Debate das dez 01/09/26 - Entrevista com Paloma Araújo, psicóloga e coordenadora do CAPS Infantil de Afogados da Ingazeira, e Juliana Ferreira, neuropsicopedagoga.
No Debate das Dez, dentro do Manhã Total desta terça-feira (1º), na Rádio Pajeú, o comunicador Nill Júnior recebeu Paloma Araújo, psicóloga e coordenadora do CAPS Infantil de Afogados da Ingazeira, e Juliana Ferreira, neuropsicopedagoga.
As profissionais participaram de uma conversa sobre o Setembro Amarelo, campanha que busca quebrar tabus, ampliar o diálogo sobre saúde mental e alertar para os sinais de sofrimento emocional.
Durante a conversa, Paloma Araújo destacou que muitas pessoas estão adoecidas emocionalmente, mas nem sempre conseguem perceber ou reconhecer que precisam de ajuda. A psicóloga ressaltou que o Setembro Amarelo não deve ser tratado apenas como uma campanha relacionada à prevenção do suicídio, mas também como um momento de reflexão sobre a qualidade de vida e sobre o que pode ser transformado na rotina de quem está enfrentando algum tipo de sofrimento emocional. Paloma chamou atenção ainda para a importância da família nesse processo. Segundo ela, quando uma pessoa recebe um diagnóstico ou orientação profissional, não basta apenas o acompanhamento individual: muitas vezes, é necessário mudar também a dinâmica do ambiente em que ela vive. Para ilustrar, a psicóloga comparou a saúde mental a uma situação de alergia. Quando uma criança apresenta alergia a um animal, por exemplo, a família busca imediatamente modificar o ambiente para proteger a saúde dela. Na saúde mental, segundo Paloma, nem sempre existe essa mesma disposição para mudar situações, comportamentos e relações que podem contribuir para o adoecimento. A profissional defendeu mais diálogo, escuta e atenção dentro de casa e reforçou que, embora setembro seja um período de maior mobilização, a saúde mental precisa ser discutida e cuidada durante todo o ano.
Já Juliana Ferreira chamou atenção para os impactos de uma sociedade cada vez mais acelerada e voltada ao consumo. Segundo ela, muitas pessoas acabam acordando diariamente com o objetivo de cumprir metas financeiras e de consumo, deixando em segundo plano a qualidade de vida e as relações humanas. A neuropsicopedagoga destacou que, no passado, apesar das limitações financeiras, havia uma maior convivência coletiva e proximidade entre familiares e amigos. Como exemplo, lembrou momentos da infância em que atividades simples, como colher milho e preparar uma pamonha, reuniam várias pessoas em torno de uma experiência compartilhada. Para Juliana, a facilidade e a rapidez da vida moderna também podem contribuir para o afastamento do coletivo, reduzindo momentos de convivência, diálogo e troca. Ela ressaltou ainda que é importante refletir sobre a diferença entre quantidade e qualidade de vida, buscando desacelerar e compreender quais hábitos realmente fazem bem. Segundo Juliana, a ansiedade pode estar relacionada a diferentes fatores. Em alguns casos, pode envolver transtornos e questões genéticas, mas também pode ser construída a partir do próprio ritmo de vida e das condições em que as pessoas estão inseridas. A profissional defendeu a necessidade de repensar essa rotina acelerada e criar espaços de convivência e cuidado como parte da atenção à saúde mental.