Inovação na mesa de bar
- 06:27 Suelia Fleury Rosa
- 19:13 Carlos Augusto Rosa
- 34:20 Jean Carlos Rodrigues da Silva
- 43:49 Olival Freire Junior
- 55:51 Diandra de Andrades
Suelia Fleury Rosa: Aparelho combina curativos de látex e LED para tratar pé diabético.
Carlos Augusto Rosa: Rede de pesquisa usa leveduras brasileiras para criar novas cervejas.
Jean Carlos Rodrigues da Silva: Projeto desenvolve tecnologia nacional para produzir levedura em pó.
Olival Freire Junior: O CNPq, principal agência federal de apoio à ciência, faz 75 anos.
Diandra de Andrades: Enzima ajuda a branquear a celulose de um modo mais sustentável.
Apresentação: Fabrício Marques
Produção, roteiro e edição: Sarah Caravieri
- Inovação em CervejariasUso de leveduras da biodiversidade brasileira · Novos aromas e sabores tropicais · Cerveja Star Brasilis · Cerveja com caldo de mandioca · Cerveja Sour com levedura de casca de árvore
- 75 anos do CNPqEvolução do órgão · Papel como agência de fomento · Importância das bolsas de produtividade e iniciação científica · Situação orçamentária
- DiabetesCombinação de látex e LED · Regulamentação da Anvisa · Pesquisa translacional · Protocolo padrão SUS
- Enzima para branqueamento de celuloseMétodo tradicional de branqueamento · Ação da enzima xilanase · Sustentabilidade do processo · Produção da enzima em resíduos agrícolas · Imobilização de enzimas
- Desenvolvimento de levedura em pó nacionalDesafios tecnológicos da secagem · Vantagens logísticas e de custo · Potencial de mercado
- Sonhos e Aspiracoes PessoaisReinterpretação da vida cotidiana · Remodelagem da realidade · Integração de experiências passadas e futuras
- Controvérsia da demissão de CrespoNational Science Foundation · Ordem de Donald Trump
- Prêmio Almirante Álvaro AlbertoVencedora Maria Tereza Fernandes Piedade · Especialista em ecossistemas aquáticos da Amazônia
- Polvos Gigantes FossilizadosPeríodo Cretáceo · Análise de mandíbulas fossilizadas · Maiores invertebrados que já existiram
- Retorno econômico da EmbrapaR$ 27 de retorno por real investido · Avaliação de impacto econômico
Novas leveduras ampliam os sabores das cervejas brasileiras. Aparelho combina látex e luz LED para tratar feridas de pessoas com diabetes. O CNPq, principal agência federal de apoio à ciência, faz 75 anos. Enzima ajuda a branquear a celulose de um modo mais sustentável. Está no ar Pesquisa Brasil.
Pesquisa Brasil, uma parceria, revista Pesquisa FAPESP e Rádio USP. Apresentação, Fabrício Marques.
Olá, sejam bem-vindos ao Pesquisa Brasil, o programa de rádio e podcast da revista Pesquisa Fapesp. Eu sou Fabrício Marques, editor de política da revista, e o programa desta semana fala sobre inovações na produção de cerveja. Os entrevistados do programa são pesquisadores que estão testando leveduras da biodiversidade brasileira e desenvolvendo técnicas inovadoras de produção.
em busca de novos sabores para cervejas, e também estão ajudando a superar gargalos tecnológicos na produção de insumos da bebida. Outro destaque do programa é um aparelho inovador que combina curativos de látex natural com luz LED para tratar úlceras e infecções nos membros inferiores de pessoas com diabetes.
Pesquisa Brasil também vai conversar com o presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, CNPq, o físico Olival Freire Jr. O CNPq, que é a principal agência federal de financiamento à ciência, está completando 75 anos.
E fechando o programa, o assunto é uma pesquisa que criou um modo de obter uma enzima, a xilanase, que pode ser útil no processo de branqueamento da polpa da celulose, reduzindo o uso de produtos químicos tóxicos.
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Pesquisa Brasil. Uma parceria da revista Pesquisa FAPESP e Rádio USP. Apresentação, Fabrício Marques.
O programa começa com um giro de notícias. A bióloga Maria Tereza Fernandes Piedade, pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, é a vencedora deste ano do prêmio Almirante Álvaro Alberto, uma das maiores premiações da ciência brasileira.
O anúncio foi feito pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, o CNPq, que concede o prêmio em parceria com a Marinha do Brasil. Especialista em ecossistemas aquáticos da Amazônia, como igarapés e florestas de várzeas,
Maria Teresa Fernandes Piedade nasceu na Espanha, formou-se bióloga em 1975 pela Universidade Federal de São Carlos, no interior de São Paulo, e dois anos mais tarde transferiu-se para a Amazônia, a princípio para trabalhar na Universidade Federal do Acre.
Foram demitidos sem explicação todos os 22 membros do Conselho Consultivo que supervisiona a National Science Foundation, a principal agência financiadora da ciência básica nos Estados Unidos. Cada um dos membros do Conselho recebeu um e-mail na tarde de 24 de abril informando que, abre aspas, em nome do presidente Donald Trump, fecha aspas, seus cargos estavam encerrados com efeito imediato.
Não é a primeira vez que o governo Trump demite em massa conselheiros científicos. No ano passado, foram demitidos todos os 17 membros do Conselho Consultivo sobre Práticas de Imunização.
Pesquisadores do Japão e da Alemanha identificaram polvos gigantes que viveram entre 72 milhões e 100 milhões de anos atrás e tinham entre 7 e 19 metros de comprimento. A estimativa, descrita em um artigo publicado na revista Science, se baseou na análise de 27 mandíbulas fossilizadas encontradas no Japão e no Canadá.
Padrões de desgaste nas mandíbulas sugerem que esses bichos se alimentavam de animais com carapaças e esqueletos duros. Segundo os autores, os cefalópodes gigantes seriam os maiores animais marinhos do período Cretáceo e podem ser os maiores invertebrados que já existiram.
Uma análise divulgada em abril pela empresa brasileira de pesquisa agropecuária, a Embrapa, indica que cada real investido na empresa deu um retorno de R$ 27 para a sociedade brasileira. O cálculo tem como base a avaliação do impacto econômico de uma amostra de 166 soluções tecnológicas criadas pela instituição e no carro.
além de estudos sobre a adoção pelo setor produtivo de 209 tecnologias desenvolvidas pela Embrapa.
Um aparelho portátil que combina curativos de látex natural com luz LED ajuda a cicatrizar feridas na pele e pode auxiliar no tratamento do pé diabético, uma complicação grave caracterizada por úlceras e infecções nos membros inferiores de pessoas com diabetes.
Quem vai explicar o potencial desse equipamento, batizado de Rafa, é a engenheira eletrônica Suélia Fleury Rosa, coordenadora da equipe de pesquisadores da Universidade de Brasília, responsável pela inovação. Atualmente, ela também é professora associada na Universidade Cornell, nos Estados Unidos. Olá, professora. Seja bem-vindo ao Pesquisa Brasil. Muito obrigado por participar do programa.
Olá, Fabrício Marques, muito obrigada pela oportunidade. É uma alegria poder falar com seus ouvintes. Professora, como surgiu a ideia de combinar látex natural com luz LED para ajudar a cicatrizar feridas? Como vocês chegaram a essa solução? A pergunta é maravilhosa e engraçado que é raro o pessoal perguntar isso, porque na verdade é a base de todo o processo.
Primeiro, eu gostaria de dizer que o látex, ele é derivado da seringueira Evia Brasilis, que é uma árvore muito famosa no nosso país, que é aquela seringueira que o pessoal ia lá, cortava a seringueira e fazia extrativismo. Então, é essa árvore aí.
É muito importante a gente destacar para os nossos ouvintes que essa árvore, quando a gente corta ela, e aí vem até mesmo da nossa intuição popular, quando a gente corta o caule dela, ela libera uma seiva leitosa. E essa seiva leitosa é para que ela recupere essa ferida que ela sofreu.
E estudiosos, inclusive da USP Ribeirão Preto, que já estudaram isso na época que eu estava fazendo meu doutorado, a professora Fáxima Moroé, Joaquim Coutinho, é muito importante a gente citar aquelas pessoas que foram percursoras nossas no processo de desenvolvimento, porque a ciência é feita assim, a ciência é feita do ontem e do hoje e do amanhã. Então, por isso que a ciência tem que ser algo contínuo, não pode ter interrupções.
E aí, nesse quesito, eles estudaram látex e descobriram que o látex tinha propriedades de capacidade de regeneração, capacidades proteicas diferenciadas. Esse líquido era uma seiva leitosa diferenciada. E aí, durante a minha tese de doutorado, eu estudei o látex para o processo de reconstrução do tecido esofágico.
E o tecido esofágico, ele é um tecido muito vascularizado, cheio de veinhas lá dentro. Então, a gente até tem alguns casos muito famosos, que o pessoal, às vezes, no passado, tomava soda para poder morrer. É muito desinefetivo isso, a Maria. E isso causava uma desnutrição e a gente acabou descobrindo que o uso de algumas sondas utilizando látex dava regeneração desse tecido.
Bem, nesse contexto todo, a minha decisão de começar a estudar o látex dentro da ferida diabética, ela veio primeiro porque não existia um protocolo de tratamento de feridas diabéticas ainda estabelecido para ser tratado dentro de casa.
E segundo, que a gente tinha um indicador de que o látex poderia sim trazer uma reconstrução dessa pele, uma regeneração dessa ferida, uma cicatrização dessa ferida. Então, por isso escolhemos o látex para seguir nesse princípio.
Era uma árvore muito conhecida no nosso país, era uma árvore que tinha indicadores científicos que demonstravam uma regeneração de um tecido muito complicado, que no caso era o esôfago, e era uma árvore, era uma ceiva leitosa que tinha propriedades ali que a gente poderia explorar e gerar algo inovador para o nosso país.
Segundo aspecto, com relação ao LED, a fotobistimulação, que é uma palavrinha meio feia de falar, mas o fóton vem de luz e luz vem da luz do LED. O LED é esse mesmo que você tem no seu controle da televisão, essa luzinha vermelha. Então, essa luzinha vermelha que você tem no controle da sua televisão, quando você acende ou desliga a televisão, é a mesma luzinha que a gente usa no equipamento Rafa.
ela tem uma propriedade que a gente chama comprimento de onda, esse comprimento de onda passa pela pele e ele entra dentro da pele da ferida e faz com que essa ferida fique mais receptiva para receber as propriedades que o látex tem para passar. Então, quando a gente descobriu que associar esse LED, associar o LED aplicado na ferida junto com a lâmina de látex de LED, e aí foi um contínuo estudo até descobrir, até chegar na lâmina de látex de LED.
juntos, esses dois elementos juntos, poderiam gerar o que a gente chama hoje de uma alternativa muito exequível e muito efetiva para tratamento domiciliar da ferida nos pés do diabético. Eu estou conversando com a engenheira eletrônica Suélia Fleury Rosa, professora da Universidade de Brasília.
Professora, quais foram os resultados dos testes com esse aparelho? O que vocês observaram quando ele foi utilizado no tratamento do pé diabético? Perfeito, muito boa pergunta também. Primeiro que é muito bom a gente esclarecer para os nossos ouvintes que toda vez que a gente desenvolve um dispositivo médico, principalmente um dispositivo médico que é regulado pela nossa agência sanitária, Anvisa,
e que a gente tenha a intenção de que ele seja incorporado pelo Sistema Único de Saúde brasileiro, a gente tem que percorrer um caminho que é regularizado. Então, todos os estudos que a gente fez, ele nasce dentro da universidade, com todo aquele aspecto científico, metodológico e sistemático da universidade, mas ele tem um adicional, e esse adicional se chama regulatório.
E o regulatório significa que todo o experimento que você faz, toda a análise que você faz, todo o ensaio que você faz em cima do experimento, você tem que seguir aquilo que a Anvisa preconiza como segurança, como eficácia, que são as diretrizes que a Anvisa olha para proteger o paciente, porque a Anvisa é uma parceira da pesquisa. Assim como o Comitê de Ética é um parceiro da pesquisa, a Anvisa é um parceiro da pesquisa, porque é ela que garante que aquilo que chegou no mercado é, de fato, seguro para ser aplicado.
Então...
Desde quando a gente começou, e eu fui aprender isso depois, tá, gente? Eu penei bastante para compreender, principalmente sendo engenheira de formação, para compreender que eu tinha que ter como parceiros-chave a indústria, que ia fabricar o meu produto para poder fazer o meu ensaio clínico. Eu tinha que ter a Anvisa como minha parceira para me guiar em termos de regulatório. E eu tinha que ter os comitês de éticas para me guiar em termos de segurança clínica.
Então, depois que eu descobri isso, depois de muitos anos, por isso que o tempo de colocar o produto no mercado às vezes demora, porque o pesquisador não tem esse aprendizado de maneira efetiva.
Mas quando a gente começou a estudar o Rafa, os primeiros ensaios que a gente fez, isso aí chama pesquisa translacional, que é uma teoria que nasce para quem vai lançar foguete, quem vai lançar carro no mercado. Todo mundo que quer colocar um produto no mercado, ele tem que fazer esse processo translacional, que é da ideia até chegar ao mercado. Todas essas etapas têm um conjunto enorme de fases que a gente tem que seguir.
Os primeiros resultados foram com animais e foram com ratos, né? Então, a gente induziu diabetes nos ratos e fez o tratamento padrão dos ratos, utilizando o protocolo ouro de tratamento e observou que a resposta biológica da ferida era diferente, que a anatomia de fechamento era diferente e aí a gente foi crescendo.
O padrão ouro, pegando bem a sua pergunta, que o SUS usa, e foi onde a gente fez todo o desenho clínico, e aí a gente passou por desenho clínico 1, 2 e 3, que só vai subindo de complexidade, de nível de exigência, que a gente usou, foi o padrão ouro utilizado pelo SUS, que é aquele que o Sistema Único de Saúde hoje aplica quando a pessoa é diagnosticada com a ferida no pé e ela vai para dentro do ambulatório de feridas para tratar a ferida no pé do diabético.
que normalmente é espuma de prata, normalmente são os adesivos que eles têm lá, que é o aginato. Então, é um protocolo de limpeza, de hidratação e de proteção dessa ferida na tentativa de se recuperar ela.
Isso é o protocolo do SUS. Então, quando a gente comparou esses dados com o protocolo do SUS, os nossos grupos controle, eles fecharam as feridas. E assim, feridas que a gente tentou escolher, e isso foi bem interessante porque teve, quando a gente mandou para a estatística,
A gente não viu a estatística, eu não vi, o pessoal que trabalhou na pesquisa não viu a estatística, a gente mandou o dado cego, porque era um estudo randomizado, duplo cego, e aí o pessoal da estatística devolveu e falou assim, tem um grupo aqui que todas as feridas são muito maiores.
Todas as feridas são bastante irregulares e os dados clínicos dos pacientes são bem difíceis. E justamente era o grupo controle, perdão, o grupo experimental. E o grupo controle, as feridas eram mais harmonizadas, né? E aí o pessoal, nada da gente discutir, a gente levou esses dados para o pessoal da saúde. Eles falaram, não, é porque o grupo de enfermeiros quis tratar o protocolo com os casos mais graves.
Porque os casos graves são aqueles que são resistentes aí no ambulatório, são as feridas que tinham 16, 15 anos que não fechavam. Eram feridas que a gente não tinha muita esperança de fechamento e que a gente obteve muito bom êxito.
E um estudo, só para fechar essa pergunta sua, que é muito importante, na hora que a gente comparou os dois resultados, não é só fechar a ferida, porque a gente percorria esse caminho para fechar a ferida, né? Tentar recuperar esse tecido que estava danificado. Mas era fechar a ferida com qualidade. Então, a gente fez um estudo utilizando, inclusive foi um estudo inédito, ele foi publicado em uma revista de alto impacto.
Hoje ele tem várias citações desse estudo, inclusive afeta bastante o nosso fator H, de quem publicou junto comigo nessa revista, que a gente coletou dados do sangue da pele do paciente diabético e do paciente tratado no grupo controle e levou para uma máquina dentro da Universidade de Brasília, que é uma das poucas que tem no Brasil no laboratório, e fez uma análise magnética, eletromagnética desses tecidos.
e descobriu que a quantidade de rosa, de O2, a qualidade desse tecido é superior. Então, isso foi um achado muito importante, porque ele só não fecha a ferida, mas ele também impede a reuceração. Isso, para a gente, foi muito significativo, porque um dos casos de perda de protocolo é você fechar a ferida e depois ela reabrir de novo. E aí, o paciente vai desanimando, porque você trata uma doença, depois ela volta de novo, trata e volta, e aí ele desanima. Então, nesse aspecto, a gente ficou também muito feliz.
Professora, a tecnologia já foi licenciada? Quando esse equipamento vai estar disponível para pacientes de uma forma ampla? Certo. Nesse semestre ele está disponível de uma forma ampla. A empresa que licenciou ele, que colocou para apreciação da Anvisa, para autorização de venda e de uso no Brasil.
É uma empresa de São Paulo, ela é brasileira e vai comercializar o equipamento. Então, sim, ele está, a submissão dele foi feita à Anvisa, ele está agora com apreciação da Anvisa para ser comercializado no Brasil ainda nesse mês. Eu conversei com a engenheira eletrônica.
Suélia Fleury Rosa, coordenadora da equipe de pesquisadores da Universidade de Brasília, que desenvolveu o RAFA, um aparelho portátil que combina curativos de látex natural com luz LED para cicatrização de feridas na pele. Para saber mais sobre esse dispositivo, leia a reportagem de Domingos Zapparoli na edição de abril da revista Pesquisa Fapesp.
O endereço é revistapesquisa.fapesp.br. Professora, muito obrigado pela sua entrevista. Muito obrigada e um abraço a todos. Você ouve Pesquisa Brasil. Apresentação Fabrício Marques.
O mundo das cervejas, que viveu uma efervescência com a expansão de bebidas artesanais, tem atraído a atenção de pesquisadores no Brasil. Equipes de várias universidades e instituições científicas buscam desenvolver uma cerveja genuinamente nacional, com ingredientes locais e métodos adaptados de produção.
que seja diferente das cervejas encontradas nos supermercados e que seguem a receita tradicional europeia. Uma das redes de pesquisa mais ativas está sediada na Universidade Federal de Minas Gerais e integra o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Leveduras.
Essa equipe trabalha na identificação, na preservação e no uso de leveduras, que são fungos utilizados na indústria de alimentos e em processos de fermentação, inclusive na fabricação de cerveja. O trabalho dos pesquisadores envolveu uma série de ensaios e já resultou na criação de quatro novas cervejas acadêmicas. Uma delas foi batizada de Star Brasilis.
Eu vou conversar agora com o coordenador do INCT Leveduras, o biólogo Carlos Augusto Rosa. Ele é professor do Instituto de Ciências Biológicas da UFMG. Olá, professor. Seja bem-vindo ao Pesquisa Brasil. Muito obrigado por participar do programa. Boa tarde, Fabrício. Obrigado pelo convite. Eu que estou honrado.
Professor, de que forma leveduras da biodiversidade brasileira podem gerar cervejas com um gosto nacional? Fabrício, a gente tem uma biodiversidade gigantesca no Brasil. O Brasil é um dos principais reservatórios da biodiversidade de organismos e aí inclui a biodiversidade microbiana. A gente tem ecossistemas que são riquíssimos em espécies.
como a Amazônia, Mata Atlântica, o Cerrado, Caatinga, Araucária. E praticamente a gente não explora essas leveduras para novas características, não só a cerveja, mas os produtos biotecnológicos seriam interessantes. Então, por exemplo, a gente tem um trabalho enorme na Amazônia em que a gente tem umas 6 mil leveduras isoladas do ecossistema Amazônico e umas 80 espécies novas de leveduras desse ecossistema. E...
Praticamente quase tudo ainda desconhecido em relação ao potencial biotecnológico. No caso da cerveja, existe uma busca pelo consumidor atualmente de novos sabores, coisas diferentes, novos ingredientes na cerveja, coisas diferentes, coisas que têm uma identidade diferente para a cerveja.
Então, a gente tem testado leveduras da biodiversidade procurando aromas diferentes, aromas que dêem uma característica mais tropical, um aroma de fruta. Então, a gente tem encontrado, por exemplo, leveduras que dão um aroma de abacaxi maduro, que é um aroma raro, que a gente encontrou uma levedura que produz isso, esse tipo de aroma. E a gente tem feito cerveja com essa levedura, não é a levedura tradicional para se fazer cerveja.
E o resultado tem sido extremamente promissor. Então, a gente tem buscado esses novos aromas, usando a biodiversidade brasileira, a microbiana brasileira, para achar esses novos aromas e criar, tentar criar, contribuir de alguma forma.
para criar uma identidade nacional com cerveja. Você tem uma cerveja que seja 100% brasileira, por exemplo. Professor, eu queria que o senhor contasse como surgiu a cerveja Star Brasilis, que é produzida pela levedura Star Merela Meliponinorum. Isso. Essa é uma levedura que é associada com abelha sem ferrão. Ela está na colmeia de abelha sem ferrão. Ela ajuda um pouquinho na fermentação do mel.
E essa levedura foi uma espécie que a gente escreveu aqui do Brasil. Então, o nosso grupo é que escreveu essa espécie. E aí, a gente trabalhando com essa levedura, ela fermenta muito bem maltose, que é o principal açúcar da cerveja. E depois do nosso trabalho, existe uma busca, eu esqueci de falar, existe uma busca no mundo todo hoje dessas leveduras não convencionais para agregar novos aromas. Então, a gente achou que era uma levedura de abelha, que estava no mel da abelha sem ferrão.
Então não faz mal nenhum, não tem nenhum caso clínico, não existe absolutamente nada na literatura dessa levedura, mas ela fermenta muito bem maltose. E a gente resolveu testar, a gente tem isolados de muitas fontes diferentes dessa levedura. Então a gente resolveu testar os isolados para ver se eles faziam uma boa fermentação da maltose e se produziam compostos aromáticos interessantes. E um dos isolados, especificamente, que foi isolado de uma flor aqui do campus da UFMG,
Ele fermentava muito bem a maltose e produzia aromas bem diferenciados. Esse aroma de abacaxi maduro que eu estou te falando, que nenhuma outra levedura que a gente conhece produz. Então, a gente resolveu, foi uma dissertação de mestrado, a estudante fez a cerveja, a gente testou a cerveja, fez a análise, a degustação da cerveja, a análise sensorial, determinamos compostos voláteis e a levedura se tornou extremamente profunda.
cerveja, tá? Nos ensaios experimentais, e a gente resolveu depois fazer em escala maior. E aí a gente fez a Star Brasilis, né? O Star aí é de Star Merela, né? Mas é uma estrela brasileira, ela é autenticamente brasileira a levedura, e ela tem sido usada por vários produtores aqui em Minas e até fora de Minas Gerais pra fazer uma cerveja diferente, com aromas completamente diferenciados. Já há produtores de cerveja usando essa levedura? É, de forma esporádica. Não...
As pessoas contratam, pedem a levedura, fazem uma produção. Então já teve pelo menos duas marcas aqui grandes de Belo Horizonte que fizeram a produção, mas não tem uma continuidade. O que a gente gostaria que tivesse era uma continuidade para que a cerveja se estabelecesse, a levedura se estabelecesse no mercado para a produção de cerveja. Eu estou conversando com o biólogo Carlos Augusto Rosa, professor da Universidade Federal de Minas Gerais.
Professor, e como está a procura por essas leveduras? Qual é a demanda? O mercado ainda é muito conservador, Fabrício. O mercado tem as suas... O CRG tem suas receitas próprias, usa leveduras importadas, a maior parte das leveduras são todas importadas.
E as pessoas têm as suas receitas e acho que eles têm uma certa dificuldade em mexer com as receitas. Mas, por exemplo, tem um produtor aqui em Belo Horizonte, de uma marca famosa aqui, chamado Verace, que tem feito uma cerveja, que é uma cerveja sour, que é essa cerveja mais azeda, com uma levedura que a gente isolou de uma casca de árvore da Amazônia.
Então, ele já fez agora 2 mil litros com essa cerveja e colocou no mercado. E é uma cerveja que tem sido muito bem recebida. As pessoas gostam muito da cerveja. E a gente mesmo agora quer repetir, fazendo a nossa produção, com essa cerveja, que a gente chamou de birá, que é produto da Amazônia, e que a gente colocou cajamirim, uma fruta amazônica.
E a gente também usa lúpulo nacional e malte nacional para fazer a cerveja. Então, é a levedura e todos os ingredientes 100% brasileiros para a gente tentar criar uma identidade, contribuir de alguma forma para o identidade nacional da cerveja. Professor, esse conservadorismo dos produtores a que o senhor se referiu, ele tem justificativa? Essa abordagem inovadora que o senhor propõe muda muito o gosto da cerveja? Não, ela agrega, ela agrega valor.
você passa a produzir cervejas com aromas completamente diferentes e agrega valor. O conservadorismo fala assim, as pessoas têm uma linha de produção e para você introduzir uma nova lebedura, você tem que mudar um pouquinho essa linha de produção. Eu entendo, mas você tem que arriscar. Lançar um produto novo no mercado depende de marketing, de uma série de outras coisas.
Então, um produtor grande, para ele lançar uma cerveja, sim, ele tem que investir numa cerveja. Ele, quando já tem as suas marcas, normalmente, nesse sentido que eu falo que as pessoas são um pouquinho conservadoras, ele já tem as suas marcas e existe uma certa dificuldade de inovar.
A inovação ainda é um segundo plano, que deveria ser um primeiro plano de investimento para as pessoas. Professor, além da Star Brasilis, que outras cervejas vocês lançaram? A gente lançou a Mia Honey Beer, que é com saccharomyces cerevis, que é a levedura tradicional para a cerveja Eio, é um saccharomyces cerevis de cachaça.
Eu trabalhei muitos anos com cachaça, estudando a fermentação de cachaça, e a gente tem uma coleção de uns 3 mil Saccharomyces cerevis de cachaça de todas as regiões do Brasil, praticamente. E a gente tem testado esses Saccharomyces, a capacidade deles fazerem cerveja. E uma, uma não, várias linhagens são extremamente promissoras. E aí tem uma linhagem que a gente tem feito uma cerveja de trigo, que é essa minha Honey Beer, com essa levedura.
que é uma cerveja mais tradicional, uma cerveja de trigo, mas que tem uma aceitação ótima também. A gente lançou agora uma IPA, uma IPA que a gente chamou de IPA tropical, com Saccharomyces cerevisis de cachaça também, em que as IPAs, as pessoas usam Saccharomyces cerevisis que eles chamam de neutro, que não produz muitos aromas, porque eles querem os aromas do lúpulo, principalmente, para contribuir com a cerveja. E o mais interessante é que esses Saccharomyces nossos,
de cachaça, parece que ele teve a capacidade de biotransformar o lúculo em alguns compostos que lembram frutas tropicais. Então, a cerveja, nós não colocamos maracujá, nem aqueles lúculos que lembram maracujá. A cerveja tem um aroma de maracujá, de manga madura, possivelmente por causa da biotransformação que a levedura fez no lúculo que foi adicionado. E a gente lançou essa Ibirá, que é com a...
Laxância termotolerância, que é uma outra levedura, isolada de casca de árvore da Amazônia. E o mais interessante dessa levedura é que essa cerveja sour são feitas em dois passos. Primeiro você faz uma fermentação com bactérias do ácido lástico para produzir os ácidos que vão dar aquele amargor para a cerveja. Aí depois você elimina essa bactéria por fervura e aí você coloca um Saccharomy cerevis para fazer a fermentação.
Essa levedura, La Chance e a Termoturns, faz os dois passos em um só. Então, você economiza tempo fazendo a cerveja. E ela tem uma... A acidez dela, apesar de produzir bastante ácido, a acidez é muito leve. É muito diferente das linhagens comerciais. Então, ela tem um diferencial enorme para quem quiser usar para fazer saura. São essas quatro marcas. A Star Brasil, a gente fez dois estilos diferentes, como a Star Nerela.
uma com uma normal, uma Belgian blonde ale, e uma outra com coco queimado e graviola.
que também fez muito sucesso. A gente não tem mais, só tem a hipa tropical que foi lançada recentemente. Todas as outras esgotaram, todo mundo gostou da cerveja, a cerveja foi totalmente adquirida. O senhor falou de 6 mil leveduras identificadas na Amazônia, 80 espécies novas. Que tipo de estudos vocês estão fazendo com esse material? Que conhecimento se pode gerar estudando essas leveduras? A gente tem hoje a maior coleção de leveduras de ecossistemas tropicais do mundo.
Então, são cerca de 50 mil isolados de leveduras dentro da nossa coleção preservados vivos. Essas leveduras são preservadas vivas, congeladas a menos 80 graus centígrados, a dia eterno. Então, o que a gente faz? A gente faz a identificação das espécies, a descrição das espécies, os estudos de biodiversidade e a gente também testa essas leveduras para a produção de compostos que sejam interesses de biotecnologia.
Então, a gente não só a cerveja, a gente está trabalhando com panificação também, novas leveduras para fazer pães. Tem algumas leveduras que acumulam óleo dentro delas, até 80% do peso seco delas em óleos. E esses óleos são semelhantes, por exemplo, ao óleo de palma, à manteiga de cacau. Então, a gente está também buscando leveduras dentro dessa coleção nossa que produzem esses óleos, porque aí você poderia produzir esses óleos em fermentadores.
Então, você poderia evitar diminuir, por exemplo, o uso de área plantada para conseguir esses olhos. Então, é uma coisa para o futuro. A outra coisa, a gente procura leveduras que façam bioetanol, a partir de resíduo lignocelulógico. Então, tem umas leveduras da Amazônia, inclusive, que são fantásticas para fermentar uns açúcares do hidrolisado de madeira, por exemplo.
Aí tem muita coisa diferente que a gente faz. A gente está procurando devedores também que produzam fito-hormônios, que estimulam o crescimento de planta. Então, a gente já tem agora um know-how, já reconhecido pela Universidade, com algumas devedores da Amazônia, que são ótimas produtoras de fito-hormônios. Então, a gente vai, tem vários trabalhos e dentro do nosso INCT tem colegas que trabalham com...
enzimas com biosulfactantes para derramamento de petróleo, ou seja, o biosulfactante produzido pela levedura para limpar o ambiente. E a coleção é aberta. Então, se algum pesquisador tiver interesse, uma empresa tiver interesse, ela pode explorar as leveduras fazendo um acordo de parceria com a universidade.
Então, eu espero que vai ser o meu legado, quando eu sair da universidade, essa coleção para o futuro. Então, está sendo construído um prédio aqui para as coleções, e a nossa coleção é oficial da UFMG, e eu espero que a FINEP tenha financiado a coleção, e ela se torne oficial no Brasil, e disponível para todo mundo que quiser explorar essa biodiversidade, para conseguir produtos novos em termos de biotecnologia.
conversei com o biólogo Carlos Augusto Rosa, professor da Universidade Federal de Minas Gerais e coordenador do INCT Leveduras. Professor, muito obrigado pela sua entrevista. Eu que agradeço por ter tido essa oportunidade. Obrigado, Fabrício.
No Brasil, as leveduras de cerveja são comercializadas nas formas líquida e seca. Quem utiliza leveduras líquidas precisa monitorar o prazo de validade e pode enfrentar dificuldades na logística de entrega.
Já as leveduras secas são mais fáceis de adquirir, mas são importadas e representam um custo elevado para os fabricantes. A equipe da empresa Biosab Leveduras de Ribeirão Preto trabalha no desenvolvimento de uma levedura em pó nacional.
Com apoio do programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas, o PIP da FAPESP, a Biosab pretende oferecer um produto mais barato do que os concorrentes internacionais. Para falar sobre esse projeto, eu vou conversar agora com o bioquímico Jean Carlos Rodrigues da Silva. Ele é professor do Instituto Federal de São Paulo, no campus de Sertãozinho, e atua no projeto da Biosab. E atua no projeto da Biosab.
Em um outro projeto, o pesquisador desenvolve uma cerveja que utiliza caldo de mandioca para fermentação. Olá, professor. Seja bem-vindo ao Pesquisa Brasil. Muito obrigado por participar do programa. Eu que agradeço, Fabrício. É um prazer estar aqui com vocês hoje.
Professor, eu queria começar falando do projeto da empresa Biosab, que está desenvolvendo uma levedura em pó brasileira. Quais são os desafios tecnológicos para se produzir esse tipo de matéria-prima no Brasil? Fabrício, esse projeto é bem interessante porque o que nós temos hoje de leveduras nacionais são leveduras entregues no formato líquido, né? E que a gente acaba encontrando algumas dificuldades logísticas, tem que ser refrigerado, etc.
A ideia de se secar a levedura é bem importante porque você tem mais tempo de prateleira, facilita a logística, e além disso a gente pode trabalhar com cepas nacionais, com espécies nacionais. É difícil esse procedimento de secagem porque algumas leveduras, dependendo da espécie, ela perde viabilidade.
pede um pouco daquela robustez que ela tem ali quando ela está no meio líquido. Então, por isso que existe todo um processo de pesquisa para se chegar num protocolo de secagem que mantenha todas as características, funcionalidades e a viabilidade e a vitalidade dessas leveduras.
E vocês estão perto ou longe de chegar a esse produto? Estamos perto. A empresa Biosab, que é apoiada pelo PIP, junto com pesquisadores aqui, eu inclusive, já temos protótipos, já tem alguns testes de secagem com algumas leveduras, e aí em breve a gente vai estar fazendo testes em escala piloto, que é onde eu entro mais especificamente.
testes já em escala piloto, na cervejaria, para a gente colocar elas à prova num processo cervejeira industrial. Mas a gente já está partindo para essa etapa com alguns protótipos de leveduras que já foram secas. Professor, já há clientes interessados? Como vocês imaginam que será a demanda desse tipo de produto no mercado?
Fabrício, a gente acredita que é um produto que tem bastante potencial, porque ele é diferente do mercado justamente por ser leveduras que são produzidas nacionalmente, secas, então é mais fácil de manusear, de aplicar e de despachar.
E aí também abre um leque de possibilidades a gente começar a trabalhar com leveduras nacionais também. Como na gente, atualmente as leveduras são todas importadas, as maiores marcas que são utilizadas nas cervejarias.
Então a gente basicamente utiliza as leveduras que vêm de fora dessas marcas. Então a gente, desenvolvendo uma tecnologia nacional de secagem, a gente melhora tanto essa distribuição, possivelmente com impacto no preço, numa diminuição de preço.
E além de abrir essa possibilidade de trabalhar com micro-organismos aqui do nosso bioma. Eu estou conversando com o bioquímico Jean Carlos Rodrigues da Silva, professor do Instituto Federal de São Paulo, campus de Sertãozinho. Professor, o senhor também participa do desenvolvimento de uma cerveja de mandioca. É um processo de produção bem diferente da cerveja tradicional.
que é a cerveja de mandioca. Sim, Fabrício. Até puxando o gancho que eu acabei de falar aí, com possibilidades de novos usos e novas leveduras. Essa cerveja não vai à mandioca como base da cerveja. Ela é feita um mosto normal de cerveja com malte de cevada. E aí a gente adiciona o caldo da mandioca como um inoculante, como fonte de micro-organismos para fermentar essa cerveja.
Então, esse é um projeto super interessante em nível nacional. E aí eu não posso deixar de citar aqui o Diego Rizzatik, que é o criador, e a doutora Carolina Carvalho também tem uma participação importante na parte científica desse projeto, que hoje em dia tem muitas cervejarias fazendo. E aí a gente imagina que vai ser criado um novo estilo de cerveja nacional.
Essa cerveja, depois de colocar o caldo da mandioca, ela fica um ano fermentando num barril de carvalho para depois ser consumida. Então é um processo muito interessante, muito genuíno no ósseo, que tem trazido ótimos resultados. O tempo de fermentação de uma cerveja tradicional é muito menor, de aproximadamente um mês. Isso, aproximadamente um mês, 21 dias, aproximadamente uma cerveja normal. Professor, qual é o gosto dessa cerveja?
O que ela tem de diferente? Legal, Fabrício. Essa cerveja é uma cerveja que, inclusive, a gente pode considerar ela como uma bebida de terroir, né? Porque cada vez que a gente faz essa cerveja, vai ter uma manipuleira diferente, ou seja, novos micro-organismos no barril, né, que são inoculados ali. Então, essas cervejas têm safra. E aí, falando um pouquinho genericamente, é lógico que vai ter diferenças entre os produtores nas diferentes regiões do Brasil.
Mas em termos gerais, ela é uma cerveja ácida, mas com uma acidez equilibrada, não é uma acidez acética, que tem uma base de malte ali, mas a gente percebe também um cítrico, ela é uma cerveja de final seco, a gente coloca, tem bastante carbonatação, então ela remete ali, ela é servida em taças, então remete um pouquinho a um espumante seco nessa parte do serviço.
mas é uma cerveja muito, muito agradável de se tomar, refrescante, muito boa. A diferença principal é que as leveduras são substituídas pelos micro-organismos do caldo da mandioca, mas também se usa menos lúpulo, é isso? Exatamente, a gente usa menos lúpulo, então não é uma cerveja que vai ter aquele amargor, tem uma inspiração também ali nas lambiques belgas.
Então o lúpulo é adicionado porque ele é característico da cerveja, ele tem uma propriedade bacteriostática, mas ele não é o protagonista. O protagonista dessa cerveja, de fato, são esses micro-organismos, como você falou, a gente não coloca uma levedura comercial, a gente coloca a manipuleira, e aí ele que vai trazer todas as diferenças regionais, as notas sensoriais de cada região.
E essa cerveja está à venda? Isso daí tem o apoio da AbraCerva também, que é a Associação Brasileira de Cervejas Artesanais. Então, tem cervejarias no Brasil inteiro produzindo as suas manipoeiras, cervejas com manipoeira, que a gente chama de manipoeira selvagem.
Aqui no Instituto Federal de São Paulo a gente trabalha com pesquisa, produção, a gente não vende, mas você pode encontrar, quem estiver nos ouvindo, digitar aí, né, Manipoera Selvagem, que a gente já tem algumas dezenas de cervejarias trabalhando com ela, vendendo comercialmente, e já temos concursos de cerveja que estão trazendo esse novo estilo como parte dos estilos de seu concurso. Isso é muito interessante.
Professor, a cerveja de mandioca custa mais caro do que cervejas artesanais que estão no mercado? Sim, ela acaba tendo um valor agregado maior, né Fabrício? Porque ela é uma cerveja que demora a ser produzida, geralmente são lotes mais restritos porque é dentro de um barril, né? Então não é uma cerveja que a gente industrializa em tanques com muitos mil litros, né? Então são feitas em barricas de carvalho, ela demora. Então, de fato, ela vai ter um valor agregado um pouco mais alto, sim.
Mas é aquela bebida para a gente tomar em ocasiões especiais, harmonizar com algum jantar, fazer um brinde especial. É uma bebida para esses momentos. Eu conversei com o biólogo Jean Carlos Rodrigues da Silva, pesquisador do Instituto Federal de São Paulo, no campus de Sertãozinho.
Para saber mais, leia a reportagem de Gilberto Stamm na edição de abril da revista Pesquisa FAPESP. O endereço é revistapesquisa.fapesp.br. Professor, muito obrigado pela sua entrevista. Fabrício, eu que agradeço a oportunidade de falar aqui com vocês, com seus ouvintes. Foi um prazer. A gente está sempre à disposição.
Pesquisa Brasil, o programa de rádio da Revista Pesquisa FAPESP.
Em uma solenidade realizada no dia 23 de março, no Teatro Nacional em Brasília, pesquisadores e autoridades comemoraram os 75 anos de fundação do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, o CNPq, que é a principal agência federal de apoio à ciência.
Com um orçamento de R$ 1,7 bilhão em 2026, o órgão tem cerca de 100 mil bolsistas ativos em todas as áreas do conhecimento, desde alunos de iniciação científica do ensino médio até lideranças de grupos de pesquisa.
Quem coordenou a comemoração dos 75 anos foi o atual presidente do CNPq, o físico e historiador da ciência, Olival Freire Jr., professor da Universidade Federal da Bahia. E eu vou conversar com ele agora. Olá, professor. Seja bem-vindo ao Pesquisa Brasil. Muito obrigado por participar do programa mais uma vez.
Bom dia, Fabrício e os ouvintes. Eu fico muito contente, como presidente do CNPq, de estar aqui discutindo com vocês do Pesquisa Brasil sobre os 75 anos do CNPq.
O NPQ já teve configurações bem diferentes ao longo desses 75 anos. Nos anos 1950, ele funcionava quase como um ministério. Hoje, ele é um braço do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.
Se o senhor tivesse que destacar as iniciativas mais importantes que o CNPq tem hoje, o que o senhor apontaria? Essa mudança, Fabrício, que você corretamente apontou, ela é fruto de uma conquista da ciência brasileira, porque hoje a gente tem um sistema nacional de ciência e tecnologia que nós não tínhamos quando o CNPq foi criado junto com a CAPES.
Naquela altura de 51, eram os dois órgãos federais que dividiam o fomento à pesquisa e a formação de mão de obra qualificada. Com o passar do tempo, esse sistema foi se complexificando, criado o FNDCT. O FNDCT foi criada uma secretaria executiva para o fundo, que é a FINEP.
A partir da década de 60 foram criadas as fundações de amparo estaduais. Então, hoje a gente tem, bom, e a partir de 85 o ministério, como você chamou a atenção. Então, o que é que eu diria que hoje é o papel do CNPq? Eu diria que é um papel duplo. De um lado...
Como agência de fomento, é a agência que tem, no plano federal, mais agilidade para lançar editais, apoiar bolsas voltadas para o fomento à pesquisa.
E por isso é um órgão que é muito procurado por parceiros nos governos, no governo federal e nos governos estaduais. Por isso que a gente tem editais junto com as fundações de amparo, a gente tem editais com o Ministério da Saúde, com o Itamaraty, com o próprio MCTI. A gente executa uma parte dos recursos do FNDCT. Então essa é uma dimensão.
Eu diria que é quase com a dimensão mais operacional. A outra dimensão é que pela conexão estreita que o CNPq tem com os pesquisadores brasileiros, porque a força do CNPq está não só no seu orçamento, digamos, na sua infraestrutura física, nos seus servidores, que são excelentes, mas parte importante da nossa força é que o nosso corpo de assessores são nada mais nada menos do que os melhores cientistas que nós temos no Brasil.
Então, essa proximidade faz com que o CNPq seja uma espécie de sensor de quais são as percepções da ciência entre os cientistas brasileiros de para onde vai a ciência ou para onde deve ir a ciência brasileira. Então, nesse sentido, eu diria que as opiniões do CNPq são opiniões que têm uma importância no...
formulação das políticas de ciência e tecnologia. Embora não tenha mais aquele papel que teve, como você bem observou, no início da década de 50, quando foi criado, era uma espécie de secretaria da presidência da República.
Eu estou conversando com o presidente do CNPq, o físico e historiador da ciência, Olival Freire Jr. Professor, na entrevista que o senhor concedeu para a revista Pesquisa FAPESP, o senhor mencionou a importância das bolsas de produtividade de pesquisa para pesquisadores com carreira consolidada e das bolsas de iniciação científica para estudantes a partir do ensino médio. Qual é a contribuição dessas duas iniciativas?
É muito boa a pergunta, Fabrício. Veja só, é bom a gente perceber que as coisas que dão certo no Brasil raramente são cópias de coisas no exterior. Então, essas duas políticas públicas, que são políticas de sucesso, elas não foram copiadas de modelos do exterior.
Eu começo pela iniciação científica, eu costumo dizer que num país como a Finlândia ou a França, que tem uma ótima educação básica, bolsas de iniciação científica talvez não seriam relevantes. E eles não têm essa história da bolsa da iniciação científica.
No Brasil, a Bolsa da Iniciação Científica, quando é criada ali na década de 50, ela era a Bolsa para professores universitários se qualificarem. Com o tempo é que ela migrou, aí nos anos 80, para esse formato da Bolsa que é destinada ao aluno da graduação e hoje ao aluno da educação básica que se envolve com as Olimpíadas e que tem um bom desempenho nas Olimpíadas.
Então, ela é uma espécie de suplementação da nossa educação básica. Ela funciona, nós temos alguma coisa assim da ordem de 50 mil bolsas, são alunos da educação básica e da graduação que se aproximam da atividade científica. Não quer dizer que eles vão virar cientistas, muitos viram, mas é uma forma de aproximar a juventude da produção da ciência.
O nosso sistema de bolsa de produtividade, talvez a única semelhança que você possa encontrar, por exemplo, é o chamado CNRS francês.
Ou então, se você pensar, nas academias de ciência dos países do antigo bloco soviético. Mas nesses dois casos, você tinha carreiras com essas bolsas. No caso dos franceses, você ainda tem. Você ou é pesquisador do CNRS ou você é professor da universidade. Via de regra, ser pesquisador do CNRS é mais prestigiado do que ser professor universitário.
Então, no Brasil, a gente não tem essa característica. A bolsa é um suplemento, um suplemento que financeiramente, com o tempo, não é tão relevante. Hoje é da ordem de 3 mil reais, metade bolsa e metade um auxílio para esse gasto diretamente na pesquisa. Mas o efeito simbólico é o que é o mais importante, porque ele é um estímulo, como ele é uma distinção.
Tem que relembrar aí o velho sociólogo Bourdieu, o papel da distinção. E a ciência é movida à distinção. Eu costumo dizer para os meus alunos, quem quer ganhar dinheiro fácil não vem para a atividade científica. Mas o cientista, ele quer ser reconhecido. Ele quer ter a distinção pelo trabalho que ele faz. E a bolsa do CNPq é isso. Ser bolsista de produtividade do CNPq é uma coisa que distingue e que valoriza o cientista brasileiro.
Então, nesse sentido, é que a gente tem uma semelhança com o que é você ser um pesquisador do CNRS ou você ser um pesquisador da Academia de Ciências, por exemplo. Mas veja, volto a dizer que essa comparação tem que ser feita com cuidado, porque nós não copiamos esses modelos, então eu estou somente fazendo uma comparação.
Sim, mas uma coisa importante. A Bolsa de Produtividade tem sido uma política pública de sucesso, por isso que a gente tem aprimorado essa política, porque ela induz o pesquisador a pesquisar ainda mais, porque ele quer manter a Bolsa. A Bolsa, uma vez que ele ganhe, ela será reavaliada dentro de três, quatro ou cinco anos.
Então, ela induz a continuidade do engajamento na pesquisa. Professor, como está a situação orçamentária do CNPq hoje? O órgão passou por momentos difíceis, com cortes orçamentários profundos há cinco ou seis anos, mas depois houve alguma recomposição. Como está a situação hoje? Sobre isso, veja, certamente é uma situação melhor do que naquele tempo, mas é uma situação que ainda comporta problemas.
É uma situação que eu digo que ela tem uma certa ambivalência, porque uma das grandes conquistas que nós tivemos com o governo Lula foi que o governo Lula honrou aquilo que o Congresso já havia decidido, mas que o governo anterior não tinha respeitado, que é o não contingenciamento do Fundo Nacional de Desenvolvimento de Ciências e Tecnologias. Como o orçamento disponível desse fundo, para você ter uma ideia, ele é mais do que o orçamento do CNPq e da Cap somados,
O não contingenciamento desse fundo tem conferido aos programas que são financiados pelo fundo uma estabilidade e uma capacidade de previsão, de previsibilidade, que são essenciais para atividade científica.
Em contrapartida, no âmbito estritamente do orçamento público, nós tivemos uma certa recuperação com a PEC da transição em 2023. A gente saiu da ordem de um orçamento de 1 bi para 1 bi.6, 1 bi.7, mas esse patamar não tem se mantido no aspecto referente às bolsas. Então, a gente tem muitas incertezas quando a questão é orçamento público e aí não é uma responsabilidade só do executivo.
A responsabilidade também é do Congresso. O último corte que nós tivemos foi introduzido exatamente no relatório da lei orçamentária em dezembro do ano passado. Então, aqui nós temos instabilidade e nós temos um orçamento que é abaixo das necessidades e das potencialidades que o Brasil tem no campo da ciência, da tecnologia e da inovação.
Eu conversei com o presidente do CNPq, Olival Freire Jr. Para saber mais, leia a entrevista concedida pelo professor à revista Pesquisa FAPESP, que está disponível no nosso site, o revistapesquisa.fapesp.br. Professor, muito obrigado pela sua entrevista. Muito obrigado, Fabrício.
Pesquisa Brasil. Entrevista. Uma enzima produzida por um fungo pode ajudar a reduzir o uso de produtos químicos tóxicos no processo de branqueamento da polpa da celulose, tornando-o mais sustentável. O branqueamento converte a polpa marrom da celulose em uma polpa branca e é essencial para a produção de certos tipos de papel.
Em um estudo publicado na revista BioResources, pesquisadoras das universidades de São Paulo, a USP, e Estadual Paulista, a Unesp, descreveram um método para obter uma enzima, a xilanase, que contribui para aumentar o nível de branco da polpa e também dá maior eficiência para as etapas seguintes do branqueamento da celulose.
A enzima é produzida por um fungo que pode ser cultivado em resíduos agrícolas. Eu vou conversar agora com a primeira autora desse estudo, a bióloga Diandra de Andrades. Ela faz pós-doutorado na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto, da USP. Olá, Diandra, seja bem-vinda ao Pesquisa Brasil. Muito obrigado por participar do programa.
Eu que agradeço. Muito obrigada pelo convite. Foi uma honra. Diandra, eu queria que você explicasse como é feito o branqueamento da celulose pelo método tradicional e como essa enzima que o seu grupo desenvolveu pode tornar esse processo mais sustentável. Certo. Então, normalmente hoje já tem uma melhoria no branqueamento de polpa, então a gente usa o método ECF.
em que eles começaram a utilizar menos cloro já. Já teve aí uma onda de sustentabilidade. As empresas de celulose são empresas muito robustas.
porém ainda é utilizado dióxido de cloro. O que acontece? A fibra, a celulose, quando ela vai ser branqueada, ela tem ali dentro dela muita lignina, que é um composto que dá aquela cor marrom que a gente vê na árvore, nas folhas de papelão. E para retirar essa lignina, ela está bem encrustada. Então é utilizado muito composto químico para fazer essa retirada e deixar a folha bem branquinha igual a gente vê.
No caso da nossa enzima, ela consegue fazer com que essa fibra que está super emaranhada, ela se afrouxe. E aí você consegue liberar essa lignina com menos produto químico, porque já está um pouco mais aberto para o produto entrar. Então, quanto melhor é essa enzima, mais ela consegue fazer esse afrouxamento, melhor é a extração e menos produto químico você é utilizado. Então, de um modo geral, assim...
O primeiro passo ali, com a árvore, você tem ali a produção dos cavaquinhos, aí depois isso é fervido em caldeiras gigantes, com uma temperatura bem alta, para você conseguir fazer esse afrouxamento da fibra, e depois entra com todo o tratamento químico. A nossa enzima, ela entraria depois desse processo da caldeira, porque como a temperatura é altíssima, ela não sobreviveria. E numa etapa anterior, então, a...
o despejo daquele produto químico. Então, quanto mais fácil de retirar essa lignina, menos produto químico a gente tem. O resultado final é comparável? O fato de usar a enzima tem algum impacto na alvura do material? Visualmente, a gente não consegue ver tanta diferença, porque, na verdade, ela atua mais nesse afrouxamento.
Inclusive, uma característica muito importante da enzima é que ela não, o que pode acontecer, ela não atua na celulose, porque se ela degradasse a celulose, daí também já não seria tão útil. Mas é mais nesse ponto, então você tem menos produto químico depois no final lá, e claro, menos tratamento de efluente, menos toxicidade no final do processo.
E como vocês chegaram a esse fungo que produz a enzima? Super legal, porque na verdade esse fungo a gente às vezes pensa que a pesquisa precisa ir para o campo, para a natureza, muito a fundo. Mas não, esse fungo foi isolado do campus da universidade. Então em alguma coleta, provavelmente com os alunos mesmo, em aula. E aí no laboratório é comum, a gente faz todo um estudo para ver no que ele pode ser útil.
Então, a gente isolou várias enzimas dele, né? Tem outras já, aquele que a gente também estuda. E essa foi utilizada depois para testar para branqueamento. A gente viu que foi muito, muito interessante. Então, é aquela coisa que a gente nem está esperando o resultado bom e ele aparece. Mas é um fungo isolado ali do...
Estou conversando com a bióloga Diandra de Andrades. Ela faz pós-doutorado na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto, da USP. Diandra, em que etapa de desenvolvimento está essa solução? O que falta para ela se tornar um produto disponível no mercado?
Certo. A gente está agora na parte ainda mais inicial. A gente já sabe que ela tem potencial, isso é um ponto de partida para continuar. E agora vem testes piloto. Então, a gente já quer fazer testes com maior quantidade de material, porque isso muda muito para a escala laboratorial.
para uma escala industrial, e também tentativas de diminuir mais ainda o custo, porque a enzima tem um custo também para a indústria. E uma das formas é a minha especialidade, que na verdade eu sou especialista em imobilização de enzimas, em tentar imobilizar ela, porque se ela estiver imobilizada, eu consigo usar ela várias vezes no processo. Não preciso despejar lá, depois ela morre e acabou. Eu posso usar...
ela faz o processo, eu retiro ela e no próximo batelado eu uso ela de novo. Então, isso também ajuda muito no processo de economia. Então, seriam esses dois, assim...
os pontapés para continuar, mas ainda tem muito chão pela frente, como sempre na pesquisa. E é factível produzir essa enzima em larga escala e com preço competitivo? Bastante, é bastante viável. Na verdade, uma das coisas características que mais possibilita seria mesmo o uso de resíduos, porque esses resíduos barateiam muito o processo de produção da enzima. Então, o material que seria ali descartado.
E o processo embatelado que a gente fez, na verdade, foi em uma produção SSF, que a gente chama, que é a sem ser líquida, o meio sólido. Então, você tem mais produto barato e menos uso de água, necessidade de controle, de temperatura. Você tem também um melhor barateamento. E o principal problema, na real...
Por enquanto, seria isso de você ter que reutilizar e a produção dela ficar muito encarecida por esse ponto. Mas a fácil produção dela e também a estabilidade dela, uma enzima estável que consegue durar mais tempo, que é uma característica que essa enzima, comparada ao que já tem, ela tem uma característica muito boa, que nos propiciou interesse.
Então ela tem várias vantagens competitivas que se torna uma boa opção ao que a gente tem hoje, por enquanto, no Brasil. A indústria de celulose já mostrou interesse por essa tecnologia? É, eu fico bem entusiasmada porque a gente já vê o uso de enzimas em indústrias nos países nórdicos, na Alemanha, tem vários outros países como a China que já estão e o Brasil tem...
o know-how, ele tem todo já o potencial para conseguir. Talvez ainda falta um pouco mais de incentivo, dessa ligação de empresa e universidade, talvez falta uma coisa mais burocrática, mas o legal é que o nosso país tem já o conhecimento dessa possibilidade.
E existem, já foram feitos alguns testes em algumas plantas. Então, eu acho que falta pouco para a gente começar também a ser competitivo nesse campo. A gente tem várias características que nos colocam na frente da produção de celulose. Então, eu acho que a gente pode se destacar futuramente nisso.
Eu conversei com a bióloga Diandra de Andrades. Para saber mais sobre a enzima que pode substituir produtos químicos na fabricação de papel, leia a reportagem de André Julião no site da Agência FAPESP. O endereço é agencia.fapesp.br. Diandra, muito obrigado pela sua entrevista. Eu que agradeço.
Você ouve Pesquisa Brasil. Apresentação Fabrício Marques.
E antes de terminar, uma última informação. Pesquisadores italianos encontraram pistas que podem ajudar a compreender o papel dos sonhos. Em um artigo publicado na revista Communications Psychology, pesquisadores da escola IMT de estudos avançados em Lucca, na Itália, analisaram mais de 3.700 relatos.
coletados de 287 participantes com idades entre 18 e 70 anos. Ao longo de duas semanas, eles registraram suas experiências diárias em vigília e sonhando, enquanto os pesquisadores coletavam informações sobre padrões de sono, habilidades cognitivas, traços de personalidade e características psicológicas dos participantes.
Ao examinar as palavras usadas pelos voluntários para descrever suas experiências, a equipe observou como os sonhos reinterpretam a vida cotidiana. Elementos da rotina diária são reorganizados.
muitas vezes mesclando diferentes contextos e alterando as perspectivas para paisagens desconhecidas. Segundo os autores, isso sugere que os sonhos não apenas refletem a realidade, mas a remodelam, integrando fragmentos de experiências passadas com experiências imaginadas ou antecipadas.
para criar cenários novos, às vezes surreais. As informações são do serviço de notícias Eureka Alert. E aqui termina o Pesquisa Brasil de hoje. Para ficar por dentro da nossa produção de reportagens, vídeos e podcasts,
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procure por pesquisa FAPESP ou arroba pesquisa underline FAPESP. Se você quiser falar com a gente, fazer uma pergunta ou dar uma sugestão, escreva para o e-mail pesquisabr arroba fapesp.br. O programa tem produção, roteiro e edição de Sara Caravieri.
Eu sou Fabrício Marques, editor de política da revista Pesquisa Fapesp, agradeço muito pela audiência e a gente se encontra no próximo programa. Você ouviu Pesquisa Brasil, uma parceria da revista Pesquisa Fapesp e Rádio USP.