Episódios de De Billy a Besta

#57 - Jogos que deviam ser a dois

24 de setembro de 20261h25min
0:00 / 1:25:51

A caixa diz que dá para cinco, mas será que vale a pena convidar os outros três?

Neste episódio, falamos dos jogos que preferimos a dois e discutimos o que muda quando juntamos mais gente à mesa: mais interação, mais confusão ou só mais tempo à espera?

Entre Wingspan, Azul, Carcassonne e muitos outros, há opiniões para todos os gostos e pouca vontade de ficar calado. Ainda partilhamos os jogos que temos jogado e conversamos sobre tarifas, a reação da Stonemaier Games e a luta pelo voto em Votes for Women.

E vocês, que jogos preferem jogar só a dois?

Participantes neste episódio3
N

Nuno Rebelo

Host
C

Carlos Pedrosa

Co-host
T

Tiago Pedrosa

Co-host
Assuntos6
  • Jogos de tabuleiro que funcionam melhor com dois jogadoresjogos multiplayer com melhor experiência a dois·impacto do número de jogadores no tempo de jogo·controle da sorte e do jogo com menos jogadores
  • A influência da interação e programação na experiência de jogo a doisinteração vincada entre jogadores·planejamento de jogadas com menos oponentes·controle do tabuleiro do adversário
  • A importância do tempo de jogo na preferência por dois jogadoresjogos demorados com mais jogadores·raciocínio e planejamento prolongado·sofrimento com longos tempos de espera
  • A estratégia das editoras ao indicar o número de jogadores nas caixasvenda de jogos para mais jogadores·testes de jogos para diferentes configurações·alargar o leque de jogadores
  • Ações da Stonemaier Games contra tarifas de importação nos EUAprocesso contra o governo dos EUA·tarifas sobre produtos da China·impacto nas empresas de jogos de tabuleiro
  • O jogo Votes for Women e a luta pelo voto femininoperíodo histórico de 1848 a 1920·conquista do voto pelas mulheres na América·mecânicas de jogo cooperativo e competitivo
Transcrição289 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz A

Quantos de nós já comprámos um jogo para 4 ou 5 jogadores só para chegar à conclusão de que afinal é um jogo para 2? Hoje vamos falar de jogos que se jogam melhor a 2 pessoas do que a qualquer outra configuração, não interessa muito o que é que a caixa diz. Não saia daí, voltamos já! Bem-vindos a este episódio de Bili AB. Este, pois é, um podcast sobre jogos de tabuleiro, sobre jogos de mesa e sobre outros tipos de jogos. Então, este podcast é efetivamente uma mais-valia, e é uma mais-valia onde não tem que se pagar o imposto por essa mais-valia, e especialmente para todas aquelas pessoas que gostam de jogos de tabuleiro.

O nosso tema de hoje pode gerar alguma discussão, porque efetivamente quase todos os nossos temas são bastante fracturantes, porque vamos falar de todos aqueles jogos que na Caixa dizem que são para 4 ou para 5, mas, mas afinal funcionam muito melhor a 2, ou têm uma grande vantagem em ser jogada a 2. Porque é que será que isto acontece? Será que é deliberado da parte dos editores? O que é que nós pensamos sobre isso? Vamos ouvir a opinião do Tiago Pedrosa e do Carlos Pedrosa, sob a minha orientação, que sou Nuno Rebelo. Muito bem. Olá, Carlos, como é que estás?

?Voz B

Olha, obrigado.

?Voz C

Está batizado, mas então Estou enganado. Somos irmãos, malta. Vocês não sabiam, mas eu sou mais novo.

?Voz A

Eu posso repetir se vocês quiserem.

?Voz C

Nada, continua. Toda a gente sabe que é o Carlos Abrunhosa, o Tiago Pedroso e o Nuno Rebelo.

?Voz B

E eu já disse olá.

?Voz C

Então lá, não deixes trabalho ao editor.

?Voz A

Ok, Carlos, então como é que estás?

?Voz B

Estou bem.

?Voz A

Pronto para mais um episódio?

?Voz B

Eu estou.

?Voz C

Pelo menos está acordado.

?Voz B

Sim, ainda estou acordado.

?Voz A

Qual é o tema de— porque tu tens uma vasta experiência no mundo dos jogos de tabuleiro— qual é o tema que tu achas que faz falta neste mundo dos jogos de mesa? Será que é a gestão de um lar de idosos ou angariação de fundos?

?Voz B

Eu adoro esse primeiro, acho que tinha possibilidades. Não estou a ver jogo nenhum com esse tema. Angariação de fundos, sim, se calhar já existe. Quando falamos de jogos económicos, existem, existem inerentes ao próprio jogo a angariação dos fundos.

?Voz A

Portanto, acho que o primeiro ficaria ok, mas gestão de lar de idosos também não parece mal.

?Voz B

Sim, sim.

?Voz A

Muito obrigado, Tiago.

?Voz C

Por falar nisso, mas não era de idosos. Era pessoas mais novas.

?Voz A

Achas que Portugal deveria comprar mais submarinos para explorar o fundo do mar?

?Voz C

Eu acho que sim. Já li notícias um bocadinho mais acerca disso. Não vamos aprofundar porque isso é um tópico bastante—

?Voz B

aliás, se tu não aprofundas, também não exploras. Os Estados Unidos, segundo o que parece, preparam-se para explorar mesmo o fundo do mar.

?Voz C

Exatamente, querem começar a fazer em águas internacionais, portanto exploração, mineração do leito marinho, que é uma coisa péssima.

?Voz A

Portanto, meus caros amigos, então já não chega o que temos à superfície, vamos todos morrer oficial. Por isso joga jogos de tabuleiro em vossas casas, não saiam à rua, que é que o final do mundo vem.

?Voz C

Temos pensado da seguinte maneira: nós já estamos em 25, portanto em 2020 estávamos a dizer ainda bem que eu andei a fazer uma coleção de jogos de tabuleiro, agora que vou ficar 2 anos parado em casa já tem coisas para fazer. Agora podemos dizer a mesma coisa, agora que está um tolo a governar o mundo, ainda bem que eu tenho jogos de tabuleiro em casa para não sair lá fora.

?Voz B

Sim, mas há uma grande probabilidade do apocalipse. Não, daqui a uns anitos, 5 anitos, o homem já não estar cá, porque ele tem 78.

?Voz C

Não sei.

?Voz B

Bem, como ele é visto todos os dias pelo médico e certamente lhe fazia o toque retal diariamente, ele vai durar, de certeza.

?Voz A

Então, meus caros companheiros deste painel de discussão, o que é que vocês acham sobre este nosso tema? Ou seja, vocês conhecem jogos que, apesar de estarem na caixa para, sei lá, 4 ou 5 ou 8 ou Isso já seria difícil. Não sei se conhecem algum, mas para 4 jogadores ou 5 jogadores que afinal jogam muito melhor a 2, vocês conhecem muitos desses jogos? Tem algum?

?Voz C

Não conheço nenhum, desconheço isso, nem sei do que falas.

?Voz B

Jogos, podes repetir a pergunta porque eu perdi-me no meio da tua pergunta.

?Voz A

A pergunta é tão simples quanto esta. Então Sim, ou seja, se existem, se vocês conhecem muitos jogos que são multiplayer para muitos jogadores e depois na realidade não vale a pena estar a convidar tanta gente porque jogam muito melhor a 2, ou seja, se isso é comum acontecer.

?Voz B

Sim, quer dizer, comum, acho que não é comum, não é? Mas só dá para, ou melhor, jogos que são multiplayer, portanto podem jogar a 4, 5 ou 6 ou por aí, e que só, e que funcionam melhor a 2 do que funciona nessas outras configurações todas, não acho que seja comum, mas que existem alguns casos, existem. Eu acho que existem. E se calhar se formos conversar sobre isso, provavelmente vamos chegar aqui a algumas conclusões até que partilhamos das mesmas ideias em relação a alguns desses temas.

?Voz C

Então vamos lá fazer isso. Vamos lá fazer isso.

?Voz A

Ok, por exemplo, Sei lá, eu fiz algum, pensei em jogos que eu já joguei e que conheço, e se calhar me parecem que jogam melhor a 2 do que a 4 ou a 5 ou que estiver na caixa. E se calhar vou avançando alguns e depois vamos conversando à medida que a conversa vai surgindo. Olhem, um dos jogos que eu acho que joga muito bem a 2 e que não são precisos 4 pessoas é o Sea Salt and Paper. Ou seja, é um jogo em que, não sei, acho que quando tu jogas a mais jogadores vai aumentar o tempo do jogo sem teres grande, como é que eu vou dizer, não vais ter grande benefício por estares a jogar com mais do que 2 jogadores. Vai demorar mais tempo.

?Voz C

Acho que até o contrário.

?Voz B

Pois.

?Voz A

Vai demorar mais tempo. E eu acho que o contrário é muito interessante. E há vários jogos nesta minha lista que têm isso, que é Quando tu tiras mais jogadores, tu consegues controlar melhor a sorte e consegues controlar melhor o jogo. Por exemplo, se solta um paper em que temos que às vezes tirar cartas e temos que ter uma memória do que é que o jogador levou para a sua mão, do que é que ele lá terá, isso se calhar é mais fácil de manter e de controlar se estou a jogar com uma pessoa.

Agora, se estou a jogar com outras 3, decorar o que as 3 fizeram parece-me um bocadinho mais difícil. Por isso Parece-me que há jogos onde, e este é um exemplo, eu gosto de jogar o Sea Salt and Paper a duas pessoas, acho que funciona muito bem.

?Voz C

Eu por acaso, quando joguei o Sea Salt and Paper, não pareceu que ele jogasse mal a mais do que dois. Aliás, ele é assim tal como demora assim tanto tempo, perdoe-me, porque eu já joguei para aí, quando ele saiu, para há dois anos, meia dúzia de vezes.

?Voz B

Não, eu também já não jogo há algum tempo Sea Salt and Paper, mas Eu concordo com aquilo que o Nuno diz, que é, há jogos que são, como é que dizer, só arrastam porque têm mais pessoas. Pois, do ponto de vista um bocadinho egoísta, dá jeito de jogar a 2, que é para não demorar tanto. São porreiros e são bons para se consumir a 2. Estou a pensar nisto com experiência até mais de jogo virtual, mais do que propriamente.

?Voz A

Mas o Sea Salt and Paper funciona bem a 3 ou a 4.

?Voz C

Era esse o meu ponto.

?Voz A

Não sei se estou a fugir do tema, mas ele funciona bem. Agora, acho que é mais benéfico jogar a 2, porque tens a mesma experiência de jogo.

?Voz B

Mas olha, o Dick Cha, desculpa estar a interromper, mas é assim, no BGG a configuração é a mesma a 2, portanto não estás a fugir ao tema.

?Voz C

Então eu vou tirar outra coisa para a mesa já direta, vou-vos mandar com o Inkspan Strombers, que é um jogo que cai nem todo mundo disse, não é? Só que como os turnos demoram tanto tempo, que não é muito, atenção, mas os turnos demoram algum tempo, o facto de aumentares o número de jogadores, e agora na expansão vai até 6, se não estou em erro, já não lembro se a base era para 5, mas eu acho que era para 4, agora aumentaram mais 2, o jogo torna-se para 5, a base é para 5, já não, sinceramente já não me lembro.

O jogo, sim, muito honestamente torna-se torna-se mastigar cartão a mais que 3, ou seja, a 4 e a 5 torna-se mastigar cartão. E é uma péssima experiência, embora jogue-se razoavelmente bem, não é? Ou seja, não há diferenças praticamente entre jogar a 4 e jogar a 1, tirando o tempo que estás ali a olhar para pessoas a escolherem, a escolherem apps, interações praticamente. Não concordo, realmente, que eu só tenho o Então bora lá.

?Voz A

Eu acho que o Wingspan tem uma coisa que a 2 não sei se vai funcionar muito bem, é que as cartas que estão disponíveis para tu escolheres, ou seja, aí são muito poucas, o painel onde ficam ali, e se ninguém tira, estão ali e estão ali. Mas eu também já tenho essa ideia, porque eu acho que é um defeito do próprio jogo, porque se for a 3 ou a 4 ou 5 elas também não se movem muito, mas movem-se mais. Ou seja, há mais, tu tiras uma, outro tira outro.

Pronto. Agora, a mecânica do jogo, a própria mecânica do jogo, não está potenciada para fazer esse refresh das cartas. Por isso acho que a 2 vai ficar pior. E eu acho que o Wingspan, se calhar a 3 parece-me uma boa, entre o 1 e o 5, que é, ok, 1 e o 6. A 3 eu acho que será melhor.

?Voz B

Acabou logo no primeiro round.

?Voz A

Não, porque eu acho que essa é a parte chata do Wingspan, é que as cartas não— aquilo é um monte enorme de cartas, mas elas parece que não saem dali.

?Voz C

Tens que andar à procura delas. Eu concordo. Eu vou dizer porque é que eu pensei no Wingspan, porque a expansão asiática, estava-me a falhar o nome, Ásia, traz o módulo para 2, e o módulo para 2 é bastante— é muito mais apetecível do Ásia do que o normal do Wingspan. Então a minha mente confunde um bocadinho os modos todos. Sendo que tens toda a razão, eu acho que jogar a 4, principalmente a 5, eu já acho que já joguei a 5, ou já vi pessoas a jogar assim, eu já joguei a 5, e é de cortar os pulsos.

E lá está, não é porque o jogo seja mau, porque pode ser, mas é porque estás ali literalmente à espera que 4 pessoas joguem à tua frente a 5 e só estás ali a olhar braços cruzados. E isso carece mais para jogabilidade.

?Voz B

Olha, eu vou começar já com um dos jogos que eu acho que não há outra configuração para aquilo. Que é o Chakra.

?Voz C

O Chakra dá para jogar a 4.

?Voz B

E eu acho que nunca na minha vida joguei a 4.

?Voz C

Nem só joguei aquilo contigo e aí joguei a 3, confesso.

?Voz B

É claramente um jogo para tomar lá da cá.

?Voz A

Digitais, Carlos, em digitais já jogaste a 3?

?Voz B

É capaz, mas não foram muitas as vezes que eu joguei isso a 3. Foi mesmo só para juntar amigos.

?Voz A

Também tens que jogar a 3 porque é para saber que é melhor a 2. Isso é verdade.

?Voz B

Sim, não, mas o próprio jogo em si proporciona-se a isso. Ou seja, é porreiro porque tu consegues, vendo a jogada que o outro está a fazer, já dá para ires pensando na tua. Ou seja, com 4 torna-se mais difícil tu programares. Eu acho que isso é uma das características até desse de jogos que são, que têm esta, têm esta natureza de ser bons a 2 quando são de 4.

?Voz A

Quero falar sobre isso também.

?Voz B

Sim, é o facto de eles terem, desculpa, ias dizer alguma coisa?

?Voz A

Não, diz, diz, fala.

?Voz B

Não estava a dizer que essa é uma das características que eu acho que é importante, ou que dá à Azul aqui um jogo de multiplayer seja tenho uma melhor experiência a 2, é quando as ações ou a interação dos jogadores entre si é muito vincada ou tem alguma relevância, e por esse facto o estares à espera da tua vez não te permite ires planeando aquilo que queres fazer a seguir, mesmo que a jogada do teu adversário te provoque algum constrangimento.

Mas é preferível que isso seja com um apenas do que tu teres 2 marmanjões à tua frente a fazer as suas coisas e só à 4ª vez é que sou eu. E portanto, quando lá chegar, de certeza que já passou muita coisa e não vale a pena estar a pensar quando decidência.

?Voz A

Concordo.

?Voz B

E aí esses também, aí esses vou acrescentar o Nova Luna e o Sagrada.

?Voz A

Ou seja, no Nova Luna jogar a 2, tu consegues controlar muito bem as peças que estão ali à tua frente, porque no Nova Luna as peças Tens, por exemplo, eu não sei quantas peças são, mas as pessoas que não conhecem o jogo, ou seja, nós temos, por exemplo, 10 peças ou 12 peças disponíveis, mas na nossa vez de jogar só podemos tirar até à terceira, ou seja, onde está o marcador até à terceira. Se tu estás a jogar a 2, tu sabes mais ou menos que vais entre a primeira peça e a sexta, tu vais tirar uma peça dessas.

E como tu vês o que o teu jogador está, o teu oponente está a fazer, tu consegues prever, ok, ele se calhar vai tirar aquela cor porque lhe interessa, por isso ele vai ficar nesta posição. E eu vou ter estas 3 peças disponíveis. A mesma coisa com Sagrada, ou seja, tu vais construindo o teu, vais construindo o teu vitral, vais tirando o dado, depois passa para o teu adversário e sabes que em princípio ele poderá tirar aquele dado ou não, ou tirar outro, e tu vais programando melhor.

Por isso eu concordo muito no que estás a dizer e agradeço que tu tenhas feito esse resumo, porque é mesmo se calhar isso, ou seja, vou estar com mais atenção, ou seja, em jogos que tu tens que programar e tens que estar à espera porque todos estão a tirar do mesmo, da mesma pool, da mesma piscina, vamos dizer assim, vamos traduzir livremente. Eu acho que efetivamente pode fazer uma grande diferença. Talvez o azul, eu não sou, nunca joguei muito azul, mas não sei, vocês costumam jogar, o que é que vocês acham se o azul é igual?

?Voz C

O azul tem muita interação, não é nada, desculpa, Tava agora, desculpem, tava com o azul, tava com outro chip. O azul joga bem a todos, mas eu gosto mais de jogar a 2, efetivamente, apenas por uma razão: tu consegues controlar mais o tabuleiro do adversário. Porque quando estás a jogar, por exemplo, a 4, muito honestamente, eu não sou uma máquina, portanto não consigo controlar o que todos os meus adversários estão a fazer e ainda jogar otimamente para mim.

Quando estou a 2, é mais fácil dar uma chapada virtual no meu adversário e jogar contra ele. Ok, portanto, eu tenho que jogar azul.

?Voz A

O azul está no BGG como melhor para 2, ou seja, é um dos jogos, provavelmente por esta razão.

?Voz C

Embora lá está, é um bocadinho aquilo que nós estávamos a dizer há um bocado, eu acho que joga bem nas outras, nas outras todas, até porque o jogo não é muito mais demorado por ser a 4, é um bocadinho mais demorado porque tens mais pessoas a jogar. Mas a primeira parte é as pessoas escolhem as pedras que têm e jogam. Enquanto, como a partir do momento que tiras, outra pessoa está a jogar, portanto não há ali um dilema muito grande.

A questão é, eu acho que a grande questão é esta: quando jogas a 2, torna-se um jogo extremamente tático porque consegues vigiar o que é que a outra pessoa está a fazer. Então consegue, é um bocadinho, lá está, vou dizer que é um xadrez, não é? Estás a jogar, estás numa luta com outra pessoa, e isto faz com que tu consigas, pelo menos no meu gosto, o jogo seja mais possível. Mas é um jogo que eu jogo perfeitamente bem a 4. Lá está. Ao contrário, por exemplo, do Ink Spent, que não consigo.

?Voz A

Vocês costumam ir ao BGG colocar, por exemplo, classificar os jogos consoante a configuração que acham que funciona melhor, ou não costumam?

?Voz C

Somente é raro.

?Voz B

Não, não, não, eu raramente faço isso. Raramente faço isso.

?Voz A

Agora, eu também Eu também vou fazendo alguma coisa disso, vou fazendo alguma às vezes. Não tenho feito ultimamente, mas a verdade é que nós usamos muito esses dados, mas também não participamos nesses dados. Por isso, até que ponto é que esses dados são verdadeiros? Não acho, não penso nisso. Eu penso nisso às vezes.

?Voz B

A quantidade de pessoas que votam dão-te uma perspetiva da validade ou da da representatividade desse voto, portanto, dessa opinião. Se tu tiveres 50 pessoas a dizer que, ou 50 em 80, que gostam mais a 2 e o restante só diz que é 3, é uma coisa. Outra coisa é teres valores na ordem das 500 ou das 600 pessoas a fazerem isto, e aí já vale muito mais essa opinião do que a outra.

?Voz C

E acrescento uma coisa: às vezes não é tanto o valor absoluto, ou seja, é melhor a 2. Às vezes é melhor ver a distribuição até dos jogos. Por exemplo, sei lá, 40% acham que é melhor a 2, 30% acham que é melhor a 3, e 20% acham que é melhor a 4, e 5% acham que é melhor a 5. Nitidamente este jogo é para ser jogado a 2 e a 3, por exemplo.

?Voz B

Mas o BCG já faz um bocado isso, Tiago. Ele faz isso, ele já às vezes no Best acho que já coloca 2 ou 3, né?

?Voz C

Quando tu abras, quando tu clicas lá para abrir, ele diz-te o rácio de todos. É isso que eu estava a dizer. Em vez de vermos efetivamente qual é que é a contagem específica que ele dá, serve demais abrir e ver qual é, o que é que as outras pessoas disseram, porque Ah, isto está a dar-nos a erro, ok? Porque às vezes as percentagens estão tão próximas que o automatismo só nos dá maior, não é? Se a diferença for 1%, vai nos dar maior e estamos automaticamente a excluir mentalmente a possibilidade de jogar, por exemplo, um jogo noutra configuração só porque o BGG nos diz isto.

?Voz B

Para além de, pronto, nós temos, nós não precisamos ser esses cravos do BGG agora.

?Voz C

É isso que eu quero dizer. Mas lá está, é uma bússola. Eu costumo dizer que o BGG é mais, utilizo o BGG como uma bússola. Comprar um jogo, vou lá ver, é 5, se calhar nem sequer eu pego, não é? Se calhar, mas é um 8, ok. Se calhar se já estou interessado, já vi qualquer coisa e o BGG está a me dizer que é um 8, pá, se calhar vou comprar ou vou tentar ver mais coisas. É uma bússola.

?Voz B

Olha, já agora que estamos nesta de falar de jogos, eu tenho aqui dois que eu comparo um bocadinho pela experiência, pela experiência de jogo, embora sejam até jogos bem diferentes. Um é o Santo Petersburgo e outro é o Castle of Burgundy.

?Voz C

Nunca joguei o primeiro.

?Voz B

O Santo Petersburgo é um jogo que dá para jogar a 4 Mas que eu prefiro claramente jogá-lo a 2, porque lá está, é tal coisa, nós influenciamos bastante as jogadas uns dos outros quando jogamos, e as cartas que vão ficando vão ser aproveitadas ou não pelo jogador a seguir. Portanto, e assim como falava um bocadinho do chakra, tenho a mesma sensação que é mais controlável, digamos assim. Nós conseguimos controlar um pouquinho mais aquilo que podemos fazer, que o adversário está a fazer.

Quando é com mais, eu acho que pronto, já foge um bocadinho o pé. No caso do Castle of Burgundy, eu acho que tenho um pouquinho a mesma sensação, embora neste caso seja interessante na mesma jogar com outras configurações. A 2 é mais rápido e isso faz-me tocar aqui numa das outras características que eu acho que são, que também é muito importante o jogo ter, ou melhor, acaba por ser uma consequência para tornar o jogo melhor a 2 do que com uma configuração, que é o tempo que demora.

Eu sou um bocado suscetível aos tempos de jogo, não sou jogador para estar mais do que 3 horas a jogar um jogo. Pronto.

?Voz C

Lamento, isso, o jogo foi bom, pronto, lá está.

?Voz B

Toda regra tem sua exceção, mas por regra, um jogo que demora mais do que 2, 3 horas, para mim já só vou por exceção ou pela amizade das pessoas com quem vou jogá-lo, ou assim, porque no dia a dia, pá, não tenho tempo para isso. E se for um encontro, por exemplo, também procuro jogar coisas mais rápidas para ter a experiência de jogar. Portanto, às vezes não tenho, num encontro de uma tarde ou de uma manhã, não faria mais nada se não jogar esse jogo, e se calhar não acabaria.

Portanto, o Burgundy é um jogo que, não sendo muito demorado para estes valores que eu estava a falar, para estes tempos, não deixa de ser um jogo demorado se tivermos a jogar com 4 pessoas, por exemplo. Porque é um jogo que exige algum raciocínio, algum pensamento das jogadas que queremos fazer, de uma planificação mais a longo prazo. E portanto é preciso ir sempre, é preciso pensar, é preciso demorar algum tempo.

?Voz A

E portanto, Tiago, tu também já jogaste e jogas o Burgundy, tens a mesma opinião?

?Voz C

Eu não joguei, assim, eu não joguei suficientemente vezes o Burgundy para dizer que prefiro jogar 2, até porque eu acho que nunca joguei, ou raro, não, já joguei uma vez a 3 e normalmente jogo o Burgundy a 2 com a Ana. Portanto, sinceramente não sei, mas é aquilo que eu estou a admitir, é eu tenho um enviesamento, não é? Eu gosto do jogo, não jogo, a Ana gosta muito mais que eu, mas eu gosto do jogo e jogo, mas nunca joguei muitas vezes, portanto também não consigo ter aquela comparação.

E agora pensando, é um bocadinho um caso Há lá, é um caso à la Wingspan, que acho que o acrescentar jogadores acrescenta no tempo que demora o jogo e no tempo que eu estou parado sem fazer o nenhum, para depois quando chegar a minha vez. Dizes?

?Voz A

Então concordas com o Carlos?

?Voz C

Sim, sim, é isso que eu estou a dizer.

?Voz A

Aumentar o número de jogadores aumenta tempo de jogo.

?Voz C

É isso todo, mas demora tanto que o jogo, e no caso com uma agravantezita que é quando chegar a minha vez eu tenho que repensar o jogo porque algumas peças podem ter mudado. E passar 10 minutos aqui, lá está, até a minha vez de jogar, e depois tem que agora ia ser eu a pensar durante 2 minutos. Parece que não torna o jogo, lá está, um bocadinho sofrível. A minha pergunta se calhar era: nós nunca fizemos um podcast acerca de jogos demorados, ou melhor, se gostarmos de jogos que demorem muito, ou porque é que não jogamos jogos que demorem muito?

?Voz B

Pois não.

?Voz C

Não, é um som rápido para nós.

?Voz B

Sim, uma pessoa nem para jogar jogos mais rápidos tem tempo.

?Voz C

Quanto mais, quando disseste isso, eu comecei automaticamente a pensar numa resposta para ti. Só não falo mais porque estamos num podcast que não é para isso. Não, estamos com um tema que não é para alongar isso. Fica, fica aqui.

?Voz A

Voltando ao tema, eu vou lançar, por exemplo, o Carcassonne. O Carcassonne está no BGG como um jogo para 2. Atenção, um jogo para 2. O Carcassonne dá para 4 jogadores, a sua versão base, mas a sua melhor versão no BGG está colocada para 2. E eu agora estava a pensar, realmente, os torneios que eu tenho visto do Carcassonne quase sempre é 1 contra 1, ou seja, são 2 pessoas a jogar uma contra a outra. Não sei se vocês têm algum conhecimento mais sobre isto, se funciona melhor, porque A verdade é uma só, ali não há no Carcaçone, eu agora deixei-me aqui rever as minhas memórias, mas no Carcaçone nós vamos tirando peças e vamos colocando a peça imediatamente, ou seja, não temos ali uma piscina de peças das quais já estão abertas e nós vamos escolhendo dela.

?Voz C

Infelizmente, o que torna isso que estás a dizer, torna o jogo mais demorado.

?Voz A

Ok.

?Voz C

Regra não oficial, regra não oficial, tira sempre duas Acho que são 3 peças, escolho uma delas. Ok, ok. Jogas sempre com 3 abertas para ti.

?Voz A

E concordam que o Carcassonne seja melhor a 2? Porque é que não, porque é que não a 4? Acham que demora muito tempo? É bom, o mapa está muito aberto, a pessoa se calhar demora ali um bocado de tempo. Ah, não sei se ponho nesta cidade e ganho estes 2 pontos, não sei se ponho neste caminho. Se calhar será por aí, digo eu.

?Voz B

Epá, se eu não me lembro de Já não me lembro muito honestamente. Já joguei Carcassonne, sim, várias vezes, mas não é um jogo que agora esteja muito na minha, no meu radar.

?Voz C

Mas é verdade, Carlos, diz a verdade, tu não gostas de Carcassonne.

?Voz B

Não, até gosto, mas eu não me custa acreditar que de facto seja preferível jogá-lo a 2, porque por tudo aquilo que eu já disse há bocadinho sobre o chakra, não tens que estar à espera do outro, podes ir programando já com alguma ir pensando onde é que tu vais colocar os teus tiles, potencialmente, se conseguires aquela determinada peça.

?Voz A

Sim, mas é que tu nem sabes a peça que vais tirar.

?Voz B

Não sabes, eu sei, mas sabes os sítios onde queres pôr peça, onde é para olhar, era por ali, era correr por acolá, vamos ver se me sai aquela peça, não é? E sair, já sabes, já nem demoras tempo, já sabes que é claro, já tiveste a pensar enquanto o outro esteve a fazer o mesmo. Digo eu, mas pronto, lá está.

?Voz A

Uma pergunta para o Tiago, porque eu sei que o Tiago joga muito, muito, muito este jogo e queria mesmo ouvir a opinião dele, porque eu só joguei uma vez, não me arria com.

?Voz C

Mas olha que eu ainda quero retorquir esta do Carcassonne.

?Voz A

Então vá, força.

?Voz C

O Carcassonne é daqueles jogos, para já ele tu vê-los no, percebes uma coisa, ele vê-los nos torneios a 2, ele vê normalmente nos torneios a 2 porque é uma maneira mais fácil de à falta de melhor palavra, tornar o jogo competitivo. Ou seja, é mais fácil pontuar torneios de jogos de tabuleiro ou qualquer coisa a 2 do que a 3 ou a 4. Em termos de alinhamentos, é mais fácil de fazer a pontuação dos jogos a 2. Segundo, o Carcassonne é daqueles jogos que eu há um bocado estava a dizer, ele é dito no BGG que o melhor é 2, mas a 3 está pertíssimo.

O que é que interessa? Valores absolutos. 2400 pessoas disseram que era a 2, 2366 a 3, 2278 a 4. Portanto, é um jogo que efetivamente joga melhor, as pessoas preferem jogar a 2, mas a 3 e a 4 não, há também adeptos, não é? E eu pessoalmente gosto de jogar a mais, porque há um bocadinho mais confusão. Agora diz aquela pergunta que me querias fazer.

?Voz A

Eu quero fazer-te a pergunta, quero lançar aqui um outro jogo que é o Roll for the Galaxy, que eu acho que tu costumas jogar. E o que é que tu achas?

?Voz C

O que é que eu acho? É assim, pronto, podia estar aqui a fazer uma dissertação. Não, eu pessoalmente gosto de o jogar em todas as maneiras. Sim que é um bocadito demorado, mas eu gosto de jogar pelo menos até 4. Gosto de jogar por duas coisas diferentes. A 2 joga-se bem, embora quem não saiba jogar o jogo, o jogo a 2 é um bocado estranho, ok? Porque há ali uma mecânica de lançar um dado, que há sempre uma, há sempre uma fábrica, uma, um período que nem é um período, uma das fases dos dados que abrem por causa do lançamento de um dado, que não acontece a 3, 4 ou 5 jogadores.

Então, dito isto, são dois gostos diferentes. Jogas, jogas diferente a 2 do que jogas a 3, porque a 3 tens mais interação, tens de estar mais, tens de estar mais atento ao que o outro está a fazer, e tens, e abres uma, abres ali um cardápiozito de algumas estratégias que agora não vou estar a falar delas, que não vale a pena, para jogares, que dá ali uma pimenta diferente ao jogo.

?Voz A

Não podes falar porque, como participas em torneios, não podes revelar e alongar o podcast, e não vale a pena.

?Voz C

Porque é preciso um bocadinho, como é que eu usei, existem outras táticas. Essencialmente, eu digo, vou dizer, no Roll for the Galaxy tens essencialmente duas táticas. Tens a tática do Explore exploração, e depois tens a tática do comércio, da produção e venda. Só que esta do comércio em si, ela é ligeiramente mais lenta do que a primeira. Então o jogo está muito nivelado para ser a primeira tática que eu disse. Mas se tiveres a jogar com vários jogadores, sinergeticamente tu consegues abrir mais vezes a estratégia de fazer as produção e venda.

?Voz A

Ok, então é, então jogar a 2 não é uma boa opção, é melhor 3 ou 4.

?Voz C

É isso? Não, esta tática não abre tão facilmente, tem que estar a fazer outra, tem que estar a fazer basicamente a tática mais, mais comum, mas joga-se muito bem. Aliás, e o jogo não é tão preso, ok? E torna-se, tem a ver com, tem a ver com a própria dinâmica do jogo. Para quem não conhece o Roll for the Galaxy, basicamente todos nós, sim, não é necessário estares a explicar o jogo, é só, eu sei, mas a pergunta que tu 6, leva-me a que tenha que dizer isto.

O jogo leva-nos a escolher uma de 5 fases do jogo e cada um escolhe. E a 2 há uma que é sorteada, e o dado não é um dado equilibrado, é um dado que pende para as primeiras. Ou seja, tu consegues matematicamente ou estatisticamente prever qual é a fase que te vai abrir com mais facilidade, e o que faz com que a 2 não seja tão fácil de bloqueares um jogador para fazeres o que se chama leashing, que em português não sei, lixamento.

Não, é leashing, é fazer o que uma sanguessuga, é o que fazer, é o que uma sanguessuga faz, que é parasitar basicamente, parasitar o outro jogador. Quer dizer, ir à fase que o outro abre sem nós jogarmos lá. Ou seja, estamos a fazer o meu joguinho e buscar pontos, ou buscar estrategicamente ao outro lado. Então Resumindo, para isto não ficar pesado, resumindo, ao contrário que muita gente pensa, o jogo, o Roll for the Galaxy, se joga muito bem a 2.

Existem diferenças fundamentais na estratégia, da estratégia de jogo que adoptas quando estás a jogar só a 2 do que quando estás a jogar a 3. E pá, e digo isto porque lá está, tem imensas jogadas de Roll for the Galaxy e alguma pesquisa em fóruns, etc., que as pessoas vão dando algumas dicas e nós vamos trocando algumas, alguns apontamentos. Desculpem eu ter sido um bocadito mais pesado. Malta que abriu a boca, se não gosta de Raw for the Galaxy, acredito que é um bom jogo.

?Voz A

Carlos, que jogos mais é que tens aí para evidenciar que tu conheças ou que tenhas jogado, a tua experiência?

?Voz B

Olha, diria que o Reef, que é um jogo do— já não é propriamente novo.

?Voz A

Como é que tu disseste?

?Voz B

Reef de Recife.

?Voz C

RIF com dois Es.

?Voz A

R-E-E-F.

?Voz B

Do Emerson Matsuchi.

?Voz C

Esse é aquele que temos em 3D, não é?

?Voz B

É exatamente, fazemos uma montagem 3D.

?Voz C

Esse jogo, achas que joga melhor a 2?

?Voz B

Eu gosto mais de jogá-lo a 2, sim.

?Voz C

Eu não sei porquê, tu vês as coisas a 3.

?Voz B

Atenção, ainda há bem pouco.

?Voz C

Ok, eu sou enviesado porque eu acho sempre que há confusão, eu prefiro jogar nesse modo.

?Voz B

Não, opá, eu já joguei com mais, que se me estava a dizer agora há pouco tempo. Joguei este jogo e até joguei com 3 pessoas e joguei bem, mas acho que lá está, não vale a pena. Prefiro mais jogá-lo a 2.

?Voz C

Já agora, o Riff não é aquele que eu estava a pensar, no Coral. É o Coral ou Coralias? Não, o Riff é aquele que temos peças, cubos.

?Voz B

Ah, esse é o Coral.

?Voz C

É o Coral. Estava a pensar no Coral, ok? E o Riff eu nunca joguei.

?Voz B

E posso dar mais alguns exemplos, pronto, para ser rápido e conciso. Olha, pensei no Calico, no Cascádia. Também são jogos que eu gosto de jogar a 2, embora consiga jogar com outras configurações. Há um outro jogo que já o joguei há muito tempo, mas até das conversas que vou tendo com outras pessoas, todas elas mencionam o facto de a 2 ser muito bom a jogar. Que é o At the Gates of Loyang.

?Voz C

Nunca joguei.

?Voz B

Isso é do Rosenberg. O Rise, que é um jogo que saiu há 2 anos para aí, não teve assim grande— pronto, é um jogo um bocadinho quase a fugir para o abstrato. Controlas a tua civilização, vais subindo as diferentes escalas, quer da população, quer da da indústria. Pronto, não tinha assim tudo de cabeça, mas a indústria implica que a ecologia na cidade baixa, portanto fica mais fraca. Portanto, tem um conjunto de coisas que vais ter que ir balanceando, um monte de escalas.

E esse jogo também, por ter esse lado um pouquinho AP, eu prefiro jogá-lo a 2. Para terminar, Rapa Nui, um jogo já bastante antigo do Klaus-Jürgen Wrede, que vocês falavam um bocado do Carcassonne, o criador do Carcassonne, uma criação posterior. Também é um jogo que joga muito bem a 2. O novo Loot, que já tive a oportunidade, não sei se já falei aqui, que já o joguei agora recente, há pouco tempo. Gostei muito da experiência a 2.

Este aqui coloquei um bocadinho por ser uma novidade e que joguei muito bem a 2, embora seja para mais jogadores, mas não sei se com mais jogadores poderá ser também interessante. Aqui é um bocadinho, ainda não é uma opinião assim completamente definitiva. E para terminar, o Intácia, que também é um jogo recente do Kiesling e que também já joguei com mais do que uma configuração. E preferi a 2. E pronto, e haverá outros, mas neste momento eram estes que eu me lembrei de trazer aqui.

?Voz A

Ok, eu dizer-te que o BGG concorda contigo, Calico a 2 também, e o Cascádia, estou a sentir que não está a vigiar-nos, 2 a 3. Sim, estou a controlar. Estou a controlar, claro que estou a controlar. Eu tenho que ir controlando este podcast. Olhem, o que é que vocês acham?

?Voz B

Desculpa. Não, ia só reforçar isso que estavas a dizer. No caso do Calico, se pensarmos bem, o Calico é um jogo em que tu tens mesmo que pausar e ver as várias hipóteses que tens para colocar as tuas pecinhas. E aquilo é um puzzle mesmo complexo, não é? E portanto tem, existe tempo.

?Voz C

Portanto, eu acho que nós vamos chegar à conclusão que nós só não gostamos, estes jogos estamos a falar, é porque efetivamente eles são muito demorados a mais que 2.

?Voz B

Pois, a questão do tempo tem muito a ver.

?Voz C

É verdade que joga mal, nem não tem, não é?

?Voz B

Mas eu acho que há mais coisas que fazem um jogo, há um bocado, digamos, entrar por aí e acabamos por não explorar muito esse aspecto. Mas, por exemplo, quando nós queremos jogos para jogar com outra pessoa, às vezes também, também isso tem a ver com o sítio onde estamos. Por exemplo, não vamos, vamos tomar um café com alguém, queremos sacar um jogo, queremos jogar um jogo que jogue bem a dois, né? E queremos um jogo, por exemplo, tem essa característica também de podermos sentar numa mesa desplanada ou qualquer, num sítio de café ou de um bar E não temos o espaço todo, não é?

Não temos uma mesa gigante. Portanto, também isso é uma das características, embora uma característica se calhar mais secundária, mas que também importa pensar, ou que faz com que o jogo, que às vezes dá para jogar com muita gente, pode jogar bem a 2, porque também ocupa menos espaço. É exatamente, ocupa menos espaço. Isso também é uma característica.

?Voz C

Mas a nossa premissa é outra. A nossa premissa é jogos que na caixa diz que deve, são para dar para 5 ou para 100, mas na realidade aquilo nunca devia ter dito que dava para mais que 2. Sim, sim, a nossa premissa é esta.

?Voz A

Bom, mais que 2, pois isso se calhar não estamos a chegar aí, não estamos a chegar a esse jogo.

?Voz B

Ah não, mas eu acho que aí não estamos a chegar, mas estamos a chegar se calhar, não funcionam tão bem, não funcionam tão bem.

?Voz A

Ou seja, e a verdade é que o tempo é importante, não é? E se tu, eu não estou a dizer que eu não vá jogar um jogo que o BGG diz que é para 2, eu não posso jogar a 3 ou a 4. Agora, eu estou preparado, é que sei que vai demorar bastante mais tempo. Se calhar vai-me compensar pela outra experiência, pela parte mais social, o metajogo que se cria à volta da mesa é mais engraçado, a pessoa ri, outra vez dá uma graçola.

?Voz C

Pronto, ok, vai compensar por aí.

?Voz A

Agora, sim, Tiago, mas lá está, o Wingspan, se calhar jogado a 5. Joguei uma vez porque eu gosto muito do jogo e até, pronto, gostava, quis experimentá-lo a 5, mas se calhar não volto a repetir. Ou o seu irmão mais novo, não, não o mais novo novo, mas o do meio, o dos dragões, que é o Wingspan, que também a 4, joguei a 4 e demorou e demorou e demorou. Pronto, porque lá está, faz-me lembrar o Earth. O Hearth é outro jogo que eu acho que eu gosto de jogar, mas se calhar a 2 ou a 3, porque o jogo não se torna assim tão diferente.

E no final do dia, se tu vais jogar a 4, vais jogar a 5, o AP que se cria em cada carta que tu tiras, em cada escolha que tu queres fazer para potenciar todas as possibilidades, as 500 formas de pontuar, ou seja, lá está, tu nunca mais sais daí. E depois acaba por ser um multiplayer game mas muito solitário, ou seja, em que a interação social vai baixar.

?Voz C

A única coisa que eu interponho nem é opositoria a ti. A única coisa que eu digo é: nós estamos, entre aspas, a criticar, porque na realidade estamos a criticar, nem é entre aspas, nós estamos a criticar na nossa opinião. Atenção, e a nossa opinião vale o que vale, tipo zero. Os jogos que são criados para 4 e que na realidade, e não vou aqui personalizar nenhum, e que na realidade deveriam ser para 2 ou no máximo às vezes para 3.

Nosso podcast nós fizemos a premissa para 2, portanto vamos por aí. É verdade que às vezes eu posso pegar num jogo péssimo e que eu até nem gosto do jogo e passar um bom tempo a jogá-lo, porque lá está, como tu disseste, o metajogo, tudo que acontece à volta, a envolvência, as pessoas estavam à mesa, se calhar deu e diverti-me a jogar aquele jogo, mas termino o jogo e digo, não, isto nunca mais volto a jogar, isto foi fixe, mas não repito.

Isso acontece muitas vezes. Agora, nós estamos neste momento a criticar especificamente o jogo, ou seja, o jogo em si não deveria ou não deve ser jogado, na nossa opinião, com tantas pessoas, porque isto, porque aquilo, porque aquilo outro.

?Voz B

Eu gostava de acrescentar aqui uma perspetiva a isto tudo que está a ser dito, que é uma perspetiva que se calhar nós não estamos a ter, que é esta: É uma mais madura, de certeza. Eu acho que aquilo que nós estamos a evidenciar, ou os jogos que estamos aqui a trazer um bocadinho à tona, são jogos que acabam por ser, no fundo, é jogos que dentro de tudo o que é possível, de toda a configuração possível que uma caixa traz lá na etiqueta, até se jogam muito bem a dois, percebem?

Porque há jogos que trazem de de 2 a 4 e que não se podem jogar a 2. Ele está lá a 2, é possível jogar a 2, obviamente, mas a experiência é má, não funciona. E portanto, no fundo, aquilo que nós vamos, o que nós estamos a fazer é aqui evidenciar jogos que nós conseguimos jogar muito bem a 2, e até se calhar, ao contrário do que poderia parecer, até é capaz de ser a melhor configuração.

?Voz C

Não todos os títulos que eu disse, mas por exemplo, o Calico, tu até disseste, joga bem a 2, mas também joga bem a 3, e não acho que seja muito mais demorado a 4, muito honestamente. É verdade que o Calico é um jogo com muita AP, mas tu na realidade sabes praticamente qual é a peça que vais tirar, não é?

?Voz B

Pelo menos a 3 sabes de certeza, e a 4 também não sabes muito bem, não é?

?Voz C

A 4 já ficas naquela. Mas não é por aí que vai demorar muito, muito mais tempo, não é?

?Voz B

É só sabendo que tens 3, 4 pessoas a pensar, vai demorar mais tempo.

?Voz C

Será que demora assim? Eu acho que só joguei uma vez o Calica 4 e não acho que foi demorado.

?Voz B

Tiveste sorte com quem jogaste então?

?Voz C

É possível.

?Voz A

Com as pessoas?

?Voz C

Joguei contigo.

?Voz A

Há sempre um jogo que eu ouço as pessoas a dizerem que é É para 2, é para 2, é para 2. Ou seja, que é o Paladins of the West Kingdom. Não sei, eu nunca joguei o jogo, não sei se alguém, se vocês já jogaram.

?Voz C

Tiago, Carlos, talvez não, porque é um jogo, eu tenho que pensar, eu tenho que pensar. Eu de certeza que já joguei, estou a pensar qual é, tenho que olhar para o bordo, mas para me confirmar.

?Voz A

A grande maioria de toda a gente, é um consenso do mundo mundo dos jogos de tabuleiro, dos jogadores, é dizer que o Paladins está feito para duas pessoas. Ou seja, ao que parece, não sei se é por causa do tempo, ou seja, mas lá está. Mas se calhar é porque, ou seja, o tempo vai acrescentar muito, um extra muito grande que não compensa a experiência do jogo.

?Voz C

Não sei, eu acho que é um bocado por isso que estás a dizer, e porque é um bocadinho em oposição Ao outro que agora me falha o nome, também é do West Kingdom, não é os Guardiões, é o Architects. É que o Architects efetivamente não joga bem a menos de 3, porque precisas de mais gente ali no board a fazer confusão, porque senão não há confusão e as pessoas fazem o que quiserem, entre aspas, e tiram um bocadinho a piada ao jogo. Então acho que as pessoas falam muito em oposição a esse jogo, e depois é um bocado como tu dizes, é sofre do mal do wingspan, que é mais tempo, mais tempo ali parado a olhar para o que o outro está a fazer e olhar para as minhas cartas à espera para jogar aquilo que já sei jogar há meia hora atrás.

?Voz B

E há pessoal a gritar: anda lá, meu, despacha-te, quero jogar!

?Voz C

Sim, é um bocado por aí. Ok, é que agora vou fazer a minha rant, tá bem? Vou fazer o meu desabafo a mandar vir com pessoas. Eu acho, eu há vezes que estou a jogar tanto em encontros como em casa como onde for, que estou com hoje em dia, estou com o João num colo, hoje com o Zé a abanar a cadeira do outro, e eu já sei a minha próxima jogada. E ao meu lado vejo pessoas que não sabem. Eu lembro de uma vez estar a jogar um 7 Wonders, o mais levezinho, como é que se chama, o 7 Wonders Architects, e eu estava literalmente com a Joana, com o João aos berros a dar-lhe mamar, e estava no outro canto da sala Tava a dar, tava-lhe a dar biberão e tava do outro lado.

Não, não tava a dar biberão, desculpa, tava-lhe a dar um iogurte e tava do outro lado da sala a dizer: vou jogar esta carta, sem olhar para o que estava no jogo, porque já tinha pensado, já tinha feito a minha estratégia. Opa, e não percebo como é que há pessoas que hoje em dia não percebem isto. Tipo, estamos a jogar, estamos concentrados naquilo que estamos a fazer e estamos a planear.

?Voz B

Pronto, mas isso seria, pronto, não tem nada a ver com o tema.

?Voz C

Veio, veio, já desabafei, já estou bem.

?Voz B

Às vezes, às vezes, isso às vezes, pronto, isso não é tão linear.

?Voz C

Tem a ver com o tema, não é?

?Voz B

Não é assim tão linear. Há pessoas que gostam de pensar, outras que não sabem porque estão a jogar. Quer dizer, pode haver imensas origens para isso. Pode ser a primeira vez da pessoa, por isso é que na VGG dizem que daí mudou o bordo do tempo. Pessoa é a primeira vez que está em contacto com aquilo lá, pode ser mesmo uma pessoa que só jogou uma vez um jogo na vida e está a jogar agora.

?Voz C

É verdade que eu agora peguei na metralhadora e matei tudo que estava à minha frente.

?Voz B

É verdade que de facto pensam muito e pensam demais e já estão à cena.

?Voz C

Eu uma vez acerca disto, e já parênteses feitos, uma vez eu vi um vídeo do Dice Tower, foi do Dice Tower, e estavam lá a falar, eu não me lembro do nome, é um rapaz baixinho do Dice Tower que toda a gente brinca com ele, que só que ele é, pelos vistos, ele é uma pessoa um bocadinho mais perspicaz em termos de jogos do que os outros todos. Então uma vez eles estavam a dizer que cronometraram o tempo que ele gasta a jogar. Não, não é, não é, não é outro, não é, não é um dos 3 principais, é outro que me está a falhar.

Eu, versus o Vassil, que joga muito mais rápido, mas perde muitas vezes. Estavam a ver quem é que tinha melhor rácio de tempo perdido, entre aspas, tempo gasto por ponto que ganha. E acho que perdia o Vassal também, de qualquer forma. Mas pronto, lá está. Se eu tiver a pensar muito no jogo, claro que, claro que é possível que ele vá ganhar, não é? Há pessoas que são competitivas a esse ponto.

?Voz A

Tiago, porque é que lanço-te a pergunta já a ti: porquê que achas que isto acontece? Porque é que achas que há jogos, ou que já achamos aqui a grande maioria deles, que vai ser pelo tempo que eles demoram? Ou seja, não é porque mecanicamente— bom, se calhar o Carlos ali no Chakra, pronto, deixamos isso à opinião de cada pessoa. Mas então vamos pensar só no tempo. Porque é que achas que as editoras lançam um jogo que eles sabem que em princípio para 3 já estava bom, mas por exemplo lançam para 4 ou para 5 sabendo que só estão a aumentar o tempo de jogo. Qual é a vantagem? Qual será a vantagem disto?

?Voz C

Vou tirar uma, vou tirar uma aposta daquela gaveta que diz pescadas. Exatamente, sem qualquer fundação, fundamento científico, sem nada. Eu acho que as editoras fazem isso porque eu penso que os jogos a 2 vendem menos do que os jogos que dizem a 3 e a 4, porque os a 2 efetivamente têm um um universo mais restrito de venda, que é para 2 pessoas. Então metem lá mais 3 e 4 porque o jogo efetivamente dá para ser jogado assim, e se calhar há mais pessoas que compram, não é?

?Voz B

Ok, às vezes até ao contrário, sabes? Parece-me às vezes os jogos estão feitos para jogarem, foram testados para 3, 4 pessoas constantemente. E para alargar o leque, mete-se lá também o 2 players. Sim, mas nesse caso, o que é o que tem acontecido nestes últimos décadas, nesta última década, com o fenómeno do solo?

?Voz C

Sim, mas neste caso, o jogo nunca foi feito para ser jogado. Deixa-me só, deixa-me só dizer, o mercado começou a pedir e começou-se a fazer. Deixa-me só dizer uma coisa, mas nesse caso é um bocado estranho o jogo de ser sempre estado a 4 e de repente é melhor a 2. Estás a perceber o que é que eu estou a dizer?

?Voz B

Sim, sim, mas isso aí já é outra história.

?Voz C

Mas eu estou a dizer, neste caso específico em que os jogos ficam melhores a 2, acho que é especificamente o caso disso. Se fizeram um jogo, se calhar testaram a 2, 3, 4, opá, funciona nestes 4, bota, é 4.

?Voz B

Mas muitos dos que são melhores a 2 têm um bocado a ver com esta questão que há bocado falávamos da muita interação que há entre os jogadores, e portanto Se forem só interações entre duas pessoas, é mais fácil, é mais controlável, é mais agradável, é menos aleatório.

?Voz C

Não sei, tenho o meu enviesamento natural.

?Voz A

Então aqui se calhar poderíamos falar de estamos mais dispostos a ficar com um jogo curto, ou seja, estou a falar de um jogo, por exemplo, que dura 40 minutos, e jogá-lo a 40 minutos com 3 jogadores ou 4 do que, por exemplo, fazer o mesmo para um jogo que vai durar 2 horas e meia a 4 jogadores? Não sei se me faço— se a minha pergunta foi clara, do que eu estava a dizer, se calhar não fui claro. Ou seja, é mais desculpável para uma editora num jogo curto, de duração curta, colocar o maior número de jogadores, sabendo que por cada jogador que coloca vai aumentar mais 5 ou 10 minutos, do que, por exemplo, num jogo bastante mais longo, mais complexo, em que por cada jogador que se adicione, ou seja, passar de 3 para 4, significa que o jogo vai ter mais meia hora ou mais 40 minutos.

Eu se calhar, eu acho que desculparia mais a primeira, não sei, a primeira opção, não sei.

?Voz C

Sim, eu acho que a primeira é mais, nem é desculpável, a minha primeira, acho que a palavra não é desculpável, primeira é mais engolível, digamos assim, é mais Não custa tanto, não custa tanto a engolir. Eu acho que aqui há um rácio nisto do— nós, eu acho que nós estamos, eu estou, estou-nos a ouvir aqui e acho que estou a chegar à conclusão de que nós efetivamente não gostamos de jogos que sejam a 3 e a 4, que sejam efetivamente demorados e encaixam um rácio entre diversão e, vou dizer, engajamento, mas não é a palavra que eu quero, mas interação com o jogo.

Diversão, interação com o jogo. Tem que ser relativamente alta, porque senão, se eu estou ali simplesmente à espera que a outra pessoa jogue para fazer o meu jogo, exatamente, mais vale jogar a 2 que não estou há tanto tempo à espera. Se o jogo for, até pode ser muito demorado, mas se eu estou constantemente a interagir no jogo, estou constantemente a calcular o que é que eu vou fazer a seguir, a escolher a carta, a planear, etc., isto não me causa tanta comissão, ou não nos causa tanta comissão.

E acho que é esta nossa, vou dizer nossa, nossos três, que pela conversa que estamos a ter, é este ponto que nos coça e vai bater aqui nisso que tu disseste. Se for 5 minutos a mais, 10 minutos a mais, ninguém se chateia. Foi uns 5 minutos ou 10 minutos, nós já passámos naturalmente a olhar para o telemóvel. Se for uma hora em sofrimento custa-nos bastante. E depois ficámos ali um bocado, pá, eu nesta hora tinha jogado mais um jogo e já nem vou, e já nem vou, já nem vou pôr aquela situação, que às vezes o nosso Tiago Cruz gosta de estar em duas mesas ao mesmo tempo porque não aguenta o tempo sofrível que temos de estar com as outras pessoas. Estou a pensar, então ele quer estar a distrair-se com outra coisa.

?Voz A

Olha, eu lanço para mesa uma data de jogos depois da minha pesquisa no BGG, ou seja, em que são jogos bastante afamados, bastante conhecidos, em que o BGG nos diz que se calhar a experiência a 2 vai ser melhor do que a 3 ou a 4 ou a 5, consoante o jogo. Por exemplo, Ark Nova, Obsession, Five Tribes.

?Voz C

Diz um de cada vez para ver se nós concordamos. Ark Nova, completamente. Aquele jogo é para 2, não tentem jogar isso mais que 2.

?Voz A

Mas porquê?

?Voz C

Porque vai demorar, demora imenso. Ora aí está, porque cada carta que tu pões já é naturalmente um filme, porque tens de pensar porque é que apoias, porque é que não apoias. Se vais pôr ali uma terceira, já nem digo a terceira, se pões ali uma quarta, é pôres uma tonelada em cima.

?Voz A

Ok, aí está.

?Voz C

Bruno, só o Carlos.

?Voz A

Por exemplo, Obsession. Obsession eu nunca joguei, e já falámos no outro, nunca joguei, no outro podcast sobre Obsession. E não, não, pronto. Mas por exemplo, Five Tribes. O Five Tribes eu acho que originalmente dá para 5, acho eu, não tenho bem assim de cabeça, mas acho que é de 4 ou 5. Lá está. Se calhar o Five Tribes vai sofrer do mesmo que nós já falámos sobre Nova Luna, sobre o Chakra, que é programação. Ou seja, tu consegues controlar melhor do que eu me lembro de jogar do jogo. Se calhar tu consegues controlar melhor.

?Voz C

Eu acho que o Five Tribes calha mesmo nesse ponto, porque o Five Tribes o board está sempre assim, não vale a pena sequer É isso, não vale. Se estás a jogar a 3 ou 4, não vale a pena estás a olhar para o board, porque vais ter que olhar quando for a tua vez, porque ele vai mudar completamente. Então aí sim torna-se mais complicado, porque demora mais tempo. Mas esse, esse acho que é porque demora mesmo mais tempo, porque todos os jogadores têm que ter aquele teu, o seu tempo para pensar, porque é obrigatório no 5 Drive seres aquele tempo para pensar.

Então se cada um de nós estamos a jogar 4, tivesse 5 minutos para pensar, são 20 minutos só para fazer uma jogada quase.

?Voz A

Carlos, tu já jogaste Santorini?

?Voz B

Não, nunca joguei.

?Voz C

Santorini dá para mais de 2? Eu podia jurar que ela era só para 2.

?Voz A

Não, Santorini dá para 4 pessoas.

?Voz C

Olha, ia jurar e mal.

?Voz A

Santorini dá para 4 pessoas, mas lá está, o BGG diz-nos que o melhor, o melhor será para 2. Ou seja, a experiência, mas eu nunca joguei, não sei. Não posso.

?Voz C

Eu também não, mas eu acho que é um bocadinho como o Dominion. Não sei se nessa tua lista tens lá Dominion, mas o Dominion é daqueles jogos que dá para 4 pela caixa. Sim, pela caixa, mas aquilo é um jogo para 2. Tanto é que a caixa só tem cartas para 2 pessoas, não tem para 4 sequer. Para que jogares a 4 tens que juntar um segundo Dominion.

?Voz B

Uau!

?Voz C

É possível jogar Dominion a 2? Mas desculpa, é possível jogar a 4, mas para jogar a 4 tens que juntar uma caixa.

?Voz B

Não dá com uma box só, não dá com a base.

?Voz C

Olha, tenho quase a certeza, malta. Se eu estiver enganado, relembrem-me, que eu já não jogo há muitos anos.

?Voz B

Mas eu recordo-me, pronto, é verdade que quando joguei, joguei com uma pessoa que já tinha expansões, mas eu joguei com mais pessoas, não éramos só 2, éramos 4 mesmo.

?Voz C

Eu penso que tens de ter 2 cores para jogar a 4. Por causa das cartas base.

?Voz B

Tem que se confirmar isso, mas é só por causa das cartas base.

?Voz C

Mas tem que conferir.

?Voz A

Muito bem.

?Voz C

Ou será que é para mais de 4? Malta, posso-me estar a enganar porque domínio dá para jogar mais de 4. Se calhar a base vem com 4. Não, a base é de 2 a 4.

?Voz B

Ele dá para jogar a 4. Eu acho que dá para jogar.

?Voz C

Ele dá para jogar 4, certeza.

?Voz B

Não, mas sem box extra.

?Voz C

Mas eu, dá para jogar mais de 4. Então é isso, eu posso estar enganado, lá está, já não penso no domínio há muito, muito, muito tempo. Pronto, eu já não jogo domínio há muito tempo.

?Voz A

O que o BGG diz é de 2 a 4. Agora, se efetivamente há essa, essa, isso que estás a dizer é muito interessante, porque então aí, a ser assim, é mesmo um engano da editora.

?Voz B

Não, não, não, não, não, não, não, não pode pode ser. Se diz 2 a 4, tem que se dar, tem que dar para jogar a 4. Sim, eu acho que dá, mas que lá está, eu sei que tinha uma, já viu, o melhor é 3 pessoas.

?Voz A

Pronto, olhem, também posso falar do Micro Macro City of Crime, que também o BGG aconselha ser a 2, e do Grande Áustria Hotel, que também acaba por aconselhar, e do Spirit Island. Nunca joguei Nenhum destes dois, destes dois últimos. O Micro Macro City já joguei, mas lá está, aqui não me importa jogar a 3 ou a 4 porque eu acho que a experiência, o que se cria à volta da mesa no Micro Macro City, à procura do crime, à procura de— a experiência é muito mais interessante e mais rica a mais jogadores do que— por isso não posso dizer que a 2 funciona melhor.

Alguém terá as suas razões para o classificar assim. Mas eu não tenho. Bom, então vocês querem juntar mais algum jogo a esta lista? Querem dizer mais alguma coisa sobre este nosso, esta parte mais importante do nosso episódio de hoje? Assim, a parte da discussão deste tema fraturante sobre os jogos que afinal podem ser melhor a 2 do que a 4.

?Voz C

Sim, eu posso, eu posso juntar aí. Eu acho que todos os que juntaste, eu juntava o Pandemic. Que é um jogo que eu jogo sobretudo a 2. Opa, dá para ser jogado a mais, mas eu acho que para ser desfrutado bem, eu acho que o ideal é 2, no máximo 3 pessoas. Normalmente jogo a 2 com 2 personagens cada um.

?Voz A

Ah, sim, há esses jogos assim.

?Voz C

Ou seja, é essencialmente, estamos a jogar o Pandemic com 4, quer dizer, como aumentar a dificuldade, mas jogamos a 2.

?Voz B

E tu gostas de jogar assim? Eu por acaso odeio jogar jogos em que tenho que jogar com mais do que uma cor. Génaro, tem que, detesto mesmo, a sério. Ok, quer jogar isto a 2, então tens que jogar com o amarelo e o azul, e tu tens que jogar com o verde e com o roxo.

?Voz C

Sinceramente, é assim, não me chateia nada, mas aquilo é cooperativo.

?Voz A

Exato, no Pandemic, e o jogo é completamente aberto.

?Voz B

Há jogos, estou a dar exemplos de jogos que não propriamente o Pandemic, mas eu acho que o Pandemic também ganha em, mas pronto, ok, já tiveste.

?Voz A

Ganha se tu não tivesse um jogador alfa.

?Voz C

Alfa.

?Voz A

Ou seja, tu estivesse um jogador alfa que vai mandar nos outros codos, são raros os cooperativos que não têm esse problema, não é?

?Voz B

Os últimos cooperativos que vão tendo essa preocupação, mas os cooperativos mais—

?Voz C

mas vai cair numa situação de— é um contra todos. Exatamente. No caso do Pandemic, vais ter 4 pessoas a pensar. E opa, e não interessa se há alfa ou não, vais ter 4 pessoas a pensar e a dar opiniões, e a dar opiniões. Ou seja, o jogo vai demorar automaticamente mais.

?Voz B

Se tiver alfa, não, porque o alfa vai arrasar.

?Voz C

Se calhar até melhor, não é?

?Voz B

É melhor não fazeres isso.

?Voz C

Não faças isso, mas depois há os outros dois, vão ficar chateados com o alfa estar a mandar.

?Voz A

Não faz mal. Não pode ser que chegue ao final do jogo.

?Voz B

Sempre podem ser submissos.

?Voz C

Hoje eu pessoalmente, eu pessoalmente não, eu não, o Pandemic cai naquele, cai naquela zona 60 de joga bem a 4, joga, mas eu pessoalmente prefiro jogar a 2 e jogo 2 nesta configuração em que nós controlamos duas personagens cada um.

?Voz A

Muito bem.

?Voz C

E o facto de serem dois personagens complica o jogo. Já agora queria só fazer um apontamento. Qual? Já fui ali confirmar o domínio. O domínio dá para jogar até 6 pessoas. Na caixa base dá 4, se juntares mais uma caixa dá para juntar, jogar a 6.

?Voz A

Muito obrigado.

?Voz C

Eu estava, eu estava a confundir, e desculpem. E de qualquer forma, jogar domínio a mais que 2 é perda de tempo.

?Voz A

Bom, então se não há mais nada a dizer sobre este nosso tópico de conversa, ficamos se calhar com esta ideia de que os jogos podem ser jogados como vocês quiserem. Nós somos só 3 estarolas que decidiram hoje, nesta, neste tempo, falar e falar e dizer coisas. Por isso vocês não deixem de experimentar os jogos com mais jogadores do que aqueles que dissemos. E depois tirem as vossas próprias conclusões, e se calhar até vão concordar connosco ou não.

?Voz B

E venham para aqui insultar-nos depois, se calhar até não é má ideia.

?Voz A

Conversem connosco nas nossas redes sociais. No final vocês vão ficar a saber, mas nós temos WhatsApp, e por isso deixem lá as vossas opiniões. Então fechamos esta parte do nosso, nosso episódio de hoje e voltamos já para a segunda parte do nosso episódio. Bem-vindos à segunda parte do nosso podcast. Então, hoje a segunda parte, como da outra vez e da anterior, é jogos, trazer por casa. Ou seja, vamos falar sobre os jogos que jogámos nesta última semana, nessas últimas duas semanas, não sei bem o tempo que me dei entre os episódios.

Bom, os jogos que trouxemos à mesa, então, Tiago, podemos começar aí contigo? Será que já está alguma coisa?

?Voz C

Acho que dos que eu apontei, tendo em conta que eu não ando a, tendo em conta que eu não ando a cumprir o meu desejo de todos os anos, que é apontar os jogos que jogo no telemóvel, mas fui ver e não tinha lá nenhum marcado, mas lembro ter jogado pelo menos o Quacks of Quedlinburg, jogo que eu anseio sempre por jogar. Joguei aqui em família na Páscoa, se não estou em erro. Enquanto, por acaso, já agora partilho com vocês em jeito de desabafo, enquanto que 5 pessoas estiveram a jogar Monopoly durante uma tarde inteira, quando eu digo uma tarde, eles acabaram às 10 da noite, E começaram a seguir ao meio-dia.

Eu tive feliz, não é muito feliz, não é óbvio na realidade dizer nem quero entrar nessa divisão da casa e vou para a sala jogar outra coisa qualquer, nem que seja Quacks of Quedlinburg. E pronto, tive a jogar com a Ana, tive a jogar com os primos dela, são mais, são mais atinados. E também tive a jogar Stone Age, já não jogava Stone Age há muito tempo. Foi no encontro de Ilhavo, que eu fui para aí há 2 semanas, acho eu. Estava, chegámos lá, pá, estava-me, estava com a João.

A João estava a dormir, o Zé estava a dormir. Aproveitámos, fomos jogar Stone Age e uma horinha e pumba. E é sempre um bom jogo para se jogar. E levei uma coça de Ana, como é normal.

?Voz A

Muito bem, Carlos, e tu, jogos trazer aí na tua mesa? Ou nas tuas mesas?

?Voz B

Porque tu tens, olha, joguei o Luz do Taiki Shinzaba. É um joguinho da Yellow, que é um jogo de bazas com a particularidade de jogar-se um bocadinho como, como Hanabi, que temos as cartas viradas para os outros. Nós vemos o nosso jogo e nós vemos o jogo dos outros. Mas não conseguimos ver o nosso. E mistura este conceito com o conceito do Wizard, em que nós temos que apostar antes de fazermos as nossas bases, de quantas bases vamos conseguir fazer, sabendo dizer de antemão que ao todo só vão, só se vão fazer 10, ou só se vão jogar 10 rondas.

Pronto, é um jogo que se joga por 4 rondas e os pontos, se tu acertas vão subindo gradualmente. Depois tem lá mais um twist muito engraçado de tu poderes fazer ali uma base de segurança, mas que não te permite ganhar os pontos na totalidade. Não interessa estar a explicar muito mais. Pronto, é um jogo interessante. Outro jogo que joguei também foi um jogo que é o Argent Avenue. Que é um jogo para 2. É um jogo muito simples em que nós basicamente, é o conceito do choose, I choose you, não, como é que é? Agora também faltaram nomes.

?Voz A

Eu escolho e tu levas?

?Voz B

Eu ofereço e tu escolhes. Pronto, é assim. E só com uma, nós basicamente temos um temos que apanhar o nosso adversário. É um agente duplo porque nós vamos atrás do nosso adversário numa pista, uma pista redondinha, né? Estamos à mesma distância das casas e vamos avançando em direção ao nosso adversário, e ele a mesma coisa em relação a nós. E isso faz com as cartas que nós oferecemos. Portanto, nós pomos duas cartas sempre em cima da mesa, uma delas oculta e outra e cada uma tem uma personagem que vai te fazer avançar ou vai te fazer recuar.

Ou depois há outras personagens que se tu as colecionares mais que 2 vezes, portanto 3 vezes, ganhas o jogo imediatamente. Outras que te fazem perder imediatamente. Portanto, é um jogo bastante rápido, com bastante tenso, bastante inteligente. Eu acho, é daqueles jogos muito simples mas muito inteligentes. E é muito satisfatória a experiência. E por fim, o Acrópolis, que já não é um jogo propriamente recente, um jogo tridimensional, para quem o conhece, com draft inicial, mas que cada vez gosto mais de jogar. Acho mesmo, mesmo interessante o jogo.

?Voz C

Tem que jogar isso, nunca joguei, tem que jogar.

?Voz B

É muito simples, na verdade é muito simples depois de entenderes o o que tens que fazer, tens que delinear uma estratégia. Claro que vai estar sempre dependente do draft inicial, se tens pedras ou não para poderes comprar as peças que realmente queres. Existe ali um bocadinho de sorte e azar, mas mesmo assim é uma experiência divertida, é um jogo divertido, muito rápido até para o que é, e que eu joguei e gostei muito. Ainda joguei o da gangue também, mas pronto, não me vou alongar mais.

The Gang Bang, sim, um jogo que usa o póquer ao contrário, póquer cooperativo. Não é o que eu já percebi.

?Voz C

Não ponhas no Google aquilo que ele diz, és do pior.

?Voz B

Está tudo pior.

?Voz A

Eu joguei Nova Luna, joguei Nova Luna a 2 jogadores. É um jogo que eu gosto sempre de jogar, acho um puzzle interessante, desafiante, que vai variando bastante consoante as peças que estão na mesa disponíveis para escolher. E é um jogo que eu estou sempre disposto a jogar. Pode às vezes também ter ali, lá está, um bocadinho de AP e aumentar um bocadinho tempo de jogo por cada jogador que tu vais adicionando. E também perdes um bocadinho mais o controle das peças que vais tirando.

Mas é um jogo que eu gosto de jogar e acho que é um, é um bom jogo que eu tenho na minha coleção e que rapidamente se tira da prateleira e se explica com alguma facilidade. Às vezes, para as pessoas que nunca entraram dentro do mundo de jogos de tabuleiro, às vezes é um bocadinho difícil ali a parte das cores, porque funciona ao contrário, não é ao contrário, mas a própria peça não conta. Tem ali algumas coisinhas, mas é um jogo que eu gosto de jogar.

E depois experimentei, que estava na minha coleção, na minha pilha da vergonha há muito tempo, e que o Carlos me dizia que eu tinha que experimentar, que é a série Boomerang. Foi, eu experimentei o Europa, Boomerang Europa, também a 2, mas cometi alguns erros. A experiência não foi boa, cometi alguns erros na leitura das regras.

?Voz C

Nunca aconteceu.

?Voz A

Pronto. É como tinha ali um bocadinho na leitura das regras, não estava a virar a carta e não estava a entender porque é que eu tinha que ter 7 cartas na mão viradas ao contrário, sem saber o que é que cada uma, para que é que cada uma concorria para o objetivo final. Estava a jogar mal, ou seja, basicamente a carta deveria ser revelada, colocada boca para cima, boca abaixo.

?Voz C

É para o cavalo, é para o carrinho.

?Voz A

Sim, para cima. E pronto, mas mesmo assim foi uma experiência mais ou menos. Tenho que voltar a jogar agora com regras corretas.

?Voz C

O lapso que tu tiveste a jogar foi mesmo o lapso que o designer teve a fazer a geografia do jogo?

?Voz A

Isso é verdade, nesse aspecto eu não sei se é do designer, e eu aqui lembro-me, já falámos no Tiago Cruz hoje e volto a falar, ele é muito de ler as regras e ele é muito contundente no que os editores e nos revisores de regras e do conteúdo dos jogos deixa de fazer.

?Voz C

Pronto, Cruz, esta é para ti.

?Voz A

E eu concordo com ele ali num jogo muito simples, epá, confirmar a geografia do país, confirmar se a letra que está a apontar para esse país faz correspondência com a letra que está na carta com o nome do país, acho que era importante. Ou seja, há ali erros que não fazem sentido, não fazem sentido. Mas fora isso, foi um jogo, é um jogo muito simples, um jogo que se joga relativamente rápido e que tem algum grau de complexidade para para manter ali os jogadores dentro do jogo.

Ao que parece, o BGG diz que o melhor é 3 ou 4. Acho que eu não chegámos a 2, é o que é. Bom, e posto isto, não tenho mais jogos que trouxe à mesa. Muito bem, vamos fechar esta segunda parte e voltamos já para a terceira e última parte do nosso episódio do podcast de Billy e Best. Bem-vindos à terceira e última parte do nosso episódio de hoje. Então vamos agora dar a vez aos nossos intervenientes por ordem, claro. Ou seja, nós já estabelecemos uma ordem e sabemos que neste debate há uma ordem.

Isto é bem organizado, por isso eu vou dar a voz ao Carlos. O Carlos vai começar e vamos ouvir o que é que o Carlos tem a dizer na sua vez.

?Voz B

Bom, na minha vez vou ser muito sucinto e vou-vos dizer que o James Stagmeyer da Stagmeyer Games vai processar os Estados Unidos.

?Voz C

Vamos fazer um gangbang aqui, eu e o Carlos.

?Voz B

Vai processar. Não, ia só mesmo falar sobre isto porque Parece que alguém está chateado nos Estados Unidos. Pensava que aquilo estava tudo muito pacífico, a receber as notificações de que iam ter que pagar taxas. E é muito, portanto, a indústria dos jogos de tabuleiro é muito sensível a estas taxas, obviamente, porque eles mandam fazer os jogos na China. E o Neil Steinmeyer, com o Steinmeyer, perdão, com toda a razão, na minha opinião, está contra isto.

E sobretudo quanto ao facto de algumas das coisas que já estão em navios para chegar aos Estados Unidos vão ser tarifadas também, serem tarifadas a meio do jogo. E portanto, ele chateou-se com isto tudo, juntou-se a uma empresa de advogados, uma companhia de advogados chamada Pacific Legal, e diz assim o senhor Jamie Stegmaier: não ficaremos de braços cruzados enquanto os nossos meios de subsistência e de milhares de proprietários de pequenas empresas e importadores nos Estados Unidos, juntamente com os clientes cuja busca pela felicidade nós prezamos, gostei desta parte, são tratados como peões num jogo político.

Epa, e o homem tem razão, acho eu. Não sou assim um fã da Stone Meier, embora gosto dos jogos, mas a ideia de deles terem aquilo tudo organizado por Kickstarter e não sei quê, me tenha sempre afastado um pouco desta empresa.

?Voz C

Já não organizam assim há muito tempo, Carlos. Pois, porque já não lembro o tipo de Kickstarter que eles fizeram, porque já enriqueceram. Acho que os negócios, acho que nenhum é Kickstarter.

?Voz B

Não sei. Bom, não vou entrar por aí porque não sei muito sobre a Stonemeyer, senão que são um sucesso de vendas e de Kickstarters. Mas pronto, mas neste caso estou mesmo de acordo com o senhor, acho que ele tem toda a razão. E força nisso, vejam se conseguem. Tenho muitas dúvidas que consigam alguma coisa, mas pode ser.

?Voz C

Já agora digo eu de seguida, porque basicamente o que eu ia dizer era o que o Carlos disse. Nós estamos a gravar o episódio a 25 de Abril e foi no dia a seguir ele ter feito isto e ter surgido as notícias de que interpôs um processo contra o presidente dos Estados Unidos por causa de considerar que ele não tem direito a fazer, a exercer e a impor estas tarifas à China. E não tem a ver tanto com política global porque isso nós não estamos aqui a discutir isso, É uma coisa, as tarifas são o que são, as pessoas impõem as tarifas que quiserem, entre aspas, ou que lhes forem mandatadas para colocar e acharem economicamente aquelas que fazem sentido.

A realidade é que as tarifas estão, melhor, esta guerra tarifária que está a acontecer entre a China e os Estados Unidos no nosso nicho, e não é só no nosso, isto é basicamente transversal a toda a economia de empresas que fazem importação. Já colocaram encomendas, no caso de board games, sei lá, desde 2022 ou 23, que estão em desenvolvimento. Já fizeram os pedidos de compra. Entretanto surge uma pessoa que diz, olha, então agora, a partir deste momento, tudo que se entrar aqui vai custar 150%.

E acho que 150%, não sei se é o último número. Atenção, não estás a ser um bocado injusto, porque 145. Eu não sei, não, eu acho que até é mais já. Eu acho que já é 210. Eu até acho que já é 210, mas nem vou ver, nem vou ver, que não sei qual é o número final. No posto do Stegmaier, efetivamente, diz lá 145. Isto é um absurdo. Quer dizer que é como ele diz, um jogo custa 10 euros, paga-se 15 euros de taxas, são 25 euros só para o jogo.

?Voz B

Mas, por exemplo, desculpa estar-te a interromper, é só um complemento. E um que, por exemplo, eu não sei muito bem como é que se chama esta empresa, mas também é muito conhecida norte-americana. Não sei se é Simone ou Calmona ou Camona. Também saiu agora notícias de que vão colocar pessoal deles, da empresa, em layoff por causa de, pronto, aquilo está a começar mesmo a chegar à pele mesmo dos norte-americanos. Foi só anúncios, mas neste momento está a começar a chegar-lhes à pele mesmo.

?Voz C

É óbvio, é assim.

?Voz B

E chegando à pele dos norte-americanos, vai chegar à nossa pele também, como é lógico.

?Voz C

É isso que eu ia dizer. E nós vamos sofrer indiretamente, embora neste caso específico dos board games, como a indústria é relativamente forte e baseada na Europa, não haverá tanto problema, porque nós temos muitas editoras e boas na Europa. E a própria, a própria Sonmeyer já anunciou que vem diretamente para a Europa, não passar pelos Estados Unidos. Portanto, não há—

?Voz B

e aquelas cargas que eles falavam vão ficar na China, eles vão mandar armazéns na China para aguardar que as taxas baixem para depois poder importar o jogo.

?Voz C

Tudo que vier para a Europa não paga taxa, ou melhor, paga as taxas normais que já pagavam, porque a própria Sonmeyer manda diretamente para cá. Não vai para os Estados Unidos para vir para cá, e a maior parte das editoras dos Estados Unidos também. Depois nós temos grandes editoras cá na Europa, de repente Ravensburger, Asmodee, etc., que têm que imprimir cá e imprimir sobretudo na China, como é óbvio. Portanto, não iremos ter.

É claro que depois temos o— isto mexe, estamos— isto é um dominó. Vai uma pedra do outro lado do Atlântico, vai cair uma pedra de certeza qualquer qualquer aqui na Europa. E nós também vamos sofrer porque os preços vão ter que subir obrigatoriamente, porque vamos andar todos aqui a prever o que é imprevisível. E pronto, eu também era para dizer isto.

?Voz A

Muito bem.

?Voz C

Pode acontecer que quando este episódio for para o ar já nada disto seja verdade, ou seja o dobro, ou seja pior ainda. Ou se calhar o episódio já não vai para o ar porque entretanto a internet Reventou e já não há.

?Voz A

Ok, então é a minha vez. Eu quero falar sobre um jogo, um jogo histórico que se chama Votes for Women, um jogo em que tu és convidado a juntar-te a este grupo de mulheres que luta pela capacidade de poderem votar na América, já que estávamos a falar na América. Depois continuamos aí. Então é um jogo que passa, que passa o período histórico de 1848 mais ou menos até 1920, ou seja, é a luta e a tentativa de conquista do voto pelas mulheres.

Ou seja, parece-me um jogo interessante, parece-me um jogo também importante que traz um período histórico importante para os Estados Unidos, mas também que foi repetido em todos os outros países, no nosso próprio país também, e que se calhar é necessário voltar a lembrar que uma coisa que hoje em dia todas temos por adquirida, que é as mulheres podem votar e estão na política, aqui há um século e pouca coisa não era permitido.

E talvez, pronto, como o Tiago já disse, ou seja, nós estamos a gravar isto no dia 25 de abril que é uma data que para mim me diz muito no nosso país e no nosso contexto cultural e político. E então evidencia este jogo, ou seja, ao que parece o jogo tem uma parte de cooperativo, tem uma parte de competitivo. Tu vais tirando as tuas cartas e vais decidindo como é que as vais usar. E ao que parece o jogo vai jogando um bocadinho contra ti.

Ganas o jogo conseguires convencer todos os estados a passar essa emenda, essa lei nos estados, porque era assim, é assim o sistema americano em que tem que passar a lei em todos os estados. E lá está, ou seja, podes perder se há um estado que não te passa a lei. Parece-me um jogo, visualmente não é um jogo que me atrai, ou seja, não acho a ilustração ilustração muito bonita, mas o tema parece-me bastante interessante e ao que parece tem reunido vários fãs e também tem estado nomeado para alguns jogos.

É um jogo de 2022, julgo eu, e tem estado nomeado para alguns prémios. Não sei se ganhou alguns, talvez, não sei muito bem. Pronto, e deixo aqui o meu, o meu, os meus 5 cêntimos sobre a liberdade e sobre a maneira de a preservar também se pode aprender através de jogos de tabuleiro, e este acho que é um bom exemplo. E assim termina a minha vez, e como a vossa vez já passou, eu vou fechar este episódio. Por isso agradeço a todos os que nos estiveram a ouvir mais uma vez, aos que aguentaram até ao fim, aos que foram parando e estão a ouvir 5 minutos por dia durante 4 semanas, aos que ouvem tudo em velocidade dupla e me ouvem a falar muito mais rápido.

Aos que nos ouvem em Portugal, aos que nos ouvem no estrangeiro, ou seja, temos pessoas que nos ouvem para lá das linhas imaginárias das fronteiras, no Brasil, também em Espanha. E muito obrigado a todos, obrigado aos meus colegas Carlos Abrunhosa e Tiago Pedrosa. Deixo com vocês a responsabilidade de fechar o episódio. Tiago, deixo contigo estas palavras e depois passo para o Carlos.

?Voz C

Pronto, muito obrigado, Nuno. Essa despedida tão longa parece que estás saudoso de alguma coisa, não sei, estás com nostalgia de casa. Dito isto, pronto, malta, sigam o conselho do Nuno, ignorem tudo que nós dissemos aqui hoje e joguem jogos como bem entenderem. Isso não concordarem connosco em alguma coisa, olhem, mandem-nos à merda. Dito isto, quem quiser nos seguir pode ir às nossas redes sociais, no Facebook Billy e a Besta, no Instagram Billy e a Bestial.

E quem quiser ter acesso ao nosso WhatsApp, manda-nos uma mensagem privada que nós mandamos o link direto. Isto é, só não está o canal, só não está aberto porque vocês não levarem com spam da China a vendermos criptomoedas do Trump.

?Voz B

Pronto, resto eu dizer tchau, um abraço a todos, espero que tenham gostado e que nos possam deixar as vossas, os vossos feedbacks e as vossas opiniões. E um abraço especial para um ouvinte que nos ouve em Espanha, segundo me parece, não é, Nuno?

?Voz A

É, sim, sim, é verdade.

?Voz B

Que é o— ajuda-me—

?Voz A

o Adan.

?Voz B

É o Adan. Então, Adan, um abraço para ti e obrigado por nos ouvires.

?Voz C

Mas agora, esperem aí, vocês não me contaram essa história.

?Voz A

Não, é muito simples. É o meu colega de trabalho, gosta de português, está a aprender um bocadinho de português. Partilho com ele algumas, alguns cafés a falar português, e então falámos sobre o podcast e ele ficou interessado e passou a ouvir um ou dois episódios. Eu passei de um ao outro que achava mais interessante para o seu nível. Ele joga jogos de tabuleiro também comigo, mas não é expert. E então pronto, gostou, gosta muito da dinâmica que nós temos aqui instalada e queria conhecer Já tive a oportunidade de aliviar uma fotografia com o Carlos. Contigo, Tiago, esqueci-me completamente.

?Voz B

E pronto, mas então, mas ele também não tem grande interesse em conhecer o Tiago, pelo que me parece.

?Voz C

É normal, deve ser pelo sotaque.

?Voz A

Ele diz que o teu sotaque é mais difícil de entender.

?Voz C

Sim, mas estás a falar a sério ou estás a brincar?

?Voz A

Eu acho que estou a falar a sério. Se ele não se enganou nos nomes porque ele às vezes pode não saber quem é o Tiago, quem é o Carlos, mas ele diz que é um de nós, que em princípio não sou eu porque ele já me ouve falar muitas vezes, mas que tem um sotaque diferente e que às vezes lhe custa a entender.

?Voz B

É norteño, deve ser o sotaque norteño.

?Voz C

Tens que lhe dizer que há um episódio de podcast que fala galego. Ok, bom, e pronto, olha, então abraço ao Adão.

?Voz A

Então muito obrigado a todos e até ao próximo episódio. Que brevemente, brevemente voltaremos.

?Voz C

Pronto, obrigado a todos, abraço, Adem, e eu prometo que não vou melhorar o meu stack.

#57 - Jogos que deviam ser a dois | Castnews Index — Castnews Index