A Nolasséia
A “nolanização” de Homero — A Odisseia, de Christopher Nolan, é um filme desalmado
Era difícil imaginar uma ranhura no cinema de Christopher Nolan por onde pudesse entrar a mitologia grega, ou qualquer forma de relação com a antiguidade clássica, coisas que sempre foram completamente estranhas ao seu universo. E provavelmente não existe mesmo ranhura nenhuma, porque não é o cinema de Nolan que se abre à mitologia grega, é mais o movimento oposto: é Nolan que se instala de armas e bagagens na Odisseia, é uma espécie de ocupação e de colonização, é uma “nolanização” de Homero. Argumentar-se-á que é isso que os grandes cineastas fazem, tornam seu aquilo em que tocam. Certo, mas não neste sentido, e sobretudo não no sentido de que Nolan seja um grande cineasta.