Lindos Casos de Chico Xavier audio 8
Lindos Casos de Chico Xavier - Ramiro Gama
Editora LAKE
Audio 8- casos
46 Moirões Juntos...
47 Um Relógio ao Doente
48 Obrigado Chico...
49 Palavras aos Enfermos
46. Moirões juntos. Alguns confrades do estado de São Paulo visitaram Chico e por alguns dias gozaram de sua convivência amável e instrutiva. Um deles, mais entusiasmado com os fenômenos a que assistira, admirando a vida simples dos habitantes de Pedro Leopoldo, em nome dos companheiros disse ao Chico: Vamos voltar para São Paulo, vender tudo que temos e depois com nossas famílias viver definitivamente nesta bela cidade em sua companhia.
Assim acabaremos felizes os nossos dias e poderemos ser mais úteis ao próximo e desenvolver nossos dons mediúnicos. O Chico ouviu-o e amorosamente lembrou-lhe: Talvez não dê certo, caro irmão. O melhor é ficarem onde estão. Depois, Emmanuel está dizendo-me ao ouvido que muitos moirões juntos não fazem boa cerca. E os moirões voltaram para São Paulo e foram segurar suas cercas, que sentiam suas ausências. 47. Um relógio doente.
Um confrade presenteou Chico com um belo relógio de pulso. Aceitou porque o confrade insistia muito. Andou vários dias com ele, admirando-lhe a pontualidade. Mas um dia, a caminho do serviço, lembrou-se de saber rapidamente como ia Dona Glória, a quem na véspera dera um passe e para quem Bezerra receitara os remédios homeopáticos. Então está melhor, Dona Glória? Tomou pontualmente os remédios? Um pouco melhor, Chico. Só não tenho tomado os remédios com pontualidade porque, como você sabe, sou pobre e ainda não pude comprar um relógio.
Por isto não. E tirando do pulso o relógio que ganhara, disse-lhe sem mais delongas: fique com este como lembrança. E deixando a irmã surpresa e emocionada, o médium partiu dizendo-lhe na costumeira despedida: fique com Deus, Deus a proteja. Como a senhora está precisando de relógio, este deve ser seu. 48. Obrigado, Chico. Estava Chico parado de fronte do correio conversando com seu irmão André. Quando um guarda policial passou-lhe por perto e, colocando o braço direito sobre seu ombro, lhe disse: Muito obrigado, Chico, e foi andando.
Chico ficou intrigado com aquele agradecimento, não podia atinar com sua causa. À tarde, ao regresso do serviço, viu de fronte a um bar um bloco de trabalhadores da fábrica e no meio deles o guarda que o abraçara pela manhã. Passou mais por perto e observou que o guarda tentava apartar uma briga entre dois irmãos que se malquistaram por coisas de somenos. O guarda, vendo inúteis seus esforços e porque a discussão já se generalizava envolvendo todo o bloco, tirou da cintura o revólver e ia usá-lo para impor a sua autoridade.
Chico, mais que depressa, chegou-lhe perto e pediu-lhe: Calma, meu irmão. O guarda voltou-se contrariado, mas reconhecendo Chico e como que envergonhado do seu ato, exclamou: Muito obrigado, Chico! Controlou-se, usou da palavra, aconselhou e o bloco foi desfeito com o arrefecimento dos ânimos. À noite, indo Chico para Luiz Gonzaga, encontrou-se com o guarda. Chico, Ia procurá-lo e agradecer-lhe muito de coração o bem que você me fez por duas vezes.
Por duas vezes? Como? Anteontem sonhei com você que me dizia: cuidado, não saia de casa carregando arma à cintura como sempre faz, evite isto por uns dias. Por isso é que lhe disse hoje de manhã: obrigado, Chico. Referia-me ao sonho, ao seu aviso, mas esqueci-me de atendê-lo, pois saí armado. E se não fosse o concurso de nossos amigos espirituais na hora justa, teria feito hoje uma grande asneira e poderia até ter matado alguém.
Mas a lição ficou, Chico. Muito obrigado. Deus nos ajude sempre. 49. Palavras aos enfermos. Os doentes eram tantos em Pedro Leopoldo, noite a noite, que o espírito de Nélio Lúcio, compadecendo-se dos sofredores, endereçou-lhe a mensagem que transcrevemos abaixo. Palavras aos enfermos: toda enfermidade do corpo é processo educativo para a alma. Receber, porém, a visitação benéfica entre manifestações de revolta é o mesmo que recusar as vantagens da lição rasgando o livro que no-la transmite.
A dor física, pacientemente suportada, é golpe de buril divino realizando o aperfeiçoamento espiritual. Tenho encontrado companheiros a irradiarem sublime luz do peito como se guardassem lâmpadas acesas dentro do tórax. Em maior parte são irmãos que aceitaram com serenidade as dores longas que a Providência lhes endereçou a benefício deles mesmos. Em compensação, tenho sido defrontado por grande número de ex-tuberculosos e ex-leprosos em lamentável posição de desequilíbrio afundados, muitos deles em charcos de treva, porque a moléstia lhes constituiu tão somente motivo à insubmissão.
O doente desesperado é sempre digno de piedade, porque não existe sofrimento sem finalidade de purificação e elevação. A enfermidade ligeira é aviso. A queda violenta das forças é advertência. A doença prolongada é sempre renovação de caminho para o bem. A moléstia incurável no corpo é reajustamento da alma eterna. Todos os padecimentos da carne se convertem com o tempo em claridade interior quando o enfermo sabe manter a paciência aceitando o trabalho regenerativo por bênção da infinita bondade.
Quem sustenta a calma e a fé nos dias de aflição encontrará a paz com brevidade e segurança, porque a dor em todas as ocasiões é a serva bendita de Deus que nos procura em nome dele, a fim de levar a efeito dentro de nós o serviço da perfeição que ainda não sabemos realizar. Nélio Lúcio. Cremos que a leitura desta página nos oferece confortadores pensamentos de paz, consolação, disciplina e esperança.