Lindos Casos de Chico Xavier audio 7
Lindos Casos de Chico Xavier - Ramiro Gama
Editora LAKE
Audio 7 - casos
41 Orgulho ou Distração...
42 Quem Dera Você Fosse o Chico...
43 A Cruz de Ouro e a Cruz de Palha
44 Viajando com o Irmão Sacerdote
45 "Nossos Caricaturistas"...
- Espíritos turbulentos e caricaturistasCajado Filho·Amor e oração·Autocorreção
- A cruz de cada umEmmanuel·Trabalho sacrificial·Humildade e renúncia
- Diálogo Religioso· ReligiaoCajado Filho·Emmanuel·Diálogo inter-religioso
- Orgulho e Humildade· SociedadeCajado Filho·Emmanuel·Humildade e perdão
- Desejo de conhecer Chico XavierCajado Filho·Admiração e decepção
41. Orgulho ou distração. De fronte ao Hotel Diniz, de propriedade de Dona Naná, achava-se um irmão alcoolizado. Por ali, de manhã e na hora do almoço, passou o médium a caminho do seu serviço. O Chico, de longe, notou que o rapaz estava num de seus piores dias. Não se contentava em cantar e fazer esgares, provocava também apelidando com jocosos nomes quantos lhe passavam à frente. De leve e bem ao longe, passou sem ser visto pelo irmão embriagado e já se achava distante quando Emmanuel delicadamente lhe diz: Chico, nosso amigo viu-o passar?
E esconder-se dele. Está falando muito mal de você e admirado do seu gesto. Volte e retifique sua ação. O Chico voltou. Como vai, meu irmão? Desculpe-me por não o ter visto, foi distração. É, já estava admirado de você fazer isso, Chico. Que os outros façam pouco caso de mim não me incomodo, mas você não. Estava dizendo bem alto: como Chico está orgulhoso, já nem se lembra dos pobres irmãos como eu. Pensa que estou embriagado e foge de mim como se eu tivesse moléstia contagiosa.
Não, meu caro, foi apenas distração. Desculpe-me, pensava que era orgulho. Está desculpado, vá com Deus. Que Deus ajude e lhe dê um dia feliz. Pelo abraço consolador que você me deu. E Chico partiu ganhar uma lição e dava aos que observavam outra bem mais expressiva. 42. Quem dera que você fosse o Chico. Numa livraria de Belo Horizonte servia um irmão que, pelo hábito de ouvir constantes elogios ao Chico Xavier, tornou-se de admiração pelo médium.
Leu, pois, com interesse todos os livros de Emmanuel, André Luiz, Nélio Lúcio, Irmão X, e desejou insistentemente conhecer o psicógrafo de Pedro Leopoldo. E aos fregueses pedia de quando em quando: façam-me o grande favor de me apresentar o Chico logo que apareça. Numa tarde, quando o Aloísio pois assim se chamava o empregado, reiterava a alguém o pedido, o Chico entrou na livraria. Todos os presentes, menos o Aloysio, se surpreenderam e se alegraram.
Abraçaram o médium, indagaram-lhe as novidades recebidas, e depois um deles se dirigiu ao Aloysio: Você não desejava ansiosamente conhecer o nosso Chico? Sim, Ando atrás desse momento de felicidade, pois aqui o tem. Aloysio o examinou, viu tão sobriamente vestido, tão simples, tão decepcionante, e correspondendo ao abraço do admirado psicógrafo, com ar de quem falava uma verdade, que não era nenhum tolo para acreditar em tamanho absurdo: Quem dera que você fosse o Chico, Quem dera.
E Chico, compreendendo que Aloysio não pudera acreditar que fosse ele, o Chico, pela maneira como se apresentava, respondeu-lhe candidamente: É mesmo, quem me dera. E despedindo-se, partiu com simplicidade e bonhomia, deixando no ambiente uma lição, uma grande lição, que ia depois ser melhormente traduzida por todos e muito especialmente pelo Aloysio. 43. A Cruz de Ouro e a Cruz de Palha. Alguns membros da Juventude Espírita do Distrito Federal e de Belo Horizonte visitavam o Chico antes de começar a sessão do Luiz Gonzaga.
Palestravam animadamente sobre o assunto de doutrina e a tarefa destinada aos moços espíritas. Uma jovem inteligente, desejando orientação e estímulo, colocou Chico a par das dificuldades encontradas para vencerem o pessimismo de uns, a inquietude e a incompreensão de muitos. Poucos queriam um trabalho sacrificial, testemunhador do roteiro evangélico que estava a exigir dos jovens uma vida limpa, correta, vestida de abnegação e renúncia.
Desejavam colher sem semear. O Chico ouviu e considerou: o trabalho das juventudes com Jesus tem que ser mesmo diferente. Sua missão será muito difícil e por isso gloriosa. E recebeu de Emmanuel esta elucidação envolvida na roupagem pobre do nosso pensamento: há a cruz de ouro e a cruz de palha. Simbolizando nossas tarefas. As de ouro, a mais procurada, pertence aos que querem brilhar, ver seus nomes nos jornais citados, apontados, elogiados como beneméritos.
Querem simpatia e bom conceito. Se tomam parte em alguma instituição, desejam nela os lugares de mando e de evidência. Querem cargos e não encargos. A de palha, a menos procurada, no entanto, pertence aos que trabalham como as abelhas, escondidamente e em silêncio. Lutam e caminham com humildade, na certeza de que por muito que façam, mais poderiam fazer. Não se ensoberbecem dos triunfos, antes Se estimulam e se defendem com oração e vigilância, sentindo a responsabilidade que assumiram como chamados por Jesus à tarefa diferente.
Entendem a serventia das mãos e dos pés, dos olhos e da mente, do coração, enfim, colocando amor e humildade em seus atos, nos serviços que realizam. Por carregarem a cruz de palha, toleram o vômito de um, o insulto de mais outro, a incompreensão de muitos, testemunhando a caridade desconhecida, oferecendo com o sofrimento e a renúncia, com o silêncio e o bom exemplo, remédios salvadores aos companheiros que os adversam e os ferem e desconhecem a vitória da segunda milha.
Os jovens presentes estavam satisfeitos. De seus olhos, órgãos musicais da alma, saíam notas gratulatórias, exornando o ambiente feliz que viviam. Demais não precisavam. Entenderam o trabalho que lhes cabia realizar nas terras do Brasil, o coração do mundo e a pátria do Evangelho. Linda lição, com vista também aos idosos e a todos que conseguem ouvir Jesus na hora em que poucos o ouvem. 44. Viajando com um irmão sacerdote. Sentado no ônibus que o levaria a Belo Horizonte, Chico notou que seu companheiro de banco era um irmão sacerdote.
Cumprimentou-o e entregou-se à leitura de um bom livro. O sacerdote também correspondeu-lhe o cumprimento, abrira um livro sagrado e ficara a lê-lo. Em meio à viagem, passou o ônibus perto de um lugarejo em Bandeirado que comemorava o dia de São Pedro e São Paulo. O sacerdote observou aquilo e depois, virando-se para o Chico, comentou: Vejo esta festividade em honra de dois grandes santos e neste livro leio a história de São Paulo, cujo autor lhe dá proeminência sobre São Pedro.
Não se pode concordar com isso. São Paulo é o príncipe dos apóstolos, mas São Pedro recebeu de Jesus as chaves da igreja. O Chico Delicadamente deu sua opinião e o fez de forma tão simples, revelando grande cultura, que o sacerdote, que não sabia com quem dialogava, surpreendeu-se e lhe perguntou: O senhor é formado em teologia ou possui algum curso superior? Não, apenas cursei até o 4º ano da instrução primária. Mas como sabe tanta coisa da vida dos santos, principalmente de São Paulo, de São Estevão, de São Pedro e de outros, realçando-lhe fatos que ignoro?
Sou médium. Então o senhor é Chico Xavier de Pedro Leopoldo? Sim, para o servir. Então permita-me que lhe escreva e prometa-me responder minhas cartas, pois tenho muitas coisas para lhe perguntar. Faça-me este favor. Afinal, verifico que Deus nos pertence. Pode escrever. De bom grado responder-lhe-ei. Assim trabalharemos não apenas para que Deus nos pertença, mas para que pertençamos também a Deus, como nos ensina o nosso benfeitor Emmanuel.
E sempre Chico recebia cartas de irmãos de todas as crenças, particularmente de sacerdotes bem-intencionados, como o irmão com quem viajou e de quem se tornou amigo. E tanto quanto lhe permitia o tempo, lhes respondia. E nas respostas ia distribuindo o pão espiritual a todos os famintos, ovelhas do grande redil em busca do amoroso e divino pastor que é Jesus. 45. Nossos caricaturistas. Em casa de Dona Naná, proprietária do Hotel Diniz, O Chico chegou para consolá-la em virtude de estar passando por provas dolorosas e para lhe dar o resultado auspicioso de uma sessão que fizera, na qual receberam expressivo esclarecimento para aquela irmã.
Chico, orientado pelos seus amigos de mais alto e tendo à frente seu abnegado guia, ajudava e passava, amparava em silêncio, colaborando com todos Sem ferir, sem magoar, deixando com a cara, irmã, mãe extremosa e leal servidora do Cristo, uma réstia de luz e uma palavra de bom ânimo, partiu conosco para a fazenda. No caminho revelou-nos suas observações e suas inquietações pela hora que vivíamos. Na sessão feita a benefício de irmãos desencarnados, apareceram-lhe espíritos turbulentos, insensíveis aos sofrimentos alheios, e que, formando legiões, agem aqui e ali, neste e naquele lar, agravando-lhes as provas.
Precisamos orar por eles, disse o Chico, e se possível amá-los com sinceridade. Quando em contato conosco, precisamos auxiliá-los oferecendo-lhes nossa ajuda. Não sabem o que fazem. Moços na flor da idade, instrumentais mediúnicos incontroláveis, sem convicções sinceras em matéria de fé, vivem por aí presos aos seus interesses, atarantados, atristando os corações maternos, tornando-se vítimas fáceis daqueles espíritos. Lembramos ao Chico o caso dos caricaturistas retratados nesses espíritos que nos experimentam e são como que nossos caricaturistas, pois que aumentam os nossos defeitos de tal forma que quando com e por eles falimos, ficamos de tal forma derrotados, sentindo nossos defeitos, que nos propomos a corrigir-nos incontinentemente.
Chico sorriu e objetou-nos: mas precisamos amar a esses caricaturistas, desejar-lhes todo o bem possível para neutralizar-lhes todo o mal e os encaminharmos ao bem. Um favor que fazemos a um seu parente encarnado constitui já um motivo para lhes fazer parar os golpes contra nós e despertar-lhes um pouco de carinho em nosso benefício. Ajudemo-los com as nossas orações, auxiliemo-los com nossos pensamentos de amor, ensinemo-los com as nossas boas ações, e Jesus finalizará o nosso começo.