O que as crianças tem aprendido sem você dizer nada?
Com este episódio uma nova temporada, voltada para mães, pais e educadores, está se iniciando no podcast verdades livres.
Patrícia Boechat
Adriana Svares
Dri Soares
Gabriel Habib
Rose de Paula
- Desenvolvimento emocional infantilAutoestima infantil · Escuta ativa
- Mudanças educacionais e acadêmicasNovas demandas educacionais · Tecnologia na educação
- Novo relacionamento do genitorComunicação familiar · Limites na educação
Olá, boa noite, sejam todos muito bem-vindos, muito bem-vindas. Eu sou Patrícia Boechat, psicóloga, e hoje no nosso podcast Verdades Livres teremos a Dri Soares, pedagoga, o Gabriel Habib, terapeuta e a Rose de Paula, pedagoga, gente, um time sensacional. Vamos lá chamar esse povo lindo.
Vamos embora. Estão chegando aqui. Que delícia ter essas pessoas junto com a gente. Ei!
Olá! Tudo bem? Seja muito bem-vinda! Que delícia ter você aqui com a gente! Gabriel! Fiquei escuro aqui! Hoje teremos quatro! Que delícia! Oiê! Janaíra, Andréia e Andri!
Sejam todos muito bem-vindos, que delícia! Hoje a gente tá assim, isso foi misturado, né? Assim, uma galera com backgrounds aí diferentes, é uma delícia! Eu queria que vocês se apresentassem. Boa noite, Janaí! Que bom que você tá aqui! Vocês podem se apresentar, por favor?
Diga aí, Rô, começa você. Começa por mim? Eu sou Rosângela, né? Rose aí no Instagram. Sou pedagoga. Sou também terapeuta. E consultora de olhos essenciais. A gente vai fazendo um monte de coisas aí. Tudo junto e conectado, né? Conectado. Um pra ajudar o outro.
E sou de Angélica, Mato Grosso do Sul E estou aqui para conversar um pouco também Junto com essa galera maravilhosa E é isso Só uma perguntinha aqui, está sem áudio, pessoal? Mais alguém está sem áudio? Ah, deve ser, Janai Você pode sair e entrar de novo Mas avisa para a gente, tá?
Mas tem uma outra coisa também que faz parte dessa formação e do interesse nesse assunto, né, Rô? Sim, eu sou... Outro aspecto assim, bem grandão, chamada Ana Laura. Sou mãe da Ana Laura. Sou também especialista em educação infantil. E que esse assunto... Trabalho com educação infantil. E esse assunto é objeto de muitas observações e práticas minhas, né?
Ai, gente, estou doida para ouvir vocês. Ai, que delícia! Muito bom, muito bom. E é isso. É isso. Pode falar, Gabriel. Pode falar, Gabriel. Para quem não me conhece, eu sou Gabriel, então trabalho como terapeuta. E eu sou aquele cara que decidiu estudar os campos vibracionais, a espiritualidade, níveis de consciência.
A minha ideia é trazer um pouco desse olhar, um pouco mais alternativo, digamos assim, para esse tema, mas sempre com muita objetividade. Então, vamos seguir em frente e ver onde a gente vai dar aqui hoje, né? E o Gabriel vai trazer também o olhar masculino, como o pai da Linda Cristal. É isso. Ter essa experiência de quase oito anos na paternidade.
Vou botar no meu currículo ali. Meu Deus, Gabriel. De pensar que quando eu te conheci a Cristal tinha um ano, meu bem. Olha. Praticamente capaz de nascer. Quando o Gabriel entrou no Liberdade Emocional a Cristal tinha um ano. Um ano e meio, mais ou menos. Olha isso. Boa. E esse é um ponto sempre quando a gente fala de criança, né? O tempo urge.
E a Ana Laura tinha 9, agora já tem 15. Meu céu. Delícia. Fala, Adriana. Oi, gente. Eu sou Adriana Svares. Delícia. Sou pedagoga, sou a mãe do Bento, né?
os nossos filhos aí regulam um pouco da mesma idade prática, né? Porque o Bento vai fazer nove aí, né? Perto da idade aí da Cristal. Pô, tem uma experiência grande em escola, né? De estar dentro do ambiente escolar muitos anos, né? Com algumas funções diferenciadas, professora, coordenadora, orientadora, né? Então, esse tema me chama muito a atenção, né?
Porque eu acho que a gente precisa, tanto como professora, coordenadora, como como mãe, né? Porque eu acho que a maternidade é algo que nos toma muitas vezes, né? Então é muito forte, é muito intenso, né? É tudo muito intenso na maternidade, né? Quando você pensa que aprendeu um negócio, daqui a pouco você tem que aprender o outro, né? E a gente vai...
Por exemplo, agora eu estou falando com você. Tem uma criatura aqui que poderia ter falado várias coisas, mas ele quer falar agora, nesse momento. Enquanto eu estou falando aqui. Né? Né, criatura? É sempre assim. Criatura, está aqui. Ele é tão lindo. Ele deveria ter falado 500 horas, mas agora é que ele quer atenção. Esse é o momento.
Prazer enorme estar aqui com vocês, né? A gente está se conhecendo em outro nível de vínculo, como diria a música. Nossa senhora, adorei isso. Eu acho isso muito chique. E eu sou Patrícia, psicóloga. Eu me interessava por esse tema muito antes de decidir ser psicóloga. Para quem me conhece, é a minha segunda formação. A minha primeira era em arquitetura e urbanismo.
trabalhando para pessoas de uma outra forma. A arquitetura também envolve a psicologia. Você também faz, trabalha para o psicológico dessas pessoas. E eu sou mãe da Sofia, do Hugo e do Vitor. Sofia com 26, o Hugo com 24, o Vitor com 22. E é muito interessante pensar que eu sou três mães. Três mães.
E em 2000, eu me envolvi muito com esse assunto ao longo dessa maternidade, como diz a Dri, que nos toma. Porque é como se quando você tem um filho, o futuro dele todo, a vida dele toda está nas suas mãos.
a responsabilidade é muito grande, né? E você começa a pensar a maternidade, imagino que a paternidade, a partir do momento que você tem aquela responsabilidade daquela criança para você. Então, em 2015, eu comecei a escrever o blog Dona de Casa, só que não.
que falava muito da relação da comida e das refeições dentro dessa família. Então, eu sempre gostei muito de cozinhar e eu comecei a compreender que a criança não te escuta na bronca.
Ela discuta no caos, no bate-papo, sentadinha em volta da mesa, comendo um bolo, tomando café, né? Não na correria do dia a dia, naquele desespero. Então, quando os meus filhos começaram a estudar de manhã, muitas vezes chegava num determinado horário da tarde, eu parava o meu trabalho e eu ia botar a mesa.
Se não tivesse alguma coisa gostosa, eu fazia muito rapidinho. E eles ajudavam a botar a mesa, fazer um chá e a gente sentava. E ali a coisa acontecia. Então, esse é um assunto que fala muito próximo do meu coração. Porque eles se tornam o nosso projeto de vida. Eles se tornam o nosso centro. E eu não vou esquecer nunca, como diz Adri, a maternidade nos toma.
Eu acho engraçado, viu, Pathy, que quando vem o primeiro, né, a gente meio que deixa, perde um pouco da nossa identidade. E aí, por exemplo, eu passei a ser o pai da Cristal, né? Tenho certeza. E eu sei que com todo mundo aqui foi assim. Então, não que a gente se incomode com isso, né, mas é, querendo ou não, como você falou, né, o nosso projeto de vida. Então, a gente assimila, inclusive, na nossa identidade.
Essa missão que a gente tem na vida, né? Não apenas como pais, mas esse conteúdo que nós vamos trazer aqui hoje perde a identidade. Quando é que ganha de volta? Nunca mais. Aldenora, você perde a identidade, Aldenora. Esse conteúdo, só deixando claro, não é apenas para mães e pais, mas para educadores também, né? Pessoas que estão em contato constante com crianças.
E o que querendo ou não faz tudo parte e serve para todos. Sim, sim, certeza. E aí a gente vai falar do nosso tema, né? Quando a criança, o que ela está aprendendo quando ela olha para você? Quando você não percebe para onde ela está olhando? O que essa criança está aprendendo?
Antes da gente começar, como boa professora, eu lembrei de um... Eu sou boa professora. Adoro, gente. Eu sou boa professora. Com essa parte eu também. Eu também.
A primeira coisa que a gente vai ensinar aqui É autoestima Cara, eu amo a docência Eu gosto pra caramba da docência Enfim, minha vida se fez nisso As minhas amigas Com mais tempo São professoras Então é isso Tem um poema Da Madalena Freire UAB
que eu não vou ler ele todo porque ele é longo, né? Mas ele fala assim, eu não sou você, você não é eu. Eu não sou você, você não é eu. Mas eu sei muito de mim vivendo com você. E você, sabe muito de você vivendo comigo? Eu não sou você, você não é eu. Mas eu encontrei comigo e me vi enquanto olhava pra você.
Aí ela vai falando, na sua, na minha insegurança, na sua, na minha desconfiança, na sua, na minha competição, na sua, na minha birra infantil. E aí por aí vai. E aí eu fiquei pensando que tem, né? Quando a gente vai falar das relações, né? Porque a gente vai falar de relação aqui, né? Tem essa coisa, né?
Desse espelho, né? Que você olha, que o outro se olha e que você se olha e que a gente se vê, né? Eu me vejo no Bento com as caras que ele faz, né? Porque eu sou muito expressiva e ele faz assim, né? Eu falei, cara, é minha cara. Não sei se isso é bom ou ruim, né? O que que isso é? É bom ou ruim? A gente não sabe. É, amor.
É isso, né? Então eu acho que assim, esse poema eu acho que ele introduz bem o tema, né? Pra gente poder trabalhar com o que a gente está vendo, né? Sei lá. Muito! E eu fiquei aqui me perguntando enquanto você lia, até que idade é considerado birra infantil? Mexida! Acho que não tem. Até que idade é considerado? Acho que não tem.
Não tem... A gente pode fazer birra infantil em qualquer idade. Em qualquer idade. A criança interior. Muito bom, muito bom. E é isso, né? Esse espelho. Esse espelho. Eu estava na faculdade ainda quando eu estudei sobre os neurônios espelho. E a minha cabeça fez assim... Gente, de pensar que a gente tem toda uma área do nosso cérebro.
Focado em aprender a partir da repetição. Quando aquele bebê nasce, você faz com ele assim. Ele não sabe que ele tem boca, mas ele te repete. É isso mesmo. Ele repete.
Recém-nascido ele já repete. E veja, isso é um diferencial gigantesco na evolução da nossa espécie. Porque a gente leva muito pouco tempo para aprender. O que nas outras espécies muitas vezes leva gerações para aprender, a gente aprende só olhando rapidinho. Mas isso tem um custo. Qual é o custo? A gente não aprende só.
O que a gente deseja aprender? A gente aprende de tudo. E muitas vezes a criança está ali e ela está vendo, e ela está absorvendo tudo que aquele meio está mostrando para ela.
E ela te vê mais do que ela te escuta. E o que os neurônios espelho fazem? Eles não só fazem com que você veja aquilo e você sinta aquilo, porque o nosso cérebro não vê diferença entre eu estar fazendo uma ação, executando uma ação, e a pessoa que está na minha frente está executando uma ação, como a gente tem a tendência a continuar aquela ação.
E é por isso que a gente tem comportamento de multidão. Aqueles comportamentos que parecem que são contagiosos. Porque a gente vê e a gente acredita que a gente vai continuando aquilo. Então, por exemplo, se uma mãe tem o hábito de bater no filho, quando ela vê uma mãe batendo no filho, aquilo reforça o comportamento dela.
Se ela não tem o hábito de bater no filho dela, talvez ela vendo uma mãe batendo no filho, ela vai ter a ideia e na hora que ela vai fazer aquilo, isso se torna uma possível atitude que possivelmente antes não era para ela. E ela vai se sentir justificada, porque ela viu alguém fazendo.
Então, esse é o nosso maior recurso de aprendizagem. E a gente, desde que nasceu, a gente está usando ele. Olhando para o mundo e repetindo o mundo. Então, talvez esse seja o primeiro questionamento, né? Que tem tudo a ver aqui com o nosso tema. O que a criança aprende mesmo quando você está em silêncio? Todo o resto.
Tudo. Tudo. Tudo o que você está fazendo, o seu comportamento, as suas tendências. Eu tenho uma história para compartilhar. É um pouco pesada, mas eu acho que é interessante. Bora. Bora encarar juntos. Uma vez eu conversando com uma senhora já, devia ter lá pelos, sei lá, quase 70 anos.
E ela falando, se queixando muito do filho, que era já adulto, casado e tal, que o filho era violento com a esposa. E aí depois, ela contando mais como foi essa criação e tudo mais, ela dizendo que ela assumiu, com todas as letras, que ela não gostava dele desde pequeno, que ela dava mais atenção para o outro do que para ele. Então, todo o amor dela ia para o outro. E ele ficava meio que preterido aí nessa história.
E como a gente generaliza, ou projeta, ou distorce tudo, imagina a criança quando não faz isso. Então, qual será a imagem do feminino que ele não internalizou para projetar, talvez, nessa esposa, a falta da mãe dele e a direcionar a violência para a esposa que ele gostaria, talvez? Aqui eu estou levantando só uma hipótese mesmo, não é só especulando, para a própria mãe. E aí estou lançando aqui essa história para a gente...
E é interessante que a mãe se incomodava, né? Sim. A mãe se incomodava. E eu fiz um questionamento a ela, não me lembro agora qual foi, mas no sentido de testar se ela tinha noção da responsabilidade dela e do papel dela na construção do filho. E ela estava totalmente inconsciente para isso.
Para ela, ela não teve responsabilidade nenhuma nesse desenvolvimento mais violento dele para com as mulheres. Entende? E assim muitos são. E aí, quando você fala disso, Gabriel, a gente traz da pedagogia a importância da pedagogia da presença.
A pedagogia da presença, ela é válida em todos os campos, para o professor, para todos nós adultos que lidamos com criança, para nossos pais principalmente. Porque, o que ela diz? Ela diz que se você não está presente, se a minha filha está aqui conversando comigo, querendo me contar alguma coisa, e eu estou aqui quieta, e ela percebe, ela capta que eu estou só o corpo aqui, e estou com a minha emoção, meu pensamento em outro lugar.
isso gera nela também um padrão, né? Gera nela também um aprendizado de que um dos possíveis é que não precisa dar importância, né? Uma exclusão, uma rejeição, né? Uma rejeição. E a pedagogia da presença também traz isso, de você estar mesmo presente e observar os atos, as atitudes, né? Das crianças.
Eu sou pedagoga e trabalho com crianças de educação infantil, crianças de três anos, e aí eu me divirto, observando tudo isso, e aí eu chamo a mãe para a conversa, e eu mando um bilhete, vejo a resposta e tal, e aí você vai entendendo os comportamentos, porque os nossos comportamentos, eles são...
são mais do que o ensinado. E isso foi, para mim, uma fase, um aprendizado bem libertador. Porque, não sei se a parte lembra, eu tinha essa grande preocupação com a minha filha. Eu já fui mãe com 35 anos, então, mãe na idade de ser avó, como dizem meus irmãos. Não, avó não, pode parar.
E aí, então, eu tinha muito essa preocupação de como esse meu projeto aí vai dar certo, né? E em uma das nossas falas, né? E nos estudos também, a Patrícia disse que a gente precisa ser. E aí eu fui me relaxando e procurando ser. E eu vou acompanhando esse meu projeto, que é a Ana Laura.
Sendo também, né? E aí vai sendo muito mais, né? Do que a gente. Então é muito interessante a gente ter esse cuidado, esse olhar. E muitas vezes a gente não tem essa informação. É como você acabou de dizer, a mãe não tinha consciência nenhuma. Né? Então esse momento, nossa conversa é bastante interessante pra despertar isso, né? Nos pais, nos tios. A hora que eu estou com a criança, eu estou com a criança.
E isso ela vai aprendendo também. Só rapidinho, dentro dessa fala da Rô, eu achei muito interessante quando você falou esse meu projeto, a Ana Laura, né? Que esse projeto que vai desde o nascimento, progressivamente se tornando o nosso projeto, né? Você e a Ana Laura juntas, projetando a vida dela.
Isso é muito legal. Desculpa, Adri, pode falar. Não, e assim, isso agregando ao que a Rô está falando, uma das coisas que outro dia eu me dei conta na escola é que, assim, essa presença da gente estar ali, da gente estar atento a tudo e a todos, né? Às vezes eu nem sei muito bem como é que a gente consegue, né?
capturar, porque é tudo ao mesmo tempo agora. A escola é um negócio que tem ali uma energia, um negócio que rola, né? Enfim, e que...
Vai criando uma sintonia ali, né? Vai criando ali uma conversa. Educação infantil, então, isso flui, assim, com muita naturalidade, né? Mas eu estava pensando, nos últimos tempos, eu estou trabalhando com o fundamental dos anos iniciais. Eu trabalhei com adolescente, já trabalhei com educação infantil, agora eu estou nos anos iniciais, né? Das crianças de 6 a 10, né?
Junto aqui com o meu pequeno, né? E uma das coisas que eu me dei conta outro dia foi o seguinte. A gente, quando está conversando sobre isso, claro que a gente está provocando, né? O que a criança aprende mesmo quando você está em silêncio? É porque a gente está ensinando o tempo todo. Então, a gente está aqui e ele está olhando aqui. E eu estou falando dele por causa do Bento, né? E eles estão olhando para a gente.
O tempo inteiro, tudo que você faz e tal, tal, tal, tal. Só que, e aí a gente acaba, muitas vezes, e aí por N motivos, né, que a gente também poderia ficar aqui falando, a gente acaba carregando culpas, né? Ou responsabilidades, ah, mas isso eu deixei, ah, mas isso eu não fiz e tal. E tem coisas que a gente não fez mesmo, né? Tem coisas que a gente deixou a lacuna, mas tem coisas que a gente não conseguia enxergar.
Mas outro dia eu me dei conta que eu acho que tem coisas que são das crianças, não são nossas. Não foi porque a gente não falou, ou porque a gente não disse, ou porque a gente não fez. Tem uma demanda que é dessa criança, desse adolescente, desse jovem.
E que muitas vezes a gente fica... Aí só para provocar um pouco, né? Não sei se é um pouco de vaidade nossa, né? Do tipo, poxa, mas como assim, né? Eu não estou na cena, né? Ou se, na verdade, são coisas que a gente realmente não está conseguindo enxergar.
Sabe? Não tá com olhos pra ver. Por que não tá com olhos pra ver? Porque de repente não vivemos isso, vivemos em outros tempos, onde algumas demandas não existiam, né? A gente não existia o celular, né? O Bento nem sabia o que significa não ter telefone em casa, não conseguir falar. Como é que era isso, né? Na minha casa não tinha telefone, então...
Tem umas coisas que a gente foi criado de um jeito e as demandas do mundo hoje são de outra ordem. E como é que a gente dá conta disso também, sabe? Para a gente poder conseguir perceber que tem demandas que são das crianças, né? A Ru falou da pedagogia da presença, né?
Na pedagogia a gente tem muito essa coisa da escuta também, né? De você estar ali atenta para uma escuta, né? Agora, quando a gente está colocando isso, eu como mãe, será que eu escuto o que as pessoas falam? Como eu me relaciono com o mundo através da escuta, né? Eu fui hoje ao mercado e eu falo com todo mundo, né, gente?
Oi, tudo bom? Tudo bem? Tudo bom? Oi, tudo bem? Composte, né? Até composte. Pode olhar assim, meio de lá. Fala oi. Oi, gente. Um beijo. Fica com Deus. Tchau. E aí, eu fui no mercado. Eu nunca mais tinha visto a moça lá do mercado, lá da caixa. Ah, menina! Aí, não sei o que, papapá, nem posso focar que eu queria saber umas coisas. Aí, ela falou assim... Eu vi ela falando para a pessoa que estava no caixa dela. Eu não estava no caixa dela.
E ela falando para a pessoa, essa cliente, ela é maravilhosa, ela fala com todo mundo. Olha aí. E aí, na verdade, eu não falo com todo mundo para ela falar isso. Eu falo com todo mundo. Ela olhou isso. Sim. Não é? Então, assim, é o que ela está me vendo. Essa cliente fala com todo mundo.
E eu achei isso interessante, assim, sabe? E assim, isso é a imagem que a gente passa. Nessa hora eu não estava com o Bento, mas o Bento me vê me relacionando com as pessoas, como eu trato as pessoas. Certamente, certamente. Não é isso o que acontece? Como é que é?
E isso eu acho que é uma escuta Que a gente precisa ter Ampliando esse verbo, botando esse verbo bem grandão Desse escutar O que eu estou escutando do Bento, da vida, de tudo Eu gosto muito dessa
dessa possibilidade da gente estar atento aos sinais, né? E aí na sala de aula é isso, na escola é isso, né? Eu vou até brincar, gente, eu acho que escola é um negócio, né? Não sei se a Rua vai concordar. É um negócio pra dar errado, gente.
Entendeu? É pra dar errado. Bota um monte de criança ali, aí bota um adulto. Aí as crianças têm horas, gente, que, pô, só Deus, tu chama a galera e fala, ajuda aí, pô. Você botou a gente aqui, aí agora vai deixar a gente sozinha aqui. Eu não falei, nesse fato... Em casa pode ser a mesma coisa. Não é, porque isso é muita energia e a gente não tem controle do que eles vão fazer. A gente não tem controle nenhum.
A gente tem, é uma coisa que as pessoas acham que hoje nem existe tanto, mas se a gente for pensar, eu acho que existe sim. Eles têm um respeito.
tamanho pelo aquele rito, né? Tem um rito ali e eles têm um respeito por aquilo. Eles cumprem aquelas regras, entendeu? Eles fazem aquele rito, né? E é tão bonito de ver, é tão bonito, né? Quando a gente olha uma escola assim grandona, todas as turmas no pátio, eu acho assim de uma emoção. Eu sempre... Bom, eu choro também, né?
Mas eu acho uma emoção, né? Porque são os seres humanos que estão ali E você contribuindo de alguma forma para cada um Muito legal Eu queria juntar o que vocês duas falaram A Rô que está aqui em cima para mim A Adri está ali embaixo para mim Que é sobre essa presença e essa escuta
Quando que a gente... Primeira coisa, quando você fala que o Bento está vendo você se relacionar com as pessoas Eu vou dizer para você assim A gente acredita que a gente muitas vezes só está criando um filho A gente não está criando um filho Porque felizmente ou infelizmente para criança a gente é referência para tudo Então ali você está criando, como o Gabriel contou a história Você está criando um marido Obrigado
Você está criando um adulto, você está criando um cidadão, você está criando um pai, você está criando um profissional, você está criando tudo. Você não está criando só um filho. Você está criando uma pessoa para todas as áreas da vida desse filho.
Então, você está criando. Não adianta você chegar depois e falar assim, eu não estou satisfeita com o marido que o meu filho é. Meu bem, criou. Então, não para que a gente chegue lá na frente e se culpe, mas para que a gente hoje tenha essa consciência. Então, se eu estou me matando de brigar com o meu marido na frente dos meus filhos...
O que é que esses meninos estão aprendendo e que estão levando para a vida?
E a outra coisa, dentro do que vocês duas falaram, né? Que é essa coisa do estar presente e do ouvido, ter essa escuta ativa, do ver o outro. É que eu entendo, assim, que muitas vezes a gente olha para a criança não vendo a criança. A gente olha para o adolescente e não vê o adolescente. A gente olha para aquela pessoa e projeta as nossas histórias.
A gente fala muito sobre isso no Liberdade Emocional, mas muitas vezes a gente olha para os nossos filhos e vê os nossos pais, a nossa relação com os nossos pais. E a psicologia sistêmica vai falar disso, porque essas relações ficam muito misturadas.
Então, como é que é quando eu olho para o meu filho, para o meu aluno, para quem quer que seja, projetando aquela história que eu vivi? Como a Adri falou, hoje eles têm uma nova realidade. Como que eu sou capaz de ver esse aluno, essa criança, dentro dessa nova realidade?
E não se ele responde para mim do jeito que era esperado que as crianças da minha época, ou que eu na minha época, respondesse para a minha professora. Para aquela figura de autoridade. Se eu olhar para esse aluno esperando, para essa criança, esperando que ele responda do jeito que era na minha época, eu estou ferrada e ele também.
Então, a nossa capacidade de olhar para os pequenos, claro que é difícil a gente dizer assim, pô pessoal, não vamos projetar.
Não é isso. Mas assim, que a gente seja capaz de se afastar ao máximo das nossas expectativas e olhar para aquela pessoa pelo que é, pelo que está acontecendo ali, pelo que está se mostrando naquele momento. Eu acho que isso faz muito parte do meu estado de presença. Eu estou presente aqui ou eu estou presente lá, projetando aqui?
Isso também pode ser o motivo dos muitos conflitos existentes em casa, nas famílias e também na escola. Na escola a gente vê, a gente que tem esse olhar mais sistêmico, mais priorizando essa psicologia, a gente observa muitos colegas que sofrem muito nesse embate aí.
E aí a gente fala, as coisas mudaram. O celular não é o mesmo de 10 anos atrás, de 5 anos atrás. E as crianças também não são as mesmas, né? E nem deve. Não, não são. Eu tenho uma turminha esse ano de 3 aninhos que elas são super atualizadas, né? 3 anos, gente, 3 anos. O que é isso?
Outro dia eu tô sempre de colar Gosto muito de colar Outro dia eu fui sem colar e um deles falou pra mim Gia, você tá sem colar hoje? Falei, não deu tempo Coloca o colar primeiro Tipo, não coloca mais nada Três anos Coloca o colar primeiro A gente deu uma sujeição do que você deveria fazer Pra não faltar o colar
A partir de agora a tia vai colocar o colar primeiro. Tia, você não pode chegar aqui sem colar. E a lógica é interessante, né? Você sabe que agradou. O colar tá agradando. Tá agradando. Faz parte de mim já. Gente, que demais. Eu sem colar não sou a mesma pessoa. Não sou a mesma pessoa. Eu queria trazer um pouco...
Tem uma ferramenta que eu uso muito, a Pathy já viu, a Adri já viu, já utilizei com elas, na verdade, que é uma escala de consciência. Porque muito do meu trabalho, e também quando a gente fala a respeito do inconsciente, tem um alto nível de subjetividade, tem muita interpretação em cima disso. Então, eu uso essa escala para trazer o máximo de objetividade possível. Então, por exemplo...
Dentro desse contexto das relações, especialmente adultos-crianças, eu costumo olhar por três óticas diferentes. Primeiro, tem a intenção da pessoa. Então, por exemplo, qual que é a minha intenção com a minha filha? Esse é um. E aí eu considero que isso seja o sentimento verdadeiro, mesmo que essa intenção esteja inconsciente. Então, vamos dizer assim, que a minha intenção vai calibrar nessa escala ali no nível alto, que é o nível do amor.
Mas como é que acontece a dinâmica desse relacionamento? Esse é o segundo aspecto. Será que a dinâmica acompanha a minha intenção ou a dinâmica vai calibrar em outro nível, talvez ali no nível do orgulho? Como é que será que eu reajo quando a minha filha me peita? Quando ela me desafia na minha autoridade? Então, talvez o meu orgulho fale. Mesmo a minha intenção com a educação dela, com a criação dela sendo o amor,
o orgulho vai se manifestar na dinâmica. Ou a culpa, talvez. E a terceira dimensão que eu olho, quando eu vou analisar questões de relação, é a percepção da pessoa diante do fato. Porque tenho a minha intenção, tem como se estabelece a dinâmica e tem como eu vejo. Porque eu posso estar na ilusão completa de tudo isso. Porque eu posso estar aqui...
Educando a minha filha com base num nível bem baixo de consciência, ou seja, num nível de culpa, onde eu vou criando nela, esculpindo nela uma mentalidade onde ela está errada, com críticas, cheio de cobranças excessivas. Mas eu estou enxergando isso como sendo o mais perfeito dos trabalhos que eu estou fazendo como pai.
E eu acho interessante que é justamente essa dinâmica. Eu tenho aquilo que é verdade, eu tenho aquilo que está no meu interior e é verdade, eu tenho como a relação estabelece e tenho como eu enxergo. Eu posso estar completamente iludido em relação a tudo isso. Perfeito, Gabriel. E olha, dentro disso que você está falando, que eu acho sensacional, eu me lembro muito de olhar para minha mãe e ver as minhas faltas na criação dela.
Gente, os pais na nossa época para trás, eles eram presenças ilustres, né? Fala sério. Eles eram adultos, adultos e as crianças lá. Não era misturado assim, desse jeito que é hoje, né? Era diferente. E um dia, sem falar nada, né? Sem ser nada relacionado comigo, um dia minha mãe me falou.
Que os pais dela eram muito secos Que ela foi ganhar um beijo do pai dela Sei lá com que idade Mas que ela já foi muito diferente Com os filhos dela E aí, num outro momento A minha avó, que hoje tem 105 anos Disse pra mim, do nada Sem escutar essa conversa da minha mãe Ela disse assim Meus pais eram muito secos Mas eu já fui diferente com os meus filhos
Então, essa coisa que o Gabriel está falando, né? Da intenção mesmo na inconsciência. Então, a psicologia sistêmica, ela vai dizer que o sintoma não é da criança. O sintoma é do sistema, ele é da família.
A criança, quando você fala assim, não, vou mandar o meu filho para terapia, ele é só o paciente identificado com o sintoma do sistema, da família. Então, muitas vezes, quando você atende uma criança, eu particularmente, eu não atendo crianças.
Mas assim, ouvindo as minhas colegas falando E eu imagino isso Você quer mandar a mãe e o pai pra terapia E veja, quando eu engravidei do meu segundo filho Eu fui pra terapia Eu cheguei à conclusão que se eu queria ter filhos resolvidos Eu precisava me resolver Há 24, 25 anos atrás UAB
Por isso, né? Que diz que de boa intenção o inferno está cheio. Então, assim, eu acho sensacional. Eu acho que não é à toa que a gente saiu da caverna. Imagina uma geração após a outra querendo fazer melhor com a próxima geração. E isso tudo é lindo. Mas eu acho que quando a gente começa a ter a consciência de que a gente pode ser o problema e não a criança,
Aquilo se abre. E vocês que estão comigo no dia a dia, no Liberdade Emocional, vocês sabem que eu, por uma, adoro quando eu chego à conclusão que aquilo que é importante para mim está nas minhas mãos para ser resolvido. Bom, eu fiquei aqui... A minha cabeça está aqui com um monte de coisas, né? Mas eu vou me controlar.
Porque eu acho que, por exemplo, eu acho que caberia aqui uma discussão do ponto de vista da teologia, uma discussão histórica aqui, de práticas, de como é que isso tem se dado e tal. Eu acho que caberia aqui uma discussão do que as famílias, na verdade, hoje...
como as famílias se relacionam. Tem uma questão do nível social, dessas famílias que não têm acesso, dessas famílias que têm acesso. Acesso a quê? Ou o acesso econômico, né? O sócio econômico, né? Sim, mas acesso a...
Acesso à alimentação, acesso à cultura, acesso a transportes, acesso a formas de se relacionar, né? E aí eu acho que há uma diferença grande às vezes, né? Das crianças que vivem em comunidades, por exemplo, de crianças de classe média, né?
E eu vou puxar o fio dessas crianças que eu estou, porque nos últimos anos eu trabalhei muito mais com classe média do que com criança de comunidade, né? Trabalhei há um tempo atrás com crianças da comunidade, né? Numa cidade aqui do Rio chamada Duque de Caxias, enfim.
E aí, eu fico pensando hoje, a gente escuta umas coisas na escola, que às vezes você tem vontade de sair correndo. Essa é que é a verdade. Você fala assim, ai meu Deus, o que eu estou fazendo aqui? Não é melhor? É, sei lá. Eu sempre ficava brincando disso, né? O melhor está vendendo um coquinho na praia, mais relaxada, né? Estou decidindo ensinar a gente. Porque assim, hoje existe uma flexibilidade.
No que se refere à regra,
Que é um troço assim, sabe? Que parece que tudo pode, né? Dependendo com quem você fale, tudo é possível, né? Tudo é possível. Então, tipo assim, não, não acredito. E assim, a escola, ela às vezes, assim, eu vou exagerar, mas é quase pedindo desculpas para dizer que está fazendo ali algo, sabe? Então, assim, existe uma...
uma permissão hoje colocada, eu acho que isso é algo que a gente precisaria conversar mais, sabe? Porque o que eu estou permitindo? Como é que eu estou permitindo? E aí tem umas brincadeiras das minhas amigas, né? A mãe fala assim, olha, encarnei a mãe dos anos 80 e falei, não vai nada!
Não é todo mundo É uma palhaçada e tal Porque a gente brinca, né? É claro que ela não falou desse jeito, a gente exagera pra ficar engraçado Pra gente rir um pouco também, né, gente? Que tem que rir na vida Que tem horas que você tem que rir, né? Na vida, que senão se levar muito a sério, né? Mas é sério pra caramba Porque, por exemplo Hoje eu atendi uma família E a pessoa falou assim Gente As crianças estão com o celular na sala?
Eu falei, não, gente, não tem ninguém celular, até porque é proibido celular na sala, não sei o que. Não, mas eles têm celular, porque o meu chegou em casa e falou assim, todo mundo tem celular, menos eu. Agora, como é que eu converso com as pessoas? Aí, eu senti que, pô, aquilo... Aí ela falou, eu não quero dar celular, eu já mostrei pra ele não sei o quê, e eu vou ter que dar celular?
Tudo bem, a gente conversou, chegamos a uma conclusão, ela não ia dar mesmo e tal. A mãe respirou. Isso, você está entendendo? Então, assim, ela precisou respirar, precisou escutar, precisou se colocar disponível, queria escutar o outro. Aí ela falou, Adriana, você deu celular para o Bento? Porque eu estou sabendo que você deu celular para ele. Eu falei, não, não dei celular para ele.
Entende? E assim, ela estava fazendo isso na melhor das suas intenções, sabe? Mas você percebia nela um desconforto total, como é que ela ia fazer aquilo, se tivesse, como é que ela ia se posicionar diante daquilo. E eu fico assim, por que eu estou colocando essa questão que é bacana a gente perceber o ponto de vista histórico? A minha mãe!
Se decidisse que não ia ter o celular, o planeta poderia ter celular. Minha mãe estava convicta que não era para ter celular. Então, assim, ela não iria ter dúvidas. Ela ia falar assim, o quê? Todo mundo tem? Que se dane você na todo mundo?
Você não é todo mundo Então assim Não iria rolar A minha mãe não tinha dúvidas E eu confesso que eu tenho muitas Não é? Tenho muitas E isso é bom, por um lado, é ótimo Porque você está se questionando e tal
Mas por outro... Está aberta, né? Isso. Mas por outro, a gente vive uma certa insegurança também, sabe? Insegurança. Não é desse ponto de vista assim, mas o que está valendo, na verdade? O que está valendo? O que realmente é importante? Onde é que eu fico? E aí eu concordo com você nessa ideia. E as crianças estão vendo isso, né? Isso. Voltando aqui para o nosso...
A criança está vendo isso. E ela está vendo exatamente que o seu limite é extenso. É que nem o Gabriel falou, porque quando a minha filha me peita com 9 anos, com 8 anos, com 9 anos, é orgulho. Não, não é orgulho. Não. Pode deixar, não.
Então a gente acaba, às vezes, permitindo coisas que, gente, destrói o relacionamento. Destrói o projeto. Destrói o projeto. Ah, mas por que você? Das vezes que raramente eu gritei com o filho. Ah, porque... Não, você não vai gritar comigo, não. Ah, porque você gritou comigo, eu posso. Até prova em contrário. Não sei se existem outras vidas, mas nessa aqui, quem pariu você fui eu.
Não vice-versa. O dia que você me parir, aí a gente conversa diferente. Agora, dessa vez, não. Dessa vez, não vai ser assim. Gente, se a gente não coloca limite em adulto, a gente aqui cria problemas seríssimos, se a gente não coloca limite em criança, o povo acha que pode? Não pode. Não pode.
Eu sempre lembro pra minha filha, quando é necessário, quem que é a mãe aqui? Você tá falando com quem? Sou sua amiguinha, não. Não sou sua coleguinha. Isso eu preciso falar muito, às vezes, pra minha filha. Digo pra ela, não me confunda com suas amigas. Digo, sou seu pai. Eu tenho que falar sim, né? Porque senão... Tem que falar com as respostinhas, assim que vai aprendendo com as outras.
E aí a gente tem que chegar e colocar no lugar. Vão experimentando, né? E eles aprendem onde que eles conseguem, né? Até onde eles conseguem? Eles sabem. Eles vão abrindo, vai abrindo. Eu acho que isso é um ponto-chave, assim, que eu entendo que a gente possa dar...
como um princípio, como fundamento, sei lá. Mas uma questão é você estar convicta daquilo que você está fazendo, sabe? E você está fazendo por quê, aonde você quer chegar, quando você quer chegar, como você quer chegar. E eu acho também que filhos, eles nos convidam a botar a sandália da humildade. Antigamente se dizia, bota as barbas de molho, né?
Porque eu acho que a humildade é do tipo, não sei nada, não sei como vou resolver esse pepino, só sei que eu vou resolver. Eu tinha uma amiga, como eu sempre trabalhei com gente mais velha que eu, ela já era mãe, já de adolescente naquela época, né? E ela falava assim, essa minha amiga que eu tô pensando, ela tinha duas, né? Uma super bacanuda e a outra o O do Boró Godó, né?
E a Uolva Aragodó sempre deva problema pra ela. E ela falou assim, o dia... Ela sempre falava isso. Claro que não, não fazia. Mas o dia que eu não souber o que fazer, sabe o que eu vou fazer com você? Eu tranco você no quarto até eu saber o que eu vou fazer. Eu tranco você lá e você vai ficar lá trancada e eu vou pensar o que eu vou fazer. Aí eu abro o quarto.
Assim, claro que ela não ia fazer isso E tal, lalala Mas ela, assim, tinha plena consciência De que ela teria que Tomar uma atitude em relação àquilo Qualquer que fosse a atitude Depois a gente ficava Didatizando isso, né? Roda de professor sempre tem, né?
Essa coisa de ficar didatizando tudo, né? Então, aí não, aí faz assim, faz assim, não, e aí a gente vai conversando, né? E até dialogando pra poder chegar. Mas eu acho que essa ideia de que você realmente não sabe, né? Você tá ali nesse projeto, que eu adorei essa ideia, nesse projeto que você, na verdade, não sabe quais são as metas no sentido mais prático, como disse o Gabriel. Você sabe as grandes metas, né?
Quer que seja, um ser humano bacana, não sei o quê, lululululá. Mas no cotidiano ali, no Vukvuk, por exemplo, agora aqui. Deus é pai. O pai acabou de chegar e está tomando ali. Mas aqui, ela, posso fazer uma besteirinha no YouTube? É só uma besteirinha. Então, é isso que vocês estão fazendo o negócio aqui. Tomou ao vivo e a cores, né? Agora, é isso, né? Dentro disso que você está falando, do projeto. Tá?
A gente, se os nossos filhos, se eles forem as crianças que a gente quer que eles sejam, possivelmente eles não vão ser os adultos que a gente quer que eles sejam.
A gente quer que eles sejam crianças submissas, boazinhas, emotivas, empáticas, exageradamente empáticas, que queiram cuidar do mundo inteiro. Esse adulto vai ser pau mandado, vai ter pena de todo mundo, não vai se permitir construir nada para ele, não vai ter coragem, não vai para o mundo, simplesmente não vai para o mundo.
Então, é bom demais quando eles desafiam. Por isso que eu falei lá atrás. O nosso projeto de vida, meu e da Ana Laura, é a vida da Ana Laura. É o nosso projeto. Porque eu preciso levar em conta o que ela quer ser, o que ela precisa ser. Então, teve um dia que eu estava incomodadíssima. Eu contei para vocês que eu estava incomodadíssima com o comportamento da minha filha quando a gente foi visitá-la. E depois eu falei assim, gente?
Esse é o comportamento que ela precisa ter para viver a vida que ela vive. Eu só estou ali incluída na vida dela. Ela não está se comportando desse jeito que é comigo.
Eu não estava fazendo nada de errado, nada demais. Era só uma coisa que me incomodou. Então, ela estava indo rápido demais. A gente estava lá tentando, a bicha lá andando e fazendo as coisas. E ligada no 220 e a gente tentando acompanhar. E aí eu comecei a me incomodar e falei assim, não. Ela está no lugar dela.
Na vida dela, do jeito dela, do jeito... Ela só não reparou ainda que ela está num momento diferente. Mas se ela fosse do jeito que eu queria que ela fosse, ela não viveria tudo que eu acho o máximo que ela vive.
Então, a gente cria filho dependente, filho, enfim, muitas vezes o que quer que seja, e chega lá na idade adulta, a gente quer que ele seja um oposto, que tenha atitude, que seja autêntico, que seja isso, seja aquilo. Não vai acontecer. É uma falta de coerência gigantesca, né? Sim. Mas, novamente, né, Gabriel, é com boa intenção. É.
Porque a gente não tem consciência. Exato. Nós temos um... Uma coisa que a gente tenta muito olhar isso aqui é justamente esse aspecto. Porque a minha filha tem muita... É muito imperativa. Ela tende a ser muito dominadora. Mas eu sei que existe uma vantagem muito grande nisso para ela na vida.
O que a gente precisa fazer aqui é o trabalho de dosar isso, né? E voltando essa questão. Mas vamos lá, já estamos quase finalizando aqui. É o que é natural para ela e é isso. Dosar isso aí, perfeito.
O que será, pra que será na vida dela que isso vai ser útil, né? E a gente tenta pegar os nossos filhos ou os nossos alunos, no caso, não vou dizer, né? Vocês que digam aí, mas transformá-los em outras pessoas, porque dá trabalho. Nossa! Dá trabalho ter aquele mundo de indivíduos.
Então a gente quer... Os indivíduos individuais. Então a gente quer nivelar todo mundo, né? Eu digo até pra algumas pessoas assim, que não me contaram a verdade sobre ter filhos. Só diziam assim, olha, dá trabalho. Mas não disseram o tanto de trabalho. Vou te dizer.
Eu penso isso, Gabriel. Fala, Paty. Não, é só que assim, vocês três tiveram um, né? É, você teve três, hein? Eu tive três. Não, mas veja, às vezes eu acho que um pode ser mais difícil. Sim. Minha mãe diz isso. Sozinho. Pode ser. Porque a atenção se volta pra nós, né? É. Sabe? E pra eles também, você precisa estar alimentando o tempo todo.
Agora, gente, tem uma parada que você, Paty, você que já está, né? Eu e o Gabriel nem tanto, mas a Rua que já está com o filho mais velho, você então que já são adultos. Eu acho que tem uma parada que é bacana que a gente vai percebendo, né? Que as crianças, isso a gente percebe muito na escola. Ainda mais em escolas que a gente fica muito tempo, né? As crianças ficam muito tempo lá.
que elas vão crescendo ali, é tão lindo de ver quando eles começam a se posicionar, a olhar, a dialogar com você, a questionar coisas, a dizer não, mas por que você está falando isso? Por que você está fazendo desse jeito? Será que a gente pode? Não poderia... Vamos inventar uma outra forma, né? É tão bacana!
De olhar, eu... Eu acho que tem muitos processos super lindos na escola, né? A gente vê isso muito na escola. E até porque a gente vê no coletivo, né? Mas eu acho que quando as crianças aprendem a ler, sabe? A ler, a escrever também, mas a ler. O cara pega o negócio e fala assim, eu sei ler isso aqui. Gente, eu choro horrores.
horrores. Eles pegam aquilo e falam, eu sei ler. Aqui, ó. O que é o grupo?
Eu sei ler. E aí é bacana, porque às vezes ele não sabe tanto, tem toda uma questão da leitura, né? Ele não sabe ainda que o grupo de grupo é o mesmo G de, sei lá, de gol. Ele não sabe às vezes isso, mas ele memorizou aquilo de alguma forma e tal, e aí ele entra nesse mundo da leitura, né? E eu acho que isso é fantástico. E é um processo de autoafirmação também importante, né? Sim.
Nossa, total, assim. Esse também, isso é um movimento que eu acho lindo. E o movimento de quando as crianças começam a andar. Elas saem daqui, desses quatro apoios, e viram bípedes e olham para o mundo. Vê que é correr, né? Vê que é correr, né? Vê que é muito bom. Não é? Vai correr, vai correr, vai correr, vai correr. É lindo, né? Porque você imagina, a criança está aqui, né? Está no quatro apoios, né? Aí ele está olhando o mundo de um jeito.
Ele fica ereto Ele torna outro mundo, né? Isso é de uma beleza, né? Isso é de uma beleza Eu hoje Já tinha certeza disso Hoje eu tenho mais ainda com filho, sabe? O desenvolvimento dos seres humanos É muito lindo E eu acho que a gente precisa De alguma forma
ficar... A Patrícia fala isso direto pra gente, né? Da gente ficar feliz com aquele momento, sabe? Hoje eu comprei um lanche pro Bento e a gente comprou e ele mãe, você não gostou desse suco de uva, né? Eu falei, achei ruim ele. Eu sabia, ele eu vou estar escarado pra você. Gente!
Ele está te vendo. Não é isso. Veja, ele está te vendo. Esse é muito açucarado para você, mãe. Muito legal. Porque você não ia gostar. Isso é muito legal, né? Isso é muito legal. Uma criança de oito anos. Se ele tivesse quatro, ele não falaria isso. Ele falaria outras coisas. Mas a gente sempre fica ressaltando uma infância, né? Piquititita e tal, do chamego e tal. Mas ele vai crescendo e vai te dando outras possibilidades, né? Não melhora, gente.
Vai ter outros vídeos O tempo aí, o Gabriel já tinha lembrado E aí chega o momento que eles ficam grandes Que eles vão voar os voos dele Aí a mãe termina a live E vai pro boteco com o marido que tá esperando Não é só ruim não, tá? Tem o lado bom também Passa tudo, tudo isso passa
É isso. Cada coisa tem seu momento. E hoje, finalizando aqui também, lendo alguma coisa sobre pra hoje, é bom a gente saber que sempre é tempo de a gente mudar de mudanças. A gente fazer esse olhar. Eu olho, então vamos mudar e se abrir pra essa mudança. Pra dar o resultado que a gente tá esperando. É isso. Eu não poderia encerrar com melhores palavras.
Não é sobre o que aconteceu até agora É sobre daqui pra frente Sim O que eu posso fazer daqui pra frente? E eu acho que quando entra aquela consciência Que o Gabriel falou Ah, era inconsciente
Mas a melhor coisa que a gente pode oferecer para um filho, ou para um aluno, ou para quem quer que seja, é a nossa consciência. É a gente identificar aquilo que está lá no fundo escondido, que está inconsciente, e que a gente comece a olhar e a identificar e a ver que poderia ser diferente. Eu acho que isso, para mim, sempre substituiu a culpa. Eu não me sinto culpada por ter feito de um jeito que hoje eu não aprovo, mas naquele momento eu aprovava.
O melhor que eu sabia. Eu me comprometo de estar aberta para do momento que eu consigo identificar eu estou aberta, calço como diz a Adri, a sandália da humildade para fazer de um outro jeito. E está tudo bem.
A gente não falou isso, mas olha só, meu povo, minha pova, a gente vai conversar mais sobre essas coisas todas. Nós somos um movimento, uma galera. Nós somos um movimento. Nós somos um grupinho.
Muito bom, né? A gente vai começar mais vezes. Então, vai estar se iniciando aqui um bate-papo bacana com professores e famílias. Fundamental aí para a gente poder abrir esses horizontes, né?
E com certeza trocar, né? Porque eu acho que essa ideia, né? Na pedagogia fala dialógico, né? Essa coisa de você, esse diálogo, né? Não ser um monólogo, mas ser um diálogo como a gente acabou de fazer aqui. Acho que é importantíssimo nos momentos de hoje, né? Pra gente poder conversar sobre essas mudanças que a gente vai ter que fazer, né, Rô?
Sim. Essas mudanças, elas vão... É inevitável, né? Inevitável. Necessário. Não é necessário. E como é que a gente se apoia e troca para poder ter pistas de como é que eu vou fazer, né? Como é que eu vou estar vivendo esse processo, né? Muito bom, muito bom. Gabriel, gostaria de dizer alguma coisa? Gente, para encerrar, uma coisa que eu acho que faz muito sentido para esse momento é o seguinte.
Aquilo que a gente nega, aquilo que a gente se recusa a enxergar, nos domina. Então, vamos trazer justamente essa questão de trazer para a consciência, tirar do inconsciente para a consciência. Para a gente conseguir avançar. Show de bola. Ainda bem que eu tenho sessão amanhã.
Eu já tive essa semana Tá tudo certo Todo mundo tá medicado Todo mundo Todo mundo terapeutizado Todo mundo Então assim, olha Desculpa, Adri, pode falar Não, não, só falei muito bom
Eu ia dizer, quem não está seguindo essa galera aqui, gente, sigam. Porque tem muita coisa boa para acontecer. Gabriel, a gente tem o link do Verdades Livres no link da Bi? Eu não me lembro agora. Vamos conferir, mas se não tiver, é só mandar mensagem para um de nós quatro, que a gente manda para você, tá? O link do Verdades Livres. Por enquanto, lá é a nossa comunidade. É um grupo de WhatsApp, né?
No WhatsApp, em que a gente coloca lá todos os conteúdos, todas as novidades, tudo que a gente está fazendo. E daqui a pouco, amanhã, provavelmente, essa live vai estar no Spotify. Então, sejam todos muito bem-vindos. É um prazer estar aqui com vocês. E nos próximos meses nós vamos falar mais sobre temas relacionados a pais e educadores.
E vai ser uma delícia. Convidem as pessoas que vocês amam, que vocês acreditam, que podem aproveitar essa nossa iniciativa. Tamo junto. E comenta aí nessa live, né? Comenta na live o que você achou, que sugestões e tal.
Você gostaria de saber, de falar? Sim. Marca aquelas pessoas que você gostaria que visse. Isso. Porque é isso que a gente quer fazer, né? A gente tem muita coisa para acrescentar, muita coisa para trazer para vocês. E eu acho que é isso. A gente está aqui exatamente porque a gente quer espalhar aquilo que é bom. Vamos de verdade fazer esse movimento, né? De trazer essa consciência e esse desejo de...
Auxiliar aí o que for possível. Isso mesmo. Só para confirmar o link da sua bio, do grupo do Verdades Livres. Então é só clicar lá. Muito obrigada, Gabriel. É só clicar lá e entrar no grupo público do WhatsApp. Rô, você vai falar alguma coisa?
É só agradecer mesmo, né? Esse momento, esse bate-papo, que a gente cresce muito com isso. E é muito bom poder contribuir e aprender. Gratidão. E agradeço a todo mundo que estava aqui com a gente até agora. É, tem minhas amigas aí, eu vi elas aí. Oi, oi, tchau, obrigada. Muito bom. E é uma honra estar aqui com vocês.
A honra é toda minha. Toda nossa. Toda nossa. Beijos, até. Beijo, tchau, tchau. Peraí, deixa eu te dar uma foto. Peraí. Aê, que eu vou precisar pra capa. Tchau, pessoal. Beijo. Tchau, tchau.