#197 - Mercado futuro do boi gordo pessimista, até onde vai a queda?
No episódio #197 do Agrifatto Cast, Isabella Cavalcante, Raul Bertho e Aline Benvinda analisam o movimento recente de pressão no mercado do boi gordo, com queda nas cotações, alongamento das escalas de abate e maior oferta típica dos meses de maio, junho e julho.
Além disso, o time debate a volatilidade do mercado futuro, a influência das exportações para a China, preenchimento das cotas, comportamento do consumo doméstico e as perspectivas para o segundo semestre diante de um cenário ainda indefinido para o fundo dos preços.
O episódio também traz atualizações sobre o mercado de grãos, com destaque para petróleo, milho, soja, clima e riscos para a safrinha. Um episódio essencial para entender o momento atual do mercado pecuário e os fatores que podem influenciar o comportamento da arroba nos próximos meses.
Aline Benvinda
Isabella Cavalcante
Raul Bertho
- Análise do mercado de boi gordoPressão e queda nas cotações · Alongamento das escalas de abate · Oferta típica de maio, junho e julho · Volatilidade do mercado futuro · Influência das exportações para a China · Preenchimento das cotas de exportação · Comportamento do consumo doméstico · Perspectivas para o segundo semestre
- Mercado de SucupiraPetróleo e commodities energéticas · Milho e soja: exportações e inspeções · Clima e riscos para a safrinha (El Niño) · Encontro EUA-China e comércio agrícola
Oi, pessoal, mais uma semana no Agrifatocast. Não tão otimista assim quanto nos últimos episódios, a gente já vê uma pressão acontecendo aí no mercado do boi gordo. É uma pressão que a gente já vinha falando que iria acontecer, então desde o começo do ano, quando a gente estava ali vendo essa rouba subindo, a gente vinha falando para ter atenção a esses meios de maio, junho e julho. Maio e junho, sazonalmente, a gente vê uma...
uma maior oferta, então isso acontece historicamente, quando a gente pega a variação de maio e abril da cotação da rouba do boi gordo, a gente historicamente vê uma queda de 2,5%, então já é esperado realmente esse recuo. Em abril, a média mensal da cotação do boi gordo ficou em R$362,77, a máxima nominal ficando bem colada ali na última máxima real, que foi em novembro de 2020 a...
R$ 262,93. Então, a gente vê ali bem próximo dessa última máxima real e renovando o recorde da máxima nominal. Entretanto, agora nessa primeira semana, nem chegou a dar uma semana de maio, a primeira semana de maio completa.
a gente viu já o segundo indicador CPEA ficando em R$ 354,20 para roubo. E quando a gente olha o indicador da TAGRO, ontem fechou nos R$ 352,00. Então, a gente já vê essa queda acentuada acontecendo, as escalas de abate estão mais alongadas em oito dias úteis numa média nacional.
Vimos grande parte do ano em 3, 4, 5 dias úteis. Ali em fevereiro, março e abril praticamente oscilando ali entre 4 e 5 dias. E agora a gente já vê um alongamento para 8 dias. Então a indústria é mais confortável. A gente já escuta alguns relatos da China estando ali mais lenta nas suas negociações, pressionando o seu preço médio pago por tonelada.
Então, a gente via patamares chegando até acima dos 7 mil dólares por tonelada e agora volta para 6,500, 6,400 mil dólares por tonelada. Então, a gente já começa a ver ali uma movimentação de cautela por parte dos importadores para atingir, como a gente já está chegando a atingir ali 100% das cotas, atrelado a essa sobreoferta, causando essa pressão.
no mercado físico. Entretanto, quando a gente olha ali o consumo no mercado doméstico, não está um consumo negativo, a gente vê ali um escoamento positivo. O atacado bateu o seu recorde agora chegando a 24, o atacado da carcaça casada bovina chegou.
em abril a R$24,86 o quilo, a sua média mensal. Segundo o indicador CPEA, tiveram alguns dias ali de abril que bateu os R$26,00 por quilo. Então, realmente, a gente vê ali que existe um escoamento, existe a população aderindo e absorvendo essas altas repassadas. Vamos avaliar agora em maio como é que vai ser, mas a gente consegue ver, sim, essa população.
absorvendo essas altas. Claro que quando a gente olha ali qual quarto da carcaça casada bovina mais valorizou, a gente vê que é o dianteiro, que são ali cortes mais acessíveis dentro do dianteiro. Então mostra a população diferente do que a gente viu em fevereiro, janeiro, que o prazer estava valorizando mais. Agora, esses últimos meses, esse último mês e começando o maio com...
dianteiro, a valorização do dianteiro se sobressaindo do traseiro, mas mesmo assim mostra a população preferindo pela proteína bovina, mesmo com outras proteínas mostrando uma certa atratividade. Então a gente vê a relação de troca, por exemplo, com frango resfriado, com 1 kg de carcaça casada bovina, a gente consegue quase 4 kg de frango resfriado. Então está ali nos melhores patamares dessa relação de troca e mesmo assim a população.
vem preferindo pela carne bovina, mostrando um bom consumo. Então, esse é um dos fatores que ajuda a ter ali uma esperança de que o mercado possa se equilibrar, depois que a gente passar para esse momento de sobre-oferta. Em relação às exportações, que é um receio mesmo, a gente vê ali no acumulado de abril, não saíram os dados ainda da última semana, a gente vai ter...
na quinta-feira, esses dados consolidados, mas o que a gente tem até a quarta semana são 217 mil toneladas de carne bovina in natura enviadas. Provavelmente, a gente bata um novo recorde para o mês de abril, superando abril de 2025, que tinha ficado no total em umas 241 mil toneladas, se eu não me engano, de carne bovina in natura embarcadas, e esse mês a gente deve fechar em 250.
pelas nossas projeções. Então, indicando um novo recorde, agora ver como serão os embarques de maio. Mas são meses ali um pouco mais sombrios, então a gente precisa de cautela. A gente não sabe qual vai ser o fundo.
dessas cotações, se vai acontecer em maio, se vai perdurar, na verdade, a gente vai ver acontecendo em junho e julho, até perguntar para o Raul a perspectiva dele, a sensação que ele está tendo em relação a isso, o mercado futuro, como que estão os contratos.
Bom dia, Isa. Bom dia a todos que estão nos ouvindo aí. Então, Ides, igual você falou, acho que é um período de atenção a todos, porque é um período que todo ano a gente vive, é um período que todo ano tem, essa sazonalidade do boi, essa queda de preços entre abril e maio já é conhecida, já era esperada também.
Claro que a gente estava num caráter muito otimista para abrir o Né, eu acho que isso que pega, a gente estava com preços excelentes, fazendo um abril lá de crescentes de preço, renovando máximas, e agora caiu, realmente caiu por questão de alongar ofertas. A gente sente que esse movimento de queda, ele começou principalmente no mercado futuro.
como sempre, o mercado futuro sempre antecede o movimento e ele antecedeu dessa vez também. Então, ali por volta do dia 6 de abril, começaram a cair as cotações de modo bem brusco. A gente tinha algumas cotações que estavam em patamares muito altos, até de maneira estranha, os patamares que elas atingiram.
E aí de lá para cá veio numa queda livre, né? A gente chegou aí no fundo de preços, agora retomando um pouco, mas hoje na tela a gente tem...
o junho nos 336, o maio nos 344, ou seja, espelhando mais uma vez um movimento de queda. Algo muito interessante, uma dinâmica muito interessante que tem acontecido no mercado futuro e que isso ainda não está sendo definido. Os próximos meses, falando em junho, julho e agosto,
são meses ainda que a gente não definiu ao certo qual é o fundo do preço, se o fundo do preço é em junho, se o fundo do preço é em agosto, por conta dos finais das cotas, e aí tem hora que está junho e hora que está agosto, agora, se a gente for olhar na tela, está praticamente tudo o mesmo preço, uma diferença de R$1,00 entre junho e agosto, uma diferença que era muito maior há um tempo atrás.
Então o mercado está um pouco indeciso ainda com o que ele está espelhando para frente. O fato é, está espelhando uma queda, essa queda tem a ver com sazonalidade, tem a ver com China também, exportação em China, como você bem falou anteriormente. E é uma queda que vai vir e já está acontecendo. Se a gente for pegar só o indicador da Tagro, já caiu R$16. Então...
já caiu um tanto. Ano passado a gente não teve uma queda tão brusca até, se a gente for pegar o pico de preços, que eu lembro bem que foi dia 17 de abril, até os dias de hoje não foi uma queda de 16, foi uma queda bem menor, acho que se eu não me engano não chegou nem aos 10 reais.
Então esse ano está um pouco mais volátil com relação a picos e fundos. Mas assim, o segundo semestre continua sendo muito otimista, sabe? Óbvio que a gente vai traçar um novo fundo de preços. Ele não está definido. A rouba pode cair mais.
E eu não digo assim, ah, mas ela está firme agora, não vai cair, enfim, é assim, eu acredito que vai cair só por uma questão de sazonalidade por enquanto. Agora, os efeitos China a gente pode ver a partir do próximo mês, agora o fato é, por enquanto é questão de sazonal. Então, acho que os efeitos de China, exportação, ainda não começaram propriamente ditos. Agora, infelizmente, ficou muito ruim fazer qualquer tipo de trava.
Acho que até para quem iria apostar em uma alta para o segundo semestre, ainda está um pouco indeciso se vai travar ou não. Liquidez caiu um pouco nesses últimos fregões também, então menos agentes participando. Mas acho que é normal para uma época assim. Ano passado foi a mesma coisa e esse ano vai ser também, sabe? O único fato é...
Quando voltar todo o bafafá de China, redução de exportação, provavelmente vai acontecer dentro do próximo mês de junho, pode cair mais, tá? Fica um aviso já. Fica aí um ponto de atenção em relação a essas cotas mesmo, como o Raul disse, a pressão agora é a sobre-oferta, mas assim que, digamos, essa pressão da sobre-oferta amenizar, a gente já vai entrar na pressão.
das cotas da China sendo preenchidas, que está ali prevista para serem preenchidas. Se a gente continuar mantendo uma média mensal de embarques de 108 mil toneladas de carne bovina, a gente deve preencher essas cotas na primeira quinzena de julho.
E uma coisa também que eu acabei esquecendo de falar aqui, com relação às escalas de abate, a gente observa, sim, igual você mesmo comentou, escalas em uma média de 8 dias úteis, mas a gente observa o norte do país, Pará, Tocantins, por exemplo,
Com escalas até mais curtas do que aqui no Sudeste. No Sudeste, parte do Centro-Oeste ali. Então, se a gente for pegar os mapas, não sei se a Lini vai falar mais para frente, mas aqui a gente começou já alguns problemas de restrição hídrica, ainda não sentindo falta de pasto, mas já começando a diminuir lotação. Que mais uma vez, é normal para essa época. E aí, lá no norte ainda...
Aparentemente não começou, ainda está escasso. Só que para o frigorífico tirar a boi daqui e colocar a boi lá, ele vai deixar de alongar a escala aqui, fazer um buraco para colocar a boi para lá. Então, não compensaria, né? Sim. A gente vê realmente essas escalas ali no norte um pouco mais encurtadas entre seis e sete dias.
Realmente deu uma leve alongada em comparação aos meses anteriores, mas mesmo assim estão mais importadas do que a gente vê em São Paulo, que está em oito dias, Mato Grosso. Minas Gerais, por exemplo, está girando em dez dias. Então, temos ali estados aqui do sudeste que estão com as escalas bem alongadas. Mas, Aline, como é que está a parte de grãos? O que você tem visto?
Oi, Isla, oi Raul. Então, os principais destaques dos últimos dias voltaram a ser o petróleo, principalmente após o fechamento da sessão de ontem, segunda-feira, dia 4 de maio, primeiro dia útil do mês, o petróleo acabou avançando mais de 4% na variação diária e fechou perto dos 112 dólares o barril. E esse foi um dos maiores patamares desde julho de 2022.
para o barril do petróleo. Isso também acabou refletindo na alta de outras commodities ligadas ao setor energético, como o óleo de soja e o milho. Outro ponto também importante que segue na expectativa do mercado é o possível encontro.
entre o presidente dos Estados Unidos e o presidente da China, que pode ocorrer entre os dias 14 e 15 desse mês. E a expectativa é que esse encontro traga algum acordo que possa favorecer, trazer algum tipo de benefício para o comércio agrícola desses dois países.
depois disso a gente também tem as exportações norte-americanas que seguem em volumes bem otimistas, principalmente para milho, mostrando bons volumes, uma boa demanda pelo grão norte-americano. Na última semana nós tivemos 1,59 milhão de toneladas de milho exportadas, apesar de ficar dentro da expectativa do mercado, ainda é um bom volume.
para essas exportações norte-americanas. E para milho também, as inspeções de exportação dessa semana ficaram em 2,02 milhões de toneladas, bem acima do que o mercado esperava, que era um máximo de 1,7 milhão.
E para a soja, os volumes também ficaram dentro da expectativa do mercado, mas ainda assim são volumes considerados bem otimistas, que são de 258 milhões de toneladas as exportações para a semana encerrada no dia 23 de abril e 450 mil toneladas as inspeções de exportação para essa semana agora finalizada no dia 30 de abril.
E para finalizar, como o Raul falou, agora a expectativa do mercado também segue em atenção principalmente ao clima, para a gente aqui em grãos focado mais em regiões da safrinha, principalmente com a aproximação do euninho.
O mercado está acabando de prever riscos, possivelmente em relação à produtividade das safrinhas, se ela vai ser ou não igual a Conab e Chimo. Esse mês a gente também vai ter uma nova estimativa da Conab para a expectativa de grãos, então a gente consegue ver o que eles estão achando disso, a perspectiva climática com essas possíveis secas em algumas regiões.
E é isso, na próxima semana a gente traz mais algumas novidades em relação ao mercado de grãos. Legal, Aline, bastante novidade. E agora ver como vai desenrolar maio, o que a gente vai conseguir ter um pouco mais de perspectiva tanto para grãos quanto para o mercado do boi gordo. Essa semana vão sair muitos dados, vão sair os abates em relação a abril, vão sair exportações detalhadas. Então a gente vai conseguir ter um norte melhor de como foi realmente abril.
Quais foram os nossos principais destinos? Quem sabe a gente tenha uma surpresa aí já rondando com o incremento mais expressivo de Hong Kong, do Uruguai. Enfim, né? Vamos ver aí o que acontece nessa próxima semana. Mas acho que é isso, pessoal. Muito obrigada. Obrigado, pessoal. Até mais. Tchau, tchau.