Episódio 309 - Standing on a Beach, do The Cure, 40 anos
Mais que uma coletânea, Standing on a Beach/Staring at the Sea foi o álbum que apresentou o Cure ao mundo, se tornando seu trabalho mais vendido.
Resumo perfeito da carreira da banda até 1985, o álbum traz hits de todas as fases e mostra como a banda surgiu, quase acabou e ressurgiu ainda melhor em menos de sete anos.
Completando 40 anos, essa coletânea essencial é o assunto do nosso papo de hoje
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- Standing on a Beach 40 anosHistória e lançamento da coletânea · The Cure · Robert Smith · Vendas e impacto da coletânea · Diferentes versões da coletânea (vinil, CD, cassete) · Lançamento no Brasil
- Cláudio Monteverdi e a MusicologiaPrimeiro quarteto inicial (Killing an Arab, 10:15 Saturday Night, Boys Don't Cry, Jumping Someone Else's Train) · Fase gótica (A Forest, Charlotte Sometimes, Primary, Other Voices, The Hanging Garden) · Fase de transição (Let's Go To Bed, The Walk, The Love Cats, Caterpillar) · Trio final (In Between Days, Close to Me, A Night Like This)
- Fases do The CurePrimeira fase (pós-punk, minimalista) · Trilogia Gótica (Faith, Pornography, 17 Seconds) · Transição e sonoridade mais solar · Primeiro auge (The Head on the Door) · Fase mais radiofônica e pop · Fase atual e zona de conforto
- Capa do álbum Standing on a BeachO pescador John Button · Interpretação da expressão e do olhar · Diferenças entre as versões (vinil e CD) · Conexão com a banda e o mar
- Singles e Lados B The CureImportância dos singles na carreira da banda · Singles que não entraram em álbuns oficiais · Coletâneas de singles (Japanese Whispers) · Diferença entre mercado de singles brasileiro e internacional
- Formação da banda The CureMembros principais e mudanças de formação · Entrada de Simon Gallup e Boris Williams · Formação clássica (Robert Smith, Lowe, Pearl Thompson, Simon Gallup, Boris Williams) · Músicos convidados (Reeves Gabriels)
- Discografia e gravadora do The CureVendas de álbuns e coletâneas · Gravadora Fiction Records · Álbuns fora da Fiction Records (Bequiri, 4:13 Dream) · Retorno à Fiction Records
- Música Killing an Arab e controvérsiasInspiração no livro de Albert Camus · Letra e temática da música · Acusações de islamofobia · Repercussão em eventos históricos (11 de setembro, Guerra do Iraque)
Olá, meus amigos, olá, minhas amigas. Bem-vindos a mais um programa do seu podcast Prisioneiros do Rock. Meu nome é Christian Fetter, estou com meus amigos Felipe e Rodrigo e hoje é dia de falar de The Cure, banda britânica fundada em 1976 na pequena cidade de Crowley, na Inglaterra.
Uma banda que permanece em atividade, tanto tempo depois, 50 anos depois, passou por várias mudanças de formação, mas você sabe, ela tem ali o seu membro principal, integrante que passou por todas as formações, todos os discos, compõe, toca guitarra, canta o vocalista, Robert Smith.
lançando discos desde 1979 a banda tem 14 álbuns de estúdio uma pancada de singles uma pancada de coletâneas e nós vamos falar de uma coletânea não que uma coletânea nos baste aqui hoje não em absoluto, né Felipe? mas nós vamos falar da coletânea de nome duplo, Standing on a Beat, Starry at the Sea
Lançado em 1986, em maio, completando então 40 anos, e que dava uma espanada nesses primeiros 10 anos do The Cure. Felipe Rodrigo é a melhor coletânea da banda, dessas coletâneas lançadas em disco, tirando os boxes. Felipe, que está numa alegria ímpar hoje, fala aí, cara, de uma das bandas da sua vida, né? Pulando na cadeira ali, impressionante.
Bom dia, boa tarde, boa noite, Christian, Rodrigo e queridos e queridas ouvintes. É, realmente é um disco muito especial pra mim. Eu ainda não fiz a minha lista de álbuns pra Ilha Deserta, quer dizer, eu ainda não publiquei na nossa série do Instagram, mas quando eu publicar, esse disco estará lá. Se você estiver ouvindo esse episódio no futuro, procure lá no Instagram e essa coletânea vai estar lá.
Porque essa coletânea está longe de ser uma coletânea comum. Ela não é apenas o resumo da carreira do The Curie entre 1978 e 1985. E faz isso muito bem como resumo de carreira. Ela também é um retrato autobiográfico do Robert Smith. Porque cada uma das fases que estão retratadas aqui, se estão colocadas aqui nessa coletânea...
transparece o que estava acontecendo na vida pessoal dele e na relação dele com a banda, com os demais membros. Como o Christian falou, o The Curie é uma daquelas bandas onde o seu líder realmente encarna tudo o que a banda representa. Por mais que existam outros integrantes que os fãs gostem muito, que foram muito importantes, que contribuíram com canções, com sonoridades do The Curie ao longo desses 50 anos que a banda existe, Robert Smith é... É...
o coração, a alma e o cérebro do The Kierry. Então, eu que nunca fui nem farofeiro e nem metaleiro, via nessa coletânea aqui a representação de tudo que eu gostava, tudo que eu aprendi a gostar, principalmente por causa do The Kierry, parte por causa do The Kierry, melhor dizendo.
nesses sons que estão aqui, porque é a evolução do pós-punk até aquele momento. Você tem um começo minimalista, um flete com gótico, uma mudança de sonoridade de transição e um primeiro auge da banda no finalzinho aqui, que é o disco que começa a abrir as portas do The Curie para mercados muito maiores, que é o disco que a gente comentou no ano passado, o The Head on the Door, de 1985. Essa coletânea, além de tudo...
é, juntamente com o álbum Disintegration, a obra mais vendida do The Cure. Isso é impressionante, porque uma coletânea que consegue alcançar esse sucesso não é uma obra qualquer. Standard & Unabit apresentou The Cure aqui para o mercado brasileiro, apresentou The Cure para o mercado dos Estados Unidos e de vários outros países. Vendas estimadas em 4 milhões de cópias pelo mundo e realmente se tornou uma peça fundamental para você conhecer essa primeira fase até porque...
Boa parte dos discos desse período aqui nunca chegaram no Brasil, então a gente conheceu essas músicas na coletânea, apesar de também ter conhecido no ao vivo de 84 chamado Concert, onde algumas das primeiras fases do The Curie aparecem. Mas tem álbuns aqui que eu fui ouvir por completo só em CD, já nos anos 90, em versões importadas. Então em 86, 87, quando a gente começou a escutar esse álbum, era uma coisa assim...
uma porta que estava sendo aberta e uma sensação de, parafraseando o próprio The Curie, Just Like Heaven, que a gente se sentia assim, porque era uma coisa maravilhosa mesmo, igualzinho o paraíso estar nesse universo aqui que o The Curie estava apresentando. Então é isso, cara, é um dos discos da minha vida, é uma das obras mais importantes do rock alternativo dos anos 80 e estou muito feliz de estar falando dele aqui hoje com vocês.
Pois é, né, cara? Que declaração de amor ao disco e à banda, né? A gente não vê muito isso aqui, né, Rodrigo? A gente não vê isso muito assim, né? É raro, né? É raro, mas acontece muito, né? Abri no coração mesmo, que legal. Bom dia, boa tarde, boa noite, meus queridos amigos, camaradas e ouvintes. Realmente é uma alegria estar falando desse disco aqui, porque o Felipe foi muito feliz aí na entrada dele, porque esse disco, ele é um...
Uma porta de entrada, cara, pra esse universo. Eu acho que o The Cure é um universo mesmo, cara. Se você tiver a oportunidade e a curiosidade de tentar entender essa banda, independente por qual momento você vai se embrenhar primeiro, você vai ver uma banda com propostas distintas em momentos distintos.
da cabeça desse gênio que é o Robert Smith, e você vai ver uma banda extremamente competente naquilo que propõe em todos esses momentos. E aqui, essa coletânea de 1986, se a gente pensar que era uma banda de 10 anos, e a gente sempre gosta de fazer esse comentário não comparativo, mas a gente sempre faz esse comentário, os Beatles tinham 10 anos quando acabaram.
assim, entendam isso, né? O peso das coisas, né?
mas o The Curie aqui apresentou mudanças de comportamento musical muito significativas. E eu acho que é interessante a gente, quando a gente for explicando com mais detalhes essa coletânea, é interessante a gente perceber que, para as faixas finais aqui da coletânea, já que ela segue uma interessante ordem cronológica, a gente percebe o The Curie e o Robert Smith encontrando um...
um denominador comum, que é, de fato, a identidade da banda até os dias de hoje. Em 1986, eu tinha oito anos de idade, que eu me lembro do programa... Eu já falei isso quando a gente gravou o Head on the Door, eu me lembro do programa Clip Clip, na Rede Globo.
que tinha In Between Days na abertura. Eu achava que eu gostava dessa banda por conta de In Between Days. Não tinha o mínimo conhecimento do minimalismo anterior ou dessa fase dark, ambiente.
gótico, assim, que eles tiveram. Demorei anos e anos pra situar o Kiri numa linha cronológica. E essa coletânea me ajudou muito nisso. É uma banda que a gente sempre cita aqui como das prediletas da casa e não poderia ser diferente.
Estou bastante feliz de a gente poder falar dessa coletânea aqui. A gente fala pouco de coletânea aqui, então é legal quando a gente traz uma que tenha significância para nós três aqui, certo, Cristian?
Não, certíssimo. E vocês lembraram uma coisa aqui que eu tinha esquecido, que é o seguinte. Há um momento na vida aí em que essas bandas estão chegando no Brasil e você não tem como acompanhar do ponto de vista financeiro, né? Assim, não tem como sair comprando tudo. Então, assim, gravar o disco dos amigos, pegar um disco emprestado e gravar e tal, era um esporte, né, cara? Era como você andar de bicicleta, né? Você pegava a bicicleta, dava uma volta.
Um amigo, assim, ó, comprei aquele Legião, comprei, sei lá, o Smiths, comprei o Kirk, comprei o Echo The Banner. Pô, me deixa uma tarde comigo que eu vou gravar.
E eu lembro uma época, cara, que assim o que eu tinha do The Cure eram duas fitas cassete. Uma com Standing on a Beat, esse aqui que a gente tá falando hoje e outra com o Concert, que tinha Shake Dog Shake, né? Algumas faixas daqui também né? Mas assim, era um disco bem poderoso assim, né cara? E assim, até começar a comprar, né? Eu lembro que o prêmio que eu comprei não foi o Red on the Door, foi o Kiss Me
que veio depois. Mas ainda hoje eu não tenho tudo em CD, cara. Não sei se vocês têm, vocês também... O Felipe não acho que não está mais comprando muito CD, né? Mas, sei lá, eu não tenho tudo ainda, assim. Ainda mais nos últimos lançamentos. Mas mesmo essas coisas mais... O pornógrafo, por exemplo, não é tão fácil de achar. Então, assim, o cara se reforce de The Quirinho no Brasil.
É uma epopeia, assim, cronológica, porque ele teve que reconstruir toda uma história, né? Começou do final do livro, ele teve que correr lá pro começo, e esse disco aqui, sobretudo, ajudou demais, né, cara? Porque ele trazia pelo menos uma faixa de cada disco que tinha sido lançado até então, se eu não estiver enganado, até do EP.
É, Japanese Whispers, né? Então isso te dava, assim, um mínimo, tá? Aqui eles foram, o som foi ficando um pouco mais complexo, mais trabalhado, aí você vê que tem um quarto integrante, você fala pô, exatamente, tá aqui, eu tô ouvindo o som do quarto integrante, né? E aí, de repente, aparece um saxofone, tá certo? Teve que ir acompanhando também.
Passo a passo, e acho que esse disco, mais do que o concert, que o concert é uma miscelânea de faixas, né? Aqui você tem uma história sendo contada, né? Muitas coletâneas não são assim, né? Muitas coletâneas, o cara sai jogando as faixas ali numa montagem que ele acha interessante aqui, você tem uma ordem quase cronológica. E vocês vão contar aqui ainda, vou passar para o Felipe, a curiosa história do lançamento em fita cassete, né?
que também a Sergi Sol viu falar na época... Eu ia perguntar isso pro Felipe também, pra ele explicar por que esse disco tem... Por que esse álbum tem três versões, né? A versão em vinil, a versão em CD e a versão em cassete. As três são diferentes, né, cara?
É, 1986 já era um momento que estava acontecendo a transição de formatos. O vinil já não vendia tanto, porque a fita cassete vendia muito no mercado dos Estados Unidos, e o CD estava começando a aparecer na Europa, no Japão e também nos Estados Unidos. Então era normal...
Não era tão normal, mas já começava a acontecer lançamentos diferentes, né? Com uma faixa a mais, outra faixa numa edição japonesa. Curiosidade, o Brothers in Arms, do Dive Straits, tem a mesma quantidade de música, mas as versões em CD são maiores. Isso é muito louco, né? Ou seja, no vinil as músicas foram editadas para poder caber no formato ali do LP. E no CD, algumas tem dois, três minutos a mais, assim.
Aqui a gravadora e a banda fizeram a opção de colocar mais faixas. Então no vinil são 13 e no CD são 17. O caso do tempo é maior que tinha no CD mesmo. E assim, eu acho que a versão da LP é excelente. Você vai ganhar...
Eu diria 3 ótimas músicas e uma boa no CD. Das 4 que entram aqui, você realmente vai sentir falta, com certeza de 2. Mas as outras 2, com certeza de 3. Agora é difícil eu querer tirar uma das aqui.
De qualquer maneira, são quatro faixas que fazem falta, mas também não inviabilizam a edição LP, que era o que era possível comprar nos anos 80, porque CD era um artigo de luxo que demoraria 5, 6 anos, 7 anos, para começar a se tornar popular.
Agora, a escolha de fazer uma edição em cassete gigantesca, com 25 músicas, isso realmente é uma coisa fora da curva. Não era algo normal assim. Você vai ter pouquíssimos exemplos de fitas cassete tão recheadas, tão gordinhas de quantidade de canções, também aproveitando o tamanho maior da fita cassete. E é legal porque a fita cassete não tem apenas a edição em CD ampliada. São diferentes.
as músicas escolhidas aqui, porque metade da fita cassete são lados B. A fita cassete tem 13 músicas do vinil e 12 lados B, então não tem as músicas do CD. Isso é legal, né? São três edições diferentes mesmo. Isso é muito louco. As músicas a mais do CD não vão aparecer no cassete porque os caras resolveram, não, é o lado ádio na metade da fita cassete e do outro lado da fita cassete são os lados B daqueles mesmos singles. É uma escolha muito louca, né?
foi lançada uma coletânea de vídeos também desse disco, né? Que saiu em VHS Betamax a Diske Laser
E a outra curiosidade é que a versão em vinil chama Standing on a Beat, a versão em CD chama Staring at the Sea, são frases da música Killing and Arab, então eles colocaram nomes diferentes, o que gera confusão até hoje. Essa versão em vídeo também chama Staring at the Sea, The Images. Isso, exatamente. Mas até hoje dá confusão, porque o disco ficou com dois nomes mesmo.
Essa versão em CD que eu tenho, ela tá escrita na frente, Stereo em Ateci, e atrás, Stereo na Bete. É outro problema. Aqui o estagiário dormiu, né? Eu tô somando aqui, meio que na orelhada, o tempo das canções aqui, pra saber quantos minutos tinha esse cassete aí, Felipe. Acho que era aquelas fitas basf de 90 minutos, né, cara? No mínimo, né, cara? Porque...
As músicas são longas, não são musiquinhas de dois, três minutos. Lógico que tem faixas mais curtas, principalmente do início de carreira, quando eles tinham mais flerte com pós-punk, com punk mesmo.
Mas tem faixão longa ali de 4 minutos e pouco, 5 minutos e pouco. Então é interessante essa proposta da banda. E é uma proposta que a banda sempre seguiu, porque eles continuaram fazendo esse tipo de coisa. Eles continuaram lançando discos ou coletâneas em formatos distintos. O CD tem mais músicas do que o vinil, e o cassete tem mais músicas do que o CD.
O lado A da fita cassete tem 46 minutos, o lado B tem 40. Sensacional, né, cara? Isso, e também tem uma outra característica bem inglesa, né, Christian e Felipe, que é a tradição de uma banda que lança muitos singles, né? Mas isso é uma coisa que vem desde os Beatles, né, cara? Que lançavam singles que não estavam necessariamente em seus álbuns, né? Tem um pouco disso aqui também, né, Felipe?
Se você for pegar as faixas do primeiro disco na edição em vinil, não aparecem. Não tem nenhuma música do Three Imaginary Boys nessa coletânea. Vai aparecer na versão em CD. Outra coisa muito importante do Kiri era single. Tanto que eles faziam essas coletâneas, como os Smiths também fizeram. Essa Japanese Whispers é uma coletânea de três singles duplos, que vira um EP de seis faixas.
Então, eu acho isso muito legal, cara. Essa coisa dos singles que eles não colocavam, né? Várias vezes não apareceu no álbum. A música mais famosa do que eu e hoje, a mais tocada nos streamings, e que é uma canção que foi o segundo single da banda, não tá em álbum britânico oficial. É Boys Don't Cry. Boys Don't Cry aparece no álbum Boys Don't Cry, que é meio coletânea também, que sai pro mercado americano, juntando partes do primeiro álbum com singles.
Mas você pegar aqui lado a lado, cara, os non-album singles são fantásticos, cara. Colocar lado a lado aqui é capaz de ganhar, de pesar mais pros singles que não estão em álbuns. Eu sempre acho isso muito legal, cara. Eu sempre acho isso muito legal. A banda que sabe trabalhar esses dois pesos, assim, sabe?
sabe trabalhar também, né? O público também aceita isso muito bem, né, cara? Mas acho que isso é cultural. Pra gente aqui não funcionaria, né? Hoje em dia, talvez, é porque hoje o cenário é completamente diferente, a gente ouve música eletronicamente, né? Você não tem mais o físico em mãos, né? Mas aqui, já, quando no meio dos 90, pelo menos na primeira metade...
Tentaram fazer um mercado de singles aqui que não deu certo, né, cara? Eu tenho aqui em casa alguns singles que eu comprei nos 90 do Metallica, do Pure Jam, do Nirvana, mas, cara, não rolou aqui. É o CD single, né? CD single, não rolou aqui. Mas o preço, né?
Os caras pedem o preço de CD normal, aí é uma barbaridade. Eu acho que a gente até já discutiu isso aqui, eu ainda acho que o compacto tinha um mercado e um propósito diferente, principalmente no mercado brasileiro, era uma coisa no intento de ser mais popular mesmo, porque um disco de vinil era caro. Então eles barateavam com a música de trabalho, geralmente editada, geralmente com um fade-out ali pra encurtar a música.
Mas era só pra pra dona de casa ter o gostinho de ouvir aquela música do rádio a hora que quisesse em casa, né, cara? É bem diferente desse mercado de singles aí. Uma outra coisa que eu queria perguntar pro Felipe aí, quantas fases essa banda teve?
Esse é muito bom. Até aqui, até essa coletânea aqui, se você também quiser estender para o restante da carreira, já que você é um especialista no assunto, qual é a sua favorita, Felipe? Qual dessas fases é a que mais te agrada? Você consegue fazer essa distinção aí?
Transcrição e Legendas por Quintena Coelho
Rodrigo, nesse momento que o Stander na Beat é lançado, em 86, o Kiro já tinha passado por uma, duas, três, quatro fases, cara. Eles estavam encerrando a sua quarta fase, passariam para uma nova transição e entrar numa outra fase em seguida. Então você vai ter aqui esse começo da carreira de uma banda que nasce em 76, na Inglaterra, no auge do punk, mas que já não queria fazer um som punk.
Então é tipicamente um filhote do pós-punk, porque você pega os princípios ali, né, de do it yourself, não precisa ter virtuose para poder montar uma banda, a gente quer fazer um outro tipo de som, diferente do mainstream, diferente dos medalhões, mas com uma sonoridade que não precisava ser agressiva, não precisava ser uma coisa gritada, não precisava ter a característica sonora do punk.
Depois, por questões pessoais e de estilo também, você vai entrar na segunda fase, que é chamada Trilogia Gótica do The Cure, que são discos que vão cada vez mais afundando num pântano ali escuro. Isso vai levando a banda também numa crise interna, o Robert Smith viciadaço em drogas ali, os caras brigando.
saindo na porrada em show. E pra não morrer ou pra banda não acabar, tem uma transição ali, o Robert Smith vai tocar com a Susan DeBent, vai pra um rehab, passa um tempo numa clínica de internado e tudo, e é uma fase de transição onde, na verdade, é praticamente o Robert Smith e o Low, Torhous, fiel escudeiro, fazendo o que ele pedia pra ele fazer ali. Então você vai ter algumas músicas lançadas que estão aqui também.
Nesse período ele vai melhorando, as coisas vão evoluindo. São canções muito mais solares, com alguma ainda ironia sombria, por assim dizer, porque são historietas de noite, de relacionamentos meio esquisitos. Mais um astral mais leve. E aí você chega no primeiro auge da banda.
que é o The Head on the Door. Primeira vez que a banda se encontra ali para conseguir ser The Curie e ao mesmo tempo ser comercial. É o primeiro áudio porque a banda vai muito além disso daqui logo depois. E aí a história vai continuar.
Eu acho que depois desse segundo auge, no começo dos anos 90, o The Cure entra num ponto morto ali, numa zona de conforto, vai fazer discos às vezes bons, às vezes regulares, e surpreendeu com o último lançamento ali, que chamou muita atenção, que é um disco bonito, mas que pra mim ainda é um disco de zona de conforto. Não tem nada de surpreendente ali, é um ótimo disco na fórmula The Cure. Então pra mim são essas as fases aí da banda, cara.
Cara, minha favorita... Cara, não tem fase favorita. Eu tenho três fases favoritas, cara. Tenho três fases favoritas. Três de quatro, né? Pô, é sacanagem. Não, da carreira toda, da carreira toda.
Depende da lua, depende da lua. Ô, Felipe, tem um negócio engraçado, você falou aí dessa passagem de uma fase soturna, gótica, pra baixo, quase autoextermínio, e de repente a coisa começa a ficar mais solar e tal. Se você pegar o vinil, a última faixa do lado A chama-se The Hanging Garden. A primeira do lado B chama Let's Go To Bed. Há uma melhora. Você nota uma pequena melhora aí, né? Assim, pelo menos no título, né? As letras aqui não vão. Eu não sei se tem a ver, tá? Mas eu quero acreditar que sim.
Teve um pensador inglês aí que dizia que tudo que a gente precisa é de amor, né? O Bob Smith, ele casa em 1988, né? Ele é casado ainda com a mesma mulher, a Mary Poole. Ele casou com ela em 88. É interessante, né? Porque a gente imagina que eles já deviam estar enamorados ali por 1986, né? Por isso que a coisa vai ficando mais alegrinha, né? Vai ficando mais alegrinha.
Na verdade, a Mary é a primeira e única namorada do Robert Smith. Olha só. E não tá errado, né? Porque o bicho é feio e virado na desgraça, né? A primeira mulher que deu bola pra ele, ele tem que namorar com ela mesmo. Estão juntos, se não me engano, desde os 14 anos. Caramba! Ele casa com ela, faz Love Song, do Disintegration, como presente de casamento, inclusive.
Ah, que legal. Vamos falar agora a respeito de um assunto que a gente gosta muito, que é capa. A gente gosta de capa boa, a gente fala de capa ruim, a gente fala de todo tipo de capa. Inclusive, a gente posta no nosso Instagram piores capas do mundo, de todos os tempos. Coincidência. Quanta coincidência, que às vezes o pessoal não entende, que contém ironia. A gente adora uma capa. Eu gosto muito dessa capa, cara. Eu acho muito legal. E depois fui ler, né? Que esse cara aqui é um cara...
Não é tempo de inteligência artificial, né, cara? O cara existe mesmo. E é o senhor John Button, que era um pescador aposentado, evidentemente, né? Quem olhar a capa aí vai saber, vou deduzir isso, né? Da cidade de Rye, a umas duas horas de Londres, próxima do Canal da Mancha. Estava lá sentadinho, pescando, talvez, ou bebendo, e alguém falou, pô, você não quer fazer uma foto? Está olhando.
Vamos lá, pra ajudar uns garotos aqui de uma banda, pô, se eu posso ajudar, eu vou ajudar. Aproveita que você tá aqui e faz um vídeo também, o cara já participou do vídeo, até que eles não tinham grana, segundo o Bob Smith, não tinha grana pra contratar ninguém, então o Sr. Button acabou participando dessa foto que ficou famosa, né, claro, uma expressão que você pode discutir por horas, né, qual o estado de espírito, o ânimo que esse senhor aqui se encontra.
ainda participou do vídeo, foi um vídeo meio precário lá de Kylian Arby, mas é o momento, o espírito do tempo ali. Eu gosto. O que vocês acham dessa capa? Rodrigo, você primeiro.
Eu acho linda, né, cara? Eu tenho aqui a felicidade de ter o CD e o vinil, né? E são fotos diferentes. Percebe uma expressão um pouquinho mais tristinha na capa do vinil e um sorriso, quase sorriso de Mona Lisa na capa do CD. Mas ainda assim, eu acho que é uma foto muito expressiva, né, cara? É.
É impressionante como isso, essa capa criou uma identidade, uma conexão com a banda. Todo mundo que vai procurar algo sobre o The Curie, em algum momento, vai se deparar com essa capa e vai criar uma conexão neural ali, cara. Aquele disco que tem aquele foco no rosto do velhinho é um disco do The Curie.
Cara, isso é impressionante, né? Gosto demais dessa capa, cara. Acho muito expressiva, muito bacana. Essa cor acinzentada, meio prateada, dá um charme do caramba, cara. E essa expressão enigmática dele aí é demais. Combina muito com a banda. Combina ou não, Felipe?
É incrível como é que uma coisa tão simples dá um resultado tão maravilhoso, né? Porque quando eu vi essa capa a primeira vez, eu achei que era um modelo, um ator, alguém que eles tinham colocado ali para poder passar essa expressão do rosto com tanta profundidade, tão simples e tão profundo o jeito que ele está aqui. E aí, anos depois que eu fui descobrir que era um cara qualquer...
qualquer assim, não era um profissional, e ao mesmo tempo, se for parar para pensar, a conexão que ele tinha com o mar, provavelmente com aquele mesmo mar onde ele viveu a vida toda, estou aqui chutando que foi isso, estou supondo que ele se aposentou no mesmo lugar onde trabalhou, essa conexão que ele tinha com a praia, com o mar...
faz com que ele entenda aquele momento ali como ninguém mais poderia entender, como uma pessoa de fora não iria entender. Sei lá, se o fotógrafo, se alguém explicou o que estava aqui, qual era a intenção, por que eles queriam tirar uma foto ali, se eles já tinham esse nome, se eles estavam fazendo uma relação com a Quilina NERB, que é onde o título vem dessa música.
para poder dar alguma ideia para ele, ou simplesmente porque ele estava ali, em casa, onde ele se sentia melhor, na beira da praia, perto do mar. Então ele estava, ao mesmo tempo, sereno e cansado, ou talvez pensativo, mas você pode interpretar...
esse olhar, essa expressão, de mil maneiras. E é muito legal você reparar que tem essa pequena diferença, como o Rodrigo apontou, entre as versões. A versão em CD não é a mesma foto simplesmente dando um close no rosto. É uma outra foto que eles escolheram para colocar. Uma diferença pequena que também enriquece ainda mais.
O Felipe, eu li uma matéria numa revista francesa, traduzida por inglês, né? Porque o meu francês não é lá essas coisas. Mas antes eu não tinha a menor ideia, assim. Não tinha a menor ideia do que eu tava fazendo ali, assim. Aceitou, topou e ainda falou no final. Olha, quando sair o disco aí me avisem que eu vou comprar uma cópia e eu quero escutar. Quero muito ouvir uma música de vocês. Então, realmente, um senhor passou a vida inteira ali, me parece.
mesmo, assim, a revista francesa fala assim ah, o senhor fulano tava ali na beira do mar sonhando com épocas em que ele atravessava o canal da Mancha, tomava um porra e brigava com os marinheiros franceses era preso e depois mandado de volta e tal, no dia seguinte, e quando ele foi encontrado por esse fotógrafo então assim, e tem uma coisa que eu acho legal também, é que ele tem uma coisa meio saudosista, assim, parece no olhar, né, a lembrar que isso era uma coletânea que puxava 10 anos pra trás, néע
Tem a ver, né? Tem a ver essa expressão. Pra mim, ele tem uma expressão saudosa. É alguém que tá olhando pro mar e tá se vendo, assim, em outros tempos, em outros momentos ali. Essa interpretação que eu faço é de um saudosismo, né?
Transcrição e Legendas por Qt.
Vamos então começar o nosso Faixa a Faixa. Como a gente resolveu falar sobre a edição em CD, com 17 músicas, nós não vamos fazer o Faixa a Faixa tradicional. Nós resolvemos separar aqui, nesses blocos que o Rodrigo me perguntou, das fases, né? E aí a gente vai comentando cada um desses períodos aqui, dando destaque positivo. E se alguém for louco de achar algum destaque negativo também, fique à vontade para falar. Deixa comigo. Por sua conta e risco.
A primeira fase da banda São as quatro primeiras músicas da edição em CD Killing an Arab 1015 Saturday Night Boys Don't Cry E Jumping Someone Else's Train São músicas que estão No período de 78, 79 Killing an Arab é de dezembro de 78 Quase ali virando Então praticamente são músicas de 79 Sendo que delas
Apenas 10.15 Saturday Night está no primeiro álbum da banda. As outras três foram apenas singles, que apareceriam depois na edição Boys On Cry dos Estados Unidos, que a gente já comentou aqui. Fica até engraçado de dar um destaque entre essas quatro aqui, né? Simplesmente tem a música mais tocada do The Curie até hoje, uma das duas músicas da banda que está no clube do bilhão do Spotify, que é Boys On Cry. Mas queria que vocês falassem aí desse quarteto inicial, depois eu comento o que eu acho.
Posso começar? Cara, eu adoro Killian Arab porque é um... é engraçado, cara, porque ela é uma música meio torta, assim, cara. Ela é esquisita, né? Meio elíptica, assim, né, cara? Você não entende muito bem qual que é a... se é um punk rock, se é uma faixa típica do pós-punk inglês.
Ou se é uma grande ironia. Você fica meio confuso, mas ela é divertidíssima, né? Eu adoro 10, 15, Saturday Night pela guitarra crocante que tem ali no meio, cara. Tem um solo ali, mais pro final, que é uma guitarra barulhenta, assim. E você percebe que ela é barulhenta? Porque talvez a banda tivesse uma aparelhagem ali ainda precária, cara. Não tivesse grana pra investir em produção ali.
Caixinha de abelho de 10 anos antes, né? Total, cara, total. É muito legal isso, né, cara? Boys Don't Cry, acho que dispensa comentários, cara. Um hino, né? E Jumping Someone Else's Train, dessas aqui, puta, eu adoro também, mas desse primeiro quarteto aqui é a que eu menos gosto, vai.
sendo bem franco, assim, dessa primeira quadra aí, pra mim a Jumping Samuann Nelson Strain é a mais fraca, ainda que seja muito boa. Pra você, Christian. Ah, cara, é o que vocês falaram, né? Aqui os caras, assim, muito jovens ainda, né, cara? Você pensar que o Bob Smith, ele fez 20 anos em 79, né? Então você tem um moleque aqui de 19 anos, cara. E os caras não eram mais velhos que ele, né? Acho que não. Todo mundo ali, se não tinha a mesma idade, tinha um ano a menos.
Então você pensar assim, a sua bandinha de garagem ali com instrumentos precários, uma sonoridade precária, ainda sem ideia de como equalizar direito, como fazer direito a música funcionar. E a quantidade de espaço vazio que tem, não tem preenchimento, não tem um teclado fazendo uma cama.
tá, a rainha entra, sai, fica só baixo. Grande parte de Killin'en Army é baixo bateria em voz, cara. Baixo bateria em voz. Então isso é muito atraente, assim. Pra gente que, lógico, gosta de músicas mais elaboradas, que gosta de mil solos e tal. Aqui você não tem isso, cara. E é muito bom. É o less is more aqui, né? O menos é mais no seu pico.
então não tem como são três clássicos a gente tem que chamar de clássicos claro, tem 15 Saturday Night deve ter gente que não conhece, pessoal que gosta do Cure mais hit mas Killin' in the Arab e Boys Don't Cry são músicas absolutamente conhecidas hits massivos, se colocar em qualquer lista de 10, 15, mais do Cure com certeza elas vão estar
Eu concordo com o Rodrigo que Jumping in Summer Nelson's Train não consegue acompanhar ali o brilhantismo dessas três, né? Mas é tudo muito legal, cara. O som da bateria, esses pratinhos pequenos, parece que nem ecoa o prato, né, cara? Ô, Rodrigo, achei que você ia falar dos pratos, cara. O som da bateria. Cara, é demais, né?
É um negocinho, né, cara? E você vê que são pratos diferentes, né? Sobretudo em Klinenard, né? Eu acho que essa forma que foi equalizado aí, mixado, o 10, 15, Saturday Night, assim, quase me incomoda. O solo, acho que ele é muito alto. Ele sufoca os outros instrumentos ali, é muito estranho.
Mas, pô, tem aquela coda no final, né, cara? Então tudo fica legal de novo, né? Parece que a música vai acabar, mas ela não acaba. Então você vê que já existe aqui uma técnica de composição, uma coisa consciente, né? Vamos colocar isso aqui, agora isso aqui, isso aqui. E isso vai fazer diferença no futuro com o desenvolvimento desses caras, especialmente do Robert Smith.
Essa primeira fase aqui, você está pegando uma banda, como eu falei, que nasce no meio do movimento punk britânico, mas que já tem um sentido melódico muito diferente, uma sensibilidade diferente para fazer as canções. Era um trio, você tem o baixista que vai ficar pouco tempo na banda, o Michael Dempsey, o Low Tourist, que é um amigo de infância, amigo de adolescência do Robert Smith, que foi fiel escudeiro durante muito tempo, a bateria e o Bob Smith, voz e guitarra.
É um som muito cru, muito minimalista, cheio de vazios. As guitarras são sempre limpas, com algum efeitozinho, mas sem distorção, pontuais, tipicamente pós-punk, e o baixo sendo mais proeminente, muitas vezes conduzindo a melodia, como vocês falaram. E essa bateria seca. A gente vai ter o primeiro single, Killian and Airy, baseado no estrangeiro do Camus, do Alberto Camus.
que é um cara, a letra está descrevendo uma cena do livro, um trecho do livro, onde o personagem principal mata um árabe que ele encontra na praia, porque sim, não existe motivo, eles nem se conheciam. E a história desse cara é alguém que é indiferente à sociedade, que não encontra razão para viver dentro dos padrões que são considerados morais ou corretos. Ele simplesmente é alguém alheio a isso, é um cara frio emocionalmente.
E é uma coisa meio de absurdo mesmo que o romance coloca aqui, do pensamento do Camus de refletir uma sociedade meio sem sentido. E aí o Robert Smith pega esse trecho, faz essa letra que tem muito a ver com esse pedaço aqui, e depois vai...
ser criticado como uma música islamofóbica. As rádios resolveram não tocar na época do lançamento da coletânea e depois reclamaram da música quando teve a Primeira Guerra do Iraque, em 2003, quando teve o atentado de 11 de setembro. Lembravam sempre Killing and Harry para bem e para o mal. Uma coisa irônica porque não tem nada a ver trecho de um livro que já tinha sido escrito muito tempo antes.
Eu já achei curioso vocês colocarem Jumping Summer Last Strain Como a menos interessante aqui das quatro Eu acho ela já é um Um prenúncio de um som um pouco mais Elaborado, né E cara, Boys Don't Cry é esse colosso pop perfeito Aqui, não tem nem porque fica Se estendendo muito Mas é uma faixa maravilhosa
Bom, e aí, na virada de 79 para 80, começa a primeira mudança, a sonoridade da banda. Você vai ter a entrada do Simon Gallop no baixo, o Michael Dempsey vai sair. E temporariamente você vai ter um primeiro tecladista, que chamava Mathieu Hartley.
E aí nós vamos entrar na fase gótica do The Kier, na primeira fase gótica que engloba esses três álbuns em sequência, 17 Seconds, Faith e Pornography, e mais um single que é uma coisa maravilhosa que chama Charlotte's Sun Times. Então a segunda fase para a gente analisar aí vai de A Forest, a faixa 5, até a faixa 10, The Hanging Garden. Rodrigo Melão.
Cara, eu adoro a Force, cara. Eu simplesmente... É a música que eu mais gosto desse disco aqui. Essa linha de baixo é envolvente, é uma música sinistra, né, cara? Uma música meio claustrofóbica, assim. Dá medo mesmo, cara. Tipo, uma música meio assustadora, assim, cara.
Mas eu confesso que eu passei pra um estado de paixão por essa música quando o Cury lança aquele disco acústico, aquele Greatest Hits acústico. Cara, a interpretação do Bob Smith é demais, cara. É demais. Naquela versão lá, eu...
Passei a gostar da música a partir dali. Lógico que eu já conhecia, porque eu tinha a coletânea, eu tinha a Starry and a DC, conhecia a música, achava ok, mas eu não tinha paixão por ela, não. Mas depois da versão acústica, ela se tornou não só a minha favorita desse disco aqui, talvez a minha favorita da banda, cara. Gosto demais dessa música. Eu adoro, adoro também Charlotte Sometimes.
E eu não vou criticar nenhuma dessas faixas aqui, Felipe. Acho que são... Você percebe que o carro perdeu o freio, né, cara? Você percebe que está indo para um buraco que... É uma espiral ali, né, cara? Você sente um clima meio... Uma força centrípeta levando a banda para um lugar meio sombrio ali, cara.
Mas eu gosto de todas essas faixas, com destaque principalmente, principalmente pra Forrest, Charlotte's Sometimes, e eu gosto muito de Primary também, cara. Gosto bastante dela. Você, Cristian? Cara, parece combinado, mas não é. Eu também sou absolutamente fascinado por a Forrest, cara. Mas a primeira versão que eu escutei não foi essa. Foi a versão do Concert, que é bem maior, inclusive, né? Eu tava olhando aqui até pra lembrar a versão do Concert. E é muito boa, né, cara? Pode mais, cara. Tem quase sete minutos, cara.
maravilhosa, o baixo, de uma simplicidade quase que inacreditável. Não é uma música complicada, mas assim, a forma como ela é conduzida e esse primeiro uso de efeitos, né, cara? Quando o baterista dá uma pratada, ele faz só... Eu não sei como é que eles fazem isso, mas é um pedal aí, um microfone, alguma coisa, um efeito de estúdio, né? Parece que eles esticam, né? Ou é um teclado, não sei também. Mas eu acho a Forrest absolutamente maravilhosa, cara, e desde sempre, assim, é uma das minhas preferidas da banda também.
Tu falou aí que talvez seja a tua preferida. Eu não pensei a respeito, mas assim, sem dúvida, é uma das músicas mais legais que o grupo fez. Você começa a ter essa fixação de uma formação que, apesar que ainda vai trocar, mas a entrada do Gallup é muito importante. O Gallup vai ficar um bom tempo na banda. Se não me engano, ele tá hoje de volta, né? Eu acho que ele saiu e voltou, né? Formação atual, né? Sim, sim.
eu adoro, cara, adoro, adoro, adoro e essa versão também é muito boa, embora não seja tão longa o final é um pouco menor acho que o que pega na versão ao vivo é que ele fica pambam, pambam, pambam pambam, um tempo passo, né, cara é muito simples, né, cara, é muito primitivo isso, mas é muito legal, né, cara
Eu adoro Play For Today, cara. E é uma música que eu fui conhecer... Não é que eu fui conhecer mais tarde. Não, eu fui conhecer ela mais tarde, eu não sei por quê. Eu acho que eu não tive o Seven Seconds na mão por muito tempo. Ela me lembra muito o Legião Urbana, cara. A forma como ele toca a guitarra, tem uma coisa meio dado Vila Lobos, assim. Parece que vai entrar o Renato cantando, cara. Eu já coloquei, eu acho que eu contei a história já.
Eu tava numa van uma vez, indo conhecer um museu, sei lá, com os amigos, as amigas. E me deram a incumbência de botar uma música. Eu falei, põe Play For Today. Põe essa música aqui. Eu acho que eu coloquei, não falei o nome.
O que que é isso? É a Liga Urbana. Sério? É a Liga Urbana. Esse cara, pô, massa. Quando ele entra cantando, ué, não era a Liga Urbana. Muita gente acreditou que era, né? Acho ela ótima, cara. Excelente também. A minha Pérola Escondida, tá? Play for Today. Eu não sei se ela pode ser Pérola Escondida, mas é a minha. E Forrest eu vou colocar hoje também a minha preferida do disco, cara, também. Vou empatar com o Rodrigo.
Primer é uma excelente música também, o Fate tem uma sonoridade que começa a ficar um pouco diferente. Eu não gosto de Other Voices, queria avisar desde o Jardim que Other Voices é a minha bola fora, não consigo me conectar, vou tomar esse porro. Eu sei, estou preparado, inclusive estou longe. Estamos gravando longe um do outro, não tem perigo de estar longe. Estamos aqui encerrando mais um episódio, meus amigos.
Não tem perigo de tomar um peteleco na orelha. Agora, cara, Charlotte Suntimes é uma coisa... Também tem no ao vivo, também uma versão maravilhosa, né? Essas são faixas que, assim, a gente fala hipoteticamente, né? Que a banda está chegando à maioridade, mas na verdade eles estão chegando à maioridade mesmo, né? Os caras estão se tornando adultos e estão passando a fazer músicas muito, muito legais.
Você falou uma coisa engraçada também, Rodrigo, que eu ia falar. O pornógrafo é o disco que às vezes dá medo, né? Desde a capa até algumas faixas. Mas é engraçado que Hang in Garden não me causa os arrepios que o 100 years me provocam, cara. Essas duas faixas são faixas que eu fico realmente... Pô, eu daria um tema de filme de terror, assim. Dariam, né? Tem essa percussão mais marcial, né? E mais efeitos e tal. Então...
Pornografia é um disco assim, que ainda não é um disco que eu conheço a fundo, vou confessar que preciso ainda passar mais, mas é muito legal. E no disco aqui, fecha o lado, né? É isso? Hanging Garden seria a última do vinil, né? Do lado A. A única aqui, cara, que eu vou reclamar, que realmente não consegui entender, é Other Voices. Isso não vai acontecer de novo, prometo a vocês.
Felipe. Bom, com o Simon Gallup assumindo baixo, a gente vai ver uma diferença já de embragem e de atmosfera, né? O som começa a ficar mais denso, a melancolia começa a tomar conta da banda, e uma curiosidade é que como a gente tá falando de uma coletânea de singles, você vai ter canções que nem sempre estão representando exatamente esses discos, né?
O Charlotte Sun Times, que é um álbum single, é totalmente mergulhado dentro da cultura gótica da época, cara. Pra mim, é a música que mais representa o que era o gótico da primeira metade dos anos 80, que era feita na Inglaterra. E, claro, a Forest é um colosso, é uma música, como o Rodrigo falou, adorei o jeito que ele descreveu, que além de ser claustrofóbica, ela é assustadora, cara. Ela, pra mim, é a descrição perfeita de um...
terror vitoriano em inglês, aquela coisa de um clima lúgubre, frio, uma floresta meio nevoada, nunca amanhece, está sempre escura e acontecendo o que está sendo escrito na letra. É uma coisa realmente de filme de terror.
Coisa maravilhosa. A Play For Today, eu recomendo que quem não conhece, procure o álbum Paris, gravado em Paris, que é de 93, onde tem uma versão linda dessa música, com a plateia cantando a linha de teclado, cara. É uma coisa inacreditável, assim. O público tá cantando junto.
Então, o que eu queria dizer é que as duas músicas do Faith, por exemplo, Other Voices não foi single, ela foi colocada aqui, mas originalmente não foi single, e Primary é muito legal, mas nenhuma das duas, para mim, são as melhores do Faith. Então, é um caso onde as melhores músicas do álbum não apareceram aqui. E Hang in Garden é o único single de pornografia. Então, apesar de representar bem...
o clima do disco, mas como o Christian falou, talvez 100 years tivesse um perfil que combinasse mais com o restante do disco. Ainda assim é uma música maravilhosa, apenas fica um pouco injusto, porque se você não conhece o restante do álbum você não entende tão bem porque ele é tão aclamado.
Pra mim a melhor música do disco é Charlotte Suntimes Pertinho, pertinho A Forest fica quase colada São as duas que Realmente fizeram eu ficar deslumbrado Com essa banda naquela época E descobri que existia esse tipo de sonoridade E fez muito mal Fiquei viciado nesse tipo de som Pra sempre Tô surpreso, cara A show de sua preferida era outra
Sabe o que é legal, Felipe? Ontem aqui em São Paulo, choveu no final da tarde. Vocês já cansaram do trabalho, a noitinha, chovendo. Essa Charlotteson Times aí, como ela combina, né, cara? Com rainy days and mondays, né, cara? Puta que pariu, né, cara?
Agora, Felipe, você acha, você como produtor, só essa questão do pornógrafo, você colocava 100 Years como single, né? É muito single também, só que o disco tem outros climas mais pesados, mais sombrios que Reggaard. Reggaard é a música mais comercial mesmo.
Mais alegria, mais agitada, pelo menos, né? Mas, por exemplo, como eu falei do Faith, cara, eu acho que tem músicas do Faith que refletem mais o álbum do que Primary e Other Voices. Eu não colocaria. Se fosse pra colocar outra, eu colocaria outra além de Other Voices, pra tentar pegar. Eu colocaria Holy Hour, Funeral Party, que é muito deprê. Não, não deve ser nada fácil discutir com Robert Smith, né, cara?
Bom, aí no show dessa turnê do pornografia, o Simon Gallup e o Robert Smith quebraram o pau, brigaram mesmo, na França, no show da França, e o Gallup sai da banda em 82. Além disso, o Robert Smith estava viciadaço em drogas, bebendo e tal, e pra caramba.
E aquela coisa assim, ou eu resolvo essa situação comigo mesmo, ou eu vou sair dessa vida. Ele falou uma frase mais ou menos assim. Ele vai para uma reabilitação, ele fica sozinho com o Low, e depois de alguns meses começa a lançar outro tipo de som. Se afasta daquela imagem sombria, ele nunca gostou de ser chamado de gótico.
e começa a lançar singles com uma sonoridade radicalmente diferente de tudo que a banda tinha feito até então. E aí nós vamos ter Let's Go To Bed, The Walking, The Love Cats, depois que são reunidos num EP chamado Japanese Whispers. A essas vão se juntar também a faixa Caterpillar, que já é do disco de 84 chamado The Top, que está muito dentro dessa mesma atmosfera, o The Top tem algumas outras coisas ali de transição também.
Mas Caterpillar, pra mim, é a que mais combina com essas três anteriores aqui. Então, da faixa 11 à faixa 14, aí, Christian Fetter.
Pô, cara, eu gosto muito dessa fase, cara. Essas são músicas que tocaram demais aqui na época, né? Quando a gente estava, assim, de novo, descobrindo o Cure, tentando entender de onde vinha, pra onde ia, né? Então, realmente, são faixas que são... Tenta esse período de você sair pra dançar com os amigos e amigas, né, cara? E elas, em geral, têm um apelo dançante, né? Especialmente The Walk.
enfim, né, Let's World Bet também, mas eu acho que The Walk é a mais, né. The Walk é o mais perto que a banda chegou de fazer uma Blue Mountain, né. Assim, ela tem uma levada, tem uma bateria à lá, New Order, eu nem sei se ela é anterior ou posterior, porque ela é posterior provavelmente, né, a Blue Mountain do New Order, né.
Eu acho muito interessante, cara. Eu acho ela... Assim, a bateria eletrônica entra num tempo meio quebrado, né? Ela tem uma entrada esquisita, mas quando ela desenvolve, cara, eu gosto muito dela, cara. E acho legal, assim, como a banda também começa, eu acho que especialmente com Love Cats.
Caterpillar, um som, digamos, meio... Aí a banda já está, eu acho que, flertando, assim, com uma certa androginia, né? O Bob Smith está vestindo ali muita maquiagem, muita coisa, o cabelo, aquela coisa, umas roupas mais soltas, cara de saia. Eu acho legal, os caras brincam um pouco com isso também, né? Você pegar essas músicas, elas têm um elemento...
feminino muito forte, assim, né? Não estou dizendo que são músicas... Isso não é um desdouro, por favor, né? De modo algum, assim, estamos falando, ensinuando nada nesse sentido de depreciativo, mas é muito interessante como ele brinca, assim, com cosnados e gemidos e, né, como a forma dele de cantar começa a ficar mais colorida, digamos assim, e de novo aqui, não usando de modo algum o termo de forma pejorativa, né?
E isso é interessante, cara, porque é uma época que a gente é muito jovem, assim, também, né? E você tem umas cobranças, assim, eu acho, né? De amigos, de família. Mas o que esse cara tá fazendo aí? O cara tá gemendo. É, sim, ele está gemendo e é legal, né? Não tem nenhum problema quanto a isso, né? Quanto o cara está gemendo ou usando mais agudos ou mais gritinhos e tal. Então isso é interessante também, mexe, assim, com o establishment.
claro que nos anos 80 você tem Boy George, tem Madonna isso não era pra ser um problema, mas pra muita gente é então quando há esses desafios eu também acho muito legal, cara, você desafiar o normal, o que se espera de um cantor homem e até hoje, com certeza isso deve incomodar muita gente então só por aí eu já acho legal
Eu acho que são faixas que não tem nenhum tipo de assimetria entre elas, as quatro Let's Go To Bed, The Walk of Cats e Caterpillar são faixas pra ouvir, inclusive nessa sequência mesmo e seguir em frente com, agora sim, sem a minha reserva lá com Other Voices agora é alegria até o final. Certo, Rodrigo? Certíssimo, cara. Também acho que essa é a fase
A fase mais radiofônica, talvez, da banda, né? Acho que vai ali até o final desse álbum aqui, dessa coletânea, até o ano de 87, talvez, que foi a fase mais radiofônica da banda, né? O Disintegration não é um disco radiofônico, né? Apesar de ter tido ali alguns hits, não é um disco radiofônico.
É uma pepita, mas não é um disco radiofônico, né? Vai até o Kisp, né? Vai até o Kisp, que tem várias partes da radiofônica. O Kisp é bem radiofônico, bem pop. Mas essa fase aqui é muito interessante. Eu adoro daqui, cara. Eu adoro Love Cats, cara. Essa estética meio jazz, assim, né, cara? É muito legal, né?
Esse tom, tom, tom, tom, tom, tom, tom, tom, tom, tom, tom. Isso é muito legal, né, cara? Muito legal. Um pianinho canalho ali no fundo, né, cara? Muito legal, né, cara? Você falou que o Walk é uma tentativa aí, ou uma Blumando aí pra chamar de sua, né? Do Bob Smith.
Não que tenha sido assim, não acho que seja paródia ou cópia. Ele estava na mesma linha, na mesma vibe. Não, é absurdo. Não consideraria paródia, não. Eu nunca tinha pensado dessa forma, cara. Eu acho muito legal esse tecladinho que fica...
Porque ele é irritante, cara. Ele não é necessariamente legal, ele é irritante. É que nem o Solo de Day 15 e Saturday Night, cara. Eu acho que a ideia é irritar um pouco. Exato, exato. Você roubou o meu comentário, cara. A ideia é exatamente isso. Não é fazer você dançar como os efeitos da Blue Mondo. É te perturbar, cara. A ideia é o contrário, né?
É te incomodar e te chamando atenção pra música. Mas eu preciso dizer aqui, cara, que dessas canções aqui, Let's Go To Bad é outra maravilhosa também, né, cara? Sacana, sensual, mas, é... Puta, o Robert Smith de sensual não tem nada, né? Então, tipo, é aquele sensual fake news, né, cara?
Cara, eu gosto demais dessa fase aqui. Mas Caterpillar é uma obra-prima, né, cara? Que maravilha de canção, né, cara? Eu vou falar uma coisa aqui que talvez o Felipe se lembre disso quando a gente se encontrar novamente e me deu um soco na cara. Mas quando eu ouvi a música Breaking the Girl do Chili Peppers pela primeira vez...
imediatamente me remeteu a Caterpillar, cara. Eu acho que esse lance dos violões psicodélicos e tal que tem nessa música do Chili Peppers, são temáticas absurdamente, mas assim, absurdamente diferentes. Mas a ideia do violão psicodélico conduzindo a música, né?
Como me lembrou, assim, de imediato, assim, quando eu ouvi lá em 91, 92, falei, puta, isso aqui me lembra alguma coisa que eu já ouvi, cara. O que é? O que é? Fui martelando na memória e cheguei em Caterpillar, cara. E até hoje eu faço essa conexão. Adoro, cara, adoro. Dessa quadra de canções aí, Caterpillar pra mim é a favorita. Pra você, Felipe.
É curioso, porque Breaking the Grey é bem lentinho, né cara? Se eu me lembro dela, ela começa bem lentinho, assim Mais ou menos, mais ou menos Depois dá uma acelerada, mas ela começa... Tentando lembrar a melodia aqui Bom, legal cara, eu acho que realmente Caterpillar se destaca muito aqui nesse quarteto Por essa coisa tão psicodélica
na letra, na levada, na atmosfera, você vê que já é uma outra banda, cara, uma banda que dois anos antes estava completamente afundada nas sombras ali e agora tá fazendo esse tipo de som. É, eu acho que tá acontecendo uma transição aqui, porque apesar de serem músicas muito alegres, assim, muito mais dançantes, gostei até de você falar de The Walk parecer Blue Monday, ela tem diferença de meses ali, era um pouquinho depois.
Bem provável que tenha inspirado mesmo. Nunca li nada a respeito, mas não me espantaria. E Love Cats tem essa coisa, Valdeville, meio jazz também. Mas as letras têm ainda uma coisa meio esquisita, né, cara? Tem um verso em The Walk que eu gosto muito, que é um detalhe banal, cara, mas pra mim diz muito sobre o que a música está querendo passar. O horário de visitas acabou, então nos afastamos, cara.
E tudo que você está lendo antes, escutando antes da letra, assim, um dos dois estava internado numa clínica, né, cara? E que tem muito a ver com o Robert Smith, né, esse período aqui, ele estava saindo de reabilitação, né? Te liguei depois da meia-noite, passei pela mulher que uivava, uivava, fiquei parado do lado de fora da porta, e aí chega na metade, o horário de visitas acabou.
Cara, eu sempre achei isso tão sensacional É um detalhe tão baral Mas você tá mostrando que as coisas estão melhorando Mas que não estão ainda 100% E Caterpillar, cara Essa letra maravilhosa, cheia de frases Nonsense, eu lembro de ler Essa letra na bis, nos anos 80 Não entender porra nenhuma Polvilhar minhas mentiras de limão Com pó rosa e doce As chamas que me beijam até a morte Maravilhosa, cara Todo esse clima aqui Da garota Volte- Volte- Volte- Volte- Volte- Volte- Volte- Volte- Volte- Volte- Volte- Volte- Volte- Volte- Volte- Volte- Volte- Volte- Volte- Volte- Volte- Volte- Volte- Volte- Volte- Volte- Volte- Volte- Volte- Volte- Volte- Volte- Volte- Volte- Volte- Volte- Volte- Volte- Volte- Volte- Volte- Volte- Volte- Volte- Volte- Volte- Volte- Volte- Volte- Volte- Volte- Volte- Volte- Volte- Volte- Volte- Volte- Volte- Volte- Volte- Volte- Volte- Volte- Volte- Volte- Volte- Volte- Volte- Volte- Volte- Volte- Volte- Volte- Volte- Vol
lagarta que um dia vai passar pela metamorfose você mudará e voará para longe da minha, e é o único momento que ele canta com uma certa melancolia maravilhosa, cara eu acho realmente eu acho também que das quatro ela é a mais legal aqui
I made myself so sick I wish I would sleep I sleep today
E aí nós chegamos no trio final, que é o trio de The Hand of the Door. Nós falamos sobre essas músicas no ano passado. Se vocês quiserem acrescentar alguma coisa, eu só enchê-las de elogios novamente. Começa aí, Christian. É isso aí, cara. Aqui você tem a banda naquele que é o seu maior disco, provavelmente, da época, pelo menos, até então, provavelmente em termos de...
de vendagens, de impacto. E o que foi falado no começo, o momento em que essa banda chegou no Brasil. Porque realmente, além do programa de... O pessoal não tem essa mais jovem, não tem essa dimensão, mas o Clip Clip, que era o programa de videoclipes da Rede Globo, que passava, sei lá, sábado de tarde, começo de tarde, se não me engano era o João Kleber, que apresentava, inclusive. Não, o João Kleber era FMTV, da Manchete.
Tem razão. Era o Miguel Falabella que apresentava. Exatamente, exatamente. Perfeito. O FMTV da Manchete aqui era o João Kleber, acho. Quase certeza. Cara, não só era música de abertura, como o clipe, então, passava direto, né, cara? E o clipe tinha versões diferentes, né? Em que a câmera era toda em preto e branco, tinha umas versões em que aparecia o efeito dos caras jogando a câmera, né? Pra câmera fazer aquele...
aquele efeito de balanço, tinha a versão do vídeo com a colorização artificial, que era uma coisa que estava, sei lá, provavelmente era uma técnica nova ali, e a gente ficava fascinado, né, cara? Então, assim, uma faixa que, cara, em Bito Indês a gente cansou de pular em festa, cara, esbarrando no amigo do lado, dando ombrada nos amigos, enfim. É uma daquelas faixas da década de 80, cara, não tem como, né?
Close to Me é ótima também, vai na mesma linha de Love Cats, uma faixa sensualíssima, que eu acho que tem uma ótima versão no disco de covers, que é o Mixed Up. Adoro a versão de Close to Me do Mixed Up. E na Ita Like This eu achei que o Felipe ia novamente...
puxar aí a Night Like Disse como a faixa preferida, mas assim, é uma música lindíssima e que mostra, assim, realmente ela fecha, que curioso, né? Ela fecha o disco, é uma faixa longa, né? Super bem estruturada, com solos saxofone, né, cara? Que era pra ser uma coisa pra, às vezes, provocar que alguns arrepios em algumas colunas vertebrais aqui do nosso podcast, mas não, né, cara? Tá tudo bem interligado, é um sax raivoso, né, cara?
paleta vibrando ali, sax com drive como eu costumo brincar então é uma faixa incrível, né cara, de uma beleza de uma eternidade e acho que aqui a escolha dos singles é absolutamente certeira que os caras acertaram e por isso, talvez esse de todos aqui seja o disco mais memorável, né, não sei isso aí é a minha opinião aqui mas aqui são três faixas que são inapeláveis é um fechamento perfeito para um disco 99.9999 perfeito cara
Rodrigo. Cara, nesse trio final aqui, que a gente já esquadrinhou aí no ano passado, eu não consigo definir qual que é a que eu mais gosto, cara, se é a In Between Days. Cara, In Between Days é uma canção recorrente aqui em casa, cara.
De vez em quando, ou tem alguém ouvindo, ou tá tocando, eu ponho pra tocar aqui na vitrola, ou tem alguém assoviando, cara, impressionante como ela é uma melodia recorrente aqui, né? Mas eu não consigo definir qual das três eu gosto mais, cara. A Night Like This, que não é uma música tão executada nas rádios, né?
A gente fala rádio, né, cara? Mas ninguém mais ouve rádio, né? Vamos falar a verdade, né? Eu acho linda, cara. É uma música de uma sinceridade afetiva, sabe? De uma carência afetiva. Tão sincera, cara. Tão bonita. Tem um solo de saxofone bonito, cara. Coisa que... Vamos combinar, né? Saxofone e rock não é necessariamente a combinação perfeita, né?
Mas aqui, A Night Like This funciona muito bem. Eu não sei definir qual das três é a minha favorita, cara, mas acho que pra essa audição aqui, dessa gravação, a que eu mais ouvi foi A Night Like This, cara. Fiquei preso nessa declaração de amor meio torturante do Bob Smith, cara, e vou ficar com essa aí desse trio final. E você, Felipe?
Só para complementar o que eu estava falando antes, nesse período de transição a banda vai ter alguns membros que vão ficar pouco tempo, mas em 1984 você vai ter a entrada do Pearl Thompson e também do Boris Williams na bateria, com isso o Low Torcio assume os teclados definitivamente.
até a saída dele da banda. E aí você vai ter, então, nesse período de 84, para gravar o Red Dead in 85, a chegada da formação mais clássica da banda, que é o Bob Smith, Lowe, Pearl, Simon Gallop e Boris Williams, que é a formação mais clássica até aqui. Aí depois do RayStream você vai ter a outra mudança já com o tecladista novo.
Mas você vai ter a consolidação dessa formação que se tornou tão famosa, a formação que veio para o Brasil, que está no Hand of the Door, no Kiss Me, e que está também num filme gravado num show em Orange, na França, que nunca foi lançado em mídia física de áudio, que chama justamente The Curie em Orange, está no YouTube na íntegra, que para mim é o melhor show do The Curie que está registrado.
E que vai pegar exatamente todas essas músicas Que a gente está comentando Toda essa fase inicial aqui Da banda, vale muito a pena procurar aí no YouTube The Curie in Orange É Orange, né? De laranja Mas como é francês, estou fazendo que nem o Christian Quando puder, aproveite E tirar onda Como é francês e a gente é pernóstico Então é Orange Nós devemos isso aos nossos ouvintes
Cara, essas três músicas são absolutamente perfeitas, maravilhosas. Tudo que for falar aqui vai ser redundante de tantos elogios que elas merecem. A Night Like This é essa elegância pura. Between Days e Costume, já falei isso anteriormente, são os dois lados da mesma moeda. O claro e o escuro, a música preenchida e a música com vazios.
Mas curiosidade, a versão de Close to Me da coletânea é diferente da versão do Head on the Door. A versão da coletânea tem metais e no disco ela não tem metais. Então vale a pena você procurar essa versão para conhecer ou comparar, se você não se lembrar mais.
Porque muda um pouco a atmosfera da música. Durante um tempo eu tive um pouco de implicância com essa versão com os metais. Mas escutando agora eu fiquei feliz de ouvi-la novamente. E acho que fica uma proposta diferente, mas boa também. Assim como a coisa mais intimista da versão original da LP.
Eu tinha esquecido disso, cara. Tem esses... É, eles iam abusar bastante dos metais depois, né? No Kismin, né? Músicas como I Can I Be You, por exemplo, né? Que é um... Impensável, né? Pra quem tocava The Hanging Garden. É uma coisa meio cabaré, assim, né, cara?
pode entrar as dançarinas dançando cancã muito cancã é isso aí a gente fechou todas os números são impressionantes o Felipe falou logo no comecinho 4 milhões de copas no mundo
Transcrição e Legendas por Quintena Coelho
Dependendo da fonte, é o disco mais vendido da carreira da banda. Dependendo da fonte, o Disintegration vendeu um pouco mais, mas ambos estão em torno de 4 milhões de cópias vendas mundiais. Ele chegou em quarto lugar no Reino Unido, 48º da parada dos Estados Unidos. Lembrar que é uma coletânea, né? E vendeu pra caramba em diversos países aí, tornou a banda que era pequena. Isso é legal da gente comentar.
O Head on the Door foi o primeiro disco que vendeu razoavelmente bem, mas os discos iniciais aqui que a gente falou, o Trilogia Imaginary Boys, Boys Don't Cry, a trilogia gótica, o The Top, todos venderam muito pouco, cara. São discos com certificação de prata no mercado britânico e que corresponde a 60 mil cópias. Então, era uma banda...
tinha um selo pequeno e que vendia uma quantidade ali o suficiente para a banda se manter, mas não tinha nada perto do que a gente vai conhecer quando a banda chega aqui no Brasil. Os caras vieram aqui para encher ginásios, fazer show para 15 mil pessoas e depois cresce ainda mais. Então, essa coletânea, como eu falei no começo, apresenta a banda para o mundo e torna o Kiery uma banda.
alternativa do pós-punk com todas essas nuances aqui todas essas particularidades torna essa banda muito popular Gosto muito, Felipe, que o Cury foi uma banda considerada independente aí até, sei lá, 2000, 2004, aí quando eles saem da Fiction Records
que é gravadora desde o início, né, cara? Desde o início eles gravaram pela Fiction, que não é uma gravadora grande, cara. Não tem tanta coisa, assim, grandiosa no cast deles. Tava dando uma olhada aqui. Eles têm o Temer Impala, que é uma banda de renome mundial, mas tem outros nomes, assim, tipo Kaiser Chiefs. Também nunca foi uma banda grande, cara. Banda pequena, independente, aí.
underground até. Mas assim, a Fiction seria como o caos da Sony aqui no Brasil. É um subselo, né? Até o Banguela, né? Era ligado a Polidó, depois a Polidó, acho que vira Universal, se eu não me engano, mas ainda assim era um selo ali dentro, como esses que a gente falou aqui, né? Tinha uma estrutura própria ali, tinha um orçamento separado, pequeno.
E eles ficam lá na Fiction até, cara, até o disco de 2004, se não me engano, que aí vai pra Gaffer. Isso, eles vão pra Gaffer. Eles voltam pra Fiction agora, esse último disco é Fiction de novo, cara. Isso, Songs of a Lost World de 2024 é Fiction de novo. Então acho que eles lançam dois discos só que não são Fiction na carreira toda. Eles lançam o Bequiri e o 413 Dream, né?
Isso, exatamente. São só esses dois que não são da Fiction. E, curiosamente, são os dois que eu não tenho. Em 2004 e 2008 eu já não comprava CD. Então, são os únicos que eu não tenho. Ah, assim, o último eu não comprei. Pretendo até comprar em vinil, em algum momento. Do Blood Fravers para trás eu tenho todos. Ou vinil ou CD.
É legal, é outra coisa também, né? Eu ia comentar aqui no meio do nosso faixa-faixa e acabei deixando passar. Quando eles fazem o Japanese Whispers, que tem a treta lá com o Simon Gallup, que ele sai da banda e tal, e troca todo mundo, entra um batera que chama Steve Golding. Esse cara tocava com o Graham Parker, que é um cara que eu gosto bastante, que já comentei aí no nosso...
No Pra Entender, comentei sobre o Graham Parker em The Rumors, no Pra Entender, quando eu falei de pub rock. E o batera do Graham Parker vai tocar com o Ture em algumas músicas do Japanese Whispers. Legal, né? Legal, legal, legal. E hoje quem toca guitarra com eles é o Reeves Gabriels, que tocou com o Bowie, né? No Team Machine, né? Reeves Gabriel. Já tem um tempinho, né? O Reeves Gabriel tá com o The Cure, que é um cara também muito bom, né?
É isso, meus amigos, minhas amigas ouvintes, meus camaradas Felipe e Christian. A gente esmiuçou essa coletânea que foi uma porta de entrada pra nós aqui. Se você não é íntimo do The Cure, a gente recomenda essa coletânea pra também ser a sua porta de entrada pra esse universo maravilhoso dessa banda que a gente...
gosta demais. E a gente gosta demais também quando você comenta os nossos episódios lá no Spotify, que você tem essa oportunidade, ou nas postagens que a gente faz de propaganda desses episódios que você acompanha aqui todos os sábados no seu tocador de podcast.
E lá no Instagram também, todo dia, tem postagem, tem assuntos diversos sobre esse universo que a gente tanto ama, o rock and roll. Eu agradeço você ter continuado com a gente até aqui. Sábado que vem a gente tem mais um episódio inédito. E é isso, gente. Um abraço. Christian Fetter.
Cara, muito legal repassar esse disco. Realmente é uma daquelas coletâneas que a gente ouviu até cansar e ficou lá, né? Acabou ficando meio encostado. A gente acaba comprando os discos, né? Quando eles saem. Ainda tem muita coisa pra comprar do The Cure, mas quando você tem as coleções completas, você vai ouvir os discos completos, né? E realmente é uma coletânea muito fiel, assim, a esses vários momentos que a banda passou e que o Felipe destacou bem aqui.
Um abraço a todos aqui, meus amigos. Um prazer estar com você sempre. Sábado que vem a gente está de volta. Até mais, Felipe.
Uma última curiosidade, na época do lançamento dessa coletânea, Boys on Cry ganhou um vídeo que passou bastante aqui no Brasil e esse vídeo tinha uma outra versão da música. A banda regravou o Boys on Cry pro vídeo. Caramba! Tocava no rádio a versão do vídeo, tocava no rádio a versão original e a gente nunca conseguia comprar essa versão.
que era do vídeo, né? E agora, esse ano, comemoração aos 40 anos do Stendhal na Beat, a versão de Boys on Cry de 86, né? A mix de 86, está disponível nos streamings, então procurem aí, é o lançamento mais recente do The Cure lá como single.
E compare as duas versões. Eu gosto mais desse Mix 86. Desde essa época que eu ficava viciado. Apaixonado por essa música. Tinha só gravado em pita cassete. Então eu fiquei muito feliz. Quando enfim eles lançaram essa música. E está mais fácil de escutar hoje. Desculpa Felipe. Foi legal você falar isso aí. Para a gente também dar um serviço aqui. Que a gente esqueceu de falar durante o episódio. Essa coletânea não está nos streamings.
Você encontra aí no YouTube Uma playlist Ou no Spotify Uma playlist ou outra aí Mas o disco em si é muito difícil achar Eu não encontrei nenhum serviço aí Pois é, cara No Spotify é uma coisa maluca mesmo No Spotify tá aqui The Curie Compilation E tá com todas as músicas Menos a First Não sei porque a First One tá aparecendo Mas se você entrar pela banda, não aparece Inclusive eu mandei pro Clique esse link E aí
Mas no YouTube Music, que é outro serviço que eu uso também, só coletâneas feitas pelos ouvintes aqui, né? Só playlists, então. E, cara, eu dei uma procurada, não consegui achar a explicação. Então, é muito esquisito por que ela não tá. Mas, assim, pra quem tá no Spotify, procure pelo nome, Staring at the Sea, que vai aparecer. Como coletâneo oficial. Agora, é algum bug, algum problema aí que tá dando, que não tá aparecendo direito mesmo.
Meus amigos, muito obrigado por mais esse episódio. Foi realmente muito especial para mim falar sobre esse disco. Um dos discos mais importantes da minha vida. Muito obrigado a você ouvinte que chegou até o final desse episódio, que esteve aqui com a gente e nos acompanhou nesse papo. Semana que vem nós estamos de volta. Forte abraço.
A luz é brilhante, a luz é brilhante.
Transcrição e Legendas por Quintena Coelho
Música
Transcrição e Legendas por Quintena Coelho
E aí
Amém.