#22 História dos ouvintes: Expurgando o sushi de abacate e testemunhando milagres
Um episódio num oferecimento da Asssit 365, seu seguro de viagem, sempre ao seu lado!Neste leitura dos ouvintes, duas histórias que mostram que viajar nem sempre sai como planejado. Tem sushi de abacate que termina em filme de terror, voo cancelado, bicicleta em rodovia, polícia italiana, uma noite no frio e até um desconhecido tocando a alma de um viajante.
Histórias de: João Veloso e Tânia Morais
Host: Cainã Ito
Co-host: Willy Barros
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🎨 Arte da capa: Guto Arrigoni
Cainã Ito
Willy Barros
João Veloso
Tânia Morais
- Perrengues em Viagens· SociedadeSushi de abacate·Colchão inflável em hostel·Voo cancelado na França·Greve de controladores aéreos·Feriado de 1º de maio na Itália·Bicicleta elétrica em autoestrada·Polícia italiana·Infecção alimentar no Chile
- Viagem Chile e Peru· EntretenimentoValparaíso·Hostel peculiar·Sushi com abacate·Intoxicação alimentar·Hospital público no Chile·Cusco·Pneumonia·El Calafate
- Bondade Humana em Milão· SociedadeDespedida do amigo em Porto·Voo cancelado para Paris·Feriado de 1º de maio·Bicicleta elétrica alugada·Policial italiano·Desconhecido oferece pizza e água·Dormir no aeroporto
- Seguro Saúde· SaudeCusto de hospitais no exterior·Diferenças entre sistemas de saúde·Lição aprendida com perrengues
- Seguro viagem nacional· NegociosAssist 365·Voo cancelado·Mala extraviada·Overbooking
- Eurotrip com Paçocas· SociedadeVenda de paçocas para financiar viagem·Espanha·Portugal·Milão·Veneza·Londres
- Comunidade Viajante· SociedadeEncontros presenciais·Troca de histórias·Formação de conexões
Agora tá gravando.
Ó, 3, 2, 1, a gente bate palma. Agora precisa bater palma. Tá. 3, 2, 1. Bom dia, Willy Barros.
Bom dia, Kainaito.
Literalmente bom dia. Histórias Ouvintes não tem protocolo, é disso que eu gosto.
É disso que eu gosto. Até agora eu falei literalmente bom dia, mas tem essa polêmica do literalmente. Agora você tá acompanhando isso? Que as pessoas estão usando literalmente de forma errada. E como eu tenho um pouco de preguiça de ler textos grandes, eu não sei por quê está errado. Você sabe como é que se usa literalmente?
Não, não sei. A gente vai começar amanhã logo assim profundo? Era para ser leve. Calma, calma.
Não, eu tô jogando a polêmica na roda porque eu falei literalmente bom dia. Mas será que tá certo eu falar literalmente bom dia? Acho que talvez sim, né?
Porque literalmente é bom dia. É bom dia. As pessoas, não, pelo amor de Deus, ele dá bom dia. Se a pessoa fica questionando bom dia, manda para o inferno.
Mas é porque tá bom, né? Eu não questionei esse tá bom dia. Literalmente bom dia, porque está muito, muito bom e é dia.
Mas sabe por que é bom dia? Porque esse episódio é ofertado pela Cinch 365 Seguro Viagem, gente. Mas sabe o que eu tava pensando, Willian? A gente sempre fala de seguro, mas uma coisa que eu nunca vi nenhuma seguradora de viagem, que assim, eles falam que eles cobrem mala danificada, acidente, perna quebrada, mas ninguém nunca fala assim: eu cubro o seu amor doído na viagem.
Olha, é verdade, falta essa categoria e é o que mais usa, sabia? Eu acho que é.
Eu fico pensando quantas mulheres já morrem nesse trânsito. Coração partido. Então, eles poderiam falar, olha, cobrimos o seu coração partido. Aí, como publicitário, que não sou, mas você é, muita entrelinhas. E isso é uma campanha fictícia, a favor ou não. Mas seria tão bonito um jargão assim, cobrimos o seu coração ferido. Ou sei lá, às vezes fazem um atendimento de um psicólogo, olha, você teve uma dor? A gente... Seria incrível, não tem?
É, eu acho que eu concordo. Mas também o número de ligações que ia receber, né, talvez ia dar um pouco de prejuízo pra empresa. Porque mais do que trazer o amor de volta, eu acho que as pessoas estão com o coração ferido.
Mas e aí, pra comprovar que teve um coração ferido? Teria segredo? Porque assim, ó, segredo de médico, né?
Eu acho que o Viajante Sem Pauta podia ser o saque do seguro saúde, sabe por quê? Porque aí as pessoas já mandam histórias de amor, de coração partido. Porque assim, como é que vai comprovar que o coração foi partido? Contando a história, pra ver se a gente reverifica. A gente é verificar os fatos, então a gente será o saque.
A gente fala para Assist365, manda um psicólogo para fazer parte da bancada e dar uma perspectiva.
Não precisa de psicólogo, nós dois temos o currículo da vida, a gente é o melhor conselheiro amoroso que você vai ter. Então mande suas histórias para a gente, para a gente poder diagnosticar se o seu coração está partido ou não.
Ó, e vou reforçar, enviem histórias de amor porque ano que vem teremos especial Dia dos Namorados, a qual eu, Caína, inclusive vou fazer uma voz de veludo. Será uma voz assim mais—
Nossa, pensei que você falou, eu, Caína, inclusive vou mandar a minha história de amor. Acho que você ia me dar.
Não, eu jamais vou me expor nessa internet, nesse www da vida. Eu sou muito, a minha vida é muito privada.
Mais do que você se expõe, mais do que você se expõe nos encontros da comunidade.
Lá eu me exponho porque a comunidade lá eu me sinto em casa. Mas tudo isso para dizer que a Acer está apoiando esse episódio. A gente não sabe se é história de amor, tá, Willian? Então, e tudo para dizer, gente, faz seguro viagem, tá? Não vai para esses lugares da vida, não vai fazer que nem eu. Eu sei se o Willian, você já viajou sem seguro, Willian? Só uma Uma pergunta sincera.
Eu já viajei sem seguro, você acredita? Mas não recomendo. Como viajante experiente hoje, maduro, não viaja sem seguro porque o perrengue pode não ter volta.
É isso, gente. Então vamos, espero que a história seja de amor aqui, né? Vai que dialoga. A gente fez tanto esse marketing em torno do a gente cobra o seu amor ferido. Mande histórias, tá? Mas sem delongas, vamos ler então a história. Fechado, Willi?
Fechado. Bora direto para a história. Eu já vi que não é história de amor, mas Ele vai reforçar o que a gente tá falando, precisa de usar seguro viagem.
Ele começa o email assim: Hello, Kaini. Puta, falou hello.
Ah, você vai ler a segunda história, pensei que você ia ler a primeira. Eu coloquei na ordem que você me mandou, tá vendo aí? Eu dei um spoiler, dei um spoiler.
Você não sabe. Ele falou assim: Hello, convidado misterioso, que no caso é o Will. Gente, só tem 3 opções por agora, tá? Ou é o Will, ou é o Guto, ou é a Lana, tá? Então você não tem mistério, não tem mistério dessas 3 opções. Cheguei de novo nessa bagaça. Gratidão por estarem dando vida e magética a este relato. Contexto, né? Elana, a gente deu a história dele, inclusive em Cunha, presencialmente. O Elana, a história dele, da mamãe dele. Então não foi o ele que deu, tá? Então só para a gente entender. Sim, vamos lá.
Por isso que ele falou: cheguei de novo nessa bagaça.
Chegou de novo, tá lendo duas vezes. Sabe por que que tá lendo duas vezes? Porque ele é da comunidade. Comunidade tem o acesso.
Olha, vantagens, prioridades.
Posso estar atirando no pé, porque a pessoa que não é da comunidade envia história, mas é isso.
Acepção de pessoas, hein?
Você envia sua história, se você não é da comunidade, faz parte, que daí quem sabe você tem o furafila, entendeu? Furafila no bom sentido.
Pode mandar, gente, eu vou defender vocês que não fazem parte da comunidade. Mandem, mandem.
Pode demorar 3 anos? Pode, mas vai. Ó, vamos lá. A propósito, aqui quem vos fala é o Johnny, e para ouvinte que não se lembra, já teve história minha por aqui. Aquela que contei sobre a viagem com a senhora, minha mãe, na Argentina e os perrengues na fronteira. Se você não ouviu, recomendo fortemente ouvir. Uma boa história, envolve RG, tá, gente? Como sempre, América Latina tem, como já teve do Alexandre, do Bolso Furado e tantas outras.
Então vamos lá. Pois bem, tenho que admitir que aquela viagem mudou muito a forma como eu vejo o ato de viajar. Olha só, confesso que eu não lidava muito bem com imprevistos e mudanças de planos. Mas observar a calma com que minha mãe enfrentou algumas situações me despertou para uma versão de mim mais aberta.
Olha, quem diria, hein, que a mãe ia ensinar?
Cara, acho que a mãe— eu viajei com a minha mãe já, eu acho que ela testa a nossa paciência. Acho que esse é o ponto.
Foi, mas não foi isso que ele quis dizer, que ele aprendeu com a mãe dele, na verdade.
É que ele foi poético, ele não quis escancarar.
Na força do ódio que fica querendo dizer que ele tava perdendo a paciência com a calma da mãe, a mãe estava irritando ele por não ter senso de urgência. Eu acho que foi isso que você falou, que ele se irritou com a mãe.
Escuta o episódio, escuta o episódio, não vou dar spoiler, vou forçar as pessoas a ouvirem. Mas essa é minha percepção. Mas ele aprendeu, ó, mesmo quando totalmente impensável, disse o João aqui, ó, a história que eu vou contar aconteceu durante meu primeiro mochilão na Europa. E tudo que é primeiro só tem que dar ruim ou perrengue. No maior estilo Eurotrip, feito apenas com o dinheiro que juntei vendendo paçocas nas ruas de São Paulo.
Ah, um adendo, uma coisa que é legal, quando eu conheci o João, né, na comunidade, toda vez que eu vejo alguém agora vendendo alguma coisa para viagem, eu compro, porque eu lembro dele falando que você precisa de ajuda.
Com certeza.
Basta uma pessoa, olha assim, se é para casamento, eu não compro.
É, então, exatamente. Vamos falar sobre isso, porque assim, tem vários tipos de vendedores ambulantes, a gente vai embora, e tem várias categorias que eu também não Assim, primeira coisa que eu não compro, quando eu tô comendo, tô com um garfo na boca, a pessoa vai e me interrompe no momento mais importante do meu dia. Eu sou taurino, gente, não me interrompa comendo, você não vai conseguir nada de mim. Você pode me interromper depois que eu comer, porque eu vou estar tão satisfeito, tão feliz de ter dado aquela garfada, que eu vou fazer qualquer coisa. Se você me vender assim, sei lá, uma lápide, eu vou comprar.
Pode ser o melhor brigadeiro de trufa da vida, depois da única garfada ele vai olhar com desdém pra você. Não, não, não.
Não conta história muito longa também. Você compra quando a pessoa conta, a pessoa tem aquela história, sabe, introdução, trailer, meio, até chegar no objetivo final também já me perdeu. Agora se você fala assim, ah, tô viajando, eu quero viajar, quero continuar viajando, compra aqui meu brigadeiro, vou comprar.
Concordo.
Vou comprar.
Agora assim, a gente tá sendo muito exposto aqui, né?
Você não compra, provavelmente.
Eu não compro. Não, gente, pelo amor de Deus, aqui não tem hate, mas assim, tem um peso quando alguém acha bonito o casamento, pô, que legal, boa sorte. Até porque Eu tenho uma coisa, Will, que é assim, eu espero casar um dia. O meu casamento não vai ser festa, eu vou casar no meio do mato, assim, parecido com o seu, assim, com a ideia de tapete. Então assim, meu casamento não vai ser caro, então eu não me compadeço com... Agora, você viu um viajante, é outra coisa, cara. Eu já comprei em São Paulo, puta, eu quero viajar, compro, faço questão.
Mas casar no mato também tem custo, viu? Vou te falar aqui.
Não, não, tem, mas tem uma diferença. As pessoas vão achar que eu não quero que as pessoas não casem. É que São Paulo tem tanta gente vendendo as coisas, infelizmente, mas a gente tem que fazer uma régua. Então, tudo pra dizer que quando alguém falar pra viajar, eu compro a paçoquinha.
Como não dá pra comprar paçoca de todo mundo, a gente tem que fazer um filtro. Então, pessoas que estão casando, a gente não compra paçoca.
A gente vai ser crucificado.
Se bem que eu já comprei um brownie uma vez de um cara que tava casando, mas é porque ele tinha um storytelling legal, ele me vendeu bem a história, sabe? Eu acho que na verdade eu comprei pela simpatia, não pela causa. Deixa eu te falar, você compra de pessoas doentes, que o filho tá morrendo com questão terminal?
Nunca passou, nunca me vendeu.
Jogando uma bomba assim.
Ou ele vai. Mas eu imagino que deve ser verdade, mas eu acho que o que acontece, assim, brincadeiras à parte, que acontece muito até no interior, eu não como muito doce, mas eu gosto de comprar e eu faço, por exemplo, esses dias eu fui na cidade.
Aqui ele tá dando uma desculpa, tipo assim, eu não compro de gente que tá com doença terminal porque eu não como doce, só por isso.
Não, não, não, aconteceu esses dias. Pra quem não sabe, eu tô com nutricionista.
Aí nós tá pegando a blusa branca já lá. Para fazer o pronunciamento pós-cancelamento. Vai lá trocar de blusa, pega a branca.
Não, aconteceu esses dias, tinha um cara vendendo brigadeiro aqui na cidade, na praça, e ele vem me abordar. Aí eu pensei, puta, mas eu não tô comendo doce, né? Mas daí resolveu muito fácil, eu comprei. Calma, William, deixa eu terminar para a gente voltar para a história.
Tá gaguejando, calma, vai, calma.
Eu fiquei pensando, se eu comprar eu não vou comer.
Pessoal, não vamos julgar, só quem faz parte da comunidade pode julgar.
Se eu comprar eu não vou comer, mas o que eu fiz e que Fiz outras vezes, eu compro e eu falei pro cara, olha, a próxima criança que você ver, dá pra ela. Então eu compro pra uma pessoa pra ele dar, entendeu?
Ah, entendi.
Essa história, não, mas é verdade, aconteceu várias vezes. É verdade, aconteceu isso, caramba. Eu não tô comendo brigadeiro. Eu falei, eu não quero quebrar minha dieta, minha nutrição. Então eu falei, comprei e falei, olha, não quero, mas se você ver uma criança que você acha que vale a pena dar, dá pra ela. Então assim, pronto, passou no gaguejo.
Corta pro cara virar na esquina e comer no brigadeiro que ele ganhou. Mas sabe o que isso me lembrou? Aquele, abrindo outro parênteses. Uma coisa que eu achei muito legal.
Segura aí, João. Segura aí, João.
Segura só. Calma, João. Calma, João. Fica refletindo aí sobre sua relação com sua mãe.
As pessoas estão pensando também se elas comprariam. As pessoas estão entrando na nossa neura, tá?
Fica tranquilo. É, por favor, gente. Manda aí, coloca nos comentários em que situação você compraria um brownie ou um brigadeiro batizado. Eu lembrei de uma vez que eu fui numa cafeteria, não lembro aonde foi, não sei se foi em algum país da Europa, não sei. Que era bem assim, que era o café amigo, solidário, coisa assim. Você pagava, tipo, você tava na cafeteria, você comeu e tal, aí você pagava um café para uma próxima pessoa.
Tipo assim, você deixava um café pago e aí você podia escrever um bilhete, alguma coisa assim. E aí tinha lá um quadro de giz escrito tipo quantos cafés tinha dos cafés amigos. E aí você podia pedir um café amigo. Por exemplo, eu não quero pagar por um café, aí eu vi que lá tem 3 cafés amigos pagos. Eu pedia esse café amigo, ganhava, tomava esse café de graça que alguém pagou. Eu achei isso legal.
Mas eu acho que teve um boom em São Paulo disso, nesse movimento, mas eu não vejo mais. Eu acho que eles viram que não É, não vejo mais. Acho que foi uma trend, acho que foi uma trend para atrair gente, mas eu acho que economicamente talvez viram que as pessoas não passam para frente. Não sei, não sei.
Todo mundo só ia lá tomar o café amigo, talvez não tinha amigos.
Vamos voltar para paçoca, senão a gente vai longe. Então tudo para dizer que o João tava vendendo paçoca, né?
E tudo para dizer que a gente compraria a paçoca de João porque era para ele fazer a Eurotrip dele.
Deixa eu ver então aqui. Então só retomando, né, para fazer a viagem na Eurotrip. Tudo começou indo aqui no Brasil. A ideia de fazer o mochilão apenas com o dinheiro das paçocas. Para mim, precisava de uma base estruturada, já que não tinha grana para bancar extravagâncias ou imprevistos. Então, conforme ia entrando o dinheiro das vendas, eu já comprava as passagens, reservava hospedagens e etc. Ou seja, quando saía para aventura, parte das passagens, dos deslocamentos internos já estava comprada. Cara, paçoca dá longe, hein?
Um mochileiro organizado. Paçoca dá longe. Com certeza. E João também super prevenido, né?
Minha primeira parada foi na Espanha, onde passei 20 dias melhorando um pouco do meu espanhol. E aqui entre parênteses, que não lá essas coisas, mas consigo me virar. Diferente do Cainan, chavechão. Piada interna, gente.
Dá o contexto.
É uma piada no Paraguai, quando eu tava viajando com a Lani Richter, já não sabia falar nada. Aí eu tava um dia lá, tinha uma chave no chão, aí eu falei pra moça da recepcionista, chavechão. Falei chavechão, chavechão.
Gente, eu achei que você tava falando mandarim. Não, era espanhol. Chavichão.
Não tive muitos perrengues.
Olha, eu não vou te julgar não, porque eu já falei sacuela. Tipo, fui no supermercado em Buenos Aires e pedi uma sacuela.
Eu não sei como é que fala sacuela. Eu também sei.
É bolsa, é bolsa plástica.
Agora o seu espanhol melhorou muito, né, de lá para cá.
Melhorou bastante.
Então vamos lá, então teve o chavichão. E o João falou: não tive muitos perrengues, exceto a dor nas costas por passar quase uma semana em um hostel que não tinha colchões de verdade, e sim colchões infláveis. Nossa, o João! Era permitido ter colchão inflável em um hostel, gente?
Não, imagina um hostel com colchão inflável, o barulho insuportável que deve ser à noite. Porque assim, hostel tem de tudo, tem gente fazendo nheco-nheco, Tem outros lá descascando banana, tem o roncador, tem o que se movimenta. Então imagina todas essas pessoas fazendo movimentos ao mesmo tempo em colchão inflável. Deve ser um barulho insuportável.
Mas você já tinha escutado o hostel com colchão? Você imagina que encher toda hora, vai lá o funcionário desse voluntariado, tem que encher os colchões.
Imagina o voluntário do hostel enchendo, sei lá, 8, 10 colchões. Tá lá no Woodpeckers, o que que precisa, né? Tem que ter um bíceps. De X centímetros, porque você tem que encher colchão todo dia, cara.
Mas eu nunca vi, agora fiquei curioso. Ouvinte, se você já foi em rosto de colchão inflável, manda mensagem, porque essa é a primeira vez que eu tô lendo isso, tá?
Não, eu imagino voluntário desse rosto, tipo assim, que merda, eu reclamando do meu voluntariado passado que eu tinha que limpar banheiro, aqui eu tenho que ficar enchendo colchão inflável.
Tá, mas eu tô imaginando ele, se o colchão é inflável, imagine a régua desse esse hostel. Eu prefiro não pensar. Daí ele falou: horroroso, sim, mas era só o começo. Eu imagino que isso— bem, vamos saber a história. Depois da Espanha, fui para a casa do Rui, um amigo de infância que vive em Portugal. Passei alguns dias com ele admirando a linda cidade do Porto. Foi tudo muito bom, os melhores hosts que alguém poderia ter. Seu companheiro Andrei é amante de história e foi o melhor guia turístico que já vi. Olha, um bom cartão.
Sim, bom.
Me fez ficar com as pernas doendo de tanto caminhar pelas escadarias intermináveis da cidade. É bom, eu gosto de pessoa, eu gosto de bater perna, eu gosto das pessoas que gostam de andar.
Eu gosto também, eu gosto também, eu gosto de host guia também, que sempre tem, conta uma história, fala do lugar, porque já, né, já me economiza, já economiza dinheiro, já economiza minha internet, não preciso precisar no chat.
Mas como tudo que é bom dura pouco, A despedida se aproximava. Eu havia reservado uma série de voos e precisava seguir o cronograma. Foi muito doloroso colocar a mochila nas costas e me despedir. Triste, trilha sonora tristeza aqui para o João. Enrolei até o último minuto possível. Quando finalmente tomei coragem e os abracei, meu celular— ah tá, quando finalmente tomei coragem, os abracei, meu celular vibrou no bolso no meio do abraço.
Como se a vida dissesse que não estava nem aí para o meu planejamento. Nossa, que momento.
Caraca, senti o drama aqui.
Um email da companhia aérea simplesmente cancelando o meu voo. E lá vem, cancelou o voo do João. E João tava aparentemente, a viagem dele, pelo pouco que eu conheço ele, né, acho que ele é bem regrado, né, assim, com dados, dias, tal, tal, tal, tal.
Tava bem cronometrado.
Sim, o voo que me levaria a Paris foi cancelado 4 horas antes do embarque. E o pior, todos os operadores de voo da França entraram em greve. Nossa, não tem seguro de viagem que resolva isso? Tem seguro de viagem? Não tem?
É, tem, tem, tem.
Claro que tem, ajuda o assistente aqui 365.
É, e é tipo assim, a galera sempre pensa que seguro viagem é só questão de saúde, mas tipo, dois grandes perrengues que que todo viajante já passou uma vez na vida, que é voo cancelado e mala extraviada.
Cara, e sabe outro ponto agora? Brincadeiras à parte, você vai falar que eu tô meio tomoda, né? Mas é um momento sério. Mas que uma coisa, você toda vez lembra daquele episódio que meu tom muda, mas é um momento de seriedade, que cada vez mais tá acontecendo das empresas aéreas dar overbooking, lotar, e você não embarcar, né? Então está acontecendo, então seguro viagem também é para isso. Tudo bem que, tudo bem, traço, que a empresa paga um valor.
Tem gente que até que quer, né, que tá endividado com cartão de crédito, me paga R$2.000, R$3.000.
Mas dependendo da viagem, você não quer isso, pode ganhar uma boa bolada.
Então, gente, tem essa oportunidade.
Nossa, eu lembro de uma viagem que eu tava voltando dos Estados Unidos e aí ofereceram, a companhia aérea deu overbooking.
Ah, você viveu a situação de oferecerem?
Eu vivi a situação, só que $2.000, Cainan, $2.000 ofereceram para quem.
Pera aí, de onde? De onde? Qual que era a rota?
Dos Estados Unidos, eu tava voltando dos Estados Unidos para ir para o Brasil, voltar para o Brasil, deu overbooking no voo e aí eles ofereceram $2.000 para quem se voluntariasse para ficar, ir pro próximo voo no outro dia. Só que eu não podia porque eu tinha um voo marcado, eu tinha uma viagem marcada de trabalho, tipo, no outro dia. Então eu não podia.
Se não fosse, você pegaria?
Gente, sério, eu quase peguei e inventei, sei lá, uma testada.
Mas pera aí, não teve disputa? Porque no Brasil é R$2.000, mas $2.000 pra brasileira?
É porque ofereceram pra mim no check-in.
Ah, ofereceram? Nossa, não foi nem assim bingo, é leilão?
Quem quer? Não foi leilão, eu não precisei matar ninguém, bater ninguém, fraude ninguém. No check-in ele falou assim, olha, estamos com overbooking, queria te oferecer o valor de $2.000. Sério, gente, eu pensei em tantas coisas sórdidas pra dar desculpa na empresa, que nem o nosso amigo Adriano, que pensou em se atropelar pra usar o seguro. Eu fiquei, ai, meu Deus, o que eu faço? O que eu faço pra pegar esse seguro? Eu acho que eu me arrependo até hoje. Era simplesmente falar que o voo cancelou.
E assim, é os $2.000 e toda acomodação. Fica no hotel, a gente paga tudo pra você. Tudo?
Tudo, $2.000 no bolso, facinho, um dia a mais nos Estados Unidos com hotel e alimentação paga.
Cara, não, $2.000, nossa Senhora.
Mas minha honestidade não deixou. Você sentiu que ia ser muito B.O. depois, assim, tipo, ia perder a passagem da outra viagem, ia ser muito prejuízo para a empresa.
Como já dizia vários ensinamentos sobre a vida, é mais difícil escolher o que é certo a fazer, não o que é o tentado. Parabéns, Will.
Com grandes poderes vem grandes responsabilidades.
Você mostrou caráter, parabéns. Por isso você tá aqui gravando.
É porque esse episódio vai antes antes do episódio do souvenir. Mas dando spoiler do souvenir para mostrar para vocês que eu não sou tão desonesto, inclusive eu não sou tão mau caráter assim.
Inclusive, só dá um mini spoiler, isso aqui vai logo, dane-se, não dane-se audiência, né? Mas a gente vai para esse caminho.
Dane-se audiência que tá ouvindo essa merda.
Eu fiz esses dias uns stories de uma dona de restaurante reclamando quantas pessoas ficam furtando coisa de restaurante, base de hachi, um monte de coisa. Ela só não falou o item que é cardápio dela. Spoiler: cardápio. Eu falei, se tivesse mandado cardápio, eu ia mandar para uma pessoa específica, mas ela falou que o número de furtos que tem de coisas, de vasos de flores, assim, você vê que é roubar cardápio irrelevante, entendeu?
O problema é quem rouba taça, quem rouba copo.
É, gente, os cleptomaníacos estão aí. Demos essa volta para dizer, gente, seguro viagem é bom para essas coisas de volta, tá? E R$10 mil é um bom dinheiro. Eu pararia, viu? Com certeza. Nossa Senhora, R$10 mil, que isso? Assim do nada? Ó, então as empresas francesas entraram em greve. Voltando, sendo uma companhia, meu Deus, calma.
Eu fiz o cálculo agora, $2.000 era R$10.000.
É um MacBook zerado assim.
Eu não acredito que eu não peguei esse dinheiro.
Eu converti na hora.
Calma, que ódio. Esse é o problema de ser de humanos. Eu não converti até hoje, não tinha convertido.
É porque no Brasil o pessoal acha que paga R$2.000 assim, voo nacional, assim, é um dinheiro claro, né? Pouca, mas R$2.000 dólares.
Nossa, pera, eu tô com depressão agora. Continua a história.
Então o João falou que todos os operadores da França entraram em greve. Aí ele falou aqui, sendo uma companhia low cost, até que eu senti o empenho em tentar resolver a situação. Sugeriram remarcar a viagem ou voar para outro destino sem custo. Qual será? Olha, é uma boa, né? Um destino, esse momento da imprevisibilidade que a vida nos entrega, né?
Um destino extra.
Mesmo assim, só pensava, era um completo desastre. Eu tinha uma série de reservas conectadas: Paris, Suíça, Veneza, Londres. Então aí esse é o ponto, tá vendo?
É esse o ponto. Ele não tava livre, leve e solto. A vida faz uma pegadinha com você, entendeu? Tipo assim, você pede pra ela te dar uma sorte, ela: eu vou te dar uma sorte. Mas ao mesmo tempo ela te dá um azar também. Ah, tá bom, eu te dou uma viagem extra aqui. Mas aí você já tem, já reservou tudo. Mas sabe, eu te dou $2.000, R$10.000.
Mas vou fazer um ganho.
Mas você já tem outra viagem marcada.
A gente gravou sobre Eurotrip, que inclusive tá um bom episódio. A gente falou sobre a análise do filme. E tem uma coisa essencial desse episódio que a gente falou que tá cada vez mais difícil, que é a imprevisibilidade das viagens. E não se dá só pelo modo como a gente viaja, mas os fatores da viagem então dificultam. Então você vai para a Europa, sei lá, no verão, você tem que reservar tudo antes. Você não vai chegar lá, então você tem que reservar.
Não dá mais para ir de novo.
Agora Peru, você tem que reservar Machu Picchu. Não dá para você chegar em Machu Picchu, Peru, e vou fazer. Então isso reduz a sua imprevisibilidade. Putz, deixa eu ver onde eu vou. Você tem que reservar, senão você não tem onde ficar, né? Então dá para entender essa reserva do Júlio.
É, o fator imprevisibilidade tem que ser em outras questões, tipo no encontro casual na rua, você precisa reservar.
E no restaurante.
Exatamente, é. Mas dependendo da época e do lugar, não tem como você não deixar de reservar, senão você vai dormir na rua. Aí sim, a flexibilidade realmente vai te surpreender.
Então o João tinha todas essas reservas e seria um desastre. Tirei a mochila das costas e comecei a estudar a melhor forma de aproveitar aquela passagem em branco que a companhia havia disponibilizado. A melhor opção foi cancelar totalmente o croissant à margem do Sena. Como assim?
Tipo, cancelar. Ele fez uma, ele fez uma analogia. Cancelar a viagem de Paris.
O João usou olhar nessa bodega aqui. Tudo bem, eu acho ótimo.
Tá com cara de chat, hein?
Tá ótimo, tá ótimo. A gente conseguia com a IA. Então ele cancelou Croação à margem do Sena e remarcava para um novo destino: Milão. Essa decisão levou menos de 5 minutos, mas na minha cabeça pareceu durar horas. Entre parênteses, claro, eu estava jogando fora quase todas as reservas. Porque aí você perde dinheiro, né? Assim, cancela reserva de hostel, essas coisas não tem devolução, né? Não sei. Bem, vamos ver.
Não, depende, porque tem reserva que é gratuita, né? Você só paga lá na hora.
Eu acho que ainda mais quando não tem comprovação que o voo foi cancelado, eu acho que enfim, todo caso, cada caso é um caso.
Eles estão cagando. Se você pagou, eles estão cagando se sua mãe morreu. Mas se ele fez a reserva, tem reserva pelo book mesmo que você não paga, né? É cancelamento gratuito.
Vamos ver. Ó, João falou: escolhi Milão porque seria a forma de perder o mínimo, entre aspas, do planejamento. De lá encontrei passagem de ônibus para Veneza por R$20, seguido depois para Londres. Caramba! Ó, mas legal, mas ó, o roteiro continua bom, tá ótimo. Então, primeira viagem Vamos lá. A sensação de completo desastre logo deu espaço para tudo resolvido. O que eu não contei? Ah, o que ele não contou.
Sempre tem.
A passagem para Milão não era saindo do Porto, mas sim de Lisboa, e somente para a noite seguinte. Ou seja, ele tinha saído da casa do amigo, do casal lá de amigos, né? Então, ah, mas assim, eu não li aqui, não viu, não li os outros parágrafos, mas os amigos podem hospedar ele de novo.
Tipo, mano, foi kitesurf, né? Às vezes a pessoa já pegou outro kitesurf. Ah, mas porra, Mas eu acho que o problema não é ele pedir de novo para ficar lá, é porque doeu para ele a despedida. Eu acho que ele não quer passar por aquele momento de novo.
Algo me diz que aquela dupla despedida de merda, quando você dá tchau na pessoa na rua, você esbarra de novo, você deu tchau, você chorou, fez toda uma cena douramesca, aí você volta, volta o cão arrependido com raiva.
Posso casar com sua cara de novo? Você falou, meu filho, você me fez passar por uma depressão pós-hospedagem, agora você vai, volta de novo?
Então, olha que a gente acertou, ó. Não quis reviver a despedida.
Eu sabia.
A gente tá ficando bom nessa história, tô ouvindo. A gente tá privado.
A gente tá ficando bom, a gente tá ficando bom, a gente tá ficando bom.
Comprei a primeira passagem do Porto para Lisboa sem ter onde ficar, apenas fui. Caralho, Joel, você podia ter ficado. Nossa, Joel. Ele podia ter ficado na casa do casal e sei lá, ter mais.
Podia se despedir de novo, Joel, não tem problema não.
Mas ele ficou constrangido. Enfim, primeira viagem, vai. Vamos ver. No ônibus, chamei um português que conheci alguns dias antes na Espanha para tomarmos uma cerveja. A notícia ruim veio primeiro: ele não estava na cidade. Então o João tava pensando nos possíveis contatos que ele tinha, então já não tava acionado, né?
Bora tomar uma cerveja, aquele amigo que faz um convite como quem não quer nada. Vamos tomar uma cerveja. Aí a pessoa vai lá tomar uma cerveja inocente e volta com um indivíduo.
O golpe tá aí, cai quem quer. Daí que ele falou: mas a próxima mensagem foi um alívio. E que alívio ele colocou aqui! Ele disse que tinha um apartamento de Airbnb na cidade, que eu poderia ficar lá.
Nossa, nós vamos falar sobre isso, Cainan. Melhor— não, vamos falar sobre isso, vamos falar sobre isso. Desculpa aí, galera, mas assim, melhor do que você pegar um Couchsurfing guia, historiador, com conhecimento, disposição, né, para fazer um cardio diário, é você pegar um Airbnb com casa vazia, que o host te deixa sozinho no lugar.
Já teve esse momento na viagem alguma vez?
Nossa, já tive, já tive esse momento. Nossa, que delícia! Assim, lógico, quando você tem uma viagem assim de férias, estilo CLT, é melhor você pegar um host que você troque ali, né, tem uma troca cultural. Mas quando você tá com viagem longa, você só quer paz e silêncio. Aí quando o host fala assim, olha, desculpa, eu trabalho o dia inteiro, vou deixar você sozinho, por favor, mil perdões, você tá desculpado, vai em paz, manda o cara embora.
Agora, de memória, só me vem uma vez que eu tava com o Marcos Villacombe na Mauritânia. Era um Couchsurfing, era uma cidade interior e ele não podia. Daí falou, não, pode ficar no meu apartamento lá no interior.
Nossa, Willi, nossa, duas palavras: pode ficar no meu apartamento vazio e no interior. Ele ainda te mandou para o interior.
Foi muito bom. Pequenos prazeres da vida. Nossa, não ficar sozinho, pequenos prazeres da vida, porque daí, queira ou não, demanda energia social, tá, gente? A gente gosta de socializar, mas tem hora que a bateria não aguenta.
E eu tô falando sozinho, sozinho, não tem nem gato para você cuidar, gente, não tem nem peixe para você dar ração, é você sozinho de cueca coçando o saco no sofá ali.
Inclusive é pior quando tem animal, porque você fica tenso, vai que foge, tem N camadas.
É responsabilidade.
Então ele falou que poderia ficar lá, mas tem um ponto aqui que eu não sei se pode acontecer, às vezes o cara pensou em cobrar, né? Tem um Airbnb, às vezes sabe aquele miguezinho, ó, pode ficar no Airbnb, mas é o golpe, é o golpe. Sem brincadeira, fiquei no melhor CEP de Lisboa sem pagar nada. Então tá certo, não pagou nada. Num apartamento incrível com banheira de hidromassagem, aparelhos de som surreal.
Tá vendo? O mochileiro folgado já liga a hidromassagem, já abre um vinho do Porto de 50 anos.
Não, ele falou coleção de discos de jazz e uma cama king size com colchão de outro planeta.
Surreal.
Olha, eu só fiquei uma vez na vida numa cama king size. Eu não sabia que eu precisava de mais espaço na minha cama na vida, tá?
Foi aqui em casa. Aqui em casa não é a sua, mas a sua é de viúva, né?
É de viúva, né? Só para ouvir também ideia do tamanho. Não, a cama aqui em casa é muito grande, Willi. Então, surreal. Aí o João colocou um jazz, ele abriu, cara, o João abriu o vinho mesmo, abriu o vinho, entrei na hidro e devo ter ficado ali por horas. Depois adormeci atravessado na cama tentando ocupar o máximo possível daquele passo gigante. Entre parênteses, se algum dia tiver algum perrengue, já nem me lembrava mais. Olha só, esse cara veio pra salvar ele.
Todo mochileiro merece passar por isso.
No dia seguinte, embarquei para Milão. Cheguei de noite, quase madrugada, e só teria ônibus para o centro.
Olha como a gente é, né? A gente tá sempre esperando o pior. A gente falou assim, tá bom, abriu o vinho, lá vem, é agora que o cara vai mandar mensagem cobrando o Airbnb. Não. Ah, pegou os discos, colocou o jazz pra tocar, é agora, é agora que vai vir um áudio do cara falando, não use seus discos. Ligou a banheira, é agora, é agora que ele vai tomar um choque.
Não, eu tô esperando porque ele enviou essa história, alguma merda aconteceu, né? Algum momento vai.
Não pode ser, não pode ser uma história do Razões para Acreditar, uma coisa assim positiva pra gente ter esperança no mundo.
Poderia, mas ali dentro—
Mochileiro tem que se lascar.
Mas daí a linha editorial desse podcast desde os primórdios, quando o Richard tava, nunca foi conduzido pelo Razões para Acreditar e Notícias do Mundo, tá? A gente pode começar um novo podcast Viagens do bem. A gente pode até ter histórias bonitas, a gente pode começar a criar um bloco histórias bonitas, mas a gente não ia poder rir, né? A gente só ia colocar uma música bonita, um Enya, sabe? Então não ia funcionar. Então olha, abriu um vinho, tudo.
Aí no dia seguinte ele embarcou para Milão, né? Cheguei— pera aí, deixa eu voltar aqui. Aí ele chegou de noite, quase madrugada, e só teria ônibus para o centro amanhecer. João decidiu dormir ali mesmo, no chão do aeroporto. Quem nunca, né? Dormir no chão do aeroporto. O famoso tô rico, tô pobre. Um dia eu dormi na cama projetada para o próprio Golias e no outro em um canto gelado do aeroporto. Putz, eu tenho saudade desses momentos da viagem, viu, quando oscilava do luxo ao perrengue. Hoje em dia eu acho que é estar, né?
Porque a gente valoriza mais o luxo, né? Quando vem o luxo, quando vem uma coisa assim, né, fica inesperada, a gente valoriza, né?
Aí ele falou aqui: dormi tranquilamente até às 5 da manhã, quando começou a tocar repetitivamente o hino nacional italiano. Italiano no mais alto volume no aeroporto.
Levantei, qual é o hino nacional italiano? É Bella Ciao? Bella Ciao, Bella Ciao. Não, né?
Isso é do Lacar de Papel.
Eu acho que é isso.
Que isso, Willian? Esse repertório italiano aí para mim seria um Pavarotti, tá? Eu gosto de Pavarotti.
Canta aí, canta aí, canta aí, canta aí. Com essa voz acho que dá, hein?
Não, posso tomar strike do YouTube, gente. Eu tô tomando strike por pequenas coisas. Se eu começar a cantar, vão achar que eu tô reproduzindo. Quem dera eu me comparar a Pavarotti, né? Quem dera o Instagram, o YouTube fosse comparar. Mas eu não sabia que aeroporto tocava hino, gente. Essa é novidade para mim, eu não sabia. Nunca ouvi no aeroporto. Bem, ele falou aqui: Milão foi tranquila, meu hostel tinha 6 camas e na outra 5.
Ah tá, então dentro do hostel, né, de 6 camas, nas outras 5 camas um grupo de amigos que estava na cidade para um congresso. Conversamos sobre os mais diversos assuntos, desde futebol, Neymar e Pelé, e até diferenças nas leis de proteção à violência de gênero.
Eu amo, né, as conversas de mochileira. Vai de tudo, desde fofoca, desde Virgínia e Vini Júnior até direitos humanos.
É, o João é advogado, talvez o assunto, né, acho que talvez os outros fossem, talvez permeia sobre isso. Ele falou, eles iam para o congresso e eu explorava a cidade. À noite nos encontrávamos para comer. Foi gostoso dividir o quarto com eles. Legal. Mas o congresso acabou e com isso mais uma despedida. Minha passagem para Veneza era somente na noite seguinte. Acordei cedo, fiz check-out, deixei minha mochila na recepção. Passei o dia explorando a cidade, andando de metrô, ônibus, trem.
Tudo normal, exceto por alguns comércios fechados. Não entendi até chegar à Capela da Última Ceia e ver o aviso: fechamos apenas no Natal, Ano Novo e 1º de maio. Pois é, até os padres precisam de folga no Dia do Trabalho, feriado mundial que eu desconhecia. Não sabia que era feriado mundial Dia do Trabalho.
É, o Dia do Trabalho é feriado mundial.
Olha, informação nova, não sabia. Saí dali embaixo de chuva, voltei ao hostel para pegar.
Eu sei porque meu aniversário é em maio. E aí, sabe quando é que a criança é fanática pelo seu próprio mês? Era eu. Então eu sei tudo de maio, tipo quais são as feriados de maio, quem nasce, os famosos que nasceram em maio.
Você sabe o que que celebra no dia do seu aniversário?
Ai, você me pegou! Eu sabia essa.
Então coloca aí, que que você lembra aí do seu aniversário, no meu, de curiosidade? Vou ver, a gente vai fazer. Coloca aí o seu e o meu. O meu é 23 de janeiro. Vê o que que comemora.
O meu é 11 de maio. Vamos ver o que se comemora em 11 de maio. Dia do reggae! Olha, dia do reggae!
Os primeiros, primeiros, vai só os primeiros.
No dia 11 de maio comemora-se o Dia Nacional do Reggae e o Dia da Integração do Telé. Do telégrafo no Brasil.
Ó, e o 23 de janeiro? O que que é 23 de janeiro?
23 de janeiro, vamos ver.
Eu acho que é dia dos Correios. Eu acho, eu não sei se eu tô enganado. 23 de janeiro, eu acho que é dia dos Correios. Não sei se eu tô maluco.
Dia Mundial da Liberdade e Dia Internacional da Medicina Integrativa. Minha cara, é sua cara, os dois.
Pesquise aí o que que é o seu dia. Tudo para dizer que eu não sabia que viu o Trabalheiro Nacional. Então vamos lá, cadê? Onde é que eu tava aqui? Tá. Aí saí dali de baixo, saí dali, saí dali embaixo de chuva, voltei ao hostel para pegar as mochilas. Quando terminei de me arrumar, a recepcionista perguntou para onde eu ia. Respondi tranquilamente.
Mas você acha que— agora fiquei intrigado também. Que data ele tá? Ele tá em 1º de maio? Tá no Ano Novo? Tá no Natal?
Ai, ele não, ele não.
Considerando que essa é LT, eu chuto que era Natal? Ah não, ele falou até os padres trabalham, então é 1º de maio.
É maio, verdade. Então ele tava em maio. Bom, ele não tinha comentado que época, né? Então, ó, voltando, ele, a recepcionista—
é que é um roteiro inteligente, entendeu, Cainan? Porque ele não entrega todas as coisas, ele não subestima quem está lendo o seu texto. Ele sabe, eles vão entender nas entrelinhas que é 1º de maio, porque ele falou os padres também trabalham, precisam de folga, entendeu?
Ele tava à frente do seu tempo nesse escrito, a gente que não percebeu essa sutileza.
É, exatamente, é um texto inteligente. É um Tolkien.
Então ele, a recepcionista no rosto perguntou para onde ele ia. Daí o João respondeu tranquilamente que para rodoviária. A resposta foi como um raio na minha cabeça. Aí a recepcionista: então não tem transporte, é feriado, o metrô está fechado, não tem mais ônibus, não tem como chegar na rodoviária. Nossa, que triste!
Nossa, eu tinha os motoristas de ônibus também precisam de folga.
Caramba, então um dia para então no país praticamente, geral. Eu tinha usado o metrô a milésima vez naquele dia. Achei que fosse golpe, mas era real. Fui até o metrô e estava fechado. Às 18 tudo parou.
Caramba, gente, mas também assim, né, era para tudo parar, né? Máquina não precisa de folga.
Eu tinha tentado pedir Uber, mas além de caríssimo, ninguém aceitava a corrida. Foi um caos até que vi uma bicicleta elétrica de aluguel. Abri o Waze, deu tempo. Coloquei as mochilas na cestinha e comecei a pedalar.
Essa história deve ser recente, né?
Porque tem Uber, tem Waze, tem pelo menos 8 anos, vai, pelo menos 8 anos. Aí ele falou que esqueci de um detalhe: o Waze não entende bicicleta. Não entende? Ah, tá, o Waze só faz caminho de carro, não tem a rota bicicleta.
Nossa, deve ter dado uma volta desgramada.
E minutos depois me colocou E minutos depois me colocou em uma autoestrada. Sabe que cena veio na cabeça? Já viu o filme do Mr. Bean vai de férias? Aí tem uma cena que ele vai de férias.
Eu pensei a mesma coisa.
Ele pega carona com um carro, um monte de ciclista passando, e tá lá o João pedalando. Tem até musiquinha.
O carro tipo a 2 por hora, e aí passa um cara depois andando, uma senhora andando. Dividimos o mesmo neurônio, cara.
Eu ri dessas coisas. Cadê aqui? Voltando. E colocou o jogo no testaralho.
Vocês bloqueiam a memória porque assim, geralmente eu não dou muita risada com filmes de comédia, né? Eu geralmente dou crise de riso com filmes que não eram para rir. Mas tem um filme que eu lembro que eu ria muito, eu amava esse filme. Poucos são os filmes que eu repito. Porque eu não gosto de repetir esse filme repetido. Mas tinha um que chamava Corrida Maluca, você lembra desse filme? Que era do Mr. Bean.
Esse filme é muito bom.
Que quem chegasse primeiro ia ganhar aquela bolsa milionária. Nossa, era maravilhoso, gente. Esse filme era muito bom.
Eu amava. A atriz do filme é muito boa, inclusive.
É muito boa.
Nossa, eu acho que eu vou reassistir esse filme.
Não vai ter a mesma graça, com certeza, mas vou assistir.
Vamos lá. Não, é bom, é bom, cara. Eu vi uns meses atrás Esse filme muito bom.
E esse é um bom filme de viagem também, que é um filme de road trip, né?
É pura road trip, pura road trip. É uma volta do Tô, já foi uma autoestrada. A parte elétrica da bicicleta travou por ser via proibida. Olha a tecnologia, Antônia reconhece.
Que chique!
Tanto que eu sei que quando vem gente do interior para São Paulo, o pessoal pergunta por que que não rouba o patinete, né? Porque tem um sistema de proteção, as peças você não consegue melhorar.
Então fica ligado, gente, Gente, em caso de tsunami, vulcão, terremoto, não pegue uma bicicleta elétrica, um patinete para fugir.
Você vai morrer, mas aí vai parar. Deve ter na central que nem tem botão de soltar míssil nuclear, que assim, a companhia da bicicleta—
meu filho, a pessoa que aperta o botão já correu, ó.
Mas é legal que eu não sabia dessa informação. A bicicleta trava, né, por segurança. Inteligente isso, achei legal. Sim, então vamos lá, voltando aqui. Travou, né, por servir a proibida. Passei a pedalar uma vez. Agora ele tem que me recompor. Agora ele tem que—
pera, a parte elétrica travou, ele teve que pedalar. A pessoa pensando, nossa, ganhei uma viagem de graça. Corta para ele pedalando 100 km para chegar no destino. Mochileiro não tem um minuto de paz. Ai, meu Deus, eu tô rindo das graças dos outros que eu vou cair nessa. Gente, isso é muito Mr. Bean, né?
Então, passei a pedalar em uma bicicleta pesada em um pequeno acostamento. Cara, é muito pesado bicicleta elétrica, é impossível praticamente em um pequeno acostamento com carro a mais de 100 km ao meu lado. Ai, pera aí, até saiu coriza aqui. Pera aí, deixa eu só o nariz, gente, aguenta aí, pera aí. Deu mal. Ó, como o tempo recalculava sem parar, eu corria rumo ao fracasso. Profunda essa fase do João aqui. Como se não bastasse, um carro começou a colar atrás de mim dando farol alto.
Tentei manter a calma. De repente, sirene. O carro me ultrapassa, fecha minha passagem, me obriga a entrar em um posto de gasolina. Sim, era uma viatura.
Vai tomar multa.
Se a galera já toma multa no trem já que esqueceu de passar o bilhete, você imagina em uma bicicleta no lugar que não pode. Nossa, quero ver essa história. Naquele momento entendi, tudo estava perdido. Tentei falar inglês. João não fala inglês, piorou a situação ainda, João.
É isso aí, pronto.
Explicar que era brasileiro, que no momento brasileiro não quer.
Piorou.
Que piorou na Europa. Piorou. Você não tá no Uouquistão, você não tá no continente africano, você não tá num lugar que você é bem quisto.
A multa ia ser barata, agora ficou cara.
Explicar então que era brasileiro.
Agora é voz de prisão.
E precisava— ah, ele falou que explicar que era brasileiro e que precisava chegar na rodoviária. Eles começaram a gritar. Aí ele colocou entre parênteses italianos, normal, tá bom, ok. Dizendo que não podia estar ali de bicicleta, que era proibido, etc. Achei que seria levado para delegacia ou multado, mas graças a Deus isso não aconteceu. Olha, será que aquele policial bom, que pô, não, te ajuda, te leva até rodoviária, a gente tá vendo você pedalando essa bike aí que não tá funcionando elétrica.
Italianos, tudo, eles insistiam sobre o metrô eles insistiam sobre o metrô— expliquei tudo. Eles insistiam sobre o metrô estar aberto. A essa altura eu já duvidava de mim mesmo. Cheguei a achar que talvez o metrô só fechasse por parte do dia. Eles disseram que me escoltariam até a próxima saída da estrada. Olha só as histórias, olha as razões para acreditar na viagem aqui.
É, mas podia dar uma carona em vez de escoltar, né? Vai fazer você pedalar 100 km te seguindo de carro.
Pô, mais uma, não, mais uma bicicleta Mas uma bicicleta elétrica não cabe numa viatura, é grande uma bicicleta, é pesada, porra.
Não, depende, às vezes vai seguir um camburão. Eu já fui preso, já, camburão cabe, camburão.
Mas eu não acho que é uma Duster, não é uma Duster na Itália. A Itália é tudo pequenininho, os carros já é famoso, né?
É um Cinquecento.
Olha o carro do Mr. Bean, tudo pequenininho. É tudo bem que a Inglaterra, né? Mas enfim, não sou entendedor de carros aqui, ouvintes. Então eles disseram que escoltariam, né, até a próxima saída onde havia uma estação de metrô próxima. Fui na frente com as luzes da viatura iluminando meu caminho. Quando cheguei, devolvi a bicicleta e entrei na estação, que surpreendendo um total de zero pessoas, estava fechada. Eu estava no meio do nada, rodovia de um lado, mato do outro, o escritório do metrô também fechado do outro lado, o escritório do metrô também fechado.
Era um subúrbio isolado, sem nada nem ninguém por perto, e eram apenas 7:30 da noite. Comecei a pensar nas possibilidades: Uber, Fora de cogitação, restou recalcular a rota. Abri o site de ônibus e vi outra passagem pelos mesmos R$20. Ele tá, ele tá enfadando, colocando muita energia nesse R$20 aqui. Eu não sei se é muito barato ou se tem alguma história no futuro. Para amanhã seguinte, João comprou. Teria que passar a noite ali. Entrei no modo sobrevivência. Era cedo, faltavam 11 horas para o metrô abrir.
Reveri a mochila, veio uma voz aí de De uma voz de Discovery Channel.
Revirei a mochila, nada além de 100 ml de água. Ele foi fatídico aqui, 100 ml.
127 horas, né? Só restam 100 ml de água. Vai ter que beber mijo, João, vai ter que beber o próprio mijo.
Narração Discovery Channel: encontrei um canto escondido, estendi minha toalha da Decathlon, uma mochila na cabeça.
Decathlon tá pagando? Não, mas eu acho que não devia falar o nome da Decathlon não. Escolhi, estendi minha toalha daquela marca.
Então, mas como a Decathlon é produtos de campo, não, mas a gente é patrocinado pela Cúltula. Mas como a Decathlon é ralé, o João tá numa situação ralé de merda, dialoga.
Agora, se é o Pico dos Marins, se é uma Serrada, todas as portas para uma futura parceria com a Decathlon. Aquela empresa de merda que vende uns produtos de péssima qualidade.
De introdutor agora, se for uma serra-fenda, um presópolis, aí a Curto tá ali, entendeu, fazendo companhia. A gente tem que distinguir, entendeu? Então a gente fala o Decathlon, sei, tá bom.
Se fosse uma toalha da Curto, a gente ia valorizar mais.
Poderia aquecer o João, enfim, uma camada mais fina. Mas tudo isso ele tava camuflando a cabeça.
Então se fosse uma toalha da Curto, ia te secar. Mas como a toalha da Decathlon, você vai morrer se esfregando e não vai sair do aluguel.
Eu vou mandar mensagem: Decathlon, quer patrocinar? Eu deleto esse episódio ou oculto ele, entendeu?
Aí eles falam assim: manda 3 episódios pra mim que você considera legal pra gente entender seu podcast. Aí você manda esse sem querer.
Então o João tava com essas coisas ali na estação. Entre as pernas me deitei. Era coberto, mas na rua. Ah tá, ele tava coberto. Conforme a noite avançava, o frio aumentava. Vesti peça por peça que tinha. Sem saco de dormir já não dava conta, e quando achei que não poderia piorar, chuva com vento lateral. Nossa, ele foi bem específico, né? Chuva com vento é indiferente, né? Tipo assim, nossa, a chuva foi frontal, meu Deus do céu!
Agora aproveite, fez muito. Obrigado pela descrição da vento lateral, ainda bem que você falou, João.
Não sei falar se vento traseiro, porque se fosse, se fosse Traseiro realmente mudaria tudo.
A gente vai muito longe aqui, meu Deus do céu, cara. Obrigado pela informação.
Não, porque se a água tivesse vindo de baixo para cima, vai virar piada.
João, como é que tá o vento? O vento tá lateral hoje. A gente vai correr com o João no Ibirapuera esses dias, né? Tava em São Paulo. Da próxima que for correr com ele, João, para onde corre? O vento tá na lateral, o vento tá diagonal, assim.
Vamos correr, que sentido?
Aí ele falou: sem condições de dormir, frio, fome. Por volta da meia-noite, do nada, um homem passa por ali, o único ser humano desde a escolta policial. Fui até ele.
Gente, ele tá na Itália ou ele tá em Marte? Que eu não tô entendendo.
Então, mas por causa do feriado, eu acho que o pessoal se isola. Eu acho que deve ser um feriado que a galera fica em casa, não sei, aparentemente vai dormir, né?
O trabalhador merece.
Ou ele tá numa região muito inóspita da Itália, né? Pode ser. Aí ele falou: aí João foi até ele e tentou perguntar se havia algum lugar para comprar comida e água. Caramba! Realmente tá difícil a situação. Com dificuldade de comunicação, abriu o Google Tradutor.
Ele disse que, gente, mas o João também tá, Johnny tá, é, realmente tá muito amador nessa fase aí da vida dele de mochileiro, porque Itália é muito fácil comunicar, gente, é só mexer a mão, faz o sotaque. Você não assistia Terra Nostra?
Você faz o gesto com a barriguinha na mão, sabe, assim, fome, entendeu?
Sabe, faz aqui com a, fecha a mão, ó, porque é áudio italiano, é parecido, dá para você virar, dá, dá. Onde estarem? Onde estarem?
Fome, comida.
Onde estarem? Comida, fome, mangiare.
Aí ele abriu o Google Tradutor. Ele disse que não havia nada ali, que só estacionava o carro para pegar o metrô, mas imediatamente me ofereceu a sacola que carregava, uma caixa de pizza que levaria para comer em casa mais tarde.
Nossa, caraca, é o bom samaritano!
Meu Deus, meu anjo da guarda em ação, disse o João. O agradeci imensamente, sentei na calçada e comi aquela maravilhosa pizza. Pizza.
E adentro essa pizza devia ser maravilhosa. Primeiro que eu tava com fome, né, numa situação que realmente qualquer porcaria ia ser muito bom.
Mas ele tava na Itália, então tipo assim, o cara veio, pizza vai ser boa, entendeu?
Vai ser maravilhoso.
Não, vou ler aqui até uma forma poética: a cada mordida uma lágrima caía. Olha que poético, olha que lindo, olha que coisa!
Faz de novo, eu arrepiei. Faz de novo.
A cada mordida, uma lágrima caía, temperando ainda mais aquela redonda originalmente italiana. Era um mix de gratidão, alegria e fé.
E fé. E fé. Amém, amém, eu creio, eu creio.
O que que você ia falar? O que que você ia falar?
Até te custei. Imagina, imagina você ouvinte que tá na esteira depois de de tentando fazer seu cardio aí, ouvindo enquanto ouve o podcast, fazendo aquela dieta braba, né, tipo, sem comer aí, contando calorias. Aí de repente você ouve essa narração descrevendo uma mordida na pizza italiana.
Não, vou até manter o tom, ó, porque assim, eu li um pouco o parágrafo, ó. Minutos depois, tô usando que nem a Bíblia, já percebe? Tipo, agora é momento Bíblia.
Sim, é Cid Moreira.
Minutos depois, o vejo novamente vindo em minha direção Olha se não é bíblico isso aqui. Vem direção de novo. Ele voltou com uma garrafa de água e um saquinho de amendoins.
Sim, vai acontecer um milagre. Tô sentindo que o milagre vai vir.
E voltou só para mim, disse Jesus. Praticamente, né?
Isso é um versículo de João 25:14.
Não, tá ótimo. É uma imagem. É Jesus ali, se apresentou numa caixa de Pix de ser vô, só que em vez de pão é amendoim e é uma garrafa de água, não é vinho. Poderia ser vinho, mas tá, né? Aí eu tô imaginando assim, dá muita briga do João aqui, ó. Chorei o agradecer. Eu tô imaginando o João do chão assim, obrigado, obrigado.
Um completo, prostrei-me aos seus pés.
Um completo desconhecido, um completo desconhecido que não só dividiu sua comida como se preocupou comigo É verdade, João. Você testemunhou o milagre de Jesus. Este programa, no fundo, não é história.
João, mais do que isso, a sua vida é um milagre.
Efeito de música gospel ao fundo.
Eu ouvi um amém, eu ouvi um amém.
A trilha sonora já vai ficar muito boa. Eu vou colocar muita coisa religiosa isso aqui.
Voltando então, acabou o versículo, continua.
Aí ele falou que como se preocupou, aí ele chorou agradecendo, né, um completo desconhecido que não só dividiu a comida como se preocupou com ele. Como é que vamos dar um nome para esse homem? Vamos falar só ele, ele, ele, ele, ele, ele, ele, ele, ele disse: você tocou meu coração e Alá mandou que eu voltasse. Cara de Alá! Não, isso aqui tá muito bom.
Não é a Bíblia, não era Dili era muçulmano ainda, cara.
Não, esse aqui foi um plot twist para mim, isso aqui, tá? Esse, sei lá. Nos abraçamos, tiramos uma foto que ele vai mandar na comunidade.
Então, só que foi, e na verdade essa era uma história de conversão de Johnny. Hoje ele é um muçulmano.
Ó, foi um dos momentos mais bonitos e significativos que já vivi.
Olha só o que fome não faz. Começou um pedaço de pizza, vira o momento mais difícil.
E uma sucessão de desamparo, né? Também teve policial.
É praticamente Jó, né? Johnny é Jó. Quem não pegou a referência aí, vai ler a Bíblia.
Aí ele falou assim: ver a bondade humana tão genuína e completa foi uma das maiores dádivas da viagem. Olha só, você não queria razões para acreditar?
Era uma história do razões para acreditar.
Naquele momento não havia— caramba, tá muito bonito agora mesmo. Naquele momento não havia frio, nem chuva, nem nada que pudesse superar o calor dentro do meu coração e do estômago também. Me encolhi ainda mais contra a parede, dormi como uma criança até o despertador tocar. Ó, que bonito, cara! Acho que brincadeiras aqui, a parte—
ele voltou ao feto, entendeu? Ele Voltou ao afeto materno porque ele se sentiu ali amado, como amor de mãe.
Mas sabe uma coisa que é legal de saber dessas histórias? Eu falo como viajante, porque depois você quer perpetuar a mesma coisa que fizeram com você.
Tipo assim, eu falo isso, Johnny, quantas pizzas você já deu para desconhecidos na rua?
Vamos falar a verdade, vamos jogar na comunidade.
Ou você é a pessoa que o cara fala tio, você finge que não.
Mas eu acho que o Johnny deve ter dado muita paçoca, eu acho.
Será? Ali que eu Ah, cara, pô, porque é o mínimo que a gente espera, tipo, você sair distribuindo paçocas lá na Cracolândia, no centro de São Paulo.
Eu acho que a gente tem que fazer um combinado com o João. Próximo encontro da comunidade, João tem que distribuir paçoca.
Eu também acho.
Eu acho que quando a comunidade, ele tem que levar paçoca e falar a palavra da paçoca.
É a lei do retorno, é o karma. Então, João, foi abraçado, agora nos abraça.
Temos um combinado, próximo encontro, e dá paçoquita, viu? Nada da paçoca da pior qualidade, até porque ele fala que a paçoca é melhor.
Então não vem com aquelas paçocas farelas.
Então temos o combinado com o Joel que abrimos paçoca no próximo encontro, que vai ser encontro argentino inclusive, viu? Não sei se paçoca tem Argentina, mas é a mistura do argentino com o Brasil.
Ele podia levar o fajó então. Joguei, joguei, joguei.
Vai carecer o negócio. Ó, então vamos voltar aqui. Então ele se encolheu mais contra a parede, dormiu como uma criança até o despertador. Entrei na estação assim que abriu e segui viagem para novas aventuras, ora com perrengue, ora com camas king size e hidromassagens. Entre parênteses, não, isso infelizmente não aconteceu de novo nessa viagem, mas ficou o aprendizado: a vida não está nem aí para o nosso planejamento. Tá, claro que tá, João! Olha quantas coisas maravilhosas aconteceram.
É porque a vida tem um planejamento próprio.
E aí ele coloca aqui para encerrar: tanto isso é verdade que em Veneza perdi conexão para Londres. Mas esse é papo para outra história. Então o João já deixou, deixa para a próxima. Salva de palmas para o João, que ele encor—
ele, bicho, nosso Pastor João.
Não, ele me comoveu. Eu vou sair hoje para correr aqui na cidade com o coração acalentado na esperança. E eu fiquei muito—
corra, cuidado com o vento lateral.
Mas sabe o que eu mais gosto de tudo? Agora a parte séria. Eu gostei que era um muçulmano. Você sabe da relação com o islamismo. E assim, não poderia ser um estereótipo do Itali, mas era O cara árabe no país nem devia ser italiano, devia ser um imigrante.
Nem devia ser italiano, verdade, não ia funcionar a mãozinha.
É a mãozinha, por isso, entendeu?
Mas eu acho também fora de contexto. Por que que ele deu uma pizza e não falafel, entendeu? É, eu achei contraditório. É muçulmano, mas deu uma pizza.
Você queria que ele dissesse?
Era de pepperoni? Era carne de halal? Que muçulmano é esse?
Depois dessa, sumiu vírgula.
Então vamos para a segunda história que nossa ouvinte mandou. Inclusive, ela é Tânia. Sabe quem é Tânia, Cainan?
Não, quem é Tânia? Apresente Tânia para mim.
É a esposa de Sílvio. Sabe quem é Sílvio, que não é Santos?
Eu sei quem é o Sílvio porque ele torceu O Silva, ele foi convertido durante a Copa, que na comunidade, Johnny converteu ele. Não, não, a gente converteu, porque durante a Copa na comunidade fica convite para participar, não pode figurinha. Só que na Copa a gente liberou e foi o caos.
Inclusive o Will adorou esse momento, a galera, gente, todo mundo foi uma delícia, gente, foi atualização em figurinha, foi tipo Johnny tendo uma cama king size, discos de jazz.
Exato. E aí eu sei que tinha alguma, a gente não, a gente tudo contra Argentina e O Silvio, que é esposo da Tânia, tava torcendo pra Argentina, mas eu acho que ele sentiu pressionado, depois ele mudou a torcida. Então ele foi convertido.
Caramba, então Silvio faz parte daquele seleto grupo de brasileiros torcedores da Argentina na Copa?
É que dá pra dar uma desculpa pro Silvio, porque ele trabalha com um grupo de tango. Ele é argentino? Não, mas ele tá todo dia—
Ele é portenho, nasceu em Buenos Aires?
Não sei, mas ele trabalha com tango.
Tânia é argentina?
Não, mas calma, o Silvio também trabalha com tango.
Ele é descendente de argentinos?
Silvio tem uma barbicha.
Ele luta, ele é soldado, ele tem uma barbicha, uma barbicha é argentino, vai.
Ele tem um cavanhaque.
Não, a única coisa que eu aceito, se ele tivesse um mullet, aí sim tudo bem.
Ele é careca e todo mundo sabe.
Piorou, gente, como assim, Silvio? Você torce para Argentina, não tem desculpa para nada, a não ser que você tenha um passaporte argentino. Silvio, decepção com você. Lembrando que A gente foi na feira lá do Leste Europeu, comemos tantas comidas do Leste Europeu lá. Silvio, gostei tanto de você, agora você me decepcionou um pouco, Silvio.
Só uma dúvida, esse encontrinho foi com as pessoas da comunidade, né?
Foi com as pessoas da comunidade. Algancho, Algancho.
Tem que reforçar, gente, Algancho é Algancho. E tanto que a Tânia e o Silvio tá lá, gente. Eu falo para as pessoas, gente, a comunidade é muito legal, vocês estão demorando para entrar. É isso, você sabe que o mal da sociedade vai ser falta de conexões, e a gente promove conexões a todo momento. Olha lá, inclusive pode ser que, pode ser que surja mais amores aí. Amores estão vindo nessa comunidade, viu? Domina spoiler, só digo isso.
Você tá monotemático hoje, né? Você tá falando de amor, muito de amor. Por que será que você tá falando de amor?
Eu tô, meu pai. Até comprei uma maçã nova para mudar o estilo. Mas vamos para a história da tarde.
Comprou um perfume, comprou um perfume. Enfim, você quer outro gancho? Quer que eu te dou outro gancho?
Por favor.
Olha o título dessa história. Usem seguro saúde.
Não foi combinado, viu? Ela que colocou esse título. Não foi, ela mandou antes de fechar com eles. Assiste, tem que falar que assiste 365. Então, ó, isso aqui dialoga muito com eles, né?
Então, gente, assiste 365, patrocinou o podcast certo, porque assim, o universo conspira a favor desse podcast. Olha lá, assiste, vai. Vamos aumentar essa verba aí dessa publi, porque vamos entregar agora, hein? Vamos entregar a melhor público, você já pagou.
Porque sabe uma coisa, agora assim, eu vou abrir a boca do balão aqui, falar que nem ratinho. Quando o pessoal faz coisa de seguro viagem, é sempre no Instagram, é 15 segundos, mas ninguém nunca conta as histórias de fato.
Eu quero detalhes. Tem uma coisa que tem história, é perrengue de viagem.
Não, inclusive eu já fiz uma petição ao público e vou reforçar: sabe quem tem que estar na história dos ouvintes de acidentes? Você conhece bem essa pessoa, cara da bocha. Cara, inclusive ela faz questão de chamar como convidado nem para enviar. A gente vai ter um de frente.
É verdade, é um case de sucesso, é uma sobrevivente. Sabe aquela coisa, não cansei de sobreviver, tô vivendo, eu quero viver? Carla é o contrário, ela não vive, ela sobrevive. Então, gente, ela é tipo o Inmetro dos seguros viagem, ela passa todas as possibilidades de quebrar coluna, de cair de esqui, de neve. Ela é o escudo da sociedade dos reações.
Uma piada interna aqui, a gente não sei qual era o contexto, a gente tava no grupo do WhatsApp e a Carlinha, para pegar uma peça na gente, ela tava numa cadeira de rodas indo para o banheiro. Você lembra disso? E a gente automaticamente falei, qual foi a merda que aconteceu? Falei, não, gente, só tava cansada. Eu falei, Carlinha, você não tem direito de brincar isso com a gente. Você já tem tanto histórico que você tá numa cadeia, a gente já pensou do pior.
Então assim, não. E Carla, ela consegue testar os perrengues em todos os âmbitos, inclusive carro. Tipo, não viaje de carro com Carlinha. Carlinha é uma ótima companhia, maravilhosa, mas assim, viajar de carro com Carlinha nunca mais. Toda vez que eu entro num carro com Carlinha, o carro quebra. Mas não só quebra, o carro dá um estrago e dá um prejuízo de 800 euros. E não importa, você pode estar em Montenegro ou em São Bento do Sapucaí, o carro vai quebrar.
Vamos dar um beijo para Carlinha, um beijo, Carlinha, para você.
Um beijo, Carlinha, te adoro de longe.
Vamos voltar para a história da Tânia. Então vamos lá, hein, simbora para Tânia.
Bora lá. Olá, Cainan, tudo bem? Ih, Tânia, você não falou só lá, Cainan, e o convidado? Eu convidado, eu não tô bem? Ninguém pergunta se eu estou bem. Oi, Kainá, tudo bem? Sou a Tânia, participo da comunidade, e meu marido Sílvio. Só para contextualizar, sempre viajamos juntos nas férias do trabalho. Então nessas histórias que eu vou contar, ele estará presente. Tomei coragem para enviar minha história, vou me expor com força, mas vale para alertar os mais desavisados. Oba, gosto assim!
Eu gosto de história Foi um desafio para ela colocar. É, então foi a forma como a gente vai ler, já tem um carinho já porque ela se esforçou para colocar isso.
Até perdoei, Silvio, que trouxe para a gente. Vamos começar com breve informação. Quando começamos nossas viagens internacionais, nosso primeiro destino foi a Argentina, Buenos Aires. É um clássico, o clássico de sempre. Olha aí, tá vendo? A gente tá tão em sintonia com a história dos amigos que a gente já, a gente já sabe o que as pessoas vão escrever, a gente já tá adivinhando. Tanto pela distância próxima quanto pelo valor acessível.
Hoje nem tanto. A facilidade de viajar em alguns países da América do Sul é justamente não ter passaporte. Olha aí, já temos um spoiler do que vai vir. O que mais barato é— o que fica mais barato ainda para os iniciantes desse mundo. Então começamos nossas viagens sem muita informação e com nossa inexperiência, nunca contratamos o seguro saúde para viajar. Até um dia dar ruim.
Mas será que a gente sempre fala disso, mas eu acho que todo viajante já viajou sem seguro porque é um dinheirinho, não vai acontecer, acha que é jovem, é o clássico mesmo, clássico. Eu acho muito difícil alguém começar uma viagem com, sei lá, 18 anos, não, já vou pegar o meu seguro, mano. Ele tá viril, tá saudável, o corpo se recompõe no dia seguinte.
E o jovem acha que é imortal, né, que nada vai acontecer com ele. Corta para Tânia e Silvio.
Mas é normal, gente, fica tranquilo, tá? Quem nunca viajou a primeira vez que não pega faz parte do processo.
Mas vamos lá, pera aí, deixa eu só responder uma mensagem que eu preciso responder aqui.
Pausa aqui rapidão, musiquinha de elevador.
Voltando. Em 2017, eu e o Silvio fomos ao Chile, passamos por alguns estados até chegarmos em Valparaíso, onde começa a história em si. Uma cidade pequena, não passaríamos muito tempo por lá, então achamos um hostel depois de bater de porta em porta. Janeiro, alta temporada, tudo cheio. Ao contrário do João, eles foram assim freestyle, vão para Valparaíso em pleno janeiro.
Mas eu gosto disso, E imprevisibilidade, bater de porta em porta. Eu gosto, eu gosto.
É legal, mas assim, você perde um dia inteiro, né? Um dia que você podia estar na praia lá tomando banho no Pacífico, tu tá batendo de porta em porta. E nem é vendendo paçoca para ganhar dinheiro, é para achar um lugar para dormir. Temos um ponto. Caiu, chegou a ficar mudo. Consegui deixar caindo mudo.
Nada a somar.
Coisas que a gente aprende depois de velho, entendeu? O jovem acha que é O tempo, o dia tem mais de 24 horas.
Eu ia fazer um comentário de episódio que a gente já gravou, mas aí é obrigação do ouvinte ouvir as histórias dos ouvintes, que foi o do Bruno. Que lembra que ele ficou no vão do corredor do hostel?
Sim, era isso. Ele até hoje entendeu da onde saiu aquela parada.
Mas era só isso que eu tinha falado.
É porque aqui é ouvinte, você que tá novo aí chegando, é um multiverso, entendeu? Aqui é o multiverso da loucura, tudo tá conectado. As piadas internas existem, você precisa ouvir todo o episódio.
Você vai pegando as referências, tem que entender, é isso.
Faz parte, faz parte da experiência coletiva. Encontramos um hostel bem peculiar em um casarão antigo com quartos bem grandes e banheiro compartilhado, um clássico. Os corredores eram com muitos quadros bizarros nas paredes e o chão fazia muito barulho quando andávamos.
Imagético. O que que define para você? Porque esse é muito peculiar, quadros bizarros. Dadaísmo pode ser bizarro para algumas pessoas.
Eu já imagino nudez. Eu acho que quando fala quadros bizarros, já imagino gente pelada com a boca amarrada, sabe?
Uma coisa meio, é bem 50 Tons de Cinza, bem coisas de cinza.
É, eu acho que é.
Caramba, eu não ia por esse lado, até porque dependendo pode ser até quadros da época do romanticismo. Não sei se pegou a referência.
Pode ser aqueles quadros renascentistas também, né? Com aquela gente com aquela cara estranha, sabe?
O grito. Eu pensei quadro coisas assim, meio que grito, meio de dor. Isso pode ser também quadro que desperte o pior no ser humano, é isso que eu entendo, entendeu?
É, então não é, então não é, não é gente pelada, com certeza.
E o show fazia muito barulho, né, como você falou.
O show fazia muito barulho, então era uma coisa meio terror, né, meio creepy.
É uma casa antiga, aparentemente, né, aquele show.
Então pode ser quadros com sangue, né, tipo assim, com morte, será cenas de morte, de mutilamento.
Pelo amor de Deus, né?
Às vezes a estética é essa, gótica. O dono do hostel morava no andar de cima, um cara bem peculiar também. Nos recebeu, pagamos, ele sumiu.
Mas a Tânia, calma, a Tânia não tá dando detalhes algumas coisas aqui, mas ela fala assim: o que que é um cara bem peculiar? Eu gosto de entender o porquê que é peculiar para ela. Será que ele vestiu?
Eu acho que ele entrou na casa familiar, talvez ele vestiu um sobretudo, joelheiras.
Então vamos mudar cenário. A gente tá num ambiente meio que familiar, tá? Então dono peculiar, bichinho preto, quadros de sangue, ninguém—
o chão fazia barulhos, tipo de madeiras ruindo.
Tá, fechou.
É só para a gente, eu acho que é meio macabro, macabro. Parecia que estávamos sozinhos lá antes de todos os outros que passamos estavam cheios.
Apesar de todos os outros que passamos estavam cheios, então algo cheiro aí, porque Esse tostava cheio, esse aqui tá vazio.
Algo cheira mal e cheira a morcego.
Desculpa, eu tô rindo mudo, meu riso foi mudo aqui. Eu vou rir agora, tá bom?
Bom, fizemos o check-in e saímos para passear pela cidade. Andamos bastante e à noite fomos em um bar sushi ou sushi bar. Tomamos nosso primeiro pisco sour da viagem. Maravilhoso sushi, maravilhoso. O primeiro sushi que eu comi com abacate, gente, o melhor sushi da minha vida, o melhor sushi da vida de Tânia foi com abacate.
Já sabe que para agradar Tânia, chama ela para comer um pisco sour.
Pelo visto, aonde você mora, Tânia? Não é em São Paulo? Não é possível que o melhor sushi que você comeu na sua vida foi com abacate morando em São Paulo, o lugar que tem os melhores sushibars, os melhores izakayas do mundo.
Ó, fala um lugar para ela então, dá uma dica aí, você gosta de comida.
Olha, você pode ir no Sushiname Para você ter um rodízio de sushi maravilhoso, com sushis maravilhosos, barriga de salmão, bateras. Então deixa aí. Ou você pode ir no Guruja, que é meu restaurante preferido de São Paulo, que também tem bateras incríveis, sashimis maravilhosos, tá bom? Valeu pela dica aí para você parar de comer sushi com abacate, que sushi com abacate nem sushi é. Ó, um japonês morreu só com essa, com esse texto que a gente leu aqui.
Ai, meu Deus.
Saímos de lá satisfeitos, cansados do dia. Fomos dormir e descansar felizes da vida. Iludida, que a gente sabe que não é isso que vai acontecer. No meio da noite, levantei com vontade de vomitar. Olha o abacate, tá vendo? Olha o abacate. É um japonês puxando o seu pé porque você comeu um sushi com abacate. Lembra que eu falei que o banheiro era compartilhado? Ah, esqueci de falar que era no fundo de um corredor. Bem grande. Quando levantei, passei mal.
A única coisa que deu tempo de achar foi uma lixeira ao lado da cama. Mas o pior não foi o vômito. Cada vez que fazia força para vomitar, me cagava inteira. Eu sei que estou me expondo muito, mas nunca vivi nada assim na minha vida. Parecia o exorcismo do meu cu. Sério, o meu cu foi um acréscimo meu, né? Ela não falou meu Ela não se expostando, mas sim, o cu dela estava sendo exorcizado. Pobre Tânia, tava cagando abacate. Já imaginou cocô verde caindo?
Olha, cocô verde só acontece quando você come, sei lá, salgadinho de péssima qualidade faz muito tempo. Não sei se já aconteceu. E fede, tá?
Cocô verde só quando você faz detox e comia alface a semana inteira.
Mas vamos dar um abraço quando você come sushi Vamos dar um abraço virtual, Natânia, pela vulnerabilidade que ela teve aqui com a gente.
Será que é o momento da gente dar um abraço? Ela toda cagada num corredor de piso de madeira.
Mas, ó, pelo visto a casa tava sozinha, né? Ela falou que todas estavam cheias, essa tava.
É, pelo menos.
Vamos ver aí o que que aconteceu com o Silvio.
Quem era o peculiar da história agora? O Silvio ficou apavorado por conta da desgraçada terceira que eu estava fazendo no quarto e com a minha situação. Gente, o colchão era novinho em folha, imagina a merda. Olha, literalmente aí, literalmente entre aspas, então talvez não era o uso do literalmente aqui, que fiz nele. Coisa de filme de terror.
Vamos trazer uma situação. Se a gente— eu não sei nenhum protocolo para isso. Não, eu sei que você já teve que limpar merda agora de algum programa.
Eu já tive no lugar do Silvio.
Aí, ó, você não está aqui à toa. Poderia ser a Lana ou Guto, mas é você que tá ali para história da Tânia. Não, só dá uma recapitulação.
Tânia, empatia total. A gente tava no Ano Novo, virada do ano, 31 de dezembro, no Marrocos, em Ouarzazate, e a gente tava assim pronto para viver o nosso Ano Novo, tal, comemorar, pular 7 ondas, tal. Mas Sara resolveu dar uma caganeira também, ela cagou a casa inteira. Era uma casa que era um, como é que é, um coworking, né? Era uma casa compartilhada, tal. Só tava a gente também, graças a Deus, que ninguém mais viu isso. A gente tinha comido muita sardinha porque a gente comprou uma caixa de sardinha.
Era tão barato que a gente falou, ah, R$12 deve vir, sei lá, 3 sardinhas. Não, veio uma caixa de 1 kg de sardinha. A gente tava um mês comendo sardinha e Sarah resolveu dar uma caganeira justamente no Ano Novo. Cagou a casa inteira. Ela tava cagando na cama, que eu acho que alguém já deve ter passado por isso, porque a cama tinha plástico.
É, João, salve!
Nossa, porque João não tirou o colchão da cama nova.
Eu fiquei pensando, se faz cocô no lençol, para tirar, cara, não, lençol menos mal que tu lava.
Imagina o colchão cagado, entendeu? Então assim, o colchão foi o menor dos problemas. O problema foi o rastro que ela foi deixando do colchão até ela achar o banheiro à noite.
Então, sabe o que é amor? Isso é amor de verdade, vocês, Sarah e Tani Silva. Isso é demonstração. Eu só queria saber o contexto para saber assim, provavelmente eles são um casal muito bem resolvido, então vamos lá.
Quando consegui, fui correndo ao banheiro para tomar um banho. Estava eu lá passando mal no banheiro enquanto tomava um banho. O Silvio me aparece com lençol para lavar no chuveiro. Pô, Silvio, que momento, que situação! A pessoa cagada num banheiro pequeno de rosto ainda com lençol Linçol todo sujo de bosta e Silvio lá esfregando. Silvio, lençol não é uma calcinha, não é o momento para você lavar. Categoria dos maridos sem noção, gente.
O ralo do box era minúsculo. Imagina que você, quando você vomita, fica um pedacinho de comida mastigada. Raiados, né? O que que aconteceu? Entupiu tudo. Aí imagina o Silvio limpando o quarto, eu passando mal, mas tentando lavar o lençol, e a água do box subindo porque pedaço de comida entupiram o ralo. Uma desgraceira total. Que ódio.
Acho que realmente, pera aí que meu maxilar tá até doendo. Pera aí, pera aí, pera aí. Vai, bora.
Acho realmente que não tinha ninguém no hostel, porque aquele piso do corredor barulhento e a gente indo e vindo o tempo todo teria acordado todo mundo. Fora o fedor, né? Depois que passou os flashes do filme do Exorcista, voltamos para o quarto para pensar no que fazer. Agora sim, depois que se limpou, vai ter que limpar tudo isso, né? O Silvio tentou buscar informação na internet sobre algum hospital público que poderíamos ir, pois já sabem que nunca contratamos o seguro saúde.
Sabe uma coisa que eu fico pensando? Vem dessa ideia de pauta agora, é falar com a assistente 365 no futuro, enfim, e fala assim: quem é a pessoa que recebe as histórias para comprovar? Assim, deve ter um segmento assim. O que aconteceu? Eu e o Willian trabalha lá, estamos lá conversando sobre a vida. Opa, recebemos um aviso que alguém tá passando mal. Daí, daí, assim: Willian, amiga, você não sabe a história, você não sabe o que que Deve ter um momento, um momento do cafezinho da empresa, sabe?
Aquela call, como é que a galera fala do mundo corporativo? É one by one? Não, é one to one.
Eu imagino assim, sei lá, a pessoa caiu de esqui em Argentina, mais um que caiu de skate e quebrou. Aí de repente aparece um pepino enfiado, não vou para essa parte, mas assim, deve ter umas histórias.
De repente aparece uma mulher, uma da Argentina, toda cagada, com diarreia de sushi de abacate. Então deve ter cada história que essa galera ouve nesse site.
Deve ter um case só pra assim, departamento de histórias absurdas da empresa. Eu vou querer, eu vou fazer um episódio só sobre.
Eu podia fazer um saque, um saque da Axis.
Boa, boa, boa, vou segurar essa ideia. Desculpa, era só esse devaneio meus, tá? Bortando.
Mas bora ver se Tânia sobreviveu à cagadeira. Amanheceu e eu continuei atravessando o corredor até o banheiro o tempo todo. Já estava bem fraca e só piorando. O Silvio saiu pra tentar achar algum remédio, mas era difícil, pois nosso espanhol não era lá grande coisa. Ou algum hospital também. Então ele saiu para achar, sei lá, um remédio caganeira, voltou com um Dramin, por exemplo. Como só iríamos ficar duas noites em Valparaíso, o Silvio estava tentando achar o dono do hostel para pegarmos mais algum dia, uma ou duas noites, até eu melhorar.
Mas o cara desapareceu, né? Ele conseguiu informação do hospital e ao voltar tentou falar com o dono do hostel. Tinha uma campainha no portão da escada que subia para o piso superior onde ele morava, e nada. Tentamos achar o nome do hostel na internet, conseguimos achar ele também, entramos no perfil dele, e qual a surpresa? Se achamos os corredores e a figura do cara bizarra, aquilo ficava bem pior. Quando entramos nas fotos do cara, ele só tinha fotos deles com boneca, bonecas clássicas, não bonecas de conteúdo sexual.
Não, imaginei que é tipo aquela de terror, sabe?
Aquelas bonecas de porcelana bem creepy, em tamanho de pessoa real. Várias fotos, muitas poses e muitas bonecas. Muito bizarro.
Trilha sonora daquela de música suspensa aqui agora, de Arquivo X.
Eu que já estava achando tudo muito estranho, fiquei com medo de ir ao banheiro sozinha. Só que quem estava do piriri vai toda hora no banheiro, né? Então sobrou para o Silvio comigo toda hora. Coitado, gente, pobre do Silvio. Você pode torcer para Argentina, Silvio, tá bom? Você tem esse direito. Nosso quarto estava uma catinga absurda. E nossa, imagina o fedor de cocô de abacate. Vamos lá. Nosso quarto estava uma catinga absurda, com lençol e roupa secando para todo lado.
O dono do hostel não poderia entrar ali de jeito nenhum. À noite fomos ao hospital de Uber. Eu já estava super fraca e zoada, desidratada e com dores abdominais. Chegando lá, o Sílvio foi fazer a ficha e, para nossa surpresa, não existia hospital gratuito igual no Brasil.
Salvo de palmas para o SUS! Esses momentos só para lembrar, tá? Sempre vou reforçar o momento SUS. Vai ter esse momento aqui para lembrar que inclusive eu fui ontem no SUS, tá? Para só, primeira vez. Sério?
O que aconteceu?
Eu tô virando unicórnio Unicórnio. Eu tô com cisto, ó, para você ver meu cisto, ó.
Tô com um chifre aí, cara.
Unicórnio, tô virando unicórnio. Mas vamos lá.
Parece que o pessoal paga um seguro saúde como nos Estados Unidos e quando vão ao hospital paga uma taxa menor e tal. Mas como não éramos chilenos e a paulada veio depois, no desespero de resolver a situação, o Silvio falou que não poderíamos esperar, era lá mesmo que teríamos tínhamos que ficar.
Só um ponto, acho que no começo da história eles falaram que guardaram dinheiro assim, acho que eles no começo. Então assim, não é abonado.
Eles escolheram esse destino da América justamente para economia, né, que não funcionou. Gente, imagine o pior hospital que vocês já foram na vida, lá era pior. Sujo, filas imensas, lugar velho, enfim, um caos. Bom, já estava lá, só queria tomar algo para melhorar, porque a cada 10 minutos eu ia ao banheiro. Quando chamaram meu nome, fiquei meio aliviada e o Silvio foi comigo lá para dentro, mas foi impedido de entrar e fiquei mais apavorada ainda porque não sabíamos falar um espanhol decente, e ainda mais para eu explicar o que estava sentindo.
Faz uma pausa.
A pior coisa, cagar, cagada, estou cagada.
Não, é que assim, mesmo que você fale espanhol, mas quando você tem que explicar o que você tá sentindo de dor, é outro vocabulário. A gente não tem até para inglês, você falar assim, que que eu tenho? Puts, Fever.
Aí é complicado, né? Você tem que baixar a versão técnica do 2017, né?
Mas se bem que 2017 já tinha o Google Tradutor, mas é mais espanhol.
Só lembrava do Whindersson Nunes contando uma história parecida que aconteceu com ele, e ele falava para o médico que estava malo, malo, e mostrava a boca e a bunda e falava: é a cá, é a cá. Whindersson, por favor, manda sua história para gente aqui. Quando entrei, vi o caos mesmo. Mais fila lá dentro, lixeiras transbordando de lixo e pessoas com todo tipo de doença deitadas na maca e no chão. Era um caos, né, uma distopia. Pensei em voltar para trás, mas não tinha muito o que fazer.
Depois de um tempo, o médico me chamou para uma sala e perguntou o que eu tinha. Alma adentro. O espanhol do chileno é muito rápido e difícil de entender. É pior ainda, o espanhol do chileno é mais difícil. Só falei que estava malo, malo, e mostrei a caca, boca, a bunda. Ele falou e eu não entendi. Aí veio uma enfermeira tirar o sangue e colocar o cateter para o medicamento, sem luva, com uma unha vermelha enorme e um uniforme sujo.
Os médicos escutando isso aqui estão falando: não é possível que existe um hospital nesse padrão. Gente, eu tô chocado.
Ela me falou algo que não entendi. Ela percebeu e começou a rir da minha cara. Fiquei com medo porque não vi ela tirando as seringas da embalagem, mas não tinha mais nada o fazer.
Nossa, só pior.
Tirou o sangue e me deu a medicação na veia. Depois de um tempão me liberaram. Já estava aflita sem meu marido. E ela sem saber o que estava, e ele sem saber o que estava acontecendo comigo, já que ninguém dava nenhuma informação para ele. Então ele tava aflito também porque ele não sabia o que tava acontecendo. Mal sabia ele que a esposa dele tava recebendo uma seringada de uma seringa suja de uma médica, de uma enfermeira com unha, com garras vermelhas.
Mandaram a gente ir no guichê. Aí veio a lapada: quase R$1.000 nessa brincadeira. Em 2017, R$1.000 era muito dinheiro. Até hoje, viu, Tânia? Era o que pretendíamos gastar no restante da viagem, mas fazer o quê, né? Saímos lá horrorizados com o atendimento, com o hospital, com o espanhol dos chilenos, mentira, e com o dinheiro gasto. Ficamos mais 2 dias em Valparaíso até que eu não precisasse ir tanto ao banheiro e seguimos viagem.
Até a cagadeira passar, ela quis dizer. Nunca na minha vida tive uma infecção alimentar tão grande, foi muito tenso mesmo. Depois disso nunca mais viajamos sem seguro saúde, ficou uma lição para a vida. Mesmo porque depois disso acho que meu corpo achou importante que os hospitais fizessem parte do cronograma da viagem. Já que o seguro viagem segue os hospitais que conhecemos no caminho.
Ainda tem o bolo da Tânia. A Tânia foi para outro. Agora quero ver essa parte.
Caramba, virou um tour de hospitais! Tem gente que vai conseguir, vai visitar supermercados. Tânia foi começar a visitar hospitais.
A Tânia Carlinha agora, vamos ver.
É a nova Carla. Não, pra você ter ideia, em Cusco, no Peru, ela ficou 3 dias internada com pneumonia. A altitude já me fazia mal, imagine com pneumonia. Não dava 3 passos sem morrer. Mas nesse caso, o hospital top é melhor.
Eu tô imaginando a Tânia entrando nos hospitais no Google Avaliações: a melhor comida que eu já tive, atendimento.
Sommelier de hospital.
Vamos ver, vamos ver os sumidouros.
Esse hospital de Cusco era top, melhores refeições que comi no Peru. O chefe do hospital era top, gente. Até a comida de hospital no Peru é boa, né? Porque o Peru tem a melhor culinária da América Latina.
Peru já é famoso pela gastronomia.
Cama de casal no quarto para o Silvio me acompanhar. Economizamos 3 diárias em hostel, aquecedor, banheiro com chuveiro top, Netflix, tudo incluso para mim e o acompanhante. Gente, fica a dica aí, buscar um hospital em Cusco. Saímos de lá com medicamento e até com um negócio para fazer inalação portátil. O bom foi que tivemos tempo para estudar mais a história dos incas antes de continuar.
Olha, Peru, Cusco, hospital, parabéns!
Assistir um documentário lá na Netflix. Em El Calafate, na Argentina, uma infecção alimentar parecida com a do Chile, estilo Exorcista. Hospital top, médica top, medicação e tal. O mais engraçado dessa vez foi que estávamos em uma casa com a família que alugava 2 quartos para turistas, com banheiros compartilhados. A sorte é que tinha 2 banheiros, senão os franceses que estavam no outro quarto sofreriam com fedor. Tânia é a rainha da caganeira, né?
Tânia, Tânia, quem está comendo, Tânia? Que caga tão fedida! Mas eles não tinham lixo de banheiro, jogava os papel higiênico na privada e dava descarga. Mas eu estava indo ao banheiro de 5 em 5 minutos, acabei com os 3 rolos de papel higiênico, não dava para jogar na privada, fiquei com medo de entupir. O Sílvio sempre leva um saco de lixo na mochila para separar roupa suja da roupa limpa, então usei o saco saco de lixo dele. Mas onde jogar essa merda toda sem passar muita vergonha na rua?
Enchi um saco de lixo de papel usado na noite anterior e saímos logo que amanheceu para irmos ao hospital. Mas onde jogaríamos o saco de lixo? Ficamos em um bairro afastado, com ruas de terra, com casas sem lixeira. Lá vamos os dois de madrugada com saco de lixo cheio na mão. A caminho do hospital sem saber onde jogar. A gente não tem uma lixeira para jogar esse saco.
Então, isso que eu não entendi. Parece que não tem a cultura aqui em Japão, talvez, que não tem lixo na rua.
Pode ser que não tem lixo. Falei para ele: Silvio, se alguém ver a gente fazendo isso, vão achar que estamos desovando um corpo, sei lá. Meu Deus, quanto que é! Você cagou mesmo, viu, fia? Andamos muito porque não tinha condução nesse bairro, o hospital não era pertinho. Eu com medo de cagar nas calças e ainda ser denunciada para a polícia local por estar um saco de lixo preto em alguma lixeira. Que achariam?
Ai, gente, espera aí, deixa eu respirar que eu tô tão cansado de rir que eu não tô conseguindo emitir som com a minha risada aqui. Pera, é que o Murilo tá vendo minha cara, mas eu vou deixar minha A minha mandíbula tá doendo já. Eu não tenho musculatura porque minha vida é tão infeliz no último— brincadeira.
Cara, desculpa, tá? Com todo respeito, eu tô imaginando você com a pressão baixa, fraca, com medo de se cagar e carregando um saco de lixo gigantesco. Enfim, o Silvio não passa mal com nada, nunca fica doente, e eu não tenho muita sorte. É sempre assim, né? É sempre o casal, é sempre assim. Passa mal e o que é imune até a morte. Mas a lição que fica é: nunca mais na vida viajamos sem seguro saúde, nunca mais. Pode sair muito caro, mas gera economia.
Olha, a comunidade mandou histórias incríveis. Eu, essa, essa, esse combo foi bom demais, gente. Eu vou, o meu, eu ganhei meu dia, eu vou correr até mais Tudo que eu preciso hoje, porque eu saio motivado. As pessoas já trouxeram tantos insights que eu nem vou fazer conclusões, Willi. Sim, foi maravilhoso.
A lição que a gente toma é: não come sushi de abacate.
Eu acho que é como sushi sem palta, né? Porque no Chile é palta, o pessoal fala, né?
Palta, palta, palta, palta.
Ai, Willi, eu me diverti. Você se divertiu com essas histórias?
Eu me diverti muito. Nossa, comecei o dia muito bem. Literalmente, entre aspas, literalmente.
Mas é gostoso de fato começar o dia rindo dessas histórias.
O dia já começa leve, já começa lá em cima o astral.
Recadinho só, mande história dos ouvintes, história de amor, perrengue, histórias estilo razões para acreditar, pode ser junto, né? Então, gente, vou reforçar uma coisa, usem IA para ajudar. Às vezes, ah, cara, ainda não escrevo bem, ou você tem a história só na oralidade, grava um áudio e pede para o chat, olha, transforma colocar no texto para ouvir a gente sem pauta ler. Por ter tecnologia a nosso favor, no fim das contas a interpretação tá do nosso lado.
Às vezes, sei lá, quantas coisas vocês colocam no texto e às vezes a gente pega aquilo que você nunca imaginou que ia virar. Tipo o Paulo lá do carro, você tá cansado, Paulo? Lembra do carro do Paulo? Ah, tá, alguém mandou uma história explícita de alguém mostrou o Paulo da história do Paulo do Curupira. Que o cara tava cansado, aí o cara falou, você tá cansado? De repente aquilo virou.
Teve também a que dormiu no lobby, né, na recepção do hotel, que virou também.
Ai, gente, muito bom. Olha, recado, gente, vem para comunidade, faça parte. O Willi tá lá e todo mundo que tá aqui tá lá. A gente vai se encontrar, terá encontro argentino, informações só na comunidade. Teve encontro agora recente que o Willi—
você vai poder usar sua camisa argentina.
É verdade. Aliás, esse encontro, dando spoiler, que é só para comunidade, tá? Para ir tem que estar caráter. Pode ser camisa do Uruguai, da Argentina, de Botsuana, países que tem azul e branco, né? Não vou lembrar agora. Tem alguma ilha? El Salvador. El Salvador é azul e branco.
Então vai, você tem.
É isso. Aí, então é isso, gente. Apoia lá, tem clube do livro, tá todo mundo lá. E mande histórias, tá bom? Willi, podemos encerrar?
Podemos encerrar.
Um beijo para todo mundo, valeu, e até a próxima, querido.
Beijo!