Episódio 308 - To The Faithful Departed, dos Cranberries, 30 anos
O terceiro álbum da banda The Cranberries é, para nós, uma obra subestimada. Mais complexo e diverso musicalmente, com peso, melancolia e beleza, To The Faithful Departed merece ser celebrado como o melhor disco da banda, na nossa opinião.
Chegando aos 30 anos, o álbum é o assunto do nosso episódio de hoje.
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- Análise do álbum To The Faithful DepartedContexto do lançamento e recepção do álbum · Comparação com os álbuns anteriores da banda · Análise lírica e temática do álbum · Produção musical e arranjos · Desempenho comercial e críticas · Impacto da fama e saúde mental de Dolores O'Riordan
- Análise faixa a faixa de To The Faithful DepartedHollywood · Salvation · When You Are Gone · Free to Decide · War Child · Forever Yellow Skies · The Rebels · I Just Shot John Lennon · Electric Blue · I'm Still Remembering · Will You Remember? · Joe · Bosnia
- A imagem dos espinhos e do tormentoVoz e estilo vocal único · Traumas de infância e vida pessoal · Pressão da fama e saúde mental · Influência religiosa e familiar
- A carreira e o legado dos CranberriesSucesso inicial e ascensão da banda · Diferença entre dor e desconforto · Vendas e posição nas paradas musicais · Comparação com outras bandas irlandesas
- A produção de Bruce FairbairnEstilo de produção e Midas Pop · Trabalho com Aerosmith e Bon Jovi · Contribuição para o som do álbum
- A importância da bateria de Fergal LawlerDestaque nas faixas aceleradas · Simplicidade e feeling nas baladas
- A orquestração de Michael KamenContribuição para a complexidade do álbum · Trabalho em War Child
- A influência da música irlandesa e celtaTradição musical da Irlanda · Comparação com Enya e U2
- Justificativas da GuerraWar Child e a inocência perdida · Referência à Guerra da Bósnia · Crítica ao orgulho político
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Olá a todas e todos, meu nome é Felipe, aqui comigo estão meus camaradas Rodrigo e Christian e você está no Prisioneiros do Rock. Obrigado pela sua companhia. Hoje, você já sabe, nosso papo será sobre To The Faithful Departed, da banda Cranberries, que está completando 30 anos.
E essa é uma pauta sugerida pelo nosso amigo Rodrigo. É isso aí. A parte do nosso trio aqui, que é punk coração peludo, também gosta de uma bandinha pop e açucarada. Ou será que essa banda não é tão pop e tão açucarada assim, Rodrigo Melão? Bom dia, boa tarde, boa noite. Nos conte por que você sugeriu esse disco do Kramerys para a nossa pauta.
Bom dia, boa tarde, boa noite, Felipe, Christian e ouvintes. É curioso, como que eu conheci o Cranberries, né? Aliás, Cranberries, né? Não é Cranberries, né? É Cranberries. Pode falar Cranberries se você tá no nosso clube e não seja pernóstico, né, cara?
Isso. Eu conheci o Cranberries quando eu tava no primeiro ano do colégio técnico. Eu estudava com um cara que o nome dele era Marcelo e o apelido dele era Heavy. Todo mundo já teve um amigo metaleiro, né? Aquele metaleiro fedido, com a calça, com o cinto de bala, né? Com o turno velho, assim. Camiseta do Iron Medi toda furada. Todo mundo já teve um amigo assim, já conheceu alguém assim.
E era o Heavy, o meu camarada de colégio. E um dia, esse cara me trazia as mais perversas atrocidades do metal pra eu ouvir. E um dia esse cara falou assim, cara, escuta isso aqui.
E ele trouxe o No Need To Arg, que é o disco exatamente anterior a esse To The Faithful Departed, de 94. É o disco que tem zombie, que acho que é o grande, talvez o grande hit da banda. E ele falava assim, tem peso e tem muita melodia. E a gente se encantava com o jeito que ela cantava naquele disco. Ali eu conheci a banda e fiquei fã.
E é lógico que depois eu fui ligar a banda a um outro hit do primeiro disco, que era o Linger, né? Uma música muito bonitinha. Tinha uma outra música chamada Dreams também, que era muito bonitinha, né? Mas tanto o primeiro disco quanto o segundo eram...
Dois discos que orbitavam ali uma coisa extremamente pop, açucarada, romântica, e às vezes até flertava com o Dream Pop, por conta do jeito que a Dolores canta e tal. E quando sai esse disco, em 1996, e aí a gente pode colocar na conta aqui que, em 96, a vela do Grundy já estava acesa, né? Alguns caixões aí fechados já. E a banda vem com um disco...
soturno, um disco cheio de peso e cheio de obituários até, pode-se dizer, e cheio de raiva, e cheio de ironia. Era um disco muito diferente dos outros dois, apesar de você saber que era um disco da mesma banda. Eu gosto muito desse disco, Felipe, porque ele tem uma urgência.
um barulho que ronda o sombrio, mas o sombrio de tristeza e de acontecimentos ruins. E a banda trabalha com isso sabendo trabalhar isso. A gente vai falar, lógico, mais pra frente, tem músicas aqui de temas pesados que a música é super feliz, bem agridoce.
E tem esse espetáculo, eu não sei nem como que a gente descreve o trabalho que a Dolores O'Riordan faz nesse disco aqui, porque ela é uma cantora sui generis, ela tem uma coisa meio yodel na voz, ela tem uma...
melisma ali na voz dela que eu acho que é inimitável, cara. Só que aqui você percebe raiva junto com algumas melodias que ela solta, cara. E eu acho isso sensacional, cara. Eu acho que é um disco com alguns detalhes ali no meio das canções que vão ganhando corações mais peludos como o meu. Seu coração é peludo o suficiente pra entender essa minha crítica ou, Christian Fetter, bom dia, boa tarde, boa noite?
Que pergunta maravilhosa Cara, é, o coração é peludo Mas ele tem seus Espaços Depenados, né E aí é onde entram esses Esses grupos e bandas, né Eu sempre tive um lado, assim Da minha atenção Pra música irlandesa, né, pra essa música
meio celta, meio Irlanda, meio, né? Desde lá, daquelas bandas final dos anos 60, Fairport Convention, Stila Span e outras semelhantes, né? Lembro quando, anos antes, surgiu a China do Corner, talvez uns 10, 15 anos antes. Chamou muita atenção também essa voz, esse jeito de cantar, né?
E eu acho que a Dolores, ela vem nessa tradição, né? Daquele pedacinho ali do Reino Unido, de onde saem tantas coisas boas, né? Tantos artistas interessantes e tal. E eu me lembro de acompanhar...
O surgimento dos Crumbberries, né? Que a gente estava falando errado até anteontem. Mas eu lembro quando estourou Linger, né? Que foi uma música que fez muitos... Cara, na hora que você ligava MTV, a qualquer hora do dia ou da noite, em 10 minutos ia passar o bonito vídeo de Linger e essa moça, né? Essa pequenininha, né? Com a voz tão podão que saía tanta voz, né? Uma moça pequenininha, magrinha.
né, mas assim, muito interessante eu lembro de tirar a Linger no violão na época, coisa de tocar violão, né em rodinhas de violão, cara, e Zombie que tinha aquela coisa pesada né, meio grunge aí, como o Rodrigo falou, né, aqui também esse disco estourou alguns, né
singles e você tinha vídeo também e tal, e de repente a banda deu aquela sumida reapareceu com os discos com as capas meio prog, e depois sumiu e tal saiu do radar assim, sabe? Então essa pauta é demais, cara, porque ela me deu oportunidade de dar uma repassada, de pegar um disco e escutar ele de ponta a ponta, como se eu não tinha feito com os outros, né? Sobretudo depois do triste fim aí da Dolores, que faleceu tão cedo, né? Alguns anos atrás foi uma experiência muito interessante, cara, uma banda
Ela conseguiu ali num momento em que tudo estava estourando, tudo estava tocando, em que a MTV nos enchia de vídeos de toda sorte, artista de todas as gerações. Acho que eles conseguiram achar um caminho ali, com essa sonoridade, que não é original. Nunca ninguém tinha escutado uma cantora cantar desse jeito, não. Há toda uma tradição. Mas é uma capacidade incrível de imprimir essa personalidade. Canções...
realmente pegajosas, realmente marcantes, com uma cantora realmente de voz única, e que eu acho que nesse disco aqui abriram caminhos para a produção esmerada, arranjos orquestrais. Eu achei até que o Felipe ia fazer essa pergunta logo no começo, se a gente achava que era o melhor disco. Do que eu escutei, esse me pareceu mais completo, um disco mais completo da banda.
melhor, difícil, né? O disco anterior tem muita coisa boa também, mas ele é o mais completo e que ficou super bem posicionado, e como a gente vai ver depois também em paradas, né? Eu também conheci o Scramblers pelo vídeo de Linger na MTV, a trajetória é por aí, né? Depois Dreams, Out of My Family, só que eu acabei comprando os CDs, em algum momento comprei esses três primeiros de uma vez só, alguma promoção maluca assim, acabei comprando os três.
E esse terceiro álbum, eu concordo com você, ele é mais ambicioso, eu diria. Ele é mais sombrio, como o Rodrigo apontou também. E, de certa forma, ele é desigual porque ele fez menos sucesso que os dois primeiros, bem menos sucesso que o anterior.
e a crítica até aponta que ele seria o pior desse trio inicial aqui. Depois a banda tem um hiato e vai voltar um pouco diferente, apesar de não ter algumas ótimas canções aí na discografia, mas esse trio inicial realmente é a parte mais importante.
A crítica costuma apontar como o pior dos três, dizendo que ele é muito desigual, que ele tem alguns problemas nas letras, mas eu acho que a gente tem que lembrar que é uma banda liderada por uma mulher, que fez um sucesso muito rápido, e essas duas coisas têm um peso muito forte, porque nesse mundo patriarcal que a gente vive, uma mulher que faz sucesso com 20 e poucos anos como ela tinha aqui...
vai sofrer todas as agruras que a fama já traz de uma maneira ainda mais incisiva. E eu acho que ela estava sentindo todo esse peso. Toda aquela questão da expectativa do sucesso, a cobrança, a imprensa. Lembrar que em meados dos anos 90 a gente ainda não tinha internet, mas era o auge dos paparazzi, então as pessoas ficavam...
de tocar e ir atrás dos artistas, dos famosos de qualquer área, para conseguir alguma imagem, para poder criar alguma fofoca, divulgar alguma coisa que vendesse. E a Dolores era uma pessoa já com uma personalidade complicada, já tinha passado por traumas de infância pesadíssimos, teve uma vida mais complicada mesmo, uma vida mais difícil. E com todo esse sucesso que a banda teve muito rapidamente, ela chega nesse terceiro dia aqui num momento de fragilidade pessoal.
E a própria banda também sofreu, né? Todo mundo ali de repente explode assim. É sempre uma coisa que traz mais mal do que bem, né? Porque a gente já comentou isso aqui. Sucesso e grana todo mundo acha legal. Mas a fama não é só isso, né? Você perde a sua privacidade, você passa a...
a ter uma cobrança de gravadora, a ter cobrança de si mesmo para conseguir manter aquele sucesso. Você perde o controle sobre a sua vida, você está ali com milhões de pessoas te olhando, te observando, querendo saber de você, querendo tocar você. E muitas vezes você está solitário, também é um velho clichê da fama. Então, esse disco eu acho que reflete um pouco isso em vários momentos.
As letras são diretas quando eles estão falando sobre essa dor pessoal, sobre o que eles estão passando. E até alguns temas são escolhidos muitas vezes para refletir a própria identidade deles sendo perdida no meio dessa confusão toda. Eu acho que quando eles falam de um grande popstar que tinha morrido, eles estão exatamente falando como é que a fama é uma coisa perigosa.
Não é apenas lembrando de um fato que tinha acontecido na época, há 16 anos, mas eles também estão fazendo um paralelo com eles mesmos ali. A própria Dolores está podendo falar, olha como é que é essa vida de alguém famoso, de um popstar. Então é medo, é vulnerabilidade que está sendo colocada ali.
Então eu gosto muito de como a banda fica mais pesada musicalmente, coisa que tinha acontecido muito rapidamente anteriormente. Você vai ter zombie, claro, mas aqui você vai ter uma coisa mais acelerada e com peso e é muito legal. Eu gosto bastante dessa parte e talvez o sucesso menor desse disco se reflita pela ausência de uma grande balada de sucesso.
Como foi Linger, como foi Dreams, como foi Add to my Family. As baladas aqui são boas, mas não tem nenhuma tão boa quanto. Por outro lado, eu acho que as músicas rápidas são maravilhosas. Eu até prefiro essas músicas aceleradas e pesadas desse disco do que a própria Zombie, por exemplo.
Talvez até porque eu já tenho enjoado dela. Então, eu diria que esse é o melhor disco da banda por conta disso. Porque ele traz mais inovação, ele é ambicioso nesse sentido de trazer uma coisa um pouco diferente que a banda está fazendo até então. E eu acho que, no final das contas, ele inteiro tem boas canções. Eu acho que não tem nenhuma música aqui que me desagrada. Apesar dele ter momentos que quase entra na sopinha de hospital. Né, Rodrigo?
Me agrada também o peso que eles encontram aqui. O peso que a gente está falando, pelo menos eu imagino que seja, Felipe, a isso que você se refere, não é peso de guitarra, não é guitarra nirvânica, não é isso. É um peso que eles extraem de onde você não espera. Eu vou dar exemplos aqui. Eu acho que tem hora que o Crumbres vira uma banda de Angle Pop aqui nesse disco. E você não espera isso deles. Tem hora que você fala...
Isso aqui, eles estão emulando o The Edge, nos melhores tempos. Nessa daqui, eles estão emulando os Smiths. Opa, nessa daqui, eles claramente querem soar como o R&M. Pra gente que gosta de todas essas bandas que eu citei, é interessante você ver uma banda que você também gosta por outros motivos se arriscando em sonoridades que você não esperava. E que eles se saem muito bem, por sinal.
Quanto às baladas, o último check que eu dei aqui, ô Felipe, eu acho que Linger é uma balada romântica que eles jamais conseguirão superar. Mas conseguiriam, né? Não vão conseguir mais porque a banda não existe. Que é uma música belíssima, uma pepita, uma perfeição aquela música. Mas aqui tem uma...
baladinha, uma valsinha, que é uma coisa maravilhosa. E eu acho que todos esses aspectos que eu falei aí, de resgate de um Django Pop quando o Django Pop não era mais praticado, ou emular alguma coisa de Smiths, ou fazer acenos pro YouTube, eu acho que tudo isso tem relação com a produção do disco. O produtor aqui...
Acho que a gente pode até começar a falar da produção aqui. Eu já ia puxar ele, né? Eu ia falar que isso tudo que você está falando tem nome e sobrenome, né? Tem um DNA aí, né? É o Bruce Fairburn, né? Christian, você quer falar dele aí? Não, não, não, pode seguir. Eu só queria falar que eu estava exatamente na mesma página aqui contigo. É, que é um cara...
que ele tem essa... é um Midas Pop, né? Onde ele põe a mão, ele extrai coisas palatáveis. Talvez, pra citar um dos trabalhos que ele fez aqui, talvez o mais famoso seja com o Aerosmith, né? Que ele fez o Pump e o Get a Grip, os discos que trouxeram de volta o Aerosmith pro cenário, né? E o Permanent Fication também. Verdade, verdade.
Verdade, o anterior ao Pump ainda, né? Então ele fez o Permanent Vacation, Pump e Get a Grip. Simplesmente. Por isso que esse disco tem essa qualidade, ele consegue manter a...
os temas sombrios e a aspereza que a banda tinha em outros momentos, mas dá aquela encerada, aquela engomada pra mostrar isso pra um público maior. O disco não é a maior vendagem da banda. Isso ficou pro segundo disco, No Need to Arg, que é o disco que mais vendeu deles.
Mas esse é o disco que tem a melhor colocação nos Estados Unidos, né? Chega no top 4 da Billboard, né? De vendagens lá, né? E acho que isso é significante, né? Pra uma banda considerada de rock alternativo naquele 1996.
Bruce Fairbairn é um dos grandes produtores do período, década de 80, 90. Você pega a ficha Corrida do Cara, o currículo látis dele, exatamente sim, trabalhando com bandas que são bandas de rock, mas não são bandas tão pesadas. Então você vê o currículo do Cara em si, DC, Aerosmith, Poison.
Blue Oyster Cult, você não vê ele trabalhando com banda de metal satânico, né? Você vê ele trabalhando exatamente com essas bandas em que é possível você ter um pouco de peso, mas ter também metais, bandas que aceitam essas inserções, né? Que fazem com que a gente tenha um hard rock, mas com um acento, às vezes meio pop, né? O Bon Jovi, ele é o produtor do Slipper e o Enuette.
É só um cara que morreu muito cedo, né? Esse disco de 96, o Fairbairn morreu em 99, quando estava produzindo um disco, ele não chegou aos 50 anos, cara. Ele estava produzindo um disco do Yes, um bom disco The Ladder que eu tenho, inclusive quem encontrou ele dormindo, falecido já em casa, foi o John Anderson, cara.
Eu acho que ele faz um belo trabalho aqui, é um cara premiado, um cara laureado. E ele, inclusive, toca em algumas faixas, porque ele é um competente trompetista. E tem o Michael Kamen também, né, o Christian? O Michael Kamen fazendo orquestração, cara. É, que ele é outro Midas também, onde ele põe a mãozinha dele e ele acerta.
Sei lá quantos Grammys, sei lá quantas indicações A Oscar, daqueles caras fantásticos Então isso eu acho que faz desse disco Um disco mais trabalhado Mais complexo, mais completo E aí na minha opinião hoje, desses três O melhor Felipe, você é um grande fã de Bruce Fairbairn O que você acha aí das produções Bon Jovi Não vou nem comentar o currículo dele aqui Vocês já falaram e obviamente 90% do que ele fez aqui não me interessa E aí
Mas eu queria falar do trabalho dele nesse disco, dar destaque para a bateria. Eu acho que a bateria do Fergal Lawler é um ponto altíssimo nesse álbum. Perfeito. Nas faixas mais aceleradas, que tem muita bateria, muita percussão em destaque, e ainda assim ele não está escondendo o restante dos instrumentos. Então você consegue ainda escutar, tem as músicas que tem metais, Salvation que tem metais.
Você vai estar escutando junto ali e tem duas faixas com a bateria muito alta, muito destacada, muito poderosa mesmo, e ainda a cena não está encobrindo nada. Então, o trabalho da produção aqui merece todo o louvor dele e do Michael Plontikoff, que eu acho que fala assim o nome do sujeito. É o engenheiro de som. E é o engenheiro responsável pela mesa de som. Eu acho que ficou maravilhoso nesse sentido.
Tem hora, né, Felipe, que a bateria é tão grandiosa, assim, que é aquele som de caixa do Phil Collins, né? Você escuta aquele...
É uma coisa que ressoa por todo o ambiente. Está reverberando até agora. Mas é bem coisa da época, esse som grandioso. Eu acho que até o Fairbairn aqui, ele não é um cara que exagera. Ele não é conhecido como um cara que põe tudo lá para cima. Eu acho que toda vez que a gente fala de bateria do Phil Collins, a gente está falando bem. Tem gente que acha que a gente está falando... Não tem ironia nenhuma. Eu adoro tu, tu, tu. Eu adoro essas coisas.
Tem um destaque que eu dou aqui também O Felipe, que é pro Mike Hogan Que é o baixista Salvation, a linha de baixo do Salvation é sensacional E é um paixão estourado Aquilo é punk rock
Aquele baixão de Salvation é demais. E você vê eles tocando ao vivo, hein, Rodrigo? A alegria que eles tocam essa música é tocante, né, cara? A banda adora Salvation, né? Eu não tive a oportunidade de ver essa banda ao vivo, só em DVD, né? Em YouTube e tal. Eu tenho a impressão que era uma banda que funcionava melhor ao vivo. Eu tenho essa... Chousaço, chousaço.
Você viu, né, Felipe? Você teve oportunidade, né? E a Dolores cantando perfeitamente, cara. Incrível, né, cara? Afinadíssima, né? Playback, cara.
E estudando aqui pro podcast, eu descobri que ela aprendeu a cantar igreja, né? A mãe dela cantava em igreja também, a mãe dela tinha o mesmo tom de voz dela. A mãe dela seguiu cantando em igreja, mesmo depois do sucesso da filha e tal. Eu ouvi num podcast em inglês que eu tava ouvindo pra gente, estudando pro episódio, o cara falando que ele foi visitar a Irlanda e ele entrou numa igreja, tinha uma senhora cantando e ele falou, pô, cara...
Nossa, que legal. Parece a voz da Dolores e tal. E depois no final do culto, da missa, não sei, ela se apresentou. Missa, tudo católico. Tudo católico mesmo. Católico e irlandês, né, cara? É, que é católico e sai de lá e vai pro bar tomar um whisky. É.
Ela se apresentou dizendo que era a mãe da Dolores. Legal, né? Sensacional. Só me chama a atenção a questão da montagem, né? Rapidamente falando sobre isso, que você tem alguns problemas. O disco, para mim, ele tem dois momentos. Ele é quase um lado a lado bem, na verdade. Chega um momento em que você consegue fazer uma divisão em que ele muda um pouco a vibe, muda um pouco. Mas os quatro singles são as quatro primeiras músicas. Isso é curioso, né?
aquela montagem, a gente já falou sobre isso, o Felipe falou eu acho, no outro programa, né? Um disco com 13, 14, 15 baixas você pegar logo os hits e botar no começo e pegar o ouvinte logo de cara, né? Eu não sei se eu faria dessa forma hoje, né, cara? Mas em 96 eu entendo perfeitamente mas assim, eu vejo ele mudar a vibe, assim, num certo momento ele muda a vibe, assim, e não volta mais, assim, a vibe anterior, né?
Tem uma coisa também que acontece nesse disco que acho que explica um pouco essa mudança de vibe, que são as perdas que a banda teve, os amigos que eles perderam durante o processo de construção desse disco aqui. To the faithful departed.
aos crentes, aos fiéis que se foram, já é um título de homenagem, né? E aqui a Dolores tinha perdido o avô, que era o avô que criou ela. Tem uma música chamada Cordell, que saiu nas versões estendidas do disco aí, qualquer streaming você encontra. É dedicada pro Danny Cordell, que foi um cara que descobriu a banda e levou eles pra assinar com a Island Records lá na Irlanda, né? O Joe era o o...
O avô, tem uma música pra ele também. E esses acenos pra tristeza da guerra da Bose que tava acontecendo naquele momento. Então são faixas mais introspectivas, são faixas que diminuem a marcha mesmo ali. Se você tava em quarta, quinta, você vai botar uma segundinha ali e dar aquela travada na roda.
É um bipolarismo por disco, o Christian, que às vezes, porque você resolve fazer uma montagem mais eficiente, né? Mas eu não acho ruim, não. Eu acho interessante. Poderia dar errado, mas eu não acho que dá errado, não. Acho interessante eles conquistarem logo a plateia, o público de cara, e depois irem fazendo ali variações, transformações. Eu não vejo um problema, não.
Eu acho que é um problema. Eu acho que é um defeito do disco. Ele poderia alternar essas faixas mais lentas que ficam na segunda metade com esse começo aqui. É típico dos anos 90, essa montagem com aquelas que a gravadora espera que vão ser os hits aparecendo logo no começo, porque não tinha que virar disco, então é melhor colocar tudo aqui para a pessoa não parar de ouvir.
Mas nesse caso, essas duas metades, como você falou, ficaram meio marcadas. É um lado A, lado B típico, um lado A da banda mais acelerada, nem sempre. E um lado B onde já não vai ter peso. Então eu acho que...
Pra mim, na época que eu escutava, eu cansava a partir de certo momento, e muitas vezes já não chegava até o final. Agora, escutando, eu tive que me forçar a insistir ao escutar essas músicas pra poder realmente fazer uma audição mais aprofundada pra gente estar comentando aqui. E no final das contas, beleza, acabei que faixas que inicialmente eu tava meio reticente cresceram pra mim.
E essa capa das três aí, que até então feia, eu acho legal, cara. Eu acho feia. Eu gosto da combinação de cores. Eu acho essa cor horrível ser amarelo. A versão que saiu em 2023 tem uma outra capa e ficou legal. Tem uma moldura, né? Onde eles estão virou um casebrezinho bem no fundinho, assim, e eles estão numa floresta com um gelo derretendo, assim. Ficou bom.
Eles fizeram até uma animação Inteligência Artificial, evidentemente No streaming da Apple Que você vê Essa floresta se mexendo Chovendo Bem bonito mesmo Mas eu gosto da capa, cara Eu acho, inclusive, as três capas Desses três primeiros discos Muito bonitas Felipe, eu não sei se você Você falou que comprou esses CDs Nos anos 90 Não sei se você
Essa imagem que está da casinha, no meio da floresta e tal, eu acho que isso está no encarte. Quando você abre o encarte do CD, você forma exatamente essa imagem que virou a capa das reedições.
Sim, eu acho que essa imagem é legal, mas essa capa, eu não gosto nenhuma das três capas, acho que as duas primeiras passaram ok, assim, manda na capa, né, sem graça, e essa eu acho que a combinação de cores aqui é muito feia, cara, esse azul com esse amarelo aqui, eu não gosto não. O que eu não gosto é da roupa da Dolores, ela parece o Alex Kidd, né, dos joguinhos da Sega ali, né, cara.
A gente vai partir para o nosso já tradicional quadro Faixa a Faixa. A gente vai dissecar aqui esse terceiro álbum do Cranberries, que abre com a irmãzinha mais nova de Zombie, que é a Hollywood. Eu gosto de Hollywood porque eu gosto de Zombie. Se você gosta de Zombie, você certamente vai gostar de Hollywood.
Se você está enjoado de zombie, você provavelmente vai ficar meio em é com Hollywood, porque é exatamente a mesma estrutura. É a mesma forma, a mesma... Talvez até o mesmo tempo de faixa. Hollywood é uma faixa mais longa.
E isso, eu tenho absoluta certeza que foi uma determinação do Fairburn. E fala assim, gente, você já tem um sucesso, você já tem uma identidade, você já tem uma coisa que direciona pra vocês, é pesada, é roqueira, pra gente já direcionar esse disco aqui, então vamos usar essa formuleta aqui. Eu gosto, mas tem uma coisa em Hollywood que me incomoda.
que é ela cantar um... Cara, isso vai irritando, cara. Ela já vinha de um melismo ali anterior e parte pra outro, que é desnecessário. Eu acho que aumenta demais o tempo da música.
e torna ela cansativa, e ela não merecia ser cansativa, porque é uma faixa até forte, como o Felipe citou mais cedo, de uma banda que estava sentindo o peso da fama, como tantos outros, quando percebe que fama não é apenas acessos e dinheiro, é também um custo de saúde mental, a banda estava passando exatamente por isso, e essa música reflete isso.
Eu só acho que ela merecia ser um pouquinho menor, pra não ficar tão parecida com o Zombie, mas a música, assim, de 0 a 10, ela pra mim ganha um... tá ali entre 7,5 e 8. Pra você, Felipe. Ah, eu gosto muito. Eu acho uma abertura perfeita pra esse disco, porque ele já vai dar esse aviso de que a banda vai mudar, vai ter um som mais pesado, então já começa com essa porrada. A letra é isso que você falou, né? Sobre sedução, superficialidade.
O Hollywood aqui não é a fama, não é o cinema, é o lado ruim, né? Isso não é Hollywood, né? Que eu imaginava. Então já é uma declaração contundente aqui do que vai ser um tema também que vai se repetir ao longo do álbum.
Novamente destaque para a bateria que eu tinha falado anteriormente e que aparece de forma incrível nos refrões quando ela fala get away, depois repete só o away com a bateria marcando junto, e ela fazendo aquele canto celta ou delay celta junto e vai para aquelas vocalizações que eu gosto pra caramba, não tem nenhum problema.
com o que ela vai fazendo aqui, esticando, zo-o-o, eu acho uma puta de uma faixa, cara. Maravilhosa essa abertura. Curto muito, o disco começa lá em cima e vai seguir na porradaria depois. E você, Christian?
Vou concordar com várias coisas que vocês falaram, Carlos, porque realmente ela abre o disco com um peso que não existe nas aberturas dos discos anteriores. Os discos anteriores, embora o segundo disco tenha Zombies, Zombies não é a primeira faixa. Então eles dão esse pé na porta, que é muito legal, numa letra que fala sobre isso que vocês falaram, essa desilusão, essa ideia de estar chegando ali em alguma coisa, sei lá, uma terra prometida e encontrar uma coisa...
suja, né, e potencialmente ruim. As guitarras estão ótimas, né, cara? O som das guitarras é muito legal, e aí tem a, claro, a banda, a habilidade dos músicos, também produção, engenharia de som. A Dolores, como sempre, né, está cantando lindamente, e eu também notei essas afetações, que ela faz em zombie também, né? Acho que até mais em zombie, acho que zombie é mais repetitivo, né? Aqui está mais engendrado ali no meio do instrumental, né?
Então ela chega no limite ali de dizer, tá, tá bom, Dolores, já entendi e tal, mas a música já tá tão avançada, já tá tão no final, que quando ela começa a afetar muito, assim, o vocal, e realmente ela faz isso, você já tá conquistado, cantando junto, eu não acho que ela incomode, não, assim, tamanho não incomoda pra mim também, acho que é um refrão fortíssimo, né?
E essa coisa do cartão de visitas, né? Olha, aqui a gente vai pesar um pouco mais a mão e depois a gente conversa, né? Então você tem uma faixa de abertura muito, muito bem colocada. Eu não pensaria jamais em outra faixa de abertura nesse disco que não fosse Hollywood. E o drive dela no Anybody There, né?
Demais, né? Cara, Dolores O'Riordan ela tem uma versatilidade, né? Infelizmente, uma versatilidade assim, cara, incrível, cara. De novo, da onde saía tanta coisa, uma coisinha daquele tamaninho impressionante, assim, cara. Ela faz o que ela quer nesse disco, né? Os graves são muito bons, os agudos são muito bons, a respiração, né, cara? O segredo do estudo se chama respiração.
Transcrição e Legendas por Quintena Coelho
E aí, cara, vou já, assim, espero não queimar a largada, mas a segunda faixa que se chama Salvation, pra mim, é a melhor faixa do disco, cara. Eu absolutamente adorava Salvation quando saiu, adorava a versão ao vivo que passava também em programas de videoclipe, fui escutar agora de novo, né, pra nossa gravação e, cara...
Carro pulando no meio da rua, velhinhas correndo alto risco de atropelamento. E realmente, Salvation é empolgante demais, cara. Uma das melhores, talvez, da carreira da banda, se não for a melhor. Rapidinha, quase punk, né? E esses metais, cara. Pô, quando entra o refrão, o Fairbairn faz um pom-pom.
Ele faz uma linha de trompete que é muito bonita. E quando entram os metais também é muito surpreendente, né, cara? Porque ninguém espera que na faixa da banda entre. Parece o trio do Paralamas lá de metais atacando. Parará, parará, parará, parará.
E a letra tem uma... Fiquei com dificuldade, uma coisa meio irônica, parece um libelo antidrogas, mas também pode ser uma coisa de ironia, de uma redenção religiosa, mas vista sob um ponto de vista meio irônico. Aqui eu fiquei na dúvida sobre o que eles quiseram dizer. A gente sai de uma faixa 9.8, que é a Hollywood, e chega numa faixa nota 10, que é a maravilhosa Salvation. Rodrigo Melão.
Eu não acho que tenha um recado torto, não, cara. Acho que o papo aqui é reto. Pra mim, Salveixo é uma música antidrogas, assim. Eu não percebo ironia no que ela canta, né? O videoclipe também tem os pais sofrendo com uma pessoa na cama e tal. Ah, eu não vi. Não vi o clipe. E a música fala, né? Os jovens com um olhar de heroína, né? Com Harry e Nais, né?
Não façam isso, né? A segunda estrofe é falar pros pais que perdem as noites acordado. Por favor, amarre os seus filhos. Prenda os seus filhos. Limpe a mente deles, né? Deixa eles se passarem pra um processo de reabilitação. Eu acho que é uma canção urgente aí. O que eu não entendo, e deve haver uma motivação muito pessoal pra banda, o porquê.
Lá pra frente, a gente vai ter uma canção que cita outros artistas aí, dentre eles, outras personalidades, né? E dentre as personalidades, o Kurt Cobain. Então, eu não sei se isso é uma reflexão por conta da morte do Kurt Cobain, entendeu?
Eu acho que é. Eu gosto de pensar que é. É uma grande faixa, uma linha de baixo absurda de boa. Música curtinha, tem jeitão de punk rock mesmo. Mas assim, pra mim Salvation não é a melhor do disco pra mim. É uma baita faixa, cara. Uma baita faixa. Musicaço mesmo, cara. E eu concordo com vocês dois quando falam que o disco não pode abrir de outra maneira se não com Hollywood. Mas que impacto que dá essa Salvation na sequência, né? Música
Puta que pariu, que faixa boa, né Felipe? Ótima faixa, ótima faixa. Foi o primeiro single, é a música mais curta do disco. Essa abordagem direta que você falou, Rodrigo, nada metafórica sobre o uso de drogas. Dá até pra você achar que a letra é simples demais, né? De tão direta que ela é. Mas eu acho que o instrumental mostra que a intenção era realmente ser uma coisa mais urgente ali.
ser algo que estava dando um recado na cara mesmo. Tinha que ser com essa coisa punk, rapidinha, acelerada, e falando frontalmente, sem nenhuma metáfora complexa, o que eles estavam querendo passar o recado. Eu li que talvez fosse por conta da cidade deles, Limeleck, se não me engano que é o nome da cidade de origem deles na Irlanda, que estava com muitos problemas com drogas, ou passou por problemas com drogas quando eles eram mais jovens, que teria motivado essa música.
De qualquer maneira, apesar do recado de certa forma simplista numa eleitora rápida, a energia que está colocada junto aqui deixa a música absolutamente genial. Esse primeiro single tão punk realmente deve ter assustado o público na época ali. Eu não lembro de ter escutado essa música primeiro desse álbum, não chegou aqui nessa ordem que eu me lembre.
Mas a partir do momento que você coloca o álbum e ela vem na sequência, realmente fica perfeito aqui, logo depois de Hollywood. Eu também, não é a minha preferida do disco, mas eu adoro. É a segunda música mais ouvida desse álbum. Sinal de que realmente a galera gostou da banda nessa versão punk rock aqui.
E dela nós vamos para a música mais ouvida do álbum, que é When You Are Gone. E aí o grupo volta para uma zona de conforto dentro do que se espera dos Cranberries e vai, na verdade, até para os anos 50, 60. É uma baladinha tipicamente daquela época, muito, muito bonita. Uma letra bem emotiva.
que funciona bem demais também, sobre ausência, dor de separação, trabalha bem esse vazio de alguém que se foi, de alguém que não está mais presente, e uma outra Dolores aqui, né, mostrando a delicadeza que a música estava pedindo, até o arranjo poderia puxar para uma coisa mais melodramática, né.
Mas também o arranjo é contido, apesar dessa referência dos anos 60, ele é mais contido e não é tão retrô. Hoje até uma banda faria uma coisa explicitamente retrô, talvez. Nos anos 90 você podia ter um pezinho ali, ter uma música daquela época soando como algo antigo.
E a voz dela faz essa combinação também. Ela é emotiva, em algum momento ela dá uma subidinha, não fica sempre só segurando ali. E acaba que a combinação fica lindíssima. É a música que tem a cara desse disco, por ser a mais tocada, mas acaba que no final das contas ela não reflete toda a energia que esse alba aqui vai ter, né? Principalmente essa primeira metade. Ainda assim, é uma música excelente, eu gosto muito também. Christian Fetter.
Ah, muito bonita, cara. O Energon, que é o primeiro respiro do disco. Bela faixa sobre estar separado de alguém que você ama, que você confia. Dolores está cantando lindamente, as guitarras são ótimas. E aqui eu queria destacar um trabalho simples, mas muito...
perfeito, cara, do baterista, do Fergal Lawler, é um trabalho de bateria simples, simples, cara, não tem nada de exuberante, assim, de dificílimo mas assim, é um feeling, né, cara que cai muito bem nessa faixa, né mais uma faixa nota 10, cara assim, essas primeiras são incríveis mesmo, assim não tem muito o que falar, não. Rodrigo
É assim, né? Eu espero que a gente tenha ouvintes de 15 anos, né? Que vão fazer festa de debutante. Tira aquela valsinha tradicional e coloca o Energon, cara, porque é uma valsinha linda, cara, pra você dançar com seu príncipe, cara. É uma música lindíssima. É muito fofinha, cara, muito bonitinha. E é uma canção pop perfeita, cara.
Olha o Brúcifer Burner também invocando os seus os seus demônios aí pra banda, né, cara? É uma música pop perfeita. Com a parte C, a pontezinha pro refrão, um solinho extremamente econômico, solinho meio primavera do Los Hermanos, ô Felipe.
Eu adoro, cara. E a Dolores é show, né? Ela, assim, o que ela faz aqui é inacreditável. Nesse tipo de música, Rodrigo, é sempre perfeito pra ela, né, cara? Ela brilha demais, cara.
Eu acho que o meu coração peludo hoje está penteado, cara. E essa é a minha faixa favorita, cara. É muito bonitinho, cara. É muito bonitinho. E eu fiquei com esse... com essa pontezinha, sabe? And in the day every day is complex, né? Puta, cara. Eu fiquei com isso na cabeça. Martelando, cara. Martelando. E tem as tramas vocais ali que ela faz com ela mesma, né? Que são muito bonitas, né?
É, porque ela dobra a voz dela mesmo, né? Várias mesmo. É lindo demais, cara. Uma musiquinha muito, muito perfeitinha e não espanta ela ser a faixa mais ouvida do álbum. It's not worth anything more than this at all. I leave as I choose or I will not live at all.
Dela, a gente vai pra uma outra faixa que eu gosto muito que é Free to Decide e Free to Decide tem uma coisa que nós três gostamos muito que é o sino de vaca ali logo no começo, né cara?
O Cobel ali, maravilhoso. Tem um alerta de Cobel. Alerta de Cobel. Sempre que tem Cobel a gente gosta, né, cara? Lembrando que a gente tá falando de 1996, de uma banda liderada por uma mulher, como o Felipe bem falou na entrada dele, num universo em que o rock...
Ainda é, em 2026, uma machosfera, mas você imagina em 1996. E é uma música de independência, cara. É uma música que ela finca uma bandeira de independência ali. E aqui é ela lutando com aquilo também que foi citado por nós aqui. Com esse lance dos paparazzi, da imprensa que fica em cima, sabe? É um grito de cansaço. Também de cansaço mental, de...
de independência e cansaço mental. Uma coisa que me chama atenção nessa música, Felipe, que eu vou passar pra você, é que o formato dela, o jeito em que ela é tocada e executada, caberia muito bem a voz do Michael Stipe aqui, e ela poderia entrar em qualquer disco do R.E.M. entre o Green e o Automatic for the People. E a voz do Michael Stipe ia deixá-la bonitinha também. Concorda ou não, Nen?
Concordo, esse começo é muito Ari Emcan. É impressionante. Caberia exatamente nesse período aí que você citou. E eu também tinha pensado nisso quando eu estava escutando agora para o episódio. Gosto muito dela também. Essa coisa mais meio de tempo. Combina com a banda, combina com a Dolores. Gosto dessa letra que está falando aqui de uma forma um pouco menos direta aqui sobre a relação da banda.
com a invasão de privacidade, com a imprensa, né? Eu acho legal que em algum momento ela até fala pô, tem uma guerra acontecendo em Sarajevo e você aqui, né? Tipo, na porta da minha casa querendo tirar uma foto minha enquanto está acontecendo coisa mais importante por aí. Então é uma mensagem que fica mais bem elaborada e mais interessante aqui, nesse sentido.
Belíssima canção, cara. Foi o segundo single, hoje é a terceira mais vira do disco, merecidamente. O disco segue perfeito até aqui, vai continuar mais um pouco em altíssimo nível, mas essas quatro aqui são realmente maravilhosas. Ainda que nenhuma das quatro seja a minha preferida neste momento do álbum. Você gosta dela, Christian? Free to the Side eu lembro que tocou demais aqui, cara. Free to the Side era assim, rádio, MTV.
E o Rodrigo lembrou que tem um cobel no começo, temos um alerta de cobel, e temos um alerta de clave, né, cara? Porque quando volta do refrão, não é mais o cobel, é aquelas clavezinhas, né? Tem um som mais agudo, né? É muito interessante, cara. E alta pra caramba. Dois toquinhos de madeira, assim, né, cara? Exatamente, a famosa clave. E, pô, é muito acima da bateria, né, cara? Quando volta, o cobel tá mais ali tramado, né? A clave é na sua cara, né?
Mas, cara, o refrão maravilhoso, bonito demais de novo vocês destacaram a letra aí, acho que não tem nem o que acrescentar, isso aí mesmo, ela fala umas coisas legais, né, cara, eu vou ver como eu escolhi ou não viverei de maneira nenhuma, do meu jeito ou fora, né, cara, como é que é lá, o ponto da carne ou o ponto do ônibus, como a gente brincou aí. Exatamente. É, pô, retorne, né, pra onde você veio, me deixa em paz, você tá me aborrecendo e você faz isso muito bem, né, essa é uma frase bem legal que ela fala na letra, né.
E tem um final falso, né, cara? Essa música é incrível, né? Ela tem um alerta de final falso que faz tempo que a gente não fala aqui de final falso. Ela termina e tem uma codazinha no final aí muito interessante. Gosto muito dela. Fiquei assim pra votar hoje aqui entre ela e Salvation pra melhor, mas se tem aí um campo da segunda faixa, essa é minha segunda faixa preferida.
Victim of political pride Plantecy, territorial
E aí dela nós vamos para um grande respiro aqui, aí você vai ter uma queda na potência do álbum para War Child, que é bem mais calminha, bem mais delicada, uma letra interessante de compaixão, de falar sobre...
A criança da guerra, que aqui você pode tanto interpretar como uma criança que nasce ali diretamente afetada por algum conflito, ou uma coisa mais simbólica ali, a inocência destruída pela guerra, uma geração marcada por um conflito, né? Você é uma criança da guerra porque você cresceu ali traumatizado por isso, não especificamente viveu exatamente, mas sofreu as consequências depois, né?
A identidade foi moldada por um conflito desses, que é algo que você vai encontrar nas crianças que viveram os conflitos daquele final do bloco soviético, dos anos 90, principalmente na antiga Iugoslávia, que ela faz referência aqui em vários momentos do disco. Vai ter inclusive uma música com o nome da voz no final.
Eu acho bonita, eu gosto muito dela. Dessas baladinhas aqui, ela está bem encaixada. E aí eu reforço aquilo que eu tinha falado antes, que a montagem poderia ser diferente. Porque entre Free to Decide e Forever Yellow Skies, você ter War Child.
É uma ideia muito boa, funciona muito bem, então isso poderia ter acontecido mais vezes, para não deixar a segunda metade tão mais lentinha. Bela faixa, cara. Bela faixa, o disco segue muito bonito.
E, cara, o Filipe falou uma coisa muito legal, cara. Ela faz esse contraponto, né? Porque a fática seguinte é bem diferente, né? Então, ela fica muito bem aí entre os grandes hits do disco, né? E o que a gente pode chamar de meiuca, né? Muito bonito. Assim, a letra... Claro que você tem milhões de formas de você falar da guerra. A banda escolhe uma forma, até certo modo, simples. Não é uma letra, assim, altamente profunda e tal.
mas é uma letra que toca, que faz você pensar a respeito de quem sai, quem, na verdade, sai perdendo quando existe uma guerra. E aqui você tem um, eu acho que é o primeiro momento, talvez em que brilha a orquestração, já que é uma faixa que praticamente não tem banda, é a Eleanor Rigby do disco, você tem a orquestração do grande maestro Michael Kemen, o Kemen, o Kemen.
que é um cara que tem Grammys e Baftas e duas indicações para Oscar e tal. É um cara que já faleceu também, mas que faz um trabalho muito bonito aqui. Então, o Warchild é uma, cara, uma belíssima, belíssima faixa pungente que faz a gente pensar. Só por isso ela já vale aí muito. Nota 10, cara. Nota 10. O que você acha de Warchild, Rodrigo?
Ela tem um caráter até humanitário, né? O Christian, Felipe, uma música tão bonitinha e com o propósito de ser bonitinha e de falar dessas dores da burrice que é uma guerra, né?
Ao mesmo tempo ela tem uma coisa até inocente na letra, como se fosse um protesto juvenil, um protesto que falta uma força argumentativa para ele, mas eu acho que é isso que torna ela bonita, porque torna ela singela, delicada. Eu não falei, mas War Child é a minha pérola escondida aqui. Gosto muito dos versos desse refrão, War Child, Victim of Political Pride.
a vítima do orgulho político. É o que toda guerra faz. A gente está vendo algumas acontecendo e é exatamente isso.
Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest Dest
Dessa beleza delicada de War Child, a gente vai pra Forever Yellow Skies, que, eu não sei pra vocês, meus amigos, pra mim Forever Yellow Skies, ela evoca aí um U2 do Velho Testamento, cara. É o U2 do tempo do War ali, sabe? Do tempo que o Bono marchava no palco, levantava a bandeira.
E eu gosto muito, cara. Gosto porque ela é uma faixa com urgência. Uma faixa cheia de... Uma bateria rápida, sem ser rápido como foi em Salvation. Mas ela tem uma coisa quase marcial. E o jeito que a Dolores está cantando, ela está desesperada, cara.
Ela tá elevando a voz dela ali. Aqui a gente vê bastante esse lance do canto eudel, né, Christian? Imagino que você vai falar algo nessa linha aí. Porque ela alterna muito, cara. Ela modula muito a voz dela, cara. E é muito...
Cara, é muito foda, é muito difícil fazer isso, cara. Quem canta, eu não canto, cara, mas os meus dois amigos aqui cantam. Eu imagino que é muito difícil fazer isso. É difícil, Felipe? Ou é moleza? Você faz isso aí com o pé nas costas? Aparentemente no chuveiro é mais fácil. Só você e o chuveiro. É, só você e seu ego, né, que vai achar que tá fazendo bem.
Forever Yellow Skies é a minha favorita do disco nessa audição. Eu fiquei impactado por essa bateria, por essa condução marcial, como o Rodrigo falou. Tanta energia que tem aqui, o jeito que a Dolores está cantando, a alternância que ela faz de drive para os agudos, para voltar depois, o canto que ela faz nas vocalizações é sempre muito impressionante. Então...
E você vê, você presta atenção no fone de ouvido, você vê as respirações dela, né? Para poder ficar essa coisa tão contínua e tão esticada. Ela não está fazendo isso como um overdub. Então é garganta mesmo, é pulmão e é técnica, cara.
Então é a melhor interpretação vocal do disco, com essa bateria que é tão potente, com a presença das guitarras ali também, em momentos pontuais, marcando muito a canção, ela acabou se tornando a que eu mais gosto desse disco aqui hoje. E você, Christian?
Não, cara, eu acho ela inferior às músicas anteriores, a todas as anteriores. Eu acho que ela é aquela música que fecha o lado B, perdão, fecha o lado A, né? Eu acho que o disco aqui, ele chega no meio, mas assim, veja, eu acho ela só inferior às anteriores, não é uma música ruim de modo nenhum. Ela é rápida, ela é direta. Eu escrevi aqui, as guitarras me lembram um pouco U2. Isso, dois detalhes, sem nem conversar com o Rodrigo a respeito disso.
Ela faz um belo marco divisório, sim, a Dolores está cantando para caramba isso aí. Vocês falaram aí, ó, respiração, garganta, técnica, feeling, diafragma, né? Para fazer esses movimentos todos, assim, realmente é difícil para caramba, sim, cara. Porque fácil você, de repente, conseguir uma vez, né, cara? A forma como ela faz, em que ela oscila muitas vezes, né? É muita coisa, cara. Por isso que eu digo, tem umas perdas aí que são muito desagradáveis, essa é uma perda grande.
Essa é a faixa que eu acho que a pessoa tem que parar o disco. Parar, dar uma respirada, dar uma volta, retorna depois para continuar. Eu acho que a partir daqui o clima dá uma mudada. Embora você ainda tem umas faixas que são semelhantes à dinâmica da primeira metade, mas eu acho que o disco vai entrar em outro caminho aqui. Ô, Christian, para quem...
tem a versão em vinil desse disco, ainda teremos a próxima faixa encerrando o lado A, tá? Pois é. Na minha cabeça aqui, Forever All Skies é uma coisa tão abrupta. É uma ruptura. É uma ruptura, exatamente.
Tchau, tchau.
Mas eu gosto muito de The Rebels, cara, que é a faixa que vem depois. É uma música bem legal, tem um refrão bem cranberries, né? Bem... Não sai da cabeça por alguns dias esse refrão de The Rebel, né? De novo, tem cordas muito interessantes, arranjos vocais muito interessantes. The Rebels é uma música muito legal, muito bacana, que pra mim já começa esse caminho rumo a uma outra vibe. O que você acha, Rodrigo?
Ah, cara, eu gosto muito. Eu gosto muito porque... Você não tem a impressão de que é uma faixa que evoca uma certa melancolia e nostalgia, né? Sem dúvida. Vai acontecer muito agora, né? Isso. Por isso que eu acho que o clima muda, entendeu? Por isso que eu acho que o clima muda.
Eu gosto, porque ela tá falando, né? Simples like yesterday we were 16, né? Ela já tá lembrando dela, adolescente, né? Aqui ela era tão jovem ainda, mas ela lembrando dela com 16 e... Dando detalhes, né? Do que eles bebiam, de como eles se divertiam, né? Ela não podia ter outro clima.
Eu adoro o refrão, quando ela canta It wasn't often that we fight at all, né? Que ela vai, de novo, né? Brincando com a voz ali, né? A palavra often. Ela brinca, né, cara? Ela brinca com a voz, né?
Eu acho uma canção muito bonita por ela evocar essa melancolia de juventude. Você lembrar de você com 15, 16 anos e o quanto era divertido, né? O quanto era legal você ter 15 anos. E quando, na verdade, quando você tinha 15 anos, você lembrava de quando você tinha 8 e brincava de carrinho, sei lá, né? É muito bonitinha, cara. Muito bonitinha. Você gosta dela, Felipe?
Eu gosto dela. Eu não concordo que o disco já mudou de clima antes, eu acho que ele vai mudar depois. Aqui você ainda está nesse ponto de alternância, de músicas mais rápidas com músicas mais lentas dela. Estou contigo, Felipe. Ela é o suspiro depois da porrada que tinha vindo anteriormente, numa música totalmente nostálgica.
Mas com uma certa ironia, eu acho, até do jeito que ela está falando aqui, né? Dela e de uma amiga ou de um amigo, não dá para saber, e também não faz de maior diferença aqui, de falar que a gente não brigava tanto, e a gente usava mesmo o sapato que fosse na neve ou no sol, o que a gente bebia, mas a gente nunca cresce, a gente nunca vai crescer, eu nunca vou melhorar, eu vou ser sempre desse jeito, né?
E se achava muito rebelde por isso, né? Ela não tá fazendo nada demais aqui, mas se achava super rebelde. Então acho que tem essa nostalgia, uma brincadeirinha consigo mesmo ali, que eu acho muito legal. Eu gosto dessa alternância que tem de estrofe e refrão, né? De crescer só no refrão, que ela tá cantando lindamente, como vocês falaram, e de toda a delicadeza.
nas estrofes, principalmente quando ela entra, cara, quando ela entra falava, parece que foi antes que nós tínhamos 16, é tocante, é muito emocionante, eu acho lindíssimo, cara. Ótima canção, eu acho que o disco segue até aqui impecável, na minha opinião.
Transcrição e Legendas por Quintena Coelho
E dela nós vamos para aquela que é a minha pérola escondida, I Just Shot John Lennon. Onde eu acho que aqui ela está fazendo uma descrição aqui, um detalhe sobre o 8 de dezembro de 1980, quando o John Lennon foi assassinado por alguém que se dizia, o fã dele, o Mark Chapman, que se dizia um fã, que tinha pedido autógrafo, eu tinha encontrado com o John Lennon naquela mesma noite anteriormente.
Novamente aqui com uma bateria bem marcada, uma música acelerada e novamente aqui eu acho que a letra tá falando mais do que essa mera descrição né. Não é só essa coisa incômoda e tão detalhista que tá usando aqui. Ele tá usando a morte do John Lennon como...
o eixo do que o disco está sempre se referindo, dessa pessoa que, por causa da fama, se torna exposta, vulnerável e sujeita a sofrer uma violência, pagando um preço absurdo apenas por ser uma personalidade pública. Então, essa simplicidade da descrição tão detalhada de algo que todo mundo conhece, do fim bruto de uma vida de um ícone...
na verdade é uma metáfora talvez pra ela mesma, né? Pra uma pessoa que tava sofrendo e tava amedrontada pelo que ela passava como personalidade pública. Então é uma coisa meio seca, meio dura até, que se reflete até no jeito que ela termina, né? E termina com os tiros. Então mais uma vez, assim como acontece com Salvation, a vontade de dar um recado direto aqui, na verdade tá querendo que você entenda.
Toda essa dureza que ela está querendo transmitir. Christian. Vamos lá, cara. A Just Shot John Lennon é a salvation do lado B, em termos estéticos. Ela é pesada, ela é rápida, ela conta essa história horrorosa do 8 de dezembro de 1980, o assassinato do John Lennon. Eu acho que a letra...
Não dizer tanta coisa é legal também, ela entrega mais do que ela fala, ela faz a gente pensar nessa coisa desse culto, de como isso passou a ser uma preocupação a partir daí, mas como até então não se tinha muito nessa... O assassinato da Sharon Tate já era uma coisa tão distante, enfim, é um desses momentos horrorosos da...
da vida, da música, do mundo, né? O assassinato do John Lennon. Agora, eu acho que esse som de tiro no final... O final abrupto tudo bem, tá? Mas, para mim, é de um mau gosto, assim, cara. E na credidão precisava disso, cara. São sons sintéticos.
São cinco sons de tiro, o John Lennon tomou quatro tiros. O número de tiros está errado. Eu acho que está tudo errado esse final. Me soa muito mal, ele quase estraga para mim a experiência. Para mim, a música não precisava ter essa coisa tão gráfica, uma memória tão triste. Então, para mim, ótima música, ótimo recado, ótimas mensagens subliminares, como o Felipe está destacando. Mas esses tiros no final são o fim da picada, não precisava.
Como eu falei na minha entrada, esse disco tem uma urgência, ele tem uma necessidade de jogar na sua cara certas questões. Eu particularmente gosto muito do jeito em que ela retrata ou que ela relata a morte do Lennon, porque eu acho que se o Lennon estivesse relatando a morte de alguém, ele faria desse jeito, cara.
Ele seria direto, ele seria sem floreios nenhum. Então acho que isso, até o jeito dela falar da morte do cara, e tem uma estrofe, se ele não tivesse saído de casa, isso não tinha acontecido. Ninguém mandou sair de casa, mais ou menos assim.
Eu acho que isso casa muito com o espírito porra louca que o John Lennon tinha, assim, de falar as coisas pelas ventas ali, sem pensar muito nas consequências, cara. Eu gosto dela, e pra mim, musicalmente, ela tem uma coisa meio Big Mouth Strikes Again, assim, sabe? Do jeito que ela começa, dá a impressão que vai rolar um... Sweetness, sweetness... Sweetness...
E no final, antes dos tiros, tem um teclado fazendo uma caminha ali, enquanto a banda tá moendo, né? Esse trecho em que tem esse tecladinho, cara, como me lembra Purity do New Model Army, cara. Vamos lá, de A.J. Shot, John Lennon, a gente vai pra uma faixa chamada Electric Blue.
Você vem da luz elétrica, quem te envolve? Luz elétrica, luz elétrica, sempre está perto de mim Luz elétrica, luz elétrica, eu quero você Não é
Eu tenho algumas divergências com Electric Blue, porque ela tem um trecho muito religioso aqui na letra, que eu não sou contrário a falar de religiosidade, falar de Deus em letra. Eu sou cristão e não tenho problema nenhum com isso. Eu acho que isso aqui é latim. O Felipe me corrige, a Felipe Christian me corrige, mas isso é latim que ela usa aqui.
Eu acho isso meio pedante, sabe? Coloque-se no seu lugar, você é uma banda pop, sabe? Você não precisa disso, né? Não precisa chegar nesse nível, né? Electric Blue...
Da onde veio esse Electric Blue tão melancólico aqui que ela evoca nessa música, né? Eu não sei se tem a ver, cara, com o Blue Blue Electric Blue de Southern Vision do Bowie, o Felipe, que falava ali de um ambiente...
de cor azul elétrico, mas um ambiente fechado, de cortinas fechadas, em que ele estaria ali enclausurado, lá na música do Boi. Eu não sei se essa melancolia não vem daí, desse Electric Blue. Você sabe, ou é brisa minha?
Olha, até onde eu sei, essa música foi feita pro marido dela. Eu não sei se ele tem olhos azuis, mas é provável, né? O marido dela da época, né? Ela foi casada... Tinha casado um pouco antes, aqui em 94, e ficou casada com ele uns 20 anos. Quando ela morreu, eles já não estavam juntos, mas foi uma relação longa aí.
E é uma prece, cara. Eu acho que tem que lembrar, como a gente falou no começo, a banda é da Irlanda. A Irlanda é um país católico e ser católico lá é uma questão não só religiosa, mas filosófica também, por causa do Reino Unido protestante, da Inglaterra protestante. E o latim, nas missas, é uma coisa que a Irlanda resistiu muito de tirar. É uma tradição que a Irlanda...
Ainda manteve, apesar do Vaticano ter dito nos anos 60 que as missas não deveriam mais ser feitas em latim. Acho que ela está fazendo uma prece aqui. E alguém que é profundamente religiosa, como acredito que ela tenha sido, então é algo que faz parte da realidade dela. Eu vejo como condizente e coerente com a intenção da letra. Esteja sempre perto de mim, meu anjo da guarda. Cuide de mim, saiba que eu te amo.
perto de mim não há medo e tal, e ao mesmo tempo, Senhor Deus me ajude, que ela está falando aqui tanto em inglês, quanto ela está falando em latim, que é o Domino e Domino e Deus. Então, acho que tem essa intenção, ela cresce ao longo da, a música cresce ao longo dessa dinâmica que é colocada.
ela demora a realmente ficar mais interessante, então esses quase 5 minutos aqui demoram um pouquinho para passar, são longos, no final das contas ela acaba que se resolve. Eu acho que sim, a Just Shot John Lennon é o final dessa primeira metade do disco, é o final da parte onde você tem uma variação de temas, daqui para frente você vai ter um outro clima até o fim, com Electric Blue.
O disco já começa a pegar uma decidinha ali, ainda que não seja uma ladeira, tampouco um penhasco, mas ele já não vai ter momentos tão sublimes como estava tendo até então. Essa é a primeira faixa para mim, que fica numa zona um pouco mais baixa ali, ainda que seja uma canção que eu goste. Christian Fetter. Cara, a Electric Blue tem aquela... essa vibe de música irlandesa...
para trás, né? Assim, tem pacote completo, né? Começa a ter uns sons de sino, tem um orgãozinho vintage, né? A questão do latim, eu acho discreto, é como Gloria do YouTube, que tem um trechinho breve também, né? Em latim, até muito parecido, né?
E eu acho a melodia simples, acho que ela vai bem, lembra até umas linhas melódicas daquela Enia. Se a Enia soubesse ficar uma guitarra elétrica, acho que a Enia nunca viu uma guitarra elétrica, lógico. Meu problema é com o que o Felipe falou, a música vai longe demais sem entregar muita coisa. Ela tem um solinho de guitarra com um ao ar ali, meio descompromissado, mais perto do final.
mas não entrega muito. É uma bela faixa, uma faixa bonita. Eu gosto dessa coisa, de novo, de rock irlandês do passado. Acho muito legal. Gosto que aqui vão surgir uns instrumentos, daqui para frente, uns instrumentos exóticos. Mas acho que ela só vai muito longe, sem entregar tanto.
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Já I'm Still Remembering, eu vou citar uma banda aqui, que é outra boa faixa, muito boa. É uma banda que vocês não mencionaram ainda, cara, mas aqui, não sei porquê, mas depois eu fiquei pensando, né? Ela me trouxe uns ecos de The Cure, cara.
I'm still remembering. No tom certo, assim, acho que ela podia caber na voz do Bob Smith, né? Não sei se é pela estrutura, eu acho que, pensando na estrutura da música, tem um eco na voz que não é tão discreto. Você tem aí essa coisa do double tracking, né? De gravar a voz duas vezes, tem um efeito estéreo, mas aqui tem um... Ela sobra um pouco de vez em quando, eu tenho certeza que isso é proposital. E tem uma guitarrinha, cara, com umas notas...
descendentes, assim, que me lembrou alguma coisa do Kispi Kispi Kispi ali, só que eu não soube dizer qual faixa, assim. Just Like Heaven. É, pode ser, pode ser, pode ser. Você anotou isso aí nas suas... Lembra muito Just Like Heaven, cara. Achei engraçado demais isso, cara, mas ela... E por isso é uma boa faixa. Ela evoca algumas coisas aí do The Cure.
Engraçado que ela... Você tem essa temática da lembrança também agora, que é engraçado, quase uma coisa meio conceitual, né, Rodrigo? Bom, eu fui dando check aqui, Christian. Ela lembra, assim, a... Pra mim, a Just Like Heaven, né, tem algumas notas roubadas de lá, né, cara? Tenho certeza que a influência é direta, assim.
E eu acho uma música muito bonita, cara. É nessa música aqui que ela cita o Kurt Cobain. Eles dizem que os bons são os primeiros a nos deixar, né? The first to drop. E ela pergunta, e o Kurt Cobain? A presença dele vai permanecer, né? A imagem dele, a presença dele vai permanecer?
Eu acho legal ela misturar esses assuntos, uma coisa de amor com perda, com saudade e com até ironia. Quando ela fala do JFK, ela fala Remember JFK ever sent in a way? Está fazendo uma referência.
Dizendo que ele sempre foi santo A sua maneira Mas eu gosto dela, cara Eu acho que é uma música muito bonitinha, muito bem feita Também, não tem nada que a desabone Vai lá, Felipe I'm still remembering Linda, linda faixa, cara Talvez a balada mais bonita do disco Eu acho que ela Tá ali na mesma prateleira De Linger E uma letra Nenhuma dúvida de que ela tá fazendo
Para o marido, ele até cita expressamente aqui, ainda lembro da minha vida antes de me tornar sua esposa. Eu gosto muito dessa estrofe, que ela fala, ainda me lembro da dor e dos jogos mentais, mostrando como é que ela teve relações conturbadas ao longo da vida, na juventude, e ela casou com vinte e poucos anos aqui.
E encontrou nesse cara, pelo menos foi durante muito tempo aqui, o porto seguro dela. E ela está falando sobre isso. Para mim, é uma música de alguém que estava em turnê, estava viajando, estava afastada do marido. E se sentiu frágil, né? Sentiu que estava sucumbindo àquela pressão, àquela rotina. E falando disso, eu estou tentando não enlouquecer. Eu preciso de você aqui. Preciso do seu carinho. E estou tentando ficar numa boa.
Mas sem você é difícil, né? E é muito curioso mesmo essa estrofe onde ela cita o Kurt Cobain e o Kennedy, né? Porque talvez ela esteja pensando exatamente nessa loucura toda que foi a vida do Cobain, que aqui então tinha morrido há pouquíssimo tempo quando esse filme foi gravado. E dá para fazer essas reflexões, né? Ela já tinha falado anteriormente em Free to Decide que a morte não seria uma opção para ela por causa da fama, né? Então...
É curioso você ver como a cabeça dela estava trabalhando em relação a todas essas questões. Eu acho ela muito bonita, eu gosto muito desse refrão, desse quase desespero melancólico que ela fala onde você está. Então eu adoro essa música e o disco vai seguir nessa toada mais calma, mais tranquila, mas com uma faixa que me emociona muito, pelo menos.
E dela, nós vamos pra faixa que é a mais inusitada desse álbum aqui. É um arranjo inesperado, que é Will You Remember? Eu já vou começar criticando o fato de você colocar dois remembers um do lado do outro, cara. Eu acho que não tem explicação, não tem nada a ver. Ainda que você possa brincar com a ideia das duas buscas aqui, das lembranças que estão sendo colocadas. Fica estranho, cara. Poderia ter pulado uma, pelo menos, aqui.
Essa é uma que eu tinha falado antes, que eu tinha dificuldade quando eu chegava nesse ponto do disco, mas que, na insistência, eu acabei gostando desse arranjo aqui, caixinha de música, uma coisa meio circense, uma coisa muito diferente do que você estava escutando. Eu acho que ela não combina, não se encaixa no disco, mas talvez essa seja a qualidade dela.
É curiosa essa letra também, dela perguntando provavelmente também para o marido se ele lembra do vestido. Você vai lembrar de como eu estava vestida, de onde a gente estava, do champanhe e tudo mais. E para no final ela dizer que ela não vai lembrar.
Faz essa brincadeira aqui, não me lembrarei das coisas que juramos. Eu apenas chamarei em vão, apenas chamarei e pronto. No final das contas, eu acabei gostando dela, mas foi porque eu insisti um pouquinho. Mas eu acho que um disco de 13 músicas e que passa dos 40 minutos, é o maior disco da banda até então, se a gente fosse para tirar duas aqui e ficar com 11, eu tiraria essa sem me sentir muito culpado. E você, Christian?
Ah, não tirava ela não, cara. É uma gracinha essa música, né, cara? Compasso Ternário, né? De novo, uma faixa que olha totalmente lá pra trás, né, cara? Pra aquelas bandas lá, final da década de 60, começo dos anos 70, que eu já mencionei aqui. Realejo, Bandolim, Percussão de Madeira. Eu adoro essa vibe, cara. Eu acho que aqui é uma música que tem uma irlandice, né, cara?
Pode usar um termo assim, né? Totalmente Irish, né, cara? Totalmente essa vibe, assim. E a letra é muito esperta, né, cara? Eu não sei se... Eu fiquei na dúvida aqui lendo, né? Porque ela faz as perguntas e depois vem as respostas, né? Eu não sei se são respostas, na verdade. A minha dúvida é essa, né? Você vai lembrar?
E aí, na segunda parte, eu não vou lembrar. É ela que está dizendo que não vai lembrar? Ou ela alterna o eu lírico, né? Para que a outra pessoa esteja dizendo que não vai lembrar de nada? Não sei. Acho mais fácil a gente pensar como... Assim, mais fácil, talvez mais lógico. Pensar como o Felipe de que ela está dizendo. Olha, talvez você lembre, mas eu não vou me lembrar. E a gente não tem a resposta do outro lado também, né? Então fica difícil de...
de saber, mas é legal assim, né, você desenvolver toda a letra pra concluir que no final esse amor vai ser em vão, né, como talvez sejam todos os amores, ou em algum momento tudo ali se esfacela, ou tudo, sei lá, ou tudo pode dar errado, quem nunca passou por isso, né, por essa... E ela tinha também, sabidamente, uma série de tendências, né, à depressão, e então muita perda, né, cara, uma vida muito dramática, vou falar disso depois quando foi o Fala da Faixa, aquela fala do avô.
e uma dificuldade muito grande de lidar com essas perdas Rodrigo é isso, Realejo Mundolim e eu acho, Felipe que o Remembering na sequência aí
Eu acho que são correlatos, cara. Eu acho muito singelo ela... O jeito em que ela está abordando algumas ocasiões de uma relação, né? Porque todo casal, todo envolvimento, né?
Tem esse lance de marcar o primeiro encontro, aquilo que a gente ouviu, aonde a gente jantou, o restaurante que a gente foi, que mês a gente sentou, que filme a gente foi ver, como estava o seu cabelo. E ela faz essas evocações aqui. Eu acho que sim, essa aqui talvez seja para o marido. E ela já fala ali, como o Christian bem apontou, lá na frente, que eu não vou lembrar de nada disso.
Eu não vou lembrar o que eu tava vestindo, eu não vou lembrar de champanhe, eu não vou lembrar de porra nenhuma, cara. E é como se ela dissesse assim, eu preciso tanto que você se lembre, né? Porque no final ela fala, você vai, ela insiste, né? Você vai se lembrar, você vai recordar dessas coisas, você vai se lembrar, ela precisa que alguém mantenha essas raízes de...
de lembranças, cara. Eu acho muito bonita, cara. Não tiraria essa música de jeito algum do disco, cara. E pra mim ela é a minha pérola escondida aqui desse álbum incrível.
A gente parte pra próxima faixa, que é a faixa que ela fez pro avô, né? A música chamada Joe. E aqui sim, eu acho que aqui tem uma carga de melancolia que esbarra ali no choro, assim, sabe? Esbarra ali na emoção extrema, assim, né? É uma Dolores criança aqui. Lembrando de quando ela sentava no colo do avô, sabe?
É quase uma canção infantil, né? A execução dela aqui, o jeito que ela canta, é beira perfeição, cara. E de novo, ela dobrando a voz com ela mesma, né? Mandolim no refrão, bem discretinho ali, com uma orquestração junto, cara.
É uma pepita, cara. Eu acho essa Jo uma homenagem muito bem feita pra um avô que eu imagino que tenha sido um avô muito carinhoso pra ela. Você gosta dessa, Felipe?
Essa eu gosto bastante. Ela é muito tocante, ela é muito bonita. Eu adoro esse mandolim tocando aqui, acompanhando. Dá todo esse clima agridoce que ela pretende mesmo mostrar. É uma homenagem realmente incrível que ela faz pro avô Joey. E o problema é que o disco já tá vindo de outra música lentinha, outra coisinha.
vai dando, vai chegando na exaustão aqui, né? O disco vai se prolongando muito nesse mesmo clima. Mas ela é uma linda faixa. Eu fui pegando essas faixas do final aqui, como eu falei, pra poder não ficar com essa impressão que eu já tinha lá de trás. Fui pegando uma por uma, escutando só Joe e Du uma, duas vezes, depois pulava pra I'm Still Remembering, pra poder elas irem crescendo, né? You Remember, pra poder analisar.
sem ser dentro dessa sequência, porque eu acho que essa sequência diminui o valor de cada uma dessas canções, porque você está vindo nessa onda que é tão para baixo e tão lentinha, né? Christian.
É, vocês têm toda a razão. Aí você está num ponto... Se Joey fosse uma faixa genérica, com essa rotação ela poderia estar muito... poderia realmente ser cansativa demais. Eu escolhi assim, ao fazer essas audições também já preparando para o programa, dar uma olhada na história. Realmente assim, a história é muito triste, porque a Dolores é a caçula de nove irmãos da cara, dos quais dois faleceram ainda na infância.
Aí o pai dela sofre um acidente, né? Antes dela nascer ainda, fica totalmente inválido. Então parece que o Joey era o cara que meio que segurava as pontas ali da família, inclusive trabalhando e tal pra caramba. Então quando você tem esse resuminho da história também, a faixa fica mais pungente, né? Porque realmente ela tinha o avô como uma referência, como um esteio, né? E isso...
numa família tradicional, católica, com todos aqueles valores, conservadores, enfim. E realmente ela vai puxar imagens da infância, imagens... A faixa de conquista por isso, né, cara? Você pegar uma... Não precisa nem saber inglês, pega uma tradução, pega ela cantando, esse bandolim, é uma neta.
É chorando a morte do avô, né? Então, são perdas que a gente vai ter na maioria das vidas, são pessoas que a gente vai perder, né? Então, é bonito por isso. Se fosse uma faixa genérica, talvez ela cansasse mais. Mas aí depois, caras, é que vai vir a minha pérola escondida, que eu sei que eu estou sozinho aqui, abandonado. A fortíssima música Bósnia.
É uma faixa instrumental, assim, riquíssimo, né, cara? Além de você ter a orquestra, né, tocando, arranjada, então, pelo Michael Cameron, você tem um serrote, cara, que no primeira audição achei que fosse um teremim, mas é um cara chamado...
Henry Dagg, que é uma espécie de Zé Miguel Wisnik da Terra da Rainha, o cara que inventava instrumentos musicais, né? E o cara toca serrote. Os arranjos de voz são maravilhosos, você tem essa percussão, percussão, né? Absolutamente marcial, assim, uma letra fortíssima sobre uma guerra que vinha acontecendo, então. E uma ironia máxima, né, cara, no final.
quando ela canta o Enda Sands, Go Martinin, né, cara? Que é uma música... É um hino, né? Gospel afro-americano, sem autoria conhecida, de dezenas de anos atrás. Eu acho que essa mistureba toda, cara, tem uma caixinha de música no final, né, cara? Tocando.
Brahms tocando o lullaby, ou em bom alemão, a música Wigerlied, que é o famoso tema de dormir. Então isso tudo é muito forte, isso tudo é muita coisa, junta e funciona para mim.
Serrote, Brahms, Orquestra, a Bateria Marcial. Tem um clima meio... Sempre que entra uma Bateria Marcial, me lembro de Fori, do U2, que a gente já mencionou o U2 aqui mais de uma vez, essa coisa forte. E é uma faixa que praticamente não é ouvida. Ela deve ser a terceira ou quarta menos ouvida provavelmente o disco. Até o Felipe deve ter esse número aí na tela. Não tenho aqui agora.
Mas, para mim, ela entra como a última perna escondida, um belíssimo final, um máximo de competência na execução dessa faixa, faixa mais elaborada, com certeza. Gosto demais de Bozzi, que eu realmente não me lembrava, cara. Retomei contato com ela aqui com grande alegria.
Rodrigo Melão. Eu, nas minhas recordações, eu lembro que eu não gostava de Bósia quando eu ouvi esse álbum lá em 96, 97. E como o Felipe fez, eu também fui dando atenção a algumas faixas que eu não dava lá no passado. E eu continuei não gostando de Bósia.
O meu problema com ela é que ela é longa demais, cara. E talvez eu tenha... Eu input um pouco de culpa no Bono, no U2, sabe? Com todo o bom... Esse lance de ser bom samaritano e sempre levantar alguma bandeira acerca de algum acontecimento.
mundial, né? A própria Guerra da Bósia fez o YouTube fazer aquela música Miss Sarajevo, né? Com, acho que era o Pavarotti, né? Que era um pavor aquela música, né, cara? Pelo amor de Deus, cara. Mas eu não gosto da faixa, cara. Eu acho que ela se estende demais e...
E vai adicionando camada demais que vai fazendo ela se perder no tempo. Mas eu acho que vou estar sozinho nessa, Felipe. Não, estamos juntos, meu amigo. Você falou exatamente o que eu penso.
Eu insisti muito a ponto de não ficar achando que ela é ruim, mas ela é a mais fraca do álbum, sim, e o problema dela está nesse tamanho exagerado. E outro problema que talvez seja até mais grave, na verdade, porque se em Salvation ou mesmo em I Just Shot John Lennon, a letra direta, o recado lá dado sem firulas...
combinava com a intenção da canção, de ser uma coisa acelerada, pancada, então vai na cara mesmo. Aqui você quer dar um tom épico, operístico, você constrói a música. A guerra não merece amenidade, né, cara? Só que aí você vem pro primeiro verso. A vida é tão injusta. Vivemos em ambientes seguros enquanto pessoas morrem lá fora. Então, puta, aí, cara, a letra fica simplória, sabe?
As coisas mudariam se realmente quiséssemos. Só, sério, cara. Nossa, ninguém pensou nisso antes. Você foi a primeira que teve essa sacada genial. Então isso me mata, cara. Isso me mata. Não dá. Ela canta lindamente. O arranjo é bem feito e tudo mais. Mas 5 minutos e 40. Nada vai acontecendo. Até que ela dá uma crescidinha e tal.
E essa letra aqui também é triste. Então, não precisava, eu tiraria ela do disco sem dó nem perdão. Se fosse para escolher uma só, eu tiraria essa. Se fosse para tirar duas, eu tiraria... E o Remember não que seja ruim, mas acho que ela destoa demais. Principalmente por isso. Mas essa é fraca mesmo, cara. Essa é realmente... Eu estou com você, Rodrigo.
To the Faithful Departed, quarto lugar na parada dos Estados Unidos, segundo lugar na parada britânica, vendas totais estimadas em 6 milhões de cópias, o que parece um número maravilhoso, e é. Porém, o disco anterior tinha vendido um número muito maior, tinha vendido absurdos 17 milhões mundialmente. Então foi uma queda enorme. Como a gente falou no começo, o público...
Talvez não tenha entendido, talvez tenha achado que tinha que ter só uma música rápida do disco, falando de guerra e não várias.
Talvez tenham faltado melhores baladas aqui, mas eu acho que é um disco menos inocente, apesar dessas letras em algum momento tão simplórias e diretas, mas as temáticas são menos inocentes, a realidade do mundo está pesando para eles, e ao mesmo tempo mais agressivo e também com uma exaustão emocional da banda, que acho que está bem presente aqui, junto com essa saudade, com essa nostalgia toda.
no final das contas eu mantenho a minha opinião de que desse trio inicial da carreira da banda é o que mais me agrada é o que eu sinto mais prazer escutando, vocês concordam? vocês também estão nessa? eu acho que sim, cara, e você vê que coisa sintomática a banda a partir dele vai ficar três anos, até lançar o próximo álbum é o fechamento de um ciclo mesmo a banda vinha ali num
num crescendo, num massivo sucesso. A gente falou disso quando falou, por exemplo, do Counting Crows, do August and Everything After, como essa questão do... Eu acho que poderia chamar de efeito seal, como esse primeiro álbum estourar demais. Eu lembrei do Who Ten The Blowfish, agora que nunca mais também... Eu lembro do Live. Como isso acontece... Acontece no mundo da música, do rock. Esse artista que, de repente, dá aquela... Que é uma...
estourada assim, e perde assim, Humans After All, você é só um ser humano que de repente está sendo hipervalorizado, a banda chegou nesse terceiro disco com um disco mais completo, mais complexo, por isso que ele está aqui hoje sendo lembrado nos seus 30 anos, né Rodrigo?
É isso. Só uma informação que eu coletei, informação aleatória que eu coletei aqui pra comentar. O Cranberries é a quarta banda mais famosa, de maior vendagem da Irlanda. Primeiro, eu imagino que todos saibam que é o U2, mas o que me surpreendeu foi o segundo lugar, a Enia, que foi citada aqui por mim.
A Enia vendeu muito, né? O YouTube, mais de 170 milhões de cópias. A Enia tá ali em torno de 80. Aí em terceiro lugar tá a boyband Westlife, que eu confesso que eu não sabia que existia.
Em quarto, o Crumbberries. Em quinto, o The Horse. Que eu não fazia ideia que eram da Irlanda. É isso aí, meus amigos, minhas amigas. Estivemos hoje falando aqui do terceiro álbum da banda Crumbberries, que completou aí 30 anos neste abril de 2026. Você sabe, todo sábado nós estamos aqui com um programa novo. E todo dia tem postagem na nossa conta do Instagram.
siga, comente, dê 5 estrelinhas. Sábado que vem estamos aí, caras. Um prazer sempre estar com vocês aqui, Filipe Rodrigo. E assunto que não falta, vamos em frente. Vamos em frente, vamos em frente. É isso aí, meus amigos. Obrigado por mais uma semana, mais um episódio. Ouvintes, não aceitaremos nada além do...
dos seus corações, mentes e o Pix que inclusive vou passar a chave pra você não, isso é brincadeira, gente a gente pede pouco, né? até sábado que vem, pessoal muito obrigado meus amigos por mais esse episódio obrigado a você ouvinte que chegou até o sinal desse papo, sábado que vem nós estamos de volta até o sábado que vem
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