Os Segredos da mente de um campeão do mundo | BrunetCast com Cafú, capitão do penta
Conheça a Minimal Club usando o Cupom: BRUNEThttps://lp.minimalclub.com.br/ep-brunetcastMentoria DestinyMind: https://forms.gle/EDcJzoAb3ZKPU7v86O que realmente separa pessoas comuns de campeões?Neste episódio do BrunetCast, Cafu, capitão do pentacampeonato mundial com a Seleção Brasileira de Futebol, revela princípios que vão muito além do futebol.Você vai entender por que a maioria das pessoas não está pronta para vencer — mesmo querendo sucesso.Baseado em uma trajetória marcada por rejeições, disciplina extrema e decisões difíceis, Cafu compartilha lições práticas sobre mentalidade, carreira, liderança e propósito.Se você quer crescer na vida, nos negócios ou na sua carreira, este vídeo vai mudar sua forma de pensar.Neste episódio você vai aprender:Como lidar com rejeição e transformar “nãos” em combustívelPor que o medo de perder impede você de vencerOs 3 pilares que formam qualquer pessoa de alta performanceO erro que faz a maioria perder grandes oportunidadesComo desenvolver foco absoluto mesmo em meio ao caosA mentalidade de quem vence dentro e fora do campoO sucesso não é sorte. É preparo.Assista até o final pode ser o ajuste que estava faltando na sua vida.
- Mentalidade de CampeãoLidar com rejeição · Medo de perder · Disciplina e comprometimento · Transição de carreira · Importância do vestiário
- Desafios e Curiosidades da MissãoRejeições em peneiras · Preparação para derrotas · Importância da humildade
- Futebol e paixão por timesLições do futebol para a vida · Importância do ambiente · Trabalho em equipe
- Carreira e SucessoConstrução de legado · Preparação para o futuro · Equilíbrio entre vida pessoal e profissional
- Críticas e Controversas MenoresLidar com críticas · Importância do reconhecimento
Mas pra mim é um Brunacast assim, daqueles que mexem. Que hoje a gente tá aqui com nada mais nada menos que o nosso capitão do Penta, Cafu. Forte aplauso pro Cafu. O ser humano tem que estar preparado pra nem sempre vencer? Claro. Porque a vida não é só vitória. Aliás, tem mais derrotas. Se prepara pra derrota.
Se prepara para a derrota, porque quando ela vir ela não vai te abalar tanto. Porque a vitória você sabe que a qualquer momento você pode alcançar ela. Agora, você está preparado para uma derrota? Você está preparado para 220 milhões de pessoas te criticar? Ou você está preparado para 220 milhões de pessoas falar que você está velho, que você não pode jogar mais uma Copa do Mundo, que você já está cansado? Você está preparado para isso? Eu me preparei. E estejam preparados para as oportunidades, porque todo mundo pede oportunidade, mas não está preparado.
E aí eu falo, se amanhã o chefe chegar aqui batendo o peito e falar pra você assim, você vai administrar hoje esse templo aqui com 5 mil pessoas e você tá pronto? É A. É A passou. E na Copa do Mundo não tem tempo. O medo de perder tira a vontade de ganhar. É que nem na vida que você não faz as coisas que tem medo de você criticar. É porque se eu fizer vão falar mal de mim. Será que vão falar mal de mim? Vão falar. Até se você acertar tudo. Vão falar. Vão falar, pô. Tem uma frase boa pra isso. Medo de perder tira a vontade de ganhar. Opa. Não tenha medo de arriscar, pô. Se tiver medo de arriscar, você não vai chegar nunca.
Sejam bem-vindos em mais um BruneCast. Nós estamos aqui toda terça-feira, 20 horas, e dessa vez num cenário novo, porque a gente está começando uma série de BruneCasts especiais. O de hoje, então, eu tenho 45 anos de idade, né? Então, eu assisti às Copas, que a gente foi campeão. Então, para mim, não sei se eu vou aguentar. É capaz de eu chorar.
Mas para mim é um Brunacast Daqueles que mexem Porque hoje a gente está aqui Com nada mais nada menos Que o nosso capitão do Penta Cafu, forte aplauso para o Cafu
E a minha emoção como brasileiro e como host desse podcast é muito grande por tudo que o Cafu representa para o Brasil, para o mundo. Tem muitos lugares do mundo que ele não anda direito devido às pessoas em cima. E a gente está falando de um jogador que jogou anos atrás e continua com a relevância que tem, que é raro, que é uma das coisas que eu vou perguntar para ele. Como se manter a relevância depois da transição de carreira?
Muitos jogadores sabem que quando param de jogar vão desaparecer. Outros conseguem fazer história como o Cafu. Então, a entrevista de hoje é fora do comum. Cafu, seja muito bem-vindo. Que prazer te receber aqui. Prazer é tudo meu, Thiago. Sempre bom estar batendo papo, falar um pouco da carreira, da transição de carreira, de onde nós viemos, onde nós vamos, para onde nós queremos ir.
De Jardim Irene para o mundo. Por um tempo, Jardim Irene foi a capital do mundo, né? Em 2002. Depois que eu coloquei 100% Jardim Irene. É algo assim, é impressionante, né? A volta que a vida deu em relação ao Marquinhos, que era do Jardim Irene, para o Cafu capitão da seleção brasileira. São coisas inéditas e nós vamos contar um pouquinho para vocês aqui. E eu quero começar esse podcast contando uma história que provavelmente você não sabe.
Mas em 2014 eu quebrei. E nossos seguidores conhecem bem a história. E quando eu digo quebrei, cara, eu não sabia o que ia comer no outro dia. Eu já tinha dois filhos pequenos, comecei a passar uma necessidade muito grande, entrei numa depressão muito profunda. E eu simplesmente estava pensando no pior, eu pensei no pior. Tinha uma empresa de turismo, a empresa quebrou, lá no Rio de Janeiro.
E eu passei os piores momentos da minha história, sem saber o que eu ia fazer. A única pessoa que foi do meu lado foi minha esposa. Falando, calma, vai dar certo. E apareceu uma oportunidade para eu vir dar uma aula aqui em Alphaville. Comecei então quebrado, comecei a trabalhar com educação, que era o único diploma que eu tinha. Eu tinha um mestrado nos Estados Unidos. E eu peguei isso e comecei a dar aula. E apareceu uma oportunidade. E quando eu pisei aqui a primeira vez, eu falei, cara, eu vou vir morar aqui.
Eu recebi um sinal divino, eu sou bem espiritualizado, eu recebi um sinal divino e falei, vou vir morar aqui. E eu quebrado, arrebentado, com o nome sujo. Talvez você não saiba. Hoje a gente tem milhões de seguidores, nosso instituto tem um faturamento que poucas institutos de educação tem nesse país. A gente é publicado em 17 países, já vendi milhões de livros.
E tudo isso foi possível porque, de alguma forma, você, na verdade, sua família, abriu uma porta para mim. Quando eu cheguei aqui com uma mão na frente e até atrás, há 11 anos atrás, teu irmão Mauro facilitou, me apresentou um apartamento que você era o dono. Deixa eu tentar não chorar aqui.
Passou os documentos, não, fica aqui. Me ajudou com preço, com tudo. Ou seja, cara, se eu estou de pé hoje e ajudando milhões de pessoas na internet, é porque a tua família me ajudou. Então, eu quero que o Brasil saiba disso, que muita gente não sabe.
Porque às vezes vê só o campeão, mas não vê os bastidores, quantas pessoas devem ser ajudadas. Se fez isso para uma pessoa que não conhecia, imagina o que deve fazer pelos outros que estão mais próximos. Então eu te agradecer. Minha família agradece a tua família. Porque isso foi uma oportunidade. Agradecer o Mauro.
Seu irmão que está aqui, que proporcionou tudo isso, a gente é amigo há 10 anos. Nossas filhas foram crescendo junto ali no prédio que eu morava e pude conhecer melhor a sua história. Para mim hoje é um grande privilégio te receber aqui, por causa disso também, não só pelo que você representa para o país, mas pelo que você representa na minha família, na minha vida. Muito obrigado. Eu quero começar com a seguinte pergunta. Como é que uma...
Um ser humano pode sair de uma comunidade e se transformar numa referência mundial? Porque eu costumo dizer o seguinte, se a gente estudar como o futebol funciona, a gente vai entender muito melhor a vida. Um exemplo é que 99% dos jogadores, ou 99,9% dos jogadores, nunca sonharam em fazer outra coisa. Você jogador e acabou. Essa determinação faz com que ele...
ultrapasse barreiras comuns. Sou de uma comunidade. Como começou a ideia de ser um jogador? Veio do pai, de um tio, veio dos colegas, veio do ambiente. Como começou a história de ser um jogador e como sair desses menos zero, que é uma comunidade, para um pentacampeão mundial? Tiago, o que me difere da maioria das crianças de periferia, de favela ou de zona de risco? Pobre, negro?
Simples, humilde, as condições eram escassas, social, educacional, sociocultural. O que me difere é o que eu queria ser. E eu queria ser um jogador de futebol. E ninguém poderia tirar isso de mim. Porque as histórias são as mesmas. Mas talvez nem todos eles estão dispostos e dispostos a passar por essas dificuldades.
A maioria desiste na metade do caminho, a maioria talvez não tenha grandes estruturas, mas o que eu queria? Eu queria ser um jogador de futebol. Ninguém poderia decidir por mim naquele momento que eu queria ser, só eu. Você citou muito bem, a maioria tem o caminho mais fácil, que é o futebol.
Mas tem uma palavrinha-chave que você falou no começo, que eu costumo falar das periferias, que é oportunidade. Nós temos que mudar essa chavinha. Dar essa oportunidade a uma criança, se transforma ela num cidadão. Tira essa oportunidade dessa criança, se transforma ela numa coisa ruim. Mas quando se fala de oportunidade, não é só o futebol.
Você precisa dar outros tipos de oportunidade para as crianças. Você precisa mostrar para elas que existe vida após futebol. Ou que existem outras oportunidades, não só no futebol. É o caminho mais curto? É o futebol? É, é o caminho mais curto. Primeiro passo, quando você nasce, seu pai, a primeira coisa que ele faz, te dá uma bola de futebol ou te dá a roupinha de um time. Então, quer dizer, eu já nasci em 1970, em plena Copa do Mundo. Então, eu já tinha no DNA já um pouquinho...
do que eu seria, que eu poderia ser um jogador de futebol. Mas a maioria das pessoas de periferia vê realmente no futebol uma das facilidades para você transformar e mudar a vida da família. E muda!
De verdade. Mas nem todo mundo vai mudar. Porque nem todo mundo vai ser um jogador de futebol. O que nós queríamos e tínhamos como ideia era fazer com que tivesse oportunidade tendo direito de igualdade. Mas você só faz isso realmente se ele estiver em algum lugar onde você possa expressar essa inteligência toda sua. É, isso que eu estou falando é interessante, porque você queria ser jogador de futebol, você já estava decidido, e eu explico isso.
que muita gente não é alguma coisa hoje porque não decidiu muito antes o que queria ser. Ficou muito tempo em confusão mental. Geralmente o jogador de futebol não passa por isso. Quero até já começar esse podcast falando que mês que vem sai o livro O Jogo da Vida, o que o futebol nos ensina sobre vida e negócios.
E eu começo o capítulo primeiro falando o seguinte. A diferença de um jogador de futebol para um cidadão comum é que o cidadão comum está com 18 anos pensando assim, mas o que eu quero da vida? Qual faculdade eu faço? Com cinco anos o jogador de futebol já estava na pracinha jogando, falando, é isso que eu quero fazer. Quanto mais cedo você decide, mais rápido você tem chance. Nada é garantido na vida, mas tem chance de vencer. Com 18 anos, um monte de garoto já é estrela do Real Madrid, do Barcelona, do Milan, já está na seleção brasileira.
É adolescente com 18 anos acordando agora, meio dia, para saber o que faz da vida. Mas como é que o futebol chegou em você? Foi um incentivo familiar? Foi amigo? Como é que começou? Você lembra mais ou menos? Incentivo familiar. Meu pai jogou amador, meu tio jogou amador.
os meus primos jogaram amadores, a maioria deles jogaram, então já vem do histórico familiar de jogadores de futebol, não conhecidos mundialmente, não conhecidos expressamente, mas todos eles jogavam, então já vem desse DNA já de o tio, o pai incentivar nós a jogarmos futebol. Mas quando você nasce realmente em periferia, o próprio pai, a própria mãe te empurra para que você possa tentar ser um jogador de futebol, porque eles vêm ali realmente...
uma facilidade muito grande, mas eu já tinha esse histórico familiar já. E desde essa fase, você lembra de alguma vez você não ter feito o que o técnico pediu?
Olha, quando você é jovem, você praticamente faz aquilo que o técnico pede. Quando você adquire uma certa experiência, às vezes você consegue fazer algo diferente porque você sabe que aquilo ali pode mudar o jogo, pode mudar uma partida. Mas você não está fazendo por você querer desobedecer o treinador. Você está fazendo porque você acha que aquele caminho, de repente, é o caminho.
É o caminho mais próximo, porque eu costumo falar eu sei o que eu tenho que fazer dentro de campo hoje. Eu cheguei em um certo nível que o treinador não precisava falar para mim o que eu tinha que fazer dentro de campo. Eu já sabia qual é o caminho que eu tinha que ir, por onde eu tinha que cruzar, onde eu tinha que antecipar. Então, com o tempo, você aprende isso. Desobedecer o técnico? Não. Porque, às vezes, o técnico treina a semana inteira determinada jogada, determinada tática, e no final do... chega no final de semana, você vai ter que colocar em prática aquilo que você treinou a semana inteira.
No começo, não. Mas depois, com uma certa experiência, você começa a confrontar com o treinador, num bom sentido que eu falo confrontar. Mistério, olha, eu acho que se nós fizéssemos dessa maneira, eu nunca falava para ele, vamos fazer dessa maneira. Eu acho que se fizer dessa maneira, podemos ter um pouquinho mais de facilidade. Então, com o tempo, com a experiência, você consegue hoje confrontar com os treinadores. Sabe por que eu estou te perguntando isso? Porque se você for comparar o jogador de futebol com o cidadão comum, vamos dizer assim,
O jogador de futebol, desde que se entende por gente, tem um treinador. Começou com o pai levando na beira do campo e falando assim, ó, toca a bola, volta para marcar. Aí depois tem o treinadorzinho da base lá e depois o técnico do time que ele é contratado. Ou seja, é...
Uma das poucas carreiras, uma das poucas pessoas no mundo que durante toda a sua vida teve um treinador. O ser humano comum não é assim. Não. Ele não tem alguém dando orientação. Como é que marca? Como é que faz isso? Qual é a posição que eu jogo? Que é a próxima pergunta que eu vou te fazer. Foi debaixo de uma orientação de um técnico, de um orientador, de um professor, que você definiu sua posição, não foi isso?
Quer proteger a experiência do seu adolescente online? No TikTok, a segurança vem desde o início. As contas de adolescentes já vêm com mais de 50 ferramentas de privacidade e proteção ativadas automaticamente. E com a sincronização familiar, os pais podem ajustar configurações de conteúdo e bem-estar digital com poucos cliques. Ambiente protegido para eles, mais tranquilidade para você. Saiba mais em segurança-tiktok.com.br.
Chegou a hora de deixar os carros da idade da pedra para trás. O BYD Dolphin Mini foi o elétrico mais vendido no varejo por dois meses consecutivos. Pela primeira vez, um carro 100% elétrico lidera essa posição no Brasil. E chegou a sua vez de ter um carro mais econômico que moto. BYD Dolphin Mini, a partir de R$ 109.990 para a CNPJ. Fala até uma concessionária BYD e faça um test drive. Consulte condições em byd.com.br. No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas.
Na realidade foi numa dificuldade que se definiu a minha posição. Vamos lá. Mas quando você fala em mudança de posição, nós temos que querer mudar também. Porque não adianta eu querer mudar você e você não quiser mudar. E aí? Olha, eu vou te colocar na lateral esquerda. Ah, não, eu não vou. Você precisa querer. Eu quis.
O Tele me colocou de lateral direito. Eu não era lateral direito. Era meia. Estava toda hora na cara do gol, com o Raí, fazia gol, dava passe. Era uma maravilha. Isso no São Paulo, Tele Santana. O Zé Teodoro teve uma contusão muito feia no tornozelo. E iria nos desfalcar o São Paulo por mais ou menos uns 3, 4 meses, mais ou menos. Terminou o primeiro treino. No segundo treino, o Tele falou assim, eu vou te deixar na lateral nesse treino. Lateral direito. Eu falei, ah, legal, professor. Quebrar um galho, né? Eu vou.
Treinei no lateral. O primeiro treino, treinei o segundo. O terceiro treino, ele falou, você vai jogar domingo na lateral. Eu falei, sério, professor? Ele falou, sério, mas o senhor sabe que eu não sou lateral. Não, mas o Zé Teodoro tá machucado, não dá tempo de nós contratarmos outro lateral. Tá bom. Joguei no domingo. Joguei bem. Chegou na segunda, volto pra minha posição normal. Fui lá pra minha meia, peguei minha roupeta, ele falou, vem aqui. Volto pra lateral. Falei, por que, professor?
nós vamos te adaptar na lateral. Eu falei, professor, eu não sou lateral, eu sou meia. Pede para o São Paulo contratar um lateral, até o Zé Teodoro recuperar, me deixa na meia. Ele falou, olha, eu vejo um potencial muito grande em você, sei que você pode fazer essa função, sei que você gosta de aprender. Eu falei, então, professor, eu sei, mas, professor, eu não sou lateral, me deixa na meia, contrata um lateral.
Não, você ataca bem, você tem força, com a mesma disposição que você ataca, você defende, você bate bem na bola, você tem visão de jogo. Vamos começar a treinar na lateral. Eu falei, sério, professor, sério? Falei, então tá bom, professor, eu vou treinar só até contratar outro lateral. Aí o Telê já sabia onde é que nós iríamos chegar, porque eu sempre falo, eu e o Telê tinha fome com vontade de comer, ele gostava de treinar e eu amava treinar, tanto é que eu treino até hoje.
Então ele falava assim, você pode chegar um pouco mais cedo amanhã? Eu falei, claro, professor. O quê, 30 minutos antes? Ele falou, chega 30 minutos antes. Eu falei, por quê? Porque os goleiros ficam treinando batida de bola, quebrar a bola. Então quando os goleiros quebrarem a bola, eu vou pedir para você ficar parado lá na frente. Então o goleiro quebra, você domina e a gente começa a cruzar. Eu falei, ah, legal, professor, eu chego cedo mesmo. Então eu chegava 30 minutos antes do treino e saia 30 minutos depois do treinamento. Por quê? Depois do treinamento tinha o treino técnico para os atacantes.
Aí o Telê, esperto, falava assim, Cafu, eu preciso treinar meus atacantes, você pode quebrar um galho e ficar cruzando as bolas pro meu atacante? E nesse de cruzar eu tava treinando, tava me aperfeiçoando, aperfeiçoando, treinando, porque eu sempre me dedicava, sempre levava a sério esse treinamento, falei, legal. Aí eu ficava bagunçando com o centroavante, com o meia, vai, vai, vai, vai. Chegou um tempo que o Telê falou, ó.
Você fez tudo o que eu queria. Você vai ser o lateral de São Paulo de agora em diante. Eu falei, professor, não. Acabou. Você já treinou, já se adaptou. Eu sei onde você pode chegar. Bora. E comecei a treinar. E comecei a treinar. Aí eu falei, tá bom. Vou me adaptar nessa posição que não era minha. Por isso que eu te falo. Nós temos que querer. Porque não adianta um treinador querer por você. Ele pode até te dar uma função. Olha, hoje você vai jogar de lateral esquerda. Ah, eu não quero jogar. Não, eu vou jogar. Eu quero. Vamos embora. Eu quero aprender.
Então eu quis me adaptar depois, eu quis aprender e quis ficar na lateral. E isso facilitou muito o meu trabalho, porque é uma posição nova, era uma zona que não era a minha zona de conforto, eu tinha a minha zona de conforto que era no meio, eu tinha que passar um desafio enorme que era jogar na lateral direita, e fui para a lateral direita, e comecei a treinar, treinar, treinar, treinar, cada dia que passava, em vez de 30 minutos, eu chegava 40 minutos antes do treino.
Depois do primeiro mês, o Tere não precisou mais pedir para eu chegar antes do treino. Eu já chegava sozinho, porque eu queria melhorar. Eu sabia que se eu melhorasse, eu poderia render mais ainda, não só para mim, mas para o São Paulo também. Você vê como é que é, né? Às vezes, a gente não consegue enxergar a nossa própria posição na vida. Alguém mais experiente tem que falar, olha, aqui dá certo. Então, você é conhecido como um dos melhores e mais famosos laterais direitos do mundo, da história.
E começou numa posição que não era sua, mas debaixo de um conselho de um treinador. É o que eu falo na vida real. Às vezes vem alguém e fala assim, olha, você se daria tão melhor aqui, mas você quer insistir numa coisa, como o Cafu falou, não dá para mudar quem não quer. É o pior desgaste emocional que tem.
Se você quiser mudar alguém, mude a si mesmo, porque os outros não dá para mudar. Mas se a pessoa estiver convencida que ela tem que estar debaixo de uma repreensão, de um conselho, de um técnico, de um mentor e seguir aquela instrução, é bem capaz dela encontrar a posição certa na vida. Agora, como lateral direito, você já teve que lidar... Pergunta boa, polêmica. Você já teve que lidar com, por exemplo...
o incômodo de você ser o cara que cruza, mas não faz gol, aí você queria ser o cara que faz gol, ou seja, não vou botar a palavra inveja porque é pesada, mas o desconforto de falar, caramba, o cara lá que tem que fazer o gol e eu não faço. Pelo contrário. É mesmo? Tem uma das frases que eu falo na minha palestra que é, sejam os melhores naquilo que vocês fazem.
Não queira ser o melhor no que os outros fazem. Eu não posso ser o melhor centroavante. Eu não sou centroavante. Eu não posso ser o melhor meio esquerdo. Eu não sou meio esquerdo, eu sou lateral. Então eu tenho que ser o melhor lateral. Se eu for o melhor naquilo que eu faço, eu vou contribuir com o meu time e possa chegar na vitória.
Eu não vou ser goleiro, não vou pegar no gol, eu não vou ser lateral esquerdo, não vou cruzar com a perna direita, eu vou ser lateral direito. Então, se eu for o melhor lateral direito, e a minha função é chegar na linha de fundo e consagrar, eu falo para todo mundo, consagrar o meio centroavante, é o que eu vou fazer. E é o que eu vou fazer de melhor. Porque eu vou sair dentro de campo satisfeito. Eu dei um passe para um gol hoje. Cumprir com a minha função. Porque aquela é a minha função. A maioria das pessoas hoje pecam porque elas querem ser o que os outros são. Ou querem fazer o que os outros fazem.
Não, o futebol é uma divisão de responsabilidades. A minha responsabilidade é ser lateral, seja o melhor lateral. Eu coloquei na minha cabeça, eu vou ser o melhor lateral, eu não vou ser o melhor centroavante, porque eu não sou centroavante. E olha como é que é, né? Porque você não foi o artilheiro da Copa, teve gente que fez mais gols que você, mas na cabeça de qualquer brasileiro aqui, 30 a mais, 40 a mais, quando pensa em pentacampeão, vai lembrar de você segurando a taça. Ou seja, não é o número de gols, é o que você representou.
Então, nesse livro, O Jogo da Vida, eu falo o seguinte, nem sempre você vai ser famoso, mas você precisa ser essencial. Qual o nome do fisioterapeuta da seleção? A maioria não tem a mínima ideia de quem é, mas ele é essencial para o jogador.
Então, às vezes, você tem que trocar a palavra fama, porque a internet trouxe muito isso de você querer ter curtida e querer... Porque, às vezes, o teu destino não é a fama, mas, essencial, todos foram chamados para ser. Como o caso do fisioterapeuta. Provavelmente, ele não vai ser famoso, mesmo estando na seleção, mas ele é essencial para aquele time.
Ele é importante a palavra certa. Importante, contribui. Ele é importante para mim, o fisioterapeuta, o cozinheiro, a faxineira, o roupeiro. Olha o quanto eles são importantes. Imagine se o roupeiro chega lá no dia do jogo e colocar dois pés direitos para eu jogar.
Não vai dar certo. Olha o quanto ele é importante. Olha só. Por isso que eu falo, sejam os melhores naquilo que vocês fazem. Porque se cada um fizer aquilo que sabe fazer de melhor, quando se fala de bater meta numa empresa, de conquistar títulos em um time de futebol, vocês têm que ser os importantes, têm que ser os melhores que vocês fazem. Não importa se eu vou fazer gol, se eu vou ganhar chuteira de ouro, se eu vou ganhar luva de ouro, não. Não importa o que eu vou fazer. Se eu estiver na linha de fundo e cruzar 30 bolas para os caras fazerem 30 gols, eu estou feliz com isso.
Você está dentro de um grupo nem seleto, é menos do que seleto de pessoas que conseguiram ganhar Copa do Mundo, Champions League, Libertadores e Mundial de Clubes.
Acho que é você e mais um, acho que é o Dida. Dida. É. Ou seja, um jogador, estou falando de, gente, a nível mundial, que conseguiu ganhar a Copa do Mundo, Champions League, que hoje é o campeonato mais rigoroso, mais disputado do mundo, Libertadores e Mundial de Clubes. Ou seja, se você pudesse dar três nomes,
Vamos supor, disciplina, mas quais outros dois são necessários para você ter esse nível de resultado na vida? Disciplina, comprometimento e treinamento. Disciplina, comprometimento e treinamento. É o que vale para a vida. A mesma coisa para a vida, né?
E o comprometimento, o que seria esse comprometimento? É você chegar na hora? É você obedecer mais o técnico? O que é um comprometimento? Chegar na hora você não faz mais do que se obrigar. Se é obrigado, chegar na hora. O comprometimento é você se comprometer com aquilo que você quer fazer. Se comprometer com os amigos, com o treinador, com a torcida, com a família, com os seus companheiros de trabalho. Se comprometer com algo que você quer fazer. Se comprometer com o título.
Eu estou comprometido, estou com você. Estamos juntos, independente do treinador de colocar para jogar ou não, eu vou treinar no dia seguinte. Vou abdicar de coisas que eu sei que não vai fazer bem para mim, porque eu tenho um compromisso amanhã com meus companheiros. Não é justo meus companheiros treinar a semana inteira, eu não treinar e depois eu chegar lá e jogar. Não tem esse compromisso comigo mesmo. Você não está mandando uma indireta para o Romário, não. Não, não, não. Não tem nada a ver contigo, Romário. E posse nenhuma. É comigo mesmo.
É se comprometer com seus companheiros, com seus amigos. Fazer com que eles entendam o quanto eles são importantes para você naquele momento. Mostrando exatamente, treinando, se dedicando. Agora, você tem uma história que, de todas que eu conheço a sua, é que me fascina porque a maioria dos seres humanos comuns, ao contrário dos jogadores de futebol que sabem o que querem, passa por esse processo e desiste, que é da peneira.
Um jogador de futebol, para quem não entende muito de futebol, ele quando começa a jogar melhor quando é criança, ele tem um olheiro vendo ele no campo, aí chama ele para uma peneira. Ele vai jogar e vai ser peneirado ali de 15 garotos jogando, um só vai ser escolhido para entrar na base de um time, por exemplo. Quantas peneiras você foi rejeitado?
Nove. Nove. Por nove vezes as pessoas falaram pra mim que eu jamais seria um jogador de futebol, que eu não tinha condições de ser jogador de futebol, que eu era magro, que eu era baixo, que eu era feio, que o meu cabelo era ruim, que minhas pernas eram finas, que o meu dedo era torto. Várias pessoas falaram isso. Mas é o que eu te falo. Aquelas pessoas não podem decidir por mim o que eu quero ser. Como é que eles sabem se eu vou ser jogador de futebol ou não?
Como é que ele não treina por mim? Ele não treina por mim. Sou eu que tenho que decidir. Por isso que uma das frases que eu falo é não deixe que ninguém decida por vocês o que vocês querem ser. Ninguém pode decidir por você o que você quer ser. Então a decisão de ser é minha. Então dessas nove peneiras tem... A maioria delas eu nem cheguei a treinar direito.
Ia lá, fazia um treino e ia embora, ia lá, fazia o treino e ia embora. Mas será que esses nãos eram mais fortes do que eu queria? Do que o sim? Porque na nossa época, para mim, essas peneiras, essas barreiras eram algo normal. Eu achava que todo mundo, para se transformar num jogador de futebol, tinha que passar por essas barreiras, por esses nãos. Então eu sempre encarei o não como algo normal na minha vida, até que eu alcançasse o sim. Uma hora o sim vai chegar.
Mas o que eu não posso é desistir no primeiro não. Porque se eu desistir no segundo não, aí sim eu vou ser um fracassado. Então por isso que eu falo, com uma simples palavra você muda a vida de uma pessoa. Com uma simples palavra o meu pai muda a minha vida. São barreiras que eu vou colocar na sua vida que só você pode superar. Então o meu pai não me dava facilidade. Ele fazia com que eu entendesse que aquela barreira das pedeiras só eu poderia superar. Porque ele falava, eu não posso jogar por você, eu não posso entrar em campo por você. É só você.
E eu fui encarando isso com a maior naturalidade do mundo. Falei, um dia eu vou superar essas barreiras. E superei essas barreiras. Treinando, me dedicando, sem fazer mal para ninguém, sem desrespeitar ninguém, sem maltratar ninguém, pelo simples fato de ter passado na barreira. Por isso que eu dou valor a cada conquista, a cada vitória, a cada título, a cada passe, a cada gol.
Porque eu sei o que eu passei lá atrás antes de me transformar no capitão da seleção brasileira. Porque antes de me transformar no capitão da seleção brasileira, eu fui mandado embora nove vezes. Mas eu não desisti. Se eu fosse um fraco, aí sim eu teria desistido. E eu não teria me transformado no que eu me transformei. Tem uma frase atribuída a Júlio César, imperador, que ele diz assim, um homem sem coragem morre muitas vezes durante a vida.
Um homem corajoso só morre uma vez, que é o dia da morte mesmo. O que ele quer dizer? Das desistências que o ser humano vai fazendo. O cara podia ter morrido só em um profissional dele, porque nove peneiras o rejeitaram. Tem gente que na segunda entrevista de emprego desiste. Tem gente que na terceira tentativa, quarta tentativa de abrir uma empresa e a empresa não foi para frente, abre mão de tudo. Enquanto a gente está vendo que o jogador de futebol pensa diferente. Quantas vezes eu precisar?
Eu vou fazer. Porque o jogo de futebol tem uma característica, como eu estava te falando nos bastidores, eu entrevistei muitos jogadores da seleção pentacampeã e da seleção atual para poder escrever o livro Jogo da Vida, que sai mês que vem. E a maioria deles me falaram o seguinte, cara, a nossa fome era maior do que qualquer coisa.
Só servia isso para a gente. É o que o mundo empresarial hoje, o Cafu, chama de obstinação. Não importa o que aconteça, eu vou fazer e acabou. Você imagina um vendedor, alguém que depende de venda, receber cinco nãos e ir para casa chateado. Então, tua família vai morrer de fome? O jogador não se importava em ser rejeitado nove vezes na peneira, ele simplesmente ia para décimo e tentava mais uma vez. Agora, uma curiosidade que eu tenho é sobre a vida emocional.
Porque às vezes a gente desenvolve muita habilidade.
profissional, física, e quando as emoções saem do lugar, tudo pode desandar. A gente já recebeu o Kaká, que inclusive o Kaká, nosso Bola de Ouro 2007, já passou aqui no Brunecast e prefaciou o livro Jogo da Vida, e o Kaká fala que vários jogos ele presenciou o cara ser bom demais e não fazer nada no jogo, porque estava totalmente out emocionalmente. Estava passando alguma situação, preocupado com alguma coisa.
o quanto a vida emocional rouba a tua habilidade. Você treinou tanto, é bom no que faz, mas realmente existe essa questão de o emocional travar a tua habilidade? Existe. É que eu nunca deixei o emocional travar a minha habilidade. Eu nunca deixei que o meu emocional fosse maior do que aquilo que eu queria quando eu estava acidente de campo. Eu sempre tive o controle de entrei na linha de campo, acabou. Eu consigo deletar qualquer tipo de problema que tem do outro lado.
Mas simples assim, como terminou o jogo também, eu vou deletar qualquer coisa que aconteceu dentro de campo. Eu já vi casos que realmente é fato, jogador que não conseguia dar um passe, não conseguia andar, não conseguia falar, porque estava com problema em casa, estava com problema na família, tinha outros vários problemas que não conseguia resolver. E a gente vê isso, eu vi isso muito no europeu. O europeu deixa isso muito claro, muito nítido. Não, estou com problema, não vou conseguir jogar, a gente vai para.
calma, respira, o problema não pode ser maior do que você quer, você tem 90 minutos para jogar dentro de campo, 90 minutos você vai ter que deletar esse problema, depois desses 90 minutos eu vou procurar te ajudar até resolver esse problema, é difícil? É, mas não é impossível, eu não sei de onde eu tirava força para que eu pudesse deletar tudo o que acontecia na hora que eu entrasse dentro de campo.
Porque quando eu entrava dentro de campo, quando eu estava no vestiário, quando eu desligava meu telefone, eu mentalizava só o campo. O campo e meu adversário. Estudava meu adversário, estudava quem eu ia marcar, estudava por onde eu ia jogar. E ficava mentalizando o campo, o campo, o campo e tirava tudo que era problema extra-campo. Eu nunca deixei os meus problemas extra-campo.
afetar o meu desempenho dentro de campo. Joguei mal às vezes? Joguei, mas joguei mal porque aquele dia não estava legal. Acabou. Fato. Mas não porque eu tinha um problema ou porque esse problema eu deixei esse problema afetado dentro de campo. Não. Eu consigo distinguir muito bem essas coisas. Eu consigo colocar uma barreira entre o meu trabalho e o meu problema. Minha família e o meu trabalho. Meus amigos e o meu trabalho. E você está falando uma habilidade de campeões porque...
Uma vez eu estava com um dos maiores palestrantes do mundo, fora do Brasil essa palestra, e ele estava num problema sinceríssimo, cara, na vida particular dele. Anunciaram ele, ele fez a cara assim, subiu, deu uma palestra maravilhosa, foi ovacionado.
Os livros que ele levou, sei lá, 2, 3 mil livros, vendeu tudo, ficou uma hora assinando o livro. E depois eu perguntei para ele, como é que você consegue? Ele falou, essa é a única forma de ser campeão. Se você não neutralizar suas emoções, chegar lá em cima e você falar tremendo, esquecer o que ia falar, acabou a tua vida, a tua carreira. Isso é uma habilidade de campeão. Você conseguir gerir as emoções a ponto disso não interferir no que mais importa da tua vida. Só os campeões conseguem mesmo e é uma habilidade que pode ser treinada.
Agora, eu acredito, por exemplo, falando de vida emocional, você jogou no Milan. A maioria dos meus amigos que jogam Champions League, jogadores que vão lá em casa, que a gente sai para jantar, que a gente tem algum tipo de relacionamento, diz o seguinte, cara, jogar na Europa é muita pressão, não só da torcida, mas é muita competição em campo, cara, parece que quer tomar o teu lugar o outro jogador e tal.
Como lidar emocionalmente num ambiente hostil? Que você sabe que se der mole, alguém vai pegar o teu lugar, porque todo mundo quer jogar ali no Milan, todo mundo quer jogar ali no Real Madrid, todo mundo quer... Se isso existe, se você passou por isso, às vezes você não passou, e como é que você lidava com a questão de ambiente hostil? Você saber que se você der um mole, alguém vai querer pegar a tua vaga. Mas isso não é só na Europa não, tia. No Brasil também. Qualquer lugar. Qualquer lugar.
No campo, na escola, no trabalho, na empresa. A vida é assim. A vida, se você vacilar, a pessoa te atropela. Isso é normal. E isso depende muito de você. Eu cheguei na Roma, por exemplo, já era campeão do mundo em 94.
Mas eu não cheguei lá com a tarja de campeão do mundo. Eu cheguei lá como jogador que ia procurar o meu espaço. Porque eu sabia que se eu chegasse lá e não corresse, não aprendesse o idioma, não aprendesse a cultura, me adaptasse, eu ia ter problema. Então, eu não poderia esperar que o Roma fosse se adaptar ao meu esquema. Não, eu tenho que me adaptar ao esquema do Roma. Então, eu tenho que aprender logo, eu tenho que olhar, tenho que observar e nos treinamentos, meu, esquece.
Se tiver de bater no bambambam, no melhorzinho, no mais bonitinho, eu vou bater. Porque é o meu espaço. Ali eu estou lutando pelo meu espaço. Eu nunca me acomodei com isso. Ah, cheguei lá como campeão do mundo. Cheguei lá como o jogador mais famoso no Brasil. Não. Esquece o Brasil. Você está chegando lá, você vai ter que mostrar realmente porque você foi lá. Uma espécie de humildade, tipo assim, eu vou ter que começar do zero para provar quem eu sou. Perfeito.
Falou tudo. E a maioria dos nossos jogadores, que são estrelas dos nossos clubes aqui no Brasil, vai pra lá achando que esse estrelismo vai fazer com que eles viram titulares. Não vai. É completamente diferente. Lá, se você não correr, não jogar e não treinar, esquece. Não vai se adaptar. Então, você tá se adaptando a um esquema diferente, treinador diferente, tática diferente. Então, é tudo completamente diferente. Então, no primeiro treinamento, quando a bola chegou pra mim, eu já...
Já dei a butinada em um, já dei a butinada em outro, já cruzei, já fui, voltei e falei, opa, estou aqui. Não pensa que eu estou aqui porque eu fui campeão mundial, não. Eu quero o meu espaço. Uma coisa interessante, Cafô, é que apesar de a vitória depender muito da sua habilidade pessoal, de sair, de você guardar o seu espaço, mas quando eu estudo a história dos jogadores, eu vi o seguinte, em todo momento da vida deles, eles precisaram de alguém.
o pai ou a mãe que levava no treino. A maioria dos jogadores de futebol, quando fecha o primeiro grande contrato, na entrevista já choram e falam assim, obrigado, mãe, porque você não desistiu, porque você abria a mão do não sei o que para me dar passagem para eu ir para o treinamento. Quando ele ganha o primeiro dinheiro, ele já compra uma casa para a mãe, para o pai, para quem ele é grato.
E depois são outras pessoas que vão substituindo a função que o pai e a mãe faziam na vida do jogador quando pequeno e vão abrindo portas, apresentando pessoas e tal, até chegar na fase de transição de carreira, que é deixar o futebol e começar um novo caminho, que você fez isso muito bem, a maioria não consegue.
Ou seja, tanto em campo você vai precisar de pessoas, quanto fora do campo, desde sempre. Uma pessoa que é muito egoísta a ponto de falar assim, eu consigo tudo sozinha, isso é possível no futebol, nos negócios? Impossível, Thiago, é impossível, ninguém consegue tudo sozinho.
precisamos sempre de alguém que nos aconselhe, que nos associ, que nos dê o caminho, nos dê a direção. Por que a primeira coisa que nós fazemos quando nós ganhamos dinheiro é comprar uma casa para o seu pai e sua mãe? Pô, seu pai e sua mãe trabalham a vida inteira.
Seis filhos no Jardim Irene, morando em um cômodo. Deu sempre dignidade para todo mundo. Vimos todas as dificuldades. É o momento de você falar assim, pai, mãe, obrigado. Eu agradeço o meu pai e minha mãe até hoje nas minhas palestras. Eu faço questão de ter uma foto do meu pai e da minha mãe na primeira parte da minha palestra e falo, é graças a esses dois aqui que eu estou aqui hoje. Ao meu pai e à minha mãe. Eu falo, obrigado pai e obrigado mãe. Porque foram as pessoas que me deram conselho até onde eles puderam chegar.
Chegou um determinado momento, eles não poderiam mais. Porque mudou, era outra história, era outro país, aí você vai para outras pessoas. Mas nunca esquecer que eram as pessoas que te ajudaram lá no começo. Nunca esquecer as pessoas que lutaram com você lá no começo. E as pessoas que lutam com você no começo, porque nem você falou, foi sua esposa que esteve do seu lado. Foi seus filhos, foi seu pai, foi sua mãe, que sempre falava, filhão, vai lá, uma hora vai dar certo. Filhão, vamos lá que eu estou com você. Filhão, não desiste. São essas pessoas. Minha mãe me falou isso muitas vezes.
Meu pai sempre falou isso, filhão. Não desiste. Vai dar certo, filho. Então, são essas pessoas que eu glorifico. Meu pai e minha mãe, porque graças a eles eu estou aqui hoje. Mas como no futebol, no empreendedorismo, nas empresas, as coisas mudam. Você arruma um sócio, você arruma pessoas que estão do seu lado, que vai te dar outro tipo de conselho. Mas nunca esquecer quem te deu o primeiro conselho. Nunca esquecer quem correu com você desde o começo. E eu acho que é essa transação que esses jogadores têm que aprender e têm que saber valorizar.
É óbvio, o empresário está lá para fazer a função dele, é o nova vida, nova história, mas você só tem uma nova vida, uma nova história, porque você começou uma história lá atrás. E eu cito muito esse exemplo quando eu encontro as pessoas que fizeram história antes de nós, eu encontro o Edu, eu encontro a amiga da guia, eu encontro o Clodoaldo, quando eu encontro o Coutinho, que eu encontrava muito, que eu estava, viu?
Eu falava para eles, pô, Cotinho, tira uma foto comigo, Clodaldo, tira uma foto comigo, ele fala, pô, Cafu, mas você é capitão da seleção brasileira? Você é pentacampeão? Eu falei, Clodaldo, vem aqui. Sabe por que eu sou pentacampeão? Porque alguém foi tetracampeão, porque alguém foi tricampeão, porque alguém foi bicampeão e porque alguém foi campeão. Eu só dei sequência à história que vocês começaram lá atrás.
Então, cara, vocês para mim são os meus heróis. Tira logo uma foto aqui comigo e para de conversar. E tira a foto. Então, quem foram os nossos heróis lá atrás? As pessoas que caminharam conosco no começo. Mudou? Mudou. Por quê? De aqui em diante, as pessoas vão dar sequência àquilo que você construiu. Os seus filhos, os seus netos, talvez os seus amigos. Eles vão dar sequência ao que você construiu. O que você construiu está construído.
O que você construiu, ninguém tira. O legado que você deixou, ninguém tira. Eu falo para todo mundo, não existe ex-campeão. É o campeão para sempre. Então você vai ser sempre campeão lá. Ele é ex-campeão do mundo. Mas como é que é isso, ex-campeão do mundo? Não, o título é para sempre. O legado que você cria lá atrás é para sempre. Pode passar anos, entra, sai, mas o legado que você deixou vai ser para sempre.
Centro é a marca número um do mundo e especialista em multibenefícios. Ajuda a recuperar energia e apoia o metabolismo. Estudos clínicos mostram que preserva a memória e cognição, além de contribuir para cabelo, pele e unhas. Centro, você de bem a melhor. Presta atenção na vida, que isso aqui foi um conselho de um pentacampeão mundial.
Os pais, por vezes, esquecem, por causa do mundo do jeito que está, da conectividade, da modernidade, cada um está querendo tocar a sua vida, esquecem que uma das funções dos pais é dar destino para os seus filhos. Então, que os pais dele...
fizeram foi, não desiste, vai lá, faz isso, esse é teu caminho. E a gente tem essa responsabilidade de lançar palavras sobre nossos filhos que vão dar destino para o que eles fazem. Agora, tem alguns assuntos no futebol que são levados muito a sério, servem para a vida, mas um cidadão comum, uma pessoa comum não leva a sério. Um exemplo, regras. Futebol tem regras, tem impedimento, aí o bandeirinha está lá para dar o impedimento.
Tem, se derrubar o cara dentro da área, pênalti. Pênalti. Então, tem muita regra no futebol que você pode ser maravilhoso, você pode ser bom. Se quebrar a regra, vai ser penalizado, punido. A vida também tem regras. A vida financeira tem regras. Se você gastar mais do que ganha, não importa quanto... A conta não bate. Não importa quanto você ganha. Se gastar mais do que ganha, vai quebrar. O casamento tem regras. A vida emocional tem regras.
O jogador só vira campeão do mundo porque, além de jogar muito bem, ele ficou dentro da regra.
Porque você poderia ter feito o gol mais bonito do mundo. Se foi fora da regra do impedimento, por exemplo, estaria anulado. Se você derrubar o colega, você pode tomar o cartão vermelho. Então, por que você acha que o jogador tem uma mentalidade que consegue obedecer regras e uma pessoa comum quer passar por cima de tudo, quer fazer do jeito dela? Essa é a palavra certa. O ser humano quer fazer do jeito dele. O jogador não. Qual é a regra? Essa aqui? Tá bom.
Porque no futebol você não permite ultrapassar essas regras. Foi que nem você falou. Existe a regra do impedimento. Se você estiver na frente, você vai ser punido. Existe a regra do pênalti. Se você fizer uma falta dentro da área, é pênalti. Então você sabe que você não pode fazer aquilo. Você sabe que vai ser punido se você fizer aquilo. Fora das linhas, fora do campo de futebol, o ser humano sabe que se ele fizer aquilo, talvez a punição não vai ser a mesma.
Primeiro que não tem ninguém vendo, segundo que não tem ninguém que possa cobrar. A conta não chega às vezes, por exemplo, o cara que está gastando mais dinheiro que ganha. A conta às vezes não chega na mesma semana. Ele continua fazendo. Continua fazendo. O futebol é na hora o cartão. É na hora. Até o momento que daqui a dois anos ele vai falando, caramba, infringi as regras atrás, estou sendo punido agora. O futebol, a punição é de imediato.
O futebol é imediato e a punição. Fez uma falta desleal, é cartão vermelho. Ele não vai esperar para te dar o cartão vermelho no próximo jogo. É de imediato. Por isso que nós temos que se enquadrar nas regras o mais rápido possível. E é por isso que o jogador de futebol é tão obediente quando se fala de regra. Porque ele sabe que é proibido. Ele sabe que não pode fazer. Você sabe que não pode usar cinto. Você não pode sair na rua sem usar o cinto de segurança. Mas de vez em quando você sai. Ah, estou com o vidro escuro mesmo, não tem ninguém vendo.
Dentro de campo você sabe que se você for lá e fizer um carrinho dentro da área, você vai ser punido. Essa é a diferença. A visibilidade e a exposição do atleta é muito grande, é muito gigante e é tudo muito rápido. Por isso, quando se fala de disciplina, eu acho que o jogador de futebol é muito disciplinado em relação a respeitar as regras. Uma coisa interessante, aliás, nesse livro Jogo da Vida, o Cafu...
colocou uma frase de contra capa nesse livro, quero te agradecer por isso. Eu explico justamente isso, se a gente levasse nossa vida comum, profissional, emocional, financeira, matrimonial, como o jogador leva as regras do futebol, a gente sofreria muito menos.
É justamente por esse lance de, ah, ninguém está vendo, só que você está quebrando um princípio que vai te quebrar depois, de alguma forma. Seja nas finanças, seja na família, seja na vida emocional, espiritual, na vida que for. Então, esse é um livro que eu tentei trazer. Você não precisa entender nada de futebol para entender esse livro, porque eu só pego os principais fundamentos do futebol. E por que a obediência a esses fundamentos transformaram um menino do Jardim Irene em um campeão mundial,
E porque você está batendo cabeça a vida toda e não consegue ser campeão nem no bairro. Então é porque existem coisas que eles fazem que a gente na vida comum não faz. É por isso que esse livro vai abrir a mente de muita gente.
Banco de Reserva. É um dos capítulos do livro. Você já foi reserva? Já. Foi reserva do Joajim em 94. Ah, é. Eu não tenho vergonha de falar que eu fui reserva do Joajim. Eu falo muito isso nas minhas palestras. É um dos exemplos que eu mais dou ênfase de disciplina. Vamos lá, eu quero aprender isso aí. Em 94, o Joajim era titular absoluto.
Era reserva. O Jorginho ia treinar, eu ficava vendo o Jorginho treinar. Rapaz, que facilidade pra bater na bola o Jorginho. Ele chegava na linha de fundo e batia. O Jorginho virava o corpo, eu virava meu corpo junto com o dele. Caramba, olha o movimento que ele tá fazendo. Eu sempre fui muito observador. Aí eu falei, o Jorginho, posso treinar junto com você? Ele falou, claro, pô. Aí ele ia, batia na bola, tentava copiar ele e ficava. Só que em 94, por isso que eu falo, estejam preparados pras oportunidades.
estejam preparados para as oportunidades, porque todo mundo pede oportunidade, mas não está preparado. E aí eu falo, se amanhã o chefe chegar aqui, bater no peito, falar para você assim, você vai administrar hoje esse templo aqui com 5 mil pessoas, você está pronto? É a, é a passou.
E na Copa do Mundo não tem tempo. Eu treinei 32 dias arduamente esperando uma oportunidade. Treinei, sem parar. Passou o primeiro jogo, eu não joguei. Passou o segundo jogo, eu não joguei. O terceiro jogo, eu não joguei. O quarto jogo, eu não joguei. O quinto jogo, eu não joguei. No sexto jogo, foi muito engraçado. O Mouracir chegou para mim e falou assim, Cafu, você é o único que não diminuiu o ritmo de treinamento até agora. Você está treinando 32 dias no mesmo ritmo. Eu falei, Moura, faltam dois jogos, eu não sei quando o Parreira vai precisar. Nisso tudo veio o Parreira.
E vocês dois, estão conversando o que aí? O Parreiro, se tiver dois conversando, acho que está cochichando dele, né? Ô, professor, estou falando aqui de treinamento. O Muracir falou para ele, Parreiro, o Cafu é o único que não diminuiu o ritmo até agora. Está treinando 32 dias no mesmo ritmo. O Parreiro falou assim, eu sei. Eu sei que quando eu precisar do Cafu, eu posso contar com ele. Passou o sexto no jogo, eu não joguei.
Final da Copa do Mundo de 94. Sétimo jogo. 16 minutos de jogo, o Joaquim colocou a mão na coxa. Sim. Parreira virou para trás e falou, Cafu, o Joaquim colocou a mão na coxa. Falei, eu vi, professor. Estou vendo. Moura, Cafu está aquecido. O Moura falou, tem 32 dias que o Cafu está aquecido, Parreira. Parreira tomou um susto. Parreira virou para mim e falou assim, Cafu, você está pronto? Falei, professor, tem 32 dias que eu estou pronto.
Ele tomou um susto, estou pronto. Aí foi o jogo vai, jogo vem. 26 minutos, o Jorginho colocou a mão na coxa de novo. Parreira virou para trás e falou, Cafu, está pronto? Eu falei, professor, tem 32 dias que eu estou pronto. Daqui 10 minutos, entra. Eu falei, não, 5. Estou pronto. Eu estou pronto. Eu não ia me preparar, só que se eu soubesse se eu ia jogar ou não. Imagine se eu não me preparo naquele momento.
Eu entrei, dei passe para o Romário, dei passe para o Bebeto, dei passe para o Mauro Silva, dei passe para todo mundo. Complica a minha função. Fui campeão do mundo. Mas quando o professor falou assim, se está pronto, eu bati no peito, eu falei, professor, estou prontíssimo. Estejam preparados para as oportunidades. Porque muita gente pede oportunidade, mas se vai se preparar só se souber que vai ter um cargo, que o chefe tem a possibilidade. Não, se prepara. Se prepara, principalmente no mundo de hoje. Uma coisa que eu falo nesse livro é que o banco de reservas é que o banco de reservas
forma campeões, se for bem utilizado. E você usou uma palavra que eu coloco. A pessoa, às vezes, está com tanta raiva porque está na reserva, porque na cabeça dela tinha que ser titular, que ela não está observando o jogo. Ou seja, se tiver oportunidade de entrar, ela já não está entendendo quem está atacando quem. Ela não está entendendo...
qual é o lado fraco do goleiro, para se ela entrar, ter a oportunidade de chutar no lado fraco do goleiro. Ela não está entendendo a estratégia de jogo, para que lado eu avanço, mas ela está ali reclamando, não entrei, o professor esqueceu de mim. E na vida a gente faz muito isso. Quando a gente está na reserva, a gente amaldiçoa todo mundo, bota a culpa em Deus, fica com raiva, em vez de estar observando...
continuando treinando no mesmo ritmo, como se fosse titular, e esperando a oportunidade. Rapaz, isso aí é impressionante. Outra característica que é típica do jogador de futebol, e na vida real a gente não leva tanta fé. É verdade, você cria um bloqueio negativo em você. Ah, mas eu não joguei, não sou titular, o treinador não vai me usar, o treinador não olha para mim não. Lógico que olha, primeiro, se você está ali, é porque você tem mérito.
Você não está ali à toa. Eu falava em Copa do Mundo, gente, ir para uma Copa do Mundo é difícil. Jogar uma Copa do Mundo é dificílimo. Vocês foram escolhidos os 26 melhores jogadores entre 220 milhões de brasileiros, mano. Olha o privilégio que nós já temos. Nós somos privilegiados, cara. Conta no dedo quantas pessoas vieram para uma Copa do Mundo. E conta no dedo quantas pessoas ganharam a Copa do Mundo.
Cara, olha que privilégio. Então vamos fazer com excelência, vamos fazer bem, vamos estar felizes. Você acha que uma pessoa, um jogador, com a habilidade que tem, com o talento que tem, com o treino que tem, ele pode não render num time?
dependendo da equipe que é, e no outro time ele arrebentar. Ou seja, é o mesmo cara. Mudou de time, muda tudo? Pode, acontece muito. Acontece muito isso. O que você mais vê aí, você fala, esse jogador de repente não serviu para mim, não se enquadrou no meu esquema tático, e vai para outro clube e é o melhor.
O problema não era o jogador. Não era o jogador. Pode ser o esquema tático, pode ser o jogador, depende. É porque eu já vi muita gente mudar de time e brilhar do nada. Acontece. Você não está bem naquele ambiente. Não estou me sentindo bem, não estou legal. Você vai para o treinamento, você já vai para o treinamento com pensamento negativo. Já vai, vou ter que treinar de novo, vou ter que encarar esse treinador de novo. Aí acabou, aí você não vai render. Aí você vai para um outro time, um ambiente diferente, onde você se sente feliz. Onde você entra para o seu treinamento e fala assim, opa, estou em casa. Muda.
Nosso menino Hendrick está brilhando no Lyon agora Está brilhando E vai arrebentar muito ainda na Copa do Mundo Ele tem futuro E uma coisa impressionante é o seguinte Você acha que Falando sobre esse lance da equipe Que quando você joga com jogadores Até mais qualificados que você Você acaba melhorando junto Por causa do nível de qualidade Porque me parece que o cara é muito bom
Por exemplo, às vezes o cara vai lá para a Árabia, para a China. O cara é muito bom, mas pega uma galera que não está na qualidade dele para que ele baixe a qualidade dele, mesmo sendo muito bom. E também tem gente que era mais ou menos para bom. Vai para um time de muita qualidade, ele eleva a qualidade. Isso é possível? Claro que é. Opa!
Se você colocar um cara mais ou menos perto de 10 fenômenos, mais ou menos vira fenômeno. Então o ambiente pode definir a sua habilidade, seu título. Define. Define e ajuda. E ajuda. Se jogar num ambiente onde todo mundo joga de alto nível, onde todo mundo tem responsabilidade, todo mundo sabe... Você é obrigado a crescer. Porque você sabe que se você ficar parado aqui, você não vai jogar nunca. Então automaticamente você vai treinar para crescer, para chegar perto daquelas pessoas.
Eu falo uma coisa no livro que a minha editora mexeu muito no texto, porque ela falou que eu não podia escrever como eu escrevi. Mas é o que eu vou falar. No livro está mais editadinho, está mais bonitinho. Mas eu falo o seguinte. Existem campeões que só são campeões por causa de onde estão. Um exemplo.
você pode gostar ou não gostar, mas o nosso francês lá, não fugiu o nome dele aqui agora, o Mbappé, é um campeão. Joga muito, foi campeão pela França, joga em grandes clubes, beleza? Mas se você for olhar de onde ele saiu, os pais dele são da África. Então, se os pais dele tivessem permanecido na África, que não tem grandes clubes,
Ele poderia ser um jogador de futebol, mas provavelmente não seria o Mbappé que a gente conhece. Porque não tem clube ali que transformaria ele no Mbappé. E aí ele vem para a África, os pais saem da África e vão para a França, e ele se torna o Mbappé campeão francês.
Isso me fez refletir, está muito bem editadinho no livro para ficar politicamente querido falar, mas então está falando que lá é ruim. Não, não é que lá é ruim, não tem a tradição do futebol. Talvez não tenha o estádio necessário, não tenha a transmissão. Enfim, tem algumas limitações. Cada país tem suas limitações, cada continente tem suas limitações.
Ou seja, você acha que a sua história é possível porque você nasceu no Brasil? Se você tivesse nascido, um exemplo, na Indonésia, você não seria o Cafu? Seria o Cafu da Indonésia. Você acha então que é possível? Não. Essa é a pergunta. Eu seria o Cafu da Indonésia, não o Cafu do Brasil. É, então.
Talvez eu não seria o Cafu conhecido mundialmente porque a tradição do futebol da Indonésia não tem a mesma tradição que tem o futebol francês, o futebol brasileiro, o futebol inglês o futebol italiano. Isso é fato. Isso é fato. Você vai dar certo só que no nível que aquele ambiente te oferece. É isso aí. Perfeito. Isso é muito bom. Perfeito. Eu concordo também. Ou seja, um cara que é bom...
Eu acredito em destino, né? Porque tudo que aconteceu na tua vida foi um destino. Está no livro de Salmos, que todos os dias da nossa vida estavam escritos. Só vão acontecer se você fizer a tua parte. Treinar, se for bom. Mas se você for um cara bom...
num lugar ruim, você vai ser bom num lugar ruim. E provavelmente você não aparece como poderia aparecer mundialmente, mas ali você vai ser bom. Exato. Eu acho importante você escolher muito bem seus ambientes, sua geografia, porque você pode potencializar o que você já é. Você já é bom no que faz.
Só que no ambiente que você está, talvez você não vai ter o brilho que merecia. Ou não vai ter a visibilidade, talvez, daquele local. Vou usar as palavras do ex-presidente Barack Obama, dos Estados Unidos. Ele começa um discurso dele e fala o seguinte, minha história não seria possível em outro lugar do mundo se não fosse a América.
Ele também é filho de imigrante. E ele fala, minha história não seria possível. Eu nunca seria o homem que eu sou, essa representatividade mundial, se não fosse aqui. Então, ambiente importa, geografia importa, mas se você não tem outra opção, porque tem gente que não tem nem a consciência que está em um ambiente que está limitando, pelo menos seja o melhor no ambiente que você está. Mas se você tem a condição de, sendo bom, ir para um ambiente, ou seja...
Você sendo bom, você foi para o Roma, você foi para o Milan. Esse ambiente... Em lugares visivelmente conhecidos. Já que você é bom, por que não ser visto? Exato, mundialmente conhecido. Quem não é visto não é lembrado. Mundialmente conhecido. Mila, Roma, São Paulo, Palmeira, Juventude, Saragossa. Mundialmente conhecido. Mas eu concordo com as palavras do Barack Obama. Ele foi presidente de uma das maiores potências do mundo que é os Estados Unidos. Talvez se ele fosse o presidente do Itacoaxituba...
Ele não teria tanta visibilidade assim. É natural, é normal. Seria presidente, mas não dos Estados Unidos. Essa é boa demais, cara.
Porque as pessoas às vezes não entendem isso, né? Por exemplo, eu poderia ter me recuperado, vou dar um exemplo geográfico bobo aqui, eu poderia ter me recuperado no Rio de Janeiro, mas eu não tenho dúvida que São Paulo potencializou o que eu faço, que é a educação, né? A gente está aqui no Instituto Destro, em nossa sede de educação, nosso auditório, aqui onde a gente faz nossos cursos, palestras, aliás, vamos organizar uma palestra dos pentacampeões aqui, semana passada a gente recebeu aqui o Edmilson.
Muita gente já é dos pentacampeões, são vizinhos. A gente fala muito com... Organizar uma palestra dos pentacampeões, botar o Brasil para assistir isso. Agora, você que está assistindo a gente em casa, a gente está escutando uma pessoa...
que venceu, mas provavelmente passou por muitas dificuldades na vida, porque não existe vitória sem apertos. Tem alguma coisa que você considere que foi muito difícil para você? Não existe vitória sem sacrifício. Não existe vitória sem sacrifício.
toda guerra é composta por várias batalhas. Você precisa vencer as batalhas para que você possa vencer a guerra. Não é óbvio que tem dificuldade em pegar ônibus, em pegar trem, em treinar sem se alimentar, ir para a escola dormindo, em receber os nãos e continuar nunca desistindo. Mas isso, a maioria, na nossa época, era muito natural, todo mundo passava por isso. Hoje as peneiras estão mais fáceis, a pessoa vai lá, fica 30 dias no clube, 40 dias no clube.
A nossa era você acordar às 5 horas da manhã, pegar o primeiro ônibus, 5h40, pegar um trem para Itacoca e Setúba treinar, voltar e 3 horas da tarde estar dentro da sala de aula. Então, teve essas dificuldades. Mas essas dificuldades fez com que eu crescesse e com que eu aprendesse que realmente precisava de sacrifício para que eu pudesse dar valor.
E nós damos muito valor exatamente por isso, porque nós sabemos o que nós passamos para chegar até ser o capitão da seleção brasileira. Eu sei o que eu passei até ser o único jogador na história do futebol disputar três finais de Copa do Mundo. Quanto mais difícil, mais você valoriza. Quanto mais difícil, mais você valoriza. Então, eu vou para uma pergunta polêmica. Eu gosto de perguntas polêmicas. O editor não vai cortar, não, hein? Vai subir no ar inteiro.
Porque, segundo a opinião dos meus seguidores, que eu estou subindo alguns vídeos sobre futebol no Instagram, falando sobre o livro, né? O jogador fez isso, você na vida comum não faz. E aí, às vezes, eu boto a imagem de um jogador, outro assim e tal. Aí começam as polêmicas. E aí, eu coloquei a imagem da seleção de 2002, a seleção atual, e só perguntei qual é a melhor. Só perguntei. Rapaz.
Explodiu de comentário no Instagram, uma confusão. E aí, para alguns haters mais fervorosos, eu falo assim, foi só uma pergunta, não estou dando a minha opinião. Eu perguntei. Então, baseado no que eu li nos comentários, é que a seleção atual não tem comparação com a pentacampeã. Então, não é minha opinião pessoal. Estou falando dos comentários que foram milhares.
Se a opinião dos nossos seguidores for verdade, se esse é o caminho, por que você acha, já que a gente é Brasil, essa é a nossa tradição, esse é o nosso esporte, o que pode ter acontecido para a gente não ter uma seleção tão forte?
Nós temos uma seleção forte. Isso que eu ia perguntar. Se é que é verdade o que as pessoas falam. Temos uma seleção forte. Eu digo que eu sou amigo dos jogadores convocados aí. Todos são muito bons para mim. Não deixem de me seguir. E temos uma seleção muito competitiva. Quando eles fazem essa comparação, seleção de 2002 e seleção atual, qual que é a melhor? Eu respondo essa pergunta todo dia.
Eu falo, qual das duas foi campeã? E eu levantando como se fosse uma polêmica. Nada, todo dia. Eu pergunto para eles, qual das duas foi o campeão até agora? Em 2002 foi a penta campeã. Essa pode ser a ex-campeã. Então, nesse momento, não dá para comparar. Essa foi uma seleção vencedora. Essa foi uma seleção que trouxe o quinto título mundial para o Brasil. E essa vai ser a seleção que vai trazer o sexto título mundial para o Brasil. Então, essa seleção pode ser tão boa quanto essa.
Só que essa já venceu. Essa já está lá. Esse título ninguém tira. Eu falei, não existe ex-campeão. Esse não tira. Agora deixa... Não dá para... Essa é a pergunta que todo mundo quer fazer. Vou fazer por você. Por que tinha tanta estrela em 2002 e agora tem que garimpar muito? Boa pergunta. Nós não sabemos. Porque nós viemos de uma...
de alguns campeonatos, eu não costumo falar de gerações, porque gerações passam, entram e saem e vai, que você tinha, por exemplo, cinco ídolos por clube. Você pegava o Palmeiras, tinha cinco caras bons, você pegava o São Paulo, cinco bons, o Corinthians, cinco bons, o Santos, cinco bons, o Flamengo, você tinha referências e estrelas em cada grupo, você tinha jogadores que eram unânimes em todos os times.
Nós passamos 15 anos tendo um único jogador nos representando, sendo o único jogador unânime no futebol brasileiro. E isso fez que nós ficássemos atrasados durante 15 anos. Agora nós temos jogadores, sim, que podem, sim, suprir essa falta de grandes ídolos e de grandes craques que nós tínhamos no passado. Como eles vão conseguir isso? Conquistando o título. A única maneira de você ficar marcado na história, principalmente na seleção brasileira, é conquistar títulos.
Não tem outra forma de você marcar história na seleção brasileira. Tirando a seleção de 86, as outras só marcaram história porque foram campeãs, porque senão você não marca. Senão vai ficar essa geração ainda perpetuando por muito tempo, enquanto uma outra geração não for campeã do mundo. Então nós temos, assim, em 2026, uma grande seleção, com uma perspectiva muito grande de ser campeão mundial. Se essa seleção for campeã mundial, perfeito. Aí você vai falar qual das duas seleções era a melhor.
Seleção e campeã você não compara. São seleções que trouxeram os títulos para o Brasil. O título que denuncia quem foi quem. Quem foi quem. Por enquanto, nesse momento, a seleção de 2002 foi melhor do que essa seleção. Ela é melhor do que essa seleção. Mas essa seleção pode sim se igualar ou ser melhor do que a seleção de 2002, conquistando o título. Você acredita em destino? Deixa eu te explicar o que é isso.
Coisas que acontecem que não dá para explicar. Porque eu fui selecionado nessa peneira. Tudo bem, insisti muitas vezes, mas muita gente insistiu e não foi. Porque aquele zagueiro que era bom para caramba falhou naquela bola e a bola caiu no meu pé. Sabe essas coisas que não tem muita explicação?
Porque quando eu converso com alguns jogadores, muitos falam assim, cara, tem coisa que eu não sei explicar. A bola caiu no meu pé. Eu estava preparado para fazer o gol, mas não sei como passou por aquele zagueiro. Esses dias eu estava no Real Madrid, um jogador contou isso para mim. Lá, estava lá na Espanha. Ele falou, cara, existem coisas que aconteceram na minha carreira. Tipo assim, a bola veio, o zagueiro, um dos melhores do mundo. Na minha frente, assim, três vezes mais do que eu, errou a bola. A bola caiu no meu pé.
Você acredita que é destino ou que é sorte? Ou seja, tinha que acontecer para você fazer aquele gol ou é só uma sorte do dia a dia? Está no momento certo, na hora certa. Está no lugar certo, na hora certa. O centroavante tem que estar lá e esperar a qualquer momento a bola pode falhar. Ele sabe que uma hora o zagueiro pode falhar.
Mas se ele não estiver preparado para a falha do zagueiro, ou esteja preparado para as oportunidades, se ele não estiver preparado para a falha do zagueiro, acabou. Quem era assim era o Pipizáguio. O Pipizáguio estava sempre na linha do impedimento, esperando a falha do zagueiro. Ele estava sempre lá. Por que você fica assim? Uma hora o zagueiro vai falhar.
Só que quando ele falhar, eu tenho que estar lá. Porque se ele falhar e não estiver lá, eu falo, não vai adiantar. Acredito no destino? Acredito. Muito. Mas eu acredito também no meu potencial. Naquilo que eu faço. É um casamento. É um casamento. Porque não adianta nada. Eu pedi a oportunidade de ficar sentado aqui na cadeira esperando ela passar. Tem um versículo bíblico que expressa isso aí. Que fala que a fé sem obras é morta. É morta. Então, tipo assim, eu tenho fé que o destino vai me favorecer. Mas qual é a tua obra? Você vai ficar sentado? Exatamente. Não tem obra?
Não, vai lá e fica. Uma hora vai. O centroavante é assim, o centroavante joga no erro do zagueiro. Para o centroavante fazer gol tirando a habilidade técnica dele, ele conta muito com a falha do zagueiro. E se ele não estiver preparado para a falha do zagueiro, ele não vai fazer gol. Então ele sabe que um momento ou outro o zagueiro pode falhar. Mesmo que seja o melhor zagueiro do mundo, uma hora vai falhar. O melhor goleiro do mundo, uma hora vai falhar. Mas aí a gente tem que estar preparado para essa falha.
Uma coisa também que eu percebo no mundo do futebol, agora extra-campo, é que como o sucesso chega muito cedo para alguns, eles não tiveram o preparo de diversas áreas, financeira, emocional, ainda não chegaram a montar sua família e tal, e isso os leva para um lado que extra-campo eles ficam meio perdidos, às vezes mal falados, fazem coisas que se arrependem depois e tal.
Tem jogadores que eu atendo que o garoto é muito jovem, ainda nem casou, já está com filhos com mulheres diferentes. E cada um faz o que quiser na sua vida, só que a pensão chega, né? A conta chega. A conta chega, fica alta. E o brasileiro geralmente é um pouco mais tradicional com certos assuntos, aí fica assim. Tem gente que o problema não é esse, o problema é financeiro. O cara, enquanto está jogando, está com dinheiro. Parou de jogar no outro mês, o cara não tem mais nada. O cara já tem que... Caramba, mano.
O que eu vou fazer da minha vida agora? Muita gente passou 20 anos, 15 anos jogando e não se organizou para a transição. Não se organizou financeiramente ou mesmo em jogo. É coisa que jogador que mesmo jogando gasta mais do que ganha. Outros se cercaram de mais companhias. Ou seja,
Por que você acha, é claro, o óbvio é a fama muito jovem, o dinheiro muito jovem, é difícil de administrar ego, comportamento, você acha que pode fazer o que quiser, mas você que agora é experiente, você que passou por tudo que passou, qual o conselho que você dá para quem se dá bem?
jovem. O que é se dar bem jovem? Naturalmente falando, ganhou um dinheiro bom, ganhou uma repercussão boa na internet, ficou conhecido, seja no esporte ou em qualquer outra coisa, na vida empresarial, um youtuber, sei lá, qualquer coisa. Qual o melhor conselho que você dá para o cara não sair fazendo besteira na vida pessoal? Na vida profissional ele já está arrebentando, vida pessoal. Tentar se cercar de pessoas honestas.
É o primeiro passo. Uma pessoa que possa me ajudar. Porque nós não entendemos de tudo. Eu não entendo de advocacia, não entendo de finança, não sou contador, não entendo de números. Então, às vezes, nós temos que nos... Tem que confiar em pessoas.
E essa pessoa, ela pode te derrubar. Você está confiando a sua vida nela. Você está confiando tudo que você ganhou nessa pessoa. Porque se nós entendêssemos de tudo, não precisava mais de advogado, contador. Não precisava de nada. Então você precisa. Principalmente para esses jovens de agora. É difícil confiar em alguém? É difícil, mas não é impossível. Agora, nesse momento, a tecnologia está mais fácil.
as notícias chegam mais rápidas. As pessoas estão mais próximas da verdade do que na nossa época. Na nossa época, nós não tínhamos essa facilidade que tem hoje de administração, de achar pessoas que pudessem te administrar, te ajudar. Porque a maioria dos jogadores cai porque confiamos em pessoas e essas pessoas acabam nos traindo. É o que mais acontece.
Então, o que tem que fazer? Confiar em pessoas confiáveis. Pessoas que você acha que realmente vai te ajudar. Que são expertos no que você não domina. No que você não domina. Exatamente, é a área dominante deles. Vai procurar conselho de pessoas, procura sempre procurar pessoas que foram indicadas por pessoas bem-sucedidas, pessoas que tiveram sucesso, não de pessoas que estão lá embaixo e falam, se a pessoa não conseguiu ajudar você, vai conseguir me ajudar? Então, não. Então, calma. Hoje eles têm essa facilidade.
da tecnologia e da notícia chegar em primeira mão.
É difícil? É. Porque você vê meninos hoje ganhando um milhão por mês, dois milhão por mês. Não que não tenha que ganhar, tem que ganhar sim, porque é mérito. É mérito. Eles estão jogando num campo de negócios que tem essa margem. Que tem essa margem. É difícil administrar isso? É difícil. Para um jovem que de repente, do nada, está com um carrão, está com uma casona, está com fama, mulheres, bebidas e tudo mais. Cara, mas o que você quer?
Você quer dar uma sequência na carreira ou você quer só aquele imediatismo, naquela hora e ponto final? Vai muito do jogador o que ele quer. Até porque me parece que quem perdurou mais foi quem conseguiu manter esse equilíbrio de jogar muito bem no campo, mas a vida pessoal também não está jogada para o alto. Ninguém é perfeito. Exatamente. Ninguém é perfeito. Quem conhece a Bíblia sabe que é impossível você ser bom. Até Jesus falou, por que você está me chamando de bom? Bom é só Deus, né?
quando ele fala com o jovem rico. Ou seja, ninguém é perfeito. Mas é que quanto menos você errar na vida pessoal, mais você consegue entrar na história das pessoas. Porque às vezes você ficou muito bom profissionalmente, mas bagunçou muito outras áreas. Vou te dar um exemplo simples, antes de você falar, que eu vi que você estava com vontade de falar. É que eu lembrei de uma história muito boa, cara. Eu fui visitar uns dois anos atrás um jogador da seleção. Fora do país. Ele estava jogando no clube fora.
E aí ele me recebeu com muito carinho e tudo. Geralmente eu levo minhas crianças para o meu filho, para tirar foto, eles adoram. E aí ele foi mostrando a casa e tudo.
Aí, o jeito que ele estava me mostrando na casa, ele estava falando com tanto amor que me fez fazer uma pergunta indiscreta. Eu falei assim, você comprou? Pergunta feia, né? Mas eu tive que fazer. Por causa do que eu estava certo, né? Ele falou, cara, comprei. Aí, tal, tal, tal. Quanto tempo mais é o teu contrato aqui no clube? Ele, não, eu tenho mais um ano e meio e tal.
Aí eu falei assim, ele, ah não, mas já entendi o que você quer dizer. Que aí eu vou ter que mudar de país se eu for contratado por outro time. Aí ele falou, aí é só vender. Aí quando eu entendi que na cabeça dele estava tudo certo, eu não falei mais nada. Mas a próxima pergunta seria, você consultou um tributarista para saber quanto você vai perder de tributo nesse país aqui, que por acaso eu conheci o tributo daquele país?
e que o que você comprou nessa casa, você vai aproveitar 60%, 40%, você vai perder com advogado, com tributo. Eu não quis estragar a felicidade dele, fiquei na minha. Eu estava ali como amigo e não como mentor ou conselheiro naquele momento, não segurei a informação. Mas tem muita gente que é emocionada. O cara fala assim, eu tenho dinheiro, eu compro. Mas se você tivesse um cara do seu lado para te dar só um conselho, amigo, é dois anos de contrato, mora na mesma casa, de aluguel.
E deixa esse dinheiro investido, cheirando dinheiro. Então muita gente erra, não é porque não é inteligente, é porque não teve a pessoa certa do lado. Exatamente isso. Você fez a pergunta e já deu a resposta. É perfeito, porque não tem a pessoa certa do lado. A pessoa que possa instruí-la a fazer a coisa certa. Cara, se você alugar a casa aqui, até com uma preferência de compra, que você não sabe se vai comprar ou não, mas você está há dois anos, daqui a dois anos você não sabe para onde você vai. Terminou o aluguel, você vai embora, acabou. Esse dinheiro que você gastava está lá investido.
Mas isso, depois que a gente apanha uma vez, apanha duas vezes, a gente acaba aprendendo essas coisas. Mas explicar isso para esses meninos jovens parece que está cada vez mais difícil, porque parece que eles não querem escutar. Esse é o problema. Escuta as pessoas que passaram por isso, as pessoas que tiveram essa experiência, as pessoas que possam dar algo diferente para vocês. Mas não. E quando nós falamos lá atrás da exposição, costumam falar, quem não é visto não é lembrado. O que as pessoas não vê, elas não podem tirar. Então, da minha vida...
de trabalho, a minha... Você expõe em tudo? Está exposto, está lá. Agora, a minha vida pessoal é minha. Eu não vou expondo a minha vida pessoal para ninguém. Porque é minha, acabou. Não tem que saber. Hoje eu falo para esses meninos, cara, quem não é visto, não é lembrado. Aquilo que os outros veem, eles não tiram. Para de falar da vida de vocês pessoal. Foca só no campo. Aqui, treino, vídeo, treino, treinando. Acabou. Os outros não precisam saber. Deixa curiosidade na cabeça das pessoas. Mas não o que você está fazendo para que essas pessoas ficam curiosas.
E aí acaba tendo essa exposição desnecessária. É. E te desgasta emocionalmente em... Que hoje em dia com a internet você pode ser desgastado emocionalmente por uma coisa que não tem nem a ver com o campo. Exatamente. Foi justamente o que você postou fora do campo. Exatamente. Aí pra que tu entrou na briga que nem era a tua, né? Que nem era a sua.
Nosso co-host, Wesley, tem uma pergunta para o Cafu. Vamos lá, Wesley. Cafu, como que fica a mente de um jogador depois que ele perde uma Copa? Eu queria que você falasse um pouco sobre 98 e 2006, especialmente 2006, porque você foi bem criticado, até por conta da idade.
O que você tem que nos falar da mente do jogador? A mente de um jogador, por exemplo, você está falando de um jogador que disputou quatro Copas do Mundo. Você está falando de um jogador que foi o único jogador na história a disputar três finais de Copa do Mundo consecutivas e que fez 150 jogos com a camisa da Seleção Brasileira e 20 jogos em Copa do Mundo. É só isso. Já te destruiu. Você, por favor, passa no RH.
Tá bom? Presta sua demissão sem nenhum direito. Ele já te arrebentou. Pra vir, é muito fácil, é muito simples. São ciclos e eu sei que não ia ter um ciclo vencedor sempre. Eu sei que você vai perder em Copa do Mundo, você vai ganhar em Copa do Mundo. Cara, eu saí das Copas do Mundo super satisfeito com aquilo que eu fiz. O ser humano tem que estar preparado pra nem sempre vencer? Claro. E a vida não é só vitória. Aliás, tem mais derrota. Se prepara pra derrota.
Se prepara pra derrota Porque quando ela vir ela não vai te abalar tanto Porque a vitória você sabe que a qualquer momento Você pode alcançá-la Agora, você tá preparado pra uma derrota? Você tá preparado pra 220 milhões de pessoas te criticar? Ou você tá preparado pra 220 milhões De pessoas falar que você tá velho Que você não pode jogar mais uma Copa do Mundo Que você já tá cansado? Você tá preparado pra isso? Eu me preparei
Eu me preparei para isso. Tanto é que quando saiu de 2002, quando nós chegamos, 2006, que foi a última Copa do Mundo que eu disputei, que nós chegamos no Brasil, ninguém saiu pela porta da frente do Saguão, do aeroporto. Eu saí. Eu fui o único que saí. Meu pai estava comigo ainda, meu pai falou, você vai sair pela porta da frente. Eu falei, pai, o que o senhor falou para mim quando era pequeno? Nunca feche as portas. Eu vou sair pela porta da frente.
E eu vou encarar todos os jornalistas e todas as perguntas. Eu só gostaria que o senhor fosse na frente e me deixa com eles, porque eu sei que eles vão me massacrar. Sabe, filhão? Sabe? E você vai? Vou, pai. Eu vou porque quando eu ganhei, eu passei por essa porta. Agora que eu perdi, eu não vou passar? Eu vou passar pela mesma porta. E vou fazer o que o senhor falava pra mim quando a gente perdia jogo. Você vai deixar de tomar o seu chupim porque você perdeu o jogo? Você perdeu o jogo ou perdeu a vida?
Você tem razão, pai. Então eu vou passar pela porta da frente. Quando abriu a porta, que eu vi aquele monte de fotógrafo, jornalista, tchek, tchek, tchek, tchek, tchek, tchek, cafu, cafu. Eu falei, calma, gente, que eu vou responder todo mundo. Não xinguei um jornalista, não briguei com um jornalista, respondi todas as perguntas educadamente. Mais alguém? Mais alguma pergunta?
E aí, você vai para a próxima Copa? Só o tempo vai dizer isso. Ah, mas você acha que você não estava com uma certa idade para jogar Copa? Não, porque a minha idade, quem sabe sou eu. Meu físico, quem sabe sou eu, não são vocês. Então eu sei quando parar ou não. Próxima pergunta. E respondi todo mundo. Entrei pela porta da frente, saí pela porta da frente.
Quando eles falam em crítica, a crítica é inerente aos grandes jogadores. A crítica é inerente a nós. Nós não vamos viver só de elogios. Como nós não vamos viver só de vitórias. Ganhamos 94, perdemos a final 98, ganhamos 2002 e perdemos 2006. Cara, é uma sequência. Então quem dera fosse ganhar essas quatro Copas do Mundo. Mas nós sabemos que isso não vai acontecer. Mas é a maneira com que você sai delas. E eu saí de todas elas com a cabeça extremamente erguida.
Conforto pro seu dia-a-dia e atitude pro seu estilo. Encontre o tênis que acompanha o seu passo agora no App Net Shoes. Explore as categorias, garanta as melhores marcas e aproveite. Net Shoes, no seu ritmo. Baixe o app. Um conselho que você poderia dar pro ser humano comum, né? Que vai dar uma olhada com mais carinho no futebol agora falando Caramba, se o jogador que veio do nada...
99% dos jogadores vieram da pobreza. Um ou outro vem de uma família mais abastada, é muito raro. Como você falou, preto, pobre, com educação escolar limitada, e foi lá e venceu. Então, a maioria das pessoas se vitimizam muito. Não, porque o governo, não, porque minha cor, não, porque meu não sei o quê. Esse vitimismo...
Ele estraga a tua vida, não só profissional, ele estraga até a forma como as pessoas te veem. Aí que elas te pisam mesmo, né?
Aí eu observando, o jogador não é vitimista. O jogador chega lá e faz o que tem que fazer. Qual o conselho que você daria para a pessoa sair desse coitadismo, esse vitimismo, que o ser humano sempre adora se encostar nisso? É, só não venci porque eu sou muito discriminado. Eu só não venci porque eu vim de um bairro pobre. Eu só não venci porque o Brasil não está fácil. Não, não está fácil para quem? Porque tem gente vencendo. Qual o conselho que você dá para a pessoa sair desse vitimismo, desse coitadismo que geralmente o ser humano se apele? É exatamente isso, não se fazer de vítima.
Vamos fazer de vítima. Eu nunca fui de me lamentar pelos nãos que eu tomei. Imagine, nos dias de hoje, se era naquela época que eu tivesse celular, eu ia fazer um vídeo e falar, o treinador falou que eu sou magro, que minha canela é fina, que meu dedo é grande, que meu cabelo é feio. É assim mesmo. Nos dias de hoje é isso aí. Nos dias de hoje é assim.
Imagine! Eu ia querer fazer denúncia, eu fui discriminado. Eu estava empregado no dia seguinte. Meu pai falou, não, essa barreira você vai superar. O que eu falaria para essas pessoas? Cara, corre atrás do sonho de vocês. O mais difícil que seja é humildade para aceitar as coisas do jeito que estão.
humildade pra aceitar, vamos embora vamos trabalhar, a culpa é só nossa, eu não passei na peneira porque foi culpa minha a culpa não foi do meu pai a culpa não foi do treinador, a culpa foi minha eu sempre fiz assim, eu não passei porque eu não fui capaz essa auto responsabilidade, né? porque eu joguei mal, e como é que foi a peneira hoje? treinei mal, eu podia chegar em casa e falar assim como é que foi a peneira hoje? ah, também, treinador? não, porque treinei mal
nós estamos transferindo a nossa responsabilidade, a nossa culpa, para os outros. De algo que somos nós. Então, gente, não transfira a responsabilidade para os outros. A responsabilidade é nossa. É a humildade para aceitar o seu erro, para aceitar que dessa vez não deu certo. Essa questão da humildade me lembrou o que você falou. Ah, os meninos de hoje não estão querendo escutar ninguém.
É que existe uma tendência para quem alcança muito resultado em uma área da vida, por exemplo. O cara com 18 anos está jogando na Champions League já ganhando 30, 40 milhões por ano. Então ele acha que porque ele acertou nessa área, ele sabe tudo. E aí ele não consegue escutar ninguém em outras áreas. Entendeu? Ele acha que uma vitória, uma, que é só vitória profissional.
Ele acha que essa vitória vai manter a vitória em todas as áreas da vida e a gente sabe aqui que não vai. O trabalho na família é outro, o trabalho nas emoções é outro, o trabalho para você ser respeitado dentro do clube, a torcida que é totalmente volátil, um dia gosta de você, outro dia...
está pedindo a tua morte, é outro tipo de trabalho. Então eu acho que essa questão da humildade, e fica aí para essa nova geração, é muito importante. Você fala assim, realmente, venci. Comemora mesmo, você venceu mesmo. Venci na vida profissional. Mas eu tenho que manter minha humildade para pedir conselho para todas as outras áreas que eu ainda não venci. Ainda estou construindo. Você não pode falar com 20 anos que já venceu só porque ganhou um milhão. Ainda tem muita coisa para construir. O teu futuro ainda está distante. Vale a pena manter a humildade.
que é um princípio milenar, você manter a humildade, pedir conselhos, não se achar melhor do que ninguém porque você conseguiu isso, e sim ver como uma bênção divina, como uma oportunidade divina para você agora ajudar muita gente. Como eu sei que tem muitos jogadores que ajudam, você mesmo tem a fundação, Cafu, a gente já ajudou, já participou lá da fundação Neymar, tem muitos jogadores que estão fazendo trabalhos sociais. Maravilhoso, maravilhoso. Isso, graças a Deus, o brasileiro tem.
Quando prospera, ele já quer ajudar todo mundo. O brasileiro tem essa coisa, né? Tem, tem. É muito solidário o brasileiro. A gente tem esse lado solidário nosso de ajudar, de dar oportunidade para as pessoas que não tiveram a mesma oportunidade que nós tivemos. Mesmo que seja uma coisinha ou outra, você está sempre dando uma força. A maioria dos jogadores é que a gente não gosta de aparecer. Mas tinha que aparecer e mostrar o trabalho que está fazendo realmente. A maioria dos jogadores ajuda instituições.
A maioria uns aparece, outros não, mas a maioria quando fala de solidariedade, eles são os primeiros a estar lá colaborando. O bom é que inspira pessoas, é bom que essas coisas sejam divulgadas por causa de inspiração. Saber que tem muita gente ajudando. Agora olha só.
Serve para o futebol ou serve para a vida? O futebol é uma fase. Quanto tempo você pode jogar? Depende, eu joguei 35 anos. 35 anos. Então, você jogou muito. Muito. Então, a maioria das pessoas vão jogar menos. Bem menos.
Então, o jogador, ele começa, vamos pegar o máximo aqui, que foi o Cafu, sabendo que a fase de jogador será 35 anos. Então, você, com 45, vai parar. Bem menos. Bem menos de 45, você vai parar. Só que 45 é a idade que eu tenho. É muito jovem para parar a vida.
Se você sabe que é inevitável parar um dia, por que as pessoas não se preparam para a próxima fase? Vale para a vida isso e vale para os negócios? Eu me preparei. E para o futebol? Eu me preparei dois anos antes de parar de jogar futebol. 2006 eu falei para o Galeano e para o Leonardo e para o Braida. E 2008 eu vou embora para casa. 2008 eu volto para o Brasil que eu vou ficar com os meus pais. Você estava em que time? No Mila. Ah, estava no Mila? Estava no Mila. Parei no Mila. 2006. Passou 2006, eles não acreditaram muito no que eu estava falando.
2007 não acreditaram muito, 2008 o último jogo do campeonato, fiz gol, despedi fui lá na sede, obrigado, foi um prazer estar com vocês durante esses cinco anos, não, não, nós estamos com um contrato com mais um ano pra você aqui, falei, vocês não entenderam o que eu falei pra vocês dois anos atrás? Eu dei oportunidade pra vocês, eu conversei com vocês falei que iria contratar um lateral junto com vocês, que eu iria indicar um lateral pra jogar no meu lugar, falei, olha eu indico, eu sei quem pode que tem as características que o Mila gosta eu ajudo vocês, vocês não acreditaram no que eu falei e aí
Obrigado por mais uma hora de contrato, mas é o momento de eu ir pra casa. É o momento de eu encerrar esse ciclo e começar um ciclo novo na minha vida. Ciclo de palestra, de empreendedorismo, de estar com os meus pais, estar com a minha família, curtir um pouco eles lá. Então, eu me preparei dois anos pra isso. Muita gente não se prepara.
Muita gente tem esse golpe que terminou de jogar, o que eu vou fazer? Aquela história que eu falo, você está preparado? Se prepare para fazer algo. Um jornalista, o preparador físico, comentarista, narrador, empresário, enfim. Eles têm que preparar para esse outro lado do futebol. Porque nós vivemos num mundo intensivo no futebol, onde temos a maior facilidade do mundo, onde tudo se torna fácil para nós. Nós temos esses privilégios.
Às vezes você fazia assim e estava tudo na sua mão. E quando você para de jogar futebol? Você vai fazer assim e não está mais na sua mão. Porque você vai ter que correr atrás. Aí que começa...
A vida de verdade, a vida pós-futebol. Tanto é que o primeiro tema da minha palestra foi pendurando o chuteiro e colocando gravata. Eu fui com uma chuteira pendurada aqui e uma gravata. Por quê? Eu não ia mais jogar futebol, o meu ramo ia ser outro. E eu comecei a me preparar para esse outro ramo. Então tudo que vinha através das palestras, para mim, era ótimo. Porque eu já estava me preparando para um outro caminho. Para a transição. Mas a maioria não está preparada para essa transição. Não tem nem a consciência que vai parar. Exatamente.
vai eternizar. Eu lembro que foi até recente, eu estava almoçando com um jogador, que joga na Europa, mas também é da seleção, e aí, quando a gente foi pagar a conta, o Métrico falou assim, de forma nenhuma, vocês são convidados da casa.
Aí eu brinquei com ele, falei, por isso que é bom andar contigo. Ele falou, é, cara, mas só enquanto eu estou jogando. O dia que eu parar esse restaurante aqui, já não vai fazer nada de graça, não. Eu falei, boa essa consciência sua. Ele sabe que ele só está recebendo isso pelo que ele está oferecendo hoje, que é ser titular num grande time. O dia que não tiver mais, o cara, opa, tudo bem? Tá aqui a continha. Exatamente.
Tem gente que não tem essa consciência. Você vai pedir a conta por educação e o garçom vai se dar lá. Toma aqui a conta. É, mas nós temos que ter essa consciência. A facilidade que nós temos quando nós jogamos é extremamente gigante, cara. E isso não vai perpetuar para sempre. Isso fica de alerta para a vida. Por exemplo, se você está numa boa fase profissional, faz os contatos certos, ajude as pessoas, aproveite, porque tem outras fases da vida que você não vai estar tão por cima.
E aí você pode entrar num versículo bíblico, muito interessante, uma passagem bíblica, que fala o seguinte, um homem que estava em cargo das riquezas dos seus senhores, percebendo que ia ser mandado embora, ele que cobrava os empréstimos do senhor dele lá. Percebendo que ia ser mandado embora...
Isso é uma história bíblica. O que ele fazia? Foi. O que ele fez? Pegou a lista dos devedores, foi atrás de cada um, falou assim, quanto é que você deve? Aí o cara, 100? Falou, anota aqui 50 e assina. Perdoava a metade. Ele foi fazendo isso com tudo, porque ele falou, o dia que me mandarem embora, um desses aqui vai me ajudar.
Ou seja, é um conceito bíblico. Quando você está por cima, ao invés de estar oprimindo os outros, é aí que é para você estar abrindo porta, fazendo contato, sendo gentil, educado. Porque quando a fase mudar, vai ter muita gente querendo te levantar. Sem dúvida nenhuma. Lembra a fase do meu pai? Deixe as portas abertas para onde você passar. Porta aberta é uma coisa importante, cara.
Vai, Wesley. O Wesley tem mais uma pergunta. Cafu, qual que é a importância do capitão no time em relação a exemplo? Porque se o capitão perde a cabeça, o time todo perde. Exemplo no vestiário, dentro de campo, como que você agia? Uau, Wesley. Pergunta fantástica. É que ele pegou no chat de CPT. Essa aí não é dele, não. Não, não. Quando a pergunta é boa, Cafu, quando a pergunta é boa, não foi ele. Mas fala aí. Vai, Wesley.
Olha, eu costumo falar que o capitão é um elo. Entre o jogador e o treinador, entre o treinador e a imprensa, entre o treinador e a família. Eu era um elo. E eu, como capitão, o que eu tinha que fazer? Extrair aquilo que tem de melhor de cada um dos nossos jogadores. Extrair o que tem de melhor de cada um. Fazer com que ele se sinta importante perante uma conquista. Essa é a função do capitão. Existem dois tipos de líder.
O que é temido e o que é respeitado. Eu sempre fui um líder respeitado. Mas o líder respeitado é o que se faz respeitar. Eu, como capitão, chegava 40 minutos antes, saia 40 minutos depois. Ah, capitão técnico. Desculpa a franqueza. Não existe capitão técnico. O capitão é exemplo. Boa. O capitão tem que ser exemplo. Se você não for exemplo, não adianta que você não vai ser um grande capitão. Eu nunca fui mais técnico do que o Ronaldinho. Nunca fui mais técnico do que o Cacá. Nunca fui mais técnico do que o Rivaldo.
Mas eu era exemplo. E eles seguiam meus exemplos. E tudo que eu falava, eles paravam e prestavam atenção. Porque eles sabiam do que eu estava falando. A função do líder é extrair aquilo que tem de melhor de cada um do grupo, fazendo com que cada um deles se sentisse importante em uma conquista. Em uma vitória. Até na maneira de cobrar. Eu falava pra todo mundo. A minha função é cobrar individualmente e elogiar publicamente.
Eu nunca, nunca cobrei o nosso treinador publicamente, o nosso jogador publicamente. Publicamente, o melhor do mundo. Aí ele errou. Todo mundo erra. O erro inerente é nós. O erro inerente é os grandes campeões.
Essa é a função do líder, essa era a minha função. A minha função era fazer com que todo mundo se sentisse importante ali, que todo mundo se sentisse bem ali. Deixa que os problemas, eu vou assimilar esses problemas, eu vou na imprensa hoje, você não vai, porque você não jogou tão bem e eu sei que você vai na imprensa e vai falar qualquer coisa que eles falaram e vai te tirar fora do sério. E eles já não vão tirar do sério. Então a função do líder, do capitão, era exatamente essa. Deixa que eu vou hoje, eu seguro a bronca.
Aliás, rapidinho, antes de entrar no próximo assunto, falando de Rivaldo, mandar um beijo pro Rivaldo, meu amigo, né? E quero, Rivaldo, você tem que vir aqui, que eu quero que você conte a história de que tá todo mundo falando na internet, né? Que você não queria tocar pro Ronaldo Fenômeno, o Ronaldo Fenômeno não tocava pra você na Copa. Eu quero que você conte aqui essa história, né? Eu tive um privilégio, anos atrás, tá num aniversário meu na minha casa, de repente, chega o Rivaldo.
Aí eu falei assim, gente, o que é isso? E o Rivaldo apareceu. E ele me acompanhava pela internet e falou, não, eu tinha que descobrir que eu era vizinho, eu vim aqui te cumprimentar. Eu falei, não, entra aqui, pelo amor de Deus. Eu ia foto, filmagem, meus filhos tirando foto, camisa da seleção. No dia do aniversário. Rivaldo apareceu no meu aniversário. Beijo, Rivaldo. Grande amigo, grande figura. Mas eu quero que você venha aqui contar a história do Ronaldo. Eu quero essa...
que infelizmente chega um tempo que você tem que decidir se você vai fazer o gol ou se o outro vai fazer. Não é uma questão de egoísmo, é uma questão de... Escolha. Cara, ou sou eu, ou sou ele. É uma escolha positiva. Então, é. Eu e ele. É o que está melhor colocado naquele momento. Exatamente. Apesar que eu já vi lances de futebol...
Recentemente eu assisti um jogo que o cara estava pedindo assim, aí o jogador estava com a bola, preferiu tentar driblar, perdeu o gol. E o outro estava bem na cara. Às vezes tem um lance mesmo que o cara não quer tocar para o outro, ainda mais quando é certos níveis de competitividade aí fora e tal. Não estou falando de seleção brasileira não, estou falando de time, de equipe aí fora. Agora o que eu quero comentar contigo é saber qual é o poder do vestiário.
Porque eu já vi jogo que terminou o primeiro tempo, uma desgraça e tudo dando errado, chega no segundo tempo, o time volta a outra e muda o placar. Realmente tem poder no vestiário? O que acontece? É uma palestra? É um direcionamento? É tapa na cara de todo mundo? Por que o vestiário tem poder? O que ganha jogo é vestiário. É o dia a dia do vestiário. É a convivência do dia a dia com as pessoas.
O vestiário ganha jogo. Nitidamente ganha e muda uma partida a qualquer momento dentro do vestiário. É isso que faz com que você entra dentro de campo e jogue bem, com que você tenha boa sintonia com todos os seus jogadores. E essa responsabilidade é do técnico. Do técnico, do capitão, dos jogadores. O capitão tem uma função muito importante nisso também. Mas muito importante. Porque o capitão vê coisas que o treinador não vê.
nitidamente, ver coisas que o treinador não vê. E tá dentro do campo. E tem coisas que eu vou falar pros meninos que o treinador talvez não vá falar. Porque se o treinador for falar pro menino, ele vai achar que tá me repreendendo. Então, eu falo. A maneira com que você fala com eles, a maneira com que você estraia aquilo que tem, de igual pra igual. Cara, eu acho que se você fizesse dessa forma, cara, ia ser legal.
Você acha que a orientação do vestiário é uma coisa que dá certo, que muda o jogo? É mais emocional do tipo, cara, vamos lá, você consegue, vamos salvar nosso Brasil? Ou é mais técnico? Olha, três passos para trás, você mais na esquerda, a mistura dos dois. A mistura dos dois, porque o técnico quem vai dar a direção é o treinador, mais ou menos. Agora a execução é nossa.
A execução é nossa. Sou eu que decido dentro de campo. Sou eu que decido chutar com a esquerda, com a direita, cruzar com a esquerda, cruzar com a direita. Eu que decido se eu vou ter que dar três passos para trás para marcar meu marcador, ou se eu vou ter que encostar nele sabendo que ele é um cara que gira rápido. A decisão, o poder de decisão não é do treinador. Não é do preparador físico. Não é do scout. A decisão dentro de campo é do jogador. Muito bom. O Wesley tem outra pergunta. Só também uma pergunta. A gente consegue colocar a capa do livro aqui ou depois coloca na edição?
A capa do livro Jogo da Vida. Sim, coloca na edição. Na edição? Tá bom. Aí, para você que está em casa, vai aparecer agora para você a capa do livro Jogo da Vida. O que o futebol pode nos ensinar sobre a vida e os negócios. Tá bom? Sai mês que vem. Vai ser publicado em vários países. É um livro que está muito fácil de ler. Doze capítulos, muito fácil de ler para você aplicar na tua vida pessoal, no teu negócio, na tua carreira profissional.
E você vai ver que, assim como o jogador de futebol, seguindo as regras que seguiu, ganhou na vida, você também consegue ganhar. É um livraço, você vai gostar muito. E, ó, falando nisso, eu trouxe um livro para você também, que se chama A Saga Cafu. Uau! Vamos divulgar, cadê? A Saga Cafu conta a história de todos esses nãos que eu tomei. Até aí. A Saga Cafu, ela começa de quando eu tomei o não até o meu primeiro contrato... Obrigado, irmão. Até o meu primeiro contrato pelo São Paulo. Gente, ó.
Lindo, hein? Deixa eu abrir. Vou ter que arranjar aqui. Aí ele conta só parte da... Nós tiramos um capítulo do meu livro, que vai ser lançado ano que vem. Aqui, olha a minha câmera. A Saga Cafu. Lindo. Parabéns, irmão. Nós contamos um pouco do Meus Não, das histórias, do Jardim Irene até o primeiro contrato profissional. Nunca desistir dos seus sonhos.
Então, esses livros inspiracionais precisam ser mais divulgados. Precisam. Isso leva a gente a confiar que é possível com a gente também. Exato. Tem que ler livros como esse. Não só livros técnicos da sua área, filosofia, que é importante, a Bíblia, que é o principal, mas ler livros inspiracionais. Você ganha confiança.
histórias que realmente vai modificar histórias reais que vai mudar a sua vida de pessoas que fizeram história e tá aí, retratando num livro a minha história que me inspirou e pode inspirar você tá aí, a saga Cafu Cafu, fala um pouco pra gente sobre relacionamento com pessoas porque futebol é um esporte coletivo às vezes você tá fazendo o seu melhor jogo da vida
mas o zagueiro, se ele deu um erro ali atrás, seu time acaba perdendo. Como que você lidava com seus companheiros de time e de, poxa, eu posso estar no meu melhor, mas se o zagueiro estiver no pior dele, o time não vence?
Por isso que o futebol é um esporte coletivo. Por isso que o futebol um depende do outro. Por isso que eu te falei. Dá importância para as pessoas que ela merece dentro de campo. Com uma simples palavra, você muda a vida de uma pessoa. Cara, você é importante para mim. O zagueiro vai se sentir importante, porque o erro é inerente, que nem eu falei, é inerente a nós. O erro pode acontecer com qualquer um. É aí que entra o capitão. Cara, eu fui lá, eu fiz dois gols, fiz três gols, dei três passes e, de repente, em uma falha, um jogador acaba...
prejudicando o nosso trabalho. Não, mas não é aquela falha que vai justificar quem é aquele jogador. Eu não posso me apegar naquela falha, que pode acontecer. A gente falha na vida. Falha na vida, pô. Eu tenho que mostrar para ele que ele é importante para a gente, mesmo falhando. Porque na próxima, ele vai ficar mais atento. Essa motivação, esse emocionar é muito importante, né? Exato, porque na próxima ele vai falar assim, eu não vou errar, eu não vou errar. Uma coisa dentro de você que você está falando, que eu reparo também, é que o jogador...
ele tem duas coisas muito importantes dentro de campo que ele tem que fazer. Uma é ter coragem, vou te dar um exemplo, e o outro é ter um pensamento estratégico em fração de segundos. Eu me esqueci o nome do menino, do Real Madrid, aquele turco, Varda. Varda? Hã? Arda. O Arda fez um gol há um tempo atrás no Real Madrid, não sei se você viu. A bola caiu no pé dele antes do meio de campo, ele olhou assim uma vez, chutou. A bola vem atravessando, cobriu o goleiro, ele fez um golaço.
Esse gol me marcou tanto, eu assisti pelo Instagram, eu botei para repetir tantas vezes que eu fiquei pensando, o garoto teve fração de segundo para ter coragem de chutar diante do meio do campo, tem que ter coragem, porque se errar, todo mundo vai falar, pô, fiquei isolando a bola, e pá, coragem e ter a estratégia de infração de segundo, falar assim, o goleiro está adiantado, vai dar.
Mandou e fez um gol lá. Pronto, explodiu. Milhões de visualizações, todo mundo agora torcendo para o menino e tal. Essa questão da mente do jogador trabalhar com estratégia e coragem ao mesmo tempo, na pressão do jogo, como é que é? Normal. Visão de jogo.
Ele já estava olhando o goleiro faz tempo. Ele não chutou por chutar. Ele já sabia que aquilo poderia acontecer. E se errar, ele não tem medo da crítica? Não. O medo de perder, tirar vontade de ganhar. É que nem na vida que você não faz as coisas, que tem medo de ser criticado. É porque se eu fizer, vão falar mal de mim. Será que vão falar mal de mim? Vão falar. Até se você acertar tudo. Vão falar. Vão falar, pô. Tem uma frase boa pra isso. Medo de perder, tirar vontade de ganhar. Opa. Não tenha medo de arriscar, pô. Se tiver medo de arriscar, você não vai chegar nunca.
Nós não temos que ter medo de driblar, de arriscar, de chutar, de cruzar. Imagina se o Fala Linha de fundo ficar com medo de cruzar. Isso é um princípio do empreendedorismo. Quem tem medo de arriscar não vai prender nunca. Não vai prender nunca, meu. Ele já tinha visão, ele viu que o goleiro estava adiantado, ele sabe do potencial dele, sabe da capacidade dele, esperou o momento justo. No momento justo ele colocou a bola onde ele poderia colocar. Uau. Agora, Cafu, você...
Essa é uma pergunta importante. Com tudo que você conquistou, esses títulos todos, a ponto de quase nenhum outro jogador no mundo ter os títulos que você tem, como você começou a falar das Copas do Mundo aí, que humilhou o Wesley, você falou Joguei três finais, Wesley. Não, Wesley, ele joga no futebol aqui de quarta-feira do Instituto, não consegue nem fazer gol, tá acima do peso, tá junto. Não tá bem fisicamente. Aí ele tentou mandar uma pro Cafio, não, porque você não foi bem em 2006. Aí o Cafio, é?
Eu joguei três finais de Copa do Mundo, pronto. Já deu uma bordoada ali. Como é que você lida com o ego? A vaidade que todo ser humano tem que lidar em algum nível com isso, com tanta conquista? Cara, não é mal. Não tenho.
Você conseguiu segurar isso? Consegui. Eu tenho noção do que eu fui pro esporte, eu tenho noção do que eu fui pro futebol, tenho noção do que eu fui pro meu país. Se valoriza sem desvalorizar ninguém. Exatamente, acabou. Sem desvalorizar ninguém. Tô ciente de tudo que eu fiz, sempre tentei fazer com a maior perfeição do mundo e chegar onde eu cheguei. Cheguei. Acabou. Não vou me empolgar com a crítica, mas também não vou deixar me abalar com a...
Não vou me empolgar com as vitórias, mas também não vou deixar me abalar com as críticas. Então, cumprir com a minha função, cumprir com o meu papel, sigo a minha vida normal. Muito bom. Uma pergunta pessoal. Você foi feliz em Milão? Porque eu trabalho muito viajando. Milão é uma das cidades que mais me encanta. É uma São Paulo chique. É, cara. Milão me chama a atenção. Qualquer convite que eu recebo para Milão, eu falo, quero. Marca logo, marca a vez que vem.
Você foi feliz lá? Nossa, muito. Milão é sensacional. É uma cidade incrível. Que cidade. Eu falo pra gente... Gastronomia. É, Milão é um São Paulo chique. A boda, os carros, tudo. Cara, eu fiquei cinco anos. Pessoa bem arrumada na rua, né? Até os caras ainda... Todo mundo alinhado. Alinhado, os caras andam de motorino lá, de terno e gravata. Eita, que país chique.
Ah, me dei muito bem, eu gostei muito. Fiquei 11 anos na Itália, né? 6 anos em Pouca e 5 anos em Milão. Fiz amizade com isso tudo lá. Fiz bom. Uma maravilha. A Itália é uma maravilha. Um dos países que eu mais gosto de visitar. Gente, que privilégio receber o capitão do pentacampeonato brasileiro, Cafu. Uma pessoa que conseguiu fazer algo que poucos seres humanos conseguem, que é se eternizar.
Daqui a uns 40, 50 anos ele se vai, e quando ele se for, o nome vai continuar para sempre, as imagens vão continuar para sempre, porque poucas pessoas conseguem se eternizar, né, cara? Poucas. Muita gente partiu ontem, hoje ninguém está lembrando mais. Então eu quero pedir um forte aplauso para o Cafu, nosso capitão.
E lembrar você que a gente vai se aprofundar muito nesse assunto, como o futebol nos ensina sobre a vida e os negócios, como você pode melhorar no livro O Jogo da Vida, que sai mês que vem, vai estar aí na tela, só para você conhecer a capa, não tem que clicar em nada não, só estou divulgando, tá bom? Só para você saber que está no forno, está a caminho, editora Planeta, daí para o Brasil e para o mundo, tá bom?
Teixeirinha, tudo bem? Não tem nenhuma pergunta não, né? Hoje você não quer trabalhar Só observando Agradecer ao capitão Cafu, obrigado Cafu Deus te abençoe Deus abençoe vocês que estão em casa, eu desejo paz e prosperidade E até o próximo BrunhaCast Só não deixa agora Peraí
Uma honra ao nosso capitão de curtir esse vídeo, encaminhar para o máximo de pessoas. E se você não estava inscrito aqui no canal do Brunacast, agora é o momento de você se inscrever, porque vai ter muito mais conteúdos como esse, além de todos que a gente já oferece. Paz e prosperidade! Feliz e abençoado são vocês que não viram, mas creram!
É a experiência que faz você largar o que você acha importante para tocar por algo muito melhor. Quem já se entregou de forma profunda ao Senhor? Quem já sobreviveu a momentos muito difíceis somente baseado na misericórdia do Senhor? Já não quer trocar isso por mais nada.
O problema com Saul É que Saul queria a posição Davi queria a presença Senhor eu prefiro ter sua presença A cada um ele deu uma medida de fé
Eu vou despejar esse enigma E você sairá dessa porta Criando que nada é impossível a você Chegou o tempo para você viver o que está escrito na palavra do Senhor Quem vai viver milagre grita Quem vai viver o sobrenatural Salta a bruna Se prepare
Porque a primeira coisa que Deus vai te dar para você ter uma vida extraordinária é o dom de discernimento. Eu quero declarar que você e toda a sua família estarão na conferência 2026, uma nova estação.
BYD
Carro elétrico BYD Dolphin MiniMinimal Club
Mentoria DestinyMindNet Shoes
TênisTikTok
Segurança para adolescentes