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58. Culturalismo: a invenção da raça e o racismo científico (Parte 1 - Raça: as origens desta ideia)

17 de maio de 202646min
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Uma das grandes contribuições de Franz Boas para o pensamento contemporâneo foi a separação entre raça e cultura: o fim do determinismo racial. 

Com este episódio, iniciamos uma série de três que explorarão a questão racial. 

Neste primeiro episódio, nós vamos mergulhar na  construção histórica do conceito de raça (incluindo a sua etimologia). Vamos explorar porque “raça” é um grande mito que foi construído pela ciência moderna e se consolidou no imaginário eurocentrado como uma ideologia (no sentido trabalhado por Antonio Gramsci), consolidando o chamado racismo científico. 

Nesta análise, partimos da etimologia do termo, mostrando como “raça” não nasceu como uma categoria biológica, mas como uma categoria social que não tinha nada de biológico. Ao longo do tempo, foi sendo apropriada e transformada a partir de quatro matrizes que sustentaram o colonialismo e o imperialismo: o campo científico, o campo político, o campo religioso e o campo econômico.

No próximo episódio, nós vamos avançar para o contexto da ciência moderna, especialmente entre os séculos XVIII e XIX, quando o impulso classificatório do Iluminismo levou naturalistas como Carl Linnaeus, Johann Friedrich Blumenbach, além de teóricos como Arthur de Gobineau, a organizarem a diversidade humana em categorias raciais, atribuindo a elas não apenas diferenças físicas, mas também morais e intelectuais. Mostramos como essas classificações, longe de serem neutras, se articularam com projetos coloniais, religiosos e políticos, funcionando como uma poderosa ideologia de legitimação da escravidão, do imperialismo e das desigualdades sociais.

Na sequência, no episódio seguinte, discutimos a crítica antropológica, com destaque para Franz Boas, que rompe com o determinismo biológico e inaugura uma nova forma de pensar a diferença humana, baseada no relativismo cultural. Encerramos refletindo sobre o racismo contemporâneo, suas transformações e permanências, mostrando como ele continua operando de forma estrutural, muitas vezes de maneira invisível.

Se “raça” não tem base biológica, por que continua organizando o mundo produzindo tanta violência (sob múltiplas formas)? Essa é a provocação central do episódio. Um convite para desconfiar do que parece natural — e para entender como ideias podem moldar realidades.

Aperte o play e venha pensar com a gente.

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