62. Culturalismo: a invenção da raça e o racismo científico (Parte 5: Reflexões sobre Ciência e Pseudociência)
O que é ciência? E o que separa ciência de pseudociência?
À primeira vista, essas perguntas parecem simples. Mas basta entrarmos no campo da Filosofia da Ciência para perceber que suas respostas estão longe de ser consensuais.
Neste episódio, vamos discutir como o conhecimento científico é construído, quais critérios utilizamos para considerá-lo válido e por que a própria fronteira entre ciência e pseudociência constitui um importante problema epistemológico.
Partiremos da concepção de ciência positiva que ganhou força no século XIX, marcada pela confiança na observação, na experimentação, na mensuração e na descoberta de relações de causa e efeito. Esse modelo, fortemente inspirado nas ciências da natureza, tornou-se uma referência para aquilo que passamos a reconhecer como o “fazer científico”.
Mas será que todos os objetos podem ser investigados da mesma maneira? A partir dessa questão, discutiremos as diferenças epistemológicas e metodológicas entre as chamadas hard sciences e soft sciences, especialmente entre as ciências naturais e as ciências humanas.
Enquanto as primeiras trabalham privilegiadamente com fenômenos passíveis de mensuração, experimentação e busca de regularidades, as ciências humanas lidam com sujeitos históricos e culturais, cujas ações são atravessadas por sentidos, valores e intencionalidades. Isso exige outros procedimentos de investigação e interpretação que são submetidos a métodos, evidências, crítica e validação.
Não se trata, portanto, de uma hierarquia entre "ciências mais ou menos rigorosas", mas de ciências que precisam (pela natureza de seus objetos) de protocolos metodológicos diferentes.
Ao final, retornaremos à pergunta que orienta toda a reflexão: quando podemos afirmar que determinado conhecimento é científico e quando estamos diante de uma pseudociência?
Mais do que procurar uma resposta simples, a proposta é compreender que definir ciência implica discutir seus métodos, seus limites e também sua própria história.
Essa reflexão epistemológica prepara o terreno para o episódio seguinte, quando entraremos no século XIX para compreender como determinadas teorias, revestidas pela autoridade e pela linguagem científica de seu tempo, participaram da construção daquilo que posteriormente ficou conhecido como racismo científico.
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