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#373 Xadrez eleitoral em Israel

06 de maio de 202658min
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As eleições em Israel devem acontecer em outubro, mas a corrida eleitoral já começou. Novas alianças movimentam o tabuleiro, enquanto o governo de Benjamin Netanyahu se mexe para, de alguma forma, manter-se no poder.

Em Israel, a população vota em listas de partidos. O número 1 de cada lista é o candidato à primeiro-ministro. Mas só é possível formar o governo se houver um acordo, se o vencedor formar uma coalizão que some ao menos 61 cadeiras, o que dá maioria no parlamento. Ou seja, não necessariamente o vencedor conseguirá formar coalizão. Pra falar sobre esse tema, nosso convidado é João Miragaya, mestre em história pela universidade de Tel Aviv, apresentador do podcast “Do lado esquerdo do muro” e assessor do IBI.

Assuntos8
  • Aliança Yair Lapid e Naftali BennettObjetivos da aliança · Impacto nas pesquisas eleitorais · Estratégia para o eleitorado · Reação de Netanyahu · Plataforma eleitoral conjunta
  • Sistema eleitoral de IsraelVotação em listas de partidos · Cláusula de barreira (3,25%) · Formação de coalizão (61 cadeiras) · Papel do Presidente de Israel · Mandato para formar governo · Prazos para formação de governo
  • Esquerda e direita em IsraelConcepção sobre o Estado Judeu · Coexistência entre judeus e árabes · Proposta de divisão em dois estados · Visão da direita sobre segurança e direito histórico · Diferença entre esquerda sionista e direita sionista · Identidade judaica vs. identidade israelense
  • Yair Golan e a esquerda israelenseFormação do partido A-Democratim · Papel no 7 de Outubro · Discurso radical e confronto · Proposta de separação com os palestinos · Visão sobre a máquina pública da extrema-direita
  • Cenário político e oposição a NetanyahuFragmentação da oposição · Falta de liderança unificada · Disputa por votos e aspirações pessoais · Importância dos partidos árabes · Rejeição a governos com partidos árabes
  • Benjamin Netanyahu e seus processosImpacto do 7 de Outubro na popularidade · Reforma judicial e protestos · Andamento dos julgamentos · Pedido de indulto e acordo com a justiça · Possibilidade de derrota eleitoral
  • Itamar Ben-Gvir e Betzalel SmotrichPosição no governo e eleitorado · Desafios eleitorais individuais · Relação com Netanyahu · Impacto na cláusula de barreira
  • Partidos árabes em IsraelRelevância para a formação de coalizões · Diferenças entre os partidos (Ra'am, Had
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As eleições em Israel devem acontecer em outubro, mas a corrida eleitoral já começou. Novas alianças movimentam o tabuleiro, enquanto o governo de Benjamin Netanyahu se mexe para, de alguma forma, manter-se no poder. Eu sou Amanda Hatsiri, estudo psicanálise e cultura judaica e sociedade israelense, e esse é o E Eu Com Isso, podcast do Instituto Brasil Israel. E eu sou Anita Efraim, jornalista e mestre em comunicação política.

Em Israel, a população vota em listas do partido. O número um de cada lista é o candidato a primeiro-ministro. Mas só é possível formar o governo e assumir o poder se houver um acordo, se o vencedor conseguir formar uma coalizão que some ao menos 61 cadeiras, o que dá a maioria no parlamento. Ou seja, não necessariamente o vencedor, o mais votado, consegue formar uma coalizão.

Para dar uma explicação, falar sobre esse assunto e sobre o quadro eleitoral hoje, o nosso convidado vocês já conhecem muito bem. É João Gragaia, mestre em História pela Universidade Tel Aviv, apresentador do podcast Do Lado Esquerdo do Muro e assessor do IB. João, bem-vindo mais uma vez. Obrigado, obrigado pelo convite, prazer é todo meu. Bom, eu falei muito brevemente sobre como funciona, mas se você quiser dar uma passada geral para quem não conhece o sistema eleitoral de Israel, explica um pouquinho como que funciona essa votação.

Eu vou dar uma explicação bem concisa, Anitta, pois a gente deixa um link com o texto que eu escrevi há um tempo atrás, que aí qualquer ouvinte que quiser dar um clique e ter informação por escrito pode esclarecer um pouco as coisas para poder clicar. Mas então, Israel, regido por um sistema político, é parlamentarista presidencialista.

O que isso quer dizer? Que o voto para o chefe de governo é um voto indireto, ou seja, os eleitores votam só no parlamento, no caso de relência a gente vota só num partido, numa célula que tem o nome de um partido, que são três letras na verdade, e depois que se cortam os partidos que não alcançam a cláusula de barreira, que é de 3,25%, os partidos recebem cadeiras proporcionalmente à quantidade ao percentual de votos que eles receberam.

Então o mínimo de cadeiras que você pode ter para entrar no parlamento hoje, das 120 cadeiras, são quatro. Ou seja, um partido que não alcança os 3,25%, ele não alcança o mínimo de quatro cadeiras. E o percentual vai sendo dividido. Após a votação ser contabilizada,

O presidente de Israel, por isso que eu digo que o sistema é parlamentarista presidencialista, ou seja, o presidente tem uma função, ele é o chefe de Estado, mas não é o chefe de governo, ele se reúne com o líder de cada partido e com a bancada de cada partido, faz algumas perguntas para entender a tendência da Knesset, do parlamento recentemente eleito, e pergunta em quem vocês indicam para montar o próximo governo. E cada partido pode indicar uma pessoa do seu próprio partido, geralmente o número 1,

ou uma pessoa de outro partido, ou não indicar ninguém. Isso também é uma opção. E aí o presidente, depois de se reunir com todas as bancadas, ele faz as contas dele, entende exatamente mais ou menos para onde está indo o país e dá três semanas para o candidato que ele acha que tem a maior possibilidade de formar a coalizão para que ele monte a coalizão, que precisa ter a aprovação da maioria do parlamento para que eles possam governar.

A coalizão não precisa ter 61 deputados, que é 50% mais um, mas ela precisa ser aprovada por 61 deputados. Ou seja, você pode ter partidos que não vão fazer parte da coalizão, mas que votam na aprovação do governo. Isso nunca aconteceu no momento imediato após as eleições, mas já aconteceu quando o partido perdeu maioria. Então, alguns partidos que saíram da coalizão...

continuaram sustentando o partido, perdão, o governo, a coalizão, mesmo estando de fora. Mas, enfim, o presidente vai lá dar esse mandato, dá três semanas, se o governo não é formado em três semanas, eles podem pedir prorrogação e a tendência é que o governo seja formado em até essas cinco semanas. Já aconteceu de não ser formado o governo.

Já aconteceu da pessoa que recebeu o mandato não conseguir formar o governo, formar a coalizão, e aí ele tem que devolver para o presidente, o presidente decide se vai dar para outra pessoa, se devolve para o parlamento, e aí são embrólios que a gente perderia muito tempo aqui para explicar com detalhes. Mas aí, no momento que alguém entende que tem a maioria, ele liga para o presidente e fala à la BAD, subiu em minhas mãos. Ou seja, eu tenho aqui a maioria para votar no governo.

para formar a coalizão e formar o governo. E aí é marcada a sessão no parlamento, o governo é votado, e aí é a coalizão também, e aí, enfim, o governo, no momento que é votado, você tem, no caso de você trocar de governo, a troca de cadeiras, né? O primeiro-ministro eleito ocupa a cadeira do primeiro-ministro, se é uma reeleição, ele simplesmente permanece na mesma cadeira, e o governo apresenta seus ministros, que também são votados no mesmo dia, e começa a governar.

Imediatamente. Basicamente assim funciona o sistema eleitoral. As eleições aqui em Israel estão marcadas. O prazo de validade desse último governo, que expira, é em outubro. Desde 1992, nenhum governo resistiu até o seu último dia. E esse governo, por incrível que pareça, aparentemente vai resistir até o seu último dia. E as eleições aqui em Israel já devem ter uma proximidade de data.

com as eleições aí no Brasil também, devem ser em outubro. A menos que aconteça alguma coisa e o governo aqui quebre antes, mas mesmo assim, com um prazo de quatro meses, no mínimo, para você convocar eleições, e a gente já está em maio, seria em setembro ou outubro, já não tem nem mais margem para o governo romper antes disso.

É, João, você comentou essa data, está prevista para outubro, mas existe uma chance de acontecer, você falou alguma coisa pode acontecer, o que seriam essas coisas que poderiam acontecer até lá? O governo pode perder maioria. Quando o governo perde maioria, a gente tem duas opções. Ou que a oposição alega um voto de desconfiança construtivo, que aí eles podem tentar formar um governo com o parlamento atual.

Ou eles podem propor a dissolução do parlamento. A oposição só pode propor isso uma vez a cada seis meses. Eles propuseram isso no ano passado e não conseguiram dissolver o parlamento. Se não tem dissolução do parlamento, nem o voto de desconfiança é aprovado, o governo segue no poder. Se o governo perde maioria, geralmente o próprio governo convoca eleições, porque eles querem poder decidir quando vai ser, em que condições as eleições vão ser convocadas.

Mas dessa vez, aparentemente, não vai acontecer, porque se não acontece no próximo mês, não faz muita diferença entre o governo convocar eleições ou esperar o prazo das eleições, que seria em outubro. O governo já não caiu. Ele governou quatro anos, mesmo com o 7 de outubro, mesmo se tornando impopular no meio do caminho, com uma reforma judicial muito impopular, com muitos protestos. É incrível realmente a gente olhar para trás.

e observar e entender que esse governo durou quatro anos, mas ele durou. Isso é incontestável. É a realidade. Uma loucura. E, João, de forma geral, antes da gente entrar nos atores especificamente, qual é o quadro político hoje em Israel? O que quer dizer hoje, neste momento, ser de direita e ser de esquerda? Quais são as propostas principais que diferenciam os campos, talvez?

A esquerda e a direita em Israel surgiram igual em todo o mundo. Se tinha uma esquerda mais socialista, mais a favor da intervenção do Estado, da economia a fim de dividir riqueza e promover igualdade, uma direita liberal na economia, enfim, e que zela-se pelo livre comércio, etc.

E, obviamente, se tinha os partidos de centro, que se colocavam entre um e outro. Recentemente surgiram os partidos de centro que alegam que o centro não é simplesmente o meio do caminho entre a direita e a esquerda, mas uma ideologia por si só, uma forma de ver o mundo. Enfim, mas historicamente eles surgiram assim. Mas, além disso, Israel tem uma especificidade que se deu no início, na formação desses movimentos. Ficou adormecido por umas décadas e depois voltou nos anos 80.

que é a concepção da direita e da esquerda sobre o Estado, sobre o que deve ser o Estado judeu, o que deve ser o Estado de Israel e a sua relação com os vizinhos e com os árabes internamente. A esquerda, historicamente, é a favor de uma coexistência entre os judeus e árabes. Existe um grupo de esquerda que era, inclusive, a favor do Estado de Israel, sendo um Estado binacional. A esquerda, mais facilmente...

aceitava debater, inclusive propôs a divisão da terra em dois estados, um estado-área e um estado judeu, quanto a direita tem uma visão, tanto do ponto de vista da segurança, quanto do ponto de vista do direito histórico judaico à terra, distinto da esquerda. A direita sionista surgiu a partir de uma concepção da grande Israel, da terra de Israel completa, que abarcava partes da Jordânia, do Líbano e da Síria.

não essa até o Iraque, essa bíblica não, porque inclusive a direita sionista, ela é uma direita que surgiu dentro de uma corrente especialmente laica, o cilismo do Jabotinsky. A direita religiosa é outra coisa, o cilismo religioso foi se desenvolvendo e ganhando corpo, principalmente essa concepção expansionista, mais recentemente. Mas essa concepção sempre dividiu a esquerda da direita, a relação com os árabes, tanto internamente quanto externamente.

Mas os dois movimentos, historicamente, eram seculares. Hoje, a gente pode dizer que a esquerda socialista em Israel está muito enfraquecida. Israel é um país que, se por um lado o estado de bem-estar social é um consenso também entre a direita, por outro lado, o livre mercado também é um consenso aqui no país.

quase ninguém defende uma economia não liberal para Israel, mas os serviços públicos fortes são defendidos tanto pela direita quanto pela esquerda. Ou seja, esse debate é um debate que é muito pouco significativo no país hoje. O que diferencia a esquerda e a direita, basicamente, é a concepção sobre o caráter...

do Estado. A esquerda acredita que já deve ser um Estado democrático, que propõe a paz e tenta solucionar seus problemas através da diplomacia, enquanto a direita entende que o principal papel do Estado é promover a segurança dos seus cidadãos, mesmo que para isso seja necessário travar guerras e criar uma situação de hostilidade com os palestinos, especialmente com alguns outros.

atores aqui na região. E recentemente, a direita israelense vem sendo muito influenciada, e a gente pode dizer que hoje a maioria da direita israelense tem esse caráter religioso, eu não diria necessariamente ortodoxo, mas com muita influência religiosa. Então, uma das separações também entre a esquerda e a direita sionistas em Israel, e nesse aspecto eu estou me referindo às esquerdas e direitas sionistas, eu não estou me referindo aos não-sionistas, que são principalmente os árabes aqui, mas enfim.

A direita sionista é anti-judaica e depois israelense. Enquanto a esquerda sionista é antes israelense e depois judaica. Você acha que essa é uma pergunta chave? Para você entender se alguém é de esquerda, ou se está na centro-esquerda ou se está na direita, é perguntar o que é mais importante para você, sua identidade judaica ou sua identidade israelense?

A centro-esquerda vai dizer israelense, a direita vai dizer judaica. E esse judaico está associado não ao caráter nacional do povo judeu, e sim ao caráter religioso. Isso é cada vez mais forte na direita. E, bom, para quem está acompanhando as redes, os conteúdos do IBI, está um pouco por dentro dessa próxima questão que a gente vai trazer aqui, sobre essa movimentação eleitoral interessante que aconteceu nos últimos dias, que foi o anúncio da aliança entre o Yair Lapid e o Naftali Bennett.

Quem quiser também checar lá no Instagram, o João produziu um vídeo super bacana, fazendo um grande panorama sobre a trajetória desses personagens políticos, bem interessante. Então, João, conta um pouco para a gente sobre esses personagens e como que você avalia essa união agora nesse momento.

Olha, o governo israelense atualmente é formado pela direita e pela extrema-direita, uma união entre a direita e a extrema-direita, tanto os mais seculares que ainda restam os ortodoxos, e a outra ortodoxia, que não é sionista. Na verdade, eu falei que os sionistas são principalmente os árabes.

Os ultra-ortodoxos também, em grande parte, não são sionistas. Esse é o governo de raílense atual, que tem 67, 68 cadeiras de parlamento, que tem um deputado que é independente, embora sim pode com o governo. Mas ainda assim, em todas as pesquisas, salvo as dos canais de chapa branca do governo, o governo é impopular e perderia as eleições para a oposição. Só que essa oposição não conseguiria formar o governo sem a participação de um partido árabe, segundo essas mesmas pesquisas, quase todas elas.

E depois do 7 de outubro, existe uma rejeição de parte da população israelense de aceitar no governo partidos árabes não sionistas. Então, do mesmo jeito que essa mesma parcela também tem dificuldade de aceitar pelo menos parte dela partidos ultra-ortodoxos. Então, a oposição tem tido essa dificuldade, pelo menos segundo as pesquisas, de alcançar essa maioria de pelo menos 61 parlamentares.

E a oposição em Israel, os partidos de oposição, ao contrário do governo, eles têm um grande partido, que é o Likud, e os outros partidos obedecem às diretrizes do líder do Likud, que é o Netanyahu, obviamente, e ele, de fato, é quem comanda esse bloco da direita mais ortodoxos. Na oposição, a gente não tem uma liderança que consiga mobilizar o bloco. E esse bloco, a gente não tem uma liderança por vários fatores.

Primeiro porque a gente não tem nenhum nome forte. A gente também não tem nenhum nome forte, porque esse bloco é um bloco muito heterogêneo. A gente tem partidos da direita secular, da direita religiosa, da centro-esquerda sionista, do centro liberal, do centro mais ligado ao exército. A gente tem diversas correntes ali e todos eles querem ser primeiros-ministros.

Então eles brigam, eles disputam o espaço, eles disputam os mesmos eleitores, e justamente por causa dessas disputas e das aspirações, até certa medida pessoais deles, essa oposição perdeu as eleições passadas, porque a quantidade de votos para a oposição e para o governo foi semelhante. Mas dois partidos da oposição não ultrapassaram a cláusula de barreira.

por muito pouco, e esses votos foram perdidos. Então a oposição entende que ela não pode repetir os mesmos erros do passado. E essa junção agora entre o Naftali Bennett e o Eir Lapid, Eir Lapid, um parlamentar dele, os dois entraram na política em 2013, o Bennett chefiando o partido da direita, da ortodoxia sionista, e o Eir Lapid criando um novo partido de centro, atendia as demandas da classe média israelense e da população secular. Os dois entram.

entraram como atores muito significativos, importantes, expandiram o eleitorado, no caso do Bennett, expandiu muito o eleitorado em seu partido, que era um partido muito setorial. O Lapid abocanhou 19 cadeiras, foi o segundo partido mais votado naquelas eleições, e desde então eles são figuras importantes da sociedade israelense, com altos e baixos. Em 2021, uma união deles dois...

O histórico deles é cheio de altos e baixos também, mas, enfim, acho que esse vídeo que foi publicado nas redes sociais do IBE, vocês podem entender um pouco melhor a história da relação deles, mas o mais importante dessa história é que em 2021, eles se juntaram após as eleições para formar o governo de mudança. O Bennett, que historicamente era do bloco da direita do Netanyahu, ele deu um voto de confiança para o Netanyahu para formar o governo, o Netanyahu não conseguiu, e ele aceitou formar o governo com o Lapid, com a condição de que ele fosse o primeiro-ministro.

ele tinha naquele momento seis cadeiras, são 5% das cadeiras do parlamento, e mesmo assim ele colocou essa condição e eles estabeleceram um sistema de rotação no qual o Lapid, que tinha 17 cadeiras, era a maior parte do governo naquele momento, seria o primeiro-ministro após um ano e meio. Um ano e meio seria o Bennett depois do Lapid. E caso o governo caísse antes, o Bennett deveria passar a cadeira para o Lapid.

Eles fizeram aquele acordo, fizeram um governo Frankenstein, com partidos de várias correntes, e o governo durou um ano e meio por conta das suas próprias contradições internas, especialmente por conta dos parlamentares da lista do Bennett, que não digeriam essa união com partidos da esquerda, nem com o partido árabe, Ram, que compôs aquela coalizão. O Bennett não queria que o governo caísse, mas ele não conseguiu controlar os seus próprios parlamentares.

O Bennett se retirou da política, depois o governo caiu ali, e ele retornou agora, e ele surgiu como um nome forte para substituir o Netanyahu, já que ele tem uma bagagem como primeiro-ministro, ele é um parlamentar da direita, Israel deu uma guinada para a direita depois do 7 de outubro, e ele é uma direita que a esquerda passou a tolerar.

Até 2021, a esquerda não tolerava o Bennett. Hoje, a esquerda tolera o Bennett porque viu que o governo que ele chefiou, embora não seja o governo dos Sancho e da esquerda, era um governo possível. Então, o Bennett surge como uma opção para chefiar esse bloco de oposição.

E aí, a junção entre o Bennett e o Lapid, ela era uma junção perigosa para os dois, porque o Bennett, ele era um dos poucos líderes de partidos da oposição, pelo menos um partido que não existe ainda, que ele está formando, que consegue abocanhar votos da direita. Então, a junção com o Lapid pode afastar dele e esses eleitores da direita.

pode mandar eles para outros lugares, inclusive para a própria base do Netanyahu. E o Lapid, tem eleitores do Lapid que não querem votar no Bennett porque o Bennett tem um histórico conservador. Por exemplo, tem um movimento dentro do partido do Lapid, do Yechaty, de uma corrente LGBT que desistiu de votar nesse partido do Bennett com o Lapid por conta das posições do Bennett sobre o casamento LGBT, o qual o Bennett foi contra.

no seu passado como político, e até hoje não tem uma opinião clara, favorável a isso. Então a gente tem aí algumas questões que fazem com que essa junção de um mais um não seja dois. Eles perdem votos. Então por que eles decidiram se juntar? E aí vem as questões importantes dessas eleições. Como eu falei para vocês, a gente tem cinco nomes importantes. Teria seis, como o Benny Gantz, mas...

não passa a cláusula de barreira nas últimas pesquisas. Então a gente tem cinco nomes importantes na oposição judaica hoje aqui em Israel. Que é o Yair Golan, que é o chefe do Partido dos Democratas, que depois a gente vai falar sobre ele, que é do partido da centro-esquerda, que realmente é um herdeiro da esquerda sionista. A gente tem dois parlamentares de partidos de centro.

que é o Yair Lapid, que a gente já falou, e o Gad Eysenkot, que é um ex-chefe do exército, que fundou o seu partido, a gente não sabe nem quem vai ser da lista dele. E a gente tem o Naftali Bennett, que é um sujeito da direita religiosa, e o Afritor Lieberman, da direita laica. Então a gente tem esses cinco personagens. Nessa briga por votos, o Yair Golan tem um eleitorado que é só dele. Ele vai passar a cláusula de barreira, mas não deve passar das dez cadeiras, se conseguir dez cadeiras vai ser muito.

E aí a gente tem uma disputa de votos entre o Lieberman e o Bennett, e entre o Lapid e o e o Yair Lapid.

Óbvio que o E.I. Golando pode roubar um pouquinho do voto de um ali, mas basicamente é isso. E o Eisenhower tem crescido muito nas pesquisas, e ele tem ameaçado a posição do Lapid de ficar abaixo da cláusula de barreira, e tem ameaçado a posição do Bennett como principal nome na oposição, partido que tem mais votos do nas pesquisas. Então essa junção tem três objetivos, na verdade. Um.

é impedir que o Yair Lapid fique abaixo da cláusula de barreira, que é o partido dele, o Yashatil. Juntando com o Bennett, eles não perdem esses votos. Então esse é um motivo importante para o Yair Lapid. Dois, garantir para o Bennett que ele é o principal nome da oposição e empurrar o Weizenkot para trás. E a mensagem para o Weizenkot foi a seguinte, vem você também, a gente está guardando o número 2 da lista para você. Então agora a gente vai ser o grande partido.

A gente vai poder... Você agora tem duas opções. Ou você vai acabar perdendo o voto, que a gente vai ser o principal partido, ou você se soma a gente, o que não necessariamente vai acontecer. E três, formar uma base grande para poder dizer para o Netanyahu, olha só, a gente é maior que você. Então, você não está reinando... Você não é o principal partido. Esses são os três objetivos eleitorais deles, basicamente. Obviamente, o tiro pode ser pela culatra. O S&C pode passar eles dois e esse partido desidratar também.

Agora, eu acho que tem uma movimentação importante, que pouca gente está falando, mas eu acho que é muito relevante. O eleitorado do centro e da esquerda tem receio com relação ao Bennett, por conta da lista, das listas que ele montou no passado, os deputados de direita, que não eram fiéis a ele, especificamente, que traíram o Bennett, inclusive derrubando o último governo. E a entrada do Lapid com ele, ela diz o seguinte.

eu votei em gerência na formação dessa lista. E já teve, na verdade. O Lapid disse isso. A gente está junto para formar a lista junto. Ou seja, você que vai votar na gente, você não precisa se preocupar. Você, cara de centro, até de esquerda, que quer votar no maior partido, você não precisa se preocupar. Não vai acontecer o que já aconteceu. Eu garanto. Por outro lado, o Lapid, ele disse isso. O exemplo da Hungria mostra para a gente que quando a gente está enfrentando a extrema-direita...

Às vezes a gente tem que entender que o líder que a gente tem é um cara da direita e a gente tem que, dessa vez, ceder para a gente derrubar o governo primeiro e depois, depois do futuro, a médio prazo, a gente reconstrói o campo do centro.

da esquerda. Então, basicamente, essa junção se formou nesse contexto, que é uma união nacional para derrubar um governo de extrema direita, que a gente já viu acontecer em vários países do mundo. A OCP é agora a Hungria, mas a gente viu também no Brasil, a gente viu também na Polônia e em outros países ao redor do mundo, essa junção que normalmente é chefiada pela própria direita, no caso do Brasil não, mas normalmente é chefiada pela própria direita para derrubar a extrema direita.

João, já saiu alguma pesquisa desde a divulgação, da unificação dessa candidatura entre Bennett e Lapid? A gente já tem um cenário que se desenha nesse sentido? Já saíram várias pesquisas. Aqui em Israel, pesquisa sai toda semana. A população é pequena, as pesquisas são baratas de fazer, que nem no Brasil, então elas são rápidas e baratas. E os próprios canais de televisão, eles têm os institutos que eles contratam e tem toda semana, às vezes tem duas pesquisas por semana.

E todos os canais, todas as emissoras, os ministrais jornais inscritos fizeram pesquisas para avaliar o impacto dessa junção no panorama eleitoral. E esse impacto teve uma notícia boa para o Bennett Lapid, o partido dele se chama Beihar, que é Juntos, para o partido Juntos, e uma notícia negativa. A negativa é que um mais um não dá dois.

Se eles juntos deveriam ter 27, 28 cadeiras, eles aparecem com 25, 26. Ou seja, duas cadeiras que iriam para a soma dos dois partidos, eles estão perdendo para outros partidos, e uma dessas cadeiras está indo para a base do governo. Dependendo da pesquisa, pode ser até as duas. Então, essa notícia é negativa. Parte do eleitorado olhou para isso e falou não, eu ia votar no Bennett porque ele era de direita, mas se ele está com lapida, eu não voto mais. Ou eu ia votar no lapida porque...

gostava do plano dele, mas se ele vai estar com o Bennett, eu não sei nem se eu vou votar no dia, porque o voto aqui não é obrigatório. A notícia boa é que, na comparação entre quem é a pessoa mais adequada para ser primeiro-ministro, essa pesquisa deu um push para o Bennett. O Netanyahu sempre ganha essa pesquisa, quase sempre está na frente.

Ele está no empate técnico com o Bennett agora. Ou seja, o fato do Bennett estar liderando um bloco fez com que parte da população dissesse ok, desse jeito eu acho que o Bennett, porque a tua opção pode ser nenhum dos dois também, né? Você pergunta para alguém, Netanyahu ou Bennett, que é o mais adequado para ser primeiro-ministro, pode dizer Netanyahu, pode ser Bennett, pode ser nenhum dos dois.

e o Bennett ganhou votos em cima das pessoas que diziam nenhum dos dois. Ou seja, tem eleitores que começam a cogitar o Bennett justamente porque ele está no bloco do Lapid. Então tem uma notícia ruim e uma notícia boa. Como eles vão explorar isso agora é a grande questão. O Netanyahu ficou muito animado com essa junção, é importante a gente falar sobre isso. Toda uma campanha anti-Bennett, tentando transformar o Bennett...

num cara da esquerda, num aliado dos partidos árabes, tudo isso está rolando muito nas redes, Netanyahu queria muito razões para poder fazer uma identificação do Bennett com a esquerda, e ele lançou essa campanha, mas a gente não pode avaliar ainda se essa campanha funcionou, porque a pesquisa foi feita antes.

dessa campanha realmente ser disparada. E com o tempo, a tendência também, isso é um pouco amortizado, mas as pesquisas dão tendências positivas e negativas, a gente tem que esperar um pouco para ver qual delas vai se confirmar. E além das pesquisas, eles têm uma plataforma eleitoral?

Não, eles não apresentaram um programa político. Aqui em Israel não é obrigatório você apresentar um programa político. O Likudu, por exemplo, a última vez que eles apresentaram foi em 2009. Tem partidos que apresentam todas as eleições, tem partidos que apresentam de vez em quando, tem partidos que resumem muito o seu programa eleitoral de uma eleição para outra.

Eles não apresentaram, na verdade, não apresentaram nem os termos dessa união. O que ficou estabelecido? A única coisa que ficou clara é que não vai ter rotação. O Bennett é o candidato a primeiro-ministro, o Lapid não vai ter rotação para ele ser primeiro-ministro também, e o Lapid teria dito ao Bennett, segundo várias fontes, que ele está disposto a ceder o segundo lugar da lista para o Eisenkot, caso o Eisenkot queira se somar.

Então, eles não estão correndo muito para poder assinar os termos desse acordo, porque eles estão esperando o Eisenkot, para ver o que ele vai decidir.

O Eisenkotten, de maneira inteligente, ele está esperando para ver para onde a tendência vai. Se ele perceber que ele ganha cadeiras com essa junção, a tendência é ele não se juntar. Se ele perceber que ele perde e pode chegar a ficar insignificante, um pouco relevante no cenário, aí a tendência é ele querer se juntar. A questão é se eles vão guardar o número 2 ou se vão dar o número 3 para ele depois.

Mas ele está esperando, de maneira, eu acho que, prudente. É importante dizer, a gente teve muitas conversas entre o Lapid e o Eisenkot, e entre o Bennett e o Eisenkot. A junção Bennett-Lapid era menos provável das três. O Eisenkot, ele teve conversas com o Bennett e com o Lapid.

Ele não quis se juntar com o Lapid porque ele tinha receio da impopularidade atual do Lapid, como líder da oposição, ele não é visto como um líder eficiente da oposição, então o Eisenkot ficou com medo de perder eleitorado. E ele não quis se juntar com o Bennett porque eles tinham divergências sobre quem seria o líder da lista. Então o Eisenkot queria liderar, ele tem diferenças ideológicas para o Bennett, eu diria que o Eisenkot está mais à esquerda, inclusive, que o Lapid, mas no fim das contas ele vai esperar.

E se for a melhor alternativa ele ser o número 2, eventualmente ele vai ser o número 2. Mas eu imagino que ele só vai decidir quando ele for obrigado a decidir, que vai ser cerca de um mês e meio antes das eleições.

Bom, João, está acontecendo muita coisa e no meio disso tudo o Benjamin Netanyahu ainda responde a processos, queria que você trouxesse atualizações nesse sentido, como está o Benjamin Netanyahu nesse cenário eleitoral e para além disso como a guerra com o Irã e com o Hezbollah mexeram com a posição dele em algum sentido.

Ele não teve nenhum ganho político eleitoral com os últimos conflitos. Ele, de fato, depois do 7 de outubro, ele despencou. Ele já era impopular um mês depois das eleições. A reforma judicial foi uma reforma...

que não agradou, inclusive, parte do seu próprio eleitorado, e o 7 de outubro fez com que ele despencasse, mas ele foi recuperando parte da sua base e ele chegou a um patamar próximo ao que era antes do 7 de outubro. Não exatamente igual, ele não chegou a recuperar tudo aquilo, mas ele está próximo.

As pesquisas dão para o bloco do Netanyahu, hoje, cerca de 50 a 51 cadeiras, às vezes 49, que é muito menos do que ele tem hoje. Ele tem hoje 68, ele formou o governo com 64. Tem 68 porque quatro deputados da oposição somaram ao governo, mas ele ganhou as eleições com 64.

E de 64 para 51, que é um bom dia dele, tem muita diferença. Mas é ilusão a gente pensar que o cenário eleitoral vai terminar agora. Ele tem partidos da base de governo que hoje não ultrapassam a cláusula de barreira.

E eu tenho certeza absoluta que o Netanyahu vai encontrar uma maneira de não desperdiçar esses votos. O Netanyahu tem essa liderança, ele consegue promover junções entre partidos para que ele não desperdice nenhum voto. Ele aprendeu essa lição depois de 2019 também, quando o próprio Bennett, no caso, que era da base do Netanyahu, não ultrapassou a cláusula de barreira. Agora, sobre os processos, também já não mexem muito no...

da popularidade do Netanyahu, ele não tem nenhum efeito. A gente tem que lembrar que o Netanyahu é réu desde 2019, já são sete anos que esse julgamento está acontecendo, ele começou a depor somente em 2025, em março de 2025, já tem um ano e dois meses que ele está depondo, se não me engano foi em março, e ele consegue adiar muitas vezes os seus depoimentos, cancelar por conta de agenda do primeiro-ministro. Hoje mesmo ele teve o seu depoimento adiado, a gente não acabou ainda com a parte dele.

ainda vai demorar um tempinho, até porque essa é a primeira instância, que em geral são três. Então a gente não sabe se ele vai ser condenado, se ele vai ser absolvido, mas são três pastas, são três acusações diferentes, mas a gente não sabe se ele vai ser inocentado ou condenado, mas a gente sabe que isso ainda vai demorar um tempinho. A novidade dessa semana foi que, na verdade, na semana passada, o presidente Israquer Zog recebeu o pedido do Netanyahu de indulto.

que na verdade não é exatamente indulto, é cancelamento do julgamento, o que não está exatamente na jurisprudência do presidente fazer, ou seja, se ele fizesse, ele der um indulto antes da condenação. Esse caso vai parar na justiça, com certeza, mas ele propôs, ele disse o seguinte, eu não quero dar indulto.

Eu quero que haja um acordo entre o Netanyahu e a justiça. Eu acho que é o melhor para o país. E a conselheira jurídica disse que está disposta a discutir isso com a defesa do Netanyahu. Vale lembrar que esse acordo foi discutido quando o Netanyahu estava na oposição, mas ele não chegou aos termos, até porque ele provavelmente viu que ele venceria as eleições. Praticamente qualquer possibilidade de acordo do Netanyahu com a justiça implicaria nele, primeiramente...

reconhecer que ele cometeu violações, no mínimo, talvez crimes, pagar multas por isso e se comprometer a deixar a vida política no país, que é uma coisa que a gente chama em hebraico de calon. E o Netanyahu está muito distante de aceitar essas três condições.

reconhecer que ele cometeu qualquer infração, não estou nem falando de crime, estou falando de qualquer infração, pagar uma multa e se retirar da vida política. Eu não consigo visualizar isso acontecendo, exceto se ele sofreu uma derrota caixapante nas eleições e no próprio partido ele for isolado da liderança. Aí ele não vai ter alternativa. Só que aí, ele estando nessa posição, a justiça não vai ter interesse em fazer um acordo com ele, porque ele deixa de ser um personagem interessante.

Então, esse é o dilema do Netanyahu. Ele precisa entender o que vai acontecer com ele,

para ver se vale a pena fazer isso ou não. Enquanto ele for primeiro-ministro, eu duvido que ele faça qualquer acordo. Mas depois que ele... Acho que a esperança do Netanyahu hoje em dia é que essa reforma judicial possa colocar pressão nos juízes para que ele não seja condenado. Agora, caso ele perca as eleições, a chance de um acordo aumenta.

João, queria que a gente entrasse em alguns nomes que hoje fazem parte do governo para entender qual que é a situação de Itamar Bengvir e Betzalel Smotrich, ambos ministros, né? Bengvir, ministro da Segurança Nacional, Smotrich, ministro das Finanças e que também é responsável pela Cisjordânia, no caso.

Como eles estão hoje nesse quadro eleitoral? São os nomes talvez mais radicais que integram o ministério desse governo. Eles passam a cláusula de barreira? Seriam eleitos de novo? Onde eles estão? O...

Eles concorreram juntos nas eleições passadas. Eles alcançaram 14 cadeiras, concorrendo numa lista conjunta. Essa lista tinha sete deputados do Partido Sionismo Religioso, que era o partido do Smotrich. Ele liderava, inclusive, essa lista. Seis do partido do Ben-Vir, o Otzmael Dito, força judaica. E um deputado do partido Noam.

Então é que esse é o deputado que às vezes está no governo, às vezes está na oposição, ele o tempo todo flutua ali. Eles tiveram vários entendimentos, os motores com o Ben-Vir, durante esse tempo, e é um pouco fora da realidade pensar que eles possam concorrer em conjunto nas próximas eleições. O Ben-Vir...

Ele não é um deputado com eleitorado setorial. O Ben-Vir absorve os eleitores da extrema-direita que já tiveram com o Lieberman, já tiveram com o Bennett, já tiveram com outros personagens que apareceram no cenário político de Jair Lens. E hoje...

eles estão com o Benguet. Ainda que ele seja um sujeito ortodoxo e que boa parte do seu partido também seja, embora não todos, não se trata de um partido setorial. Ele tem votação de várias... Eu diria que várias correntes distintas da população israelense, de identidades distintas, de pessoas da periferia e dos grandes censos urbanos, askenazime e sefaradim, enfim, tem todo tipo de eleitor do Benguet.

O Smotrich não, ele é um deputado de um setor, que é o movimento cenista religioso, ele absorveu os votos do mainstream do cenismo religioso por conta do fato do Bennett ter desistido de disputar as eleições. Gente que não é radical, que nem o Smotrich, acabou votando no partido chefiado por ele e essas pessoas não estão satisfeitas com a maneira como ele levou o partido e como ele atua no governo.

E hoje o Smotrit não ultrapassa a cláusula de barreira, porque parte dos seus votos vai para o Bennett e parte dos votos do movimento socialista religioso vai para partidos que não são socialistas religiosos, mas que eles não têm problema em votar em outros partidos. Então, enquanto o Benck virou e já aparece com oito, nove cadeiras...

O Simotrit não passa a cláusula de barreira. E esse é um desafio para o Netanyahu, é encontrar uma maneira do Simotrit não desperdiçar os votos que ele tem. É o Simotrit e o seu partido, porque eles não ultrapassam a cláusula de barreira na maioria das pesquisas, mas, eventualmente, eles aparecem ali. E, às vezes, eles flertam com a cláusula de barreira. Mas, quando não, são 2,5%, 2,2% dos votos.

que são duas cadeiras no parlamento. São duas a três cadeiras. Ou seja, obviamente que não saem todas da oposição. O partido é dividido. Quando o partido mais passa, você tem que redistribuir tudo. Mas é uma ou duas cadeiras a mais para o bloco do Netanyahu que ele não pode desperdiçar. O Benvi dificilmente vai aceitar concorrer de novo com o Ismoutrit porque ele é muito mais forte que o Ismoutrit hoje. Ele não teria por que aceitar esse peso que seria o Ismoutrit na sua lista.

Então o Netanyahu vai ter que pensar numa outra liderança sionista religiosa que pudesse assumir esse partido, ou em absorver o Smotovic no próprio Likud, que seria também uma possibilidade, mas que não alegraria muito a base do Likud. Enfim, ele vai ter que encontrar uma maneira de resolver esse problema.

Então a gente pode dizer que o Benvi aumentou a sua popularidade entre os eleitores da extrema-direita nesse governo. Não diria que ele aumentou a sua popularidade porque ele é muito impopular como ministro, mas para você ter uma votação expressiva e ter um número de cadeiras razoáveis, você não precisa que você tenha mais de 50% da população igual a você. Você precisa de 15% da população, goste muito de você. E aí você recebe uma votação suficiente para entrar no parlamento.

Partidos setoriais, em geral, eles são assim. Eles podem ser impopulares para 90% da população, mas se 10% estão com eles e vão votar neles, isso já são 12 cadeiras, é muito importante, é muito significativo. Partidos que não disputam para ver quem vai ser o primeiro-ministro. E o bem-vindo conseguiu se firmar nessa parcela da população, algo que o Simotrich não conseguiu.

Bom, João, o principal nome da esquerda hoje é o Yair Golan, que concorre pelo partido A-Democratim, que é a junção do Meretz e do Avodá. Queria que você comentasse um pouco qual é a posição dele hoje e o que diferencia ele dos outros candidatos.

Os democratas, que é essa junção, a partir do trabalhista com o Merit, que o Merit é uma espécie de social-democracia verde aqui em Israel. É partido de esquerda, de fato. O partido trabalhista é um partido de centro-esquerda, que deu uma guinada para a esquerda nos últimos anos.

historicamente eles eram partido de esquerda, foram mais por 100, depois voltaram, e eles se juntaram não porque eles queriam, eles se juntaram porque eles não tiveram alternativa. A esquerda em Israel está tão enfraquecida, o Meretz não passou a cláusula de barreira, ficou bem perto, teve 3,16% dos votos, não passou por 0,9%, e o Partido Trabalhista passou por pouco.

com 3,8% então a gente tem 4 cadeiras no parlamento hoje, e eles recusaram a junção nas eleições passadas o Partido Trabalhista, por isso o Méretz não passou desperdiçaram essas cadeiras e enfim, deu no que deu eles dessa vez se juntaram e o nome do Yerigolan é curioso, porque o Yerigolan era o número 5 do Méretz nem se o Méretz tivesse entrado ele teria se tornado parlamentar nas eleições passadas mas ele recuperou a popularidade e e e

porque ele foi uma espécie de herói do 7 de outubro. Ele foi sozinho para a fronteira entre a faixa de gás e a região do envelope de gás, no UTFASA, e salvou vidas. E essas pessoas...

foram a público contar os casos e foi um negócio impressionante. Ele não fez sozinho, mas ele fez com muitas pessoas e foi o principal nome, o nome de maior destaque nisso. E ao mesmo tempo que ele fazia isso, ele estava falando o que ele achava, ele estava criticando a posição do governo, ele estava criticando o Netanyahu, enfim. E ele construiu o seu comeback muito rápido para a política israelense.

E ele aproveitou o vácuo de liderança na esquerda. Ele é um cara que entrou na política pelo Meretz, mas, na verdade, numa junção do Meretz com um partido que foi inventado pelo ex-primeiro-ministro Errudo Barak, que aí juntou com o Meretz. Ele foi o cara que sobrou desse partido para entrar na lista. E aí ele ficou no Meretz, mas sem se identificar muito com o Meretz. Ele é um cara muito mais a cara do Partido Trabalhista do que do Meretz.

Enfim, aí ele aproveitou, nesse momento, ele se filiou ao Partido Trabalhista e promoveu a junção entre os dois.

E ele, na verdade, ele assume essa liderança por causa da figura pública que ele se tornou. Ele não é um cara que goza de muita popularidade para a maioria da população, as pessoas veem ele como um cara radical, ele não é um cara radical, mas ele é um cara de frases fortes.

Por exemplo, ele fez um discurso quando ele ainda era general do exército, ele é o ex-general, dizendo que Israel, em 2016, se não me engano, passava pelos mesmos processos anteriores à chegada do nazismo no poder na Alemanha, de radicalização e de formação de uma extrema-direita intolerante, etc.

E naquele momento foi decidido que ele não ia ser o chefe do exército, porque o chefe do exército não pode falar uma coisa dessas. Ele foge do mainstream. E ele chegou a comentar durante a guerra agora, ainda que ele apoiasse o exército em todos os momentos, como ex-general que ele é, general da reserva,

Ele chegou a fazer um comentário dizendo que não gosta de ver o exército entrando em gás e matando crianças e bebês por hobby. E esse comentário foi um comentário que pegou mal para o mainstream israelense. Ninguém quer que o exército israelense seja descrito como quem mata crianças e bebês por hobby. Eu até acho que nem foi isso que ele quis dizer. Eu acho que ele se atrapalhou um pouco nas palavras. Mas ele não se desculpa.

pelo que ele diz. Ele não escreve nota de errata, de se desculpando por nada. Ele vai para o enfrentamento o tempo todo e isso dá para ele uma condição que nenhum líder da esquerda teve nos últimos anos. Que é um cara que não se envergonha de ser de esquerda, não se envergonha de dizer o que pensa. E ele, hoje em dia, é o único líder de partido que diz abertamente... Ele nem fala em Estado palestino, porque ele sabe que...

que esse conceito está um pouco impopular em Israel hoje em dia, mas ele fala em separação com os palestinos, que no fundo é a mesma coisa. Ele diz que não tem futuro para nenhum dos dois povos se a gente não separar. A gente precisa trabalhar pela separação, precisa trabalhar por uma solução política, as guerras não têm consequências positivas se elas não têm depois um desenvolvimento político, e aí a gente precisa trabalhar nisso. Só que ele vai além disso. O Yair Golan tem a exata noção e aí

de que o que o governo israelense construiu agora em Israel é uma máquina pública e burocrática da extrema-direita que, se você não for com a intenção de desmontar isso por meios até radicais, você não consegue fazer transformações no país. A polícia israelense, hoje em dia, atende a agenda do bem-vindo totalmente. Parte do exército também está totalmente indisciplinado por conta da influência.

do governo no exército e várias outras instituições públicas, elas não atuam de maneira republicana. E ele diz, eu vou, quando a gente assumir o governo, eu vou tratar de que o novo chefe do Chimbete seja demitido, eu vou tratar de que a polícia aconteça tal e tal coisa. Então ele diz, isso tem que acontecer, senão o país não vai ser democrata. Não vai ser democrático.

O país precisa voltar a ser democrático. Ele é o único que fala essas coisas abertamente. Enquanto o Bennett está fazendo um discurso de conciliação com o eleitorado da direita, o Golan faz um discurso de consertar o que está sendo destruído de forma radical. Então isso separa ele do resto do governo. Daí, para que ele conseguir fazer o que ele está prometendo, são outros 500. Eu não sei nem em que condições ele entraria nesse novo governo, embora é óbvio que se a oposição vão formar o governo.

você não tem como deixar o Partido Democrático de fora. Eles vão ser parte do governo e ele vai ter condições de exigir pelo menos um ministério bem importante. Agora, por mais que ele fale em separação em dois estados, e o próprio Er Lapid, historicamente, seja a favor disso, o Gadez enquanto também, é muito pouco provável que o governo, caso a oposição vença as eleições, que o governo caminhe nesse sentido, num primeiro mandato, pelo menos.

tanto pela impopularidade do tema quanto pelo fato de que o governo vai ter pelo menos um terço dos seus parlamentares ligados à direita. E é muito difícil você caminhar nesse sentido com gente como o Lieberman e o Bennett no governo. Então, o que a gente pode esperar é, pelo menos, uma diminuição da construção de assentamentos.

O exército trabalhando contra a violência desenfreada dos colonos na Cisjordânia, mas, enfim, com relação ao conflito, nada muito além disso. E tem um assunto, João, que é muito importante da gente tratar, que é praticamente definidor.

dessa eleição, que são os partidos árabes. Existe uma lista unificada dos partidos árabes, são todos que estão nela, quais são esses partidos, quais as diferenças entre eles. É difícil resumir, mas só para dar de passagem para quem está ouvindo a gente entender. E qual é a relevância desses partidos para que haja uma coalizão sem o Netanyahu?

Essa segunda pergunta é muito difícil de ser respondida, mas eu vou tentar. A gente tem hoje em dia em Israel quatro partidos árabes relevantes, três deles têm representantes no parlamento. Um deles não tem, o Ballad, porque eles não passaram a closa de barreira. O Sumérez teve 3,16%, o Ballad teve 3,09%. Também estiveram bem perto de entrar.

Então, os árabes também são tidos como culpados por esse governo ter se formado. Caso eles tivessem entrado em acordo e não desperdiçado os votos do Ballad, provavelmente a gente não teria esse governo no poder, tanto o Ballad quanto o Meretz. Mas, enfim, esses partidos, então, eles são Uram. Uram é o único partido deles que se define como um partido islâmico.

E, curiosamente, ele é o partido que foi parte da coalizão do governo Benet Lapid, justamente o Partido Islâmico, mas é um partido islâmico moderado. O eleitorado deles é principalmente de beduínos, principalmente do sul do país, que são uma parcela da população que, em parte, serve o exército, inclusive.

A maioria não, mas papo sim. E o Ram, eles têm demandas... Na verdade, uma revolução interna que o seu líder fez atualmente, o Mansur Abbas, era de atender as demandas da população local. E não só a pauta palestina, a pauta do nacionalismo palestino. Então, quando ele entrou na coalizão, ele disse o seguinte, a gente está aqui falando de Palestina, Palestina e ocupação, etc.

Enquanto isso, a população árabe é mais pobre, ela não recebe os serviços básicos do Estado, ela é vítima da violência, especialmente os beduínos da região do Negev, no deserto, eles não têm o mínimo de serviços básicos porque os vilarejos deles não são nem reconhecidos. Então eu quero entrar na coalizão e garantir orçamento...

Para isso, e uma posição de reconhecimento desses vilarejos para que essas pessoas possam ter o mínimo de dignidade. Ele queria fazer parte do governo Netanyahu inicialmente. Ele falou, não me importa com quem. Quem me der, eu vou. Ele falou, e se eu entro com o Netanyahu, é sinal que eu só aceito por todo mundo. Aí a direita e a esquerda vão me aceitar. O Netanyahu queria ele, mas o Simotri te vetou.

E aí, quando o Simotret vetou, o Netanyahu não pôs em formar o governo e o Benito Lapid fizeram o governo com o Mansur Abbas. Ele é do partido Uram. O Uram, ele hoje concorre sozinho. Ele concorre sozinho desde 2021. E ele é hoje o partido árabe com o maior eleitorado.

E é o único que a gente consegue ver querendo fazer parte da coalizão. Eles querem ser parte da coalizão. Aí a gente tem dois partidos que estão concorrendo em conjunto já tem um tempo, que é o TAL, que é a lista democrática árabe, estifiada pelo Ahmed Tibi, e o partido Haddad, que é um dos desdobramentos do Partido Comunista.

O Hadash tem um parlamentar judeu, chamado Ofel Kassi, na sua lista. O Hadash está juntos, tem cinco cadeiras. O Hadash, historicamente, é o partido com maior eleitorado na sociedade árabe, mas eles não se definem como partido árabe. Se definem como partido árabe-judaico. Embora, hoje em dia, 90% do eleitorado do Hadash, ou talvez até mais, sejam árabes. E esses dois partidos têm representantes no parlamento.

eles falam em fazer de tudo para impedir que o Netanyahu continue no poder, mas é pouco provável que eles aceitem fazer parte de uma coalizão, ou seja, eles talvez votassem num governo por fora, como eu expliquei no início, que é possível fazer.

Coisa que eles não fizeram antes. Talvez eles fizeram uma vez só, duas vezes na história. Uma foi para sustentar o governo Nourabin durante os Acordos de Oslo, quando o Chassi deixou o governo. E a outra foi para um mandato para formar o governo e cair na mão do Benny Gantz, contra o Netanyahu. Mas o Benny Gantz não conseguiu formar o governo mesmo assim. E o Ballad, que é esse partido que não está no parlamento, ele é o partido mais radical, digamos assim, da sociedade árabe.

Ele é um partido nacionalista árabe e ele se recusa a fazer acordo com qualquer partido sionista. E aí, o que está acontecendo nesse momento na sociedade árabe? O governo Netanyahu fez com que disparasse a violência na sociedade árabe. Cerca de 80% dos homicídios israelenses em Israel, eles são contra árabes. E eu não estou falando dos árabes dos territórios ocupados, da faz de Gaza e do Cisjordânia. Estou falando dos árabes cidadãos de Israel, que podem votar nas eleições de Israel, que vivem aqui na cidade, embaixo da minha casa.

que tem gente morta o tempo inteiro nessa cidade, e 80% dos homicídios são na sociedade árabe, não são os judeus que matam os árabes, são as gangues, é o crime organizado árabe que faz isso, mas a polícia não atua, nem a polícia, nem o governo de outras maneiras. E esse número disparou.

desde que o Benckvir assumiu o Ministério da Segurança Pública. E toda essa situação de um governo com viés racista, de tudo que aconteceu na faixa de Gaza, que a gente não precisa nem explicar, e é muito importante dizer isso, grande parte dos árabes israelenses têm familiares na faixa de Gaza na Cisjordânia. Eles estão vendo a violência contra os seus familiares nos dois lugares. Na Cisjordânia, por conta dos colonos, e em Gaza, o exército.

É muito difícil ver um árabe cidadão de Israel que não tenha um parente ou um conhecido que não tenha sido morto nos últimos dois, três anos. E essa situação fez com que os partidos árabes entendessem, não só que eles não podem desperdiçar o eleitorado, como aconteceu com o Ballad, mas também que a população árabe vai votar em maior número quando eles concorrem em conjunto. Então, eles anunciaram um termo de compromisso.

de disputar as eleições unidos. Só que esse termo, ele não evoluiu ainda, porque eles têm muitas diferenças entre si. Ou seja, o Ballad, por exemplo, não quer concorrer com o Ramos, sabendo que depois das eleições o Ramos vai falar ok, a gente se separa agora e com os votos do Ballad eu vou entrar num governo com o Bennett e o Lieberman.

Então eles têm muitas diferenças para resolver ainda com respeito a isso. Tem gente que é um pouco mais flexível e tem gente que não. E isso é o que separa essa união desses partidos.

As pesquisas mostram que, no caso de eles concorrerem em conjunto, hoje o Ballard não ultrapassa a cláusula de barreira na maioria das pesquisas e os outros partidos juntos têm, normalmente, 10 cadeiras somadas. As pesquisas mostram que, caso o Ballard se some, eles podem chegar a 16 cadeiras. Ou seja, nesse caso...

1 mais 1 mais 1 mais 1 não dá 4. Dá 6. Sobe, eles têm mais votos. Por quê? Porque a população árabe não vota na mesma proporção com a população judaica. O percentual de votantes na sociedade judaica é de cerca de 80%. Na sociedade árabe, ele varia entre 50% e 60%.

Quando os árabes concorreram em conjunto na lista unificada, eles fizeram sempre entre 13 e 15 cadeiras, algo que eles nunca conseguiram concorrendo separadamente. Então, essa junção dos partidos árabes aumenta o seu percentual de votação e aumenta esse poder deles, inclusive de barganha.

isso inviabilizaria completamente a chance do bloco do Netanyahu, caso os partidos árabes tenham uma votação expressiva, inviabilizaria completamente a possibilidade do Netanyahu formar o governo, mas talvez também inviabilizaria... Vou tentar falar essa palavra. Talvez inviabilizaria... Como falar isso?

inviabilizasse. Inviabilizasse. Talvez inviabilizasse também a possibilidade de a oposição formar um governo, uma vez que hoje, nesse momento, boa parte dos partidos de oposição dizem que não querem formar um governo com partidos árabes ou que dependa dos partidos árabes. Ou seja, a gente chega a 61. O Rã não quer ser parte? Pode vir.

Mas se a gente tem 58 e precisa de outras três cadeiras durando, é uma situação complicada para você ficar dependendo dos árabes. O que é uma visão que a gente pode dizer sem nenhum problema que ela flerta com o racismo, por um lado. Por outro lado, eles têm receio sério de perder eleitores.

caso eles digam hoje, a gente vai fazer um governo com o Uram, depois do 7 de outubro, ainda que o Mansur Abbas, líder do Uram, tenha condenado os ataques do Hamas no dia seguinte, e tenha feito isso diversas vezes. Mas esse é o cenário que se construiu em Israel, de radicalização da população, e que vai demorar um tempinho até ser desconstruído. Talvez a participação do Uram na próxima coalizão possa ajudar a desconstruir isso novamente. Mas enfim, então essa participação...

e a votação massiva dos eleitores árabes, elas podem ser favoráveis e desfavoráveis para os dois lados. Mas, como cidadão israelense, eu acho importante que todo mundo vote. E eu acho também que é importante que os partidos não árabes...

também briguem pelo voto da população árabe, apresentando projetos, tentando ganhar confiança nessa população, porque isso já aconteceu no passado. Cerca de 15% a 20% da população árabe vota em partidos sionistas. Isso recentemente também. Ou seja, isso pode acontecer.

Geralmente isso acontece quando há árabes também nas listas dos partidos sionistas. O Merit sempre tinha, o Partido Trabalhista também. O próprio Israel Beitene, do Lieberman, sempre tinha pelo menos um druso na sua lista e isso dava para eles um percentual de votos nas vilareias de drusos. Enfim, isso precisa acontecer também para os partidos sionistas disputarem a votação árabe porque, enfim, como tem judeus que votam.

na lista unificada dos partidos árabes, podem ter árabes votando os partidos judaicos também. E bom, João, para a gente finalizar, claro que a gente, enfim, não tem como fazer previsões, mas a partir da tua análise de quem está acompanhando muito de perto todo esse processo...

Qual que é a chance de o vencedor conseguir, de fato, formar uma coalizão? Ou você acha, a partir da tua análise, que Israel pode entrar num looping de eleições de novo, como a gente viu aí nos últimos anos? Eu acho que é muito pequena a chance de a gente entrar num looping de eleições, porque a oposição não quer de jeito nenhum que o Netanyahu permaneça no poder. E enquanto não é formado um novo governo, o primeiro-ministro...

anterior permanece como interino no cargo. E caso sejam colocadas novas eleições, o Netanyahu continua sendo primeiro-ministro. Então eu acho que essas bravatas, eu posso dizer abertamente que são bravatas, ah, a gente não vai fazer governo com partidos árabes, eu não acredito nelas. Eu acredito que a vontade deles de derrubar esse governo seja muito maior.

do que o próprio racismo de alguns deles ou do que a tentativa de satisfazer uma parcela do eleitorado. Eles não podem dizer abertamente isso. Os árabes dizem. Os partidos árabes dizem. E, inclusive, o próprio Monserabres diz o que eles falam agora não me importa. O que me importa é o que eles vão fazer depois. Ou seja, eles sabem que, no fim das contas, ele vai ser procurado caso seja necessidade. Eu acho que a única chance da oposição não formar o governo...

é de fato o Netanyahu conseguindo vencer as eleições. E para ele vencer as eleições, é ele fazer 57, 58 cadeiras. Porque aí realmente inviabiliza a possibilidade da oposição fazer governo. Acho que nesse aspecto, talvez o apoio de partidos como o Ballad seja impossível. Mas se o Netanyahu não chegar a 56, 57 cadeiras, é muito pouco provável que ele vença as eleições. É muito, muito provável que ele caia.

A grande pergunta é quanto tempo duraria um governo com tão poucos parlamentares e com um apoio tão frágil e se ele seria capaz, de fato, de provocar, de fazer as mudanças que o país precisa que sejam feitas para poder desconstruir essa influência da extrema-direita em todas as instituições do país.

acho que precisa de um governo forte para isso, com vontade de fazer isso, então o resultado das eleições vai ser muito significativo para a gente ver para que lado a população quer ir. Agora, se vocês me permitem, há um receio também em Israel, cada vez mais forte, de tumultos e de tentativas de descredibilizar o processo eleitoral.

a diretora-geral da Comissão Eleitoral, o presidente é o juiz Souber, que é o juiz da Suprema Corte, a diretora-geral renunciou depois de 16 anos na posição. É um cargo totalmente apartidário, ela não tem ligação com nenhum partido, ela é uma profissional e que estava nesse cargo há muitos anos, e ela renunciou.

porque ela está sendo atacada, e ela estava com receio de ser mais atacada ainda do que ela estava sendo, e ela não quer isso para ela, ela renunciou. E esse é um resultado muito motivador para quem quer.

tumultuar o ambiente eleitoral em Israel. A gente viu o que aconteceu nos Estados Unidos, a gente viu o que aconteceu no Brasil, e a gente está vendo a violência dos apoiadores do governo atual em Israel. Isso pode acontecer aqui, pode acontecer até coisa pior.

Eu acho que deve estar muito atento para o que vai acontecer no dia das eleições. Vai haver tentativa de impedir, de desmotivar a votação da população árabe, com certeza. Já aconteceu nas eleições passadas. O Likud espalhou que tinham câmeras nas eleições de votação árabe para ver a ação de grupos terroristas no lugar. E os árabes têm medo de ir votar com uma câmera filmando o voto deles. Então, tem gente que não foi votar por causa disso. E não só de árabes.

Vai ter violência contra manifestantes aqui em Israel, é permitida a boca diurna. Vocês podem anotar o que eu estou dizendo agora. Historiador não é bom de prever futuro, é melhor de prever passado. Mas vocês podem anotar o que eu estou falando agora. É muito, muito, muito provável que a gente tenha tumulto.

tumultos no dia das eleições aqui em Israel. A questão vai ser o tamanho desses tumultos e quanto isso vai impactar no andamento das eleições. Isso fora todo tipo de fake news e uso de inteligência artificial que vai ser usado como nunca antes. Mas isso não é só aqui, isso é no mundo inteiro, inclusive no Brasil também.

João, muito obrigada. Acho que traçou um cenário e a gente vai seguir acompanhando isso, até porque seria bom se a gente soubesse se vai ser mesmo em outubro a eleição, mas pode ser que não, que seja até antes, ou enfim, sei lá. Se também pode ser que role uma tentativa de golpe e não tem eleição, não cria ventilado possibilidade. Ou que adie as eleições. Também isso pode acontecer. Se tiver guerra, você não pode ter uma eleição se você está fazendo guerra com o Irã.

com mísseis caindo no país. Então, as eleições municipais foram adiadas porque elas deveriam acontecer no início de 2024, elas aconteceram no meio de 2024. Isso pode acontecer também aqui em Israel. Eu não boto a mão no fogo de que as eleições certamente vão acontecer até outubro, embora essa seja a data.

Bom, aguardamos. Então, conversamos com João Miragai, mestre em História pela Universidade de Tel Aviv e apresentador do podcast do lado esquerdo do muro, além de assessor do IB. Obrigada mais uma vez. João, volte sempre.

Obrigado a vocês pelo convite, prazer estar aqui. Até a próxima. Muito obrigada, João. Para quem está ouvindo a gente, se você quiser mandar uma mensagem, é só escrever para o iocomisso, arroba institutobrasilisrael.org. O iocomisso está em diversas plataformas de áudio, como Spotify, Orelo, Apple Podcast, e também no canal do YouTube do Instituto Brasil Israel. Não esquece de seguir o IBE nas redes sociais e até quarta-feira que vem.