Apagamentos e feminicídios: O sexual na polis
No episódio anterior do Mirante, discutimos as relações de poder na psicanálise. Hoje, damos um passo adiante. Porque, quando o poder social se exerce sob a forma de misoginia, feminicídio, transfobia e ódio às diferenças, a pergunta que se impõe já não é apenas o que a psicanálise pensa sobre isso, mas o que ela faz com isso.
Queremos interrogar justamente esse ponto em que sexualidade, cultura, violência e política se enodam. Vivemos um tempo em que o corpo das mulheres volta a ser capturado por discursos políticos que o reduzem à reprodução, em que a violência contra as mulheres se intensifica e em que a diferença sexual e de gênero se torna alvo de perseguição, medo e extermínio.
A conversa de hoje parte também da leitura pública recente de um Manifesto de psicanalistas contra o feminicídio e da mobilização em torno de uma petição que convoca colegas a se posicionarem publicamente diante dessa violência.
Esse gesto recoloca uma questão decisiva: haveria ainda lugar para uma psicanálise que se pretenda alheia à devastação do laço social? Ou seria justamente nesse ponto que sua responsabilidade ética mais se acentua?
Para pensar essas questões, convidamos aspsicanalistas Rosane Pereira e Gizela Turkiewicz.