Café e coração: o que a evidência realmente diz sobre a sua xícara - Ft. Dr. Bruno Mioto e Matheus Dominguito (DozeCast 223)
Por décadas, o café entrou no consultório como suspeito.
Arritmogênico, hipertensor, possível gatilho de morte súbita. Em 2025, um ensaio randomizado publicado na JAMA virou essa narrativa de cabeça para baixo, e os dados são mais fortes do que você imagina.
Neste episódio, o DozeCast convida o Dr. Bruno Mioto, cardiologista com doutorado em café e saúde cardiovascular, e Matheus Dominguito, um dos grandes produtores de café no Brasil, para uma conversa que mistura evidência clínica de alto nível com a arte de fazer uma boa xícara.
Foram poucas as vezes em que a cardiologia e a cultura do café se encontraram tão bem.
O que você vai aprender:
📌 Por que o café agudo eleva a pressão, mas o consumo crônico praticamente não interfere
📌 O que o DECAF Trial (JAMA, 2025) mostrou sobre café e recorrência de FA pós-cardioversão
📌 Por que a recomendação de "corte o café" para todo paciente com arritmia não tem suporte na evidência atual
📌 A curva em J invertido do benefício cardiovascular: quantas xícaras por dia estão associadas ao menor risco de IAM, AVC e mortalidade
📌 Os benefícios extracardíacos que você talvez não conheça: diabetes tipo 2, cirrose, Parkinson, Alzheimer e câncer
📌 Por que o método de preparo importa para o LDL
📌 Do grão à xícara: o que determina a qualidade, o sabor e a concentração de substâncias bioativas no café
Para quem é esse episódio: cardiologistas, clínicos gerais e residentes que querem atualizar suas orientações sobre estilo de vida com base em evidências — e que também apreciam um bom café.
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MEVBrasil, a Escola Brasileira de Medicina do Estilo de Vida: a MEVBrasil é uma instituição pioneira no ensino exclusivo de Medicina do Estilo de Vida no Brasil e tem um foco muito claro: ajudar cardiologistas a aplicarem, de forma prática e baseada em evidências, as técnicas comportamentais da MEV no consultório. Confira no link!
Diandro Mota
Matheus Prata
Bruno Mioto
Matheus Dominguito
Rodolfo Braga
- Produção e qualidade do caféAgricultura regenerativa no café · Diferença entre café Arábica e Conilon · Métodos de preparo do café (V60, filtro) · Torra do café e seus efeitos · Classificação de cafés especiais (pontuação)
- Café e saúde cardiovascularCafé e arritmias · Café e hipertensão · DECAF Trial · CRAVE study
- Café e mortalidadeCurva em J do consumo de café · Redução de mortalidade por todas as causas · Redução de mortalidade cardiovascular
- Benefícios extracardíacos do caféCafé e diabetes tipo 2 · Café e doenças neurodegenerativas (Parkinson, Alzheimer) · Café e câncer · Café e cirrose
- Café e estilo de vidaCafé como hábito social · Café como ritual diário
- História e cultura do caféOrigem do café na Etiópia · Chegada do café no Brasil (Belém do Pará) · Preconceitos históricos contra o café · Café e a política do café com leite
- Café e desempenho cognitivoCafé e atenção em crianças · Café e memória
- Café e saúde gastrointestinalCafé e secreção ácida do estômago · Café e lesão térmica (bebidas quentes)
E aí
Bom dia, boa tarde, boa noite. Esse é o 12Cast, o podcast de cardiologia da 12x8. Eu sou o Matheus Prata, estou aqui ao lado do Diandro Mota. Fala, Matheus. Para falarmos sobre café, será que a gente tem que ainda restringir café para os nossos pacientes cardiopatas, como foi feito por décadas aqui na cardiologia? Será que existem benefícios do café?
relacionado à cafeína ou outros produtos desse grão. E para discutir tudo do café, desde a produção até os efeitos benéficos ou não da cafeína, a gente tem um episódio muito especial, não é, Diandro? Eu estou honrado de participar desse episódio aqui ao lado de amigos, né?
E aqui não podia faltar duas presenças ilustres se a gente vai falar de café e saúde. A primeira delas, o Bruno Mioto, que já é convidado da casa aqui e que tem uma tese sobre café e saúde cardiovascular, que a gente vai explorar isso. E também tem a honra de contar com um amigo pessoal que...
saiu do mundo executivo para controlar o estresse e encontrou no café o propósito de vida dele. Hoje é um produtor de café de destaque dentro do cenário brasileiro e internacional, que é o Matheus Dumiguito, da Fazenda Alagoinha, e que vai trazer toda a experiência dele em relação ao café, muito além do que a gente imagina que seja importante, viu, Matheusinho? Então, primeiro eu queria começar. Bruno Mioto, seja bem-vindo ao nosso bate-papo de hoje.
É muito legal estar aqui com vocês. Eu digo sempre, eu gosto muito de cardiologia, vocês sabem disso. Mas antes de gostar de cardiologia, eu gostava de café, né? Eu, como mineiro, e na casa da minha avó, a gente coava café a cada duas horas. E a minha avó consumia praticamente quase 15 pacotes de café por mês. E aí eu trouxe essa paixão também para São Paulo.
e tive a oportunidade de ainda fazer parte de uma unidade que estuda os efeitos do café no coração. Então, além de coronária, que eu gosto muito, eu gosto muito desse assunto. Então, estou muito feliz de estar aqui.
E você, Matheus, seja bem-vindo. A casa é sua. É a sua primeira participação aqui, mas a gente espera que tenha outros, porque esse é um assunto que não vai faltar na nossa mesa. Seja bem-vindo, Matheus. Ah, fico feliz demais pelo convite. Bom demais estar aqui com vocês. Você sabe que a gente é mineiro, né? Até o jeito de falar é diferente também. É, então, eu sou mineiro também. Feliz de estar aqui com vocês. Exato, então. Eu sou mineiro também. Você também é mineiro, né, Matheusinho? Eu também sou mineiro.
Não é à toa que é quatro mineiros falando de café. Quatro mineiros. O meu já é um mineireis aqui um pouquinho mais diferente, que eu já rodei demais desde moleque, né? Saí de várias... Passei por muitas cidades aí de locais diferentes do Brasil. E é meio misturado. Minha esposa diz que é meio William Bonner, assim, né?
Dizer de onde eu sou é um pouquinho difícil, mas não deixo de ser mineiro. E na minha raiz está o café também forte aqui, viu, Matheusinho? Aqui em São Paulo, a gente está vivenciando a política do café com leite, né? São Paulo ficou tradicionalmente conhecido com o café, né? E Minas com leite, não é verdade? Mas você vai falar para a gente aqui e mostrar que o café mineiro é bom também, não é não, Matheus? Opa! Fala para a gente aqui, começando, fala um pouquinho da Fazenda Lagoinha antes da gente entrar aqui na temática de café e coração.
Então, hoje eu sou CEO do grupo Agrogerações, a gente é um dos maiores produtores de boi do Brasil, além de boi, cereais e café. E hoje a gente chegou na Agrogerações por conta da paixão nossa com o café. Então, nós começamos a fazenda, é uma fazenda centenária, que nós assumimos há cinco anos atrás, e passamos por períodos extremamente difíceis, climáticos.
Excesso de chuva, falta de chuva, geada, chuva de pedra. E nós entendemos que precisava fazer diferente. Eu falo que fazer o que todo mundo faz leva onde todo mundo chega. Então, fazer diferente passou por produzir o café de forma diferente olhando para a natureza. E desde lá nós começamos a pensar em cafés especiais e produzindo de forma especial usando a agricultura regenerativa.
Então, nós conseguimos fazer da fazenda destaque, nós fomos uma das principais fazendas sustentáveis pela revista Globo Rural, há dois anos atrás, e o nosso foco é produzir café usando agricultura regenerativa. Então, hoje nós não usamos glifosato, organofosforado, piretroides, que são produtos que comprovadamente estão ligados ao aumento do autismo, o déficit intelectual.
Então, o custo hoje para produzirmos café, sim, ele é um pouco maior, mas a gente tem a consciência tranquila de que quem está provando, tomando os nossos cafés, além do sabor, está tomando um produto que vai fazer bem para a saúde. Então, hoje esse é o nosso propósito. Fantástico. E antes de mais nada, Matheus, antes de você começar provocando aqui o Bruno sobre por que o café não é mais o vilão e é o mocinho.
queria agradecer mais uma vez a nossa parceria com a MEV Brasil, a Escola Brasileira de Medicina do Estilo de Vida, que permite com que a gente compartilhe aqui, muito além de tratamento, de medicalização, Bruno, tendo uma visão da saúde que vai além da medicalização e que enxerga o estilo de vida como sendo o caminho para prevenção e tratamento e até reversão de doenças. Então a gente agradece aqui a MEV Brasil por mais um apoio que ela traz no nosso podcast aqui do 12Cast. E...
Café faz parte do estilo de vida do brasileiro. Conexões sociais. Conexões sociais. Um grande pilar do estilo de vida e do café. Exatamente. Que foi daí que surgiu, então, tanto negócio bom, né? Vai sempre começar de um cafezinho, tanta parceria boa, começa com um cafezinho. Mas o que você trouxe aqui de provocação inicial para o Bruno responder para a gente sobre café e coração?
Café é uma das bebidas mais tomadas no mundo, né? Se juntar com chá, então, dizem que é uma das intervenções farmacológicas mais presentes na humanidade hoje. E a gente teve durante muito tempo, principalmente na nossa especialidade na cardiologia, receio, paciente com arritmia, paciente com infarto, será que aumenta ou não aumenta a pressão? Então, a gente vai passar cada um desses detalhes por aqui. Mas antes, vamos falar um pouco da farmacologia, da cinética por trás da cafeína, Bruno. O que você traz para a gente que pode estar...
Isso é muito interessante de pensar, porque por muito tempo a gente relacionou café com cafeína. Então, aquela ideia de que café podia aumentar a frequência cardíaca, causar arritmia, é baseado nos estudos iniciais, que ao invés de dar café...
eles davam cápsula de cafeína. Então, substituir a bebida por uma cápsula de cafeína, muitas vezes numa concentração muito alta. Às vezes chegava a dar 300, 500 miligramas de cafeína numa única cápsula. E aí, a primeira coisa que a gente tem que desmistificar é que café não é cafeína. A maior parte do grão verde, inclusive, é de outros compostos. E o café é muito mais rico em antioxidante, inclusive, do que na própria cafeína.
Alguns estudos, estudos brasileiros, estudos em países nortes, uma publicação nossa da unidade mostrou que café é uma das principais fontes de antioxidante da dieta humana. Então o café, a gente tem que lembrar, e pensando na cafeína, isso é importante de contextualizar, a cafeína é responsável por vários...
também vários efeitos relacionados à própria bebida. Então, ele falou aqui do café dele, de um café especial que não usa alguns tipos de defensivos agrícolas que podem impactar, inclusive, ele falou de autismo e de outras coisas, mas a própria cafeína. Hoje, a gente tem uma evidência robusta até de proteção em estudos epidemiológicos, estudos de associação em relação...
a prevenção de demência e de outras doenças neurogenerativas. Parkinson também, né? Parkinson também, claro. Mas é importante contextualizar que essa bebida, obviamente que a cafeína é um estimulante. Não é à toa que a gente escolheu café também para beber de manhã, para acordar nas primeiras horas do dia.
Então, uma vez que eu tomo um café, em torno de 15 a 30 minutos, eu já atinjo a meia-vida, eu já absorvo a maior parte dessa cafeína. Essa cafeína está disponível. Ela tem uma biodisponibilidade muito grande. A cafeína é extremamente solúvel em água. Então, a gente consegue absorver boa parte dessa cafeína. E ela é de metabolização hepática. Em média, a gente tem 3 a 4 horas para essa metabolização.
E por isso que aquelas pessoas mais sensíveis a esses efeitos, que realmente podem prejudicar o sono, a gente tem aquela orientação de consumir o café, principalmente em relação ao sono. A gente está falando de estilo de vida. E a gente sabe que o sono é importante, né, Adriano? Mas...
esse conceito de que se chegou ali para as duas, três, quatro horas da tarde, para quem é mais sensível, para quem é um metabolizador lento, para quem não desenvolve tolerância a esse efeito, talvez seja o momento de parar de consumir a bebida. Então esse ponto que a gente está comentando aqui...
A gente já tem muito na prática, né? De achar que uma pessoa é mais sensível que a outra. Isso realmente é comprovado em estudos genéticos. A gente tem o metabolizador longo e o curto. Que um toma a xícara de chá e tem seu efeito durante horas. Pode chegar até 8, 12 horas do efeito da cafeína ainda no corpo. Enquanto os metabolizadores curtos, você consegue essa janela um pouco menor.
Você falou isso, isso é legal, tá? Se estima que mais ou menos 10% das pessoas não desenvolvam tolerância aos efeitos da cafeína, tá? Essas são aquelas pessoas que quando bebem café falam pra você assim, ah, eu não tomo café porque toda vez que eu tomo café eu tenho palpitação. Ah, toda vez que eu tomo café eu tenho mal-estar. Normalmente essas pessoas deixam de tomar café. São aquelas pessoas que não continuam a consumir a bebida ao longo do tempo.
São as que foram castigadas ao nascimento. Foram, por aquelas que fizeram alguma coisa na vida passada. E nessa não merecem apreciar um café. Por quê? Porque quando a gente fala também de consumo de café, e a gente vai falar muito de benefício relacionado a isso, a gente está falando para o consumidor habitual.
É aquele indivíduo que consome café todos os dias. Consumo esporádico, aquela pessoa que não toma café e que de vez em quando toma uma quantidade muito grande. Ah, vou estudar para uma prova, vou precisar de café para me manter acordado. Consumo esporádico se correlaciona, sim, com alguns efeitos.
Por quê? Porque eu não desenvolvo a tolerância à cafeína. Então, esse é um conceito importante. Então, como gatilho de arritmia, isso foi demonstrado em alguns estudos também com consumo esporádico em grande quantidade. É diferente do consumidor habitual, aquela pessoa que consome café todos os dias. Muito bom, Bruno.
Aproveitando que você está falando de estudos da cafeína com arritmias e dessa característica de você ponderar se o indivíduo é ou não o consumidor habitual, queria que você trouxesse comentários sobre os estudos mais recentes que a gente teve. Tiveram estudos mostrando que aquele mito que existia de café e fibrilação atrial, a gente já pode ficar mais tranquilo que não é bem assim e que pode de repente...
pedir para o seu paciente, se ele já é um consumidor frequente, que tem a sua tolerância, talvez ele não precise cortar aquele café como alguém poderia ter falado para ele, não é verdade? Eu gosto de citar, quando a gente fala em arritmia, alguns estudos. O primeiro estudo foi um estudo epidemiológico nos Estados Unidos que correlacionou consumo de café com internações por arritmia. E ele mostrou de uma forma muito clara que quando eu consumia café,
O paciente que eu separei uma população, estudo epidemiológico, separei o hábito, separei como é que era o consumo dos indivíduos. Então, tinha indivíduo que não consumia nada, tinha indivíduo que consumia menos de uma xícara por dia, tinha indivíduo que consumia uma ou duas xícaras e assim sucessivamente até as faixas de consumo mais elevado. E o que se mostrou? Que o consumo de café, inclusive em quantidades maiores, se correlacionou com menos internação por arritmia.
Um outro estudo bastante interessante, esse também, se eu não me engano, mais ou menos de 2022, contextualizou a incidência de arritmias ventriculares e supraventriculares com os diversos faixas de consumo. E o que é legal também é o estudo epidemiológico, lembrando que nos estudos epidemiológicos a gente fala em associação, não causalidade.
Mas que para cada xícara a mais de café que eu tomo por dia, eu diminuo meu risco de arritmia em 3%. Recentemente, ano passado, no American Heart, foi publicado um estudo chamado The Calf. Um estudo muito interessante com pacientes que tinham tido uma fibrilação atrial, que foram cardiovertidos eletricamente e eles foram randomizados.
Um grupo se pediu para parar de tomar café e o outro grupo incentivou que eles voltassem a consumir a bebida. Onde teve menos recorrência da fibrilação atrial? No grupo que consumiu café. De certa forma, esses estudos colocam... Que grande, né? 39% de edição. De certa forma, esses estudos colocam...
terra essa ideia de que café causa arritmia. Na nossa tese, a gente mostrou claramente em pacientes com doença coronária, ou seja, pacientes que já tinham cardiopatia estrutural, que o grupo, e era um estudo randomizado, aqui sim a gente tinha também, assim como no DQF, um grupo que eu tirava cafeína e outro grupo que eu, café, e um grupo que eu dava café, depois a gente fazia um crossover.
para que todo mundo fosse controle dele mesmo, e a gente mostrou de uma forma bem clara, que o período que tomava café, eles não tinham nem mais arritmias ventriculares, extracístoles, nem mais extracístoles ventriculares, nem supraventriculares. Então, de uma forma clara, essa ideia de que café causa arritmia, principalmente para o consumidor habitual, ela, de certa forma, é contrária a tudo que a gente tem visto hoje relacionado a esse assunto.
E eu acho que um outro mito que também é importante da gente falar é da associação de café com hipertensão, não é verdade? Isso aí a gente também precisa desmistificar. Principalmente falando de um país que tem de 50 a 60 milhões de brasileiros hipertensos e que às vezes pode falar, não, mas o café aumenta a pressão. Isso também é importante comentar, né, Bruno?
O consumo do café, você pode ter momentaneamente uma elevação discreta dos valores expressóricos, mas que isso não se reproduz em longo prazo. Em longo prazo, o efeito não vai ser de aumento de pressão. Pode ser neutro e em algumas análises pode ser até favorecendo uma adaptação de um melhor controle de pressão. Então, também não se justifica dizer que ele talvez seja vilão no cenário de hipertenso.
Mesmo, existe uma meta-análise muito interessante que avaliou hipertensão arterial. E ele reuniu tanto estudos que davam aquelas cápsulas de cafeína que eu falei, quanto o café, café mesmo, né? Lembrando que a variabilidade de produtos dentro do café é muito grande, né?
Quando a gente dá a cápsula de cafeína, nessas meta-análises, mostrou um incremento da pressão sistólica ao redor de 3 a 4 milímetros de mercúrio, que é um mesmo do ponto de vista de significância, isso é muito pouco. Você culpar o café por hipertensão é uma injustiça. Para café, esse aumento de pressão foi ao redor de 1 a 2 milímetros só. Então, incremento de pressão...
muito discreto, impossível contextualizar isso como gênese de hipertensão ou de hipertensão de difícil controle, é algo extremamente modesto, em torno de 1 a 2 milímetros de mercúrio na pressão sistólica em metanálise de estudos envolvendo café.
Por que isso é importante? É óbvio que a gente sempre, quando a gente pensa também, ah, Bruno, mas aumentam 1, 2 milímetros de pressão, a gente tem que pensar em benefício líquido da nossa intervenção. Eu disse para vocês, a gente tem uma bebida que é rica em antioxidante, a própria cafeína tem uma série de efeitos benéficos para o sistema nervoso central e para diabetes, que é outra coisa que a gente tem que debater muito sobre consumo de café. Então, você culpar o consumo do nosso cafezinho do dia a dia,
Falando que esse café piora o controle de pressão arterial, causa hipertensão, isso é uma grande balela, na verdade. Até aquela recomendação de você evitar o café antes de aferir a medida da pressão arterial, ela não é muito embasada. Principalmente em pessoas que não tomavam café, que você pode aumentar um pouquinho a pressão agudamente, mas quem já toma crônico, como o Bruno já comentou, já não tem nenhuma evidência que se sustenta.
essa alteração. E voltando nas arritmias, também é importante a gente citar que teve o CRAVE também, que foi um grande estudo de arritmia pra avaliar principalmente as arritmias atriais malignas, como por exemplo fibrilação atrial. Foi outro estudo randomizado que tentou ver o impacto do café e não teve associação com fibrilação atrial e arritmia vitriol.
A triálgula. Para a fibrilação é legal que a gente tem um monte de meta-análise também, envolvendo todos esses estudos. E as meta-análises também falham em demonstrar qualquer relação de aumento de arritmia, de fibrilação com o consumo habitual de café. E você tocou num ponto que é super importante, né? Do diabetes, resistência insulínica e até mesmo...
Só um ponto do Crave, que ele teve um aumento um pouco de estracístole ventricular benigno, né? Só pra caso alguém pegue isso no consultório, acho importante a gente comentar que às vezes o paciente sente palpitação tomando o café, e aquela estracístole benigno, monomórfica, etiologia de ventrículo direito, por exemplo, pode estar associada à palpitação. Se o paciente tem esse sintoma...
A autoavaliação dele é mais importante do que... Porque a gente sabe que não tem alteração com o desfecho clínico robusto. Maravilha, Matheus. E lembrando aqui, o Bruno tinha comentado sobre café e efeito metabólico, sobre diabetes, resistência insulínica.
E até mesmo na dinâmica da gordura, da adiponectina, que você pode ter também efeitos em aumento de adiponectina, que paradoxalmente elas estão reduzidas, quanto mais gordura você tem, em teoria, você imaginaria que teria mais, mas está reduzido. E o café é um dos elementos do nosso dia a dia que podem aumentar a produção desse hormônio.
E que hoje a gente também já tem evidências de que é um grande aliado em relação à resistência insulínica e também diminuição de risco de evoluir para diabetes tipo 2. Onde que eu acho que vai falhar? E que eu vou querer que o Matheus mostre para a gente depois do seu comentário. Quando a gente tem que esconder um café ruim colocando muito açúcar. Porque o café bom não vai precisar...
Ficar colocando açúcar, né, Matheus? Mas às vezes o café é de péssima qualidade e aí que vai vir o diabetes. Porque tem tanto açúcar ali que ele está consumindo para esconder o café que vai fazer mal. Mas o café de boa qualidade está associado a uma menor probabilidade de evoluir com o diabetes. Mas eu vou até falar um pouquinho sobre isso, Diandro, porque...
Os estudos epidemiológicos que avaliaram também a relação de café e diabetes mostram que para cada xícara que eu tomo, e isso é linear, eu reduzo o meu risco de diabetes em 7%. Então, se eu tomo uma xícara por dia, 7% menos. Se eu tomo duas xícaras, 14% menos diabetes. Se eu tomo três xícaras, 21% menos diabetes. Mas os estudos não fazem essa pergunta sobre açúcar ou não.
Isso é importante porque, e isso tem uma relevância da gente falar, porque se a pessoa não toma café, ela definitivamente vai tomar outra bebida açucarada. Ela vai tomar ou vai tomar chá, ou vai tomar um achocolatado. O problema dela não é o café. Não é o café. Então, assim, até nos estudos mostram, inclusive sem formalizar essa pergunta, que existe uma redução de risco com o consumo de café.
Talvez as pessoas, uma parte delas não adoce, talvez uma parte delas adoce, mas o açúcar não é nem uma variável estudada nesses estudos. Tem um estudo também muito interessante envolvendo pacientes com glicemia de jejum alterada, mostrando que quando a gente vê a evolução desses pacientes para diabetes, aqueles que consomem café...
eles têm uma menor taxa de conversão para diabetes. Um outro estudo muito legal, existem também estudos epidemiológicos contextualizando mortalidade. A gente vai ter oportunidade. Mortalidade relacionada ao diabetes também tem uma relação com o consumo de café. Quem consome café tem uma mortalidade menor por causa do diabetes.
E aí é importante a gente contextualizar. E aí a opinião vale muito, porque eu convido todo mundo que gosta de café para começar a tomar o café sem açúcar. É aquilo que você falou. Perceber quando a gente tem um café de alta qualidade, como esse da Fazenda Lagoinha, tentar perceber nuances e outras notas que vão acabar.
Quando a gente adoça. Isso aqui, o Matheus trouxe exemplares aqui que ele vai poder mostrar para quem está acompanhando a gente também, não somente no áudio, mas também no visual, vai poder ver aqui a diferença que o Matheus trouxe para a gente do que seria um café de qualidade e outro que não é tão puro assim, né Matheus? Mostra para a gente aí, por favor. Então, assim, eu queria até perguntar para o Bruno aqui que...
O café tem vários tipos diferentes de café. Então, a gente tem o café arábica, tem o conilô. E hoje, se sabe, em função do preço, aumentou muito nos cafés comerciais a quantidade de conilô. Além disso, os métodos de preparo. Então, dentro dos estudos...
Olhando para os tipos diferentes de café, as variedades diferentes de café e para os métodos de preparo, isso tem alguma diferença dentro dos estudos? Isso é bem bacana da gente dizer, né? Então, primeiro, na nossa unidade, uma das coisas que a gente testou foi diferentes tipos. Eu testei conilon, eu testei arábica. Então, eu tive 100% conilon.
e eu tinha o 100% arábica para testar em relação aos pacientes. Faz sentido testar cafés diferentes, variedades? Faz sentido. Então, se a gente pegar o Conilon em si, então pegar o extrato do grão verde, ele é mais rico em cafeína em relação ao café arábica, mas ao mesmo tempo ele tem mais antioxidante que o café arábico.
Café arábica é muito apreciado, o Matheus vai saber falar disso com muita propriedade, por conta das propriedades aromáticas, aquela característica que a gente tanto aprecia no café. Mas muita gente fala que para um expresso de qualidade, um expresso bem feito, a gente tem que ter um blend, né? Porque inclusive a crema que a gente tem é muito mais intensa com conilon do que propriamente com arábica de uma forma geral. Mas o preparo também faz diferença. Então vou dar um exemplo para vocês.
A forma como eu preparo, tem uma substância, tem algumas substâncias oleaginosas presentes no café, que é o cafestol e o caiol, que elas podem ter algum impacto no perfil lipídico. Não é que meu colesterol vai explodir, vai subir, mas essas substâncias, elas podem impactar discretamente na elevação do LDL e do colesterol total, mas aumenta também o HDL. Isso é importante de contextualizar. E quando a gente tem essas substâncias e quando eu faço, coloco um filtro,
A maior parte dessas substâncias são retidas no filtro. Então o impacto sobre o perfil lipídico do café filtrado é muito menor. Diferente, por exemplo, de um café turco ou de um café escandinavo, que eu fervo, um deles eu fervo a água com o pó, espero aquilo decantar e eu bebo sobrenadante. Se é uma substância oleaginosa, a maior parte dessas substâncias vai estar no sobrenadante.
E se eu bebo aquela parte de cima, eu posso ter um impacto um pouco maior relacionado ao perfil lipídico. Então, obviamente, a extração diferente, quando eu extraio um expresso, é menos água, mas com mais pressão, eu posso extrair mais algumas outras substâncias. A cafeína no café filtrado, onde eu deixo com uma maior quantidade de água, extrai mais cafeína, proporcionalmente em dose, porque é óbvio que o café expresso 40 ml, mas uma xícara grande...
comparado com o expresso, vai ter mais cafeína. Mas é muito legal, Matheus, a gente falar de qualidade, né? Porque a gente às vezes não entende, Matheus, e isso eu aprendi muito recente, e eu queria que você falasse sobre isso. O que separa um café especial de um café gourmet, de um café que é superior, ou de um café que é aquele café que a gente tomava lá atrás, quando o Brasil não tinha essa cultura, né? Aquele café que eu tomava da minha avó era um café extremamente torrado.
só tinha, não existia essa cultura do café especial, o que faz essa diferenciação? Acho que isso é um ponto muito importante da gente discutir. Vamos lá. Primeiro, separação entre o arábica e o robusta.
São dois cafés diferentes. O Robusta tem crescido no Brasil muito. O Brasil, acredito que dentro de três anos, vai ser um dos principais produtores desse café no mundo. É um café que produz, ele é muito mais robusto na produção, ele é resistente a muitas doenças e produz muito mais do que um café arábica.
Eu tive a oportunidade de ir ao Espírito Santo agora, dois meses atrás. Eu fui em lavouras que 170 sacas por hectare de produção, enquanto um café irrigado arábica, nós vamos ver, assim, 50 sacas. Sendo que a média do Brasil hoje não passa de 25 sacas. Então, ele é um café mais barato de se produzir, tanto que o preço dele é menor hoje do que um café arábica. O café arábica...
O que é importante? Primeiro, terroir. Então, em determinados locais, você tem terroirs diferentes. O sul de Minas tem um terroir, a Mojiana tem outro terroir. Alto da Mojiana. Terroir famoso.
E cada um tem um sensorial diferente. Então, a primeira coisa é o terroir. A partir dali, são os cuidados que você tem. Então, um café que você tem uma adubação correta, que você tem os tratos culturais bem feitos, tende a se ter um café de maior qualidade. A partir dali, é uma luta para não perder pontos, porque o café é igual o vinho, por exemplo.
Então, o café pontuado, que o Grader prova num cupping, que aí são as xícaras, que ele vai lá com a prova e ele vai fazer as anotações e dar a pontuação dos cafés. O Brasil tem um dos cafés mais bem pontuados do mundo. Café, se eu tive oportunidade de ir Colômbia, Panamá, é uma coisa impressionante a qualidade dos cafés. Por quê? Porque o terroir lá é diferente. Lá está perto, mais perto do trópico.
E com uma altitude maior do que a nossa. Então os cafés têm um terroir muito diferente. E aqui no Brasil é uma luta. No Brasil, no mundo é produzir o bem produzido. É uma luta para não perder ponto. Então é colheu. A velocidade que vai ser processado esse café no terreiro. Então ele colhe. É uma fruta. O café é uma fruta. Se você for lá pegar uma fruta de café e chupar. Ele tem gosto de fruta mesmo. Doce.
E aí lá dentro está a semente. E quando ele vai para o terreiro, a primeira coisa é tirar a umidade. Porque a hora que ele tira a umidade, aqueles açúcares que estão ali em volta da casca, ele fica no pergaminho e passa aqui.
para a semente. Então, ele seca a hora que ele está em torno de 12 graus, e aí existem os processos para que isso ocorra no terreiro, nas caixas estáticas, nos secadores rotativos, que você vai colocando calor e esse calor vai tirando a umidade. Depois, você tem o processo...
que é tirar da casca ou do pergaminho o café para ficar o café pronto para ser torrado. Mas antes dele ser torrado, ele vai para a cooperativa, vai para os armazéns, e aí ele vai fazer a separação dos defeitos. Isso aqui é um café 600 defeitos.
Esse café... Sobe mais um pouquinho, Matheus. Esse café é um café 600 defeitos. É aqui, Matheus. Deixa eu mostrar aqui. Deixa que eu vou mostrar para o Matheus. É, mais um pouquinho para cá. Isso. O que a gente vê? Pau, pedra, resíduos de casca, os cafés quebrados.
Esse é o café forte, extra forte, que vai para os supermercados. Para quem está só escutando, o Matheus trouxe aqui um saco com grãos misturados com as impurezas que vão juntos ser torrado no café que a gente toma que está no supermercado normalmente. Exatamente. Então, aqui é um café 600 defeitos.
Da onde que vieram esses defeitos? Desse café, que é um café padrão de exportação, que praticamente não tem defeitos. Quer mostrar isso também, Bruno? Ele é um café que passou pelas máquinas que processam, então eles tiram, separam por cor, separam por densidade. Então, aqui é um café...
especial. Então, em geral, o que acontece nesse processo de separação, esses cafés mais baixos, que são os resíduos, ele vira um café forte, extra forte, que vai para o supermercado, e esse café, que é o café especial, que boa parte dele é exportado, mas que o Brasil vem consumindo cada vez mais esse tipo de café. Então, aí as pontuações, como que vai ser? Então, você tem um café especial,
Um café para ser especial, ele é considerado de 83 pontos acima. Para nós hoje, Fazenda Lagoinha, 85 acima são os cafés especiais. Então eu costumo falar que depois dos 85%, você entra na prateleira de cima. Existe uma estatística?
que menos de 5% de todo o café produzido no Brasil está dentro desse café 85 pontos acima. Então, de 85 pontos acima são os cafés especiais. De 80 a 85 são os cafés gourmets. Então, é um café bom.
Só que ele não tem um atributo de sabor tão claro quanto esses cafés de 85 pontos acima. Então, quando é escrito café gourmet, essa pontuação é entre 80 e 85. 80 e 85. Vai ser alguma coisa próximo disso.
E aí, abaixo disso, são os cafés comerciais. São bons cafés, a gente pode ver café como esse café aqui, bem preparado, sem defeito, com uma pontuação mais baixa. Por quê? Aí é o atributo sabor que esse café tem, que o que o Grader vai definir no momento que ele vai provar esse café.
Então, um café 80 pontos, ele é um preço. Um café 80, 85 pontos é outro preço. Os cafés 85 acima é outro preço. E quando a gente passa dos 87 pontos acima, aí muda completamente os valores.
Vai tudo para fora. Vai muito para fora. São Paulo hoje é um lugar que se compra muito, tem muitas torrefações boas de café aqui em São Paulo. Nós não vendemos café torrado, gente. O nosso foco é vender café para as torrefações.
São Paulo tem boas torrefações, o Brasil aumentou muito. Tanto que boa parte dos nossos cafés especiais, esse café 87 pontos acima, hoje a gente tem mais ou menos 50, 60 torrefações hoje no Brasil que chega agora na colheita, eles já ligam para encomendar esse tipo de café. Eles vão lá, vão provar, em função do atributo que eles acharam no café,
eles vão comprar. Então, é muito diferente. Então, um café, pode ser um café 80 pontos, um bom café, Pineira 17 acima, padrão, exportação, só que ele não tem o mesmo atributo que um café 85 pontos acima. Você quer provar, Matheusinho? Conhecer um café especial? Vamos aproveitar. A gente tem um convidado especial hoje que também está aqui nos bastidores.
Rodolfo Braga, nosso amigo de Belém. E Belém tem uma história forte aí dentro do café, né? Só para contextualizar aqui para vocês, o café surgiu lá na Etiópia, fazendo o dever de casa, Matheus. Fui estudar a história do café, né? E ele surgiu lá na Etiópia, século IX. Reza a lenda que tinha um...
um dono de cabras que começou a perceber, um pastor, né? Que percebeu que as cabras dele, quando comiam uma frutinha vermelhinha ali, elas acabavam ficando muito mais agitadas, assim, né? Ficavam bem difíceis de controlar. E ele resolveu ver o que era aquilo. E aquilo...
acabou aumentando o interesse de monjas que tinham ali que resolveram estudar aquilo e fazer umas infusões, fazer uns chás e descobriram o café. Foi, passou o tempo, foi lá para o mundo árabe, chegou no Império Otomano, como você comentou ali, Mioto. E no século XVII...
foi chegar no Brasil, 17 para 18, na verdade. Era em 1727, por Belém. Belém do Pará. O que aconteceu? Os portugueses acharam uma missão na Goiânia Francesa e mandaram Francisco Palheta, um cara de lá de Belém, para ir na Goiânia, para fazer uma missão junto do governo local lá.
que misteriosamente o que ele queria era trazer o café pro Brasil, que ficava protegido a sete chaves ali, né? O que ele fez? Ele seduziu a esposa do governador francês de lá e conseguiu na saída dele ganhar um buquê.
dela de presente com flores e no meio ali tinha algumas frutinhas, tinha algumas sementes de café, foi quando ele trouxe pra Belém do Pará e começou lá, na terra do Rodolfo Braga. Então, lá em Belém do Pará, é a primeira cidade brasileira ali que teve contato com o café. Reza a lenda, tá?
Você falou do Império Otomano e é muito legal entender. E essas histórias por trás do café, elas são extremamente encantadoras e interessantes. Então, se a gente for pensar, o café venceu vários preconceitos, sabe, Diana? Então, o primeiro preconceito, a gente está falando do Império Otomano, dos muçulmanos, da Arábia, foi o preconceito religioso.
porque por muito tempo o café era conhecido como elixir de Maomé. Então, para entrar no catolicismo, na igreja católica, ele primeiro venceu nos países católicos esse preconceito lá de trás de uma bebida que era conhecida por elixir de Maomé. Depois disso, por incrível que pareça, existe um preconceito por pai das mulheres.
Existe uma petição anônima das mulheres de 1764, mais ou menos, a gente estava até tentando olhar essa data, que as mulheres fizeram uma petição contra o café. E é muito legal esse texto da petição, é curioso, né? Que as mulheres falam que os homens abandonaram o hábito saudável de consumir cerveja e passaram a consumir uma bebida imunda nas cafeterias. E era o tempo do...
iluminismo dos pensadores que se reuniam nas cafeterias pra... E aí isso causou uma certa... um certo reboliço por parte das mulheres. E eu digo que mais recentemente a gente teve que vencer o preconceito científico, né? Sim. Essa história que a gente tá debatendo aqui, de que café faz mal, de que café...
pode trazer malefício para o coração, baseado em uma interpretação errônea, baseado em estudos com cápsulas de cafeína, e que, graças a Deus, para a gente que é apreciador, isso vem cada vez mais sendo desmistificado. E hoje eu digo sempre que consumir café todos os dias faz parte de uma dieta saudável. Estilo de vida saudável, né? É, né?
Nesse contexto dos estudos, os primeiros estudos de café, a gente teve muito fator de confusão, né, Bruno? Principalmente relacionado ao décimo de 80, 90, o que vinha junto com o café? O cigarro. E antes de isolar esse efeito de cigarro, a gente via os malefícios das pessoas que tomavam café, mas não eram exclusivos do café.
O Matheus fez o preparo aqui do café. E a gente gostaria, Matheus, que você passasse o passo a passo de como a gente extrair o melhor sabor do café. Que você preparou aí, ele mostrou. A gente acabou não pegando as dicas. E o Rodolfo vai me perguntar, mas e as dicas? O Rodolfo vai querer saber a dica também. Mas olhando a xicrinha aqui, eu quero fazer um comentário, tá? A gente está falando aqui de xícaras de café, de cups de café nos estudos epidemiológicos.
Mas os cups nos estudos epidemiológicos tem de 110 a 150 ml, tá? Então, quando eu falo uma xícara ou um cup, eu tô falando aqui daquela... do copo grande. Ó, foi esse. E aqui a gente tá tomando, a gente tá até assim, é até uma afronta pro café que ele tá trazendo pra gente, que a gente tá tomando uma xicrazinha que não foi especial. Primeira vez que o Matheus, que eu tive a honra dele preparar um café pra mim.
Era em taça, né, Matheus? Você me mostrou as propriedades do café mostrando... Poxa, eu falei, cara, isso realmente é uma bebida diferente. O café, eu falo que... Eu sou economista de formação e... Eu falo que o café é estatístico, né? Então, desde a colheita até a hora que ele chega aqui na xícara...
Tudo passa pelos números, pelas proporções, medições de tempo. Então, uma torra bem feita do café, ela tem uma curva, e essa curva tem que ser perfeita. E é muito bacana, quem não conhece, você já viu, Bruno, como é que torra o café a hora que você escuta o crack?
você escuta certinho, ele estoura como uma pipoca. A partir dali você tem um tempo certo, que mais curto é um café parecido com esse, um café focado para o coado. Se você deixa um pouco mais de tempo, ele é um café que vai melhor no expresso. E aí quando ele vem para a xícara, antes de chegar na xícara, o preparo é de extrema importância. Então, por exemplo, esse café que nós fizemos foi uma relação de uma grama de...
De café para 15 de água. E o tempo de extração é entre 2 minutos e meio e 3 minutos. Tem aquela história das etapas, fazer a primeira passagem, segunda passagem, terceira passagem? Então, cada barista cria um método próprio. O que eu gosto é de fazer uma pré-infusão. Quando vai fazer, primeiro molha o café, deixa ele hidratar durante 30 segundos. E depois eu gosto de fazer um ataque único.
molhando o café por cima e deixando ele sempre no centro. Eu gosto muito de usar esse método, né? Que é o V60. Ele é muito bom. Qualquer lugar do mundo... Vou mostrar pra quem não conhece o filtro. Tá ali o filtro. Mas dá pra pegar. A gente pega o filtro ali. O V60. O coador. E...
Conseguiu ver? Então, assim, é um filtro V60. Eu gosto muito, eu acho que as extrações dele são extrações que você consegue perceber, de fato, o sensorial do café. Esse, para mim, é um sensorial muito claro, né? Uma acidez brilhante. Isso que eu ia falar. Esse café, e aí vai um elogio, Matheus, tem uma característica que eu gosto muito.
que é a acidez. Para mim, isso é uma virtude dos cafés, porque eu gosto dos da pegada mais ácida. No café, para mim, isso é uma grande virtude. Então, aqui, é um café 87 pontos. Um café extremamente prazeroso de tomar.
Você não sente, você sente o sabor. Depois eu queria convidar vocês para fazer só uma brincadeira. Bruno, não sei se você já fez. Quando você tomar o café, deixa um pouco mais de café na boca, deixa a língua úmida e toma um pouquinho de água. Vocês vão perceber, parece que você está tomando uma água com açúcar. É muito bacana.
Fica muito, muito doce. Você percebe claramente a doçura. Isso daí é por qual motivo? Já tinha visto isso? Nunca tinha feito, nunca tinha. Talvez até tenha feito involuntariamente, mas sabe o que você faz sem dar a devida atenção para o que você está fazendo? Isso é uma característica do seu café ou algum tipo de café específico?
Os cafés especiais, quando eles são torrados e preparados de forma correta, que você consegue perceber os sabores, como a gente percebeu aqui, quando você bebe, na língua, as papilas gustativas, elas ficam com esse açúcar que tem no café, eles ficam aqui. Só que você não percebe que está tomando café. A hora que você toma água, você percebe claramente. Mas é legal, você está falando que a gente não percebe, mas...
Um café como esse não precisa de açúcar. Não tem como. Se você colocar, você estraga. Vai estragar o café. E aqui, o nível de amargor que tem aqui é o mínimo. Mínimo. Perto de um café mais convencional. Aquele café super torrado. Isso é legal de falar, Matheus, porque...
A torrefação, ele estava falando de torra, e a torrefação também impacta no que a gente encontra de propriedade biológica. Então, outra coisa que a gente testa na nossa unidade é diferentes torras. Por quê? Quanto mais eu torro, primeiro, várias dessas substâncias são transformadas na torrefação.
E quanto mais eu torro um café, mais sobra cafeína, porque ela é termoestável, e mais eu degrado outras substâncias, inclusive antioxidante. Então, a gente pode ter um impacto totalmente diferente na atividade antioxidante do plasma relacionada ao café, se eu torro mais ou se eu torro menos. Essa é outra peculiaridade muito interessante. Então, a gente já falou que o...
O tipo de café que eu escolho pode ter diferença. A forma que eu preparo pode ter impacto na saúde. Mas também o quanto eu torro. E tudo isso pode fazer com que eu tenha diferentes efeitos biológicos relacionados às diferentes formas de preparo. E a torre é uma ciência. Quando a gente está torrando café...
Nós testamos três, quatro diferentes tipos de torra para conseguir extrair o máximo de sabor do café.
E quando você está torrando o café, você consegue perceber certinho as etapas. O primeiro, porque o café tem 12% de umidade. Então você tem um período ali de 3, 4 minutos, que você vai colocar uma determinada quantidade de calor para essa umidade que existe no café acabar. E aí ele passa pelo processo de pirolis, que é a caramelização. Aí você vai vendo ele mudando de cor.
E a etapa final do café, ele tem uma expansão, porque aqui ele é um grão fechado, se vocês puderem ver. A hora que esse calor chega em torno de 200 graus, ele faz esse processo de expansão. Então ele abre, ele faz como uma pipoca, e a partir daí que você define qual é o tipo de café que você quer. Nesses cafés aqui...
Já não existe isso, que são os cafés extrafortes. Eles vão torrar, vão colocar uma energia muito grande e aí degrada tudo. O pouco que tem ainda de substâncias que poderiam ser benéficas, ela é totalmente degradada em função da quantidade de exposição de calor que tem.
Então, torra-se muito para esconder os defeitos. E eles vendem em grãos também quando está assim? Não. Não tem como, né? Não, assim não. Mesmo torrando ao máximo, as impurezas vão estar lá. Então, uma dica boa, se a gente está na dúvida, tentar o café em grãos, moer em casa, você já separa as impurezas. Esse é o melhor caminho, né? Hoje você tem ferramentas, você tem moedores que custam barato. E o que eu costumo fazer? Às vezes eu viajo muito buscando cafés diferentes. Rob.
Eu tenho cafés colombianos em casa que estão no congelador há mais de um ano e meio e ainda eles mantêm as propriedades. Congelador. No congelador. Então, quando você tem uma quantidade, às vezes, maior, você deixa no congelador e tira só a quantidade que vai moer na hora. Moeu na hora, o próprio liquidificador tem determinados que consegue. Com ele congelado mesmo. Exatamente. E é verdade que a gente não pode guardar em recipiente de vidro, que pode oxidar e piorar a qualidade do grão? Se ele ficar exposto à luz, sim. À luz.
Mas se você pôr e colocar dentro da geladeira, já não tem problema. Ou então deixar guardadinho. Dentro da geladeira. Eu posso armazenar o grão do café. O congelador é o melhor que tem. Qualquer coisa você deixa lá em casa. Eu guardo para o celular. Mas a outra coisa importante de contextualizar, acho que o Matheus vai ter condição melhor de dizer isso, porque a embalagem importa, né? Então, o café de qualidade numa embalagem como essa, ele vai ter uma longevidade aí para manter qualidade ao redor de seis meses. Não é isso, Matheus? Você abriu...
O ideal é que você consuma mais rápido, porque aqui já entrou em contato com uma quantidade maior de oxigênio. Então é assim, não é que você pode abrir um café especial, se você não congelar, como o Matheus faz, se você abrir um café como esse aqui, ah não, vou guardar ali no meu armário, vou tomar um pouquinho a cada mês, não, esse aqui eu vou guardar para a minha família que vai vir no final do ano.
a propriedade já vai ser completamente diferente. Exatamente. Então, essa ideia, essa jogada de congelar, ela é muito interessante para você manter essas propriedades aromáticas sem grande perda ao longo de um tempo maior de conservação. E outra coisa, o café também, logo depois de torrado...
não é bom que se tome, porque ele ainda tem CO2 dentro, ele gasta uns dias para, como se fosse maturar, terminar de sair. Logo que você torra o café, se moer e passar um café, vai ter um amargor presente. Então, principalmente os cafés que você gosta, os cafés ácidos, eu gosto de tomá-los ali depois de uma semana de torrado. Você consegue perceber.
Muito, muito mais sabor. E aí nos cafés você tem uma variedade, né? Existe uma roda de sabores para o café, é muito interessante de ver, que aí você tem os perfis básicos, né? Floral, os cafés doces, os cafés frutados, e aí conforme vai exercitando o paladar, você consegue vir percebendo nuances lá da frente do café. Então, ah, eu tenho um café floral com notas de flor de laranja. Isso.
Traz um prazer ao tomar o café quando a gente começa a perceber, né, Bruno? Começa a entender isso. É muito bacana. Os que o Graders faz isso, né? Com muita maestria, né? Que são preparados para isso. Inclusive eles que dão as notas no café. Mas nós, como consumidores, é um exercício bacana. Os cafés especiais também sempre tem no rótulo os sabores básicos. E a hora que for provar, é bacana ver o rótulo e tentar perceber, achar esse gosto.
Foi como eu comecei a apreciar café desse tipo, né? Então, você vê, lê a descrição e tentar imaginar aquele gosto, né? Isso é muito legal de fazer. Para quem está curioso em casa, está aqui, olha. Nesse rótulo a gente tem aqui, Bruno, afrutado, 87 pontos, frutas amarelas, carambola, cítrica, caramelo. E tem aqui, data da torra, 20 de abril de 2026. Tem poucos dias, né, Matheus?
E o método de preparo recomendado, o V60, numa proporção de 1 grama para 17 ml. Então já vem até com a colinha aqui para você poder preparar da melhor forma, Matheus. Para você não ficar na dúvida, né? É muito interessante que a gente falando aqui de como extrair o melhor sabor e como a gente extrair os melhores benefícios do café, está muito semelhante, né? Primeiro, não pôr açúcar.
De jeito nenhum, é outra bebida. Segundo, saber selecionar o café que você está tomando, porque quando você está tomando esse, cheio das impurezas, provavelmente você está perdendo muitos benefícios do café e ingerindo diversas outras coisas que você não sabe o que é. E aí é aquela coisa, para você tomar esse, você vai torrar demais. E se você vai torrar demais, você vai perder os antioxidantes. Perfeito.
Isso é muito interessante, até comprovando os efeitos do café, que não relacionados à cafeína, que o café descafeinado também tem muitos dos efeitos benéficos do café, né? Inclusive relacionados ao diabetes, por exemplo.
Rapaz, foi um episódio fantástico. E olha, uma coisa que me lembrou aqui, quando você comentou do manifesto das mulheres, para que os homens parassem de tomar o café, então estavam trocando a cerveja pelo... Isso me lembrou o nosso convidado especial que está ali nos bastidores, Rodolfo, no último churrasco que a gente fez na minha casa. Ao invés de bebida alcoólica, o que a gente fez? A gente subiu para passar um cafezinho seu, Matheus, especial lá que você tinha me dado. A gente subiu três vezes lá na minha cozinha para a gente preparar...
o café, pra ver como realmente é um hábito que, pra muitos, já supera até daquela cervejinha, né? Lógico que o nosso churrasco brasileiro pede também, né? Um bom acompanhamento, mas pra gente que já tá numa fase de apreciar outras coisas aqui, o cafezinho foi a melhor opção e me lembrou do seu manifesto aí, viu, Bruno?
Uma das coisas que é importante a gente dizer é que essa relação entre café e saúde, ela já conta com muitos estudos. E eu gosto muito de falar de relação com mortalidade, né? A gente é cardiologista. Qual é o endpoint mais duro da medicina? É a morte, né? E a gente pode estudar morte por todas as causas, morte por doenças cardiovasculares. E a gente tem estudo epidemiológico de... É...
envolvendo mais de um milhão de pacientes sendo seguidos ao longo do tempo. E o que se mostra? Que existe uma faixa de consumo de maior benefício. Então, eu gosto de dizer que consumir café é uma curva em J. Existe um ponto que a curva volta a inflexionar e volta a encontrar o risco do 1, da relação. Ou seja...
Se a gente comparar com quem não toma, o risco só volta a cruzar a curva com 1,200, 1,400 de consumo de café por dia. E o maior benefício é por volta de 450 a 600 ml de café por dia.
E aí vamos falar de mortalidade, que eu acho que é um tema importante. Os estudos epidemiológicos, de uma forma geral, correlacionam consumo habitual de café, principalmente se eu quero o maior benefício, essa faixa de 450 a 600 ml de café por dia, com redução de mortalidade por todas as causas, associado a menor mortalidade por doença coronária e doenças cardiovasculares, menor mortalidade relacionada a diabetes e outra que é óbvio, menor mortalidade relacionada a causas externas. E aí
Porque se a gente toma um cafezinho, a gente está mais acordado, a gente tem menos acidente automotivo, é menos atropelado, e nesse tipo de coisa. Então, o que a gente tem hoje é uma evidência robusta do que o que eu chamo de consumo moderado de café se associa também com menos morte, por todas as causas, e morte cardiovascular. E aí a gente pensa, não, estou tomando muito café.
A gente toma três xicrinhas desse café por dia. E a gente olha os estudos e mostra que o maior benefício é por volta de 450, 600 ml de café filtrado por dia e que eu só vou ter mais malefício do consumo depois de 1,200 litro, 1,300 litro, a gente vê como a faixa de consumo é segura para a saúde humana.
Só temos que fazer uma ressalva que no momento que a gente está, a gente está falando de café por via oral, tá, pessoal? Não é enema, não. Para vocês que estão achando, não, café por via oral, essa quantidade aí que o Bruno falou. Cafézinho pela boca. Pela boca. 400 a 600 ml por dia, você vai extrair o máximo de benefício. Não vai desperdiçar de outra forma, né? Com certeza, né, Bruno? Mas assim, deixa... Para mim, como produtor, eu fico muito feliz em...
em poder participar de um podcast desse, vendo que o que nós produzimos, que muitas vezes a gente ouve barbaridades falando do café, que na realidade nós estamos trazendo é saúde, né? É verdade. É muito assim, isso me deixou muito feliz. E tem uma coisa, Bruno, que eu gosto muito do café e funciona muito para mim, o evento, ao longo do dia, você está lá trabalhando, separar, deixar o que você está fazendo.
parar aqueles cinco minutos para tomar um café, aquilo ajuda na cabeça. Você dá uma baixa pressão. Eu gosto muito do evento de tomar café, de preparar. A parte social do café é extremamente importante. Eu ia dizer isso, tem a parte social, mas para a cabeça também tem essa ação estimulante, aquilo que a gente falou, de ativação de processos de atenção e memória. Tem um estudo muito legal.
Conduzido em Minas Gerais, nossa terra, né? Que pegou e conduziu um estudo e avaliou crianças em idade escolar que consumiam café em casa e na merenda da escola e comparou com crianças que não consumiam café.
café, né? Então, aquela ideia, será que consumir café, criança consumir café é seguro? Então, o estudo comparou exatamente aquela criança que tomava uma xícara de café com leite de manhã e na merenda, com quem não tomava café. O que aconteceu? As crianças que consumiam café tinham melhor aproveitamento na escola, em média tiravam notas maiores, até por conta desse facilitar...
dessa facilitação em relação à memória, à atenção, processos de aprendizagem. Então pensando um pouquinho nesse conceito, quem que não pode tomar café? Existe um grupo que não pode tomar café. Ou tem que diminuir muito a quantidade de consumo, que é a gestante. Então a gestante quer consumir café, tem que ser uma, no máximo, duas xícaras de café com leite por dia.
Porque existe uma relação entre consumo de café e da cafeína, especialmente, com restrição de crescimento intrauterino. Muito bem lembrado, Bruno. Então, Bruno, quem que não pode tomar café ou tem que diminuir a quantidade de café gestante? Criança pode? Pode, desde que se respeite a quantidade do consumo moderado. Então, para criança, idealmente café com leite, porque você agrega o benefício do leite, do cálcio, nunca mais do que duas xícaras numa criança em idade escolar.
Pode tomar? Pode. Pode, inclusive, ter impacto em aprendizagem. Isso é interessante da gente contextualizar. Mas se tem um grupo que eu tenho que ter um pouco mais de cuidado, eu acho que vale sempre lembrar isso, é na gestação. Bruno, e aproveitando, entre 400 e 600 ml de café dia, o café é ácido.
para o estômago, tem alguma relação? Tem relação, isso é importante da gente contextualizar. Tem aquelas pessoas, e a gente também experimenta isso, quando eu tomo aquela... Eu falei que eu tomo muito café, mas às vezes eu exagero. E quando eu exagero, normalmente a gente fica com uma sensação de acidez, isso é normal. Por quê? Porque...
A cafeína aumenta a secreção ácida pelo estômago. Isso é uma característica normal. Então, tem gente que vai tomar café e vai experimentar um pouco mais de pirose. Isso depende da quantidade. Então, isso é importante de contextualizar também. Aumenta um pouco a secreção ácida.
Isso é importante de pensar, mas que apesar disso a gente estudou muito incidência de neoplasia, de tato gastrointestinal e não existe nenhuma relação de consumo de café com câncer de estômago. Pode existir uma relação...
Mas você viu que esse café estava quente? Qual era a temperatura desse café? Ele já estava em uma temperatura um pouquinho mais agradável. É o calor, a lesão térmica. Isso, que não necessariamente é pelo café. Qualquer bebida quente, chimarrão é muito comum. Então, a única coisa que eu digo também é que o ideal é que você consuma o café a menos de 60 graus.
que acima disso você pode ter uma lesão térmica na boca e aí você pode ter um aumento da incidência de câncer de cabeça e pescoço, mas isso vale para qualquer bebida quente, não é exclusiva do café. Então também escolhi a temperatura certa para consumo, você vai falar, eu já sei.
Tem diferença para a propriedade gustativa, mas também existe a questão de que você diminui essa possibilidade. Mas agora, sorta. É, eu gosto de tomar café mais frio, abaixo de 50 graus. Até aquela dica, colocou ali que estava muito quente, deixa cinco minutinhos ali, vai prosinhando que na hora vai ficar bom. E falando também da questão social do café, Bruno, que eu não sei se você já teve oportunidade, creio que sim, o café na xícara.
É uma sensação. O café na taça é outra sensação. Na fazenda a gente gosta muito de servir o café na taça. Por quê? Quando você vai servir o café na taça, primeiro, você vai olhar. Então, primeiro a visão. Você vai cheirar. Porque aqui, na xícara, é muito difícil você conseguir. Então, a percepção de sabor é completamente diferente quando você toma um café. Quem desenvolveu taça para tomar vinho sabia o que estava fazendo. Exatamente, exatamente. Aquela formato, ele tem um motivo.
E a gente pode utilizar e usar esse mesmo motivo, né? Concentração dos aromas, a percepção dos... Melhora muito, né? Então, isso é importante. Eu vou ainda mais adiante. Dependendo da característica, até o formato da taça pode ser diferente. Impacta, sim.
Matheus, chegamos aqui a praticamente uma hora de podcast sobre café, cara. E dava mais, né? Dava mais, mas foi um prazer aqui. Queria já de antemão agradecer mais uma vez a presença dos nossos convidados ilustres aqui, do Bruno Mioto, mais uma vez trazendo todo o seu conhecimento sobre o café, muito além do coração, não é só saúde cardiovascular.
e também o Matheus, por trazer toda essa visão que tem desde a produção, do local onde o café está sendo produzido, a forma como ele é preparado, enfim, para chegar até a nossa xícara tem muito trabalho e a gente realmente tem que valorizar. Para a gente é tão simples pedir um cafezinho e tomar, e às vezes a gente não tem noção de todo o cuidado que tem que ter para que chegue algo de qualidade até o nosso paladar. Então eu estou feliz demais com esse podcast de hoje.
E espero que a gente possa voltar aqui depois para falar do doce de leite de Viçosa, lá de Minas também, do pão de queijo. Vai ser legal. Vai ser mais difícil. Mas é isso. Passo para você, Matheusinho. Muito obrigado pela presença de vocês. Queria que vocês deixassem um recado para quem está escutando a gente. O que vocês gostariam que a pessoa absorvesse sobre o café? Eu acho que é legal que quando as pessoas que assistirem esse podcast forem tomar café, que às vezes é um hábito tão simples.
vai ver o quanto é complexo esse assunto. Então, vai lembrar da gente falando aqui da relação com mortalidade, da relação com arritmia, da relação com demência, da relação...
Todas essas informações de preparo, né? Alguém vai ver o que a gente está conversando aqui, vai pensar, puxa, para mim era tão simples o hábito de tomar o café, mas olha como a riqueza de história, a riqueza de conteúdos diferentes relacionados à saúde, a preparo, a qualidade, né? E isso faz com que a gente consumir café e conhecer um pouquinho dessa história torne esse hábito ainda mais prazeroso, né, Matheus?
É, eu acho que, assim, sensacional. E do nosso lado, uma coisa que eu queria deixar para vocês é que quão trabalhoso é para esse café chegar aqui nessa xícara? Quantas mãos que ele passa? Desde a pessoa que está lá colhendo o café, o operador da máquina, quem está lá no terreiro, depois...
vai para os armazéns, o que o grader que vai classificar o café, o torrador, o barista. Então, são muitas mãos que passam para chegar aqui. E eu tenho certeza que um conteúdo desse...
Quem tiver possibilidade de ouvir vai ficar muito feliz, porque o que vocês fizeram, eu acho que a classe da cafeicultura tem que agradecer muito o trabalho de vocês, Bruno. Fiquei impressionado com o seu conhecimento e o seu amor pelo café. Sim, em nome da classe, eu queria muito agradecer vocês. Foi muito bacana e fiquei muito lisonjeado aqui com o convite de poder estar aqui com vocês.
Agradeço demais, mais uma vez, pois para mim é uma honra, Matheus. Espero que essa mensagem chegue ao máximo de pessoas para valorizar o trabalho de vocês, o que vocês produzem. Realmente eu conheço mais a fundo, pela experiência que eu tenho de troca com você, com a sua esposa, Tatiana. Poxa, a gente...
conversa muito sobre o projeto de vocês e eu quero que mais pessoas conheçam o que eles vêm fazendo lá, não envolve só produção de café, tem toda uma camada que impacta toda a sociedade que está ali ao redor, o produtor, os filhos dos produtos, não só o produtor, quem trabalha junto com ele na fazenda, a cooperativa, os filhos dos membros da cooperativa, é um trabalho social muito bonito também e importante que a gente tenha também cientistas que consigam trazer o valor
de uma arte como essa, né? Pra nossa saúde, pra quebrar mitos, pra quebrar preconceitos. Bruno, parabéns também pelo seu trabalho. Eu acho que foi missão cumprida, Matheus. E se você quiser já convidar o pessoal pro próximo podcast, a palavra é sua aí. Isso mesmo, pessoal. Obrigado por ter acompanhado até aqui e até a próxima. Música Música Música Música Música
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