Lindos Casos de Chico Xavier audio 10
Lindos Casos de Chico Xavier - Ramiro Gama
Editora LAKE
Audio 10- casos
61 Dom Negrito
62 Na Defesa do Verme
63 Uma Lição Sobre a Fé
64 Bondade Para Com Todos
65 Quem Escreve
66 Lembrando os Fenomenos da Licantropia...
67 Então, Desejo Ser o Burrinho...
- Missão e vocação· ReligiaoHumildade·Missão·Neil Lúcio
- Fenomenos de Licantropia e Sintonia Mental· SociedadeLicantropia·Sintonia mental·André Luiz·Nabucodonosor
- Deus de toda consolação· ReligiaoBondade·Jesus·Emmanuel
- Conteúdo Bíblico· ReligiaoFé em Jesus·Emmanuel·Falibilidade humana
- Dom Negrito e Lições Animais· SociedadeDom Negrito·Espiritismo·Lições de animais
- Cocriação e responsabilidade· SociedadePalavra escrita·Carmen Sinira·Semeadura de ideias
- Aceitação do que não se pode controlar· SociedadeHumildade·Emmanuel·Servidor da natureza
61. Dom Negrito. Este era o nome de um cãozinho preto, luzidio, simpático, para não dizermos espiritualizado, que espontaneamente aparecia às sessões públicas do Luiz Gonzaga. Chegava vagarosa e respeitosamente, dirigia-se para o canto em que estava o Chico E ali ficava como em estado de concentração e prece até o fim dos trabalhos. A dona de Dom Negrito encontrou-se com Chico e disse-lhe: Imagine, Chico, o Negrito às segundas e sextas-feiras desaparece das 20 às 2 horas da madrugada, e agora pouco é que soube para onde vai.
Há sessões do Luiz Gonzaga. Isto tem graça. Ele, que é um cão, consegue vencer os obstáculos e procurar os bons ambientes, e eu, que sou sua dona, por mais que me esforce, nada consigo. E o Chico, como sempre útil e bom, a consolou. Isto tem graça e é uma bela lição, mas não fique desanimada por isto. Dono Negrito vem buscar e leva um pouquinho para sua dona. E um dia há de trazê-la aqui. Jesus há de ajudar. Os tempos estão chegados, é uma verdade.
Até os cães estão dando lições e empurrões nos seus donos, encaminhando-os com seus testemunhos à vereda da verdade por meio do Espiritismo, que esclarece, medica, consola e salva. 62. Na defesa do verme. Um confrade entusiasta elogiava Chico à queima-roupa ao fim de movimentada sessão pública, e o médium, desapontado, exclamou: Não me elogie desta maneira, isto é desconcertante! Não passo de um verme neste mundo. Emmanuel, junto dele, ouvindo a afirmação, falou-lhe paternal: o verme é um excelente funcionário da lei, preparando o êxito da sementeira pelo trabalho constante no solo, e funciona ativo na transmutação dos detritos da terra, com extrema fidelidade ao papel de humilde e valioso servidor da natureza.
Não insulte o verme, pois comparando-se a ele porquanto muito nos cabe ainda aprender para sermos fiéis a Deus na posição evolutiva que já conseguimos alcançar. O médium transmitiu aos circunstantes o ensinamento que recebeu, ensinamento este que tem sido igualmente assunto de interesse em nossas meditações. 63. Uma lição sobre a fé. Um simpatizante do Espiritismo, residente em Santos, estado de São Paulo, veio a Pedro Leopoldo asseverando desejar conhecer Chico para melhor acertar os seus problemas de fé.
O médium, entretanto, empregado de uma repartição, não dispunha de tempo como desejava e, por determinação de sua chefia, estava ausente de casa. O visitante insistiu, insistiu, e como não podia deter-se por muitos dias, regressou a Penates dizendo a vários amigos: duvido muito da mediunidade. Imaginem meu caso com Chico Xavier. Viajo para Pedro Leopoldo com sacrifício de tempo e dinheiro, chego à cidade, informam-me sem mais aquela que o médium estava ausente.
Perdi minha fé, pois tenho a ideia de que tudo seja simples fraude, e estou convencido de que Chico se esconde para melhor sustentar a mistificação. Um dos companheiros de Del escreveu aflito ao Chico relatando-lhe a ocorrência. Não seria aconselhável procurar o queixoso e atendê-lo? O pobre homem parecia haver perdido a confiança no Espiritismo. O médium, muito preocupado, pede o parecer de Emmanuel e o devotado orientador responde-lhe com serena precisão: deixe esta para trás.
Se a fé neste homem for erguida sobre você, é melhor que ele a perca desde já, porque todos nós somos criaturas falíveis. A fé para ele, para nós, deve ser construída em Jesus, porque somente confiando E imitando-lhe os exemplos é que poderemos seguir para Deus. 64. Bondade para com todos. Vários materialistas chegaram a Pedro Leopoldo para assistirem à sessão pública do Luiz Gonzaga numa noite de sexta-feira. Desrespeitosos, começaram por dizer que não acreditavam na doutrina do Espiritismo e que a mediunidade era pura mistificação, quando não fosse simplesmente loucura.
Ainda assim, queriam ver os trabalhos do Chico. O médium em concentração perguntou a Emmanuel: O senhor não julga melhor convidarmos esses homens à retirada? Afinal de contas, não admitem nem mesmo a existência de Deus. Não pense nisso. Exclamou o orientador. São nossos irmãos. Precisamos recebê-los com bondade e ser-lhes úteis tanto quanto nos seja possível. Mas, ponderou Chico, Jesus recomendou-nos não atirar pérolas aos porcos.
Sim, disse Emmanuel com serenidade e compreensão. O mestre determinou que não atirássemos pérolas aos porcos. Todavia, não nos proibiu de oferecer-lhes a alimentação compatível com as necessidades que lhes são próprias. Procuremos ajudar a todos e o Senhor fará por nós todos o que seja acertado e justo. E o médium emocionado guardou a formosa lição. 65. Quem escreve? Um grupo de amigos de Belo Horizonte conversava em Pedro Leopoldo sobre as responsabilidades da palavra escrita, comentando a leviandade de muita gente que usa o lápis e a pena no campo da maldade e da calúnia.
Daí, há instantes, quando os nossos confrades entraram em oração junto do Chico, apareceu o espírito da poetisa Carmen Sinira, endereçando-lhes a seguinte mensagem: Quem escreve? Quem escreve no mundo é como quem semeia sobre o solo fecundo. A inteligência brilha sempre cheia de possibilidades infinitas. Planta uma ideia qualquer onde te agitas, semeia essa ideia pecadora ou santa e vê-la-ás a todos extensiva multiplicar-se, milagrosa e viva.
Sem tanger as feridas e as arestas, conduz com cuidado a pena pequenina em que te manifestas. Foge à volúpia das maldades nuas. Não condenes, não firas, não destruas, porque o verbo falado muita vez é disperso pelo vento que flui da fonte do universo, mas a palavra escrita guarda força infinita que traz resposta a toda sementeira em frutos de beleza e de alegria ou de mágoa sombria para os caminhos de uma vida inteira. Carmen Sinira. 66.
Lembrando os fenômenos de licantropia. Falando das obras magistrais de André Luiz, Particularizamos seu belo livro Libertação, lembrando os fenômenos de licantropia, que é um problema de sintonia. Onde colocamos o pensamento, aí se nos desenvolverá a própria vida. O nosso tesouro está onde está o nosso coração. Recordemos Nabucodonosor, o poderoso rei a que se refere a Bíblia, que nos últimos 7 anos de existência viveu sentindo-se um animal.
Andava de quatro, comia ervas rasteiras e roía ossos como um cão. E Chico, citando André Luiz, estendendo-se em considerações interessantes, citou-nos outros casos de licantropia inextrincáveis ainda para investigação dos médicos encarnados, conforme ponderou o esclarecido autor de Nosso Lar, Dizendo-nos: andando às vezes por aqui e por ali, encontro-me com vários irmãos e, observando bem, descubro em cada qual duas fisionomias, uma que tem e outra que molda com seus pensamentos e sentimentos.
Por isso, vez por outra, vejo moças com fisionomia angelicais E nos elementos plásticos de seus perispíritos, cobrinhas, aranhas, gatos, etc., simbolizando-lhes as tendências. E também observo em fisionomias fechadas, carrancudas, feias, pássaros, libélulas, carneiros, pombas mansas. Isso acontece comigo mesmo, pois descubro muitos animais em mim próprio. Como colaboração ao belo assunto, lembramos-lhe um filme a que assistíramos há tempos, O Pintor de Almas.
O filme revelou um caso verídico da história e o pintor existiu. De uma feita pintou o retrato de uma imperatriz e a fez menos bela do que era, e até com sinais grosseiros no semblante. Com a sua dama de companhia fisicamente feia, pintou-a diferente. Bela. Chamando-a a explicar-se, justificou-se dizendo: vejo-as assim espiritualmente, uma a meu ver é feia e má, a outra bela e caridosa. E dizia uma verdade. O Chico deu uma de suas gostosas gargalhadas e mudamos de assunto, receosos de que o vidente de Pedro Leopoldo observava escondida em nós algum animal ferozíssimo. 67.
Então desejo ser o burrinho. O Chico acabava de ver sair à publicidade mais um dos belos e úteis livros psicografados pelas suas abençoadas mãos. E além de cartas elogiosas ao seu trabalho, recebia pessoalmente em Pedro Leopoldo e em Belo Horizonte, quando lá comparecia, Louvores e mais louvores de confrades e irmãos simpáticos ao Espiritismo, e cada qual citava um fato que mais lhe agradou, realçando o valor do livro neste e naquele aspecto.
O Chico andava atrapalhado com tantos agrados sobre sua pessoa, e em casa, sossegado dos aplausos, dizia de si para consigo: vou deixar de psicografar, pois sou um verdadeiro ladrão roubando referências honrosas que não me pertencem. Os abraços, os parabéns, os elogios que recebo cabem aos espíritos de Emmanuel, André Luiz, Neil Lúcio e de outros que são legitimamente os autores dos livros magníficos. Preciso dar um jeito nisto.
Neil Lúcio que lhe traduzia o pensamento, lhe verificara os propósitos e sorrindo lhe apareceu e disse: não há razão, Chico, para você sentir-se magoado com os elogios. Também os merece. Não, né, Elúcio, sinto-me como um ingrato ladrão indigno. Bem, Chico, vou contar-lhe uma pequena história. Em certo município Dois distritos se defrontavam, separados apenas por pequena distância. Um com a população quase toda enferma, sem recurso de espécie alguma.
O outro cheio de vida, víveres, remédios. Apenas faltava um agente intermediário entre os dois. Ninguém queria servir de ligação, realizar o trabalho socorrista. Foi quando, como mandado do céu, apareceu um burrinho humilde, manso, que com pouco trabalho tornou-se apiado, obediente, capaz de levar sem ninguém do distrito rico ao distrito pobre os recursos de que careciam os irmãos enfermos e sofredores. O burrinho, tendo ao lombo duas jacás, um de cada lado, foi recebendo as dádivas.
Um colocava alimento, outro remédio, mais outro roupas. Colocavam no, a trilha e ele automaticamente lá ia para o distrito lazarento e faminto. Em pouco era esvaziada toda a carga e voltava como fora, alegre, satisfeito por haver cumprido um serviço salvacionista abençoado Para repetir noutras vezes, quando necessário, a mesma tarefa cristã. E antes que Néio Lúcio concluísse, o Chico exclamou: Está bem, Néio Lúcio, então, como burrinho, aceito o serviço.
E nunca mais se importou com louvores, certo de que agora sabia qual a missão que realiza entre a terra e o céu, junto à grande causa. Lição de humildade, de conhecimento de si mesmo, lição para todos nós.