pai, vamos votar, vamos votar, mãe, que eu quero ir lá encontrar o Pileli. Talvez a única justificativa para um boneco como esse, que aliás nem tem gênero, o STSE fez questão de destacar isso aí, o que me parece um pouco distante da inocência que essa maquininha pretende projetar aí, quando fala que não tem gênero, aí já vira outra coisa.

Mas a única justificativa seria isso, a educação de crianças, porque de fato, como o Ricardo falou, a perspectiva é de infantilização, que aliás, se coaduna com outras perspectivas e políticas do TSE na hora de lidar com o eleitor.

Essa coisa de o eleitor não vai saber diferenciar o que é certo e o que é errado. A inteligência artificial é um grande perigo. Acho que as autoridades têm que trabalhar para instruir a população, mas não para decidir o que o eleitor pode ou não ver.

se ele vai ter capacidade ou não de distinguir o que é um deepfake ou o que não é. Acho que o papel das autoridades brasileiras é colaborar para que o brasileiro entenda melhor as coisas e não ficar selecionando o que ele pode ver ou não. E, no final dos contos, é isso. Acho que a urna eletrônica é um...

Uma máquina que tem um histórico recente de muita confusão, porque os bolsonaristas principalmente puseram muito e põem ainda em dúvida a urna, o que para mim é meio contraditório, porque eles continuam participando das eleições.

E estão inclusive agora incentivando os jovens a tirar o título de eleitor, porque perceberam que o Lula não está bem no eleitorado mais jovem. E aí fica esse discurso duplo. A gente tem que botar as pessoas para votar, mas ao mesmo tempo não confiar na eleição.

Não confiar no resultado da urna. É contraditório. Agora, do ponto de vista da efetividade, se é que de fato a ideia é que as pessoas confiem mais na urna, porque botou dois olhinhos ali e uma boca, me parece bem inocente achar que o efeito vai ser esse.

Vamos lá, meu momento quinta série. Porque é o seguinte, quando eu vi o Pirili, eu pensei numa linguagem em Vorcaro, né? Pirili, depois você troca o L por R, entendeu? Que vai dar outra coisa, entendeu? Pirili com R vira outra coisa, vira Piriri, né? E na minha terra Piriri é outra coisa. Aí a minha cabeça já pensou naquele funk, né?

piriri, piriri, piriri, alguém ligou pra mim, já pensou, daqui a pouco o TSE vai pensar, vai fazer um funk. Piriri, piriri, piriri, alguém votou em mim. Vai ser isso. Não dá pra gente... Não dá ideia, exatamente. Isso aí vai sair mesmo. Vai sair. O Cebolinha que ajudou também. É, vai ser isso, gente. Daqui a pouco... Daqui a pouco vai ter uma história da Turma da Mônica, Turma da Mônica, o Cebolinha, todo mundo indo votar no Piriri, entendeu?

Sabe, acho que assim, os colegas já falaram praticamente tudo, só queria arrematar com uma coisa, acho que a justiça eleitoral, ela precisa lidar com questões mais sérias. Acho que o grande problema hoje da justiça eleitoral é que ela não consegue dar respostas efetivas para problemas que de fato se colocam.

Uma ação, por exemplo, de inelitibilidade, uma ação de cassação de registro eleitoral, são ações que demoram muito no tribunal. Às vezes a eleição ocorre, o camarada já assume o cargo, passa dois, três anos na frente do cargo e a justiça eleitoral não dá resposta para algum indício de ilícito eleitoral. A credibilidade no sistema e na justiça eleitoral, ela se faz, não é com um personagem desse, mas se faz com ações efetivas, com decisões duras.

E com a justiça de fato prezando pela democracia. Então, sabe, se a justiça eleitoral não faz a sua parte, não tem como depois apelar para o Pilili para que ele consiga resolver alguma coisa ou fazer algum milagre. Não dá para esperar o milagre do nosso coleguinha Pilili.

Aproveitando que o Wilson mencionou, acho que tem um dilema aí de todas as instituições públicas no Brasil hoje, talvez no mundo. A linguagem nas redes sociais é essa. O próprio TSE usou lá, participou daquela trend pedagógica, da música da chaleira, da caneca.

Só que assim, isso eu acho que tem um limite que é o respeito à instituição. A instituição, entre o alcance que ela vai ter nas redes sociais ao participar desse jogo aí, que é de piada, que é de graça mesmo, mas o quanto que ela vai machucar a sua reputação ao participar dessas coisas.

Acho que quem cuida da comunicação aí, dos tribunais, do próprio governo, tem que calcular mesmo. Isso pode ajudar que a mensagem chegue mais longe. Mas se essa mensagem chegar mais longe machucada, arranhada e vulgarizando a instituição, ela vai acabar jogando contra essa instituição que eles querem propagar por aí. Você acaba de ouvir um podcast O Antagonista. Sempre explicando o que você precisa saber.

Anunciantes1

Crusoé

Edição especial Crusoé impressa
external
Pilili infantiliza justiça eleitoral | Castnews Index — Castnews Index