#123 Patagônia: ventos, glaciares e o fim do Mundo
Um episódio num oferecimento da Belo, a carteira digital feita pra viajar pela América Latina.
Baixe o app Belo e viaje pela américa latina com quem entende de latinidade!Dizem que, na Patagônia, é o vento quem dita as regras.
Mas nenhuma foto prepara você para a força dos glaciares, o silêncio das montanhas e a sensação de estar no fim do mundo. Algumas viagens mudam o lugar onde você está. Outras mudam a forma como você enxerga o caminho.
Neste episódio, embarque em uma jornada pela Patagônia argentina e chilena. Sem roteiro engessado, apenas histórias, descobertas e paisagens que desafiam qualquer descrição.
Coloque os fones, aperte o play e deixe o vento mostrar o resto.
Host: Cainã Ito
Bancada: Eduardo Bitencourt, Laura Sette,Guilherme Verdiani, Kami Queiroz
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🎨 Arte da capa: Guto Arrigoni
- El Chaltén: Capital do TrekkingEl Chaltén · Fitz Roy · Cerro Torre · Trekking · Escalada · Segurança para mulheres
- Vitor Sampaio· EntretenimentoVentos fortes · Tempestades de neve · Rajadas de vento · Avisos de eventos naturais
- O Fim do Mundo: Ushuaia e Puerto WilliamsUshuaia · Puerto Williams · Ilha de Navarino · Estreito de Magalhães · Antártida · Canal de Beagle
- Impacto ambiental e preservaçãoIncêndios na Patagônia · Turismo desenfreado · Conscientização ecológica · Parques nacionais pagos
- Povos indígenas pré-coloniaisPovos originários da Patagônia · Campanha do Deserto · Genocídio indígena · Povos Yagán · Idioma Yagán
- Diferenças entre Patagônia Chilena e ArgentinaPatagônia Argentina · Patagônia Chilena · Quantidade de chuva · Gás natural
- Viagem ao ChileCarretera Austral · Puerto Montt · Villa O'Higgins · Rafting · Parque Patagônia · Vulcão Chaitén · Valle de Cochamó
- Turismo em RoraimaBariloche · Ruta de los Siete Lagos · Esqui · Turismo de luxo · Comunidade alemã
- Comida e culináriaCordeiro Patagônico · Churrasco · Vegetarianismo e Veganismo · Lentilha · Castores
- Patagônia: Imagens e InformaçõesPatagônia · Pata Grande · Guanacos · Camélidos
- Vida Noturna e Social na PatagôniaNoitada · Cumbia · Couchsurfing · Interação social
Viajante Sem Pauta está no ar, aqui é o Cainanito, e no episódio de hoje, com oferecimento da Belo, a carteira digital feita para quem vive América Latina, nós vamos adentrar a uma região que habita o imaginário de muitos viajantes brasileiros. Uma terra de geleiras monumentais, ventos que parecem nunca parar e paisagens tão vastas que se estendem por quilômetros sem quase nenhum sinal de presença humana. Um lugar onde o silêncio é tão marcante quanto o som do vento e onde a sensação de isolamento faz parte da experiência.
Patagônia, o que nos leva a viajar a uma das regiões mais ao sul do planeta. O que existe nessa terra fria, remota e aparentemente vazia que atrai aventureiros e sonhadores do mundo inteiro? É sobre esse mistério que vamos conversar hoje. E vamos diretamente para a bancada, que hoje ela está internacional. Olha o estadunidense aflorando em mim, Kainan, porque é Copa do Mundo, então tem que salvar apoio. Acho que então vamos diretamente para Austrália. Bem-vindo, meu querido Guilherme Verdiani!
Fala, pessoal, tudo bem? Prazer estar com vocês de novo depois de alguns anos aí desde a última gravação do podcast. Tô empolgada aí para poder compartilhar um pouco dessa experiência que eu tive na Patagônia com vocês.
Agora vamos diretamente para as índias de Bollywood. Bem-vinda, minha querida Cami Queiroz!
Namastê, Ji! Oi, bom dia, boa tarde, boa noite! Aqui é Cami do Acess Mochileiras e é um prazer compartilhar essa história de aventura e desconstrução na Patagônia, terras geladas, terra do fogo.
Vamos reviver suas aventuras, né, Cami? Quanto tempo não foi isso, né?
Ai, saudades, Patagônia.
O bom desse episódio é que a gente revive junto, né? Então é gostoso relembrar as viagens. Agora, às 5 da matina... Ó, esse aqui é guerreiro. Todo mundo é guerreiro aqui, depois eu conto nos bastidores. Olha, inclusive esse programa, para marcar o horário, ó, vou adiantar, é fuso de Peru, fuso de Austrália, fuso de Dinamarca, Índia e Brasil, tá? Isso aqui, olha... Mas diretamente do Peru, bem-vindo, meu querido Edu Bittencourt.
Fala, pessoal, tudo bem? Prazer estar de novo aqui no podcast com o Cainan, essa bancada que eu mal conheço, mas já considero muito, porque a gente tá todo mundo reunido para falar de uns lugares mais especiais do planeta, aqui direto da Cordilheira Branca no Peru, para falar um pouquinho sobre a cordilheira mais ao sul da Patagônia. Então tô muito empolgado para relembrar as aventuras, o frio, o vento, e é isso.
Vamos embora! Quero saber dessa bancada se a Patagônia é tudo isso que o pessoal fala ou é apenas jogo de marketing. Vamos, vamos saber durante o programa. E agora, nossa correspondente direto da Dinamarca. Bem-vinda, minha querida Laura Sette.
Oi, Cardinot. Oi, pessoal. Muito obrigada. Feliz de estar aqui novamente. E ainda mais pra falar de um lugar tão especial que é a Patagônia, né? Eu acredito que todo mundo que acaba... Só quem foi sabe, né? Só quem viveu sabe. Então, Patagônia é um lugar muito especial. E eu, particularmente, vivi coisas muito especiais, muito pessoais lá também. Então, tô bem animada de relembrar, como você disse, né? Porque Faz um tempinho já, mas foi uma viagem, uma das viagens mais marcantes da minha vida. Então bora lá!
Criei expectativas, viu? Se eu não sair desse programa com vontade para Patagônia, eu vou culpar vocês da bancada, tá? Diferente da Argentina, que eu já tô motivado para ir para o norte da Argentina. Então sube o vídeo! Aqui, que se fala Skynan na versão latina com molho. Meu Deus, vamos seguir adiante porque assim, Jabá, a gente tenta ser o mais autêntico. Tentei trazer na versão latina. Mas é isso, ouvintes, começar aqui agora voltando para o eixo, falando que se você pretende planejar sua viagem para Patagônia, que é o intento desse episódio, não deixe de baixar o aplicativo da Belo, que está trazendo esse episódio maravilhoso, que é a carteira digital, que inclusive nasceu na Argentina, então foi criada pelos nossos amigos hermanos, os latino-americanos, que entendem as necessidades de quem viaja pela nossa região.
Então, no caso, a Bela é uma ferramenta que deixa muito mais prático levar e usar o seu dinheiro no exterior, sem depender daquela burocracia dos bancos tradicionais. Então, com eles você faz pagamentos internacionais, movimenta seu dinheiro direto pelo celular de forma simples, rápida e praticidade, como um Pix, simples assim. Então, antes de vocês embarcarem para Patagônia, baixa o aplicativo, porque lá vocês vão ter benefícios e facilidades que vão, no fundo, explorar a latinidade conhecendo essa linda região.
Porque como eu sempre digo, ser latino não é somente escutar as músicas e tantas outras formas de expressões culturais, mas ela também tá nas ferramentas que a gente usa. Então baixa o aplicativo e começa a viajar pela Argentina e os nossos vizinhos por uma empresa que entende de latinidade. E já que estamos falando de Patagônia, vamos falar de planejamento de viagem, porque tem uma coisa que nesse podcast de tantos anos a gente sempre enfatiza que não pode ficar fora do seu radar quando for viajar.
Seguro Viagem. Patagônia, gente, é um destino incrível, paisagens exuberantes, mas ela também é conhecida pelas dificuldades, digamos, na parte outdoor. Então ventos fortes, as trilhas, as estradas longas. Então para quem vai querer aproveitar a temporada, ou mesmo você vai para o lugar mais turístico, no bom sentido da palavra, quer fazer um esqui na neve, a gente sabe que não falta tombos, né? Então imprevistos podem acontecer.
Então é muito melhor você viajar tranquilo sabendo que você tem suporte. Então não deixe de usar o seu seguro de viagem. Assiste 365, o seu seguro de viagem sempre ao seu lado, usando o cupom VSP. Gui, Laura, Edu e Cami. Toda vez que a gente traz uma região pra falar no podcast, eu gosto de trazer dois exercícios. O primeiro deles é: que imagem vem à cabeça quando você ouve Patagônia? E aqui eu trago pra cada um essa pergunta.
E o segundo é: como as informações permeiam e chegam até nós através do meio midiático? O que eu quero trazer com isso, né? Como é que a gente é condicionado com a visão de mundo? Então, quando a gente fala de Patagônia, e aqui eu trago a minha resposta, o que não é tão bonita no sentido de como Patagônia chegou até mim. Mas ela veio através de marcas. Infelizmente, quando você pensa em Patagônia, para mim não vem a região, ela vem através de produtos.
Foi a primeira informação, né, a nomenclatura. Mas eu queria começar com vocês. Quando vocês falam em Patagônia, o que que vem à mente? E como vocês souberam da região pela primeira vez? Foi através de um filme, através de algum criador de conteúdo? Gui, meu querido, traga para a gente o trilhar dessas informações. O que que vem à cabeça da Patagônia para a gente trazer esse lado abstrato do programa?
Cara, eu vou começar assim, falando da minha experiência pessoal, porque eu não sei, faz muito tempo que eu não tô em mundo viajante, né, no sentido per se. Mas quando eu comecei a minha viagem, na verdade, eu fui explorando e descobrindo que eu ia viajar por mais tempo enquanto eu comecei a viajar, porque não tinha tempo para acabar minha viagem. Na verdade, achava que ia ser muito mais curta do que esperado. Só que quando inicialmente eu comecei a viajar, eu tava na região de Mendoza para subir uma montanha, né, naquela região mais próxima da fronteira com o Chile.
E depois que aconteceu essa primeira ascensão a essa montanha, eu e a minha ex-companheira na época, a gente decidiu começar a viajar para o sul. E foi quando eu comecei a me informar sobre o que que era Patagônia. Então, cara, foi uma coisa assim, eu não tinha muita informação, eu sabia mais ou menos por Bariloche, por, né, a região de Ushuaia, chegava até lá embaixo do continente sul-americano, mas o conceito Patagônia ainda era muito abstrato para mim.
Só que aí, bom, se você me pergunta o que me vem à cabeça, eu lembro das informações que eu tive enquanto viajante. Então, por exemplo, Patagônia eu aprendi perto da fronteira do Chile com a Argentina, na região de Punta Arenas, que vinha de uma das possibilidades da origem desse nome é de pata grande, que relata, que faz associação com os antigos habitantes, os povos originários da região, que eles tinham pés muito grandes, né?
Pata grande. Então existiam povos naquela região, vários nomes, vários povos indígenas entre a Argentina e o Chile. E basicamente eles acabaram, pelo menos uma das placas, das informações que você obtém daquela região, é que eles acabaram dando esse nome possivelmente devido a esses habitantes que povoavam a região, né, pessoas com pés maiores do que as pessoas que estavam reconhecendo pela primeira vez, sei lá, os europeus, espanhóis, né.
E enfim, a minha visão maior que eu tenho, uma lembrança muito forte, foram das minhas aventuras naquela região de Ponta Arenas e Porto Natales, perto da região do Parque de Torres del Paine também. Tive muitas experiências assim, um lugar mais com planícies, com muitos guanacos, que são um dos camélidos que você tem naquela região, fazendo carona. Uma região meio, meio gris, meio cinzenta, mas assim, ao mesmo tempo cheia de vida, com tipos de animais que você não tá muito acostumado a conhecer em outros lugares.
Quando você fala dessa fauna, é uma fauna existente somente na Patagônia? Ela não abrange a América Latina, América do Sul como um todo? É algo muito específico, característico da região?
Depende da região que você tá. Por exemplo, os camélidos, você tem 4 tipos diferentes de camélidos, só que os guanacos eles dominam a região total. Você tem as vicunhas, você tem alpacas.
Eu não sei nem o que é camélido.
É como se fosse uma alpaca, um guanaco, eles são família dos camelídeos, Cainan.
São os camelos e os primos, é uma família de animais.
A gente tem 4. Na América do Sul. Então você tem os guanacos, que eles são mais habitantes das regiões mais baixas de altitude, e eles parecem como se fosse um dromedário lá. Vamos, vamos esticar assim, um camelo de uma corcova só. E eles dominam essa região de baixas altitudes. Enquanto que você, se você tá na região mais alta da América do Sul, você tem as alpacas, você tem as vicunhas, que são um pouquinho menores, só que os guanacos eles são maiores assim.
Eles lembram muito, sei lá, um tamanho de um dromedário, por assim dizer, um camelo, que quando vem na nossa mente, né? Só que eles estão por várias partes. Então é uma coisa que, por exemplo, se na Austrália você pensa num canguru, muita gente não pensa, mas na Patagônia você vê muitos guanacos também.
Ou seja, isso deve dizer muito sobre até a culinária, que a gente vai falar mais para frente. Haja carne então, pelo visto. Com certeza, para um vegetariano e vegano deve ser um prato cheio Patagônia. Piadinhas aqui para o Gui. Para quem não sabe, o Gui é vegano, tá, gente? Mas a gente vai adentrar breve, breve. Edu, meu querido, fazendo a mesma pergunta, quando a gente fala de Patagônia, o que que veio imaginário? Como é que as informações da região chegaram até você? Foi na estrada, cara?
Patagônia, nossa, eu nem sei como começar assim, porque foi onde eu comecei a minha vida assim de mochileiro, de viajeiro. Então foi onde eu comecei, então foi um lugar que eu pesquisei muito antes, assim, eu tinha inclusive uma das fontes, eu lembro que foi esse podcast que a gente tá participando hoje, que eu tô participando hoje, 6 anos e pouco depois. Eu lembro que eu acho que o Richard contava algumas histórias e tal sobre a Patagônia.
Então não sei, assim, eu tinha no meu imaginário esse lugar inóspito e selvagem, desértico e com muita vida selvagem e com muita aventura. Muita montanha, cordilheira, frio. É um lugar que realmente ia me tirar assim da minha zona de conforto, né? Um lugar que na minha cabeça assim seria um lugar perfeito para começar nessa mudança de vida que eu queria fazer na época, né? Então, e eu acho que assim foi um dos poucos lugares que realmente foi tudo isso mesmo assim que eu imaginava antes, sabe?
É, realmente atendeu tudo que eu imaginava, realmente O clichê é verdadeiro assim com a Patagônia. O vento realmente é muito forte, realmente tem muita aventura, realmente as montanhas são as montanhas mais lindas do mundo, realmente o frio é muito doído. Então eu acho que foi isso assim. Até hoje assim, quando eu volto para Patagônia, eu sempre lembro desses primeiros dias, os primeiros passos assim na minha vida na montanha, na aventura, na escalada, na fotografia.
Então sempre vai ser um lugar muito, muito especial para mim. Então acho que é mais ou menos isso assim, sabe?
Então, Edu, com a sua fala e a do Gui, por enquanto eu acho que a gente pode ir concluindo, né? Que quando a gente fala de Patagônia, vem toda essa coisa do gelo, do vento, da montanha, o fim do mundo. E agora para as meninas, Cami e depois a Laura, procede. Vocês querem somar algo a mais ou também concordam que a Patagônia é o que transmite, é o que eles falaram? E também como é que chegaram à informação da Patagônia para vocês?
Eu acho que é individual para cada um. Os meninos tiveram experiência deles, para as meninas é muito mais complexo porque você tá indo para um lugar bastante inóspito como é a Patagônia. Para mim foi um, foi uma desconstrução física, mental, em vários sentidos. Na verdade, eu fui para Patagônia, só lembrando agora, falando e lembrando, minha intenção era ir para Nova Zelândia. Eu tinha planejado tudo bem diferente, né, Nova Zelândia, Patagônia, mas eu comecei a receber conteúdo da Patagônia justamente por estar buscando a Nova Zelândia e a comparar, né, essa região, e comecei a olhar mais para América Latina.
E foi exatamente a Patagônia que mudou totalmente o destino das minhas viagens, completamente, por causa que Eu acabei no mesmo período, acabei sendo demitida. Enfim, toda uma história longa que me levou querer mais entender mais a nossa história. Em vez de eu ir para o outro lado do mundo, eu quis entender o que que é, né, ser latino, o que que é América Latina. E a gente tem essa, né, grande paisagem como é a Patagônia, como é esse lugar.
E então eu comecei a me preparar 6 meses para ir. Então Foi uma preparação física, porque eu fui para fazer hiking, eu fui sozinha, eu fui pegando caronas, eu fiz tudo por terra. Então assim, foi um desafio muito grande para mim. E a Patagônia foi e é para mim o início de uma grande jornada que dura até hoje, 10 anos depois. E eu tô aqui no Himalaia falando da Patagônia, é super pontual, sincronizado e importante para mim nesse momento.
Então A Patagônia é um lugar de desconstrução, de... pra mulher, pra nós mulheres, um lugar de reconexão com esse empoderamento e possibilidades que a gente pode fazer em qualquer lugar do mundo. Se você vai pra Patagônia, você pode ir pra qualquer lugar.
Assino embaixo. E é realmente uma imensidão e uma beleza indescritível. E como que a Patagônia chegou pra mim? Eu não sei se eu vou saber pontuar exatamente, mas eu acredito que foi naquela época Lá nos primórdios do meu, da minha vida de mochileira, da minha vida de trilheira, né, que eu fui me descobrindo realmente, que é a fase que eu digo que eu saí do meu armário, né, que eu me assumi viajante, falei o que eu quero fazer da vida é viajar mesmo.
E contexto, né, eu tava nessa fase numa vida muito normal, né, muito normativa, trabalhando numa grande empresa, bem assim corporativo, CLT, em São Paulo, uma coisa muito normal. E tô falando lá de 2014, por aí. E foi quando eu comecei a me aventurar nos meus mochilões pela América do Sul. Eu já tinha feito um mochilão pela Europa depois de um intercâmbio, né, eu tinha feito 2 intercâmbios. E eu gostei muito da ideia do mochilão.
E aí eu falei, não, eu quero fazer mochilões pela América do Sul também. Eu fiquei muito encantada com essa ideia. E aí nessa época eu comecei a viajar assim naquele esquema de usar as férias, né, mas eu aproveitava muito as minhas férias. Otimizava ao máximo os feriados também. Então assim, foi nessa época que eu fui para o Deserto do Atacama, para Bolívia, para o Peru. E aí, claro, né, a Patagônia inevitavelmente surge como um próximo destino, né.
E eu também sou muito, eu gosto muito de trilha, de trekking, de montanha. Então não tinha como assim, cedo ou tarde a Patagônia ia entrar para minha lista de desejos. Então eu não sei dizer exatamente quando ou como chegou, mas foi por essa época. Então eu tava muito na pilha de fazer trekkings, né? Então eu tinha feito o trekking Salkantay para Machu Picchu, eu tinha feito o trekking do Monte Roraima. Então eu meio que coloquei, bom, beleza, o próximo da lista vai ter que ser algum trekking na Patagônia.
Aí o meu, eu tinha primeiro pensado no Circuito W, né, de Torres del Paine, que é também bastante famoso. Então eu não tinha muito certo assim sobre Patagônia chilena ou argentina, mas eu queria conhecer Patagônia. Acontece que a vida deu muitas voltas, né, e eu fui, acabei vindo para Dinamarca poucos anos depois disso, e foi um sonho que ficou sendo postergado, ficou ali na gaveta, sabe? Então quando a minha vida aqui deu um respiro e por outras questões pessoais também eu precisei de uma pausa, aí eu fui para o Brasil e eu falei, bom, agora é a chance, já que eu tô no Brasil, tô pertinho.
Então foi o momento que eu falei, agora eu vou para Patagônia. Então Foi, veio num momento muito propício assim para mim. E realmente é um lugar, como você pontuou ali no começo, né, é um lugar muito de introspecção, é um lugar muito— como é que você até falou? De não pode estar feliz.
Isso foi no off. Olha a Laura trazendo todos os bastidores que não é para dizer.
Não sabia, tá bom, bom. Mas enfim, desculpa aí, mas não, mas é Agora, falando sério assim, eu— foi um momento de muita introspecção. Então, mais do que paisagens incríveis e toda aquela imersão na natureza, foi uma grande cura pra mim. Foi um grande momento, um momento muito importante pra mim assim, de reconexão comigo mesma.
Não, óbvio que eu tava brincando, mas o que eu trouxe nos bastidores foi que— e de fato é verdade, quando a gente teve a pré-pauta Não conheço Patagônia, não conheço a região sequer ali em volta. E o sentimento que me deu é: a Patagônia, pelo que eu li, ela é um tipo de região, espaço que a gente vai, que tem um teor melancólico, uma coisa como você falou introspectiva, uma coisa bucólica, até porque são quilômetros de estrada e um vazio, né?
Então é uma região que eu até fiz uma piadinha: se você tem um término, vai para Patagônia, entendeu? Vai lidar com a solidão. Brincadeiras à parte, mas é o que me passa pela cabeça. Eu não imagino assim, nossa, sei lá, tô com a minha futura esposa, sei lá, vamos para Patagônia, uma aventura. Não, tem lugar para fazer trilha que tem mais vida, entendeu?
Acho que é o momento, gente, eu concordo, respeito seu ponto de vista, mas não sei se eu concordo, porque eu acho que é um lugar muito cheio de muita vida.
É minha visão pessoal, é minha visão muito pessoal aqui, é pluralidade na bancada. O Edu vai falar outra coisa. Vai, diga lá, Edu, que essa carinha.
Eu acho que aí entra também um dos pontos principais da Patagônia, que a Patagônia ela engloba dois países países, e existem duas Patagônias que são completamente diferentes uma da outra, assim, né? Então acho que o que o Cainan se refere é uma Patagônia mais bucólica e melancólica e sem nada e não sei o quê, tá muito mais para Patagônia Argentina, né, que é um deserto e milhares de quilômetros e quilômetros sem nada assim, enquanto que a Patagônia chilena ela já tem muito mais vida assim, muito mais vegetação, é Então acho que é importante também a gente começar a dividir essas duas Patagônias, né, que para mim seria aí um dos pontos principais.
Para mim também, né, para mim também, Edu. Eu concordo muito com Eduardo, porque a gente não tem noção do que que é Patagônia. A gente vê muito o lado argentino e a gente acaba, começa, a gente começa a fazer figuras, né, de que Patagônia é aquilo. E a Patagônia é tão verde, é tão úmida, como a gente tem no Brasil, essa parte úmida, verde e chuvosa também, né? Não é só deserto árido e neve e vento, tem uma outra parte que é poética.
Então você tem o bucólico e tem a poesia. Então vamos separar Patagônia entre essa melancolia e poesia, porque tem esses dois lados.
Enquanto o lado argentino é escasso e até em questões de vegetação Assim, é lindo, é a coisa mais linda do mundo, eu amo a Patagônia argentina, assim, só que a diferença é muito clara, assim, né, até pela geografia, por como essa terra foi formada, né, então pela Cordilheira dos Andes, a umidade não passa para Patagônia argentina, ela fica toda na Patagônia chilena, então tem muito mais vegetação, tem muito mais vida selvagem, então são muito diferentes, assim.
Isso afeta inclusive, gente, poucas pessoas sabem disso, mas por exemplo, a Patagônia chilena, eles não têm gás para aquecimento, eles se aquecem com lenhas, eles continuam naquele período arcaico. Por quê? Porque o gás natural ficou na Argentina. Ou seja, qualquer lugar da Argentina você vai, você consegue aquecimento a gás, todos os lugares são climatizados. No Chile já não. Então assim, tem toda uma questão territorial geográfica que afeta, é muito diferente, afeta inclusive a população, é sobre guerra, sobre divisão de território e tudo mais.
Eu tenho vários coisas ali que aconteceram comigo, que eu fiquei 6 meses na Patagônia e fui descobrindo muitas coisas assim que me impressionou bastante, sabe, para entender as duas partes da Patagônia. Porque eu fiquei basicamente metade e metade em cada lugar, em cada uma delas, e é bem incrível.
É bom saber porque quebrou meu estereótipo. Eu realmente, eu tenho bastidores, eu não gosto de pesquisar muita coisa de imagem porque eu gosto de aprender durante com vocês. Então eu realmente imaginava que a Patagônia era meio que uniforme, né, na questão do bioma. Então Você fala que é uma região mais viva, mais verde.
É, por exemplo, um dado interessante é que a Patagônia chilena por ano ela pode receber até 7.000 milímetros de chuva por ano, enquanto a Argentina ela vai receber 300 milímetros de chuva por ano. Então a diferença é muito grande assim.
Essa pancada aqui é cultura, rapaz.
Eu posso até agregar aí também uma coisa, que um dos principais fatores pelo fato da Argentina ter um clima mais seco é por conta da Cordilheira dos Andes, né? Pra quem não sabe, a Cordilheira dos Andes não é só Patagônia, ela vai até, se você considerar, ela pode continuar subindo, tem gente que considera que passa da Colômbia ainda. Mas por conta de você ter essa cadeia montanhosa, todos os ventos que vêm do Pacífico, eles acabam geograficamente barrados pela altitude dos Andes e a maioria da chuva acaba acontecendo do lado chileno.
E aí quando ele passa pela cordilheira, ele sofre uma queda de umidade tremenda e por isso que acaba acontecendo a maior pluviosidade ou quantidade de chuva do lado chileno também, nessa região mais ao sul.
Então com isso eu trago a seguinte pergunta, uma frase que é bem recorrente nos blogs, o pessoal fala que na Patagônia você não anda contra o vento, você negocia com o vento. Qual é a experiência de você? O vento faz parte da narrativa de experienciar Patagônia? E como era o vento na Patagônia? Traga para o ouvinte assim, se você for para lá, como é que isso vai estar presente? Você vai ter que brigar com ele? É amor e ódio? Um corta-vento resolve.
Vamos trazer o tópico ventos, que eu acho que nunca surgiu no podcast vento como tópico no podcast.
Tem até uma gíria lá que eles falam: Patagônia é vento e mais vento, vento e mais vento. É só isso, porque é um vento assim, para quem vai fazer trilha, fazer raia, que a Patagônia é completamente sazonal. Então você tem que ir conforme as estações, não tem como você só Ah, vai para Patagônia. Eu mesmo fui com a intenção de ficar fazendo só fazer um hike e voltar. Fiquei 6 meses e teve um período que eu tava ali que eu, por causa do clima, do vento, né, tava extremamente mudando muito, né, trazendo— o vento traz também as tempestades de neve.
E aí eu cheguei um dia, eu queria ir para o norte, ia subir, e tava lá: não, no buses, no buses, não tem mais ônibus. Eu What? Aí eu fiquei, o que que eu vou fazer? É nesse nível, você pode ficar estagnado na Patagônia devido às tempestades de vento. E quando eu fiz o circuito de Torres del Paine, muitos tombos, muitos tombos mesmo. Sim, tenho vídeos de vários tombos que eu levei. Pessoas inclusive, né, não vamos falar aqui tanto sobre acidentes, mas pessoas perder vida porque vão no penhasco e o vento é muito forte.
É um vento, não tem que falar isso aqui, podcast 2 horas, temos que falar.
Mas eu mesmo, quando eu tava no meu circo, no circuito, eu tive que passar um dia a mais no refúgio porque tinha acontecido que uma pessoa foi tirar foto no pedaço que o vento estava muito forte. E tem uma parte ali do circuito que é bastante mais aberto, né? E essa pessoa morreu. Então, se era um estrangeiro europeu tirando foto Então assim, o vento na Patagônia, ele é sim essa parte extremamente marcante, mas também bastante perigosa.
Ele conta muito sobre a estação que você tá, né, porque sempre vai ter vento, mas vai trazer, pode trazer também, né, chuva. Enfim, traz toda essa questão da sazonalidade. E sim, te derruba, tá?
Eu tive uma Eu tive uma situação também de— porque eu fiz um circuito de trekking na região de Bariloche que eles apelidaram de Circuito W de Bariloche, né, de Bariloche, que é tipo porque o desenho que ele faz também é similar a um W. Aí virou um circuito primo do W de Torres, né, no Chile. Enfim, e aí num dos últimos dias desse trekking a gente pegou uma tempestade de vento muito forte, mas assim, é surreal, o vento tipo, para.
Eu sentei no chão porque eu não conseguia caminhar mais, assim, ele tava me derrubando mesmo. E o pior é que para chegar no refúgio, a gente tava com barraca, a gente tava acampando, mas a gente sempre acampava ao redor dos refúgios, né. Os refúgios são essas casinhas que ficam lá na montanha para, enfim, né, sempre tem um refugieiro, né, uma pessoa que cuida ali. Então para chegar nesse refúgio, que é o Refúgio Laguna Negra, tinha que atravessar uma pontezinha, mas assim, uma pontezinha super rudimentar, feita de troncos, bem, bem assim rústica.
E a Laguna Negra, porque o refúgio era bem na base dessa lagoa, ela tinha, fazia uma espécie de cascatinha, né? Ela tinha, ela escoava por esse, por essa passagem. Então fizeram essa ponte. Quem disse que eu consegui atravessar essa ponte? Quem disse que eu tinha coragem? Porque era uma ponte muito rústica, muito improvisada. E assim, se eu caísse, era adeus, entendeu? E aí eu sentei, fiquei, eu tava quase em posição fetal assim, esperando o vento dar uma trégua.
E nisso os meus companheiros de track ali passaram e eu fiquei paralisada ali, não conseguia. Eu virei quase uma bolinha assim para me proteger do vento. Depois de muito tempo eu consegui ter coragem de passar e fui me agarrando, abaixadinha e tal, beleza. E eu acabei decidindo passar a noite nesse refúgio. Eu paguei para dormir lá dentro, né, porque eu falei, não tem condição de dormir na barraca, minha barraca vai virar um pastel.
E aí começou a nevar, e era tipo início, era primavera, mas aí começou a nevar, e nevava assim de lado, né? E eu lembro, eu tô até com a foto aberta aqui na minha frente, a foto, eu não sei, não sei se ele chamava assim, mas eu lembro de estar na janela do refúgio, o vento assim, a neve de lado, aí o refugieiro falou assim, acá nieva assim, né? Aqui neva assim. E hoje é muito curiosa, muito engraçada essa situação, porque tava nevando horizontalmente assim, um vento, um vento, e um barulho lá fora, E eu assim, né, ô refugieiro, desde quando que esse refúgio tá aqui?
Ah, desde os anos 60. Aí eu falei, bom, então não é hoje que ele vai cair, né? Não é. Eu pensando, eu lembrava que eu ficava pensando sozinha, falei, não, ele vai aguentar mais uma noite. Mas fazia um barulho lá fora. E enfim, foi um momento muito contemplativo e muito interessante. Mas assim, essa história do vento é real.
É, o Kainan, ele falou o vento em relação ao amor e ódio e tal. Pra mim, o vento é uma relação única e exclusivamente de medo, medo, muito medo do vento da Patagônia. O vento da Patagônia, como a Cami falou, o vento da Patagônia mata pessoas, né? Todo ano o vento da Patagônia mata pessoas, literalmente. Então teve um episódio assim que eu tava fazendo trekking do Dentes de Navarino, que fica na Ilha de Navarino, que é ali pra frente de Ushuaia, que em Port Williams, que é na realidade, né, a cidade mais austral do mundo.
E eu peguei então um trekking ali de 3, 4 dias, e eu peguei ventos de 100 km/h na barraca assim. Então o vento quebrou minha barraca, eu não dormi a noite inteira. Foi uma das noites mais horríveis da minha vida assim. Eu pensei mil vezes em outro dia voltar e não terminar o circuito, porque eu fiquei com medo assim, eu fiquei com o olho arregalado o dia inteiro. Caminhando pensando que na próxima noite vai enfrentar o mesmo vento assim.
Então é isso assim, o vento patagônico você escuta ele vindo, né? Tu tá na barraca e você escuta, ele vem vindo e vem se aproximando, e cada vez mais perto, cada vez mais perto, e chega na barraca e treme tudo assim.
Você tem que segurar a barraca por causa do vento, e é horrível, cara, é Sabe, eu lembrei do meu guia nesse trekking, ele falava assim, aqui o vento é por unidade, às vezes vem uma unidade de vento, aí ele dá um solavanco assim, ele te dá uma porrada e para. Aí você fica na expectativa, e agora? Aí daqui a pouco vem outra unidade, então é por unidades de vento. Exatamente. Um golpe assim que dá, né?
É umas rajadas, né? As ráfagas de vento assim, cara, e vem um assim e te chacoalha tudo. E aí você fica só esperando o próximo vir, e ele vai vir assim, sabe? Você vem, você vai escutando ele vindo de longe assim, sabe?
É horrível, mas assim, a título de curiosidade, teve algum episódio que eu não vou lembrar qual, que eu tenho pequenos prazeres da vida, que eu vou fazer um gancho. Eu gosto do barulho do vento, principalmente portinha de vidro, eu fico abrindo e fechando para ouvir o vento. Eu gosto, eu tenho essas pequenas tares. Todavia, com Renato Duedu, eu não sei se eu quero ir para Patagônia, porque eu vou ressignificar o vento. Porque, cara, 100 km, eu não sei qual é a velocidade de um furacão para derrubar pessoas, Mas é muito forte 100 por hora.
O vento, ele quebrou a vareta da minha barraca, né? Ele rasga a barraca, ele leva pessoas. Então é vento de furacão, né? 100 km/h.
Mas uma dúvida, eu tenho de curiosidade: tem placas avisando cuidado com o vento? Nunca vi placas assim, cuidado com a torrente de— existe placas em relação a tomar cuidado com essas rajadas ou não?
Na Patagônia tem aviso sobre vento, sobre tsunami. Sobre um monte de eventos naturais. É porque é um lugar, foi por muitos anos, né, um lugar inóspito. Ainda é um lugar que não tem muito, né, aí quilômetros e quilômetros de não tem vida, né, humana vivendo ali. Porque é um lugar, é lindo, como a gente tá falando, bucólico, poético, mas também tem esse outro lado que é o lado do de você ver que a vida humana ali é difícil, sabe?
Tem um lado, a gente não, ah, é tudo lindo, tudo lindo. Vamos falar também da parte que não é bonita da Patagônia, né, que é a parte difícil da comida, da escassez, dos ventos, das tempestades, do tsunami, né, de tudo que acontece quando você tá no lugar como é esses ambientes de montanhas, ambientes de natureza selvagem.
A gente vai trazer, o podcast é característico por isso, a gente vai trazer dificuldades e tudo, mas antes, para a gente não postergar muito dos eventos, eu tenho duas perguntas, é só um tipo de curiosidade. Eu imagino que para um ciclo viajante, Patagônia é o Golias do cicloturismo. O cara que faz Patagônia então é guerreiro, acho que eu imagino, né?
Você é louco. Eu tenho uns amigos que fizeram e assim, gente, quando eu viajei de carona, quando eu tava descendo pela Patagônia, eu fui pelo lado chileno até quase o final da Carreteira Austral. E, né, para quem não conhece, a Carreteira Austral começa mais ou menos na região de Porto Montt e vai até uma vila que se chama Villa O'Higgins. E de lá você pode tentar fazer uma travessia de barco para a região de El Chaltén, na Argentina, ou de avioneta, enfim.
Mas enfim, aquela parte da carreteira, cara, é muito chuvoso e venta para cacete, assim, desculpa a palavra. Mas assim, mano, é, eu vi uma galera e eu conheci uma galera quando tava chegando em Ushuaia que eles falam que o progresso em bicicleta ali É surreal. E ainda você tem o lado desértico com mais vento ainda também na Argentina. Mas para quem decide fazer a carreteira e pelo lado chileno e pegar lá, nossa, eu vi uma galera acampando ali que eu não acreditava.
Depois, né, do pedal, não dá para acreditar. É muito louco. Comentário também a respeito do vento, porque na região de El Chaltén você tem uma trilha que chama Circuito Huemul e você tem o Passo del Viento. Que é basicamente tipo o lugar, né, o passo, né, o lugar que você sai de um ponto do clímax, do mais alto na trilha, que chama Passo del Viento. E aí você tem o outro lado que é a descida. Eu não cheguei a completar o circuito, eu dei meia volta porque o prognóstico do vento era muito alto, era muito arriscado.
E teve um cara que foi uns dias antes que o cara, mano, quase morreu também. Ele disse, o vento levou ele para fora assim da trilha. Então assim, tem que ter muito cuidado mesmo com essa região de vento. Eu experienciei só uma vez, foi em Villa Cerro Castillo, que é uma cidadezinha que tem umas montanhas assim muito bonitas antes, na região chilena, antes de você chegar em Torres del Paine. E era um túnel de vento que eu tive que me segurar nas pedras, e eu tava com uma mochila de 25 kg nas costas. Então tipo, cara, é muito louco mesmo você sentir assim.
E como vocês trouxeram, tem muitas mortes. E assim, trazendo recorte do Brasil, imagino a gente não tem esse tipo de clima de ventos de rajada. A gente não sabe o que que é um vento arrastar. Sei lá, às vezes acontece uma tempestade na Ásia, você vê lá os chineses usando o corpo contra. A gente não tem cenário no Brasil, então a gente não tem noção da potência que é uma rajada te levar, né? E aí lá você vai aprendendo, né, como lidar com isso.
É interessante como o vento molda a vida assim dos habitantes de lá. E a gente tá de passo, né? A gente é viajeiro, mochileiro, não tem problema assim se atrasar um dia, dois dias para sair por causa do vento, uma semana ter que esperar por causa do vento. Só que assim, tem pessoas que vivem nessa região, então elas têm que mudar sua vida com relação ao clima, com o vento, né? Porque se tem muito vento, balsas não saem, ônibus não saem, né?
Só que assim, também para não desmotivar o ouvinte, não deixar o ouvinte com tanto medo assim, Queria contar uma história pessoal que eu fiz, o Circuito W de Torres del Paine, né, que é um dos trekkings mais famosos do mundo, acho. Fiz de forma clandestina. Depois a gente pode entrar nessa seara, né, de Torres del Paine, que é um assunto muito polêmico. Mas enfim, eu também fiz ele inteiro sem vento nenhum.
Essa bancada tudo transgredindo agredindo aqui, viu? Tá em casa, ô Edu, pode mandar bala aí que você não vai sentir.
Mas foi isso assim, eu fiz todo o circuito sem nenhum vento, assim, não teve vento, foi inacreditável assim, tava um clima perfeito, sol, calorzinho durante o dia, sem vento nenhum. Isso já era abril, viu? Então é isso assim, vai muito de tu ver o prognóstico, de tu ter sorte também. Então não é só também esse bicho-papão assim, dá para aí não morrer por causa do vento.
Uma das coisas que eu fui lendo nos blogs e vídeos do YouTube, o que eu senti um pouco de falta quando a gente fala de Patagônia, o forte dela é obviamente a natureza e a potência dela como trekking e trilhas e tudo mais. Todavia fica muito a desejar sobre lendas, histórias. Mas em relação ao vento, vocês conhecendo as pessoas, kitesurfing e tudo mais, existem histórias através do vento, de fábulas, lendas? Ó Deus, porque quando a gente gravou Atacama, existe as lendas, existem as histórias e tudo mais.
A Patagônia também permeia esse imaginário de lendas ou não? Vocês chegaram a ouvir algo em relação aos ventos? Isso aqui é o vento que sopra da entidade das Cordilheiras ou não?
Olha, cara, uma coisa que eu tive na minha experiência, porque eu gosto muito, né, dessa parte histórica dos povos originários e tudo mais, mas infelizmente na minha experiência a maioria dos povos originários foram dizimados naquela época. Então assim, a maioria dos povos que habitam ali, eles vieram de outras regiões, são muito europeus. Aliás, né, um fato curioso que eu posso também compartilhar, né, na época época que a Patagônia ela ainda era pouco explorada, os governos tanto do Chile, se eu não me engano do Chile e da Argentina, na região extremo sul, eles concediam as terras gratuitamente para quem conseguisse chegar lá e habitar.
E teve uma migração muito forte de povos iugoslavos para aquela região. Eu acabei conhecendo dois fazendeiros muito grandes por uma outra pessoa, um outro conhecido que era chileno descendente dos maputes que vivia na região de Punta Arenas. Ele me apresentou um amigo dele e basicamente a família inteira desse Iugoslavo veio junto com outras gerações, outras famílias, no começo do século 20, mais ou menos, é, 19. E eles começaram a povoar e fazer grandes criações pecuárias, só que demorava muito tempo para chegar lá porque eles tinham que ir de cavalo na era muito difícil o acesso por qualquer veículo e tal.
Então a maioria das pessoas que até hoje vivem ali e tem essa parte mais pecuária mais central assim, eles vieram sobretudo da Europa também. E às vezes não é nem de um país que vem à mente assim, como os iugoslavos, por exemplo. E uma coisa que acaba acontecendo é que apesar disso você tem os pontos de Vitórias, por exemplo, Cueva de las Manos, dos povos, né, o mapa, o Patacón mesmo, que era uma região, os tehuelches, na região mais próxima da divisa também entre o Chile e a Argentina.
Você tem também na região de Bariloche, e você acaba tendo um pouco da informação sobre como era a vida deles, mas você não tem muita história de descendentes, porque realmente foi um massacre ali com os povos. Que aconteceu.
É isso também, é um, nossa, tem, daria um podcast acho só sobre, sobre isso assim, o que aconteceu na Patagônia, né, o apagamento histórico assim dos povos originários da Patagônia. Então quando pergunta assim se habita as lendas patagônicas, o vento e tal, a gente enfrenta, já começa a enfrentar esse problema do apagamento histórico cultural dos povos originários da Patagônia, Então, o que o Gui comentou foi a campanha do deserto na Argentina, né, que foi uma campanha, foi uma política de Estado para, enfim, colonizar o sul do país, que é a Patagônia.
Só que lá existiam pessoas, né, tinham civilizações, tinham muitos indígenas morando lá. Então foi literalmente uma campanha de Estado, do Exército Argentino, para literalmente matar todos esses indígenas para fazer terra para estancieiros criarem gado e ovelha, né. Então tudo em prol do progresso, tudo para, enfim, muito porque, enfim, a relação Argentina-Inglaterra, Chile-Inglaterra é muito complexa também. Então é durante a Revolução Industrial.
Mas me tira uma dúvida, eu tô indo para Patagônia, eu vou com o intento de fazer trilha, mas também saber sobre esse apagamento, sobre os povos. Existem museus em Ushuaia ou cidades, ou isso exige um esforço maior do viajante em pesquisar na internet? Você não vai encontrar mais espaços dedicados a isso? Como é que é esse cenário da cultura?
Existem sim, e eu sinto que no lado chileno é muito mais presente que no lado argentino, assim. Então, de novo, isso, você tem duas Patagônias. No lado argentino tu teve um, literalmente, uma política de Estado para dizimar essa população indígena do sul. E do lado chileno é mais bizarro ainda, porque tu tem famílias que contrataram mercenários, famílias que tinham muita terra, que o governo chileno Enfim, foi dando essas terras para essas famílias muito influentes e eles criavam ovelha, né?
Era uma economia totalmente voltada à ovelha, a lã e a carne. Que acontece? Eles tinham essas estâncias gigantes com muita ovelha e os povos originários, principalmente na Terra do Fogo e Selk'nam, eles não tinham essa concepção de propriedade privada e etc. E eles começaram a caçar essas ovelhas, porque inclusive eles tinham um nome para ovelha que era o guanaco-branco, né? Então a ovelha é muito mais fácil de caçar que um guanaco, a carne é muito melhor.
A lã esquenta muito mais do que a pele do guanaco, etc. Então essas famílias muito influentes que eram donas da Patagônia, e que inclusive até hoje são assim, contrataram mercenários ingleses para exterminar esses povos indígenas assim da Terra do Fogo. Então é uma história bem obscura assim, e que pouquíssimas pessoas sabem assim, né. Então se hoje a gente vê uma Patagônia deserta e tal, nem sempre ela foi assim. A Patagônia era muito habitada assim, né?
Então rolou um processo literalmente de genocídio assim em prol de uma economia, em prol de interesses de poucas famílias que até hoje são muito influentes no país. Então quem já foi para Patagônia já viu o supermercado Lanônima, que é literalmente, os donos são a família Menéndez Ibrau, que foi justamente a família que contratou esses mercenários para dizimar os povos indígenas.
Deixa eu fazer um adendo ainda nesse tópico. A gente foi para esse caminho, que é viajante vai para Patagônia, vai com esse intento de fazer trilhas e deslumbrar as paisagens e tudo mais. O quanto saber dessas informações ressignifica a lente para o espaço? Eu queria entender, queria colocar esse exercício para audiência de entender. Você fazer o Torre del Paine e outras regiões sabendo das informações, o que que você acha que muda para o viajante?
Gente sabendo de toda essa campanha do genocídio, do apagamento, o que que você acha que, qual é a percepção, o que que muda? Queria saber de todo mundo. Não sei se a Laura e a Cami também, por favor, tragam a percepção de vocês, mas a importância de saber disso e como isso impacta em visitar a região.
Da minha opinião, para o respeito absurdo por um povo que, né, infelizmente aconteceu aqui, o que eles tiveram que passar, né, durante essas invasões, mas também um respeito gigantesco por tudo que você ainda consegue ver do que eles tiveram que construir para sobreviver num ambiente tão difícil. E ao mesmo tempo você consegue, de uma maneira ou de outra, perceber com as histórias que você acaba coletando ou estudando, investigando, vendo como eles foram construindo a sua própria cultura.
Mas mais uma vez, com os Guanacos, com os povos Selknam, como o Eduardo pontuou, na região de Terra do Fogo, como eles se comunicavam também através das fogueiras. Existiam tipo várias estratégias que eles conseguiram desenvolver para se adaptar naquela região. E ainda mais uma vez existia um certo contato entre os diferentes povos das diferentes regiões da Patagônia também. Então eu acho que tipo o mais importante, quando eu soube mais sobre tudo que aconteceu, é ver como eles conseguiram sobreviver por gerações, né?
Porque eles viveram muito mais tempo do que os europeus naquela região e eles conseguiram manter, viver em sintonia com um ambiente tão extremo. Então, vem de muito respeito, sobretudo em lugares inóspitos, porque eles sempre estiveram lá antes de qualquer outro povo. E não é que eles estiveram pouco tempo. Então, aí vem um outro título de curiosidade que eu não esqueço da minha viagem, que tem muita gente que acha que, por exemplo, o Egito é uma civilização antiga, mas tem registros de Teotihuacã que estavam lá há 12 mil anos atrás, sei lá, 7 mil anos antes dos próprios egípcios.
Então assim, existem muitos registros que os povos patagônicos, eles são muito mais antigos do que se acredita. Então eles realmente tiveram várias técnicas de sobrevivência em um ambiente extremo. Então é muito interessante também isso.
E o genocídio foi algo recente assim, né? Foi final dos anos 1800, começo dos anos 1900 assim. Então não é algo que tá muito longe da nossa realidade, né? E é louco assim como foi rápido assim esse processo de apagamento, né, de genocídio. Então para mim, para mim muda tudo assim tu ter essa concepção e tentar talvez ir um pouco mais, buscar um pouco mais assim do ponto de vista de viajante sobre essas culturas assim, né. Então sempre vou, para mim, o meu lugar especial da Patagônia, o meu lugar preferido é a Ilha de Navarino, ali, não é?
Porto Williams, na Patagônia chilena. Então lá tem um esforço muito grande assim para preservar a cultura Yagán, né, que era o povo canoeiro assim. Então, cara, é um, é uma cultura, uma civilização tão interessante assim, começando pelo alfabeto deles, que eles tinham mais de 30 palavras para descrever o mar assim. Eles tinham mais de, não sei, dezenas de palavras para descrever o vento assim, se o vento soprava para um lado de uma forma intensas, eles tinham uma palavra.
Se o vento soprava para outro de uma forma mais branda, eles tinham outra palavra. E esse idioma morreu em 2022, porque a última falante de Diagã morreu em 2022. Então, olha o quanto de riqueza que a gente perdeu assim na Patagônia, né? Então não era um lugar desértico assim, era um lugar com tanta riqueza, com tanta cultura. O idioma Diagã, ele tem uma palavra que que é considerada pelo Guinness, acho, a palavra mais densa do mundo, né, que até eu anotei aqui, é mamilapinatapai, que significa o olhar compartilhado entre duas pessoas que se desejam— desculpa, o olhar compartilhado entre duas pessoas que desejam a mesma coisa, mas nenhuma toma iniciativa.
Escreve para gente, por favor, Achei muito bonita a história, daria uma tatuagem.
Demais, demais. E cara, os Yaganes eram povos que viviam mais no mar do que na terra. Isso é bizarro assim. A casa deles era canoa, assim, eles faziam fogo dentro da canoa, fogueira dentro da canoa, eles comiam dentro da canoa, eles dormiam dentro da canoa. Então a gente tem às vezes esse imaginário dos vikings, né, que eram povos do mar assim, que eles bravavam os Fjordes e não sei o quê. E não é o povo do mar que desbrava fjordes, são os iaganes da Patagônia, tá ligado?
A Patagônia tem muitos fjordes também, muito mais bonitos que na Noruega, na minha opinião. Assim, eu fui para Noruega, visitei os fjordes, e nenhum se compara aos fjordes que eu vi na Patagônia, assim, chilena, navegando assim, geleiras para tudo quanto é lado. Então eu acho que enriquece tanto assim do ponto de vista de um mochileiro, de um viajante, ir mais atrás assim dessa história dos indígenas da Patagônia que foram apagados, mas que se tu buscar tu ainda encontra muita coisa.
É interessante isso. Na minha percepção, a pergunta, né, foi se isso é importante para o viajante que vai para Patagônia, né? Depende o que que você tá buscando, porque muita gente viaja— eu falo muito sobre viagem com propósito, então para mim é sempre uma viagem, tem um um porquê, né, uma busca, né, ou um dia de desconstrução, o que seja, tem um propósito. E quando eu fui para Patagônia, eu não tinha essa concepção da Patagônia, porque eu tava ali muito ligada à paisagem, porque de novo, né, eu tava ali com a ideia da Nova Zelândia, vou fazer, descobrir.
Eu tava muito curiosa pela história da América Latina, do espanhol e tudo mais. E aí eu entrei na Patagônia E foi muito importante começar por ali essa viagem pela América Latina, porque ali é um berço de muita história, de não história dos espanhóis chegando, história do, né, de colonização, história real da gente, história real dessas, da nossa América do Sul, né. E quando eu, uma história muito assim, vamos entrando em história, história, eles falaram bastante de povoados, né, de civilizações originárias.
Eu peguei uma carona, isso foi muito peculiar, aconteceu muita coisa. Eu tenho umas 4 situações na Patagônia meio mística, eu posso dizer assim, porque a Patagônia também tem um lado místico de acontecer coisas assim que você fica, como assim? Eu peguei carona, eu estava voltando de Ushuaia para El Chaltén de novo, pela segunda vez. Eu peguei carona nada menos, nada mais, nada menos, com o soldado que fundou a base militar em El Chaltén, criou, fundou aquela cidade para combater, para fazer lutar na guerra contra o Chile, para proteger a Ilhas Maldivas.
Oi!
Eu fiquei assim, eu peguei carona com esse homem, né, um carrão tal. E aí, né, sozinha, mulher viajando sozinha, né, aí a gente sempre conversa tal. E aí ele começou a falar e eu falei, nossa, tipo, ele era, tava muito ali, né? E ele me levou para tomar um chá na casa dele e eu aceitei porque eu tava muito curiosa de entender a história de El Chaltén, né? De por que aquela cidade tão especial para quem é montanhista, para quem gosta de trekking, né?
Ele chamou de capital mundial do trekking. Então assim, é um lugar especial para quem gosta de montanhas como eu. Então eu fui para casa desse, eu não lembro o nome dele, infelizmente. Eu devo ter anotado em algum lugar, mas eu não lembro agora. E fui, e ele me mostrou fotos. Tipo, realmente tinha ali todos os registros de El Chaltén sem nada, sem cidade, sem nada. Assim, ele lá, tipo, criando aquela base para os soldados argentinos, né, ficarem.
Porque quer queira quer não, ali El Chaltén é um lugar bem estratégico no meio das montanhas, né. E aí aquilo entrou assim, tipo, comecei a querer entender mais sobre essa questão da Ilhas Maldivas, da guerra que acontece, né. Porque existe essa briga constante entre Chile e Argentina sobre, né, Ilhas Maldivas é Argentina, né. E aí tem a questão dos chilenos com os britânicos. Enfim, é toda uma questão geopolítica muito forte que ali ainda pesa nas pessoas que vivem na Patagônia, né, principalmente nessa região sul ali da Patagônia, bem no sul.
E aí eu passei por essa experiência e acabei ficando de couchsurfing na casa desse senhor, que ele é um senhor agora, já deve estar 60, 70 anos, não sei. E ele me contando tantas histórias ali de El Chaltén, como foi fundada, como ele vê hoje também sendo um lugar muito turístico, né, que acaba sendo um lugar mais turístico, que o turismo sempre traz o lado negativo, né, que é a depredação da natureza, né. Ainda mais um lugar tão bonito, especial como é o El Chaltén, acaba sendo, né, deteriorado por causa de nós mesmos, né, porque nós somos sempre os responsáveis por isso.
E aí eu aprendi sobre a questão, né, dessa luta que ainda fere o coração chileno e o coração argentino, que é a Guerra das Maldivas, que para o povo ali do sul da Patagônia é uma guerra, né, que é uma guerra até emocional. Eu vejo essa guerra como uma guerra até emocional assim para eles, sabe? Quando eles falam assim, é bastante, vem bastante emoção. Na fala dos argentinos ou dos chilenos quando falam sobre a Maldivas. É a mesma, é como se a gente falasse de futebol entre Argentina e Brasil, a emoção, sabe?
Então assim, aprendi muito na Patagônia que viajar buscando a história dentro daquela região é um livro que você não vai ler comprando na livraria ou indo na universidade, ou indo no museu. Você vai vivendo ali e você vai descobrindo vilarejos, lugares, cidades, pessoas, caronas, pessoas que vivem ali, sabe? Eu tive essa experiência de 6 meses com pessoas locais e eu fui aprendendo tudo da Patagônia. Não li livros, eu aprendi com eles, ouvindo deles.
E por isso que eu falo que é místico, porque aconteceu coisas que me trouxeram no lado chileno Eu viajei toda a Carretera Austral de carona e vivi numa ilha mística no lado argentino. Peguei carona com soldado que fundou El Chaltén, a cidade de El Chaltén, e acabei morando na cidade do fim do mundo com uma pessoa que trabalhava no governo, que aí me mostrou muito sobre a cidade de Ushuaia e os povos que ali ainda habitam. Então assim, viajar pela Patagônia é viver uma história.
Através da história que tem ali, você vai descobrir você tá vendo coisas que é muito incrível.
A questão aqui, Cami, somado com a sua fala, quando eu falei para audiência assim, cada um tem um perfil de viagem. Há quem goste de livros ou ver documentários. Eu acho que o cerne aqui, até na construção do podcast, é tornar a audiência melhores viajantes sobre a ótica do que eu acredito ser o melhor, e a bancada também. A questão é ter curiosidade, coexistir com a natureza e também ouvir as pessoas, entendeu? É legal você fazer a trilha, mas saia também sabendo retratar o porquê daquilo.
Por que que tem ventos? Por causa da cordilheira. Você não precisa ser um geógrafo ou uma pessoa que trabalha no CPTeC para entender por que que tem, mas entende como a cordilheira afeta a questão dos barcos, a corrente de ventos. Por que que o Chifre da África tem tal coisa? Eu acho que é coexistir curiosidade. Eu acho que é isso, entendeu?
Não tô— sim, a Patagônia, ela traz— a Patagônia é exatamente é para isso. Se você viaja pela Patagônia Patagônia, você vai mudando. Eu, quando eu fui na Patagônia, eu comecei por uma cidade super quente, e ela é a Patagônia no norte. Então assim, você vai descendo e você vai construindo, vendo a história toda acontecer. É muito bonito, é muito mágico a Patagônia. É uma escola, é uma universidade.
Eu espero que de todo mundo aqui, eu espero que vocês acreditem em aquecimento global, tá? Pelo amor de Deus. Até porque Patagônia é uma— levante a mão se acreditar aqui.
Então, se você vai para o perito moreno, você vai.
Então, não, eu quero trazer esse ponto. Então, a Patagônia é evidência visual do que tá acontecendo, né? Diga, vai lá.
Não, dá os meus 50 centavos de contribuição aqui, né? Eu achei muito, muito interessante o que todo mundo aqui trouxe sobre os povos originários. E eu, com as falas, eu me veio uma outra situação que tá indiretamente ligado também a esse assunto. Porque, perdão se eu me recordo de algum detalhe, né, de maneira equivocada, mas pelo que eu me lembro, ali na região de Ushuaia, né, como os argentinos falam, né, eu não sei porque que eles não falam Ushuaia, eles chamam de Ushuaia.
Na região ali de Ushuaia, eles quiseram povoar aquela região justamente por conta das brigas com Chile e tal, então eles quiseram povoar aquele território. E por muitos anos funcionou ali uma prisão, né, então a economia que tinha ali era basicamente em torno de uma penitenciária. Então só morava ali quem trabalhava na penitenciária. E aí nos anos, não sei se foi 40, 50, o governo teve uma iniciativa de trazer uma nova atividade econômica para aquela região.
E aí o que que eles fizeram? Olha que ideia brilhante, eles trouxeram alguns castores da América do Norte, do Canadá, para fundar uma indústria de peles ali, né? Então para fazer uma criação de castores e ter uma indústria de pele. Porém não deu muito certo. Eles, não sei se a pele não foi bem aceita, não sei, não, a moda não tá, não sei, mas não funcionou. E que que eles fizeram? Eles soltaram os bichos ali na natureza. Só que o castor não é dali, né?
Então assim, ele não tem um predador natural. E o que que o castor faz? O que que ele faz naturalmente? Ele cria aqueles diques, né? Ele derruba árvores e cria aquelas barragens E aí o que acontece? Eles criaram áreas alagadas ali na região e derrubaram muitas árvores. E como Ushuaia é naturalmente muito fria, né, como se fosse uma grande geladeira, aquelas árvores caídas e áreas meio alagadas, elas não se decompõem. Aquela matéria orgânica, ela não se decompôs porque tá muito frio.
Então você tem, e isso é muito visível quando você faz um tour por ali, você tem regiões enormes ali de bosques que estão caídas, estão derrubadas, tá com uma cara de que passou um furacão. Furacão por ali, né? Lembrando do vento ainda, parece que passou um furacão por ali. Você fala, o que aconteceu aqui? E faz anos, faz décadas que aquela paisagem tá daquele jeito, tá meio destruída, meio esquisita, né? Porque os castores, eles viraram praga por ali, tanto que o governo ele liberou a caça, né, a caça legalizada e tal, para ver se eles conseguem controlar, diminuir um pouco a população dos castores, né?
Então olha aqui Tamanho da estupidez humana, né? Então assim, uma ideia de rico e que causou um impacto ambiental gigantesco.
Mas acho que essa é a parte mais legal de saber, porque como, sei lá, quando você entende por que que tem popó, por causa do Pablo, né? E como se desencadeou um problema de fauna. Então é legal você entender a história, você ressignifica. Inclusive, Laura, essa questão do castor, você chegou a comer carne de castor lá? É uma coisa que se vende? Fiquei pensando agora.
Eu não comi, não. Eu não sei se é algo que se come, se vende. Eu não vi lá, pelo menos nos trechos que eu fiz de Ushuaia até Bariloche por terra. Eu vi no máximo carne de carneiro, né, que é o que eles comem muito lá. Não vi nada muito esquisito, digamos assim.
Edu levantou o dedinho. Você comeu?
Comi, comi, comi de novo em Isla de Navarino, em Porto Williams. Tem uns caçadores. Edu, você é carnívoro, né?
Sou, sou carnívoro.
Tudo perfeito, né, Kainan? Na ilha de Navarino tem uns caçadores que se dedicam, enfim, à caça do castor, e um deles meio que criou algo turístico disso assim, né? Então ele faz ensopado de castor, carne, espetinho de castor, ele trabalha com cor do castor, com a lã do castor. Então, então lá Eu cheguei a comer a carne do castor assim, né? É bem forte assim, não comeria todos os dias, mas pela experiência vale a pena assim. E é muito interessante porque esse foi, nossa, o castor é todo um tema assim na Terra do Fogo, né? Foi um dos únicos erros do peronismo, né?
Nunca tinha ouvido.
O Perón meteu 20 castor na Terra do Fogo e criou um desastre ambiental gigantesco, né? Bizarro assim. Então a Terra do Fogo, assim, quem vai caminhar vai ver assim cemitérios de lengas gigantes. Assim, lengas são as árvores típicas assim na Terra do Fogo. Então é bizarro assim, é igual a Laura falou, um cenário de desastre assim. Parece que passou um furacão assim, e é tudo culpa do castor, né? Dos 20 castores do Peron.
Vou soltar assim a realidade dos fatos, né, fazendo disclaimer de que eu tinha me aderido ao veganismo recentemente, na época que eu comecei a viajar. Mas, cara, é um desafio você viajar tentando manter os padrões veganos e sobretudo com um budget bem baixo de viagem, que foi o meu caso nos primeiros 6 meses, que eu passei quase 3, 4 meses na Patagônia. E chegou um ponto realmente aonde, tipo, bom, primeiro falando sobre características culturais na Argentina, sobretudo qualquer tipo de, tem muito pão e muitos doces que eles, ao invés de utilizar alguma manteiga vegetal, de origem vegetal, margarina, eles usam muita graça vacuna, eles falam, né, que é a gordura de vaca, que é um dos principais insumos que eles têm, porque eles têm uma pecuária muito alta.
Então nem mesmo o pães eu podia confiar, ou os outros tipos de doces, alguma outra coisa que fosse bolacha, por exemplo, biscoito de, sei lá, se você pensa em qualquer biscoito assim que você come, eles tinham gordura animal, que não é uma coisa muito comum no Brasil. No caso, se usa mais gordura vegetal. Então assim, você chega chega num ponto que você não tem muito o que fazer. E além do fato, né, eu lembro muito disso, que chegou uma região mais para o sul do Chile, em Villa Cerro Castillo mesmo, se eu não me engano, tipo, aonde o preço de uma manga era muito mais caro do que queijo, do que manteiga, do que coisas essenciais.
Então assim, eu não conseguia ter acesso a frutas. O abacate já era caro naquela região também, porque tem uma produção de abacate no Chile também, mas um pouco mais para o norte. Então assim, é uma coisa muito complexa. Então teve um período de mais ou menos um mês, mais ou menos, eu acabei voltando porque eu estava comendo tipo pão e óleo vegetal ou pão e açúcar. E cara, e eu tinha acesso a um pouco de ervilha. E eu lembro que eu comia muito, eles têm um tipo de calabasa que é uma abóbora, né?
Eles têm uma pequenininha que eu não lembro agora o nome, fugiu o nome, fome e eu acabava comendo bastante. E uma outra abóbora, e a gente aqui pelo menos em inglês, né, onde eu moro, chama butter pumpkin, que é como se fosse abóbora manteiga. E eu comia basicamente essas duas coisas, muito. Só que chegou um momento que eu estava extremamente magro, e realmente magro. Eu tava pesando 50 kg, eu tava levando 35 kg. Tipo, eu perdi muito peso nessa época e eu acabei voltando a ingerir um pouco mais com manteiga.
Voltei ao vegetarianismo, no caso, por um mês, até que eu me estabeleci no Chile, no Deserto do Atacama, que é onde eu tive uma base boa para poder me consolidar assim com veganismo. Mas foi muito difícil assim para descer. E outra coisa que é interessante frisar é que muitas frutas elas são cultivadas em invernadeiros, né, que são as estupas, é porque não dá, elas não sobrevivem em um ambiente qualquer assim. Assim, né? Então foi bem complicado para mim nesse caso.
Inclusive, fazer um adendo, tem um episódio que a gente gravou sobre vegetarianos e veganos que o Gui tá na bancada. Então você quer saber, ele até trouxe relatos, né, do desafio. Mas quem ia falar? Desculpa, eu cortei a Cam. Vai lá, Cam.
A Patagônia é vento, vento e mais ventos, e lenteja e mais lentejas. Se você é vegetariano, se você é vegano, prepare-se, porque o frio não perdoa. A Patagônia não perdoa. Eu era vegetariana quando eu cheguei na Patagônia. E meu, nunca comi tanta lentilha, que a gente só come lentilha no Brasil no Ano Novo, né?
Mas lentilha é gostoso, lentilha é gostoso.
Eu tô na Índia, meu, eu só como lentilha. Eu estou novamente vegetariana por motivo de força maior, não tem, não tem carne aqui, é só frango. Mas na Patagônia, quando eu fui para lá, eu também sofri com essa questão que o Gui falou, né, de perder peso e tal. E a gente faz muito hiking, trekking, É frio, gente, frio consome mais, você tem mais fome, você tem mais, mais, né, você fica com metabolismo, né, fica ali trabalhando mais.
E aí eu não aguentava mais comer lentilha, não aguentava mais comer lentilha com cenoura, lentilha com tomate, lentilha com qualquer coisa, gente. Lentilha com lentilha, você come lentilha com lentilha, lentilha vermelha, lentilha verde. E aí não tem muitas opções Não é igual tipo você vai no Brasil, você tem PF, não é assim. É tipo assim, lá é tudo limitado, inclusive até para você ter frutas, para você ter verduras. É frio, é gelo, não cresce tudo lá. Então muito mais fácil é comer um guanaco assado do que uma lentilha.
Então a gente entende que é um desafio para questão quem tem restrição alimentar com veganismo, vegetarianismo. Todavia eu quero trazer, elencar aqui um tópico que é: a gente gravou Argentina, e Argentina é conhecida pelo churrasco e tantas outras coisas, coisas. A Patagônia, região tanto chilena e argentina, isso já diferencia bastante das capitais? Tipo, você que é a Laura e o Edu comem carne, existe uma cultura do churrasco na Patagônia?
Como é que é? Como é que permeia? Comida é uma questão mais de sobrevivência, a palavra não é sobrevivência, mas por ser uma região hostil, a comida é muito mais sobre ganhar energia e ter gordura. Mas tem uma cultura, por exemplo, eu queria entender como é que é o cenário em torno da comida, se é uma coisa que tem muito ritual, ou é uma coisa só para esquentar o corpo no frio e nos ventos? Como é que permeia o cenário gastronômico nessas regiões?
É, não, a Patagônia, até pelas instâncias, né, que são as fazendas de ganaderia de ovelha, então a figura do gaúcho predomina assim na Patagônia, né. Então quem habita a Patagônia é o gaúcho patagônico, né, que é muito parecido com o gaúcho dos Pampas, que é muito parecido com o gaúcho do Rio Grande do Sul, e de partes de Santa Catarina, da onde eu sou, né? Então acho que o que predomina na Patagônia é o churrasco, né? Mais especificamente o cordeiro patagônico.
Mas é isso assim, é muito churrasco, muita carne, gado, guanaco até, cordeiro. Então a experiência que eu tive foi essa assim, é cultura gaúcha, muito churrasco, muito fogo, muita—
você foi feliz, é isso, você foi feliz.
Churrasco e Fernet, né? Na Argentina e no Chile, churrasco e pisco, né? Então tudo certo.
Não, que o churrasco de cordeiro que eles fazem, eu não sei, para mim isso era novo, eu não sei se no sul do Brasil eles fazem assim também, mas eles abrem o bicho assim inteiro esticado e botam numa grelha imensa e ele fica tipo meio vertical, meio inclinado, apoiado no solo com uma fogueira no meio, não é, Edu? É mais ou menos assim, tipo não é como você imagina um fogo tradicional numa churrasqueira de tijolo enfiado dentro assim horizontal, tipo ele tá no solo, é fogo de chão.
Então é muito comum você ver esses lugares com essa fogueirinha assando o bicho assim do lado de fora, espetado no chão, sabe, o espetão inclinado.
Essa questão do espeto do chão, do fogo de chão, quando a gente gravou da Argentina, o Edu e a bancada falaram que a Argentina em si é muito hospitaleira, acolhedor. A Patagônia se mantém isso? Essa é uma questão assim ainda linkada com comida. É uma região que você tem muita interação social, ou o frio faz com que as pessoas sejam mais introspectivas e reservadas na questão do acalento com as pessoas que passam para lá como turista?
Porque esse imaginário que eu tenho, que é uma coisa muito isolada assim, que nem Londres, dado ao clima talvez, e também questão cultural, você não tem tanta interação. Patagônia também assim, ou não, não procede que eu tô falando aqui?
Eu senti que eles são bem calorosos, assim como é o argentino de uma forma geral. Eu não sei comparar porque eu não viajei por toda a Argentina, fiquei mais nessa região sul, mas eu achei eles bastante receptivos e calorosos e queridos, assim, muito, muito abertos. Eu fui assim que eu senti, foi assim que eu fui recebida. Claro, como turista, eu não fiz, por exemplo, couchsurfing, eu fiquei em hostel, uma coisa, né, uma versão mais turística, mas eu fiz muita trilha e tal.
Então você acaba interagindo, né, com pessoas ali também. Então eu senti eles muito, muito calorosos.
Eu tenho a mesma visão da Laura também.
Tem muito, é porque vocês estão falando de caloroso, tá? Eu fiquei basicamente 90% da minha viagem em Couchsurfing e voluntariado, dos dois lados, tá? Da Chile e da Argentina. Essa questão dos argentinos, dos chilenos, né, como eles são com os brasileiros, né? A gente tá falando aqui de brasileiro com os hermanos. Não sei como que é com os europeus, com É, os hermanos, né? Eu lembro muito bem de estar passando, eu viajei pela Carretera Austral com argentino de carona, aí a gente ficou tipo 8 dias viajando, acampando, né?
Eu tava de caminhonete, e aí a gente teve que passar por um lado argentino, do Chile para Argentina, e aí o, como que fala, polícia, a polícia, né? Ah, de onde? Brasileiro! Brasil, Brasil! Aí olhou o passaporte do argentino, então assim, eles Eles são assim com a gente, né? O brasileiro, ele é muito, muito bem visto, né? Muito bem querido em todos os lugares. Assim, eu não tenho um lugar assim que eu falo que eu fui em algum dos vários países que eu viajei e fui, né, mal lá, brasileiro tal.
Mas sim, eles, por mais que seja um país super frio, eles são super abertos. Diferente de tipo europeu, que o clima faz as pessoas lá, não, eles convivem com uma boa harmonia. Em ser calorosos mesmo estando num dos lugares mais frios, né, do planeta.
E fazer um gancho com uma fala que o Edu trouxe, até analogia que ele fez com os vikings, os vikings da Patagônia, que eu não vou saber agora o termo que você usou, me desculpe, tá, não quero fazer analogia qualquer coisa da europeia. Mas a questão marítima, isso não permeia também na culinária? Que eu fiquei pensando, peixes, ou porque a gente tá falando de uma costa ali que deve ter muita vida rica, tá interagindo, né? Mas não permeia então a questão marítima na culinária ou não?
Eu vou fazer um gancho aí com uma coisa que eu experienciei fazendo, pegando uma carona na verdade, mas é uma problemática também. Eu peguei carona um pouco antes de eu chegar na região de Portomão, de Osorno, com um cara que ele transportava ração para salmões que eram cultivados na região de Portomão mesmo. Então eles têm uma piscicultura extremamente porte de salmão naquela região ao sul, né, do hemisfério sul. Só que isso acabou virando uma problemática porque alguns desses salmões eles acabaram escapando também das fazendas que fica no mar e eles acabam competindo também com espécies nativas.
Então gera uma problemática muito grande também nessa questão, né, de criação, né, de um peixe, né, que não deveria existir naquela região e que tá realmente competindo com espécies locais por conta do interesse culinário e porque ele tem fácil adaptação por causa da temperatura das águas naquela região. Então assim, existem outras coisas assim, mas do lado marítimo eu acredito que exista fortemente. E mais uma vez, a gente tá falando uma Patagônia que ela se estende por muitos e muitos quilômetros.
Então você tem várias diferenças. Você tem a região, por exemplo, de Porto Williams, da Ushuaia, que também tem muita pesca, da região da Ilha Chiloé, tudo que tá mais relacionado com essa parte de mas também varia muito, né, o tipo do consumo. Mas exatamente, existe, pelo menos na minha vivência, essa questão do salmão, ela era bem crítica.
O Gui, quando você, tanto Gui, toda bancada, quando vocês falam dessa pluralidade da Patagônia em extensão territorial, e até o Edu trouxe no começo a diferença chilena e argentina e nos biomas, uma parte mais úmida até pela questão da quantidade de chuva, essa diferença também se dá na vestimenta das pessoas, na arquitetura? Essa é uma dúvida que eu tenho assim, se a gente conseguir elencar na imagética para audiência, o que que muda?
Eu não tenho qualquer referência, então para mim é difícil conceber essa diferença. Vocês conseguem elencar o que que essa mudança é? Desde a maneira, o idioma, vocês sentem a diferença? Sotaques? Vocês conseguem trazer essas, essas nuances da Patagônia para gente, além do bioma?
Então, bioma também faz, porque o clima faz o lugar, né? Então, comida, No lado chileno você tem muito mais diversidade de comidas. Então, tipo, frutas. Eu morei num voluntariado por um mês numa ilha chamada Ilha Chiloé, e lá, tipo, eu trabalhava com uma pessoa que trabalhava com produtores locais, que eles faziam marmelada, geleias de várias frutas que eu nem sabia que existia. Assim, coisas que só existem lá naquela região, pães, leite, muito mais diversidade do que eu tinha, por exemplo, na Patagônia da Argentina, que era muito mais restrita: pão, manteiguinha e o chá ou mate. Então assim, bolachinha. Então você não tinha diversidade de frutas, sabe?
Então na Patagônia, quando a gente fala de diversidade, chileno é disparado. É isso, é uma coisa que a gente pode pronto aqui.
E é totalmente como se a gente falasse do Brasil e o Deserto da Atacama. O Brasil tem a Amazônia e a gente tem milhões de frutos. E o que que você vai achar no Deserto da Atacama, né? É árido. Então assim, sim, a partir do bioma faz a questão da alimentação, da vestimenta, sim, porque também tem duas culturas, né? São Chile e o argentino. Então tem essa diferença, né? Tudo, tudo é muito diferente. E tem a similaridade porque tá na Patagônia.
Quando a gente fala da cultura, né, porque Chile e Argentina tem essas questões da guerra, questões do território e tudo mais, como eu falei no início do podcast sobre, por exemplo, a questão geográfica faz os chilenos não terem gás natural porque eles não têm aquecimento interno, aquecimento na casa, entendeu? E isso faz os argentinos se sentirem um pouquinho mais, nós temos, nós somos, ficamos com gás, entendeu? Eles fazem essas piadas, eu vi isso acontecer.
E é a provocação do argentino, né?
Mas eu vou te falar, mas vou te falar como era sofrido para mim morar no lugar que eu tinha que ficar colocando lenha o tempo inteiro lá, né? Eu sofria, tinha que ficar tipo, se você não botar lenha não tem aquecimento meu, e eletricidade é cara, então você tem que botar lenha, você tem que buscar lenha. Então isso muda a rotina das pessoas que moram na Patagônia chilena, que tipo assim, pô, o cara que mora em El Chaltén, ele liga lá o negócio elétrico, tem a casa, o piso tá quente, a casa tá quente, fica lá só de blusinha.
Agora o cara que mora na Argentina, né, a pessoa, o cidadão que mora na Argentina, do Chile, ele tem que ir lá fora buscar lenha, botar para dentro, saber.
Então você quer uma aventura mais roots, Argentina. Você quer conforto, pagar, inclusive no preço eu imagino que deve mudar. O Chile já tem a fama de caro.
E isso também, agora na Patagônia, você vai para Patagônia, na verdade A Patagônia equilibrada, cara, para todos os lados. Não, onde você for é caro, não importa onde.
Deixa eu juntar todo mundo aqui. Essas diferenças eu acho que ficou claro. Acho que é importante ouvinte entender essas nuances, né? Não é igual como eu achava, aqui me colocando. Mas a gente é uma bancada jovem aqui, né? A gente é jovem, a gente tem 18 anos, a voz não muda. Então todo mundo jovem. Mas eu quero saber, e ainda mais 10 anos atrás, todo mundo aqui foi há muito tempo. Esse episódio é um Oliver, lembranças. Mas como é que é a noitada na Patagônia?
Vocês dançam? A gente tá com o maior professor de cúmbia aqui dessa bancada, que é o Edu Bittencourt, grande profissional de cúmbia. Mas como é que é a noitada assim? É um lugar gostoso para encontrar um amor? Como é que é a vida noturna? Toma uma cervejinha? Eu queria saber essa parte mais viril, jovial da Patagônia. Ou é um destino para idoso, para velho que nem a gente? Queria— vai, gente, abre esse coração! Eu queria saber como é que é a noitada.
Eu sou uma Eu sou uma jovem senhora, né? Eu sou uma abuelita num corpo de uma jovem mulher. Então eu não sou a melhor pessoa para responder essa pergunta, porque eu saí um total de zero vezes.
Então eu sou, Laura. Achei que a Laura ia trazer vários relatos da noitada dançando cumbia.
Não, não, mas eu caí na, o contexto, né? Eu tava no meio da montanha sempre fazendo treino, sei lá, no máximo talvez vez em El Bolsón, que tinha um pouquinho mais de movimento, sei lá, eu saía para tomar uma cervejinha e às vezes tinha uma musiquinha no violão rolando, mas nada de noitada.
Então a pergunta é para trazer esse contraponto. Como a Patagônia vende-se e muito bem a trilha, eu falei, será que tem uma noitada gostosa? Será que nem, entendeu? Eu queria saber, entendeu? Vai que surge uma noitada gostosa em, sei lá. Edu, você que é o nosso professor de YouTube aqui, não é um— você fala que é um espaço para não ter noitada, né? Você quer noitada, não vá para Patagônia, é isso?
Não, senhor Cainan, quem procura acha. Eu nunca tive problema achando noitada na Patagônia.
Depois dessa frase eu vou ficar quieto.
Mas pera aí, a pergunta que não quer calar: o Eduardo, Edu, você é realmente professor de física?
Responde a pergunta aí, Edu. Responde aí.
Eu não vou contar profissionalmente ainda não.
Que massa! Eu adoro cúmbia. Aqui em Copenhague tem várias bandas de cúmbia. Adoro, é muito legal. Quem não conhece, as ouvintes, vai ouvir cúmbia, que é uma música muito gostosa, muito boa de ouvir, de dançar.
Edu vai sair desse podcast com a fama de o maior dançarino de cúmbia do Viajante Sem Pauta.
É sensacional, nós! Gente, o Cainan tá zoando, né? Eu gosto muito de Kombi e para por aí. Não sou professor de nada, não sou referência no assunto, eu só gosto do bagulho.
Mas você encontrou? A frase sua, quem encontrasse, você achou então na Patagônia essas noitadas?
Pandemia, pandemia, eu passei em El Chaltén. Não tinha ninguém em El Chaltén, todo mundo vazou. Ficou eu, uns gato-pintado na cidade, no pueblito, e a gente fazia festa todo dia. Todo dia comprava um punhado de vinho, de Fernet e dali. Então não sei, depende muito também o que cada um procura. O minha viagem sempre é o equilíbrio, né? Um pouquinho de bagunça e um pouquinho de aventura, né? Vamos por aí. Às vezes as duas se mesclam, né?
Um pouquinho de droga, um pouquinho da salada.
Tenho isso, esse equilíbrio.
Eu não sou muito baladeira de festa, mas eu fiz, eu nunca fui em tanto aniversário na Patagônia. Eu fui em muito aniversário, eu acho que eu fui uns 4 aniversários. Como? Não sei. Fui parar em aniversários e aí tudo era festa. E como as argentinas são como irmãs, né, a gente gosta de dança e gosta disso. Para mim, as minhas, os meus rolês de encontrar pessoas, porque eu fiquei muito, eu fiquei num Couchsurfing em El Chaltén que tinha um flat, tipo assim, um flat.
A gente dormia em 9 pessoas, o cara recebia 9 Couchsurfing no mesmo tempo, e a gente fazia festa quase toda noite, meu. Então assim, quem procura acha. Eu gostei disso aí, porque da Patagônia, se você procurar, acha. Sempre tem os montanhistas, os trilheiros, viajantes ali se conectando, comprando vinho, comprando fernet, fazendo churrasquinho, indo na casa de alguém e fazendo a festa, sabe? Não é aquele rolê que você vai para baladinha Eu não sei Bariloche, esses lugares, cidades mais grandes, né, mas que eu não fiquei em Bariloche, só passei.
Mas assim, tem várias formas de você encontrar rolês e amores. Amores também, se vamos falar de amores, vixe, eu tenho muitos amores patagônicos.
Outro episódio, não, não vamos entrar em amores aqui, não, não, não, não, não, não, vamos cortar.
Segue a gente.
Não, mas a resposta do Edu quebrou todo protocolo, me colocou no chão com essa resposta dele. Vou contra-argumentar. Mas, ó, tá lindo, tá motivando aqui, mas acho que agora eu queria trazer a parte, vamos dizer, prática para motivar o ouvinte um pouco também dessas regiões que a gente falou várias coisas. E um dos lugares que vocês falaram, e eu quero destrinchar, vocês falam Carretera Austral. E eu imagino que muita gente, o que que é Carretera Austral?
As pessoas, eu acho que, vamos, parte didática. Professor Pardal Giverdiani, explique para nossa audiência o que que é Carretera Carretera Austral, para a gente começar a destrinchar até El Chaltén, Ushuaia. Vamos trazer, vamos mapear para o ouvinte que quer ir para Patagônia assim quais são os pontos, o que que vocês também sugerem, por onde começar. Começa pela Argentina ou começa pela chilena? Então assim, vamos dar um norte para audiência partindo da premissa que pode ser um mochileiro ou uma pessoa com, que tem uma boa condição financeira, mas é opinião pessoal de vocês.
Mas vamos começar pela Carretera Austral que a gente tá falando desde no começo, talvez tem gente que não entendeu até agora o que que é isso. É uma estrada? É uma Rota 66 da Patagônia? É uma formação geológica? O que que é a Carretera Austral?
Eu não tenho 100% de certeza, mas eu acho que é. Ela é exclusivamente chilena e eu sei que ela começa na cidade de Puerto Montt, no Chile, e ela vai até o final. A Carretera de Palacios encerra nessa vila chamada Villa O'Higgins. E basicamente ela é muito famosa porque ela é muito cênica. A Arca, quando você começa a fazer ela, tem muita gente que faz ela de bicicleta somente, somente essa região da Carreteira Austral, porque ela tem vários cruzes de balsa, né, de barcaça.
E você faz tipo alguma, alguns cruzes de balsa que demoram horas para você passar, e você tem várias ilhas e lagos e montanhas verdes cheias. Parece tipo uma floresta tropical por conta da umidade, só que aí de repente tá tão, é tão frio, e daquilo se mescla com um glaciar. Então assim, é uma coisa espetacular. Você consegue ver tipo espécies de golfinhos. Se você vai até, nossa, você vê tipo, é uma mistura de fauna, de flora muito única.
Então você, mais uma vez, né, da mesma maneira a Cami pontuou, né, da Ilha Chiloé, ela tá perto do começo da Carreteira Austral também, nessa região. E pode falar.
Não, exatamente essa sensação que você tem de você tá dentro de uma questão cinematográfica, Ela vai mudando, mas ela tem essa, os vilarejos, os rios azuis. Eu vi rios azuis assim, uns azuis muito lindos, e geleiras, e vulcão. Aí você tem os vulcões, né, o vulcão, você vai vendo assim muita coisa. E há uma carreteira cinematográfica diferente da carreteira do lado argentino, que é mais deserto, lagos, né, tem assim, tem ali no início da carreteira argentina, você tem um pouco assim mais de verde, aí depois vai ficando bem deserto, né?
A carreteira austral ela já é mais mágica, ela vem com toda essa questão da fauna, dos vilarejos, dos rios. Eu fui muito em, como que chama, aquelas águas quentes, termais, águas termais. Você vai tomar banho, tipo, coisas termais. Tem muitos lugares para você ter essas experiências, sabe? Bem dentro da floresta, numa—
só para entender, a Carretera Austral seria o atrativo principal da Patagônia? Ela abrange o—
cara, eu não diria que seria um atrativo principal porque tem muitos atrativos da Patagônia, na real. Você tem a Ilha Chiloé, você tem Torres del Paine, que é super turístico, você tem El Chaltén, que é a capital do trekking, com Fitz Roy, você tem o Perito Moreno, que é um glaciar. Bareloche.
Então vamos, vamos, vamos, vamos por partes aqui. Então vamos destrinchar a Carretera Austral. A Carretera Austral, só para audiência entender, carretera é uma rodovia.
Ela é até pesquisando aqui para não falar besteira, mas ela é a Ruta número 7 da cidade, que começa na cidade de Puerto Montt, no Chile, e ela vai até a vila de Villa O'Higgins.
Só que ela tem muitos atrativos nela mesmo, no percurso você vai ter vários, tá?
Entendi várias coisas. Algumas posso falar uma curiosidade? Cidades?
Claro, claro, por favor.
Não, eu vou falar, tipo, por exemplo, a Carretera Austral, ela engloba algumas cidades que contêm algumas das melhores rápidas, que como você fala, para fazer a prática de rafting no mundo. Tem muita gente que vai lá fazer rafting porque existem formações naturais, obviamente, né, dos riachos, que são muito desafiadoras. E muita gente que é fã do esporte acaba indo para lá porque fala que é muito muito único no mundo mesmo, assim, bem desafiador, mas único.
Você tem também um parque naquela região que ela mistura a Patagônia chilena com a Argentina quase no final, na região de Cochrane. E tem o Parque Patagônia, que é o que eles estavam querendo criar, que junta uma reserva nacional que chama Laguna Heinemann na região da Argentina com essa parte de Cochrane, que eu não me lembro agora o nome do parque do lado chileno. E é o lugar com maior avistamento de pumas de toda a Patagônia também.
Você tem o vulcão Chaitén, então você tem a cidade que se chama El Chaltén, que não tem nada a ver, Chaltén com L, e você tem uma cidade que chama Chaitén com I, e ela foi dividida ao meio porque eles descobriram que uma montanha super verde, cheia de floresta tropical, era um vulcão, e eles só descobriram quando entrou em erupção e acabou com metade da cidade. E isso nem faz muito tempo assim, se eu não me engano faz algumas décadas, foi no século 20.
Então, tipo, metade, perdão, da cidade ela foi meio que abandonada porque eles decidiram habitar só um lado dela. E existem tours para você conhecer esse vulcão e fazer a trilha, por exemplo. E existe também uma outra região que, se eu não me engano, é um pouquinho antes da Carretera Austral, logo no início, mas fica ali naquele lado, que é o Valle de Cochamó, que é como se fosse o Yosemite do Hemisfério Sul, é a meca da escalada do Hemisfério Sul.
E para você chegar você tem que fazer 5 horas de trilha, não tem nada, você tem que levar sua própria alimentação. Só que assim, as paredes dá para fazer escalada tradicional de centenas de metros. E eu tenho alguns amigos que já foram e falam que é um absurdo, assim, pouca gente fala, e é um destino de escalada impressionante. Então tem muita coisa legal naquele lado.
Um ponto que eu tenho uma dúvida aqui é vocês elencando essa carretera e tudo que se encontra, eu imagino que para se fazer precisa de carro, né? Uma coisa que você faz de busão, a não ser carona, né?
Mas tirando o carro, eu ia falar exatamente sobre isso, como explorar a Patagônia, qual o melhor método de exploração, tipo, para você. Porque assim, cada viajante tem um perfil. Se você vai de bicicleta, tu vai de bicicleta, né? Eu fui de carona, eu fui fazendo, eu fui backpacker, né? Mochilão. Então assim, é roots, é difícil, não é uma coisa assim, ah, vai, faz. É por isso que eu falei no início, é uma desconstrução como mulher.
Tem que ter tempo também.
Exato, eu fiz com 6 meses, eu viajei pela Patagônia por 6 meses. Então assim, você tem que ter tempo. Agora, se você quer uma viagem de tipo aproveitar mesmo, você pode ficar em hotéis, em glamping, em várias formas de conforto também. Assim, eu super recomendo alugar um carro. Então assim, é alugar um carro porque você faz assim, se você gosta de tour, se você se sente, a Patagônia é um lugar que tem muitos lugares assim, no lado chileno é mais difícil você estacionar e dormir em qualquer lugar.
Na Argentina você vai para qualquer lugar, pelo menos era assim, né? Agora existe lugares que você pode pagar para estacionar, por exemplo, motorhome, você pode alugar motorhome, você pode alugar carro, E eu acho que eu recomendo assim a Patagônia com carro. Hoje, se eu voltasse, eu voltaria com carro.
Uma coisa que eu não perguntei, mas eu acho que se procede: Patagônia, pela sua extensão, é uma região que dá para viajar sem gastar muito, tirando a parte logística assim de pagar parque. Você consegue curtir pegando um carro e atravessar a Carreta Austral, você já vai curtir a Patagônia. Não é um espaço que você precisa pagar para entrar nos parques.
Não, eu acho que se você aluga um carro e bota ali um travesseirinho, faz um meio sabe, o básico para você, você consegue, por exemplo, dormir na Rota 66. Como que é o nome? Rota 66?
40.
Rota 40, desculpa. Você consegue dormir, por exemplo, na Rota 40 só de descer. É mágico, é lindo. Então assim, tem vários lugares que você consegue parking, estacionamento, e só de viajar sem pagar. O lado argentino você paga menos do que o lado chileno, você paga mais para entrar nos lugares, né, nos parques nacionais. Mas assim, só de você viajar de carro, eu viajo de ônibus também, então assim, já é uma coisa incrível, sabe? É muito bonito.
Ou você faz que nem o Edu e vocês aqui, que vocês transgridem, né? Mas aí a moral e ética fica a caráter de cada um aqui, entendeu? A gente não se responsabiliza por nada nesse podcast, tá bom?
Olha, ganchinho para Torres del Paine, hein?
Diga, Laura.
Não, que tem muitas trilhas que são gratuitas. Assim, eu me lembro, claro, se você vai por exemplo, no Parque Nacional Tierra del Fuego, lá em Ushuaia, é pago. Você vai em alguns lugares assim fechado, você paga uma taxa. Mas eu lembro que a maioria das trilhas que eu fiz foram gratuitas, assim, tá lá, é só chegar.
Agora, no lado argentino, com o advento do Milei, isso mudou um pouquinho.
Ah, sério?
Ah, bom. E tá bem caro assim, é bizarro, inacreditável.
Então retiro o que eu disse.
Mas tem, por exemplo, em Puerto Natales, que é a base para tu fazer o Torres del Paine, que é o parque nacional e tal, que é bem caro assim, é um custo bem alto para tu entrar, para tu fazer trekking lá dentro, os acampamentos, etc. No mesmo Puerto Natales tem opções que estão fora do parque assim, que tu não paga nada. Então eu lembro que eu fui no lugar que se chama Laguna Sofia, e também é um setor de escalada bem famoso assim em Puerto Natales, é a coisa mais linda do mundo, e foi o lugar que eu mais vi cóndores andinos na minha vida assim.
Isso que eu já recorri essa Cordilheira de norte a sul assim. Então tu não paga nada assim, tu chega, tu pode pegar carona para chegar, é uma via bastante transitada. Então sempre tem opções assim, tu não precisa sempre estar dentro dos parques nacionais, que geralmente você paga para desfrutar.
Torre dos Paine é um deles, isso.
Então tu não precisa estar dentro dos parques nacionais para poder desfrutar da natureza da Patagônia assim.
Isso Isso se aplica a tipo El Chaltén também? Porque eu lembro que eu amei, me apaixonei por El Chaltén, e as trilhas ali eram todas gratuitas, pelo que eu me lembro. Hoje em dia você sabe, os pais tá pagando.
Eu consegui burlar porque agora eu voltei ao Xaltén no passado, né? Eu burlava porque eu entrava de madrugada assim, e para sair tipo dava a volta, porque eu conheço bem lá assim, dava a volta em outros lugares, não passava pelas casinhas assim. Mas tipo, em cada saída da cidade para as trilhas principais, é o Xaltén, tem uma guaritinha, e aí tem um guarda para aqui cobrando. E, cara, é um valor absurdo assim, é $40 por dia. Tipo, tem espaços de 200, é bizarro assim.
Gente, como mudou!
Eu tenho assim, como montanhista, gente, com certeza, né, eu acho que a natureza é para todo mundo. Devido a muitas, por exemplo, até no Brasil, na Mantiqueira, em vários lugares aí de montanha. Morei no Paraná por muito tempo, né, Pico Paraná, todos os circuitos de montanhas assim. As pessoas, ainda mais depois da pandemia, existe uma grande, aumento muito grande de pessoas, né, acessando as montanhas. E eu acho assim, cobrar é sempre uma maneira também de frear o turismo, né, de diminuir pelo menos por um ciclo as pessoas acessando esses lugares, porque nem todo mundo também tá preparado, né, digamos assim, em consciência para lidar com esses lugares, né, e acaba indo por hype.
Por exemplo, Elcha, tem um hype das montanhas, né, na Argentina e tudo mais. Assim, existe o lado positivo e negativo de se cobrar. O lado positivo é do controle, né, desse desenfreado de pessoas explorando. Eu fui, foi gratuito e tal. A gente que burla, né, eu também já burlei, burlei Torres del Paine e tudo mais. É assim, eu não acho a gente deve passar essa informação à frente, porque eu acho que até para nós brasileiros, né?
Tem às vezes dá um jeitinho e tal. Eu acho que a gente sempre tem que respeitar as regras do lugar, não passar isso para frente, né? Eu não falo para ninguém que eu burlei, tô falando aqui agora, né, para todo mundo.
Mas podcast de áudio não tem rede, fica tranquilo, ninguém fala que a Cami no minutagem 18 falou, tá? Fica tranquilo aqui.
Mas assim, é sempre legal a gente, né, respeitar as regras dos lugares e tudo mais onde você vai pagar e, né, fazer da maneira como o país manda, né? Porque você tá respeitando daquela cultura e não levar o brasileiro que burlou o lugar. E eu acho assim, eu sou a favor e contra sobre a questão de pagamento de entradas em parques nacionais por causa da consciência ecológica das pessoas e do turismo desenfreado.
Se a gente for entrar nesse, vai ter, mas só deixar um episódio para isso, câmera.
Essa seara é gigantesca.
Tchau!
Isso aí, ó, eu nem vou, eu nem vou subir, subiu, vírgula.
Mano, eu comecei a seguir o Edu agora no Instagram, que eu acho que a minha viagem— você deve curtir muita coisa parecida com a minha, mas eu acho que você viajou muito mais que eu nessa região. Então da hora, mano, as trilhas que você fez aí. Ver as fotos também, as montanhas. Irado, irado mesmo!
Olha aí, hein, fazendo jabá ao vivaço, levantou a bola, cortou, fez ponto! Valeu!
Eu também quero ver, eu não sei, deixa eu ver.
Não, ele tem umas fotos não só, né, da Patagônia, mas aí das montanhas que você foi. Você foi lá no Volcão de Fuego da Guatemala, né? No final das contas, quando a gente acaba mochilando na América, a gente, né, muitas de nós dentro do universo Cainan Viajante Sem Pauta, a gente vai conhecendo muita gente que outrora a gente não encontraria, né? Tipo, eu sou o único que fez as maluquices das pessoas que eu conheci na minha infância assim.
E aí tem a galera junto com todo mundo que eu conheci com Cainan que eu falo, caramba, eu não sou sozinho, o único, sabe? É muito legal você ver lugares por onde você esteve e outra pessoa teve uma vivência tipo também única naquele lugar que foi tão importante para mim assim. É muito legal, é sempre um prazer conhecer gente nova aí.
Claro, total. Ah, que massa, mano, fico muito feliz.
Falando em fotografia, Eduardo é super profissional. Ele me seguia, acabei de ver aqui, olha só. Eu vou seguir ele.
Esse é o momento de você inserir um jabá e vender suas fotos, tá vendo? Tá perdendo o bloco legal.
Eu sou Você é um fotógrafo ok e um vendedor horrível.
Então, não, ele é um fotógrafo, eu tô olhando aqui porque eu tô falando disso porque a Patagônia foi um lugar onde eu comecei a relatar as minhas viagens, onde eu comecei o meu conteúdo, porque justamente estava muito imersiva naquele ambiente, muito imersiva naquela natureza. E foi também onde eu comecei a desenvolver meu olhar fotográfico, porque claro, é super fácil você olhar a Patagônia e tudo é lindo, né? Mas foi ali que eu comecei na fotografia, no audiovisual e na questão da escrita, né, de relatar a minha transformação da viagem.
Eu sempre falo que eu acho que Eduardo segue ali minhas viagens também, né, por vários lugares aí da América Latina. Mas eu sempre falo que a Patagônia me engoliu e cuspiu de volta para vida, porque ela te engole, ela te engole, te devolve de outra maneira, você vê de outra, você muda. Muda, muda a maneira como você vê tudo, sabe? Eu vejo assim a Patagônia, foi uma virada de chave na minha vida. E tanto que até hoje, 10 anos depois, eu tô aqui, 2026, eu fiz essa viagem 2018, quase 10 anos depois eu tô ainda no mesmo sentimento.
Então fotografia, registrar essas memórias, é uma das coisas mais lindas. E você vê outra pessoa que fez aquilo, é tipo você sentiu um abraço. Então me sinto abraçada por essa bancada que todo mundo tem esse feeling.
Eu tô com inveja de vocês porque O sentimento que eu tenho, que vocês estão tendo, é quando eu gravo com pessoas que foram para África. É muito gostoso porque a gente vai construindo a memória coletiva das coisas, né? Aqui eu não tenho essa memória, então eu tô como condutor. Então tô com inveja de vocês, tá? Tapa na cara.
Vai lá na Patagônia, a gente te abraça.
Sim, vamos fazer uma viagem junto aí.
Eu só vou para Patagônia se eu for para tirar fotinho no fim do mundo, só para marcar território e postar lá. Eu fui no fim. E inclusive todo esse gancho foi tudo pensado, tá? Foi tudo conduzido para chegar nesse desse momento do Ushuaia, esse fim do mundo, é tudo isso que o pessoal fala, esse sentimento? Porque todo mundo, porque o ser humano ele tem esse fascínio pelo extremo, né? E você saber que você está no extremo ponto do sul do globo terrestre, eu não sei se todo mundo teve lá. Essa é uma informação que eu quero tirar: todo mundo foi para lá?
Eu fiquei 2 meses no Ushuaia.
Assim, todo mundo tirou fotinho? Todo mundo deu a fotinho lá bonitinho?
Olha, eu tirei, eu tirei a foto com cachorro deitada assim, ó, no chão, fazendo muito. É um registro que eu tenho porque tem tanto cachorro lá, tanto perros na rua. E Ushuaia para mim foi um lugar muito especial, assim. Eu tive, foi lá que eu tive vários aniversários que eu fui de pessoas argentinas. E uma coisa que eu aprendi em Ushuaia, além de toda a história da cidade, né, eles chamam de cidade do fim do mundo, mas eles não se sentem como a cidade do fim do mundo.
Mas eles falam isso, eles verbalizam isso, a gente, todo mundo, eles não se sentem como fim do mundo, né? Mas o que eles sentem é eles não têm horizonte, eles não têm onde olhar. Porque quando você vai na cidade de Ushuaia, você não tem para onde ver, é tudo, é uma, sabe, eles não conseguem ver para fora. É como se fosse uma cidade numa cordilheira assim tampada. Então assim, é muito interessante quando você vai para lá, né, que eu sempre imaginei assim, nossa, Nossa, eu vou para o fim do mundo, sei lá, vou ver a Antártica de lá, vou ver, sei lá, o outro lado, né, ver se a Terra é redonda, né, ver se a Terra é plana. Mas não é assim.
Mas eu queria saber o sentimento, Cami, da bancada assim, quando vocês estão nessa posição geográfica, vocês sabem que ali é o extremo sul, passa alguma coisa na cabeça, tem uma sensação de finitude? Eu queria entender.
Eu sei que o pessoal tira, eu abri, eu sabe o que eu gosto de fazer? Eu gosto de abrir o Google Maps e ver a minha bolinha onde tá. Nossa, eu Eu tô aqui e eu já estive no outro extremo, né, quase no outro extremo. Eu não sei se a latitude é equivalente, mas eu estive no extremo norte da Suécia, né, porque eu fiz um trekking saindo do Ártico, no norte, na Lapônia. E aí, tipo, eu fiz esse contraponto assim de estar no extremo sul da América do Sul.
E é um, sei lá, eu não sei explicar, mas é um sentimento de nossa, que da hora, olha onde eu tô, mãe, olha onde eu tô!
É, eu queria entender exatamente isso, o sentimento que desperta estar em pontos geográficos. Porque quando vocês falaram na pré-pauta, eu fiquei pensando, ah, mas não é tudo isso. Aí obviamente eu fui errôneo na minha fala, porque daí eu lembrei que quando eu tava em Guiné-Bissau, eu tava na linha do Equador, numa placa. Falei, caramba, eu tô aqui onde tá. Aí eu falei, putz, não, realmente faz sentido quando você tá em pontos, marcos geográficos faz diferença.
Porque daí eu fiquei fazendo paralelo assim, se eu tô em Guiné, mas no Brasil também vou estar lá, tipo Tipo assim, então eu tô na mesma, na mesma linha. Eu falei, não, é do caralho. Aí eu retirei o que eu retiro, que eu disse, falei, deve ser do caralho também estar na bolinha no Google Maps olhando, falei, caramba, eu estou ali próximo.
Então é incrível. E é interessante que sempre tem um fim do mundo mais fim ainda, né? Porque você chega em Ushuaia, é o fim do mundo, beleza, chegou no fim do mundo. Aí você chega em Porto Williams, que é território chileno, na Ilha de Navarino, e na real ali é o fim do mundo, né? Porque tá mais ao sul de Ushuaia. É uma cidade significativamente menor, mas é uma cidade ainda. Beleza, esse é o fim do mundo. Aí você faz o trekking do Dentes Navarino, não cheguei mais ao fim do mundo agora porque eu fui mais ao sul.
Aí na Ilha de Navarino tem um povoado que é Porto Toro, que dizem que é o povoado mais austral do mundo. E aí você pode pegar uma balsa aí para lá, é uma vila que mora 20 e poucas pessoas, mas lá é o fim do mundo. E aí você vai conversar com alguém que foi para—
mas tem essa narrativa entre os locais Tipo assim, ó, você não tá aqui, tipo, aí você não tá aqui, aqui não é o fim.
Fui para Porto Toro, cheguei no fim do mundo, tava conversando com alguém que já foi para Antártica. Daí foi nada o fim do mundo, eu fui para o fim do mundo porque eu já fui para Antártica.
Tem essa briga até pelos argentinos e chilenos, porque tem essas vilas que algumas são chilenas e outras são argentinas, e eles ficam na mesma, na mesma briga ali de tipo, não, o Chile tem a maior cidade mais do fim do mundo. Não, Argentina.
É uma treta, gente, é uma treta, e é real isso, é uma treta real. É, Chile, argentino, tudo é motivo para treta, né? Eles, nossa, é uma relação de ódio e ódio, né? Não é ódio e amor igual a gente com argentino, é ódio, ódio chileno e argentino.
E dali, pode falar, pode falar, vai lá, vai lá, Laura. Não, vai lá, vai lá, vai lá. Que dali você consegue, tem muitos cruzeiros que saem para Antártida dali. Então é realmente, você tá no fim do mundo mesmo, que dali para baixo é só Antártida praticamente, né? Então é, se você tiver a fim de, se você tiver alguns milhares de dólares laying around assim, tipo sobrando, você pode fazer um cruzeiro ali para Antártida.
Deve ser baratinho, né?
Last minute deals assim que eles oferecem por um preço mais baixo, mas ainda são alguns milhares de dólares.
Alguns milhares. Obrigado pela partilha. Então quiser para Antártida, tá, vai lá, gente. Diga lá, meu querido.
Eu ia até falar da questão econômica, até do que o Eduardo falou, por Todo mundo tem essa ideia de que Ushuaia é o fim do mundo, mas você tem uma ilha na frente que é chilena. E cara, é caro. Você chega em Ushuaia, Ushuaia para você cruzar para ilha chilena, para Puerto Williams, é carinho. Então, pelo menos do ponto de vista de mochileiro, eu não fui por conta disso. E o desenvolvimento econômico e o turismo, ele ficou extremamente concentrado em Ushuaia.
E você tem coisas incríveis lá em Puerto Williams, eu imagino, sobretudo, né, por exemplo, trekking de Navarino. E você não tem esse desenvolvimento porque não foi e não foi tipo, não é midiático, né? E também não é muito acessível uma vez que você chega no ponto mais ao sul da região da Ilha do Fogo para você cruzar para sair. Então tudo fica concentrado em Ushuaia. Ainda assim eu acho Ushuaia impressionante. Por exemplo, se você vai por terra até lá, é engraçado porque você passa pela cadeia montanhosa e de repente você tá naquela encosta e você vê todo o Canal de Beagle e você tem todas as casinhas indo lá para baixo e os glaciares, as montanhas, as lagunas para cima assim.
Então, mas é assim, é uma coisa muito importante também pontuar essa questão econômica, porque Porto Williams as pessoas elas às vezes nem sabem que existe. Quando elas chegam em Ushuaia, elas veem que tem um negócio na frente que não é o fim do mundo, sabe?
E se criou a mítica, né, de que é uma vila Porto Williams assim minúscula e tal. E tá, é pequeno, mas não é uma vila, é uma cidade assim, tem supermercado, tem balada, tem restaurante, tem tudo assim, tem hotel, tem. Então é isso, é muito interessante assim. Só que isso que tu falou é muito interessante porque é um valor absurdo, né, para tu cruzar de Ushuaia para Porto Williams ou vice-versa assim. Eu fui para Porto Williams desde Ponto Arenas e eu comprei a balsa que é 30 e poucas horas de viagem viagem assim, e foi o mesmo valor do que esse cruze de Ushuaia para Porto Williams, que é tipo 40 minutos, né, de barco. E inclusive já—
mas gente, o valor absurdo é quanto? Fala um número para ter uma ideia.
Ano passado tava $130.
Se você pensa na moeda local, é uma viagem de 40, 50 minutos, né.
E já aproveitando o gancho assim, essa viagem que eu fiz de Punta Arenas para Porto Galápagos foi a viagem mais linda assim disparado que eu fiz na minha vida. Assim, é inacreditável, passa 36 horas numa balsa pelos fiordes assim.
E para quem tem ânsia de vômito, é tranquila? É uma viagem tranquila ou tem muito?
É nada, Cainan. O bagulho, nossa senhora, se movimenta para caramba assim, é muito vento.
Meu Deus, esquece, esquece. Nós temos, nossa, esquece, tá?
Eu não tava Continua, eu não vou, eu não vou, mas é uma dica assim, que é uma viagem, a viagem mais assim linda que eu já fiz, porque tu passa pela, por um parque nacional que não tem entrada, não tem rua, não tem povoado, não tem praticamente nada assim. É talvez os lugares ainda mais intocados da Terra, eu diria. Então ali tá a Cordilheira Darwin, que são mais de 600 glaciares e glaciares que eles dão direto no mar assim. Então quando você tá antes do Canal Beagle, passa por um lugar que chama Avenida dos Glaciares, que tu vê glaciares dos dois lados do canal assim e a água caindo direto no mar assim.
É inacreditável, é coisa mais linda. E muita vida marinha, você vê muita baleia, muito lobo-marinho. Então é uma das viagens assim que eu recomendo muito assim para quem um dia tiver oportunidade de fazer, fazer, porque é isso.
Minha magética foi longe depois dessa, até subir uma trilha bonita aqui de baleias ao fundo.
Subiu! Como que é a baleia?
Você tem que deixar esse efeito.
Vou pôr um efeito original, não vai ser o meu.
Eu acho que sim, a gente pode falar baleiês para subir uma trilha diferente.
Antes de a gente seguir viagem, deixa eu fazer um convite para você, ouvinte. Se você curte o Viajante Sem Pauta, já deu risada com a gente, aprendeu alguma coisa, ou simplesmente viajou com a gente quando você lavava louça, dirigia, fazia esteira, sabe que você pode apoiar o projeto e fazer com que o podcast continue existindo por mais tempo. Como eu sempre falo, produzir o podcast é um trabalho e o apoio de cada um faz toda a diferença.
Então, com uma contribuição mensal, você ajuda o Cainan a manter o podcast no ar e ainda faz parte da nossa comunidade de apoiadores. E essa comunidade é um grupo no WhatsApp de pessoas que se ajudam desde a viagem, mas também sobre falar, falar sobre a vida. Nesse momento a gente tá compartilhando figurinhas durante a Copa. Então é um espaço de acolhimento, um espaço de troca, e você sentir um espaço humano, né? São relações que você pode se aprofundar.
Eu sempre falo isso nos bastidores, o podcast é um prazer que eu tenho de produzir, eu me interesso em produzir as pautas, mas em paralelo ele tá lado a lado na gestão das pessoas que estão ali dentro. É o que me preenche o coração mais que produzir o podcast, inclusive, porque a comunidade são pessoas. Eu acho que é isso que me dá gás. Então quando você apoia, você faz parte desse espaço. Então a gente tem os encontros, inclusive recentemente, a semana passada, a gente teve o terceiro Arraial do Viajante Sem Pauta, que aconteceu no interior de Minas, e foi quase 50 pessoas do Brasil inteiro.
E eu ainda não vou me prolongar aqui, isso vai estar na newsletter, mas eu não poderia estar mais feliz do que aconteceu. Então fica aqui o meu muito obrigado a todo mundo que esteve no Arraial, que ajudou de todas as formas. Eu vou nem, nem vou elucidar aqui, foram tantas coisas, desde limpeza, carona, emprestar as coisas, materiais e tantas outras. Então meu muito obrigado a todo mundo, em especial o Arthur, que foi o terceiro anfitrião, e não posso esquecer também da primeira anfitriã, que foi Mari lá de Minas e depois o casal Marcelo e Bruno.
Então saibam que se não fossem vocês, o Arraial não estaria acontecendo como acontece até hoje. Então meu muito obrigado a vocês três anfitriões que por fazerem permitiram que o Arraial seja um evento fixo no calendário. Então vem apoiar o podcast e você, te garanto que você vai conhecer pessoas incríveis lá dentro. E aí fazendo somatório, tem que falar dos outros eventos que a gente vai ter de novembro, que vai para a 6ª edição, que a gente fica numa casa ali na região de São Paulo por 4 dias, que é maravilhoso, gente. 4 dias você se conecta com pessoas.
Então ainda tem vaga, faltam poucas para acabar, não deixa para última hora. E lembrando também que tem Vale do Pati, que vai ser em outubro. Então data tá tudo no grupo do WhatsApp que eu vou deixar aqui. Então é isso, encontro de novembro, talvez tenha Ano Novo, ainda não sei. E todas as informações, gente, da comunidade, dos eventos, desde o Clube do Livro, que logo logo a gente vai retomar. Vai ter o papo de fotógrafo com ilustrador, com as fotos que ele tira junto com as artes.
Então assim, dentro da comunidade, além de você apoiar, além das pessoas que estão ali dentro, além de toda ajuda em viagens que você precisar, eu tô lá disponível quase toda hora respondendo. As pessoas também vão te ajudar. E é isso, eu acho que a gente vive no momento de precisar de relações humanas. Aí eu já ia me esquecendo, obrigado a Cúrtula, a Cúrtula que já tá, marca brasileira outdoor, que já tá há anos com a gente aí na parceria.
E o Arraial teve o bingo com o produto dele, não posso deixar de agradecer por ter produtos maravilhosos para o bingo. E dentre tantos recados, dos dois últimos não menos importantes, se você escuta a gente no Spotify, deixa as suas 5 estrelinhas estrelinhas, porque isso ajuda no ranqueamento e o podcast chegar a mais gente. E o principal de todas essas informações, gente, eu subo, tem a newsletter minha pessoal, mas que tá atrelada ao podcast, que é onde eu compilo tudo isso.
Então, desde o Clube do Livro, esse papo de fotógrafo, informações do encontro de novembro, Vale do Pati, quais são as próximas pautas, tudo isso para facilitar a leitura, porque eu sei que lá na comunidade é muita mensagem e eu às vezes nem eu dou conta. Então, Se você já é da comunidade ou se você pensa em entrar, inclusive venha, sabe que a newsletter é para ter aquele respiro visual, falar: nossa, o que que tá acontecendo?
Quais são as informações? O que que vem por aí? E tudo mais, tá bom? Então é, gente, bom episódio para vocês.
Clássico, daqui é o lado que todo mundo conhece, que a gente tá falando aqui, o lado que ninguém conhece. Mas e o lado que as pessoas conhecem, que é Bariloche, San Martín de los Andes, Ushuaia?
Manda aí, Cami, vai, solta aí, solta aí o SOS desses lugares para nós.
Eu não fui porque é muito diferente.
Soltou e não puxa.
Mas eu tive o choque cultural, tá? Foi a primeira vez na minha vida viajando que eu tive o choque cultural de pegar um ônibus em Buenos Aires, dormir. Aí eu fui para Esquel. Não, é, não, pera aí. Eu saí de Buenos Aires, peguei um ônibus, e aí foi a primeira vez que eu tava no calor em Buenos Aires e cheguei numa rodoviária tipo bem tipo 4, 5 da manhã. E eu tive o choque cultural de, pela primeira vez, de chegar no lugar sem a roupa de frio, num frio dos cambau, tá naquela rodoviária super chique.
Eu me senti assim, nossa, estou na Europa! Nossa, que lugar! Rodoviária, tá? Não dava lugar nenhum. Rodoviária chique, quentinho. Aí eu olhava assim, neve. Eu tava em San Martín de los Andes. Que cidade linda, incrível!
É que parando para pensar agora, tudo que a gente falou, a gente trouxe a Patagônia como uma coisa hostil. Meu Deus, selvagem, vai ter que cortar lenha, vai ter. Mas é isso mesmo, ouvinte, é isso mesmo. Chega aqui, esse podcast aqui é sobre isso, não é turístico não. Mas vamos trazer a parte, porque nós tá sendo pago para gravar, eu tô sendo pago, né, para gravar. Mas tá ali, a linha editorial tá liberada.
Tem muito conforto na Patagônia. Se você assim, tem que ter, né, é caro. Patagônia é um destino caro, é um destino, né, que você tem que ter roupas específicas para ir, porque é frio. E tem esqui, tem a temporada de esqui. Enfim, a Patagônia ela é muito requisitada assim no sentido para brasileiros, principalmente em Bariloche. Mas assim, várias cidades que você vai descendo ali para o frio, né, elas têm uma estrutura muito incrível.
Os hotéis, resorts no meio dos lagos, hotéis de luxo, tanto que chamam Bariloche, né, chamam Bariloche de Brasilote.
Assim, na minha ignorância, a gente vamos trazer essa parte do conforto estruturado, né, a parte mais turística, mas Mas quando vocês falam de Bariloche, não me vem imagem que ela tá na Patagônia. Talvez por tanto se falar, é uma estrutura— eu sei que ela tá, tá, mas vocês falando agora eu acabo esquecendo que Bariloche faz parte da Patagônia, que a imagem que a Patagônia me apresenta ela é trilha, montanhas, essa coisa introspectiva, essa coisa do, no bom sentido, do vazio, né?
E Bariloche ela vai contra isso, né? Mas eu sei que faz parte. Mas o Gui trouxe essa parte, vamos trazer então essa parte do conforto, aquele acalento do romântico, da lua de mel, de um bom vinho. Até a voz engrossa aqui para a gente acalentar as pessoas.
Tem gente que, por exemplo, tem muito brasileiro que não consegue arcar com os custos de Bariloche, acaba indo para o lado chileno, para umas cidades menos conhecidas, para ter coisas parecidas também. Porque, por exemplo, você vai para região um pouquinho, né, bem em cima de Puerto Montt, você tem várias cidadezinhas menores. Você tem o Frutillar, Llanquihue, que são cidades que rodeiam um que é um lago que você consegue ver de longe o vulcão Osorno também.
E lá eles têm um turismo que é muito focado em brasileiros também, e você tem vários pontos turísticos e faz divisa. Existe até de fato uma fronteira que você consegue fazer de barco daquela região até Bariloche, e você tem tipo, né, entrada imigratória de um passeio de barco por lá, que é bem engraçado. E você, e você tem tipo esqui no vulcão Osorno, Então você tem tipo um turismo até regional, se você comparar, por exemplo, com as imigrações, né, que acabaram acontecendo no século 20.
Eles têm uma comunidade alemã muito forte em Frutigiar. Então eles têm tipo até tipos de sobremesas alemãs naquela região, tem pessoas que falam alemão. É bem engraçado assim, parece tipo até aquela questão da Oktoberfest no Brasil, é, mas tem uma galera que vai lá também, as chimias, né, que a gente fala no Brasil, as geleias, eles têm as cucas deles, né, os bolos, e fica nessa região bem ao norte, né, pertinho de Puerto Montt, que é o comecinho da Patagônia chilena.
Ali você tem essa parte. Mas se você fala do típico, né, de Bariloche, você tem as estações de esqui que muitas pessoas acabam indo em destino de lua de mel. Você tem a Ruta dos Sete Lagos, que tá pertinho dali também. Existe uma parte um pouquinho mais cara que é Villa La Angostura, que é uma cidadezinha bem como se fosse um Campos do Jordão de Bariloche, sei lá, pode falar passa até assim mais perto dos lagos, que é bem caro para você fazer esqui, só que você também tem coisas únicas ali.
É tipo, é muito lindo mesmo, é um destino assim de inverno maravilhoso. E até mesmo Bariloche tem muita gente que pensa só na questão de esqui e tal, mas você tem muita trilha, você tem muito lago, você tem trilhas de vários e vários dias.
Perto de Bariloche tem também a Colônia Suíça, que talvez se relacione com essa região que você que você falou do Chile, porque também tem esse lugar bem europeu assim, né, com bastante influência suíça, germânica.
Até arquitetura de alguns lugares lembra um pouco, porque eles tinham a noção da arquitetura europeia, então eles construíam as casas daquele jeito.
O Cainan, e só para também te situar, né, você que não conhece, esse trekking que eu falei que eu fiz, né, que é o Circuito W de Bariloche, que foi apelidado assim, ele foi o trekking mais difícil que eu fiz na minha vida assim, e é uma região muito de montanha mesmo, muito bonita e tal. Então assim, não é só a parte, entre aspas, gourmet, né, que existe essa parte com bastante estrutura. Tem também a parte, para quem gosta, para quem quer, existe essa parte também de aventura, de trekking e tal.
Então tem muito mochileiro, muito trilheiro que vai lá e faz tudo por conta própria assim. Então tem esses dois lados ali dessa região norte da Patagônia, digamos assim, Argentina.
Por exemplo, o Parque de Torres del Paine, se eu não me engano, era um dos parques mais visitados no mundo do Hemisfério Sul, alguma coisa assim. Também na época que eu fui em 2018. E assim, a gente fala, né, eu também fiz, passei meu aniversário fazendo Circuito W. E só que você chega, por exemplo, acho que na Laguna, não sei se é Grey, alguma coisa assim, né, que tem um ponto de uma laguna que é a perninha de cima da esquerda, é o Glaciar Grey.
E cara, você entra no resort, você desacredita. Assim, eu acho muito predatório, é muito gourmet, eles têm um completo, com lareira para todo lado, cama king size. E você não precisa nem andar direito, você chega lá com um super jet boat. Então assim, se você quiser passar só 2 dias ali no Torres del Paine e tomar um vinho e nem levar bota de trilha, você pode, porque é um refúgio gigantesco com massagem. Eu conheci muitos chilenos que passam alta temporada de inverno lá ganhando rios de dinheiro, que a galera só vai lá lá.
E tipo, é bem predatório também esse lado, mas existe todo conforto, obviamente. Telas de 60 polegadas de televisão, você nem acredita que tem naquele lugar.
Disney do trekking, né?
É, nossa, é o quê?
É a Disney do trekking, cara.
Mas você sabe que eu tava conversando com alguns amigos esses dias, a gente tava só um paralelo falando a questão da estrutura do turismo. A grande, a grande problemática no caso desses que vocês estão falando é que ela não anda em paralelo com a conscientização, entendeu? Tudo bem ter uma lareira, tudo bem. A questão é que é desproporcional a estrutura em andamento com a consciência de estar naquele espaço. E como você, sei lá, por exemplo, em questão de trilha hoje em dia, graças a Deus, as pessoas já estão levando o tubo do cocô para fazer trilha.
Até você é mal visto se você faz trilha e caga no meio da natureza, entendeu? Há 10 anos atrás era ok você cagar no mato ali no meio de uma trilha. Hoje em dia, se você não tem o seu do shit tube já é mal visto, pelo menos aqui no Brasil, em alguns parques, né? Então tem melhorado. Então acho que tá tudo bem ter estrutura, desde que coexista com a consciência de como você impacta aquilo. É que nem a Cami falou, né? É um tópico que vai para um podcast específico sobre assim quem, o valor, mas daí você restringe acessibilidade, envolve governo, incentiva, são muitas camadas.
Principalmente quando eu fui para o Richard, fui com o Richard lá para Mato Grosso do Sul e Bonito, Isso ficou muito latente, né? Quem pode acessar os espaços e tudo mais. Em questão, voltando só para linha enfiada aqui, mas só quis pontuar isso dos espaços de Bariloche. Tem outros lugares. Vamos trazer um momento guia prático aqui, gente, para a gente caminhar para o final, para audiência, além dos pontos. Que uma das coisas que eu tava lendo nos blogs é maiores erros que as pessoas cometem indo para Patagônia.
Aqui eu tô falando desde mochileiro, também quem vai com empresa e tudo mais, que uma das coisas que é disparado é que o pessoal fala nos blogs, é a pessoa ir já com datas fixas, sabendo que nem a Cami comentou dos ventos, como muda. Então se de repente o passeio fechou, gente, é isso, é vento, você não tem controle. Aí vai o cara lá no Google Review: o vento tirou meu passeio. Sabe aqueles reviews de uma estrela aqui de natureza?
Que absurdo. Mas eu queria saber, guias práticos, o que que vocês orientam para as pessoas que pretendem ir para Patagônia, pensando no maior variado leque de perfil de viagem, desde o mochileiro, mas é roupa, Corta Vento, é ir com a mentalidade sabendo que você vai adequar a sua, o seu paladar do vegano e tudo. Gui, que que você recomendaria? Quais são as suas orientações para quem pretende ir para Patagônia? Ou por onde começa?
O lado pessoal também, né? Para onde você mandaria a pessoa? Primeiro lugar, vai para Bariloche?
Eu, primeira coisa que eu faria, a pergunta seria quanto tempo, né? Se você estiver tendo tempo suficiente, eu faria mais coisas. Mas se eu não tivesse muito tempo, na minha experiência Eu recomendaria bastante realmente a região da Carretera Austral para uma viagem inicial, fortemente. Tem coisas inimagináveis naquele lugar, muito lindo mesmo, e é menos turístico do que o normal. E se a ideia é fazer muito trekking, apesar de terem os parques super famosos, eu recomendaria explorar algumas regiões não tão turísticas também.
Por exemplo, você vai até em El Bolsón, que é uma cidade próxima de Bariloche, e você tem o circuito dos refúgios, Você tem um monte de montanha que você consegue fazer de graça também, você tem muitas lagunas cristalinas para conhecer, então tem muitas opções assim. E eu recomendaria também, até mesmo se fosse para passar pela região, a Ruta de los Sete Lagos, eu também recomendaria porque eu acho que ela é muito válida, dá para fazer ela de bicicleta, dá para você ficar em lugares não tão caros também assim.
Tem pessoas que acabam tendo seus Airbnbs ali de uma maneira mais econômica, além dos hotéis. E eu acho que é uma paisagem assim muito cênica, dá para você sentir um gostinho do que é. E obviamente, mano, Ushuaia, se você tá caminhando pela cidade, eu mesmo não fiz muita coisa de trekking porque eu tava exausto quando eu cheguei na cidade, mas você tem muita coisa saindo da cidade a pé que você se encanta. E você tem muita opção de variedade de alimentação, E se você quiser ter experiências no passeio no Canal de Beagle, voos cênicos, eu acabei, né, uma outra anedota de coisas incríveis que me aconteceram, eu fiquei na casa de um cara que nem estava na casa dele, ele tava viajando para o norte, mas ele falou, ah, quando você chegar em Ushuaia me avisa.
E ele tinha um amigo que tava cuidando da cabana dele lá, e o cara ele tava tendo aula de voo, e ele convidou a gente para voar pelo Canal de Beagle, tipo por R$50, R$100, E aí eu voei por 1 hora e meia, 2 horas, o Canal de Beagle naquela região, e foi incrível, totalmente surreal, inesperado, maravilhosa experiência. Acabei fazendo amizade com os amigos desse cara e ele tinha amigos que eram guias turísticos. É uma história toda parte assim, mas foi uma— eu acabei até mesmo, tava tendo um encontro de veleiros do mundo todo em Ushuaia, bem na época que eu cheguei Cheguei, era bem no finalzinho de outono, e o Amir Klink, eu encontrei com Amir Klink no pier do Ushuaia.
E assim, sabe quando você fala assim, mano, é o Amir Klink, cara? Eu dei oi para ele, tá ligado? Eu falei, meu, como assim, sabe? Tipo, porque ele tava lá. E enfim, assim, foi maravilhoso, porque à noite os veleiros, eles ficavam com lanternas e lâmpadas assim brilhando, decorando cada um deles, e eles tinham as bandeiras de cada isso. Foi surreal assim, é uma cidade muito cênica, é muito bonita.
Se você vai viajar pela Patagônia, o Gui deu bastante lugares aí que você pode visitar, mas se você gosta assim de lugar, histórias, né, que você vai levar assim para sua vida, né, por exemplo, cruze o Estreito de Magalhães. Isso é incrível, é uma vez na vida que você vai cruzar o Estreito de Magalhães, sabe? Então assim, passar por esse portal é muito é muito magnífico. E para a Cidade do Fim do Mundo também, onde você tem, são pontos muito específicos na Patagônia que proporciona.
Então cruzar o Estreito de Magalhães e para a Cidade do Fim do Mundo, ver o Perito Moreno, que é um dos maiores glaciais do mundo ainda, que tá ali, né? Vamos, tem que ver. Tem, se você tá indo para Patagônia, você tem que ver o Perito Moreno porque é algo surreal, é algo assim eu falo que é pitoresco, é pitoresco o Perito Moreno. Então assim, são pontos na Patagônia que se você vai é único, você não vai ver isso em outro lugar do mundo, sabe?
Quando a gente tava falando ali de você vai na linha do Equador, né? Eu tenho pontos nas minhas viagens que eu estive no Estreito de Greenwich, aí Estreito de Magalhães, na linha do Equador, e isso para mim é único. É tipo você ver as 7 maravilhas do mundo. Então assim, a Patagônia também te proporciona essa experiência, assim como, né, são maravilhas do mundo você ver esses 3 pontos, por exemplo, que eu tô falando. Mas tem muito mais, tem, né, vulcões e tudo mais.
Mas essa, vá para o fim do mundo, vá cruzar Estreito de Magalhães e veja o Perito Moreno, são 3 coisas assim que vai marcar sua vida.
Eu, bom, vocês já falaram bastante de lugares, né, mas eu queria trazer um ponto que eu acho muito, muito, muito importante. Eu tenho certeza que se você que tá escutando é mulher, você vai se perguntar sobre isso, que é sobre a segurança de viajar por essa região. E eu não sei qual foi a experiência da Cami, mas assim, eu me senti extremamente segura em todos os momentos, em todos os lugares. Eu viajei sozinha, apesar que em algum momento da minha viagem, né, eu passei quase um mês, e em algum momento da minha viagem eu encontrei um casal de amigos de uma amiga minha da Romênia, que a gente era companheira de casa no intercâmbio.
Enfim, mas foi uma coisa pontual. Mas eu estava viajando sozinha e eu me senti extremamente segura em todos os lugares. Inclusive, foi nessa viagem que eu fiz pela primeira vez uma trilha completamente sozinha, de eu ir sozinha, sem companhia, né? Porque em outros lugares ali, mesmo viajando sozinha, eu fiz amizade no hostel, conheci uma pessoa aqui, outra ali. Ah, vamos fazer uma trilha juntos? Vamos, né? E lá eu tive, foi em El Chaltén no caso, eu tive a de fazer uma trilha sozinha.
Eu fui com certo receio, fui com certo medo, né, porque a gente sendo brasileira, sendo latino-americana, a gente sempre tem um cuidado extra, a gente sempre, né, infelizmente passam imagens e pensamentos na nossa mente, né, de ai meu Deus, o que que pode acontecer, eu estou sozinha no meio do nada, né. Mas eu me senti muito segura o tempo todo, mesmo cruzando com homens, enfim, na trilha. E então acho que isso é uma coisa importante de ser pontuada, Eu sei que eu falei várias vezes aqui de El Chaltén, mas é porque eu realmente me apaixonei por essa cidadezinha e as trilhas ali ao redor, algumas mais fáceis, algumas mais difíceis, mas eu achei incrível ali, um lugar que eu até gostaria muito de voltar.
E eu acho realmente que não, assim, claro, todos os lugares que vocês mencionaram são lindos, não conheço todos, mas El Chaltén eu fiquei completamente apaixonada. Então se fosse para recomendar um lugar assim, claro, tem que ser amante gostar de trilha, tem que gostar de, né, de passar um perrenguezinho ali básico. Mas eu super recomendaria El Chaltén, assim, me apaixonei.
Já aproveitando o gancho, assim, eu vou e volto. Como eu falei algumas vezes, a ilha de Navarino é extremamente significativa para mim. Eu fiquei muito tempo lá, conheci muita gente boa. El Bolsón, a mesma coisa, fui muito feliz lá, tive um sentimento assim de acolhimento, de comunidade. Eu fiquei lá no inverno, então foi outra coisa também, muita neve. Mas eu não poderia assim não dar um destaque para El Chaltén também, porque foi a minha casa durante um tempo.
Eu passei lá os primeiros meses da pandemia, foi a minha escola assim, foi o que moldou o Eduardo montanhista, fotógrafo. Foi a minha escola de aventura, de escalada, foi onde eu fiz amizades que eu carrego até hoje. Foi muito especial voltar para lá o ano passado. Então, ao mesmo tempo, para mim assim, seria a dica que eu posso dar assim do fundo do meu coração, assim, sabe? Porque talvez tenha sido um dos lugares ou lugar que eu fui mais feliz e mais realizado assim.
Então, ano passado, quando eu voltei para lá, quando eu revi as amizades que eu fiz lá, quando eu fiz as as mesmas trilhas que eu fazia, quando eu acampei nos mesmos lugares que eu acampava, eu me emocionava muito assim, eu chorava, o vento vinha e carregava as lágrimas assim, sabe? Porque realmente é algo muito grandioso assim aquele lugar. Então foi isso assim, eu passei, a pandemia começou, eu tava lá voluntariando, acabei decidindo ficar, conheci pessoas que me inspiraram muito Foi lá que eu comecei a fotografar de fato.
Eu conheci o Tyler, que é um norte-americano que fazia workshops para o Xiaoteng e que cobrava $4.000, $5.000 para as pessoas ficarem uma semana fotografando com ele. Ele também decidiu ficar, então a gente fez amizade e ele me convidou para ir a uma montanha com ele. Então eu aprendi muito assim com ele nessas experiências assim, tendo workshops assim diários com ele praticamente de graça. Amigos escaladores também, aventura, escalada, a montanha não fazia tanto parte da minha vida assim, sabe, antes de El Chaltén.
Depois de El Chaltén é a parte mais importante assim da minha vida hoje em dia. Então é isso assim, El Chaltén é impactante, o vento dá medo, é frio, mas se você gosta, se você quer se descobrir, se você quer ver se você realmente gosta da montanha, gosta da aventura, gosta de trilha, acho que seria o lugar ideal assim. E é isso assim, é junto com o lugar que eu tô agora, que é a Cordilheira Branca no Peru, é o meu lugar favorito assim da América Latina desses quase 7 anos de mochileiro, de nômade, de adiante.
Então é isso, é um lugar que faz jus ao título, né?
É difícil falar de Achautemps sem me emocionar de novo assim, sem me impactar de novo, sem ficar arrepiado assim.
Cara, é muito gostoso ver vocês falando, viu? Eu fico emocionado de verdade. Agora a parte mais séria, brincadeira, mas fico realmente emotivo quando vocês ficam falando assim. Acho que depois dessa eu vou até subir uma trilha, nem vou falar nada, subiu trilha.
Esse aquariano tem um coração.
Falar que depois que todo mundo falou sobre os destinos principais, eu tive— é isso assim, eu tenho uma questão muito forte com essa questão de ser cobrado atualmente o valor que é cobrado em El Chaltén, mas realmente foi um lugar lugar mais importante na minha vida de começo de mochileiro assim. Eu diria, eu tive dois lugares extremamente, três lugares, né, porque eu acabei morando muito tempo no Equador, mas o Deserto da Atacama e El Chaltén foram os lugares que me moldaram mesmo também.
Eu passei muitos e muitos dias de resiliência para conseguir pegar um dia de sol no Fitz Roy, por exemplo. Eu fiz 5 dias numa barraca debaixo de chuva sem fazer nada só para poder ver ver o Fitz Roy um dia, porque era muita chuva mesmo, desacreditava. Eu tinha que ficar cavando do lado da barraca, tipo trincheirinhas assim, para não ficar ensopado. E cara, foi, passava 24 horas por dia dentro da barraca até parar de chover e eu conseguir ver o Fitz Roy.
Foi absurdo assim. E eu tava com toda a minha, todo meu equipamento, porque eu não tinha um hostel. Eu fui direto para trilha, eu não tinha dinheiro para pagar um hostel na época. E aí depois eu acabei fazendo um voluntariado, fiquei acho que mais uns 10, 15 dias. Eu acabei conhecendo pessoas incríveis nesse caminho. Mas em termos de trilha, realmente, se você para e pensa, e na época era tudo de graça, cara, foi inimaginável o que você consegue fazer ali.
É surreal. Você vê picos de escalada a nível mundial e lugares também que não são muito conhecidos. Você anda por cima de glaciares, é incrível assim. E você tem esse acesso também para você ver côndores, sei lá, ver vários pontos de vista diferentes e montanhas menos conhecidas que você pode fazer saindo a pé daquela região assim. E também pegar a parte da época um pouco menos turística, porque eu fui numa época de transição de clima, e ver uma cidade super turística deserta também, que é super interessante assim.
Eu vi dois côndores no Mirador de los Cóndores, foi uma Muito, muito curioso, divertido. Eu cheguei lá no Miradouro dos Cóndores e tinham dois cóndores sobrevoando. E eu não sei se você já viu, Kainan, pela uma foto tal, mas ele é muito grande, é uma ave muito grande.
Eu vi porque no episódio Argentina eu fui obrigado a pesquisar para entender, porque eles trouxeram esse pássaro, certo? Edu, não posso ser sério, esse pássaro na região norte da Argentina, né?
Essa ave não é um pássaro, é uma ave.
Não começa, ô bióloga, para cima de mim não, vai. Edu, o que que você ia trazer, meu querido?
É, eu não ia falar, só uma anedota que eu não vou contar totalmente, mas que é o Chaltén, é um das mecas da escalada, né? Então tem conquistas assim, ah, eu fui o primeiro brasileiro a escalar o Fitz Roy em livre no inverno em tal mês, não sei o quê, primeiro brasileiro a escalar o Cerro Torre, não sei o quê. Eu Posso te falar que eu fui talvez, até onde eu sei, o primeiro brasileiro a andar no camburão do único camburão do único carro de polícia que tem hoje.
Eu tenho que ir para delegacia. Não fiz nada muito feio, nada muito grave, foi um grande mal-entendido, mas foi isso. Quem quiser saber mais, me procura no Instagram que eu conto melhor a história.
Eu tava, nossa, Edu, você me deu uma, você me deu um medo. Eu falei, o Edu vai falar que foi o primeiro a escalar. Falei, não vai ser um 71, pelo amor de Deus. Foi o Edu nessa pessoa. Agora entendi. Ufa, graças a Deus! Ó, depois de tudo isso, a gente motivou audiência, colocamos aqui em evidência vários lugares. Ouvinte, vá para Patagônia, tanto na chilena e argentina, e não queira encontrar um puma, tá? Ele é bonito na fantasia de querer esbarrar, mas quando você esbarrar, você vai querer sair entre o rabo e entre as pernas, tá?
Então para com essa coisa, vai querer encontrar puma, vai querer encontrar porra nenhuma, tá bom? E agora vamos para os achados da mochila. Subiu vírgula. Achados da Mochila, aquele momento que a bancada fala onde encontra nessa WWW da vida e o que que eles indicam para audiência. Laura, onde as pessoas te encontram e qual sua indicação para audiência?
Pessoal, me encontra em todas as redes aí como @setecantosnomundo, né, pois eu sou Laura Sete. Esse Sete é numeral, no caso. E o meu achado na mochila de hoje é um livro que eu li recentemente. Ele tá meio falado aí, não sei, mas ele chegou para mim por várias fontes. E aí eu falei, ah, deixa eu dar uma olhada, deixa eu ver qual é que é. Que se chama A Biblioteca da Meia-Noite. E eu achei o livro muito interessante porque eu consegui fazer muito paralelo com a minha vida, né?
Porque eu já mudei muito, eu já morei em vários países, já viajei muito, eu mudo de rota na minha vida, né, com uma certa frequência. E aí um pensamento que sempre fica é: como teria sido se eu tivesse escolhido outro caminho, né? O caminho B ao invés do A, se eu tivesse feito isso ao invés daquilo. E esse livro ele traz justamente realmente é uma reflexão sobre isso, sobre como seria a nossa vida se a gente tivesse escolhido caminhos diferentes.
E que muitas vezes a gente carrega esse peso das escolhas, né, de ficar se lamentando. E aí, com certeza, se eu tivesse feito tal outra coisa, seria melhor. Se eu tivesse não feito essa viagem ou viajado para aquele outro lugar, teria sido melhor. Então traz essa reflexão de você olhar para o que você tem, de você ser grato, de você de bancar suas escolhas e fazer o que você fez de melhor com isso. Então eu achei um livro bastante interessante.
Fechado, muito obrigado pela indicação, ouvintes. Link vai estar na descrição. Gui Verdiani, onde as pessoas te encontram e o que você indica?
Bom, no meu Instagram, o meu nome é @verovivega no Instagram, mas apesar disso faz muito tempo que eu não posto muita coisa recentemente, mas Eu pretendo no futuro compartilhar um pouco mais da minha vida, mas já estou vivendo na Austrália algum tempo. Mas bom, coisas de indicar, eu poderia indicar um livro que se chama Journeys North, que é muito bom, que eu li o ano passado, e a história de uma moça que ela estuda pássaros, ela é uma ornitóloga, e ela junto com o companheiro dela fizeram uma trilha na região do Alasca de mais de 4.000 km.
E bom, enfim, super recomendado esse livro para quem gosta de aventuras mais inóspitas. E realmente é surreal assim a maneira como eles fizeram essa jornada. Eles construíram tipo uma cabana, viajaram de caiaque, de esqui, enfim, inacreditável assim. Ela relata também curiosidades a respeito do mundo das aves, então é bem interessante assim. A maneira como ela trata um paralelo de uma vida, né, em família, conflitos profissionais e estar vivendo em ambiente extremamente inóspito na região assim do Alasca. Super recomendado.
Muito obrigado pela indicação. Agora vamos para o meu querido Edu Bittencourt. Onde as pessoas te encontram no arroba da vida e o que que você manda para audiência?
Então, gente, eu tô numa única rede social que é o Instagram. Infelizmente ainda tem que usar Instagram, um dia eu vou sair de vez, mas eu tô lá como @duoexplore. Nome meio agringado, faz tempo que eu quero mudar, mas o cara que tira foto bonita vai sair do Instagram, como é contra-intuitivo isso, né?
Não vou falar nada.
É isso, sou fotógrafo lá, vocês vão ver muita foto de montanha, de aventura. Algo de manifestações culturais pela América Latina, peregrinações, festivais religiosos nos Andes, dentre outras coisas. E a minha dica cultural, acho que agora eu vou puxar— a gente falou tanto de montanha e aventura pela Patagônia, vou puxar agora, acho que usar essa dica, esse achado na mochila, né, para puxar para o lugar que eu tô agora, que é a Cordilheira Fergilheira Branca no Peru, que também é uma das mecas do montanhismo, não só na América Latina como no mundo.
Então tem uma série do History no YouTube, tá disponível no YouTube, que se chama Andes Extremos. É uma série brasileira com os montanhistas brasileiros que vieram gravar por aqui. Então aqui vocês vão ver, então nessa série vocês vão ver algumas paisagens aqui da Fergilheira Branca, muita montanha, montanha, muito companheirismo de montanha, aventura, muita imagem bonita, porque duas das pessoas que produziram são fotógrafos excepcionais. Então acho que é isso, meu achado na mochila.
Você é um péssimo vendedor, né? Se eu quiser comprar uma foto sua, tá à venda? Eu tenho que puxar esse lado seu, é?
Ainda não está à venda, estará em algum momento, em alguma hora.
Estará em algum momento.
O que acontece é que eu sou uma pessoa extremamente preguiçosa, né? Então eu só tiro foto e posto.
Se você tá ouvindo em 2028, quem sabe lá já tá à venda, tá, gente?
É um quadrinho, um fotolivro talvez. Vamos ver no futuro, talvez.
Cami, minha querida, para de fazer yoga aí no vídeo e manda pra gente.
Você pode me encontrar no SOS Mochileiras, tem um website, sosmochileiras.com. Lá você tem todos os meus canais, todos os meus conteúdos, inclusive a minha mentoria sobre viajar com propósito, onde eu te ensino a viajar com propósito e desconstruir várias coisas que você, que você tá aí pensando como começar. E além disso, eu crio conteúdos para o Instagram sobre essas fases da minha vida, tanto Patagônia como agora estou na Índia no momento de aprendizado de yoga e Himalaias.
Eu já deixo aí o spoiler, vou para o Nepal. E eu crio conteúdo para mulheres, para pessoas, para seres humanos que buscam viagens como ferramenta de desenvolvimento. E a minha dica de hoje vai ser um álbum que eu tenho escutado bastante aqui no Himalaias, que é do Ravi Shankar com Felipe Glass. Então você encontra, chama Passagens, e é um álbum muito muito bonito, que me acompanha bastante nos meus momentos de ônibus, viagens, ou só de apenas olhar as montanhas do Himalaia.
E é um álbum bem forte, bem profundo, bem bonito para quem gosta de músicas mais internas, meditativas. E é isso, essa é minha recomendação. Gosto muito de música e trilhas sonoras, então quem me segue também pode ver todas as minhas playlists.
E é isso, muito bom. Obrigado pela indicação, Creme. E agora o meu, maneira breve para a gente encerrar. Recentemente eu estive em São Bento do Sapucaí, no Festival da Montanha, e conheci o projeto Cosmo Marumbi, que eu não conhecia, que é o grupo de resgate do Paraná de Morretes. Não sei para quem acha que é da região, é bem conhecido o pessoal que resgata. É uma região montanhosa, então são pessoas, não são bombeiros, né, mas é um braço de ajuda.
E achei bem legal o projeto deles, né, que são pessoas treinadas para fazerem resgate. Inclusive vai ter um episódio no podcast sobre esse projeto deles, né, que é um dos poucos grupos no Brasil voluntariado que tem mais de 30 anos. Então como é que funciona o socorro, como é que é a relação com os bombeiros. Então inclusive comprei o livro deles, depois vou deixar o Instagram do projeto, que é Cosmo Marumbi. Segunda coisa para encerrar, só uma questão ainda da Patagônia.
Ouvinte, a gente falou muito, né, de como viajar, tentar ser um viajante melhor, coexistir com entender a história e como isso impacta na lente sobre aqueles espaços. Mas principalmente, a gente sempre fala que viajar é um ato político, a gente sempre vai falando isso em vários episódios de maneira fragmentada. Mas leiam sobre os incêndios da Patagônia que aconteceram em 2026. Tem coisas que não são naturais, tá? Faça essa pesquisa de entender o que que tá acontecendo.
É importante entender isso, tá? Eu só vou jogar informação, pesquisem. Não fiquem só na capa da plataforma principal de notícias, vão cavocar, entender os incêndios, o que que tá por trás, tá? E aqui eu vou Essa é minha visão pessoal, não é natural, são provocadas, tá? Então eu jogo na mesa aqui e pela cara da bancada eles concordam também, tá? Então fica de dever de casa, vão entender os incêndios na Patagônia que aconteceram em janeiro, começo do ano.
Então, Edu, meu querido, Cami, Laura, Gui, obrigado pela presença de vocês, por estarem 3 horas aqui. Valeu, Edu, por acordar 5 da manhã. O Gui tá de noitão aí também na Austrália. Então, cara, obrigado. Sem vocês podcast não existiria. Então é isso, isso aqui é um coletivo. Um beijo para todo mundo e vamos para Patagônia!
Valeu, obrigado, beijo, obrigada, gente, valeu, beijo!
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