Episódios de Antropocast: navegando pela Antropologia

60. Culturalismo: a invenção da raça e o racismo científico (Parte 3: Lamarck, Darwin, Spencer e Gobineau)

22 de junho de 20261h11min
0:00 / 1:11:40

Na terceira parte desta sequência de episódios sobre o racismo científico, o Antropocast analisa como algumas das teorias mais influentes do século XIX ajudaram a construir uma aparência de legitimidade científica para ideias profundamente racistas.

Em pleno contexto da Era Vitoriana, marcado pela confiança no progresso, na ciência e na expansão dos impérios europeus, pensadores como Arthur de Gobineau e Herbert Spencer desenvolveram interpretações das ideias de Lineu e Blumenbach radicalizando as diferenças humanas em hierarquias supostamente naturais.

No cenário francês, Gobineau defendia que a raça era o verdadeiro motor da história. Em sua obra mais conhecida, "Ensaio sobre a Desigualdade das Raças Humanas", argumentava que as grandes civilizações teriam sido criadas por povos racialmente superiores e que a miscigenação levaria à degeneração e ao declínio das sociedades. Ele é o autor que formulou algumas das ideias que mais tarde alimentariam teorias sobre a superioridade da chamada raça ariana. Por isso, ficou conhecido como o pai fundador do Racismo Científico.

Na Inglagerra, Herbert Spencer procurou aplicar a teoria da evolução de Darwin à interpretação das sociedades humanas. Criador da expressão "sobrevivência do mais apto", ele desenvolveu aquilo que ficou conhecido como darwinismo social, defendendo que a competição seria o motor do progresso humano. A riqueza das nações industrializadas, o poder do Império Britânico e as desigualdades sociais passaram a ser apresentados como consequências naturais da evolução. Nessa lógica, povos ameríndios, africanos e outros grupos colonizados eram frequentemente descritos como representantes de estágios inferiores de desenvolvimento, enquanto a Europa industrial aparecia como o ápice da civilização e da sofisticação do ser humano.

Como estamos defendendo desde o início desta série, essas ideias foram fundamentais para legitimar o colonialismo, a exploração do capitalismo na sua forma industrial, a segregação racial e, posteriormente, movimentos como a eugenia. Continuam até hoje alimentando o chamado racismo estrutural.

Essas reflexões são feitas no arquipélago do Culturalismo porque vai ser justamente com o trabalho de Franz Boas (e seus discípulos) que tudo isso vai ser desconstruído. E isso será pauta em episódios futuros.

Compreender essa história é fundamental para reconhecer como o racismo foi construído e legitimado ao longo do tempo. Ao mesmo tempo, é uma ferramenta poderosa para enfrentar suas permanências e seus efeitos no mundo contemporâneo.

Aperte o play e venha pensar com a gente.

Siga-nos: @antropocast.

60. Culturalismo: a invenção da raça e o racismo científico (Parte 3: Lamarck, Darwin, Spencer e Gobineau) | Castnews Index — Castnews Index