Episódios de Política internacional para apressados

E mais um novo primeiro-ministro

06 de agosto de 202646min
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Andy Burnham tem um desafio e tanto pela frente como novo primeiro-ministro britânico, mas ele não é novato nessa jornada de novas experiências. Como membro do partido trabalhista há mais de 40 anos, ele já passou por diversos cargos, sendo o mais recente um dos mais desafiadores, como o novo prefeito da Grande Manchester.

Por lá ele conseguiu grandes avanços em:

Transporte Público (Bee Network | Powered by TfGM)

Assistência Social (A Bed Every Night scheme | What we're doing now | Manchester City Council)

Gerenciamento da Crise Imobiliária

Gerenciamento da crise de Saúde Pública

Todavia, seu governo não foi só coisas boas, ele também teve respostas lentas sobres crises em seus sistemas de policiamento, além de dificuldade na contenção de emissão de gases poluentes.

Hoje, a missão é mais árdua e longa, com objetivos diferentes e mais audaciosos à frente do governo britânico. Veremos como ele se sai, e quais são seus desafios.

#ReinoUnido #AndyBurnham #GrandeManchester

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ABAndy Burnham

Fala, seus apressados e suas apressadas, tudo bem com vocês? Espero que sim. Chegando para mais um episódio deste podcast, episódio este que está sendo gravado a partir de um texto, tá? Se você está chegando agora no Política Internacional para Apressados, eu tenho um blog escrito, então eu escrevo nesse blog, posto no blog, tá? Então, blog no mesmo nome também do podcast, Política Internacional para Apressados, e eu vou lendo o texto e dando alguns pitacos durante essa gravação, tá certo?

E no episódio de hoje vamos falar de mais um novo primeiro-ministro no Reino Unido. Já são 7 novos primeiros-ministros e primeiras-ministras no Reino Unido, um cenário que pré-Brexit, em 2015, 2016, ali não era esperado nem nos piores pesadelos dos ingleses mais fervorosos ou dos ingleses conservadores, podemos dizer assim, que conservavam ali uma integridade do seu território, da sua migração, do seu trabalho, tá? Mas que vem se confirmando a cada quase 2 anos ali uma mudança de primeiro-ministro, tá?

Vamos recapitular então duas coisas. Vamos recapitular primeiro o Brexit, depois a gente recapitula quais foram os primeiros e primeiras-ministras que já passaram pela 10 Downing Street, que é onde ficam os primeiros-ministros e primeiras-ministras ali dentro do poder político, tá bom? Bom, vamos falar um pouquinho de Brexit então. Em 2016 houve um referendo popular e o voto a favor da saída do Reino Unido da União Europeia. Ou seja, a população britânica voltou, votou para que o Reino Unido saísse da União Europeia.

Foi uma votação bem tênue ali, bem uma diferença mínima. Se eu não me engano, foi 53%, 55% que votaram a favor da saída do Reino Unido e 45%, 47% das pessoas votaram contra, tá certo? Um ano depois, em 2017, um pedido escrito de retirada com aviso prévio de 2 anos para formalização. Então o governo do Reino Unido enviou um pedido escrito para a União Europeia avisando, ó, preciso de 2 anos para formalizar a minha retirada e sair.

Ou seja, em 2019 ali eu quero sair formalmente da União Europeia. Passados 2 anos, no dia 20 de março de 2019, o Reino Unido pediu uma extensão desse período de retirada para dia 30 de junho de 2019. Bom, um mês depois, um pouquinho menos de um mês depois até, em 10 de abril de 2019, mais um pedido de extensão para retirada que foi acatado pela União Europeia para dia 31 de outubro de 2019. Chegando bem perto dessa data, dia 19 de outubro de 2019, algumas recusas internas na Câmara dos Comuns e um novo pedido formal de extensão da retirada, tá?

Então alguns ajustes ali que ficaram pelo caminho precisavam ser feitos para que o Reino Unido de fato ele tivesse uma saída formalizada. Aí no dia 28 de outubro, ou seja, 3 dias antes da factível retirada do Reino Unido da União Europeia, a União Europeia aceitou uma extensão e ela deu como data limite o dia 31 de janeiro de 2020. Depois disso vocês ficam e não se fala mais disso, tá? Vocês podem fazer referêndum, espernear, fazer o que vocês quiserem, mas vocês não saem mais da União Europeia.

Chegou a fatídica data do dia 31 de janeiro de 2020, em um dos piores momentos da COVID-19 para o Reino Unido, e foi formalizada a saída da União Europeia. E início então de, ao meu ver, um declínio econômico e político na ilha, tá? Sem contar um declínio de saúde, né, um declínio ali pandêmico, mas também econômico e político, que guinou para o que hoje a gente vê, que a Inglaterra e esse caos político que se instaura na ilha do noroeste da Europa.

Bom, vamos falar então agora um pouquinho dos primeiros e primeiras-ministras que passaram no Reino Unido. Então, de 2010 a 2016 tivemos o David Cameron. David Cameron, esse que propôs o Brexit e fez o referendo em 2016. Ele saiu em 2016, tá, logo depois do referendo, e no lugar dele entrou a Theresa May, que ela teve que lidar com essa situação do período de aviso prévio do Brexit e pedir encarecidamente para um aumento do tempo diversas vezes em 2019. 2019 também, ano esse que ela saiu, ela saiu do cargo de primeira-ministra e deu lugar ao Boris Johnson, que ficou de 2019 a 2022.

E se o Boris Johnson fosse o personagem da saga Game of Thrones, ele seria Boris Johnson, The Crazy One, pelos seus cabelos rebeldes e pelas festas clandestinas durante a pandemia. Então diversas notícias ali saíram tanto na pandemia quanto depois de que todo o staff do Boris Johnson, ministros, secretários, entre outros, e o próprio Boris Johnson fizeram festinhas clandestinas ali na 10 Downing Street. Em outros lugares de Londres.

O Boris Johnson, devido a todas as consequências da pandemia e tudo que circulava sobre ele, ele saiu em 2022 e ele deu lugar a Elizabeth Truss, que infelizmente ficou nem um ano no poder. E eu sinceramente, eu acho que ela viu a casa lá de 10 Downing Street como a vacância no Airbnb. Ela resolveu alugar a casa por alguns meses durante o ano de 2022, tá? E aí ela alugou por alguns 6, 7 meses e saiu da casa, devolveu para inquilina.

Dito isso, em 2022 entrou o Rishi Sunak, o primeiro descendente indiano a subir ao cargo mais alto do governo britânico, mas que pouco conseguiu fazer em seus menos de 2 anos. Ele saiu em 2024, dando lugar ao Keir Starmer, que foi praticamente um peão no cenário internacional, se rendendo muito às políticas tanto de Washington quanto de Kiev. E agora temos um novo primeiro-ministro que não sabemos quando vai durar. Ele já tá durando ali quase que 2 meses, isso é um sinal bom, que é o Rishi Sunak, que ele vai ter um belo desafio pela frente de tentar reposicionar o Reino Unido no cenário político internacional, resolver questões internas e assimilar também algumas parcerias que foram formalizadas pelo Keir Starmer, parcerias essas ultramarinas com Índia, China, Austrália, e Estados Unidos, tá bom?

Bom, feito isso, tanto recapitulando o Brexit como a lista um pouco extensa de primeiros-ministros e primeiras-ministras, né, vamos aos desafios de Andy Burnham à frente de uma ilha decadente, se é que podemos falar assim. Bom, o atual primeiro-ministro Andy Burnham nasceu em janeiro de 1970, portanto ele tem os seus 56 anos. Ele é natural de Liverpool, região nordeste ali da Inglaterra, quase fazendo fronteira com a ponta norte do País de Gales.

E que ela tem certa rivalidade com a cidade, a região que ele fez muito sucesso politicamente, tá certo? O atual premier britânico, ele foi criado em uma família católica e ele vai ser o primeiro premier assumidamente católico em mais de 450 anos. Olha isso, desde, se eu não me engano, Catarina II, que era assumidamente católica, ela queria tentar reinar sobre os protestantes na ilha do Reino Unido. Desde ela, nenhum premier ou primeira-ministra foi assumidamente católico, e o Andy Burnham, ele vai ser o primeiro em 450 anos.

Vale lembrar também, como eu já comentei agora pouquinho, de que essa é uma região, o Reino Unido, País de Gales, Escócia, Irlanda do Norte, Irlanda, é uma região que católicos e protestantes ainda são rivais. Para quem conhece de futebol, principalmente na Escócia, Celtic e Rangers, eles são rivais ali dentro de campo e fora de campo também, muito por conta das religiões defendidas por cada bairro em que situam os times, tanto de Celtic e de Rangers.

Importante ressaltar também, tá, que mesmo o Burnham sendo um católico frequentador de missas e tudo mais, ele nem sempre defendeu questões da igreja. Em um momento ele disse publicamente que a igreja é áustra e julgadora, além de pedir em 2015 para que o Papa Francisco trouxesse a igreja para o século 21, principalmente em relação relação ao casamento entre pessoas do mesmo sexo. Então ele via que a igreja e a religião eram algo muito bom para ele, tá, era algo extremamente importante na vida dele, mas que precisava se atualizar e não ficar há anos, décadas atrás do que tava parecendo ser.

Todavia, ele foi a favor da consideração de um pai biológico para fetos nascidos através da fertilização in vitro, O que complicou a realização de tal investimento, podemos dizer assim, para casais lésbicos. Me fugiu a palavra que eu queria falar agora, tá? Mas, por exemplo, se um casal lésbico quisesse fazer uma fertilização in vitro, o Burham defendeu que a criança que nascesse dessa fertilização tivesse um pai biológico ali em cartório.

Tá, então essa foi a ideia que ele trouxe, que ele votou a favor. E por outro lado também, durante a sua passagem no parlamento e na Casa dos Comuns entre 2001 e 2017, ele votou contra restrições mais rígidas de aborto. Então ele tem certas precauções contra o aborto, mas ele não quer que seja uma forma extremamente rígida ou quase que proibida de se acontecer, porque creio eu, não li isso, mas creio eu que ele tem uma cabeça de que em certas circunstâncias deve ser permitido a questão do aborto, tá?

Então entendo eu, uma visão minha que eu não olhei em nenhum lugar. E o Birmingham, ele tem uma missão daquelas pela frente, que é tentar equilibrar e reconstruir diversos pratos que estão quebrados, tanto na política quanto na economia britânica. Sendo assim, vamos, vamos dar um panorama geral do que ele fez, tá, de coisas boas e coisas ruins que ele fez. Dentro da Grande Manchester. Então lembra que eu falei que ele nasceu em Liverpool?

Ele foi prefeito da Grande Manchester. A gente vai entrar um pouquinho nisso depois. Vale lembrar e vale ressaltar, como eu já trouxe antes, Liverpool e Manchester são grandes rivais, tanto civis, tá, tanto dentro das cidades, mas não que eles vão entrar em guerra, nada disso, mas eles são rivais ali muito verbais, econômicos, porque são duas grandes regiões que elas trazem muitos benefícios para dentro da Inglaterra e do Reino Unido, tá?

Para quem acompanha futebol como eu, Manchester e Liverpool são grandes rivais ali futebolísticos, e as cidades também elas são grandes rivais economicamente, politicamente, tá bom? Então a gente vai passar um pouquinho pelo histórico do Andy Burnham e depois pelo que ele fez como prefeito da grande Manchester. Então, o Andy Burnham, ele entrou na política com 15 anos, no meio ali dos anos 80, filiando-se ao Partido Trabalhista, no qual ele ainda permanece, certo?

Para tentar diminuir os impactos de certas decisões da Dama de Ferro britânica Margaret Thatcher, que você já deve ter estudado na escola, em seus respectivos cursos da universidade, caso tenham estudado história também. E algumas decisões da Dama de Ferro, elas impactaram principalmente essa região de Liverpool, essa região também de Manchester, que foi bem afetada por conta de certos cortes públicos dentro dessas regiões, tá.

Nos anos 90, ele continua ainda sua participação no Partido Trabalhista. Ele se formou na universidade em Cambridge e ele de fato abraçou de vez a carreira política, tanto que ele virou assessor parlamentar na mesma década, ali no meio para o final da década de 1990. Em 2001, ele foi eleito deputado o que culminou na entrada dele no parlamento, além da sua participação nos debates na Câmara dos Comuns. Entre 2001 e 2017, ele se tornou quase que um camaleão político do Partido Trabalhista, migrando desde secretário-chefe do Tesouro para secretário da Cultura e até mesmo secretário da Saúde, algo que municiou ele de certas previdências, de certos entendimentos e estudos para o que ele fez durante a COVID, tá bom?

E essas transições, elas trouxeram boa bagagem para ele, fazendo com que o Partido Trabalhista resolvesse que Andy Burnham sairia do parlamento entre 2016 e 2017 para concorrer ao novo cargo de prefeito da grande Manchester. Nessas eleições, ele foi eleito como prefeito e ele começou uma revolução no poder local, se tornando o Rei do Norte, quase que um membro da família Stark, né? Brincadeiras de Game of Thrones à parte, mas quase isso.

E ele manteve o seu governo até junho de 2026, quando foi apresentado pelo Partido Trabalhista como sucessor do Keir Starmer em 10 Downing Street, tá? Então ele sucedeu o antigo primeiro-ministro. Já na região de Manchester, ele conseguiu ótimos avanços em questões de políticas públicas voltadas bastante para melhoria do transporte. O cuidado com moradores de rua, uma briga com o governo federal por melhorias no sistema de saúde público e o gerenciamento do poder público imobiliário.

Além disso, antes da abertura do cargo de prefeito de Manchester, uma mudança extremamente importante aconteceu aqui na, ali naquela região, como em outras regiões também, mas vamos focar nessa região, tá? Mudança essa que aconteceu em 2014, quando o governo federal, a partir de Londres, anunciou uma transferência de poder sobre certos assuntos para o governo local. Então esses poderes ali que eu vou falar sobre certos assuntos, eles eram determinados por Londres e eram repassados para as regiões, tá?

Mas depois disso eles foram organizados e apresentados pelos governos locais das regiões. Então, por exemplo, a gente tem hoje aqui no Brasil Brasília capital, com o governo federal lá, e temos as regiões, macrorregiões aqui, Sul, Sudeste, enfim, essas coisas. O governo federal, se a gente for fazer uma comparação, né, então o governo federal a partir de Brasília ele apresentava propostas e ele investia nessas propostas para as regiões quase meio que sem consultar essas regiões, mas achando que faria certo.

Isso era o que acontecia dentro do governo britânico, tá, e que mudou em 2014. Então essas transferências de poderes sobre certos assuntos foram para autonomia sobre transportes, residências, policiamento, sistema de saúde e políticas sociais. E a região de Grande Manchester, ela consiste em 10 regiões e todas estariam a mando do futuro prefeito. Então o futuro prefeito da Grande Manchester, a partir de 2014 e depois quando eleito em 2016, 17, ele teria muito poder sobre essas questões de transportes, residências, policiamento, políticas sociais e sistema de saúde.

Então ele nortearia ali de perto o que era melhor para esses assuntos, para essas políticas públicas, tá certo? Bom, e sabendo disso, obviamente houve uma disputa entre os partidos para o controle da região, que é uma das mais importantes para a Inglaterra. E o Birmingham ganhou, e ele ficou 9 anos no cargo, atingindo e elaborando metas bem expressivas em certas esferas públicas, Mas ele também deixou a desejar em outras esferas que a gente vai ver agora.

Então vou falar coisas boas e coisas ruins que o Burham atingiu e não atingiu como prefeito da Grande Manchester. Bom, a primeira grande conquista do Andy Burham como prefeito da Grande Manchester, perdão, foi a rede de abelhas ou a Bee Network. Foram 6 anos de planejamento, mas em setembro de 2023 saiu do papel o projeto Rede de Abelhas, que foi o início de uma revolução no sistema de transportes públicos na Grande Manchester.

A primeira implementação de novos ônibus e tarifas começou em 2023, em setembro de 2023, com uma segunda fase em 2024 e outra em janeiro de 2025. Ele foi um projeto implementado dentro do tempo e do orçamento previsto, mostrando que quando é bem feito e organizado, o cronograma é seguido. Nesse primeiro momento, as frotas foram atualizadas com novos ônibus, e um quarto deles sendo elétricos. A expectativa é que esse número aumente nos próximos anos, obviamente.

Além disso, as passagens ficaram fixas e mais baratas, com o valor de 2 libras por pessoa, além também de passagens gratuitas para idosos e PCDs. Houve, além disso, atualizações de métodos de pagamento, deixando-os mais rápidos, seguros e eficientes. Além também de aumento de horário de circulação dos ônibus para horários noturnos, além dos que já acontecem durante o dia. E os motoristas também estão no banco de dados da prefeitura, fazendo com que o trabalho seja registrado e melhor pago.

O projeto ainda tem mais fases a serem concluídas, e o planejamento é que haja uma entrega, uma integração entre trens e ônibus até 2028, interligando tanto rotas como alinhando horários entre os dois meios de transporte. Outro projeto bem bacana que o Andy Burnham ele conseguiu fazer com certa rapidez até, que é o projeto Uma Cama para Toda Noite. Esse, como eu já comentei, foi um projeto que ele saiu do papel logo após a entrada do Burnham na prefeitura da Grande Manchester.

Uma Cama para Toda Noite é um projeto que ele fornece abrigo noturno para moradores de rua. Esses abrigos são parcerias de prefeitura, da prefeitura com hostels, abrigos e casas de apoio. Desde novembro de 2018 até recentemente já foram registrados mais de 500 mil, mais de 500 mil utilizações do programa, o que não significa que são 500 mil moradores de rua, certo? Mas sim 500 mil utilizações por noite até hoje. Então, por exemplo, um morador de rua pode ter usado um só, morador de rua pode ter usado todas as noites desde novembro de 2018 até hoje esse programa.

E isso está dentro dessas 500 mil utilizações. Além disso, dada a situação que estava devidamente crítica, o Andy Burnham decidiu que por todo o período do seu governo ele doaria 15% do seu salário para entidades que auxiliam moradores de rua. E além disso, há um projeto também que procura entender os motivos e causas de haverem tantos moradores de rua, e como o poder público pode auxiliá-las dentro do possível para retomarem suas vidas, assim como para evitarem novos moradores de rua pelas mesmas causas nas ruas da grande Manchester.

Outro ponto importante também que ele conseguiu até organizar ali, não vou falar que ele conseguiu superar isso, mas ele conseguiu dinamizar e organizar, tá? O mercado privado imobiliário inglês, ele vinha fazendo uma má gestão na região de Grande Manchester, inflacionando preços, gerando inacessibilidade para diversos setores sociais comprarem ou alugarem casas e levando os imóveis, o setor de imóveis, a uma crise. E tudo isso foi possível após uma determinação de Londres para que o mercado privado pudesse gerir os imóveis e controlasse tudo por ali.

Após a possibilidade, né, de retomada do do poder deste mercado em 2014 pelo poder público, o Burhan viu uma possibilidade de alteração e melhoria. Visto que é um setor muito abrangente, ele propôs uma resolução desse problema até 2038, fazendo deste um projeto de longo prazo para o poder público, no qual a ideia é dar uma maior regulação, além de acessibilidade de casas mais baratas para a população, não só como forma de movimentar internamente ali o mercado, mas também tentativa de atrair um público de fora a morar na região de Manchester.

Então, como eu comentei, como eu comentei, não foi uma resolução, mas sim um planejamento, uma organização para que a resolução viesse mais para frente, tá? Então tá uma bagunça aqui, vamos organizar, vamos botar tudo no lugar, e aí a partir disso a gente vai solucionando o problema para que haja uma melhora ali no setor imobiliário. Outro ponto extremamente importante também que o Burhan, ele bateu de frente, bateu bem de frente com o Boris Johnson, foi durante a COVID-19.

A doença pandêmica, ela atingiu o Reino Unido de uma maneira extremamente forte, sendo um dos locais mais afetados no mundo, causando um colapso no sistema de saúde e fortes pressões regionais sobre o Boris Johnson, que era o primeiro-ministro naquele momento. Uma das pressões, e das mais fortes, ela veio do Andy Burnham, que ele não gostou nada do que ele ouviu do Boris Johnson durante os 2 anos de pandemia. Muito porque o Boris Johnson, ele ofereceu à Grande Manchester um montante de 22 milhões de libras para o combate e contenção da COVID-19.

Porém, o Burnham disse que era muito baixo e que não ajudaria em nada e ficaria, deixaria o sistema de saúde novamente colapsado, não tinha como. Nisso ele pediu quase que o triplo, então ele pediu 65 milhões de libras, com que isso e esse montante faria com que a resposta fosse muito mais assertiva e o combate fosse muito melhor dentro da região da Grande Manchester. Vale ressaltar também que a Grande Manchester é uma das regiões mais populosas da ilha, com um pouco mais de 3 milhões de pessoas.

E obviamente, acho que é enxugar gelo aqui, esse montante ele foi negado pelo Boris Johnson. Outro ponto também importante, que além dessa negação de um repasse de 65 milhões de libras, o Johnson, sem consultar o Birmingham em momento algum, ele declarou que a região da Grande Manchester estaria sobre o Tier 3 de isolamento, que era e ainda é o nível mais severo de confinamento dentro das delimitações britânicas, fazendo com que o Burnham fosse à loucura, quase destruísse o seu gabinete ali na prefeitura da Grande Manchester.

Isso fez com que o Burnham ele batesse de frente com o premier britânico, que também foi acusado, como eu já comentei lá no começo, de festas irregulares durante a pandemia, em um cenário totalmente catastrófico de pandemia que vivia o Reino Unido. O Burnham ele fez duras críticas ao primeiro-ministro, criticando o repasse de verbas para outras regiões também, e pedindo um esforço coletivo para minimização dos impactos da COVID-19.

E foi nesse período que o Burnham começou a ser apelidado de Rei do Norte, tá? Então foram esses motivos que trouxeram um pouquinho do Burnham à tona, não só no Partido Trabalhista, mas também no cenário político britânico. Esses foram os highlights do Burnham à frente da Prefeitura da Grande Manchester. Porém, nem tudo são flores, né? E o Birmingham teve alguns entraves lá no norte da Inglaterra que a gente vai ver agora. Pelo que eu consegui extrair, foram dois grandes gargalos ali políticos que o Birmingham não conseguiu evitar, ou que ele teve certa demora para resolução desses dois gargalos, tá?

O primeiro gargalo se resume muito a questões de polícia, tá? Por quê? Porque o caos ele reinava e ainda reina nos recintos policiais da grande Manchester. Após ele entrar na prefeitura, o Burnham ele se viu diante de obviamente diversos desafios, né? Então transporte público precário, questões sociais com moradores de rua, uma crise imobiliária nas mãos do setor privado, uma necessidade de mudanças na forma como a cidade emitia gases de efeito estufa e um policiamento totalmente pré-histórico.

A situação lá tava tão crítica a ponto de mais de 80 mil crimes não serem documentados pela falta de atualização desse sistema. Então computadores antigos, sistemas totalmente antigos. Então tinha computador ali com Windows 95, tinha computador ali que ligava na CPU, não tinha notebook, laptop, não tinha nada. Então o Burhan, ele se viu assim, pessoal tava quase anotando no na folha de papel os crimes, né? E essa crise, ela veio à tona em dezembro de 2020, após mais de 3 anos de mandato do Burham, e em um dos momentos mais críticos da COVID-19 no país.

Praticamente uma bomba atômica social caiu no colo do Burham, que não tinha para onde correr a não ser resolver essa questão o mais rápido e organizado possível. Desses 80 mil casos, um quinto correspondia do recebido pela polícia, obviamente, envolviam— perdão, desses 80 mil casos, eles correspondiam a um quinto do que a polícia recebia. Então a polícia recebia em torno de 400 mil casos ano ali, né, ou durante o período, e 80 mil casos correspondiam a um quinto do que eles recebiam.

E muitos desses casos, eles envolviam abusos domésticos, com as vítimas tendo assistência, investigações negadas ou até mesmo medidas de segurança negadas, segundo uma reportagem do Manchester Evening News. E o escândalo já tava, o escândalo já tava previsto há muito tempo, tanto que muitos meios de comunicação, chefes da polícia e outras entidades já anunciavam uma deterioração e mau funcionamento do sistema de computadores, mas que foi totalmente desacreditada descredibilizada pela esfera pública.

O Burham, ele conseguiu os ajustes só em 2022, tá, que culminaram no desenvolvimento e aprimoramento da força policial da Grande Manchester. Todavia, a falta de resposta e atenção a isso fez com que o seu mandato fosse falho nesse quesito. E além disso, a força policial da Grande Manchester é uma das maiores ali da do Reino Unido. Se eu não me engano, ela fica atrás somente da de Londres, tá? Então era uma força policial que tava totalmente desatualizada, desgastada, e que precisava de um avanço ali o quanto antes possível, mas que demorou.

Se a gente for olhar quando o Burham conseguiu de fato organizar e ter os ajustes, foram 5 anos depois da entrada dele no gabinete da Prefeitura de Grande Manchester. Outro grande gargalo é a questão de meio ambiente. Bom, as regiões da Grande Manchester, como uma das principais vias de entrada e saída portuárias do país, além de obviamente grande produtora industrial, ela possui um dos ares mais poluídos de toda a Inglaterra, sendo assim necessário um plano de descarbonização e limpeza do ar, principalmente do centro da Grande Manchester.

A partir de 2017, os automóveis que não respeitassem as leis de emissão eram cobrados 60 libras por dia por conta das emissões. Todavia, essas cobranças não foram muito aceitas pelo público, assim, pelo público em geral que tinham carros antigos ou que tinham vans, táxis, que eles não pagariam 60 libras por dia pelo seu carro tá mais antigo, tá ruim, porque eles não tinham incentivos para comprar carros novos. Enfim, foi uma briga generalizada lá.

E essa cobrança, ela foi retirada pelo Birmingham, que ele apostou em uma resolução diferente para a situação. Tanto que ele voltou seus esforços para investimentos no setor de transporte público, principalmente através do programa da Rede de Abelhas, que eu já falei anteriormente, né. O projeto foi bom, porém a resposta para um problema crônico da região demorou, porque a poluição há muito tempo acompanha boa parte das cidades da região e medidas poderiam ter sido tomadas antes.

No médio prazo, é de se entender que a Rede de Abelhas ela está tendo e ela vai ter um papel muito bom nessa diminuição da poluição, porque entende-se que mais pessoas irão usar o transporte público, menos carros irão circular ali em torno das grandes cidades, e isso vai gerar uma diminuição recorrente dessas emissões, principalmente através de carros antigos, vans, táxis, mas mais de mais tempo ali rodando, né. Entretanto, não são só os ônibus que vão salvar o meio ambiente da grande Manchester, e os automóveis antigos, eles precisam voltar a ser taxados contra poluição, muito para o bem da população, além de outras, obviamente, das indústrias e de quem passa por ali, seja de carro, seja de ônibus, seja de caminhão, que está contribuindo para a poluição da cidade.

Bom, se a gente for fazer uma recapitulação de tudo que aconteceu, e ao meu ver, tá, aí é uma opinião minha, parece que o Burham ele fez um trabalho de bom para ótimo ali na grande Manchester. Ele conseguiu algumas mudanças boas, porém em certos momentos lhe faltou rapidez para a resolução de alguns problemas já escancarados, como essa questão da crise climática, da cobrança de uma de uma, de quem não respeitasse as leis de emissão, e também da questão do policiamento, da escassez de sistemas ali do policiamento, tá bom?

O seu legado como prefeito pós volta ao poder da grande, para grande Manchester, ele vai ser bom, tá? Então o legado, se ele for seguido, ele vai ser bom, e ele tem tudo para melhorar a região. Então como um primeiro prefeito ali pós essa volta de poder para grande Manchester, ele parece ter feito um bom trabalho. Mas o seu legado, as suas políticas públicas, elas precisam ser seguidas para que a grande Manchester tenha um futuro ali e um trabalho de longo prazo.

E agora o desafio diferente, né, do Reino Unido. Ele requer muito mais atenção e agilidade. Então vamos olhar um pouquinho dos desafios que ele vai ter pela frente. Desafios esses que eu enumerei, eu pensei e eu analisei da minha visão como alguém que olha para notícias, ouve podcasts e tudo mais, tá? Então são opiniões minhas. Caso alguém tenha indicações ou pense diferente, fique super à vontade para responder ali na sua plataforma de podcast, ou pode me mandar mensagem no Instagram também, no Política Internacional para Apressados, como lhe bem quiserem.

Então estarei totalmente de olhos e ouvidos abertos para auxílios ou opiniões diferentes. Enfim, é isso, isso que movimenta o podcast também, tá bom? Bom, o primeiro grande desafio ali do Byram, e pegando um gancho ali do, de um gargalo que ele não conseguiu solucionar com certa rapidez e com certa eficiência, é a questão de crise climática. Obviamente, crise climática é essa que a gente tem que bater na tecla dia sim dia também, sobre resoluções muito mais assíduas dos nossos governantes mundo afora, tá?

Bom, um dos principais gargalos do Reino Unido é fazer da sua produção industrial, principalmente da sua exploração de petróleo, algo sustentável, tá? Além disso, se a gente for olhar para trás na história, e a gente precisa relembrar sempre a história e olhar para a história para aprender e não cometer os mesmos erros, é que o Reino Unido é um dos grandes responsáveis pelas emissões massivas de gases poluentes na atmosfera da Terra, muito por conta das revoluções industriais que se iniciaram em terras britânicas, né?

Todavia, eles não são os únicos a serem culpados pelo que hoje vivemos de inconsistências climáticas em diversas partes do mundo. Outros países como China e Estados Unidos possuem papel muito maior nessa crise, mas o Reino Unido não é um estado que devemos deixar de comentar. O Reino Unido meio que apresentou o projeto, ó, gente, tô com uma máquina a vapor aqui muito bacana, se vocês quiserem testar dá para a gente evoluir isso e poluir mais o mundo.

Vamos, vamos embora, tipo isso. Então não dá para a gente descartar o Reino Unido. Bom, dentro da produção britânica, principalmente energética, um dos principais desafios é a exploração de petróleo no seu entorno, principalmente no Mar do Norte, no litoral da Escócia, tá? Então estudos recentes descobriram que as reservas de petróleo e gás na região, elas estão em declínio. Além de estarem também começando a ser um berçário de novos corais.

Isso transforma totalmente a visão de uma nação que precisa fazer uma transição energética. Com bacias marítimas em declínio, esse é o melhor momento para se iniciar uma transição energética para fontes renováveis como a eólica e a solar, além também de aproveitarem energia cinética do mar do seu entorno. Eu não tenho muito conhecimento sobre essa questão de produção de energia cinética através das ondas. Mas eu sei que já é algo, acredito eu, que no Japão já é algo que estão começando a utilizar, mas que é algo que já, já se é estudado há algum tempo, que pode vir a ser uma outra fonte sustentável de energia, tá?

Então o Reino Unido, ele pode começar a olhar para isso com bons olhos, além também, obviamente, de energia nuclear. E não estou falando de uma energia nuclear para gerar uma bomba atômica, mas sim de uma energia nuclear porque Querendo ou não, a energia nuclear ela é uma energia sustentável, tá, com diversas aspas, porque qualquer acidente a gente sabe que pode ser uma— desculpa o palavrão— mas uma merda federal ali, tá certo?

Mas as energias, a energia nuclear é uma fonte de energia que pode muito bem ser observada e controlada e trazer grandes ganhos para o setor energético dos países. Tá bom? Além disso, o Mar do Norte, que é onde estão concentradas as plataformas ali de exploração do Reino Unido, pode virar um grande ativo geopolítico para ilha por dois motivos, tá? Primeiro motivo: o Mar do Norte, ele pode em um futuro próximo se tornar uma importante via comercial marítima, já que ele é a entrada e a saída de e para o Oceano Ártico, né?

Ao passo que a crise climática caminha, assim como o degelo no Ártico, para essa nova via marítima, tanto comercial como militar, se abrir e ter uma exploração de petróleo no meio dessa via é quase que inviável, porque meio que você vai estar deixando navios, principalmente militares, passarem muito próximos de uma base energética que você tem. Então, se você talvez pega um navio russo militar passando por ali, que esteja no mau dia, o capitão esteja no mau dia, ele queira ali desestabilizar um pouco a relação entre Reino Unido e Rússia, ele pode simplesmente bombardear essa plataforma, né?

Tô falando em casos extremamente pitagorésicos, né? Mas enfim, eu acho que pode ser uma possibilidade e o Reino Unido tem que abrir o olho para isso. Segundo, seguir um padrão de mudanças energéticas nas frotas automobilísticas da grande Manchester O Burhan, ele pode e deve guiar o Reino Unido para uma transição energética, apostando em energias limpas e renováveis, além de carros elétricos. E o petróleo também, ele tende a ficar com uma menor importância, além de poder ser explorado em outros lugares por empresas britânicas como a Shell e a BP, além de outras empresas ali britânicas, tá?

Então esse é um ótimo momento para se iniciar uma transição energética em um país pequeno Tá? Porque se a gente for comparar com o Brasil, Estados Unidos, China, o Reino Unido é um país do tamanho de um dos estados, né, de cada um desses países. Então é algo, não que seja fácil, mas é algo que é mais simples e com um prazo menor ali dessa transição energética. Então o Byram pode e deve olhar para isso. A gente sabe que só renovação de frotas não é necessário, né, mas já é um começo para uma nação que necessita de mudanças internas, principalmente energéticas.

Outro ponto que o Burham, ele deve se atentar, e aí não sei se todos concordam, mas eu vejo como uma possível mudança de chave, que é o melhor aproveitamento da Commonwealth, né? Muito provavelmente eu vou me desmentir no final desse episódio, porém isso aqui é bem importante. Ela parece ser pouco ou quase nada aproveitado pelos primeiros ministros que passam pela 10 Downing Street ou pelos think tanks noticiários ali que eu acompanho, tá?

O Reino Unido, ele possui dentro das suas fronteiras diplomáticas uma ótima fonte de troca, sejam trocas comerciais, trocas turísticas, militares, entre algumas outras. A Commonwealth, e aqui eu vou abrir aspas para uma jornalista redatora da CNN que é a Giovanna Caesar, espero que eu falo, tenha falado o nome dela certo. Ela abre aspas para ela, né? A Commonwealth é uma aliança voluntária formada atualmente por 56 países, cujo principal objetivo é promover o desenvolvimento social, a paz e a prosperidade entre as nações do grupo.

Fecha aspas. E aí o grupo tem os seguintes países, tá? Abre aspas novamente para Giovanna. Na África temos Quênia, Gana, Moçambique, Nigéria, Ruanda, Uganda, Togo, Zâmbia, África do Sul, Serra Leoa, Botsuana, Camarões, Gabão, Gâmbia, Eswatini, Lesoto, Malawi, Ilhas Maurício, Namíbia, Seychelles e Tanzânia. No Pacífico e países insulares da Oceania: Austrália, Fiji, Kiribati, Nauru, Nova Zelândia, Papua Nova Guiné, Samoa, Vanuatu, Ilhas Salomão, Tonga e Tuvalu.

No Caribe e Américas temos Canadá, Barbados, Jamaica, Bahamas, Guiana, Antígua e Barbuda, Belize, Dominica, Granada, Santa Lúcia, Ilha de São Cristóvão, São Vicente e Granadinas, Trinidad e Tobago. E para finalizar, na Ásia temos Bangladesh, Índia, Malásia, Maldivas, Paquistão, Singapura, Sri Lanka e Brunei. Fecha aspas. Abre aspas novamente. Hoje a Commonwealth abriga 2,7 bilhões de pessoas em 5 continentes. Fecha aspas. Bom, só com essas informações acho que já é bem possível ter uma noção do tamanho da Commonwealth, não é mesmo?

Eu não quero me estender muito aqui não, tá, porque o episódio já tá chegando nos seus quase 40 minutos. Eu não quero me estender porque tem outras coisas para serem comentadas. Mas com a quantidade de países presentes na Commonwealth, vocês não acreditam que seria factível avançar em conversas de trocas comerciais? E não só de promover o desenvolvimento social, promover a paz, promover a prosperidade. Gente, são 56 países, são 2,7 bilhões de pessoas.

Vamos começar a fazer uma troca comercial ali? Vamos começar a ter a língua inglesa como um meio comum ali, e colônias britânicas como meio comum da gente se unir e fazer um pacto bacana ali de comércio, de turismo, de até parcerias militares? Sim, justo. Vamos sair dessa mesmice de que ex-colônias, ex-metrópoles só devem se odiar ou se evitar? Vamos sair disso de que é necessário e é quase que obrigatório desenvolver conversas e otimização de processos Além de social, sim, justo, todos concordam comigo.

A Commonwealth tá nas suas mãos, basta você querer fazer acontecer. Divirta-se, tá? Assim, ó, você tá com a faca e o queijo na mão, não vai me enfiar a faca na mão e jogar o queijo para o cachorro, por favor, né? Bom, a gente já tá chegando perto do fim, tá? Tem mais, mais 2 pontos só. O penúltimo ponto é A Inglaterra, o Reino Unido, precisa de uma imposição diplomática sobre Estados Unidos. E esse tópico aqui eu vou quase que enxugar gelo, né?

Para quem acompanha muito noticiário, acompanha algumas discussões aí, é quase que enxugar gelo, porque desde 1945 que o Reino Unido ele é refém de decisões tomadas em Washington, desde que ele entregou todo e qualquer poder do mundo para os Estados Unidos, eles nunca conseguiram retomá-lo, nem mesmo na Europa, né? Então, que eles perderam voz ativa até mesmo na Europa. E aqui eu estendo também essa preocupação para outros países da Europa, principalmente no quesito de defesa de território e controle migratório.

Os Estados Unidos, como hegemôn do mundo desde 1991, ou seja, como principal poder econômico, militar e monetário do planeta, ele tenta se impor em todo e qualquer assunto que lhe é e não lhe é pedido opinião. Visto que a Europa é um continente sempre muito visado por diversos motivos, os Estados Unidos, eles gostam de estar acima de todos, né? E acredito isso com a pomposidade de terem salvado os europeus das mãos dos alemães durante a Segunda Guerra Mundial.

E com esse pretexto, eles entendem que eles devem ser como patronos dos países europeus, o que é errado, né? Assim, já são 80 anos ali do final da da Segunda Guerra Mundial. E já dá para virar a chavinha, né? Dona ONU também, para quem entendeu. Enfim, o Reino Unido, desde o final da Segunda Guerra Mundial, ele vem obviamente perdendo poder e influência em diversas esferas. E neste século, boa parte das decisões políticas internacionais vem sendo tomadas em conjunto ou subordinadas ao que é feito em Washington.

Então Londres quase que não tem poder ativo ali, poder de fala em cenários internacionais. Tudo é quase que vinculado ou subordinado a Washington. E para que isso mude, o Birmingham, ele precisa entender como controlar o Trump e as suas peripécias, além também de buscar uma aproximação com a Europa que tá se perdendo ou tá praticamente escorrendo pelas mãos ali do Reino Unido desde o Brexit, tá bom? Já são quase 43 minutos, eu vou partir para o último ponto que eu acho que o Berhan, ele tem que olhar com mais carinho, tá?

Último ponto, esse que é a maior interação com a União Europeia e um novo referendo sobre a situação que hoje vive o Reino Unido. Então, falando de Europa, o Canal da Mancha, ele nunca foi tão extenso quanto ele é agora, e parece que a cada primeiro-ministro, ministra, piora a situação, né? É surreal. Com a saída do Reino Unido da União Europeia, a ilha ela parece ter se isolado do continente, o que por um lado já é meio que entendido, que os britânicos têm certos egos por fazerem parte da Europa, né?

Eles têm um ego ali de que eles não são europeus, eles são britânicos e tudo mais. Tem toda essa realeza por trás, esse caráter ali quase que intangível do britânico. Mas por outro lado, essa desconexão ela veio como um balde de água fria, mudando totalmente a dinâmica tanto de trabalho como de movimentação dentro do cenário britânico, tá? E ao meu ver, todavia, agora é o momento de repensar esse distanciamento, principalmente pelo fator de haver uma crise política dentro do maior cargo público do Reino Unido.

É necessário um realinhamento com a Europa, tá? Não só visando uma melhora de transição comercial, mas também do ponto de vista militar, já que uma guerra acontece no leste do continente e uma nova via marítima que passa pelo Reino Unido pode causar outro estresse militar. Então isso pode causar outros alertas. Além disso, imagina a Europa sendo quase, estando no meio de uma corda dentro de um jogo de força ali, de que a gente tem a Rússia estressando a Europa pelos dois lados.

Então passando navios ali pelo, pela, por essa nova Via Ártica, e também tendo a guerra na Ucrânia. Então imagina isso, é quase que um cabo de força com a Europa no meio, né? Além disso, com bons líderes da democracia, um novo referendo ele tem que ser feito sobre a sua atual situação e uma possibilidade de retorno à União Europeia, tá? Isso deve ser estudado com muito carinho pelo Birmingham, independente do orgulho britânico de agora.

Que de serem separadas, parte separada da Europa, o Reino Unido precisa do continente e vice-versa. É entender que foi um erro o Brexit. A União Europeia, acredito eu, tá, esteja de portas abertas para um retorno, porque é uma relação ali de ganha-ganha, mesmo com moedas diferentes, tá. Então temos outros países que possuem, fazem parte da União Europeia e com moedas diferentes, mas é uma relação ali muito próspera que foi perdida por conta de um ego da população e que não deveria ter sido feito, tá bom?

Para finalizar, o Burnham, ele vai ter bastante trabalho à frente, isso é fato. E a gente espera que ele consiga fazer um mandato conciso, plural e direcionado para o bem do país, e para que o Reino Unido ele seja novamente uma força ali dentro do cenário político internacional, tá certo? Muito obrigado para quem ouviu até aqui. Esses episódios acontecem a cada 15 dias, então eu trago um assunto um pouco mais expandido além do que eu trago ali no Pipa News.

Então, caso gostem, caso não gostem, fique super à vontade para me trazer as suas respectivas opiniões, tá certo? Um beijo, um abraço, muito obrigado, fui!

E mais um novo primeiro-ministro | Castnews Index — Castnews Index