Episódios de DozeCast - Cardiologia

Forame oval patente: do achado acidental até a causa do AVC (DozeCast 238)

27 de agosto de 202643min
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Duas em cada dez pessoas carregam essa comunicação no coração sem nunca saber, e boa parte só descobre quando um AVC aparece do nada. 

O forame oval patente é o verdadeiro culpado? Ou só um espectador inocente no ecocardiograma?

Para destrinchar um dos temas mais comuns (e mais mal compreendidos) da prática cardiológica, o Mateus Prata e William Batah somam forças. 

O motivo desse papo ser essencial agora: a angiotomografia tem aumentado muito o diagnóstico incidental de FOP, e cada vez mais colegas ficam na dúvida sobre o que fazer com esse achado.

Neste episódio você vai aprender:

📌 O que realmente é o forame oval patente e por que 25% dos adultos (2 bilhões de pessoas no mundo) mantêm essa "válvula" aberta

📌 Os dois achados ecocardiográficos que mais aumentam o risco de AVC pelo FOP: mais de 20 microbolhas e aneurisma do septo interatrial

📌 Como usar o RoPE Score e a classificação PASCAL para saber se aquele FOP é mesmo o responsável pelo AVC

📌 O fluxograma completo de investigação (eco transtorácico, transesofágico, doppler transcraniano e angiotomografia) e quando pedir cada exame

📌 Os números reais dos grandes estudos (CLOSURE, RESPECT, CLOSE, REDUCE, DEFENSE-PFO): o que a redução relativa de 60% no risco de AVC significa na prática

📌 Como é feito o fechamento percutâneo com a prótese tipo duplo-disco (Amplatzer), passo a passo

📌 As complicações que todo cardiologista precisa discutir antes de indicar o procedimento, da fibrilação atrial à embolização do dispositivo

📌 Platipneia-ortodeoxia, mergulho e viagens de avião: os cenários menos óbvios em que o FOP faz toda a diferença

Minutagem:

00:00 Abertura e convite para o MEV Global 

01:07 O que é o forame oval patente e evidências da associação com AVC 

07:09 Achados de alto risco no eco e mecanismos de embolização 

08:07 Doenças associadas: migrânia, platipneia-ortodeoxia, mergulho e astronautas 

14:58 Investigação do AVC: cardioembólico, criptogênico e ESUS 

20:44 Fluxograma diagnóstico do FOP 

24:26 RoPE Score e classificação PASCAL 

28:44 Os estudos que mudaram a prática e quem deve fechar o FOP 

32:44 O procedimento e suas complicações 

38:00 Recapitulação, direções futuras e encerramento 

O ponto mais provocador do episódio: mesmo com redução relativa de até 60% no risco de AVC recorrente, o benefício absoluto do fechamento é pequeno. O NNT varia de 32 a 200 dependendo do estudo. 

Ou seja, a decisão de fechar (ou não) um FOP passa muito mais pela seleção certa do paciente, via RoPE Score e critérios PASCAL, do que por indicação em massa. 

E pra quem encontra um FOP "de passagem" num exame de rotina, sem AVC nem sintoma nenhum: hoje, ainda não existe evidência para fechar.

Para quem é esse episódio: cardiologistas, neurologistas, clínicos e residentes que atendem pacientes jovens com AVC criptogênico, ou que já ficaram na dúvida na frente de um FOP achado "sem querer" no eco.

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