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Entrevista com Drª Regina Braga - Endocrinologista (Diabetes: Cuidados Essenciais para Evitar Complicações Graves)

04 de maio de 202615min
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Um tema que merece toda a nossa atenção e cuidado. O Brasil enfrenta um avanço preocupante do Diabetes Mellitus, uma doença silenciosa que já atinge cerca de 12,9% da população e teve um crescimento superior a 130% nas últimas décadas.

Diante desse cenário, o Ministério da Saúde lançou uma importante campanha de alerta para prevenir complicações graves, como feridas, infecções e até amputações — consequências que podem ser evitadas com informação, acompanhamento e cuidados diários.

E para falar sobre esse assunto tão importante, vamos conversar agora com a endocrinologista, Dra. Regina Braga.

Assuntos3
  • Diabetes e acesso a tratamentoMonitoramento da glicemia (ponta de dedo) · Alimentação equilibrada · Prática regular de exercício físico · Cuidado com os pés (inspeção diária) · Higiene dos pés (enxugar bem após banho)
  • Diabetes e ObesidadeMudanças no estilo de vida · Alimentação industrializada · Sedentarismo · Aumento da obesidade · Envelhecimento da população
  • DiabetesDefinição de diabetes mellitus · Glicose como fonte de energia · Papel da insulina · Produção de insulina pelo pâncreas
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Bom dia, meu médico, meu amigo aqui na nossa programação e vamos trazer a partir de agora um tema que merece toda a nossa atenção e cuidado. O Brasil enfrenta um avanço preocupante do diabetes e é uma doença silenciosa que já atinge cerca de mais de 12% da população e teve um crescimento superior a 130% nas últimas décadas. Diante disso e diante desse cenário, o Ministério da Saúde já lançou um importante...

E para falar sobre o assunto...

tão importante, vamos conversar agora com a nossa querida endocrinologista, Nazarena, doutora Regina Braga, é com ela que eu vou conversar a partir de agora, doutora Regina, seja muito bem-vinda aqui a nossa programação, é um prazer recebê-la aqui no nosso programa, no nosso quadro, meu médico, meu amigo, muito obrigado aí pela sua disponibilidade em conversar conosco sobre um tema tão importante para a saúde da população. Para começar, o que é que realmente é o diabetes?

Por que ele tem crescido tanto no Brasil nos últimos anos?

O diabetes mellitus é uma doença crônica caracterizada principalmente pelo aumento de glicose no sangue. Para a gente compreender isso melhor, é importante saber de dois conceitos básicos. Primeiro, entender o que é a glicose. A glicose é o açúcar no sangue. Ela funciona como uma principal fonte de energia do nosso corpo. Então, o nosso corpo utiliza a glicose como uma fonte de energia.

Mas para que isso aconteça, a gente precisa de um hormônio chamado insulina, que funciona como se fosse uma chave. Abre a porta da célula para a glicose entrar e ser transformada em energia para o nosso corpo. É um hormônio produzido pelo pâncreas e ajuda nesse processo da glicose ser utilizada como fonte de energia. No diabetes acontece que essa chave, chamada insulina... Hum, né?

Ela não funciona tão bem. Pode ser que ela seja produzida e não consiga agir, então não tenha sua ação adequada, ou em alguns casos ela não consiga nem ser produzida. E sem ela, como ela não está agindo como deveria agir, a glicose acaba ficando acumulada no sangue porque não está sendo utilizada como fonte de energia.

Mas nos últimos anos, a gente realmente tem percebido que o número de casos de diabetes tem aumentado. Isso acontece principalmente por causa das mudanças também relacionadas ao nosso estilo de vida. Temos uma alimentação mais industrializada.

O sedentarismo também é algo em alta nos nossos dias, então a prática de exercício acaba não sendo algo constante, e levando também ao aumento do número de pessoas com obesidade, além também do envelhecimento da nossa população. Então, esses são fatores que contribuem para o aumento de casos de diabetes nos nossos dias.

Olha, canal aberto com a participação do povo, você pode ligar, ligue e participe pelo 99610 7516 994456242, WhatsApp do povão 99610 7516, aqui na página do Facebook, também você interage e deixa a sua pergunta, a sua participação. Maria do Carmo, lá do município de Condado, ela está aqui e pergunta o seguinte, doutora, por que o diabetes pode levar a complicações tão graves como amputações?

Como essa glicose não está conseguindo entrar na célula para ser transformada em energia, ela acaba se acumulando no sangue e isso, esse excesso de glicose no sangue, de forma prolongada, ao longo do tempo, vai danificando os vasos sanguíneos da gente, os pequenos vasos e os grandes vasos, assim como os nervos. Isso a gente chama de uma complicação do diabetes.

Isso vai reduzindo a longo prazo a circulação, a sensibilidade também que a gente tem, principalmente nos pés e nas mãos. Isso pode levar ao surgimento de pequenas feridas que, por vezes, podem passar despercebidas. A pessoa nem percebe que aquela ferida está ali. Aquela ferida pode evoluir para um processo infeccioso e em casos graves até gerar amputação.

Isso já acende o alerta para a gente de como é importante a gente cuidar do diabetes e buscar o controle adequado da glicemia. Olha, tem uma pergunta aqui de Vilma, do município da Aliança, aqui na Mata Norte Pernambucana, ela pergunta quais são os principais sinais de alerta que o paciente pode, não pode, aliás, não pode ignorar de jeito nenhum.

Alguns sinais de alerta podem ser percebidos quando o paciente relata muita sede, aumento na quantidade de xixi, fome excessiva e perda de peso também sem explicação. Mas também é importante a gente ficar atento àquela indisposição, o cansaço que não melhora, a vista embaçada.

Há infecções frequentes e necessidades de ida à emergência. Então, muitas vezes até o diabetes pode ser silencioso. Pode passar despercebido e a gente não reconhecer que aquela fadiga, aquela indisposição pode estar só relacionada a níveis alterados de glicose no sangue.

Doutora, Fernando Rodrigues, lá do município de Timbaúba, né, ele foi diagnosticado até pouco tempo aí com diabetes. Ele pergunta o que é que pode mudar na minha vida, né, com esse diagnóstico.

O diagnóstico de diabetes deve nos levar a viver melhor. O que é que eu quero dizer com isso? Deve nos impulsionar a buscar uma melhor qualidade de vida, a ajustar a alimentação, a buscar uma prática de atividade física regular, a utilizar corretamente as medicações prescritas pelo profissional de saúde, buscar acompanhamento médico regular.

E utilizando esses artifícios, buscando viver melhor, é totalmente possível viver bem, ou seja, alcançar um controle glicêmico adequado. Olha, a gente sempre costuma dizer que é melhor.

Prevenir do que remediar. Remediar custa caro. Mas, uma vez que estamos falando aqui em relação à questão de prevenção, mas também vamos falar em relação à questão dos diabéticos em si. Quais são os cuidados básicos que todo paciente com diabetes deve ter no dia a dia?

No dia a dia, alguns cuidados realmente precisarão ser tomados. Então, alguns pacientes terão a indicação de monitorar a glicemia de forma mais frequente. Então, fazer aquilo que a gente chama de ponta de dedo, né? Aferir a glicose da ponta do dedo. Sim. Alguns pacientes têm a indicação de realmente fazer essa ferição de forma mais frequente.

Para todos está indicada a alimentação equilibrada, a prática regular do exercício físico, o cuidado com os pés. Então, olhar esses pés, eu geralmente oriento os pacientes a olhar toda noite antes de dormir o pé para ver se não deixou passar nenhuma feridinha que aconteceu ao longo do dia. Enxugar bem após o banho. São atitudes simples, mas que já fazem toda a diferença no dia a dia.

Olha, para você que ligou o rádio agora, estamos entrevistando aqui a nossa querida doutora Regina Braga, falando de um assunto muito importante, que é a questão que merece total atenção e total cuidado, porque o Brasil vem avançando bastante em números preocupantes do diabetes, que é uma doença silenciosa que já atinge cerca de 12,9% da população e teve um crescimento superior a 130% nas últimas décadas. Portanto, toda a informação é importante e nunca é demais.

Doutora, a campanha atual, ela fala muito sobre a prevenção de amputações. Na prática, o que isso pode ser evitado? Os pés são uma das regiões mais vulneráveis do nosso corpo.

Como eu falei, o paciente pode perder a sensibilidade dessa região e por vezes não perceber pequenos machucados, arranhões, topadas, levou uma topada e nem percebeu que feriu. Sabe aquilo de ter a pedra no sapato e não perceber que a pedra está ali? Isso realmente pode acontecer.

Quando isso se soma também a uma má circulação local, o risco de infecção aumenta muito. Por isso, o cuidado de parar, olhar aquele pé, controlar bem a glicose deve ser diário e é essencial. Existe um perfil de pessoas mais vulneráveis à doença e às suas complicações?

Sim, existe sim um perfil mais vulnerável. Pessoas com excesso de peso, né, então que tem obesidade ou sobrepeso. Pessoas que tem um histórico familiar de diabetes, de sedentarismo, então não tão com a prática de exercício físico regular.

Pessoas também que têm uma idade mais avançada e que já têm uma pressão alta, são pessoas que têm o maior risco de ter a neuropatia diabética, de ter alterações de sensibilidade no pé, alterações de vascularização no pé. E entre esse perfil de risco, entre os diabéticos, aqueles também com o pior controle glicêmico, então que não estão conseguindo fazer o uso adequado das medicações.

que por vezes omitem doses dos remédios, das insulinas, eles também são mais vulneráveis às complicações. Olha, Maria Margarita, lá do município de Orobó, no Agreste Pernambucano, ela está informando aqui que não pratica nenhum tipo de exercício. E eu queria aproveitar essa deixa aqui e perguntar para a senhora, a alimentação e a prática de atividades físicas realmente fazem a diferença no controle do diabetes?

Sim, fazem muita, muita diferença. Na verdade, são pilares do tratamento. O exercício físico deve ser visto como um remédio. Sabe o seu remédio que você toma todos os dias e não pode esquecer? O exercício físico é isso e traz tanto benefício quanto medicações bem indicadas para o controle do diabetes. Assim como a alimentação balanceada. Às vezes a gente pensa na alimentação como coisas que simplesmente não pode, não pode, não pode.

quando não é esse, não é essa a prerrogativa do tratamento adequado de diabetes. Antes do não pode, é o que posso colocar no meu prato, como eu posso aprender a me alimentar melhor. Então, alimentos ricos em fibras, como verduras, como frutas, devem estar ali naquele prato ao longo do dia. A gente pensa que a salada deve estar só no almoço, e eu costumo dizer que o prato do jantar tem que vir com salada também, para não ser só uma refeição rica em carboidratos. Então...

Uma alimentação equilibrada e o exercício físico regular ajudam a controlar a glicose, melhoram a ação da insulina e ajudam também a reduzir o risco de complicações. Danúbia, lá de Limoeiro, também no agresse de Pernambucano, ela disse que recebeu a notícia da doença um pouco mais tardio, não é? Vamos falar sobre essa questão? Muitas pessoas descobrem a doença de forma tardia. Como incentivar o diagnóstico precoce, doutora?

Nós podemos incentivar o diagnóstico precoce através da informação e do acesso aos exames. Às vezes as pessoas só descobrem que tem diabetes diante das complicações, e isso é tão triste, porque nós temos exames que conseguem identificar precocemente.

Então, fazer um acompanhamento médico regular, buscar através de mínimos sintomas, avaliação adequada através do posto de saúde, da equipe de estratégia de saúde da família mais próxima à sua casa, é importante demais, especialmente para quem tem fatores de risco, como obesidade, como hipertensão.

Pessoas acima de 35 anos já têm indicação de avaliar a glicemia para a gente ver se já tem alguma alteração e diagnosticar precocemente o diabetes mellitus. A pessoa que foi diagnosticada com diabetes, ela precisa de todo um apoio, principalmente familiar. Qual é o papel da família no cuidado com paciente diabético?

Família é e sempre será fundamental para qualquer coisa na vida. A família ajuda no apoio emocional, ajuda na adesão ao tratamento e também ajuda na construção de hábitos saudáveis. Às vezes a gente trata a pessoa com diabetes em casa, principalmente na alimentação, como aquela alimentação do fulano.

Quando a alimentação do Fulano deveria ser a alimentação da família, ou seja, uma alimentação saudável. Não é só para a pessoa que tem doença, a alimentação saudável é para todos, para prevenir que as doenças aconteçam. E isso mais-se na família, um cuidando do outro, um ajudando o outro.

E guiando também nesse processo de cuidado, nesse processo de buscar ter uma melhor qualidade de vida. Então, o cuidado com o diabetes, ele não deve ser solitário. Você deve sim ter a ajuda das pessoas ao seu redor. Essas pessoas devem estar junto com você no seu processo de cuidado e ao longo do seu tratamento.

Doutora, para finalizarmos, qual mensagem a senhora deixa para quem convive com diabetes ou pode estar em risco? Isso tudo é para que a gente entenda que o diabetes é sim uma doença séria, mas que pode e deve ser controlada. Com informação, com acompanhamento médico regular, com pequenos cuidados no dia a dia, é possível prevenir complicações e viver com qualidade de vida. Então, cuidar da saúde hoje é garantir mais vida no futuro. Obrigado.

Queria agradecer essa oportunidade de conversar com vocês sobre uma doença tão prevalente, tão importante nos nossos dias. E me coloco à disposição também para trazer cada vez mais informações, de forma que a gente possa difundir saúde por onde quer que a gente vá.

Olha, esse foi o quadro Meu Médico, Meu Amigo de hoje, nesta segunda-feira, conversando e trazendo informações valiosas quanto à questão do diabetes. Então, todo cuidado é pouco, mas informação sempre é importante para que a gente possa combater este mal. Comecei o programa de hoje com a endocrinologista doutora Regina Braga, aqui no Meu Médico, Meu Amigo.

Olha a hora certa para você, meu dia e 44 minutos, eu vou ao bloco comercial, daqui a pouco eu volto, já está aqui no estúdio da Rádio NASA FM, como comandante do segundo BPM pela primeira...

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