Nova Iorque 400
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- Filmes e cultura popFilmes ambientados em Nova Iorque · Manhattan de Woody Allen · Gangues de Nova Iorque · O Poderoso Chefão · Balada da Ilustrita (série dos anos 80) · Cotton Club · Manhattan Transfer (livro) · O Grande Gatsby (livro) · Megalópolis (filme de Coppola) · Séries policiais em Nova Iorque
- Fundação e História de Nova IorqueOrigem como Nova Amsterdão · Domínio holandês e inglês · Imigrantes do Mayflower · Tomada pelos ingleses em 1670 · Nova Iorque como ponto de resistência inglesa · Loyalists durante a independência americana
- Imigração e Diversidade em Nova IorqueChegada de imigrantes europeus · Ellis Island como porta de entrada · Comunidades judaicas, italianas, irlandesas, porto-riquenhas, caribenhas, chinesas · Tráfico de produtos na Baixa de Nova Iorque · Crime organizado e máfias · Diferenças entre máfia italiana e colombiana · Multiculturalismo e vagas de imigração · Eleição de prefeitos de diferentes etnias
- O Contraste e a Dualidade de Nova IorqueSelva e humanidade · Liberdade e individualismo vs. desigualdade e criminalidade · Grande arte vs. grande criminalidade · Riqueza absoluta vs. pessoas a dormir na rua · Central Park como refúgio
Seja bem-vindo a mais uma sessão dos Radicais, Radicais Livres, de Jaime Nogueira Pinto e Pedro Tadeu, que este sábado querem falar de uma das cidades que todos temos uma ideia. Os que já lá foram, os que querem lá ir. Nova Iorque. Uma cidade que é um conjunto de ilhas, é portanto o arquipélago, tem 400 anos, é mais antiga que o próprio país, começou por se chamar Nova Amsterdão, porque Jaime, naquela altura, eram os holandeses que dominavam o Atlântico.
Sim, dominavam, os espanhóis continuavam a ser muito importantes no Atlântico, mas quer dizer, o Norte, de facto, ali para o Norte foram sobretudo os holandeses e os ingleses, não é? Quer dizer, os...
Enfim, foram aqueles exilados religiosos do Mayflower, não é? E pronto, e aqui os holandeses. Os holandeses nessa altura eram uma potência marítima importante. Aliás, foram eles que nos tiraram. O Mayflower não era um navio. Mas que levou todos aqueles imigrantes religiosos. E que aportou em Plymouth.
Exatamente, e a famosa, pronto, são esses os descendentes do Mayflower, que são, digamos, a aristocracia, de certo modo, é um bocadinho uma aristocracia americana de fundadores. De famílias fundadoras. Famílias fundadoras, que eram, aliás, perseguidos, são exilados religiosos, são, a maior parte, eram, digamos, puritanos.
que não gostaram do clima que estava a ser criado na Inglaterra anglicana, não é? Portanto, mas de facto aqui são os holandeses que vão ficar praticamente, se não estou em erro, durante 50 anos até que...
Em 1670 e qualquer coisa, uma armada inglesa vai tomar Nova Iorque, não é? E pronto, os ingleses vão lá ficar até 1783, já durante a guerra da independência americana. E Nova Iorque vai ser um ponto de resistência dos ingleses, que portanto também vai abrigar.
Muitos dos loyalistas chamamos, a gente chama loyalists, aos americanos que ficaram fiéis ao rei Jorge III de Inglaterra, enfim, em toda aquela... Mas eu penso que a nossa ideia aqui de Nova Iorque, aliás a Maria Flor estava aí a anunciá-la no princípio,
É que é a cidade, eu penso sempre nisso, quer dizer, eu fui já muita vez a Nova Iorque, agora tenho ido menos, mas fui, fui para aí. E é uma cidade que se tem sempre saudades, não é? E é uma cidade onde se está sempre a descobrir coisas novas, não é? Mas eu acho que o que torna Nova Iorque também deve ser a cidade que para além da terra onde nasceram.
Deve ser o lugar que mais gente no mundo conhece, porque há centenas, se não milhares, de filmes passados em Nova Iorque, centrados em Nova Iorque, e nós habituamos-nos a isso, não é? Quer dizer, é uma... a minha geração, por exemplo, há aqueles... Manhattan, presidente do Woody Allen. Aquele início é fabuloso, não é? Aquelas primeiras imagens.
Em facto, é uma cidade fascinante em todos os aspectos. É uma cidade fascinante e que fascinou, aliás, a maior parte de hoje.
dos realizadores de cinema, os grandes quase todos fizeram filmes ali passados, e sei lá, desde aquele mundo extraordinário dos gangues, por exemplo, que aliás é uma tradição antiquíssima, os gangues de Nova Iorque, já desde praticamente...
dos princípios ainda, no Mudo há filmes sobre os ganhos de Nova Iorque e depois há os padrinhos, não é? Os padrinhos é uma antologia também, é uma antologia fílmica também de Nova Iorque depois claro que vai também lá para os estados do interior mas essencialmente é Nova Iorque e cada e quando a gente, enfim, acabou já conhece Nova Iorque Nova Iorque e a Cecília É, a Cecília a Proof
Que lá está, é a outra história fascinante de Nova Iorque, que era onde chegavam, a partir, sobretudo, dos meados do século XIX, era onde chegavam os imigrantes europeus, quer dizer, todos os imigrantes europeus.
entravam por Nova Iorque, não é? Quer dizer, era a grande entrada, enfim, no novo mundo, toda aquela gente que ia da Europa à procura de uma vida melhor, não é? Ia exatamente, e entrava por ali, por Nova Iorque, e portanto...
todo esse lado, digamos, enfim, fascinante, atraente, as docas, o Alô de Nocais, por exemplo, aquele filme fantástico com o Marlon Brando, que, enfim, é um filme, esse é quase da minha infância. Tudo isso nos faz, na cabeça, faz uma ideia que depois nós, quer dizer, quando lá vamos, depois também já levamos essa ideia.
Ninguém vai a Nova Iorque sem nunca ter visto um bocadinho da cidade, não é? Pois é, quase. É quase isso. Tirando as crianças de cor. Claro, com certeza. Também é uma imagem forte dos desembarques, não é? Sim. Dos imigrantes, é uma imagem forte.
aquelas criancinhas que vão ao colo das mães ou dos pais ou do que for. Uma coisa engraçada, que aqueles imigrantes mais recém-chegados são aqueles que se ocupavam, enfim, de tráficos, neste caso tráficos relativamente legais, não é?
que vendiam na Baixa de Nova Iorque as coisas mais baratas. Isso vai sendo por, digamos, massas diferentes de imigrações. Por exemplo, o crime organizado, lá está, a gente vê em vários filmes.
vê a chegada os judeus, os irlandeses, os italianos, depois as lutas entre eles, depois os colombianos e os mafiosos colombianos, que mudaram a cultura toda daquela zona, porque enquanto os italianos tinham aquelas leis de honra...
da máfia tradicional, ou seja, não matavam mulheres nem crianças, por exemplo, tinham esses códigos, como os códigos internacionais de regular a guerra, não é? Aplicavam ali uma ideia de guerra justa e com uma certa medida depois esses colombianos e essas máfias já depois dos narcos alteraram completamente isso tudo, não é? Pedro, qual é que é a tua ideia de Nova Iorque?
Nunca foi a Nova Iorque, primeiro ponto. Ah, tens de ir. Sorte, que sorte. Já cheguei a ter bilhetes comprados e vista aprovado. Mas havia dando-se umas proibições, não é? Sim, sim, sim. Nunca tive que assinar a declaração de que não era comunista. Aquela declaração.
Não, e havia uma outra, eu não sei se isto é verdade ou não. E assinavas? Havia uma mais fantástica, que era, uma das perguntas era, vem para assassinar o presidente dos Estados Unidos. Eu não sei, nunca vi. Mas contaram-me que houve uma altura que isso existia.
O assassino que eu disse, sim, sim, a minha missão é essa, realmente, não devia ter visto em princípio. Mas sempre quis ir a Nova Iorque, sempre tinha vários projetos, depois nas redações, sempre que havia uma viagem para Nova Iorque, por motivos profissionais, havia sempre umas grandes guerrinhas, eu nunca me meti nisso, não tenho paciência, a gente queria ir, não é? E acabei por nunca ir. Mas claro que sinto como se conhecesse a Nova Iorque, a Nova Iorque dos Arranha-Céus, a Nova Iorque dos Imigrantes.
A Nova Iorque do dinheiro, da cultura popular, a música que tem muita influência na minha vida, do jazz, o rock, o hip-hop, tudo aquilo tem a ver com a Nova Iorque, as várias comunidades judaicas, italianas, irlandesas, porto-ricanha, do Caraíba, chinesas, tudo... Sim, sim.
Sei lá, aquilo de certa maneira, estou-me a lembrar agora que estávamos a falar de cinema, aquela série dos anos 80, quando eu era jovem, a balada da Ilustrita, em que o sargento quando fazia a ordem de serviço no princípio do dia para as patrulhas irem para as ruas, antes deles saírem dizia assim...
Cuidado que lá fora é uma selva e de facto aquilo é uma mistura de selva e de humanidade, que é de promoção por um lado da liberdade e do individualismo, o grande emblema dos Estados Unidos da América, e da capacidade criativa e da imaginação e da capacidade de fazer coisas, de não ficar parado à espera que o mundo nos caia no colo, mas ao mesmo tempo a criação sistemática e estrutural de desigualdades.
de criminalidade, de violência, de marginalidade, enfim, tudo entre a grande arte e a grande criminalidade é de facto um mundo de contrastes que é absolutamente incrível e concentrado num único ponto. E isso é de facto vibrante, ainda hoje é. Creio que já teve uma fase mais encantadora.
Hoje em dia não me parece que seja assim, já há muitas cidades até a replicar de certa maneira alguns modelos arquitetónicos e urbanísticos de Nova Iorque. Ah, mas não é a mesma coisa, não tem os mesmos museus, não é a mesma coisa. Claro, aliás são números impressionantes, por exemplo, só o Museu de Arte Moderna de Nova Iorque tem 5 milhões visitantes por ano, quer dizer, qual é o museu que tem 5 milhões visitantes por ano, de facto é extraordinário.
Mas é uma cidade que depois na sua vida prática tem vivido uma história também muito interessante, desde essas origens que o Jaime falou no princípio, ainda no tempo dos holandeses, da Nova Amsterdão, que é isso que justifica aliás os 400 anos, que é um período ali entre 1624 e 1626.
Depois até ao mito de que a compra da ilha de Manhattan aos índios, por 25 dólares, aos índios Lenapi, que depois, entretanto, são criados um mito à volta deles. Se eles próprios serem símbolos da América e de Nova Iorque em particular, o chefe deles, que era o Temani, depois é utilizado para ser criado...
Exato, o Tamenial, que é uma associação de interesses norte-americano, que acaba por governar a cidade muito dentro do mito que nós conhecemos, que é um mito em que há umas trocas de favores políticos, uma mistura de corrupção e justiça, que vão convivendo de clientelismo e integração. Isto é, olha, ver-se, por exemplo, nos gangues de Nova Iorque, do Scorsese.
integração na política corrente, próprio mecanismo da corrupção. E, portanto, tudo isso dura uma série de anos e impulsiona o desenvolvimento no século XIX e no século XX dos Estados Unidos, até que chega a um nível insuportável de criminalidade e de corrupção, sobretudo o problema de corrupção, que acabou por levar, já nos anos 30, depois também com a entrada na depressão, etc., para uma nova era, digamos, de política interna.
Mas, de facto, essa origem, no século XIX e no princípio do século XX, o início depois da construção dos arranha-céus, que, aliás, o primeiro até é em Nova Iorque, é em Chicago, não é? Pois em Chicago teve uma moratória urbanística, porque achava aquilo muito feio. Durante uns tempos não construíram arranha-céus e Nova Iorque adiantou-se. Digamos, até à Grande Depressão, de facto, é criado ali, por exemplo, o...
O Harlem Renaissance, que é o bairro negro degradado, pobre, onde os negros eram um gueto, digamos assim, é onde nasce o jazz, a literatura afro-americana e tudo aquilo que consegue entrar na Broadway, consegue entrar no cinema, há toda uma nova cultura que vai influenciar o mundo todo.
e que nasce ali e que nasce ali e que depois tem por exemplo nos anos 70 uma réplica no Bronx com o nascimento do hip hop que dura até hoje que é dominante hoje em dia vamos ver as tabelas do streaming mais ouvido ou dos discos mais vendidos e em 100 discos
90 são de hipop, e talvez apareça com sorte um de rock, que era no meu tempo aquilo que dominava. E portanto, tudo isto é de facto um núcleo cultural do Ocidente, e também com muita reprodução na Ásia e na América do Sul, mas sobretudo no Ocidente dos Estados Unidos e Europa toda.
é de facto uma influência cultural que, aliás, suporta também o próprio domínio norte-americano político. É, digamos, um mecanismo de soft power, porque há uma compreensão natural, sobretudo... Sim, Trump é de Nova Iorque. Sim. É, é, é. E começou, aliás, lá está. Nesse misto de corrupção e negócio. Não, ele começou no tempo que ele começou a sua vida.
profissional com o pai a trabalhar com o pai no real estate, portanto no imobiliário havia uma grande influência mafiosa nesse imobiliário aliás já lá está a ver-se na filmografia americana isso por exemplo há aquele que é um filme que é num cabaré
E vê-se aí exatamente essa sucessão dos vários grupos étnicos, não é? Que se vão dedicando ao tal crime organizado. E cada um que chega de novo tem que enfrentar os que já estão, não é? Eu tenho um nome exatamente, ou de uma música... O New York, New York? Não. Não, não, não. E tem o nome do... é um bar onde se passam as coisas.
Cotton Club? Cotton Club, de Cotton Club Ah, e o Cotton Club Ah, é fantástico Cotton Club tem uma, além da música Eu tive um programa de rádio há muitos anos Que um dos separadores era desse disco Da banda sonora O filme é ótimo O filme é ótimo
E a banda sonora é extraordinária também. É muito bom. E é exatamente esse roule-mã das várias etnias que dominam o crime. E vê-se isso muito bem. E depois também a literatura americana centrada em nós. Há um livro de João dos Passos, por exemplo, que é um dos seus critérios que o Benjamin gosta, que eu sei.
o Manhattan Transfer que até deu o nome a uma vanda e o Great Gatsby do Scott Fitzgerald aquela ida à Nova York deles é fabulosa e são de facto essas imagens Nova York de certo modo na nossa cabeça era um bocado o que no século XVII devia ser
ou princípios do século XVIII, a corte de Luís XIV. É assim uma coisa que se imagina, não é? É um centro do mundo, não é? Eu por acaso estava a pensar, pois, há cidades como Paris e Nova Iorque que tiveram épocas absolutamente douradas. Exatamente, Paris no século XIX. Eu acho que Londres nunca chegou lá. Londres, Londres tem...
O Deakins, por exemplo Aquele retrato O Sherlock Holmes Sim, mas não tem a mesma aura Tem o de Aristocracia Sobrar a aristocracia E Londres foi muito forte nos anos 60 Sim, é verdade Aquela erupção dos Beatles E do Rolling Stone Eu nitidamente vi, por exemplo, aqui em Portugal Passamos, nós tínhamos muita influência Da França e de Paris e não sei o que E...
E apanhou-se nos anos 60, a segunda metade, sobretudo nos anos 60, há uma grande influência. Mas isso aí, a música é indissociável. A música é. E traz a cidade também. É verdade. E depois aqui há outra coisa, que eu acho que é sempre muito importante sublinhar nestas coisas. A cidade é onde se pode mudar de vida. Quer dizer, a grande cidade...
Porque na pequena cidade ou na província Normalmente tudo fica onde está Aliás Olha lá está Vê-se nos padrinhos O Dom Vitor Corleone É um desgraçado O pai dele foi lá assassinado Por aquele tipo Também é um livro é verdade É um grande livro também O padrinho O Mário Puzo
O livro não é grande coisa. Eu gostei do livro. Não tem nada a ver com a... O filme é melhor. O filme é fabuloso. Os filmes. Mas lá está. É muito também essa ideia de que é na grande cidade...
que se mudam as vidas. Quer dizer, a história do Dom Vítor Corleone, que é um coitado, é um desgraçado, um popérrimo que desembarca ali, miúdo, em Manhattan. Exatamente. Desembarca ali. E depois aquela ascensão que ele vai fazendo através do crime e do negócio e tudo isso.
Mas é uma ascensão sem piedade, que é o problema que, no fundo, esta ideia da ideologia de Nova Iorque, digamos assim. Pedro, mas é um herói americano, não é? Sim, sim, sim. A conotação do Dom Vito Corleone e do Michael Corleone, que são ímpios, o Dom Vito é mais negociador, não é? O Michael é mais impiadoso.
O D. Vito tem, por exemplo, princípios. O D. Vito não quer, por exemplo, entrar no negócio da droga. E o outro já não se importa nada. Quer dizer... É muito curioso isso também. Mas são heróis americanos. Quer dizer, portanto, há ali...
um individualismo, não é? E essa ideia do sucesso e do progresso, que são muito americanas e que têm outras projeções. E que é muito vinda dos anos 30, que aliás é quando começa, eu creio que a imigração do pai Corleone é nos anos 30 ou é nos anos 20. É mais cedo, é mais cedo. É mais cedo, é mais cedo. Mas é muito dos anos 30, ou seja, aquela reação à grande pressão.
Há um tipo que é, que aliás tem o aeroporto em nome dele, o Laguardia, que nos anos 30... Fiorentino Laguardia. Exatamente. O Laguardia, digamos, começa a planear a nova Nova Iorque, a Nova Iorque que vai recuperar da depressão. Os arranha-céus, os bairros mais ordenados...
faz autostradas para empurrar para fora da cidade muitas pessoas, para passarem a viver fora da cidade, dá espaço à classe média, tudo isso transforma a cidade rapidamente, apesar de tudo isso por uma dezena de anos, ou mais até. Mas até à Segunda Guerra Mundial ele consegue, de facto, transformar Nova Iorque na imagem que ainda hoje perdura. Apesar de, por exemplo, nos anos 70 a cidade faliu.
e também temos essa imagem em alguns filmes olha, nesta série que eu falei, a Balada da Little Street e é a Nova Iorque com o lixo nas ruas degradada, que a câmara não consegue funcionar portanto, também houve esse período de degradação que só foi ultrapassado depois nos anos 80 e já na era do Reagan e com o Giuliani e o...
Juliane. É muito interessante também que lá está, que um italo-americano no caso do Laguardia, seja eleito mayor de Nova Iorque. Isto também... Quer dizer, essa etnicidade, por exemplo, da classe dirigente, neste caso política, não é? É também um fenómeno muito interessante, porque...
Havia alturas que isso não seria imaginável, não é? Pois, isso é o multiculturalismo. É o multiculturalismo, mas é o multiculturalismo que vai por vagas. Exato. Quer dizer, não é? E que, olha, agora, por exemplo, tem um muçulmano como o Mayer, Nova Iorque. Exato. Mandani é um...
É um muçulmano, de certo modo, é um muçulmano de classe alta, mas é um muçulmano... E é um não fundamentalista, é um moderado. Ele jurou, exatamente, mas que jurou lá com o Corão. Quer dizer, são coisas... dá-nos a ideia. E os americanos depois também são uns mestres, aliás, seguindo os ingleses.
São os mestres a contar a própria história, não é? Porque fazem eles sempre o contraditório, não é? Antes que alguém faça. Antes que alguém faça. Isso é uma maneira boa para... É uma maneira... Os bons advogados criminais. Os bons advogados criminais começam normalmente a sua...
Ele podia ter feito isto, isto e isto. Não, não, por dizer tudo aquilo que é inegável, mau sobre o seu, mas pintando. Claro, pintando com as cores próprias. E esvaziam um bocado as acusações, não é? E dão-lhe o tom que querem. E os americanos nisso fazem, aliás, viu-se isso, por exemplo, já temos falado nisso.
nos filmes do Oeste, não é? Que numa dada altura passaram a fazer autocrítica, não é? Os aqueles do Blue Soldier, começaram a fazer autocrítica. Quer dizer, até uma certa altura eram índios maus, colonos bons, tropa boa que chegava sempre a tempo à espadeirada e para vencer os índios. A partir de uma certa altura é o contrário. Começam a ser colonos maus, tropa má, índios bons.
E é muito interessante isso, porque eles vão fazendo a chamada autocrítica. Não, tem uma capacidade de regeneração, de facto, incrível. Isso é muito americano.
mas também é de facto uma cidade que também tem o defeito americano, com os trastes violentíssimos, se olharmos para Wall Street, a riqueza absoluta e quase pornográfica que aquilo tem. Uma bolsa que vale 40 mil milhões ou milhares de milhões ou não sei quantos bilhões de dólares. E depois há entre 100 mil a 300 mil pessoas a dormir na rua.
E depois, portanto, isto é... Não, é isto. É uma brutalidade e uma diferença social que marca muito a cidade, mas ao mesmo tempo é encantador, porque depois entra o Central Park, tudo aquilo que nós vemos nos filmes do Woody Allen, tudo aquilo parece... E o Woody Allen é um mestre a mostrar isso.
o filme já uma vez discutimos aqui o Woody Allen e o filme que eu mais gostei do Woody Allen e continua é o Radio Days que é uma coisa maravilha e que não é bem Nova Iorque é ali o lado mas quer dizer mas lá está a gente apanha eu acho que é tal cidade
que quase toda a gente no mundo deve ter visto, porque há sempre um filme que começa em Nova Iorque, há sempre uma atualidade, uma coisa qualquer. E é uma cidade que projeta o poder norte-americano e é por isso que foi atacada, não é? No 11 de setembro. A simbologia dos aviões atacarem o Arranha-Céus é, de facto, revela o impacto que a cidade tem no mundo, não é? O Ben Laden fez, lá está, atacou o Ferdagno.
o Pentágono, e não conseguiu atacar o Capitólio, não é? Porque foi o tal avião que depois caiu, que houve uma revolucionária a bordo. Mas ali em Nova Iorque fez as torres, não é? É o símbolo. É como os franceses, quando...
atacaram a Bastilha em 14 de julho de 89, que era já uma prisão, praticamente tinha sete prisioneiros. Sim, já não era usada. Não era usada, mas é um símbolo, não é? E lá está, e Nova Iorque é... É um símbolo também. É um símbolo do...
E o próprio arranha-céus, aquela coisa gigantesca até ao céu e que simboliza, de certa maneira, a capacidade industrial dos Estados Unidos e o seu domínio económico no mundo, é de facto a revolta... E é o desafio ao céu, como a Torre de Babel, não é? Como a Torre de Babel, exatamente. Vamos arranhar o céu, não é? Rasga-se de elos, como dizem hoje.
Os espanhóis, não é? Portanto, é aquele desafio a Deus, não é? Vamos por aqui acima, vamos lá. E do ponto de vista religioso, isso provavelmente tem também simbologia para o lado islâmico deste fundamento. Pois, mas do ponto de vista religioso, não resisto aqui a dizer uma graça aos seus correligionários da Revolução Russa a seguir à Revolução. Sabia que levavam camponeses a voar para ver que no céu não havia Deus?
Já contou aqui isso Mas já andei à procura de provas Já andei à procura de provas disso E ainda não encontrei Está no livro daquele tipo Tem um livro sobre a União Soviética Que é um inglês
Pode não ser verdade, não é? Não, mas também não. Os russos gostam muito dos russos. Para que é que ele se ia... Por acaso não gostam nada. Mas para que é que ele se ia meter por esse caminho se não fosse verdade? Não, e também não. E faz todo sentido. Quer dizer, faz todo sentido. Quer dizer, é pá, olha, afinal, porque as pessoas associam, sobretudo os camponeses e coisas, e as pessoas associam.
Eu lembro só uma coisa, que de facto houve a proibição da Igreja Ortodoxa tradicional, mas os bolsificos criaram uma igreja com o mesmo substrato religioso oficial. Portanto, a religião não foi proibida, foi proibida, foi instituição e a aliança que eles fizeram com os guardas brancos. Mas já falámos disso tantas vezes? Já falámos disso tantas vezes.
Já não falamos disso há algum tempo, porque eu não me lembro muito de termos falado disso. Vamos voltar a Nova Iorque. Vamos voltar a Nova Iorque sempre. Mas não estou aqui a dizer que os bolsificos eram santos, que isso também é contra a religião deles. Estes não eram nada santos. Santos também...
mas o que me entusiasma mais em Nova Iorque é a parte mais positiva porque vejo também muitas coisas negativas naquela sociedade como eu já tentei aqui explicar é de facto a influência cultural que tem porque é em todas as áreas até nas universidades que são as mais influentes nas academias que estão associadas a Nova Iorque nem todas estão Boston também tem tem universidades importantes mas há todo um mundo cultural Boston é outra coisa Boston até podia ser quase Europa a super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super super
Sim, mas em Nova Iorque há ali uma intensidade. De facto é quase a capital do mundo para muita gente, não é? Isso não sendo a capital norte-americana. E isso é... Foi, foi durante um ano. Foi durante uns tempos, sim. Foi 1789 a 1790, foi um ano para aí que... Tá?
Quando acabaram ali um bocado aquelas coisas da nova Constituição e tudo isso, foi provisoriamente capital dos Estados Unidos. Foi durante um ano, acho eu. Foi nessa altura, logo a seguir à independência.
Agora, vive um momento de grandes dificuldades, porque não há casas, está tudo caríssimo. É como cá, mas lá provavelmente a níveis ainda mais complicados. Sim, sim. E, portanto, há ali um conflito entre o poder do dinheiro e a vontade das pessoas que lá estão há muitos anos a viver.
Digamos que este novo, no fundo o resultado eleitoral que este novo maior conseguiu, vem desse conflito, que é as pessoas a tentarem defender-se da gentrificação, não é? E isso cria ali uma evolução próxima, nos próximos anos para a cidade, que é um bocadinho imprevisível, porque, digamos, há um ciclo...
É, leva a um êxodo dos ricos da manhã. Exatamente, por causa dos conflitos e da criminalidade, etc. E dos impostos, não é? Dos impostos, sobretudo. Movem-se muito para os impostos. Agora, depois tem o centro financeiro de Wall Street, que literalmente nasceu de um muro, aliás, e que mantém, do ponto de vista financeiro, de facto, Nova Iorque como a capital do mundo, não é? Porque mesmo com as tentativas do resto do mundo de se libertar do poder económico norte-americano, tem uma força que...
que ainda perdura e que certamente ainda vai durar durante bastante tempo. E isso marca também uma parte da vida da cidade, eu imagino a decadência que seria em Nova Iorque, se por exemplo alguém mudasse o centro financeiro do Wall Street para outro sítio qualquer, não é? Mesmo dentro dos Estados Unidos, não é?
rapidamente aquilo entraria num colapso. Depois tem lá o Olu também, que é uma coisa que a gente às vezes esquece. Estão lá nas Nações Unidas, com as dificuldades, apesar de tudo. Sim, mas agora estão coitadas. Estão um bocadinho debaixo de... Também estão mais ou menos falidas, não é? Também estão falidas. É porque os Estados Unidos deixaram de pagar. Sim, porque os Estados Unidos deixaram de pagar, não é? Olha quem o Trump dar dinheiro para... O Trump, quando lá foi, diz aquela coisa horrível ao nosso Guterres.
que era um entusiasta climatérico. It is a stupid thing, climate. Aquelas coisas que ele diz, extraordinário. Está a ser irónico, não é?
Estou. Estamos talvez na altura, Pedro, de ir ao teu registro, que é precisamente a coisa mais icónica. Agora esta palavra parece que ressurgiu, está na moda. Tem a ver com os americanos, essa é a origem dessa palavra. Certo, mas aqui acho que é bem aplicada, porque tem a ver com os arranha-céus e com a fotografia, que são aqueles operários todos sentados numa viga a não sei quantos metros de altura.
Sim, 240 metros. É muito metro. É um depoimento de Christine Russell, que é uma fotografia durante a construção do Rockefeller Center, o arranha céus do museu de Rockefeller. Que era para ter os murais do Diego Rivera e depois não teve, não é? Depois não aconteceu. Exato.
E é que a revista Time fez, de dada altura, um trabalho multimédia sobre as fotografias mais célebres do jornalismo, não é? E escolheu esta fotografia entre elas, que é talvez a fotografia mais popular de Nova Iorque, que é o Almoço no Arranha Céus. E ela conta a história desta fotografia, como é que foi concebida, etc. É, que também faz parte da história desta cidade. Vamos então ouvir.
Esta fotografia, conhecida em todo o mundo, mostra 11 homens sentados numa viga, a cerca de 243 metros acima da cidade de Nova Iorque. Vê-se o Central Park, ao fundo, os edifícios cá embaixo, e eles estão ali sentados descontraidamente, uns ao lado dos outros, a almoçar.
São todos trabalhadores da construção civil e vieram de várias partes do mundo. Há irlandeses, há índios mohawk, é um grupo muito diverso. E estão todos a trabalhar em 1931-1932. A imagem apareceu pela primeira vez no New York Herald Tribune, a 2 de outubro de 1932.
O Herald Tribune era uma grande publicação nova-iorquina e penso que isso gerou um enorme entusiasmo em torno do que estava a acontecer com a construção dos arranha-céu. Tentavam obter o máximo de publicidade possível. Qualquer escritório que ali fosse arrendado, fosse de um dentista, de uma cabeleireira ou de uma grande empresa, servia para aparecer nas notícias.
Rockefeller pôs um quarto milhão de pessoas a trabalhar em plena depressão. Havia camionistas, trabalhadores em pedreiras, pessoas a fazer janelas, muitos tipos diferentes de trabalhadores. E isso teve realmente um efeito sério na economia. A parte mais curiosa desta série de fotografias é que foram feitas para fins publicitários. Por isso havia encenações e acrobacias. Outras imagens mostram homens a subir montados em cima de um bloco de pedra para celebrar a colocação da pedra final.
Nesse dia estavam presentes alguns fotógrafos. William Leftwich, Charles Abbott e Thomas Kelly deviam ter uma espécie de desejo de morte. Levavam às costas um recipiente de couro com as pesadas placas de vidro com que nessa época se faziam as fotografias e iam efetivamente substituindo-a. Acho que eles gostavam de se exibir ao lado dos trabalhadores da construção. Muito bem, vocês andam sobre estas vigas, mas nós também conseguimos. Nós também corremos risco.
Eu acho que eles gostam de mostrar próximo aos trabalhadores de construção. Bem, vocês caminham essas beams, mas nós também podemos. Nós também tomamos riscos. Christian Russell, arquivista do Rockefeller Center, e esta é uma descrição que se percebe que Nova Iorque é feita por toda a gente. Toda a gente fez um bocadinho daquela cidade. E aqui alguns pormenores sobre esta construção, sobre esta e outras construções de arranha-céus que me parecem engraçadas, ou pelo menos relevantes.
Ela, naturalmente, como é do Rockefeller Center, não disse uma coisa que é dois em cada cinco operários morreram nestas duas pessoas. Se esta média foi aplicada a esta fotografia, cinco destes 11 operários morreram. Eles andavam sem estar agarrados a nada, não tinham arnês a segurá-los, não tinham nada, não tinham capacetes, e portanto o número de quedas e precedentes era enorme. Lá está ainda, não havia essas regras de segurança. Por outro lado, ninguém sabe os nomes destes 11 operários.
Mas descobriu-se os nomes de três. Dois porque apareciam identificados noutras fotografias que as fotografias tiraram nestas sessões fotográficas, o Joseph Hechner e o Joy Curtis, e há um terceiro que foi identificado porque mandou, é o único que está agarrado a uma garrafa que parece ser de aguardente.
é a única coisa que ele tem na mão e portanto aí em cima de uma viga a 240 metros saltei tudo, o homem levava na mão uma garrafa de aguardente, não sei se era a coisa mais recomendável para andar ali ele escreveu um postal onde está essa fotografia que mandou à namorada e foi assim que ele foi identificado e nas costas do postal escreveu uma frase que diz mais ou menos isto como vejo estou bastante bem agarrado à minha garrafa e não vou cair
É o Gustavo Popovich, que era eslovaco, é um imigrante eslovaco. E são os únicos três que estão identificados, ou que se pensa que sabe quem são. De facto, é uma fotografia célebre. Já entrei em várias casas onde esta fotografia aparece como decoração. Isso agora faz parte das decorações... E é interessante ver que estes anónimos ficaram tão célebres e simbolizam tanto de Nova Iorque, no melhor e no pior.
Mas Pedro e Jaime, vale a pena dizer que esta fotografia que foi tirada não havia drones. É que agora fazem-se fotografias, esta fotografia seria fácil de fazer. Eu escolhi de propósito o bocadinho que ela fala dos fotógrafos, porque se esquece sempre dos fotógrafos. E eu tive que trabalhar com fotógrafos durante muitos anos, e apesar de eles serem uns chatos, eu gosto muito deles. Os fotógrafos dos jornais, quando vêm às vezes, tiram-nos 100 fotografias para aparecer uma.
Pois, claro, é para ser a melhor. Mas eles correram risco de vida para fazer estas fotografias, porque também lá andaram completamente... Há fotografias deles, eles tiraram fotografias uns aos outros também, há fotografias em que eles estão em posições completamente, e com máquinas pesadíssimas, e com os tais vidros, que aquilo eram aquelas máquinas que faziam uma pequena explosão, e gravavam a imagem num vidro, que depois era retirado da máquina...
Chamava-se de adiótipos, não é? Exato. Era isso. E, portanto, faziam isso tudo equilibrados lá em cima, com um peso enorme em cima. É, de facto, uma loucura. E há uma coisa engraçada. A persistência do mito. Eu estava agora a lembrar deste último filme do Coppola, que, aliás, eu achei um flop, mas que lá está. É Nova Iorque. É Megalópolis, não é? Megalópolis. Sim, sim. É Nova Iorque. É Nova Iorque. Ela imagina uma projeção da história de Roma, que depois aquilo... Eu, por acaso, acho que o filme não sei.
Sim, Nova Iorque pode ser a Roma do século XX. Exatamente, a ideia era essa, não é? E ele meteu aqueles nomes dos próprios romanos, os traços e não sei o quê. E, portanto, Nova Iorque é a ideia do Império. É a ideia do Império, não é? O Império que domina o mundo. Exatamente, mas é que... Que os outros todos obedecem a Roma. Mas é curioso, é aquela coisa de Roma, não é? Essas imagens, de facto, são...
Depois não há dúvida que a gente habitua-se mesmo aquelas séries, que às vezes são um bocadinho todas iguais umas às outras, mas aquelas séries policiais, também muito passadas em Nova Iorque, com os polícias de Nova Iorque, com os bandidos de Nova Iorque, com tudo aquilo. A gente, de facto, fica com... é a cidade que mais devemos todos, mesmo os que nunca lá foram.
que deve estar a seguir à nossa rua, deve ser aquela que está mais na nossa cabeça, não é? E a música nascida em Nova Iorque não é só o jazz, não é só de música negra, mas, por exemplo, estou-me lembrado o Pete Seeger, o Bob Dylan, o Woody Guthrie. Sim, sim. Digamos, a popularidade deles... São filhos da cidade. Em Greenwich Village, num bairro de Greenwich Village, onde a cultura da cação de protesto...
que depois se espalha pelo mundo todo e influencia a França, Inglaterra, Portugal, Itália, nasce ali também, não é? Portanto, é de facto uma produção cultural que influencia o mundo todo e há de continuar a influenciar, mesmo que haja uma decadência norte-americana, há por assim lado, etc. Nenhum Trump vai conseguir eliminar essa influência. O Trump é um lado de Nova Iorque. É um lado de Nova Iorque. É um lado de Nova Iorque.
Pedro, e nós já estamos a falar de música, já agora vemos uma das músicas que também aos primeiros acordos toda a gente reconhece, não é? Sim. Para caso eu tinha ideia destas coisas. Quando fazíamos este programa, decidimos logo que a música seria esta. E quando vou ver, já não me lembrava que não é tão antiga como eu pensava. É de 1977.
que é o tema do filme New York, New York, do Martins Scorsese e que na altura foi interpretada no filme pela Liza Minnelli, aliás muito bem e há outra interpretação também excelente que é do Frank Sinatra do Sinatra, que é essa que vamos ouvir mas eu queria falar
Que o Cidado era antes, não é? Não, não, não. A primeira é esta, é para o filme. Foi nomeada para Globo de Ouro, a Liza Minela, com esta canção, para a melhor canção do filme, mas perdeu para uma canção que já ninguém conhece e para um filme que já ninguém se lembra. É curioso isto, que é uma canção chamada You Light Me Up, My Life, interpretada pela artista Kaiser Sizik, que eu não sei quem é. Tenho que ir investigar.
O filme chama-se Luz da Minha Vida e é realizado pelo Joseph Brooks. Ok. A Liza Menel perdeu para esta canção. É como ao Fernando Pessoa. Isto às vezes é assim, não é? É como ao Fernando Pessoa, não é? A história é muito engraçada que a canção nasceu por culpa de Robert Niro. Porque os compositores que o Scorsese tinha contratado para fazer a banda sonora do filme
que é o compositor John Kander e o letrista Fred Ebb, foram apresentar as canções que tinham feito à Laysa Minnelli, ao Scorsese e ao Roberto Neer. Durante a reunião mostraram as canções todas, tocaram-nas ao piano, o Scorsese até gostou de quase tudo, mas o Roberto Neer começou ali a torcer o nariz, chamou o Scorsese ao lado e disse a canção tema principal não pode ser, isto tem que ser uma coisa com mais força, com mais impacto, e obrigaram os compositores a compor outra de emergência, e saiu isto.
Saiu o New York, New York. Dois anos depois, portanto só em 1978, é que o Frank Sinatra começou a incluir a canção nos seus espetáculos onde ele desenvolveu um arranjo de orquestra que de facto tornou única. Sobretudo a parte final em que ele interrompe e depois recomeça e tem um arranco muito forte, criou ali uma tensão que tornou a canção muito, muito, muito celda. E ele começou a cantar isto nos espetáculos, nem sequer a gravou.
Ele encerrava sempre o espetáculo com o My Way, que é outra canção icónica dele. Lá estou eu a usar a palavra icónica, Maria Florentoroso. Aqui já é diferente, não é uma imagem, mas pronto. E o My Way, que é o símbolo do individualismo norte-americano, é também uma coisa muito, muito Nova Iorque ainda, de certa maneira, o My Way.
Também é muito épico. Também é muito épico. É muito épico. E este Nova York, Nova York, o público começou a ter uma reação tal que ele trocou o final, o grande final dos seus espetáculos, tirou o My Way e passou a pôr o New York, New York. E finalmente grava em 1980, ele depois gravou mais de duas ou três vezes esta canção, uma delas, aliás, com o Tony Bennett.
Ele gravou em 1980 esta primeira gravação, que é o que vamos ouvir, que é a mais celebrada e que é usada hoje em dia para celebrações da cidade, múltiplas, cerimónias oficiais, eventos esportivos, festas particulares, enfim. Nova York é simbolizada por esta canção, que até adotou, de certa maneira, um dos versos desta canção, que é A Cidade Que Nunca Dorme.
E que nós só agora é que falamos disto, porque isto é um clichê. Vá lá, conseguimos fazer um programa inteiro sobre Nova Iorque sem dizer que é a cidade onde nunca se dorme. Muito bem. É verdade, é verdade. Muitos parabéns, meus senhores. É com o Frank Sinatra e esta canção que nos põe imediatamente, diretamente em Times Square.
New York, New York, que fechamos esta sessão dos Radicais. A produção é de Ana Fernandes, os cuidados de emissão de Diogo Axel, os Radicais Livres, Jaime Nogarapinto e Pedro Tadeu com Maria Flor Pedroso voltam para a semana. Então até lá e fique por Nova Iorque. Start spreading the news. I'm leaving today. I want to be a part of it.
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Transcrição e Legendas Pedro Negri
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Transcrição e Legendas Pedro Negri
Amém.