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Bodecast#164 - Emergência radioativa

27 de abril de 202620min
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Césio 137, um elemento radioativo muito perigoso que foi responsável por dois acidentes: um no Brasil e outro na Ucrânia.

Participantes neste episódio1
B

Bodão

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Assuntos3
  • Acidente com Césio 137 no BrasilImpactos da radiação · Causas do acidente · Consequências para a saúde
  • Acidente radiológico na UcrâniaCápsula de Césio 137 · Efeitos na população local
  • Radiação e saúde humanaRadiação interna e externa · Síndrome aguda · Tratamento com azul da Prússia
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Fala, pessoal, tudo bem? Beleza? Todo mundo pronto aí para um podcast? Antes de falar do nosso tema da semana, ou dos próximos 15 dias, eu quero falar que eu estou muito feliz graças ao podcast anterior. A gente falou aqui sobre um assunto muito importante, muito perigoso.

que são aqueles idiotas, os redpills, e cara, surtiu efeito, né? Surtiu efeito porque nesses últimos dias aí, um monte deles, né? Todos esses idiotas aí foram banidos, sumiram das redes sociais, ainda falta um lá, que é o cara que toma café que não sei quem lá, que...

conseguiu reverter, mas ele vai dançar daqui a pouco, ele vai rodar também. Os Redpills, esses misóginos, não podem ter vez. Agora o problema é assim, né? É que nem barata, né, velho? Você mata um, pá, surge outra, né? Agora temos uma barata, que é aquela...

pseudo-celebridade lá, que saiu da Globo, que tá fazendo curso agora pra homem, né? Pra recuperar o espaço masculino. Que espaço? Recuperar o quê?

De novo, o cara maquia o discurso que nada mais é do que também misógino. E o que me irrita mais ainda é um monte de idiotas, inclusive mulheres, que apoiam o demente, que apoiam, dizendo que o cara é um pai de família.

Todo mundo é pai de família. Todos os homens são pais de família. Isso não significa que são bons. Isso não significa que tem caráter. Então assim, só o fato do cara ser religioso parece que o cara ganha um crachá. Você é religioso. Ganhou o crachá. Você é bom. Você é excelente. Não é verdade. Então, pessoal, olho vivo. Vamos ficar em cima desse discurso. Vamos ficar em cima desses idiotas. Porque vocês estão acompanhando, né, gente?

Há um movimento muito forte nos Estados Unidos, propagado por esses caras, pra tirar o voto feminino. Pensem nisso. Legal? Mas vamos, bom, vamos lá. Vamos ao tema de hoje.

Com certeza já devem ter ouvido falar, já devem ter visto até a série Emergência Radioativa, que narra a história de um acidente envolvendo o Césio 137 lá em Goiânia. Pô, isso aconteceu em 1987, né, pessoal? Quase 40 anos atrás.

Aí eu fiz uma pesquisa e eu descobri que aconteceu um caso muito parecido na Ucrânia, nos anos 80 também. E ó, não estamos falando de Chernobyl. Inclusive, Chernobyl completou 40 anos esse mês de abril, né? Mas olha só, pessoal. O tema Chernobyl eu já fiz no outro podcast aí. Então, meus amigos, se prepara que a paulada é na moleira. Rala a vinheta!

É, rapaziada, não é fácil não. Os anos 80 são muito legais, eu vivi toda a minha juventude nos anos 80, mas eles também apresentam uma série de problemas, uma série de dificuldades, guerra fria, aquela neurose de combate ao comunismo. E olha só o que aconteceu por trás da cortina de ferro na Ucrânia, exatamente nesses anos 80.

Uma cápsula de Sérgio 137, numa cidade chamada Kramatorsk, foi encontrada. Aí, pô, mas como assim? E olha só, pessoal, ela foi encontrada, cimentada, dentro da parede de um edifício residencial. Hã?

O que é isso? Olha só o que aconteceu. O acidente radiológico de Kramatorsk aconteceu na região de Donetsk, na Ucrânia Oriental. E olha gente, demorou nove anos, entre 1980 e 89, a situação aconteceu. Uma pequena cápsula altamente radioativa, ela acabou sendo concretada numa obra.

E ela estava expondo as pessoas a uma dose de 1.800, deve ser, rotens, né? De raia de ação gama por ano. Eu fiz uma pesquisa aqui e eu vi que, não entendo muito bem nessa parte da física, da química, né? Mas estava escrito na pesquisa que eu fiz que em doses... ...e ação gama por ano.

diárias, digamos assim, não aquele tipo, entrar no reator Chernobyl, né? Mas assim, radiação sendo expandida, né? A pessoa suporta mil, mil e poucos. Aí era mil e oitocentos. E aí só foi descoberto.

que os moradores começaram a achar estranho, né, gente? O pessoal ficava doente, o pessoal tinha câncer, tinha leucemia, e aí fizeram lá, chamaram o físico do Instituto de Saúde, e aí foi descoberta a porra da cápsula na parede. Mas como assim? Como é que uma cápsula de Sérgio foi concretada? Olha só, em 1979... East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East East

Um aparelho, um medidor de nível industrial, foi perdido numa pedreira. Algum funcionário muito competente perdeu esse medidor, que tinha essa cápsula de 737, e aí essa cápsula caiu no meio das pedrinhas lá, da brita, do concreto, e esse cascalho foi usado na construção. O material foi misturado e concretado na parede.

Conjunto residencial nessa cidade aí, né? E aí, pessoal, o que aconteceu? Apartamentos entre os números 85 e 52, ou seja, um monte de gente acabou sendo afetada, mas principalmente as famílias do apartamento 85. E olha só, hein?

Já de cara, a primeira família que morou ali, uma cama infantil estava posicionada ao lado dessa parede. Quem que ia saber, né? O apartamento estava ocupado. E um ano depois, uma jovem de 18 anos morreu no apartamento. Morreu subitamente. Isso em 80. Em 82...

O irmão dela, de 16 anos, faleceu também. Seguido pela mãe. Então, poxa, foi uma reação em cadeia ali, foi muito rápido, né? E outros moradores acabaram também apresentando sinais de leucemia.

Os médicos não conseguiam identificar o que estava acontecendo, o que era. E lógico, de uma maneira preguiçosa, é hereditário. Uma nova família se mudou para o apartamento.

E o filho dessa família também morreu de leucemia. Ou seja, tinha nada a ver com hereditariedade, né, meus queridos? O pai, então, pediu uma investigação. Foi atrás, chamou as pessoas e aí descobriram. Em 89, o frasquinho de Césio 137. Quando essa cápsula foi descoberta, não muito maior que uma moeda. Imagine, pessoal, o tamanho de uma moeda.

Quatro moradores do prédio já tinham morrido e outros 17 sofreram doses variadas de radiação.

Parte da parede foi removida, a cápsula foi retirada, identificada e guardada, descartada, sei lá o que fizeram com essa merda aí. Então, pessoal, quatro pessoas morreram durante a década de 80 devido a uma situação de desconhecimento, descontrole. E foi lá na Rússia, hein? Foi lá na União Soviética. Agora, e o caso brasileiro? O que aconteceu em Goiânia? Pra quem ainda não viu o...

de seriado, ou não sabe nada, né? Vou contar aqui pra vocês. Tudo começou do seguinte. Dois catadores de recicláveis foram numa obra abandonada lá, foram num prédio abandonado e encontraram um aparelho de radioterapia. O aparelho estava desmontado, estava abandonado, que pertencia ao Instituto Goiânio de Radioterapia. Eles desmontaram o aparelho, levaram as peças, levaram uma cápsula de chumbo.

E venderam para um dono de ferro velho. Venderam lá para um cara que lidava com reciclagem. Esse cidadão acabou...

abrindo a cápsula. Ele abriu a cápsula de chumbo e o pozinho, o cloreto de Sérgio 137, emite uma luz azulada, uma luz bonita. Assista a série ou assista o filme Sérgio 137, feito nos anos 80. Chama atenção mesmo. E aí, fascinados pelo brilho azul, o dono do...

Do velho velho. Deu um pouquinho pra cada um lá dos vizinhos. Pro irmão dele, pra família dele. E aí a galera começou a manipular o material. Começaram... O troço começou a espalhar ali na vizinhança, né? E a sobrinha dele, uma criança chamada Lady das Neves, chegou inclusive, sem querer, obviamente, a ingerir essa partícula enquanto comia. Tava brincando ali com o troço, aquela coisa, né? E aí ingeriu o produto.

Alguns dias depois, algumas pessoas começaram a ficar mal, começaram a ficar doente. Vômito, tontura, queimadura na pele, o cabelo começou a cair. E a mulher do dono do ferro velho, uma senhora chamada Maria Gabriela, suspeitou que alguma coisa tinha a ver com aquele pó azul. Pegou tudo e levou lá pra vigilância sanitária, onde um físico que estava até de passagem ali, identificou a radiação.

E aí, pessoal, foi uma confusão. Porque como é que vai lidar com um troço desse? Um país complicado como o Brasil, um país onde as pessoas estão mais preocupadas com a politicagem do que com a verdade. Então assista a sério pra você entender do que eu tô falando. E aí, meus queridos...

Todo esse episódio, coincidentemente, causou quatro mortes imediatas. Sendo elas a menina que ingeriu o produto e a Maria Gabriela, que era a esposa do dono lá do Ferro do Velho. Outras milhares de pessoas acabaram sendo monitoradas. Até hoje são monitoradas. Existe uma associação.

de vítimas do Céus 137, e todas apresentam sequelas. Todas. Todas as pessoas que tiveram contato, que tiveram algum acesso a essa radiação, ou que moravam perto, acabaram desenvolvendo consequências. Todo esse lixo, toda essa coisa atômica que foi gerada, 6 mil toneladas estão armazenadas hoje num campo.

onde estão bem condicionados. Mas olhem só, pessoal, uma pequena cápsula de material, uma pequena cápsula de raio-x, de radioterapia, desculpa, falei errado, radioterapia, que cabia na mão.

gerou 6 mil toneladas. O grande problema, pessoal, é a ignorância e a desinformação. Porque, de repente, estava todo mundo dizendo que houve uma infectação total, todo mundo ia morrer, e as pessoas que estavam doentes sofreram um grande boicote, um grande preconceito. Por exemplo, a menina...

que faleceu, Leite das Neves, quase que não conseguiram fazer o enterro dela. Porque as pessoas não queriam o sepultamento. E isso com o caixão. Foi lacrado em chumbo. Foi feita uma redoma. Foi feita uma redoma de concreto. Não havia nenhuma condição de radiação. Mas sabe como é que é, né, gente? Quem acreditou no cometa Halley, imagina isso aí, né? Mas aí...

Eu sempre tive essa curiosidade, né? Na época eu era adolescente, que essas notícias vieram à tona. 86, 87, 89. Pô, eu tinha lá 14, 15, 16 anos. E aí, porra, eu ficava pensando assim. Como que um troço tão pequenininho causou tanto problema, né? Como assim? Uma cápsula, um troço do tamanho de uma moeda.

O que ele faz no nosso corpo? O que o Césio 137 causa no ser humano? Então, olha só, eu pesquisei e encontrei aqui o seguinte. O Césio 137 é muito perigoso porque o nosso organismo confunde com potássio.

porque eles são quimicamente parecidos. Então o nosso corpo acha que é potássio e aí ele absorve rapidinho. Aí o que ele faz? Ele pega esse potássio, entre aspas, ele acha que é o potássio, e aí ele distribui essa substância entre músculos e órgãos vitais. É aí que a gente se ferra. Existem três formas de impacto.

E aí eu vou tratar com vocês aqui, né? Olha só, a radiação extrema é uma forma de impacto. Por exemplo, mesmo sem você tocar no material, os raios gama são emitidos pela cápsula, atravessam a pele e atingem os órgãos, causando queimaduras e danos celulares.

Essa é a radiação que vem de fora. Você tá ali de bobeira, o cara tá na casa do lado mexendo com essa merda, você é afetado. Aí tem a radiação interna, que é o que aconteceu com a menina. Ela ingeriu o produto. E o que acontece então? Se instala nos tecidos moles e vai bombardeando as células.

de dentro pra fora. Então eu fico imaginando, gente, que a menina foi destruída por dentro. Foda, né?

Aí tem a terceira situação, que seria a síndrome aguda, ou efeito imediato. O que gera isso? Altas doses. Por exemplo, os caras que pegaram o troço na mão, ficaram brincando, passaram no corpo, inclusive. Tem uma cena lá que o cara passa no corpo. Olha como eu tô brilhando. O cara achou que era o doutor Manhattan lá do filme lá de super-heróis do mal. Pô, cara doidão.

E aí, você tendo esse contato em altas doses, olha o que acontece com você. Você tem náuseas, vômitos, diarreia severa. Aí o próximo passo é a sua medula óssea. A destruição das células de defesa. Sua imunidade cai a zero.

E aí se você pegar, se você tiver um maçucado, você vai morrer. As plaquetas caem a zero e você tem hemorragias internas. Sua pele vai ter lesões que parecem queimaduras, mas elas não cicatrizam. Inclusive um dos envolvidos na situação, ele teve que amputar o braço, porque a lesão necrosou e ele ia perder, ele ia ter uma infecção generalizada.

Efeitos a longo prazo. Quem sofre radiação, como por exemplo Chernobyl, ou o caso da Ucrânia, ou a situação ali da Goiânia, se a pessoa sobreviver a esse processo todo que eu citei pra vocês, o risco passa a ser um dano ao seu DNA. A célula sofre mutações e a pessoa pode ter câncer, resultando em leucemia ou outros tipos de tumor.

O corpo humano, olha uma curiosidade agora, hein? O corpo humano, ele consegue eliminar o césio naturalmente. Porque pensando que seja potássio, ele vai eliminar na urina ou no suor. Mas o processo é lento e ele leva de 70 a 100 dias para reduzir as doses. Então se você ficar sendo impactado por essas doses, você não vai sobreviver.

Ah, mas tem remédio pra isso, Bodão? Pois é. No auge da crise ali, tentaram. Tentaram usar uma substância que foi também testada em Chernobyl, que foi testada em outros eventos, e aí essa substância tem o nome de azul da Prússia. O azul da Prússia é um imã químico, digamos assim. O objetivo dele é retirar metais pesados do corpo.

Então, por exemplo, o Césio C37 ou o talho é um metal pesado. E aí você ingere um comprimido lá, você toma essa substância e aí você acaba usando esse produto. Qual que é a ideia?

normalmente o césio vai ser absorvido no intestino, ou reabsorvido, digamos assim, e ele voltaria ao sangue num ciclo sem fim. O azul da Prússia, ele entra nesse ciclo, cola no césio e ele impede que ele seja reabsorvido. O azul da Prússia vai fazer o césio descer, né, pelo intestino ou pela urina, e aí olha só.

Pelo que eu li aqui, né? Uma vez preso ao composto, o césio não circula mais no corpo. O azul da Prússia não é absorvido. Ele passa pelo sistema digestivo e é eliminado pelas fezes. Levando material radioativo com ele. Isso reduz o tempo lá de radiação. Mas ainda continua, né? Uma curiosidade pra vocês sobre o azul da Prússia.

Ele foi criado no século XVIII como um pigmento moderno para tintas. Por exemplo, o Van Gogh usava o azul da Prússia nas suas obras. Na medicina, cara, ele é usado de maneira muito rigorosa, porque deve ter uma série de contraindicações, né? Agora, olha só coisas importantes. Ele não previne. Não adianta você tomar o azul da Prússia e falar assim, porra, agora eu vou para Chernobyl. Não, ele não previne. Ele só ajuda a expelir.

Efeito colateral. O uso do mitigamento deixa as fezes e o suor com coloração azulada ou esverdeada. Então você vai achar que você é o Dr. Manhattan ou o incrível Hulk, né? Cara, que foda, né? Mas é isso aí, rapaziada. Não é brincadeira não mexer com a natureza. Já disse o Oppenheimer quando testou a bomba atômica.

Ele viu aquela nuvem enorme, aquele cogumelo enorme, e ele disse, tornei-me o destruidor dos mundos. Isso é tão verdade, que a natureza não mexe com ela, né? Que Pripyat, onde Chernobyl está localizada, está inabitável até hoje. 40 anos depois do acidente. É, rapaziada.

Espero que tenham gostado do tema. E até o próximo podcast. Se gostou, compartilhe com seus amigos. Se não gostou, compartilhe também. Com seus inimigos. Abraço, meus queridos. E até a próxima aí. Um outro tema, uma outra discussão. Mas sempre coisas legais pra você pensar, hein? E aquela coisa, hein?

relembrando, se você presenciar, se você detectar um discurso misógino em suas redes sociais, denuncie, não vamos deixar esses caras voltarem, esses caras não podem existir. Um abraço e até a próxima.

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