#514 - Khalil Gibran - Como Enlouqueci?
Poema de Khalil Gibran.
Khalil Gibran (1883-1931) foi um escritor, poeta e artista libanês, conhecido por suas obras espirituais e filosóficas.
Nascido na cidade de Bsharri, no Líbano, em uma família maronita cristã, Gibran emigrou com sua mãe para os Estados Unidos aos 12 anos. Lá, viveu em Boston, onde começou a explorar sua vocação artística e literária. Após estudar arte em Paris, ele combinou influências ocidentais e orientais para criar um estilo único.
Gibran abordava temas universais como amor, liberdade, espiritualidade e a interconexão da humanidade. Seus textos, frequentemente escritos em linguagem poética, celebram a beleza da vida, a busca interior e a harmonia com o divino. Em O Profeta (1923), ele compartilha reflexões profundas por meio de um personagem sábio que oferece conselhos sobre aspectos da vida cotidiana, como amizade, trabalho e morte, incentivando os leitores a viver com autenticidade e propósito.
Considerado o terceiro maior poeta em vendas de todos os tempos (atrás somente de Lao-Tsé e William Shakespeare), Gibran foi creditado como o responsável pelo renascimento da literatura árabe. Sua mensagem universal de amor e unidade transcendem barreiras culturais e religiosas, consolidando-o como uma voz atemporal da literatura espiritual e filosófica.
- Poema de Khalil GibranA perda das máscaras e a busca pela liberdade · A loucura como refúgio e forma de autenticidade · A compreensão alheia como forma de escravidão
Perguntais-me como enlouqueci. Aconteceu assim. Um dia, muito tempo antes de muitos deuses terem nascido, despertei de um sono profundo e notei que todas as minhas máscaras tinham sido roubadas.
as sete máscaras que eu havia confeccionado e usado em sete vidas. E corri sem máscaras pelas ruas cheias de gente gritando — Ladrões! Ladrões! Malditos ladrões! Homens e mulheres riram de mim e alguns, com medo, correram para suas casas.
E quando cheguei à praça do mercado, um garoto trepado no telhado de uma casa gritou. É um louco! É um louco! Olhei para cima, para vê-lo. O sol beijou pela primeira vez, minha face nua.
Pela primeira vez, o sol beijava minha face nua. E minha alma inflamou-se de amor pelo sol. E não desejei mais minhas máscaras. E como num transe, gritei.
Benditos os ladrões que roubaram minhas máscaras. Assim, tornei-me louco. E encontrei tanto liberdade como segurança em minha loucura.
a liberdade da solidão e a segurança de não ser compreendido. Pois aquele que nos compreende escraviza alguma coisa em nós.
E aí