JMS 92 - Se os Rabinos não se entendem, por que segui-los?
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Se nem os maiores sábios da nossa história conseguem entrar em um consenso, por que a palavra deles ainda dita as nossas regras? Descubra o verdadeiro peso das discussões dos Chachamim.
Nicolas Alhanna
Rabino Shlomo Zaguri
- Discussão sobre TefilinTefilin · Halachá · Guemará
- Rigores e cercas na ToráPrecauções haláchicas · Afastamento de não-judeus · Cumprimento da Torá
- Teologia do dízimo e CabalaOpiniões rabínicas · Lógica na interpretação · Bet Shammai · Bet Hillel
- Identidade e cultura judaicaChapéus rabínicos · Tradições sefaradi e ashkenazi · Orgulho judaico
Tu tá vendo o cowboy ali de chapéu? Por que tu tá perdido aí? Que que foi? Tu perdeu alguma coisa? Por que tu tá fantasiado de Zé Vaqueiro? Deixa eu lá me dizer. Do Zé Vaqueiro que usa chapéu, terno.
Hoje eu vim a caráter, hoje eu vim com minha farda, com meu uniforme.
Ah, esse é o uniforme oficial do rabino?
Isso. Hoje eu vim para apresentar o lado rabínico dos rabinos da Torá.
Cara, então precisa.
Na verdade, que eu tava lendo aqui assim: sua sessão encerra em tempo livre.
É que a gente tem aqui o dia todo. A gente lembra que a gente falou que a gente paga um pacote para gravar 225 episódios por vez?
A gente vai meio ano, a gente grava tudo. Isso aí, chegamos, consegue adivinhar as coisas que vão acontecer.
Exatamente. Chegamos em junho, temos que pagar agora todo esse ano agora, tá? Daqui para dezembro os programas já serão feitos já. Então se você quer já garantir, se você quiser entrar na edição do programa para aparecer ali ficticiamente, mande uma mensagem para gente. Qual é o email?
rabadoberlim770.
rabadoberlim770. Ou pode deixar no comentário aqui no YouTube. Spotify está botando coisas aqui, eu nem sei. Pode botar comentário no Spotify também, diz que a gente lê lá, tenho certeza. E aí a gente vai falar dos que já estão fazendo parte, que fecharam esse pacote já agora. Pode falar, pode falar. Já viu, não me liberou, galera. Vamos falar aqui da Hype Studios, melhor estúdio de gravação multimídia. Olha, olha essa tela, olha isso, olha isso, chega tão grande que eu não consigo nem alcançar de tão grande, imensurável.
E a gente vai falar outro lá, Salgadeiro, Salgados Coxa, uma nova marca de salgados aí que tá surgindo no mercado. Salgados congelados, pronto para fritar em casa. Olha, gente, um espetáculo! Sou suspeito para falar, mas olha, se pudesse dar meu, minha, como é que fala, cachorrudo do Nicolas. Nicolas recomenda, muito gostoso. Provei uns lá assim, tudo bem que chegou só de palmito na minha mão, mas eu tenho promessa para o próximo programa de ter outros sabores.
Então, Salgados Coxa, se você tem interesse de fazer festa, essas coisas, entre em contato. Contato tá aí embaixo também. E bora para vinheta, né? Bora para vinheta, que hoje a gente tá emocionante. Hoje o programa tá emocionante. Tá emocionado? Tô muito, tô vendo. Eu sou Nicolas Alhanna, Rabino Shlomo Zaguri, de chapéu, de chapéu impressionante. Chapéu tá me marcando muito, esse chapéu tá assim. E esse é o Judaísmo Moleque Show. E por que que tu já abandonou o teu uniforme? Que isso?
Ficar mais à vontade, né?
Porque vamos lá, vamos começar pelo básico aqui. Uma coisa que eu tava vendo, eu acredito mais nos rabinos do que tu acredita. Tu não tem uma confiança muito grande nos rabinos?
Eu não acredito em rabino, eu sou rabino, né? E não precisa acreditar no rabino, você que sou rabino, pô.
Mas aí tu pode fazer o que tu quiser do judaísmo, né? Se for assim, eu também vou virar rabino e fazer o meu judaísmo.
Eu acho que eu virei rabino para poder escrever as halahot que eu quero.
Gente, tá alguma coisa estranha no Chilombo, acho que ele não tá sendo Chilombo, de verdade.
Não, agora sério, por que tu confia mais nos Rabinos ou nos haramim? Rabinos, acho que a gente fizeram os decretos, parada lá.
Por que que eu cheguei nesse negócio aqui? Tava na sinagoga, show, quando olha para o lado, um cara pega outro, outro tefilim. Já basta um tefilim, o cara bota o outro, o outro, o outro tefilim. Aí eu fiquei, por que que ele tem dois tefilim? Quando eu olho para o meu rabino, mesma coisa.
Não, pera aí, como é que tu reparou que ele tava com dois tefilim? Tava um em cima do outro, exatamente, outro coberto por uma touquinha.
Isso foi mais surreal, porque eu fiquei Como assim? Não, porque eu vi no braço, tinha dois quadradinhos, que eu até escondi ele, era menorzinho. E aí eu fiquei vendo, mas eu tava assim, não tinha espaço, sabe, de pele. Eu falei, o braço dele não é tão grande para caber as voltas todas. Aí eu olhei direito, tinha um chapeuzinho que tinha outro tefelinho. E aí eu fiquei, caramba, como assim pode? E aí eu vi que tu faz isso, tu já, tu também bota dois.
Vocês não confiam no rabino? Tem que botar. Se chegar 15 rabinos, a gente vai botar os 15 tefilins de cada rabino. Vocês não têm que— vocês têm que pegar, olhou para um lá, isso aí tá certo, vamos nesse, gente. Por isso que Mashiach não chega. Essa indecisão do povo judeu fica muito difícil, cara. Aí um faz, ah, eu vou fazer 2 porque eu acredito mais nele. Não, eu vou fazer outro porque, cara, isso tá errado.
Tá bom, tá bom, então vamos lá. Existem 4 tefilins, eu só coloco 2, então tá tudo bem. Porque existem 4 opiniões, eu só sigo 2, só coloco 2.
Mas por quê, cara?
Porque na Torá tem opiniões, tem discussões, tem opiniões. Qual o problema?
Mas aí as opiniões, um outro não ganha discussão? Assim, toda vez falar, porque tá discussão lá na Torá, que tem gente que faz isso e faz aquele. E aí, pode?
Existe a halachá, ficou com o Moura, que é o rabino que tu confia aí.
Obrigado aí pelo rabino que tu confia aí. Não confia muito nele, então você entendeu. É claro que eu confio, mas tô falando Halachá, lei, ficou como orachim.
Nessa discussão, 4 opiniões de como é o Tefilim, como que é a ordem. Só para explicar para o pessoal que tá nos assistindo, existe os 4 pergaminhos do Tefilim, 4 partes, tem uma ordem certa de colocar. E tem uma discussão porque na Guemará não tá muito claro. Na Guemará tá escrito assim: Kadesh e Vekvéachá da direita, Shemá e Vehaiá, me chamou, da esquerda. Aí é assim, assim, ou Assim, é de quem, do lado de quem tá olhando, do lado de quem tá vestindo, e assim por diante.
Essa discussão é séria, que isso é a discussão.
Tu não sabia?
Não, não, tu não sabia que era isso, cara? Vamos falar, partir para lógica então. Vamos partir para lógica. A discussão é: ah, vai pela esquerda, pela direita, de quem olha, de quem vê? É de quem usa, rapá. É óbvio, porque existe uma coisa, não sei se tu sabe, que é tão óbvio que não precisa de placa. Por exemplo, é tão óbvio que não precisa, não pode quebrar janela, que não precisa ter uma placa não quebra janela. É a mesma coisa, não, mas é a mesma coisa, cara.
É óbvio que é de quem veste, que não precisa ter uma placa dizendo olha, de quem veste.
Então pera aí, há um minuto atrás tu começou o episódio falando que tu confia no jarramimo. Tem um dos jarramimos que falou isso, que é do lado de quem olha, e tem outro jarramimo que falou que é do lado de quem vê. De quem investe. Então você não confia nos hahamim, porque tu acha óbvio. Quer dizer que aquele haham é burro, é isso? É isso que quer dizer?
É isso que eu tô dizendo.
Então tu não confia nos hahamim?
Não, eu acredito em um só.
Como é que tu escolhe? Ah, esse eu acho lógico, vou escolher esse. É isso?
O negócio não é—
agora me explica.
O negócio não é acreditar nos rabinos, é acreditar em um rabino.
Mas tu falou dos outros, a lógica ainda agorinha.
Sim, com certeza algum desses 4 usa minha lógica.
Todos usam lógica.
Não, usa minha lógica.
Ok, mas por que que tu achou esse, não esse?
Porque a minha, acabei de falar, cara. Que isso? A minha lógica diz: de quem veste, quem tá vestindo o tefilim, tem que ficar na ordem 1, 2, 3, 4.
Quando o cara segura o lulav, sabe lulav? Já viu lulav? Tem uma parte, uma coluna do lulav que é assim mais grossa, reparou?
Tá, reparei.
O caule da tamareira. Isso é a costa, é a frente?
Tem costa e frente? Você já quer saber demais, cara.
Eu, quando seguro o Lava, a costa fica para mim, a frente fica para frente.
Por quê?
Porque é assim, cara. Não, segurar errado tá errado. Tem que segurar assim, com a xidrá, que chama, com a coluna vertebral do Lava olhando para ti, como se tivesse Lulá vai olhando para lá, tá?
Mas aí com certeza algum rabino falou que tem que ser de costas, outro rabino falou que não tem discussão. Ah, não é possível, acho que não. Não, não é possível, tu tá de sacanagem, não é possível. Como é que uma coisa tão óbvia que é o Tefinim tem discussão absurda? Tem gente que bota 4, aí o Lulá, que é um negócio que é redondo quase, ele é quase redondo, é quase imperceptível aquele negócio, aquela linha no meio. Tu quer dizer que não tem discussão? Todo mundo concorda com isso?
Vamos voltar para base. Tu tá partindo do princípio, tá jogando a pergunta para mim partindo do princípio que existe uma lógica que obviamente é do lado de quem tá não sei o quê, mas não tá certa. Porque existe essa lógica, ok, mas tem uma lógica de falar o contrário também, senão não teriam sábio falando o contrário.
Isso aí é lorota de judeu que não tinha o que fazer e ficava pensando na vida. Ah, talvez. Olha, olhando, é a mesma história daquele negócio de caixa alisada, de de tornar a caixinha panela? Ah, porque os poros. Que poro, rapaz?
Que poro? Do que?
Não, que tem que limpar e tirar e tem que tocar fogo porque os poros soltam e absorvem. Tu não tá mais usando barro, cara. Teflon aí não absorve nada, bateu, escorreu, vai embora. Cerâmica totalmente antiaderente. Aí agora tu quer me jogar um papo de poros?
Mais legal que os dois exemplos que tu trouxe, os dois que não tem como caixinizar, cerâmica e teflon, os dois que não tem como caixinizar Boa! Esse é o Nicolas que acredita nos rahamim.
O outro lá, a panela de ferro. Quero saber, em 1712, quem foi que disse, ah, tem poros nessa panela?
A Torá, os rahamim. A Torá que fala sobre o cachê. Não é nem rahamim. Quando teve a guerra contra o Midian, pega os utensílios que vocês pegaram de despojo O que era usado no fogo passa no fogo, que não é usado no fogo passa na água, ou seja, só limpa. Quer usado no frio, você só limpa. Usado no fogo, você passa no fogo. E lá fala sobre estânio, lá fala sobre metais. Tinha estânio na época?
Estânio.
Estânio.
Mas e aí, daí a gente não tem discussão também?
Não tem discussão, mas eu tô falando a base de que tem que castrizar, que existem os poros que tem a sujeira do tarefo embutida nos poros, tá lá no torácio. Isso não é nem dos sábios.
Tu sabe que tu tá perdendo argumento aqui, né?
E só fala isso quem não tem argumento.
Sabe que tu tá perdendo argumento aqui. A questão toda desse episódio, que agora só tá bagunça esse episódio, foi um ataque direto ao Chilombo, mas Sério, por que que tem tanta discussão? Por que que a gente não pode se unificar e fazer, olha, gente, vamos fazer assim, todo mundo chegar ao meio termo, cara? Que isso, a gente é judeu, pô, a gente é o povo da comunicação.
Meio como o Rashi, meio como o Rabino Tamo.
É, faz o da cabeça do Rashi, o braço do Rabino Tamo, qual o problema, cara? Aí realmente, se os dois estão tão fortes, faz o negócio no meio termo. Por que que tem que ter, ah não, porque esse rabino tal falou desse jeito e eu faço assim, e esse outro falou do outro jeito, tem que fazer assim também. Por que que Por que que tu não segue um ou tu segue, tu tem que seguir os dois? Por quê? Isso, tu segue os dois, por que tu não segue os quatro então? Por quê?
Boa pergunta. Se eu fosse mais sadique, eu usaria os quatro.
Mas por que? Tem nível. Então existe realmente o nível de Teflinho. Aí a pessoa, o moleque faz bar mitzvah, ganha o Teflinho Rache 1, aí é o nível 1 dele. Se ele botar 100 dias seguidos, ele passa para o nível 2. É um jogo isso agora, ele vai para a Benatânia, é isso?
Antigamente era assim, sabia? Antigamente as pessoas faziam aniversário de 18 anos, entravam por Hebe, pediam permissão para começar a colocar Rabenu Tamim, que é esse segundo tefilim, com 18 anos. Fazia 18 anos de aniversário, entrava, pedia permissão. Em geral, Hebe dava. Depois de uns anos, Hebe falou: olha, como o nosso mundo tá precisando de mais luz, desde o bar mitzvah até que a gente coloca antes do bar mitzvah, já coloca Rabenu Tamim.
Porque a gente precisa de mais luz para esse mundo. Então precisa de mais tefilim porque o mundo tá precisando de mais luz. Então a Torá não muda, mas o mundo muda. Então toda a história dos Chachamim é essa. Se tu olhar, ah, os Chachamim proibiram isso, inventaram aqui, entre aspas, né, mais mitzvot, mais cuidados, mais rigoros, mais barreiras para não cair no penhasco, é porque o ser humano, nós estamos agora na geração pé. No chulé.
Então, mais do que nunca, a gente precisa hoje de cuidados e fazer os melhores. Então precisa de mais luz. Por isso que ela falou para Benotan desde os 3 anos. Antigamente não era assim. Não, tá, não, só para tu saber, no churrasco tem uma questão que o cara que quer colocar Benotan, ele é chamado de orgulhoso. Tipo assim, ah, como tu falou, tu não confia no churrasquinho? Ter opiniões na Torá é uma coisa muito bonita. Opiniões, Torá oral, Bet Shammai, Bet Hillel, discutindo na Guemará.
Só que tem uma conclusão, a halacha fica acumulada. Em geral é assim, né? No caso do Rabbeinu Tamo, eu entendo o que você tá falando, mas você fazer o outro não é só tipo assim, ah, vou te dar, tem uma opinião, vou seguir para tirar da dúvida. Não é só por isso.
Tem coisa cabalística, tem as luzes do Rabbeinu Tamo, tem coisas sobre isso, mas a impressão que fica para a gente que é leigo e olha assim, pô, porque o cara tá, olha, o cara tá botando dois negócios e já botou, fica como se, tipo assim, não passa uma segurança na Torá. Porque é bonito para ti essas discussões porque tu nasceu nisso, tu estudou a vida toda essas discussões, pô, tu acha legal, bacana. Mas eu que tô chegando agora nesse negócio, eu olho assim, pô, discussão para quê?
Para com esse negócio de discussão e faz um negócio único, rapaz. Que negócio é esse? Fica um sentimento de tá entendendo o que eu tô falando? Não, né? Porque tu nunca teve essa visão.
Não, eu entendo que tipo assim, se tu chegasse numa comunidade ashkenazista, sefaradi, rabada, ele tá aí, vê tudo igual, tipo assim, manteve, tipo. Mas se você olhar a base, é igual. É isso que é o negócio, a base é igual. As diferenças são costumezinhos, são uma palavrinha na reza ou outra. Se o cara fala brigo, se o cara fala, mano, tipo, são coisas tão pequenas as diferenças que eu acho que é que a gente gosta de botar o dedo nas diferenças, mas na verdade o que tem de igual é muito maior.
Não tem como vocês ter o chapéu do início do programa, chapéu, pô, estiloso, é vaqueiro, rabinho aqui e lá, bateu o sol, escondeu, show. Um streamer com aquele bolo de chocolate Qual o sentido, cara? Nem para proteger do sol serve. Se bater um vento, o negócio voa porque ele é muito alto.
Os dois são chapéu, os dois a mesma coisa. Dois é para rezar para Deus. Um chapéu de uma forma, de outra forma, um é feito de lebre, outro é feito de coelho. Mesma coisa.
Não é a mesma coisa.
Deve ter um chapéu vegano, né?
Um chapéu vegano de palha, o chapéu de palha brasileiro. Rabino de cameta usa chapéu de palha.
Mas é um chapéu, cara, um chapéu para rezar bonito para Deus. É isso, cara. O sefaradi usa aquele outro lá, aquele toco lá, que tu fala como chama?
Não sei como é que chama aquele assim. Não faço ideia, que não tem a aba, é só um negocinho reto assim.
Não sabe o que eu tô falando? Não sei. Chapéu de haram, sefaradião assim.
Ah, que é altinho assim, tipo de cozinheiro, só que é mais baixo.
Aí não branco, tipo assim. É um chapéu bonito, é só um kavod, uma coisa maior, um temor a Deus maior. Não faz diferença se é de pele, disso é do lugar. Mas tu sabe a história do Strando? Bonita a história do Strando.
Acho que a gente já falou uma vez, contei aqui, o pessoal não sabe.
Foi um castigo que eles colocaram, acho que era na Polônia, eu acho, que era tipo assim para marcar quem era judeu, tinha que usar esse chapéu. E depois que parou esse decreto A galera falou, não, a gente vai usar isso no Shabat, a gente fazer isso para ter orgulho de ser judeu, não marcar como se fosse, ah, você não presta, você é menos.
Então por que que no Shabat o pessoal da Europa não usa uma estrela amarela no terno? Tá vendo como não faz sentido? É umas, é umas, mas ah não, eu quero ser diferente.
O chapéu que o outro usa, cara, o que que te atrapalha, cara?
Atrapalha muito.
2 compram Shabat, 2 comem cachereira. Faz tudo igual. Vamos, o chapéu do polonês é diferente do marroquino.
E daí, cara, tu já viu alguma coisa que tu imprimiu assim? Imprimiu numa folha branca, folha, olha, uma folha linda, reta, o preto, não sei o quê. Mas se a impressora manchar um tiquinho, tu descarta a folha. E é o sentimento do judaísmo para uma pessoa, do judeu que nunca teve contato com judaísmo, ele chega no judaísmo e vê essa diversidade toda que pinga, vê uma mancha muito estranha aí.
Eu acho que isso é a beleza dos daí. Eu vou ter que interromper. Essa é a visão do Nico, que fique bem claro.
Que judeu é esse, bicho? Mas tem ponto seu ser, mas a maioria que não é judeu, nunca foi judeu e chega para ser judeu, para ver toda essa identidade judaica, o pessoal fica doido, pô. Ela não consegue absorver tudo, e é bem mais fácil. Não, deixa esse negócio bom.
Eu acho ao contrário, a pessoa vê que o judaísmo não exige de ti uma perfeição, uma, um uniforme, todo mundo igual. Ah, te deixa pensar de uma forma diferente, te deixa vestir um terno diferente. Se tu quiser usar terno azul, tu é um ser livre, entendeu? Não precisa usar camisa verde todo dia.
Olha, só porque o teste interno hoje tu mudou teu uniforme, não vem falar do meu não. Deixa meu uniforme aqui.
Eu acho que é a beleza do judaísmo, é isso. É a beleza do judaísmo, a diversidade dentro da Torá. Acho que quem ficou sem argumento foi você, né?
É o quê? Acho que quem ficou sem argumento foi tu, porque Assim, eu tô te falando de uma visão que eu tenho. Quando eu cheguei, quando eu vi o primeiro cara de chapéu nessa sinagoga aqui em Belém, foi um choque para mim, porque lá na cidade não tinha cara de chapéu. Quando apareceu um cara de chapéu pela primeira vez, eu falei, que isso aí? Parou o Shabat para mim, parou tudo que tava acontecendo para entender porque o cara tava de chapéu dentro da sinagoga.
Pouca referência que eu tenho, o cara de chapéu é um vaqueiro, é uma pessoa que usa chapéu para proteger do sol. E por que que ele tá dentro desse negócio com chapéu? Por que que ele não tirou o chapéu?
Tem gente que usa óculos escuros de noite, pô.
De novo, é o mesmo sentimento. Por que aquele cara tá de óculos escuros à noite? Ele é cego? Por que que ele tá? É a mesma coisa, cara. Só que quando tu sendo um rabino e tu dá o exemplo para o teu, não teu rebanho, que tu não gosta de rebanho, mas tu dá exemplo para o teu Pra toda a galera lá, teus alunos, não fica tipo assim, ah não, tem essas coisas no chapéu.
Qual o problema disso?
Eu tô falando de geral. Quando tu fica botando muita, Rabino tal falou isso, Rabino tal falou aquilo, Rabino tal, a pessoa se perde nas opções e não entende o objetivo.
Mas a gente explica o lado de cada um e explica como a lei fica. É bonito ver isso. Uma coisa importante para tu entender: quando tem uma discussão na Torá, por exemplo, ah, pode ou não pode aquilo, em geral, se tem uma discussão assim, quer dizer que não é o fim do mundo. Quer dizer que pode, mas alguém proíbe.
Aí normalmente vai pelo quem proíbe. Aí o judeu não faz nada porque alguém proibiu alguma vez na vida e pronto.
Eu vou te dar um exemplo. Tem uma discussão no Shinaru, o tempo de salga. Beit HaOsef fala que é 18 minutos, Rama fala que é 1 hora. Mas por que que o Neymar fala que é uma hora? Fala assim: o maior pedaço, pedaço mais grosso, com uma hora de salga sai o sangue de carne, frango e tal. Então ele disse uma hora, porque aí teoricamente se fosse um pedaço menor que você fosse salgar, bastaria 18 minutos, como você falou. Mas ele joga assim, ó: o maior pedaço de um boi salgaria em uma hora, resolve.
Então salga uma hora tudo. Aí o Chorão escreve assim: se você tá na véspera de Shabat, que hoje em dia a gente não faz isso antigamente, As nossas avós faziam isso em casa, talvez até nossas mães, de salgar carne em casa.
É mesmo, é comum.
Pessoas compravam do churrasco e tal, às vezes as pessoas levavam a galinha para o churrasco, o churrasco fazia, cheirar. Todas as mulheres judias sabiam fazer a salga, tem várias leis e tal, as mulheres aprendiam isso. Resumindo, você, se você tá na véspera do Shabat, não tem uma hora, não vai dar tempo se tu ficar uma hora para salgar, sei lá, deu um problema no frango que tu tinha, Vai ter que abater um frango agora. Se deixar uma hora para salgar, vai dar B.O., não vai ter comida para o Shabat.
Aí o próprio Remal, o próprio que escreveu que tem que ser uma hora, fala: ok, nesse caso pode ser 18 minutos. Entende? A gente cria uma precaução de uma hora para garantir, nos casos geral, porque tem pedaços de carne que são maiores, tem situação. Mas Beit HaSefarim falou 18, quer dizer que na base 18 serve. Mas por que tanto rigor? Já te expliquei, porque a gente tá cada vez mais, mais metido com materialismo, mais metido com prazeres, mais metido com a gente precisa ser mais, inventar coisa na Torá, entre aspas, enfeitar a Torá para não perder a base.
A gente precisa disso. Minha visão é totalmente diferente dessas cercas. No fundo, afasta quem não tem nenhum judaísmo.
Quem não quer cumprir não vai cumprir com pouco cerco, muito cerco.
Tem gente que quer cumprir e quer começar a fazer, mas tem tanto cerco que o cara não consegue. O cara pular, fazer uns 100 metros com barreira é difícil, cara.
Então me apresenta um desses, a gente vai pegar a Torá.
Vou pegar o telefone aqui.
Não, sério, pensa na tua cabeça alguém que fala: não, os sábios decretaram muita coisa, eu sigo o que tá escrito na Torá. Tu conhece as pessoas assim?
Eu tenho uma lista.
Pois é, então apresenta para eles a Torá e bora ver se vocês vão cumprir, vocês estão cumprindo ou vão cumprir a Torá. Esquece os sábios então, tu acha muito difícil, muito, muito apetrecho, muito, muito acessório, né? Ok, então vai lá, faz a base. É tipo chegar para ti, Nicolas, Nicolas, tem um imóvel aqui maravilhoso para você morar, não tem pintura, não tem coisa, mas a estrutura, estrutura firme, tá? Não tem azulejo, mas tá lá.
Tá ligado que a gente fez isso, né? Eu com a minha esposa, a gente fez exatamente isso, cara. Mas tu não tá enfeitando melhor que a tua casa. Sim, mas a gente tem que morar lá.
Mas tá enfeitando, não tem como morar na parede sem reboco.
Não tem como morar, tem que morar, mas fica desconfortável.
Isso que eu tô falando, o enfeite da Torá não atrapalha a Torá, ele mantém a Torá. Só que quem não quer fazer não cumpre nada, nem o que a Torá mandou.
Aí mete um bebágu aí e vira sangue. Vai, mete um bebágu aí.
Leheim Bebagel.