Episódios de Instituto Meninos de São Judas Tadeu

PODCAST #EP70 - Dia do Assistente Social

28 de abril de 202632min
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No dia 15 de maio, celebramos o Dia do Assistente Social — um profissional essencial na promoção da dignidade, da justiça social e no cuidado com quem mais precisa.
Para marcar essa data tão importante, o episódio de hoje é um convite para conhecer de perto os desafios, as realidades e também as belezas dessa profissão que transforma vidas todos os dias.
Vamos entender como atua o assistente social, especialmente no cuidado com crianças e adolescentes, quais caminhos seguir para ingressar nessa área e o que existe de mais humano e inspirador nessa missão.
E para essa conversa, recebemos a Margarida Maria de Carvalho uma profissional com vasta experiência na área social , que hoje atua diretamente nas realidades atendidas pelo IMSJT — uma instituição que, há 80 anos, transforma vidas por meio do cuidado, da educação e da proteção social.
Participantes neste episódio2
R

Renata Câmara

HostJornalista
M

Margarida Maria de Carvalho

ConvidadoAssistente social
Assuntos2
  • Dia do Assistente Socialdesafios da profissão · cuidado com crianças e adolescentes · caminhos para ingressar na área · realidade da assistência social · Instituto Meninos de São Judas Tadeu
  • Experiência de Margarida Maria de Carvalhomediação familiar · certificações na assistência social · programa de acompanhamento familiar
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Sejam bem-vindos ao Nossa Vozcast, o podcast do Instituto Meninos de São Judas Tadeu. Eu sou a Renata Câmara, jornalista do IMSJT, e aqui você vai acompanhar temas relevantes da atualidade.

No dia 15 de maio, celebramos o Dia do Assistente Social, um profissional essencial na promoção da dignidade, da justiça social e no cuidado com quem mais precisa. Para marcar essa data tão importante, o episódio de hoje é um convite para conhecer de perto os desafios, as realidades e também as belezas dessa profissão que transforma vidas todos os dias.

Vamos entender como atua o assistente social, especialmente no cuidado com crianças e adolescentes. Quais caminhos seguir para ingressar nessa área e o que existe de mais humano e inspirador nessa profissão.

E para conversar sobre esse tema, nós vamos receber aqui no nosso VozCast a Margarida Maria de Carvalho, que é uma profissional com vasta experiência na área social e que hoje atua diretamente nas realidades atendidas pelo Instituto Meninos de São Judas Tadeu, uma instituição que há 80 anos transforma vidas por meio do cuidado, da educação e da proteção social. Não é mesmo, Margarida? Seja bem-vinda à nossa VozCast.

Obrigada, Renata. Margarida, para a gente conhecer um pouquinho sobre a sua profissão, sobre você, conta aqui para a gente o que te motivou a escolher essa profissão de assistente social. Ajudar as famílias em situação de vulnerabilidade social. Para que elas se sintam.

sujeitos de direitos, né? Então, eu acho que foi isso que motivou a minha profissão. Para ajudar as famílias, olha que interessante. Margarida, conta um pouquinho, então, o início da sua trajetória.

O que mais se desafiou? Como que aconteceu o começo da sua profissão? Bom, primeiro tem que estudar, né? Fazer o curso serviço social, ter a graduação. Porque se não tem a certificação, não tem como atuar. Então, antes da graduação, eu já fazia serviço social. Porque para ser assistente social, você tem que ter vocação. Então, eu sempre tive essa vocação de ajudar as pessoas. Só que ficava só na ajuda ali no dia a dia. Então, você precisa estudar, se certificar, entender da lei e koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń

para poder ajudar essas pessoas. Então, eu acho que isso foi o mais importante, não é? Que mais desafiador. É, olha que interessante que a Margarida falou, hein? Para ser assistente social, a gente estava falando da profissão aqui no começo, tem que ter vocação. Margarida, existe algum momento da sua carreira que te marcou profundamente? Olha, foram vários os momentos, mas eu me recordo que no ano de 2022, não é?

Eu atuava aqui no CCA e aí eu me deparei com vários casos de crianças onde não tinham convívio com os pais, né? Então, tinha uma criança que ele chorava muito, ele entrava na minha sala e ele queria muito ver o pai. E eu perguntava para ele assim, qual era o desejo, o sonho? Que meu pai esteja aqui no dia do meu aniversário, porque no CCA todos os meses se faz a festa de aniversariantes das crianças.

E aí eu tive que entrar em contato com a mãe dessa criança, pedir autorização para que ela me desse o telefone desse pai, eu liguei. Ele veio aqui, eu fiz uma entrevista social com ele, peguei alguns pontos que até então eu não sabia da realidade do convívio com a criança, com a mãe.

E aí ele veio no dia do aniversário, foi o melhor presente, essa criança chorava tanto, mas tanto, não queria desgrudar nem um minuto do pescoço do pai. E foi muito bonito porque naquele mesmo ano nós tivemos a festa junina e no ano seguinte o pai veio participar da apresentação da criança na festa junina.

Então, assim, tiveram outros casos, né? Acho que foram dez genitores que eu entrei em contato para poder fazer essa mediação com essas crianças que não tinham acesso aos pais, infelizmente, em função da alienação parental, não é? Não são todas as mães que fazem isso, mas algumas usam dessa estratégia para separar a criança do pai, para o pai não ter contato. E nós sabemos que a lei autoriza, isso está na legislação,

mesmo que o pai esteja privado de liberdade, tem o direito de ver essa criança. Então, assim, foram vários momentos, mas esse me marcou bastante porque eu tenho a foto até hoje. Imagino que bonito deve ter sido esse momento.

dessa criança no dia do aniversário, que já é tão especial, né? A gente já fica todo mundo naquela expectativa e, finalmente, dar um abraço no pai que fazia tempo que ele não dava. Agora, Margarida, você falou do CCA, né? O CCA é o nosso centro para crianças e adolescentes, que faz o contraturno da escola. Hoje, você atua diretamente com crianças e adolescentes? Como é a sua realidade hoje aqui no Instituto?

Na verdade, aqui no Instituto, a minha realidade, eu sou uma agente, eu sempre falo que a minha atuação no Instituto, eu sou uma agente transformador, onde eu vou formulando, escrevendo alguns projetos, não é? Claro que com base muito técnica e ética, né? Porque a gente tem um código de ética na assistência social.

E ali, a partir de estudo socioeconômico, eu vou trabalhando, vou apresentando ao padre, a Ivan Yud, que é a nossa coordenadora de assistência da educação, para que a gente possa ter uma concessão, por exemplo, de verbas parlamentares, ou seja, dar prosseguimento, sequência a esse trabalho que o Instituto já faz há 80 anos. Por quê? Porque nós precisamos nos atualizar.

Então, quais são as demandas hoje? Então, assim, as demandas hoje na assistência, o desafio é muito grande. Então, por exemplo, especificamente no período de 2024 até 2026 que nós estamos.

que teve um impacto muito grande, uma exigência das OSC, OSC é Organização da Sociedade Civil, porque nós não somos uma ONG, nós somos uma OSC, uma Organização da Sociedade Civil. Então, nesse período, mais de 2024 até 2026, nós tivemos um aumento na segurança de dados, por exemplo, em relação aos benefícios da assistência. Então, por exemplo, o Cade Único, que até então era...

não tinha muitos critérios rigorosos, por exemplo. Então, hoje, passou por uma reforma completa, onde você, pelo seu CPF, dá para saber, não é onde está essa família, se ela tem direitos, se não tem, o número do NIS está ali, que até então não tinha, com a finalidade de cruzar esses dados, não é?

Então, por exemplo, o CRAS, que é o Centro de Referência da Assistência Social, é a porta aberta para todas essas demandas dentro do território ao qual nós pertencemos, que tem o objetivo de fiscalizar o serviço assistencial, as OSCs, por exemplo, validar, etc.

Então, passaram a fazer mais visitas domiciliares, que até então não tinha muito esse volume de visitas. Ou seja, o Bolsa Família não é que está mais focado agora na frequência escolar, na caderneta de vacinação que até então não tinha. Então, ou seja, foram períodos assim que veio só fortalecer o sistema de proteção social. Então, isso é muito bacana.

Olha quanta coisa que o assistente social tem que ficar de olho, né, Margarida? Sim. São muitas demandas, né? E aqui no nosso instituto a gente tem a Margarida como assistente social, mas tem assistente social também no SAICAS, né? Que são serviços de acolhimento institucional, né? Nós temos duas casas aqui, né, Margarida?

Sim, na verdade eu não atuo diretamente no ISSAICAS, né? Eu sou assistente social do Instituto, mas eu sempre tive um olhar muito amplo, assim. A minha lente de contato é bem aberta, assim. Então, se, por exemplo, os profissionais, a equipe do ISSAICAS me procura...

pedindo alguma ajuda, como já aconteceu, não é? Por exemplo, a gente tem as crianças abrigadas, mas tem a família lá fora. Então, muitas vezes, a família também precisa, por exemplo, de amparo, não é? De um encaminhamento para os benefícios, para as políticas públicas, não é? Alimentos, vestuário, enxoval. Então, elas me procuram e aí eu faço os encaminhamentos para a secretaria.

com o código do padre Cristiano, que é o nosso diretor, e ali a gente consegue atender. Só que eu não atendo, não no SAICA, nem tampouco aqui, porque eu agora não fico mais aqui no CCA. Eu estou agora em outro endereço, alocada em outro endereço, porque agora nós temos um novo serviço.

Olha só, o novo serviço que ela já vai contar aqui para nós. Agora, Margarida, só para os nossos ouvintes entenderem um pouquinho também do trabalho do Instituto, o Instituto precisa de algumas certificações. Sim. E geralmente o assistente social que corre aí atrás disso, não é isso? Exatamente. Na verdade, nós temos na legislação, exige essas certificações na assistência. Então a gente tem CMDCA, porque trabalhamos com crianças e adolescentes.

Então, por exemplo, mais recentemente nós conseguimos o COMAS, o Conselho Municipal de Assistência Social, que tem o objetivo de planejar, de fiscalizar, e valida, por exemplo, a OSC, o serviço da OSC, que é a Organização da Sociedade Civil. Nós temos também, por exemplo, o Prova Social, que é um documento muito importante.

que é uma ferramenta de gestão que foi criada pelo Estado. Entende? Então, nós não somos apenas um instituto que atende crianças, que faz um trabalho voluntário, por exemplo, assim, quando vem um voluntariado. Mas nós temos um serviço de utilidade pública, então isso é reconhecido. E aí, nós também temos aí o Quineas, que conseguimos recentemente, que é um cadastro nacional de entidades de assistência social, que é do governo federal, não é?

Então, ou seja, que registra, que monitora os serviços assistenciais. Enfim, e a gente está em busca de mais certificações, tá? Como, por exemplo, o SEBAS, não é? O Instituto já tem essa certificação, né? Sim, mas nós estamos em busca de outros também.

Precisamos de mais. E aí essas certificações, o que facilita, o que ajuda o Instituto, Margarida? Em tudo. Nas políticas públicas, concessão de verba, projetos que nós temos que escrevermos, não é para captação de recursos.

Sai muito melhor, mas também concede, por exemplo, cota para todos. Nós podemos ser isentos de contribuições sociais, por exemplo, INSS patronal. Margarida, o que diferencia o trabalho assistencial realizado pelo Instituto Meninos de São Judas Tadeu de outras instituições, na sua opinião?

Aqui, primeiro, a gente tem que entender que nós somos igreja. Nós somos filhos da igreja, né? Então, aqui foi fundado por um sacerdote, não é? Então, veja, 80 anos atrás, a gente não tinha essa nomenclatura de saica. Eram abrigos. Então, naquele tempo, o São Paulo... O orfanato, né? Ainda mais antigo, né?

Então, por exemplo, naquele tempo a gente estava no período da industrialização em São Paulo, que recebíamos muitos imigrantes de outros países e também de outros estados. Então, aquelas famílias que deixavam as crianças no instituto, nos orfanatos, era para trabalhar, mas também é porque não tinha condições financeiras de cuidar daquelas crianças, então era um outro público. Hoje, nós atendemos nesses saicas, o saica é serviço, e koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń koń

da assistência institucionalizada, no caso, para crianças e adolescentes, quando o governo, não é quando eu falo governo e Estado, tira essa criança da família, não é da tutela da família, porque essa criança está correndo riscos, porque a família não é capaz de cuidar, porque está ou em situação de drogadição, ou é um ser incapaz de cuidar dessa criança.

Então, hoje, a realidade é outra. Então, há 80 anos atrás, ou até antes disso, os orfanatos eram por isso, porque, às vezes, a mãe falecia de parto, porque a mãe tinha que trabalhar, então, deixava aquela criança ali o dia inteiro, etc. Hoje...

As crianças que nós recebemos vêm de uma situação de extrema vulnerabilidade, onde a família vive em situações precárias, moradias insalubres, invasão, pessoas que estão em situação de rua, na assistência nós temos.

vários grupos de pessoas que vivem essa realidade. Então, por exemplo, grupos de andarilhos, que tem a rua como pertencimento, que está nas esquinas e fica o dia inteiro, perdeu a noção do dia, da noite, de higiene, etc.

Nós temos grupos que estão em situação de drogadição, de álcool, que estão na rua, não é? Mas que muitos deles são cadastrados no Cádio Único e recebem a nossa família. Nós temos outro grupo que são de pessoas que têm uma moradia, muitas vezes, não muito adequada, é de uma invasão, mora em uma casa insalubre, mas que tem...

benefício, recebe o Bolsa Família, as crianças estão na escola. Então a gente tem vários grupos hoje, não é? Que vivem essa realidade. Então, em função dessa realidade, gera-se aí muita violência na família, que a gente chama na assistência de mulheres, viúvas e maridos vivos.

e crianças órfãos de pais vivos, não é? Então, a violência também aumentou bastante. E nós sabemos, na assistência, que a vulnerabilidade social e a pobreza gera violência. Entendeu? Então, isso é muito grave hoje em dia. Então, as crianças que nós recebemos vêm dessas realidades.

É muito legal esse contexto geral que você fez, porque realmente uma criança, quando ela chega para um SAICA, que é esse serviço institucional onde a criança vem para casa, que é cuidada aqui pelo Instituto, tem toda uma história. E geralmente as histórias são parecidas, Margarida, pela sua experiência, isso que você falou.

Paz privado de liberdade, drogadição e por aí vai. Agora, Margarida, eu quero que você também dê um conselho ou conte um pouquinho para quem deseja seguir essa profissão. O mês de maio é o mês do assistente social também. Como a gente falou no começo do nosso bate-papo, dia 15 de maio, se comemora o dia do assistente social. Para quem quer seguir essa profissão, qual o conselho que você dá?

Não tem conselho, Renata. Se a pessoa não tem vocação, não adianta. É, mas como que ela sabe? Ah, eu tenho essa vocação. Como que ela... Você pode ajudar a pessoa a descobrir. Se colocar no lugar do próximo. Se a pessoa não se coloca no lugar do próximo, ela não tem vocação. Então, é a partir de um olhar.

A partir de um olhar, você não pode olhar para as pessoas, independente da condição social que elas vivenciam, de cima para baixo. Primeira coisa, você tem que olhar de baixo para cima, que ali tem uma pessoa. Então, você enxerga um ser humano como você, independente da condição. Então, essa é a primeira coisa. Se você não tem esse olhar, não adianta. Você não tem a vocação, porque você vai sempre julgar. Então, se a pessoa está numa situação de fragilidade, você não pode olhar aquela pessoa que você não tem a vocação.

só pegando aquele ponto para jogar ela no abismo pior do que estava. Então você tem que elevar essa pessoa. Então você só eleva a pessoa olhando de baixo para cima. Se olhar de cima para baixo, então não tem vocação. Infelizmente, é essa a realidade na assistência social.

Então, muitas vezes a gente acha que, olha, porque eu gosto de fazer isso, eu me aposentei e eu não tenho o que fazer, não é? Criei meus filhos, meus netos, aí eu vou procurar um trabalho assistencial, social, não tem vocação, não funciona dessa forma.

Isso é uma realidade, a pessoa pode trabalhar como voluntária, achar que está fazendo um trabalho social, isso é muito bom. A vocação já é algo que incomoda ali desde sempre, a pessoa olhar aquela situação e não... É diferente. Então esse olhado, um voluntariado assistencial, digamos assim, é uma coisa que nasceu depois de, por exemplo, assim...

É algo que é fragmentado. Então eu tinha essa necessidade, mas eu casei, tive filhos, tal, tal, tal, e hoje eu posso fazer alguma coisa para me sentir útil, porque eu não consigo ir dentro de casa. Aí a pessoa pensa que isso é assistência. Não é assistência.

Assistência, você tem que ter vocação. E isso é desde que você nasce, desde que você é criança, mesmo que você nunca tenha feito serviço social. Entende? Agora, o serviço social é necessário para você se certificar, porque se você não tiver a certificação, você não tem como atuar nem dar um parecer técnico, que é necessário isso.

Em algum momento da vida, todos nós vamos precisar de um profissional de assistente social, né, Margarida? Eu sempre falo, assistência social, educação e saúde é a base. Então, não tem como não precisar de um assistente social e não tem como, porque ele atua em todos os segmentos da sociedade, mas, sobretudo, nesses três segmentos que são a base, não é para tudo, na sociedade.

Margarida, para a gente finalizar o nosso bate-papo, eu quero abrir um espaço para você contar aqui para a gente como que está funcionando, como é o programa de acompanhamento familiar São José. Conta aqui para nós.

Bom, o programa de acompanhamento familiar, o endereço dele fica aqui na Pó Tribu, no 64, aqui na Tinha da Gente, aqui na Saúde. O objetivo desse serviço é atender as famílias dentro do território do Crasse.

onde o CRAS alcança, digamos assim. O CRAS é aquele órgão que você nos contou que fiscaliza o trabalho de assistência, é isso? Das OSCs. Da Organização da Sociedade Civil, que valida e que fiscaliza. Então, nós estamos dentro desse território.

Então, esse trabalho de atendimento às famílias é para atender as famílias que estão dentro desse território. Então, por exemplo, eu atendo as famílias das crianças que estão matriculadas, que são usuários do CCA. Eu atendo as famílias que estão matriculadas na Seis João Paulo II, na Vila Mariana.

Eu atendo as famílias que estão matriculadas lá na Seição José, porque está dentro do território. Mas também eu posso atender outras famílias fora desse território, porque a gente ainda não tem a parceria, não tem problema. Eu posso atender famílias que estão na Seição Francisco, Singapura, lá embaixo. Posso atender famílias que estão ali em Americanópolis, não tem problema. E como que é esse atendimento? Esse atendimento é assim.

A mãe vai fazer a matrícula, que lá nós temos uma unidade, um centro de educação infantil, atendemos hoje 15 crianças, e aí eu faço uma entrevista social com as famílias. Então, todas as famílias que eu atendo dentro desse projeto, eu preciso fazer uma entrevista social. Como é que acontece as entrevistas sociais? A entrevista social é um parecer que só a assistente social ela tem, é apta a fazer.

então é uma conversa como eu estou fazendo com você entendeu? Então sem especular sem nada eu tenho a escuta qualificada que a gente chama no serviço aonde a pessoa me traz as suas demandas, as suas necessidades

Porque você não pode olhar uma família, uma mãe, só porque a criança, por exemplo, mora na Vila Mariana, onde está a ser João Paulo II, e você achar, nossa, mas ela mora na Vila Mariana, não precisa. Não, a assistência social não faz esse filtro, ela trabalha com necessidades.

Mesmo as pessoas morando em bairro de classe média alta, morando num lugar chique, numa casa com todo conforto, ela pode ter alguma necessidade. Então, essa é a primeira coisa. Então, aquela mãe traz aquelas necessidades e eu vou ouvindo, não é? Então, por exemplo, a composição familiar, quantas pessoas moram na casa?

Qual é a renda? Está dentro de algum das políticas públicas? Ou seja, recebe Bolsa Família, enfim. A situação da saúde da criança. Tem alguma questão de saúde que você está aguardando, por exemplo, para que essa criança possa ser atendida?

Uma terapia, por exemplo, psicólogo, fono, nesse sentido, e a mãe vai colocando para mim, entendeu? O pai é presente, por exemplo? Então, olha, o pai não é presente, eu estou, por exemplo. A mãe fala muito isso, eu estou.

em busca de um advogado. Então, eu faço esse trabalho junto com a Defensoria Pública. Isso é muito importante. Por quê? Porque muitas mães, os pais, os genitores, na assistência não é pai, é genitor, né? Então, esses genitores, eles não contribuem com nada com essa criança. E aí, isso estava me incomodando bastante, não é? Aí eu fui em busca da Defensoria Pública, fiz uma primeira reunião com eles, que fica lá no centro.

E aí eu faço três acompanhamentos com essa mãe. Primeiro, eu vou com ela pela primeira vez, para ela saber onde fica a defensoria pública.

No segundo encontro é onde se faz a triagem, aí onde tem todas as informações, todos os documentos que ela tem que levar, tudo, extrato de banco, pontos que ela pagou, escola, tudo ela leva. E a terceira reunião também acompanha essa mãe, que já é com advogada. Então, esses três encontros eu faço.

juntamente com a mãe. Aí depois eu falo, olha, agora é com você, porque você já sabe como fazer. Então isso é muito importante. Então, por exemplo, eu tive casa de uma mãe, não é? Onde esse pai nunca contribuiu com essa criança. Essa criança hoje tem 13, esse pré-adolescente.

Então, eles abrem dois processos. O primeiro processo é o civil e o segundo é o criminal. O processo civil, eles fazem um levantamento e um cálculo em cima.

de todos aqueles anos que esse pai não contribuiu. Então, aí eles entram em contato, faz um rastreamento em bancos para ver se a pessoa tem algum bem, algum patrimônio, etc. E o processo criminal, que é o mais forte, é a prisão desse genitor.

Então, faz-se uma busca no território nacional onde ele estiver, ele pode ser preso. Então, por exemplo, ele também faz um cálculo em cima daquele valor, né, dessa criança, por exemplo, que tem 13 para 14 anos, que nunca recebeu.

financeiramente nada, a mãe nunca recebeu. E ali ele é preso. Então, suponhamos que o valor seja de 10 mil reais. Então, ele só tem a liberdade se ele pagar aqueles 10 mil reais. Então, é muito importante. Então, quando as mães sabem, porque é um advogado gratuito, é uma política pública também gratuita.

Então elas ficam muito encantadas, impressionadas. E nós já tivemos aí o primeiro caso que já foi resolvido e a mãe já está recebendo a atenção. Olha só, e não tinha informação, né? Olha a importância desse trabalho realizado pela Margarida lá no programa de acompanhamento familiar São José. Olha que riqueza, né? Que trouxe.

E essa abertura aí para essas mães e para os pais também, né? Que por cima a gente sabe que a nossa realidade, geralmente a maioria são as mães que ficam tentando sustentar a casa e os filhos e tal. Então, como a Margarida disse, lá no 6 São José...

São 15 crianças atendidas, mas ainda tem as outras creches, que o número é bem maior dos nossos atendidos. Hoje são 80 famílias. Olha, já estamos com 80 famílias sendo atendidas. Já passou de 80 famílias. Como eu disse, nós atendemos as famílias dos usuários do CCA, também lá da CEI, João Paulo II. Na Vila Mariana. E claro.

embora a gente ainda não tenha parceria nem com assistência nem com a educação, quando eu falo de parceria, Renata, eu estou me referindo a valor, tá? A parceria só se dá quando a consina o contrato e o Estado, o governo paga aquele serviço, aquela equipe, etc e tal, então a gente não tem essa parceria, mas aí eu posso atender qualquer mãe de qualquer usuário em qualquer outra realidade e outro endereço né, então é isso koń koń koń

É muito importante a gente saber de todo esse trabalho realizado aqui no Instituto. Eu queria agradecer, Margarida, a sua participação. Você enriqueceu muito, contou muitas novidades aqui para os nossos ouvintes, para sempre saber um pouquinho mais do funcionamento do nosso Instituto Meninos de São Judas Tadeu. E eu quero abrir um espaço para algo que não foi perguntado e que você queira deixar aqui para os nossos ouvintes.

Tá bom. Quando você perguntou para mim sobre o que marcou aqui dentro do Instituto, tem muitos casos, não é? Como a gente trabalha com crianças e adolescentes, eu acho que vale a pena contar um outro caso. Então, veja, no caso dessa criança que eu falei para você...

com o pai, no aniversário. Eu fiz essa mediação para que essa criança ganhasse esse presente. Mas também temos um outro caso que se trata já de saúde. Então, quando eu entrei aqui no Instituto, era a Diana, que hoje a Diana está como diretora da CEI Santa Catarina. Então, nós começamos a fazer um...

um trabalho para conhecer as famílias, porque o Instituto, nós precisamos saber quem são as famílias aqui. E eu comecei a fazer essas entrevistas para conhecer a realidade de cada uma delas. Até então, não sabia. Então, no dia que eu cheguei numa mãe, a mãe marcou comigo, vem, aí eu comecei a fazer essas perguntas que eu falei para você, que a gente vai abordando em relação...

A questão de saúde, de assistência, de educação e tal. E a mãe falou que estava aguardando já há muitos anos uma cirurgia, porque a criança que estava aqui conosco, que tinha seis anos na ocasião, ela tinha uma cardiopatia grave, sopro no coração e estava esperando um transplante.

E aí eu acionei a equipe, a Diana, etc. Na ocasião, para poder acompanhar os educadores a realidade dessa criança. Porque ela poderia ter uma morte súbita, uma criança brincando, não é? Correndo, subindo. Aí o que eu fiz? A mãe me trouxe todo o prontuário dessa criança e era no Hospital São Paulo. A criança nasceu lá, era acompanhada lá.

E aí eu fiquei, eu acho que quase uma semana tentando ligar lá e não conseguia, porque só chamava, chamava, chamava. Aí eu fui um dia no Hospital São Paulo, fiquei o dia inteiro lá praticamente, esperando ser atendida pelo assistente social. Aí o assistente social...

Me passou todo, me deu um retorno daquilo que eu já tinha mandado por e-mail, a situação da criança, aí marcaram uma reunião com a equipe multidisciplinar, com os médicos que acompanhavam essa criança, para poder dar urgência na prioridade, porque na saúde a prioridade sempre é a criança.

E aí, eles ficaram todos os meses, quando a criança ia na consulta pré-operatório, coisas assim, eles me mandavam por e-mail, me dando o retorno da realidade dessa criança. Então, eu fiquei bem contente, porque ficou por muitos anos. Eu acho, até a cirurgia, a cirurgia me parece que aconteceu em 2024 para 2025.

Então, até aquele momento, eles me atualizavam, né? Atualizavam, porque acho que eles entenderam que a criança ainda estava aqui. Então, dois anos depois, isso foi em 2022, por aí em 23, aí a mãe tirou daqui porque ela mudou de trabalho, não é? Hoje a criança, ela tinha seis anos, hoje ela deve estar com os dez, né? Então, foi bem interessante, né? E cheio de saúde, né? Cheio de saúde, né? E fez o transplante, fez a cirurgia, etc e tal.

Então, é isso, o Instituto tem esse olhar, não é? Essa mão, são várias mãos, não é? Então, quando eu falei para você no início que é muito importante essa mediação, essa interlocução com...

A intersetorialidade não é não ficar só na assistência, mas olhar a educação, olhar a saúde. Então, o meu sonho seria o quê? E esses três segmentos se conversassem, porque, com certeza, as terapias, o atendimento às crianças e adolescentes seria excepcionais.

Seriam bem melhores do que hoje. Em todos os lugares. Não só aqui. Não só aqui, mas em todos os sentidos. Se se conversassem, a educação assistência e...

a saúde, o retorno do trabalho com as crianças e as famílias seriam excepcionais. Seriam excepcionais. Margarida, mais uma vez, muito obrigada pela sua participação aqui no nosso VozCast. Eu que agradeço e estou à disposição. Nós conversamos com a assistente social do Instituto, a Margarida. Esse episódio, com certeza, mostrou todo o trabalho realizado de um assistente social aqui dentro do Instituto.

E aí

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