#126 Avaliando os espaços: manias e home office na viagem
Um episódio num oferecimento da Keep Nomad, a escola do nômade digital.
Da neura com a limpeza aos limites do bom senso? A bancada revelam os bastidores mais sinceros das nossas estadias de trabalho remoto. A gente assume os TOCs de espaço, confessa se já pegou coisas da geladeira deixado pelos hospedes, conta como lidamos com lençóis, tomadas e as esquisitices do dia a dia enquanto tentamos parecer profissionais na estrada.
Host: Cainã Ito
Bancada: Igor Ivanowsky Davi e Lanna Sanches
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🎨 Arte da capa: Guto Arrigoni
- Rituais e manias ao chegar em uma nova acomodação de viagemVerificação de Wi-Fi·Organização de roupas na mala·Limpeza e desinfecção do ambiente·Abertura de gavetas e geladeira·Percevejos
- Experiências extremas e inusitadas em acomodações de viagemCouchsurfing·Hostel·Paraguai·Índia·Tailândia·Nepal·Baratas
- Dicas e reflexões para quem busca o estilo de vida nômade digitalDisciplina·Networking·Keep Nomad·Desromantização da viagem·Equilíbrio entre trabalho e lazer
- A importância da interação humana versus praticidade no check-in de acomodaçõesSelf check-in·Interação com anfitriões·Chaves físicas·Acolhimento
- A evolução das necessidades e equipamentos para trabalhar em viagensErgonomia·Internet·Mesa e cadeira·Power bank para notebook·Starlink
Viajante Sem Pauta está no ar. Aqui é o Carnaíto. E hoje, ouvintes, no oferecimento da Keep Nômade, a escola do nômade digital, a gente vai adentrar ao universo das acomodações, que é muito mais do que só lugar para dormir. Tem casa que vira lar, lençol de limpeza duvidosa, e aquela dúvida eterna: você joga o lixo do banheiro fora ou finge que não viu? Vamos saber o que que a bancada faz nessas horas. Então hoje vamos falar desses espaços que despertam o melhor e o pior da gente, entre o conforto ou o caos.
E o senso de pertencimento. E pra falar desse universo, diretamente da Albânia, a nossa latinidade em pessoa, Lana Sanchez, bem-vinda!
Olá, olá, Carlinhos! Olá, olá também, ouvintes! E bora aí reclamar das mesas ruins das estadias que a gente fica.
E agora, diretamente de Portugal, nosso bigode mais famoso desse programa, bem-vindo, Egor Ivanovski!
Dali, meus consagrados! Bora pra mais uma aí!
Então agora vamos, ele pela primeira vez aqui com a gente, diretamente da Índia. Será que ele pede para troncar? Trocar lençóis, isso que eu ia falar, tá bom? É difícil, tem travadinho. Quem sabe faz ao vivo. Mas pela primeira vez, bem-vindo diretamente da Índia, bem-vindo Davi Massara!
Dali, dali, meu povo! Se falou que peço para trocar lençol é que conhece a realidade de onde eu tô. Vamos lá, vamos falar da Índia também.
Ó, antes de subir a vírgula Diga aí.
Agora que eu vi que o seu nome é Massara, Davi, você já comeu muito Massara na Índia?
Não, velho, que isso, fala isso não, pô. O que que é Massara, velho?
Piada do tiozão.
Pô, tem um prato, é Massala na verdade, Massala doce.
É Massala, não é Massara, pelo amor de Deus.
Quando ele falou, eu achei que tinha alguma pronúncia lá na Índia que era diferente, que eu não tava entendendo a piada.
Sabe o que é isso, Lana? Idade vai envelhecendo.
Não, é que agora ele já é pai, gente, é por isso. As piadas de pai já chegaram, entendeu?
Igor, esse bom, bem, antes de subir a trilha, só uma coisa sobre esse programa que eu acho legal de trazer antes de eu subir a vírgula sonora, que a gente vai falar sobre acomodações, lugares legais que a gente ficou, lugares horríveis e o porquê, estrutura. Mas acima de tudo, como é que a gente se relaciona com espaço, que diz muito sobre a gente, nossos toques, comportamentos, que eu acho que é a graça. Que daí a pessoa se identifica.
Então bora saber essa bancada tiro lixo do banheiro ou não. Sube o trilha! E aí, gente, como vocês estão? Espero que bem, na medida do possível, como sempre falo. É o seguinte, tá quase acabando o ano, né? Quase, mas estamos então em setembro, mas dezembro já tá aí. E nesse período, o que que acontece dentro do universo do podcast? Tem os encontros com a comunidade, os eventos. Então eu vou falar por ordens quais estão chegando por aí.
E para você participar, se você ainda não é da comunidade, não participou de um de nossos eventos, aproveita que dá tempo. É um momento legal de trocas e conexões, e é um caminho sem volta, como eu sempre falo. E as pessoas também, né? Mas vamos lá, primeiro evento que vai ter, a gente vai ter no dia 10 de outubro, num sábado, nosso primeiro encontro argentino, que será em São Paulo com a nossa anfitriã Mayra, que é da comunidade, que abriu as portas da residência dela em São Paulo, ali próximo da Paulista.
Então vai ter empanadas, vai ter assado, vai ter alfajor de sobremesa, vai ter a clássica bebida Fernet com Coca e suco refri, claramente. E o mais importante, né, como é o primeiro encontro do Los Hermanos, nada como a vestimenta para caracterizar, né. Eu vou comprar balões azuis, azul claro e branco, enfim, decorações argentinas para deixar o mais característico possível. E para isso também conto com o apoio de quem for, e de vestimenta também, não necessariamente da Argentina, né, mas Pode ir com a camisa do El Salvador, pode ir com o de Botsuana, do Cazaquistão, até do Marília.
Descobri que do Marília também é a mesma paleta. O importante é ir na paleta, entendeu? Para deixar aquele azul te lindo. Então é isso, esse vai ser o próximo evento. Não deixe de ir. Lembrando que as informações estão na comunidade, mas também eu vou deixar a descrição aqui para o Substack aonde eu informo, tá bom? Então essa oportunidade para você participar de um dos nossos eventos. E depois a gente vai para novembro, mais precisamente no dia 19, 20, 21 e 22 de novembro, que é hoje a gente tem um encontro tradicional da comunidade comunidade, que já é um espaço fixo que a gente sempre ocorre, né, que é em São Paulo.
A gente fica numa casa maravilhosa com piscina, com churrasqueiro, cozinheira, dinâmicas. Então esse é um espaço de conexões, de conversas. Então se você gosta da linha editorial do podcast, se identifica com a visão de mundo, ideologia, nosso senso de humor, saiba que é um momento muito legal de conhecer pessoas novas. Ah, Carnan, eu não conheço ninguém, tenho vergonha, nem é da comunidade ainda. Não tem importância. Ali a palavra da comunidade é acolhimento.
Você vai ser muito bem acolhido, tanto por mim, pelos outros. E as pessoas que foram a primeira vez, saibam que— saibam não, né? Eles sabem desse sentimento que é sair e galera acolher, conversar, brincar, divertir. E é isso. Então não deixa de participar do melhor encontro do ano, que são 4 dias. Gente, é muito tempo de conexões e trocas e conversas. E aí, para saber mais informações, também vou deixar na descrição aqui bonitinho no Spotify, ó, como saber do evento.
Lá tem os valores, as datas, como participar. E último caso também, manda uma mensagem no Instagram para mim que eu tiro suas dúvidas, tá bom? E deixa eu fazer a deixa aqui. Como vocês escutaram no começo do episódio, esse é um papo ofertado pela Keep Nomad, como eu digo, a escola do nômade digital. E aí, ouvinte, a gente fala aqui muito no podcast, né, sobre viajar sem ter pressa e viver as experiências da viagem. Todavia, para ter essa liberdade geográfica, você precisa de uma fonte de renda.
Que vá junto com você na mochila. E aí que entra a Escola Keep Nômade, que inclusive ela é criada pelo meu amigo o Igor, o conhecido como Free Igor, né, que hoje é uma das maiores plataformas de treinamento para quem quer aprender a trabalhar online. Eu acho que são mais de 30 mil alunos no mundo inteiro. E aí dentro do curso você tem desde marketing digital, web design, copywriting, edição e várias outras ferramentas remotas que vão se atualizando com o mercado.
E aí o mais legal da Keep Nômade é que o papo é reto, sem aquela ilusão de trabalhar 5 minutos na praia. Então eles pegam do absoluto zero e te ensinam não só a dominar as habilidades digitais, mas também o passo a passo para você colocar em prática, e principalmente como aprender a prospectar cliente e fechar seus próprios negócios. E diga-se de passagem, focar em cliente que paga em euro, em dólar, que é o melhor dos cenários.
E aí quando você faz parte da Keep Nômade, uma das coisas legais e eu estou lá como prova, dentro do Facebook eles têm uma comunidade das pessoas que estão fazendo as aulas e os cursos, que é a opinião e os comentários, o feedback das pessoas. Então, sei lá, você está fazendo, aprendendo a fazer site, aí a galera, eu vejo lá postando, putz, eu postei, o que vocês acham, gente? Então a galera se ajuda. Pô, eu achei legal isso aqui, isso aqui não está tão legal, você pode melhorar nisso.
Então uma mão ajuda a outra para quem está nesse universo, o que é de extrema valia hoje em dia. Então você não caminha sozinho, você pode ter feedback sincero de pessoas que estão percorrendo a mesma trajetória que você. Então, ouvinte, se seu sonho é se tornar nômade digital e poder trabalhar de qualquer canto do mundo, acessa o link que eu vou deixar na descrição desse episódio e vem conhecer a equipe Nômade. Porque ser nômade digital não é só— não precisa ser criador de conteúdo, influencer.
Você pode ficar quietinho editando, trabalhando em site, não tem que pôr a cara no Instagram. Então muita gente acha que precisa ser influencer de viagem, não precisa. O mercado é gigante. Então é isso, mais de 30 mil alunos. Não deixe de fazer parte e ter uma comunidade lá que, olha, é um grande diferencial, além de todo o conteúdo bem selecionado da plataforma, tá bom? Igor, Davi e Ilana, para começar esse programa, como eu comentei, eu quero destrinchar um pouco sobre a personalidade de vós messias quando vocês vão para essas acomodações.
Seja através de aplicativo, seja através de uma reserva e tudo. A pergunta que eu quero trazer é: quando vocês chegam numa acomodação nova, qual é a primeira coisa que vocês fazem? Vocês abrem a mala e jogam na cama? Vocês testam o chuveiro? Abrem a geladeira que nem um arqueólogo pra ver: meu Deus, deixa eu ver o resquício que deixaram aqui. Vocês abrem as gavetas? Eu vou trazer uma que eu não tinha pensado sobre, porque esse programa, pessoal, é também terapia.
A gente vai descobrindo coisas e comportamentos quando você vai fazendo a pauta. E eu cheguei à conclusão que eu acho que Se eu puder trazer uma termologia, eu sou o cara que vai numa acomodação nova, eu sou arqueólogo. O que quer dizer isso? Eu não abro a geladeira, não tem interesse porque eu não como, tá? Já fica esse meu frufru aqui. Mas eu gosto de abrir gavetas e ver o que que tem de resquício. Eu gosto de ver o que tem na gaveta, vai ter alguma coisa.
Então eu sou essa pessoa que tem esse comportamento. Mas eu queria saber de vocês, qual é a primeira coisa que vocês fazem quando vocês chegam no lugar novo? Igor, puxão, vai lá, Igor. O que que você faz quando você chega?
Eu compro uma garrafa de álcool e desinfeto tudo.
Com certeza. Até, não, claro que não.
Por um segundo você acreditou, Kairi?
Eu sou inocente, eu tenho que assumir o papel que eu acredito, conhecendo coisas novas suas, né?
Eu já vi uma tiazinha fazendo isso no quarto do lado, falei, porra, meu! Não, cara, eu sou bem padrão assim. O Wi-Fi é a primeira coisa que eu olho se tá funcionando, e Eu sou da galera da roupa na mala, meu. Nunca tiro para colocar no armário, não coloco no cabide. A roupa fica lá. Não, já fiquei um mês, um mês com a roupa.
Nunca? Tipo, você vai ficar um mês no lugar, você não tira?
Não, já fiquei 3 meses, 3 meses. Uma vez fiquei na Tailândia com a roupa na mala, no mochilão. Ah não, juro para você, eu lavo, levo para lavar, eu lavo e tal e volta para o mochilão.
Ô Igor, você sabe que você só se queima nesse podcast, né? Você só se ferra. Eu não sei por que que você vem participar.
O Igor não deve nem ter um armário na casa dele, né? Ele deve ter um baú, só joga tudo dentro.
Mano, a primeira coisa que a gente faz é tirar as coisas da mala e jogar na cama.
Não, não, depende, depende. Depende, não é, não, não depende de quantos dias você vai ficar. Você vai ficar 2, 3 dias, 5 dias no lugar, você não vai tirar tudo da mochila, você vai tirar o necessário.
Então qual que é o tempo então para você poder ter a liberdade?
Depende da casa também, né, que às vezes a casa é tão apertada que você já prefere deixar tudo na mochila mesmo. Mas se tiver um espaço legal, até tira. Mas assim, na cama eu não coloco, porque eu acho que só quem já teve percevejo não vai colocar a mochila na cama.
É o bicho bed bug.
É o famoso, temível, temido. Eu e o Richard, a gente tava mês passado com esse filho da mãe. Então a gente não coloca na cama não. Isso daí é uma negativa grande.
Mas a pergunta que não quer calar aqui, só para eu conhecer vocês: vocês viajam de mala ou de mochila? Mochila.
Mochilão, mochilão, mochilão.
Você é mochilão, Igor? Você não anda de mala de gordinha?
Assim, vamos lá, tá, tá, não precisa me queimar também, Canhão. Minha última viagem—
eu não, nenhum momento mala de gordinha queimar. Olha como é sua percepção.
Isso é sobre Última viagem para Tailândia eu fui de mala de rodinha, mas não conta porque fica só entre nós aqui, tá?
Pô, que vergonha!
Igor, tá tudo, a gente acolhe, tá tudo bem, viu? Eu só ia te zoar, não, eu só vou te zoar se fosse uma mala de rodinha motorizada, aquela que você vai no aeroporto e acelera. Essa eu ia zoar, essa eu ia falar, Igor, você não, essa realmente, mas não é o caso.
Mas, cara, eu Eu vou te dizer que um dos meus sonhos é trocar minha mochila pela mala, velho. Porque é isso, depende muito de onde você deixa. Ah, eu tiro a roupa, mas se a roupa tá na mochila ou tá na mala faz muita diferença. Pô, se tá na mala, aquela que você abre em dois ali, pra que você vai tirar a roupa dali? É tipo se tivesse na gaveta.
É diferente.
Agora na mochila é diferente, né?
O meu mochilão ele é aquele que abre no meio, sabe assim? Então você consegue ter acesso a toda a mochila, você não precisa Não é um saco que você só tem acesso à parte de cima, sabe? Então, para mim é muito cômodo também abrir no meio ela, você tem acesso a toda a mochila, isso é muito prático.
Então, aqui só para entender, o Igor checa o Wi-Fi e você, Davi, o que você faz? Primeira coisa que você faz quando você chega? Você abre a gente aqui?
Cara, é muito importante entender como eu viajo, né? Eu viajo com a minha mulher, então a gente tem os toques em dois. Então, a gente tem um ritual que ele é assim, cara, não interessa onde a gente vai, se é 5 estrelas, se é Couchsurfing, não interessa, a gente sempre faz, cara. A gente viaja com mochila, e aí eu particularmente, nós carregamos a nossa roupa em separadores, que faz muita diferença também.
Perfeição.
Então, cara, cada um com 3 separadores ali. Então não é que eu tiro a roupa da mala, boto no armário, cara, não. Eu tiro o separador e boto para fora, tá feito. Separador é muito fácil, a hora que você quer usar você abre, quando você quer fechar, quando você não quer usar você fecha, e Como é que fala? Esqueci a palavra em português, cara. Ele inibe o percevejo, né? Se o assunto era percevejo, melhor ainda, porque tá fechado, percevejo não entra.
Mas, cara, a gente chega, o Igor tava zoando do álcool. A gente não anda com álcool, mas a gente anda com álcool líquido, um frasquinho pequeno, e a gente anda com uma toalhita, né? Como é que a gente fala toalhita no Brasil?
É uma toalha pequenininha.
É lenço umedecido, só que não essa, tem uma da Dettol. Olha, já fica a recomendação, propaganda gratuita. Desculpa, tem uma da Dettol que tem álcool. Então, cara, assim, ó, a gente abre a porta e limpa tudo, limpa a cabeceira da cama, o armário.
Vocês limpam? Isso é verdade? Vocês limpam mesmo?
Não é possível!
Todo mundo que chega depois da gente pega um lugar melhor do que antes. Não tenho a menor dúvida. A gente limpa tudo com toalhinha.
Caraca, limpa tudo?
Não, mas peraí, peraí, calma aí. Vamos com calma. Mesmo que você fique num lugar 5 estrelas, vocês vão passar esse detalhe?
5 estrelas a gente passa tudo. E eu te falo por quê, cara. Um, a gente tem toque. O outro, quando eu tinha 21 anos, eu fui para o Canadá trabalhar de camareiro. Então eu vi o backstage, velho. Então assim, se vocês não fazem, eu recomendo que façam.
Caramba, mas aí é muito doido conhecer o Davi assim. Assim, porque o que eu vejo no Instagram é um bicho raiz doideira indo, andando no esgoto. Que doideira, meu!
Mas eu sou, velho, só que eu sou fora, né? Eu preciso chegar em casa e ter um lugar para tomar banho e ficar limpo, né? Fora não tem problema, eu posso estar sujo, pode, cara.
Eu tô imaginando o Davi pegando o controle com uma luva cirúrgica, não deve nem encostar no controle remoto da TV.
É por aí, é por aí. Mas é isso, cara, limpou tudo.
De 0 a 10, qual a chance de você usar uma banheira de uma acomodação?
Menos 30.
Caralho, eu uso sempre.
Não, você deita na banheira?
Deito total.
Nem fodendo. Nem fodendo. Nossa, nem a pau, velho. Os cara treparam ali, você vai deitar na banheira, velho?
Ah, não.
Com certeza alguém trepou na cama que eu tô dormindo hoje.
Deito na banheira total.
Tipo, eu tô numa estadia, com certeza alguém já trepou na cama que eu tô dormindo hoje. É, eu tô viajando, não tem como.
Ok, mas você coloca o lençol, né?
Será que trocaram o lençol?
Não sei. Ah, então. Aí, ó, aí eu volto pro...
É, pior que eu nem penso em dar uma esfregadinha na banheira antes.
Pior que eu também não. Eu tô com o Igor nessa, eu não imaginei que eu fosse dizer isso, mas eu tô com o Igor nessa.
É, mas eu ligo a água bem quente também, né? Deve dar uma desinfetada. Eu sei que não é fervendo, mas deve desinfetar ali.
O Richard fala que eu fico numa sopa quando eu tô na banheira de tão quente que é. Então eu acho que eu desinfeto.
Quem diria que o ego estaria sendo acolhido pela Lana aqui? Isso aqui é insano. Parabéns, Davi, você conseguiu unir o mundo.
O Davi devia estar na pauta de higiene com a gente, porque eu nunca vi isso no mundo da viagem.
É outro nível, outro nível. Imagina, você acha que o Davi ia tomar o banho de xixi de vaca lá que nem o Rafael fez, mas nunca que ele ia fazer.
Eu, cara, eu na rua eu faço tudo isso, só que eu preciso, como eu faço essas coisas na rua, velho, eu preciso chegar em casa e ter um lugar que eu limpo, que eu consiga descansar, velho, porque eu sou muito, é muito, nós somos muito raiz, velho.
Dá para ter empatia, vai, dá para. Tô dando aquele abraço, aquele abraço bem assim de acolhimento, tá? Mas não tanto.
Não, não, mas eu admito, eu sou da limpeza.
Eu adoro porque a gente vai revelar características nossas. E somado a isso, a pergunta que eu quero saber é: abriu a geladeira e aí o último hóspede deixou coisas boas, salames requintados, coisas maravilhosas, coisas de alto requinte. A pergunta é: vocês pegam ou não? E assim, se não pega, tem um critério? Ah, você tá aberto, eu não pego.
Eu acho que depende, porque porra, tá mordido, Cainan, pelo amor de Deus, né? Aí você já pulou, corre do mundo.
Eu não duvido que o Igor fale, né? Eu como, eu não duvido. Se for Alana, eu não duvido de— eu tenho que partir da premissa que tudo é possível nesse programa aqui, tá?
Eu não duvido.
Vai que é o melhor chocolate suíço que você sabe que custa 300 euros.
Como?
O cara deu uma mordidinha naquele quadradinho, você não pega ele?
Eu corto em volta da mordida dele e como o resto. Mas onde ele mora, né?
Se fosse 300 euros, eu faria também.
Aí, ó, tudo é uma questão qual é o preço da comida que tá na geladeira. Eu queria saber.
Não, eu acho que vale da comida. Conta nos bastidores.
Se você e o Richard encontraram uma garrafa de vinho, uma garrafa de vinho tinto, alguma coisa assim?
Garrafa, se fosse uma garrafa seria bom. A gente encontrou um galão de vinho branco de Montenegro. Não, era de Montenegro não, era albanês. E era um galão acho que de 5 litros de vinho branco aberto na metade. A gente cheirou, né, porque eu fiquei, sei lá, que cheiro de vinagre, né, não sei. Tinha um cheirinho de vinho, aquele cheirinho alcoólico gostoso. E eu e o Richard, a gente nem A gente já pegou duas tacinhas ali, não lavamos o copo, porque nós não lavamos a louça que está lá na estadia, e já colocamos pra dentro.
E aí o pessoal no YouTube falou, vocês estão malucos, vocês estão bebendo vinho que tava aberto aí sei lá de quanto tempo. Eu falei, gente, é vinho, quanto mais tempo melhor, tá tudo bem, tava na geladeira, tá tudo bem, não morremos.
O copo sujo faz parte desse pensamento também?
Claro, é anticorpos. O pensamento do copo sujo é anticorpos, entendeu? Eu estou o quê? Treinando o meu corpo para quando eu chegar na Índia.
Cara, eu não beberia nada aberto na geladeira. Eu tenho— eu não sou nesse nível de alergia.
Eu acho que um galão de vinho eu beberia assim.
Não, gente, não era um leite, não era um iogurte aberto, sabe? Não era um suco também. Tá tudo bem isso daí, eu não vou beber. Mas era um vinho, e eu assim, eu acho que era um galão de vinho branco que os anfitriões deixavam para os hóspedes irem bebendo com o passar do tempo.
Então eu entendi que isso é coisa barata e releva. Se for uma coisa cara, essa é a régua do que consome melhor ou pior.
Você acha mesmo que um vinho de 5 litros era caro? Você jura mesmo que você acha que um vinho de 5 litros era caro?
No galão.
No galão, Kainan? Você acha que era caro?
Eu acho que um vinho em galão pode ser caro. É conceitual, é minimalista, talvez.
Kainan, é sangue de boi, Kainan. É baratíssimo. Era só pela experiência antropológica mesmo de beber o vinho?
É, eu beberia, eu beberia.
Você falou que a Charlotte come tudo, Igor. Charlotte sem rodeios, vai lá, pega a geladeira, o que sobra.
Ah, cara, a Charlotte é mais doida que eu, velho. Pra tudo.
Não, mas tem uma coisa que quando eu chego na estadia eu gosto de olhar, né, que eu acho que eu acabei nem falando. Eu gosto muito de olhar a cozinha. E eu gosto muito de olhar pra ver se tem temperos. Porque eu já cheguei a viajar com tempero na mochila, com um saquinho que tinha 8, 10 temperos. Pra ir cozinhando conforme eu ia viajando. Mas eu não tô mais viajando com os meus temperos. Então eu gosto de chegar no lugar e saber se já tem sal.
Se tem uma pimentinha-do-reino, se tem uma páprica, sabe? Se tem umas coisas ali, isso daí é muito bom. Isso daí, gente, sempre tá aberto. Aí você também não consumiria isso, Caimã?
Não, não, não. Não só nesse nível também. Mas eu tenho... Eu vou abrir meu coração pra vocês, tá? O que passa na cabeça do Caimã quando abre a geladeira e vê coisas. Eu tenho uma mente poluída de que a pessoa fez merda ou cuspiu nas coisas, ou eu tenho esse pensamento.
Cara, eu já pensei nisso em shampoo.
Então eu tenho esse pensamento. Aí, ó, então não tô sozinho. Obrigado, Igor.
Você sabe quem tem esse pensamento? Quem faria?
Não, nossa, discordo.
Não, talvez quando eu tinha 15 anos, talvez quando eu tinha 15 anos.
Mas o Máximo poderia ter 15 anos no último, né?
Poderia.
Exato, exato.
Eu nunca fiz isso, tá? Esse argumento vai para água abaixo, tá? Não vem não.
Eu falei faria, eu não falei que já fez. Eu falei que assim, se passou a possibilidade na cabeça, é porque tem um ladinho seu ali dentro que faria, porque já teve uma experiência.
Com 15 anos eu faria.
Eu já vi gente fazendo. Pegava assim, cuspia, cara. Eu já vi, já. Aí não sou mais amigo dessas pessoas, tá? Deixar muito claro. Então acho que por isso que eu tenho um pouco de receio de beber. Tudo isso para dizer, ouvinte, que você vê que a gente vai descobrindo no toque do Davi, do Igor, da Lana, a gente vai descobrindo qual é a relação com espaço. E aí beleza, entendemos, cada um tem seus—
Claro, posso falar uma coisa? Os ouvintes infelizmente são só ouvintes, eles não vão ver, mas eu vou mostrar para vocês. Vocês acham que é sério? A gente anda pelos esgotos, dorme com as baratas, não tem problema, mas em casa Isso aqui é um saco, como é que chama, hermético.
Descreva para o, descreva isso, vai descrevendo para os ouvintes.
É um saco hermético reutilizável, ziplock, né? Aí a gente tem, cara, isso daqui muda a vida, hein, muda a viagem. A gente já vai falar de cozinha, mas queria mostrar isso aqui. Isso aqui é um Tupperware, cara, retrátil de silicone. Então, cara, o temperinho que a Alana falou, a gente anda com uma mistura aqui, ó. Então a gente, eu não ando com 20, mas eu faço uma misturinha E serve tanto para cozinhar, cara, quanto para— se eu faço um ovo na chaleira, eu tenho um sal com alho, com especiarias, um paninho que eu sempre lavo na pia com detergente.
E para finalizar, os talheres que são desmontáveis, né? Então, olha, eu não uso talher de ninguém, velho. Eu levo o meu talher aqui, ó.
Se eu precisar, você não usa os talheres?
Você vai no restaurante, você leva o seu talher?
Aí não é bom perguntar.
Eu De acordo com ele.
Não, que eu tava imaginando na Índia e tal. Não, o cara leva o próprio talher dele.
Mas pera aí, só entender, você tá numa acomodação, Davi, você tem a talher, você usa essa que você falou aqui pra gente, não usa da casa?
Ah, uso os dois na verdade. Cara, geralmente a faca é uma merda, né? Então eu uso a faca que a gente leva.
É, o Richard viajava com facão aí no Brasil. Não, era um facão que ele comprou no Mercadão de Juazeiro do Norte. Como era o nome da faca? Até esqueci o nome da faca. Tinha um nome, gente, era terceiro integrante do relacionamento.
Dinorá.
O nome da faca era Dinorá. Mas entre levar um facão, né?
Não é melhor levar um afiador de faca que é pequenininho?
A cara da Laila. A faca lá era toda estilizada, entendi, entendi.
Tinha uma relação. A gente vai trazer o momento que vocês levam para os espaços. Mas ó, entendemos aqui como é que é o primeiro contato de vocês na casa, se vocês pegam coisa na geladeira. Agora a segunda etapa, chegou na casa e tudo mais. Vou trazer também o momento como é que vocês escolhem tudo. Mas antes disso, quando vocês chegam nesses espaços, o que que essa acomodação precisa precisa ter para você se sentir em casa? Quais as características, né?
E quando tem essa, o que que faz você sentir em casa? Tem coisa que vocês fazem de ritual para se sentir mais acolhido? Você já sabe, o meu já vou trazer, porque na pré-pauta eu fui zoado, tá, gente, depois que eu mostrei. Mas o que que precisa ter para vocês? Precisa ter ar-condicionado, ventilador? O que que é prioridade? Isso somado a isso, vou trazer uma outra pergunta para não postergar. Fases da vida, como é que era vocês quando 20 anos, pobretão?
Parte da premissa que a gente melhorou de vida, tá? E hoje em dia com condições melhores, o que que mudou também nessa escolha de prioridades?
Não, acho que não é nem só de mudar de condição financeira de vida não, é de mudança de vida mesmo. Pô, 8 anos na estrada, gente, 8 anos eu sou outra pessoa. Quem eu era com 23 anos não dá para ser a mesma de hoje, entendeu?
A lombar não é a mesma, né? Lombar não é.
Não, a lombar não é a mesma, mas é que para mim também assim tem coisas que antes, pô, sair por aí acampando era mó legal, eu conseguia trabalhar dentro da barraca, Arca, não quero mais, não faz mais sentido para mim. Eu já vivi essa fase, já vivi essa experiência, estou satisfeita com essa experiência, não quero mais, tá tudo bem. Um dia outro, uma experiência outra, ok, não quero mais isso para minha vida. E beleza. Mas assim, o que eu chego e eu gosto que a casa tenha para mim: janelas.
Eu gosto de ver a luz do dia, gosto de ter ali uma circulaçãozinha de ar, gosto de ficar abrindo a janela mesmo quando tá frio, porque eu preciso ter circulação de ar na casa. Casa. Para mim, se não tem janela, nossa senhora, é uma agonia, agonia, agonia, agonia. E já ficamos em casa sem janela.
O Igor que o diga, né, Igor?
Eita, que história tem aí, que história tem aí!
Diga a paisagem maravilhosa que você ficou aí, que é aquela, foi bem no dia que a gente entrou, a gente fez um call, né, a gente se ligou por vídeo e você falou, que porra é essa atrás de você, essa janela aí? Era uma pintura, ouvintes, tinha uma pintura de uma janela com lindo visual Mas na verdade era só parede no meu quarto.
Mas parando para pensar, eu vejo um esforço da acomodação de tentar melhorar. Pelo menos fizeram uma pintura, tiveram um esforço, pelo menos.
Tentaram, mas não deram.
As fotos do Airbnb, né?
Famoso mentiroso.
Para Lana precisa ter janela, uma corrente de ar para você dar vida.
Mas precisa ter uma cozinha também para me sentir em casa, casa mesmo. Precisa ter uma cozinhazinha boa para... Ah, cozinha, eu gosto. Porque é isso, acho que como eu gosto de cozinhar, para mim cozinhar é muito importante. Então quando tem uma cozinha, eu já me sinto mais em casa.
Porque deixa eu dar um recorte melhor. Quando eu trouxe essa pergunta, o que faz sentir em casa, vamos partir da premissa que os lugares que vocês vão escolher no futuro é por pelo menos 2 semanas, vai. Não é uma coisa passageira, vocês vão ficar um tempo. Então tem esses fatores importantes para cada um, seja no trabalho, seja de se sentir confortável, enfim. Então pensa nesse recorte, tá? O que que é importante para vocês na acomodação para ficar um tempo maior?
Não é aquele de 2 dias e passagem, não. Você vai passar um tempo ali, ficar 2 meses na casa. Então lá na cozinha, Davi, o que que é importante para você? É um ventilador? É um álcool gel tubo 2 litros na pia da cozinha?
Cara, aqui a gente só tem mesmo toque com a limpeza, mas o resto é sempre frescura. Acho que a gente gosta de ter janela também, também, porque, pô, tá no lugar trabalhando sem janela durante 2 semanas não é legal. E aí depende onde a gente tá, né? Mas se for muito quente, aí precisa ter ar-condicionado. Ficar só no ventilador pra gente não dá.
Mas, Davi, uma dúvida: vocês falam tanto de sem janela, vocês caem muito, o Igor também, vocês caem muito lugares sem janela ao ponto de vocês trazerem e não ter janela?
É que eu acho que não é muitas vezes que a gente fica. É se você fica 2, 3 vezes, você já fica traumatizado pra vida. É horrível. Assim, acho que uma vez eu e o Thiago, nós ficamos 1 mês numa casa em Cusco que não tinha janela. Quer dizer, a única janela que tinha dava diretamente para o estacionamento da vizinha. Então a gente abria a janela e na verdade era o carro da vizinha e tava com toldo. Tipo, não era uma garagem aberta ainda, era uma garagem fechada, sabe?
Então era, enfim, a casa ficava muito escura, era muito estranho. E uma vez eu fui para as Olimpíadas do Rio de Janeiro em 2016 junto com 6 amigos e nós alugamos um Gente, não era nem uma casa, não era nem um apartamento, era uma caixa de sapato que não tinha janela, um banheiro, 7 pessoas, e era só de um cômodo. Tinha gente dormindo na cozinha. Então vocês imaginem, sem janela, nas Olimpíadas Rio de Janeiro, que cada um chegava mais bêbado que o outro, aquele cheiro de pum de taipava quente.
Nossa, gente, carnívoro ainda, né? Deve sair cada defunto.
Não, eu não tava com Richard na época, isso daí é 2016.
2016. Desculpa publicamente por rir de você. E para você, Igor, que quem pôr? Eu tô achando vocês muito tranquilos, janela. Eu quero, eu quero uma coisa que diz mais sobre vocês.
9 anos de estrada, né? Então tem que separar em 2. O Igor no começo, com dos 26 aos 30 anos, era exigência zero, era simplesmente o mais barato. Quarto possível. Não, não tinha nenhum requisito. A única coisa que fosse assim uma questão de alguns centavos de diferença, a gente priorizaria que tem banheiro dentro do quarto. Mas se for uma diferença para mais de $1, $2, vai com banheiro fora mesmo. Hoje a minha exigência é o extremo oposto. Hoje eu exijo normalmente uma piscina com vista e borda infinita.
Vai tomar no cu, Igor! Não, vai se foder! Real!
Pior que hoje, cara, eu olho só, eu só fico lugar 5 estrelas.
Não, não, pera aí, você tá agora, você tá sendo sincero. Eu entendo piscina, mas você fala piscina com borda infinita é para foder, né? Falando sério mesmo, sério, velho.
Hoje eu tô tanga frouxa total, total. Mas a parada para mim é o seguinte, eu acho que eu tô, antes eu Por exemplo, eu teria preconceito com Dubai. Eu uso essa frase. E hoje eu percebi que eu estou aqui para viver tudo que existe no mundo, o ouro e o esgoto. Eu quero ver tudo que tem sem nenhum preconceito. Antes eu não gostava de coisas luxuosas, hoje eu gosto, aprendi a gostar. Então é isso, hoje eu sou um tanga frouxo.
Eu acho que a vida viajante ensina muito isso para gente, porque eu tenho um lema Eu e Richard. Tudo é temporário. A gente pode estar na melhor casa que a gente já ficou, é temporário. A gente pode estar na pior casa que a gente já ficou, tudo bem, é temporário. Sim, então é tudo tão passageiro, é tudo tão itinerante na nossa vida que tá tudo bem, é tudo temporário. Então a gente pode estar numa casa que o chuveiro é ruim, que é uma biqueira.
Nossa, a gente tava numa casa lá no norte da Albânia que você tomava banho e o ralo tava permanentemente entupido. E aí você ficava com aquela banheirinha, sabe?
Que desligava, esperava descer.
Exato, você desliga para esperar descer, você fica com frio, aí você fica esperando ali todo ensaboado, aí ele tá, diminuiu 2 centímetros, você liga de novo, aí depois enche. Gente, transbordou no banheiro inteiro a água e não tinha um ralo do lado de fora. Enfim, assim, aí tudo bem, gente, eu só vou ficar 2 semanas aqui, tá tudo bem, é temporário. Assim, a gente tem muita resiliência, eu acho que na estrada, porque é isso, eu já fiquei em casas, eu já fui para uma press trip, eu não tava pagando, né, no Peru, e tinha banheira, tinha roupão, tinha serviço de quarto, tinha café da manhã na cama se eu quisesse.
Eram uns negócios assim absurdos. Falo, gente, então você aproveita muito porque você sabe que vai acabar. É tudo temporário, tá tudo bem.
E um ponto também importante, assim, por exemplo, uma coisa que tá super no meu checklist é cruzar o Japão de bicicleta, cara. E eu vou de barraca, eu não tenho problema nenhum em fazer um rolê de voltar a acampar e tudo, mas é um rolê. Antes era, meu, era a única opção. Já viajei para cacete que era, meu, eu vou acampar aqui, só vou ficar acampando para não gastar dinheiro. Hoje é por opção.
E também tem o lance de você, cara, como se você tá trabalhando ou não, né? Porque para mim, por exemplo, na nossa vida a gente não pausa. Então não volto para casa, a nossa vida é na estrada. E é na estrada. Então, cara, eu não— hoje, claro, eu saí do mundo corporativo, que era aquele cara que viajava em lugares confortáveis por 15 dias, para o mochileiro hardcore, cara, que contava as moedinhas e ficava no mais barato. E para aí começar a ter, precisar de lugar mais confortável para trabalhar.
E aí depende também, né? Eu também não tenho o menor problema de ficar em hostel, mas se eu preciso trabalhar Ah, pô, não dá para ficar num hostel, não dá para acampar, dividir barraca, isso não dá para fazer. Depende muito do seu propósito e, cara, o tempo que você fica, né? Porque se você fica ali 2 dias num lugar que é para você conhecer, cara, foda-se onde você vai ficar, né? Agora precisa trabalhar 3 semanas, não precisa ter a piscina com borda, mas talvez uma piscina lá embaixo do prédio, senão um refresco às vezes, sabe?
É muito diferente, acho que Não tem certo e errado, né? Mas é só o que você busca.
E uma coisa legal, quando a gente trouxe na pré-pauta, eu perguntei para vocês, para todos nós, né? O que faria a gente ficar num hostel de novo? Partindo da premissa que a gente quase não fica mais em hostel, pelo contexto da vida e tudo.
Eu fico. Se eu vou viajar sozinho, eu vou em hostel, se eu tô sem a Charlotte.
Mas a pergunta é o que seria um bom hostel? Foi o que a gente foi unânime: um bom espaço social. Não é a cama, não é, é um bom ambiente social. Só que faz tempo que eu não pego.
Eu acho que eu não concordo com isso.
Assim, até na América Latina Para mim, eu achava hostel muito mais fácil no Brasil, na América Latina, com área social do que eu tô encontrando aqui na Europa. Aqui na Europa eu não tô achando tanto lugar com área social. Isso para mim é muito bizarro, é muito estranho. Tipo assim, gente, o objetivo do hostel não é socializar, sabe? Mas aparentemente o objetivo aqui, pelo menos que eu tô achando, é muito mais viajar barato do que socializar.
E às vezes não é nem viajar, é os cara local que estão tipo procurando emprego, que não sei o quê, os cara meio mendigão. Na Europa eu já vi É moradia baratésima, cara.
Você me fez lembrar de uma coisa antes de o Davi falar o que que ele discorda, mas, cara, na África, continente africano, era bem comum inclusive ver plaquinhas assim: proibido ficar mais de 3 semanas ou 2 semanas. Assim, você não pode morar e ficar 3 meses pagando, né? Então assim, aparentemente acontece se deixar. E Davi, você falou que não concorda lá.
Cara, primeiro que isso acontece muito na Índia, né, cara? Você vai nos hostels, você chega lá, os cara, meu, tá parecendo, cara, sei lá, um campo de refugiados, que os cara pendura, eles fazem as próprias cortinas, penduram as toalhas de um jeito, eles montam uma casa dentro do quarto. É engraçado, é legal para conviver.
E eles são moradores do lugar, moradores, e é por moradia barata mesmo.
É interessante, é um povo, cara.
Na Índia, se for ir hostel, tem que ir hostel de boy. Tem umas redes de hostel carinho.
Cara, não necessariamente de boy, tem que ser hostel de cadeia, não de boy, tem que ser de cadeia. Tipo, tem uma cadeia que chama The Hostler, que é que a gente ficou pra caramba. Não tem os moradores.
Ah, sim, sim.
Ah, cadeia de rede, tá.
Eu também fiquei confuso, eu falei, cadeia?
Eu também, eu tava achando que era um carandiruzinho ali.
É uma rede que você quis dizer, uma rede de cadeia.
Você falou cadeia, eu pensei que era presidiário, prisão. É uma cadeia de...
Uma cadeia, porra.
Uma rede, uma rede de hostel.
É uma rede, porra.
É rede de hostel.
Porra, vocês não falam cadeia?
Rede, rede.
Não, você fala uma cadeia de McDonald's?
Você tá traduzindo de chain, eu acho.
Claro, uma cadeia de lojas.
Claro.
É, eu acho que tá traduzindo de chain.
Não, cara, também fala em, é, sei lá, pode ser.
É 3 contra 1, Davi.
Claramente Faria Lima não sai da pessoa, né?
Não, mas eu acho que existe. Depois os ouvintes que comentem aí, não sei onde que dá para comentar, comentem se existe ou não. Mas, mas, cara, é isso aí, existe isso na Índia. Eu, para mim, cara, não, eu para mim assim, ó, eu sou um cara que não gosta, eu não sou fã de hostel, ipsis litteris, porque eu, quando eu quero conviver, eu quero conviver com locais. Eu não gosto de conviver com viajantes. Viajantes. Vai, soa muito antipático isso, antipático, mas foda-se.
Eu não gosto de conviver com outros viajantes, eu gosto de conviver com locais. E hostel é uma merda que você não encontra locais. Então assim, quando eu quero convívio social, eu vou para Couchsurfing. Eu sou apaixonado por Couchsurfing, cara, adoro Couchsurfing. Eu vou para Couchsurfing e é lá que para mim existem as melhores experiências de viagem. Eu vou para hostel só por dinheiro, cara. E aí o que que eu preciso? Preciso de uma cama confortável e uma cortina, cara, que eu tenho muita raiva quando não tem cortina. Mas é isso, eu por convívio social não, eu vou para casa de surf.
Eu discordo um pouquinho do Davi, é porque aí que tá também, a minha experiência maior é na América Latina. Na América Latina tem muito viajante, tipo, pô, argentino fica muito em hostel. Então se eu ficar em hostel na Argentina, eu vou encontrar argentinos, eu vou fazer amizade com argentino. No Peru fiz várias amizades, na Colômbia a mesma coisa, e tudo com pessoas locais, só que eles não eram daquela cidade. Então assim, é uma pessoa de Mendoza que tá viajando em Bariloche, e aí ela vai ficar num hostel.
Então, porra, dá super para fazer, depende do lugar. É isso que eu tô falando, a minha experiência é muito América Latina. Aqui na Europa a gente encontrou muitos espanhóis viajando em hostel quando a gente tava lá nos Pirineus da Espanha. Então tinham espanhóis também que a gente fez amizade, que eram pessoas locais, E o que eu gosto também de host, de conversar com viajantes que não necessariamente são pessoas locais, que eu sinto muita falta na estrada, é de ter conversas profundas sobre a vida viajante e que os locais não vão entender.
Os locais não são pessoas itinerantes, as pessoas elas moram ali. E eu tenho às vezes muita saudade de trocar essas conversas mais profundas com alguém pessoalmente, olho no olho, entender as dificuldades daquela pessoa, os dilemas daquela pessoa. Isso só outro viajante vai entender. Então para mim também a troca no host é esse momento de desabafo, sabe? Esse momento de vamos se acolher aqui. Não, eu fui viajar sozinha agora mês passado, né, que eu e Richard a gente viaja junto, mas a gente sempre viaja separado porque a gente gosta muito.
E putz, eu fiquei no rosto de um turco, cara, ele era muito legal, muito gente boa, e todas as pessoas ali eram muito legais. Eu fiz muitas amizades muito profundas lá e não tinha nenhum local, não tinha ninguém do Kosovo ali, né, mas putz, foi revigorante.
Revigorante.
Mais para frente, Laila, eu vou trazer essa questão das acomodações que a gente fica e também com relação com espaço social, né? Porque pode ser que você fique num quarto. Então vou trazer esse aspecto de interação. Deixa eu só fechar o tópico lá que eu trouxe do que vocês sentem confortável. Você trouxe, vocês trouxeram a piscina do Igor lá de borda infinita, mas eu vou destrinchar um pouquinho mais trazendo o meu para ver se vocês revelam um pouco mais de vocês.
Mas para mim, tirando assim ar-condicionado, bom chuveiro, internet, que eu acho que é o padrão, O que que para mim me faz sentir em casa? Obra de arte na parede. Cara, eu já fiquei em lugares que a parede é pelada, isso me dá incômodo porque eu nasci numa família com muita coisa na parede, não tem espaço vazio. Então lugar, essa coisa minimalista é o caralho, é horrível inclusive, mas assim, lugar que não tem nada na parede é uma merda.
Então isso me faz sentir em casa quando tem. Aí tem coisas ao contrário que me dá, isso me dá agonia de fato, e eu viro o tio ranzinza quando acontece. Se eu chego em acomodação e tem planta de plástico, você quer ver o incomodado com a gente?
Exatamente.
Eu queria muito que os ouvintes conseguissem ver essa cena, gente, atrás do Igor. Para vocês, vocês estão entendendo? É uma parede forrada, é uma selva amazônica, só que é plástico.
Não, Igor, não, vou trazer bastidores aqui. Isso aqui é pauta de acomodação, mas tem que puxar. Aí conversando, ele tava montando o cenário dele bonitinho e ele tinha um cacto de verdade bonitinho. Aí eu falei, porra, Igor, esse cacto tá muito legal, dá para você colocar um chapeuzinho nele mexicano, um chacoalho Vai ficar legalzinho de fundo.
Mas tava do lado do aquecedor, perguntas se o Igor conseguiu.
O Igor matou um cara. Assim, eu não tô, não é defendendo nada não, mas assim, ter uma casa alugada com planta de verdade, as pessoas não sabem cuidar. Se a pessoa fica lá um mês, a pessoa vai matar as plantas. Ah não, eu acho, eu acho horrível, eu acho Péssimo.
Não, não, não, eu não tô fazendo juízo de valor, eu tô falando como eu me relaciono com o espaço. O que o outro colocou ali me dá agonia. Eu falo assim, você, esse cara, tipo, se eu fosse lá visitar o Igor agora, entrar nesse estúdio dele, eu falo, puta que pariu, Igor, vamos muito trabalho.
Mas é impossível ter isso de verdade.
Não é impossível, mas é que dá muito trabalho.
Dá para ter parede assim interna?
Dá para ter parede assim, cara, pior que dá.
É? Vou trazer um paisagista aqui então. Não sabia.
Não, não, eu vou te mandar um vídeo porque eu e Richard, a gente quer muito construir um sitiozinho um dia, né? Então A gente tem uma pasta que a gente vai se mandando referências de coisas que a gente quer ter no sítio. E tem uma parede que é assim, que a gente gostaria muito.
Não sabia, eu achava que era impossível.
Imagina, cara, a parede dessa de verdade, encher o cu de formiga, cara.
É, eu também imagino.
É, vai ficar legal, Davi. Não é terra, não tem terra atrás da parede. Não tem terra atrás da parede.
Mas tudo para dizer, eu quero saber de vocês essa parte acomodação. Então tô trazendo os meus mais afunilados. Então o meu é a questão das plantas de plástico, parede preenchida com coisas. Que mais que eu coloquei? Ah, isso aqui é um— isso aqui é pessoal. Eu gosto daquela cortina, não é corta-luz, aquela cortina que quando bate a luz dá aquela— cara, que aliás, luz branca é horrível. Quem tem apartamento, acomodação com luz branca de escritório é uma merda.
Tem gente que gosta, inclusive, eu acho uma loucura. Não sei onde ela não tá agora, tá com uma luz branca. Eu falo, gente, por quê? A luz branca não tem—
Mas se eu não me engano, aqui, se você, tipo, é muito legal aqui, é que a luz branca, se você liga uma vez ela fica branca, se você liga duas vezes ela fica amarela, sabe?
Aqui eu tô fazendo juízo de valor, esse é o programa para ser vulnerável. Mas assim, se você gosta de luz branca, você não sabe o que que é sentir acolhido por uma luz quente, gente. A luz quente não esquenta hoje em dia. Bem, esses são meus componentes, tá, de um bom lugar acolhedor, tá? Então assim, é uma plantinha, uma luz quente, E que mais? Ah, e para encerrar esse meu tópico, né, porque eu fui zoado, eu carrego comigo, o ouvinte não vai ver, mas eu carrego o meu limpador perfumado Koala sabor canela, tá, que eu gosto de passar.
Pessoal dá risada, gente, isso aqui é a melhor coisa. Comprem, não tá pagando nós, pague Koala aromatizante, tem sabor canela, cara.
Pesquise no Google isso, gente, vocês vão ver como o Cainan é tutti frutti, mas tutti frutti muito Fruity, dá nem para entender, gente.
É um cheiro gostoso.
Pelo menos tem cheiro, mas não é coala de canela. Pelo menos tem cheiro.
Eu passo o negócio para limpar, não é para dar confusão.
Mas isso é álcool com cheiro, gente.
Gente, isso é óleo, gente.
O cheiro de canela não é gostoso? Não te abraça o coração?
É maravilhoso, abraça o coração, mano.
Quando eu passei antes da gravação, porque eu quero, eu vou testar essa porra, eu vou comprar esse Vou pegar agora para testar, vou colocar aqui na minha mesa, cara.
E para você ter uma ideia, eu e o Richard, quando a gente morava na Bahia, a gente ficou numa casa que era no meio do mato, assim, entrava bicho, meio do mato mesmo, assim, a gente gosta. E só que tinha muita mosca quando tinha muito sol de dia, então quando a gente ia cozinhar entrava muita mosca. E aí eu vi uma vez que tinha lá a solução de você pegar o frascão de álcool mesmo, colocar cravo-de-canela e canela também, os, como é que fala, né, aqueles uns negocinho de canela lá dentro e deixar por uma semana.
E aí vai escurecer aquele álcool. E aí você passa nas bancadas aquele álcool e passa um paninho, a casa fica com um cheiro delicioso. E as moscas não entravam mais na casa quando a gente cozinhava. E a partir disso, toda casa que eu e Richard íamos e ficávamos 3 meses, 2 meses, eu fazia essa solução. Às vezes o Richard fala, Lana, vamos fazer a solução de álcool com canela?
Toma essa da vida! É muito bom!
Tá até no meu ClickUp, no meu gestor de tarefas. Comprar koalas de canela.
Comprar, gente, é maravilhoso!
E tem cheiro de alecrim, tem lavanda.
Não é que fica com cheirinho de casa? É, não fica com aquele cheirinho tipo de água sanitária.
Cara do Davi, o Davi, nossa, vamos comprar esse koala aí.
Aí que o Davi tem TOC, ele deve gostar de água sanitária.
Não, mas eu Mas o Kainan, você tinha falado que era um óleo.
É um óleo concentrado de cheiro de canela. Ó, tá escrito aqui, eu vou ler, ó. É um limpador perfumado de—
Mas é gorduroso?
Não, a ideia é que se você passa, você não é— você espera secar um pouquinho.
Mas se eu passar na madeira assim, você vai ficar grudento?
Não, não vai. É para acolher, Davi. Tudo isso é para acolher, é para sentir em casa. Eu vou trabalhar, vou trazer, vou fazer a transição, fazer o gancho já. Tamo no Airbnb, tamo lá trabalhando, porque nem todo viajante tá só de férias, né? Também está trabalhando ao mesmo tempo. E às vezes o que vira escritório é a cama, é o sofá. Meu ritual para me sentir em casa, eu tenho que gravar. Primeira coisa que eu faço, passo um paninho Veja, né, a primeira camadinha para tirar sujeira, e aí eu passo meu coalhinha, que o cheiro— brincadeiras à parte, o cheiro do coalho de canela me faz bem.
É um momento assim que eu me concentro com cheiro, eu sou muito do cheiro. Ela não sabe disso, cheiro para mim é muito importante, e som. Então eu faço meu ritual. Aí eu queria saber de vocês, deixa eu ver aqui a pauta, gente, que eu não sei tudo de cabeça, né. Pera aí, aguenta aí, lembrei. Para vocês, durante acomodação, o que que é uma boa estrutura para trabalhar? E aí vou trazer, obviamente, calma, calma, deixa eu trazer a pior situação primeiro.
Pera aí, eu lembro que quando tava eu, Lando e Richard, a gente tava no Paraguai. A lança, até sabe qual que eu vou falar, era a casa da Barbie. Assim, eu não sou muito grande, tá, o Richard também, eu tenho 1,76m, o Richard deve ter também por aí, né, cara. A gente ficou numa casa que em tese tinha tudo de bom, tinha uma internet, tinha ar-condicionado, mas tinha dois grandes problemas. A internet só funcionava na sala principal ou fora, ou seja, você tinha que sair do quarto com ar-condicionado para internet funcionar. E dentro do—
nós estávamos no Paraguai, 48 graus na sombra, uma merda.
E a outra que a mesa era muito pequena, parecia de Barbie, nós três parecia numa casa de boneca, cara. Era impossível, eu não consigo trabalhar. A idade bateu, a lombar não é a mesma, mas eu tenho dificuldade. Eu admiro inclusive quem consegue trabalhar em acomodação e ficar no sofá, e é uma escolha, tem gente que faz por escolha que eu falo, puta que pariu, cara, que habilidade você conseguir ficar no sofá.
Eu acho que é mudança de vida assim. Eu ainda hoje consigo sentar no sofá e escrever, por exemplo, se eu tiver que escrever. Mas se eu tiver que editar um vídeo, me dá uma cadeira e me dá o mouse.
Mas você consegue?
Mas se eu tô— porque eu escrever, tipo, se eu tô mandando uma newsletter lá do Cartão Postal, computador no colo, sofazinho, escrevo. Porque eu também tenho muita agonia de ficar no mesmo lugar da casa atrapalhando trabalhando por meses, tipo, por semanas. Então eu gosto de mudar, sabe? Eu gosto de ter uma movimentação, trabalhar na cozinha, se tem bancada. Ai, eu acho legal. Mas é curioso porque, tipo, eu odeio trabalhar de café, odeio ir para uma cafeteria ter que trabalhar, não gosto.
Eu sei que tem gente que gosta, muita gente gosta, não gosto. Eu acho que eu fiz isso tipo 3 vezes na vida, não gosto. É diferente, né? Cada pessoa, cada pessoa. Mas para mim, a mesa, tipo, eu sou baixinha, então para mim a altura da mesa nunca me incomoda tanto. Porque é difícil uma mesa ser muito alta para mim ou muito baixa, porque eu já sou baixinha. O Richard, o quê? Primeira coisa que ele chega, ele vê a internet e aí ele vai ver a mesa e a cadeira.
Se a mesa for muito baixa, já começa com as gambiarras. A última gambiarra que para mim foi uma das top 10 que ele já fez na viagem foi aqui também na Albânia, que a mesa por algum motivo era baixa, não era tão alta, só que ela tinha o pé da mesa era grosso assim, não era fino, aquelas mesas mais pernas finas. Então o que ele fez? Pegou 4 rolos de papel higiênico e colocou embaixo de cada pé da mesa para levantar pelo menos ali uns 10 centímetros. Juro, funcionou.
Tem que comprar o suporte do laptop.
Ah não, a gente tem suporte do laptop também, mas é que mesmo assim, mesmo com suporte do laptop, se a cadeira, a mesa é muito baixa, você ainda vai ficar curvado, né?
Engenharia do viajante.
Não, gente, é gambiarra do viajante. É aqui na Europa, eu tô odiando esses chuveirinhos que você, tipo, ele sai, o chuveirão é o chuveirinho. Acho que assim eu consigo explicar direito. O Carnaz entendeu ou não?
Ele pode, ou você, ele só é o chuveirinho, né? Aí você pode colocar ele para encaixar, para virar o chuveiro.
Exatamente esse. Só que tem algumas casas que a gente tá ficando em que o suporte para você deixar ele é frouxo. Ele cai e começa a jogar água na parede. E aí eu já comecei, gente, e pô, eu tenho que lavar o cabelo, né? Não é como se eu pudesse ficar segurando toda hora. Você faz o quê aí?
O europeu, ele toma banho normalmente de chuveirinho. A Charlotte toma banho só de chuveirinho. E eu gosto do chuveiro cair na cabeça.
Eu gosto de chuveiro cair na cabeça, gente.
É, eu também.
Gente, chuveirinho, ela usa o chuveirinho, é muito ruim.
Gente, ela faz isso aqui.
Por isso que europeu não toma banho muitas vezes, óbvio, né?
Gostoso, muito ruim.
Tirando que a água daqui só tem calcário, né? Eu, se eu fosse europeu, também não tomava banho, pelo amor de Deus. Água podre.
E você, Davi, em questão de quando você tá trabalhando, qual é uma boa estrutura? O que que te incomoda? O que que te agrada? É uma mesa de cedro com aquele óleozinho de verniz?
Cara, eu sou zero fresco, velho. Eu preciso, eu não consigo, eu preciso do mouse, né? Então preciso de um lugar para colocar o mouse. Preciso de uma boa internet e é isso. Eu não sou muito fresco.
Tô dando risada que você é zero fresco, porque você tá falando do pano de álcool, Davi.
Cara, mas é só, o pior é que é só isso, velho. É só, eu só preciso de um lugar limpo.
A tradução é, você tá quantos anos na Insider, Davi? 4?
Quase 4, é.
É, isso daí é um bom exemplo, é um bom exemplo, porque 4 anos eu nem tinha mouse para trabalhar.
Não, mas aí depende do que você faz, né, cara?
É, editar vídeo é foda.
É o que você falou, se você tá escrevendo não faz diferença. Eu não tenho essas, ai, eu preciso... Olha a cadeira do Igor, velho. Olha a cadeira do Igor. O Igor tem uma cadeira de gamer, um fundo com planta de mentira e uma parede colorida.
E uma mesa que levanta sozinha.
Parece a mão do Thailand Tutti Frutti.
Não, não, não, não, não. É isso que eu ia falar agora. A mesa dele é meu sonho de consumo. Eu vou ter uma mesa igual a essa quando eu tiver no meu sitiozinho, gente. Caso os ouvintes obviamente não estão vendo, os ouvintes que não estão entendendo, o Igor agora ele está desaparecendo na tela porque a mesa dele está subindo.
É que a minha câmera ela também ela ela muda o foco para mim.
Não, a câmera do Igor persegue.
A câmera te segue?
A minha câmera me segue. Ó, se eu levantar.
Fia da puta, Igor.
Olha aí.
Como assim, Igor? Gente, o Igor está andando pela sala e a webcam dele tá seguindo ele.
O Igor tá no outro nível, tanga frouxa total, galera.
Não, mas a mesa não desce automático, né?
É o quê?
A mesa não desce com você sentando, você tem que apertar o botãozinho.
Não, ela tem, ela tem 4 ou 5 níveis salvos, posso deixar salvo aqui, aí eu só apertaria o número e ela Veria.
O Igor não vai precisar colocar 4 rolos de papel higiênico embaixo, é outro nível a discrepância.
Nunca, nunca, gente.
Tal, galera, gente, eu acho que varia muito, né? Porque o que a gente falou, no começo da estrada eu trabalhava de um jeito, trabalhava com algumas coisas, agora eu trabalho com outras. Então mesmo, sei lá, eu tinha que editar um vídeo na estrada 5 anos atrás, eu tava tipo, beleza, eu tô aqui na beliche do hostel, perna para cima, e vou editar aqui no mousepad aqui do computador. Agora, gente, sem chance de fazer isso. Agora eu preciso de estrutura.
Mas uma coisa que me deixa muito triste chegando na estadia é ver que o lugar ele é meio que genérico, sabe? Quando a casa parece que é um quarto de hotel.
É que a gente parte da premissa, vamos lá, falando de Airbnb, você parte da premissa que não é um hotel, tem vida, tem pessoa. Essa é a premissa, né? Então você espera que tenha, que é uma casa.
É assim, uma coisa, a gente tava em Kosovo e há um tempo atrás a gente chegou lá E pô, a gente vai abrir as gavetas, né? A gente vai ali descobrir, garimpar um pouquinho a casa. A casa realmente tinha gosto de casa, digamos assim. E nas gavetas tinha VHS da família toda, tipo, escrito em línguas que a gente nunca vai entender o que era naqueles VHS, e álbum de fotos. E a gente sentou no sofá um dia, eu e Richard, começamos a olhar álbum de fotos como se fosse nossa família, tipo, olha só que linda aquela festa, tipo.
E foi muito legal porque aquilo era uma casa. Casa. É uma casa que a gente ficou na Bósnia, tinha aqueles ímãs de geladeira, tipo chá de bebê de um ano, sabe assim, tipo aqueles ímãs que tem uns bebês.
Eu acho que até um ponto para a gente trazer, porque a partir do momento que você tem um álbum de foto, você vê quadro do pai ou da pessoa que mora ali, até o cuidado em relação com o espaço muda. Como você sabe que aquilo ali não é somente o mercadológico, né? Se você sabe que tem pessoas que moram ali, muda também como você lê o espaço. Então você vê o álbum, você vê um VHS, você vê que tem—
eu acho que eu me sinto mais confortável. Aqueles quartos que parece um É isso, parece hotel, parece um consultório de dentista. Com todo respeito aos consultórios de dentista, perdão aí, vocês vão entender o que eu tô querendo dizer. Não é, não é uma crítica, mas é porque não tem ali um acolhimento, entendeu? É tudo muito branco, tudo muito neutro, sabe? Não tem uma vida ali, sabe?
Eu adoro.
Você gosta da vida?
Para com isso, adoro encontrar álbum de fotografia. Que pavor que eu tenho Meu Deus do céu, amor, por quê? Não, me deu, me deu o consultório de dentista com boa internet, limpa, amor, câmera.
E você tá perdendo a humanidade.
Mas por quê? Não, calma, calma, calma, não, já não tem humanidade. Me explica isso daí, pelo amor de Deus. Por que que você não gosta de ver um álbum de fotografia?
Não entendo.
Não, mas, cara, assim, ó, e tudo isso que vocês falaram, ah, o álbum de fotografia, o Cainan gosta de ter um quadro na parede, Cara, isso para mim é poeira, é molhando poeira.
Você já falou que você não gosta de rosto, você já leva. Davi, você vai sair mal visto pior que eu nesse programa, viu? Você vai repensar duas vezes se vai participar nas próximas vezes, porque você não gosta de interação.
Eu não tenho medo de julgamentos, gente.
Poeira, eu tô chocado.
Poeira, muito bom. Para mim é um bom lugar, é um lugar que não tem nada. Eu gosto de lugar minimalista, uma boa internet, limpo e acabou.
Cara, a gente—
é muito bom.
Não, o Davi assim, eu não preciso nem perguntar. A gente já tinha falado na pré-pauta e obviamente os ouvintes estão aqui com a gente, já sabem a resposta do Davi. Davi, qual que é a sua opinião sobre o self-check-in?
Adoro, adoro.
Igor, qual que é a sua opinião sobre o self-check-in?
Adoro. Acho prático, eu gosto também, eu gosto.
E aí, e aí, Kaique, conta o que que você acha do self-check-in.
Eu acho uma bosta, eu acho uma merda, eu acho um retrocesso, inclusive horrível.
Eu acho desumano. Assim, vamos lá, que pelo ponto de vista do anfitrião eu entendo demais, eu entendo completamente, mas eu acho tão bizarro a gente pousar num país e entrar numa casa sem trocar uma palavra com ninguém. Eu acho isso tão Black Mirror.
Eu vou só fazer um ponto, a gente volta depois em questão do que que vocês levam de kit para trabalhar as acomodações. Mas voltando para o self-check-in, vou fazer um desabafo. Sou do time Lana. O Igor, é que o Igor, pelo menos o tom dele assim, ele gosta, mas o Davi parece que ele ama, entendeu? Acho que o Davi tá indo para o nível assim.
Eu nunca parei para pensar nisso, na verdade.
Nossa, eu odeio!
Mas toda vez que tem self-check-in eu penso, ah, que prático!
Não, eu acho que ele é prático, mas por outro lado a interação com o espaço vai se perder. Por exemplo, tem uma coisa que eu eu vou trazer uma coisa de infância. Na casa dos meus avós, meu avô tinha um mural cheio de chaves antigas. Cara, uma coisa que eu já reparei várias vezes, eu gosto de chave. Tem as chaves, estão se perdendo na questão da arte de fazer a cabeça. Então assim, quando eu vou digitar, eu falo essa merda de minimalismo de botão sonzinho.
Assim, a chave, eu acho, cara, eu sou uma pessoa muito auditiva, gosto do barulho do som da chave girando de verdade, aquele tchic tchic. Abrir a maçaneta. Cara, isso são pequenos prazeres na viagem. Hoje em dia é tu tu tu tu tu. Vai lá, Davi, vai lá. O dia que eu for visitar o Davi, a casa do Davi, eu tô até imaginando, eu já vou chegar, é tu tu tu tu tu tu, nada na parede, planta de plástico, é uma cadeira, nada na parede, planta de plástico tem que dar para limpar com robozinho.
Mas assim, voltando para a pauta do auto-check-in, eu acho que tem esse problema que é a interação com as pessoas dos espaços, tá? Porque assim, conectado com acomodação, vamos conectar com a viagem. Obviamente há vários tipos de viajantes, há quem vai só para trabalhar, há quem vai para interagir, mas acomodação ela é uma parte importante dos locais que você conhece a pessoa. Por isso que o álbum de foto para mim, para Lana, não sei como é que, mas para mim é muito importante essas coisas.
Por exemplo, uma coisa que eu gosto do Airbnb quando eu vou, tudo bem que gosto estético é muito pessoal, mas eu prefiro ter uma casa com péssimo gosto estético, mas que eu consiga matutar assim qual o perfil dessa pessoa. Nossa, ela é uma pessoa que quer turística, mas ela tá nos anos 70. Eu gosto de tentar entender a personalidade da pessoa através da acomodação. Esse é um pequeno aspecto.
Eu não gosto também de minimalismo e eu gosto de identidade.
Por exemplo, o Igor gosta, agora não é brincadeira, mas ele gosta de casas com piscinas com borda infinita. Isso diz muito até do perfil das casas com qual ele vai ficar. E assim, perfis parecidos de visão, de carreira, acho que tem uma coisa similar, eu acho. Então diz muito pequenas coisas, né? Então, por exemplo, você vai numa casa que a planta é de verdade. Enfim, tudo para dizer que o auto-check-in ele acaba reduzindo esse espaço, né, de interação com os locais.
É prático, mas ser prático não necessariamente é algo bom. Acho que esse é o ponto.
Exato. Eu entendo a praticidade, principalmente pelos anfitriões. Eu acho que para eles deve ser incrível. Mas, porra, eu viajo porque eu quero conhecer os lugares e as pessoas. E chegar no lugar e ter alguém para pegar na tua mão e falar, olha, a padaria daquele lugar muito bom, o chuveiro assim, assim, assado. Tipo, gente, é 15 minutos, sabe? Assim, eu não tô querendo que a pessoa durma ali no quarto de hóspedes com a gente.
Se ela quiser também tá tudo bem, mas assim, é ter essa interação quando chega no lugar, você já chega um pouquinho mais familiarizado com o lugar. Isso me faz já sentir mais em casa.
Assim, eu não sei como é que é o Davi pro Igor, mas eu, quando eu vou ficar em hotel, eu gosto da recepção, de ser bem tratado. Olá, Mr. Kainan, Lorde.
Eu gosto quando as pessoas me tratam, eu Onde é que te chamaram de Lorde, velho?
Vixe, piada, pelo amor de Deus. A Lana sabe. A Lana, eu pedi um postal para ela que ela enviou. Você lembra, Lana, como é que eu coloquei?
O Arquiduque do Selo Extraviado.
A Lana falou assim: como você quer que a pessoa escreva? Coloque Arquiduque.
E eu escrevi: para Arquiduque do Selo Extraviado.
Tá vendo? Ele pediu tudo isso para mim. A interação é importante, mas eu entendo a praticidade. Às vezes você não quer interação, você tá cansado de uma viagem.
Eu acho que, claro, são recortes e recortes, mas no âmbito geral, eu acho que é muito legal, porque até quando a gente chega cansado de uma viagem, às vezes a pessoa ela tá ali também, ela entende aquela situação. Eu já recebi tipo, ai, vocês estão cansados, né? Tá aqui um copo d'água, ó, aqui a gente deixou uns chazinhos para vocês, sabe? Assim, tipo, eu gosto mesmo. Como é que eu não tô cansada?
Deixa eu fazer uma pergunta de acomodações para o Igor, para o Davi, para a Lana. Dentre os lugares, a gente vai trazer o bloco dos lugares que vocês ficaram e gostaram, porque seja pela arquitetura e os lugares também que vocês não gostaram. Mas qual desses lugares que vocês já ficaram por esse mundo ele foi tão incrível por causa da pessoa, do dono da casa, ou a maneira que recebeu? Ele foi fator decisivo. Tem algum espaço que isso foi o fator fundamental, seja porque ele era vizinho e te levava bolo?
Tem vários lugares assim, é difícil pensar só em uma história assim. Onde a gente tá aqui na Albânia, por exemplo, a gente já recebeu duas cestas comida da família. A última vez veio 4 pedaços assim de torta de espinafre quentinho, e tá um frio do caramba aqui. Então chegou assim, gente, bateu na porta, e ela não fala uma palavra em inglês, então a gente só fala em albanês, ou pelo menos eu acho que tô falando em albanês, né? E ela entregou junto com 2 mini panetones de pistache.
Que vizinha maravilhosa, hein?
Com recheio. Não, não, é a dona da casa.
Só uma pergunta, essa casa tem self-check-in ou é chave?
Não, essa daqui foi só o check-in porque ela trabalha durante o dia, não poderia receber a gente. Então ela falou, vou deixar.
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Isso aqui é editar, vai cortar, né, para favorecer a sua narrativa.
Isso aqui é muito bom, você acha?
Mas tá cada vez mais difícil, viu, Kainan, ter que ser recepcionado, tá? Principalmente na Europa, assim, a praticidade aqui conta muito, muito, muito.
E Davi, o lugar que você identificou que o fator da interação foi fundamental para aquele espaço ser maravilhoso?
Cara, eu acho que assim, ó, eu sou muito prático e eu acho que também tem muito a ver com o tipo de acomodação que eu uso. Então, por exemplo, eu, se eu tô muito a fim de trabalhar, e também já fica o ensinamento para quem quer virar nômade digital, né, dos ouvintes, eu acho que quando eu quero ficar muito tempo trabalhando parado num lugar, principalmente porque agora eu tô na Ásia, o que eu faço é eu vou fazer pet sitting. Então eu vou cuidar de animal em casa boa com piscina de borda infinita, que não vai me custar nada, e eu sei que eu vou ter uma boa internet, vou ter conforto, vou ter cozinha, vou ter tudo que eu preciso numa casa normal.
Então quando eu fico muito tempo, e muito tempo é, sei lá, mais de 3 semanas, a gente busca fazer pet sitting. Quando a gente quer uma coisa mais rápida e ter essa interação com os locais, a gente não vai para Airbnb, a gente vai para guest house, né? Aqui na Índia tem muita, aqui na Índia é um bom exemplo porque tem muito, tem muito Airbnb, tem muita guest house, tem muito hotel. E também é, pet city não tem muito, mas quando eu quero essa interação local, e cara, o indiano é tipo o mineiro da Ásia, os caras são muito legais, eles são muito simpáticos, eles vão te servir, eles vão trazer coisa.
Só que aí também tem o lado ruim, né, que é, e aí é que entra essa questão da minha praticidade. Quando eu quero essa interação, que eu faço aqui na Índia, a gente faz é guest house. A gente vai para guest house, que é, cara, o cara tem uma pousadinha assim, né, ele vai te receber como se você fosse da família, o quarto vai estar lá, vai estar tudo lá, cara. Só que assim, na hora que você chega, você tem que ficar meia hora conversando, ele vai bater e vai te interromper, independentemente daquilo que você estiver fazendo.
Ele vai te interromper, vai oferecer coisa, vai falar: vem aqui, vamos conversar. E, cara, se o cara fala inglês, pior ainda, porque ele vai ter muita curiosidade da sua vida. E eles têm zero filtro aqui, né? Então vai para conversa de: ô, quanto é que você ganha? Você é casado? Você tem filho? O que que você faz da vida?
Mas, cara, de amor ou arranjado, vocês dois?
Eles perguntam, eles perguntam se é casamento de amor.
Is love marriage?
Na cara dura, na cara dura. Love marriage, cara, pergunta quanto que você ganha. Quanto é que você ganha por mês?
Não, não, mas eu acho que o seu pai ganha.
Já perguntaram quanto meu pai ganha.
Quanto que seu pai ganha?
Eu acho que o do ganhar é uma coisa tabu brasileiro. Eu acho que é comum perguntar, mas eu acho que do casamento armado, eu acho que já é de uma, eu acho.
É que lá é quase tudo arranjado até hoje na Índia.
Ah, mas o arranjado no bom sentido.
Então love marriage Entendi agora. É porque o casamento de amor que eles falam é quando não é um casamento arranjado. Entendi.
Se chama love marriage, quando não é desse escolhido pelos pais. Agora entendi, tá, nesse aspecto.
Mas voltando para sua pergunta, eu acho que é muito do que que eu estou querendo fazer naquele momento. Então, os caras, se eu quero uma coisa mais longa, eu vou ou para um Airbnb, vou alugar um Airbnb, cara, que me permita trabalhar confortavelmente sem quadro na parede, ambiente sem VHS, que seja limpo e que tenha uma boa internet, cara. Senão eu vou buscar uma coisa mais guest house. Mas eu sou muito prático, quando eu quero trabalhar, cara, não quero conviver, não quero falar com ninguém, não quero que ninguém me enche o saco, quero só uma boa internet, uma mesa para colocar o computador, lugar para colocar o mouse e acabou.
E aí, cara, eu falando de mim, né, acho que nessas nossas conversas de viagem nunca tem certo e errado, acho acho que nunca existe certo e errado. Quando eu quero falar com pessoas, quando eu quero conhecer pessoas, eu busco sempre, cara, o mais autêntico possível. E para mim não existe nada mais autêntico que Couchsurfing. Então mesmo que eu fique tipo em Airbnb ou que eu pegue um hotel, se eu tiver muito a fim de conhecer o lugar, eu abro lá um meeting no Couchsurfing, né, e vou conhecer os cara local.
Acho que foi o que a gente tá falando, maneira fragmentada, só estágio da vida. No começo, hostel, pet sitting, Couchsurfing, Então, por exemplo, eu não faria mais kitesurfing. Foram 4 anos fazendo, tipo, não, já deu, já tive essa experiência. Agora é minha energia social, é para fortalecer os vínculos que eu já tenho. Eu nem consigo manter as minhas amizades de kitesurfing, quem dera conhecer gente nova, não tem mais espaço.
Eu acho que para mim kitesurfing sempre foi, eu usei muito na América Latina e eu gostava muito de passar um tempo, principalmente tipo Natal, Páscoa, Ano Novo, sabe, para estar com as pessoas durante festividades principalmente, tipo Dia dos Pais, Dia das Mães, até porque eu me sentia muito com saudade da minha família, né? Então eu queria estar no ambiente de família para poder experienciar como é que é. Então eu lembro quando eu fui para uma casa em Guaitacama, no interior do Equador, com 40 pessoas da mesma família.
E aí teve aquela procissão de Páscoa em espanhol e que não sei o quê, e foi maravilhoso, foi incrível. Mas para mim é muito curioso porque hoje em dia Couchsurfing, para mim, ele tá— eu não sei se vocês vão entender, conhecer, tá no mesmo nível de conhecer alguém no Tinder. Tipo, é arranjado demais, sabe? Tipo, eu quero conhecer pessoas na rua, sabe?
Eu entendi o que você quis dizer.
Eu entendi o que você quer dizer. Você entende o que você quer dizer? Tipo assim, eu gosto muito. É que na América Latina é muito mais fácil fazer amizades nas ruas, tipo, com as pessoas locais. Então é muito mais orgânico do que é mais ao acaso.
Na Europa talvez é mais pragmático as coisas.
É um love friendship, não é um arranged arranged friendship. Para mim, arranged friendship seria o Couchsurfing, que é mais arranjado, sabe assim, tipo. E tá muito triste porque realmente hoje em dia para você fazer um amigo com as pessoas locais, às vezes você precisa ver quem está disponível, e aí tem que ser o Couchsurfing. Isso aqui eu tô gostando mais da forma orgânica e tá um pouquinho chato. Tipo, eu nunca vi, enfim, eu tô mudando muito e a Europa é outro continente, eu tô sofrendo muito. Aqui é muito frio.
De trazer o ponto do David que discorda Davi, você é muito prático, Davi. Mas isso é um programa que vai da pessoa prática.
É porque é uma amizade prática. A pessoa, tipo, ao invés de você encontrar alguém na rua que tá disposto a conversar, que tá disposto a tomar um café ou alguma coisa, você também já procura alguém que já tá disponível. É, eu entendo. No mundo de hoje que a gente tá vivendo, é muito bom.
Eu não faria mais kitesurfing por um fator muito simples. Assim, eu vou ter que gravar e trabalhar. Naquela época, quando eu viajava, eu não tinha compromisso com podcast, inclusive.
Mas é o que o Davi falou, é fases e fases. Quando ele tá na fase de trabalhar, a gente fica numa casa. Quando a gente tá na fase de socializar, a gente consegue fazer esses movimentos de hostel, de Couchsurfing e tudo mais.
Davi, diga lá o que que você discorda.
Não, eu discordo que seja igual Tinder, cara. É assim, ó, eu— e claro, se você quiser trabalhar, esquece Couchsurfing, não é isso. Eu acho que você, mesmo trabalhando, você pode precisa ficar na pessoa para fazer call. Apesar de que hoje em dia a gente, cara, a gente já fez muito. Hoje em dia a gente não faz de ficar, mas a gente continua tipo encontrando pessoas. E eu ainda acho que a experiência é muito diferente para mim, cara.
Se você quiser entender uma realidade de um país ou de uma cidade, não há nada, nada. Você pode encontrar gente na rua, você pode, não há nada que te a mesma experiência que o Couchsurfing vai te dar. Infelizmente hoje a gente não faz muito porque a gente trabalha. Então, cara, você não— como é que eu vou chegar na casa da pessoa e falar, ô, velho, vai dormir que eu vou— não enche meu saco, eu vou trabalhar? Existe, mas eu discordo que seja arranjado, porque, cara, é tipo você tá achando uma pessoa like-minded que quer, que tá numa vibe de entender culturas.
E para mim o mais bonito de tudo é que não tem transação financeira. Então, cara, Ninguém deve nada a ninguém ali. Se for uma merda, você vai embora, ou a pessoa vai embora, ou ela te manda embora, sei lá. Então para mim é muito fácil.
É que eu entendi que ela, talvez não escolha a melhor palavra, mas eu entendi bem sutilmente o que que ela quis dizer com Tinder. Eu acho que tem lugares que a construção social, as relações, ela surge muito mais naturalmente. Eu acho que a Europa é um baque para quem tá acostumado com a América. África, cara, você faz, ainda mais assim com a minha aparência, sendo estrangeiro, cara, você vai sair com amizade. Se eu quiser sair com casamento, brincadeiras à parte, eu saio. Entendi. E Europa eu acho que é mais—
América Latina saía com amizade todo dia. Eu ia na padaria só comprar pão, você já ficava sentada lá no balcão conversando. Então assim, era muito mais natural fazer amizade. Mas porra, aqui não. Não, aqui também, desculpa, aqui também rola, só que você precisa se esforçar um pouquinho mais. Assim, tipo, a gente tava lá no Kosovo, aí apareceu um— eu tava andando na rua e tinha um pôster num poste escrito Girls Night. Que tava escrito lá, tipo, ah, vai ter comida de graça, bebida de graça, jogos de baralho e tudo mais.
E eu fui nesse bar, só eu, né, o Richard Jovem não foi, era só de mulheres. Só que só tinham albaneses, nossa, só tinham pessoas falando albanês, né, que no Kosovo são kosovares que falam albanês. E só falava albanês, tinham poucas pessoas ali que falavam inglês. E as pessoas que falavam inglês estavam ali super me ajudando e traduzindo e tal. E putz, eu tive ali uma experiência de mulheres muçulmanas falando sobre como era ser lésbica naquele país.
País, ou com aquela religião e com a família. E assim, eu não sei se vocês teriam encontrado ela no Couchsurfing, sabe? Não era comum ali no Kosovo, por exemplo, ter Couchsurfing. Então eu não acho que é para o melhor jeito é no Couchsurfing, porque eu acho que é andando, é o inesperado, sabe? É o— tem vários lugares que dá para descobrir o país. Não é só—
e as melhores acomodações vêm dessas interações. Eu lembro, Igor, você me contou um tempo atrás da história, foi na França, que você ficou na casa maravilhosa de um cara que era Cheio da bufunfa, não foi? Não foi na França isso?
Sim, sim.
Como foi essa história? Acomodação era 5 estrelas? Tinha uma piscina com borda infinita nessa casa?
Foi ali que tudo começou?
Tinha, tinha, claro que tinha. Pô, é que foi, é que foi, é que foi no estilo do que eu acho que a Alana gosta, que foi o acaso. A gente conheceu num bar na frente da praia que tinha uma bandeira do Brasil, a gente tava cruzando a França de bicicleta, e aí a gente passou, pô, tem uma bandeira do Brasil lá, um boteco lá, vamos lá. Aí a gente conheceu na mesa do lado, e aí virou uma amizade muito legal que ele falou, pô, vamos fazer um churrasco lá em casa amanhã.
Aí chegando na casa dele no dia seguinte, descobri que era um palácio inacreditável.
O que que te chocou? Vai, volta. O que que é um palácio? O que que era além da piscina?
Cara, era muito de boy, velho, era muito de boy. Uma casona assim, porque Saint-Tropez já é o nome mais caro do mundo, e era uma casa muito de boy no lugar mais caro do mundo assim. E o melhor amigo dele tava junto, mostrou várias fotos com a Rainha Elizabeth. Ele era da equipe de mordomos da Rainha Elizabeth, já pegou o Henry no colo.
Sério?
Olha, olha, sério, velho, sério. Pegava avião com a Rainha Elizabeth, a porra toda, velho.
Não era o mordomo número 1, né, mas porque ele tava na equipe ali da rainha.
Total. Não, ele era Ele era isso, e sim, sim, ele era da equipe de mordomos. Royal pegava o Henry no colo e—
Davi e Gorilana, estamos falando de tudo, estamos falando de como as interações sociais afetam na acomodação, falamos do que que a gente gosta, nossa, quais são os nossos toques. E nesse papo me veio uma pergunta e uma curiosidade para saber se eu sou o único louco, para saber se eu vou me sentir acolhido. Quando vocês vão nos lugares que tem um, tem uma energia, o lado místico meio denso assim, o lugar que não visualmente não é tão agradável, passa pela cabecinha, pela massa encefálica de vocês, que ali foi cenário de crime, alguma coisa ruim já aconteceu?
Ou isso é só teoria? Como veio?
Como?
Não, eu tô jogando na mesa. Não passa na cabeça de vocês que ali poderia ter sido um carnê? O carnê é o caralho.
Se já teve algum crime ali, limpou, parou.
Gente, eu tô abrindo meu coração, eu tô sendo vulnerável aqui para saber se passa pela cabeça de vocês.
Aí eu quero entender agora sua cabecinha dessa pergunta. O que você faz se você sente essa energia? Sei que você acende seu incenso, você faz ali também uma prece, eu sei, te conheço. Mas o que você faz com a casa?
Não fico nem fodendo.
Você não fica?
Vou trazer um paralelo, eu sei que vai fugir da acomodação, mas diz muito sobre. Tem um teste experimental que é um cara vendendo roupas na rua, cabide, o cara tá com cabide lá, o cara tirou da mala, né, diferente da gente, ele tirou da mala e pôs na rua para vender. Aí o teste experimental é, são camisas boas, né, jaquetas, e aí quando a pessoa vende por um preço muito abaixo, fala: essa aqui foi uma camisa de um assassino ou de alguma pessoa, a pessoa não pega, ela deforma, ela não aceita.
Se eu souber que aquele ambiente foi cena de alguma coisa, eu não Cara, tanto que isso é sério que no Japão, você sabe que no Japão isso é sério, no Japão infelizmente tem muito suicídio. Se uma pessoa se suicida, o pessoal do prédio fica possesso porque isso afeta o valor do imóvel do prédio. Isso é sério, é sério, desvaloriza o prédio em si porque tem uma questão de acredite. A gente tá falando sério, se eu souber que alguma coisa aconteceu, eu não fico naquele prédio, no prédio não vai, mas eu não fico no apartamento nem fodendo. Nem fuder.
Você acredita em karma?
Com certeza, eu não tenho sombra de dúvida.
Então você tem que ir para ele direto. Assim, várias vezes eu sozinho assim, lugar escuro, eu penso, puta, podia vir agora um espírito sentar aqui do meu lado, trocar uma ideia.
Você tá doido?
Eu tenho zero medo, pelo contrário, eu tenho curiosidade. Adoraria vir um espírito trocar uma ideia comigo. E várias vezes eu já falei, pô, se existir Cola aqui agora que a gente vai trocar ideia. E nunca veio, meu.
Não, eu tô com o Igor nessa. Eu até escrevi um texto na newsletter quando eu tava lá na Espanha, que eu fiquei num hostel que ele era super antigo, de pedra assim, os móveis que você fala, nossa, de 1653 assim. E eu tava lendo sobre a história do lugar e falava que tinham contrabandistas durante a guerra da Espanha e França, tinha muito, muito contrabando nessa região. Aí a casa podia ser usada também como refúgio. E um dia eu tava lavando louça lá no hostel, lá naquela cozinha antigassa, escura, sabe, meio luz baixa assim.
Eu falei, cara, que da hora se aparecesse alguém aqui e falou, como que era ser contrabandista em 1700?
Como é que era esse rolê?
Que da hora, mano!
Eu vou reiterar minha pergunta.
E eu escrevi um texto como se eu conhecesse realmente um espírito que contava essas as histórias.
É que se o espírito aparecer para você nesse plano terreno, é ruim, entendeu? Não é bom. Então não, não, não. Ou seja, respondendo tanto Davi e Igor, Lana, de boa para vocês, isso não é um fator, não passa pela cabeça que ali poderia— gente, vocês estão— parabéns, parabéns, parabéns.
Nunca, nunca, nunca.
Vou dar vírgula sonora, né? Porque só eu falei aqui, ninguém vai desenvolver. Subiu vírgula.
Você tem algum exemplo para dar? Você chegou numa casa, o que que você viu que te fez ir embora?
Não é que eu vi, mas dá para sentir energia de lugares pesados e densos. E aí já aconteceu umas 4, 5 vezes de eu perguntar, cara, tem alguma história por aqui? Tipo, e tinha história no apartamento.
Eu acho muito difícil viajar para, tipo, porra, a gente tava viajando na Europa, né? Você vai viajar para Bósnia, por exemplo, Certeza que ele já morreu. Guerra há menos de 30 anos, você vê ali granadas no chão até hoje do país.
Assim, é muito pessoa, não é? Não, eu sei que é uma coisa assim, beleza, o país tava em guerra, é todo o ambiente. Mas uma coisa assim, aconteceu um suicídio coletivo naquele espaço, eu não vou ficar nem fodendo, sabe?
Um culto.
Gente, eu e Richard viajamos 300 km para ver um lugar que teve um suicídio coletivo no interior de Pernambuco e fazemos, fizemos um documentário dessa história. Nossa, o documentário, gente, tá incrível inclusive, tá? Não lembro o nome dele agora. Não, ficou muito legal.
A gente contou uma puta história falando do documentário. Só em piscina de borda infinita, entendeu? Não, não, não.
Pedra do Reino, a tragédia que virou romance.
O nome do documentário é Pedra do Reino, a tragédia que virou romance. Está lá no YouTube e a gente contou a história e ainda contou sobre um movimento que Ariano Suassuna criou a partir também um pouquinho desse delírio coletivo que aconteceu.
Caraca, meu.
Eu vou te dar um outro exemplo, não de energia, mas assim, já teve lugares que eu fiquei que tinha quadros macabros e isso me afetava absurdamente, eu me fazia mal. Tipo, sabe o filme do Caça-Fantasmas? Tem um retrato lá, não sei quem vai pegar referência. Vocês não vão pegar. Cara, você tem um retrato, me faz mal. Enfim, vou subir, senão vou me queimar nesse programa.
Cara, mas tem coisa que que tem que, assim, cara, viajar também não tem como ficar só vivendo coisa boa também. Eu lembro quando a gente tava no Paraguai, a gente foi no museu, você não quis ficar no Museu de Ditadura do Paraguai porque tinha energia negativa. Claro que é ditadura, meu filho, óbvio que vai ter energia negativa. Você quer o quê, lavanda?
Subiu o vírgula?
Tá, eu tenho uma pergunta aqui, vamos lá, deixa eu trazer então um outro tópico que eu tenho, que eu pensei aqui. Vamos lá. Eu e Richard, quando a gente chega numa casa que a gente vai ficar bastante tempo, e às vezes a gente sente falta de alguma coisa, tipo, nossa, essa casa poderia ter isso, queria melhorar o lugar. Vocês compram? Ou o jeito que vocês chegaram na casa, vocês deixam? Ah não, para comprar uma coisa para melhorar a casa, você fala, pô, eu vou ficar aqui 2 meses, vai melhorar minha experiência na nessa casa.
Tá faltando uma faca que corta decentemente, uma faca boa, uma tábua de cortar coisa, um escorredor de prato, sabe?
Alguma coisa.
Ele tá falando não desde que eu comecei a pergunta.
De burro, porque podia comprar uma faca que corta decentemente. Alguns casos é verdade, nunca nem passou pela minha cabeça. Eu penso, não, obrigação da casa, cacete.
Eu e Richard, a gente brinca que nós somos a Dora Figueiredo da viagem. Eu não sei se alguém vai entender a referência, que é uma influenciadora que decorou uma casa toda alugada em São Paulo. No que ela terminou de decorar a casa, o dono da casa falou: pode sair da casa agora que eu vou vender ela porque ela tá maravilhosa, muito obrigada pela reforma que você fez. Então assim, ela fez ali todo o negócio, tadinha, né? Enfim, não viu o contrato, não sei o que aconteceu.
Mas eu e Richard, a gente compra as coisas. Tipo, Richard vai comprar provavelmente um escorredor de barato para essa casa que não tem, que, gente, é tipo R$15, R$20, nem é tanta coisa assim. E foi barato o aluguel, então a gente pensa, pô, a gente vai deixar as coisinhas aqui também. A gente já fez, olha isso, a gente ficou 2, 3 meses quase numa casa no interior da Bahia. Nós compramos uma rede, sim, nós instalamos uma rede na casa, na parte de fora, uma enxada, porque a gente tinha que fazer a composteira orgânica e não tinha uma enxada, então a gente comprou uma enxada, uma churrasqueira portátil, aquelas lá de filme americano, sabe, que é redondinha, que você fica levando para lá e para cá.
Compramos varal, compramos pregador de madeira e uma faca que corta bem também. E a gente ficou 3 meses lá e deixou tudo lá.
3 meses já é muito tempo.
A gente comprou uma mesa, 3 meses, pô. E assim, tava, a gente tava pagando R$1.400 no aluguel da casa. A casa era perfeita, morro de saudade dela todo dia. E a gente deixou lá melhor do que a gente encontrou. Então assim, de nada para os outros hóspedes que chegaram lá. Inclusive tava mais caro o aluguel, né, porque a gente realmente melhorou o lugar. Mas porra, vocês não compram nada?
Não, se eu tô num espaço e alguma coisa aqui, não.
E nunca nem pensei nisso.
É que tem coisas que são tão pequenininhas, sabe?
Sim, faz sentido. É que eu penso que, porra, o cara podia ter se preocupado com isso.
Aí fica já, poderia. Então, mas é que tá, normalmente assim, se você chega numa casa que não, que a pessoa que tá alugando ela não morou lá, ela não vai saber o que tá faltando, sabe? Aí tem vezes que, por exemplo, aqui nessa casa que a gente tá, por exemplo, eu vou deixar, ó, podia ter um rodo no banheiro, porque aquele banheiro que tem o chuveiro mas não tem nenhuma divisória para o resto do banheiro. Então quando você toma banho, você lava o banheiro inteiro junto, sabe?
Aí eu falo, pô, se tivesse um rodinho ia facilitar, mas não quero comprar um rodo. Aí eu vou deixar o toque, vou deixar o toque da Ásia.
Puta merda, cara.
Chegar, é para você, chuveiros aí são assim também, Davi, para você chegar num banheiro que já tá com a pocinha do outro cara.
E aí, nossa, velho, é o pior pesadelo disso. Não, velho, e cara, não tem, né?
Davi, como é que você faz quando é banheiro compartilhado?
Não dá nada, não tem problema nenhum.
Tipo, cara, mas banho de chinelo, Davi, eu acho que é banho de chinelo.
Nossa, você é louco, cara! Nem quando é hotel eu tomo banho descalço.
Eu descalçado total. Todo mundo toma banho de chinelo aqui?
Eu tava descalço.
Sem rosto eu sei, mas um hotel eu uso descalço.
Não, aqui, por exemplo, a gente tá uns 12 graus aqui, aí tá um frio do caramba, e eu prefiro ficar de chinelinho porque, Nossa Senhora, o chão fica extremamente gelado. Mas em hostel sim, em casa normalmente que a gente tá não, só quando é frio para caramba mesmo.
Agora, ô Igor, mas aqui, aqui na Índia você entrava nos banheirão do templo também descalço?
Sim, mas daí é experiência antropológica, situação tribal.
A única coisa que eu fui, única coisa que eu fui tanga frouxa na Índia foi no templo dos ratos lá. Já foi no templo dos ratos? Acho que já, né?
Já validado, bem validado.
Eu coloquei uma sacola plástica no meu pé e uma meia por cima.
Não, justo.
Porém, não, mas a Charlotte e a minha sogra, a mãe da Charlotte, foi com a gente, as duas descalças, velho, me zoando.
É sério que elas foram descalças pisando na bosta de rato, velho?
Não, mas era para ser zoado mesmo.
Você já foi lá, Davi, nesse templo?
Lana, eu acho que isso é—
e os ratos podres com problema de pele.
Esse é minha régua.
Eu falando, não, vocês nunca ouviram falar em leptospirose, né? Na minha época, quando era criança, só falava nisso na TV.
Da hora o lugar, sim, um dos lugares mais doidos.
Propagandas, campanhas do governo.
Mas você foi com o quê? Você foi com, foi descalço, Davi?
Descalço, né, cara? É o que eu te disse, eu só preciso chegar em casa e descalçar, cara. Limpo, é, mano.
Davi, ele veste o personagem.
Uma sacola plástica no meu pé, velho. Nossa, velho, não, ali naquele chão eu não pisava não.
Eu, cara, eu só preciso descansar limpo, é isso. Fora, foda-se.
Depois chega em casa, mas pisou na merda e mijo de rato para todo lado lá mesmo, cara.
Mas é inevitável, né? Tipo, você tá ali de meia, você ficando em pé. Você pisa e vai entrando ainda na meia, vai fazendo aquela pocinha na meia.
Então por isso que eu botei uma sacola, minha meia foi direto para o lixo.
O papo tá gostoso de rato, tá gostoso, tá maravilhoso ouvir isso aqui. Mas agora, já que a gente tá falando de merda, de leptospirose, tem uma questão nos espaços quando vocês vão dormir, que aí eu imagino que o Igor, Davi vão dar a mesma resposta, e a Alana, a gente tá no mesmo time. Na hora de ir embora, a casa tem regras, vocês tiram o lixo do banheiro ou vocês deixam lá? Vamos saber qual é o comportamento de vocês.
Depende do lugar que eu tô. Se é hotel, normalmente eu não tiro, até porque fico pouco tempo.
Não, tira hotel, tira hotel, tira hotel, tira hotel, tira acomodação Airbnb.
Ah não, eu tiro acomodação, sempre tiro. Lavo toda a louça antes de sair.
Ah não, aí você tá no nível muito—
Lavamos a privada.
Igor e Davi, então a gente vai.
Tadinho do Richard, né?
Que lixo que vocês têm, Charlotte? Ela, que lixo! Eu sou o único que limpa com papel aqui nessa conversa? Então, uai, eu faço xixi, mas você limpa com papel?
Dá enxugar, seca para secar.
Tem que enxugar, gente, pelo amor de Deus, tem que enxugar com papel.
Então vocês só usam menos, não é que vocês não usam.
E, gente, tem lixo de cozinha também, tá?
O papel fica, não fica cocôzado, né?
Ai, gente, não, não, a pergunta é: vocês tiram ou não tiram? Qual é a relação?
Eu não tiro. Não, assim, a gente dá, a Charlotte, toda vez que a gente fica no Airbnb, ela gosta de dar um geral legal assim, né? Deixa a louça lavada, deixa um, dá uma geral, deixa o lugar bem apresentávelzinho. Mas pontualmente tirar o lixo do banheiro, eu não, depende se tá muito na cara do gol tirar. Ou se a gente fica muitos dias, se tá na cara do gol.
É verdade, acho que é uma boa métrica. Se tá no comecinho e se tolou ali, verdade, eu acho que é uma boa métrica. Tá na boca do gol é um bom indicativo de tirar ou não. Eu não tinha pensado por esse lado. Enfim, Davi, achei que a gente ia elucidar mais, né? Foi de boa.
Você tira, Carlinhos?
Cara, tiro. Eu não gosto de deixar Não gosto, me faz mal.
Eu acho que eu gosto, é, mas você também não limpa com água, né, Kainan? É outra história, né? Você usa papel, né?
Um dia fui essa pessoa, eu tive que me adaptar ao ambiente que eu estou hoje. O Igor, tenta entender que eu não tenho a mangueirinha, não tenho a ducha potente, é copo, velho. Vamos voltar para garrafa. Não, vamos voltar para garrafa. Não, chega de garrafa, pelo amor de Deus. Inclusive, cuidado se você for visitar o Igor, tá, gente? Se você vê uma garrafa, pense duas vezes antes de tocá-la, tá? Fica certinho.
Mas eu tenho uma pergunta também que acho que tá alinhado um pouquinho disso daí de tira o lixo ou não. Quando vocês quebram alguma coisa na casa, o que que vocês fazem?
Você avisa, Igor?
Eu aviso também.
Mesmo que seja um copo ou nada assim?
Ah não, se é um copo não.
Se for um copo, por exemplo, não.
É um copo?
É, mas eu deixo amostra às vezes, porque também uma coisa que cada país também lida com descarte de vidro diferente. Então eu não sei às vezes onde pode deixar, como é que tem que embalar e tudo mais. Então a gente deixa num cantinho alguma coisa assim tudo junto com um bilhetinho ali falando, mas só isso. Se é copo, a gente não avisa, tipo, manda mensagem nem nada, nem vai comprar outro, porque às vezes faz parte tudo do mesmo joguinho.
Eu lembro uma vez, uma vez na Argentina, eu lembro de ter quebrado e deixei um bilhete. Eu acho que até paguei pelo Airbnb a parada, não lembro, mas pelo aplicativo não dá para reembolsar, não sei.
Então foi Vocês estão muito éticos nessa gravação. Achei que vocês acobertavam, colocavam embaixo do tapete.
É porque você não me perguntou, né?
Não tem que falar, não tem que perguntar. O mau-caratismo tem que se revelar por conta própria. Não tem que extrair, seu Davi.
Você tem que revelar para a gente que você quebrou aí. Esconde e fala, velho, bota no seguro aí, tá feito. Não, brincadeira. Eu, cara, eu costumo, quando a gente só quebrou louça também E a gente vai lá na loja barata e compra e bota lá, mesmo que seja diferente, não avisa nem nada. Se é copo, prato, a gente vai lá, compra outro e bota.
Cara, teve uma vez que não era acomodação, quando eu tava preso na pandemia na Costa do Marfim. Cara, isso me tirou, isso aumentou minha ansiedade. O cara tinha uma mesa de madeira, daquela madeira cara pra caralho. Mesa de madeira já é caro. E aí, não sei se já aconteceu isso com vocês, você tá na acomodação, você não sabe se foi você que quebrou ou já tava. Quebrava, porque isso é uma merda. Muitas vezes a coisa tá quebrada e você não sabe.
E um dia eu tava nessa mesa e tinha um risco nessa mesa, e eu falei, puta que pariu! Eu não— daí você fica, esse risco tava, não tava? Mas até você descobrir, você vai, você vai perder sua sanidade mental. Resumo da ópera: o que eu estudei de vídeo, de todas as técnicas de passar pasta de amendoim, de comprar produto para tirar aquele mal, cara, isso me tirou, isso me tirou a minha sanidade mental. Não, tipo, pega amêndoa, esfrega para tirar.
Cara, eu vi tudo que você imagina de YouTube, da deep web, para tentar tirar aquele negócio. E aí assim, sofri para caralho à toa. Aí quando chega lá, eu fui ético, né? Poderia falar, podia acobertar, jogar uma coisa em cima. Olha, tem esse risco, porque, cara, era muito nítido o risco. Era, sabe aquela mesa madeira principal do cômodo que não tem como não chamar atenção? Aí falou, olha, teve esse risco. Daí falou, não, carnal, já tava.
Eu falava, puta que pariu, custava Sabe quando você não— é isso, às vezes é bom anfitrião falar, olha, isso aqui já tá quebrado, porque senão você acha que foi você, fudeu. Então já aconteceu várias vezes isso, isso, enfim.
Mas também teve outro caso, Caiminho, lá no Paraguai.
Nossa, não, aquilo lá foi mal-caratismo. Eu tentei, eu quebrei a cadeira e não queria falar, porque eu queria—
não, não, calma lá, calma lá, eu vou te defender nessa. Você sentou na cadeira, a cadeira quebrou, mas é porque a gente não sabe se foi você ou se foi alguém que já tinha quebrado.
Não vale, não vale.
E só colocou o pezinho da cadeira ali embaixo.
É verdade, é, tem.
Não sabemos.
Não, aí nem, nem eu não, aí zero peso na consciência. Sentei na cadeira, quebrou. É, e acho que é a cadeira, no mínimo a cadeira vagabundérrima que não era para estar lá.
Era vagabundérrima, era vagabunda. Obrigado, obrigado, Igor. Me senti acolhido por você.
Não, zero, zero, com certeza.
Vou subir uma trilha bonitinha. Subiu trilha bonitinha de acolhimento?
Eu quero saber de vocês, quando que vocês usam cada aplicativo? Quando que vocês usam um Booking? Quando que vocês usam Airbnb? Quando que vocês usam um, sei lá, qualquer outro aplicativo que vocês usam, ou se é que vocês usam diferentes, ou se você só tem um.
Eu acho que varia muito. Por exemplo, quando eu quero ficar em hostel, normalmente eu tento entrar em contato diretamente com a estadia. Eu vejo o valor dela online e mando mensagem por fora, e normalmente por fora tá mais barato do que tá na internet. A não ser que a pessoa tenha um pacote premium de não sei onde, de sei lá o quê, no Booking, que aí ela vai ter desconto no Booking. Mas aí normalmente eu pago diretamente na estadia.
Se é para ficar muito tempo, eu acho que o melhor site que tem desconto de longo prazo é o Airbnb. Então se a gente quer ficar 1 mês, 2 meses, o Airbnb tem o melhor. Petseat, essas coisas, a gente vai fazer agora mais de final de ano, tipo Natal, Ano Novo, Carnaval, que é tipo tá tudo caro na cidade e você só quer um lugar para passar os feriados assim, sabe, os eventos da cidade. Você só quer descansar e ficar de boa. E couchsurfing, eu fazia muito de ficar dormindo na casa das pessoas na América Latina.
E aqui a gente tem mandado algumas mensagens, mas não tem saído muita conversa legal, não tem saído alguma coisa muito interessante. Então a gente tem conhecido pessoas mais na rua mesmo. Tipo, o Richard fez amizade outro dia na lavanderia, foi lavar roupa e saiu com amiga e foi beber por horas depois. Então tipo, a gente tem conhecido pessoas mais na rua mesmo.
Só somar então, tem muitas alternativas, pessoal? Tipo, além do Booking, Airbnb, assim, tem muita alternativa? Dá para fugir muito disso?
Sério?
Eu dou exemplo, tipo, se você vai viajar à China, você não toca em Booking, você usa Trip.com, que é, cara, tipo, sei lá, 60% do valor das estadias nas outras plataformas.
Mas é porque isso daí vai variar do país e da região que você tá viajando.
É que China é um caso muito Muito atípico, né?
Vai ter, tipo, se você vai fazer um Workaway, sabe, você vai fazer um Worldpackers, depende da região onde você tá indo. Então se você for na Europa, por exemplo, eu esqueci agora o nome de um aplicativo que também tem muita estadia boa em cidades grandes, então grandes metrópoles assim, mas não conta para o mundo inteiro, entende?
Depende. Por exemplo, Sudeste Asiático, Agoda é muito melhor que Booking. É a mesma empresa, se você reserva no Agoda e não no Booking, você consegue, cara, pagar, sei lá, 40% menos. Eu vou reservar a mesma coisa e vou economizar 30%, 40%, por que não, né? Depende muito de onde você tá. Aqui na Índia tem um que eles usam que chama Goibibo. Então acho que é mais pesquisar também, né? Falar, pô, tipo Uber, ah, que que tem lá além do Uber?
Cara, o que eu tenho feito, não tanto, né, mas já aconteceu algumas vezes até por causa da comunidade, eu entro pelo Airbnb, tento encontrar o contato da pessoa e na maioria das vezes ele diminui o preço porque tem um lado bom de ser uma figura pública, né, dada a proporção. Então tipo assim, então isso me ajuda, não sou um desconhecido. Então já aconteceu várias vezes, o preço ele abate, o que reduz bastante. Tipo, a casa que a gente tem um encontro, só de taxa, que fosse do Airbnb, ia dar quase R$2.500.
Mas pera aí, você manda uma mensagem falando eu sou tal pessoa, me ache fora daqui, porque tem os bloqueios, né, para você mandar mensagem.
Não, não, eu vejo perfil. E geralmente tem uma informação, o nome do espaço.
Aí você joga no Google, sempre vai ter uma página no Instagram.
Eu mando, porque a questão da pessoa aceitar ou não é que o Airbnb dá uma segurança para ela, certo? Tipo de, ah, você dá alguma coisa. Só que aí tem um ponto, é seguro, mas daí tem a questão de ver quem eu sou na internet. Isso tem um peso, isso ajuda, né? Então assim, sou uma figura pública em dada proporção, então isso tem um lado bom. Então, e reduz muito, porque eu fico numa casa durante 5 dias, a casa é R$10 mil, Só de taxa já abate 2 pau, tá? Muita coisa.
Não dá para ensinar os macetes aqui, né? Porque senão o Airbnb vai te processar. Mas tem vários macetes para você pular isso aí.
Que vai processar? Caramba, ninguém escuta esse programa aqui, que nem eu falo, que nem é um bujarrão. Ninguém tá escutando a gente.
Antes eu olhava o Agoda, Hostelworld, Booking, e aí encontrava o lugar mais barato possível e eu ia até lá negociar.
Você ia pessoalmente?
Na verdade, eu encontrava o bairro dos mochileiros, né? Eu achava onde que tinha lá a maior concentração de hotéis baratos, guest house, hostel. E aí eu ia pessoalmente negociar na recepção. Isso funciona muito bem na Ásia. E hoje eu vou mais para Airbnb.
Deixa eu tirar. Diga, Lanita. Não, eu tô pensando, vamos lá, vocês abriram, dando continuidade à pergunta do Davi, vocês abriram aplicativo, seja Booking, Goda e tudo mais, o que que chama atenção de vocês primeiro? É o preço? É a foto? Ou assim, qual é o atrativo quando vocês vão escolher acomodo?
Eu acho que também muda porque somos em duas pessoas, né? Eu vou ver algumas coisas, Richard vai ver outras, né? Richard tem as questões dele com a mesa, mas eu tenho com a cama também, tipo, gosto de cama, travesseiro, depende. Chuveiro, Richard gosta muito mais de ver, sabe aquele chuveirão assim? Richard adora. Nossa, aquele chuveirão grandão no teto, que saudade, né? Na Europa não tem essas caralho. Então varia muito do que a gente olha e também da fase que a gente tá.
Se a gente tá numa fase de puta, temos que editar um documentário, mesa, mesa e cadeira, como que tá. Então varia muito da fase.
Chuveiro pesa, é muito curioso como é muito pessoal para cada um, né?
Não é que pesa, é só que a gente ficar com saudade mesmo de ter um chuveiro que cai do teto.
Eu tô pensando assim, eu tô olhando lá o Airbnb, uma coisa que me pega, me fisga assim, eu sou peixinho, me fisgou pé direito alto. Você quer me fisgar, você pega um teto alto, um pé direito alto, porque a casa dos meus pais tem um pé direito alto, eu cresci. E pé direito alto não quer dizer necessariamente casa de rico, tá, mas ventilação, cara. Pé direito alto me fisga absurdamente.
Eu acho que isso conta mais, tipo, se eu e Richard nós vamos ficar mais de um no lugar, a gente, a gente não gosta muito de cidade grande, eu e Richard. Então a gente precisa, mesmo se a gente tá em cidade grande, tipo quando a gente ficou em Sarajevo, a gente ficou em Ilídia, que era uma cidade perto de Sarajevo, e tinha um quintalzão. Puts, aí tinha ali uma cadeira, umas periquiçadeiras ali, sabe, tinha umas plantas, varandinha, sacadinha, aquela varandinha de coisa casa antiga.
Puta que pariu, que tesão!
Exato, era muito boa. A gente sempre pega com casa que tem área externa, sabe? Sabe, que tem mato, que tem grama, que tem alguma coisa ali, mesmo cidade grande, se for mostrar muito tempo.
A casa que a gente passou no Ano Novo com a comunidade lá em São Bento, que que aquela sacadinha! Nossa, Igor e Davi, um dia eu venho passar o Ano Novo naquela casa, cara, era maravilhoso, você esquecia da vida. Inclusive, eu tô me contradizendo porque uma vez fui visitar o Igor em São Paulo, tinha um pé direito alto, mas era uma merda de Airbnb.
Você lembra daquele Airbnb da minha vida?
Fui visitar o Igor, tinha na casa Eu coloco, eu nunca coloco feedback negativo.
Se for para dar um feedback negativo, eu prefiro avisar o anfitrião, né? Mas esse, cara, era show de horror tão grande. Aí a cereja do bolo foi, deixei a chave, era chave de cartão, né? E aí esqueci dentro do quarto e não tinha um cartão reserva. Tive que chamar um chaveiro, paguei uma bala Não tinha reserva porque a mulher não morava no Brasil e pagar uma puta grana para o chaveiro tal. Eu falei, ah não. Aí eu perguntei, eu vou ter que pagar ou vamos, né?
Não, 100% seu. Tá bom, querida, aguarde, aguarde o feedback no Airbnb. Começou assim: a pior hospedagem em 9 anos viajando o mundo, em caps lock. Cara, é. E aí eu coloquei tudo que tinha assim, era uma escadinha para, era um quarto com mezanino, não dá nem para chamar de duplex assim, porque tinha uma escadinha que você sobe assim, cara. A escadinha é contar os dias para alguém se acidentar feio subindo a escadinha.
É perigosíssima, perigosíssima.
Alguém cedo ou tarde vai ficar tetraplégico naquela porra. Aí janelão, aí era 100% janela. Sem cortina, e o prédio na frente em obra. Os pedreiros viram a Charlotte pelada, adoidado.
Um show de vizinho.
Não, não, pô, zero. Não tinha uma cortina no negócio, não tinha assim, não tinha talher, tudo cagado assim, porque a mulher não mora no Brasil, era em São Paulo.
E não tinha uma mesa que eu lembro para trabalhar boa, não tinha.
Não, não tinha, era show de horror mesmo. E aí, como ainda tive que levar esse prejú da chave aí, ah, querida, não sei se vai alugar de novo esse quarto aí não.
E eles só davam uma chave para vocês?
Uma chave só, cara.
Isso é uma coisa que eu e Richard reclama muito nas estadias, muito, muito, muito, porque nós somos duas pessoas e a gente ganha uma só chave. Só que às vezes eu e Richard saímos para fazer coisas diferentes na cidade e cada um precisa ter uma porra de uma chave, caralho. E se eu chego antes, ele chega depois, sabe assim, com quem vai ficar a chave? Chave.
Às vezes eu nem tenho nenhuma reserva com alguém.
Exato, não tem nenhuma reserva.
Uma coisa que você prevê o risco, né? Você prevê que você sabe que a pessoa pode acontecer, gente.
É normal acontecer de perder a chave.
Nossa, era caro, era um AP caro, era em Moema.
Quanto pagou para fazer essa chave? Você lembra?
Foi caro, sei lá, uns R$300, R$500, sei lá. Foi caro para cacete, eu lembro. Foi caro essa porra.
Não, e aí, por que que eu falei da chave dupla também? Porque se a Charlotte tivesse a chave dela, por exemplo, problema tava resolvido. Não faz nenhum sentido só ter uma chave e não ter uma reserva. Não faz nenhum sentido isso.
É, e ainda sobrar para mim o prejuízo.
Porra, é uma dor demais. Não dá. Eu e Richard sempre temos que pedir. A maioria das vezes eles não querem dar porque eles têm a chave da casa e a reserva que fica com ele sempre. E aí fica eu e Richard tendo que sambar com uma chave só. É uma merda, gente. Somos duas pessoas, caralho. Não vamos só sair grudado.
Mas assim, não vamos deixar esse episódio no clima denso. Vamos trazer leveza, vamos trazer momentos bonitos.
Mas vamos lá, vamos aproveitar, deixa. Piores estadias de vocês.
Vai ter tempo para a gente conversar aqui, viu? Porque é mais pior do que bom.
A pior, não, a pior, top 1 pior. É que eu tenho uma outra top 1 assim.
Ó, Karnan, eu acho que você tava junto comigo na pior, viu? Dá a mãozinha aqui, campeão, dá a mãozinha aqui que você tava na pior comigo.
Paraguai.
Paraguai.
A gente vai começar partilhando, cara. Foi em Paraguai, foi culpa minha ainda por cima, por uma experiência Não, não, não, não, pelo amor de Deus, querido, não foi. Eu vou assumir, eu tenho que carregar esse fardo para o resto da vida, tá tudo bem. Na minha lápide você coloca lá, cara. A gente vai, por onde começar? Bem, vou dar o contexto breve. Távamos no Paraguai e eu queria muito fazer kitesurf no Paraguai. E assim, puta, vamos fazer kitesurf uma vez.
Aí eu acho que o Richard não queria tanto, mas eu fiquei, bom, quero experiência, eu quero.
É que eu e Richard, a gente tava com alguns trabalhos para entregar também, então a gente não, tipo, é o que a gente tava falando, kitesurf é mais delicado quando você tem trabalho de estar e tal, beleza. Exato. Aí o cara falou 3 dias, gente, beleza, vamos ficar lá 3 dias, vamos lá. Eu, Richard, Carnot, ou seja, 3 pessoas já não é um Couchsurfing normal, né?
Combinado, fodido, cara. Paraguai foi o lugar mais quente que eu já tive, que era úmido, tava foda. Lana, minha memória pode falhar porque coisa ruim a gente deleta da cabeça, da memória, né? Então às vezes tem que relembrar algumas coisas. Mas, cara, quando a gente chegou, o anfitrião era um querido, era um amor de pessoa, acho que assim, mas não compensava a estrutura assim, cara. Pensa, um cara muito legal, gente boníssima.
Toda vez isso não justificava. Primeiro, tinha muito gato. Não, primeiro que para chegar na casa dele já tinha cheiro de esgoto, era esgoto a céu aberto, já tinha um córrego, já se emboca total. É, o cheiro já era ruim para chegar na casa, você já não sentia aquele abraço no coração. E aí você chegava na casa, tinha um monte de gato, um monte de animal, e assim você vê que era um animal meio que não é dele.
Eu não sei, não sei nem palavras para descrever, parecia meio que tipo O que acontece, a casa era uma casa em construção que parecia que ela estava em construção há muitos anos. Então tinha tipo telhas, tijolos, tudo ali no fundo da casa, sabe, meio que o matagal crescendo em volta de todos os materiais de construção, dos arames. E o chão ele era meio de areia. Davi, que não gosta de poeira, não ia pisar lá dentro. O banheiro não tinha porta, ele era um cubículo no fundo das casas casas que tinha 3 paredes, né?
E uma parede seria a porta. Exato, tinha xixi, cocô de cachorro dentro do banheiro. E você tomava banho naquela. E assim, só tinha um ventilador pra gente, era eu, Richard e Kainan num quarto.
Ai, Lana, vai!
Minúsculo, cheio de areia, cheio de areia, com coisas, cobertores, não sei quando foram lavados ou se foram lavados. E assim, eu lembro que a primeira noite, cara, porque como era só um quarto para os três. Era uma cama de casal, ficava eu e Richard, e o Cainan ficava dormindo no chão do nosso lado. E para o ventilador bater no Cainan também, porque era aqueles de chão, não era de teto, a gente colocou algo atrás do ventilador para ele ficar um pouquinho inclinado, sabe, para bater nele também.
Então a gente colocou algo ali. E aí eu lembro que eu só olhei para o Cainan e falei, Cainan, a casa tem muito material de construção, tá? Se você vê um escorpião, você acorda a gente.
A Lana tirou meu sono para o resto daquele 3 dias. Não, você não tá—
mas eu avisei porque você tinha que ficar esperto, cara.
Eu acho que eu tava curtindo, né?
Escorpião tem muito em obra.
O Igor e Davi, eu acho que a palavra assim, respeita o nosso host lá, mas era praticamente um cativeiro, era digno de um cativeiro se quisesse trocar.
Era muito difícil lá.
Não, cara, tava—
não, eu não tirei o computador da mochila porque assim, a gente precisava trabalhar, porque o cara também ficava fora o dia inteiro. Então a gente tinha tempo para trabalhar, só que era tanta poeira Que eu falei, gente, meu computador vai entrar poeira.
Era quente, tinha um cheiro de esgoto. E sabe o que era o pior? No Paraguai, a maioria dos lugares a internet era ruim. A dele, por incrível que pareça, era a melhor internet. Mas a gente não tinha qualquer condição de conforto, tanto que, gente, o Cainan—
nossa, você lembra você fazendo estrogonofe para ele? Os gatos subindo em cima da bancada.
Não, sério, para que lembrar dessas coisas?
Cainan cozinhando e os gatos tentando roubar o frango que o Cainan tava cortando. Gente, eu olhava aquela cena.
Não, teve uma hora que tava tão quente que eu acho que o Richard, a Lana cortou o cabelo, raspou a careca do Richard, eles tomaram banho de mangueira, cara, foi uma situação tanto que eu falei, vamos embora antes, cara, juro por Deus. Obrigado por lembrar essa péssima experiência, Lana.
Não, a gente não foi embora antes, a gente ficou o tempo que a gente se propôs. Você queria ficar uma semana, você queria aplicar para ficar uma semana. Eu falei, não, aplica 3 dias, se a gente quiser ficar mais a gente fica. Aí a gente chegou lá, o Carnô, nossa, ainda bem que a gente só falou 3 dias.
Tudo isso para dizer que você pode ser a pessoa mais mais querida, mais acolhedora, mas cara, não tinha o mínimo de estrutura, mas não tinha um mínimo.
O cara, ele era incrível, gente.
O cara foi assim, e olha que assim, eu, Lana e Richard assim já passamos por um mau bocado de estrutura, a nossa régua já foi muito baixa, mas ali bateu um recorde. Eu acho que o Davi não ficaria, não teria nem como passar pano, que só tem areia.
Eu acho que nem, cara, não, não, não, não existe passar pano, porque o chão da casa era de areia de Não existiria passar pano. O Richard, para dormir, molhava a toalha da Decathlon e colocava em cima dele para ele tentar se resfriar.
O cara fazia tempo que não tinha espaço.
Davi, o que que você ia fazer? Você ia passar, fazer o cara ficar envergonhado, se humilhar, o cara, e dar meia-volta no mesmo dia?
Cara, não, eu era muito, eu sou muito leniente quando eu tô na casa dos outros, cara. Eu sou muito leniente.
O que que é? Desculpa, o quê? Leniente?
Leniente. Leniente, você falou leniente?
Que que é isso? Eu não sei o que, cara.
Eu relevo muito as coisas, né, porque, cara, é um ato muito bonito alguém receber outra pessoa, né, sem esperar nada em troca. Então é muito foda, cara. Nós já ficamos em cada buraco que vocês não fazem ideia. Ó, eu vou dar uma, vou contar uma história. Teve um dia que a gente ficou, não, teve um dia que a gente ficou numa, eu depois vezes, né, aqui falar, a gente tá falando de Couchsurfing, vou contar uma de Couchsurfing, depois conta uma de Airbnb aqui da Índia.
Mas a gente foi num, a gente fez muito Couchsurfing já, cara. A gente passou, sei lá, 2 meses no Egito fazendo Couchsurfing. Aí, cara, a gente foi numa casa em Luxor, cara, era um amor de pessoa, mas uma alma, cara, daquelas que faz restaurar qualquer fé na humanidade. E ele tinha, ele tinha sido preso, cara. O cara participou de uma, de uma revolução no Egito. Ele foi preso porque ele falou mal do governo, passou um ano preso.
Era um cara muito legal, ele era um pai solteiro, então ele tava com a filhinha dele. A gente tava na casa dele, era mais ou menos essa descrição que vocês deram, cara, com gato, cheiro de cocô de gato. O lugar, a casa dele era chão de areia de cocô de gato, sabe? Aquelas areias, como é que chama, aqueles negócios artificial, areia de gato, gato cagar. Nossa, que desespero, poeira, aquelas, as casas que vocês gostam, o sofá velho, o quadro velho, VHS, cara, só de olhar já dá vontade de espirrar.
Não é velho, é com história, muita história, muita poeira, cara, alergia batendo solto.
E cara, eu tava ficando muito incomodado porque, de novo, né, uma pessoa maravilhosa, cara, tá te recebendo na casa dele, cara, o mínimo que você pode fazer é não reclamar, né, e ficar lá de boa. E a gente ficou lá, sei lá, acho que uns 5 dias assim. E novamente, a gente precisava também trabalhar, etc., não deu. Mas, cara, aí olha só, e eu tenho uma bateria social muito maior que da Catarina. Então eu sou um cara que gosto de ficar conversando, etc.
Catarina é uma pessoa que, cara, passou ali uma hora, duas, ela já precisa ir para o canto dela. Então a gente tava numa de, cara, será que a gente vai embora mais cedo? Mas, porra, o cara recebeu a gente, Gente, não sei o quê. Aí olha só que loucura, eram 2 quartos a casa, a gente tava dormindo num colchão no chão, era o colchão em cima da areia de gato, a gente dormindo ali, cara.
O colchão tava em cima da areia de gato?
É, tava por todo lado, né?
Tipo, só um, ah, tava espalhado areia de gato?
É porque não limpava, né?
O que acontece é que eu, calma, é que tinha areia do gato, gato quando vai na areia no negocinho dele, a areia fica na patinha dele. E aí ele sai andando pela casa e tem pessoas que não aspiram.
Exatamente isso. E a areia do gato desse cara ficava num corredor, ficava encostado na parede, que ele tava tentando fazer uma obra. Então não era um lugar apropriado, era tipo um canto de uma obra que ele tava fazendo num corredor. Então, meu, e era pela casa toda. Aí, cara, um belo dia Esse cara tava com a porta do— olha, ele era um pai solteiro com a filhinha dele recebendo um casal no Egito, cara. Aí um dia eu vou no banheiro, a porta do quarto dele tá aberta.
Lembrem, o nosso colchão era no quarto de hóspedes, tava no chão, era um colchão super tranquilo, confortável, cara. Eu passo no quarto dele, tá ele dormindo com a filha dele só no estrado da cama, cheio de roupa. Ele do lado da filha dele. Ele esqueceu de fechar a porta, ele deixou a porta entreaberta. Eu passei, dei aquela bisbilhotada, né, de curioso, olhei para o lado, ele tava dormindo com a filha dele no estrado da cama, cheio de roupa para, né, para ficar mais macio o estrado da cama, para dar o colchão para gente. Como é que eu vou reclamar de um lugar desse? Não tem como, né?
Foi um lugar horroroso, mas, cara, Final do dia aqui, assim, a gente não falou mal do nosso host, a gente tá falando das condições aqui.
Nenhum momento a gente falou mal.
A gente nem reclamou com ele nem nada, a gente teve experiências maravilhosas.
Eu, se eu tivesse que voltar nesse cara, não voltaria, mas não por ele, pelas condições.
Mas é, se eu voltasse para Vila Raiz, eu ia ficar numa estadia e iria visitar ele na casa dele para um jantar.
Cara, tem uma bem rápido no Nepal. A gente chegou de madrugada descendo o Annapurna. Depois de fazer o Annapurna, a montanha, você pega um busão de umas 12 horas. Chegamos de madrugada lá, não tinha nenhum hotel. Achamos um cara que ligou para um amigo, tinha um hotel tal. Entramos no quarto, cara, só em cima da cama tinha umas 15 baratas. Não, não, e a gente morto de uma trilha de 15 dias.
Ah não, não, Igor, não. Para com isso. Que isso, cara? Como, como?
Não tinha opção, velho, não tinha opção, cara. Era rua depois de 15 dias de trilha e o ônibus de 12 horas. Vamos dormir na rua ou ali? Vai nas baratas, velho. Dormimos no meio das baratas.
Virou amigo.
O cansaço fala mais alto.
E eu tenho uma história engraçada. A gente fez amizade com um cara turco na Índia, e aí ficou amizade e tal, cara. Gente boa para caramba e tal. E ele falava, meu, eu uma puta casa na Tailândia. Quando for para Tailândia me avisa, tal. Mostrou foto, uma puta casa. Aí chegamos na Tailândia, mandei mensagem: pô, tô na Tailândia. Na hora: vem para cá, vem para cá, bora então. Com piscina, puta casa assim de rico, mano, obras de arte.
Pô, chegamos na casa do cara, tal. Meu, o cara fez a gente passar fome, velho. A Charlotte até hoje puta da vida com o cara, meu.
Como assim?
Ele não dava? Era uma casa?
Ele tem uma puta casa no meio do mato total, no meião da Tailândia, isolado em área de plantações assim, não tem nada perto. E o cara não dava comida para gente, velho.
A gente ficou lá, eu só queria tentar a casa.
Eu falo para a Charlotte, eu acho que ele quis enfiar um jejum na gente. A Charlotte fala, meu, quem enfia um jejum para os outros sem avisar, sem conversar sobre isso.
E a Charlotte é uma pessoa que é difícil ficar brava, né?
Meu, a Charlotte, puta da vida com o cara até hoje. A gente ficou, sei lá, vamos voltar, tira a comida. Assim, a gente fez, digamos que 5 dias a gente teve 4 refeições.
Que isso? O cara é um ermitano tentando fazer com que se alimentasse da luz do sol?
Ele comia? Ele não comia também.
Então aí chegou uma hora que a Charlotte vira comendo escondido. Aí que a Charlotte ficou putéssima.
Mentira!
Eu falei, Charlotte, eu acho que esse cara ele quis enfiar um jejum na gente, porque era um cara meio espiritual, ficava assim. Então sei lá, meu, que é absurdo não comer, velho.
A gente, mas vocês nem perguntaram, cara.
Sei lá, me dava vergonha de pedir comida, meu. É porque você pedir comida é uma situação assim, eu e a Charlotte roubando, velho. Tinha um de uma rua que ele era casado com uma tailandesa mesmo, que nem falava outra. Ele ficava o dia inteiro sentado na sacada assim, tinha uma plantaçãozona na frente da casa, sentado lá fumando maconha na sacada e vendo a mulher dele trabalhando na horta assim. Não fazia nada, a mulher fazia tudo.
E aí tinha um arroz lá, um daqueles arroz asiático assim. Eu e a Charlotte uma hora roubamos uma mãozada cada um de arroz assim para sobreviver, velho.
Gente, que bizarro isso!
E um tiozão, um tiozão de 60 anos.
E no final assim, você falou, vocês foram para um restaurante, cara?
No final, então aí não, a gente falou, amanhã vamos embora. Aí eu até falei, ah, eu falei assim, pô, amanhã a gente já vai embora, amanhã tal. Que que você acha da gente hoje um restaurante por minha conta? Aí a gente foi no restaurante, eu e ele, comigo, que fez questão de eu pagar essa porra.
O cara era muquirana, né? Sem vergonha.
Não sei, velho, não sei. Porque é muito absurdo, é muito além do— não é questão, podia dar um arroz com um ovo. Ah, teve um dia o café da manhã, o café da manhã, eu, Charlotte, ele, 4 ovos para cada. Aí era obviamente um para mim, um para Charlotte e 2 para ele.
É que a questão é que é desproporcional a casa dele, né?
Tipo, não condizia a comida para o cara ali assim com bom gosto, casa de bom gosto. O cara, ele é um chique assim, bem decorada, rico assim, com obras de arte.
Nenhum momento você e a Charlotte assim, fulano, você não quer que a gente cozinhe para você um estrogonofe para tentar?
Claro, cara, eu fico tentando lembrar, parece que não é, não tinha abertura para tocar, porque parece absurdo, né? Por que a gente não pediu comida?
Mas a gente nem consegue explicar isso, a gente tava tão chocado com a incongruência.
É assim, não sei, talvez não tinha abertura para falar, não A gente não, ou às vezes vocês falavam, eles começavam a falar: vocês conhecem os benefícios do jejum intermitente?
Ele mudava de assunto assim, mas não dava. No final a gente aceitava. Aí a gente ia dormir com fome. Não, qual a expectativa? Não, talvez amanhã vai ter comida, tipo, ele esqueceu, só hoje. E passamos 5 dias sem comer, velho.
Fizeram jejum intermitente na força externa, cara. Que história é essa? Olha, eu já tive uma, Igor, não nesse nível, mas eu fiquei numa, foi minha primeira inclusive acomodação que era no troca de trabalho, né, era voluntariado, e era uma casa de uma britânica no Zimbábue. Minha primeira experiência foi a pior de todas porque envolvia exploração dos trabalhadores na casa dela. Mas eu lembro que na comida, cara, ela dava comida de passarinho e não podia repetir. E uma vez eu falei, cara, eu tô com fome, não tem mais não, é só essa quantia.
Calma, comida de passarinho era tipo assim, pouquíssima porção?
Não, pouquinha porção, porção assim.
Ah, entendi, entendi. Eu pensei que era tipo sementes de girassol.
Não, e ela que punha no prato, eu não podia me servir, ela controlava a quantidade que eu comia, ao ponto de, acho que diferente do Igor, eu não fiquei morrendo de fome. Eu ia para a cidade e comia fora.
Lá não tinha para onde ir, cara. É isso que é foda.
Ah, você não tinha para onde ir?
Não tinha.
Ele tava no meio do nada, ele falou, das plantações da Tailândia assim.
A casa dele era totalmente desproporcional ao lugar, cara.
Olha, não, nesse nível eu não passei. História para contar, Igor, cara. Pensa, sabe qual é o lado bom? Não que eu queira extrair gratidão de toda história, pelo menos eu imagino que você é a pessoa oposta. Se alguém vai te visitar, você faz questão de oferecer comida e a pessoa não passar fome.
Eu aprendi com os Muçulmanos, guest is God.
Nossa, é isso, cara. Os muçulmanos, acomodação, o povo mais gente boa que tem, disparado, muçulmanos, os mais gente boa, mais receptivos. A regra dos 3 dias lá é maravilhosa, cara. Aquele povo lá tem pouco e o cara partilha de tudo. Antes de a gente trazer a parte boa de piscinas infinitas, algo mais triste para a gente lamentar as nossas vivências na estrada com ninguém pegou um.
Eu tenho, a gente pegou um voluntariado muito assim, cara, também muitos dilemas com esse voluntariado, né? Mas a gente pegou um que o cara construiu a casa que os voluntários ficavam, né, de madeira. Tudo bem, 2 andares e tal, e a parte de cima era a cozinha. Só que ele mesmo construiu, né? E ele construiu, gente, não tô brincando, com aquele livro Woodwork for Dummies, que é tipo trabalhos em madeira para imbecis.
Sério que existe?
Ele construiu a porra de uma casa. Existe Woodwork for Dummies, existe tudo for dummies, cara. Tipo piano for dummies, tipo existe tudo. E ele construiu uma casa onde os voluntariados ficavam, os voluntários ficavam hospedados. E eu e Richard estávamos num quarto que ficava abaixo da cozinha. E ele, como um dummy, não construiu um forro de separação entre os andares. Então Então tudo que cozinhava em cima às vezes caía na nossa cama embaixo.
Temperinho, temperinho no casal.
Exato. E aí o que que vinha com isso? Baratas, né? A gente tava no meio da natureza, no meio da floresta lá da Bahia, que era uma delícia assim, a Costa do Cacau, maravilhoso, plantação de cacau assim em volta. Só que aquelas baratas do mato, que nem a barata de cidade, aquela barata grande, maiorzinha, sabe qual que é? Ela é mais bonita inclusive, né? Mas não quero ela. E a gente acordava com baratas andando no nosso corpo de noite.
Eu não sei se a gente tá motivando a audiência, viu?
Não, mas assim, gente, eu ia falar que a gente ficou 35 dias. Meu Deus, gosta de sofrer, cara. É, não, mas foi questão de sobreviver, literalmente sobrevivência, porque nós, quando começou a pandemia, nós estávamos na Bahia. E quando deu o Ano Novo de 2020 para 2021, a gente procurou um lugar muito isolado onde a gente estaria longe do vucu-vucu do litoral, entendeu? Então ou a gente ficava no litoral com COVID ou a gente ficava mais isolado na natureza. Então era uma coisa—
tinha uma baratinha todo dia?
Todo santo dia, gente, eu não tô brincando. E aí eu já comecei o quê? Os truquezinhos, né? Peguei um copo de plástico. Se você colocar óleo de coco e um pouquinho de açúcar, as baratas elas são atraídas pelo cheiro do açúcar. E no que elas entram, as patinhas delas sujam de óleo e elas ficam tentando sair, não conseguem. Eu acordava com 3 baratas lá toda noite. Não, não, não, não, não, não.
Era viver e aprender hoje.
Acordava com a gente do nada, do nada a gente acordava se estapeando, eu e Richard, porque ai, tá nas minhas costas, nas minhas costas, nas minhas costas, ai meu Deus do céu! E saía pulando assim, foi bizarro, bizarro. Só que é isso, gente, tudo é temporário. Então toda vez que aconteceu eu ficava, nossa, não, só mais 34 dias, era o meu mantra, só mais 34 dias, tudo é temporário. E a gente ia ficando ficando. E detalhe, tá, era um povo hippie que se você matava barata ficava: não precisa matar, é só soltar na natureza. Eu matava, tô nem aí, gente, desculpa, gente, andava nas minhas costas.
Delícia!
Pelo menos eu não durmo de boca aberta.
Nossa, subiu o vírgula com isso, meu Deus!
Não, não, deixa eu contar mais uma pesada. Aqui na Índia, cara, tem um, existe um um esquema que ele é muito grande de fake review, né? Então, porra, é um processo absurdo para você conseguir reservar uma acomodação, principalmente em cidade grande. Então eu e Catarina, cara, a gente é tipo detetive.
Como é que funciona essas fake reviews? Só, só para explicar assim como é que funciona.
Vou explicar, vou explicar. Então vou chegar lá, para você fazer um você chegar num bom, numa boa acomodação, você tem meio que ser um detetive assim. Então você tem, cara, várias, a gente criou vários mecanismos de descobrir se é falso ou não. Como é que funciona? A Índia é muito louca, né, cara? Então aqui existe uma empresa de marketing, elas se autointitulam empresas de marketing, que elas abordam donos de hotéis e gerentes de hotéis e elas propõem para eles, olha, vocês estão com review má, né?
Vocês não querem fazer um programa aí? O que que é um programa para um cidadão comum, né? Pô, o programa é: vamos treinar os seus funcionários, vamos melhorar o serviço, a limpeza. Não, na Índia é o seguinte: você me paga e eu vou achar 1 milhão de pessoas para encher o seu Google Reviews de boas, de bons comentários. E Cara, é muito louco porque eles criaram também um sistema de— eu não sei, até hoje eu não entendi como é que funciona.
Que é, eles conseguem hoje em dia criar contas fakes de outros países no Booking, porque, cara, Google, beleza, qualquer pessoa pode colocar. Booking, você teoricamente é seguro porque é só a pessoa que ficou. Eu não sei como, cara, eles arrumaram um jeito de fazer fake profiles de pessoas gringas. E, cara, enchem inclusive o Booking.com de fake reviews. Então assim, resumindo, você vai ficar em Delhi, você vai ficar em Mumbai, ou você fica num lugar muito caro, né?
Caro, tô falando que, sei lá, acima de 60, 70 euros. Porque, cara, aí você tá ficando aí, sei lá, no Radisson, nessas grandes cadeias, grandes redes. E, cara, garantido você vai ter a limpeza desse recente, né? Ou nesse, cara, você tem que ir esmiuçando, entendendo se o que eles falam é verdade. Porque o indiano também tem a mania de não dar, de não colocar foto na porra da review, cara. É um saco também, você entra lá, só tem um texto.
Me tira uma dúvida, isso é uma coisa característica da Índia? Porque assim, eu nunca fui. Eu fosse procurar uma coisa, eu ia no Google reviews, saiu, e assim, ó, sim, é de indiano.
De indianos. Quando eu tenho um amigo, um amigo que mora em Lisboa, ele falou, pô, abriu restaurante indiano aqui, no dia seguinte já tinha mil comentários.
Como é que pode, né? Meu Pai amado, é um saco, né, velho? Porque você não, cara, qual que é a nossa base? A nossa base não é ter uma mesa, a nossa base é ter uma boa review falando que é lindo. Só que você tá na linha, não dá para confiar. Aí o que que você faz? Aí, cara, você vai criando mecanismos, né? O primeiro mecanismo é você ordenar, ordenar, colocar na ordem, né, de mais a pior para maior. Aí, cara, pelas piores você vai entendendo como é que é.
Só que aí o que acontece, olha que louco, tem os dois reviews positivos e eles criaram outro esquema que é, olha, agora a gente vai vai te dar um outro serviço de marketing. É, não basta a gente deixar o seu bom, vamos foder o coleguinha. Eles começam a criar review negativa para o cara do lado. Então, porra, você nem aí, já pela review falsa você também não sabe se é verdade. Enfim, aí, cara, você vai criando mecanismo.
Tudo isso para o mesmo cara que fode.
Aí já tá em outro nível, cara.
E aí isso tudo para contar Você falou que vocês têm que ser tipo detetive. Quais são os sinais para você de que é uma review autêntica, por exemplo?
No Booking você consegue ver review em outras línguas, né? Aí você pode ir lá dar, você pode filtrar pela sua língua ou só em inglês, por exemplo, você não ter as traduções. Você vai lá e filtra só em inglês. Aí tem lá o cara, ele é da, sei lá, Bélgica e chama, sei lá, Rakesh. Ele com certeza ele não é da Bélgica, né? Por essa você começa a notar. Aí depois você vai, você vai no Brasil, aí tem o raquete do Brasil, fala beleza, pode ser um cara naturalizado.
Aí você lê. Hoje em dia é muito mais fácil porque com ChatGPT você cria as reviews bem escritas, né, na outra língua. Só que mesmo assim, quando é na sua própria língua, você consegue entender se o cara escreveu aquilo verdadeiramente ou se ele tirou aquilo de inteligência artificial. Então esse é um segundo mecanismo. Terceiro é buscar por foto. E aí, o que que a gente começou a fazer? Começou a pegar telefone, mandar mensagem no WhatsApp dos caras, porque todos os hotéis têm WhatsApp, e pedir para eles mandarem, ó, faz um vídeo aí do quarto, a gente quer reservar esse quarto, por favor faça um vídeo e mande para gente.
Ah, e mais uma coisa, tem um outro passo que é muito engraçado daí, que é mostra o jornal do dia Bota o relógio do lado para ver que você gravou hoje, seu filho da puta. Não, e aí outra coisa que eles fazem, eles colocam foto, enchem. Então tem lá o Hotel Marrakech, não, o hotel sei lá, Rishikesh. Aí você entra no hotel, tem um monte de foto boa, só a última foto é do hotel de verdade. Então tipo, eles pegam fotos de outros hotéis para você abrir, né, para você melhorar lá o ranqueamento.
Aí você fica, fica bonitinho. E aí eles vão lá na última foto do hotel, são as fotos boas. Mas enfim, isso tudo para contar que um dia a gente reservou um Airbnb, porque eles também fizeram esse esquema no Airbnb. Fomos para o Airbnb, fizemos todo o nosso processo de detetive, passamos 50 dias olhando, é isso, WhatsApp, não sei o quê. Cara, a gente chega no lugar, hotel novo. E aí, por favor, ouvintes, filtra isso que eu vou falar, porque a Índia é maravilhosa, tá?
Tem muita coisa igual essa que eu tô contando, mas tem muita coisa maravilhosa. Mas a limpeza na Índia é uma questão muito latente, né, cara? A limpeza na Índia é uma, é assim, é um nível de limpeza, não existe o limpo, existe o menos sujo.
Principalmente é que a limpeza também brasileiro é muito alto. Então se a gente colocar o nível de limpeza brasileiro, a maioria dos países não chegam nem perto do nosso nível de limpeza.
Mas também a Índia também, ela tá, ela eleva o patamar, ela eleva o patamar do negativo. E aí, cara, tinha boas reviews, fizemos o trabalho, chegamos no lugar, cara, lugar novo, tinha aberto, tava aberto fazia, sei lá, 3 semanas. Chegou no lugar, velho, cara, lugar imundo. Na Índia é muito comum a gente chegar nos lugares, cheirar o lençol e pedir para trocar, fala troca porque não tá, não tá limpo. Aí o cara fala, não, tá limpo. Você fala, não tá limpo, troca essa merda, só me dá novo.
Pera aí, você cheira o lençol? Você dá aquela fungadona?
Você chega, cheira a cama inteira, velho.
Mas descreve como é que você cheira, fiquei curioso assim. Você chega no quarto, você abaixa, você dá aquela cheirada que nem droga?
Cara, é assim, como é que você vai fungar? É assim, na Índia não tem lençol, né? Tipo, é o lençol de baixo e não tem um lençol lençol de cima que a gente costuma ter no Brasil. Eles usam é o direto, o edredom. Então nunca tem lençol do meio. Então, cara, a gente chega, tira o edredom, cheira a cama, cheira as fronhas, e, cara, se tá usado, você sente, né? Você sente cheiro de usado.
Mas, Davi, não, eu quero uma coisa. Pô, vai, vai, vamos extrair. Você pegou o lençol, câmera lenta. Primeiro assim, é você ou sua esposa? Câmera ali, como é que é assim? Você dá aquela fungada leve, porque é uma fungada de periculosidade, essa Só, ou você é daquela tipo comercial de amaciante?
Como é que é afungado? E o travesseiro na cara e cheira até o último, última gota de ar, velho.
Agora eu entendi, agora desenvolvi minha imagéstica.
Agora é muito comum eles não trocarem, porque, cara, e assim, é importante dizer que para eles é normal. Se o indiano chegar num quarto que tiver o lençol usado, ele vai balançar a cabecinha e falar, ah, tá tudo bem. De boa. Eles são assim, ah, de boa, tranquilo, não trocou, tá de boa. Então, cara, aí chegamos no lugar, reservamos Airbnb, chegamos, cara, o lençol sujo, tava sujo, com cheiro de usado, com cheiro de suor. A gente fala, cara, tira aí, dá aí o outro lençol.
Não, a gente trocou. Não, não trocou, cara, dá aí o novo. Aí o cara, eu acompanho, né, fui com o cara até a recepção. Aí ele abre o sofá da recepção, tira o lençol todo, cara, marrotado, e me entrega. Não, cara, eu quero um lençol, você não tá entendendo, eu quero lençol limpo, eu não quero esse que se alguém usou e você guardou. Aí, cara, foram a noite inteira tentando resolver o problema do lençol. Aí eu e Catarina começamos a limpeza, eu baixo a janela, cara, tinha uma camisinha gozada, cara, né, pendurada na janela.
Aí, meu Deus do céu, aí é um outro nível.
Não, uma camisinha gozada Joga na janela, cara. Porra, por que que você jogou na janela? Joga no lixo, velho. Aí, aí daí a gente foi embora. Eu tenho, eu tenho muito, muita persistência, mas daí ele ali não deu, ele falou não, não vai dar. Aí fomos embora.
Uma camisinha, porque já tive lugares que tinha cheiro de porra já, mas assim, dependendo da circunstância, você vai, passa um cheirinho, né?
Um koala.
Agora você vê o vestígio, a da onde deriva o cheiro, aí realmente é foda, cara. Meu Deus, não, nunca passei por isso da vida.
Essa foi uma história triste.
Eu tô pensando, é porque o Igor não sente cheiro, né? O Igor não pode dar fungada, né?
Nossa, é verdade!
Como assim?
Eu tenho uma vantagem muito grande na Índia.
É verdade?
Eu não sinto cheiro.
Como assim, cara?
Eu não tenho olfato, simplesmente não tenho.
A Charlotte ganhou na sorte grande, né? Né? Porque trocar a fralda vai ser a maior maravilha para você.
Não, velho, como assim você não tem olfato, cara?
É, mas eu não tenho olfato. No dia que tá, no dia que tá muito bom, eu tenho 10, 20% de uma pessoa normal.
O cheiro para o Igor não é o problema, entendeu?
Mas muitas vezes você pode esfregar merda na minha cara que eu não sinto. A Charlotte, quando eu vou usar a mesma camiseta, Charlotte tem que cheirar minha camisa. Eu falo, eu sempre peço, Charlotte, Cheira se eu posso usar essa camiseta de novo.
Mas como assim, cara? Isso é o quê, uma doença, um fator genético?
Cara, eu lembro quando eu era criança eu tinha. E aí a única lembrança, assim, a única possível justificativa que eu tenho, quando eu tinha, sei lá, uns 16 anos, tinha uma briga lá, um moleque lá me deu uma cabeçada no nariz.
Então você não tem paladar também?
Então não sei se foi isso, é a única. Tenho total, tenho ótimo paladar, maravilhoso.
É que nem pessoas que não enxergam cores, que nem o daltonismo, entendeu? Pessoas sem enxergo. Já conheci pessoas que não sentem cheiro.
Nunca ouvi falar disso.
Então o Igor não seria um problema, o cheiro, entendeu?
Na Índia andava de boassa. Que fedor aqui, eu tranquilo.
Maravilha, é um superpoder incrível para algumas coisas, claro.
Para algumas coisas. Comida estragada pode ser problema, ele não sabe comprar estragado.
É, tem comida.
Não, cheiro de gás na cozinha.
Olha, é verdade, já joguei fora comida sem saber se tá estragado.
Ouvintes, espero que estejam se divertindo com alguns toques da bancada ou revelando características que ninguém imaginava. Mas acima de tudo, se você tá gostando desse papo, não deixe de apoiar o podcast lá no catarse.com.br/viajantesempauta. A partir de R$20 você ajuda o Viajante Sem Pauta a prolongar sua vida, a caminhar mais longe, ou como já diria o jargão nosso, a dividir o peso da mochila. E acima de tudo, você assinando, você faz parte da comunidade com um grupo de WhatsApp com pessoas incrivelmente legais.
Eu estou lá sempre ativo respondendo, trazendo bastidores dos episódios ou das futuras pautas, dos encontros da comunidade, que é a cereja, o creme de la creme. Tem clube do livro, tem encontros com papo de fotógrafo e encontros em chamar. É tanta coisa, gente. Então, se você já ouviu, ó, eu sempre falo, se você já escuta podcast há mais de um ano e você não apoia, ó, eu não sei o que dizer para você, sabe o que é isso? Vergonha na cara.
Mas é isso, brincadeiras à parte aqui do apresentador, não deixe de apoiar porque isso faz com que eu fique mais motivado e continuar com esse podcast por mais tempo, tá bom? Então, e lembrando que ainda dá tempo de participar dos eventos do final do ano, que é em novembro, e tem um evento argentino dia 10 de outubro. Não deixe de olhar o link da descrição ou lá no site, tá bom? Que é um evento legal onde você conhece gente boa, que hoje em dia a gente está carente de conexões, e aqui a gente sofre isso.
Então, bom episódio, ouvintes!
Esse programa é sempre para motivar, mas sempre trazendo a realidade nua e crua. Goste de você ou não, porque essa é a verdade da viagem, não é perninho-pipim a todo momento. Mas deixa eu voltar a fita. Uma coisa que a gente tava falando de coisas que a gente repara na casa, o comportamento, os hábitos. Tem uma coisa que eu faço devido que eu, como eu trabalho com áudio, então eu não preciso de vídeo, que eu faço, eu pareço um bobo, já fiz várias vezes isso com pessoas ao meu lado.
Eu entro na casa e fico batendo palma e gritando eco, eco, eco, eco, porque o meu trabalho envolve áudio. Então para mim uma cortina é muito importante. Inclusive eu acho que é por isso que eu reparo na cortina, porque cortina ela melhora a acústica. Então quando eu vejo que só tem janela, acho que até por isso que eu gosto de tá, Davi? Por isso que eu não gosto de minimalismo, porque minimalismo tende a reverberar muito som, tá?
Esse é um ponto. Então a questão que eu quero trazer é, o momento que a gente vai ficar nessas acomodações com uma boa estrutura ou não, em questão do trabalho. Tamo ali trabalhando tudo. E ainda quero trazer algumas coisas em questão de comportamento que eu esqueci de falar. Além de ficar andando pela casa para ver onde tem a melhor acústica, eu tenho um toque, além do meu olhinho de canela, né? Ouvinte vai só— um adendo, quer apostar que vários ouvintes vão comprar esse óleo de canela?
Ah, bom, eles vão mandar mensagem para mim, por favor, comprar sal de canela para ver como é que é. Mande mensagem se você comprou, tá? Enfim, tudo para dizer que eu passo o óleo ali, o óleo lá. E tem uma coisa, quando eu vou sentar para trabalhar, para editar, que para mim é um toque: eu não consigo sentar contra a luz, cara. Isso me incomoda absurdamente. Assim, a gente vai trazer o que cada um leva para trabalhar, o tripézinho, mas, cara, ficar contra a janela, o sol, é uma coisa que me dá agonia.
Eu não gosto. Eu não sei se que tem esses comportamentos, mas eu queria trazer o momento do trabalho. Tem algum comportamento, algum ritual, além dos equipamentos que vocês levam para poder trabalhar na viagem? Igor, tem algum ritual seu? Você trabalha pelado, Igor? Eu tenho uma curiosidade agora.
Você trabalha pelado?
Normalmente eu trabalho pelado.
Você senta a bunda pelada direto na cadeira? Você senta assim, encosta o corococô?
Dependendo da cadeira, eu boto uma camiseta embaixo.
E você tem algum traço, algum comportamento nos lugares quando você viaja e trabalha? Tem algum ritual seu? Você acende um incenso?
Não, eu simplesmente trabalho. Não, eu acho que eu sou muito flexível nesse sentido.
Você é bem—
já cansei de trabalhar dentro da barraca, acampado.
Nossa, eu lembrei de uma chamada que eu fiz com você, cara. Você tava trabalhando numa barraca, literalmente. Fala, puta, como você consegue?
Sim, sim, eu sou ultra flexível nesse sentido. Consigo trabalhar em qualquer ambiente.
Quando você, quando Quando você viaja, o que que você leva na sua mochila? Traga, revele para gente os segredos dos seus equipamentos.
Depois que eu fiquei mais frufru, tanga frouxa, eu levo um daquele extensor de notebook que aumenta, que deixa um pouco mais alto, que ele é bom para coluna, para você não ficar, para ficar na altura dos seus olhos, né, o computador.
É um caminho sem volta.
É, não, ajuda demais. É bem mais agradável. E aí eu tenho o mouse e o teclado externo.
Você não tem um mouse qualquer, né?
Tudo que eu levo comigo assim de trabalho é você que tem um mouse top.
Não, eu tenho mouse da Apple.
O seu é o qual, cara? É o Kainan, cara. É o Kainan, cara.
Ó, quer ser nômade, quer trabalhar na estrada, preze pela sua saúde além da sua lombar, cara. Isso aqui é o melhor. Acho que o Richard também tem. Não é baratinho, cara, mas isso aqui, cara, para quem edita, é um mouse vertical. Isso aqui faz com que você não tenha tendinite. E, cara, assim, eu me adaptei um dia. De verdade, gente, você vai trabalhar, cara, ficar em lugar, isso aqui ajuda para um dedéu. É um mouse assim, custa uns R$300, cara.
Assim, que tem mouse de R$100, R$150, mas é o da Logitech, mano. Compre isso aí, porque pela sua saúde, pelo seu condicionamento da sua tendinite, cara, faz muita diferença.
Diferença.
Eu até falo que eu demorei para usar, cara, e faz diferença para um caramba. Você não sente, é ergonômico, né? Então assim, cara, você quer investir em equipamento para estar na estrada ou em casa? Mouse ergonômico vertical. Não demore, gente, de verdade, a sua mão vai agradecer. Porque eu nunca mais tive tendinite.
Famoso mouse do tanga frouxa, né?
Que mouse de tanga frouxa? Vem ser da de machão com mouse? Depois você me fala quando você tiver tendinite, precisar de médico, Davi, daí a gente conversa, tá? Tá bom, tá bom. Só para, cara, mas essa questão do tripé é um retorno, porque eu também tenho hoje em dia esse tripézinho, cara. Quando eu, sei lá, não levei ele para algum lugar, eu esqueço, a minha cabeça, o pescoço fica para baixo, cara. É muito ruim, assim, é uma coisa que não dá para você retroceder depois, porque você fica com até— eu tô usando agora, né?
Então isso ajuda. Inclusive são pequenos prazeres de ficar na casa. Quando a gente falou que assim, o que que você faz para sentir mais em casa? É pegar o tripézinho e colocar, cara. Eu gosto desse momento de abrir a telinha.
É porque quando a gente trabalha em rosto, você tem que ficar montando e desmontando o seu setup de trabalho, aí colocando no locker. Quando você sai, você fala, ai, que preguiça! Quando você tem a sua casa, só deixa lá em cima da mesa. Nossa, que prazer que é isso! É muito bom. Mas assim, é o que a gente tava falando, a gente mudou muito na estrada. Antigamente eu tinha um computador um SSD, memória externa e um sonho. Esse era o meu setup de trabalho.
Hoje em dia eu tenho computador, eu tenho tripé do computador, eu tenho mouse, eu tenho mousepad, eu tenho 3 SSDs, um leitor de SSD, temos também uma régua gigantesca, tenho um fone de ouvido com fio, um fone de ouvido sem fio, porque dependendo do que eu tô editando, dependendo do que eu tô fazendo no computador. Então assim, Gente, o peso do trabalho, isso sem contar, claro, né, câmera, microfone, né, porque a gente trabalha em vídeo. Isso daí não conta.
A gente vai ficando velho ou mais sábio, sabe outro pequeno prazer? Mousepad. O mouse deslizar gostosinho. Assim, esse mouse que eu tenho, ele é em qualquer mesa, mas assim, o mousepad é um deslizar tão gostoso. Vou até falar tão gostoso.
Gente, e tem um mousepad, vou contar aqui para vocês, tem um mousepad que ele ainda tem uma almofadinha onde fica apoiado da sua mão, a parte inferior.
A gente vai escalando as coisas. Queimou isso do mousepad com— gente, é muito— tem um de gatinho, inclusive, é bem bonitinho. Tem um que é estético, cara, é muito bom.
Só para mostrar aqui, tá, gente, ó, esse daqui é o mousepad, era dos meus pais, tá?
Por isso que é do Lula, que eu tô usando a do Lula.
Aí aqui, ó, não sei se dá para ver que ele tem uma almofadinha, você apoia aqui, ó, almofadinha.
Davi, o que que você vai falar?
Não, isso aí é jogo de marketing, né, que o povo fica inventando para vender mais coisa.
Aonde, bonzão? Cara, Davi, daqui 10 anos a gente volta a se falar, você vai falar como é que tá sua tendinite.
Eu tenho um item, não é de trabalho, mas ele é de trabalho porque eu uso ele sempre depois de trabalhar. Como a gente, mesmo com tripé, mesmo com computador e tal, você fica sentado 8 horas Você fica com dor nas costas, não tem como. Você tá editando um documentário, um vídeo de— você fica, o que que eu carrego? Um rolinho de macarrão de piscina que a gente comprou quando a gente tava em Montenegro, porque a gente tava com muita dor nas costas, e cortamos ali uns 15 cm dele.
A gente coloca na coluna e deita no chão reto e alonga tudo, gente. Alonga o pescoço, alonga a coluna inteira, é maravilhoso. Eu faço questão de carregar ele até a China comigo. Até a China, porque dá até a China comigo.
Tipo aqueles de academia, né?
De academia, sabe? Aqueles rolinhos de piscina, sabe?
Ah, boia de piscina meio espumadinho.
Sabe que é aquele macarrão de piscina que ele é meio espumadinho? Aqui, ó, vai pegar para mim esse daqui, ó.
Tá, tá, tá, entendi.
E aí você põe aqui, ó, é um rolo de piscina cortado aqui, uns 15 cm, até mais, 20 cm. E aí você põe aqui, deita no chão e alonga tudo Estrala, estrala as costas.
E fica fazendo, você fica fazendo assim, tipo, suas costas.
Você consegue ficar fazendo assim com ele nas costas, ou na parede também, que você coloca aqui, você vai subindo e descendo e alonga tudo. E é de trabalho, gente, porque quando você tem que editar um documentário da Guerra da Bósnia de 1 hora e meia, porra, sua coluna não aguenta.
Igor e Davi, o que que vocês carregam aí para aguentar a vida na estrada, para trabalhar? Tem algum segredinho a mais? Mais de equipamentos além da extensão?
Ah, tem um negócio que para mim muda a vida, que é aquele cubo, aquele adaptador internacional, sabe? Adaptador universal. Aquilo para mim, cara, muda a vida, que pode carregar, consigo carregar, sei lá, 6 coisas ao mesmo tempo. Aquilo é muito bom. É isso que eu preciso. E o tapete, eu tenho um tapetinho do mouse, mas eu uso a capa, você viu o tanto que eu transgredi Eu uso a capa do meu laptop como o tapete.
Davi, quanto tempo de estrada você não melhorou? Pelo amor de Deus. 4 anos.
Não, eu só piorei.
4 anos eu tô— não, tá de boa. 4 anos tá lindo, esperado.
Só que sabe uma coisa que é legal, que eu carregava, que é muito bom para viajar e trabalhar? Que a gente já falou de extensão, mas tem aquela extensão de rolo. Porque, cara, vários lugares que eu já fiquei tem a mesa maravilhosa, a mesa pode ser a melhor possível, mas não tem a bendita tomada próxima.
Sim, isso, isso eu levo comigo. É verdade, isso é muito bem lembrado. Um extensor longo, é que nada pesa.
Tipo, a gente quando—
não, não é um peso. É, eu levo muito a sério o peso que eu levo, mas isso é necessário. Porque aí você tem a mesa, mas a tomada não chega para carregar o computador.
Mas é que a mesa normalmente se move, né?
Não, é, mas aí só move para dentro do banheiro. Ou sei lá, já passou situação.
A mesa móvel, não concordo muito não. Tem mesa de madeira, de cedro, pesado. Não, Lanata, aí tu tá pensando.
A maioria das casas, a mesa não é aquela que a gente teve no Paraguai, calma lá. É leve a maioria das mesas, leve.
Mas sabe uma coisa que eu gostaria de levar? Mas é porque daí também seria contra-intuitivo, mas, cara, levar abajur. Eu tenho um amigo, cara, se eu pudesse levar um abajurzinho. Não faz essa cara de julgamento, deixa eu me expressar.
Porque eu gosto, como não julgar, Caílan?
Eu gosto da luz quente, eu gosto da luz direcionada, eu não gosto da luz de cima. Gente, eu não levo, tá? Eu posso só exprimir meus desejos e não ser retalhado aqui? Obrigado, obrigado por me permitir nesse programa poder exprimir minhas vontades. Eu falei, se eu pudesse, eu levaria, mas eu não levo porque é contra-intuitivo, tá bom? Tá bom, deixa meu abajur em paz.
Tem uma coisa, não, eu tô imaginando aqueles abajur de casa de vó, de aquele material, como que é aquele material? É tipo vidro, porcelana, oval assim.
Tem uma coisa, não, não, a gente não é para esse nível, mas tem uma coisa que eu acho que se eu pudesse levar, mas eu nunca levei. Você já compraram aquele astronauta que joga a iluminação na parede, fica a Via Láctea? É muito legal, eu tenho a curiosidade. Mas você já viu como é que é?
Você tem?
Tenho, tenho, cara. É muito legal.
E é bom?
É bom, cara, é bom.
A luz é boa?
Se você fumar um ainda, melhor ainda, cara. Mas como eu não faço essas coisas—
Mas é o quê, laser?
É como se fosse projeção, são vários lasers, né? Daí ele projeta estrelinhas, uma nebulosa, e cara, fica uma vibe muito legal, muito legal. Então assim, eu acho que para trabalhar—
Mas a função é essa, é dar uma vibe.
Porque assim, tem uma questão, cada um trabalha em setores diferentes, mas para mim uma coisa que infelizmente eu não posso gosto de escutar música, que eu trabalho editando áudio, então eu amo ouvir música. Então para mim é a parte triste. Então se eu, tudo que eu puder ter de estímulo visual, então para mim, eu já fiz aqui em casa várias vezes. Então acho que eu levaria minha cabeça de astronauta, viu? Seria uma boa coisa. Não tinha pensado nisso.
Difícil, pesado.
Ah, cada um sabe o fardo que carrega. Eu carregava azeite, Luana. Cada um sabe o fardo, entendeu? Carrega, deixa eu, deixa eu. Tem uma outra coisa que eu fiquei lembrando agora, que tem um lado bom de viajar em casal, que eu sei que tá conectado com acomodação, mas na hora do trabalho fiquei Vou trazer isso aqui porque são pequenos deleites, mas eu lembro que era muito gostoso. Eu gosto de trabalhar com pessoas ao meu lado, assim, eu gosto de ficar em silêncio, eu gosto quando tem companhia, mesmo que fique em silêncio, eu acho divertido.
Eu gosto de conversar, eu gosto de falar, mas quando tem que editar, mas eu gosto de sentar de frente com a pessoa. E assim, ninguém fica trabalhando 3 horas direto, pá, separa para ver um videozinho. Ah não, calma, falando por mim, tá, Lando? Mas assim, 3 horinhas, eu adoro aqueles momentos, tá todo mundo sério e alguém solta aquele risinho, sabe? Assim, aquele sorrisinho mudo. Aí que cada vez que acontece O que aconteceu? O que aconteceu?
É muito gostoso, pequenos momentos. Ah, fala que não. Enfim, só pequenos prazeres de poder ter companhia, tá?
Eu acho que varia, varia muito. Eu e a gente ficou durante a pandemia, a gente ficou numa pousada. Enfim, longa história, mas quando começou a pandemia a gente tava naquela pousada, a gente ficou por 9 meses lá. E não eram— a gente tava fazendo um trabalho de foto e vídeo para eles, e era um chalé de 1 quarto, 2 quartos só. E como a gente ficou lá 9 meses, a gente precisou adaptar esse chalé para poder trabalhar também. Então a gente pegou uma mesa da piscina, 9 meses, a gente pegou uma mesa de plástico daquelas tipo Brahma, sabe, essas coisas da piscina da pousada, e duas cadeiras de plástico e colocamos dentro do quarto para poder ficar 9 meses trabalhando assim.
Então era eu e Richard numa mesa quadrada plástica com os pés lutando embaixo da mesa, tipo, sai, você tá no meu braço da cadeira embaixo. Era um espaço muito pequeno por 9 meses. Então assim, é legal trabalhar com alguém? Depende. Porque também às vezes, por exemplo, o Richard tá numa casa com uma mesa grande e tudo mais, mas o Richard tá editando documentário. Eu não posso simplesmente chegar e falar: oi, o que você tá fazendo?
Vamos sair para jantar? Tipo, não, ele tá focado no documentário. E gente, se eu tô focada no trabalho, ele me distrai. A gente normalmente é, tá trabalhando, ninguém fala com ninguém. Se precisar falar alguma coisa urgente, a gente faz. Oi, pode falar. Mas é assim, silêncio.
O Cainan tem cara que é aquele cara que chega no escritório, cada 5 minutos chega no cangote de um e vai atrapalhar o cara, né? Ô, vou tomar um café.
Vai se foder, pô.
Não enche meu saco, deixa eu trabalhar, caralho.
Cara, infelizmente eu acho que eu sou essa pessoa. Eu não consigo. Que bosta, né? Então é melhor viajar sozinho então. Não vou viajar com ninguém. Aqui, tá? Vou te atrapalhar, cara. Eu não consigo. Esses dias teve um episódio que eu atrasei 2 dias, atrasei 2 dias que eu tava no ambiente com pessoas, e eu quero conversar, cara. Não tem como, eu preciso me isolar, não adianta. Eu vou querer conversar, é uma bosta. Eu não tenho, eu não tenho esse controle.
Não é bom conversar, mas é porque às vezes você tá precisando de foco, de atenção ali, sabe? Aí tem pessoas que ficam toda hora, sabe, cutucando. Aí é um saco. Eu queria saber perrengues com internet também. Porque a gente precisa de internet para trabalhar, todos aqui precisamos de internet. Teve algumas coisas já engraçadas, curiosas, relacionadas à internet, trabalho?
Comigo já, de acampado e dá um problema grande e não ter o 4G, 5G não tá funcionando, e eu sair desesperado de bicicleta atrás de um McDonald's para usar a internet. Internet. E tem vários países com internet muito ruim, né? Principalmente os europeus.
Os europeus, internet ruim, cara?
Sim, velho, sim. Eu acho que é porque o cabeamento antigo.
Mas dá um exemplo aí de França. França é ruim, né?
Lyon, Lyon, Lyon na França é um dos piores internets da minha vida.
E a melhor?
Porra, Índia, sério? Eu tenho internet boa às vezes. Pegou uns lugares com internet boazona aí, cara?
Pior que tem. E aí não é ruim não, é boa, é boa.
Então a internet é boa também, barata assim, absurdo, é de graça, o SIM card é de graça.
Sabe uma outra coisa também que fica de orientação para o ouvinte quando vai, sei lá, vamos pensar que a premissa do foco dele é ir para trabalhar? Internet boa é muito subjetivo. Se você tem que subir um vídeo 4K no YouTube, é uma coisa. Se você tem que, sei lá, só fazer uma chamada, é outra. Quando o host já pega esse mercado, esse público já nômade que vai trabalhar, ele já coloca o teste de velocidade. Isso já é um bom indicativo, inclusive.
Se o cara se o cara tá no Airbnb, já mostra assim, ó, nem me pergunte, tá ali já no perfil. Isso aqui é o teste, cara, pode ir tranquilo, o cara sabe já que você precisa. Ah, inclusive eu lembrei de uma coisa, só conectado com trabalho. Não sei se vocês viram a notícia recente de uma moça, foi nos Estados Unidos, que ela teve uma conta de eletricidade de, sei lá, $2.000, $3.000. Resumo da ópera, o cara utilizou o Airbnb para fazer Bitcoin e fazer mineração, e isso suga muita eletricidade.
E aí ela teve que colocar na bio lá: agora não pode fazer mineração. Para quem não sabe, né, quem vai gerar Bitcoin, tudo gasta muita eletricidade. E o cara simplesmente usou a casa da moça do Airbnb para fazer Bitcoin e a conta dela veio estratosférica. Então assim, só lembrando essa história porque envolve trabalho. Aí depois disso a moça teve que agora, olha, pode vir para trabalhar, proibido fazer mineração de Bitcoin.
Ó, mas tem uma, tem uma dica muito boa. Tem um site, né, porque se quiserem saber lugares e cidades, aí também tem que confiar no ranking, mas as melhores cidades para se trabalhar tem um site chamado nomads.com, que lá tem as pessoas que são nômades digitais pelo mundo todo, elas rankeiam, né, tipo, ah, sei lá, a primeira com certeza deve ser Bangkok. Eu falo de internet, internet, de segurança, de preço, etc., etc., etc. Acho que é um bom indicador também para ver.
Para mim, a pior internet que eu já tive, Namíbia. Não sei se vocês já tiveram na Namíbia.
É que tem uma questão, o Davi, assim, que por exemplo, muitos países africanos, por experiência, a internet é muito boa, só que ela não é de Wi-Fi, ela é de 4G. E aí você tem que comprar muitos pacotes. Tem essa questão das acomodações, às vezes ela é limitada, ela é boa, mas ela vai ser limitada. Não vai ter Wi-Fi assim use à vontade. Então tem esse ponto. Namíbia, assim, eu lembro que na capital, nas cidades grandes, a internet era boa, mas você saiu da cidade, esquece, muito ruim ficar na cidade.
Então tem esse ponto. E tem uma outra coisa de internet que eu ia falar, que agora eu esqueci. Ah, esqueci. Se alguém puxar, eu esqueci o que eu ia falar de internet.
Teve uma história aqui recente nossa em relação à internet que foi bem curiosa. A gente nunca tinha passado por isso, que a gente ficou numa casa que tava lá, que tinha Wi-Fi e tudo mais. Quando a gente chegou tinha, só que ela era meio fraca. E aí a gente foi falar com a pessoa, ele falou assim, ah não, pode deixar que eu vou rotear a internet para vocês. Aí a gente percebeu que na nossa casa tinha o replicador de sinal de Wi-Fi, não tinha Wi-Fi, e o cara era o vizinho.
Então a internet na nossa casa era horrível porque tinha parede ali bloqueando o sinal e tudo mais. Então às vezes quando a gente queria subir um vídeo mais rápido, a gente pegava o computador e ou sentava ali na escada perto da porta dele para tentar diminuir Só que assim, é um vídeo de YouTube em 4K, vamos combinar que demora para um caramba. Então o que a gente fazia, a gente descia no térreo e procurava uma pizzaria que tinha lá, que tinha internet boa, pedir uma pizza e ficava com notebook aberto ali do lado subindo enquanto a gente comia pizza.
Mas uma coisa, uma pergunta aqui: será que a galera leva esse replicador de modem na viagem? Será que existe uma galera que leva assim, ó, deixa eu aumentar o sinal e leva?
Cara, eu já vi um nas antigas, não sei se funciona.
Você precisa do— não, você nunca mais, mas eu acho que você precisa ter o código, né, do roteador. Acho que não é só plugar na tomada.
E esse novo do Elon Musk, a galera não tá levando na viagem?
Mas aí é motorhome e barco. Eu sei que a galera de motorhome é um compactozão, né?
Não tem uma versão bem compacta não.
Eu conheço muita gente que usa, ninguém fala mal. Tanto que a galera que não gosta do Elon Musk fala detesto ele, mas eu amo Starlink. Mas tanto que a Amanda, Amanda já gravou várias vezes, ela fez no veleiro. E cara, ela tava no meio do oceano conversando com a gente, falou, Caína, eu estou no meio do nada, internet supimpa. Então assim, e tanto que hoje em dia, acho que isso até ajudou, inclusive bom ponto você trazer o do Starlink, porque isso revolucionou até os Airbnbs, acomodações de interior, de fazenda, que geralmente tem casas muito boas Tipo, tem lugar agora em Cunha, né?
Eu fui recentemente no espaço para ver uma casa para 20 pessoas, cara, a casa maravilhosa, mas assim, é roça, roça, roça, não tem assim, só passa o poste de madeirinha, cara, internet Starlink. Então assim, cara, isso aí revolucionou o interior do Brasil hoje em dia, assim, casas muito boas, mas internet muitas vezes era um problema. E cara, hoje em dia não é desculpa assim, o cara pode não ter por uma questão, sei lá, financeira, mas isso aí mudou.
Tanto que eu lembro que conversei com a Amanda que assim, muito por cima, né, o Starlink é baseado assim, se você tá usando na sua casa é um preço fixo, se você tá em carro é um preço, se você tá no veleiro é muito mais caro. Então lembro que a Amanda assim pagava um valor muito mais porque ele sabia, conhecia que você tá no meio do Oceano Pacífico, né. Mas cara, a galera usa, mas assim não móvel, a não ser que esteja com carro. Eu sei que o Get Outside tem, galera de moto.
Aí em Cunha já tem internet, cara?
Tem, é que aqui é muito roça, mas a galera usa Starlink nossa, tipo, e cara, funciona, que é só não pode ter árvore e muita chuva, né? Então hoje em dia não revolucionou, cara, esse cenário.
Teve uma chuva que a gente pegou no interior da Bahia que a gente ficou 3 dias sem energia. Não era sem internet, era sem energia na cidade inteira, na cidade, né, no povoado inteiro. Puta, para trabalhar você não conseguia, e não tinha sinal de celular. Então a gente não tinha nem como mandar um SMS para as pessoas, não pegava 4G, não pegava nada.
Desespero, né?
Ficou 3 dias sem comunicação. Foi maravilhoso, não tô reclamando, eu amei.
Outra coisa que eu lembrei que mudou muito de anos para cá, que não tinha na época que eu fiz a viagem da África, assim, coisa de equipamento para ajudar na viagem a trabalhar. Hoje em dia você tem, tinha já power bank, né? Hoje em dia tem power bank ainda de 10 miliamperes, 10 tudo mais. Hoje em dia tem power bank para computador, só que é muito mais caro, custa uns R$1.000 um bom, cara. Ele carrega 2 vezes, é muito pesado, é que você Mas eu já vi galera carregando.
É um power bank para notebook, cara. Fala, caralho, tem power bank capacidade para carregar duas cargas notebook?
Porra!
Só que eu já vi esse negócio, é muito pesado. Ele pensa que é possível conservar.
É só quem viaja de mala.
É, hoje, cara, a gente quando começou a viajar, a gente fez um ano de África, né? Foi o nosso primeiro ano. A gente comprou um— a gente é muito ingênuo, né? A gente comprou um carregador solar de de coisas, cara. Comprando é bonitinho, cara.
Não serve, não funciona, cara.
Assim, ele até funciona, só que você tem que deixar, cara, 20 horas no sol da Bahia, tipo quente, para carregar um celular, pô. E quando é que você vai? E quando é que você vai usar isso? Onde é que você vai colocar no sol, velho? Aquela, né, de primeiro viajante, de primeira.
Eu já tive um, era Power bank, o tamanho do power bank era o painel solar.
Eu já vi desse, esse só compensava se você ficasse lá 2 semanas no meio do mato sem realmente assim. E a chance de você ir para um lugar com eletricidade cair 1 hora e 2 horas, então. E era caro esse negócio, era caro esse power bank solar.
Aí eu boto a culpa na Chara, foi no dia que eu conheci ela que eu perdi.
Além do que a gente falou assim de trabalho, tem alguma coisa que vocês queiram somar para dar orientação para audiência?
Eu acho que assim, eu acho que justamente de orientação para o ouvinte, acho que vale a gente dar umas dicas dicas assim, se a pessoa tá a fim de cair na estrada, de virar nômade e tudo mais, algumas dicas gerais que a gente daria. O que vocês diriam aí?
Boa! Quer começar, Lanita? Ou Davi?
Posso começar, posso começar. Assim, eu falaria primeiro para pessoa se testar antes de ir de uma vez só. Então assim, passa ali um mês no lugar, testa para ver se você se adapta a esse estilo de viagem, porque muda muito a viagem quando você viaja a trabalho e quando você viaja sem trabalhar. Então eu diria é para fazer um teste antes de trabalho, para ver como é que você se adapta e tudo mais. E aí você depois vai melhorando o seu setup, que é o que a gente falou aqui.
Você vai descobrir o prazer que é ter um tripézinho, o quão bem vai fazer para sua coluna, por exemplo, observar melhor as cadeiras e mesas, os lugares. Essas acho que são algumas dicas já que ajudam a pessoa, né?
Você não precisa ir para Tailândia de começo, vai para o mesmo estado, vai para um lugar gostoso, testa, testa. Essa é uma boa dica, boa orientação. Davi, o que que se orienta?
Primeiro, tenha claro na sua cabeça que mochileiro não é nômade digital. Eu demorei a aprender e entender isso, né? Eu amo os dois, faço os dois, mas são duas coisas completamente diferentes, viagens distintas. Viajar e ser nômade digital é uma coisa completamente distinta. Aí no mercado vai falar com Igor, vai falar com a equipe nômade, vai entender o que que pode fazer, vai aprender. Acho que quando a gente começou, existem infinidades, né, de que você pode fazer no mundo.
Quando a gente começou, cara, a gente tomou muita porrada no começo, sabe, querendo fazer sem perguntar para os outros, sem tirar dúvida. Acho que tem muitas ferramentas aí disponíveis que te permitem aprender rápido. Ser nômade digital, aqui nós estamos falando, somos acho que 4 criadores de conteúdo, né, nós criamos conteúdo. Ser nômade digital não é ser criador de conteúdo. Acho que, sei lá, o Igor sabe dar a porcentagem aí.
A maioria das pessoas que trabalham no digital não é criador de conteúdo. Você não tem que dar a cara. Ah, eu vou cair na estrada, vou só viajar, vou aproveitar a vida, não vou ter que trabalhar e vou ganhar dinheiro. Não é assim que funciona. É possível, é legal para caramba, é um sonho. Ah, e eu acho que isso eu falo vale para nomadismo, vale para viagem, vale para qualquer coisa. Não é para todo mundo e tá tudo certo se não for para você.
Acho que esse é o ponto mais importante. Não é para todo mundo viajar da forma como eu viajo, ser mochileiro, ser nômade. Não é para todo mundo e tá tudo bem. Não existe certo e errado no mundo. E para mim, acho que o mais importante são dois. Tô alongando demais nas dicas, né? Mas para mim, dois pontos importantes são: fala com quem já faz, né? Vai aprender, fala, troca uma ideia com quem já faz, cara. Não fica batendo cabeça, vai perguntar, vai entender o que que você pode fazer, aquilo que se encaixa melhor no seu perfil.
E não compare o seu backstage com o palco dos outros. Acho que também isso é muito importante. Tem muita gente falando que a vida é maravilhosa, etc., mas isso é o palco do Cara, você não sabe que o cara tá passando por trás. Todo mundo tem dificuldades, todo mundo tem desafios, e é legal para caramba, mas também é cheio de desafio.
Eu vou somar junto com a Lana que você falou, além de tudo que a gente falou no programa, a gente dá acomodação porque isso reflete um trabalho e tudo. Eu quero fazer um adendo, reforçar: teste, testa, cara. Eu acho que é testar esse cenário, vê se você gosta ou não, que nem falou para todo mundo. E tem outra coisa também, volta e meia eu converso com alguns amigos um pouco mais jovens, que é, pode ser passageiro, pode ser uma fase, não é para o resto da vida, que seja uma fase da sua vida.
Tipo, às vezes eu não quero ser criador de conteúdo, daqui 5 anos eu quero parar o podcast, eu quero ter outra vida, talvez eu queira ficar mais off. Então não precisa, pensa, quando você faz escolhas na vida não é para sempre. Veja assim, puta, eu quero um tempo na minha vida para poder viajar também, ser um pouco mochileiro. Na vida é testar, ver se gosta ou não. Você não vai saber se você gosta de uma fruta se você não come. Isso é para tudo na vida, tá?
Então voltamos ao mantra do tudo é temporário.
Até a vida na estrada, mas teste com persistência, não teste por um dia, teste com persistência.
Não, mas outra dica aqui também, até para complementar que Davi falou, que foi muito bom, é que para trabalhar na estrada requer muita disciplina, porque a gente linka muito viagem com férias e com, pô, eu cheguei numa cidade nova, eu quero conhecer a cidade, eu quero bater perna o dia inteiro e tudo mais. E você ter autodisciplina de realmente falar: não, deixa eu ficar em casa porque eu preciso entregar tal coisa, preciso tirar tal projeto do papel, eu tenho um prazo para— requer disciplina, autodisciplina.
Fazer uma outra ajuda então, que é importante. Como todo mundo aqui é criador, cada um tem sua rede de contatos. Isso eu tô sendo muito sincero, e como sempre foi aqui: tenha amigos para poder ter desabafo na hora difícil, tá? Eu falo sério assim, de conversar. A Lana sabe disso assim, tem momentos muito bons, tem fase que eu tô muito boa, Mas é muito solitário esse processo. Então quando eu tô para baixo, por N razões, né, nem pelo financeiro, mas dificuldade, enfim, tem razões, cara, tenha pessoas que estão no mesmo caminho para conversar, cara, porque isso ajuda.
Assim, todo mundo tem seus altos e baixos na vida, com qualquer esfera da vida, e ter amigos nessas horas faz muita diferença. Agora é um papo de amigo para o ouvinte: tenha amigos que estão fazendo o mesmo, ou trabalham na mesma área, ou querem ser nômades, porque isso faz uma diferença absurda com quem compartilhar. Porque quando você tá ruim, você tá num dia ruim por N razões, ou família, Cara, tem alguém para ter troca nessas horas, para poder continuar, para ter persistência. Isso é uma dica para a galera.
Somando também dessas amizades, porque é bom você ter pessoas que também vivem o que você tá vivendo. Porque se eu for reclamar de trabalhar na estrada para amigos meus que estão em São Paulo, assim, eu vou me sentir ridícula e estúpida, e eles não vão entender as complexidades de trabalhar na estrada. Então tem alguém que entende as camadas dessa vida itinerante, essa instabilidade financeira, emocional, de todos os lados, faz muito bem.
Lana, você imagina o meu trabalho, tinha, qual é meu trabalho? Gravar com vocês e dar risada e falar merda.
Exato, vocês pensam que é isso?
Tipo assim, você tá em casa, tá reclamando, diga, Davi.
E se você não tem, porque, cara, também pode ser que a pessoa venha do mundo, sei lá, que não tem alguém do lado que fez, né? Acho que o primeiro, a primeira Esse ponto é muito importante, né? Só escuta quem chegou onde você quer chegar. Esse é o ponto, né? Não fica dando ouvido para quem acha que sabe como é chegar onde você quer chegar. Escuta quem já chegou. Mas acho que também importante é— o caralho, deu um branco agora. O que que você tava falando, Alana?
A idade.
É, a idade foi legal. Não, eu ia complementar um pouquinho.
Do nada, nossa.
Eu ia complementar uma coisa importante. Importante que você falou. O que que você falou agora?
Você tá tomando vitamina direitinho, Davi? Você tá cumprindo?
Fala que tá aqui, fala que tá aqui.
A gente tava falando da importância de ter pessoas que entendem o que você tá passando no tráfego.
Seja cara de pau, porque talvez você não— é muito provável que você não tenha alguém do seu lado que já fez isso, porque, cara, é mais provável que você esteja no mundo que não tenha nomes digitais. Então é, manda mensagem para galera, acha a gente no Instagram, acha a gente no LinkedIn e manda mensagem perguntando. Eu tenho certeza que se você mandar 100 mensagens, alguém vai te responder. Então seja cara de pau, seja, né, manda mensagem mesmo para você aprender com os outros.
Acho que vai ser o mais legal. Tem muita gente vivendo por aí do jeito que você quer viver.
Eu não vou dar comissão para lá nem para o Davi não, tá, gente?
Só para não ter comissão, tem que ter comissão.
Igor, meu querido, fala aí que a minha aqui que você quer trazer aí para Cara, eu quando comecei a viajar o mundo, eu não pensei em trabalho.
Eu já tinha juntado uma grana, eu era executivo numa empresa americana, e por 2 anos eu só viajei. E eu cheguei a um ponto que eu falei, pô, eu quero viajar para sempre. E então eu descobri que para viajar para sempre eu precisaria trabalhar, e a melhor forma é trabalhando online. E qual foi a parada? Eu fui buscar profissões que que permitiam esse estilo de vida. E aí eu comecei a trabalhar, por exemplo, com criação de sites, posicionamento de sites no Google, edição de vídeo, tráfego pago, social media.
Comecei a trabalhar com várias profissões e nenhuma delas foi a minha paixão, e não é até hoje. Mas o que eu quero dizer é: a minha paixão, na verdade, era o estilo de vida, era viajar. Eu não nasci abrindo a janela: ah, eu amo fazer sites! Mas eu encontrei profissões que pagam bem para caramba, que me permitiam fazer o que eu amo, que é simplesmente viajar. Então a minha dica é: procure, se o seu caso você não tem uma paixão muito específica, que você ama tal detalhe, tal profissão, procure profissões que pagam bem, porque tem muitas opções que pagam, que você viaja bem, consegue ficar tranquilão na estrada, não precisa trabalhar que nem um condenado.
E vai conseguir realizar os seus sonhos. E a segunda dica é: o trabalho é prioridade. Sempre foi para mim. A partir do momento que eu comecei a trabalhar, eu, para mim, tava muito claro que de vez em quando ia ter que dizer não enquanto tava viajando. Ah, tem um passeio, tem uma coisa legal, mas se eu tinha um compromisso profissional, se eu dei datas, por exemplo, peguei um projeto, precisa ter data para entregar, eu diria, eu dizia não.
Para todos os convites, porque a minha palavra tem um peso muito grande. Então, trabalho é prioridade. Se você pensar assim, você vai conseguir viajar para sempre. Não pensa que a curtição é a prioridade. E por fim, estude bastante, né? E eu sou o dono da Keep Nômade, né, que é a maior empresa de educação de nômades digitais do mundo, né? Coincidentemente é brasileira. São 30 mil alunos em 120 países. Então, para quem quer aprender um pouco mais sobre isso, Procure Keep Nomad como K-E-E-P Nomad.
Inclusive, a minha voz tá lá no site, hein, bonitona, viu?
Vou dar uma olhada, hein? Não sabia disso não.
Exatamente, é verdade, a voz do Cainan, o nosso trailer.
É só para somar tudo isso, a gente tá falando de acomodação agora, da Keep Nomad, de trabalho digital. Ouvinte lembrar que assim, que nem o Davi falou, muitas vezes separe mochileiro de viajante, mas assim tanto, posso falar pela Lana e pelo Richard, acho que o Davi também, o que a gente passa de tempo trabalhando no computador na mesa é muito tempo, tá? É um pouco desromantizar, você vai ficar muito tempo na mesa. Por isso que a gente falou da importância da mesa, do equipamentinho gostoso.
E eu acho que todas as pessoas que chegam a viajar um pouquinho com o Kenômer falam, nossa, vocês trabalham muito mais do que a gente imaginava. Porque as pessoas acabam vendo mais quando a gente tá almoçando fora, não acaba.
E quando você começa a viajar você começa a ter contato. Acho que isso é, para mim, é o mais, o mais precioso. Você começa a ter contato com tanta coisa e tanta gente que faz coisa diferente, cara. Você tem uma ideia, eu conheci um cara no aeroporto da Tailândia, meu, que ele era, ele era do Chipre. Ele gerenciava manualmente reservas de hotéis no Chipre. O cara ganhava 10 mil euros por mês gerenciando reservas, fazendo reservas, fazendo tipo um projeto manual.
Não, eu falar que eu conheci 3 pessoas que agora estão gerenciando Airbnb e estão ganhando uma grana, que assim, a dor de cabeça que os cara tem aí não tá escrito.
Mas todo trabalho tem dor de cabeça. Se você tem um trabalho que não te dá dor de cabeça, tem que mudar de trabalho.
Não, não, não, não, calma, calma, calma.
É diferente, todo mundo tem seus desafios. Mas, cara, você trabalhar com expectativa de acomodação que a gente falou é outro nível, Davi. Nem Nem se compara, cara.
Acho que todo trabalho tem seus desafios.
Todos os trabalhos vão ter, só que você trabalhar com atendimento de acomodação de Airbnb, que é outro nível, não se compara, Davi. Eu entendi isso que você quis dizer.
Acho que depois você aprende, velho. É isso, né? É aquilo que eu tava falando, se você não tem uma— e eu acho muito difícil você achar uma paixão para transformar esse trabalho. É muito difícil, velho. Quem que faz isso? Quem faz isso é jogador de futebol e músico, velho.
Eu acho que rola, por exemplo, os documentários da Alana e do Richard. Eu acho que conseguiu o Caimã com o podcast. Eu acho que sim, eu acho que sim. Mas não é todo mundo que tem, uau, hoje eu sei que a minha paixão é fazer gestão de empresa. Eu sou apaixonado pelo meu trabalho hoje. O gestor da equipe Nômade, o estrategista da minha, eu amo.
Eu acho que a questão, Igor, é assim, a galera não romantizar, cara. Eu gosto do que eu faço, eu gosto de fazer pauta, eu gosto de chamar a galera, eu gosto de bater papo, mas eu falo dos desafios, eu não falo, gente, eu falo que dá trabalho. São 6 anos fazendo isso aqui, cara. Então assim, esse é o ponto, eu tenho paixão ainda.
Eu sou super a favor de, ao invés de descobrir o trabalho que você ama, É descobrir o estilo de vida que você ama e ter um trabalho que banca isso, ponto. Eu acho, é muito mais importante você ser feliz na sua vida pessoal. É claro, então não tem um trabalho que vai te deixar triste também.
Tava conversando, só para não postergar, porque acho que passamos do horário aqui, mas por exemplo, tava conversando quando eu fiz a passagem de áudio com o Davi, que assim, você vai fazendo, você vai trabalhando na internet, você vai encontrar o seu estilo de vida, o seu formato. Eu encontrei o meu, por exemplo. Agora a gente vai entrar em off do podcast Eu fico 4 meses off de programa, tá? Não quer dizer que eu pare, talvez eu fique de férias uns 40 dias, porque logo logo vou para o Peru, né?
Assim, se tudo seguir. Nesse tempo eu não quero carregar computador, eu quero vivenciar a viagem e voltar e retratar isso de casa. Eu não quero, porque senão aí eu poderia perder o tesão da viagem. Eu não vou levar computador, o máximo é levar um gravador portátil para gravar o áudio ali, mas é quando eu voltar, porque como eu não escolhi fazer vídeo, é uma escolha minha eu poder retratar a viagem em áudio. Eu posso gravar aqui do meu interior, entendeu?
Tudo para dizer que assim, você vai encontrar o seu formato, há quem goste, e são escolhas. E cada escolha é uma renúncia. Sei que a Cristina vai falar isso, mas eu tenho uma renúncia de não ter vídeo, mas eu tenho o pró de poder ficar 4 meses e não ter computador e nenhuma câmera e poder retratar só depois da minha vivência. Porque a viagem para mim é uma área que eu não quero misturar, entendeu?
Até uma coisa que eu vou falar, porque tem muitas pessoas que sonham em fazer da viagem um trabalho, só que aí a viagem vira um trabalho, e aí a pessoa começa às vezes a viajar no prático ou só viajar para trabalhar. E aí realmente viver o lugar e vivenciar as experiências, se aprofundar naquele país, ficam em terceiro, quarto, quinto plano. E aí a pessoa transforma algo que ela gostava muito em algo que agora ficou penoso, entendeu?
Ficou pesado, ela deixou de curtir. Então tem que tomar cuidado com isso também, quem sonha em trabalhar com viagem, por exemplo, que isso é algo que eu sempre tenho muito medo de, que não quero que a viagem deixe de ser prazerosa na minha vida.
Vamos ser sinceros, é bom demais acordar a cada no lugar, né?
Nossa, cada dia no lugar, nem fodendo, nem fodendo, nem fodendo. Metaforicamente falando, eu quero 3 meses em cada lugar.
Ô Davi, não tem nada mais gostoso que você acordar no seu cantinho, seja com planta de plástico de fundo ou as plantas verdadeiras, cara. Não tem.
Eu amo, eu amo. Eu sou do time do Davi.
É gostoso, mas assim, acordar no seu cantinho também é muito gostoso, cara.
Você voltar, eu tô 8 anos sem Eu sem ter meu próprio cantinho, eu sem decorar um lugar, eu não sei mais o que é isso. E tá tudo bem, mas eu não quero mais viajar rápido, por exemplo, ficar 3, 4, 5, uma semana em cada lugar. Tô fora. Cada dia uma janela diferente, foda-se. Eu quero 3 meses na mesma janela, eu quero saber, sabe? Eu quero ter minha rotina no lugar.
É fase da vida. Você já foi da fase do frenético?
Já fui da fase do frenético, mas não trabalhava trabalhava com viagem, eu trabalhava com outras coisas que não envolvia produção de conteúdo.
Por exemplo, eu sei que a gente tá postergando, mas eu não quero mais viajar sozinho. Eu fiquei 4 anos sozinho na África, cara, 4 anos sozinho. Eu não quero mais isso, eu quero outro.
Mas também, velho, você é o cara que não deixa o outro trabalhar. Você vai viajar com os caras, você não deixa os outros trabalhar, velho.
Vai se foder, vai se foder! Subiu vírgula.
Eu vou falar para mim a parada A coisa mais prazerosa é acordar na hora que os olhos querem abrir.
Sem dúvida.
Ou o prazer do nomadismo.
Slow mornings. Isso eu acho que é o maior prazer de quem trabalha onda.
A liberdade do próprio horário é foda.
Eu tenho o melhor. Meu melhor, o meu sonho mais realizado é não ter segundas.
Cara, eu discordo um pouco porque eu não tenho segunda, mas eu também não tenho sábado e domingo.
É verdade, mas não precisa falar isso.
Eu discordo em gênero, número e grau.
A foto da mochila, momento cabancada, fala onde se encontra nesse www da vida e a indicação, seja ela de Teterê entretenimento fútil ou intelectual. Lana Sanchez, onde as pessoas te encontram? O que que você manda para galera?
As pessoas podem me encontrar no canal Vida de Mochila no YouTube ou no Substack Cartão Postal da Lana, que você vai receber uma newsletter gratuita semanal contando alguma história aí da Rota da Seda, que estamos indo de Portugal até a China por terra. E a minha dica, gente, que eu já tô 6 meses fora do Brasil, né, 6 meses longe da minha latinidade, Então meu coração fica com aquela saudadezinha. E aí eu vou ter que indicar o quê?
O álbum Dominguinho, do João Gomes, Mestrinho JP. Que é bom, né, Cainan? Nossa Senhora, eu coloco ele pra tocar e falo, Richard, pare tudo que você tá fazendo e venha dançar comigo. Porque é um álbum assim carregado. Gente, meu coração—
Ouvinte, escute o álbum inteiro, tá?
Não é pra escutar uma faixa.
É, para pra escutar o álbum inteiro, não é uma faixa só.
Álbum inteiro, por favor. E depois me agradeça, tá? Porque assim, É incrível, gente. É simplesmente para mim um álbum que eu tô viciada, eu escuto 24 horas.
Muito boa indicação, viu? Gostei, viu? Não que quem ficar não for bom, eu vou falar gostei também, tá? Só para deixar claro, tá bom? Igor, meu querido, onde as pessoas te encontram? E traga indicação para nossa audiência.
Bom, me encontram no Instagram @free.igor, mas eu posto pouquíssimo conteúdo. Se quiser saber mais sobre nomadismo digital, é melhor seguir @keepnomad. K-E-E-P, Nômade. E a minha recomendação, duas músicas que eu amo muito: Tocando em Frente de Almir Sater e Ouro de Tolo de Raul Seixas.
Olha só!
E um livro, acho que viajar tá muito ligado a autoconhecimento, mas eu acho que antes de você saber quem sou eu, é o que sou eu, que é o livro Sapiens, que explica o que é o Homo sapiens.
Muito boa indicação, muito boa, muito obrigado. Partilhar agora, Davi, meu querido, onde as pessoas encontram nesse @davi?
Eu e minha mulher, nós viajamos o mundo e contamos histórias. Vocês nos encontram no Instagram e no YouTube, é @cataedavi, C-A-T-A-E-D-A-V-I. Se não nos conhecem, vai lá dar um alô. A minha recomendação motivação, cara, meu livro de cabeceira, meu top 1 da vida, que eu acho que eu li ele antes de começar a ser viajante de verdade, mas eu acho que todo mundo que tá na estrada é uma leitura obrigatória, chama Factfulness. Fact de fatos, fullness como se fosse mindfulness.
É um livro de um médico sueco que ele escreveu se eu não tô enganado, com o seu filho, que é um estatístico, e sua nora. E ele já morreu, esse livro foi escrito pré-pandemia, mas ele— eu não vou dar spoiler, mas ele é uma leitura obrigatória para todo mundo que tá na estrada. Ele mostra por que que o mundo se torna melhor e não pior com dados. Então ele pega os dados mais fiáveis do mundo e ele prova com números E é uma leitura bem leve, não é uma leitura matemática.
Ele prova com números porque que o mundo fica melhor. E se você não quiser ler o livro, eu sugiro apenas que você faça o teste que tem dentro dele. Dentro desse livro tem um teste chamado Chimp Test, se eu não tô enganado, que é o teste dos chimpanzés. E ele basicamente prova estatisticamente que nós somos mais burros do que os chimpanzés, porque nesse teste aleatório que ele fez com os maiores CEOs do mundo, as maiores comunidades médicas, viajantes, etc., fez com os grupos, entre aspas, mais inteligentes do mundo, e ele sempre tem um score menor do que um chimpanzé.
Então, se não tem interesse em ler o livro, faça o teste, talvez vocês vão ter interesse em ler o livro depois disso.
Muito bom, obrigado pela dica, Davi. O meu, para encerrar, talvez a primeira pessoa tô escutando. Tem o Substack onde eu posto as informações da comunidade. Se você não faz parte ainda, Lani está lá, Igor está lá, a galera é super ativa, tira dúvida.
Qual o nome do Substack, Kainan?
Acho que é o meu nome, nem eu sei agora. Acho que é o meu nome, tá lá, Kainan Ito. Deve ser isso. Eu vou deixar o link de todo mundo aqui para encontrar.
Ele tá precisando fazer um curso de marketing, hein, Igor?
Depois dessa, caralho, hein?
Então tá lá no Substack.
Tentei te ajudar.
Não, tá me ajudando. Ovo, tô reclamando não, obrigado. É no Cainan. E se quiser apoiar o programa e fazer parte da comunidade maravilhosa, entra lá no Catarse. A partir de 20 conto você tem acesso a pessoas incríveis, e eu tô lá também porque eu sou uma pessoa maravilhosa para acolher todo mundo, tá lá dentro. E minha indicação, vou resumir. Ultimamente eu tenho lido muito sobre sufismo. Para quem não sabe, eu tenho uma relação com o islamismo muito forte, não sei por quê.
E eu tô lendo sobre A Linguagem dos Pássaros. Uma forma breve, A Linguagem dos Pássaros é um livro escrito por um poeta persa chamado, até anotei aqui o nome, é o Farah Doudin, não vou saber dizer, gente. E a história é sobre um grupo de pássaros que tem que se reunir para encontrar um rei, e cada pássaro representa uma qualidade humana ou um defeito, e eles têm que passar por vários vales. E é muito legal porque o sufismo ele ensina valores terrenos, valores sobre a vida através de fábulas.
Eu acho, cara, eu sempre gostei de fábula, e as fábulas sufistas são maravilhosas porque serve tanto para uma criança como para um adulto. Então você consegue se adequar. Então cada vale, um é sobre o início da jornada espiritual, aí eles passam para o segundo, é sobre o amor divino e a razão dos apegos mundanos. Aí um vale é sobre compreensão mais profunda da verdade, o outro é o desprendimento de tudo que não é Deus. E cara, eu tô achando lindo esse livro.
Então ele tá mexendo comigo de uma maneira de ensinamento, de uma linguagem linda e poética. Então essa indicação, o livro do A Linguagem dos Pássaros, essa é minha indicação. Fechado? Então, Igor, muito obrigado, meu querido. Davi, obrigado pela sua presença, primeira vez. E Laila Sanches, muitas graças. E a gente se vê numa próxima.
Valeu, até a próxima, gente. Desejo internet boa para todo mundo.
Usem óleo de koala.
Keep Nomad
Escola do nômade digital