Lindos Casos de Chico Xavier audio 9
Lindos Casos de Chico Xavier - Ramiro Gama
Editora LAKE
Audio 9- casos
50 Sonhando com um Lar
51 Indispensável
52 Não Desejo dar Coices
53 Conversa ou Trabalho
54 Aviso Oportuno
55 As Aparências Enganam
56 Sábia Resposta
57 O Lavrador e a Enxada
58 O Chico Na Opinião de Uma Criança
59 Olhando As Pessoas, Leio Seus Nomes
60 Uma "Pergunta" da Terra e uma "Resposta" do Céu...
Chico Xavier
- Caridade e Contágio· SociedadeAssistência a enfermos·Higiene e preservação·Mandamento de amor
- Servir sem questionar· ReligiaoA enxada e o lavrador·Servir a Jesus·Fuga do trabalho
- Missão e vocação· ReligiaoCasamento e vida pessoal·Serviço ao próximo·Perfume no vaso
- Discernimento e Sabedoria· SociedadeEntrada em locais duvidosos·Capacidade de sair
- Evitar conversas inúteis· SociedadeRendimento espiritual·Calúnia e maledicência·Edificação espiritual
- Julgamento e aparências· SociedadeAparências enganam·Maledicência·Obsessão espiritual
- Humildade e Indispensabilidade· SociedadeIndispensabilidade no trabalho·Serviço de ganha-pão
- Percepção mediúnica· SociedadeLer nomes das pessoas·Reconhecimento de pessoas
- Priorização de tarefas· EducacaoConversa vs. trabalho·Tarefa do livro·Entendimento fraterno
- Pureza Infantil· SociedadePensamento para Eni·Felicidade e candura
- Autocontrole e Temperamento· SociedadeControle de impulsos·Coices controlados
50. Sonhando com um lar. O Chico era muito estimado por todos em Pedro Leopoldo. Todos lhe queriam bem, homens, mulheres e crianças. Um grupo de senhoras comentava a solteirice do Chico quando ele passava, e uma delas falava: falávamos coisas boas de você, Chico. Você deveria casar-se, ter uma companheira, um lar seu. Viver assim diretamente para alguém. Agradeço-lhes muito, minhas irmãs, mas cada um tem a missão que pediu. Abraçou-as satisfeito e partiu.
E foi pensando no que lhe disseram as caras irmãs. À noite, a sós no seu quarto, veio-lhe à lembrança de novo aquele assunto de casamento. Entrando em colóquio com a sua consciência, entendeu que era de fato muito infeliz Escreveu uma carta ao seu grande amigo Manuel Quintão e nela exteriorizou seu estado de alma combalido. Era ele, terminava, como uma árvore seca de galhos mirrados, sem ninhos, sem flores, sem frutos, e dormiu.
Sonhara um lindo sonho. Alguém com quem conversava, certamente inspirado pelo seu querido guia, explicava-lhe: Chico, você sabe bem entender a lição do perfume no vaso. Enquanto aí está, apenas beneficia o vidro que o prende. Fora do vidro, perfuma tudo e a todos. Você, Chico, procure viver não apenas para uma pessoa, mas sim para muitas. E na tarefa com Jesus, você não se pertencerá porque estará a serviço dele. Lembre-se de que o perfume do evangelho pertence a todos.
E o Chico acordou mais alegre, ficou satisfeito com a sua tarefa, apenas não pôde acreditar que fosse perfume. Mas sua irmã Geralda, a quem conhecêramos em Belo Horizonte, justificando os elogios que lhe fazíamos do irmão, dizia-nos: não, ele não é nosso irmão apenas, foi tem sido e é a nossa mãe. 51. Indispensável. O Chico receber um convite reiterado para assistir a uma solenidade que um centro espírita de determinado lugar, um pouco distante de Belo Horizonte, realizaria.
A carta convite assinada pelos diretores do centro, contendo ecômios à pessoa do médium, dizia que sua presença era indispensável. O Chico pensou muito naquele adjetivo, sentiu a preocupação dos irmãos distantes, ansiosos pela sua presença. Certamente iria realizar uma grande missão e não relutou mais. Junto ao seu bondoso chefe, justificou sua ausência por 2 dias, comprou passagem na Central do Brasil e partiu. No meio da viagem, quando já sonhava com a chegada, Antesentindo a alegria dos irmãos, Emmanuel lhe aparece e diz: Então você se julga indispensável e por isto rompeu todos os obstáculos e viaja assim como quem por isto mesmo vai realizar uma importante tarefa?
Já refletiu, Chico, que o serviço do ganha-pão é indispensável a você? Pense bem. O Chico pensou e na próxima estação desceu do trem e tomou outro de volta. A lição foi compreendida. Seus irmãos de mais longe, com seu não comparecimento, compreenderam-na também. 52. Não desejo dar coices. Alguém aconselhou ao Chico sair por uns tempos Sair por uns tempos de Pedro Leopoldo para descansar, arejar as ideias e gozar um pouco a vida.
Esta foi a sua resposta, que vale também por uma lição: não posso sair daqui. Neste abençoado lugar vivi como um burro bem vigiado, e por isso meus coices são bem controlados. Mas se sair, vou dar coices à torto e a direito. Não, deixem o burro preso e feliz onde está. 53. Conversa ou trabalho? Numa singela sala residencial em Pedro Leopoldo, a conversação ia animada. Muitos assuntos, muitas referências. A palestra começara às 17 horas e o relógio anunciava 23 horas.
Chico ia começar uma variação do tema quando ouviu Emmanuel a chamá-lo para o interior doméstico. O médium pediu licença e foi atender. Você sabe que hoje temos tarefa do livro em recepção e já estamos atrasados, falou o amigo espiritual. É verdade, concordou Chico. Entretanto, tenho visitas e estamos conversando. Sem dúvida, considerou o guia. Compreendemos a oportunidade de 1 a 2 horas de entendimento fraterno para atender aos irmãos sem objetivo, porque a Às vezes, através de banalidade, podemos algo fazer na sementeira de luz.
Mas não entendo 6 horas a fio de conversação sem proveito. O médium nada respondeu. Indeciso, deixara correr os minutos quando Emmanuel lhe disse: Bem, eu não disponho de mais tempo. Você decide, converse ou trabalhe. Chico não mais vacilou, deixou a palestração que prosseguia cada vez mais acesa na sala e confiou-se à tarefa que o aguardava, com assistência generosa do benfeitor espiritual. 54. Aviso oportuno. Um grupo de irmãos reunidos em estudos doutrinários solicitou de Emmanuel um conselho sobre o melhor modo de evitar a conversação viciosa inútil.
E o amigo espiritual respondeu por intermédio do Chico: vocês observem qual é o rendimento espiritual da palestração. Quando tiverem gasto 40 a 60 minutos de palavras em assuntos que não digam respeito à nossa própria edificação espiritual, através de nossa melhoria pelo estudo ou de nossa regeneração pessoal com Jesus, Façam silêncio procurando algum serviço, porque pela conversação impensada a sombra interfere em nosso prejuízo, arrojando-nos facilmente à calúnia e à maledicência.
Estendemos aos nossos leitores este aviso oportuno. 55. As aparências enganam. Alguns companheiros conversavam furiosamente em Pedro Leopoldo sobre certo político. A coisa devia ser assim, devia ser de certo modo. O homem era perversidade em pessoa, prometera isso e fizera aquilo. Um dos irmãos dirigiu-se ao médium e perguntou: Que diz você, Chico? Temos alguma referência dos amigos espirituais sobre o caso? O interpelado pretendia responder, mas no justo momento em que ia emitir a sua opinião Ouviu a voz de Emmanuel sussurrar-lhe: Segura os ouvidos, cale a sua boca, você nada tem a ver com isso.
O médium ruborizou-se e o grupo em torno verificou que o Chico não conseguia responder apesar do desejo de externar-se. Alguém ponderou que ele deveria estar mal e rodearam-no em oração, dando-lhe passes. Reunião dispersou-se. Não foram poucos os que, estranhando o caso, afirmaram em surdina que Chico parecia francamente um pobre obsidiado. Mas o fato é que a sombra da maledicência não lhe penetrou o espírito e nem lhe prejudicou.
Por isto, o clima de elevação, fruto de jejum e oração, em que devia viver, em que viveu. Caso digno de ser seguido por todos que zelam pela vitória de seu dia, policiando o que lhes sai dos lábios. 56. Sábia resposta. Há tempos, Chico passou a frequentar certa casa de pessoas amigas mais que de costume, e essa casa, que se rodeava de muitos observadores, não era vista com bons olhos. Chico não devia entrar ali, dizia uns. Aquela gente é perigosa, clamavam outros.
A coisa ia nesse ponto quando um irmão lembrou ao Chico a inconveniência a que se expunha. O médium, muito preocupado, em prece expôs a Emmanuel o que se passava e perguntou-lhe: O senhor acha então que eu não devo entrar lá? E o protetor, sorrindo, deu-lhe esta sábia resposta: Você pode entrar lá quando quiser, somente desejo saber se você pode sair. 57. O lavrador e a enxada. Chico Xavier, por mais de 20 anos, foi empregado na fazenda de criação do Ministério da Agricultura em Pedro Leopoldo.
Certa manhã, caminhava para o trabalho atravessando largo trecho de campo no rumo do escritório, meditando sobre os trabalhos mediúnicos a que se confiava. As exigências eram sempre muitas. Como agir para equilibrar-se na tarefa? Surgiam doentes pedindo socorro, aflitos rogavam consolação, curiosos reclamavam esclarecimentos, ateus insistiam pela obtenção de fé. Os problemas eram tantos. Quando curvava a cabeça desanimado, apareceu-lhe Emmanuel e apontou-lhe um quadro a pequena distância.
Era um lavrador ativo manejando uma enxada ao sol nascente. Reparou? Disse ele ao médium. Guiada pelo cultivador, a enxada apenas procura servir, não pergunta se o terreno é seco ou pantanoso, se vai tocar o lodo ou ferir-se entre as pedras. Não indaga se vai cooperar em sementeira de flores, batatas, milho ou feijão. Obedece ao lavrador e ajuda sempre. Logo após, fez uma pausa e considerou: nós somos a enxada nas mãos de Jesus, o divino semeador.
Aprendamos a servir sem indagar. Chico, tocado pelo ensinamento, experimentou iluminada renovação interior e disse: É verdade, o desânimo é um veneno. Sim, concluiu o orientador, a enxada que foge à glória do trabalho cai na tragédia da ferrugem. Essa é a lei. O benfeitor despediu-se e o médium abraçou o trabalho naquele dia de coração feliz e a alma nova. 58. O Chico Na opinião de uma criança. Eni, a inteligente filha do distinto casal Jaime Hollenberg e Elza Lima, enviou ao Chico o seu álbum em forma de um trevo de 4 folhas para que o querido médium lhe colocasse nas páginas um pensamento.
E o Chico atendeu-lhe escrevendo: Eni, minha bondosa irmã, Quando seu afetivo coração estiver em prece, não se esqueça de mim, seu irmão, que pede a Jesus por sua felicidade perfeita hoje e sempre. Pedro Leopoldo, 14/06/1954. Chico. E Eli, quando leu isto, com lágrimas doces e luminosas nos olhos, exclamou espontaneamente: O Chico é uma maravilha. E é mesmo, dizemos nós, pois o pensamento acima reflete-lhe a alma cândida e maravilhosa.
E por sentir-lhe a felicidade da expressão, escrevemo-lhe ao álbum: Eni, que muito promete na doutrina de Jesus, que os céus concedam a luz ao teu roteiro cristão. Que no teu lar sempre sejas elemento de valor, a realidade do amor no templo do coração. 59. Olhando as pessoas, leio seus nomes. Visitamos o simpático casal Lauro, Deise Pastor Almeida. Ambos admiravam o Chico com bastante sinceridade, sabiam alguns lindos casos do médium, e por isso fomos visitá-los.
Dona Deise contou-nos o que lhe sucedeu ao verem o Chico pela primeira vez quando visitavam Belo Horizonte. Tínhamos uma vontade imensa de conhecê-lo, mas achamos isto tão impossível que nada tentamos para ir a Pedro Leopoldo. Mas uma noite, às vésperas de regressarmos ao Rio, quando Lauro Pastor acabara sua conferência, finalizando a Semana do Livro Espírita, é que vimos o grande médium sentado junto aos que compunham a mesa de magnânima sessão.
Quando tudo terminou, espontaneamente vem ao nosso encontro Chico numa atitude tão simples e tão fraterna como se nos conhecesse há anos. Olha para mim e pronuncia meu nome: Dona Daize. Delicadamente corrijo-lhe a pronúncia, verificando que nada sabe de inglês. E ele natural e humildemente justificou-se: é que eu estou lendo seu nome como ele é escrito. Mais tarde verificamos que de fato, olhando as pessoas, lia seus nomes. Na sessão de Luiz Gonzaga chegavam irmãos que passaram anos sem vê-lo, e ele, Chico, lhes pronunciava os nomes, particularizava casos, como aconteceu com o cadete Ulisseia, a quem só viu uma vez.
Decorridos 3 anos, quando o viu entre muitos, citou-lhe o nome, o que surpreendeu e encantou o jovem militar espírita. Agradecidos ao querido casal pela dádiva que nos deu, escrevemos-lhe no álbum à saída: com Jesus e por Jesus entramos na sua casa, sentindo que nos abrasa sua paz interior. Ave Cristo, bendizemos, dizendo de coração: que vivam nesta oração a tarefa do Senhor. 60. Uma pergunta da terra e uma resposta do céu. O nosso caro irmão Flávio de Souza Pereira andava apreensivo com relação às visitas que fazia aos irmãos enfermos, portadores de moléstias ditas contagiosas como a lepra e a tuberculose, visto que vivia sempre recebendo de parentes e amigos menos crentes constantes advertências: olhe lá, cuidado, senão você acabará também com a moléstia.
Indo a Pedro Leopoldo, não se conteve, e na sessão a que assistira, com sincera atitude de crente, fez a pergunta: Diante da necessidade de assistência direta a um irmão nosso em humanidade, portador de uma moléstia contagiosa como a tuberculose, lepra, etc., como devemos proceder? E Chico recebeu do caroável Bezerra de Menezes a seguinte e expressiva resposta: cremos que a higiene não deve funcionar em vão. Por isso mesmo, não vemos qualquer motivo de ausência do nosso esforço fraterno quanto aos nossos irmãos enfermos a pretexto de preservarmos a nossa saúde, de vez que também de nós mesmos temos ainda pesados débitos para resgatar.
Evitar o abuso é dever, mas acima de quaisquer impulsos de autodefesa em nossa vida, Prevalece a caridade com seu mandamento de amor, sacrifício e luz.